Relação com as pessoas

Toda pessoa deseja manter relações amistosas com os outros. Ninguém quer criar uma situação amarga e desagradável com os vizinhos, amigos e companheiros. Todos desejam ser queridos pelos outros. Mas alguém já pensou por que esse sentimento existe entre as pessoas? Por que há no ser humano essa tendência de ser bem considerado pelos outros? Refletindo profundamente, percebe-se que há várias razões para isso. O desejo inato de toda pessoa é alcançar elevada consideração aos olhos dos outros e que todos tenham uma alta opinião a seu respeito. Ser visto de modo desagradável pelos outros é doloroso para qualquer um. Por isso, essa tendência humana pode ser observada em todos, desde o mendigo miserável até o xá, o rei dos reis. O comerciante pensa que sua relação com as pessoas deve ser boa e cada vez mais ampla. Que todos o considerem honesto. Assim, há possibilidade de melhorar e expandir seus negócios. Do mesmo modo, advogados, médicos, empresários, proprietários de fábricas — em uma palavra, toda pessoa da sociedade humana — deseja que o alcance de sua relação com as pessoas da sociedade se torne cada vez mais amplo, e que todos tenham uma boa opinião a seu respeito. Especialmente desde o dia em que, em nome dos direitos democráticos, foi reconhecido que a responsabilidade de administrar o país e a sociedade deve ser confiada àqueles que desfrutam da confiança da maioria, o esforço para alcançar ampla popularidade transformou-se numa arte própria. Surgiram inúmeras maneiras artificiais pelas quais uma pessoa pode facilmente aumentar sua popularidade na sociedade e o número de seus apoiadores, conseguindo, em pouco tempo, ampliar o alcance de suas relações com as pessoas. Em suma, às vezes o amor e o afeto, às vezes o fascínio pela riqueza e pelos bens materiais, e outras vezes a ambição por honra, respeito e elevada consideração obrigam a pessoa a fazer com que suas relações na sociedade humana sejam boas e cada vez mais amplas, para que todos tenham uma boa opinião a seu respeito e a vejam com bons olhos.

Ao longo dos séculos, as pessoas têm se esforçado para satisfazer esse desejo. Convidam os outros para comer, aconselham a ajudar os pobres. Discursam com voz comovida, cheios de compaixão pelos desamparados e desprovidos. Alguns, sob o pretexto de reivindicar arroz e lentilhas para os que não têm comida nem roupas, exibem o auge de um amor humano artificial. Colocam-se na fileira dos camponeses, trabalhadores e despossuídos, encenando uma luta por seus direitos. Depois, obtêm o apoio das massas e abrem caminho para tomar o poder. Às vezes apresentam-se diante das pessoas como encarnações de caráter ideal; outras vezes, estendem a mão a assuntos que estão além de sua autoridade. Assim, por inúmeras maneiras, abrem caminho para a popularidade na sociedade humana. No caso de muitos, o objetivo de melhorar e ampliar suas relações com as pessoas fica exposto diante de todos como à luz do dia; compreende-se claramente com que finalidade desejam melhorar e ampliar essas relações. No caso de outros, embora isso não seja percebido, uma reflexão um pouco mais profunda revelará qual é seu principal objetivo por trás do estabelecimento dessas relações.

Isso diz respeito a um aspecto do desejo de estabelecer, melhorar e ampliar relações. Vejamos agora a forma e a necessidade disso na vida de um verdadeiro crente. Qual é, e qual deveria ser, o papel, nesse aspecto, de uma pessoa que acredita em estabelecer, sobre a face da Terra, a autoridade de Allah e a liderança absoluta do Mensageiro? Trata-se de alguém que compreendeu corretamente o propósito e o objetivo de sua vida; em cujo coração se enraizou o desejo supremo pelo progresso na Vida Futura, acima do progresso, da honra, da posição e da riqueza do mundo terreno; alguém firmemente determinado a estabelecer a satisfação de Allah e o sistema de vida por Ele concedido, e a permanecer firme nele; alguém que deseja transmitir aos outros servos de Allah o convite para esse sistema de vida; alguém que compreendeu que seu Criador e Senhor lhe confiou a responsabilidade de convidar as pessoas à verdadeira obediência a Allah e ao Mensageiro. É preciso construir neste mundo um ambiente e uma sociedade cuja base seja o sistema de vida concedido por Deus, isto é, o Alcorão e a Sunnah. Para tal pessoa, a necessidade de melhorar e ampliar suas relações com as pessoas é mais importante do que todas as demais tarefas. Portanto, quem decidiu que deve transformar a mente e o coração das pessoas, conduzir seu modo de pensar pelo caminho correto e estabelecer, no campo de seus pensamentos e imaginação, os critérios do bem e do mal — em uma palavra, quem acredita no ideal islâmico e deseja que a predominância da lei revelada por Allah seja estabelecida em todos os setores da vida humana — precisa, como primeiro passo, estabelecer relações estreitas e íntimas com as pessoas e ampliá-las. Do mesmo modo, é seu dever manter-se afastado de tudo que constitua um obstáculo à melhoria de suas relações com as pessoas. Ou seja, é necessário afastar-se de tudo aquilo que, em vez de melhorar essas relações, acaba criando amargura.

Transmitir às pessoas o convite para o caminho de Allah, permanecer firme e inabalável sobre a religião de Allah em qualquer situação adversa ou momento de conflito, e estabelecer o sistema de vida concedido por Allah em todos os estágios da vida humana não é uma tarefa que possa ser realizada pelo uso da força ou pela intimidação; tampouco pode ser realizada por qualquer espécie de magia ou encantamento. É nisso que ela difere das demais atividades do mundo. Embora seja relativamente fácil tornar-se uma autoridade pela força física e subjugar alguém, conquistar o coração de uma pessoa é uma tarefa extremamente difícil. Governar um reino pela força e apoderar-se de seus tesouros mediante coerção é uma coisa; governar o reino do coração de alguém ou transformar radicalmente seu modo de pensar é algo completamente diferente.

O mesmo objeto pode ser usado para o bem ou para o mal, conforme a diversidade da maneira como é utilizado. Suponhamos que uma espada caia nas mãos de um bandido: a sociedade humana fica aterrorizada; mas, se cair nas mãos de um mujahid que luta no caminho de Allah, assume a forma de um símbolo de paz. Do mesmo modo, isso também se aplica ao estabelecimento de relações mútuas de amizade e harmonia com as pessoas. Uma pessoa movida simplesmente pela ganância por dinheiro e pela ambição de prestígio tem um objetivo ao ampliar suas relações com as pessoas, enquanto o objetivo de quem convida ao caminho da verdade e propaga a religião de Allah é, nesse aspecto, completamente diferente. É justamente por essa diferença de objetivos que, hoje, a importância de uma é muito maior para nós do que a da outra. Depois de explicar a importância de ampliar as relações com as pessoas para quem convida ao caminho da verdade, deveríamos encerrar o assunto dizendo que é dever dos propagadores da religião esforçarem-se para tornar amplas e melhores suas relações com as pessoas. Mas isso todos sabem e compreendem. Ainda assim, é necessário discutir o tema com mais detalhes. Na minha opinião, descobrir um método prático pelo qual cada pessoa possa avançar individualmente na ampliação e melhoria dessas relações certamente será de grande ajuda para os trabalhadores da religião. Como resultado, muitos caminhos novos se abrirão diante deles para avançarem. É com esse objetivo que desejo discutir detalhadamente o tema em questão.

Todos consideram a si mesmos bons

Antes de discutir esse assunto, é absolutamente necessário conhecer algumas fraquezas da mente humana. Isso porque o tratamento adequado depende do diagnóstico correto da doença.

1. Naturalmente, toda pessoa nutre uma boa opinião sobre si mesma. Todo assaltante, ladrão ou assassino tem a convicção de que é inocente. Depois de conversar por algum tempo com um detento em qualquer prisão, você será obrigado a dizer que ou todos os presos decidiram previamente apresentar-se como inocentes, ou então terá de concluir que certamente o governo está cometendo uma flagrante injustiça contra eles, mantendo essas pessoas inocentes encarceradas sem compreendê-las nem ouvi-las. No entanto, nenhuma dessas duas suposições é verdadeira. Ao investigar a causa, é preciso voltar à afirmação anterior: o ser humano nutre uma boa opinião sobre si mesmo. Assim, um assaltante que durante toda a vida cravou a faca na garganta de pessoas inocentes, matou impiedosamente transeuntes indefesos e saqueou o dinheiro e os bens das pessoas também se considera bondoso e útil aos outros. Do seu ponto de vista, ele pensa: “Eu também dou uma parte dos bens roubados aos pobres e necessitados; o que há de tão grave nisso?” Talvez um assassino se considere inocente porque, segundo sua própria concepção, disparou ou usou a arma apenas com o objetivo de se defender — e, naquela situação, ele podia fazê-lo. Da mesma forma, um ladrão considera-se inocente dizendo que, apesar de ter capacidade, não consegue emprego em lugar algum e que não é tão cruel a ponto de ficar sentado em casa, de braços cruzados, enquanto seus filhos morrem prematuramente diante dele, vencidos pela fome. Portanto, por necessidade de preservar a vida, foi obrigado a roubar na casa de outra pessoa.

Desse modo, todo criminoso recorreu a diferentes argumentos para provar que sua ação era legítima. Basta conversar com um criminoso para perceber os argumentos que ele apresenta em defesa da própria inocência e pureza. Isso diz respeito àqueles que são criminosos e condenados, e que as pessoas do mundo consideram criminosos. Além deles, há ainda outras pessoas com quem estamos envolvidos por meio de cada atividade e negócio da vida cotidiana; é necessário agora discutir que papel elas desempenham nesse aspecto.

Toda pessoa, grande ou pequena, acredita que aquilo que diz é correto e exato. A primeira fraqueza inata da mente humana é considerar-se sempre inocente e considerar corretas as próprias ações.

2. Vemos que uma pessoa, por mais equivocada que esteja, de modo algum consegue tolerar que outra procure falhas em suas ações ou lhe aponte algum defeito. Por isso, quando se aponta qualquer falha ou fraqueza de alguém, essa pessoa explode de raiva e manifesta uma atitude de oposição. Por mais argumentos que lhe sejam apresentados, ela certamente oferecerá muitas justificativas e provas para encobrir suas falhas e fraquezas. A única razão disso também é que todos pensam que a própria opinião é absolutamente correta.

Tendo essas fraquezas em vista, você deve refletir sobre qual deve ser seu papel na reforma da sociedade. Não pense de modo algum que, simplesmente por apontar a fraqueza ou o defeito de alguém, essa pessoa aceitará suas palavras ou se empenhará em corrigir-se. Na maioria dos casos, você encontrará alguém que talvez se considere completamente livre de defeitos e que, julgando sua opinião e seu caminho estabelecidos sobre bases corretas, talvez encontre muitos argumentos e provas para defendê-los. Mesmo que não consiga apresentar nada racional, tentará repetidamente dizer: “Ainda que minhas palavras não sejam absolutamente corretas em comparação com seus argumentos e provas, você não pode simplesmente descartá-las como totalmente irracionais.” Nessas circunstâncias, por mais que você tente corrigi-la, ela de modo algum aceitará isso; ao contrário, afastar-se-á cada vez mais de você. Como resultado, surgirá em você um sentimento de desânimo. Você começará a pensar que, ao ordenar o bem e impedir o mal, seus relacionamentos com as pessoas estão sendo destruídos. O surgimento de tal complicação em um trabalho altruísta é realmente irritante. Pois, quando seu desejo sincero é estabelecer relações mais próximas e afetuosas com as pessoas, por meio das quais possa oferecer-lhes alimento para um pensamento correto e impedi-las de seguir o caminho errado, e até mesmo o relacionamento anterior começa a se desfazer, é natural que surja em você um sentimento de irritação. Assim, quando alguém enfrenta uma situação tão irritante uma ou duas vezes, mais tarde, temendo perder a confiança das pessoas, mesmo ao deparar com alguma ação injusta ou má, desvia o olhar e diz em tom irritado: “Que vantagem há em prejudicar o relacionamento com as pessoas? Será que essa gente ouvirá alguma coisa?”

Nossa perspectiva a esse respeito é completamente diferente. Pois, se um divulgador de uma doutrina ou ideal adotasse esse papel, não seria possível apresentar qualquer ideia nova que contrariasse as concepções estabelecidas no coração das pessoas do mundo. Consequentemente, todo esforço e todo movimento destinado a reformar este mundo assolado pela injustiça, pela opressão e pela tirania, e a conduzi-lo pelo caminho correto, seriam encerrados para sempre. Pelo contrário, o divulgador do ideal deve pensar, antes de tudo, que método de ação lhe permitirá conquistar a confiança das pessoas. Naturalmente, esse método deve ser determinado em conformidade com a pessoa, o lugar e o tempo. Pois, devido às diferenças de ambiente e de gosto, muitas vezes o mesmo método de ação não é eficaz em toda parte. Assim, quando se cria um ambiente favorável e se conquista um lugar no coração das pessoas, elas não apenas ouvirão com os ouvidos, mas também terão o coração e a mente ansiosos por ouvir as palavras do propagador da verdade.

Agora, a pergunta é: qual é o método para conquistar o coração das pessoas? Basta lembrar a doença arraigada descrita acima. Isto é, sejam quais forem os crimes, grandes ou pequenos, a natureza humana é tal que a pessoa nunca está disposta a admitir o próprio erro. Ela sempre terá algum argumento para provar que cada erro seu está correto. Nessas circunstâncias, seu primeiro dever é conviver profundamente com a pessoa em questão e conversar abertamente com ela.

Por meio de contatos repetidos, você continuará observando o estado mental dessa pessoa. Deverá procurar identificar quais virtudes existem, apesar de seus inúmeros defeitos e falhas. Pois é extremamente raro no mundo alguém que não possua virtude alguma e seja inteiramente composto apenas de vícios. Por mais mau-caráter que seja uma pessoa, certamente haverá nela algumas boas qualidades. Então, desviando a atenção de todos os outros aspectos, você se concentrará em suas virtudes e a elogiará por isso. Contudo, ao estabelecer uma relação por esse método, deve-se ter especial cuidado para que isso não assuma a forma de bajulação ou astúcia. Pelo contrário, você deverá elogiar suas virtudes com afeição e sinceridade, reconhecendo aquilo que realmente existe nela. Se você de fato elogiar sinceramente suas virtudes, ela certamente lhe revelará tudo com franqueza, começará gradualmente a considerá-lo alguém próximo e o verá como uma pessoa verdadeiramente compassiva. Isso ocorre porque o ser humano, por natureza, deseja que os outros o reconheçam. Esse intenso desejo de receber elogios existe, em maior ou menor grau, em toda pessoa. É tendo em mente essas realidades que se deve agir. É preciso lembrar que não se pode esperar qualquer reforma ou benefício para a sociedade de um trabalhador que sempre se considere alguém de elevada posição e critique todos os defeitos e falhas dos outros.

Depois de conquistar o coração de alguém dessa maneira, por meio de compaixão e bom trato, você poderá considerar que agora será possível levá-lo a realizar algum ato virtuoso. Se, com compaixão, você apontar algum defeito ou falha de seu caráter cuja correção não lhe seja muito difícil, ele avançará facilmente para corrigi-lo e não hesitará de modo algum em aceitar qualquer conselho ou boa orientação sua. Do mesmo modo, se você elogiar essa percepção da verdade e sua disposição para aceitar a correção, verá que ele avançará dia após dia em direção à verdade com o dobro de entusiasmo e motivação, e uma nova força e inspiração surgirão nele para aceitar a justiça e a verdade. Se você prosseguir assim no trabalho de reforma e correção com paciência e compaixão, inshallah, em pouco tempo essa pessoa encontrará o caminho da verdade. No trabalho de divulgar e propagar o ideal, todo pregador deve lembrar que purificar a mente de alguém não é brincadeira. Para remover alguém de uma posição elevada e humilhá-lo por meio de artimanhas, basta qualquer truque comum e enganoso. Mas, para conduzir uma pessoa pela mão desde o abismo da degradação moral até estabelecê-la no elevado ápice da humanidade, é necessário esforço e dedicação. Por isso, uma pessoa verdadeiramente compassiva precisa transformar o sangue do corpo em água e fazer o suor da cabeça escorrer até os pés.

Em resumo: para criar uma disposição favorável na mente das pessoas ao divulgar o ideal, deve-se escolher, como primeiro ponto de apoio, as virtudes que existem legitimamente em seu caráter e dar-lhes o devido valor. Há uma diferença enorme entre bajular alguém e elogiá-lo sinceramente. É preciso agir sempre tendo esses aspectos em mente. Falar sobre as virtudes e a beleza de uma pessoa também despertará compaixão dentro de você. É universalmente reconhecido que nenhum bom conselho será eficaz se o convite ao bem e a proibição do mal não forem feitos com compaixão. Em primeiro lugar, deve-se convidar a pessoa a desenvolver aquelas virtudes que ela pode facilmente cultivar em si mesma.

Até aqui, foram apresentadas diante de vocês várias propostas a respeito de como melhorar as relações com as pessoas. Ao mesmo tempo, deve-se prestar muita atenção para que o pregador não adote qualquer atitude que prejudique o estabelecimento e o aperfeiçoamento das relações mútuas. Se agirmos tendo em vista tanto os fatores que fortalecem quanto os que rompem as relações, poderemos esperar muitos outros resultados nesse aspecto. Qualquer pessoa poderá compreender, observando atentamente, quais fatores impedem o aperfeiçoamento das relações. Contudo, em geral, as causas que provocam reações negativas na sociedade e destroem as relações mútuas são as seguintes:

1. A pessoa se irrita ao ver qualquer coisa contrária à sua vontade:

Em maior ou menor grau, essa fraqueza pode ser observada em todos: a pessoa se irrita ao ver qualquer coisa contrária à sua vontade. Em especial, os empregados domésticos, os filhos e os próprios alunos são os que mais ficam sujeitos à ira dos mais velhos. Contudo, no processo de melhorar as relações, é necessário controlar a ira, assim como as demais qualidades. Se alguém demonstrar mau humor e irritação a todo momento, ninguém se aproximará dele nem desejará conviver com ele. Consequentemente, em pouco tempo, os efeitos dessa fraqueza se espalharão pelo ambiente mais próximo e, por fim, tornar-se-ão um obstáculo à divulgação do ideal. É por isso que, no trabalho de divulgar o ideal ou de ordenar o bem e proibir o mal, vemos muitas pessoas que, devido ao próprio mau humor e à má conduta, não conseguem obter no seu ambiente o êxito esperado.

2. A atenção se concentra mais nos defeitos dos outros do que nas próprias falhas:

É extremamente raro na sociedade encontrar pessoas de caráter perfeito e completamente livres de falhas. Nas interações e atividades com colegas de trabalho e com as pessoas envolvidas no cotidiano, é natural que apareçam, em maior ou menor grau, falhas e lapsos, seja em quem for. Contudo, é da natureza humana prestar mais atenção aos defeitos e falhas dos outros do que às próprias falhas. Assim que encontram a menor fraqueza uns nos outros, tornam-se imediatamente críticos. Portanto, como todos mantêm uma boa opinião sobre si mesmos, tão logo alguém aponta a falha de outro, seus sentimentos são profundamente feridos. Por essa razão, apontar descuidadamente os defeitos de alguém ou fazer qualquer tipo de crítica prejudica especialmente as relações mútuas. Em suma, ao estabelecer relações com as pessoas com o objetivo de corrigi-las, é necessário ignorar todos os seus defeitos e falhas e, no início, abster-se de toda crítica. Abster-se da crítica não significa desviar completamente a atenção de todas as suas fraquezas e defeitos e manter uma relação com essa pessoa para sempre. Significa, antes, que, quando há pessoas com algum tipo de fraqueza ou defeito e o próprio reformador está ciente disso, não se deve falar repetidamente sobre o assunto. Pois, nesse caso, é mais provável que a pessoa envolvida se torne rebelde do que se corrija.

3. A ideia de que está livre de todas as fraquezas proporciona alegria ao ser humano:

A ideia de que está livre de todas as fraquezas realmente proporciona alegria ao ser humano. No entanto, ninguém pode afirmar que não possui qualquer tipo de fraqueza ou defeito. Apesar disso, a pessoa deseja que, pelo menos, conserve uma boa opinião sobre si mesma. Essa tendência humana à satisfação própria manifesta-se de várias formas: expressando a fraqueza alheia com desprezo e arrogância, fazendo zombarias e sarcasmos, provando que alguém é tolo, insinuando a falta de perspicácia ou de inteligência de alguém e adotando atitudes ou formas de falar que fazem sobressair a própria grandeza e superioridade. Isso acontece porque tal comportamento proporciona à pessoa uma satisfação especial. É por isso que o ser humano recorre a inúmeras maneiras para esconder as próprias fraquezas. Você está cumprindo a responsabilidade de corrigir os outros. Certamente, isso é uma boa obra. Mas, se adotar o método acima mencionado, longe de alcançar uma verdadeira correção, você bloqueará completamente o caminho da correção e tornará amargas as relações mútuas. Como resultado, em vez de o coração das pessoas se comover ao ouvir suas palavras, ele se transformará em pedra, e elas se tornarão ‘cadeados fechados’.

4. O ser humano sente satisfação ao considerar-se superior e fazer o outro sentir-se inferior:

Sentimos bastante satisfação ao considerar-nos superiores e fazer o outro sentir-se inferior. É por isso que falamos dos defeitos alheios pelas costas. Ou seja, se em algum momento, por medo de pressão ou por educação, não temos oportunidade de criticar alguém diante dele, em outra ocasião expressamos isso na sua ausência, ou manifestamos nossos pensamentos de tal maneira que, aparentemente, parece que a correção daquela pessoa era extremamente desejável; parece que o orador sente enorme tristeza por ela. Na realidade, porém, o objetivo principal é rebaixar essa pessoa. Assim, falar dos defeitos de alguém pelas costas, seja dessa forma ou num tom de compaixão, e sentir satisfação com isso tem como verdadeiro objetivo fazer a própria personalidade parecer grandiosa. Isso está incluído na ‘ghibah’ mencionada no Alcorão. No Alcorão, foi dada uma ordem rigorosa para que se evite a ghibah. A ghibah exerce uma grande influência na destruição das relações. O dano da ghibah não se limita ao fato de que, ao mencionar os defeitos de alguém na sua ausência, você provocará em si mesmo e nos demais ouvintes aversão por essa pessoa; além disso, quando aquele de quem se falou mal tomar conhecimento dessas palavras, surgirá em seu coração ódio contra você. Assim, as relações mútuas certamente serão destruídas e, além disso, poderão ocorrer muitos outros incidentes desagradáveis. Portanto, para estabelecer boas relações com as pessoas, é preciso proteger-se rigorosamente da ghibah.

Estas são algumas causas específicas da destruição das relações com as pessoas da sociedade. Permanecer desatento a essas questões e, por outro lado, esperar melhorar as relações são métodos contraditórios, pelos quais de modo algum é possível obter êxito. É verdade que não é muito fácil evitar completamente os defeitos acima mencionados; contudo, também não é correto pensar que fraquezas desse tipo estejam além da possibilidade de correção. Certamente, o ser humano pode manter-se afastado delas. Para isso, basta força de vontade e firme determinação. Para a correção do crente, a tawba é o melhor método. Por tawba entendemos dirigir-se a Allah em oração, com simplicidade, sentindo arrependimento e remorso pelos pecados cometidos, e comprometer-se firmemente com Ele a não voltar a praticar no futuro o ato condenável em questão. O único objetivo de tudo isso é satisfazer o nosso verdadeiro Dono e Senhor.

Já foi feita alguma menção aos danos causados quando os defeitos acima descritos aparecem no caráter de alguém. Em outras palavras, isso destrói as relações com as pessoas. Consequentemente, torna-se muito difícil levar a mensagem da religião às pessoas. Entretanto, até aqueles cuja atenção está inteiramente voltada para o mundo, cujo objetivo supremo na vida é adquirir riqueza, bens, honra, status, fama e glória mundanos, também desejam escapar desses defeitos e de suas consequências. Para esse fim, fazem todo tipo de esforço. Há muitas pessoas que não têm outro objetivo na vida além de conquistar liderança, expandir os negócios ou alcançar alguma posição mundana; ainda assim, elas conhecem os malefícios desses defeitos e fraquezas e esforçam-se continuamente para evitá-los. Também temos muito a aprender observando essas pessoas. Se pessoas desse tipo podem tomar a firme decisão de evitar tais fraquezas, defeitos e seus malefícios, e conseguem abandonar todos os maus hábitos e controlar-se completamente para satisfazer interesses mesquinhos, então é fácil imaginar como deve ser a conduta daqueles que lutam para alcançar objetivos superiores aos delas. Aquele que deseja possuir o mundo eterno, desprezando o mundo mortal, certamente acumulará grande força interior se avançar jurando libertar-se de todos esses defeitos.

Expressar o ressentimento interior

Há muitas causas para a destruição das relações mútuas entre as pessoas. Entre elas, a excitação natural do ser humano desempenha um papel especial, por causa do qual essas relações se despedaçam completamente. Há muitas coisas que, por serem desagradáveis, levam a pessoa a querer satisfazer de várias maneiras sua irritação contra elas. Para esse fim, ela recorre a inúmeros meios. Raiva, palavras ásperas, busca de defeitos, falar mal de alguém pelas costas e muitos outros meios têm como único objetivo expressar o ressentimento interior. É justamente esse estado mental que obriga a pessoa a espalhar calúnias contra os outros e a divulgar amplamente seus defeitos. Em suma, por causa dessa tendência mental, o ser humano acaba envolvido em diversas fraquezas morais. Para manter relações amistosas com as pessoas, deve-se prestar especial atenção para que essa tendência jamais seja adotada com o objetivo de satisfazer a própria ira. Quando esse estado mental surge, a pessoa pratica atos que fazem os outros desenvolverem aversão por ela e aumentam a distância entre eles. Se os pontos a seguir forem mantidos em mente para controlar essa tendência mental, pode-se esperar bastante sucesso na propagação do ‘ideal’.

É extremamente fácil culpar alguém. Não é preciso nenhum esforço para acusar alguém de alguma coisa, mas colocar-se na posição do acusado e julgar a si mesmo é algo extremamente difícil. Depois de perceber as falhas e deficiências dos outros, coloque-se uma vez no lugar deles, com a mente sã, e examine a situação. Naturalmente, isso será um sinal de bravura. Nessa situação, você verá que, de oitenta por cento das acusações que lançou contra os outros, você mesmo encontrará uma causa razoável para cada uma delas. Se, assim como examina o caráter dos outros, você examinar o próprio caráter com o “telescópio da crítica”, por um lado o caminho para sua própria correção será facilitado e, por outro, você será protegido da tendência de procurar defeitos nos outros e acusá-los, tendência que rompe as relações mútuas.

Isso, porém, não significa que se esteja recomendando cruzar os braços e permanecer inativo diante de todo tipo de trabalho de reforma social. Tampouco significa que se deva adquirir o hábito de tolerar qualquer má ação. Pelo contrário, a vantagem de avaliar o próprio caráter dessa maneira comparativa está em que, quando você julgar as falhas dos outros tendo a si mesmo como referência, adotará, para corrigi-los, um método que parecerá ser o mesmo que você adotaria para corrigir a si próprio. É evidente que a compaixão e a sinceridade que, dessa forma, farão parte de sua atitude ao corrigir a situação dos outros terão certamente uma importância muito maior, e sua influência será de longo alcance. Assim, as relações mútuas com as pessoas permanecerão sempre mais cordiais, e surgirá um método coerente de reforma social. Diante de você está um grande propósito e objetivo. Para alcançar esse objetivo, você deseja sempre aproximar o coração das pessoas de si. Por isso, pode manter um olhar atento sobre suas próprias falhas e qualquer uma de suas fraquezas; pode empenhar-se em corrigi-las, dominar as más inclinações e subjugar por si mesmo suas próprias motivações mentais. Mas a situação de seu ouvinte não é assim. Diante dele não há nenhum propósito ou objetivo superior. Ao contrário do que ocorre com você, seu íntimo não encontra motivo para obedecer a tantas obrigações, regras e normas. Por isso, muitas vezes seu ouvinte manifesta coisas que não lhe agradam e que são bastante dolorosas para você. As pessoas desejam que, se tratarem alguém com humildade e educação, recebam em resposta um tratamento semelhante. Se contiverem a própria ira e as próprias emoções, esperam que a outra pessoa também não deixe sua ira e suas emoções se descontrolarem.

Há muitas pessoas que, desesperando-se ao tentar corrigir os outros, fazem comentários deste tipo: “De que adianta querermos fazer tudo, se os ouvintes também precisam ter alguma inclinação nesse sentido?” Com isso, querem dizer que estão firmemente decididas a agir de acordo com aquilo sobre o qual estão sendo aconselhadas; ao mesmo tempo, impõem a condição de que o ouvinte também deve se apresentar disposto a aceitar esse conselho. Se refletir um pouco mais profundamente, você poderá compreender o significado desse tipo de afirmação.

A verdade é que as pessoas com quem você se relaciona não são meramente seres imaginários, nem sua disposição para agir está subordinada à sua vontade, de modo que façam tudo o que você disser no momento em que disser. Pelo contrário, tudo o que você terá de fazer deverá ser realizado entre pessoas de temperamentos e emoções diversos. É possível também que seu ouvinte seja uma pessoa muito instruída e racional. Você não está apresentando a ele provas e argumentos irrefutáveis. Por isso, seus desejos não são plenamente satisfeitos. Ele não está disposto a aceitar de modo algum aquilo que você tentou fazê-lo compreender. Isso ocorre porque, entre as pessoas com quem você estabeleceu relações, também existem emoções, orgulho, arrogância, inimizade e obstinação. Elas depositaram uma fé cega nos costumes e tradições de seus antepassados. Em tal situação, se você manifestar alguma atitude que fira as crenças profundamente arraigadas em seu coração, deve considerar que destruiu tudo com as próprias mãos. Você deve estar sempre atento para que nada parta de você que possa ferir a arrogância alheia, despertar suas tendências animalescas — amor-próprio, partidarismo, fanatismo e outras — ou colocar suas crenças diante de um ataque direto.

Talvez você esteja hesitando quanto à aplicação prática dos conselhos apresentados, perguntando-se: se é preciso levar em conta essas características nas pessoas, como será possível corrigi-las? Deverei elogiar sua arrogância e autossuficiência? Ou aceitar como corretos seu rancor, sua obstinação e todas as suas crenças cegas? Certamente não. Pois isso, por um lado, é contrário à dignidade de quem propaga o ideal e, por outro, é extremamente prejudicial ao seu objetivo principal. O que se pede que você evite aqui é, essencialmente, o seguinte: não crie uma situação que fira suas tendências inferiores. Você terá de decidir, a cada passo, o que deve ou não deve fazer para alcançar o objetivo principal. Isso porque existe a possibilidade de você cometer erros, e esses erros podem até se repetir várias vezes. Entretanto, se avançar a cada passo mantendo um olhar atento sobre a reação às suas ações, cada erro seu acrescentará algo novo à sua experiência. Depois, se reunir essas experiências sucessivas, elas se transformarão em conselhos práticos e extremamente úteis para você. Em suma, aqueles que desejam influenciar o modo de pensar, as opiniões e as emoções dos outros devem esforçar-se para compreender a perspectiva alheia.

Tratamento igualitário

O primeiro campo da propagação do ideal e do trabalho de reforma é o ambiente mais próximo de cada pessoa, onde ela vive, trabalha ou permanece por qualquer outro motivo. Mas pouquíssimas pessoas conseguem ter êxito, quanto ao ideal, nesse seu ambiente natural. Há uma razão específica para isso. Cada pessoa possui um círculo no qual desfruta da posição de chefe ou líder; em sua casa, sua esposa, seus filhos, empregados, criados e criadas, seguidores, admiradores e muitas outras pessoas estão sob sua autoridade. Entre elas, sua grande influência e prestígio se estabelecem. Ele procura fazer as coisas por meio da influência de sua liderança sobre elas. Quando necessário, chega até a recorrer à coerção e à intimidação. Em suma, nesse campo, ele não quer de modo algum abster-se de exercer a influência que estabeleceu por meio de sua personalidade. O resultado de tal atitude é evidente. Afinal, purificar o pensamento das pessoas, mudar suas opiniões e conquistar a vontade de alguém para a própria causa não é algo tão fácil que possa ser realizado por meio de coerção ou intimidação.

Cada pessoa, mesmo que esteja subordinada a você, possui uma personalidade. Sua esposa, seus filhos, criados, empregadas e funcionários são obrigados a obedecer-lhe por meio de uma ordem e disciplina específicas. Mas essa obrigação não é suficiente para submeter as opiniões pessoais deles às suas. Afinal, eles também possuem um senso de personalidade própria. Aos olhos deles, suas opiniões têm grande importância. Quando algo lhes é imposto, eles não estão dispostos a aceitá-lo sem razões e provas. É preciso convencê-los por meio de argumentos e provas satisfatórios. Caso contrário, se algo lhes for imposto sem justificativa, o mesmo resultado que se verifica em outros casos inevitavelmente ocorrerá aqui também. Pois entre eles existem igualmente tendências como aquelas que você costuma observar no mundo exterior. Na propagação do ideal, esta é realmente uma etapa complexa. Isso porque, nesse contexto, estão presentes sua própria importância e seu senso de personalidade. Você estabeleceu para si mesmo uma posição nessa área e nem sequer consegue imaginar descer dela. Contudo, a razão e o bom senso exigem que, para corrigir as pessoas próximas, você desça a um nível que é absolutamente necessário para esse trabalho. Talvez, ao chegar a esse ponto, você se depare com um problema. De um lado, está a manutenção das técnicas de propagação do ideal; de outro, a questão da dignidade pessoal. Ainda assim, nesse caso, a exigência da religião é que você se coloque no mesmo nível dos outros nesse tipo de ambiente e converse e conviva sinceramente com todos. Deve também dar-lhes a oportunidade de expressar livremente suas opiniões, embora seu elevado senso de dignidade não lhe permita fazê-lo. A técnica de propagação do ideal exige que você tente mudar a atitude das pessoas próximas por meio de argumentos e provas. Mas, como você não está acostumado a agir assim em outros assuntos relacionados a elas e sempre lhes impõe, voluntária ou involuntariamente, suas opiniões, também aqui desejará que elas aceitem silenciosamente sua autoridade, sem sequer dizer uma palavra. Contudo, no que diz respeito aos interesses mais amplos da religião, é indispensável abandonar essa atitude. É um dever fundamental levar em consideração as opiniões e os sentimentos dos outros. Porém, muitos, esquecendo-se disso, não estão dispostos a dar importância a esse aspecto, assim como fazem em relação às demais atividades.

É por essas poucas razões específicas que o pregador, até mesmo em seu ambiente mais próximo, se coloca na posição de um “visitante ignorado”. Isso talvez desperte em você a dúvida de que, se os conselhos mencionados forem seguidos na propagação do ideal, haverá grandes dificuldades em outros assuntos. Pois, como chefe da casa ou alto funcionário, você terá de adotar determinado modo de agir, falar e comportar-se com as pessoas. Por outro lado, para propagar o ideal, isto é, a religião, terá de adotar uma atitude diferente. Você não conseguirá assimilar uma política tão dupla. Nesse caso, seu modo de propagar o ideal ficará marcado pela artificialidade. Ou então, sua intenção de agir com cautela em relação aos subordinados ou aos membros de sua própria família se tornará vazia de conteúdo. Não há dúvida de que essa sua dificuldade se baseia na realidade. Naturalmente, uma política dupla não pode ser aplicada na vida de ninguém, e você também não poderá alcançar o sucesso; ainda assim, há aqui um ponto que deve ser profundamente considerado. A questão é: será realmente necessário para você adotar, nessa etapa de sua vida, esse princípio de medo, intimidação e coerção? Não seria possível viver sem isso? Na verdade, seu primeiro erro nessa questão está justamente aqui. Você determinou sua posição precisamente nesse aspecto de sua vida. Mas, essencialmente, esse papel que desempenha também não é um papel verdadeiramente bem-sucedido ou digno de louvor. Você não consegue perceber seu fracasso nesse ponto porque as pessoas relacionadas a você, por causa de suas diversas necessidades, foram obrigadas a tolerar esse seu papel. Ninguém faz isso voluntariamente; pelo contrário, estão sempre tentando livrar-se dessa obrigação, dessa tutela autoritária. Sempre que têm oportunidade, consideram sua libertação desse vínculo uma boa sorte. Se observar atentamente, você também poderá compreender essa situação delas. Contudo, no âmbito em que você deseja corrigir as pessoas e espera mudar sua maneira de ver, elas de modo algum são obrigadas a ouvi-lo nesse trabalho. Mesmo que você tente obrigá-las a fazer algo à força, no máximo elas poderão tentar aparentar satisfazê-lo, mas, no íntimo, permanecerão firmes seguindo a voz de seu “eu interior”. Portanto, você não possui nenhum poder que possa obrigá-las. Em suma, também para trabalhar em um ambiente desse tipo, você deverá avançar mantendo diante de si todos os conselhos que foram discutidos até agora, ou que ainda serão discutidos, para serem aplicados no caso dos outros. Em uma palavra, também nesse ambiente você deverá agir levando em consideração o estado e o movimento do coração dos ouvintes.

Rosto sorridente

O Profeta (que a paz esteja com ele) disse: “Se você olhar sorrindo para seu irmão, isso também se transforma em caridade.” A importância de encontrar-se sorrindo com os outros é imensa, mas muitos desconhecem esse fato. Muitos não sabem quanta força está oculta em sua personalidade, nem qual é o valor de seu leve sorriso! Para conquistar um lugar no coração de outra pessoa, o único caminho é encontrar-se com ela com um semblante sorridente. Um simples sorriso de saudação exerce mais influência do que as palavras ditas. Um rosto sorridente parece acolher a pessoa que chega, já no primeiro encontro, dizendo: “Eu amo você”. Já uma expressão séria e as sobrancelhas franzidas fazem você pensar, assim que vê a pessoa, que sua atitude atual parece dizer-lhe: “Não quero falar com você. Não amo você”. Para afastar as pessoas de si, basta um comportamento áspero e rude. Contudo, quem deseja ardentemente criar harmonia entre as pessoas, conquistar seus corações, trazê-las para a palma da mão e transformar profundamente seus objetivos de vida, ideais e pensamentos em prol de uma grande finalidade, jamais gostará que alguém se afaste dele por causa de algum comportamento inadequado. Para quem estabelece relações com um propósito tão nobre, é necessário conviver sempre sorrindo com as pessoas e tratá-las sempre com educação. Para conquistar o coração das pessoas, este é realmente o melhor caminho.

Tudo o que foi dito acima sobre encontrar-se sorrindo com alguém não significa que se deva agradar temporariamente as pessoas com um sorriso artificial, como fazem os interesseiros. As pessoas consideram esse tipo de sorriso uma ferramenta para obter vantagens e algo sarcástico, usado apenas para enganar em alguma questão. Pelo contrário, o objetivo aqui é um sorriso genuíno, semelhante àquele com que normalmente as pessoas encontram sinceramente os amigos. Somente um sorriso assim, mesclado de afeto e amor, será capaz de exercer influência sobre o coração dos outros.

Para alcançar qualquer tipo de sucesso, é necessário conviver com as pessoas de coração satisfeito. As pessoas já desperdiçam muito tempo em alegrias fúteis. Em vez disso, esse tempo pode ser passado alegremente com os outros, tendo em vista um objetivo mais nobre. Assim, a pessoa envolvida será facilmente atraída por você. Os propagadores do ideal deveriam experimentar uma vez o efeito verdadeiramente mágico de encontrar alguém com um rosto sorridente. Isso torna a vida familiar extremamente alegre. Esse tipo de comportamento é bastante útil na educação e formação dos filhos. Em suma, é um meio extraordinário de conquistar o coração dos outros.

E, se você não tem o hábito de agir assim, adquira-o. Talvez você esteja sofrendo por alguma razão e, nesse momento, sinta apenas irritação; nesse caso, deve esforçar-se para livrar-se de tal estado. Afinal, que benefício há em sentir irritação? Isso não eliminará a inquietação da sua mente. Manifestar agitação ou irritação de modo algum resolverá o problema. Pelo contrário, quanto mais você sofrer, mais suas forças mentais e físicas continuarão a diminuir. Aos poucos, você perderá a capacidade de ter paciência. É verdade que, no curso da vida cotidiana, às vezes a pessoa se vê diante de acontecimentos tão desagradáveis e indesejáveis que, naquele momento, torna-se quase impossível conservar a serenidade. Contudo, se a pessoa aprender primeiro a demonstrar paciência diante de pequenos acontecimentos indesejáveis, tornar-se-á mais fácil para ela suportar até mesmo grandes sofrimentos e situações dolorosas.

Por outro lado, aquele que demonstra irritação nas questões comuns, ao surgir um grande problema, provavelmente enlouquecerá. Pensamentos elevados e grandes aspirações despertarão entusiasmo e ânimo em seu coração. Assim, nenhuma questão comum será capaz de pesar sobre sua mente. Aquele que busca um grande objetivo jamais será afetado por assuntos triviais, pois, fortalecido pelo poder da fé, você acredita firmemente que tudo o que acontece ocorre pela vontade de Allah. Você espera a misericórdia de Allah. Portanto, com esse pensamento, será capaz de manter-se firme e sereno em todas as situações indesejáveis, livre da hipersensibilidade. E é certo que feliz é aquele cujo coração está tranquilo e sereno. Assim, se nem mesmo no rosto de uma pessoa que segue um ideal grandioso como o seu se manifesta alegria, elevando-se acima da normalidade em consideração a um grande objetivo, de quem se poderia esperar isso? Manter o bom humor também traz benefício para você, pois esse é o único caminho para ser estimado. De outro modo, você não conseguirá alcançar o coração de ninguém.

Manter o rosto sempre sorridente, falar sorrindo suavemente e conversar com alguém com um semblante alegre é uma coisa; ficar rindo à toa e de maneira inadequada é outra. Algumas pessoas consideram que fazer piadas grosseiras e manter conversas indecorosas e irresponsáveis significa ‘falar com um sorriso’. Para elas, o método de permanecer alegre consiste em zombar dos outros, fazer gracejos e provocações sem motivo e perturbar as pessoas. Mas isso não está certo. Longe de conquistar o coração dos outros, você fará com que se afastem ainda mais de você.

A maneira de falar

Se você quer conquistar o ódio das pessoas e deseja também que elas o evitem, o método mais fácil é continuar falando sem parar, sem dar a outra pessoa a oportunidade de falar; ou, sempre que alguém começar a falar, começar a falar também imediatamente, procurando constantemente aproveitar qualquer brecha na conversa para expor suas próprias ideias aos ouvintes. Vê-se muita gente sempre especialmente ansiosa para apresentar suas próprias ideias, em vez de ouvir o que os outros têm a dizer. Assim que alguma ideia surge em sua memória, essas pessoas a lançam rapidamente no meio da conversa; mesmo que ela acabe apoiando, em vez de contradizer, a afirmação do ouvinte, esses indivíduos impulsivos não dão a isso a menor importância.

Para aquele que deseja fazer com que as pessoas se apeguem a ele e tenta modificar o modo de pensar do ouvinte, influenciando-o por meio de argumentos e provas, isso é especialmente necessário para os propagadores do ideal:

1. Desenvolver o hábito de ouvir pacientemente o que os outros têm a dizer.

2. Dar também ao ouvinte a oportunidade de participar livremente de uma conversa franca.

3. Reunir argumentos e informações das declarações e da discussão do ouvinte para provar a veracidade da própria afirmação.

4. Se o conteúdo das declarações ou da discussão do ouvinte for muito extenso e parecer impossível lembrar de todos os detalhes em sua sequência, nesse caso, anotar seus próprios argumentos de tempos em tempos durante a discussão.

5. Não basta apenas ouvir pacientemente as declarações de alguém; é preciso também demonstrar bastante moderação, cautela e paciência ao responder-lhe.

Suponha que você esteja manifestando apoio a algum comentário de alguém. Nesse caso, naturalmente, não é necessária tanta cautela especial. Não importa muito de que maneira você manifeste seu apoio; mesmo que não escolha cuidadosamente as palavras, isso não fará grande diferença. Mas a situação se tornará um grande problema quando você for contestar a declaração de alguém. Nesse caso, terá de falar com extrema prudência. Normalmente, ao contestar uma declaração do oponente, costuma-se dizer: – (1) “Você não tem conhecimento sobre isso. (2) Você não entendeu o assunto. (3) O que você está dizendo é completamente irreal. (4) Seu objetivo é criar divisão e desordem por meio desse tipo de conversa”, e assim por diante.

Não há dúvida de que o ouvinte expressará irritação e descontentamento quando se usam frases desse tipo. Afinal, ninguém está disposto a aceitar que é ignorante, tolo, de pouco conhecimento, desonesto ou mentiroso. Contudo, como alguém encarregado de propagar o ideal, você terá necessariamente de transformar seu modo de pensar, seja como for; é absolutamente necessário influenciá-lo com o objetivo de direcionar seu pensamento para uma determinada orientação. É justamente em situações assim que você deve falar com plena cautela. Pode-se dar o seguinte exemplo: suponha que você tenha ido transmitir sua da’wah a uma pessoa. Depois de ouvir sua da’wah, ela lhe pergunta: “O ideal para o qual você me convidou é realmente nobre, mas será aceitável nesta época?” Ao ouvir uma pergunta desse tipo, há muitas pessoas que pensarão que certamente há alguma falha na fé e na crença de quem perguntou, e que é por isso que tais palavras saíram de sua boca. Ou dirão, a respeito de quem fez a pergunta, que ele não tem conhecimento algum do assunto em questão, que precisa estudar mais, ou que não entende nada e seu conhecimento é limitado. Em resposta à declaração do questionador, esses comentários, em vez de aproximá-lo de você, irão afastá-lo. Quer você o chame de descrente, aluda à fraqueza de sua fé ou simplesmente atraia toda a sua atenção para sua ignorância, em qualquer dessas situações o “ser humano” dentro dele se insurgirá contra esse tipo de afirmação, e nessas condições você não conseguirá fazê-lo compreender nada. Todo ser humano considera corretas suas próprias ideias e crenças, opiniões, caminhos e decisões, embora neles ocorram mudanças constantemente. As crenças mudam, as decisões sofrem alterações e o curso do pensamento se transforma. Mas, se observar atentamente, verá que, quando esse tipo de mudança ocorre no caráter de uma pessoa de maneira natural ou por sua própria vontade, ela não tem motivo para se opor. Porém, quando outra pessoa tenta provocar essa mudança, surgem nela a obstinação e o fanatismo. Nessa situação, ao falar, você deve habituar-se a adotar uma postura que obrigue essa pessoa a refletir sobre si mesma. Em vez de apresentar-se diante dela em tom de oposição, você deve expor outro aspecto da discussão para que ela reflita. Sem contradizer diretamente a opinião em favor da qual ela apresentou provas equivocadas, você deve conduzir a discussão sobre o assunto em questão a partir de uma linha de raciocínio que faça cessar sua hesitação e dúvida e revele todas as falhas de seu pensamento. Naturalmente, essa postura variará conforme o tempo, o ambiente e a pessoa. Com atenção e um pouco de prática na propagação do ideal, em pouco tempo surgirão diante de você muitos outros métodos desse tipo. Por exemplo, imagine que você diga ao questionador ou a alguém que fez um comentário semelhante: “Os argumentos e provas que você apresentou em apoio à sua opinião estão, naturalmente, corretos; mas examine esta questão uma vez a partir de tal perspectiva, e talvez você possa chegar a uma conclusão diferente.” Há muitos métodos desse tipo que você mesmo pode desenvolver, levando em consideração a pessoa e o ambiente. Assim, o questionador poderá ampliar ainda mais seu pensamento sobre muitos outros assuntos.

Você compreendeu uma questão. Também possui argumentos e provas suficientes em seu apoio. Você considera esses argumentos e provas tão sólidos e confiáveis que deseja que todos os aceitem. Por isso, no caso do seu ouvinte, você também pensa que basta revisar essas provas para refutar seus argumentos. Entretanto, talvez sua experiência lhe mostre que, em muitos casos, esse esforço não é eficaz. Pois, se observar atentamente, verá que também há alguma verdade por trás dos argumentos do seu ouvinte. Existem também razões reais por trás do erro em seu pensamento. Suas preferências e aversões pessoais também têm lugar nisso; além disso, é natural que a influência do ambiente esteja atuando nele. Nessa situação, o papel da pessoa previdente e prudente é:

(a) Encontrar e compreender a verdadeira origem da confusão no pensamento do ouvinte. Se for necessário contestá-lo, fazê-lo em tom de compaixão. Em uma palavra, na propagação do ideal, seu pleno êxito em uma situação como essa consiste em fazer com que o ouvinte não o considere um adversário, mas pense que você é um amigo bem-intencionado e conselheiro como ele. Você deve esforçar-se para compreender qual é a perspectiva do ouvinte e, para entender seus argumentos, pode, se necessário, repeti-los várias vezes, para que ele perceba que você realmente está prestando atenção às suas palavras e observando-o atentamente. Só então poderá esperar que tenha chegado o momento adequado para influenciar sua mente.

(b) Não fazer perguntas constrangedoras ao ouvinte durante a conversa. Você deve cuidar para que, durante a conversa, não faça ao ouvinte, no decorrer do diálogo, nenhuma pergunta que possa deixá-lo irritado. Por exemplo, você pode deduzir, a partir da conversa dele, que ele está dizendo coisas confusas por não ter lido determinado livro de sua organização. Ainda assim, se lhe perguntar: “Senhor, o senhor leu determinado livro?”, a admissão de que não o leu será uma indicação indireta da limitação de seus conhecimentos. Você deve sempre fazer perguntas cuja resposta não o deixe envergonhado, mas, ao contrário, lhe proporcione satisfação. Pois é uma verdade incontestável que a pessoa sente orgulho quando dá uma resposta correta e irrefutável a uma pergunta, e isso também lhe agrada bastante. Portanto, fazendo perguntas desse tipo, você pode despertar alegria em seu coração.

(c) Para provocar uma mudança no mundo de pensamentos de uma pessoa, é preciso estar plenamente informado sobre todas as suas circunstâncias. Deve-se lembrar bem que cada pessoa coloca o próprio problema acima de todos os problemas do mundo. Suponha que alguém esteja sofrendo de uma forte dor de cabeça. Naquele momento, isso se torna para ele uma questão tão complexa que, mesmo que estejam ocorrendo intensos bombardeios na Rússia ou massacres em grande escala na América do Sul, essa notícia não causará nele a menor impressão. Da mesma forma, se o filho de alguém se tornar imoral e seguir pelo caminho errado, isso se tornará a única causa de sua preocupação, de modo que, mesmo que o país inteiro se transforme em vítima de atividades extremamente contrárias à moralidade, ele não sentirá necessidade de prestar atenção a isso. Portanto, se sua responsabilidade é provocar uma mudança no mundo de pensamentos de alguém, você deve estar plenamente informado sobre todas as suas circunstâncias e observar cuidadosamente o ambiente ao seu redor. Assim, perceberá que, na situação atual, há algo profundamente ligado àquela pessoa. Então, poderá iniciar a conversa com ela tomando como ponto de partida o assunto relacionado. Suponha, por exemplo, que você esteja explicando a ela que as leis criadas pelos seres humanos não são de modo algum eficazes para o bem-estar humano e que, por meio delas, os problemas da humanidade não podem ser resolvidos de maneira alguma. Com esse objetivo, você apresentou, em apoio à sua posição, diversos acontecimentos do mundo e argumentos e provas. Mas isso não lhe será tão convincente quanto seria se você conversasse com ela sobre algum assunto relacionado à sua própria vida e apresentasse argumentos e provas em seu favor. Situações semelhantes são observadas em quase todos os assuntos. Nesse momento, é preciso compreender bem a situação.

(d) Encontrar-se com a pessoa no momento adequado, para que ela escute atentamente o que você diz, com interesse. Muitas pessoas diminuem a importância de suas próprias palavras por falar sem levar em consideração o momento. Talvez, em determinado momento, alguém esteja preocupado com um problema específico ou tenha toda a sua atenção voltada para outra tarefa. Se você se apresentar a essa pessoa nessas circunstâncias para falar do que lhe interessa, é certo que terá de voltar completamente decepcionado. Se quiser ser bem-sucedido, deverá encontrar-se com ela no momento adequado, para que escute atentamente sua conversa com interesse; caso contrário, poderá aguardar o momento oportuno. Todos têm algum assunto pelo qual sentem o maior interesse. Você certamente pode demonstrar interesse por esse assunto. Por exemplo, pode conquistar sua satisfação iniciando uma conversa sobre inúmeros temas desse tipo: o gosto pela caça ou pela recitação de poemas, a inclinação por alguma profissão ou arte, o envolvimento em algum movimento, o cultivo da terra, a jardinagem, a construção de casas ou o uso de roupas e acessórios. Dessa maneira, você pode preparar o terreno para divulgar seu ideal. Caso contrário, mesmo que a pessoa em questão escute silenciosamente o que você diz, talvez o faça apenas por educação e continue ouvindo pacientemente por algum tempo; logo depois, porém, começará a discutir. Portanto, para alcançar verdadeiro sucesso na divulgação do ideal, é preciso primeiro conquistar um lugar no coração da pessoa em questão.

A valorização das qualidades

Seu objetivo é alcançar uma grande meta. Você deseja transformar a maneira de pensar das pessoas da sociedade. Deseja expulsar da mente e do intelecto das pessoas muitos pensamentos que elas cultivaram cuidadosamente durante anos e afastá-las de suas inclinações mais queridas. Sem dúvida, isso é difícil. Contudo, assim como os assuntos mais complexos do mundo se tornam fáceis mediante uma boa metodologia de trabalho, também não é impossível eliminar as dificuldades desta tarefa por meio de um método semelhante. Pelo contrário, se ela for realizada de maneira correta, adequada e refinada, também poderá ser encantadora.

Para esse propósito, apresento algumas sugestões. Suponha que você queira encontrar-se com uma pessoa extremamente inteligente e talentosa, capaz de compreender plenamente o que você diz com um pouco de atenção. Entretanto, por estar sempre ocupada com grandes negócios, ela não tem sequer um momento livre para sentar-se em particular e ouvir algumas palavras suas. Além disso, nas grandes cidades, quase todos se encontram na mesma situação. Ali, é difícil encontrar algum “tolo” que não tenha nada para fazer; ao contrário, para onde quer que olhe, verá que todos estão sempre trabalhando, como peças de uma máquina, sem parar. Nesse caso, como atrair a atenção das pessoas para você? Como despertar nelas o desejo e a motivação para que estejam dispostas a prestar atenção em você e conversar com você? Para isso, podem ser adotados os seguintes meios. Por exemplo:

Suponha que uma pessoa esteja indo ao banco. Há uma multidão enorme. O funcionário de que ela precisa está tão ocupado com o trabalho que nem consegue levantar a cabeça. Nessas circunstâncias, não é possível falar com ele. Mesmo que levante a cabeça de vez em quando, não poderá falar somente com aquela pessoa, pois há muitas outras também esperando para conversar com o referido funcionário a fim de tratar de seus próprios assuntos. Nessas circunstâncias, se falar, terá de falar com todos.

Suponha que essa pessoa tenha conseguido, de algum modo, uma oportunidade para conversar. Ela pensou: vou elogiar algo no senhor que o deixará muito feliz. Com esse pensamento, reparou na gravata do senhor e, aproximando-se um pouco, disse: “Pelo que vejo, o senhor não tem sequer um momento livre para conversar devido à pressão do trabalho; caso contrário, eu lhe perguntaria sobre esta magnífica gravata: onde a comprou?” O senhor levantou a cabeça e, sorrindo discretamente, disse: “É verdade? O senhor também gostou dela?” “Como não gostaria? Todos reconhecem uma coisa boa como boa e são obrigados a elogiá-la”, respondeu o homem. O senhor tocou a ponta da gravata e disse: “Sim, é verdade; até agora, várias outras pessoas também a elogiaram bastante.”

Pronto, essa pequena conversa foi suficiente para atrair o senhor para aquela pessoa. Observe que, com apenas algumas palavras comuns, o senhor ficou extremamente feliz; e não foi uma alegria insignificante. Por isso, talvez tenha parecido bastante animado durante várias horas. É digno de nota como, mediante o uso da inteligência e com apenas algumas palavras, é fácil criar, em pouco tempo, uma relação cordial com uma pessoa. Vale a pena que o propagador do “Ideal” experimente uma vez o valor de uma amizade formada dessa maneira.

O vizinho de certa pessoa era um jovem instruído e inteligente. Ele trabalhava no escritório de telefonia. Frequentemente era visto ocupado com o trabalho. Nunca se encontrava tempo para conversar com ele. Talvez estivesse de serviço; caso contrário, saía para passear ou fazer compras. Nessas circunstâncias, onde haveria tempo para falar com ele? Certo dia, por acaso, aquele vizinho foi ao escritório da central telefônica. Naquele momento, justamente o referido senhor estava de serviço. Tinha aparelhos presos aos dois ouvidos. Incessantemente, ia dizendo os números de um lado e conferindo-os, um após outro, de uma direção à outra. Apesar de tamanha pressão no trabalho, não havia nele o menor sinal de irritação. Continuava dizendo os números com voz suave e agradável. Não havia em sua fala o menor vestígio de aspereza ou rudeza. Aquele homem ficou observando-o durante bastante tempo. Assim que encontrou uma pequena pausa, considerou aquele momento oportuno e elogiou sinceramente um pouco a memória do senhor e suas respostas doces e gentis. Diante desse pequeno elogio, o rosto do operador se iluminou de alegria. Com entusiasmo, ele exclamou: “O senhor está vendo isso? O senhor nunca viu quando o trabalho aumenta muitas vezes mais do que isso. Nessa hora, não há tempo nem para coçar a cabeça; melhor dizendo, não há sequer tempo para respirar.” Em seguida, o senhor operador disse: “Espere um pouco. Meu turno está quase terminando. Falta apenas um pouco de trabalho. Voltaremos juntos para casa.”

Depois disso, os dois foram juntos para casa e, no caminho, conversaram sobre vários assuntos. Como resultado, a situação agora havia mudado de tal maneira que, quando antes não se encontravam sequer cinco minutos para uma breve conversa com o operador, agora ele se sentava durante horas, ouvindo a leitura de livros e conversando sobre diversos assuntos. Em uma palavra, o curso da sua vida passou a fluir por uma direção completamente diferente.

Certa pessoa procurava uma oportunidade para conversar com um professor, mas o senhor era tão reservado que, depois de responder ao cumprimento de alguém, não dava a ninguém a oportunidade de conversar mais com ele. De repente, um dia soube-se que o professor estava doente. Naquele dia, ele nem sequer pudera ir à faculdade. Ao receber a notícia, a pessoa foi visitá-lo. Depois de enviar uma mensagem à casa, soube que o professor estava descansando em seu escritório e havia pedido que ele fosse até lá. A mesa de leitura, os livros e os demais objetos estavam dispostos em seu quarto com extrema habilidade. Assim que teve oportunidade, depois de perguntar formalmente sobre seu estado de saúde, a pessoa disse ao professor:

“Os objetos cuidadosamente dispostos em seu quarto realmente revelam o seu gosto refinado. Que maravilha! O senhor decorou muito bem o quarto com livros e outras coisas. Um lugar assim é o melhor para estudar assuntos importantes. Mesmo quando não se tem vontade de ler aqui, sente-se vontade de fazê-lo.” Depois de ouvir tais elogios, naquele dia o professor conversou apenas sobre os móveis e demais objetos do quarto. Fez uma breve apresentação dos livros e obras guardados nos diversos armários e estantes. Assim, percebeu-se que, a partir de então, já não havia nele aquele traço de desprezo que existia antes. Agora ele continuava sentado durante horas, conversando com aquela pessoa. Continuava lendo qualquer livro que ela lhe dava, e, pouco a pouco, o conteúdo dos livros começou a exercer influência sobre ele.

Embora as palavras acima tenham sido ditas a título de exemplo, hoje elas são consideradas um princípio importante relacionado à vida prática das pessoas. Não é algo acidental que, por causa de acontecimentos desse tipo, as pessoas se sintam atraídas umas pelas outras. Pelo contrário, isso tem um fundamento importante. Esse fundamento é que toda pessoa deseja: “Que as pessoas me vejam com respeito e tenham uma boa opinião a meu respeito.” O desejo íntimo seu e de todas as outras pessoas é que reconheçam sua beleza, suas qualidades e sua capacidade, e que o respeitem. Naturalmente, aqui se fala da verdadeira beleza e capacidade, no sentido próprio desses termos. Não se fala de elogios falsos ou irreais feitos apenas por aparência, nem de bajulação artificial, que pode criar orgulho no coração do ouvinte. Você deve descobrir quais são as verdadeiras qualidades e capacidades da pessoa em questão. Isso deve ficar evidente em cada palavra e em cada ação sua: você está dando o devido valor às capacidades dela. Não existe no mundo pessoa alguma em quem, partindo de algumas qualidades, maiores ou menores, não se possa encontrar um caminho para corrigir suas inúmeras falhas e defeitos. Procurar defeitos nas pessoas é fácil. Deixe isso para os outros. Habitue-se a observar as boas qualidades das pessoas. Então verá como elas respondem ao seu chamado e como cresce a atração que sentem por você.

A mentalidade de vitória e derrota

Seu objetivo é fazer com que um grande propósito se torne realidade. Você quer que outras pessoas também sigam o seu ideal. Quer que suas palavras exerçam influência sobre o coração delas. Portanto, para esse propósito, serão apresentados ainda alguns conselhos. Você também deve prestar atenção a eles.

Isso ficará claro por meio de um exemplo. Certa vez, fui a um convite com um determinado erudito religioso. Como de costume, depois da refeição, todos estavam envolvidos em conversas sobre diversos assuntos. Foi então que notei, de um lado, certo cavalheiro exibindo grande eloquência por meio de suas palavras. Pelo modo como se expressava, parecia estar tentando impressionar a todos, ostentando a extensão de seus conhecimentos. Em certo momento, disse: “Allah disse no Alcorão: ‘Al-a‘mālu bin-niyyāt’ — os resultados das ações dependem das intenções.” Passei então a prestar muita atenção ao que ele dizia. Primeiro, olhei para o venerável erudito com quem havia ido ao convite, para ver se ele contestaria aquela citação. Mas, quando vi que não contestava de modo algum aquele erro, fiquei extremamente surpreso. Talvez ele tivesse percebido onde estava o erro. Até uma pessoa de poucos estudos como eu sabe que “Al-a‘mālu bin-niyyāt” não é um versículo do Alcorão, pois essa frase não se encontra em parte alguma do Alcorão. Trata-se, na verdade, de um famoso hadith, registrado no início de quase todos os livros de hadith. Que erro enorme! Se o erro dele fosse apontado publicamente, certamente ficaria extremamente envergonhado diante de todos, e fracassaria em sua tentativa de se apresentar como alguém que sabe tudo. Contudo, vi que o respeitável erudito que me acompanhava nada dizia a respeito. Aquele homem continuava falando, sem parar, tudo o que queria, com base em suas próprias invenções. Às vezes eu sentia vontade de destruir sua pose de autoridade; mas, enquanto eu pensava no que fazer, ele passou a outro assunto. Como achei que o momento já havia passado, permaneci em silêncio. No caminho de volta do convite, perguntei ao erudito: “Por que o senhor não disse nada, embora aquele homem tivesse cometido um erro tão grande? É bastante claro até onde chega o conhecimento de alguém que menciona ‘Al-a‘mālu bin-niyyāt’ como um versículo do Alcorão.” Então o Maulana me disse: “Naquele momento, não quis envergonhá-lo. Em tal situação, em vez de se aproximar de mim, ele teria se afastado. Além disso, é preciso considerar que ele não me perguntou se ‘Al-a‘mālu bin-niyyāt’ era um versículo do Alcorão ou parte de um hadith.”

Aquele meu amigo, o Maulana, já não está neste mundo. Que Allah lhe conceda o Paraíso. Mas suas palavras ainda estão gravadas em meu coração. Muitas pessoas precisam de conselhos desse tipo, como os que aquele venerável homem me deu. É da natureza humana que as pessoas se envolvam constantemente em conversas com os outros. A tendência de se envolver em discussões com os outros é encontrada na maioria das pessoas. Toda pessoa sente satisfação ao criticar os outros sempre que tem oportunidade. No ímpeto das discussões, todos tentam fazer prevalecer suas próprias opiniões. Mas, se observar com um pouco mais de profundidade, perceberá que, para vencer uma discussão, existe apenas um caminho realmente eficaz: manter-se longe de discutir com as pessoas, assim como as pessoas se mantêm afastadas de animais nocivos e de cobras e escorpiões. Verificou-se que o resultado de noventa e nove por cento das discussões é o seguinte: mesmo depois de tanta disputa, ambas as partes continuam pensando que seus próprios argumentos são corretos e infalíveis. Você jamais conseguirá vencer uma discussão. Se for derrotado, então terá sido derrotado; mas, mesmo que vença, verá que foi você quem perdeu. Pois, nessa situação, você apenas terá provado que seu adversário é ignorante. Isso talvez lhe proporcione alegria por alguns instantes, mas o coração de seu oponente terá sido despedaçado pela discussão. Você o terá diminuído e humilhado. Terá desferido um golpe terrível contra sua autoconfiança e sua personalidade. Terá causado sofrimento a ele. Terá obrigado essa pessoa a aceitar algo contra sua vontade. Isso, porém, não terá produzido mudança alguma em sua opinião. Sua convicção arraigada não terá mudado nem um pouco. Não é de modo algum possível mudar, por meio da vitória em uma discussão, uma convicção que alguém cultivou e preservou durante toda a vida. A opinião de uma pessoa jamais pode ser transformada dessa maneira. No máximo, o oponente poderá admitir temporariamente o que você diz, mas apenas por estar acuado, preso às artimanhas da discussão. Você não conseguirá influenciar nem mesmo uma pessoa analfabeta e sem instrução por meio de discussões. É claro que poderá deixá-la sem resposta. Mas, deixando de lado os ignorantes, muitas vezes isso também ocorre com pessoas instruídas: você apresenta diante delas argumentos e provas tão claros que deveriam aceitá-los sem hesitação, mas, ainda assim, elas não os aceitam; ao contrário, iniciam uma discussão tortuosa, fazendo com que, no fim, o debate se prolongue excessivamente. A conversa se afasta muito do assunto em questão. Como resultado, o próprio orador já não sabe como proceder. E o ouvinte continua falando apenas sobre o que ele mesmo quer, afastando-se cada vez mais do tema. De modo algum é recomendável que você se permita chegar a tal situação. Isso porque um estado desse tipo é um enorme obstáculo e algo prejudicial no caminho para alcançar seu grande objetivo. Contudo, se por acaso você se encontrar em uma situação assim, deve tentar evitar o confronto. Com um pouco de inteligência, é possível transformar uma situação desse tipo.

Veja o exemplo a seguir

Certo funcionário do imposto de renda entrou em uma discussão com um comerciante. O funcionário queria cobrar imposto sobre um assunto em relação ao qual, segundo a lei, não havia possibilidade alguma de cobrança. O comerciante tentou muitas vezes explicar a situação ao funcionário do imposto de renda, mas não conseguiu fazê-lo compreender de maneira alguma. Pelo contrário: quanto mais tentava explicar, mais o funcionário iniciava uma discussão e se irritava. A briga continuava aumentando. O comerciante percebeu que, no fim, a questão estava se transformando em uma disputa e um debate. Então tentou imediatamente mudar o rumo da conversa para outro assunto. Disse: “Veja, senhor funcionário, comparada a todas as tarefas importantes que vocês realizam da manhã à noite, esta questão não é nada. É apenas um assunto comum e insignificante. Não é correto fazer tanto alarde por causa disso. Eu não possuo, nem poderia possuir, a competência que vocês têm em assuntos de leis e regulamentos. Afinal, nós apenas lemos os livros, enquanto vocês próprios estudaram e praticaram esse assunto da manhã à noite. Existe uma diferença enorme entre o conhecimento dos livros e a experiência direta. Se eu também tivesse tido uma oportunidade semelhante para compreender as leis e os regulamentos, talvez interpretasse o significado desse artigo exatamente como o senhor o interpretou. De qualquer modo, o assunto agora é o seguinte: permita que eu também reflita sobre a questão, e o senhor também pense nela um pouco mais profundamente. Talvez, à luz de sua experiência, surja alguma solução que lhe permita satisfazer-me também. Creio que seria melhor não discutir mais o assunto agora e voltar a tratá-lo em outra ocasião.” Com essas palavras do comerciante, o funcionário ficou um pouco mais brando. O rumo da conversa também mudou. O funcionário passou então a mencionar certas pessoas para exibir sua própria competência — pessoas que, em geral, o haviam enganado e que ele conseguira desmascarar.

Depois dessa conversa, finalmente começou entre os dois um diálogo bastante amistoso. Quando o comerciante se preparava para partir, o senhor oficial comprometeu-se com ele: “Está bem, reconsiderarei a sua questão.” Três dias depois, quando o comerciante voltou a encontrar-se com aquele oficial, este aceitou, sem dizer uma palavra, justamente aquilo que, naquele dia, não estivera disposto a aceitar mesmo depois de muita discussão e debate. A única razão era que ele, sendo um funcionário público, teria de reconhecer sua ignorância diante de um simples comerciante e submeter-se a ele! Pois isso provaria que um comerciante compreendia melhor o significado da lei do que o oficial em questão. Por isso, para preservar a própria dignidade e ocultar sua fraqueza, ele se dispusera a entrar em discussão e, em circunstância alguma, estava disposto a apoiar as palavras do comerciante. Mas, assim que sua dignidade foi reconhecida por outro meio e sua fraqueza ficou encoberta, toda a sua ira se acalmou num instante, e seu coração se preparou para aceitar a justiça e a verdade. Do mesmo modo, você encontrará muitas pessoas instruídas. Mesmo que apresente diante delas um argumento perfeitamente correto, elas não estarão dispostas a reconhecer essa verdade e submeter-se a você; tampouco aceitarão reconhecer-se menos instruídas. Por outro lado, se você adotar uma conduta que não fira o sentimento que têm de seu próprio conhecimento, sem dúvida poderá levá-las a aceitar o seu argumento. Lembre-se especialmente de mais uma coisa: procure sempre aceitar a derrota em discussões com eruditos religiosos, líderes religiosos, clientes e cônjuges. Pois, nesse campo, é mais vantajoso aceitar a derrota do que sair vencedor. Lembre-se de que aqueles que desejam deixar no mundo alguma obra construtiva não têm sequer tempo para brigar por assuntos banais. É melhor deixar o cavalo desenfreado passar pelo caminho. Caso contrário, se você bloquear a estrada, poderá acabar ferindo a si mesmo. Em suma, em vez de desejar vencer uma discussão, é melhor manter-se afastado dela.

Demonstrar respeito pelas tendências mentais

Talvez você tenha experiência quanto a isso: muitas de nossas decisões, por vezes, não se mostram corretas. Ainda assim, consideramo-las corretas e não queremos reconhecer facilmente diante dos outros que tomamos uma decisão errada. Do mesmo modo, isso se aplica igualmente às outras pessoas. Todos se encontram na mesma situação. Inicialmente, ninguém possui força interior suficiente para reconhecer o próprio erro. Então diga-me: que direito você tem de considerar alguém inferior por causa de uma opinião ou decisão errada que ele tenha tomado? Ou de simplesmente rejeitar as suas palavras? Você deve compreender que, se outra pessoa disser que alguma de suas opiniões está errada, isso lhe parecerá doloroso e irritante, embora você mesmo tenha admitido que nenhuma de suas opiniões ou decisões está acima de erros e falhas. Portanto, devemos compreender a partir disso que, quando dizemos que alguma opinião de outra pessoa está errada, ela também se sente ferida. Isso faz parte da natureza humana, pois ela considera tal atitude uma afronta à sua dignidade.

Talvez também não lhe seja desconhecido que a oposição à decisão ou à opinião de alguém não se manifesta apenas por meio de palavras. Um olhar severo, o franzir das sobrancelhas, uma expressão irônica, gestos e indiretas, entre outras coisas, também são usados para mostrar que a opinião do outro está errada e para combatê-la. Opor-se à opinião de outra pessoa e tentar provar que ela está errada significa atacá-la deliberadamente em sua maneira de pensar. Pois o único objetivo disso acaba sendo transmitir que essa pessoa é pouco instruída, pensa de maneira equivocada e segue um caminho errado. Não há dúvida de que, naturalmente, a pessoa em questão se levantará contra você e ficará furiosa com você. Nesse momento, não importa quantos argumentos e provas valiosos você apresente para mostrar claramente o erro diante de seus olhos ou para corrigi-lo: de modo algum ela estará disposta a apoiar a sua opinião.

Ao transmitir o chamado do ideal, é absolutamente necessário que o propagador do ideal se lembre das palavras acima. Assim, ele jamais adotará uma atitude hostil nem criará uma situação adversa. Caso contrário, certamente o sentimento de oposição se tornará evidente no coração do ouvinte. Isso ocorre porque, para cada pessoa, a própria opinião é a mais querida. Sendo essa a situação, por que criar desnecessariamente obstáculos em seu próprio caminho? Em suma, no campo da pregação, este será o sinal de seu maior sucesso: quando você conseguir mudar a maneira de pensar de alguém com tamanha habilidade que ele nem sequer perceba que você tentou corrigi-lo. Seja mais instruído do que o outro, ou esforce-se para sê-lo, mas não permita que ele descubra, nem de longe, que você está se tornando mais instruído do que ele.

Frequentemente acontecerá de o erro do outro se tornar claramente evidente para você. Nesse momento, antes de tudo, não permita de modo algum que o ouvinte perceba que você identificou determinado erro nele, ou que a opinião que ele sustenta ou a decisão que tomou está errada. Em vez disso, você pode dizer-lhe: “Talvez aquilo que compreendi sobre esse assunto também esteja errado, e talvez a sua opinião esteja certa. Mas que mal haveria em reconsiderarmos isso mais tarde?” Ou pode também dizer: “Na maior parte das vezes eu me engano. Espero que você certamente corrija os meus erros. Vamos refletir mais sobre esse assunto.” Isso também pode ser feito com outras palavras semelhantes. Essas palavras são como uma espécie de fórmula mágica. Por meio delas, você não correrá o risco de enfrentar qualquer complicação. Elas bloquearão igualmente o caminho de toda discussão, e você verá o seu ouvinte como uma pessoa racional e instruída. Nesse momento, ele observará suas palavras de coração aberto e também refletirá sobre o assunto.

Naturalmente, é muito pequeno o número de pessoas que dão a máxima importância aos argumentos e às provas em qualquer assunto, ou que tentam compreender especialmente uma questão à luz da lógica. Na maioria das pessoas também se observa a tendência de não dar a mínima atenção à lógica. Pelo contrário, fazem tentativas vãs de impor suas palavras aos outros, seja como for. Além disso, podem ser observadas muitas outras enfermidades nesse tipo de pessoa. Talvez ela nutra hostilidade por você, desconfie de você, tenha medo de você por alguma razão, ou esteja com o coração cheio de arrogância e inveja de você. Em suma, existem nas pessoas inúmeras doenças desse tipo, que criam obstáculos para que elas pensem ou aceitem prontamente qualquer coisa. Por isso, não se dispõem facilmente a mudar uma ideia que já tenham enraizada. A verdade é que nós mesmos estamos sempre mudando nossas opiniões e linhas de pensamento. Nós mesmos agimos contra nossas próprias decisões. Naturalmente, isso leva tempo. Primeiro, damos prioridade às nossas próprias opiniões e crenças e tentamos colocá-las acima de tudo, custe o que custar, embora sejam ideias completamente infundadas. As ideias e crenças arraigadas de uma pessoa estão ligadas a ela por uma relação profunda e misturadas a um amor sincero. Raramente uma pessoa pensa, a respeito de alguma crença: será que a minha crença é correta e precisa quando testada pela pedra de toque dos argumentos e das provas? A importância da palavra “minha” é certamente enorme. Nessas condições, afastá-la de suas crenças é uma tarefa extremamente árdua. Na prática, é assim que acontece: quanto mais revelamos diante do ouvinte a fraqueza e a irrealidade de suas crenças, mais ele se empenha em protegê-las. Nesses casos, deve-se tentar criar um ambiente em que ele tenha a oportunidade de refletir sobre suas antigas crenças e possa alcançar a verdade por si mesmo. Esse é o melhor método nessa situação. Alguém pode pensar que, se conseguir provar diante do ouvinte sua própria opinião e sua importância, exercerá influência sobre ele e suas palavras ganharão mais peso aos olhos dele. Mas, quanto aos resultados, essa é uma ideia completamente equivocada. Pois, assim que o ouvinte perceber que o orador está empenhado em fazer prevalecer sua própria opinião, afastar-se-á completamente e não aceitará suas palavras de modo algum. Isso porque, aparentemente, passa a predominar o esforço direto para demonstrar a fragilidade da opinião alheia. As pessoas experientes sabem muito bem quão eficaz é expressar humildemente sua opinião a alguém. Então, a pessoa em questão abandona facilmente sua própria opinião e aceita a sua. Naturalmente, no início será necessário esforço e prática para isso. Depois, isso se transformará em hábito.

A partir da discussão acima, pode surgir na mente de alguém a seguinte dúvida: então, mesmo ao perceber o erro de alguém, se uma injustiça estiver sendo cometida ou algo errado tiver acontecido, torna-se dever de todos corrigi-lo naquele momento? Sim, é verdade que a própria existência da nação muçulmana se destina a pôr fim para sempre, sobre a face da Terra, a todas as doutrinas errôneas, opiniões equivocadas e caminhos desviados. É obrigatório para o muçulmano, ao ver algo indesejável acontecendo, levando em consideração o momento e as circunstâncias, resistir a isso com a mão, na medida de sua capacidade, se possível; caso contrário, tentar corrigir o erro ou a má ação por meio de palavras. Mas isso não significa que, assim que se veja algo injusto ou errado, seja preciso dizer de imediato: “Isso está completamente errado” ou “O que você está fazendo está errado”. Além disso, depois de reconhecer que algo está errado, não seria melhor, em vez de classificá-lo imediatamente como erro e irritar a pessoa envolvida, criar um ambiente em que ela possa perceber o próprio erro por si mesma e, tomando consciência de suas consequências, tome a iniciativa de se corrigir? Creio que, tendo em vista o objetivo de propagar o ideal, adotar a postura acima ao corrigir erros é a melhor medida.

Suponha, por exemplo, que seu ouvinte seja um não muçulmano. Ele está expressando sua opinião sobre o véu. Considera o véu uma opressão contra as mulheres. Acredita que o sistema do véu é extremamente prejudicial à saúde. Zomba dessa norma do Islã. Você possui muitos argumentos sólidos sobre a necessidade do uso do véu e em seu favor. Não seria de modo algum difícil provar, por meio de argumentos e provas, que essa afirmação dele está equivocada. Mas, quando perceber que o ouvinte não está disposto a dar qualquer importância aos seus argumentos e provas diante da opinião que sustenta, nesse caso, você não deverá apresentar de modo algum suas provas e argumentos diante dele. Deixe a discussão suspensa naquele ponto por enquanto. Diga-lhe simplesmente: “Está bem, não vamos discutir mais este assunto agora; deixemo-lo para outra ocasião. Poderemos conversar mais sobre isso naquela oportunidade. Não se deve tomar uma decisão sobre um assunto tão complexo com tanta pressa. Assim, não há oportunidade para que um e outro reflitam sobre os argumentos e as provas apresentados.” Todos devem estar sempre dispostos a aceitar os argumentos justos e os bons aspectos das doutrinas alheias. Como resultado desse tipo de conversa, você verá que o ouvinte se tornará muito humilde. Ele considerará suas palavras com interesse. Se, em um encontro, você discutir alguma forma de decadência social e moral, sem tratar do “assunto do véu”, verá que ele estará ecoando sua opinião. Então você lhe dirá que, em nossa opinião, a principal causa da decadência moral é a convivência livre entre homens e mulheres; nessa situação, certamente seu ouvinte não contestará suas palavras. Depois de, por meio da discussão, criar em sua mente um mínimo de disposição favorável à ideia principal, se você então puder apresentar-lhe de maneira organizada qual é a verdadeira forma do “véu islâmico”, verá que a forte aversão que até então se manifestava em sua mente em relação ao véu terá diminuído consideravelmente. Naturalmente, o caso do fanatismo é diferente. Mas, se você continuar realizando seu trabalho de maneira correta e adequada, verá que seu ouvinte terá sido obrigado a afastar-se bastante de sua posição anterior.

Este é apenas um exemplo. Existem inúmeros problemas desse tipo, que você pode resolver de maneira bastante simples. Para isso, porém, terá de se preparar muito do ponto de vista mental. Você precisa avaliar bem a atitude do ouvinte em relação ao assunto que será discutido. Nesse trabalho, na maioria das vezes, geralmente se depara com os seguintes problemas:

1. O Islã e a escravidão; 2. A poligamia; 3. A sociedade islâmica existiu por apenas 30 anos; 4. É possível estabelecer um sistema de sociedade islâmica na época atual? 5. A economia do Islã; 6. A religião deve permanecer sempre livre da política, e assim por diante. Para responder às perguntas relacionadas a todos esses problemas, é essencial que você adquira conhecimentos suficientes por meio de estudos e qualificação educacional.

Assuntos em que há concordância de opiniões

Como propagador de um ideal, sua responsabilidade é provocar uma revolução no mundo do pensamento das pessoas e redirecionar seus pensamentos de tal maneira que elas possam aceitar facilmente seus argumentos e compreender a natureza do seu ideal. Elas devem ser levadas a mudar voluntariamente opiniões e caminhos mantidos há muito tempo. Isso não significa que vocês dois concordem em todos os aspectos do tema em discussão; é justamente por meio desses pontos de concordância que você deve iniciar sua conversa. Pois isso preparará o terreno para a discussão posterior, isto é, para a apresentação principal. Geralmente, as pessoas começam a conversa pelo assunto em que há divergência. Isso não está de modo algum correto. Mantenha-se firme em um princípio. Em nenhuma circunstância dê ao interlocutor a oportunidade de responder “não” a qualquer uma de suas afirmações. No início da conversa, você deve adotar cuidadosamente uma abordagem que o obrigue a dizer “sim” às suas palavras desde o começo. Pois é natural que, se logo no início de uma conversa alguém manifestar discordância sobre um assunto e disser “não”, esse espírito de discordância acabará predominando nele. O orgulho de sua personalidade o obrigará a permanecer apegado ao “não”. Mesmo depois de perceber que foi impróprio dizer “não”, seu orgulho pessoal não lhe permitirá recuar. Mais tarde, torna-se praticamente impossível fazê-lo dizer “sim”. Nesse caso, você deve manter-se sempre atento. Em nenhuma circunstância lhe dê essa oportunidade. Pois, uma vez que ele tenha dito algo, torna-se impossível para ele voltar atrás.

É preciso ter em mente este ponto sutil: ao iniciar a conversa, deve-se cuidar para que o ouvinte de modo algum perceba que você o está forçando a admitir alguma coisa. Converse repetidamente sobre os pontos em que ele concorda com você. Se refletir, poderá encontrar inúmeras dessas questões. Esta é a estratégia de propagação do ideal à qual também se faz alusão no seguinte versículo. Allah, o Altíssimo, instruiu o Nobre Profeta (que a paz esteja com ele) a iniciar assim a conversa sobre a propagação do ideal entre o Povo do Livro:

“Vinde, concordemos primeiro sobre aquilo em que já existe concordância entre nós” (Al Imran, 64).

Realmente, que método fácil! Mas, em geral, ninguém presta atenção a isso. Pelo contrário, pensa: “Primeiro farei um discurso cheio de argumentos, para que ele reconheça minha capacidade e importância.” Mesmo que, por causa disso, o coração do ouvinte se torne rebelde, não se dá nenhuma importância ao fato. Esse é um método completamente errado. Você terá de admitir que, se alguém faz isso apenas por diversão, então o assunto está fora de discussão. Mas não há ninguém mais ignorante do que aquele que adota esse tipo de abordagem para alcançar algum objetivo nobre. Há um relato famoso sobre Sócrates: sempre que queria fazer alguém adotar sua opinião, fazia-lhe perguntas que o obrigavam a responder “sim” a cada afirmação. Sua técnica de conversação era tal que o ouvinte tinha de continuar dizendo “sim” a cada palavra. Inclusive, ele fazia o ouvinte reconhecer com a própria boca qual era o objetivo principal de sua conversa. Por esse método, também se torna mais fácil para o ouvinte aceitar as palavras do orador. Nessa situação, o ouvinte acaba sendo levado a aceitar voluntariamente até aquilo que, no início, talvez de modo algum admitisse; por ter sido apresentado de maneira desagradável, poderia até rejeitá-lo completamente, ou, depois de dizer “não” uma vez, permaneceria obstinadamente apegado a isso. Portanto, sempre que você tentar fazer alguém adotar sua opinião, deverá dar atenção especial a este princípio: não permitir de modo algum que o ouvinte tenha a oportunidade de dizer “não” logo no início. Pelo contrário, procure fazer com que ele, desde o começo, reconheça suas palavras dizendo “sim, sim”.

Avance passo a passo

Sua fé e sua firme convicção são de que somente o Islã é capaz de solucionar todos os problemas da humanidade. E seu desejo é que somente essa crença também se estabeleça firmemente no mundo do pensamento das demais pessoas e que, tendo essa crença como centro, ocorra uma grande mudança e revolução no pensamento humano. Ao ver a condição desprovida de moralidade do mundo atual, você fica inquieto e preocupado. Você não está apenas inquieto; está também firmemente determinado a eliminá-la. Para isso, dispõe de amplo material, que acumulou com base em seus estudos e qualificações educacionais para reformar a sociedade corrompida atual.

Nessas circunstâncias, também é possível fazer com que seu ouvinte escute, de uma só vez, todas essas ideias e se torne seu apoiador. Porém, talvez você já tenha percebido por experiência que isso não pode ser feito assim tão facilmente. Mudar o pensamento de outra pessoa é extremamente difícil. Nesse caso, sua competência deverá manifestar-se ao mostrar, por meio de sua conversa, que você o considera uma pessoa dotada de conhecimento suficiente. Aos seus olhos, ele é uma pessoa ponderada e sábia. Você dá bastante importância à opinião dele. Depois de criar essa impressão na mente do ouvinte, verá com que interesse ele se dispõe a ouvir suas palavras. Por isso, você deve apresentar diante dele algumas perguntas previamente preparadas. Por exemplo: como se pode eliminar uma situação contrária à moral? Qual é a solução para a pilhagem no campo econômico? Como se pode estabelecer uma sociedade bela e harmoniosa? E qual será o critério dessa sociedade? Qual é o verdadeiro lugar do ser humano neste mundo? E assim por diante. Quando você convidar o ouvinte a refletir sobre essas questões complexas, verá que talvez sua mente estivesse completamente vazia a esse respeito e que ele talvez nunca tivesse pensado nisso. Então, imediatamente, ele tentará compreender seu movimento e começará a dizer o que entendeu. É preciso avançar nesse assunto com extrema cautela e por meio de um método de ação adequado. Ao perceber a incapacidade do ouvinte nesse campo, você talvez sinta imediatamente o desejo de expor diante dele, detalhadamente e com argumentos e provas, sua opinião; ou de discutir seus comentários resultantes da ignorância e explicar ainda mais claramente o que você pensa. Em nenhuma dessas duas situações, porém, permita que o ouvinte perceba que, nesse assunto, seu conhecimento é insignificante em comparação com o seu. Caso contrário, você fracassará. Você só poderá ter êxito quando conseguir apresentar habilmente ao ouvinte a mensagem essencial, por meio de sinais, sugestões e propostas, de tal modo que seu coração aceite justamente os argumentos e as provas que você lhe oferece, mas ele pense: aquilo que estou imaginando e pensando é resultado exclusivamente da minha própria investigação e reflexão. Se, nesse processo, você perceber que ele está se desviando do caminho correto, poderá conduzi-lo discretamente ao caminho certo. E, se achar que ele não está disposto a aceitar de modo algum os seus argumentos, ou que os aceita apenas parcialmente, deverá observá-lo sob uma perspectiva psicológica. Não tente então apresentar diante dele todos os seus argumentos e provas de uma só vez; no momento oportuno, você será capaz de fazê-lo admitir facilmente o restante. É preciso lembrar ainda uma coisa: na medida em que seu ouvinte concordar com você, tente fazê-lo perceber que essa opinião também é exclusivamente dele. Aquilo que ele compreendeu é resultado de seu próprio pensamento, e ele compreendeu maravilhosamente bem tudo o que compreendeu. É por esse método que seu caminho futuro se tornará claro.

O pregador que não consegue compreender em que ambiente seu ouvinte foi formado, que tipo de influência esse ambiente exerce sobre ele e, à luz disso, como deve tratá-lo ou conversar com ele, está fadado a ficar completamente desiludido com seu ouvinte. O pregador bem-sucedido é aquele que, durante a conversa, observa a influência do ambiente sobre o ouvinte. É preciso observar que talvez você não adore vacas, não considere sagrada e virtuosa a jiboia como uma divindade, não vá de santuário em santuário para circumambular os mausoléus, e considere shirk amarrar um talismã por meio de um pir para alcançar seus próprios objetivos — mas essas coisas não constituem qualidades tão extraordinárias suas. Talvez você tenha conseguido, de algum modo, fechar os olhos para um ambiente desse tipo e proteger a si mesmo das superstições; mas quantas pessoas há na sociedade que conseguem libertar-se dessas superstições por sua própria inteligência e discernimento? A maioria das pessoas conseguiu manter-se distante de tais tolices e pecados apenas porque, talvez, eles nem sequer existissem no ambiente em que foram criadas. Portanto, se o seu ouvinte também estiver contaminado pelas superstições do ambiente em que vive, você pode considerá-lo, em certa medida, incapaz por essa razão. Muitas vezes, as pessoas fazem muitas coisas movidas pela emoção, sem penetrar profundamente na essência de um assunto. Parece que esse tipo de pessoa é o mais numeroso na sociedade. Nessas circunstâncias, quando o verdadeiro conhecimento abre os olhos da compreensão das pessoas, muitas delas abandonarão tais práticas. Com efeito, aquilo que uma pessoa faz muitas vezes sob a influência do ambiente ou da emoção, ela pode abandonar em um momento de lucidez quando recebe o verdadeiro conhecimento.

Alguém talvez pergunte: aqueles que não creem em Allah, no Mensageiro e na vida após a morte também dizem que chegaram a essa conclusão somente depois de muito estudo, reflexão e investigação. Nesse caso, é claro que suas palavras são parcialmente verdadeiras; mas a maioria dessas pessoas, na realidade, não pensa em coisa alguma. Talvez estejam simplesmente sendo levadas pelos ventos da época, ou estejam sob uma influência na qual, ao fazer qualquer coisa, não se dá nenhuma importância à reflexão. Todos fazem tudo apenas por entusiasmo coletivo. Como resultado disso, aos poucos surge neles uma atitude claramente contrária à religião, e em suas mentes se consolidam todos os tipos de ideias equivocadas sobre a religião. A primeira obrigação é purificar o senso moral dessas pessoas. Naturalmente, isso exige muito esforço.

Outro ponto digno de nota é que, por meio de argumentos e provas irrefutáveis, você pode silenciar alguém; mas preparar seu ouvinte para aceitar algo de coração, ou criar em sua mente a inspiração para abandonar antigas concepções e aceitar a verdade de uma nova maneira, não é possível por meio de mera eloquência ou argumentação. Para isso, é necessário criar nele, com habilidade e por meios naturais, inspiração e disposição para agir. Por meio dessa inspiração, você será capaz de obter resultados consideráveis. Afinal, são justamente essa inspiração e essa inclinação que levam as pessoas a praticar muitas ações indesejáveis, que elas próprias reconhecem como erradas quando as submetem ao crivo dos argumentos e das provas. O que você diria de um assaltante que passa dia e noite cometendo crimes e usando violência para roubar o dinheiro e os bens das pessoas, mas também ajuda os pobres e distribui entre eles tudo o que saqueou? A verdade é que, além de sua brutalidade, existe nele uma inclinação para fazer o bem; ele quer que as pessoas o considerem alguém compassivo. É para obter esse consolo psicológico que sente prazer em agir assim. No entanto, segundo os critérios da justiça e da verdade, ele próprio considera sua profissão condenável. Tendo esse exemplo diante de nós, torna-se evidente que, para incentivar uma pessoa a realizar alguma ação, muitas vezes sua disposição emocional é mais eficaz do que documentos, provas e eloquência.

Portanto, ao propagar um ideal, às vezes é preciso, além de apelar aos sentimentos elevados e sutis das pessoas, tentar também apelar às suas diversas emoções, como a sensibilidade humana, a honestidade, o bom gosto elevado, o serviço público, a compaixão, o caráter, feitos notáveis, contribuições e assim por diante.

“Convoca para o caminho de teu Senhor

com sabedoria e boa exortação

e debate com as pessoas da melhor maneira.”