Há muito tempo sentia-se profundamente a necessidade de uma obra sobre o conhecimento do fiqh que fosse concisa, mas que atendesse a todas as necessidades da vida de cada muçulmano. Graças a Allah, Asan Fiqh, escrita em urdu pelo Maulana Muhammad Yusuf Islahi, satisfez essa nossa necessidade.

Consideramos que a tradução da obra ficou fiel, por ter sido realizada pelo ilustre pensador islâmico e literato, Sr. Abbas Ali Khan. Este volume contém três capítulos, intitulados Sawm, Zakat e Hajj.

É importante mencionar que, atualmente, há quatro escolas de fiqh difundidas no mundo muçulmano: Hanafi, Maliki, Shafi‘i e Hanbali. Além dessas, há também os seguidores de outra escola, que não seguem nenhuma das quatro mencionadas. Eles defendem seguir diretamente o Alcorão e os hadiths. São conhecidos como salafis ou Ahl al-Hadith. Todas as escolas mencionadas estão corretas. A base de todas elas está fundamentada no Alcorão e nos hadiths. O esforço de todos consistiu em seguir integralmente o Alcorão e os hadiths. Acusar uns aos outros por causa dessas divergências, considerar o outro excluído da religião e tentar criar uma ruptura na unidade da ummah muçulmana não pode ser obra de nenhum sincero adepto da verdade.

No subcontinente, há seguidores de todas as escolas. Contudo, como os seguidores da escola Hanafi são mais numerosos, esta obra foi elaborada exclusivamente com base na escola Hanafi, evitando as divergências, para que os muçulmanos comuns possam seguir seu próprio madhhab sem hesitação e com plena tranquilidade. Entretanto, na maioria dos casos, também foram incluídas as opiniões de Ahl al-Hadith.

Em diferentes épocas, os respeitados ulemás, após amplas pesquisas sobre determinadas questões, recomendaram opiniões diversas; aquela considerada correta entre essas opiniões também foi mencionada nas notas, para que quem desejasse pudesse praticá-la com o coração aberto. Além das questões jurídicas, foram descritas, à luz dos hadiths, a virtude e a importância da adoração e das boas ações, para que surgisse no coração entusiasmo pela adoração.

O julgamento sobre o nosso sucesso cabe aos leitores. Que o Altíssimo Allah nos conceda a capacidade de seguir plenamente a Sua religião. Amém.

Bibliografia

Nas discussões relacionadas às virtudes e às sabedorias dos preceitos jurídicos, foram utilizadas as seguintes obras:

1. Tafsir de Nasafi 2. Tafsir de Khazen 3. Tafsir de Baydawi 4. Tarjuman al-Qur’an — Maulana Abul Kalam Azad 5. Tafhim al-Qur’an — Maulana Sayyed Abul Ala Maududi (r) 6. Tradução e Tafsir — Maulana Shabbir Ahmad Usmani 7. Sihah Sittah 8. Muwatta — Imam Malik (r) 9. Riyad as-Salihin 10. Al-Adab al-Mufrad 11. Hisn al-Hasin 12. Mishkat 13. Ihya Ulum al-Din 14. Kashf al-Mahjub.

As questões e disposições jurídicas foram extraídas das seguintes obras, sem a discussão sobre o ijtihad, e foram selecionadas somente as questões aplicáveis ao público em geral segundo a opinião consensual.

1. Hidayah 2. Ayn al-Hidayah — comentário de Hidayah 3. Fath al-Qadir 4. Quduri 5. Sharh al-Wiqayah 6. Nur al-Idah 7. Fiqh as-Sunnah 8. Ilm al-Fiqh 9. Ta‘lim al-Islam 10. Islami Ta‘lim 11. Disposições jurídicas da Shariah sobre os instrumentos modernos — Mufti Muhammad Shafi (r) 12. Rasa’il wa Masa’il — Maulana Sayyed Abul Ala Maududi (r) 13. Bahishti Zewar 14. Fatawa — Darul Uloom Deoband, entre outras.

Capítulo sobre o zakat

 

Descrição do zakat

A oração e o zakat são, na realidade, dois importantes atos de adoração que representam toda a religião. Entre os atos de adoração físicos, a oração representa toda a religião; e, entre os atos de adoração financeiros, o zakat representa toda a religião. Os direitos que a religião impõe ao servo dividem-se em dois tipos: os direitos de Allah e os direitos dos servos. A oração prepara o servo para cumprir os direitos de Allah, e o zakat cria nele um profundo sentimento de cumprir os direitos dos demais servos. E cumprir corretamente esses dois tipos de direitos é precisamente o que se chama Islã.

A posição do zakat

O zakat é o terceiro grande pilar do Islã. Na religião, o zakat ocupa a posição imediatamente posterior à oração. De fato, em vários lugares do Alcorão Sagrado, menciona-se a oração depois da fé e o zakat depois da oração. Por um lado, isso deixa claro quão elevada é a posição da oração e do zakat na religião. Por outro, indica que, depois da oração, o zakat é o que ocupa a posição mais elevada. Essa informação também se torna clara nos hadiths do Santo Profeta (s.a.w.):

Hazrat Abdullah ibn Abbas (r.a.) relatou que, quando o Profeta (s.a.w.) enviou Mu‘adh ibn Jabal (r.a.) ao Iêmen, deu-lhe o seguinte conselho: «Estás indo para junto de pessoas que receberam um Livro. Primeiro, convidá-las-ás a testemunhar a fé: que não há divindade além de Allah e que Muhammad (s.a.w.) é o Mensageiro de Allah. Quando reconhecerem essa verdade, informa-lhes que Allah tornou obrigatórias para elas cinco orações durante o dia e a noite. Quando aceitarem isso também, dize-lhes que Allah tornou obrigatória para elas a sadaqa (zakat). Ela será tomada dos ricos entre eles e distribuída entre os incapazes e necessitados. Quando aceitarem isso igualmente, ao recolher o zakat não escolhas deliberadamente os melhores bens deles e protege-te da súplica do oprimido, pois não há véu ou obstáculo entre o oprimido e Allah.» (Bukhari, Muslim)

O significado do zakat

O significado de zakat é tornar-se puro, crescer e desenvolver-se. Na terminologia da jurisprudência islâmica, zakat significa um ato de adoração financeira. Todo muçulmano que possui o nisab deve retirar de seus bens a quantidade determinada pela Shariah para aqueles que, segundo a Shariah, têm direito a receber o zakat.

Quando se paga o zakat, os bens tornam-se puros e santificados. Então Allah concede bênçãos aos bens. Na Outra Vida, Ele concede ao pagador do zakat uma recompensa tão grande que o ser humano não consegue sequer imaginá-la. Por isso, esta adoração é chamada zakat, isto é, uma prática que purifica e faz crescer.

A essência do zakat

Quando o crente, buscando a satisfação de Allah, gasta de bom grado no caminho de Allah os bens que ama e prefere, nasce no coração desse crente uma luz e um brilho. A sujeira material e o amor pelo mundo desaparecem. Depois, surgem no coração vitalidade, pureza e o impulso para amar Allah. Então isso continua a crescer. Dar o zakat é, em si, uma manifestação do amor por Allah e também um meio eficaz e confiável de aumentar esse amor.

A essência do zakat não consiste apenas em ser um processo de sustento dos pobres e necessitados e de distribuição justa da riqueza. Pelo contrário, é também uma importante adoração prescrita por Allah, o Altíssimo. Sem ela, não é possível purificar e santificar o coração e a alma do ser humano, nem ele pode tornar-se um servo sincero, benevolente e virtuoso de Allah. Na realidade, o zakat é uma expressão de gratidão pelas incontáveis dádivas de Allah. Do ponto de vista legal, o zakat consiste em que, quando passar um ano sobre os bens de uma pessoa abastada, ela retire de seus bens uma parte determinada para aqueles que têm direito a recebê-la. Mas a essência do zakat não se limita a isso. Pelo contrário, por meio desta prática, Allah, o Altíssimo, deseja retirar do coração do crente todo tipo de amor material pelo mundo e estabelecer nele o Seu próprio amor. Dessa forma, Ele deseja educá-lo para que o crente sacrifique no caminho de Allah seus bens, sua vida, todas as suas forças e capacidades, e alcance paz e alegria espirituais. Que ele distribua tudo no caminho de Allah e expresse sua gratidão, reconhecendo que, pela graça e generosidade de Allah, recebeu a capacidade de sacrificar sua vida e seus bens no Seu caminho. Por isso, a Shariah estabeleceu um limite legal para o zakat e declarou que gastar essa quantidade é obrigatório para todo muçulmano. Se ele não gastar nem sequer essa quantidade, sua própria fé se torna duvidosa. Mas, juntamente com isso, também incutiu com toda a força o incentivo para que o crente não considere suficiente gastar apenas essa quantidade. Pelo contrário, deve habituar-se a gastar cada vez mais no caminho de Allah. A vida do Profeta (s.a.w.) e dos nobres Companheiros (r.a.) também evidencia claramente esta verdade.

Hazrat Anas (r.a.) relatou que um homem se apresentou diante do Santo Profeta (s.a.w.) e lhe pediu algo. Naquela ocasião, o Profeta (s.a.w.) possuía tantas cabras que o vale entre duas montanhas estava cheio delas. O Profeta (s.a.w.) deu todas aquelas cabras ao solicitante. Quando este voltou para seu povo, disse-lhes: «Ó gente, tornem-se todos muçulmanos! Muhammad (s.a.w.) dá tanto às pessoas que já não há qualquer receio de se tornar necessitado.» (Kashful Mahjub)

Certa vez, um mendigo foi à presença de Hazrat Husayn (que Alá esteja satisfeito com ele) e disse: “Ó neto do Profeta, preciso de quatrocentos dirhams.” Hazrat Husayn imediatamente trouxe quatrocentos dirhams de casa, entregou-lhos e começou a chorar. Quando lhe perguntaram o motivo do choro, ele disse: “Estou chorando porque não lhe dei antes que ele pedisse. Por que ele teve de suplicar? Como chegou a acontecer que esse homem viesse até mim e estendesse a mão para pedir esmola?” — (Kashful Mahjub)

Hazrat Aisha (que Alá esteja satisfeito com ela) disse: certa vez, uma cabra foi abatida em casa. O Profeta (que a paz e as bênçãos de Alá estejam sobre ele) chegou e perguntou se havia alguma carne da cabra. Hazrat Aisha disse: “Restou apenas uma perna; todo o restante foi distribuído.” O Profeta disse: “Não; ao contrário, tudo o que foi distribuído, exceto aquela perna, é que realmente restou” — pois se pode esperar sua recompensa ou seu valor na Outra Vida. (Jami‘ at-Tirmidhi)

Hazrat Asma, filha de Abu Bakr (que Alá esteja satisfeito com ela), disse que o Profeta (que a paz e as bênçãos de Alá estejam sobre ele) lhe disse: “Confiando em Alá, continue doando generosamente em Seu caminho. Não entre no hábito de dar contando e calculando, para que, ao doar no caminho de Alá contando e calculando, Ele também lhe dê contando e calculando. Não acumule riquezas; caso contrário, Alá fará o mesmo com você, e você não receberá riquezas em abundância. Portanto, conforme sua capacidade, gaste de mãos abertas no caminho de Alá.” (Bukhari, Muslim)

Hazrat Abu Hurayra (que Alá esteja satisfeito com ele) relatou que o Profeta (que a paz e as bênçãos de Alá estejam sobre ele) disse: “Alá diz a cada um de Seus servos: ‘Ó filhos de Adão, continuem gastando em Meu caminho, e Eu continuarei dando a vocês do Meu tesouro inesgotável.’” (Bukhari, Muslim)

Hazrat Abu Dharr (que Alá esteja satisfeito com ele) disse: certa vez, fui à presença do Profeta (que a paz e as bênçãos de Alá estejam sobre ele). Ele estava descansando à sombra da Casa de Caaba. Ao me ver, disse: “Juro pelo Senhor da Caaba: essas pessoas enfrentarão uma terrível perda.” Eu disse: “Que meu pai e minha mãe sejam sacrificados por você; diga-me quem são aqueles que enfrentarão uma terrível perda.” Ele respondeu: “São aqueles que possuem grandes riquezas e vivem na prosperidade. Sim, entre eles estão a salvo da perda aqueles que gastam generosamente suas riquezas no caminho de Alá, à frente e atrás, à direita e à esquerda. Mas, entre os ricos, são muito poucos os que fazem isso.” — (Bukhari, Muslim)

Objetivo do sistema da zakat

O sistema da zakat, na realidade, deseja limpar do coração do crente o amor pelo mundo e todos os arbustos, matagais e selvas que dele brotam, para fazer nascer ali o amor por Alá. Isso só é possível quando o servo crente não se satisfaz apenas em pagar a zakat; ao contrário, esforça-se para incorporar em si sua força vital e considera que tudo o que possui pertence a Alá. Somente gastando tudo isso em Seu caminho se pode alcançar Sua satisfação. Sem assimilar essa força vital e esse objetivo da zakat, ninguém pode amar por Alá, nem pode, reconhecendo o direito de Alá, manter-se vigilante e generoso para cumpri-lo.

O sistema da zakat, na realidade, purifica toda a sociedade islâmica da avareza, da estreiteza de espírito, do egoísmo, da inveja, da hostilidade, da dureza do coração e da sutil tendência à exploração. Ele desperta e desenvolve nela motivações elevadas e puras, como o amor mútuo, o sacrifício, a compaixão e a generosidade, a sinceridade, a benevolência, a cooperação e a solidariedade. É por isso que a zakat foi obrigatória para as comunidades de todos os profetas. Naturalmente, havia diferenças quanto ao seu nisab e às suas normas e determinações jurídicas; contudo, a obrigação da zakat existia em todas as Leis religiosas.

A shariah anterior ao zakat

Ao refletir sobre o significado essencial e a força vital do zakat, compreende-se que o zakat é, para o crente, uma prática indispensável e uma qualidade indispensável. Por isso, encontra-se essa determinação na shariah de todos os profetas.

O Alcorão testemunha que o zakat era obrigatório para as comunidades de todos os profetas, assim como a oração era obrigatória. Na Surata al-Anbiya, após a narrativa sobre Hazrat Musa e Hazrat Harun, é relatada detalhadamente aquela reflexão e conversa que ocorreu entre Hazrat Ibrahim e seu povo. Em seguida, nesse mesmo contexto, são mencionados Hazrat Lut, Hazrat Ishaq e Hazrat Yaqub. Então é dito:

***** Árabe *********

E fizemos de todos eles líderes. Eles guiavam de acordo com a Nossa ordem. E, por meio da revelação, inspiramo-los a praticar boas ações, estabelecer a oração e dar o zakat; e todos eram servos adoradores.

Em vários lugares do Alcorão é mencionada a promessa e o juramento que foram exigidos dos judeus. Entre suas cláusulas importantes estava também esta: que eles estabelecessem a oração e dessem o zakat.

******* Árabe ******

E recorda quando firmamos uma aliança solene com os Filhos de Israel: não adorareis ninguém além de Allah; tratareis bem os pais; tratareis bem também os parentes, os órfãos e os necessitados; e falareis bondosamente às pessoas. Estabelecereis a oração e dareis o zakat. (Surata al-Baqarah, 83)

Em outro lugar, Allah, o Altíssimo, dirige-se especificamente aos Filhos de Israel, dizendo:

******* Árabe *******

E Allah disse aos Filhos de Israel: “Estou convosco, se continuardes a estabelecer a oração e a pagar o zakat.”

(Surata Al-Má’ida, 12)

Ao elogiar Ismael (que a paz esteja sobre ele), filho de Abraão (que a paz esteja sobre ele) e antepassado do Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), o Alcorão afirma que ele exortava os seus familiares a estabelecerem a oração e a pagarem o zakat.

******* Árabe ********

E [Ismael] recomendava à sua família a oração e o zakat, e era um servo agradável ao seu Senhor. (Surata Maria, 55)

Ao apresentar a sua identidade, Jesus (que a paz esteja sobre ele) diz que foi precisamente para ser agraciado com o grau de profeta que o meu Senhor me ordenou estabelecer a oração e pagar o zakat durante toda a minha vida.

********** Árabe *************

E Ele ordenou-me que estabelecesse a oração e continuasse a dar o zakat enquanto eu viver. (Sura Maryam, 31)

A grandeza e a importância do zakat

Pode-se avaliar a extraordinária grandeza e importância do zakat no Islã pelo fato de que, no Alcorão Sagrado, a oração e o zakat são mencionados juntos em pelo menos trinta e dois lugares. Depois da fé, a primeira exigência é a oração e o zakat. Na realidade, cumprir essas duas formas de adoração significa cumprir toda a religião. Como poderia o servo que, na mesquita, entrega seu corpo e sua alma diante de Allah com profunda devoção negligenciar o direito de Allah fora da mesquita? Do mesmo modo, como poderia aquele que doa de bom grado, no caminho de Allah e para buscar a satisfação de Allah, seus bens mais queridos, sentindo profunda paz no coração, violar os direitos dos outros servos? Na verdade, o Islã é a manifestação dos direitos de Allah e dos servos. Por isso, o Alcorão considera a oração e o zakat sinais distintivos do Islã e testemunho de entrada nos limites do Islã. Na Sura At-Tawbah, depois de Allah declarar o rompimento das relações com os idólatras e manifestar Seu desagrado, Ele orienta os muçulmanos dizendo que, se eles se arrependerem da incredulidade e do politeísmo, estabelecerem a oração e continuarem a dar o zakat, serão considerados irmãos na religião. Depois disso, na sociedade islâmica, terão a mesma posição que os muçulmanos.

********** Árabe ************

Se eles se arrependerem (da incredulidade e do politeísmo), estabelecerem a oração e derem o zakat, serão vossos irmãos na religião. (Sura At-Tawbah, 11)

Este versículo afirma que a oração e o zakat são sinais claros do Islã e provas incontestáveis. Por isso, o Alcorão qualificou a recusa em dar o zakat como um sinal e uma prática dos idólatras. Tais pessoas foram consideradas, na Outra Vida, negadoras e privadas da fé.

********** Árabe ************

Desgraça para esses politeístas que não dão zakat e negam a Outra Vida. (Surata Ha-Mim as-Sajda, 6–7)

Durante o califado do primeiro califa, Hazrat Abu Bakr Siddiq (que Allah esteja satisfeito com ele), quando algumas pessoas se recusaram a dar zakat, ele as considerou equivalentes a sair do Islã e tornar-se apóstatas, e declarou: “Se essas pessoas se recusarem a dar sequer um cabrito da zakat que costumavam dar na época do Profeta, combaterei contra elas.” Hazrat Umar (que Allah esteja satisfeito com ele) tentou impedir Siddiq-e-Akbar e disse: “Como você combaterá contra elas, uma vez que creem no Kalima?” Ele também disse: “O Mensageiro do Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) declarou que a vida e os bens daquele que disser ‘La ilaha illallah’ estarão seguros da minha parte.” Hazrat Abu Bakr (que Allah esteja satisfeito com ele) anunciou sua firme resolução, dizendo:

********** Árabe ************

“Juro por Allah que certamente lutarei contra aqueles que fazem distinção entre a oração e a zakat.” (Bukhari, Muslim) (Hazrat Abu Bakr (que Allah esteja satisfeito com ele) apresentou o versículo 5 da Surata At-Tawbah como argumento para o combate contra os que negam a zakat:

********** Árabe ************

Se eles se arrependerem, estabelecerem a oração e derem zakat, então deixem-nos ir. (Tradutor)

A oração e a zakat são dois pilares da religião; negá-los ou fazer distinção entre ambos equivale, na realidade, a afastar-se da religião de Allah e a tornar-se apóstata. E é dever do crente combater contra os apóstatas.

Hazrat Abdullah ibn Mas’ud disse: “Foi-nos ordenado realizar a oração e dar zakat. Quem não der zakat, sua oração também não existe.” (Tabarani)

Aqueles que se abstêm de dar o zakat, o Alcorão os declarou privados da orientação:

********** Árabe ************

A orientação é para os tementes, que creem no invisível, estabelecem a oração e gastam no caminho de Allah daquilo que lhes concedemos. (Surata Al-Baqara 2-3)

Segundo o Alcorão, somente aqueles que dão o zakat são, de fato, verdadeiros crentes—

********** Árabe ************

Aqueles que estabelecem a oração e gastam no caminho de Allah daquilo que lhes concedemos são os verdadeiros crentes. (Surata Al-Anfal 2-3)

Ao descrever a grandeza e a importância do zakat, o Nobre Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse:

A pessoa generosa está próxima de Allah, próxima do Paraíso, próxima dos servos de Allah e distante do Inferno. Em contrapartida, o avarento está distante de Allah, distante do Paraíso, distante dos servos de Allah e próximo do Inferno. Na verdade, um ignorante generoso é muito mais querido por Allah do que um devoto avarento. (Tirmidhi)

As terríveis consequências de negligenciar a zakat

Devido à extraordinária importância da zakat, o Alcorão menciona um castigo extremamente doloroso para aqueles que não pagam a zakat. Eles foram advertidos para que, enlouquecidos pelo amor às riquezas perecíveis, não provoquem consequências terríveis. Foram advertidos para que se protejam daquele castigo horrendo cuja simples imaginação faz o corpo arrepiar-se.

********** Árabe ************

Anuncia aos que acumulam ouro e prata e não os gastam no caminho de Allah um castigo doloroso. (Esse castigo consiste no seguinte:) chegará um dia em que esse ouro e essa prata serão aquecidos no fogo do Inferno e, depois, com eles serão marcados os seus rostos e faces, os seus flancos e as suas costas. (E lhes será dito:) Este é o patrimônio que acumulastes para vós mesmos. Portanto, provai agora o que acumulastes. (Surata At-Taubah, 34-35)

Perguntaram a Hazrat Abdullah bin Umar (que Allah esteja satisfeito com ele) o que significava a palavra usada nesta ayat, indicada por ….. Ele respondeu que …….. significava a riqueza cuja zakat não havia sido paga. Para advertir aqueles que não pagam a zakat, o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) retratou dessa maneira o terrível castigo da Outra Vida.

Aquele a quem Allah, o Altíssimo, concedeu riqueza e que depois não pagou a zakat sobre ela verá sua riqueza transformar-se, no Dia da Ressurreição, numa serpente venenosa. Devido à intensidade do veneno, a cabeça dessa serpente ficará sem pelos. Seus dois olhos serão como duas manchas negras. No Dia da Ressurreição, ela envolverá o pescoço do avarento que não pagou a zakat e cravará suas presas venenosas em suas duas mandíbulas, dizendo: “Eu sou a tua riqueza; eu sou os bens que acumulaste.”

Depois, o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) recitou a seguinte ayat:

********** Árabe ************

Aqueles a quem Allah concedeu riquezas por Sua graça não devem imaginar, por serem avarentos, que essa avareza é boa para eles; ao contrário, ela é extremamente prejudicial. No Dia da Ressurreição, aquilo que acumularam por avareza será transformado em um colar e colocado em seus pescoços. (Surata آل عمران, 180)

Além disso, o Nobre Profeta (S) aconselhou os Companheiros a se protegerem das terríveis consequências de negligenciar o zakat. Ele disse:

No Dia da Ressurreição, que nenhum de vós venha até mim na condição de ter sua cabra carregada sobre o pescoço e me peça ajuda. Então direi: Hoje nada posso fazer por ti; eu te havia transmitido os mandamentos e as determinações de Allah. Depois, vede: que nenhum de vós venha naquele dia até mim com seu camelo carregado sobre o pescoço. Ele me pedirá ajuda, e eu lhe direi: Nada posso fazer por ti. Eu havia transmitido a ti os mandamentos de Allah. (Bukhari)

Certo dia, o Profeta (S) viu duas mulheres usando braceletes de ouro nas mãos. Ele lhes perguntou se davam o zakat desses braceletes. Quando elas responderam que não, o Profeta disse: Então desejais que, em lugar deles, sejam colocados em vossos braços braceletes de fogo? Elas responderam: Não, não, jamais.

Então o Profeta (S) disse: Dai continuamente o zakat deles. (Tirmidhi)

Hazrat Abdullah bin Umar (r.a.) narra que o Profeta (S), ao proferir um sermão, disse: Ó pessoas! Afastai-vos da cobiça e da avidez. Os que foram destruídos antes de vós foram destruídos por causa dessa cobiça e dessa avidez. A cobiça gerou neles avareza e estreiteza de espírito. Assim, tornaram-se avarentos e adoradores da riqueza. Isso os levou a romper os laços de misericórdia e compaixão para com seus familiares, e eles cometeram o pecado de romper esses laços. Isso os levou à prática de pecados, e eles praticaram pecados. (Abu Dawud)

Como resultado dessas advertências do Alcorão e da Sunnah, os Companheiros (r.a.) eram extremamente diligentes quanto à caridade. Esse sentimento era tão intenso que consideravam ilícito manter consigo sequer uma moeda além do necessário. Abu Dharr (r.a.) tinha o hábito constante de, sempre que via algumas pessoas reunidas, chamar-lhes a atenção para o zakat.

A ênfase e o incentivo ao zakat

Devido à extraordinária importância e grandeza do zakat, ele é enfatizado em oitenta e dois lugares do Alcorão Sagrado. Geralmente, a oração e o zakat são mencionados juntos. Por exemplo:

********** Árabe ************

E estabelecei a oração e dai o zakat.

O Alcorão e a Sunnah mencionam de várias formas os seus enormes benefícios religiosos e mundanos e, por isso, incentivam as pessoas a praticá-lo. Por exemplo:

Aqueles que gastam os seus bens no caminho de Allah são como um grão que produz sete espigas, e em cada espiga há cem grãos. Assim, Allah multiplica para quem Ele quer as boas ações; e Allah é Generoso, Ilimitado e Onisciente (Surata Al-Baqara, 261).

O agricultor entrega as suas sementes à terra de Allah, conta os dias cheio de esperança e suplica a Allah por chuva. Então, Allah lhe concede incontáveis grãos em lugar de uma única semente. Apresentando essa experiência inspiradora da fé como exemplo, Allah quer explicar que tudo o que o servo gastar para obter a satisfação de Allah, Ele o multiplicará a tal ponto que, em troca de cada grão, concederá setecentos grãos. Ele pode conceder ainda mais do que isso. Allah reconhece a profunda sinceridade e o entusiasmo do servo. Ele concede em tal quantidade que o servo sequer consegue imaginá-la. E essa dádiva e ……… não se limita à Vida Futura; ao contrário, neste mundo, Allah, o Altíssimo, concede à sociedade ………. bem-estar e bênçãos, prosperidade e desenvolvimento.

********** Árabe ************

O zakat que dais para obter a satisfação de Allah, na realidade, faz aumentar os bens daquele que o dá. (Surata Ar-Rum, 39)

Na verdade, a zakat, a sadaqa e outras formas semelhantes de caridade são dadas por aqueles que são generosos, caridosos, compassivos uns com os outros e bem-intencionados. E são a zakat e a sadaqa que criam essas qualidades. Bênção, prosperidade, paz, segurança, progresso e bem-estar cabem à sociedade cujos membros possuem geralmente essas qualidades; a riqueza não se concentra nas mãos de um pequeno grupo de egoístas, tacanhos e avarentos. Pelo contrário, ela é distribuída equitativamente por toda a sociedade, e todos têm liberdade para obter seu sustento e gastar de acordo com sua própria coragem e capacidade, enquanto todos desfrutam das mesmas oportunidades e benefícios.

Hazrat Abu Huraira (r.a.) relatou que o Profeta (s.a.w.) disse: “Quem der como sadaqa sequer uma tâmara de seus ganhos lícitos, Allah a toma em Suas próprias mãos e continua a fazê-la crescer, assim como vós criais vossos filhos; depois, ela se torna do tamanho de uma montanha.” (Bukhari)

Hazrat Abu Huraira (r.a.) também relatou que o Profeta (s.a.w.) disse: “A riqueza não diminui por se dar sadaqa — pelo contrário, aumenta; ao perdoar alguém, a honra só aumenta — não há humilhação nisso; e quem se humilha e demonstra modéstia somente por Allah, Allah lhe concede uma posição elevada.” (Muslim)

O Alcorão declara claramente que aqueles que purificam o coração, seguem o caminho reto, são dotados da qualidade da hikmat, obtêm a satisfação, o perdão e a misericórdia de Allah, alcançam a paz eterna da Outra Vida e da

proximidade de Allah são aquelas pessoas que continuam dando zakat constantemente e de coração satisfeito.

********** Árabe ************

(Ó Profeta,) aceita a sadaqa de seus bens, purifica-os e faze-os avançar no caminho da virtude. (Surata At-Tawbah 103)

Satanás vos ameaça com a pobreza e a miséria, e vos incita a adotar práticas obscenas e vergonhosas. Por outro lado, Allah vos promete Seu perdão e Sua misericórdia; Ele é Generoso e Onisciente. Ele concede hikmat a quem quer. E quem recebe hikmat, na verdade, recebe um tesouro imenso. (Surata Al-Baqarah 268–269)

********** Árabe ************

E tudo quanto gastam no caminho de Allah fazem disso um meio de alcançar a proximidade de Allah e de receber a súplica de misericórdia do Mensageiro. Lembrai-vos: isso é certamente um meio de alcançar a proximidade de Allah, e Allah certamente os incluirá em Sua misericórdia. Sem dúvida, Ele é Perdoador e Misericordioso. (Surata At-Tawbah 9:99)

********** Árabe ************

E será afastado do Fogo do Inferno aquele que mais teme a Allah e que, por isso, dá seus bens aos outros, para que seu coração seja purificado da avareza, da cobiça e do apego ao mundo. (Surata Al-Lail 17–18)

Hazrat Adi ibn Hatim (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: Ouvi o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) dizer: “Ó gente! Protegei-vos do Fogo do Inferno, ainda que seja com um pedaço de tâmara.” (Bukhari)

Hazrat Abu Huraira (que Allah esteja satisfeito com ele) relatou que o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: No Dia da Ressurreição, quando não houver sombra alguma além da sombra do Trono de Allah, sete tipos de pessoas poderão permanecer à sombra do Trono. Entre elas estará aquele que gastar no caminho de Allah tão secretamente que sua mão esquerda não saberá o que sua mão direita gastou. (Bukhari)

Quando alguém comparecia à presença do Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) com bens de sadaqa, ele ficava muito feliz e fazia uma súplica de misericórdia por essa pessoa. Certa vez, Hazrat Abu Awfa (que Allah esteja satisfeito com ele) compareceu à presença do Profeta com a sadaqa. Então o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) fez por ele a seguinte súplica:

********** Árabe ************

Ó Allah, derrama a Tua misericórdia sobre a família de Abu Awfa. (Bukhari)

Certa vez, o nobre Profeta (S) foi para casa logo após a oração do Asr e saiu novamente depois de algum tempo. Quando os nobres Companheiros lhe perguntaram o motivo, ele disse: “Havia em casa um pedaço de ouro. Não achei correto deixá-lo em casa até a noite. Por isso, voltei depois de distribuí-lo entre os necessitados.” (Bukhari)

Hazrat Anas (r.a.) relata que o Profeta (S) disse: “Por meio da caridade e das doações, a ira de Allah se abranda, e a pessoa é protegida de uma morte ruim.”

É evidente que, além de estar a salvo da ira de Allah e de ter um bom desfecho (morrer com fé), que outro desejo supremo e maior poderia ter um crente?

A regra do zakat

É obrigatório para todo sahib nisab (pessoa abastada) que, se possuir bens no valor do nisab durante um ano, pague necessariamente o zakat correspondente. O zakat é uma obrigação indispensável. Quem negar essa obrigação será um descrente. E aquele que não nega que seja obrigatório, mas não paga o zakat, é um fasiq e um grande pecador.

A diferença fundamental entre o zakat e os impostos

O zakat não é um imposto desse tipo, como o imposto que é cobrado do povo pelo governo. Ele é um ato de adoração financeira e um dos rokn, ou pilares, da religião do Islam; a oração e o jejum são pilares do Islam. No Alcorão, o zakat é geralmente mencionado logo junto com a oração. Ele é um importante pilar da religião de Allah, a qual foi a religião dos profetas em todas as épocas.

Os grandes benefícios morais e espirituais que o sistema da zakat produz no coração das pessoas e na sociedade islâmica só podem manifestar-se quando a diferença fundamental entre culto e imposto estiver firmemente estabelecida na mente, e a zakat for oferecida como um ato de adoração a Allah.

Naturalmente, a administração da arrecadação e da distribuição da zakat foi confiada ao Estado Islâmico. E isso constitui uma responsabilidade de ordem e disciplina legal. Mas não porque ela seja um imposto ou uma taxa imposta pelo governo. Pelo contrário, é responsabilidade do Estado Islâmico estabelecer ordem em todos os atos coletivos de adoração do Islã.

Condições para a obrigatoriedade da zakat

São sete as condições para a obrigatoriedade da zakat. (Segundo a perspectiva dos Ahl al-Hadith, somente as cinco primeiras condições são necessárias. Para eles, ter discernimento e ter atingido a puberdade não são necessários para que a zakat se torne obrigatória. A prova apresentada por eles é a palavra do Alcorão: …..texto árabe…… Dai a zakat. E para todo muçulmano, homem ou mulher, e …….texto árabe ……. (Ó Profeta,) tira deles uma caridade de seus bens, purifica-os e os purifica espiritualmente. A purificação e a purificação espiritual são obrigatórias para todos os muçulmanos. Por isso, a zakat é obrigatória para todo muçulmano, homem ou mulher, tenha ele discernimento e tenha atingido a puberdade ou não. Além dos Ahl al-Hadith, os demais sábios também não reconhecem as duas últimas condições; isto é, não consideram ter discernimento e ter atingido a puberdade como condições para que a zakat se torne obrigatória.)

(1) Ser muçulmano.

(2) Possuir o nisab.

(3) O nisab exceder as necessidades essenciais.

(4) Não estar endividado.

(5) Possuir a riqueza durante um ano.

(6) Ser dotado de razão.

(7) Ter atingido a puberdade.

A seguir, são analisadas essas condições:

1. Ser muçulmano. A zakat não é obrigatória para o não muçulmano. Portanto, quem aceita o Islã não precisa pagar a zakat referente à sua vida anterior.

2. Ser proprietário do nisab. Isto é, deve possuir uma quantidade de bens sobre a qual a sharia tornou a zakat obrigatória.

3. O nisab deve exceder as necessidades essenciais. Por necessidades essenciais entendem-se todas as coisas das quais dependem a subsistência e a honra e dignidade de uma pessoa, como alimentos e bebidas, roupas, casa para moradia, ferramentas e máquinas utilizadas por profissionais, entre outras. Animais usados para transporte, bicicletas, motocicletas e semelhantes, utensílios domésticos e livros para estudo (não destinados à venda) são todos itens de necessidade essencial. A zakat não é obrigatória sobre esses itens. Contudo, se os bens excedentes atingirem o valor do nisab, a zakat será obrigatória sobre eles, desde que também estejam presentes as demais condições.

4. Não estar endividado. Por exemplo, uma pessoa pode possuir bens no valor do nisab, mas ter uma dívida com outra pessoa. Nesse caso, a zakat não será obrigatória. Porém, se possuir bens em quantidade tal que, mesmo depois de quitar a dívida, ainda reste o valor do nisab, a zakat será obrigatória.

5. A riqueza deve permanecer por um ano inteiro. O simples fato de possuir riqueza no valor do nisab não torna a zakat obrigatória. Ela só se torna obrigatória quando essa quantidade de riqueza permanece por um ano inteiro.

Hazrat Ibn Umar (que Allah esteja satisfeito com ele) relatou que o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: sobre a riqueza que uma pessoa adquirir por qualquer meio, a zakat só se tornará obrigatória quando ela permanecer em sua posse durante um ano completo. (Tirmidhi)

6. Possuir discernimento. A zakat não é obrigatória para aquele que é privado da razão e do discernimento, como o insano.

7. Atingir a puberdade. A zakat não é obrigatória para uma criança que ainda não atingiu a puberdade, por maior que seja a riqueza que possua. Ela não é obrigatória para a criança, nem para o seu guardião. (A esse respeito, Allama Maududi expressou a seguinte opinião. Há divergência quanto às crianças que ainda não atingiram a puberdade. Uma opinião é que a zakat não é obrigatória sobre a riqueza do órfão. A segunda opinião é que, quando o órfão atingir a maturidade, seu guardião, ao lhe entregar seus bens, deverá informá-lo sobre as regras da zakat. Nesse caso, será sua obrigação pagar integralmente a zakat referente ao período em que permaneceu órfão. A terceira opinião é que, se os bens do órfão tiverem sido investidos em algum negócio e estiverem gerando lucro, seu guardião deverá pagar a zakat. Caso contrário, ela não será obrigatória. A quarta opinião é que a zakat é obrigatória sobre os bens do órfão, cabendo ao guardião a responsabilidade de pagá-la. Esta quarta opinião é a mais correta. Há um hadith que diz:

Isto é: Atenção! Quem for o guardião de um órfão que possua bens deve realizar algum negócio com esses bens e não deixá-los simplesmente parados, para que a zakat não consuma toda a sua riqueza. (Tirmidhi, Dar Qutni, Bayhaqi)

Um hadith mursál com o mesmo significado é transmitido pelo Imam Shafi’i (que Allah tenha misericórdia dele), e um hadith marfu é transmitido por Tabarani e Abu Ubayd. Há também o apoio de Companheiros e tabi’in, conforme foi narrado por Hazrat Umar (que Allah esteja satisfeito com ele), Hazrat Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela), Hazrat Abdullah ibn Umar (que Allah esteja satisfeito com ele) e Hazrat Jabir ibn Abdullah (que Allah esteja satisfeito com ele).

Também há divergência semelhante quanto à pessoa mentalmente incapaz, como foi mencionado acima. Também nesse caso, em nossa opinião, a posição correta é que a zakat é obrigatória sobre os bens do insano, cabendo ao seu guardião a responsabilidade de pagá-la. O Imam Malik (que Allah tenha misericórdia dele), Ibn Shihab al-Zuhri e outros também explicaram essa mesma opinião. (Rasa’il wa Masa’il, volume dois, pp. 130, 138)

Condição para que o pagamento da zakat sejaválido

Há seis condições para que o zakat seja válido. Quando essas seis condições são encontradas, o zakat será cumprido; caso contrário, não. São elas:

1. Ser muçulmano,

2. Ter a intenção de pagar o zakat,

3. Gastá-lo nos fins determinados,

4. Transferir a propriedade,

5. Ser mentalmente competente,

6. Ter atingido a puberdade. A seguir, são explicados todos esses pontos e seus benefícios:

1. Ser muçulmano. Uma condição para que o zakat seja válido é que aquele que o paga seja muçulmano, pois o zakat não é obrigatório para um não muçulmano. Por isso, se algum não muçulmano pagar o zakat, ele não será válido. Portanto, se alguém pagar o zakat futuro antes de aceitar o Islã e depois aceitar o Islã, então o zakat pago anteriormente — se ele pagar o zakat e depois aceitar o Islã — não será válido. Depois de se tornar muçulmano, deverá pagar o zakat novamente.

2. Ter a intenção de pagar o zakat. É obrigatório ter a intenção de pagar o zakat no momento de separá-lo ou de entregá-lo ao beneficiário. Se não houver intenção de pagar o zakat no momento de separá-lo, ele não será válido. Para que o zakat seja válido, é necessário que esse patrimônio chegue ao beneficiário legítimo.

3. No momento de pagar o zakat, é necessário tornar o beneficiário seu proprietário. Essa propriedade pode ser concedida diretamente ao beneficiário legítimo ou à instituição que arrecada e distribui o zakat.

4. Gastá-lo nas categorias determinadas. As categorias para o pagamento do zakat foram mencionadas no Alcorão. Se ele for gasto em qualquer outra categoria, não será válido.

5. Ter capacidade mental. Se uma pessoa mentalmente incapaz ou insana pagar o zakat, ele não será válido.

6. Ter atingido a puberdade. Se uma criança menor de idade pagar o zakat, ele não será válido.

Algumas questões sobre quando o zakat se torna obrigatório

1. Se o dinheiro reservado para uma necessidade genuína precisar ser gasto naquele mesmo ano, não será necessário pagar zakat sobre ele. Porém, se a necessidade puder surgir no futuro, depois daquele ano, será necessário pagar zakat sobre ele. — (Ilmul Fiqah, 4.º volume)

2. Não haverá obrigação de pagar zakat sobre um patrimônio ao qual esteja associada outra obrigação, como o ushr, o kharaj e semelhantes. (Ilmul Fiqah, 4.º volume)

3. Se alguém deixar alguma coisa em poder de outra pessoa como penhor ou garantia, a zakat não será obrigatória sobre ela. Não será obrigatória nem para quem der o penhor nem para quem o receber. — (Ilmul Fiqah, 4.º volume)

4. Se os bens ou o dinheiro de alguém forem perdidos e, depois de algum tempo, forem encontrados pela graça de Allah, e o dinheiro perdido voltar à sua posse, a zakat não será obrigatória pelo período em que esteve perdido. Isso porque, para que a zakat seja obrigatória, é necessário que os bens estejam sob o próprio controle e em sua propriedade.

5. Se alguém possuía, no início do ano, bens no valor do nisab, mas em algum momento eles se perderam ou se esgotaram, e depois, no final do ano, pela graça de Allah, voltou a possuir bens no valor do nisab, a zakat será obrigatória sobre esses bens. O período intermediário sem possuir bens não será considerado. — (Ilmul Fiqah)

6. Se alguém for preso, a zakat sobre seus bens deverá ser paga. Durante sua ausência, a pessoa que administrar seus negócios ou ficar responsável por seus bens deverá pagar a zakat. (Rasayel wa Masayel, 2.º volume)

7. A zakat será obrigatória sobre os bens do viajante se ele for proprietário do nisab. Além disso, por ser viajante, ele também terá direito a recebê-la. Porém, se for rico e sahib al-nisab, a zakat será obrigatória sobre ele. Sua viagem o torna merecedor da zakat, e sua riqueza torna a zakat obrigatória sobre ele. (Beheshte Zewar, 3.º volume)

8. Se alguém doar alguma coisa a outra pessoa, e isso atingir o valor do nisab, depois de transcorrido um ano a zakat será obrigatória sobre ela. (Ibid.)

9. Utensílios e objetos de decoração da casa, como artigos de cobre, latão, alumínio, aço e outros; roupas para vestir e cobrir o corpo; tapetes, carpetes, móveis e semelhantes; joias de metais que não sejam ouro ou prata; joias de pérolas, colares de pérolas e semelhantes, por mais valiosos que sejam, não estarão sujeitos à zakat. (Ibid.)

10. Se alguém comprar uma grande quantidade de cereais para alguma festividade e depois os vender visando obter lucro, a zakat não será obrigatória sobre eles. A zakat não será obrigatória sobre os bens comprados sem a intenção de comercializá-los. (Ibid.)

11. Alguém possuía mil takas. Depois de completar-se um ano, quinhentas takas foram perdidas, e essa pessoa doou as quinhentas restantes como caridade. Nesse caso, a zakat permanece obrigatória apenas sobre o dinheiro perdido, enquanto a zakat sobre o dinheiro doado como caridade será considerada paga. (Segundo o Imam Shafi’i (r.), a zakat será obrigatória sobre todo o dinheiro. Se, em uma sociedade comercial, o total do capital for igual ou superior ao nisab, a zakat será obrigatória, mesmo que a participação individual de cada sócio seja inferior ao nisab.)

12. Se, depois de a zakat se tornar obrigatória, todos os demais bens de alguém forem destruídos, a zakat não será obrigatória para ele.

13. Várias pessoas são sócias de um negócio, e o dinheiro de todas foi investido. Se a participação individual de cada sócio for inferior ao nisab, a zakat não será obrigatória para nenhum deles, ainda que a soma das participações de todos seja igual ou superior ao nisab.

14. Uma pessoa pagou, no mês do Ramadã, a zakat sobre duas mil takas. Essas duas mil takas permaneceram guardadas com ela. Então, no mês de Rajab, pela graça de Allah, ela recebeu mais duas mil takas. Depois de completar-se o ano, deverá pagar a zakat sobre quatro mil takas. Ela não deve pensar que, como o dinheiro recebido no mês de Rajab ainda não completou um ano, não há zakat sobre ele. Qualquer dinheiro ou bem que aumentar durante o ano — seja por lucro comercial, pelo nascimento de filhotes de animais, por doação ou por herança — em suma, qualquer que seja a forma pela qual o bem ou o dinheiro seja obtido, a zakat deverá ser paga sobre todo o patrimônio. Assim, mesmo que o dinheiro ou bem obtido posteriormente ainda não tenha completado um ano, sua zakat deverá ser paga.

Questões da zakat

1. Ao entregar a zakat, não é necessário dizer ao necessitado ou ao beneficiário da zakat que isso é zakat. É permitido entregá-la dizendo que é um presente, uma lembrança para as crianças ou um presente de Eid. Basta que aquele que paga a zakat tenha a intenção de pagar a zakat.

2. Não é permitido dar zakat a um trabalhador como pagamento por seu trabalho, nem a um funcionário ou criado como salário. Contudo, os salários das pessoas nomeadas pelo baitulmal para coletar e distribuir a zakat podem ser pagos com o dinheiro da zakat.

3. É permitido pagar a zakat antecipadamente antes de completar-se o ano, e também é permitido pagá-la em parcelas mensais, sob a condição de que o doador seja صاحب nisab. Se alguém pagar a zakat antecipadamente na esperança de vir a possuir o nisab, a zakat dessa pessoa não será válida. Quando ela possuir o nisab e completar-se o ano, deverá pagar a zakat novamente. (Behesti Zeor)

Hazrat Ali (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: quando Hazrat Abbas (que Allah esteja satisfeito com ele) perguntou ao Profeta sobre o pagamento antecipado da zakat, ele o permitiu. (Abu Dawud, Tirmidhi)

4. Deve-se pagar a zakat com bens de qualidade média. Não é correto que aquele que paga a zakat dê bens de qualidade inferior como zakat, nem que o cobrador da zakat escolha os bens da melhor qualidade. O doador deve procurar oferecer coisas boas no caminho de Allah, e o cobrador não deve cometer excessos contra ninguém.

5. Quem recolhe a zakat pode, se quiser, receber o próprio bem sobre o qual a zakat se tornou obrigatória, como ouro ou animais, ou pode receber o seu valor. Em ambos os casos, a zakat será válida. Deve-se ter em mente que, ao pagar o valor, deve-se considerar o valor existente no momento do pagamento da zakat, e não o valor existente quando a zakat se tornou obrigatória. Por exemplo, suponha que uma pessoa crie cabras. Ao completar-se um ano, a zakat torna-se obrigatória sobre uma cabra. Naquele momento, o seu valor é de 50 takas. Por alguma razão, porém, o pagamento da zakat é adiado por alguns meses. Se, nesse período, o valor da cabra aumentar para 60 takas ou diminuir para 40 takas, deverão ser pagos 60 ou 40 takas de zakat, respectivamente.

6. A zakat deve ser depositada no Bayt al-Mal do Estado Islâmico. É responsabilidade do próprio Estado Islâmico organizar a arrecadação e a distribuição da zakat. Onde os muçulmanos, por causa de sua negligência, vivem uma vida de escravidão — isto é, onde não existe um sistema de Estado Islâmico —, é dever dos muçulmanos estabelecer, por iniciativa própria, um Bayt al-Mal dos muçulmanos e gastar ali toda a zakat nas categorias especificadas. Se os muçulmanos forem privados de tal administração coletiva, deverão encaminhar a zakat, por iniciativa própria, aos seus beneficiários legítimos e continuar empenhando-se constantemente, por meio da educação e da instrução e de esforços práticos, para que o sistema de Estado Islâmico seja estabelecido. Pois, sem um sistema de Estado Islâmico, é absolutamente impossível cumprir muitas das ordens, leis e normas de Allah Todo-Poderoso.

7. Aqueles que têm direito à zakat temporária ou permanentemente, como os incapacitados, doentes, enfermos e fracos, pobres necessitados, miskins, viúvas, órfãos e outros semelhantes, podem receber auxílio do Bayt al-Mal tanto temporariamente quanto permanentemente; também podem ser providenciados para eles o sustento ou uma pensão de forma permanente.

8. A zakat do Bayt al-Mal pode ser dada a qualquer indivíduo que tenha direito a ela, bem como a qualquer organização ou instituição. Também pode ser criada uma instituição desse tipo, adequada ao uso da zakat, como um orfanato ou uma instituição que ofereça gratuitamente educação e tratamento médico aos necessitados, entre outras.

9. Também é permitido conceder empréstimos benevolentes aos necessitados a partir dos fundos da zakat. Pelo contrário, conceder-lhes empréstimos benevolentes para melhorar sua situação e dar-lhes a oportunidade de se sustentarem é uma ação muito virtuosa.

10. Ao dar zakat aos parentes a quem é permitido dá-la, receber-se-á uma recompensa dupla: primeiro, a recompensa por dar zakat; segundo, a recompensa, ou mérito, por manter intactos os laços de parentesco. Se amigos ou parentes sentirem vergonha de aceitar a zakat, ou considerarem errado recebê-la apesar de serem necessitados, não se deve dizer-lhes que o dinheiro ou bem é da zakat. Pois não é condição informar ao beneficiário legítimo que se trata de zakat. O melhor método é entregar-lhes a zakat antes de alguma festa religiosa, por ocasião de um casamento, como ajuda ou presente, ou de alguma outra forma.

11. É preferível pagar a zakat de acordo com o ano lunar. Contudo, isso não é obrigatório. Também se pode pagar a zakat de acordo com o ano solar. Tampouco é obrigatório pagar a zakat em um mês específico. Porém, como o mês de Ramadã é abençoado, é um mês de maior prática de boas ações e as recompensas são multiplicadas, é melhor pagar a zakat nesse mês. Isso, entretanto, não é obrigatório, nem é uma condição para o cumprimento da zakat.

12. Em geral, é justo que a zakat de uma região seja gasta ou distribuída nessa própria região. Contudo, em caso de necessidade especial, ela também pode ser destinada a outra região. Por exemplo, amigos ou parentes podem morar em outra região e estar necessitados, ou pode ter ocorrido um desastre natural em outra região; nessas circunstâncias, a zakat também pode ser enviada para essas áreas. Mas deve-se cuidar para que nenhum necessitado da primeira região ou localidade fique privado dela.

13. Para que a zakat seja validamente cumprida, também é condição que aquele a quem ela pode ser dada se torne proprietário dos bens da zakat e que estes cheguem à sua posse. Se alguém preparar uma refeição e alimentar o legítimo beneficiário, a zakat não será válida. Porém, se preparar a comida, entregá-la em suas mãos e lhe der a opção de comê-la ele próprio, alimentar outra pessoa ou fazer com ela o que quiser, a zakat será cumprida. Doar a zakat a uma organização ou ao Bayt al-Mal também satisfaz a condição de conferir a propriedade. Da mesma forma, entregá-la a um arrecadador ou coletor de zakat satisfaz essa condição. A partir daí, a responsabilidade passa ao Bayt al-Mal ou ao arrecadador da zakat. Não é responsabilidade do doador da zakat tornar novamente o legítimo beneficiário proprietário dos bens.

14. Se alguém pagar a zakat em nome de um parente, amigo ou qualquer outra pessoa, isso será válido. Por exemplo, se o marido pagar com seus próprios recursos a zakat das joias e de outros bens de sua esposa, a zakat da esposa estará cumprida.

Certa vez, o tio do Profeta, o venerável Abbas, não entregou a zakat ao venerável Omar, o coletor de zakat designado pelo Profeta. Então o Profeta disse: “A zakat dele é minha responsabilidade, e até mais do que isso. Ó Omar, não compreendes que o tio é equivalente ao pai?” (Muslim)

A questão da transferência da propriedade

Segundo os sábios hanafitas, uma condição indispensável para que a zakat seja válida é tornar outra pessoa proprietária; sem isso, a zakat não será cumprida. Sobre esse assunto, o erudito Maududi escreveu uma extensa nota, extremamente útil para compreender a questão de conferir a propriedade. A seguir, apresentamos sua nota ou comentário de visão abrangente:

Allah, o Altíssimo, declara:

********** Árabe ************

As esmolas destinam-se aos pobres necessitados e aos miskin; também àqueles que trabalham para administrá-las e àqueles cujos corações se pretende conquistar. (Surata At-Tawbah: 60)

Observe que aqui a função da partícula lam não se aplica somente aos pobres necessitados, mas também aos miskin, aos funcionários da administração da zakat e aos mu’allafatu qulubuhum (aqueles cujos corações se pretende conquistar). Essa partícula lam serve para conferir a propriedade, para conceder um direito ou para especificar algo de modo particular; seja qual for o sentido, em suma, o sentido em que ela se relaciona aos pobres necessitados será também o sentido em que se relaciona às outras três categorias de pessoas. Ora, segundo a interpretação dos hanafitas, se lam tamlik exige a transferência da propriedade, então, seja a riqueza da zakat e das esmolas obrigatórias entregue a qualquer uma dessas quatro categorias, a exigência de transferência da propriedade estará cumprida. De onde surge, então, a exigência de transferir a propriedade repetidas vezes? Depois que a riqueza da zakat chega à propriedade dos pobres e miskin, há alguma restrição quanto ao seu gasto? Se não há, então, uma vez que a exigência de conferir a propriedade esteja cumprida após a zakat chegar às mãos dos funcionários da administração da zakat …………., qual pode ser a justificativa para obrigar a transferi-la novamente? Se lam for entendido no sentido de transferência da propriedade, quando uma pessoa entrega a riqueza da zakat e das esmolas obrigatórias aos funcionários do departamento da zakat, pode-se dizer que ela os tornou seus proprietários, e essa riqueza passou a pertencer-lhes da mesma maneira que os espólios de guerra e os despojos passam a pertencer ao governo (ao Estado Islâmico). Depois disso, eles já não têm a obrigação de gastar posteriormente essa riqueza com os beneficiários legítimos sob a forma de transferência de propriedade. Pelo contrário, têm o direito de gastá-la, conforme considerarem apropriado e necessário, nas sete demais categorias da zakat. Do ponto de vista de lam tamlik (isto é, quanto à condição de conferir a propriedade), nenhuma restrição pode ser imposta a eles. A única restrição que pode ser imposta é que aquele que realizar a coleta e a distribuição da zakat receba a remuneração por seu trabalho. O restante da riqueza deverá ser gasto com os demais beneficiários legítimos. Isso porque essas pessoas se tornam proprietárias dessa riqueza por serem funcionários do departamento da zakat, e não por serem beneficiários legítimos. …… As expressões “funcionários da arrecadação e distribuição da zakat” expressam por si mesmas a finalidade para a qual a zakat lhes é entregue. Além disso, essas expressões também determinam que parte dessa riqueza o funcionário tem legitimamente o direito de gastar consigo mesmo em sua qualidade de funcionário.

Após esta análise, voltemos nossa atenção para o hadith que o Imam Ahmad (r) narrou de Anas ibn Malik (ra). Anas (ra) disse: um homem foi à presença do Profeta (s) e apresentou sua queixa, dizendo:

********** Árabe ************

Quando entreguei a zakat ao funcionário enviado por vós, fiquei livre de minha responsabilidade perante Allah e Seu Mensageiro?

O Profeta (s) respondeu:

********** Árabe ************

Sim, quando você entregou isso às mãos do funcionário que enviei, ficou quite perante Allah e Seu Mensageiro. Essa recompensa lhe pertence. Quanto àquele que o gastar de maneira ilícita, o pecado será dele.

Com isso, fica claro que o pagador da zakat se isenta de responsabilidade ao entregar sua zakat …….. às mãos do funcionário da zakat. Em outras palavras, assim como se cumpre a condição de tornar o faqir e o miskin proprietários da zakat, essa condição também se cumpre quando ela é entregue a ………….

Agora também é necessário compreender a quem se aplicam as palavras de ………… mencionadas no Alcorão. Algumas pessoas pensam que elas se limitam apenas aos funcionários nomeados pelo governo islâmico. Porém, as palavras do Sagrado Alcorão foram formuladas de modo geral, podendo aplicar-se a toda pessoa que trabalhe na arrecadação e distribuição da zakat. Segundo meu entendimento e raciocínio, não há razão para empregar em sentido específico essas palavras, usadas em sentido geral. Se não houver um governo islâmico, ou se houver um, mas ele for negligente quanto às suas responsabilidades, e algum grupo de muçulmanos se mobilizar para realizar esse trabalho, com que argumento se poderia dizer: não sois vós********** Árabe ************

Na minha opinião, isso é uma grande misericórdia de Allah, pois ********** Árabe ************

Em vez de restringi-lo aos funcionários da zakat do governo, Ele formulou Sua determinação com palavras tão gerais que isso permite aos muçulmanos, na ausência de um governo islâmico ou mesmo quando existe um governo negligente em seus deveres, organizar por iniciativa própria diversos meios para arrecadar e distribuir a zakat. Se a determinação geral de Allah Todo-Poderoso for mantida em seu sentido geral, então os administradores das organizações que trabalham na educação de estudantes pobres, na criação de órfãos, no cuidado de idosos incapazes e pessoas deficientes, no tratamento de doentes necessitados e em outras atividades semelhantes se enquadrarão, com toda justiça, ********** Árabe ************nessa categoria. Consequentemente, terão autoridade para receber a zakat e gastá-la conforme a necessidade. Do mesmo modo, será permitido estabelecer organizações desse tipo especificamente para a arrecadação e distribuição da zakat. Seus administradores também********** Árabe ************serão considerados como tais. E não será necessário restringir sua atuação, na distribuição da zakat, por meio do parecer jurídico do tamlik.

Na minha opinião, se as palavras do Alcorão puderem ser mantidas em seu sentido geral, então o que foi mencionado acima ********** Árabe ************não se aplicará apenas aos funcionários e administradores da zakat. Pelo contrário, muitos outros funcionários também se enquadrarão nessa definição. Por exemplo, o tutor de um órfão, a pessoa que cuida de um doente ou de uma pessoa deficiente e aquela que presta assistência a uma pessoa desamparada também são funcionários da zakat. Eles têm o direito de arrecadar a zakat para atender às necessidades dessas pessoas. Mesmo que desejem receber sua remuneração pelo trabalho segundo a prática estabelecida, poderão fazê-lo.

Se for necessário transportar o dinheiro da zakat de um lugar para outro, as despesas postais e as tarifas bancárias poderão também ser pagas com esse recurso. Isso porque, enquanto prestarem esse serviço, eles também serão considerados **********Árabe ************funcionários da zakat.

Para arrecadar a zakat, transportar seus bens de um lugar para outro ou atender às diversas necessidades dos beneficiários da zakat, poderão ser pagos com a zakat os custos de tudo o que for utilizado, como trem, ônibus, charrete, carro de mão e outros meios. Isso porque, enquanto prestarem esses serviços, todos eles serão considerados **********Árabe ************funcionários da zakat.

Todos os tipos de funcionários e trabalhadores contratados para atender aos beneficiários da zakat podem receber seus salários e remunerações dos fundos da zakat. Pois todos eles serão considerados**********Árabe ************ (funcionários da zakat).

Todos os tipos de funcionários e trabalhadores contratados para atender aos beneficiários da zakat podem receber seus salários e remunerações dos fundos da zakat. Pois todos eles**********Árabe ************ serão considerados nessa categoria. Se alguém levar sacos de cereais para uma estação ferroviária, se alguém dirigir um veículo para atender doentes pobres ou se alguém cuidar de crianças órfãs, eles também se enquadrarão nessa categoria.

A questão agora é esta: **********Árabe ************ (há alguma restrição quanto às despesas que os funcionários da zakat possam fazer, impedindo-os de construir casas para atender aos beneficiários da zakat e de comprar os itens necessários, como veículos, medicamentos, equipamentos, roupas etc.? Digo que, segundo a interpretação que os hanafitas deram a este versículo, essa restrição se aplica somente àqueles que pagam a zakat. Eles próprios, sem dúvida, não podem fazer esse tipo de despesa. Sua função é entregar a zakat, conforme a ordem de Allah, àqueles para quem ela se destina ou colocá-la sob a propriedade de algum deles. Quanto aos **********Árabe ************ (funcionários da zakat), não se pode impor a eles esse tipo de restrição. Eles são, em seu âmbito, representantes ou procuradores de todos os beneficiários da zakat. Assim como o verdadeiro beneficiário pode gastar esses recursos, eles também podem realizar todas essas despesas na qualidade de seus representantes ou procuradores. Quando constroem uma casa para as necessidades dos pobres e necessitados ou compram um veículo, é exatamente como se muitos pobres e necessitados, depois de cada um receber sua zakat separadamente, construíssem juntos uma casa ou comprassem um veículo; não há restrição alguma para que façam tais despesas. Aos funcionários da zakat, **********Árabe ************ Allah estabeleceu o método de entregar a zakat, e o Mensageiro de Allah declarou isentos da obrigação aqueles que entregam a zakat às mãos deles, pois entregá-la a eles significa entregá-la em favor de todos os beneficiários. Eles arrecadam a zakat em nome dos beneficiários e a gastam como seus representantes e responsáveis. Quanto às suas despesas, certamente podem ser feitas objeções e reclamações no sentido de que fizeram determinada despesa sem necessidade, gastaram além do necessário, receberam uma remuneração superior à taxa vigente ou pagaram a um funcionário uma remuneração acima da taxa vigente. Contudo, pelo que sei, não existe na Sharia nenhuma regra ou norma com base na qual se possa dizer que determinadas despesas são permitidas e outras não. A Sharia lhes permitiu realizar qualquer trabalho necessário em benefício dos beneficiários da zakat. (Tarjumān al-Qur’an, dezembro de 1954)

O nisab da zakat

O nisab da zakat é a quantidade mínima de capital sobre a qual a Sharia torna a zakat obrigatória. A pessoa que possuir capital no valor do nisab é chamada de صاحبة nisab, isto é, possuidora do nisab.

Equilíbrio econômico

Um dos objetivos fundamentais da zakat é criar equilíbrio econômico. Para manter a riqueza em circulação e permitir que todas as classes da sociedade usufruam de seus benefícios, a zakat é recolhida dos ricos e capitalistas e distribuída entre os necessitados. O nobre Profeta (que a paz esteja com ele) disse: Allah tornou a caridade (zakat) obrigatória para as pessoas. Ela será recolhida dos ricos e distribuída entre os necessitados. (Bukhari, Muslim e outros)

Segundo a Sharia, são ricos e abastados aqueles que possuem bens no valor do nisab e que continuam a possuí-los depois de transcorrido um ano. Na época do Profeta, eram ricos e abastados aqueles que possuíam pomares de tâmaras, ouro, prata ou animais domésticos; e a Sharia determinou uma quantidade específica desses bens, estabelecendo que quem possuísse pelo menos essa quantidade seria considerado abastado segundo a Sharia. A caridade seria retirada de seus bens e entregue aos necessitados da sociedade. O Profeta (que a paz esteja com ele) disse: Não há zakat sobre menos de cinco wasaqs de tâmaras, nem sobre menos de cinco uqiyas de prata, nem sobre menos de cinco camelos. (Bukhari e Muslim). Consulte o verbete para wasaq e uqiya.

A questão da alteração do nisab

Na época atual, como o valor do dinheiro diminuiu extraordinariamente e, em termos de valor, surgiu também uma diferença extraordinária no nisab do ouro, da prata e dos animais domésticos que havia sido estabelecido na época do Profeta, algumas pessoas reivindicaram que se refletisse sobre o nisab da zakat à luz das circunstâncias. Em resposta a uma pergunta desse tipo, o erudito Sayyid Abul A‘la Maududi (r) disse:

Na época dos califas corretamente guiados, não foi feita nenhuma alteração no nisab e nas taxas de zakat estabelecidos pelo Profeta (s), e agora também não se sente necessidade disso. Nossa opinião é que, depois do Profeta (s), ninguém tem autoridade para alterar o nisab por ele estabelecido. Naturalmente, é possível haver alteração no nisab do ouro, pois a cadeia de transmissão do relato que menciona seu nisab como vinte mithqal é extremamente fraca (Rasā’il wa Masā’il, vol. 2, pp. 144–145).

Em resposta a outra pergunta, ao discutir a sabedoria e o significado de não alterar o nisab e a taxa da zakat, o erudito Maududi (r) disse: Não temos o direito de alterar, nem que seja em certa medida, os limites estabelecidos pelo Legislador da sharia. Se essa porta for aberta uma vez, não será apenas o nisab e a quantidade da zakat que sofrerão um golpe. Pelo contrário, começarão as reformas e revogações em muitas questões, como a oração, o jejum, a peregrinação, o casamento, o divórcio e a herança, e as consequências disso não terão fim em lugar algum. Além disso, se essa porta for aberta uma vez, será destruído o equilíbrio que o Legislador da sharia estabeleceu entre o indivíduo e a sociedade para garantir a justiça. Depois disso, começará uma disputa entre o indivíduo e a sociedade. Os indivíduos desejarão que as alterações no nisab e na taxa sejam feitas de acordo com seus interesses, enquanto a comunidade ou a sociedade desejará que sejam feitas conforme seus próprios interesses. No momento da escolha, isso se tornará um problema. Se for promulgada uma lei reduzindo o nisab e aumentando a taxa, aqueles cujos interesses forem prejudicados não a pagarão de bom grado, o que constitui o verdadeiro espírito da adoração. Pelo contrário, pagarão considerando-a uma multa, como um imposto, e depois apresentarão várias desculpas e demonstrarão negligência para não pagá-la. Assim como agora cada pessoa se submete humildemente, considerando-a uma ordem de Allah e do Mensageiro, e entrega de bom grado o dinheiro da zakat, com o espírito da adoração, isso deixará de existir. Se a maioria dos membros da assembleia legislativa impuser aos outros qualquer nisab e qualquer taxa conforme sua vontade. (Rasā’il wa Masā’il, vol. 2, p. 157)

O nisab do ouro e da prata

O nisab da prata é de duzentos dirhams, cujo peso corresponde a trinta e seis tolās e cinco mashas e meio de prata. Quem possuir essa quantidade de prata e tiver transcorrido um ano sobre ela deverá pagar zakat. Não é obrigatório pagar zakat sobre prata de peso inferior. (Este nisab resulta da pesquisa do Maulana Abdush Shakur Sahib (ver ‘Ilmul Fiqah); a pesquisa do Maulana Abdul Hai Firangi Mahalli também chegou à mesma conclusão. Contudo, segundo alguns eruditos, o nisab da prata é de cinquenta e duas tolās e meia. Esta é a opinião mais difundida.)

O nisab do ouro é de vinte talai mithqal, cujo peso corresponde a cinco tolās e dois mashas e meio de ouro. (Este nisab também é resultado da pesquisa do Maulana Abdus Shakur Sahib (‘Ilmul Fiqah), apoiada pelo Maulana Abdul Hai Firangi Mahalli. Contudo, é geralmente difundida a opinião de que o nisab do ouro é de sete tolās e meia (Behishti Zewar). Quem possuir ouro com esse peso e, depois disso, tiver transcorrido um ano deverá pagar zakat. Não é necessário pagar zakat pelo ouro de peso inferior.)

A zakat sobre moedas e cédulas

É obrigatório pagar zakat sobre a moeda oficial, seja ela de qualquer metal, e sobre as notas de papel e similares. O seu valor não se deve ao fato de serem feitas de metal ou de papel; ao contrário, foi legalmente estabelecido nelas por causa do seu poder de compra. Por isso, elas substituem o ouro e a prata. Portanto, quem possuir, em forma de moedas ou notas, o valor de 36 tolas e cinco mashas e meia de prata deverá pagar zakat.

Se uma moeda não estiver em circulação no mercado, estiver danificada ou tiver sido retirada pelo governo, e contiver certa quantidade de ouro ou prata, será obrigatório pagar zakat sobre ela de acordo com a quantidade de prata ou ouro que contiver.

Se uma moeda estrangeira puder ser facilmente trocada pela moeda nacional em seu próprio país, seu حكم será o mesmo do dinheiro em espécie. Se não puder ser trocada, somente será obrigatório pagar zakat sobre ela se contiver ouro ou prata no valor do nisab. Se não contiver ouro ou prata, não será obrigatório pagar zakat.

Verificação do peso do dirham

O dirham mencionado no contexto da zakat é aquele cujo peso é de 2 mashas e meia rati. Na época do Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) e de Hazrat Abu Bakr (que Allah esteja satisfeito com ele), os dirhams tinham pesos diferentes. Hazrat Umar (que Allah esteja satisfeito com ele) considerou que a diversidade de pesos dos dirhams causava discórdia entre as pessoas e também criava dificuldades quanto à zakat. Por isso, tomou um dirham de cada peso, reuniu-os e os derreteu. Depois, dividiu o conjunto em três partes e adotou como peso o de uma dessas partes. Assim, resultaram catorze quilates, e os Companheiros honrados chegaram a um consenso sobre esse peso. Depois, esse peso passou a ser usado em toda a Arábia. De acordo com ele, as obrigações da sharia continuaram a ser cumpridas. (Bahr al-Ra’iq e outras obras.)

O dirham mencionado no capítulo sobre taharat e najasat (pureza e impureza) equivale a um miskal, isto é, a um dinar. Segundo a pesquisa de Allama Ibn Abede Shami, cem grãos de cevada equivalem a um dinar, quatro grãos de cevada equivalem a uma rati, e oito ratis equivalem a uma masha. Segundo esse cálculo, o peso de um dinar é de três mashas e uma rati. Com base nessa pesquisa, escrevemos no primeiro volume de Asan Fiqah que o peso de um dirham é de 3 mashas e 1 rati.

A zakat sobre mercadorias comerciais

O nisab das mercadorias comerciais é o mesmo nisab do ouro e da prata. Ou seja, a zakat deve ser paga com base no nisab do ouro ou da prata. Suponha, por exemplo, que você possua ao todo quatrocentas rupias. Essa quantia não alcança o nisab do ouro, mas alcança o nisab da prata; nesse caso, deve-se pagar zakat de acordo com esse nisab.

O método para calcular o zakat sobre mercadorias comerciais é o seguinte: quando tiver transcorrido um ano desde o dia em que o negócio foi iniciado, deve-se calcular o valor das mercadorias em estoque (Stock in trade). Depois, deve-se verificar quanto há em dinheiro em caixa (Cash in hand). Em seguida, deve-se calcular o zakat sobre o total de ambos. Se o estoque disponível e o dinheiro em caixa forem inferiores ao nisab e, posteriormente, com um aumento repentino nos preços das mercadorias, atingirem o valor do nisab ou mais, o ano do zakat começará na data em que os preços aumentaram.

Se houver vários sócios em um negócio, o zakat não será obrigatório sobre o estoque total e o dinheiro em caixa do negócio. Pelo contrário, será obrigatório sobre a parte de cada sócio e sobre o dinheiro dos lucros. Se essa parte, juntamente com seus lucros, atingir o valor do nisab, o zakat será obrigatório; caso contrário, não será.

Do mesmo modo, se certos bens pertencerem a vários indivíduos em sociedade, o zakat só será devido quando a parte de cada sócio atingir o valor do nisab. Por exemplo, suponha que duas pessoas possuam conjuntamente quarenta cabras ou que sessenta tolas de prata sejam propriedade de duas pessoas. Nesse caso, o zakat não será obrigatório sobre esses bens.

O zakat não é obrigatório sobre os equipamentos, máquinas, móveis, artigos de papelaria, edifícios e demais instalações necessárias às atividades comerciais, isto é, sobre os meios de produção. Ele será obrigatório apenas sobre o valor resultante da soma das mercadorias comerciais e do dinheiro em caixa. (A opinião do Imame Shafi’i é que, se o estoque total e o dinheiro em caixa do negócio atingirem o valor do nisab, deve-se pagar o zakat, quer a parte de cada sócio atinja ou não o valor do nisab. Segundo a opinião do Imame Malik, o zakat também deve ser pago sobre os bens considerados em conjunto. Contudo, devem ser excluídos do cálculo os sócios que não possuem o nisab ou aquele que se tornou proprietário de sua parte há menos de um ano. Esta opinião é mais adequada e prática.) No momento de pagar o zakat, também devem ser incluídos no cálculo os valores recebidos e pagos no decorrer das atividades comerciais. Hazrat Samura ibn Jundub disse: “O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) ordenou-nos que pagássemos o zakat sobre as mercadorias comerciais.” (Abu Dawud)

O zakat sobre as joias

O zakat é obrigatório sobre o ouro e a prata, qualquer que seja a sua forma: sejam moedas, barras, fios metálicos, bordados de ouro em tecidos, fios finos de ouro ou de prata usados na tecelagem, ou joias usadas pelas mulheres; o zakat será obrigatório sobre todos esses objetos.

Uma mulher do Iêmen compareceu perante o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), acompanhada de sua filha, que usava dois grossos braceletes de ouro. O Profeta perguntou: “Pagas o zakat sobre eles?” Ela respondeu: “Não, não pago o zakat.” O Profeta disse: “Gostarias que, no Dia da Ressurreição, por causa dessa falta, te fossem colocados braceletes de fogo?” Ao ouvir isso, a mulher retirou os dois braceletes, entregou-os ao Profeta e disse: “Ofereço-os pela satisfação de Allah e de Seu Mensageiro.” (An-Nasa’i)

Hazrat Umm Salama (que Allah esteja satisfeito com ela) disse: “Eu usava braceletes e, certo dia, perguntei ao Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele): ‘Ó Mensageiro de Allah, isto será considerado kanz (riqueza acumulada sobre a qual não se paga zakat)?’ Ele respondeu: ‘A riqueza que atinge o valor sobre o qual se deve pagar o zakat e cujo zakat é pago não é kanz.’” (Abu Dawud)

Respondendo a uma pergunta sobre a zakat das joias, Allama Maududi disse: Há várias opiniões sobre a zakat das joias. Uma opinião é que não é obrigatório pagar zakat sobre elas; oferecê-las como empréstimo é a sua zakat. Esta é a opinião de Anas ibn Malik, Sa‘id ibn al-Musayyib e Shabib. A segunda opinião é que basta pagar a zakat das joias uma única vez na vida. A terceira opinião é que não há zakat sobre as joias usadas habitualmente, mas ela é obrigatória sobre as que são guardadas durante a maior parte do tempo. A quarta opinião é que a zakat é obrigatória sobre todos os tipos de joias. Em nossa opinião, esta última é a correta. Primeiro, os termos dos hadiths que estabelecem a obrigatoriedade da zakat sobre o ouro e a prata são gerais. Por exemplo, determina-se uma zakat de dois e meio por cento sobre a prata, e não há zakat sobre menos de cinco uqiyyas. Vários hadiths e relatos dos primeiros muçulmanos indicam que a zakat é obrigatória sobre as joias. Foi narrado com uma cadeia confiável em Abu Dawud, Tirmidhi e Nasa’i que uma mulher foi à presença do Profeta (que a paz esteja com ele), acompanhada de sua filha. A menina tinha braceletes de ouro nas duas mãos. O Profeta perguntou: “Você paga a zakat por isso?” Ela respondeu: “Não.” Então o Profeta disse: “Você gostaria que, no Dia da Ressurreição, Allah lhe colocasse braceletes de fogo no lugar deles?”

Além disso, em Muwatta, Abu Dawud e Dar al-Qutni, também foi narrada a seguinte declaração do Profeta (que a paz esteja com ele): ********** Árabe ************“A joia cuja zakat você pagou não é kanz.” Ibn Hazm afirma que no decreto enviado por Hazrat Umar (que Allah esteja satisfeito com ele) e por seu governador Abu Musa al-Ash‘ari havia a seguinte orientação: ordenem às mulheres muçulmanas que paguem a zakat de suas joias.

Perguntaram a Hazrat Abdullah ibn Mas‘ud (que Allah esteja satisfeito com ele) qual era a determinação sobre as joias. Ele respondeu: quando elas atingirem o valor de duzentos dirhams, deve-se pagar sua zakat. Declarações semelhantes foram feitas entre os Companheiros por Hazrat Ibn Abbas, Hazrat Abdullah ibn Umar e Aisha (que Allah esteja satisfeito com eles); entre os tabi‘in, por Sa‘id ibn al-Musayyib, Sa‘id ibn Jubayr, Ata, Mujahid, Ibn Sirin e Zuhri; e entre os imames da jurisprudência, por Sufyan al-Thawri, Abu Hanifa e seus companheiros.

A taxa da zakat

1. A zakat será obrigatória à taxa de dois e meio por cento sobre ouro, prata, mercadorias comerciais, moedas metálicas, cédulas, joias e semelhantes.

2. É obrigatório oferecer como zakat um quarenta avos do ouro, da prata ou das joias, em ouro ou prata. Porém, não é necessário entregar ouro ou prata como zakat; pode-se entregar seu valor em dinheiro, ou oferecer roupas e outros bens. Se o dinheiro em espécie e o valor das mercadorias comerciais atingirem o nisab de qualquer um dos dois — ouro ou prata —, deve-se pagar uma zakat de dois e meio por cento.

3. Se alguém possuir ouro ou prata acima do nisab, ou mercadorias comerciais excedentes depois de completar o nisab, a zakat será obrigatória sobre esse excedente quando ele atingir um quinto do nisab. Se for inferior a isso, a zakat será dispensada. (Ilmul Fiqah)

4. Se numa joia, num bloco ou num tecido houver tanto ouro quanto prata, deve-se verificar qual dos dois está presente em maior quantidade. Deve-se calcular com base no que estiver em maior quantidade. Se for considerado ouro, deve-se tratar tudo como ouro e pagar a zakat segundo o nisab do ouro. Se a quantidade de prata for maior, deve-se considerar tudo como prata e pagar a zakat segundo o nisab da prata.

5. Se nas joias de ouro e prata estiver misturado outro metal, e a quantidade deste for menor que a de ouro e prata, ele não será levado em consideração. Deve-se pagar o zakat considerando-as como ouro e prata. Porém, se a quantidade de ouro e prata nelas for menor, deve-se calcular apenas o ouro e a prata. Se estes atingirem o nisab, deve-se pagar o zakat; caso contrário, não.

6. Se uma pessoa possui certa quantidade de ouro e certa quantidade de prata, quando qualquer um deles atingir o nisab, deve-se calcular, juntamente com ele, o valor do outro e pagar dois vírgula cinco por cento de zakat.

7. Se alguém possuir ouro abaixo do nisab e também prata abaixo do nisab, deve-se juntar a prata ao ouro ou o ouro à prata e pagar zakat à taxa de dois vírgula cinco por cento quando, com essa soma, o nisab for atingido. Do mesmo modo, se houver algum dinheiro em espécie, alguma prata e algumas mercadorias comerciais, se o total atingir o nisab de prata ou de ouro, deve-se pagar o zakat.

8. Não há zakat sobre as pérolas, pedras preciosas e semelhantes que estejam nas joias. Depois de deduzi-las do peso, deve-se pagar dois vírgula cinco por cento de zakat sobre o ouro e a prata restantes.

Bens sobre os quais não há zakat

1. Não há zakat sobre casas construídas de bambu, por mais valiosas que sejam.

2. Não há zakat sobre pérolas, pedras preciosas e semelhantes de qualquer tipo.

3. Não há zakat sobre os animais, como bois, búfalos e camelos, criados para a irrigação agrícola. O princípio geral a esse respeito é que os meios de produção utilizados por uma pessoa em sua atividade estão isentos de zakat. Há um hadith:********** Árabe*******Não há zakat sobre os camelos utilizados no trabalho agrícola. Isso porque seu zakat é pago sobre as colheitas produzidas pela terra. Da mesma forma, não há zakat sobre os equipamentos de produção.

4. Não há zakat sobre as máquinas e os equipamentos de fábricas e indústrias. Além disso, não há zakat sobre os edifícios das fábricas, os móveis utilizados nos negócios e as lojas.

5. Não há zakat sobre os animais de uma fazenda leiteira, pois eles fazem parte dos meios de produção. Contudo, a zakat é obrigatória sobre os produtos obtidos da fazenda leiteira.

6. Se alguém mantiver em casa, por hobby, algum objeto valioso, não haverá zakat sobre ele. Porém, se for mantido para comércio, haverá zakat sobre ele, como no caso das mercadorias comerciais.

7. Se alguém criar peixes ornamentais em um tanque ou lago, não haverá zakat sobre eles. Mas, se fizer comércio com eles, deverá pagar zakat.

8. Se animais domésticos forem mantidos para uso pessoal — como vacas para beber leite; bois e búfalos para transportar cargas; e cavalos, elefantes e camelos para transporte —, não será necessário pagar zakat sobre eles, por maior que seja o seu número.

9. Não há zakat sobre motocicletas, carros ou ônibus mantidos para passeios e deslocamentos pessoais.

10. Se alguém mantiver uma fazenda de patos e galinhas para vender ovos, não haverá zakat sobre os patos e as galinhas. Contudo, a zakat será obrigatória sobre os ovos vendidos, assim como ocorre com os demais negócios.

11. Se alguém criar galinhas ou qualquer ave por hobby, não haverá zakat sobre elas.

12. Não há zakat sobre as coisas que são alugadas, como bicicletas, riquixás, táxis, ônibus, móveis, compradores e outras semelhantes. Contudo, se o lucro obtido com essas coisas atingir o nisab, deve-se pagar zakat depois de transcorrido um ano. Não há zakat sobre o valor dessas coisas.

13. Não há zakat sobre a renda obtida de lojas e casas, independentemente de quanto seja o seu valor.

14. Não há zakat sobre roupas usadas, casacos, calças, lençóis, cobertores, chapéus, sapatos, relógios, móveis da casa, canetas e semelhantes, independentemente de quanto seja o seu valor.

15. Não há zakat sobre jumentos, mulas e cavalos, se não forem destinados ao comércio.

16. Também não há zakat sobre os animais doados como waqf. Não há zakat sobre os cavalos criados para o jihad, nem sobre as armas destinadas ao jihad e ao serviço da religião.

Zakat sobre os animais

Quando animais domésticos pastam livremente em campos e campinas e são criados para reprodução e produção de leite, são chamados, em terminologia técnica, de sā’imah. Sobre eles a zakat é wajib. Não há zakat sobre os animais criados para consumo de carne nem sobre animais selvagens, como cervos, nilgais, leopardos e semelhantes. Porém, se esses animais selvagens forem destinados ao comércio, será wajib pagar sobre eles a mesma zakat que incide sobre mercadorias comerciais. Isto é, se o capital comercial, no início e no fim do ano, for de um dirham ou mais, haverá zakat; caso contrário, não haverá.

É wajib pagar zakat sobre o animal nascido do cruzamento entre um animal doméstico e um animal selvagem, sob a condição de que, entre os animais que se cruzaram, a fêmea seja doméstica e o macho seja selvagem. Por exemplo, será wajib pagar zakat sobre o animal nascido do cruzamento entre uma cabra e um cervo macho.

Não há zakat sobre os animais sā’ima que tenham sido consagrados como waqf. Da mesma forma, não há zakat sobre um cavalo consagrado como waqf ou criado para o jihad.

Se os animais sā’ima forem criados para o pagamento da zakat, então será obrigatório sobre eles o mesmo tipo de zakat que incide sobre mercadorias comerciais.

Se alguém criar animais sā’ima para reprodução e, depois, no meio do ano, decidir comercializá-los, a zakat não será obrigatória sobre eles naquele ano. Porém, o seu ano comercial começará no dia em que tomar a decisão de comercializá-los. Quando o ano se completar, deverá pagar a zakat comercial.

Nisab e taxa de zakat para ovelhas e cabras

Quanto à zakat, ovelhas, cabras e carneiros têm todos a mesma regra. O nisab e a taxa de zakat são iguais para todos. Se alguém possuir carneiros e cabras, e ambos atingirem a quantidade do nisab, deverá pagar a zakat separadamente por cada tipo. Mas, se a soma de ambos completar o nisab, deverá entregar como zakat um animal do tipo que estiver em maior número. Se as quantidades forem iguais, poderá entregar qualquer um dos dois.

Pagamento do nisab e da taxa de zakat

Para 40 ovelhas ou cabras, deve-se dar uma ovelha ou uma cabra.

De 41 a 120, nenhuma zakat adicional é obrigatória.

Ao atingir 121, devem ser dadas duas cabras como zakat.

De 122 até 200, não há zakat adicional.

Ao atingir 201, são três cabras.

De 202 até 399, não há zakat adicional.

Ao atingir 400, devem ser dadas quatro cabras ou ovelhas como zakat.

Depois de 400, sempre que se completar mais uma centena, torna-se obrigatória a zakat correspondente a uma cabra ou ovelha, isto é, uma para cada cem. Para a zakat de ovelhas e cabras, deve ser dado um animal jovem com um ano de idade ou mais.

Nisab e taxa de zakat para bovinos e búfalos

No que diz respeito à zakat, bovinos e búfalos têm o mesmo حكم. Hazrat Umar ibn Abd al-Aziz (que Allah tenha misericórdia dele) considerou o búfalo como bovino e impôs sobre ele o mesmo tipo de zakat que o Profeta (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) havia determinado. O nisab e a taxa de zakat de ambos são iguais. Se alguém possuir animais dos dois tipos, a zakat torna-se obrigatória quando, somados, atingirem o nisab. A zakat deve ser dada a partir do tipo que estiver em maior número. Se os números forem iguais, pode-se dar qualquer um dos dois tipos.

O nisab e as alíquotas da zakat

A zakat torna-se obrigatória para quem possuir 30 bovinos ou búfalos. Se possuir menos, não há zakat.

Entre 30 bovinos ou búfalos, deve-se dar como zakat um bezerro ou um búfalo jovem que tenha completado um ano de idade.

De 31 a 39, não há zakat adicional. Quando houver 40 bovinos ou búfalos, deve-se dar como zakat um animal jovem que tenha completado dois anos de idade.

De 41 a 59, não há zakat adicional. Quando houver 60 bovinos ou búfalos, devem-se dar como zakat dois animais jovens de um ano. Depois de 60, para cada grupo de 30 bovinos ou búfalos, deve-se dar um animal jovem de um ano, e para cada grupo de 40, um animal jovem de dois anos.

Por exemplo, suponha que alguém possua 70 bovinos ou búfalos. Nesse caso, entre os 70 há dois nisab: um de 30 e outro de 40. Se houver 80 bovinos ou búfalos, haverá dois nisab de 40 cada. Portanto, serão obrigatórios dois animais jovens de dois anos. Se houver 90, haverá três nisab de 30 cada; por isso, deve-se pagar zakat à razão de um animal jovem de um ano para cada 30.

O nisab e as alíquotas da zakat sobre camelos

Quem possuir cinco camelos será considerado sahib de nisab. A zakat será obrigatória para ele. Não há zakat sobre menos de cinco camelos.

Descrição do nisab e da zakat

Sobre cinco camelos, é obrigatória uma cabra; até nove camelos, permanece sendo essa mesma cabra.

Quando houver dez camelos, são devidas duas cabras; até catorze, permanecem sendo essas duas.

Quando houver quinze camelos, são devidas três cabras; até dezanove, permanece sendo o mesmo número.

Sobre vinte camelos, são devidas quatro cabras; até vinte e quatro, permanece sendo o mesmo número.

Sobre vinte e cinco camelos, é devida uma camela que tenha entrado no segundo ano de idade.

De vinte e seis a trinta e cinco, não é necessário dar nada adicional. Quando houver trinta e seis camelos, deve-se dar uma camela que tenha entrado no terceiro ano de idade.

De trinta e sete a quarenta e cinco, não há zakat adicional.

Se forem 46 camelos, deve-se dar uma camela cuja idade tenha iniciado o quarto ano.

De 47 até 60, não há zakat adicional.

Se forem 61, deve-se dar uma camela cuja idade tenha iniciado o quinto ano.

De 62 até 75, não há zakat adicional.

Se forem 76, duas camelas cuja idade tenha iniciado o terceiro ano.

De 77 até 90, não há zakat adicional.

Se forem 91, duas camelas cuja idade tenha iniciado o quarto ano.

Até 120, as duas camelas mencionadas acima.

Depois, esse cálculo recomeçará; isto é, para cinco, uma cabra; para dez, duas cabras.

Uma explicação importante sobre a entrega da zakat

A zakat obrigatória sobre ouro, prata e animais pode ser entregue tanto na forma de ouro, prata e animais quanto em dinheiro. Na zakat sobre joias, não é necessário entregar ouro ou prata; também se pode entregar em dinheiro o valor calculado conforme o preço corrente do mercado.

Em quais categorias a zakat pode ser aplicada

No Sagrado Alcorão, Allah Todo-Poderoso não apenas enfatizou a importância e a excelência da zakat, mas também explicou detalhadamente as categorias nas quais ela deve ser aplicada.

********** Árabe ************

Estas esmolas destinam-se aos pobres e necessitados, aos encarregados do trabalho relacionado às esmolas e àqueles cujos corações se pretende conquistar; destinam-se também à libertação dos cativos, à ajuda aos endividados, ao caminho de Allah e aos viajantes. Esta é uma obrigação determinada por Allah, e Allah é Onisciente e Sapientíssimo sobre todas as coisas. (Surata At-Tawbah: 60)

Neste versículo, são mencionadas oito categorias para a aplicação da zakat:

1) Faqir ou pobre; 2) miskin, necessitado que não estende a mão; 3) funcionários encarregados da arrecadação e distribuição da zakat; 4) aqueles cujo coração se pretende conquistar; 5) para libertar os cativos; 6) para os endividados; 7) fi sabilillah ou no caminho de Allah; 8) viajantes.

A zakat pode ser gasta somente nessas oito categorias, e não fora delas.

Hazrat Ziyad bin al-Harith (que Allah esteja satisfeito com ele) narra um acontecimento. Ele disse: um homem compareceu perante o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) e disse: “Dê-me algo da zakat.” O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) respondeu: “Allah não deixou as categorias de aplicação da zakat ao arbítrio de nenhum profeta, nem de qualquer outra pessoa. Pelo contrário, Ele mesmo decidiu isso e determinou oito categorias. Se você se enquadrar em alguma delas, certamente lhe darei zakat.”

Detalhes das categorias

1. Faqir:Por faqir entendem-se os homens e mulheres que dependem da ajuda e do apoio de outras pessoas para sua subsistência. Incluem-se nessa categoria as pessoas pobres, necessitadas, incapazes e desvalidas que têm direito a auxílio financeiro temporário ou permanente. Pessoas incapazes de ganhar seu sustento, deficientes, crianças órfãs, viúvas, enfermas, fracas, desempregadas e aquelas que foram vítimas de acidentes e calamidades naturais podem receber temporariamente ajuda dos recursos da zakat, e também podem receber uma pensão permanente.

2. Miskin:Por miskin entendem-se as pessoas pobres e honradas que, apesar de extremamente necessitadas e carentes, não estendem a mão a ninguém por temor de perder a honra e por vergonha. Mesmo depois de se esforçarem e trabalharem arduamente para obter seu sustento, não conseguem reunir sequer duas refeições, mas ainda assim não contam a ninguém os seus sofrimentos. No hadith, a definição de miskin é apresentada da seguinte maneira:

********** Árabe ************

É aquele que não possui recursos suficientes para suas necessidades e que, por preservar sua dignidade, não pode ser reconhecido ou identificado para que as pessoas lhe ofereçam ajuda financeira; tampouco sai por aí pedindo algo às pessoas. (Bukhari, Muslim)

3. Funcionários do departamento da zakat ***** Árabe *****: são as pessoas que arrecadam a zakat e o ushr, cuidam deles, distribuem-nos e mantêm seus registros contábeis. Não importa se possuem ou não o nisab. Seus salários podem ser pagos com recursos da zakat.

4. Aqueles cujo coração se pretende conquistar ***** Árabe ****: são as pessoas cujo coração se pretende conquistar. Pode ser necessário conquistá-las, no interesse do Islã e do Estado islâmico, e fazer com que deixem de se opor. Essas pessoas podem ser descrentes, assim como muçulmanos cujo Islã não é suficiente para motivá-los a servir ao Islã e ao Estado islâmico. Mesmo que possuam o nisab, pode-se dar-lhes zakat.

A opinião dos hanafitas é que, no início do Islã, gastava-se com a zakat para conquistar o coração dessas pessoas. Porém, Umar (que Deus esteja satisfeito com ele), durante a época de Abu Bakr (que Deus esteja satisfeito com ele), recusou-se a dar zakat a pessoas desse tipo. (O fato foi que, após o falecimento do Profeta (que a paz esteja sobre ele), Uyayna ibn Hisn e Aqra ibn Habis reivindicaram um pedaço de terra junto a Abu Bakr (que Deus esteja satisfeito com ele). Ele redigiu para eles um decreto de concessão. Eles queriam que outros Companheiros também o assinassem como testemunhas, para reforçar a questão. Algumas assinaturas foram obtidas. Então, quando foram buscar o testemunho de Umar (que Deus esteja satisfeito com ele), ele leu o decreto e o rasgou diante dos olhos deles. Disse-lhes: “O Profeta (que a paz esteja sobre ele) dava-lhes isso para conquistar o coração de vocês. Mas aquela era a época da fraqueza do Islã. Agora, Deus não deixou o Islã dependente de vocês.” Depois, eles se queixaram a Abu Bakr (que Deus esteja satisfeito com ele), dizendo: “O califa é você ou Umar?” Porém, nem Abu Bakr (que Deus esteja satisfeito com ele) deu atenção ao assunto, nem os demais Companheiros manifestaram opinião contrária à de Umar (que Deus esteja satisfeito com ele). Com base nisso, os hanafitas argumentam que, quando os muçulmanos se tornaram maioria e adquiriram força suficiente para se manter sobre os próprios pés, deixou de existir a situação pela qual uma parcela havia sido reservada para conquistar corações. Portanto, com base no consenso dos Companheiros, essa parcela foi definitivamente revogada.) E essa disposição foi revogada para sempre.

Essa opinião também é defendida pelo imame Malik. Contudo, segundo alguns juristas, essa categoria ainda existe, e os recursos da zakat podem ser gastos, conforme a necessidade, para conquistar corações. (Ao expressar sua opinião sobre isso, o erudito Maududi (que Deus tenha misericórdia dele) disse: “Para nós, o correto é que não há razão para que a parcela dos mu’allafatu qulub seja revogada até o Dia da Ressurreição. Sem dúvida, tudo o que Umar (que Deus esteja satisfeito com ele) disse estava correto. Se o Estado islâmico não considerar necessário gastar dinheiro para conquistar corações, ninguém lhe impôs a obrigação de gastar necessariamente algo nessa categoria. Mas, se em algum momento isso se tornar necessário, Deus deixou essa possibilidade aberta para ele, e ela deve permanecer. O consenso de Umar (que Deus esteja satisfeito com ele) e dos nobres Companheiros dizia respeito ao fato de que, na situação existente naquele momento, eles não consideravam necessário dar algo a alguém para conquistar corações. Não há razão válida para concluir disso que o consenso dos nobres Companheiros tenha revogado até o Dia da Ressurreição uma categoria que o Alcorão havia estabelecido para uma necessidade especialmente importante e desejável.” (Tafhim al-Qur’an, volume 2, página 207; essa também é a opinião do imame Shafi‘i.)

5. Libertação dos cativos (libertar escravos): isto é, o escravo que fez com seu senhor um acordo segundo o qual será libertado se pagar determinada quantia; esse escravo é chamado mukatab. Pode-se dar zakat ao mukatab para que pague o preço de sua libertação. Não é permitido libertar um escravo comum com dinheiro da zakat. Se em algum momento não houver escravos, essa categoria deixará de existir.

6. Endividados: aqueles esmagados pelo peso das dívidas, que não conseguem pagá-las depois de atender às próprias necessidades. Sejam desempregados ou trabalhadores, são aqueles que não possuem riqueza suficiente para conservar consigo um patrimônio equivalente ao nisab após quitar a dívida. Entre os endividados também estão aqueles que sofreram algum acidente inesperado, tiveram de pagar uma indenização ou multa, tiveram seus negócios destruídos ou perderam todos os seus bens em algum outro desastre.

7. Fi سبيلillah (no caminho de Deus): significa o jihad no caminho de Deus. Em comparação com qital, ou guerra armada, a palavra jihad é geralmente usada em sentido mais amplo. O jihad fi سبيلillah inclui todos os esforços realizados pelos mujahidins para eliminar o sistema de incredulidade e estabelecer o sistema islâmico. Esses esforços podem ser feitos por meio da pena, das mãos, da fala e da espada, ou mediante árduo trabalho e sacrifício. Seu âmbito não é tão restrito que signifique apenas guerra armada, nem tão amplo que inclua todos os trabalhos cotidianos de bem-estar social. No passado, os sábios do Islã aceitaram unanimemente este significado de jihad fi سبيلillah: todo esforço realizado para estabelecer a religião da verdade, divulgá-la e expandi-la, e defender o Estado islâmico. Pode-se gastar dinheiro da zakat com as despesas de viagem daqueles que realizam esses esforços, bem como com transporte, armas e equipamentos.

8. Viajantes ou forasteiros: por mais riqueza que o viajante ou o expatriado tenha em sua própria casa, se ficar necessitado durante a viagem ou no exílio, deve receber dinheiro da zakat.

Algumas observações sobre o uso dos recursos da zakat:

1. Não é necessário gastar os recursos da zakat em todas as categorias mencionadas no Alcorão. Pelo contrário, conforme a necessidade e as circunstâncias, pode-se gastar em qualquer categoria a quantia que for considerada adequada. Inclusive, se necessário, todo o valor pode ser gasto em uma única categoria.

2. As categorias nas quais se pode gastar a zakat são também as categorias do ushr e da sadaqa al-fitr. Já a sadaqa voluntária fica, naturalmente, a critério do doador.

3. Se pessoas de Banu Hashim forem encarregadas da arrecadação e distribuição da zakat, não será permitido pagar-lhes remuneração proveniente da zakat. O Profeta (que a paz esteja com ele), bem como os membros de Banu Hashim, podem realizar esse serviço sem remuneração, se assim desejarem, tal como o próprio Profeta (que a paz esteja com ele) realizou a arrecadação e a distribuição da zakat.

4. Em condições normais, a zakat de uma pessoa deve ser gasta entre os necessitados e carentes de sua própria localidade. Não é adequado que os habitantes dessa localidade permaneçam privados dela e que a zakat seja enviada para outro lugar. Contudo, se a necessidade em outro local for urgente ou se houver uma exigência de conveniência religiosa — por exemplo, se tiver ocorrido um terremoto, uma fome, algum desastre repentino ou uma tempestade devastadora —, ou se houver em outro lugar uma madrassa religiosa que necessite de ajuda financeira, ou ainda parentes necessitados, será permitido enviar a zakat para outro local. Deve-se, porém, cuidar para que os habitantes da própria localidade não sejam totalmente privados dela.

Aqueles a quem não é permitido dar zakat

Não é permitido dar zakat a sete categorias de pessoas. Se for dada, a obrigação da zakat não será cumprida.

1. O pai e a mãe, os avôs e avós paternos, os avôs e avós maternos, e os pais destes.

2. Filhos e descendentes, até as gerações inferiores, como filhos e filhas, netos, bisnetos, netos e netas, etc.

3. O marido.

4. A esposa.

Dar zakat a essas pessoas significa beneficiar os próprios parentes. Contudo, isso de modo algum significa que a pessoa não deva ajudar essas pessoas com seus próprios bens. Pelo contrário, segundo a Sharia, prover seu sustento e cuidar delas é um dever indispensável de todo muçulmano. Dar zakat a todos os demais parentes, além dos quatro tipos de parentes mencionados acima, não é apenas permitido……. é algo muito virtuoso e de grande recompensa.

5. Também não é permitido dar o dinheiro do zakat a uma pessoa abastada, sahib-e-nisab. Tampouco é permitido dar a um pobre necessitado uma quantia tal que ele se torne sahib-e-nisab. Contudo, se ele estiver endividado ou tiver muitos filhos, pode-se dar uma quantia maior, conforme a necessidade. O Profeta (que a paz esteja com ele) disse: a sadaqa não é permitida para uma pessoa rica, exceto para estes cinco tipos de pessoas: (1) aquele que combate no caminho de Allah; (2) o endividado; (3) aquele que arrecada e distribui a sadaqa; (4) aquele que compra com seu dinheiro um bem da sadaqa; (5) aquele cujo vizinho é um misquin, e o misquin oferece como presente ao seu vizinho rico a sadaqa que recebeu. (Muwatta do Imam Malik)

6. Também não é permitido dar zakat a um não muçulmano.

7. Não é permitido dar zakat aos descendentes de Banu Hashim pertencentes aos três grupos seguintes.

(a) Os descendentes de Hazrat Abbas (que Allah esteja satisfeito com ele).

(b) Os descendentes de Harith.

(c) Os descendentes de Abu Talib.

Os filhos de Hazrat Ali (que Allah esteja satisfeito com ele) e de Hazrat Fatema (que Allah esteja satisfeito com ela) pertencem ao referido terceiro grupo.

Hoje em dia, é difícil verificar quem é, de fato, descendente de Banu Hashim. Portanto, toda pessoa necessitada deveria receber auxílio do Bayt al-Mal. Contudo, se houver certeza de que alguém é hashimita, não deverá receber zakat.

Imam Malik (que Allah tenha misericórdia dele) diz: o Profeta (que a paz esteja com ele) disse: “Os bens da caridade não são lícitos para os descendentes de Muhammad (que a paz esteja com ele), pois a caridade é, de fato, a sujeira das pessoas.” (Muwatta de Imam Malik)

Diversas questões relativas ao zakat

1. Você emprestou dinheiro a alguém, mas a situação dessa pessoa é extremamente precária. Se agora você descontar o empréstimo do seu zakat, o zakat não será cumprido. Contudo, se você lhe der como zakat uma quantia equivalente ao empréstimo e depois recuperar essa quantia dela como empréstimo, o zakat será cumprido.

2. Não é permitido dar zakat aos empregados, empregadas, amas de leite e outros que trabalham em casa como pagamento por seu trabalho ou salário.

3. Pode-se gastar o dinheiro da zakat para confeccionar roupas para os necessitados e carentes, fazer acolchoados e cobertores durante o inverno e suprir suas necessidades por ocasião de casamentos.

4. Se a mulher que amamentou uma criança for pobre e necessitada, pode-se dar-lhe dinheiro da zakat. Depois que essa criança atingir a idade adulta, poderá dar zakat à sua ama de leite.

5. Deu-se zakat a alguém considerando-o merecedor, mas depois descobriu-se que ele possuía o nisab ou era um sayyid hashimita; ou deu-se zakat sem saber e depois descobriu-se que ele era a própria mãe, a própria filha ou algum parente a quem não é permitido dar zakat. Nesse caso, a zakat terá sido cumprida, não sendo necessário dá-la novamente. Contudo, se aquele que a receber não for merecedor, não deverá aceitá-la e, depois de recebê-la, deverá devolvê-la.

6. Depois de dar zakat a alguém considerando-o merecedor, descobriu-se que ele era não muçulmano. Nesse caso, a zakat não terá sido cumprida e deverá ser dada novamente.

7. A zakat será obrigatória sobre qualquer quantia de notas, moedas ou mercadorias comerciais que atinja o nisab de ouro ou prata. Por exemplo, se alguém possuir algumas notas e várias moedas que, somadas, totalizem 400 takas, ou possuir mercadorias comerciais nesse valor, mesmo que não alcance o nisab do ouro, mas alcance o nisab da prata, essa pessoa será considerada possuidora do nisab e a zakat será obrigatória sobre ela. Isso porque 400 takas valem mais do que 36,5 tolas de prata. (É importante lembrar que atualmente o preço do ouro e da prata aumentou muito. Atualmente (1983), o valor de 36,5 tolas de prata é aproximadamente três mil takas. Além disso, há divergência de opinião quanto ao nisab. Segundo muitos, o nisab da zakat é de 52,5 tolas de prata e 7,5 bhori de ouro. De qualquer modo, o nisab da zakat será determinado com base nos preços de mercado do ouro e da prata. Tradutor.)

9. A zakat é obrigatória sobre os depósitos mantidos no banco.

10. Uma pessoa passou o ano inteiro fazendo caridade de várias formas, mas não teve a intenção de dar zakat. Portanto, depois do fim do ano, os bens doados como caridade não poderão ser contabilizados como zakat. Por isso, é condição formular a intenção de dar zakat no momento de separar a zakat.

11. O dinheiro da zakat pode ser enviado por ordem de pagamento, e é permitido descontar da zakat a taxa da ordem de pagamento.

 

Explicação sobre o ushr

O significado do ushr

O significado literal de ushr é um décimo. Porém, na terminologia, ushr é o zakat das colheitas produzidas: um décimo da produção de algumas terras e um vigésimo da produção de outras.

A determinação religiosa do ushr

********** Árabe ************

Ó crentes! Gastai, no caminho de Allah, a melhor parte do que adquiristes e também daquilo que extraímos para vós da terra (produzimos). (Surata Al-Baqara: 267)

Em outro lugar, foi dito:

********** Árabe ************

E cumpri o direito de Allah no dia em que colherdes a vossa colheita. (Surata Al-An’am: 141)

Os exegetas estão de acordo quanto a isto: significa a zakat da produção agrícola, isto é, o ushr.

Os versículos acima mencionados do Alcorão Sagrado mostram que um décimo da produção agrícola é obrigatório, e há uma forte ênfase nisso nos hadiths. O Profeta disse:

É obrigatório retirar um décimo da produção de uma terra irrigada pela água da chuva, de nascentes, rios ou canais, ou que, por estar às margens de um rio, seja naturalmente fértil e úmida. Já no caso de uma terra cultivada com água extraída de um poço, é obrigatório retirar um vigésimo da produção.

A alíquota do ushr

É obrigatório retirar, como zakat, um décimo da produção de uma terra cuja colheita seja obtida com água da chuva, de rios ou canais, ou que, por estar às margens de um rio, tenha naturalmente fertilidade e água. Já da produção de uma terra cultivada por meio de diferentes métodos de irrigação, é obrigatório retirar, como zakat, um vigésimo.

O ushr (a zakat da produção agrícola) é um direito de Allah e corresponde exatamente a um décimo ou a um vigésimo da produção total. Portanto, quando os grãos ou frutos estiverem próprios para o consumo, deve-se primeiro retirar o ushr e só depois utilizá-los.

Não é permitido utilizá-los antes de retirar o ushr; caso contrário, seja um décimo ou metade dele, isso deverá ser entregue no caminho de Allah.

Sobre quais coisas o ushr é obrigatório

O ushr é obrigatório sobre tudo o que é produzido pela terra, inclusive as colheitas que podem ser armazenadas, como cereais, mostarda, gergelim, cana-de-açúcar, tâmaras, frutas secas e semelhantes, e também sobre as colheitas que não podem ser armazenadas, como verduras, pepinos, pepinos longos, cenouras, rabanetes, nabos, melancias, mangas, laranjas e semelhantes. (Segundo alguns faqihs, o ushr não é obrigatório sobre verduras, hortaliças e frutas que não podem ser armazenadas. Contudo, se o agricultor as vender no mercado, será obrigatório sobre elas o zakat comercial, caso seu valor atinja o nisab; isto é, se, no início e no fim do ano, os bens comerciais equivalerem a duzentos dirhams ou mais.)

O ushr também é obrigatório sobre o mel. O Profeta (que a paz esteja com ele) disse:********** Árabe ***********Dai o ushr do mel. — (Bayhaqi)

Hazrat Abu Saiyadah (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: Eu disse ao Profeta (que a paz esteja com ele) que possuía abelhas criadas. Então o Profeta (que a paz esteja com ele) disse: «Nesse caso, dai o ushr delas». (Para o Imam Malik (que Allah esteja satisfeito com ele) e Hazrat Sufyan al-Thawri (que Allah tenha misericórdia dele), não há ushr sobre o mel. Essa também é a opinião conhecida do Imam Shafi’i (que Allah tenha misericórdia dele). O Imam Bukhari (que Allah tenha misericórdia dele) disse que nenhum hadith sobre o zakat do mel é autêntico. Em Bayhaqi, consta que um homem levou ao Profeta o ushr do mel e pediu-lhe que providenciasse a proteção da floresta de Sabala. O Profeta (que a paz esteja com ele) providenciou a proteção daquela floresta. Mais tarde, durante o califado de Hazrat Umar (que Allah esteja satisfeito com ele), Sufyan ibn Wahab perguntou-lhe a verdade sobre o assunto. Ele lhe escreveu dizendo: «Se ele vier dar-te aquilo que costumava dar ao Profeta, aceita-o e providencia a proteção da floresta de Sabala. Caso contrário, o que é produzido pelas abelhas é como a água do céu; quem quiser pode utilizá-lo.»

A opinião do Allama Maududi é que não há zakat sobre o mel. Contudo, sobre o seu comércio incidirá o mesmo tipo de zakat que incide sobre os demais bens comerciais.)

Questões relativas ao ushr

1. O ushr deve ser retirado da produção total da colheita. Depois de retirar o ushr, todas as despesas agrícolas devem ser pagas com o restante da colheita. Por exemplo, se numa terra alguém obtiver trinta man de colheita, deverá dar três man, um décimo, como ushr; depois, as despesas agrícolas deverão ser pagas com os sete man restantes.

2. Assim que a colheita se tornar utilizável, o ushr se tornará obrigatório sobre ela. Por exemplo, grão-de-bico, ervilhas, mangas e semelhantes devem ser utilizados antes de amadurecerem completamente. Portanto, deve-se retirar o ushr da quantidade que houver naquele momento. Não é permitido utilizá-la antes de retirar o ushr.

3. Se houver frutos no jardim de alguém e ele os vender antes de amadurecerem, o ‘ushr será obrigatório para o comprador. Se os vender depois de amadurecerem, o ‘ushr recairá sobre o vendedor.

4. O ‘ushr será obrigatório para aquele que cultivar a terra, quer a cultive como arrendatário, quer como meeiro.

5. Se duas pessoas cultivarem juntas, o ‘ushr será obrigatório para ambas, mesmo que a semente pertença a apenas uma delas.

6. O nisab não é uma condição para que o ‘ushr se torne obrigatório. (Segundo o Imam A‘zam e o Imam Shafi‘i, não há ‘ushr quando a produção é inferior a cinco wasaq — trinta maunds. Essa também é a opinião dos Ahl al-Hadith. Uma condição para que o ‘ushr se torne obrigatório é que a produção seja de pelo menos cinco wasaq, ou trinta maunds. A prova disso é o seguinte hadith: …………….. Árabe …………

Não é obrigatório o zakat sobre uma produção inferior a cinco wasaq. — Bukhari) Deve-se pagar o ‘ushr, seja a produção pequena ou grande. Naturalmente, uma quantidade de dois quilos e meio não é considerada.

7. No ‘ushr, não há a exigência de completar um ano. Pelo contrário, se uma terra produzir duas colheitas por ano, deverá pagar-se o ‘ushr sobre cada colheita.

8. O ‘ushr também é obrigatório sobre a produção de crianças menores de idade e de pessoas mentalmente incapazes.

9. Se uma terra waqf for cultivada, o ‘ushr será obrigatório para o agricultor.

10. Se uma terra fértil pela água da chuva for irrigada artificialmente, ao determinar o seu ushr deve-se considerar se essa terra se tornou mais fértil devido às chuvas naturais ou devido à irrigação.

11. O ushr pode ser pago na forma da própria colheita ou do seu valor.

12. As terras pertencentes a muçulmanos em Bangladesh, na Índia e no Paquistão são terras sujeitas ao ushr, e o seu ushr deve ser pago.

13. O pagamento do imposto sobre a terra não isenta do ushr.

14. O ushr também deve ser gasto nas mesmas categorias em que a zakat é gasta.

As regras relativas a tesouros escondidos e minerais

As regras relativas aos bens guardados debaixo da terra e aos minerais são as seguintes:

1. Um quinto dos bens encontrados e guardados debaixo da terra é destinado ao Baitul Mal. No hadith consta …………….. em árabe …………, ou seja, também é obrigatório entregar ao Baitul Mal um quinto do tesouro escondido.

2. Quanto aos minerais, sejam eles substâncias metálicas, como ferro, prata, ouro, estanho etc., ou substâncias não metálicas, como enxofre, um quinto pertence ao Bayt al-Mal. Os quatro quintos restantes cabem ao proprietário da mina.

3. Os minerais que não amolecem quando queimados no fogo, como joias e semelhantes, ou as substâncias líquidas, como querosene, petróleo etc., não têm nenhuma parcela destinada ao Bayt al-Mal. (Segundo o imame Ahmad ibn Hanbal, é obrigatório pagar zakat à taxa de dois vírgula cinco por cento sobre qualquer mineral, seja metálico, não metálico ou líquido, desde que alcance o nisab e seja propriedade particular. Essa opinião era aplicada no tempo de Umar ibn Abd al-Aziz.)

 

Exposição sobre a Sadaqat al-Fitr

Significado da Sadaqat al-Fitr

O significado literal de fitr é quebrar o jejum. Sadaqat al-Fitr significa a caridade da quebra do jejum. Em sentido técnico, Sadaqat al-Fitr é a caridade obrigatória que se oferece após o término do Ramadan e a quebra do jejum. No mesmo ano em que o jejum do Ramadan se tornou obrigatório para os muçulmanos, o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) ordenou o pagamento da Sadaqat al-Fitr.

Significado e benefícios da Sadaqat al-Fitr

Durante o mês do Ramadan, os jejuadores esforçam-se, dentro de suas possibilidades, para preservar a dignidade do Ramadan e prestar plena atenção aos limites, regras, métodos e condições que a Shariah exige que sejam observados. Ainda assim, consciente ou inconscientemente, as pessoas cometem muitas falhas e erros. Um dos significados da Sadaqat al-Fitr é que a pessoa gaste, com interesse, parte dos bens que adquiriu no caminho de Allah, para que suas falhas e erros sejam compensados e seu jejum seja aceito perante Allah. Além disso, oferecer a Sadaqat al-Fitr por ocasião do Eid também tem o significado de permitir que os pobres e necessitados da sociedade possam, tranquilamente e de maneira adequada, suprir suas necessidades de vestuário e comparecer ao Eidgah junto com os demais muçulmanos, fazendo com que a reunião no Eidgah seja grandiosa e que, devido à enorme concentração de muçulmanos nas ruas, se manifeste a influência e o prestígio do Islam.

Hazrat Ibn Abbas (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) estabeleceu a Sadaqat al-Fitr para purificar os jejuadores das falhas decorrentes de atos fúteis e obscenidades, e, ao mesmo tempo, garantir alimento e bebida aos necessitados. Portanto, aquele que pagar a Sadaqat al-Fitr antes da oração do Eid terá sua caridade aceita; mas aquele que a pagar depois da oração terá oferecido uma caridade como as esmolas comuns. (Abu Dawud)

Shah Waliullah (que Allah tenha misericórdia dele) disse: O dia do Eid é um dia de alegria. Nesse dia, por meio da grande reunião dos muçulmanos, manifestam-se a glória e o esplendor do Islã, e esse objetivo é alcançado por meio da sadaqat al-fitr. Além disso, a sadaqat al-fitr também contribui para a perfeição do jejum. (Hujjatullah al-Baligha)

A regra da sadaqat al-fitr

A sadaqat al-fitr é obrigatória para todo muçulmano, homem ou mulher, abastado, menor ou adulto. (Segundo os Ahl al-Hadith, a sadaqat al-fitr é obrigatória, como o zakat. Portanto, é obrigatória para todos: ricos e pobres, homens e mulheres, livres e escravos, pequenos e grandes. O argumento deles é que o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) enviou pessoas pelas ruas e vielas de Meca para anunciar: “Fiquem atentos! A sadaqat al-fitr é obrigatória para todo muçulmano, homem ou mulher, livre ou escravo, pequeno ou grande.” (Tirmidhi) Além disso, Ibn Umar (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: “O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) tornou obrigatória a sadaqat al-fitr: um sa‘ de tâmaras e um sa‘ de cevada para toda pessoa, homem ou mulher, livre ou escrava, pequena ou grande, e ordenou que ela fosse entregue antes de se dirigir ao local da oração do Eid.) É obrigatória para aquele que possuir, além de suas necessidades reais, bens cujo valor alcance o nisab que torna o zakat obrigatório, quer o zakat seja ou não devido sobre esses bens. Por exemplo, se alguém possui, além da casa em que mora, outras casas que estão vazias ou foram construídas para aluguel, e o valor dessas casas alcançar o nisab, a sadaqat al-fitr será obrigatória para seu proprietário, mesmo que não haja zakat devido sobre elas. Porém, se ele obtiver seu sustento com o aluguel dessas casas, elas serão consideradas parte de suas necessidades reais, e a sadaqat al-fitr não será obrigatória para ele. Da mesma forma, se alguém possuir em sua casa, além dos utensílios de uso, alguns móveis, como recipientes de cobre, móveis valiosos e semelhantes, cujo valor alcance ou ultrapasse o nisab, a sadaqat al-fitr será obrigatória para ele, embora não seja necessário pagar zakat sobre todos esses bens.

Para que a sadaqat al-fitr seja obrigatória, não há outra condição além do nisab mencionado acima. Nem a liberdade é uma condição, nem atingir a puberdade ou possuir discernimento. Ela também é obrigatória para o escravo, mas seu senhor a pagará. Os pais ou o wali pagarão a fitra das crianças menores e dos meninos e meninas insanos.

Também não é condição para a obrigatoriedade da sadaqat al-fitr que os bens sejam mantidos durante um ano. Ao contrário, se alguém se tornar proprietário de riqueza pouco antes do nascer do sol, a sadaqat al-fitr também será obrigatória para ele.

O momento em que a sadaqat al-fitr se torna obrigatória

O momento em que a sadaqat al-fitr se torna obrigatória é o amanhecer do dia do Eid. (Segundo os Ahl al-Hadith, o período de obrigatoriedade da sadaqat al-fitr começa após o pôr do sol do último dia do Ramadã e vai até antes da oração do Eid. Ela também é chamada de caridade da quebra do jejum. Portanto, torna-se obrigatória a partir da quebra do jejum do último dia do Ramadã, embora seja permitido entregá-la antes disso.) Assim, não será obrigatória para quem morrer antes do amanhecer ou perder sua riqueza antes desse momento. Também não será obrigatória para a criança que nascer depois do Fajr. Contudo, será obrigatória para aquela que nascer na noite do Eid. Do mesmo modo, se alguém abraçar o Islã ou se tornar proprietário de riqueza antes do Fajr, a sadaqat al-fitr será obrigatória para ele.

O momento de pagar a sadaqat al-fitr

Embora o momento em que a sadaqa do fitr se torna obrigatória seja o alvorecer, o significado e o objetivo dessa obrigação exigem que ela seja entregue aos necessitados alguns dias antes do Eid, para que os pobres e carentes possam obter tranquilamente alimentos e roupas e ir ao local da oração do Eid junto com todos. No Sahih al-Bukhari consta que os honrados Companheiros (r.a.) distribuíam a sadaqa do fitr um ou dois dias antes. Caso não seja possível entregá-la quatro ou dois dias antes, deve-se entregá-la obrigatoriamente antes da oração do Eid. O Profeta (s.a.w.) disse:

********** Árabe ************

Quem entregar a sadaqa do fitr antes da oração terá oferecido uma caridade aceita por Allah. Mas quem a entregar depois da oração terá oferecido uma caridade semelhante às esmolas comuns.

Em nome de quem é obrigatório pagar a sadaqa do fitr

1. A pessoa abastada deve pagar a sadaqa do fitr por si mesma e também em nome dos filhos menores. Se os filhos menores forem ricos, deverá pagá-la com os bens deles; caso contrário, deverá pagá-la com os próprios bens.

2. É obrigatório pagar a sadaqa do fitr em nome dos filhos que perderam a razão, tenham eles bens ou não, sejam maiores de idade ou não.

3. Aqueles que sustentam e mantêm seus servos ou empregados devem dar a caridade em nome deles.

4. É obrigatório que o pai pague em nome dos filhos maiores de idade se eles forem necessitados e pobres. Se forem ricos, isso não será obrigatório.

5. O sadaqat al-fitr não é obrigatório por parte da esposa. Contudo, se o marido o pagar, será considerado pago em nome dela.

6. Quando o pai morre, todas as responsabilidades que eram dele passam para o avô.

7. Se uma mulher tiver meios suficientes, somente o seu próprio sadaqat al-fitr será obrigatório. Não é obrigatório que ela dê em nome do marido, dos filhos ou dos pais.

A quantidade do sadaqat al-fitr

A quantidade do sadaqat al-fitr é de um ser e três chatak de farinha de trigo, segundo o cálculo de um ser de oitenta tola (segundo Maulana Ashraf Ali Thanvi, a quantidade do sadaqat al-fitr de uma pessoa é de um ser e meio e doze chatak; por precaução, é melhor dar dois seres). Se for dado cevada ou farinha de cevada, ou tâmaras e munakka, deve-se dar o dobro da quantidade de trigo. (Na época do Profeta (que a paz esteja com ele), provavelmente o valor da cevada, das tâmaras e do munakka era igual.)

Diversas questões relativas ao sadaqat al-fitr

1. Também é obrigatório pagar o sadaqat al-fitr para quem, por algum motivo, não pôde jejuar durante o Ramadã. O jejum não é uma condição para que o sadaqat al-fitr seja obrigatório.

2. O sadaqat al-fitr pode ser dado na forma de grãos alimentares, ou pode-se dar o seu valor. No momento de entregá-lo, deve-se considerar a conveniência dos pobres e necessitados, dando-lhes grãos alimentares ou o seu valor.

3. Se houver a intenção de dar, em substituição ao trigo, outros produtos, como sorgo, milheto, grão-de-bico, ervilhas e semelhantes, a quantidade deve equivaler ao valor do trigo ou da cevada.

4. A sadaqat al-fitr de uma pessoa pode ser dada a um único pobre ou a várias pessoas. Da mesma forma, a sadaqat al-fitr de várias pessoas pode ser dada a uma única pessoa ou a várias pessoas.

5. Se alguém possuir uma parte de trigo e uma parte de cevada, deverá fazer o cálculo e completar a quantidade da sadaqat al-fitr.

6. Quando necessário, a sadaqat al-fitr também pode ser enviada para outro lugar. Contudo, não se deve enviá-la para outro lugar sem uma razão legítima.

7. As categorias de despesas da sadaqat al-fitr são as mesmas da zakat.

Capítulo sobre o jejum

 

Descrição do jejum

O jejum do Ramadã é o terceiro pilar mais importante do Islã. No Alcorão, não foi apenas ordenado que se jejue; também foram explicadas as regras e o método do jejum. Foram discutidas a importância e as bênçãos do Ramadã. Primeiro, descreveremos as virtudes e as bênçãos do mês cujo jejum a Sharia tornou obrigatório.

As virtudes do abençoado Ramadã

A grandeza e as virtudes do Ramadã no Alcorão

No Alcorão Sagrado, são mencionadas três razões para a grandeza e as virtudes do Ramadã:

1. A revelação do Alcorão, isto é, o Alcorão foi revelado neste mês.

2. Laylat al-Qadr. Isto é, neste mês há uma noite que, em termos de bondade e bênção, é melhor que mil meses.

3. A obrigatoriedade do jejum. Isto é, neste mês o jejum tornou-se obrigatório para os muçulmanos.

Por causa dessas virtudes, o Profeta (que a paz esteja sobre ele) chamou este mês de ********** Árabe ************ou o mês de Allah, e declarou-o o mais excelente de todos os meses. A seguir, apresentamos uma breve análise de algumas delas:

A razão das virtudes do Ramadã

1. Revelação do Alcorão: O Alcorão diz—********** Árabe ************

O Ramadã é um mês no qual o Alcorão foi revelado como orientação para toda a humanidade, apresentando o caminho verdadeiro, ensinamentos claros e distinguindo claramente a verdade da falsidade. (Surata Al-Bacara: 185)

Para compreender a grandeza e a virtude do Ramadã, não basta dizer que nele foi revelado o último Livro da orientação de Allah. A verdadeira questão é que, se a humanidade tivesse sido privada da fonte da orientação, toda esta grande oficina da existência do universo teria sido destruída, apesar da luz do sol e dos raios brilhantes da lua e das estrelas. O universo, apesar de sua primorosa arte e beleza, teria se tornado sem sentido, incompleto e sem propósito. Consequentemente, por causa da descrença, do ateísmo e do politeísmo, o ser humano teria se tornado ainda mais inferior que os animais selvagens da floresta. O Alcorão é também a única fonte da luz da orientação na Terra. Aquele que é privado dele fica privado da orientação e do bem.

2. Laylat al-Qadr: O Alcorão afirma claramente que ela está incluída no mês do Ramadã e que foi revelado na Laylat al-Qadr. O significado inevitável disso é que a Laylat al-Qadr é uma das noites do Ramadã, superior a mil meses. Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela) disse que o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) afirmou: “Buscai a Laylat al-Qadr entre as noites ímpares dos últimos dez dias do Ramadã.” (Bukhari)

3. Obrigatoriedade do jejum: Allah, o Altíssimo, determinou este mês para uma adoração tão importante quanto o jejum e tornou obrigatório para os muçulmanos jejuar durante todo o mês:

********** Árabe ************ Portanto, quem dentre vós alcançar este mês deverá necessariamente jejuar durante todo o mês.

Hadith sobre a grandeza e as virtudes do Ramadã

O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), ao descrever a grandeza e as virtudes do Ramadã, disse que, quando chega a primeira noite do Ramadã, os demônios e os jinns rebeldes são acorrentados, e todas as portas do Inferno são fechadas; nenhuma de suas portas permanece aberta. Todas as portas do Paraíso são abertas, e nenhuma de suas portas permanece fechada. Então, um convocador da parte de Allah anuncia: “Ó vós que desejais o bem e a prosperidade, avançai! Ó vós que desejais praticar más ações e pecados, detende-vos!” Em seguida, muitos servos desobedientes são libertados do Inferno por ordem de Allah. E isso ocorre em todas as noites do Ramadã. (Tirmidhi, Ibn Majah)

  • Este é um mês em que o sustento dos crentes é aumentado. (Mishkat)
  • O mês do Ramadã é o senhor de todos os meses. (Ilmul Fiqah)
  • A primeira parte deste mês é de misericórdia, a segunda é de perdão, e a terceira e última é de livramento e libertação do fogo do Inferno. (Mishkat)
  • Se, neste mês, alguém praticar voluntariamente uma boa ação nafl para alcançar a satisfação de Allah, receberá uma recompensa equivalente à da adoração obrigatória dos outros meses. E quem cumprir uma obrigação será merecedor de uma recompensa equivalente à de setenta obrigações dos outros meses. (Mishkat)

A grandeza e a importância do Ramadã na história

A história testemunha que a primeira batalha decisiva entre a verdade e a falsidade ocorreu neste mês. E o dia que separou a verdade da falsidade, chamado no Alcorão de Yawm al-Furqan, foi um dos dias deste mês. Nesse dia, foi anunciada a primeira vitória da verdade, e a falsidade foi derrotada. A história também relata que a conquista de Meca ocorreu neste mês. Reflita sobre esses fatos; então compreenderá.

  • A orientação da verdade foi revelada neste mês.
  • A vitória inicial do Islã ocorreu neste mês.
  • A vitória completa do Islã ocorre precisamente neste mês.

O mês do Ramadã chega todos os anos para nos recordar essas verdades. A Shariah tornou o jejum obrigatório neste mês e estabeleceu a oração noturna e a recitação do Alcorão, para que a força vital do jihad não se torne inerte nos crentes. E para que, pelo menos uma vez por ano, durante o mês do Ramadã, possam ouvir ou ler o Alcorão e traduzi-lo no coração, com um senso de responsabilidade correspondente à sua posição. A revelação do Alcorão, seu estudo e a formação do jejum à maneira dos mujahidins têm como objetivo que os filhos do Islã estejam vivos para tornar a religião vitoriosa e estabelecida, e para que jamais se negligenciem de suas responsabilidades e deveres.

O significado do jejum

Em árabe, o jejum é chamado sawm ou siyam. Seu significado é abster-se de algo e abandoná-lo. Na terminologia da Shariah, o significado de sawm é

abster-se de comer, beber e de atividades sexuais desde o amanhecer verdadeiro até o pôr do sol.

A determinação sobre a obrigatoriedade do jejum

O jejum do Ramadã tornou-se obrigatório para os muçulmanos um ano e meio após a Hégira.

********** Árabe ************

Ó crentes! O jejum foi prescrito para vós. O jejum é uma obrigação individual; quem o negar é um infiel, e quem não jejuar sem uma justificativa será um transgressor e um grande pecador.

A importância do jejum

O Alcorão testemunha que o jejum foi prescrito sob todas as leis religiosas celestiais e que constituía uma parte indispensável da adoração de cada comunidade.

********** Árabe ************

Assim como o jejum foi prescrito aos povos que vos precederam.

Este versículo não se limita a narrar um acontecimento histórico; antes, destaca esta importante verdade: o jejum tem uma relação especial com a purificação dos instintos humanos e possui um direito natural na purificação da alma. Pelo contrário, parece que ela não pode alcançar a plenitude sem o processo de formação e purificação. Nenhuma outra forma de adoração pode substituí-lo. É por isso que o jejum foi prescrito na lei religiosa de todos os profetas.

Ao explicar a importância do jejum, o Profeta (que a paz esteja com ele) disse que, se alguém deixar de jejuar um dia do Ramadã sem uma justificativa legal ou doença, mesmo que jejue durante toda a vida, não poderá reparar essa perda. (Ahmad, Tirmidhi, Abu Dawud)

Isto significa que a grandeza, o benefício, a bênção e a importância do jejum do Ramadã são tais que, se uma pessoa negligente voluntariamente quebrar ou deixar de cumprir um jejum, o prejuízo resultante não será compensado nem que ela jejue durante toda a vida. Contudo, poderá cumprir o jejum compensatório prescrito pela lei.

objetivo dojejum

O verdadeiro objetivo do jejum é produzir taqwa — …… em árabe …… — para que a taqwa possa surgir em vocês. Taqwa é, na realidade, um tesouro que nasce do amor e do temor a Allah. A fé na essência de Allah e o profundo sentimento de Suas qualidades, misericórdia e graça despertam o impulso do amor; e a crença em outras qualidades, como a ira, o desagrado e o poder de punir, desperta o sentimento de temor. Esse estado mental de amor e temor chama-se taqwa; ele é a fonte de todas as boas ações e o verdadeiro meio de se proteger de todos os pecados.

O jejum cria uma fé firme na essência de Allah e um profundo sentimento por Sua graça e Seu desagrado. Por se abster continuamente, durante várias horas ao longo do dia, de satisfazer as necessidades mais básicas e essenciais dos desejos, a pessoa passa a sentir-se extremamente impotente, desamparada e dependente. Torna-se, a cada instante de sua vida, uma mendiga da misericórdia e da bondade de Allah. Então, quando vê sua vida enriquecida pelas bênçãos de Allah, é tomada pelo entusiasmo do amor a Allah e se empenha sinceramente em obedecer-Lhe e adorá-Lo. Quando, em isolamento, refreia seu intenso desejo sexual, num lugar onde ninguém além de Allah a vê, o temor a Allah em seu coração se torna cada vez mais intenso. Como resultado, a grandeza e a supremacia de Allah deixam uma marca tão profunda em sua mente que seu corpo treme até mesmo ao pensar em cometer um pecado.

O verdadeiro jejum

Esse grandioso objetivo do jejum só pode ser alcançado quando o jejum é observado com plena consciência e é protegido das ações proibidas que o tornam sem vida. O verdadeiro jejum é aquele por meio do qual a pessoa preserva sua mente, seu intelecto e todas as suas capacidades da desobediência a Allah, e subjuga os desejos do próprio instinto.

O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: Quando jejuardes, vossa obrigação será impedir que vossos ouvidos, olhos, boca, mãos, pés e todos os demais membros pratiquem aquilo que desagrada a Allah. (Kashful Mahjub)

O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) também disse: Aquele que jejua, mas não se abstém de falar mentiras e agir falsamente, não tem necessidade de permanecer faminto e sedento para Allah. (Bukhari)

Há muitos jejuadores para os quais, além de sofrerem fome e sede durante o jejum, nada mais é acrescentado ao prato de suas boas ações. (Mishkat)

As virtudes do jejum

O Profeta (que a paz esteja com ele) disse: a recompensa por toda boa ação é multiplicada de dez até setecentas vezes. Mas Allah declarou que o jejum é algo diferente: ele é exclusivamente para Mim, e Eu mesmo concederei sua recompensa. O servo abstém-se, por Mim, de seus desejos sexuais e de comida e bebida. O jejuador tem duas alegrias. A primeira é no momento do iftar, quando, tomado por intensa alegria e emoção, desfruta das bênçãos de Allah, reconhecendo que Allah lhe concedeu a graça de cumprir uma obrigação.

A segunda alegria ocorre quando ele se encontrar com seu próprio Senhor, receber permissão para comparecer perante Allah e, contemplando-O, tiver os olhos refrescados.

O odor da boca do jejuador é, para Allah, melhor do que a fragrância do almíscar. O jejum é como um escudo para proteger-se dos pecados. Quando alguém entre vós jejuar, que se mantenha afastado de palavras obscenas e de tumultos. Se alguém o insultar ou vier discutir com ele, deve lembrar a si mesmo que está jejuando. (Bukhari e Muslim)

O Profeta (que a paz esteja com ele) também disse: quem jejua com fé e esperança na recompensa da Vida Futura terá perdoados todos os pecados anteriores (os pecados menores). (Bukhari e Muslim)

Instruções sobre a observação da lua nova

1. Tentar avistar a lua nova do Ramadan no dia 29 de Sha’ban é uma obrigação coletiva dos muçulmanos. (É obrigação dos muçulmanos, como um todo, providenciar a observação da lua do Ramadan. Se toda a sociedade não reconhecer sua importância e negligenciar esse assunto, todos serão pecadores.) Não é de modo algum permitido jejuar confiando em calendários ou semelhantes e desprezando a observação da lua. Nem mesmo aqueles que são especialistas em cálculos astronômicos e reconhecidos por sua piedade e retidão podem agir segundo seus próprios cálculos. O Profeta (que a paz esteja com ele) disse: quando avistardes a lua, começai a jejuar, e quando a avistardes novamente, encerrai o jejum. Se a lua não for avistada no dia 29 de Sha’ban, completai trinta dias de Sha’ban. (Sahih Bukhari e Muslim)

2. Não é permitido aceitar a observação da lua com base em qualquer experiência anterior e jejuar de acordo com isso. Por exemplo, existe o provérbio de que o dia 4 do mês de Rajab é o primeiro dia do Ramadan, e isso teria sido testado repetidas vezes.

3. É recomendável tentar avistar a lua e tomar providências para isso no vigésimo nono dia de Rajab. Isso porque é necessário conhecer as datas de Sha’ban para saber o primeiro dia de Ramadan. Suponha, por exemplo, que a lua tenha surgido na noite do vigésimo nono dia de Rajab, mas as pessoas não tenham tomado nenhuma providência para avistá-la. Depois, começaram a calcular considerando o primeiro dia de Sha’ban como se fosse o trigésimo dia de Rajab. Assim, chegou o trigésimo dia de Sha’ban, mas a lua não foi avistada devido às nuvens ou à poeira no céu. Como se considerava que aquele era o vigésimo nono dia de Sha’ban, as pessoas acabaram considerando o primeiro dia de Ramadan como o trigésimo dia de Sha’ban. Como resultado dessa negligência, um dia de jejum de Ramadan foi perdido.

Hazrat Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela) disse: o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) não costumava memorizar os dias e as datas do mês de Sha’ban com tanta atenção, reflexão e cálculo quanto fazia com as datas de qualquer outro mês; depois, jejuava ao avistar a lua de Ramadan. (Abu Dawud)

4. Aquele que avistar pessoalmente a lua de Ramadan deve informar todos os habitantes da aldeia, as pessoas responsáveis pelos muçulmanos ou alguma instituição, seja homem ou mulher.

5. Se o horizonte ocidental, onde surge a lua, estiver limpo, nessas circunstâncias o surgimento da lua de Ramadan não será comprovado apenas pelo testemunho de duas pessoas piedosas, nem o surgimento da lua do Eid. Nessa situação, é necessário o testemunho de tantas pessoas que, por meio de suas declarações, se obtenha certeza quanto ao surgimento da lua.

6. Se o local onde surge a lua não estiver limpo, o testemunho de apenas uma pessoa será suficiente para comprovar a lua nova de Ramadan, seja ela homem ou mulher, sob as seguintes condições:

a) A testemunha deve ser adulta, mentalmente sã e uma muçulmana piedosa.

b) Deve declarar que avistou a lua com os próprios olhos.

7. Se o céu estiver limpo, o testemunho de uma única pessoa não será suficiente para comprovar a lua nova do Eid, por mais confiável que ela seja. Para a lua do Eid, é necessário aceitar o testemunho de dois homens piedosos e tementes a Allah, ou o testemunho de um homem piedoso e de duas mulheres piedosas. Mesmo que quatro mulheres testemunhem que avistaram a lua, a lua do Eid não será comprovada por isso.

8. Onde não houver nenhum cádi ou governante muçulmano, os muçulmanos daquele lugar devem organizar por si mesmos a observação da lua, divulgá-la e agir de acordo com isso.

9. Espalhou-se por toda a cidade a notícia de que a lua havia sido avistada, mas, mesmo após muitas investigações, não foi encontrada nenhuma pessoa que admitisse tê-la visto com os próprios olhos. Nessa situação, o início do mês lunar não será comprovado.

10. Se for dito que uma pessoa avistou a lua de Ramadan, mas seu testemunho não for admissível segundo a Sharia, e ninguém além dela tiver visto a lua, os habitantes da cidade ou da aldeia não jejuarão com base em sua declaração. Contudo, ela deverá jejuar, pois o jejum é obrigatório para ela. Depois que completar trinta jejuns e a lua do Eid não for avistada, ela jejuará por trinta e um dias e celebrará o Eid com os habitantes da aldeia.

11. Se, por alguma razão, a lua não for avistada em determinado lugar e chegar a notícia de que ela foi avistada em outro lugar, se essa notícia for aceitável segundo a Sharia, tanto a lua de Ramadan quanto a lua do Eid serão comprovadas por meio dela. Será necessário que os responsáveis muçulmanos verifiquem essas notícias e, se forem aceitáveis segundo a Sharia, providenciem sua divulgação na cidade.

12. Se o avistamento da lua for comprovado pelo testemunho de duas pessoas confiáveis e dignas de confiança, e as pessoas jejuarem de acordo com isso, mas, após completarem trinta jejuns, a lua do Eid não for avistada, elas celebrarão o Eid no trigésimo primeiro dia. Nesse dia, não será permitido jejuar.

Jejuar após avistar a lua nova

Hazrat Abdullah ibn Umar (r.a.) disse que, quando o Profeta (s.a.w.) avistava a lua nova, dizia:

********** Árabe ************

Allah é o Maior. Ó Allah, faze esta lua surgir para nós como a lua da segurança, da fé e do Islã. Concede-nos a capacidade de realizar aquilo que Te agrada e é querido por Ti. Ó lua! O teu Senhor e o nosso Senhor é o Deus único, Allah. (Tirmidhi e Darimi)

Tipos de jejum e suas regras

Há seis tipos de jejum, cuja descrição detalhada e cujas regras é necessário conhecer.

(1) Fard, (2) wájib, (3) sunna, (4) nafl, (5) makruh, (6) haram.

1. Jejum obrigatório— O jejum do Ramadã é o único jejum obrigatório para os muçulmanos durante o ano (de acordo com a lua, 30 ou 29 dias). Há provas claras, provenientes do Alcorão e dos hadiths, de que o jejum do Ramadã é obrigatório. A umma muçulmana tem praticado isso continuamente ao longo de toda a história. Quem negar que o jejum do Ramadã é obrigatório será um incrédulo e será expulso do Islã. E quem abandonar o jejum sem uma justificativa será um fásiq e um grande pecador. Se o jejum do Ramadã não for realizado por algum motivo ou por negligência, também será obrigatório compensá-lo. Essa obrigação não se restringe a um período específico: deve ser cumprida assim que houver oportunidade. Pelo contrário, deve-se realizá-la o quanto antes.

2. Jejum wájib— O jejum feito em cumprimento de um voto e o jejum de expiação são wájib. Se alguém fizer um voto de jejuar em um dia específico, deverá jejuar nesse dia. Se não especificar o dia, poderá jejuar no dia que desejar. Não é correto adiá-lo sem motivo.

3. Jejum sunna— O jejum que o Profeta (que a paz esteja com ele) praticou pessoalmente e recomendou é sunna. Há uma grande recompensa por praticá-lo. Contudo, não é sunna mu’akkada, e não haverá pecado por não praticá-lo. Os jejuns sunna são os seguintes:

  • O jejum de Ashura. Isto é, dois jejuns: no nono e no décimo dia de Muharram.
  • Jejum do dia de Arafah. Isto é, jejuar no nono dia de Zul-Hijjah.
  • Jejum dos Ayyam al-Bid. Isto é, jejuar nos dias 13, 14 e 15 do mês lunar.

4. Jejum nafl— Com exceção dos jejuns fard, wajib e sunnah, todos os demais jejuns são nafl ou mustahabb. O jejum nafl é aquele cuja prática regular proporciona uma grande recompensa. Por exemplo:

  • Os seis jejuns do mês de Shawwal.
  • Os jejuns das segundas e quintas-feiras.
  • O jejum do dia 15 de Sha’ban.
  • Os primeiros oito jejuns do mês de Zul-Hijjah.

5. Jejum makruh —

  • Jejuar somente no sábado ou no domingo.
  • Jejuar somente no dia de Ashura.
  • Jejuar sem a permissão do marido.
  • Jejuar continuamente, sem deixar passar nenhum dia, o que é chamado de sawm al-wisal.

6. Jejuns proibidos — é proibido jejuar em cinco dias do ano।

  • Jejuar no dia do Eid al-Fitr.
  • Jejuar no dia do Eid al-Adha.
  • Jejuar nos dias de Tashriq, isto é, nos dias 11, 12 e 13 de Zul-Hijjah, é proibido.

Condições do jejum

As condições do jejum são de dois tipos:

  • Condições para que o jejum seja válido.
  • Condições para que o jejum seja obrigatório.

As coisas necessárias para que o jejum seja válido são chamadas de condições de validade, e as necessárias para que ele seja obrigatório são chamadas de condições de obrigatoriedade.

Condições para que o jejum seja obrigatório

1. Ser muçulmano. O jejum não é obrigatório para o incrédulo.

2. Ter atingido a puberdade. O jejum não é obrigatório para o menor de idade.

Certamente, deve-se ordenar que meninos e meninas menores de idade jejuem para que adquiram esse hábito. Assim como o hadith incentiva a criação do hábito de realizar a oração, ele também encoraja o jejum. Somente aqueles que conseguem suportar a fome e a sede devem ser instruídos a jejuar. Não é bom exagerar nesse assunto.

3. Ter conhecimento de que o jejum do Ramadã é obrigatório.

4. Não estar isento nem incapacitado. Isto é, não ter nenhuma desculpa que permita deixar de jejuar, como viagem, velhice, doença, jihad etc.

Condições para a validade do jejum

1. Islam. O jejum do incrédulo não é válido.

2. As mulheres devem estar purificadas da menstruação e do nifas.

3. Formular a niyyah. Isto é, ter no coração a intenção de jejuar. Se alguém se abstiver durante todo o dia, sem ter a intenção de jejuar, das coisas das quais foi ordenado que se abstivesse, seu jejum não será válido.

As obrigações do jejum

Durante o jejum, é obrigatório abster-se de três coisas desde o Subh-e-Sadiq até o pôr do sol.

1. Abster-se de comer qualquer coisa.

2. Abster-se de beber qualquer coisa.

3. Abster-se de satisfazer o desejo sexual.

A satisfação do desejo sexual inclui toda relação sexual que provoque ejaculação, seja por meio da relação com a esposa, seja por atividade sexual com qualquer pessoa, animal ou outro ser, ou ainda por meio da masturbação. Em suma, é necessário abster-se de tudo isso. Contudo, não é obrigatório abster-se de olhar para a própria esposa, acariciá-la, abraçá-la ou beijá-la, pois isso não provoca ejaculação.

A Sunnah e os atos mustahabb do jejum

1. É Sunnah preparar o suhur, mesmo que sejam algumas tâmaras ou um gole de água.

2. É mustahabb comer durante o suhur, quando resta pouco tempo para o Subh-e-Sadiq.

3. É recomendável fazer a intenção do jejum durante a noite.

4. É recomendável fazer o iftar rapidamente, isto é, logo após o pôr do sol, sem demora.

5. É recomendável fazer o iftar com tâmaras maduras ou água.

6. É sunna não praticar maledicência, intriga, mentira, ira nem excessos. Naturalmente, também não é correto praticar essas coisas em outros momentos. Porém, durante o jejum, deve-se esforçar ainda mais para se manter afastado delas.

Quais são as causas que invalidam o jejum

Durante o jejum, é obrigatório abster-se de três coisas, a saber:

(1) não comer nada; (2) não beber nada; e (3) não satisfazer o desejo sexual. É obrigatório abster-se dessas coisas.

Portanto, o jejum é invalidado pela prática de qualquer ato contrário a essas três obrigações mencionadas acima. As coisas que invalidam o jejum dividem-se em dois tipos: primeiro, aquelas que tornam obrigatório apenas o qadā; segundo, aquelas que tornam obrigatórios tanto o qadā quanto o kaffāra.

Alguns princípios sobre quando a kaffara se torna obrigatória

1. Se algo for introduzido deliberadamente no estômago e houver a suposição de que isso é benéfico, seja alimento, medicamento ou qualquer ação cujo prazer seja semelhante ao da relação sexual, nestes casos tanto o qada quanto a kaffara se tornam obrigatórios.

2. Se algo entrar no estômago por si só, sem que se suponha que seja benéfico, ou se for realizada uma ação cujo prazer não seja semelhante ao da relação sexual, somente o qada será obrigatório.

3. A kaffara só se torna obrigatória quando o jejum do Ramadã é invalidado. Se qualquer outro jejum, fora do Ramadã, for invalidado, a kaffara não será obrigatória, quer tenha sido invalidado por engano, quer deliberadamente.

4. Se o jejum de qada do Ramadã for invalidado, a kaffara não será obrigatória; a kaffara só se torna obrigatória quando o jejum é invalidado durante o mês do Ramadã.

5. Se uma pessoa não reunir as condições para que o jejum seja obrigatório, a kaffara não será obrigatória mesmo que seu jejum seja invalidado. Por exemplo, o jejum do viajante e o jejum das mulheres menstruadas ou em estado pós-parto. Isso se aplica mesmo que o viajante tenha formulado a intenção de jejuar antes de iniciar a viagem, e que a mulher menstruada ou em estado pós-parto tenha formulado a intenção antes do início da menstruação ou do estado pós-parto.

6. Se qualquer ação ocorrer involuntariamente — por exemplo, alguém comer algo por engano, praticar relação sexual, a água entrar subitamente na garganta ao fazer o gargarejo, ou alguém for forçado a praticar relação sexual — a kaffara não será obrigatória em nenhum desses casos.

7. Na relação sexual, não é condição que tanto a pessoa que a pratica quanto aquela sobre quem ela é praticada sejam lúcidas. Entre as duas, a kaffara será obrigatória para aquela que for lúcida e realizar o ato voluntariamente. Se a mulher for lúcida, ela deverá oferecer a kaffara, e não o homem. Se o homem for lúcido, ele deverá oferecer a kaffara; a kaffara não será obrigatória para a mulher mentalmente insana.

8. Se uma mulher tiver relações sexuais com um menino menor de idade ou com um louco, tanto o qada quanto a kaffara serão obrigatórios para ela.

9. Se alguém comer ou beber durante o Ramadã sem ter a intenção de jejuar, a kaffara não será obrigatória para ele; somente o qada será obrigatório. A kaffara só será obrigatória se ele quebrar o jejum depois de ter formulado a intenção de jejuar.

10. Se alguém quebrar o jejum por causa de uma dúvida, não terá de oferecer kaffara.

Casos em que é necessário apenas repor o jejum

1. Alguém acordou tarde e comeu, pensando que ainda havia tempo para o suhur. Depois, viu que já havia amanhecido. Nesse caso, será obrigatório repor esse jejum.

2. Se alguém fizer o iftar antes do pôr do sol, pensando que o sol já havia se posto, terá de repor o jejum.

3. Se algo entrar involuntariamente no estômago — por exemplo, se ao gargarejar a água descer pela garganta; se um medicamento colocado no nariz ou no ouvido chegar ao estômago; ou se um medicamento aplicado em uma ferida no abdômen ou na cabeça penetrar no abdômen ou na cabeça — nesses casos, será obrigatório repor o jejum.

4. Se alguém forçado alimentar uma pessoa que esteja jejuando, ela terá de repor somente o jejum.

5. Se alguém tiver relações sexuais à força com uma mulher, ou tiver relações sexuais com uma mulher enquanto ela dormia profundamente ou estava inconsciente, somente a reposição do jejum será obrigatória para essa mulher.

6. Se um homem insensato tiver relações sexuais com uma mulher morta, uma menina muito jovem ou um animal, ou abraçar alguém, beijar ou se masturbar, e em qualquer dessas situações ejacular, somente a reposição do jejum será obrigatória.

7. Se alguém não tiver formulado a intenção de jejuar, mas se abstiver de comer e beber, ou formular a intenção somente depois do meio-dia, o jejum não será válido nessa situação, e a reposição será obrigatória.

8. Se, durante o jejum, lágrimas ou suor entrarem na boca de alguém, ele sentir o gosto salgado e os engolir, o jejum será invalidado e deverá ser reposto.

9. Se alguém adormecer com água na boca e despertar depois do verdadeiro amanhecer, deverá apenas repor o jejum; a expiação não será obrigatória.

10. Se alguém vomitar uma quantidade que encha a boca durante o jejum, o jejum será invalidado e deverá ser reposto.

11. Se alguém, durante o jejum, engolir uma pedra, um pedaço de ferro ou qualquer coisa que não seja consumida como alimento nem como remédio, o jejum será invalidado e deverá ser reposto.

12. Se uma mulher introduzir algum medicamento ou óleo em sua parte íntima durante o jejum, deverá apenas repor o jejum.

13. Se alguém, estando em jejum, comer algo por esquecimento e depois, pensando que o jejum havia sido invalidado, comer e beber deliberadamente, o jejum será invalidado e será obrigatório fazer a reposição, mas não a expiação.

14. Se alguém, estando em jejum, colocar óleo no ouvido ou tomar um purgante, o jejum será invalidado e será necessário apenas fazer a reposição.

15. Se uma mulher introduzir o dedo na vagina para tratamento ou algo semelhante, ou permitir que uma parteira o introduza, e depois retirar todo o dedo ou parte dele e introduzi-lo novamente, o jejum será invalidado e será obrigatório fazer a reposição. Mas, se não o introduzir novamente, porém o dedo ficar molhado com alguma coisa, o jejum será invalidado e será obrigatória a reposição somente pela primeira introdução. Da mesma forma, se uma mulher colocar algodão ou algo semelhante na vagina e ele entrar completamente, o jejum será invalidado e será obrigatório fazer a reposição.

16. Se alguém praticar, sem relação sexual, algum ato de prazer sexual que normalmente provoque ejaculação, e ocorrer ejaculação, o jejum será invalidado e será obrigatória apenas a reposição. Por exemplo, se alguém se masturbar; ou introduzir o pênis no umbigo, na coxa ou na axila da esposa e ejacular; ou praticar esse ato com um animal; ou se uma mulher tentar obter prazer sexual com outra mulher e ocorrer ejaculação, o jejum será invalidado e será obrigatória apenas a reposição.

17. Se, ao usar o miswak ou mesmo sem motivo, sair sangue dos dentes e a pessoa, estando em jejum, engoli-lo junto com a saliva, o jejum será invalidado e será obrigatório fazer a reposição. Porém, se a quantidade de sangue for menor que a de saliva e não for sentida na garganta, o jejum não será invalidado.

 

Situações em que tanto a reposição quanto a expiação são obrigatórias

1. Se alguém, vencido pelo desejo, praticar relação sexual durante o jejum, seja mulher ou homem, ou se um homem praticar relação homossexual, tanto a reposição quanto a expiação serão obrigatórias.

2. Se uma mulher se tornar companheira de leito de um homem e a glande do pênis penetrar em sua parte íntima, será obrigatória tanto a reposição quanto a expiação, ocorra ou não ejaculação.

3. Se algum tolo se deitar ao lado da esposa e introduzir o pênis no ânus dela, o jejum de ambos será invalidado, e tanto a qada quanto a kaffara serão obrigatórias.

4. Se alguém, estando em jejum, comer ou beber algo que normalmente é comido ou bebido, ou comer algo que não é usado como alimento, mas que ingeriu como medicamento, o jejum será invalidado, e tanto a qada quanto a kaffara serão obrigatórias.

5. Se a esposa estiver dormindo ou inconsciente e o marido tiver relações sexuais com ela, a qada e a kaffara serão obrigatórias para o marido, isto é, para o homem.

6. Se alguém fizer algo que não invalida o jejum, mas acreditar que o jejum foi invalidado e depois comer e beber, o jejum será invalidado, e deverá fazer tanto a qada quanto a kaffara.

Por exemplo, se alguém aplicar kohl, passar óleo na cabeça, abraçar uma mulher contra o peito ou beijá-la, e depois acreditar que o jejum foi invalidado e, em seguida, comer e beber deliberadamente, nesse caso tanto a qada quanto a kaffara serão obrigatórias.

Coisas que tornam o jejum makruh

Ou seja, a descrição das coisas que não invalidam o jejum, mas o tornam makruh. Esse makruh é tanzihi, não tahrimi.

1. Provar o sabor de alguma coisa. Contudo, se uma mulher, por necessidade, provar um alimento, ou o provar ao comprá-lo no mercado porque seu marido é muito mal-humorado e severo, ou se uma criada o provar por medo de seu patrão, o jejum não será makruh.

2. Mastigar alguma coisa ou simplesmente mantê-la na boca, como quando uma mulher mastiga algo para alimentar uma criança pequena, ou o mantém na boca para amolecê-lo ou esfriá-lo, não torna o jejum makruh. Naturalmente, fazer isso por necessidade é permitido. Por exemplo, se o filho de alguém estiver com fome, só comer aquilo que precisa ser mastigado na boca e não houver uma pessoa que não esteja jejuando, então, nessas circunstâncias, mastigar o alimento não tornará o jejum makruh.

3. Colocar os lábios de uma mulher na boca ou abraçá-la estando ambos nus é makruh — haja ou não receio de ejaculação ou de relações sexuais.

4. Enquanto se jejua, realizar qualquer atividade que enfraqueça tanto o corpo a ponto de haver receio de interromper o jejum é makruh.

5. Usar, ao fazer o gargarejo ou ao introduzir água no nariz, mais água do que o necessário.

6. Acumular saliva na boca e engoli-la sem motivo.

7. Demonstrar inquietação, ficar agitado e manifestar desequilíbrio mental.

8. Tornar-se necessário fazer o ghusl e haver oportunidade para fazê-lo, mas, sem motivo, não o realizar até depois do subh sadiq. Nesse caso, o jejum será makruh.

9. Escovar os dentes mastigando majun, pasta de dentes, carvão ou algo semelhante torna o jejum makruh.

10. Se, durante o jejum, alguém fizer calúnia, mentir, insultar, brigar ou exceder-se contra alguém, o jejum será makruh.

11. É makruh introduzir deliberadamente fumaça ou poeira na boca. Porém, se alguém queimar incenso e inalar sua fumaça, ou fumar um narguilé, bidi ou cigarro, o jejum será invalidado.

Coisas que não tornam o jejum makruh

1. Se alguém comer ou beber por esquecimento, sem se lembrar de que está jejuando — mesmo que tenha relações sexuais com a esposa por esquecimento, inclusive várias vezes, ou coma até ficar saciado — o jejum não será invalidado nem se tornará makruh.

2. Se, durante o jejum, ocorrer uma emissão noturna durante o dia e o ghusl se tornar obrigatório, ainda assim o jejum não será makruh.

3. É permitido aplicar surma durante o dia, passar óleo na cabeça, massagear o corpo com óleo e usar perfume. Mesmo que, depois de aplicar o surma, apareçam vestígios dele na expectoração ao tossir, o jejum não será invalidado.

4. Deitar-se com a esposa, abraçá-la e beijá-la são todos permitidos. Porém, se houver risco de ejaculação ou de relações sexuais por causa da excitação, tais atos serão makruh.

5. Cuspir e engolir a própria saliva não é makruh.

6. Se uma mosca entrar na garganta, ou se poeira ou fumaça entrarem involuntariamente, o jejum não se tornará makruh. Porém, se a pessoa ingerir essas coisas deliberadamente, o jejum será invalidado.

7. Se ocorrer ejaculação depois de olhar para as partes íntimas de uma mulher ou depois de surgir desejo sexual no coração, o jejum não se tornará makruh.

8. Mesmo que ocorra ejaculação após tocar o órgão sexual feminino de um animal, o jejum não será invalidado.

9. É permitido aplicar óleo, água ou medicamento no orifício do órgão sexual masculino, introduzi-los por meio de uma seringa, ou inserir um palito de fósforo ou um bastão de surma; com isso, o jejum não se tornará makruh.

10. Se alguém introduzir um dedo ou um pedaço de madeira seca no ânus, e a madeira seca não penetrar mais profundamente, o jejum não será invalidado.

11. Se alguém pensar que ainda é noite e tiver relações sexuais com a esposa, ou iniciar a relação sexual sem se lembrar de que está jejuando, e então de repente perceber que já surgiu a alvorada verdadeira ou se lembrar do jejum, interrompendo imediatamente a relação sexual, e mesmo depois de se afastar da esposa ocorrer ejaculação, o jejum ainda não será invalidado. Essa ejaculação será considerada como a ejaculação decorrente de uma emissão noturna involuntária.

12. Se entrar água no ouvido, ou se a pessoa colocar água deliberadamente, o jejum não se tornará makruh.

13. Se permanecer entre os dentes algum alimento, um pedaço de carne, alguma fibra ou um pedaço de noz-de-areca, e a pessoa não o retirar da boca, mas o engolir, então, se a quantidade for menor que um grão-de-bico, o jejum não será invalidado.

14. Se, apesar de não querer, a pessoa vomitar enchendo a boca — pouco ou muito — o jejum não será makruh. Mesmo que algo entre no estômago involuntariamente, o jejum não será makruh.

15. Se a pessoa usar o miswak em qualquer momento enquanto estiver jejuando, seja ele seco, úmido ou fresco, mesmo que sinta o sabor amargo de um miswak fresco de nim, o jejum não será makruh.

16. No calor intenso, não será makruh fazer bochechos, colocar água no nariz, lavar as mãos e o rosto, tomar banho ou vestir uma roupa molhada.

17. Depois de comer paan, a pessoa fez bochechos e gargarejou bem, mas ainda se percebe uma tonalidade avermelhada na saliva; isso não torna o jejum makruh.

18. Se a pessoa provocar o vômito intencionalmente, mas ele for pouco e não encher a boca, o jejum não será invalidado nem será makruh.

19. Se sair sangue da boca ao usar o miswak ou espontaneamente, e ele for engolido, mas a quantidade de sangue for menor que a saliva e não se sentir o gosto de sangue na garganta, o jejum não será invalidado.

Questões sobre a intenção do jejum

1. Fazer a intenção significa decidir mentalmente; não é necessário expressá-la verbalmente, bastando a intenção no coração. Na verdade, comer o sahur substitui a intenção, pois o sahur é feito justamente para jejuar. Contudo, para aqueles que normalmente têm o hábito de comer nesse horário, ou para os ignorantes que comem regularmente o sahur, mas não jejuam, é necessário formular a intenção.

2. É necessário formular uma intenção separada para cada jejum do Ramadã. Não basta formular uma única intenção para todo o Ramadã.

3. Para o jejum corrente do Ramadã, não é necessário formular a intenção especificando que ele é obrigatório; basta formular a intenção de jejuar. Contudo, se um doente jejuar no Ramadã, deverá formular a intenção antes do amanhecer, pois o jejum do Ramadã não é obrigatório para ele. Se ele formular apenas a intenção de jejuar ou a intenção de um jejum voluntário, seu jejum não será considerado jejum do Ramadã.

4. É necessário que o viajante não formule, durante o Ramadã, a intenção de outro jejum obrigatório. Não será válido que formule a intenção do jejum obrigatório do Ramadã ou de um jejum voluntário.

5. Para o jejum de reposição do Ramadã, é necessário formular especificamente a intenção antes do amanhecer.

6. Se alguém esquecer de formular à noite a intenção de jejuar e se lembrar durante o dia, será válido formular a intenção antes do meio-dia em três tipos de jejum:

a. para o jejum corrente do Ramadã;

b. para os jejuns de voto cuja data foi especificada;

c. para o jejum voluntário.

7. Para os quatro tipos de jejum mencionados abaixo, é necessário formular a intenção entre o pôr do sol e a alvorada verdadeira. Formular a intenção depois da alvorada verdadeira não é suficiente.

a. No jejum de reposição do Ramadã.

b. Nos jejuns votivos cuja data não foi especificada.

c. No jejum expiatório.

d. Na reposição dos jejuns voluntários que, depois de iniciados, foram invalidados por algum motivo.

8. À noite, não tinha a intenção de jejuar. Pela manhã, também não pensava em jejuar; depois, antes do meio-dia, de repente lembrou-se de que não seria correto deixar de jejuar no Ramadã e formulou apressadamente a intenção. Nesse caso, o jejum será válido. Porém, se tiver comido alguma coisa pela manhã, já não haverá qualquer possibilidade de formular a intenção.

9. Durante o mês do Ramadã, se alguém formular a intenção de jejuar um jejum voluntário em vez do jejum obrigatório, pensando que depois reporá o jejum obrigatório, ainda assim esse jejum será considerado o jejum do Ramadã; não será um jejum voluntário. Do mesmo modo, se formular a intenção de um jejum obrigatório em vez de um jejum voluntário, ainda assim será o jejum do Ramadã. O princípio é que, no Ramadã, somente o jejum obrigatório do Ramadã será válido; nenhum outro jejum será válido.

10. O jejum começa na alvorada verdadeira. Portanto, antes da alvorada verdadeira são permitidas todas aquelas coisas das quais é obrigatório abster-se durante o jejum. Algumas pessoas pensam que, depois de formular a intenção de jejuar, não é permitido comer ou beber. Isso não está correto. Antes da alvorada verdadeira, comer, beber e coisas semelhantes são permitidos, mesmo que a intenção de jejuar no dia seguinte tenha sido formulada logo após o pôr do sol.

11. Quando se formula a intenção de realizar um jejum voluntário, ele se torna obrigatório. Mesmo que, após formular a intenção pela manhã, o jejum seja interrompido, será obrigatório compensá-lo.

12. Alguém decidiu à noite jejuar no dia seguinte. Porém, mudou de ideia antes do amanhecer e não jejuou. Nesse caso, não será obrigatório compensá-lo.

13. Ao formular a intenção à noite, dirá: ….. em árabe …….. “Formulei a intenção de jejuar amanhã no mês do Ramadã.” Ao formular a intenção durante o dia, dirá: ………. em árabe …….. “Formulo a intenção de jejuar hoje no mês do Ramadã.” Contudo, não é obrigatório formular a intenção em árabe; pode-se dizê-la em qualquer idioma.

Suhur e Iftar

A refeição feita antes da alvorada verdadeira com o propósito de jejuar chama-se suhur. O Profeta (s) costumava preparar o suhur e também insistia para que outros tomassem o suhur. Hazrat Anas (r.a.) disse: durante o suhur, o Profeta (s) me dizia: “Dê-me algo para comer, pois desejo jejuar.” Então, eu lhe dava algumas tâmaras e uma tigela de água.

Ao insistir na observância do suhur, o Profeta (s) disse: “Tomai o suhur, pois nele há uma grande bênção.”

A bênção significa que não se sentirá fraqueza nas atividades do dia nem na adoração e no serviço religioso, e o jejum será fácil.

Certa vez, o Profeta (s) disse: “Buscai ajuda para jejuar durante o dia tomando o suhur, e buscai ajuda para a adoração noturna fazendo a sesta do meio-dia.”

Comer o suhur é uma sunnah. A diferença entre o jejum dos muçulmanos e o dos judeus e cristãos é que eles não comem o suhur, enquanto os muçulmanos o comem; se não houver fome, deve-se comer algo doce, ou beber leite ou água. Por isso, há uma grande recompensa em comer o suhur.

O Profeta (que a paz esteja com ele) disse: comer o suhur é uma bênção manifesta. Não se esqueçam de comer o suhur, ainda que seja apenas um gole de água. Pois Allah derrama Sua misericórdia sobre aqueles que comem o suhur, e os anjos pedem perdão por eles.

Atrasar o suhur

É mustahab atrasar o suhur até restar pouco tempo para o início da alvorada verdadeira. Muitas pessoas comem o suhur muito cedo por precaução. Isso não é bom. Há recompensa em atrasá-lo.

Adiantar o iftar

É mustahab adiantar o iftar. Isto é, depois que o sol se puser, não é apropriado atrasá-lo por precaução; ao contrário, deve-se fazer o iftar imediatamente. Essa precaução desnecessária faz desaparecer a mentalidade religiosa. Não é devoção fazer com que as pessoas se submetam desnecessariamente a dificuldades. Pelo contrário, devoção é obedecer ao mandamento de Allah sem discutir nem hesitar.

O Profeta (que a paz esteja com ele) disse: três coisas fazem parte da conduta profética:

1. Comer o suhur mais tarde.

2. Antecipar o iftar.

3. Colocar a mão direita sobre a mão esquerda durante a oração.

Hazrat Ibn Abi Awfa (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: Certa vez, estávamos viajando na companhia do Profeta (que a paz esteja com ele). Ele estava jejuando. Quando o sol desapareceu da vista, ele disse a um homem: “Levante-se e prepare sattu para mim.” O homem disse: “Ó Mensageiro de Allah, espere um pouco mais; seria melhor quando anoitecesse.” Ele ordenou: “Desça da montaria e prepare sattu para nós.” O homem disse novamente: “Ó Mensageiro de Allah, parece que ainda é dia.” Ele ordenou outra vez: “Desça da montaria e prepare sattu para nós.” Então o homem desceu e preparou sattu para todos. O Profeta (que a paz esteja com ele) comeu sattu e disse: “Quando virdes a escuridão da noite avançar daquela direção, o jejuador deve quebrar o jejum.” (Bukhari)

O Profeta (que a paz esteja com ele) disse: “Allah afirma: O servo que mais aprecio entre os Meus servos é aquele que se apressa a fazer o iftar.” (Tirmidhi) (Ou seja, não demoreis de modo algum depois do pôr do sol.)

O Profeta (que a paz esteja com ele) também disse: “As pessoas permanecerão em boas condições enquanto continuarem a antecipar o iftar.” (Bukhari, Muslim)

Com que é mustahab fazer o iftar

É mustahab fazer o iftar com tâmaras e tâmaras secas; caso contrário, é mustahab fazê-lo com água. O Profeta (que a paz esteja com ele) fazia pessoalmente o iftar com essas coisas.

Hazrat Anas (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: Antes da oração do Maghrib, o Profeta (que a paz esteja com ele) fazia o iftar com algumas tâmaras demolhadas. Caso contrário, com tâmaras secas. E, se isso também não fosse possível, bebia alguns goles de água. (Tirmidhi, Abu Dawud)

O Profeta (s) incentivava os nobres Companheiros a fazer o iftar com essas coisas. Ele dizia: “Quando algum de vós jejuar, que faça o iftar com tâmaras; caso contrário, com água. Na verdade, a água é extremamente pura.” (Ahmad, Tirmidhi, Abu Dawud)

As tâmaras eram um alimento apreciado pelos árabes, e tanto os ricos quanto os pobres podiam obtê-las facilmente. Quanto à água, ela é abundante em toda parte. O significado de incentivar o iftar com essas coisas é que a ummah não enfrente dificuldades ou inconvenientes e possa quebrar o jejum facilmente no horário apropriado. O Profeta (s) mencionou como uma característica da água que ela é tão pura que tudo pode ser purificado por meio dela. Sua pureza exterior é evidente; além disso, ela também proporciona pureza espiritual. Quando o jejuador permanece sedento durante todo o dia, com fé consciente, buscando a satisfação de Allah, e sacia a sede ao pôr do sol com água fresca, surge espontaneamente nele o desejo de demonstrar gratidão. Por meio disso, ele tem a bênção de iluminar seu interior, ou seja, seu aspecto espiritual.

No entanto, deve-se ter em mente que é absolutamente errado exagerar nesse assunto e considerar contrário à taqwa fazer o iftar com qualquer outra coisa. Também é errado pensar que fazer o iftar com sal é uma ação de grande recompensa.

Súplica do iftar

*******Árabe*********

Ó Allah, jejuei por Ti e fiz o iftar com o sustento que Tu me deste.

Súplica após o iftar

*******Árabe*********

A sede se foi, as veias foram umedecidas e, se Allah quiser, a recompensa certamente será concedida. (Abu Dawud)

A recompensa por oferecer o iftar

Oferecer o iftar a outra pessoa também é uma prática recomendável, e quem oferece o iftar recebe uma recompensa equivalente à do jejuador. Seja oferecendo ao jejuador duas bocadas de comida, seja fazendo-o quebrar o jejum com apenas uma tâmara.

O Profeta (que a paz esteja com ele) disse: quem oferecer o iftar a um jejuador receberá uma recompensa igual à do jejuador. (Bayhaqi)

Jejuar sem fazer o suhur

Mesmo que a pessoa não acorde à noite para o suhur, deve jejuar. Não jejuar por não ter feito o suhur é atitude de covarde. Abandonar o jejum por não ter feito o suhur é um grande pecado.

Se alguém acordar certa vez tarde e, pensando que ainda resta noite, comer e beber um pouco, mas depois descobrir que comeu e bebeu após o início da alvorada verdadeira, nessa situação, embora o jejum não seja válido, deverá permanecer como um jejuador e não poderá comer nem beber.

Se a pessoa acordar tão tarde que houver dúvida sobre se a alvorada verdadeira já começou, comer e beber nesse momento é makruh; e comer e beber depois de surgir essa dúvida é pecado. Mais tarde, se ficar comprovado que a alvorada verdadeira já havia começado, será obrigatório compensar o jejum. Porém, se a dúvida permanecer, a compensação não será obrigatória. Ainda assim, por precaução, deverá compensá-lo.

 

As desculpas que permitem não jejuar

São dez as desculpas que permitem não jejuar. Seus detalhes são os seguintes:

(1) Viagem, (2) doença, (3) gravidez, (4) amamentação, (5) intensidade da fome e da sede, (6) velhice e fraqueza, (7) temor pela própria vida, (8) jihad, (9) perda de consciência, (10) perturbação mental.

1. Viagem

A Shariah levou em consideração a facilidade para o servo em todas as suas determinações. Em nenhum assunto ele foi submetido desnecessariamente a dificuldades e restrições. De fato, ao declarar no Alcorão Sagrado a obrigatoriedade do jejum, foram consideradas a incapacidade do viajante e do enfermo, e foi concedida permissão para não jejuar.

*******Árabe*********

Portanto, quem dentre vós presenciar este mês deverá jejuar. E quem estiver enfermo ou em viagem deverá jejuar em outros dias, completando assim a quantidade. (Surata Al-Baqarah: 185)

1. Seja qual for o propósito da viagem, e disponha ela de todos os tipos de conforto ou exija suportar sofrimento e dificuldades, o viajante tem permissão para não jejuar em qualquer situação. Contudo, quando a viagem não apresenta nenhuma dificuldade, é preferível jejuar, para alcançar as virtudes e as bênçãos do Ramadan. Mas, havendo aflição e dificuldade, é melhor não jejuar.

2. Se alguém partir em viagem depois de fazer a intenção do jejum ou depois de o jejum já ter começado, será obrigatório compensar o jejum desse dia. Contudo, se quebrar o jejum, não terá de oferecer expiação.

3. Se um viajante se tornar residente em algum lugar antes do meio-dia e, até esse momento, não tiver feito nada que invalide o jejum, também será obrigatório que jejue nesse dia; porém, se invalidar o jejum, não terá de oferecer expiação.

4. Se um viajante pretender tornar-se residente em algum lugar, mesmo que pretenda ficar menos de quinze dias, ainda assim é preferível que jejue; não jejuar nesses dias é censurável. Mas, se pretender permanecer quinze dias, então não lhe será permitido deixar de jejuar.

2. Doença

1. Se houver receio de que o jejum cause alguma doença, ou se houver a suspeita de que a doença se agravará por falta de medicamento ou de alimento, ou ainda se houver a suspeita de que a recuperação da saúde será retardada, é permitido não jejuar nessas situações. Contudo, deve-se saber que é necessário haver uma razão válida para tal suspeita. Por exemplo, um médico piedoso e experiente pode aconselhar isso, ou a própria pessoa pode ter passado repetidamente por essa experiência, ou pode haver uma forte probabilidade. Não é permitido deixar de jejuar com base em uma mera suspeita infundada.

2. Se alguém tiver apenas a própria suposição de que talvez o jejum cause ou agrave uma doença, sem ter qualquer experiência anterior, e sem ter consultado um médico ou um hakim experiente, e por isso não jejuar, será pecador e também terá de oferecer expiação.

3. Também não é correto seguir o conselho de um médico irreligioso que não reconhece a dignidade e a importância da Sharia.

3. Gravidez

1. Se uma mulher tiver forte convicção de que jejuar causará dano ao filho que está em seu ventre ou a ela própria, é-lhe permitido não jejuar.

2. Se, depois de fazer a intenção de jejuar, uma mulher descobrir que engravidou e tiver clara convicção de que jejuar lhe fará mal, é-lhe permitido interromper o jejum. Depois, deverá fazer o qadā. Não terá de oferecer kaffāra.

4. Amamentação

1. Se, ao amamentar enquanto jejua, houver forte convicção de que a mãe sofrerá um dano grave — por exemplo, que o leite secará e o bebê se debaterá de fome — ou houver temor pela própria vida, é-lhe permitido não jejuar.

2. Se for possível alimentar o bebê com leite mediante pagamento e ele também aceitar o leite de outra pessoa, não é válido deixar de jejuar; mas, se o bebê não aceitar de modo algum o leite de outra pessoa, é permitido não jejuar.

3. Aquela que amamenta mediante pagamento também pode deixar de jejuar se tiver forte convicção de que, por jejuar, seu bebê ou ela própria sofrerá dano.

4. Uma mulher começou a amamentar justamente no dia de Ramadã. Mesmo que tenha feito a intenção de jejuar naquele dia, é permitido que não jejue. Pelo rompimento do jejum, deverá fazer o qadā; a kaffāra não será obrigatória.

5. Intensidade da fome e da sede

Uma pessoa não está propriamente doente, mas ficou tão debilitada por causa da doença que há um forte receio de que volte a adoecer se jejuar; nesse caso, é-lhe permitido não jejuar.

6. Debilidade e velhice

Uma pessoa ficou extremamente debilitada devido à velhice. É-lhe permitido não jejuar. E não se pode esperar que uma pessoa assim se recupere e faça o jejum em atraso. Por isso, é obrigatório que ofereça a fidya do jejum, seja imediatamente ou mais tarde. A quantidade da fidya é igual à sadaqat al-fitr.

7. Receio pela própria vida

Se houver receio pela própria vida devido a trabalho árduo, ou se alguém obrigar uma pessoa, dizendo que a matará caso jejue, ou que a espancará cruelmente, ou que lhe amputará algum membro, também é permitido a essa pessoa não jejuar.

8. Jihad

Se alguém tiver a intenção de fazer jihad contra os inimigos da religião e considerar que ficará debilitado se jejuar, é-lhe permitido não jejuar.

*Também é permitido não jejuar quando a jihad estiver efetivamente em curso.

*Mesmo que, de fato, não esteja ocorrendo jihad, mas haja temor de um confronto iminente, também é permitido nessa situação.

*Se, depois de iniciar o jejum, a pessoa se deparar com tal situação, também lhe será permitido interromper o jejum. Ela não terá de oferecer kaffara.

9. Perda de consciência

Se alguém perder a consciência e permanecer inconsciente por vários dias, deverá repor os jejuns que deixar de observar nesse estado. Contudo, se, no dia seguinte à noite em que perdeu a consciência, não praticar nenhum ato que invalide o jejum, e também se souber se fez ou não a intenção de jejuar, o jejum daquele dia será considerado válido e não precisará ser reposto. Naturalmente, deverá repor os jejuns dos dias seguintes.

10. Perturbação mental

Se alguém enlouquecer e não puder jejuar, há duas possibilidades:

Uma — a loucura não melhora em momento algum. Nessa situação, o jejum é totalmente perdoado; não é necessário fazer reposição nem oferecer fidya.

Duas — em algum momento a loucura melhora. Nesse caso, será necessário fazer a reposição.

Situações em que é permitido interromper o jejum

1. É permitido interromper o jejum quando alguém fica subitamente inconsciente devido a uma doença que põe sua vida em risco, ou quando se fere em um acidente de carro, ou cai de um lugar alto e seu estado se torna grave.

2. Se alguém adoecer subitamente, sem risco de vida, mas houver o receio de que a doença se agrave muito caso não interrompa o jejum, é permitido interrompê-lo nessa situação.

3. Se alguém sentir uma fome ou sede tão intensa que, sem comer ou beber algo, houver risco de perder a vida, é permitido interromper o jejum nessa situação.

4. Se uma mulher grávida sofrer um acidente que coloque em risco a sua própria vida ou a vida do bebê em seu ventre, ela tem a opção de interromper o jejum.

5. Se alguém for picado por uma cobra e precisar imediatamente de medicamentos, deve interromper o jejum nessa situação.

6. Apesar de estar fraco, alguém decide corajosamente jejuar. Depois, percebe que, se não interromper o jejum, sua vida poderá correr perigo ou a doença poderá se agravar gravemente. Nessa situação, é permitido interromper o jejum.

Questões relativas aos jejuns de compensação

1. Não se deve atrasar desnecessariamente a reposição dos jejuns do Ramadã que não foram cumpridos por algum motivo. Quanto mais cedo forem repostos, melhor.

2. Quer se trate de jejuns do Ramadã ou de outros jejuns, não é obrigatório repô-los consecutivamente. Também não é obrigatório repô-los assim que cesse a justificativa; basta repô-los quando houver oportunidade.

3. Não é obrigatório repor os jejuns na ordem. Por exemplo, pode-se cumprir o jejum corrente do Ramadã sem antes repor os jejuns pendentes.

4. Não é obrigatório especificar o dia ou a data para realizar um jejum de reposição. Deve-se jejuar a quantidade de dias correspondente ao número de jejuns que ficaram por repor.

5. Se houver jejuns pendentes de dois anos do Ramadã, é obrigatório especificar os jejuns de qual ano estão sendo repostos. Para isso, deve-se formular a intenção de que se está cumprindo a reposição dos jejuns de determinado ano.

6. Para realizar um jejum de reposição, é obrigatório formular a intenção durante a noite. Se a intenção de repor o jejum for formulada depois do amanhecer verdadeiro, ela não será válida. Esse jejum será considerado voluntário, e o jejum de reposição deverá ser realizado novamente.

7. Alguns jejuns do Ramadã ficaram pendentes, mas não houve oportunidade de repô-los e chegou outro Ramadã. Nesse caso, deve-se primeiro jejuar o Ramadã corrente e repor os jejuns pendentes posteriormente.

8. Alguém jejuou durante o dia, pensando que era o Ramadã por causa de uma dúvida. Mais tarde, descobriu-se que aquele dia era 30 de Sha’ban. Portanto, esse jejum será considerado voluntário, embora seja makruh. Se esse jejum for interrompido, sua reposição não será obrigatória.

Questões relativas à kaffara

Quando o jejum do Ramadã é invalidado, a kaffara consiste em jejuar durante sessenta dias consecutivos. Se algum jejum for interrompido nesse período, deve-se recomeçar e jejuar novamente sessenta dias consecutivos. O jejum interrompido no meio não será contado.

Se, por alguma razão, alguém não puder jejuar, deverá alimentar sessenta necessitados até que se saciem em duas refeições.

1. No caso das mulheres, há a facilidade de que, se o jejum for interrompido durante o período menstrual, a continuidade não será anulada. Contudo, deve-se retomar o jejum assim que a menstruação terminar.

2. Se, durante o jejum da kaffara, ocorrer o estado de nifas, a continuidade será anulada. Será necessário recomeçar e jejuar novamente sessenta dias.

3. Se o mês do Ramadã chegar enquanto se está jejuando a kaffara, deve-se jejuar os jejuns do Ramadã. Depois, deve-se jejuar novamente sessenta dias consecutivos.

4. Se vários jejuns forem invalidados no mesmo Ramadã, uma única kaffara será obrigatória por todos os jejuns invalidados.

5. Uma kaffara tornou-se obrigatória para alguém. Antes de cumpri-la, outra kaffara tornou-se obrigatória. Nesse caso, uma única kaffara será obrigatória pelas duas, mesmo que essas duas kaffaras correspondam a dois Ramadãs diferentes. A condição é que os jejuns não tenham sido invalidados por relação sexual. Para cada jejum invalidado por relação sexual, uma kaffara separada será obrigatória.

6. No caso dos sessenta necessitados, deve-se observar que sejam adultos. Se for dada comida a uma criança pequena, será necessário alimentar novamente um necessitado adulto em seu lugar.

7. Em vez de oferecer comida, também é permitido dar grãos alimentícios. Ou pode-se dar o seu valor.

8. Ao alimentar os necessitados, o alimento deve ser de qualidade mediana — nem muito bom, nem ruim.

9. Não há problema se não se observar uma sequência ao alimentar os necessitados; a kaffara será válida.

10. Não será válido alimentar a mesma pessoa durante sessenta dias — o mesmo se aplica à entrega de grãos alimentícios ou de seu valor.

Fidya

Se alguém ficar muito fraco devido à velhice ou sofrer de uma doença grave da qual, aparentemente, não há esperança de recuperação, e não tiver força para jejuar, a Shariah permite que uma pessoa nessa condição deixe de jejuar. Em compensação por cada jejum, deverá dar fidya a um necessitado. A fidya pode ser cumprida oferecendo comida, dando a quantidade determinada de grãos alimentícios ou entregando o seu valor.

A quantidade da fidya

Dar a um pobre uma quantidade de grãos alimentícios equivalente à sadaqat al-fitr ou o seu valor. Em lugar de cada jejum, também é permitido alimentar uma pessoa necessitada duas vezes ao dia. Deve-se oferecer uma refeição de qualidade média.

Questões relativas à fidya

1. Mesmo depois de pagar a fidya, se o doente recuperar a saúde, será obrigatório compensar os jejuns. Allah concederá uma recompensa separada pela fidya que foi dada.

2. Se alguém tiver alguns jejuns a compensar e, no momento da morte, deixar instruções para que a fidya seja paga com os seus bens, a fidya será obrigatória se o total da fidya dos jejuns a compensar equivaler a um terço dos bens deixados. Por bens deixados entende-se aquilo que resta depois de arcar com as despesas do enterro e do sudário e, caso haja dívidas, depois de pagá-las; considera-se um terço desse restante. Se o valor da fidya for maior e o montante correspondente a um terço dos bens for menor, será permitido pagar mais do que um terço dos bens somente quando os herdeiros concordarem de bom grado. Não é necessária a permissão dos filhos menores de idade.

3. Se o falecido não tiver deixado instruções e os herdeiros pagarem a fidya por vontade própria, isso também será válido. Espera-se que Allah aceite a fidya.

4. A fidya de cada oração também é igual à fidya do jejum. Deve-se lembrar que há cinco orações diárias e, além delas, a oração do witr, ou seja, seis orações por dia.

5. Se, no momento da morte, alguém deixar instruções para que seja paga a fidya pelas orações, a regra será a mesma da fidya do jejum.

6. Se o herdeiro rezar ou jejuar em nome do falecido, isso não será válido.

7. Não é correto deixar de cumprir o jejum do Ramadã por causa de uma doença leve, ou pensar que depois cumprirá sua reposição, ou imaginar que, pagando a fidya, terá cumprido o direito do jejum.

O Profeta (que a paz esteja com ele) disse: se alguém deixar de cumprir sequer um jejum sem justificativa ou sem estar doente, mesmo que jejue pelo resto da vida, não compensará essa perda. (Tirmidhi, Abu Dawud)

Diversas disposições e regras do jejum

1. É necessário que aquele que, por algum motivo, não pôde jejuar não coma nem beba publicamente e mantenha exteriormente a aparência de alguém que jejua.

2. Se o jejum de uma pessoa que reúne todas as condições para que ele seja obrigatório e válido for invalidado por algum motivo, será wajib que, durante o restante do dia, ela se comporte como alguém que jejua e se abstenha de comer, beber e manter relações sexuais.

3. Se um viajante chegar à sua casa depois do meio-dia ou decidir estabelecer residência em algum lugar, será mustahabb que passe o restante do dia como alguém que jejua e se abstenha de comer e beber. Da mesma forma, se uma mulher se purificar da menstruação ou do sangramento pós-parto depois do meio-dia, também será mustahabb que se abstenha de comer e beber durante o restante do dia.

4. Se alguém invalidar intencionalmente o jejum, ou comer depois do início da alvorada verdadeira por pensar que ainda era noite, será wajib que passe o dia inteiro como alguém que jejua e se abstenha de comer e beber.

5. Se uma criança atingir a puberdade depois do meio-dia, ou se alguém se tornar muçulmano, será mustahabb que passe o restante do dia como alguém que jejua.

6. Se, depois de iniciar o jejum, uma mulher começar a menstruar, o jejum será invalidado. Porém, depois disso, ela deverá abster-se de comer e beber como uma pessoa que jejua.

Virtudes e preceitos dos jejuns voluntários

Os seis jejuns de Shawwal

Muitas virtudes desse jejum foram mencionadas nos hadiths. O Profeta (s) disse: “Quem jejuar durante o Ramadã e depois jejuar seis dias consecutivos de Shawwal será como se tivesse jejuado perpetuamente.” (Muslim, Abu Dawud)

O Profeta (s) também disse: “Quem jejuar durante o Ramadã e depois jejuar seis dias de Shawwal ficará purificado dos pecados como no dia em que sua mãe o deu à luz.” (Muslim, Abu Dawud)

Não é necessário jejuar esses dias consecutivamente depois do Eid. Eles podem ser jejuados de uma só vez ou com intervalos entre eles.

Contudo, é melhor começar esse jejum no sexto dia de Shawwal. Mas isso não é obrigatório. Ele pode ser realizado em qualquer momento do mês, quando for conveniente.

O jejum do dia de Ashura

O décimo dia de Muharram é chamado de Yawm Ashura ou Dia de Ashura. Nesse dia, os coraixitas de Meca também jejuavam e colocavam uma nova cobertura sobre a Caaba. Esse jejum era atribuído a Hazrat Ibrahim (a.s.). O Profeta (s) também jejuava nesse dia. Mais tarde, quando ele migrou para Medina, viu que os judeus também jejuavam nesse dia. Então, ele também jejuou nesse dia e exortou todos os companheiros a jejuarem.

Hazrat Ibn Abbas (r.a.) disse: quando o Profeta (s) chegou a Medina após a migração, viu os judeus jejuando no dia de Ashura. Então perguntou-lhes: “Que particularidade este dia tem para vocês, para que jejuem nele?” Eles responderam: “Este é um dia muito grandioso. Nesse dia, Allah salvou Hazrat Musa (a.s.) e seu povo, e afogou o Faraó e seus exércitos. Por isso, Musa (a.s.) jejuou nesse dia como demonstração de gratidão pela graça de Allah. Nós também jejuamos nesse dia por esse motivo.”

O Profeta (s) disse: “Nossa relação com Musa (a.s.) é mais próxima do que a de vocês, e temos mais direito de jejuar neste dia.”

Depois, o próprio Profeta (s) jejuou nesse dia e ordenou também à ummah que jejuasse. (Bukhari, Muslim)

É recomendável jejuar também no nono ou no décimo primeiro dia, junto com o décimo, para obter igualmente a virtude desse dia e não se assemelhar aos judeus.

Hazrat Ibn Abbas (r.a.) disse: o Profeta (s) começou ele próprio a jejuar nesse dia e exortou também os companheiros a jejuarem. Então os companheiros disseram: “Ó Mensageiro de Allah! Os judeus e os cristãos celebram esse dia como um grande dia. Se jejuarmos nele, estaremos nos assemelhando a eles.” Então ele disse: “No próximo ano, se Allah quiser, jejuaremos no nono dia.” Hazrat Ibn Abbas (r.a.) disse: “Entretanto, o Profeta (s) faleceu antes que chegasse o ano seguinte.” (Muslim)

O jejum do dia de Arafat

O nono dia do mês do Hajj é chamado de Yawm Arafah ou Dia de Arafat. Nos hadiths, são mencionadas muitas virtudes do jejum desse dia. O Profeta (s) disse: “Espero da essência de Allah que o jejum do dia de Arafat seja considerado uma expiação pelos pecados do ano seguinte e do ano anterior.” (Tirmidhi)

A recompensa pelo jejum do dia de Arafah equivale à de mil dias de jejum. (Tirmidhi)

O Profeta (que a paz esteja com ele) zelava pelo jejum neste dia. Os oito dias anteriores ao dia de Arafah também têm grande recompensa pelo jejum.

O Profeta (que a paz esteja com ele) disse: “Nenhum dia é mais amado por Allah do que os primeiros dez dias do mês de Dhu al-Hijjah. O jejum desses dez dias equivale ao jejum de todo o ano, e as orações voluntárias dessas noites equivalem às orações voluntárias da Noite do Decreto.”

O jejum dos Ayyam al-Bid

Os dias 13, 14 e 15 de cada mês lunar são chamados de Ayyam al-Bid. São alguns dias especiais da quinzena de lua crescente. Eles são chamados de Ayyam al-Bid — as datas inundadas por brilhante luar. O Profeta (que a paz esteja com ele) recomendava enfaticamente o jejum nesses dias.

Hazrat Qatadah ibn Malhan (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: “O Profeta (que a paz e as bênçãos estejam com ele) nos recomendava que jejuássemos nos dias 13, 14 e 15 do mês lunar. Ele dizia: ‘Esses três jejuns, em termos de recompensa, equivalem ao jejum contínuo.’” (Abu Dawud, Nasa’i)

O jejum das segundas e quintas-feiras

O Profeta (que a paz esteja com ele) jejuava pessoalmente às segundas e quintas-feiras e recomendava aos Companheiros que também jejuassem. Hazrat Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela) disse: “O Profeta (que a paz e as bênçãos estejam com ele) jejuava às segundas e quintas-feiras.” (Tirmidhi, Nasa’i)

Para incentivar a comunidade, o Profeta (que a paz esteja sobre ele) disse: “As ações são apresentadas às segundas e quintas-feiras. Desejo jejuar no dia em que minhas ações são apresentadas.” (Tirmidhi)

Certa vez, quando os Companheiros perguntaram ao Profeta (que a paz esteja sobre ele) sobre jejuar às segundas-feiras, ele respondeu: “Nesse dia nasci, e nesse mesmo dia começou a revelação do Alcorão para mim.” (Muslim)

Diversas questões sobre o jejum voluntário

1. Depois de iniciado, o jejum voluntário torna-se obrigatório. Se for invalidado ou interrompido por algum motivo, torna-se obrigatório compensá-lo.

2. Não é permitido interromper sequer um jejum voluntário sem uma justificativa. Contudo, o jejum voluntário pode ser interrompido por uma justificativa mais leve do que a necessária para interromper um jejum obrigatório.

3. Se alguém convidar uma pessoa que está jejuando para uma refeição, e houver receio de que o anfitrião fique descontente se o convidado não comer, ou de que o convidado não aceite comer deixando o anfitrião, ou de que o anfitrião se magoe se ele não comer, é permitido interromper o jejum nessa situação. Entretanto, a pessoa que estava jejuando deverá compensá-lo.

4. Para as mulheres, excetuando-se o jejum do Ramadã, jejuar qualquer outro jejum sem a permissão do marido é makruh tahrimi. Se uma mulher estiver jejuando e o marido lhe ordenar que interrompa o jejum, é obrigatório que ela o interrompa. Depois, ela também deverá compensar esse jejum com a permissão do marido.

5. Se alguém fizer um voto de jejuar em dias nos quais é proibido jejuar, como os dois dias de Eid, deverá jejuar em outro dia.

6. Alguém observou um jejum voluntário e recebeu um hóspede em sua casa. Se, nesse caso, não comer com o hóspede, este ficará descontente. Em tal situação, é permitido interromper o jejum voluntário.

7. Alguém formulou a intenção de jejuar no dia do Eid e jejuou. Também é recomendável que interrompa o jejum e faça sua compensação.

8. Não é correto jejuar um ou dois dias antes do Ramadã. O Profeta (que a paz esteja com ele) disse que ninguém deve jejuar um ou dois dias antes do Ramadã. Contudo, se alguém tiver o hábito de jejuar nesses dias, poderá fazê-lo. (Bukhari)

Exposição sobre a oração de Tarawih

Tarawih é o plural da palavra tarwiha. Seu significado é sentar-se brevemente para descansar. Em termos técnicos, significa sentar-se para descansar após cada quatro rak’ahs da oração sunnah realizada à noite no abençoado mês do Ramadã. Como nessa oração de vinte rak’ahs são feitos cinco tarawih, essa oração sunnah passou a ser chamada de Tarawih.

A regra da oração de Tarawih

A oração de Tarawih é uma sunnah mu’akkadah. O Profeta (que a paz esteja com ele) deu-lhe uma atenção especial, assim como os nobres Companheiros (que Allah esteja satisfeito com eles). Quem abandonar o Tarawih sem uma justificativa cometerá pecado. Ela é uma sunnah mu’akkadah tanto para homens quanto para mulheres. Também é preciso lembrar que a oração de Tarawih não depende do jejum. Ou seja, é errado pensar que o Tarawih é obrigatório quando se jejua naquele dia. São dois atos de adoração distintos. Aqueles que não podem jejuar por alguma justificativa ou incapacidade — por exemplo, por estarem doentes ou viajando, por não terem jejuado, ou, no caso de uma mulher, por não ter jejuado devido à menstruação ou ao puerpério, mas ter recuperado a pureza no horário do Tarawih — devem realizar o Tarawih. Se não o fizerem, inevitavelmente cometerão o pecado de abandonar a sunnah.

As virtudes da oração de Tarawih

No último dia do mês de Sha‘ban, o Profeta (s) proferiu um importante sermão dando as boas-vindas à chegada do mês de Ramadã. Ele disse: “Neste mês há uma noite que é melhor do que mil meses. Durante as noites deste mês, Allah, o Altíssimo, tornou a oração de Tarawih uma oração nafl. (Isto é, não fard, mas sunnah. Isso porque, em oposição ao fard, todas as orações sunnah e mustahabb são chamadas de nafl.) Quem realizar voluntariamente e com satisfação qualquer ato neste mês receberá uma recompensa e um sawab equivalentes aos da prática de qualquer عبادah fard dos outros meses.” (Mishkat — narrado por Salman al-Farisi (r). Este é um longo relato; aqui foi citada apenas uma parte.)

Em outro hadith, o Profeta (s) descreveu isso como um meio de obter o perdão. Ele disse: “Quem realizar a oração de Tarawih nas noites de Ramadã, movido pela fé e com a intenção de receber a recompensa da Vida Futura, terá todos os seus pecados perdoados.” (Bukhari, Muslim)

O horário da oração de Tarawih

A oração de Tarawih começa na noite em que é avistada a lua de Ramadã. Quando é avistada a lua de Eid al-Fitr, a oração de Tarawih termina. O horário da oração de Tarawih começa depois da oração de ‘Isha e permanece até antes do início do horário do Fajr. Se alguém realizar a oração de Tarawih antes da oração de ‘Isha, a Tarawih não será válida. Se alguém realizar a oração de Tarawih depois da oração de ‘Isha e, por algum motivo, tiver de repetir a oração de ‘Isha, deverá repetir também a oração de Tarawih. (Durr al-Mukhtar)

É mustahabb realizar a oração de Tarawih depois de passado um terço da noite, mas antes da meia-noite. Embora seja permitido realizá-la depois da meia-noite, isso contrariará a orientação de realizá-la mais cedo. (Ao responder à pergunta sobre qual é o melhor horário para a Tarawih, o erudito Sayyid Abul Ala Maududi (r) apresentou um argumento muito importante. Ele disse: “Há divergência quanto ao melhor horário para a Tarawih: o horário de ‘Isha ou o horário do Tahajjud? Há argumentos a favor de ambos. Porém, observa-se maior preferência pelo horário final. Mas o argumento importante a favor de dar preferência ao primeiro horário é que os muçulmanos podem realizar coletivamente a Tarawih logo no primeiro horário. Se for adotado o horário final, a grande maioria da Ummah ficará privada dessa recompensa, o que será uma perda enorme. Se algumas pessoas piedosas deixarem de participar da congregação no primeiro horário com o objetivo de obter a virtude do horário final, pode haver o receio de que o público desenvolva uma atitude hostil em relação a essas pessoas piedosas ou, por elas não participarem da congregação, o próprio público deixe de realizar a Tarawih. Ou então essas pessoas piedosas terão de alardear a realização do seu Tahajjud.” (Rasa’il o Masa’il, volume 3, p. 231)

A congregação da oração de Tarawih

Durante o Ramadã, o Profeta (s) conduziu a oração de Tarawih em congregação por três noites: nas noites 23, 25 e 27. Depois, ao perceber grande entusiasmo, fervor e devoção entre os Companheiros, não foi à mesquita. Os nobres Companheiros (r) pensaram que talvez ele tivesse adormecido. Então começaram a bater à sua porta. Ele lhes disse: “Que Allah aumente ainda mais a bênção do vosso entusiasmo e fervor. Não saí por receio de que esta oração pudesse tornar-se obrigatória para vós e de que não conseguísseis cumpri-la sempre. Portanto, continuai a realizar esta oração em vossas casas, pois realizar as orações nafl em casa traz maior recompensa e bênção.” (Bukhari)

Este hadith comprova que o próprio nobre Profeta (s) conduziu a Tarawih em congregação durante três noites. Por fim, o segundo califa, Hazrat Umar (r), estabeleceu formalmente a sua congregação, e os nobres Companheiros aceitaram-na de cabeça baixa. Posteriormente, nenhum califa se opôs a esta sunnah. Por isso, os eruditos consideraram esta congregação uma sunnah mu’akkadah kifayah. (Uma pessoa perguntou ao erudito Sayyid Abul Ala Maududi (r) sobre a congregação da oração de Tarawih. Ele respondeu detalhadamente e discutiu amplamente o assunto. A seguir, apresentam-se a pergunta e a sua resposta:)

Pergunta: Os eruditos religiosos geralmente dizem que é melhor realizar a oração de Tarawih no início do horário (junto com a oração de Isha) e que a oração de Tarawih em congregação é uma sunnah mu’akkadah kifayah. Isto é, se em algum bairro não se realizar a oração de Tarawih em congregação, todos os moradores do bairro serão pecadores. Mas, se mesmo duas pessoas a realizarem juntas na mesquita, o pecado de abandonar a congregação será perdoado em nome de todos. Isso está correto? Se assim for, por que isso não aconteceu na época de Hazrat Abu Bakr (que Allah esteja satisfeito com ele)? Então, qual será o julgamento sobre os muçulmanos daquele período? Eles eram pecadores por não realizarem a oração de Tarawih em congregação?

Resposta: Desde a época do Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) até o início do período de Hazrat Umar (que Allah esteja satisfeito com ele), não era prática estabelecida que todos realizassem a oração de Tarawih em uma única congregação. Pelo contrário, as pessoas talvez a realizassem em suas próprias casas ou em pequenas congregações separadas na mesquita. O que Hazrat Umar (que Allah esteja satisfeito com ele) fez foi eliminar essa dispersão e ordenar que todos realizassem a oração como uma única congregação. Hazrat Umar (que Allah esteja satisfeito com ele) tinha como argumento decisivo o fato de que o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) havia interrompido a continuidade disso, temendo que um dia se tornasse obrigatório. Depois do falecimento do Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), já não havia o receio de que alguma prática viesse a ser considerada obrigatória. Por isso, Hazrat Umar (que Allah esteja satisfeito com ele) estabeleceu-a como sunnah. Este foi um dos exemplos mais brilhantes da profunda compreensão de Hazrat Umar (que Allah esteja satisfeito com ele) sobre a religião: ele compreendeu corretamente a intenção do Legislador e, por isso, estabeleceu um método correto entre a comunidade. O fato de nenhum dos Companheiros ilustres (que Allah esteja satisfeito com eles) ter levantado objeção a esse respeito, mas, ao contrário, tê-lo aceitado humildemente, prova que ele compreendeu corretamente a intenção do Legislador: que essa prática não fosse incluída entre as obrigações.

Há evidência de que, pelo menos uma vez, ele não participou da oração de Tarawih. Certa vez, saiu com Abdur Rahman bin Abdur e, ao ver as pessoas realizando a oração de Tarawih na mesquita, elogiou-as. Com base nisso, os eruditos dizem que, se em um bairro não se realiza de modo algum a oração de Tarawih em congregação, todos os moradores desse bairro serão pecadores. Portanto, como a oração de Tarawih é uma sunnah do Islã que vem sendo praticada por toda a comunidade desde a época do Califado Bem-Guiado, abandonar uma prática tão importante do Islã, e abandoná-la conjuntamente com todos os moradores do bairro, é um sinal de indiferença para com a religião. Se isso fosse aceito, haveria o receio de que, gradualmente, todos os ritos e práticas do Islã desaparecessem.

O número de rak‘ahs da oração de Tarawih

Está comprovado pelo consenso dos Companheiros que a oração de Tarawih consiste em vinte rak‘ahs. As vinte rak‘ahs devem ser realizadas da seguinte maneira: deve-se pronunciar o salam após cada duas rak‘ahs e, depois de cada quatro rak‘ahs, deve-se sentar para descansar durante o tempo necessário para realizar quatro rak‘ahs. É mustahabb sentar-se esse tempo para descansar. Contudo, se se perceber que os seguidores da oração se sentem incomodados por permanecer sentados durante tanto tempo, é melhor não permanecer sentado por todo esse período. Deve-se levar em consideração, nesse assunto, os sentimentos dos seguidores da oração.

Segundo os Ahl al-Hadith, é sunnah realizar oito rak‘ahs de Tarawih. Segundo eles, a realização de vinte rak‘ahs não está comprovada pela sunnah. Na opinião deles, a narração das oito rak‘ahs presente na maioria das narrativas, e a narração de Hazrat Abdullah bin Abbas (que Allah esteja satisfeito com ele) que menciona vinte rak‘ahs, é mais fraca que os demais hadiths. A seguir, apresenta-se a opinião expressa por Allamah Maududi (que Allah tenha misericórdia dele) sobre esse assunto:

Quando, na época de Hazrat Umar (que Allah esteja satisfeito com ele), começou a prática de realizar Tarawih em congregação, realizavam-se vinte rak‘ahs por consenso unânime dos Companheiros. Essa prática também foi seguida durante o período de Hazrat Uthman Ghani (que Allah esteja satisfeito com ele) e de Hazrat Ali (que Allah esteja satisfeito com ele). O acordo dos três califas sobre esse assunto e a ausência de divergência a respeito provam que as pessoas estavam acostumadas a realizar vinte rak‘ahs desde a época do Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Por essa razão, Imam Abu Hanifa (que Allah tenha misericórdia dele) e Imam Ahmad ibn Hanbal (que Allah tenha misericórdia dele) manifestaram sua opinião em favor de vinte rak‘ahs. Também se encontra uma declaração de Imam Malik em apoio a isso. Daud al-Zahiri (que Allah tenha misericórdia dele) aceitou-a como uma sunnah comprovada.

Hazrat Umar ibn Abdul Aziz (que Allah tenha misericórdia dele) e Aban ibn Uthman iniciaram a prática de realizar trinta e seis rak‘ahs em vez de vinte. Isso não ocorreu porque suas investigações e pesquisas fossem contrárias às investigações dos Califas Bem-Guiados. Pelo contrário, seu objetivo era que, em termos de recompensa, os habitantes de fora de Meca pudessem igualar-se aos habitantes de Meca. O costume dos habitantes de Meca era realizar o tawaf da Caaba depois de cada quatro rak‘ahs de Tarawih. Esses dois grandes homens começaram a realizar quatro rak‘ahs em lugar de cada tawaf. Como essa prática era corrente entre os habitantes de Medina, e como Imam Malik considerava a prática dos habitantes de Medina uma autoridade, posteriormente ele emitiu um parecer jurídico determinando trinta e seis rak‘ahs em vez de vinte.

Que ato de devoção se pode praticar durante o descanso após cada quatro rak‘at?

Durante a tarawih ou o intervalo de descanso, quem quiser pode permanecer sentado em silêncio, recitar o tasbih ou realizar orações nafl. Os habitantes da Meca Sagrada faziam o tawaf em vez de permanecer sentados. Os habitantes de Medina realizavam quatro rak‘at de oração nafl. Alguns juristas dizem que, durante a tarawih, deve-se recitar a seguinte súplica:

*******Árabe*********

Allah, o Rei, o Soberano, é puro e santificado, livre de todas as imperfeições, deficiências e incapacidades. Santíssima e Majestosa é a Essência que possui toda honra, reverência, grandeza, temor, força, magnificência e poder. Glorificada seja a Essência que é eternamente viva, que não dorme nem morre. Ele é puro, santificado e está acima de todas as imperfeições e deficiências. Ele é o nosso Senhor, o Senhor dos anjos e de Jibril, nosso Protetor e Sustentador. Ó Senhor! Salva-nos do fogo do Inferno.

A oração de witr em congregação

Está comprovado que a oração de witr é realizada em congregação somente durante o mês de Ramadã. Fora do Ramadã, não é permitido realizar o witr em congregação.

*******Árabe*********

Fora do Ramadã, não é permitido realizar o witr em congregação. Há consenso da comunidade muçulmana sobre isso. (Hidaya)

Aqueles que rezaram sozinhos também podem rezar a oração do witr em congregação. Porém, para aqueles que rezaram o tarawih em congregação, é necessário rezar o witr em congregação. Isso porque, depois de rezar a oração sunnat do tarawih em congregação, não é válido rezar sozinho a oração wajib do witr. Também não é correto rezar o tarawih em congregação, ir dormir e depois rezar o witr junto com o tahajjud.

Completar a recitação do Alcorão durante o tarawih

Completar uma vez, em ordem, a recitação do Sagrado Alcorão durante todo o mês abençoado do Ramadã é sunnat mu’akkadah. (Ilmul Fiqah)

O nobre Profeta (que a paz esteja com ele) costumava recitar o Alcorão inteiro para o anjo Jibril Amin (que a paz esteja com ele) todos os meses. No ano em que partiu deste mundo, recitou o Alcorão para Jibril duas vezes. Ele incentivou a ummah da seguinte maneira:

O jejum e o Alcorão intercederão pelo crente. O jejum dirá: “Ó meu Senhor! Eu impedi esta pessoa de comer, beber e de outros prazeres durante o dia, e ela se absteve. Portanto, ó meu Senhor, aceita a minha intercessão em favor desta pessoa.” O Alcorão dirá: “Eu a impedi de dormir e descansar durante a noite. Ela abandonou o seu sono doce e permaneceu de pé diante de Ti, recitando o Alcorão. Portanto, ó meu Senhor, aceita a minha intercessão em favor desta pessoa.” Allah aceitará a intercessão de ambos. (Mishkat)

Os nobres Companheiros cumpriam esta sunnat com grande cuidado. Hazrat Umar (que Allah esteja satisfeito com ele) tomava providências especiais para que a oração do tarawih fosse realizada em congregação e para que nela o Alcorão inteiro fosse recitado. De modo algum é correto abandonar esta sunnat por causa da indiferença geral das pessoas em relação à religião, da sua preguiça e desatenção. Pelo menos uma vez, deve-se certamente organizar a recitação e a audição do Alcorão inteiro durante o tarawih. E onde se observar entusiasmo e motivação entre as pessoas, interesse pela adoração e pela recitação do Alcorão, e houver certeza de que o Sagrado Alcorão poderá ser recitado com plena atenção e respeito, pausadamente, de modo a cumprir o direito da recitação, foi considerado recomendável completá-lo mais de uma vez. Contudo, não é correto completar o Alcorão em menos de três dias, pois nessa situação não será possível cumprir o direito da recitação do Alcorão.

A maneira como o Profeta (que a paz esteja com ele) recitava é descrita nos hadiths da seguinte forma: ele pronunciava claramente cada letra e recitava cada versículo separadamente. Ao explicar à ummah a virtude de recitar com tartil e pausadamente, ele disse: “No Dia da Ressurreição, será dito aos recitadores do Alcorão: ‘Recitai da mesma forma como recitáveis no mundo, pausadamente, com bela voz e de maneira harmoniosa, e continuai a subir um grau por cada versículo.’ A vossa morada será junto ao último versículo que recitardes.” (Tirmidhi)

Orientações necessárias

Se, em algum lugar, o interesse pela oração e pelo Alcorão for extraordinariamente reduzido e, devido à preguiça e à negligência dos muqtadis, houver o receio de que, caso se organize a conclusão de todo o Alcorão durante o Tarawih, isso não apenas se torne um peso para as pessoas, mas também faça com que elas deixem de ir à mesquita e de realizar a oração em congregação, então é melhor não organizar a conclusão do Alcorão. Nesse caso, deve-se realizar o Tarawih com suratas curtas, para que as pessoas não sejam privadas da sunnah do Tarawih. Devido à falta de conhecimento, algumas pessoas consideram ouvir e fazer ouvir o Alcorão durante o Tarawih como seu objetivo principal. Elas não dão atenção alguma à tranquilidade do ambiente, ao equilíbrio e à concentração na oração do Tarawih. Quando essas pessoas ouvem todo o Alcorão durante o Tarawih com extrema rapidez, depois não se preocupam em continuar realizando o Tarawih, nem consideram necessário ir à mesquita para realizar o Tarawih em congregação. Esse tipo de pensamento é extremamente grave. Mesmo que não seja possível ouvir todo o Alcorão, ou que a conclusão do Alcorão já tenha sido realizada, a oração do Tarawih continua sendo uma sunnah mu’akkadah permanente. Nunca se deve demonstrar negligência em sua organização.

Diversas questões relativas à oração do Tarawih

1. A intenção do Tarawih deve ser feita da seguinte maneira: “Tenho a intenção de realizar duas rak‘ahs da sunnah do Tarawih.” Depois, deve-se fazer a intenção para duas rak‘ahs. Assim, devem-se completar vinte rak‘ahs com dez salam.

2. É preferível realizar o Witr depois do Tarawih. Contudo, se por algum motivo a oração do Witr for realizada antes do Tarawih ou antes de se completar todo o Tarawih, será permitido.

3. Se algum muqtadi chegar atrasado e o imam se levantar para o Witr enquanto ainda lhe restarem algumas rak‘ahs do Tarawih, ele deve realizar o Witr com o imam. Depois, deverá completar as rak‘ahs restantes do Tarawih.

4. Depois de realizar quatro rak‘ahs, é mustahabb descansar durante o mesmo tempo que foi necessário para realizar as quatro rak‘ahs. Contudo, se permanecer sentado por muito tempo for difícil para os muqtadis, é melhor sentar-se por pouco tempo.

5. Se alguém participar do Tarawih sem ter realizado a oração fard da noite, seu Tarawih não será válido.

6. Se alguém tiver realizado a oração fard da noite em congregação, mas não tiver realizado o Tarawih em congregação, também lhe será permitido realizar a oração do Witr em congregação.

7. Mesmo quem não tenha rezado a oração obrigatória do ‘ishā’ em congregação pode rezar a oração do witr em congregação.

8. É makruh rezar o tarawih sentado sem uma justificativa. Contudo, se houver uma justificativa, é válido rezá-lo sentado.

9. Quem não conseguiu rezar a oração obrigatória do ‘ishā’ em congregação pode rezar a oração do tarawih em congregação.

10. Um imame pode conduzir as orações obrigatórias e o witr, e outro imame pode conduzir o tarawih. Hazrat Omar (r.a.) conduzia pessoalmente as orações obrigatórias e o witr, enquanto Hazrat Ubayy ibn Ka‘b (r.a.) conduzia o tarawih.

11. Se, por algum motivo, algumas rak‘ahs do tarawih forem invalidadas, é obrigatório repeti-las. Nesse caso, também se deve repetir a parte do Alcorão Sagrado que foi recitada nessas rak‘ahs invalidadas, para que a conclusão do Alcorão ocorra numa oração válida.

12. Se, no tarawih, em vez de se sentar na segunda rak‘ah, o imame se levantar e se lembrar disso antes da prostração da terceira rak‘ah, ou se algum seguidor o lembrar, o imame deve sentar-se, recitar o tashahhud, fazer um salam, realizar a prostração de esquecimento e, depois, completar a oração e fazer o salam. Assim, essas duas rak‘ahs serão válidas. Mas, se ele se lembrar depois de realizar a prostração da terceira rak‘ah, deverá acrescentar uma rak‘ah e completar quatro rak‘ahs. Essas quatro rak‘ahs substituirão as duas rak‘ahs.

13. Se o imame se sentar para o qa‘dah na segunda rak‘ah, depois se levantar para a terceira rak‘ah e completar quatro rak‘ahs nessa situação, todas as quatro rak‘ahs serão válidas.

14. Não é válido para quem não rezou a oração do ‘ishā’ em congregação rezar o tarawih em congregação. Isso porque, ao rezar sozinho a oração obrigatória e depois rezar a oração voluntária em congregação, dá-se preferência à oração voluntária em relação à obrigatória. Isso não é válido.

15. Se alguém chegar à mesquita quando a oração obrigatória de Ishá já tiver sido realizada, deverá primeiro fazer a oração obrigatória e depois participar do Tarawih. As rak‘at do Tarawih que perder deverão ser realizadas durante o intervalo ou depois de fazer a oração do Witr em congregação.

16. Algumas pessoas fizeram a oração obrigatória de Ishá em congregação e depois realizaram o Tarawih em congregação. Também podem participar com elas aqueles que não fizeram a oração obrigatória em congregação, pois estes seguem aqueles que fizeram a oração obrigatória em congregação e estão realizando o Tarawih com a congregação.

17. Aqueles que não fizeram a oração de Ishá em congregação, mas a fizeram sozinhos, também podem participar, com aqueles que fizeram a oração obrigatória em congregação, da oração do Witr em congregação.

18. O modo como a Shabina se tornou costume atualmente não é de forma alguma permitido. O recitador da Shabina recita de maneira extremamente descuidada e apressada. Ele não se preocupa nem em recitar correta ou incorretamente, nem presta atenção à etiqueta da recitação. Não se sente qualquer possibilidade de obter influência ou orientação de uma recitação desse tipo. O objetivo do recitador é apenas concluir o Alcorão de qualquer maneira. Então, a situação dos que seguem o imame é tal que alguns permanecem de pé atrás do imame, mas a maioria faz apenas algumas rak‘at com ele. Muitos ficam sentados atrás, conversando. Elogiam a recitação rápida do imame e conversam sobre diversos assuntos. Esta não é a oração noturna nem a recitação que o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) ensinou e que os Companheiros praticavam regularmente, considerando-a uma sunnah. Na realidade, isso é cometer injustiça e excessos contra o Alcorão e ridicularizar o Tarawih.

O Alcorão diz:

*******Árabe*********

Este é um Livro abençoado que Nós revelamos a ti, para que as pessoas reflitam sobre seus versículos e para que os dotados de conhecimento tirem dele uma lição. (Surata Sad: 29)

O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: Aquele que concluir o Alcorão em menos de três dias não o terá compreendido de forma alguma. (Tirmizi)

O Alcorão diz: quando o Alcorão for recitado, escutai-o com total atenção.

19. A regra para a recitação do Alcorão no tarawih é que a Bismillah deve ser recitada em voz alta em uma das suratas, pois ela é um versículo do Alcorão. Tanto aquele que recita o Alcorão inteiro deve recitar a Bismillah quanto aquele que escuta deve ouvi-la. Por isso, o hafiz deve recitá-la em voz alta. Geralmente, a Bismillah é recitada antes de “Qul Huwa Allah”. Isso não é obrigatório; ela pode ser recitada no início de qualquer surata. Deve-se recitá-la no início de qualquer surata, para eliminar o equívoco das pessoas de que ela deve ser recitada apenas antes de “Qul Huwa Allah”. Aqueles que consideram a Bismillah um versículo de cada surata devem recitá-la no início de cada surata durante a oração do tarawih. Segundo a escola hanafita, a Bismillah é um versículo do Alcorão Sagrado. Porém, segundo o imame Shafi‘i e os recitadores de Meca e Kufa, ela é um versículo de cada surata.

20. Algumas pessoas recitam “Qul Huwa Allah” três vezes no tarawih (alguns dizem que é mustahabb recitar “Qul Huwa Allah” três vezes, mas não durante a oração, e sim fora dela); recitá-la dessa maneira é makruh.

21. É sunnah começar a recitar o Alcorão pela segunda vez imediatamente após concluí-lo. O Profeta (que a paz esteja com ele) disse: Allah, o Altíssimo, gosta que, quando alguém conclui o Alcorão, comece imediatamente a recitá-lo pela segunda vez e leia até …………………

Regras e normas para a recitação do Alcorão

1. Taharat: pureza ritual

O Alcorão Sagrado é a palavra pura e grandiosa de Allah, o Puríssimo. Para tocá-lo e recitá-lo, é necessário estar completamente puro e limpo. Se não houver wudu, é indispensável fazê-lo; e, quando for necessário o ghusl, é indispensável realizá-lo.

*******Árabe*********

Somente aquele que é completamente puro pode tocá-lo. (Surata Al-Waqi‘ah: 79)

É permitido ouvir o Alcorão durante a menstruação, o nifas e o estado de janabah (quando o ghusl se torna obrigatório), mas recitá-lo e tocá-lo são haram. É permitido recitá-lo sem wudu, mas não é correto tocá-lo. Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela) disse: o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) recitava em todas as situações, inclusive sem wudu. Porém, jamais recitava durante o estado de janabah. Umar (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: a mulher menstruada e aquele que necessita realizar o ghusl não devem recitar nada do Alcorão. (Ou seja, recitar o Alcorão nesse estado é haram.) (Tirmidhi)

2. A intenção deve ser sincera durante a recitação do Alcorão. O objetivo da recitação deve ser somente buscar a satisfação de Allah e a orientação. Atrair as pessoas por meio do Alcorão, orgulhar-se da própria bela recitação, alardear a própria religiosidade e desejar que as pessoas elogiem constituem uma mentalidade extremamente vil. Do mesmo modo, aqueles que recitam o Alcorão para se exibir diante das pessoas ou para obter interesses mundanos jamais alcançarão orientação por meio do Alcorão. Essas pessoas, apesar de recitarem o Alcorão, permanecem muito distantes dele. Na verdade, aquele que cultiva uma mentalidade vil, tendências desonestas e intenções indecorosas não pode desenvolver qualquer sentimento pela grandeza e dignidade do Alcorão, nem obter o conhecimento do Alcorão e de seus profundos significados.

3. Recitação regular e considerá-la indispensável

A recitação do Alcorão deve ser feita diariamente e com regularidade. É mustahabb recitá-lo todos os dias, sem deixar passar nenhum dia. A recitação pode ser feita a qualquer hora, mas o momento mais apropriado é pela manhã, depois do fajr. Para aqueles a quem Allah concedeu a bênção de memorizar o Alcorão, a recitação diária é absolutamente necessária, pois, se não o recitarem, não o manterão na memória. E esquecer o Alcorão Sagrado depois de tê-lo memorizado é um pecado grave. O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: aquele que memorizou o Alcorão Sagrado e depois o esqueceu será afligido pela lepra no Dia da Ressurreição. (Bukhari)

O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) também disse:

Reflitam sobre o Alcorão; caso contrário, ele sairá de seus corações. Juro por Allah: assim como um camelo foge quando se afrouxa sua corda, o Alcorão sai e foge do coração por causa da menor negligência e de uma atitude descuidada. (Muslim)

Para incentivar a recitação regular, ele disse: aquele que lê o Alcorão e continua a recitá-lo diariamente e com regularidade é como uma bolsa cheia de almíscar, cujo perfume se espalha por todos os lados. Já aquele que aprendeu a ler o Alcorão, mas não o recita, é como uma garrafa cheia de almíscar, fechada com uma rolha ou tampa. (Tirmidhi)

Ao descrever a grande recompensa por recitar o Alcorão com uma bela melodia, o Profeta (que a paz esteja com ele) disse: No Dia do Juízo, será dito aos recitadores do Alcorão: “Recitai como o recitáveis no mundo, com pausas e bela melodia, e continuai subindo um grau a cada versículo. A vossa morada será junto ao último versículo que recitardes.” (Tirmidhi)

É makruh tahrimi recitar o Alcorão com modos e melodias musicais. É preciso abster-se disso.

4. Organização para ouvir o Alcorão

Também deve haver uma organização para ouvir o Alcorão com entusiasmo e interesse. Hazrat Khalid bin Ma’dan disse: A recompensa por ouvir o Alcorão é o dobro da recompensa por recitá-lo. (Darimi)

O Profeta (que a paz esteja com ele) gostava muito de ouvir outra pessoa recitar o Alcorão. Certa vez, disse a Hazrat Abdullah bin Masud (que Allah esteja satisfeito com ele): “Recita o Alcorão para que eu o ouça.” Hazrat Abdullah bin Masud (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: “Senhor, recitarei o Alcorão para que o ouças? Afinal, o Alcorão foi revelado a ti.” O Profeta (que a paz esteja com ele) disse: “Sim, recita. Gosto muito de ouvir quando alguém o recita.” Então Hazrat Abdullah bin Masud (que Allah esteja satisfeito com ele) começou a recitar a Surata An-Nisa. Quando recitou:

*******Árabe*********

Pensa no que acontecerá quando trouxermos uma testemunha de cada comunidade e te colocarmos como testemunha contra elas. (Surata An-Nisa: 41)

Então o Profeta (que a paz esteja com ele) disse: “Para, para.”

Hazrat Ibn Mas‘ud (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: Vi lágrimas escorrendo dos dois olhos do Profeta (que a paz esteja com ele). (Bukhari)

Hazrat Abu Musa (que Allah esteja satisfeito com ele) recitava o Alcorão muito bem. Sempre que Hazrat Umar (que Allah esteja satisfeito com ele) o encontrava, dizia: “Abu Musa, faze-me lembrar do meu Senhor.” Então Abu Musa começava a recitar o Alcorão. (Sunan al-Darimi)

5. Reflexão e ponderação

Deve-se recitar o Alcorão com compreensão e atenção, refletir sobre seus versículos e adquirir o hábito de assimilar seu convite e sua sabedoria. Deve-se recitá-lo com a intenção de obedecer às suas ordens e manter-se afastado de suas proibições. O Livro de Allah foi revelado precisamente para que fosse lido com compreensão e atenção e para que se agisse de acordo com seus mandamentos.

Allah diz:

*******Árabe*********

Este é um Livro abençoado que fizemos descer sobre ti, para que eles reflitam sobre seus versículos e para que os dotados de conhecimento tirem lição. (Surata Sad: 29)

É muito melhor ler algumas suratas com um pouco de reflexão e compreensão do que ler várias suratas apressadamente. Hazrat Abdullah ibn Abbas (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: É muito melhor ler com compreensão pequenas suratas como Al-Qadr e Al-Qari‘ah do que ler apressadamente Al Imran e Al-Baqara.

Na oração nafl, também é permitido repetir várias vezes a mesma surata ou o mesmo versículo. Deve-se refletir sobre seu significado e sua significação profunda, recitando-o repetidamente com amor. Certa vez, o Profeta (que a paz esteja com ele) continuou recitando o mesmo versículo durante toda a noite, até amanhecer. O versículo é:

*******Árabe*********

Ó Senhor! Se lhes infligires castigo, eles são, de fato, Teus servos; mas, se os perdoares, Tu és o Poderosíssimo, o Sábio. (Surata Al-Ma’idah: 118)

É verdade que há uma grande recompensa por recitar o Alcorão mesmo sem conhecer seu significado e sua mensagem; contudo, a recitação que purifica e promove a tazkiya do coração e inspira à prática é aquela feita com compreensão.

O Profeta (que a paz esteja com ele) disse: Assim como o ferro enferruja na água, o coração também enferruja. Os Companheiros perguntaram: Ó Mensageiro de Allah! Então, qual é o meio de remover essa ferrugem? O Profeta (que a paz esteja com ele) respondeu: Lembrar-se frequentemente da morte e recitar o Alcorão.

Está escrito na Torá: Allah diz: Servo Meu! Não sentes vergonha de que, quando recebes, durante uma viagem, a carta de teu irmão, paras ou te afastas do caminho e te sentas, continuando a ler cada uma de suas letras e refletindo sobre ela? E este Livro — a Torá — é o Meu decreto que enviei para ti, para que possas sempre refletir sobre ele e cumprir seus mandamentos. Contudo, recusas-te a aceitá-lo e demoras a obedecer aos seus mandamentos; e, quando o lês, não refletes sobre ele. (Química da Felicidade)

Hazrat Hasan Basri (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: As pessoas dos primeiros tempos do Islã acreditavam plenamente que o Alcorão era o decreto de Allah e que havia sido revelado por Ele. De fato, recitavam o Alcorão à noite com profunda concentração e, durante o dia, cumpriam seus mandamentos. Mas a situação de vocês é tal que apenas leem suas palavras e corrigem até mesmo os sinais vocálicos das letras. Contudo, falando em termos de prática, deve-se dizer que vocês estão completamente atrasados nesse aspecto. (Química da Felicidade)

6. Sinceridade e humildade

Deve-se fazer a recitação voltado para a qibla, com plena concentração, interesse e humilde devoção. Durante a recitação, olhar descuidadamente e de modo imprudente para os lados, conversar com alguém ou fazer qualquer coisa que destrua a concentração são atos makruh, isto é, desaconselháveis.

7. Ta‘awwudh e Tasmiyah

Ao iniciar a recitação, *******Árabe******deve ser recitado. Se, nesse intervalo, a atenção se voltar para outra atividade ou se conversar com alguém, deve-se recitar novamente, *****Árabe*********deve ser recitado. Fora da oração, no início de cada surata, *******Árabe*********é recomendável. Somente no início da surata At-Tawbah, *******Árabe*********não se deve recitar.

8. Durante a recitação, é recomendável deixar-se influenciar pelo conteúdo do Alcorão Sagrado e manifestar isso. (Entretanto, é preciso ter extremo cuidado e vigilância nesse assunto, pois a ostentação destrói todas as boas ações de uma pessoa.) Quando são mencionados a recompensa e os infinitos favores do Paraíso, e são dadas aos crentes as boas-novas da misericórdia, do perdão, da salvação, da satisfação de Allah e de contemplá-Lo, deve-se alegrar. E quando forem recitados versículos que mencionam a ira e o furor de Allah, o terrível castigo do Inferno, os lamentos dos habitantes do Inferno e coisas semelhantes, deve-se chorar de temor. Se as lágrimas não vierem, deve-se tentar chorar. Durante a recitação, o Profeta (s.) fazia súplicas ao recitar versículos sobre o castigo e recitava tasbih ao recitar versículos sobre o perdão.

9. Equilíbrio na voz

A recitação não deve ser feita em voz excessivamente alta nem excessivamente baixa, mas em um tom intermediário, para que a própria atenção também seja atraída para ela e desperte nos ouvintes o interesse em escutá-la. Assim, a atenção será atraída para a reflexão.

O Alcorão diz:

*******Árabe*********

E não recites a oração em voz demasiado alta, nem em voz totalmente baixa; adota, antes, um tom intermediário entre ambas. (Surata Bani Isra’il: 110)

10. Dedicação especial à recitação durante o Tahajjud

Seja qual for o momento em que o Alcorão é recitado, isso proporciona recompensa e mérito e é uma causa de orientação; porém, especialmente durante a oração do Tahajjud, a virtude da recitação do Alcorão é a maior. Todo crente deve desejar alcançar graus cada vez mais elevados. O agradável momento do Tahajjud é livre de ostentação, exibicionismo e artificialidade; é o ambiente mais propício à devoção sincera a Allah e à concentração exclusiva n’Ele, sobretudo quando a pessoa permanece diante de Allah, recitando Sua Palavra com devoção e interesse sincero. O Profeta (que a paz esteja com ele) fazia longas recitações durante o Tahajjud.

11. Dedicação especial à recitação olhando para o Alcorão Sagrado

Fora da oração, quando se recita o Alcorão Sagrado olhando para ele, obtêm-se maior mérito e melhor recompensa: primeiro, a recompensa pela recitação; segundo, a recompensa e o mérito de tocar a Palavra de Allah com as mãos e contemplá-la com os próprios olhos. (Até agora)

12. Objetivo da ordem sequencial

As suratas devem ser lidas na ordem sequencial estabelecida no Alcorão. Contudo, para facilitar o aprendizado das crianças, é permitido não seguir essa ordem. Por exemplo, ensina-se o Ampara começando pela Surata An-Nas e seguindo em sentido inverso até a Surata An-Naba. Entretanto, recitar contrariando a ordem sequencial do Alcorão Sagrado é unanimemente proibido.

13. Profunda concentração do coração

Muitas pessoas praticam wazifas, dhikr e adhkar com profunda concentração e passam horas a fio nisso. No entanto, não recitam o Alcorão com o mesmo grau de concentração. Entretanto, não pode haver nenhum dhikr ou wazifa melhor do que a recitação do Alcorão. Não pode haver meio melhor do que este para a tazkiyat an-nafs (purificação espiritual). Dar preferência a qualquer outro wazifa em detrimento do Alcorão é resultado de não compreender bem a religião e também constitui pecado. O Profeta (que a paz esteja sobre ele) disse: «É por meio da recitação do Alcorão que o servo pode aproximar-se mais de Allah.» (Kimiyā-ye Saʿādat)

O Profeta (que a paz esteja sobre ele) disse: «Para a minha comunidade, a melhor forma de adoração é a recitação do Alcorão.»

14. A súplica após a recitação

É sunnah recitar a seguinte súplica após a recitação:

*******Árabe*********

Ó Allah! Tem misericórdia de mim por meio do Alcorão e faz dele meu guia, minha luz, minha orientação e minha misericórdia. Ó Allah! Faz-me lembrar tudo o que eu esquecer dele, ensina-me aquilo que não sei e concede-me a capacidade de recitá-lo durante parte da noite e pela manhã e ao entardecer. E, ó Senhor dos mundos, faz dele uma prova e um argumento em meu favor.

Exposição sobre a prostração da recitação

A determinação sobre a prostração da recitação

No Alcorão, há quatorze (segundo os Ahl al-Hadith, quinze; eles também fazem a prostração no versículo 77 da Surata Al-Hajj; os Shafi’itas também são dessa opinião) versículos cuja recitação ou escuta torna obrigatória a prostração. (Segundo os demais, além do Imã Abu Hanifa, a prostração da recitação é sunnah.) Quer se recite o versículo inteiro, quer se recite a expressão da prostração juntamente com o que vem antes e depois dela (essas expressões estão sublinhadas nos respectivos versículos), a prostração se torna obrigatória. Isso é chamado de prostração da recitação.

O Profeta (que a paz esteja com ele) disse: quando alguém recita um versículo de prostração e se prostra, Satanás se afasta, senta-se de lado e começa a lamentar, dizendo: “Que aflição! Quando foi ordenado aos filhos de Adão que se prostrassem, eles se prostraram e tornaram-se merecedores do Paraíso. Quando me foi ordenado que me prostrasse, eu me recusei e tornei-me merecedor do Inferno.” (Muslim, Ibn Majah)

Locais da prostração da recitação

Versículo 206 da Surata Al-A’raf, versículo 15 da Surata Ar-Ra’d, versículos 49 e 50 da Surata An-Nahl, versículo 109 da Surata Bani Isra’il, versículo 58 da Surata Maryam, versículo 18 da Surata Al-Hajj, versículo 60 da Surata Al-Furqan, versículos 25–25 da Surata An-Naml, versículo 38 da Surata Ha-Mim Sajdah, versículo 62 da Surata An-Najm, versículos 20–21 da Surata Al-Inshiqaq e versículo 19 da Surata Al-‘Alaq.

Condições da prostração da recitação

Condições da prostração da recitação:

(Isto é, as condições exigidas para a oração são também exigidas para a prostração da recitação. Aquilo que invalida a oração também invalida a prostração da recitação.)

1. Taharat

Purificar o corpo. Isto é, deve-se purificá-lo da najasat ghaliza. Deve-se purificá-lo da najasat hukmi. Se não houver ablução, deve-se fazer a ablução; e, se for necessário o banho ritual, deve-se realizar o banho ritual.

  • Purificar as roupas.
  • Purificar o local da oração.
  • Cobrir o awrah.
  • Voltar o rosto na direção da Qibla.
  • Formar a intenção da prostração de recitação.

Esta é a opinião da maioria dos sábios. Contudo, segundo alguns sábios, não é necessário estar em estado de ablução para a prostração de recitação. Segundo os Ahl al-Hadith, fazer a prostração de recitação com ablução é preferível, mas ela também é permitida sem ablução.

O Allama Maududi (que Allah tenha misericórdia dele) expressou a seguinte opinião a esse respeito:

Para esta prostração, a maioria dos eruditos considera necessárias as mesmas condições da oração. Contudo, entre todos os hadiths encontrados sobre a prostração da recitação, não há nenhuma prova dessas condições. Disso parece deduzir-se que, depois de ouvir um versículo de prostração, a pessoa deve prostrar-se onde quer que esteja e em qualquer estado em que se encontre, tenha ou não ablução, e seja ou não possível voltar-se para a qibla. Entre os muçulmanos das primeiras gerações, encontravam-se pessoas que praticavam dessa maneira. O Imam Bukhari relata, a respeito de Abdullah ibn Umar (que Allah esteja satisfeito com ele), que ele recitava o Alcorão enquanto caminhava. Quando chegava a algum versículo de prostração, simplesmente inclinava a cabeça em prostração, tivesse ou não ablução, estivesse ou não voltado para a qibla. Por essas razões, acreditamos que, se alguém agir de maneira contrária à opinião da maioria dos eruditos, não se deve considerá-lo censurável. Isso porque não há nenhuma sunnah comprovada que apoie a opinião geral dos eruditos, e entre os muçulmanos das primeiras gerações também havia pessoas cuja prática era contrária à opinião geral dos eruditos. (Tafhimul Qur’an, segundo volume, Surata Al-A‘raf, nota 157)

Não é condição formular a intenção de que esta prostração é pela recitação de determinado versículo. E, se alguém recitar um versículo de prostração durante a oração e então se prostrar, a intenção também não é condição.

Modo de realizar a prostração da recitação

Deve-se ficar de pé, voltado para a qibla, formular a intenção de realizar a prostração da recitação e, dizendo “Allahu Akbar”, entrar em prostração. Depois da prostração, deve-se levantar, dizendo “Allahu Akbar”. Não é necessário recitar o tashahhud nem proferir o salam.

O venerável Abdullah ibn Mas‘ud (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: “Quando chegardes a um versículo de prostração, entrai em prostração dizendo ‘Allahu Akbar’ e, ao levantardes a cabeça, dizei ‘Allahu Akbar’.” (Abu Dawud)

Também é permitido realizar a prostração da recitação sentado; contudo, é mustahabb entrar na prostração estando de pé.

Durante a prostração da recitação, além de “Subhana Rabbiyal A‘la”, também se podem recitar outras glorificações prescritas. Contudo, ao realizar a prostração da recitação durante uma oração obrigatória, é melhor recitar “Subhana Rabbiyal A‘la”. Já durante uma oração voluntária ou fora da oração, pode-se recitar qualquer glorificação na prostração da recitação. Por exemplo, pode-se recitar a seguinte glorificação:

*******Árabe*********

Meu rosto se prostra diante d’Aquele que o criou e lhe deu ouvidos e olhos. Tudo isso ocorreu por Seu poder. Allah, o Altíssimo, é a fonte da majestade e da bênção, e Ele é o melhor dos criadores.

Questões relativas à prostração da recitação

1. A prostração da recitação é obrigatória para aqueles para quem a oração é obrigatória. Ela não é obrigatória para mulheres que estejam menstruadas ou no período pós-parto, nem para menores de idade. Também não é obrigatória para uma pessoa inconsciente que permaneça assim por mais de um dia e uma noite.

2. Se o versículo da prostração for recitado durante a oração, a prostração se tornará imediatamente obrigatória, não sendo permitido adiá-la. Se o versículo da prostração for recitado fora da oração, é preferível prostrar-se imediatamente, embora não haja problema em adiá-la. Contudo, adiá-la excessivamente sem motivo é makruh.

3. Se o versículo da prostração for recitado durante a oração, será obrigatório realizar essa prostração nessa mesma oração. Se alguém recitar o versículo da prostração e realizar a prostração em outra oração, isso não será válido. Se alguém recitar o versículo da prostração e esquecer-se de prostrar-se durante a oração, não terá outra alternativa senão fazer tawbah e istighfar. Contudo, se essa oração for invalidada, poderá realizar a prostração fora da oração.

4. Se alguém estiver orando ou conduzindo a oração e ouvir o versículo da prostração de outra pessoa, quer essa outra pessoa o esteja recitando durante a oração ou fora dela, a prostração da recitação não será obrigatória para o ouvinte que está orando nem para o imam.

5. Se um muqtadi recitar o versículo da prostração, a prostração não será obrigatória nem para o imam nem para o muqtadi.

6. Se alguém ouvir o versículo da prostração perto do imam, mas entrar na congregação depois de o imam já ter realizado a prostração, então, se alcançar a mesma rak‘ah em que o imam realizou a prostração, sua prostração também será considerada realizada. Porém, se entrar na rak‘ah seguinte, deverá realizar a prostração depois da oração.

7. Se alguém recitar o versículo da سجدة apenas mentalmente, sem pronunciá-lo, ou apenas o escrever, ou recitar letra por letra, a سجدة não se tornará obrigatória.

8. Se recitar repetidamente o versículo da سجدة no mesmo lugar, deverá realizar apenas uma سجدة. Mas, se recitar vários versículos da سجدة, deverá realizar tantas سجdas quantos forem os versículos recitados. Do mesmo modo, se recitar um versículo em vários lugares, deverá realizar uma سجدة para cada lugar em que o recitar.

9. Durante a recitação, se todos os ouvintes estiverem com ablução, é melhor recitar em voz alta o versículo da سجدة. Porém, se estiverem sem ablução ou não houver oportunidade de realizar a سجدة, é melhor recitá-lo em voz baixa, pois poderiam esquecer-se de realizar a سجدة em outro momento e tornar-se pecadores.

10. É makruh recitar os versículos anterior e posterior ao versículo da سجدة e omitir o versículo da سجدة, ou recitar toda a surata e omitir o último versículo da سجدة.

11. Alguns ignorantes, ao chegar ao versículo da سجدة enquanto recitam o Alcorão, realizam a سجدة sobre o próprio Alcorão. Dessa forma, a سجدة não será válida. A sajda de tilawat deve ser realizada conforme explicado acima.

12. Nas orações sirri (nas quais se recita em voz baixa), não se deve recitar uma surata que contenha uma سجدة. Do mesmo modo, não se deve recitá-la nas orações de sexta-feira e nas duas orações do Eid quando houver uma grande congregação. Caso contrário, surgirá confusão entre os muqtadis e a oração será invalidada.

Sajda de agradecimento

Ao ouvir algo, receber pela misericórdia de Allah uma grande bênção, alcançar sucesso em algum assunto, ter algum desejo ou aspiração realizado, ou ver afastada alguma calamidade ou aflição, é mustahabb realizar a sajda de agradecimento pela graça e generosidade de Allah. Contudo, não se deve realizar essa sajda imediatamente junto com a oração. Caso contrário, os ignorantes continuarão a considerá-la parte da oração ou a praticá-la pensando que é uma sunnah. Esta sajda é distinta da oração. Por isso, deve ser realizada de modo que não reste dúvida alguma para ninguém. Hazrat Abu Bakr (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: quando o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) ficava feliz com algo ou recebia uma boa notícia, realizava uma sajda para agradecer a Allah. (Tirmidhi)

Algumas pessoas fazem duas prostrações depois do witr e consideram isso uma sunnah; isso é um erro. É errado fazê-las considerando-as uma sunnah, e deve-se abandoná-las.

O significado do i‘tikaf

No dicionário, i‘tikaf significa ficar retido em algum lugar ou permanecer em algum lugar. Na terminologia da Shariah, i‘tikaf significa uma pessoa afastar-se dos contatos e vínculos mundanos, da esposa e dos filhos, e permanecer na mesquita.

A essência do i‘tikaf

O i‘tikaf consiste em a pessoa romper seus negócios e relações mundanos, afastar-se das ocupações domésticas e dos desejos e anseios da natureza humana, e dedicar sua capacidade e aptidão para pensar e agir à lembrança de Allah e à adoração. Depois, afastando-se de tudo, ela se torna vizinha de Allah. Por meio desse ato, por um lado, poderá manter-se afastada de todo tipo de conversa fútil e de más ações e, por outro, sua relação com Allah se fortalecerá. Ela alcançará Sua proximidade e encontrará paz no coração por meio de Sua lembrança e adoração. Essa prática de alguns dias de formação espiritual deixará uma marca tão profunda em seu coração que, mesmo depois de ver por toda parte as diversões mundanas e as coisas que distraem a mente, ela conseguirá manter forte sua relação com Allah. Poderá evitar a desobediência a Allah e sentirá alegria ao cumprir Seus mandamentos. Assim, passará toda a vida na servidão a Allah.

Tipos de i‘tikaf

O i‘tikaf é de três tipos: obrigatório, recomendado e sunnah mu’akkadah.

I‘tikaf obrigatório

O i‘tikāf feito em cumprimento de um voto é obrigatório. Se alguém fizer um voto de realizar i‘tikāf sem condição alguma, ou sob uma condição — por exemplo, dizendo: “Se eu passar no exame ou se determinado trabalho meu for concluído, realizarei i‘tikāf” — então esse i‘tikāf se tornará obrigatório e deverá ser cumprido.

I‘tikāf recomendado

Todo i‘tikāf realizado fora dos últimos dez dias do Ramadã é recomendado, seja realizado nos primeiros ou nos segundos dez dias do Ramadã, ou em qualquer outro mês.

I‘tikāf da sunna mu’akkada

Realizar i‘tikāf nos últimos dez dias do Ramadã é uma sunna mu’akkada kifāya. Isto é, os muçulmanos devem assegurar coletivamente a prática dessa sunna, pois os hadiths insistem nesse assunto.

Está escrito no Alcorão:

*******Árabe*********

“E não vos aproximeis de vossas esposas enquanto estiverdes em i‘tikāf nas mesquitas.” (Surata Al-Baqarah: 187)

O Profeta (s.a.w.) costumava fazer i‘tikaf regularmente todos os anos. Ele o praticou até sua morte. Certa vez, por algum motivo, não pôde fazer i‘tikaf; por isso, no ano seguinte, fez i‘tikaf durante vinte dias. Portanto, se os muçulmanos abandonarem coletivamente esta sunnah, serão pecadores. Se algumas pessoas de uma localidade organizarem o cumprimento desta sunnah, então, por ser uma sunnah kifayah, o i‘tikaf dessas poucas pessoas será suficiente em nome de todos. Contudo, seria extremamente lamentável se toda a sociedade muçulmana se tornasse indiferente a isso e esta querida sunnah do Profeta desaparecesse completamente.

Hazrat Aisha (r.a.) disse: “O Profeta (s.a.w.) fazia i‘tikaf durante os últimos dez dias de cada Ramadã. Essa prática permaneceu até sua morte. Após seu falecimento, suas esposas mantiveram a prática do i‘tikaf.” (Bukhari, Muslim)

Hazrat Anas (r.a.) disse: “O Profeta (s.a.w.) fazia i‘tikaf durante os últimos dez dias de cada Ramadã. Em um ano, ele não pôde fazer i‘tikaf. Por isso, no ano seguinte, fez i‘tikaf durante vinte dias.” (Tirmidhi)

O i‘tikaf mais excelente

Fazer i‘tikaf na Mesquita Sagrada é o i‘tikaf mais excelente. Depois vem a Mesquita do Profeta e, em seguida, Bayt al-Maqdis. Depois, o i‘tikaf feito em uma mesquita congregacional onde as orações são regularmente realizadas em congregação é o mais excelente. Em seguida, vem a mesquita do bairro onde as orações são realizadas em congregação.

Condições do i‘tikaf

O i‘tikaf possui quatro condições, sem as quais não será válido.

1. Permanecer na mesquita

É obrigatório para o homem fazer i‘tikaf na mesquita, quer nela sejam realizadas ou não as cinco orações diárias em congregação. (Segundo o Imam Abu Hanifa (que Allah tenha misericórdia dele), é obrigatório fazer i‘tikaf na mesquita onde se realiza a oração em congregação. Segundo o Imam Muhammad (que Allah esteja satisfeito com ele) e o Imam Abu Yusuf (que Allah tenha misericórdia dele), o i‘tikaf é válido em qualquer mesquita. Naquela época, a fatwa foi emitida com base nessa opinião. — Durr al-Mukhtar) O i‘tikaf do homem não será válido fora da mesquita.

2. Intenção

Assim como a intenção é uma condição para os demais atos de adoração, ela também é uma condição para o i‘tikaf. Sem intenção, o i‘tikaf não será válido. Se alguém permanecer simplesmente na mesquita sem intenção, essa permanência não será considerada i‘tikaf. Além disso, a intenção de adoração só pode ser válida quando aquele que a formula é muçulmano. Ele deve ter discernimento; a intenção de uma pessoa inconsciente ou louca não será considerada.

3. Purificar-se do hadath maior

Isto é, se o banho ritual se tornar obrigatório para a mulher ou para o homem, ele ou ela deverá realizá-lo e purificar o corpo; e a mulher deverá purificar-se da menstruação e do sangramento pós-parto.

4. Jejum

Também é condição jejuar durante o i‘tikaf, mas isso se aplica somente ao i‘tikaf obrigatório. O jejum não é condição para o i‘tikaf mustahabb. Quanto ao i‘tikaf sunnah, o jejum não é condição porque ele também deve ser realizado no mês de Ramadan.

Regras e procedimentos do i‘tikaf

1. O i‘tikaf obrigatório pode ser realizado por pelo menos um dia. Não pode ser realizado por um período menor, pois o jejum é uma condição do i‘tikaf obrigatório.

2. De fato, o jejum é uma condição do i‘tikaf obrigatório. Contudo, não é necessário que esse jejum seja feito especificamente para o i‘tikaf. Por exemplo, se alguém fizer um voto de realizar i‘tikaf durante o mês do Ramadã, o i‘tikaf será válido. O jejum do Ramadã é suficiente para o i‘tikaf. Entretanto, é necessário que o jejum realizado durante o i‘tikaf seja obrigatório, e não voluntário.

3. A duração do i‘tikaf obrigatório deve ser de pelo menos um dia, podendo ser maior pelo tempo que se desejar.

4. Não há uma duração mínima determinada para o i‘tikaf recomendado; ele pode durar até mesmo alguns minutos.

5. Como o jejum é uma condição do i‘tikaf obrigatório, mesmo que alguém tenha a intenção de não jejuar, ainda assim o jejum será indispensável. Portanto, se alguém tiver a intenção de realizar i‘tikaf somente durante a noite, isso será sem sentido.

6. Se alguém tiver a intenção de realizar i‘tikaf durante a noite e o dia, ou durante vários dias, deve-se considerar que a noite está incluída, devendo também realizar i‘tikaf durante a noite. Porém, se for feito um voto de realizar i‘tikaf por um dia, o i‘tikaf de todo o dia será obrigatório, mas o i‘tikaf da noite não será obrigatório.

7. As mulheres devem realizar o i‘tikaf em sua própria casa. Para elas, realizar i‘tikaf na mesquita é makruh tanzihi. Normalmente, devem cercar com uma cortina o local da casa onde costumam rezar e reservá-lo para o i‘tikaf.

8. Como o i‘tikaf nos últimos dez dias do Ramadã é uma sunnah mu’akkadah kifayah, deve-se realizá-lo para que algumas pessoas da família possam necessariamente providenciá-lo. Se houver negligência quanto a isso e ninguém do bairro realizar i‘tikaf, todos serão pecadores.

9. Se o i‘tikaf obrigatório for invalidado por alguma razão, será obrigatório repô-lo. Quanto ao i‘tikaf sunnah e mustahabb, não há reposição.

O período prescrito para o i‘tikaf

O período prescrito para o i‘tikaf começa pouco antes do pôr do sol do dia 20 do Ramadã e termina assim que a lua do Eid é avistada. Quer a lua seja avistada no dia 29 do Ramadã, quer no dia 30, em qualquer caso o i‘tikaf prescrito estará completo.

A pessoa em i‘tikaf deve chegar à mesquita antes do pôr do sol do dia 20 do Ramadã; se for mulher, deve chegar ao local específico de sua casa que reservou para a oração. Não deve sair do local do i‘tikaf até que a lua do Eid seja avistada. Contudo, é permitido sair para necessidades naturais, como urinar, defecar ou realizar o ghusl obrigatório, ou para necessidades da Lei Islâmica, como a oração de sexta-feira. Mas deve retornar ao local do i‘tikaf assim que a necessidade for satisfeita.

O período do i‘tikaf obrigatório

Como o jejum é uma condição para o i‘tikaf obrigatório, sua duração mínima é de um dia. Fazer um voto de i‘tikaf por menos de um dia, por algumas horas, não tem validade, pois o período do jejum vai da alvorada verdadeira até o pôr do sol.

O período do i‘tikaf mustahabb

O i‘tikaf voluntário pode ser realizado a qualquer momento. Nem o jejum é condição para ele, nem há um mês ou período específico. Sempre que alguém estiver na mesquita, poderá fazer a intenção de realizar o i‘tikaf voluntário. Receberá a recompensa pelo tempo que permanecer na mesquita.

Atos recomendáveis durante o itikaf

1. Praticar zikr e adhkar, refletir sobre as questões e regras da religião e sobre o ilm al-kalam, e permanecer ocupado com tasbih e tahlil.

2. Recitar o Alcorão e refletir sobre ele.

3. Recitar o Durood Sharif e praticar outros zikr.

4. Estudar e ensinar sobre a religião.

5. Fazer pregações e realizar o tabligh.

6. Dedicar-se à redação de livros sobre a religião.

Atos permitidos durante o itikaf

1. É permitido sair para urinar e defecar. Deve-se lembrar que essas necessidades devem ser satisfeitas em um local próximo à mesquita. Se houver um local próximo à mesquita, mas ele não oferecer privacidade ou for extremamente sujo, é permitido ir à própria casa para urinar e defecar.

2. Também é permitido sair do local do i‘tikaf para realizar o banho obrigatório. Contudo, se houver instalações para tomar banho na própria mesquita, deve-se tomar banho ali.

3. É permitido sair da mesquita para comer se não houver ninguém para trazer a comida. Se houver alguém para trazê-la, é obrigatório comer na mesquita.

4. Também é permitido sair para a oração de sexta-feira e para a oração do Eid. Se o i‘tikaf for realizado em uma mesquita onde não se realiza a oração em congregação, é permitido ir a outro lugar para as cinco orações diárias.

5. Se ocorrer um incêndio em algum lugar, alguém cair na água e estiver se afogando, alguém estiver matando outra pessoa ou houver o risco de a mesquita desabar, nessas situações não apenas é permitido sair do local do i‘tikaf, mas isso se torna obrigatório. Contudo, o i‘tikaf será invalidado.

6. Se alguém sair por uma necessidade natural, como para a oração de sexta-feira, e nesse período visitar um doente ou participar de uma oração fúnebre, não haverá problema algum.

7. É permitido sair da mesquita por qualquer necessidade natural ou prevista pela Sharia.

8. É permitido ir com tanta antecedência para a oração de sexta-feira que se possa realizar tranquilamente a oração de saudação à mesquita e as orações sunnah da sexta-feira. A avaliação do horário fica a critério daquele que está em i‘tikaf.

9. Mesmo que alguém seja forçado a sair do local do i‘tikaf, ou que alguém o mantenha detido do lado de fora, o i‘tikaf será encerrado.

10. Se alguém for detido do lado de fora por um credor, ou se a própria pessoa adoecer e houver atraso para chegar ao local do i‘tikaf, ainda assim o i‘tikaf será invalidado.

11. Se não houver ninguém para fazer compras e vendas e não houver comida em casa, será permitido à pessoa em i‘tikaf comprar e vender conforme a necessidade.

12. É permitido sair da mesquita para fazer o adhan.

13. Se, ao formular a intenção de fazer i‘tikaf, alguém também tiver a intenção de ir ao funeral, será permitido ir. Se tiver outra intenção, não será permitido ir.

14. Durante o i‘tikaf, é permitido dar a alguém conselhos sobre a religião ou conselhos médicos. É permitido casar-se, dormir e descansar.

Ações que não são permitidas durante o i‘tikaf

1. Durante o i‘tikaf, ter relações sexuais, abraçar a esposa ou beijá-la não invalidará o i‘tikaf se não houver ejaculação.

2. Durante o iʿtikāf, é makruh tahrimi ocupar-se com qualquer atividade mundana. Se isso for feito por necessidade, será permitido.

3. Durante o iʿtikāf, é makruh tahrimi permanecer completamente em silêncio e sem fazer nada. Deve-se ocupar-se com dhikr, reflexão, recitação e atividades semelhantes.

4. É makruh realizar compras e vendas na mesquita, brigar ou discutir, praticar a maledicência ou proferir qualquer tipo de conversa inútil.

5. Não é permitido sair da mesquita sem uma necessidade natural ou religiosa, nem sair por uma necessidade natural ou religiosa e permanecer fora. Com isso, o iʿtikāf será invalidado.

Laylat al-Qadr

Entre os últimos dez dias do Ramadã há uma noite chamada Laylat al-Qadr e Laylatum Mubarakah; foi dito que ela é melhor do que mil meses.

O Alcorão diz:

*******Árabe*********

Nós revelamos este Livro em sua noite abençoada.

Em outro lugar, o Alcorão diz:

*******Árabe*********

Certamente, Nós revelamos este Alcorão na Noite do Decreto. E o que te fará compreender o que é a Noite do Decreto? Ela é uma noite superior a mil meses. (Surata Al-Qadr)

 

O significado da Noite do Decreto

Dois significados de “decreto”

Primeiro: determinar, fixar um tempo e decidir. Ou seja, a Noite do Decreto é uma noite em que Allah determina a medida exata de cada coisa, fixa o seu tempo, revela os Seus decretos e determina o destino de cada coisa.

*******Árabe*********

Naquela noite, todas as decisões sábias e firmes sobre todos os assuntos são anunciadas por Nossa ordem. (Surata ad-Dukhan)

Em outra passagem do Alcorão, consta:

*******Árabe*********

Naquela noite, os anjos, especialmente Jibril, descem; eles descem para cumprir todas as tarefas por ordem de seu Senhor. (Surata al-Qadr: 4)

O segundo significado de qadr é grandeza e excelência. Ou seja, a Laylat al-Qadr é uma noite que possui enorme grandeza e mérito perante Allah. É prova suficiente de sua dignidade e grandeza o fato de que Allah fez descer nela uma bênção tão grandiosa quanto o Alcorão. O ser humano não pode conceber nem desejar bênção maior do que essa. Foi com base nessa bondade, bênção, grandeza e mérito que o Alcorão declarou que ela é superior a mil meses.

Determinação da Laylat al-Qadr

Dos hadiths, sabe-se que ela ocorre em uma das noites ímpares dos últimos dez dias deste mês de Ramadan, isto é, na noite do dia 21, 23, 25, 27 ou 29. Aisha (r.a.) relatou que o Profeta (s) disse: “Buscai a Laylat al-Qadr entre as noites ímpares dos últimos dez dias de Ramadan.” (Bukhari)

A razão para não se identificar claramente essa noite é possibilitar que se dedique maior atenção ao dhikr e à adoração durante esses últimos dez dias de Ramadan.

Hazrat Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela) disse: durante os últimos dez dias do Ramadã, o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) dedicava-se ao dhikr e à adoração de uma maneira que não fazia em outras épocas. (Muslim)

Incentivando a realização de muitas orações e atos de adoração, do dhikr, do tasbih e coisas semelhantes nessa noite, o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: quando chega Laylat al-Qadr, Jibril desce à terra junto com os demais anjos e suplica misericórdia e perdão para todo servo que, em pé ou sentado, permanece ocupado com a lembrança de Allah e com a adoração. (Bayhaqi)

O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) também disse: Ó gente! Chegou até vós uma noite que é melhor do que mil meses. Quem for privado dela será privado de todo tipo de bem; e aquele que for privado dessa noite estará, de fato, privado de tudo. (Ibn Majah)

A súplica especial de Laylat al-Qadr

Hazrat Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela) disse: eu lhe perguntei: Ó Mensageiro de Allah! Se eu puder descobrir, de algum modo, qual é a noite de Laylat al-Qadr, que súplica devo fazer? Em resposta, o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: recita esta súplica.

*******Árabe*********

Ó Allah, Tu és Aquele que muito perdoa e és extremamente misericordioso. Tu amas perdoar. Portanto, perdoa os meus pecados.

Regras e disposições da sadaqat al-fitr

No mesmo ano em que o jejum foi tornado obrigatório para os muçulmanos, o Profeta (s) ordenou-lhes que pagassem a sadaqat al-fitr. O servo organiza-se para cumprir os atos de adoração tornados obrigatórios por Allah, com todas as suas condições e regras; porém, consciente ou inconscientemente, muitas falhas e deficiências permanecem neles. Para compensar as falhas cometidas durante o jejum, a sharia tornou obrigatória a sadaqat al-fitr no final do Ramadã. Por meio dela, suas falhas serão compensadas, e os muçulmanos pobres e necessitados poderão, tranquilos, adquirir alimentos e roupas e participar da oração do Eid junto com todos os muçulmanos.

Toda pessoa abastada que, depois de satisfazer suas necessidades, possuir bens cujo valor alcance o nisab deve pagar a sadaqat al-fitr, quer a zakat seja obrigatória ou não sobre esses bens. A sadaqat al-fitr é obrigatória.

É melhor pagar a sadaqat al-fitr um ou dois dias antes do Eid; caso contrário, deve-se pagá-la antes da oração do Eid. Pagá-la antes da oração do Eid é mustahabb.

Quando se der trigo, deve-se dar um ser e três chhatak; a cevada deve ser o dobro disso. Segundo alguns, deve-se dar um ser e doze chhatak e meio de trigo. Tâmaras ou passas devem ser dadas em quantidade equivalente ao dobro do trigo.

A sadaqat al-fitr deve ser dada às pessoas às quais se dá a zakat.

Capítulo do Hajj

Descrição do Hajj

O Hajj é o quinto pilar importante do Islã. O Hajj possui um contexto histórico que inspira a fé. Sem considerar esse contexto, não é possível compreender a grandeza, o significado e o objetivo fundamental do Hajj. Em um ambiente poderoso dominado pela incredulidade e pelo shirk, um servo crente proclamou o tawhid puro. Depois, apesar dos extremos obstáculos e impedimentos impostos pelas forças opressoras da falsidade, ele construiu a história completa do Islã por meio de uma inspiração e de práticas sem precedentes de fé, taqwa, ikhlas, lillahiyyat, ishq e muhabbat, sacrifício e oferenda, obediência pura e absoluta a Allah e completa submissão a Ele; e estabeleceu um centro de tawhid e ikhlas do qual a humanidade continuará recebendo a mensagem do tawhid até o último momento do mundo.

Para recordar novamente essa história e despertar emoção e entusiasmo no coração das pessoas, todos os anos, vindos de lugares longínquos, aqueles apaixonados pelo tawhid, como mariposas enlouquecidas pelo amor, reúnem-se naquele centro e fazem tudo aquilo que seu líder e guia, o honorável Ibrahim (A), havia feito. Às vezes, vestindo duas peças de pano, realizam com emoção e entusiasmo o tawaf da Casa de Allah; outras vezes, são vistos correndo entre os montes Safa e Marwa. Às vezes, permanecem de pé na planície de Arafat, fazendo súplicas diante de Allah; outras vezes, passam a faca na garganta dos animais no local do sacrifício e fazem um voto de amor a Allah. Ao levantarem-se, sentarem-se, andarem e retornarem, de manhã e à tarde, todo o ambiente do Haram continua ressoando com este mesmo chamado: Ó Allah! Teu servo está presente diante de Ti. O louvor e a exaltação pertencem somente a Ti; conceder misericórdia é obra Tua; ninguém compartilha do Teu senhorio e autoridade.

Na realidade, criar essas condições e entregar-se completamente a Allah é o que se chama hajj.

O significado do hajj

Etimologicamente, hajj significa ter a intenção de visitar. Na terminologia da sharia, hajj significa o conjunto de atos de adoração que uma pessoa realiza ao chegar à Casa de Allah. Como, no hajj, o muçulmano tem a intenção de visitar a Casa de Allah, ele é chamado de hajj.

O hajj é um ato de adoração abrangente

Os atos de adoração islâmicos são de dois tipos. Primeiro: os atos de adoração físicos, como a oração e o jejum. Segundo: os atos de adoração relacionados aos bens, como a sadaqa, o zakat, as doações, a caridade e assim por diante. A característica do hajj é que ele é tanto um ato de adoração relacionado aos bens quanto um ato de adoração do corpo. Por meio dos demais atos de adoração permanentes, o ikhlas, o taqwa, a humildade, a modéstia, a ânsia pela servidão, a obediência, o sacrifício, a renúncia, a entrega de si mesmo, a proximidade de Allah e outras motivações e emoções desenvolvem-se separadamente; a abrangência do hajj consiste em que todos esses sentimentos, emoções e estados mentais são produzidos e desenvolvidos ao mesmo tempo e em conjunto.

A primeira mesquita construída sobre a terra para estabelecer a oração, que é a fonte da religião, é aquela em torno da qual os crentes realizam o tawaf com devoção e reverência durante o hajj. Durante toda a vida, o muçulmano reza voltado para a mesquita que fica distante; no hajj, ele tem a felicidade de completar a oração de pé nessa mesma mesquita.

O jejum, que é um meio adequado e indispensável para corrigir o coração e o caráter, permite ao crente afastar-se dos desejos e impulsos do ego, adquirir força por meio da paciência e da tolerância e habituar-se a tornar-se um soldado e um mujāhid de Allah.

Desde o momento de vestir o ihram para o Hajj até o momento de o retirar, passa dia e noite empenhado em semelhante esforço e devoção, apagando do coração, uma a uma, todas as imagens e gravando nele a imagem do amor por Allah. Dia e noite, proclama o chamado do tawhid e torna-se unicamente um porta-estandarte do tawhid.

Ao doar seus bens preciosos na sadaqa e no zakat, o servo crente elimina a tendência à avidez pela riqueza e semeia em seu coração a semente do amor por Allah. No Hajj também, a pessoa doa generosamente, somente por amor a Allah, toda a riqueza que acumulou ao longo da vida e, sacrificando-a em Seu caminho, cumpre o compromisso que assumiu com Ele. Em suma, por meio do Hajj, completam-se simultaneamente todos os objetivos de estabelecer uma relação amorosa com Allah, corrigir o coração e o caráter e alcançar o progresso espiritual. A condição, porém, é que o Hajj não se reduza simplesmente à realização dos rituais do Hajj.

A realidade do Hajj

A realidade ou essência do Hajj é que a pessoa se entregue completamente às mãos de seu Senhor e se torne uma muçulmana sincera. De fato, pode-se esperar da pura essência de Allah Todo-Poderoso o poder de que, apesar de todos os esforços confiáveis de reforma e correção, as falhas e deficiências que permanecem na vida do servo sejam removidas pela bênção das práticas do Hajj e dos lugares do Hajj, e de que ele retorne do Hajj tão purificado como se tivesse nascido hoje. Ao mesmo tempo, o Hajj é também uma pedra de toque da verdadeira condição da pessoa: isto é, revela de quem o Hajj é um Hajj verdadeiro e quem, apesar de cumprir todos os pilares do Hajj e visitar a Casa de Allah, permaneceu privado de seus benefícios. Também é verdade que, embora tenha recebido a oportunidade de realizar o Hajj, a respeito daquele que permanece privado de corrigir a si mesmo pode-se ter pouquíssima esperança de que consiga corrigir-se por algum outro meio. Por isso, é extremamente necessário que aquele que realiza o Hajj examine seus sentimentos, emoções e desejos, e cumpra cada pilar e prática do Hajj com plena sinceridade e consciência, obtendo os benefícios do Hajj para os quais ele foi tornado obrigatório.

Certa pessoa apresentou-se diante de Hazrat Junayd Bagdadi (que Allah tenha misericórdia dele), depois de visitar a Casa de Allah — isto é, retornar do Hajj —, mas não se via qualquer marca do Hajj em sua vida. Ele lhe perguntou: “De onde você vem?” Ela respondeu: “Venho de realizar o Hajj da Casa de Allah.”

Hazrat Junayd, muito surpreso, disse: “Você realizou o Hajj?”

O viajante — Sim, realizei o Hajj.

Hazrat — Quando você deixou sua casa e sua família para partir para o Hajj, estava afastado dos pecados?

Viajante — Hazrat, não pensei dessa maneira.

Hazrat — Então, você nem sequer partiu para o Hajj. Diga-me: nesta jornada sagrada, ao atravessar as etapas e passar as noites nos lugares por onde passou, você também atravessou as etapas que conduzem à proximidade de Allah?

Viajante — Hazrat, nem sequer me ocorreu pensar nessas coisas.

Hazrat — Então, você não fez uma viagem em direção à Casa de Allah, nem atravessou qualquer etapa em direção a ela. Diga-me: quando vestiu o ihram e tirou as roupas que usava diariamente, será que, ao mesmo tempo, lançou para longe de sua vida seus maus hábitos e costumes?

Viajante — Hazrat, não refleti sobre isso dessa maneira.

Hazrat Junayd disse então, com grande tristeza: — Então, onde foi que você vestiu o ihram? Diga-me: quando ficou de pé no campo de Arafat, teve alguma experiência de mushahada?

Viajante — Hazrat, não entendi sequer o significado disso.

Hazrat — Isso significa o seguinte: enquanto fazia a munajat a Allah no campo de Arafat, você sentiu dentro de si que seu Senhor estava diante de você e que você O via?

Viajante — Hazrat, eu não passei por essa situação.

Hazrat — Então, não chegaste a Arafat. Agora diz-me: depois de chegares a Muzdalifah, abandonaste os desejos e as paixões da tua própria natureza?

Viajante — Hazrat, não prestei atenção a esse assunto.

Hazrat — Então, também não foste a Muzdalifah. Agora diz-me: ao fazeres o tawaf da Casa de Allah, contemplaste o esplendor da beleza e o poder miraculoso de Allah?

Viajante — Hazrat, fui privado disso.

Hazrat — Então, de modo algum fizeste o tawaf. Depois, quando realizaste o sa’i entre Safa e Marwa, alcançaste a sabedoria, a essência e o objetivo desse sa’i?

Viajante — Eu não tive qualquer percepção dessas coisas.

Hazrat — Então, pode-se dizer que também não realizaste o sa’i. Depois, quando foste ao local do sacrifício e ofereceste o sacrifício, sacrificaste também a tua própria natureza e os seus desejos e paixões?

Musafir — Hazrat, não prestei atenção a esse aspecto.

Hazrat — Então, onde foi que você ofereceu o sacrifício? Agora diga: quando atirou pedras nos Jamarat, você também lançou para longe de si os seus maus companheiros, associados e os desejos perversos?

Musafir — Isso também não fiz.

Hazrat — Então você também não realizou o ramy.

Então Hazrat Junayd Baghdadi (r) disse, com grande tristeza: “Vá, volte e realize o Hajj novamente com esse estado de espírito, para que se estabeleça uma relação com Hazrat Ibrahim (a.s.), cuja fé e cumprimento da promessa o Alcorão testemunha, dizendo:

*******Árabe*********

“E Ibrahim (a.s.), que cumpriu devidamente a promessa feita ao seu Senhor.”

A grandeza e a importância do Hajj

O Alcorão e a Sunnah lançaram luz detalhada sobre a sabedoria do Hajj, sua posição na religião, sua grandeza e sua importância. O Alcorão diz:

*******Árabe*********

É direito de Allah sobre as pessoas que todo aquele que tiver capacidade e meios para chegar à Casa Sagrada realize o Hajj; e aquele que desobedecer a esta ordem e adotar uma conduta de kufr deve saber que Allah não necessita dos que habitam o universo. (Surata آل عمران: 97)

1. O Hajj é um direito de Allah sobre Seus servos. Para todo aquele que tiver capacidade e meios para ir até a Casa Sagrada, é obrigatório cumprir o direito de Allah. Aqueles que, apesar de terem condições, não realizam o Hajj são injustos que violam o direito de Allah. Esta afirmação do versículo comprova que o Hajj é obrigatório. De fato, fica claro pelo relato de Ali (que Allah esteja satisfeito com ele) que o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) anunciou a obrigatoriedade do Hajj justamente quando este versículo foi revelado. (Tirmidhi — Livro do Hajj)

Nesse sentido, há também uma narração em Sahih Muslim, na qual o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) diz:

Ó pessoas! O Hajj foi tornado obrigatório para vós. Portanto, realizai o Hajj.

2. Outra verdade importante para a qual este versículo chama a atenção é que não realizar o Hajj apesar de ter capacidade constitui uma conduta de kufr, conforme foi dito. Da mesma forma que, em certo lugar, o Alcorão chama o abandono da oração de ato de associação de parceiros a Allah:

*******Árabe*********

E estabelece a oração e não te incluas entre os politeístas (abandonando a oração).

Da mesma forma, nesta passagem do versículo em questão, não realizar o Hajj foi chamado de conduta de kufr. O Profeta (que a paz esteja sobre ele) disse:

Aquele que possui os recursos financeiros necessários para as despesas do Hajj e dispõe de um meio de transporte com o qual pode chegar à Casa de Allah, mas, ainda assim, não realiza o Hajj, que morra como judeu ou como cristão; isso não faz diferença. Isso porque Allah diz:

*******Árabe*********

A intenção do narrador do hadith é que o Profeta (que a paz esteja sobre ele) comparou aos judeus e aos cristãos aqueles que não realizam o Hajj. A razão de se declarar que os que não realizam o Hajj são semelhantes aos judeus e aos cristãos, e que os que não fazem a oração são semelhantes aos politeístas, é que o Povo do Livro havia abandonado completamente o Hajj, enquanto os politeístas, embora realizassem o Hajj, haviam abandonado a oração. Por isso, abandonar a oração foi chamado de prática dos politeístas, e abandonar o Hajj, de prática dos judeus e dos cristãos. Portanto, também é uma verdade decisiva que o próprio Alcorão fez esta advertência às pessoas desse tipo. Como exemplo, o narrador do hadith recitou apenas a primeira parte do versículo. Caso contrário, a advertência para a qual ele chamou a atenção encontra-se nesta parte do versículo, a saber:

*******Árabe*********

Aqueles que, apesar de possuírem recursos, demonstrarem recusa em realizar o Hajj devem saber que Allah, o Altíssimo, não Se importa absolutamente com nada de toda a criação. Ou seja, Ele não Se importa com a conduta de kufr daquele que abandona o Hajj. Ele não Se importa com o estado em que essas pessoas morrem. Esta é a forma mais severa de expressar a advertência. Na realidade, como poderia ser agraciada com fé e orientação a pessoa em relação à qual Allah declara Sua insatisfação e Sua independência?

Hasan (que Allah esteja satisfeito com ele) relata que Umar ibn al-Khattab (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: Tenho a firme intenção de enviar algumas pessoas a todas as cidades que passaram a fazer parte do Estado Islâmico, para que investiguem quem, apesar de ter capacidade para realizar o Hajj, não o realiza. Imporei a jizya sobre essas pessoas (jizya é um tributo de proteção cobrado dos não muçulmanos em troca da segurança de suas vidas e propriedades). Eles não são muçulmanos; eles não são muçulmanos. (Al-Muntaqa)

Muçulmano é aquele que se entrega completamente a Allah, o Altíssimo. E a essência do Hajj também é que a pessoa se entregue completamente a Allah. Se fossem muçulmanos, como poderiam ser privados da bênção do Hajj e, apesar de terem capacidade, como poderiam permanecer indiferentes ao Hajj?

A virtude e o incentivo ao Hajj

Tendo em vista essa importância do Hajj, o Profeta (que a paz esteja com ele) incentivou-o de várias maneiras. Ao descrever repetidamente suas extraordinárias virtudes, despertou o incentivo e o entusiasmo por ele.

1. Aquele que vem para visitar a Casa de Allah e não pratica nenhum ato sexual obsceno nem comete qualquer ato de desobediência a Allah retorna purificado dos pecados, tal como estava purificado no dia em que nasceu do ventre de sua mãe. (Bukhari e Muslim)

2. Aquele que realiza o Hajj e a Umrah é hóspede de Allah. Se ele suplica a Allah, seu Anfitrião, Ele aceita sua súplica; e, se Lhe pede perdão, Ele lhe concede o perdão. (Ibn Majah)

3. Realizai o Hajj e a Umrah consecutivamente. Pois tanto o Hajj quanto a Umrah removem a pobreza, a necessidade e os pecados, assim como a fornalha remove as impurezas do ferro, do ouro e da prata, purificando-os. A recompensa pelo Hajj Mabrur é nada menos que o Paraíso. (Tirmidhi, Nasa’i)

Hajj Mabrur é aquele realizado com sinceridade plena, devoção e cumprimento das condições, no qual o peregrino toma todas as medidas para se manter completamente afastado da desobediência a Allah.

4. Se encontrardes algum visitante do Santuário Sagrado, saudai-o antes que chegue à sua casa, apertai sua mão e pedi-lhe que suplique a Allah pelo perdão dos vossos pecados. Isso porque já foi decretado o perdão dos seus pecados. (Musnad Ahmad)

5. Hazrat Husayn (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: um homem perguntou ao Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele): “Ó Mensageiro de Allah, tanto meu corpo quanto minha mente são fracos.” Foi-lhe dito: “Empreenda um jihad em que nem mesmo um espinho toque o seu corpo.” O questionador perguntou: “Ó Mensageiro de Allah, que espécie de jihad é essa, na qual não há receio de ferimentos nem de sofrimento?” O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) respondeu: “Realize o Hajj.” (Tabarani)

6. Hazrat Abdullah ibn Abbas (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: um homem estava montado muito próximo do Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), no campo de Arafat, quando de repente caiu da montaria e morreu. O Profeta disse: “Dai-lhe o banho fúnebre e sepultai-o com as vestes do ihram.” No Dia da Ressurreição, ele se levantará recitando a talbiyah. (Para a talbiyah, consulte o termo correspondente.) Deixai sua cabeça e seu rosto descobertos. (Bukhari, Muslim)

7. Hazrat Abu Dharr (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) afirmou que o Profeta de Allah, Hazrat Dawud (que a paz esteja sobre ele), perguntou a Allah: “Ó Senhor! Que recompensa receberá o servo que vier visitar a Tua Casa?” Allah respondeu: “Ó Dawud! Ele é Meu hóspede. É seu direito que Eu perdoe seus erros e faltas neste mundo e que, na Vida Futura, quando ele se encontrar Comigo, Eu o honre com a Minha misericórdia.”

Condições para a obrigatoriedade do Hajj

São dez as condições para que o Hajj se torne obrigatório. Se faltar qualquer uma delas, o Hajj não será obrigatório.

1. Islam: o Hajj não pode ser obrigatório para um não muçulmano.

2. Possuir discernimento: o Hajj não é obrigatório para os insanos, os mentalmente incapacitados e os inconscientes.

3. Ter atingido a puberdade: o Hajj não é obrigatório para crianças que ainda não atingiram a puberdade. Se uma pessoa abastada realizar o Hajj durante a infância, antes de atingir a puberdade, a obrigação não será cumprida por meio dele. Depois de atingir a puberdade, deverá realizar o Hajj novamente. O Hajj realizado na infância será voluntário.

4. Capacidade financeira: A pessoa que realiza o Hajj deve ser abastada. Deve possuir uma quantia, além das necessidades essenciais e das dívidas, suficiente para cobrir as despesas da viagem e, até seu retorno do Hajj, deve ter dinheiro suficiente para sustentar os membros da família sob sua responsabilidade, pois, segundo a Sharia, é sua obrigação prover o sustento deles.

5. Liberdade: O Hajj não é obrigatório para escravos e servos.

6. Saúde física: Não estar tão enfermo a ponto de ser impossível viajar. Portanto, não é obrigatório que o coxo, o deficiente, o cego e o extremamente idoso realizem o Hajj pessoalmente. Se todas as outras condições estiverem presentes, poderá fazê-lo por meio de outra pessoa.

7. Não haver qualquer risco à vida por parte de algum governante injusto e tirânico, nem estar encarcerado.

8. Segurança do caminho: Se houver uma situação de guerra, se o caminho estiver sendo obstruído, os meios de transporte estiverem sendo destruídos, houver risco de ladrões e assaltantes no caminho, não for possível viajar por via fluvial devido a desastres naturais ou existir qualquer outro tipo de perigo, nessas circunstâncias o Hajj não será obrigatório. Contudo, em tal situação, a pessoa deve deixar em testamento que, se depois de sua morte as condições e circunstâncias se tornarem favoráveis, outra pessoa realize o Hajj em seu nome.

9. O marido ou um mahram deve acompanhar a viagem do Hajj: A explicação é que, se a viagem durar menos de três noites e dias, é permitido à mulher viajar sem o marido. Se durar mais do que isso, não é permitido viajar para o Hajj sem o marido ou um homem mahram. (A mulher que não tenha marido nem um homem mahram pode viajar com aquelas companheiras de viagem cuja integridade moral seja digna de confiança. Essa é a opinião do Imam Shafi‘i e do Imam Malik. O Imam Shafi‘i (r) explicou assim o que significa companheiras confiáveis: deve haver um certo número de mulheres confiáveis, e elas devem estar viajando para o Hajj acompanhadas de pessoas mahram. Nesse caso, uma mulher sem marido pode viajar com esse grupo. Contudo, ela não deve viajar se houver apenas uma mulher no grupo. Essa opinião do Imam Shafi‘i é muito equilibrada. Ela oferece a uma mulher sem marido e sem mahram a oportunidade de realizar o Hajj, sem o risco das tentações que tornam proibida a viagem de uma mulher sem um mahram.) Também é necessário que esse mahram seja sensato, tenha atingido a puberdade, seja religioso e confiável. Não é permitido viajar com uma criança sem discernimento, uma pessoa perversa ou alguém indigno de confiança.

10. Não estar no período de ‘iddah: Quer se trate da ‘iddah após a morte do marido ou após o divórcio, o Hajj não será obrigatório durante o período de ‘iddah.

Condições para a validade do Hajj

Há quatro condições para que o Hajj seja válido. Se o Hajj for realizado com essas condições, será válido e legítimo; caso contrário, não será.

1. Islam: assim como o Islam é uma condição para que o Hajj se torne obrigatório, também é uma condição para sua validade. Se um não muçulmano cumprir os ritos essenciais do Hajj e, depois, Allah Todo-Poderoso lhe conceder a graça de aceitar o Islam, é necessário, para que esse Hajj seja válido, que o peregrino seja muçulmano.

2. Possuir discernimento: o Hajj de uma pessoa sem discernimento ou insana não será válido.

3. Cumprir todos os ritos essenciais no dia, no horário e no local determinados. Os meses do Hajj são Shawwal, Dhu al-Qa’dah e os dez primeiros dias de Dhu al-Hijjah. Da mesma forma, há horários e locais determinados para a realização de todos os ritos essenciais do Hajj. Se os ritos essenciais do Hajj forem realizados de maneira diferente da prescrita, o Hajj não será válido.

4. Evitar aquilo que invalida o Hajj e cumprir todos os seus ritos essenciais e obrigações. Se algum rito essencial do Hajj não for cumprido ou for deixado de realizar, o Hajj não será válido.

Regras do Hajj

1. Quando todas as condições para a obrigatoriedade do Hajj estiverem presentes, realizar o Hajj uma vez na vida será obrigatório. O Hajj é uma obrigação individual, e sua obrigatoriedade está comprovada pelo Alcorão e pelo Hadith. Quem negar a obrigatoriedade do Hajj é um cáfir; e quem, apesar de estarem presentes as condições do Hajj, não o realizar é pecador e fásiq.

2. Assim que o Hajj se tornar obrigatório, ele deve ser realizado naquele mesmo ano. Adiá-lo sem motivo após sua obrigatoriedade e continuar protelando-o de um ano para outro é pecado.

O Profeta (que a paz esteja com ele) disse: quem pretende realizar o Hajj deve apressar-se em fazê-lo. Pode acontecer que adoeça, que sua camela de montaria se perca ou que surja alguma outra necessidade. (Ibn Majah)

A perda da camela significa ficar sem os meios e recursos para a viagem, a insegurança do caminho ou o surgimento de alguma necessidade que torne impossível realizar o Hajj. A pessoa comparecerá diante de Allah carregando o peso de uma obrigação. Quando as circunstâncias serão favoráveis? E que segurança há na própria vida? Portanto, com que confiança a pessoa adiará e continuará inventando desculpas em vez de realizar o Hajj?

3. Para realizar a obrigação do Hajj, é religiosamente necessário obter a permissão daqueles cuja autorização é exigida pela Shariah; por exemplo, quando os pais de alguém são fracos ou estão doentes e necessitam de sua ajuda, ou quando uma pessoa é devedora de alguém ou fiadora de alguém. Em tais circunstâncias, realizar o Hajj sem permissão é makruh tahrimi.

4. É haram realizar o Hajj com ganhos obtidos de forma haram.

5. Se alguém entrar no miqat sem vestir o ihram, o Hajj torna-se obrigatório.

6. Se alguém adiar o Hajj depois de ele se tornar obrigatório e, posteriormente, ficar incapaz, cego, paralítico ou acometido por uma doença grave, tornando-se inapto para viajar, deverá enviar outra pessoa às suas próprias custas para realizar o Hajj em seu lugar.

O miqat e suas regras

1. Miqat significa o local específico e determinado além do qual não é permitido ir a Meca Mukarramah sem vestir o ihram. Qualquer que seja o motivo pelo qual alguém queira ir a Meca Mukarramah, é indispensável que, ao chegar ao miqat, vista o ihram. Prosseguir sem vestir o ihram é makruh tahrimi. (Ilmul Fiqh)

2. Para as pessoas que chegam de diferentes países, foram determinados cinco miqates.

a. Zul Hulafa:

Este é o miqat dos habitantes de Medina, bem como daqueles que desejam ir a Meca Mukarrama pelo caminho de Medina. Este miqat situa-se a aproximadamente oito ou nove quilômetros no caminho de Medina para Meca. Entre todos os outros miqates, este é o que está mais distante de Meca; os habitantes de Medina também têm esse direito porque sempre fizeram maiores sacrifícios no caminho de Alá.

b. ذات عرق (Zate Iraque):

Este é o miqat do Iraque e das pessoas que chegam pelo caminho do Iraque. Está situado a aproximadamente oitenta quilômetros a nordeste de Meca.

c. Juhfa:

Este é o miqat da Síria e das pessoas que chegam pelo lado da Síria. Está situado a aproximadamente cento e oitenta quilômetros a oeste de Meca.

d. Qarn al-Manazil:

Um local montanhoso situado na estrada a leste de Meca Mukarrama, aproximadamente cinquenta quilômetros de Meca. Este é o miqat dos habitantes de Najd e daqueles que chegam por esse caminho.

e. Yalamlam:

Um local montanhoso situado na estrada que vem do Iêmen, a sudeste de Meca, aproximadamente sessenta milhas de Meca. Este é o miqat do Iêmen e daqueles que chegam por esse caminho. Este também é o miqat dos habitantes da Índia, do Paquistão e de Bangladesh.

Esses miqats foram determinados pelo próprio Profeta (que a paz esteja com ele). Isso é conhecido a partir de Bukhari e Muslim. Esses miqats são para aqueles que residem fora dos miqats, chamados, na terminologia, de afaqis. Quanto àqueles que residem dentro dos miqats: se estiverem dentro dos limites do Haram, o próprio Haram será o seu miqat. Mas, se estiverem no Hil, fora dos limites do Haram, então o Hil será o seu miqat. Contudo, para quem reside dentro do Haram e deseja vestir o ihram para a umra, o seu miqat é o Hil, não o Haram.

Os preceitos obrigatórios do Hajj

O Hajj possui quatro preceitos obrigatórios. Se algum deles for omitido, o Hajj não será válido. São eles:

1. Ihram — é uma condição e um pilar do Hajj.

2. Permanecer em Arafat, ainda que por algum tempo.

3. No Tawaf de Ziyarat, as quatro primeiras voltas são fard e as três restantes são wajib.

4. Cumprir esses fard em local determinado, no tempo determinado e na ordem determinada.

Ihram e suas questões jurídicas

1. Vestir a roupa do Hajj e recitar a Talbiyah com a intenção de realizar o Hajj chama-se ihram. Depois de fazer a intenção do Hajj e recitar a Talbiyah, a pessoa torna-se muhrim. Assim como, depois de pronunciar o takbir na oração, a pessoa entra na oração e, então, comer, beber, deslocar-se e coisas semelhantes se tornam haram, do mesmo modo, depois de fazer o ihram, o Hajj começa. Em seguida, muitas coisas que eram permitidas e mubah antes de fazer o ihram tornam-se haram durante o estado de ihram. Por isso ele é chamado de ihram.

2. Qualquer que seja o motivo para ir a Meca — viagem, comércio ou qualquer outro propósito — é absolutamente obrigatório fazer o ihram ao chegar ao miqat. Avançar para além do miqat sem ihram é makruh tahrimi.

3. Tomar banho antes de fazer o ihram é sunnat mu’akkadah. Também é masnun dar banho às crianças. Para as mulheres, também é masnun tomar banho durante a menstruação e o período pós-parto. No entanto, se for difícil ou penoso tomar banho, deve-se obrigatoriamente fazer wudu. Esse wudu ou banho destina-se apenas à limpeza e à higiene, não à pureza ritual. Por isso, se não houver água, não é necessário fazer tayammum.

4. Para o banho do ihram, é mustahabb cortar o cabelo e as unhas, vestir um lençol branco e um tahband, e aplicar perfume.

5. Também é permitido fazer o ihram antes de chegar ao miqat. Se for possível preservar a dignidade do ihram, isso é melhor. Caso contrário, é wajib fazer o ihram depois de chegar ao miqat.

6. Ações proibidas durante o ihram: entre elas, há algumas que são proibidas em todos os momentos. Porém, durante o ihram, as seguintes ações constituem pecados ainda mais graves:

1. Envolver-se em relações sexuais ou conversar sobre assuntos sexuais; é proibido desfrutar desse tipo de conversa até mesmo com a própria esposa.

2. Desobedecer a Allah e cometer pecados.

3. Brigar, discutir e insultar. Falar de maneira ríspida.

4. Caçar animais selvagens. A caça não é apenas haram; também é haram prestar qualquer tipo de ajuda ao caçador, indicar-lhe o caminho ou fazer qualquer sinal apontando para a caça.

5. Usar roupas costuradas, como camisa, panjabi, pijama, sherwani, terno, gorro, colete, luvas e outras semelhantes. As mulheres podem usar salwar kameez. Também podem usar meias e, se desejarem, joias.

6. Usar roupas coloridas ou tingidas com cores perfumadas. As mulheres podem usar roupas de seda e também roupas coloridas; contudo, elas não podem ser perfumadas.

7. Cobrir a cabeça e o rosto. As mulheres devem manter os cabelos cobertos.

8. Lavar a cabeça e a barba com sabão e produtos semelhantes.

9. Raspar os pelos de qualquer parte do corpo. Remover os pelos com qualquer meio.

10. Cortar as unhas ou limpá-las esfregando-as em pedras ou algo semelhante.

11. Aplicar perfume.

12. Usar óleo.

7. Atos permitidos durante o ihram:

Além dos assuntos mencionados acima, tudo é permitido. Por exemplo:

1. Descansar à sombra.

2. Tomar banho e lavar a cabeça, mas sem usar sabão.

3. Coçar o corpo ou a cabeça. Porém, deve-se ter cuidado para que nenhum cabelo se solte nem caiam piolhos do cabelo.

4. Levar consigo dinheiro, armas e coisas semelhantes.

5. Não há mal em fazer negócios durante o tempo livre. No Alcorão está dito:

 ******Árabe********

Durante o Hajj, se buscardes a graça de vosso Senhor (lucro por meio dos negócios), não há mal nisso.

6. Trocar ou lavar as roupas do ihram.

7. Usar anel, relógio e coisas semelhantes.

8. Aplicar kohl, mas não kohl perfumado.

9. Fazer a circuncisão.

10. Contrair matrimônio.

11. Matar animais nocivos, como águias, corvos, ratos, cobras, escorpiões, tigres, cães e semelhantes. O Profeta (que a paz esteja com ele) disse que, no Haram ou durante o ihram, não há culpa em matar cinco tipos de animais: ratos, corvos, águias, escorpiões e cães ferozes.

12. A caça marítima é permitida. Se alguém que não esteja em ihram oferecer como presente uma caça terrestre, será permitido comê-la.

8. O método de entrar no ihram:

Deve cortar cuidadosamente o cabelo e as unhas, tomar banho, aplicar perfume e vestir as roupas do ihram. Isto é, vestirá uma única peça de pano e um tahband, e fará duas rak‘ahs de oração nafl. Depois, formulará a intenção de realizar o hajj ou a umrah e recitará a talbiyah. (Se for mufrid, formulará a intenção somente do hajj. Se for qarin, formulará a intenção tanto do hajj quanto da umrah. Se for mutamatti‘, primeiro formulará a intenção da umrah e, depois de concluí-la, formulará a intenção do hajj. Para esses termos, consulte o glossário.) Assim que recitar a talbiyah após formular a intenção do hajj ou da umrah, o ihram se torna obrigatório para ele. Então, ele passa a ser muhrim. Se, em vez da tarbiyah, um camelo destinado ao sacrifício for enviado em direção a Meca, ele substituirá a talbiyah.

A talbiyah e suas questões jurídicas

As palavras que o peregrino do Haram pronuncia logo após fazer a intenção do Hajj são chamadas de talbiyah, a saber:

*******Árabe*********

Ó Allah, eis-me aqui. Eis-me aqui, respondendo ao Teu chamado. Eis-me aqui diante de Ti; não tens parceiro algum. Na verdade, Tu és digno de todo louvor e agradecimento. Dar e conceder favores é obra Tua. Ninguém é parceiro Teu no Teu domínio e autoridade.

1. Depois de vestir o ihram, é obrigatório recitar a talbiyah uma vez. Recitá-la muitas vezes é sunnah.

2. Deve-se continuar recitando a talbiyah desde o momento de vestir o ihram até atirar as pedras na primeira jamrah, no dia 10 de Zul-Hijjah. Deve-se recitá-la a cada descida e subida, sempre que os companheiros da caravana se encontrarem, após cada oração e de manhã e à tarde.

3. Recitar a talbiyah em voz alta é sunnah. O Profeta (que a paz esteja com ele) disse: Jibril (que Allah esteja satisfeito com ele) veio até mim e transmitiu esta ordem: que eu ordenasse aos meus companheiros que recitassem a talbiyah em voz alta. (Muwatta do Imam Malik (que Allah esteja satisfeito com ele), Tirmidhi, Abu Dawud e outros. Contudo, as mulheres não devem recitar a talbiyah em voz alta. Está escrito em Hidayah que as mulheres não devem elevar a voz ao recitar a talbiyah, pois há o risco de fitnah. Elas também não devem fazer ramal nem correr durante o sa’i, pois isso prejudicaria o recato.)

4. Ao recitar a talbiyah, deve-se recitá-la três vezes. Recitá-la três vezes é mustahabb.

5. Falar enquanto se recita a talbiyah é makruh. É permitido responder à saudação.

6. Não se deve cumprimentar com salam quem estiver recitando a talbiya. É makruh cumprimentá-lo.

7. Depois da talbiya, é mustahabb recitar o durood.

A sabedoria e as virtudes da talbiya

Depois da construção da Caaba, Allah, o Altíssimo, ordenou ao Seu amado Habib, Hazrat Ibrahim (que a paz esteja com ele):

E proclama um chamado geral às pessoas para o Hajj, para que venham até ti de lugares distantes, caminhando ou montadas em camelos.

Na realidade, esta talbiya é a resposta ao chamado feito por Allah, da parte do servo. O servo diz: “Ó Senhor, ouvi o Teu chamado e vim apresentar-me diante de Ti em resposta ao convite que fizeste.” O visitante da Casa de Allah proclama este brado repetidamente. Na realidade, ele diz: “Ó Senhor! Tu nos chamaste para comparecer à Tua Casa, e nós, por puro amor a Ti, abandonamos tudo e viemos apresentar-nos como loucos. Agradecemos a Tua misericórdia e as Tuas dádivas. Reconhecemos a Tua unicidade.” O brado da talbiya faz ecoar a crença na unicidade nas veias do crente e prepara-o de tal forma que o propósito da sua vida neste mundo passa a ser unicamente transmitir por toda parte a mensagem da unicidade.

Ao descrever as virtudes da talbiya, o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: quando um servo crente proclama “Labbayk”, tudo o que está à sua direita e à sua esquerda também proclama “Labbayk”, seja pedra, planta, árvore ou terra. Esse brado chega até mesmo de uma extremidade da Terra à outra. (Tirmidhi)

O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) também disse: quando uma pessoa em ihram proclama “Labbayk, Labbayk” durante todo o dia e, ao pôr do sol, isso acontece, todos os seus pecados são perdoados, e ela se torna tão pura como se tivesse acabado de nascer do ventre de sua mãe.

Súplica após a Talbiya

*******Árabe*********

Ó Allah, peço-Te a Tua satisfação e o Paraíso, e busco refúgio do Inferno à sombra da Tua misericórdia.

Hazrat Ammar ibn Khuzayma narra, citando seu pai, que, quando o Profeta (que a paz esteja com ele) recitava a Talbiya para entrar no ihram, suplicava a satisfação e a misericórdia de Allah e buscava refúgio do Inferno por meio da Sua misericórdia. (Musnad al-Shafi‘i)

Depois de entrar no ihram, o visitante da Baytullah pode fazer qualquer súplica que desejar e quantas quiser. Mas deve, antes de tudo, fazer a súplica acima, conforme a Sunna, pois ela é uma súplica abrangente. A satisfação de Allah, a obtenção do Paraíso e a libertação do Inferno são as três aspirações máximas de um crente e o resultado de todos os seus esforços.

O Waqūf e suas questões jurídicas

1. Waqūf significa permanecer de pé e permanecer em um lugar. Durante o Hajj, é necessário permanecer em três lugares, e as regras relativas a esses três lugares são diferentes. Além disso, para realizar os atos que devem ser praticados enquanto se permanece nesses lugares, é preciso chegar até eles. Não é necessário formular a intenção nem permanecer de pé para isso. Contudo, segundo os Ahl al-Hadith, formular a intenção é uma condição.

2. O mais importante é Arafat, onde se deve permanecer. Arafat é uma planície imensa. A área de Arafat começa onde termina o limite do Haram; essa planície fica a cerca de quinze quilômetros de Meca Mukarrama. Permanecer na planície de Arafat é um dos grandes pilares do Hajj. Aliás, certa vez o Profeta (que a paz esteja com ele) chamou a permanência em Arafat de Hajj. Ele disse:*******Árabe********* No Dia de Arafat, quando milhões de pessoas, vestindo a mesma roupa, permanecem diante de Allah como a personificação da humildade e da submissão, é como se, naquele momento, tivessem se despedido do mundo e chegado à planície da Ressurreição. É uma cena grandiosa, que desperta a fé. Permanecer aqui faz surgir na mente a lembrança da planície da Ressurreição.

A importância disso é que, se, por alguma razão, o peregrino não conseguir chegar a Arafat no dia 9 de Zul-Hijjah ou durante a noite seguinte, seu Hajj não será válido. Se outras cerimônias do Hajj, como o tawaf, o sa‘i, o ramy e outras, forem deixadas de realizar, é possível compensá-las. Mas, se não permanecer em Arafat, não há maneira de compensar isso.

3. O período para permanecer em Arafat começa depois que o sol declina no dia 9 de Zul-Hijjah (após a oração do Zuhr e do Asr). Contudo, como este é o maior pilar do Hajj e o Hajj depende dele, esse período foi ampliado e foi concedida a oportunidade de que, se alguém conseguir chegar a Arafat, ainda que por alguns instantes, em qualquer momento antes do amanhecer da noite entre o dia 9 e o dia 10 de Zul-Hijjah, sua permanência será válida e seu Hajj será realizado. Abd al-Rahman ibn Ya‘mar al-Dabli disse: Ouvi o Profeta (s) dizer: “O wuquf do Hajj é em Arafat. Quem chegar antes do alvorecer na noite de Muzdalifa terá realizado o Hajj.” (Tirmidhi, Abu Dawud)

4. Quanto mais longa for a permanência em Arafat, melhor. Deve-se permanecer diante de Allah com a percepção e o sentimento de estar no campo da Ressurreição. O servo deve dizer a si mesmo: “Rompi os vínculos com tudo e estou diante d’Ele, sozinho, para resolver minha situação e implorar Sua graça.” Este é o momento mais valioso da vida do crente. Quem sabe se terá novamente essa felicidade durante a vida? Por isso, mantendo despertas a força da fé e da autoanálise, é preciso sentir plenamente a importância de cada momento deste dia e desta noite. A respeito do Profeta (s), Hazrat Jabir (ra) disse: Após as orações do Zuhr e do Asr, o Profeta (s) montou sua camela, Qaswa, e chegou ao local específico de permanência no campo de Arafat. Em seguida, virou sua camela na direção em que havia grandes blocos de pedra. Depois, ficou de pé voltado para a qibla, com as pessoas diante dele. Quando o sol se pôs, partiu em direção a Muzdalifa. (Muslim)

5. Ao explicar a importância e a virtude da permanência em Arafat, o Profeta (s) disse: “Entre os 360 dias do ano, não há dia em que Allah liberte mais servos do fogo do Inferno do que no dia de Arafat. Nesse dia, Allah se aproxima muito dos servos e, diante dos anjos, orgulha-se deles, dizendo: ‘Ó anjos! Vejam o que esses servos desejam’.” (Muslim) Hazrat Anas ibn Malik (ra) disse: O Profeta (s) permaneceu no campo de Arafat. Quando o sol estava prestes a se pôr, fez um sinal a Hazrat Bilal (ra), dizendo: “Silêncio.” Então o Profeta (s) disse: “Ó pessoas! Há pouco, Jibril veio até mim e transmitiu a saudação de Allah e esta mensagem: Allah perdoou todos os que estão no campo de Arafat.” Hazrat Umar (ra) perguntou: “Ó Mensageiro de Allah! Esta mensagem é exclusiva para nós, os Companheiros, ou para toda a comunidade?” O Profeta (s) respondeu: “É para vocês e também para aqueles que vierem aqui depois de vocês.” (At-Targhib)

Súplicas do campo de Arafat

É preciso dedicar especial atenção às súplicas do campo de Arafat e, durante a permanência ali, manter-se sempre concentrado em Allah. O Profeta (s) disse: “A melhor súplica é a súplica do dia de Arafat.” A seguir, são apresentadas algumas súplicas masnun:

(a) O Profeta (s) fazia a súplica abaixo com muita frequência no campo de Arafat:

*******Árabe*********

Ó Allah! Tu és digno de um louvor como aquele com que Tu mesmo Te louvaste, e és muito mais digno de louvor do que aquilo que somos capazes de oferecer. Ó Allah! Para Ti são a minha oração, o meu sacrifício, a minha vida e a minha morte. A Ti terei de retornar, e tudo o que tenho é para Ti. Ó Allah! Busco refúgio em Ti contra o castigo da sepultura, contra as sugestões malignas (waswasa) que surgem na mente, contra as consequências perversas das ações e contra a discórdia. Ó Allah! Busco a Tua proteção contra todas as calamidades que o vento traz. (Tirmidhi)

(b) No Al-Hizbul Maqbul foi mencionada uma súplica abrangente; recitá-la trará bênçãos.

*******Árabe*********

Ó Allah! Peço-Te o bem que o Teu Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) Te pediu, e busco em Ti refúgio contra os males dos quais o Teu Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) buscou refúgio em Ti. Ó Senhor! Nós cometemos grande injustiça contra nós mesmos. Se não nos perdoares e não tiveres misericórdia de nós, estaremos entre os perdedores. Ó meu Senhor! Faz de mim alguém que estabelece a oração e concede também aos meus filhos a capacidade de fazê-lo. Ó Senhor! Aceita a minha súplica. Perdoa os meus pais. Perdoa todos os muçulmanos no dia em que ocorrerá o Dia do Juízo. Ó meu Senhor! Tem misericórdia de ambos os meus pais, assim como eles me criaram com carinho e amor durante a minha infância. Ó Senhor! Perdoa-nos e perdoa os nossos irmãos que nos precederam na fé, e não permitas que haja em nossos corações qualquer rancor ou hostilidade contra aqueles que creram. Ó Allah! Tu és Grandioso em benevolência e misericórdia! Ó Senhor! Tu ouves e sabes tudo; aceita o nosso arrependimento, pois és Aquele que aceita o arrependimento e é misericordioso. Não há força para evitar os pecados nem capacidade para cumprir os mandamentos em lugar algum, exceto junto de Allah, o Altíssimo e Magnificentíssimo.

(c) O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) recomendou que esta súplica fosse recitada com frequência:

*******Árabe*********

Ó nosso Senhor! Concede-nos o bem neste mundo e o bem na Outra Vida, e salva-nos do fogo do Inferno.

Além dessas súplicas masnūn, há ainda outras súplicas masnūn que podem ser recitadas. Além disso, a pessoa deve pedir a Allah todos os bens deste mundo e da Outra Vida que possa desejar, e pedi-los repetidamente. Isso porque, nesse momento, Allah torna-Se extremamente misericordioso para com o Seu servo e não priva o Seu hóspede.

7. É obrigatório permanecer em Muzdalifa. É sunnah entrar a pé nos limites de Muzdalifa. Durante a permanência ali, é mustahabb recitar ocasionalmente a talbiyah, o tahlil e o tahmid. É sunnah passar ali uma noite. Consta no hadith que o Profeta (que a paz e as bênçãos de Alá estejam sobre ele) partiu de Arafat para Muzdalifa após o pôr do sol e, ao chegar ali, rezou conjuntamente as orações do Maghrib e do Isha. Depois, deitou-se e descansou até o Fajr.

8. É sunnah chegar a Mina em algum momento do dia 8 do mês de Zul-Hijjah. É mustahabb chegar ali depois do nascer do sol, rezar o Zuhr ali e passar a noite no mesmo lugar.

O tawaf e suas questões

O significado literal de tawaf é dar voltas e circundar algo. Na terminologia islâmica, significa circundar e dar voltas devotamente ao redor da Casa de Alá.

A grandeza e a dignidade da Casa de Alá

A Casa de Alá não é simplesmente uma casa de tijolos e pedras. Pelo contrário, é na Terra um sinal especial da grandeza de Alá e um centro especialmente venerado de Sua religião, que o próprio Alá Todo-Poderoso, sob Sua própria supervisão, fez construir por um profeta respeitado e ilustre, cuja liderança é igualmente reconhecida por judeus, cristãos e muçulmanos.*******Árabe********* E recorda o tempo em que designamos para Abraão o local desta Casa (a Caaba). (Surata Al-Hajj: 26)

O Sagrado Alcorão testemunha que a primeira casa construída para a adoração de Alá foi precisamente esta Casa de Alá (a Caaba).

*******Árabe*********

Sem dúvida, a primeira Casa de adoração construída para a humanidade é aquela que se encontra em Meca.

Na realidade, a Baitullah é o centro de origem da religião. Segundo a explicação do Alcorão, ela é a fonte do tawhid e o verdadeiro local da oração; e o tawhid e a oração são o cérebro e a essência de toda a religião. No que diz respeito à crença, o tawhid é a base fundamental da religião, e, no que diz respeito às ações, a oração é o pilar da religião. A construção da Baitullah destinou-se precisamente a esses dois objetivos fundamentais. Por isso, Allah declarou-a fonte de bem, bênção e orientação:*******Árabe*********Nela foram concedidos o bem e a bênção, e ela foi transformada em fonte de orientação para todos os povos. (Allah diz na ayah 125 da Surata Al-Baqarah:

*******Árabe*********

E recomendamos a Ibrahim e Ismail, dizendo: «Purificai a Minha Casa para os que fazem a inclinação e a prostração.» Na ayah 26 da Surata Al-Hajj é dito:

*******Árabe*********

E recorda quando determinámos para Ibrahim o local desta Casa, dizendo: «Não associes ninguém a Mim e purifica a Minha Casa para os que realizam o tawaf, permanecem em oração, fazem a inclinação e a prostração.»)

No Alcorão, Allah mencionou-a em dois lugares como*******Árabe********* (Minha Casa), e, quando o profeta Ibrahim (que a paz esteja com ele) reassentou os seus descendentes no deserto pedregoso de Meca, disse: «Ó Allah! Reassentei-os junto à Tua Casa.» (É dito na ayah 37 da Surata Ibrahim:

*******Árabe*********

Ó Allah! Reinstalei meus filhos junto à Tua Casa sagrada, num deserto sem água nem vegetação. Que maior prova da grandeza da Casa de Allah poderia haver do que o fato de Allah, o Altíssimo, ter declarado que visitá-la e realizar o hajj é um direito Seu sobre os muçulmanos? O hajj consiste em que o crente vista o ihram — isto é, considerando-se apto a comparecer perante a Casa de Allah — e circunde-a com devoção. Beijará a Pedra Negra nela fixada, aproximará intimamente o corpo e o coração do Multazam, rezará na Mesquita Sagrada e permanecerá em Arafat.

A virtude do tawaf

O propósito da construção da Casa de Allah é que se faça o tawaf ao seu redor. Allah, o Altíssimo, enfatizou isso ao venerável Ibrahim (que a paz esteja com ele), e essa determinação foi mencionada no Alcorão em dois lugares.

*******Árabe*********

*******Árabe*********

1. Purifica a Minha Casa para os que realizam o tawaf. (Surata Al-Baqarah: 125)

2. Devem realizar o tawaf ao redor desta Casa antiga. (Surata Al-Hajj: 26)

Ao descrever a virtude do tawaf, o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) disse: “O tawaf em torno da Casa de Allah é uma forma de adoração semelhante à oração. A única diferença é que, durante o tawaf, podeis falar, enquanto na oração isso não é permitido. Portanto, se alguém quiser falar durante o tawaf, que de sua boca saiam palavras boas.” (Tirmidhi, Nasa’i)

Hazrat Abdullah ibn Umar (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: ouvi o Profeta (que a paz esteja com ele) dizer que tocar o Hajar al-Aswad e o Rukn al-Yamani com a mão é uma expiação pelos pecados. Também o ouvi dizer que a recompensa daquele que circunda esta Casa sete vezes, com plena devoção e concentração, equivale à libertação de um escravo. Ouvi ainda o Profeta (que a paz esteja com ele) dizer que, por cada passo dado durante o tawaf, Allah perdoará um pecado e registrará uma boa ação. (Tirmidhi)

Istilam

Literalmente, istilam significa tocar e beijar. Em termos técnicos, significa beijar o Hajar al-Aswad e tocar o Rukn al-Yamani. É sunnah fazer o istilam do Hajar al-Aswad no início de cada volta ou circundação do tawaf e também ao concluir o tawaf. Fazer o istilam do Rukn al-Yamani é mustahabb.

Ao fazer o istilam do Hajar al-Aswad, deve-se observar que nenhum som seja emitido pela boca no momento do beijo. É sunnah apenas encostar o rosto no Hajar al-Aswad. Deve-se também observar que, se não for possível beijá-lo devido à extrema aglomeração, deve-se tocar o Hajar al-Aswad com um bastão ou algo semelhante e beijá-lo. Se isso também não for possível, deve-se erguer as mãos até as orelhas, com as palmas voltadas para o Hajar al-Aswad, e beijar as mãos.

Sobre a virtude de fazer o istilam do Hajar al-Aswad e do Rukn al-Yamani, o Profeta (que a paz esteja com ele) disse:

Por Allah! No Dia da Ressurreição, Allah lhe dará vida e o fará levantar-se. Ele terá dois olhos, com os quais verá, e uma boca, com a qual falará. Ele testemunhará em favor de todos os servos que fizeram o seu istilam. (Tirmidhi, Ibn Majah)

A súplica do Rukn al-Yamani

Ao expor a virtude do Rukn al-Yamani, o Profeta (que a paz esteja com ele) disse: há setenta anjos designados para o Rukn al-Yamani. Eles dizem “Amém” após a súplica de cada servo que fizer esta súplica:

Ó Allah! Peço-Te perdão e bem-estar neste mundo e no Além. Ó nosso Senhor! Concede-nos o bem neste mundo e também no Além. Protege-nos do fogo do Inferno e concede-nos um lugar no Paraíso junto aos virtuosos.

Os tipos de tawaf e suas disposições jurídicas

O tawaf da Baitullah é de seis tipos, e a disposição jurídica de cada um é diferente.

1. Tawaf de Ziyarat: também é chamado de tawaf de ifadah e tawaf do hajj. O tawaf de ziyarat é um dos pilares do hajj. O Alcorão diz: *******Árabe*********deve-se circundar esta Casa antiga. Os imãs são unânimes em afirmar que aqui se faz referência ao tawaf de ziyarat, realizado no dia dez, após a permanência em Arafat. Se, por algum motivo, não for possível realizá-lo no dia dez de Zul-Hijjah, ele também pode ser realizado nos dias onze ou doze.

2. Tawaf de Qudum: também é chamado de tawaf de tahiyyah. O primeiro tawaf realizado após a entrada em Meca é chamado de tawaf de qudum. Este tawaf é obrigatório apenas para aqueles que residem fora do miqat. (No quinto volume de Ilmul Fiqah e em Quduri, ele é considerado sunnah. Segundo o Imã Malik (r), entretanto, o tawaf de qudum é considerado obrigatório. Seu argumento é que o Profeta (s) disse: quem vier para visitar a Baitullah deve realizar o tawaf de tahiyyah. Aynul Hidayah, volume um, p. 997.) Em terminologia, essa pessoa é chamada de afaqi.

3. Tawaf de despedida: o último tawaf realizado ao partir da Baitullah é chamado de tawaf de despedida ou tawaf de sadr. Este tawaf também é obrigatório para o afaqi (aquele que vem de fora do miqat). Após este tawaf, deve-se abraçar-se ao Multazam, encostar nele o peito e a face direita, segurar com a mão direita a cortina da Baitullah e suplicar com extrema humildade e voz embargada pelas lágrimas. Este é o momento da despedida, e não se sabe quando essa felicidade será concedida novamente. A orientação do Profeta (s) sobre este tawaf é:

Ninguém deve partir da Baitullah sem realizar o tawaf de despedida. Somente a mulher que estiver menstruada está isenta disso. (Bukhari)

4. Tawaf da Umrah: este é o tawaf da umrah, que constitui um de seus pilares. Sem este tawaf, a umrah não será válida.

5. Tawaf do voto: se alguém fizer um voto de realizar o tawaf, cumpri-lo torna-se obrigatório.

6. Tawaf voluntário: pode ser realizado a qualquer momento, durante todo o período em que houver oportunidade de permanecer em Meca. Que privilégio maior pode uma pessoa ter do que realizar muitos tawafs?

Obrigações do tawaf

Durante o tawaf, é obrigatório observar cuidadosamente nove coisas.

1. Purificar-se da impureza ritual: isto é, purificar-se da impureza ritual menor e da maior. Não é permitido às mulheres realizar o tawaf durante a menstruação ou o sangramento pós-parto. Quando a menstruação começou durante o Hajj de Aisha, que Allah esteja satisfeito com ela, ela começou a chorar. O Profeta, que Allah o abençoe e lhe conceda paz, disse: “O que há para chorar nisso? Isto é algo relacionado ao sangue das filhas de Adão. Continua realizando tudo o que os peregrinos realizam, mas não realizes o tawaf da Casa de Allah até que estejas purificada disso.” (Bukhari e Muslim)

2. Cobrir a awrah: isto é, cobrir as partes do corpo que é obrigatório cobrir. O Profeta, que Allah o abençoe e lhe conceda paz, disse:*******Árabe********* isto é, ninguém deve realizar o tawaf nu, com a awrah descoberta. (Bukhari)

3. Começar o tawaf realizando o istilam do Hijr al-Aswad.

4. Começar o tawaf pelo lado direito. Jabir, que Allah esteja satisfeito com ele, disse: depois de o Profeta, que Allah o abençoe e lhe conceda paz, chegar a Meca, a primeira coisa que fez foi dirigir-se ao Hijr al-Aswad, realizar o seu istilam e, em seguida, começar o tawaf pelo lado direito.

5. Realizar o tawaf a pé. Se houver uma desculpa válida, é permitido realizar o tawaf montado. É permitido realizar o tawaf voluntário montado mesmo sem desculpa, mas é melhor fazê-lo a pé.

6. Depois das quatro primeiras voltas obrigatórias do tawaf, completar as três voltas restantes (chaut).

7. Depois de completar as sete voltas do tawaf, realizar duas rak‘at de oração. Hadrat Jabir (que Allah esteja satisfeito com ele) relata: depois que chegamos à Casa Sagrada com o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), ele fez o istilam do Hajar al-Aswad. Nas três primeiras voltas, fez ramal (ver o termo), e realizou as quatro restantes normalmente. Em seguida, avançou em direção ao Maqam Ibrahim e recitou este versículo: “E tomai o Maqam Ibrahim como lugar permanente de oração”. Então, ficou de tal maneira que o Maqam Ibrahim permaneceu entre ele e a Casa Sagrada; depois, realizou a oração. (Muslim)

8. Realizar o tawaf pelo lado de fora do Hatim, para que o Hatim fique incluído no tawaf.

9. Manter-se afastado dos atos proibidos durante o ihram.

Súplica do tawaf

Ao chegar junto ao Hajar al-Aswad para realizar o tawaf da Casa Sagrada,*******Árabe*********dizendo isso, deve-se recitar a seguinte súplica:

*******Árabe*********

Ó Allah! Crendo em Ti, reconhecendo a veracidade do Teu Livro e seguindo a Sunnah do Teu Profeta (que a paz esteja sobre ele), inicio este istilam e o tawaf.

Durante o tawaf, recite lentamente esta súplica:

*******Árabe*********

Allah está acima de todas as falhas e deficiências; todo louvor pertence a Ele; não há divindade além de Allah, e Allah é o Maior. Não há poder senão em Allah que possa guiar ao caminho reto, nem poder que possa livrar do pecado.

Quando chegar ao Rukn al-Yamani, recite-a no espaço entre o Rukn al-Yamani e o Hajar al-Aswad.

*******Árabe*********

Recite também a seguinte súplica:

*******Árabe*********

Ó Allah! Concede-me satisfação com aquilo que me deste e abençoa-me nisso. E sê o Guardião de todas as coisas ocultas, com bondade e benefício.

Também é bom recitar, junto com ela, a seguinte súplica:

*******Árabe*********

Não há divindade além de Allah. Ele é Uno e Único, e não tem associado algum. A soberania pertence a Ele, todo louvor pertence a Ele, e Ele é Poderoso sobre todas as coisas.

Questões do tawaf

1. Depois de completar cada tawaf, isto é, cada circuito, é obrigatório rezar duas rak‘ahs. É makruh tahrimi juntar dois tawafs e não rezar entre eles.

2. Se, depois de completar sete circuitos, alguém fizer um oitavo, deverá completar mais seis circuitos e realizar outro tawaf. Isso porque, depois que uma adoração voluntária é iniciada, ela se torna obrigatória.

3. Nos horários em que a oração é makruh, o tawaf não é makruh.

4. Se, durante o tawaf, chegar o horário de alguma das cinco orações diárias, ou ocorrer uma oração fúnebre, ou surgir a necessidade de renovar a ablução, não é necessário recomeçar o tawaf depois de atender a essas necessidades. Deve-se retomá-lo do ponto em que foi interrompido e completá-lo.

5. Se, durante o tawaf, alguém esquecer quantas voltas já realizou, deverá recomeçá-lo. Porém, se uma pessoa confiável lhe recordar o número, deverá agir de acordo com o que ela disser.

6. Durante o tawaf, é makruh comer e beber, comprar e vender, recitar poesia ou cantarolar, bem como falar sem necessidade.

7. Durante o tawaf, é masnun estar purificado da najasat haqiqiyya.

8. No tawaf realizado inicialmente tanto no Hajj quanto na Umrah, é masnun fazer ramal, e também é masnun fazer iztibag. (Veja a terminologia referente a isso.)

Ramal

Caminhar rapidamente, inclinando e balançando os ombros, de modo a demonstrar força, autoridade e prestígio. Isso é chamado de ramal.

Quando o Profeta (que a paz esteja com ele) chegou a Meca, no sétimo ano da Hégira, para realizar a Umrah acompanhado de um grande número de nobres Companheiros (que Allah esteja satisfeito com eles), algumas pessoas começaram a comentar entre si: “O que aconteceu com eles? Eles ficaram muito fracos e debilitados. O clima de Medina arruinou a saúde deles. Na verdade, o clima de Medina é muito ruim.”

Quando o Profeta (que a paz esteja com ele) ouviu essas palavras dos habitantes de Meca, ordenou que se fizesse ramal nas três primeiras voltas do tawaf, isto é, que se caminhasse rapidamente, demonstrando força. Allah, o Altíssimo, apreciou tanto a conduta de Seus servos naquela ocasião que ela passou a ser considerada uma sunnah permanente.

O ramal é sunnah somente no tawaf em que se realiza o sa’i. Portanto, se alguém não quiser realizar o sa’i depois do tawaf al-qudum, não fará ramal nesse tawaf. Contudo, fará ramal no tawaf az-ziyarah, após o qual deverá realizar o sa’i. Da mesma forma, se aquele que realiza o hajj qiran tiver feito ramal no tawaf da umrah, não fará ramal no tawaf do hajj. Se alguém esquecer de fazer ramal nas três primeiras voltas, não o fará mais depois. Fazer ramal nas sete voltas é makruh tanzihi.

Iztibā’

Colocar o xale ou algo semelhante sobre o corpo de modo que, em vez de colocar uma das extremidades sobre o ombro direito, ela passe por baixo da axila direita, deixando o ombro direito descoberto. Dessa forma também se pode demonstrar força.

Os wajib do hajj

Os wajib do hajj são nove

1. Realizar o sa’i, isto é, caminhar rapidamente entre Safa e Marwa. (É isso que se entende da declaração do Alcorão Sagrado. Contudo, segundo os Ahl al-Hadith, o sa’i é fard. A prova disso é o seguinte hadith:

*******Árabe*********

Isto é, Allah Ta‘ala não considera completo o Hajj e a ‘Umrah daquele que não realizou o sa‘i entre Safa e Marwa. (Muslim)

2. Permanecer em Muzdalifa. Isto é, chegar lá em algum momento entre o início do Fajr e o nascer do sol.

3. Realizar o ramy. Isto é, atirar pedras contra as Jamarat.

4. Realizar o Tawaf al-Qudum. Isto é, depois de entrar em Meca, realizar primeiramente o tawaf da Kaaba. O Tawaf al-Qudum é wajib para aqueles que vivem fora do miqat, chamados afaqis.

5. Realizar o tawaf de despedida. Isto é, realizar o tawaf no momento da despedida final da Kaaba. Este também é wajib somente para os afaqis.

6. Raspar a cabeça ou cortar o cabelo. Depois de completar os pilares do Hajj, deve-se raspar a cabeça ou cortar o cabelo. No dia 10 de Dhu al-Hijjah, depois de atirar pedras contra a Jamrat al-‘Aqabah, é wajib raspar a cabeça ou cortar o cabelo.

7. Reunir as orações. Isto é, realizar conjuntamente o Zuhr e o ‘Asr no campo de ‘Arafat, e o Maghrib e o ‘Isha em Muzdalifa; isso é wajib.

9. Realizar em ordem o ramy, raspar a cabeça e oferecer o sacrifício.

Sa‘i

No dicionário, a palavra sa‘i significa caminhar cuidadosamente, correr e esforçar-se. Em sentido técnico, sa‘i refere-se ao ato obrigatório do hajj no qual o visitante do Haram corre entre os dois montes chamados Safa e Marwa. Safa está situado ao sul da Casa de Allah, e Marwa, ao norte. Atualmente, restam apenas vestígios desses dois montes, e duas vias pavimentadas foram construídas no espaço entre eles: uma para correr de Safa até Marwa e outra para ir de Marwa até Safa. Ou seja, são duas vias paralelas, de ida e volta. Um enorme teto foi construído sobre essas duas vias, cobrindo-as, para que os praticantes do sa‘i não sofram com o sol.

A realidade e a sabedoria do sa‘i

O Sagrado Alcorão diz:

*******Árabe*********

Safa e Marwa certamente estão entre os símbolos de Allah. …….. é o plural da palavra. Aquilo que é designado como sinal para fazer alguém sentir e recordar um significado espiritual ou uma lembrança religiosa é chamado de ……… . Na realidade, esses lugares (Safa e Marwa) são locais memoráveis da adoração de Allah e da manifestação concreta do Islã. Marwa é o lugar onde o amado de Allah, Hadrat Ibrahim (A.S.), deitou seu único filho, Hadrat Ismail (A.S.), de bruços e se preparou para passar a faca em sua garganta, a fim de transformar em realidade o sonho que tivera. Ao mesmo tempo, sacrificando para a satisfação de Allah o que havia de mais precioso em sua vida, ele deu testemunho concreto de sua própria declaração de*******Árabe********* (Eu me submeti completamente ao Senhor dos Mundos).

Assim que viu essa extraordinária cena de submissão ou entrega, Allah o chamou e disse: “Ibrahim! Tu tornaste realidade o teu sonho.” Não há dúvida de que isso foi uma grande prova.

*******Árabe*********

E Nós lhe chamamos: “Ó Ibrahim! Tu demonstraste a veracidade do teu sonho. Certamente, é assim que recompensamos os virtuosos. Na verdade, isto é uma prova evidente.”

Ao contemplar Safa e Marwa, toda essa história do sacrifício naturalmente surge na mente do crente. E, juntamente com ela, também surgem as imagens de Ibrahim e Ismail, que a paz esteja com ambos.

Para firmar essa verdade no coração e recordar essa história inspiradora, Allah, o Altíssimo, incluiu o sa’y entre os ritos do Hajj.

Allah diz:

*******Árabe*********

Portanto, quem realizar o Hajj ou a Umrah não cometerá pecado ao realizar o sa’y entre ambos. E quem realizar voluntariamente uma boa ação, Allah a conhece perfeitamente e lhe concederá sua recompensa.

Na época da Jahiliyyah, os politeístas de Meca haviam construído altares para seus ídolos sobre essas duas colinas. Sobre Safa havia o ídolo de Asaf, e sobre Marwa, o de Na’ila. Fazia-se o tawaf ao redor deles. Por isso, havia dúvida e divergência entre os muçulmanos sobre se deveriam realizar o sa’y entre essas duas colinas. Então Allah disse que não havia pecado em realizar esse sa’y, pois o sa’y faz parte dos ritos do Hajj (os atos que devem ser realizados). Entre os ritos do Hajj ensinados ao Profeta Ibrahim (que a paz esteja com ele) estava também a ordem de realizar o sa’y entre Safa e Marwa. Portanto, os muçulmanos devem realizar com entusiasmo o sa’y entre Safa e Marwa, sem qualquer repugnância ou relutância. Allah conhece perfeitamente o estado dos corações e considera com respeito os sentimentos sinceros e as boas ações das pessoas.

Questões relativas ao sa’y

1. É obrigatório realizar o sa’i após o tawaf da Caaba. Não é permitido realizar o sa’i antes do tawaf.

2. Durante o sa’i, não é obrigatório estar purificado do hadath menor e do hadath maior, embora isso seja masnun.

3. No sa’i, devem ser feitas sete passagens. Todas as sete são obrigatórias.

4. É masnun iniciar o sa’i imediatamente após concluir o tawaf, mas isso não é obrigatório.

5. É obrigatório iniciar o sa’i em Safa.

6. É obrigatório realizar o sa’i a pé. Em circunstâncias especiais, ele pode ser realizado montado.

7. Durante todo o Hajj, deve-se realizar o sa’i apenas uma vez, seja após o tawaf al-qudum, seja após o tawaf az-ziyarah. É melhor realizá-lo após o tawaf az-ziyarah.

8. É masnun subir em Safa e Marwa, levantar as duas mãos para fazer súplicas voltado para a Caaba e suplicar.

9. Durante o sa’i, é makruh comprar e vender. Se necessário, pode-se conversar.

O modo de realizar o sa’i e as súplicas

Independentemente de se realizar o sa’i após o Tawaf al-Qudum ou o Tawaf al-Ziyarah, depois de concluir o tawaf deve-se subir ao monte Safa. Em seguida, deve-se recitar este versículo:*******Árabe*********(Safa e Marwah estão entre os sinais de Allah, o Altíssimo.) Deve-se subir em Safa até uma altura da qual seja possível avistar a Casa de Allah. Depois, voltado para a Casa de Allah, deve-se dizer Allahu Akbar três vezes e recitar a seguinte súplica:

*******Árabe*********

Não há divindade além de Allah. Ele é Único e não tem parceiro algum. A soberania pertence somente a Ele, e todos os louvores também pertencem a Ele. Ele tem pleno poder sobre todas as coisas. Não há divindade além de Allah, e Ele é Único. Ele cumpriu Sua promessa, ajudou Seu servo e, sozinho, derrotou todos os grupos de incrédulos. (Muslim)

Depois, deve-se recitar o Durud Sharif e fazer a súplica que se desejar. Deve-se suplicar por si mesmo, pelos parentes e pelos entes queridos. Este é um lugar em que as súplicas são aceitas. Por isso, deve-se suplicar de todo o coração pelo bem-estar neste mundo e na Outra Vida. Em seguida, deve-se recitar novamente a seguinte súplica:

*******Árabe*********

Ó Allah! Tu disseste: ‘Pedi-Me, e Eu vos darei.’ E Tu jamais faltas à Tua promessa. O que Te peço é que, assim como me concedeste a capacidade de aceitar o Islam, não me prives jamais dessa bênção; faze com que eu morra dessa forma e possa morrer como muçulmano. (Muwatta)

Depois, deve-se descer de Safa, dirigir-se a Marwa e recitar esta súplica:

*******Árabe*********

Ó Senhor! Perdoa-me e tem misericórdia de mim. Tu és o Todo-Poderoso e Magnificentíssimo.

No caminho de Safa para Marwa, encontram-se duas marcas verdes à esquerda. É sunnah correr no trecho entre essas duas marcas. Isso é apenas para os homens. As mulheres devem caminhar em ritmo normal, pois, se corressem, haveria comprometimento do recato.

Depois, ao subir o monte Marwa, devem-se recitar as mesmas súplicas que foram recitadas sobre Safa. Deve-se permanecer ocupado por algum tempo com o dhikr e o tasbih, pois este é um lugar onde as súplicas são aceitas.

Depois, deve-se descer de Marwa, retornar em direção a Safa e recitar as mesmas súplicas que foram recitadas na ida. Do mesmo modo, deve-se correr no trecho entre as duas marcas verdes. Assim, deve-se ir de Safa a Marwa e de Marwa a Safa sete vezes.

Rami

O significado literal de rami é lançar e fazer chegar ao alvo. Como termo técnico, rami designa o ato ritual em que os peregrinos lançam pedras contra os três pilares. Fazer rami nos jamarat é obrigatório. Jamarat é o plural de jimar ou jumrah. O fragmento de pedra é chamado jumrah. No caminho de Mina, há três pilares, distantes uns dos outros, cada um da altura de uma pessoa. Como pedras são lançadas contra eles, também são chamados jamarat. Os três são chamados Jamarat al-Ula, Jamarat al-Wusta e Jamarat al-Aqabah. O que fica mais próximo de Meca é chamado Jamarat al-Aqabah. O seguinte é chamado Jamarat al-Wusta, e o outro, que fica próximo da Mesquita de Khayf, é chamado Jamarat al-Ula.

A essência e a sabedoria do Ramy

Pouco antes do nascimento do Santo Profeta (S) — segundo a maioria, cinquenta dias antes — Abraha, o governante cristão da Abissínia, lançou uma ofensiva em direção a Meca com a má intenção de destruir a Baitullah. Ele avançou para atacar Meca com um enorme exército, acompanhado de uma tropa de elefantes. Chegou até o vale de Muhassir, muito próximo de Meca. Para frustrar sua má intenção, Allah Todo-Poderoso providenciou o envio de bandos de pássaros vindos do mar. Cada um deles trazia uma pequena pedra no bico e duas nas patas, e lançou-as sobre todo o exército com tamanha intensidade que a maior parte dele se transformou em ruínas no próprio local, enquanto os sobreviventes caíam pelo caminho e morriam. Assim, Allah Todo-Poderoso destruiu a conspiração de Abraha.

O apedrejamento dos Jamarat recorda aquela chuva destruidora de pedras. Lançar pedras contra os Jamarat proclamando a grandeza de Allah com “Allahu Akbar” é, na realidade, advertir o mundo sobre esta verdade e declarar a própria resolução de que a existência do crente neste mundo é para preservar a religião de Allah.

Declara-se, por meio do apedrejamento dos Jamarat, a resolução de que, se alguma força lançar um olhar mal-intencionado contra a religião e tentar erradicá-la, será destruída.

Questões relativas ao Ramy

1. O Ramy é wajib. Segundo o Imam Malik, o Ramy em Jamrat al-Aqaba é fard; se esse Ramy não for realizado, o Hajj será invalidado.

2. É masnun realizar o Ramy estando de pé em um local baixo. Realizá-lo de um local elevado é makruh.

3. É masnun dizer “Allahu Akbar” ao lançar cada pedra.

4. Se a pedra não atingir a Jamarat, isto é, se errar o alvo, não haverá culpa nisso.

5. No dia dez de Zul-Hijjah, isto é, no primeiro dia, deve-se lançar pedras somente na Jamarat al-Aqaba. Depois, nos dias onze e doze, deve-se lançar pedras nas três Jamarat. No dia treze, lançar pedras é mustahab. Ao todo, lançam-se pedras sete vezes. É preciso lançar quarenta e nove pedras, sete de cada vez.

6. É makruh quebrar uma pedra grande para transformá-la em sete.

7. É makruh lançar pedras mais de sete vezes.

8. É wajib lançar as sete pedras uma por uma, em sete lançamentos. Se alguém lançar as sete pedras de uma só vez, isso será considerado apenas um lançamento.

9. Para o ramy, é mustahab trazer consigo, ao vir de Muzdalifah, pequenas pedras da planície de Muhassir. É makruh recolher pedras dos arredores da Jamarat.

É importante observar que Allah aceita as pedras que permanecem junto à Jamarat. As que são aceitas em Sua presença são levadas pelos anjos. Por isso, é makruh realizar o ramy com as pedras que ficam ali.

Hazrat Abu Sa’id al-Khudri perguntou ao Profeta (que a paz esteja com ele): “Ó Mensageiro de Allah! Parece que a quantidade das pedras com que realizamos o ramy todos os anos diminui.” Ele respondeu: “Sim, as que Allah aceita dentre elas são levadas. Caso contrário, veríeis as pedras amontoadas como montanhas.” (ad-Daraqutni)

10. É makruh realizar o rami com uma pedrinha sobre a qual se tenha certeza de que é impura.

11. No dia dez, deve-se interromper a talbiya assim que se começar o rami. Está registrado no Sahih Bukhari que o Profeta (s) continuou recitando a talbiya até realizar o rami na Jamarat al-Aqaba.

12. No décimo dia de Dhu al-Hijjah, o horário masnun para realizar o rami vai do nascer do sol até o meio-dia. Depois disso, é permitido realizá-lo até o pôr do sol, mas, após o pôr do sol, é makruh. Nos outros dias, o horário masnun para realizar o rami vai do meio-dia até o pôr do sol.

13. É masnun passar uma noite em Mina para realizar o rami.

14. Depois de realizar o rami na Jamarat al-Aqaba no décimo dia, é masnun realizar o rami nos outros dias na seguinte ordem:

Primeiro, deve-se realizar o rami na Jamarat al-Ula, situada perto da Mesquita de Khayf. Depois, na Jamarat al-Wusta e, por fim, na Jamarat al-Aqaba.

15. É preferível realizar a pé o rami na Jamarat al-Ula e na Jamarat al-Wusta, e realizá-lo montado na Jamarat al-Aqaba.

16. Depois de realizar o rami na Jamarat al-Ula e na Jamarat al-Wusta, é masnun permanecer de pé durante o tempo necessário para recitar a surata al-Fatiha, ocupar-se com o tahmid, o tahlil, o takbir, o salawat e outras recitações semelhantes, e fazer súplicas com as mãos levantadas.

17. Entre Mina e Meca havia uma planície chamada Muhassab. Atualmente, há uma área habitada nesse local. Hoje ela é chamada de Mu’ahada. Durante a Peregrinação de Despedida, o nobre Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) permaneceu aqui. Hazrat Anas (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) realizou aqui as orações do meio-dia, da tarde, do pôr do sol e da noite. Depois, descansou ali por algum tempo. Em seguida, partiu dali, chegou à Casa de Allah e realizou o tawaf. (Bukhari)

Contudo, permanecer aqui não é sunnah, wajib nem obrigatório. Não há culpa alguma em não fazê-lo.

18. O rami pode ser realizado com qualquer objeto com o qual o tayammum seja permitido, como tijolos, pedras, argila queimada, seixos, terra, torrões e semelhantes. Não é permitido fazer rami com madeira ou qualquer objeto metálico.

Método e súplica para realizar o rami

Na Jamarat al-Aqaba, deve-se abandonar a talbiyah antes do primeiro lançamento e realizar o rami. O método sunnah de realizar o rami é ficar de pé em um local mais baixo e recitar primeiro esta súplica:

*******Árabe*********

Começo em nome de Allah. Allah é o Maior. Faço isto para frustrar as más maquinações de Satanás e alcançar a satisfação de Allah. Ó Allah, torna esta peregrinação uma peregrinação mabrur. Perdoa os pecados e aceita este esforço.

Depois, segurará cada seixo com os dedos e o lançará dizendo “Allahu Akbar”, mirando a Jamarat. É makruh lançar pedras de cima da montanha na Jamarat al-Aqaba, lançar com tijolos ou pedras grandes, ou lançar com seixos que estejam caídos perto da Jamarat.

Questões sobre raspar a cabeça ou cortar o cabelo

Raspar a cabeça ou cortar o cabelo é um dos atos indispensáveis do hajj. Allah diz:

*******Árabe*********

Certamente entrareis na Mesquita Sagrada, se Allah quiser, em segurança, com as cabeças raspadas ou os cabelos cortados. E não tereis nenhum temor. (Surata Al-Fath: 27)

Na realidade, raspar a cabeça ou cortar o cabelo é um método determinado pela Shariah para sair do estado de ihram e tornar-se permitido. Ao expressar sua opinião sobre o significado disso, Shah Waliullah (r) diz: o significado de raspar a cabeça é que este é um método especialmente determinado para sair do estado de ihram. Se fosse determinado um método contrário à dignidade, cada pessoa encerraria seu ihram conforme sua própria vontade e instituiria métodos diferentes. (Hujjatullah al-Baligha)

1. No dia dez de Zul-Hijjah, o Dia do Sacrifício, é obrigatório raspar a cabeça ou cortar o cabelo após realizar o ramy na Jamarat al-Aqabah.

2. Para os homens, tanto raspar a cabeça quanto cortar o cabelo é permitido. Contudo, a virtude de raspar a cabeça é maior, pois o Profeta (s) suplicou duas vezes pelo perdão para aqueles que raspam a cabeça, e uma vez pelo perdão para aqueles que cortam o cabelo. (Abu Dawud, Jamaul Fawaid)

3. As mulheres devem cortar uma parte do cabelo. Não lhes é permitido raspar a cabeça. Hazrat Ali (r) disse que o Profeta (s) proibiu as mulheres de rasparem a cabeça.

4. Para os homens, é permitido cortar uma quantidade equivalente à largura de um dedo de todo o cabelo da cabeça; também é permitido aparar um pouco de um quarto do cabelo. Para as mulheres, basta aparar um pouco as pontas dos cabelos.

5. Se alguém não tiver cabelo algum na cabeça ou for calvo, será suficiente passar apenas a lâmina sobre a cabeça.

6. Se alguém remover o cabelo usando algum produto depilatório, isso também será permitido.

7. Depois de raspar a cabeça ou aparar o cabelo, termina o estado de ihram, e então tornam-se lícitas para a pessoa todas as coisas que eram proibidas durante o ihram. Contudo, as relações sexuais com a esposa ainda não serão permitidas até que se conclua o tawaf de ziyarat.

Descrição do sacrifício

A história do sacrifício é tão antiga quanto a história da religião ou da humanidade. Em diferentes épocas, os seres humanos adotaram diversos métodos e formas de expressar reverência, oferecimento da vida, submissão, amor e afeição, humildade e modéstia, renúncia e sacrifício, culto e obediência. Levando em consideração a psicologia humana e seus sentimentos e emoções, a Sharia de Allah determinou para a humanidade esses métodos e formas, juntamente com suas próprias e distintas reformas e correções morais. As pessoas também ofereceram suas vidas diante das divindades que elas mesmas haviam imaginado. E essa é a manifestação suprema do sacrifício. Allah também reservou para Si esse oferecimento da vida. Ele declarou ilícito oferecer a vida dessa maneira a qualquer outro além d’Ele.

O primeiro sacrifício na história da humanidade

O primeiro sacrifício na história da humanidade foi o sacrifício de Habil e Qabil, os dois filhos de Hazrate Adão. Ele é mencionado no Alcorão.

*******Árabe*********

E relata-lhes corretamente a história dos dois filhos de Adão. Quando ambos ofereceram um sacrifício, o sacrifício de um foi aceito, mas o do outro não. (Surata Al-Ma’idah: 27)

De fato, um deles, chamado Abel, apresentou como sacrifício um carneiro muito belo, com sincero empenho no coração, buscando alcançar a satisfação de Allah.

O outro se chamava Caim. Sem a devida atenção, apresentou como sacrifício certa quantidade de grãos impróprios para o consumo. Um fragmento de fogo desceu do céu e consumiu o sacrifício de Abel. Isso era considerado um sinal de aceitação. Por outro lado, o fogo nem sequer tocou nos grãos de Caim. Esse era o sinal de que não haviam sido aceitos.

O sacrifício em todas as leis divinas

Em todas as leis divinas reveladas por Allah, havia a determinação do sacrifício. Ele era uma parte indispensável da adoração de cada comunidade.

*******Árabe*********

Para cada comunidade, estabeleci um rito de sacrifício, para que mencionassem o nome de Allah sobre os animais que Ele lhes concedeu. (Surata Al-Hajj: 34)

Em outras palavras, o sacrifício existia entre os atos de adoração de todas as legislações religiosas. Naturalmente, nas legislações dos profetas de diferentes épocas, países e povos, as regras, os métodos e os pormenores do sacrifício variavam conforme as circunstâncias. Contudo, o princípio comum a todas as legislações celestiais é que o sacrifício de animais deve ser feito unicamente para Allah e somente mencionando o Seu nome.

*******Árabe*********

Portanto, mencionai apenas o nome de Allah sobre esses animais.

A menção exclusiva do nome de Allah sobre os animais foi expressa em termos inequívocos. Isto é, para abatê-los, deve-se fazê-lo mencionando o nome de Allah, e em Seu nome deve-se abatê-los buscando a Sua satisfação. Isso porque Ele vos concedeu esses animais. Ele os submeteu ao vosso serviço e colocou neles diversos benefícios para vós.

O sacrifício é uma grande lembrança

O sacrifício que os muçulmanos realizam atualmente em todo o mundo, e a grandiosa cena de devoção que se pode observar como resultado dele, é, na realidade, o fidya de Hazrat Ismael (A.S.). Ao apresentar no Alcorão o acontecimento desse grandioso sacrifício, ele foi denominado Islã, iman e ihsan.

O sacrifício é, na realidade, a manifestação concreta de uma resolução, de uma fé firme, de submissão e da disposição de entregar a própria vida: tudo o que o ser humano possui pertence a Allah e deve ser consagrado ao Seu caminho. É também um sinal desta verdade: basta uma indicação de Allah para que o servo não hesite sequer em oferecer o próprio sangue. O nome desse compromisso, dessa submissão e da disposição de entregar a própria vida é

iman, Islã e ihsan.

*******Árabe*********

Quando ele (Ismael) atingiu a idade de acompanhar seu pai, Abraão lhe disse certo dia: “Meu querido filho, vi em sonho que estava te sacrificando. Diga-me, o que você acha?” O filho respondeu, sem hesitar: “Meu pai! Cumpra prontamente aquilo que lhe foi ordenado. Se Allah quiser, você me encontrará firme.” Finalmente, quando pai e filho se submeteram ambos a Allah, e Abraão deitou o filho de bruços para sacrificá-lo, Nós o chamamos: “Ó Abraão, você confirmou o sonho. Assim recompensamos os benfeitores. Na verdade, isto foi uma prova manifesta. E resgatamos Ismael com um grandioso sacrifício, como redenção. E deixamos esta sunna de Abraão como uma lembrança entre as gerações futuras. Paz sobre Abraão! Assim recompensamos os que fazem o bem. Certamente, ele estava entre os Nossos servos crentes.” (Surata As-Saffat: 102–111)

Isto é, enquanto o mundo existir, esta grandiosa lembrança do sacrifício permanecerá intacta entre a comunidade muçulmana, como redenção de Ismael. Allah preservou a vida de Ismael em troca dessa redenção, para que, até o Dia da Ressurreição, Seus servos devotados pudessem oferecer sacrifícios em todo o mundo precisamente neste dia. Assim, poderiam manter viva a lembrança desse grandioso acontecimento de obediência e entrega da vida. Os iniciadores desta sunna imutável do sacrifício foram Abraão e Ismael; e os crentes da comunidade do Profeta Muhammad, que entregam suas vidas, continuarão esta sunna até o Dia da Ressurreição.

Uma instrução dirigida ao Profeta (que a paz esteja sobre ele).

Foi ordenado ao Profeta (que a paz esteja sobre ele) que mantivesse desperta, durante toda a vida, a motivação e a consciência do sacrifício e da entrega da vida.

*******Árabe*********

Dize: “Ó Muhammad (que a paz esteja sobre ele), certamente minha oração, meu sacrifício, minha vida e minha morte pertencem todos a Allah, Senhor dos mundos. Ele não tem associado algum. Isso me foi ordenado, e eu sou o primeiro entre todos a submeter-me e obedecer-Lhe.” (Surata Al-An’am: 162–163)

Ter uma fé firme em Allah e uma convicção sólida em Sua unicidade significa que todos os esforços do ser humano devem ser dedicados à Sua satisfação. Ele deve sacrificar tudo isso em Seu caminho e apresentar a prova de sua fé, de seu Islã, de sua obediência e de sua disposição de entregar a vida.

O verdadeiro lugar do sacrifício é aquele onde, todos os anos, milhões de peregrinos oferecem seus próprios sacrifícios. Na realidade, este é um dos ritos do Hajj. Contudo, o Allah Misericordioso não privou dessa grande honra também aqueles que vivem longe de Meca e não participaram do Hajj. A ordem do sacrifício não se destina somente àqueles que realizam o Hajj da Casa de Allah; ao contrário, é uma instrução geral. Ela se aplica a todo muçulmano abastado. E está comprovado pelo hadith que Hazrat Abdullah ibn Umar (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) viveu dez anos em Medina e ofereceu um sacrifício todos os anos. (Tirmidhi, Mishkat)

O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: aquele que, apesar de ter capacidade, não oferece um sacrifício, que não se aproxime do nosso local de oração do Eid. (Jama‘ al-Fawa’id)

Hazrat Anas (que Allah esteja satisfeito com ele) disse que, no dia do Eid al-Adha, o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) declarou: quem ofereceu o sacrifício antes da oração do Eid deve oferecê-lo novamente. Quanto àquele que o ofereceu depois da oração, seu sacrifício está completo e ele adotou corretamente o procedimento dos muçulmanos.

É verdade que, no dia do Eid al-Adha, em Meca, não há nenhuma oração antes da qual oferecer o sacrifício seja contrário à sunnah dos muçulmanos. Essa é a prática de Medina, e foi justamente seu testemunho que Hazrat Abdullah ibn Umar (que Allah esteja satisfeito com ele) apresentou. Ele também disse que o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) oferecia o sacrifício no próprio local de oração do Eid.

O aspecto espiritual do sacrifício

O Alcorão aponta para três objetivos importantes do sacrifício. A verdade é que o sacrifício, na realidade, é aquele que é realizado com a percepção desses objetivos.

1. O animal do sacrifício é um símbolo da adoração a Allah

*******Árabe*********

E fizemos os camelos destinados ao sacrifício, para ti, como um dos símbolos de Allah. (Surata Al-Hajj: 36)

……. é o plural da palavra ………… . …….. (Shariah) é o símbolo especial que chama a atenção para uma verdade espiritual e significativa e se torna um meio e um sinal para recordá-la. O animal do sacrifício é o sinal perceptível dessa verdade espiritual. Aquele que oferece o sacrifício expressa, na realidade, o sentimento de que o sangue do animal sacrificado substitui o seu próprio sangue. Ele também expressa o sentimento de que sua vida será sacrificada no caminho de Allah da mesma forma como sacrificou esse animal.

2. O sacrifício é uma expressão prática de gratidão pelas dádivas de Allah, o Altíssimo।

*******Árabe*********

Assim, submetemos esses animais ao vosso serviço, para que possais ser gratos. (Surata Al-Hajj: 36)

Allah, o Altíssimo, concedeu uma grande graça aos seres humanos ao submeter os animais ao seu serviço. O ser humano obtém muitos benefícios deles. Bebe o seu leite e come a sua carne. Com os seus ossos, couro, lã e outros materiais, fabrica diversos produtos. Utiliza a sua ajuda na agricultura. Transporta cargas sobre os seus lombos e também os utiliza como montaria. Por meio deles, manifesta igualmente a sua influência e prestígio. O Alcorão aponta para esses benefícios e, ao mencionar que eles foram submetidos ao serviço do ser humano, deseja despertar o incentivo para louvar Allah e demonstrar gratidão. Ao mesmo tempo, deseja criar a compreensão de que o sacrifício deve ser oferecido em nome do Grandioso Allah, que concedeu essa enorme dádiva. O sacrifício é uma expressão prática de gratidão pela grande dádiva de Allah.

3. O sacrifício é uma manifestação da grandeza e supremacia de Allah

*******Árabe*********

Allah submeteu os animais a vocês dessa maneira, para que proclamem Sua grandeza de acordo com a orientação que Ele lhes concedeu. (Surata Al-Hajj: 37)

Isto é, abater um animal em nome de Allah é, na realidade, uma declaração de que o Allah que concedeu essas bênçãos e que submeteu esses animais para nós é o verdadeiro Proprietário deles. O qurbani é uma expressão de gratidão ao verdadeiro Proprietário e também a manifestação concreta de que o coração do crente mantém fé na grandeza e supremacia de Allah.

Ao passar a faca pela garganta do animal, ele manifesta e declara concretamente a verdade mencionada acima; e, ao pronunciar “Bismillah, Allahu Akbar”, reconhece essa verdade.

A força vital do qurbani

Na época pré-islâmica, depois de oferecerem o qurbani, as pessoas levavam sua carne e a deixavam diante da Baitullah. Untavam suas paredes com o sangue. O Alcorão disse: Allah não necessita de modo algum dessa carne e desse sangue. O que chega a Ele é o sentimento do qurbani que surge — ou deveria surgir — em seus corações no momento do abate. Carne e sangue não são o qurbani. Ao contrário, qurbani é o nome dessa concepção: tudo o que temos pertence a Allah e deve ser oferecido em Seu caminho.

Aquele que oferece o qurbani não passa a faca apenas pela garganta do animal. Ao contrário, passa a faca sobre todas as suas más inclinações e as elimina. O qurbani oferecido sem esse sentimento não é a sunna de Hazarat Ibrahim (A.S.) e Hazarat Ismail (A.S.), mas apenas um costume nacional. Nele há, de fato, abundância de carne, mas falta a taqwa, que é a força vital do qurbani.

*******Árabe*********

O sangue e a carne desses animais não chegam de modo algum a Allah; ao contrário, chega a Ele, da parte de vocês, a sua taqwa.

Aos olhos de Allah, a qurbani por trás da qual não há o sentimento fervoroso de taqwa não tem valor algum. Allah só aceita a ação cuja motivação é a taqwa.

*******Árabe*********

Allah aceita somente as ações dos muttaqis.

O aspecto espiritual da qurbani do camelo

E fizemos os camelos destinados à qurbani como símbolos da adoração a Allah para vocês. Neles há apenas benefício e benefício para vocês. Portanto, ponham-nos de pé, alinhados, e mencionem sobre eles o nome de Allah. Quando caírem de lado sobre a terra, então comam da sua carne e alimentem tanto aqueles que não pedem quanto aqueles que pedem. (Surata Al-Hajj: 36)

O método da qurbani do camelo consiste em colocá-los de pé numa fila e golpeá-los na garganta com uma arma afiada; então um fluxo de sangue jorra deles. Depois que o sangue se esgota, eles caem ao chão. Grave uma vez em sua mente essa cena da qurbani e reflita sobre o que realmente é o sacrifício do animal. Ele representa isto: que também estamos preparados para que nossas vidas sejam sacrificadas no caminho de Allah. Na realidade, essa qurbani substitui o sacrifício dos entes queridos. É nesse sentido que você deve refletir sobre a qurbani do camelo. Pense uma vez na cena de ele ser ferido, o sangue jorrar, cair ao chão e entregar a vida no caminho de Allah, como se os soldados de Allah estivessem de pé, alinhados, no campo de jihad. Flechas ou balas do inimigo perfuram suas gargantas; depois, fontes de sangue começam a jorrar. Em seguida, a terra tingida de sangue testemunha a entrega de suas vidas, enquanto eles caem um a um ao chão e oferecem suas vidas às mãos de Allah.

Método e súplica da qurbani

Para o abate ritual, o animal deve ser deitado de modo que fique voltado para a qibla, e a faca deve estar muito afiada. Sempre que possível, a qurbani deve ser abatida pelas próprias mãos. Se, por algum motivo, não puder abatê-la pessoalmente, deve permanecer de pé junto dela.

Ao realizar o abate, deve-se primeiro recitar esta súplica—

*******Árabe*********

Volto o rosto, afastando-me de todas as direções, e dirijo-me com devoção sincera à religião de Ibrahim, para aquele Allah que criou os céus e a terra, e jamais faço parte dos que associam parceiros a Ele. Certamente, minha oração, meu sacrifício, minha vida e minha morte são por Allah, o Senhor dos mundos. Ele não tem parceiro algum. Foi isso que me foi ordenado, e sou um dos submissos. Ó Allah! Isto é oferecido somente por Ti e é uma dádiva Tua. (Mishkat)

Em seguida, deve-se realizar o abate dizendo “Bismillahi Allahu Akbar”. Depois do abate, deve-se recitar esta súplica—

*******Árabe*********

Ó Allah! Aceita este sacrifício da minha parte, assim como aceitaste o sacrifício do Teu amado Habib Muhammad (que a paz esteja com ele) e do Teu Khalil Ibrahim (que a paz esteja com ele).

No início da súplica há a palavra ………… . Se o sacrifício for meu, deve-se dizer …… . E, se for em nome de outra pessoa ou de várias pessoas, devem-se mencionar os seus nomes.

As virtudes e a importância do sacrifício

O Profeta (que a paz esteja com ele), mencionando a excelência do sacrifício e suas inúmeras recompensas, disse:

1. No dia do Nahr, isto é, no dia 10 do mês de Zul-Hijjah, não há obra melhor, aos olhos de Allah, do que fazer correr o sangue do animal do sacrifício. No Dia da Ressurreição, o animal sacrificado comparecerá com seus chifres, sua lã e seus cascos. O sacrifício é aceito antes mesmo que seu sangue caia ao chão. Portanto, oferece o sacrifício com entusiasmo e o coração satisfeito. (Tirmidhi, Ibn Majah)

2. Os nobres Companheiros (que Allah esteja satisfeito com eles) perguntaram ao Profeta (que a paz esteja com ele): “Ó Mensageiro de Allah! O que é este sacrifício?” O Profeta respondeu: “Esta é a sunnah de vosso pai Ibrahim (que a paz esteja com ele).” Os Companheiros perguntaram: “Ó Mensageiro de Allah! Que recompensa receberemos por isso?” O Profeta (que a paz esteja com ele) respondeu: “Recebereis uma recompensa por cada pelo do animal.” (Tirmidhi, Ibn Majah)

3. Hazrat Abu Sa’id al-Khudri (que Allah esteja satisfeito com ele) relata que o Profeta (que a paz esteja com ele) disse a Hazrat Fatimah al-Zahra (que Allah esteja satisfeito com ela): “Fátima! Vem e fica junto ao teu animal do sacrifício, pois, em troca de cada gota de sangue que cair ao chão, Allah perdoará teus pecados anteriores.” Hazrat Fatimah (que Allah esteja satisfeito com ela) perguntou: “Esta boa-nova é específica para a Ahl al-Bayt ou para toda a Ummah?” O Profeta (que a paz esteja com ele) respondeu: “É tanto para a nossa Ahl al-Bayt quanto para toda a Ummah.” (Jami‘ al-Fawa’id)

4. Hazrat Ibn Buraydah (que Allah esteja satisfeito com ele), citando seu pai, relata que o Profeta (que a paz esteja com ele) não ia à oração no dia do Eid al-Fitr sem comer alguma coisa. Já no dia do Eid al-Adha, não comia nada antes da oração do Eid al-Adha. (Tirmidhi, Ahmad)

Depois, ao retornar da oração, comia o fígado do animal sacrificado.

Normas e questões relativas ao sacrifício

Práticas prescritas para quem oferece o sacrifício

Aquele que pretende oferecer o qurbani não deve cortar os pelos de nenhuma parte do corpo, raspar a cabeça nem cortar as unhas depois de avistar a lua do mês de Dhu al-Hijjah. Depois de oferecer o qurbani, deverá cortar os pelos, as unhas e assim por diante. Essa prática é sunnah, não wajib. Para quem não tem condições de oferecer o qurbani, também é bom que, no dia do qurbani, em vez de oferecê-lo, corte os cabelos, corte as unhas e remova os pelos abaixo do umbigo. Esse ato substituirá o seu qurbani.

Hazrat Umm Salama (r.a.) disse que o Profeta (s.a.w.) afirmou: aquele que pretende oferecer o qurbani não deve cortar os cabelos nem as unhas depois de avistar a lua, até que tenha oferecido o qurbani. (Muslim, Jam’ul Fawa’id)

Hazrat Abdullah ibn Amr ibn al-As (r.a.) disse que o Profeta (s.a.w.) afirmou: foi-me ordenado celebrar o Eid no dia do Eid al-Adha (o décimo dia de Dhu al-Hijjah). Allah Ta’ala determinou este dia como Eid para a ummah. Alguém perguntou: Ó Mensageiro de Allah! Diga-me: uma pessoa me deu uma cabra para que eu bebesse o seu leite. Posso oferecer essa cabra como qurbani? O Profeta (s.a.w.) respondeu: não, você não deve oferecê-la como qurbani. Porém, no dia do qurbani, corte os cabelos, as unhas e o bigode, e remova os pelos abaixo do umbigo. Assim, perante Allah, isso será considerado o seu qurbani completo. (Jam’ul Fawa’id, Abu Dawud, Nasa’i)

Os animais para o qurbani e suas regras

1. Os animais para o qurbani são os seguintes:

Camelo, carneiro de cauda gorda, ovelha, cabra, gado bovino e búfalo. Não é permitido oferecer como qurbani nenhum animal além desses.

2. O carneiro de cauda gorda, a cabra e a ovelha só podem ser oferecidos por uma pessoa. Mais de uma pessoa não pode compartilhar sua participação.

3. Até sete pessoas podem compartilhar um bovino, um búfalo ou um camelo; não mais que isso. Contudo, há duas condições para tal:

A primeira condição é que a intenção de cada participante seja realizar o qurbani ou a aqiqah. Não se deve ter apenas a intenção de comer a carne.

A segunda condição é que a parte de cada um seja exatamente um sétimo. Ninguém pode participar com uma parte menor que essa.

Se uma dessas duas condições não for cumprida, o qurbani não será válido.

4. Pode haver menos de sete participantes no camelo, no gado ou no búfalo; por exemplo, duas, quatro ou qualquer outra quantidade menor ou maior de pessoas pode assumir uma parte. Porém, também aqui é indispensável que nenhum participante tenha uma parte menor que um sétimo. Caso contrário, o qurbani de ninguém será válido.

5. Se alguém comprar um boi com a intenção de realizar o qurbani incluindo outra pessoa como participante, isso será válido. Se, no momento da compra, tiver a intenção de comprar o boi inteiro para si e depois decidir incluir outra pessoa como participante, isso também será permitido. Contudo, o melhor é que, nessa situação, de acordo com a intenção inicial, ofereça o animal inteiro em qurbani para si mesmo. Se quiser incluir alguém, deverá incluir uma pessoa abastada, para quem o qurbani seja obrigatório. Se for incluída uma pessoa para quem o qurbani não seja obrigatório, isso não será válido.

6. No qurbani de um boi ou búfalo, se alguém determinar por conta própria a parte de uma ou mais pessoas adicionais, sem obter a permissão dos participantes, esse qurbani não será permitido. As partes daqueles que forem incluídos deverão ser estabelecidas com a permissão deles. Não se pode decidir mentalmente incluir um participante, realizar primeiro o qurbani e obter sua permissão somente depois.

7. O qurbani de um carneiro, uma cabra ou uma ovelha será válido quando o animal tiver completado um ano de idade. Se tiver menos de um ano, o qurbani não será válido. O boi e o búfalo devem ter completado dois anos; se tiverem menos de dois anos, o qurbani não será válido. O camelo deve ter cinco anos; se tiver menos, não será permitido.

8. Será permitido realizar o qurbani de um animal cujos chifres não tenham nascido desde o nascimento ou dos quais tenha quebrado uma parte depois de terem nascido. Porém, se o chifre tiver quebrado desde a base, não será permitido realizar o qurbani.

9. Também não é permitido sacrificar um animal cego ou zarolho. Tampouco é permitido sacrificar um animal coxo que ande apoiando-se em apenas três patas. Porém, se ele apoiar a quarta pata no chão, embora manque, o sacrifício será válido.

10. O sacrifício de um animal cuja orelha tenha sido cortada em mais de um terço, ou cuja cauda tenha sido cortada em mais de um terço, não será válido.

11. Embora seja permitido sacrificar um animal fraco e extremamente magro, é melhor sacrificar um animal gordo e bonito. Se o animal estiver tão fraco e definhado que seus ossos tenham ficado completamente sem medula, seu sacrifício não será válido.

Hazrat Abu Sa’id al-Khudri (que Allah esteja satisfeito com ele) relatou que o Profeta (que a paz esteja com ele) sacrificou um carneiro gordo e vigoroso, com chifres, que tinha manchas negras ao redor dos olhos, o rosto negro e as patas negras. (Abu Dawud)

12. É válido sacrificar um animal que não tenha nascido com orelhas ou que, tendo-as, as tenha muito pequenas.

13. Não é válido sacrificar um animal que não tenha nenhum dente. Porém, se alguns dentes tiverem caído e a maioria dos dentes ainda estiver presente, será permitido.

14. É permitido sacrificar um carneiro castrado ou um bode. O próprio Profeta (que a paz esteja com ele) sacrificou um carneiro castrado.

15. Uma pessoa abastada, para quem o sacrifício é obrigatório, comprou um animal para o sacrifício. Depois da compra, foi encontrado nele um defeito que tornava inválido o seu sacrifício. Nesse caso, ela deverá comprar outro animal e sacrificá-lo. Porém, se um pobre se encontrar nessa situação — alguém para quem o sacrifício não era obrigatório —, ser-lhe-á permitido sacrificar esse animal defeituoso.

16. É permitido oferecer em sacrifício uma vaca ou cabra mesmo que esteja prenhe. Se a cria nascer viva, também é recomendável abatê-la.

A regra do sacrifício

1. Oferecer o sacrifício ritual é obrigatório. Abu Huraira (que Allah esteja satisfeito com ele) relatou que o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: “Quem, apesar de ter condições, não oferecer o sacrifício, que não se aproxime do nosso local de oração do Eid.”

Alguém perguntou a Abdullah ibn Umar (que Allah esteja satisfeito com ele) se o sacrifício ritual era obrigatório. Ele respondeu: “O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) e os muçulmanos ofereceram o sacrifício.” Quando a pessoa repetiu a pergunta, Abdullah respondeu: “Você não entende que o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) e os muçulmanos ofereceram o sacrifício?”

2. O sacrifício ritual é obrigatório para o qārin e o mutamattiʿ, mas não é obrigatório para o mufrid. Se este o oferecer por vontade própria, receberá sua recompensa.

3. Para os muçulmanos comuns, exceto os peregrinos, há duas condições para que o sacrifício ritual seja obrigatório. A primeira é possuir recursos. Isso significa ter bens além do necessário para atender às necessidades básicas, em quantidade que, ao ser calculada, atinja o nisab.

Em outras palavras, o sacrifício ritual é obrigatório para aquele a quem é obrigatório dar a sadaqat al-fitr.

A segunda condição é ser residente. O sacrifício ritual não é obrigatório para o viajante.

4. O sacrifício é obrigatório apenas em nome da própria pessoa — não em nome da esposa nem dos filhos.

5. Do ponto de vista da Shariah, o sacrifício não era obrigatório para uma pessoa. Porém, ela comprou um animal com a intenção de sacrificá-lo. Nesse caso, o sacrifício desse animal se tornará obrigatório para ela.

6. O sacrifício era obrigatório para uma pessoa, mas, depois de passados os três dias do sacrifício, ela não conseguiu realizá-lo por alguma razão. Se ela tiver comprado uma cabra para esse fim, deverá doá-la viva como caridade. Se não a tiver comprado, deverá doar como caridade o valor de uma cabra.

7. Alguém fez um voto, dizendo: “Se determinada tarefa minha for realizada, oferecerei um sacrifício.” Pela graça de Allah, essa tarefa foi realizada. Agora, seja essa pessoa abastada ou pobre, o sacrifício se tornará obrigatório para ela. A regra do sacrifício feito por voto é que toda a sua carne deverá ser distribuída entre os pobres e necessitados; nem a pessoa que ofereceu o sacrifício poderá comê-la, nem poderá alimentar com ela qualquer pessoa abastada.

Os dias e o horário do sacrifício

1. O período para oferecer o sacrifício vai do dia de Eid al-Adha, isto é, do dia dez de Zul-Hijjah, até antes do pôr do sol do dia doze. É permitido oferecer o sacrifício em qualquer um desses três dias, conforme a conveniência e a oportunidade. Contudo, o melhor dia para oferecer o sacrifício é o dia de Eid al-Adha; depois, o dia onze, e depois, o dia doze.

2. Para os habitantes das cidades e dos portos, não é permitido oferecer o sacrifício antes da oração do Eid. Eles deverão oferecê-lo depois da oração. Já os habitantes das zonas rurais podem oferecê-lo também depois da oração do fajr. (Possivelmente porque, ao regressarem dos locais de oração do Eid, situados muito longe, poderá haver grande demora, a ponto de já ser tarde.)

3. Se um habitante da cidade providenciar para que seu sacrifício seja realizado numa zona rural, o sacrifício poderá ser realizado nessa zona rural também depois da oração do fajr. Mesmo que a carne chegue antes da oração do Eid, o sacrifício será válido.

4. Durante os dias do sacrifício, isto é, desde o dia 10 até antes do pôr do sol do dia 12, é permitido realizar o sacrifício em qualquer horário, de dia ou de noite.

No entanto, é melhor não realizar o sacrifício à noite, pois alguma veia pode não ser cortada adequadamente e, por isso, o sacrifício pode não ser válido.

5. As duas condições para que o sacrifício seja obrigatório são ser residente e ter condições financeiras. Se uma pessoa estiver viajando, chegar em casa antes do pôr do sol do dia 12 e tiver condições financeiras, o sacrifício será obrigatório para ela; e, se ela for residente e pobre, mas Deus a tornar rica antes do pôr do sol do dia 12, o sacrifício também será obrigatório para ela.

Diversas questões relativas ao sacrifício

1. Ao realizar o sacrifício, não é necessário pronunciar verbalmente a intenção nem recitar uma súplica. Somente a intenção e a decisão no coração são suficientes para que o sacrifício seja válido. Contudo, é bom recitar uma súplica em voz alta.

2. É melhor abater o próprio animal do sacrifício com as próprias mãos. Se, por algum motivo, não puder abatê-lo pessoalmente, deve permanecer presente junto ao animal. Assim, o Profeta (que a paz esteja com ele) disse a Fátima (que Deus esteja satisfeito com ela): “Fátima, venha e permaneça junto ao seu animal do sacrifício”, pois, em troca de cada gota de seu sangue, seus pecados anteriores serão perdoados. Fátima perguntou: “Ó Mensageiro de Deus, isso é específico para a nossa família ou para todos os muçulmanos em geral?” O Profeta (que a paz esteja com ele) respondeu: “É para nós e para todos os muçulmanos.” (Jameul Fawaid)

3. Se várias pessoas participarem de um sacrifício de bovino, búfalo ou animal semelhante, a carne não deve ser dividida por estimativa. Ao contrário, cada parte — como a cabeça, os rins, o fígado e outras — deve ser dividida igualmente em sete porções. Depois, cada pessoa deve receber a quantidade correspondente à sua participação.

4. A carne do sacrifício pode ser consumida pela própria pessoa e também distribuída entre parentes e amigos. É melhor distribuir um terço entre os pobres e necessitados e dividir o restante entre si, os parentes e os amigos. Contudo, não é obrigatório distribuir um terço entre os pobres; não há problema em distribuir uma quantidade menor entre os pobres e necessitados.

5. Se várias pessoas forem parceiras na propriedade de uma vaca, búfalo ou camelo, em vez de dividirem a carne entre si, será permitido que desejem distribuí-la toda conjuntamente entre os pobres ou que a cozinhem e lhes deem de comer.

6. Também é permitido dar a carne do Qurbani a um não muçulmano. Contudo, não é permitido entregá-la como pagamento por um trabalho.

7. A pele do Qurbani pode ser dada a um necessitado, ou pode ser vendida e o seu valor dado como caridade. Esse valor deve ser dado àqueles que podem receber zakat.

8. A pele do Qurbani também pode ser usada para fins pessoais, como para confeccionar um tapete de oração.

9. Não é correto dar ao açougueiro carne, pele, corda ou algo semelhante como pagamento pelo trabalho de preparar a carne. O pagamento deve ser dado separadamente. A corda, a pele e itens semelhantes devem ser dados como caridade.

10. Aquele para quem o Qurbani é obrigatório deve realizá-lo. Aquele para quem não é obrigatório também deve realizá-lo, se isso não lhe causar grande dificuldade. Contudo, não é correto realizar o Qurbani contraindo um empréstimo.

O sacrifício em nome de pessoas falecidas

Aquele a quem Allah agraciou com riqueza não deve se contentar apenas em realizar o seu Qurbani obrigatório. Pelo contrário, para obter a recompensa abundante do Qurbani, é bom realizá-lo em nome de seus veneráveis antepassados, isto é, de seus pais falecidos, avôs e avós, e outros parentes. Além disso, para um crente, é uma grande bênção realizar o Qurbani em nome de um Hadi e de um Murshid por meio de quem foi possível obter a orientação e a riqueza da fé. Do mesmo modo, realizar o Qurbani em nome das Azwaj-e-Mutahhara, isto é, das mães espirituais, é uma bênção imensa.

Exposição sobre o hady

Literalmente, a palavra hady significa presente ou dádiva. Na terminologia da Sharia, chama-se hady ao animal que o peregrino que visita o Haram leva consigo para o sacrifício ou envia para lá por algum meio.

1. Há três tipos de hady: camelo, gado bovino e cabra. O camelo é o melhor hady, e a cabra, o inferior. Ovelhas, carneiros e semelhantes estão na categoria das cabras; búfalos e semelhantes estão na categoria do gado bovino.

2. As determinações e condições relativas à idade, à saúde e a outros aspectos do animal do hady são as mesmas que se aplicam ao animal do qurbani.

3. Se o hady for voluntário, como quando aquele que realiza o Hajj ifrad oferece voluntariamente um sacrifício nafl, ele próprio também poderá comer a carne desse sacrifício. Do mesmo modo, aquele que realiza o Hajj qiran ou tamattu pode comer a carne do seu próprio sacrifício, assim como é permitido comer a carne do qurbani comum. Isso porque o hady do qiran e do tamattu não é uma expiação por algum delito ou falha; ao contrário, Allah Ta’ala o tornou obrigatório para quem realiza o Hajj qiran ou tamattu como expressão de gratidão. Por isso, é permitido comer essa carne como a do qurbani comum. O Profeta (s) mandou cozinhar e comeu um pedaço de cada animal do seu hady, e também bebeu o seu caldo. Está comprovado, pela narração de Hazrat Jabir (r.a.) no Sahih Muslim e por outras narrações de hadith, que o Profeta (s) ofereceu vários sacrifícios durante o Hajj.

Fica esclarecido que qiran e tamattu constituem apenas um sacrifício, e os restantes serão sacrifícios nafl. Como ele mandou cozinhar e comeu um pedaço de cada um, ficou demonstrado que o próprio ofertante pode comer a carne dos três tipos de sacrifício: tamattu, qiran e nafl.

4. Não é permitido comer a própria carne de qualquer hady, exceto a do sacrifício de tamattu, qiran e nafl voluntário. Seja ele um hady de expiação por algum delito, um sacrifício de voto ou um sacrifício de dam de ihsar (ver o termo). Quando o Profeta (s) foi impedido durante a trégua de Hudaybiyyah e não pôde chegar à Baytullah, enviou o hady de ihsar por intermédio de Najia al-Aslami e ordenou que ele não comesse a sua carne nem permitisse que seu companheiro a comesse.

5. Toda a carne do hady cuja ingestão pelo próprio ofertante não é permitida deve ser dada como caridade aos pobres e necessitados; isso é obrigatório. É permitido dá-la tanto aos pobres do Haram quanto aos de fora dele. Os pobres do Haram não possuem nenhuma característica especial. (Ayn al-Hidaya)

6. Não é obrigatório dar como sadaqa aos pobres e necessitados toda a carne do Hadi cuja carne é lícito comer; ao contrário, isso é mustahabb. Ela deve ser dividida em três partes: uma parte para si próprio, uma parte para os familiares e parentes, e uma parte para os pobres e necessitados. Contudo, isso não é indispensável. Mesmo que toda a carne seja dada aos pobres e necessitados, será lícito.

A água de Zamzam: etiqueta, regras e súplica

A leste da Baitullah existe um poço histórico chamado Zamzam. Nos hadiths foram mencionadas muitas virtudes desse poço, bem como muitas bênçãos e virtudes de sua água. Quando Hazrat Ibrahim (a.s.), por ordem de Allah, levou Hazrat Ismail (a.s.) e sua mãe, Hazrat Hajera (a.s.), e os estabeleceu no deserto árido e inóspito de Meca, Allah Ta’ala, movido de compaixão pela mãe e pelo filho, fez brotar para eles a fonte de Zamzam naquela região pedregosa. Está registrado em um hadith:

*******Árabe*********

Este é o poço feito por Jibril e este é o pequeno reservatório de água de Ismail. (Darul Qutni)

Depois do sa’i, de raspar a cabeça e de outros ritos semelhantes, deve-se beber a água de Zamzam até ficar plenamente saciado. Beber uma quantidade tão grande de água que as costelas fiquem submersas é um sinal de iman. O munafiq privado do iman não consegue beber tanto. O Profeta (s.a.w.) disse: o sinal distintivo entre nós e os munafiqs é que o munafiq não consegue beber a água de Zamzam até saciar-se completamente, de modo que as costelas fiquem submersas. (Ibn Majah)

Ao explicar as bênçãos e as virtudes da água de Zamzam, o Profeta (s.a.w.) disse: a água de Zamzam é eficaz para o propósito com que é bebida. Se for bebida para curar uma doença, Allah concederá a cura. Se for bebida para obter saciedade, Allah concederá a saciedade. Se for bebida para aplacar a sede, Allah aplacará a sede. Este é o poço que Jibril escavou com um golpe do calcanhar, e este é o reservatório aberto de onde Ismail bebia água. (Darul Qutni)

Isto é, por ordem de Allah, Hazrat Jibril (a.s.) fez especialmente Zamzam no deserto árido e inóspito para Hazrat Ismail (a.s.) e sua mãe, Hazrat Hajera (a.s.), para que sua fome e sede fossem saciadas.

Hazrat Abdullah ibn Abbas (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) declarou: “A água de Zamzam é a melhor entre todas as águas do mundo. Ela é alimento para os famintos e cura para os doentes.” (Ibn Abbas)

Ele também disse: Se alguém beber a água de Zamzam com a intenção de obter proteção contra um inimigo, certamente obterá proteção. (Hakim)

A água de Zamzam deve ser bebida em pé, dizendo “Bismillah”, e deve-se beber até ficar saciado. Ao bebê-la, deve-se recitar esta súplica:

*******Árabe*********

“Ó Allah, peço-Te conhecimento benéfico, provisão abundante e cura de todas as doenças.” (Nailul Awtar)

Al-Multazam e sua súplica

Al-Multazam é a parte da parede da Baytullah situada entre a porta da Caaba e o Hajar al-Aswad. Essa parte tem aproximadamente seis pés e é um dos lugares importantes onde as súplicas são aceitas. Encostar o corpo, o peito e o rosto contra ela e suplicar com humildade, submissão e voz aflita é uma prática masnun do hajj. Depois de concluir o tawaf, abraçar-se à Al-Multazam e fazer súplicas desperta especialmente um sentimento e uma emoção tão intensos que esse se torna um momento doloroso de despedida da Baytullah.

Hazrat Amr ibn Shuayb disse: Meu pai, Shuayb, narrou que, enquanto eu fazia o tawaf com meu pai, Abdullah ibn Amr al-As (que Allah esteja satisfeito com ele), vi algumas pessoas abraçadas à Baytullah. Então disse a Abdullah ibn Amr: “Leve-me um pouco àquele lugar. Também abraçaremos a Baytullah junto com as pessoas.” Ele disse: “Busco refúgio em Allah contra Satanás, o amaldiçoado.” Depois, quando concluiu o tawaf, abraçou aquela parte da Baytullah situada entre o Hajar al-Aswad e a porta da Caaba e disse: “Por Allah, este é o lugar no qual vi o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) abraçado.” (Bayhaqi)

Segundo uma narração de Abu Dawud, Abdullah ibn Amir (que Allah esteja satisfeito com ele) ficou de pé entre o Hajr al-Aswad e a porta da Caaba, estendeu o peito, o rosto e ambas as mãos e colocou-os contra a parede da Caaba, dizendo: “Vi o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) fazer isso.” (Abu Dawud)

Sobre a súplica no Multazam, o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: “Quem, estando aflito, pedir aqui em súplica, certamente estará seguro.” (Abu Dawud, Ibn Majah)

Primeiro, encostando o corpo ao Multazam, recitará a súplica abaixo. Depois, fará súplicas para a realização dos desejos lícitos relacionados à religião e à vida mundana:

*******Árabe*********

Ó Allah! Somente Tu és digno de louvor; um louvor e uma gratidão pelos quais alguns dos direitos das Tuas bênçãos possam ser cumpridos, e pelos quais algum favor, alguma dádiva e alguma retribuição possam ser oferecidos por essas bênçãos. Eu Te louvo com aqueles dos Teus atributos que conheço e com aqueles que não conheço. Eu Te louvo por aquelas das Tuas bênçãos que conheço e por aquelas que não conheço. Em todas as circunstâncias, sou grato a Ti. Ó Allah! Que a paz e as bênçãos estejam sobre Muhammad e sobre a família de Muhammad. Ó Allah! Busco refúgio em Ti contra Satanás rejeitado e peço que me protejas de todo mal. Concede-me contentamento com tudo o que me deste. Abençoa isso para mim. Ó Allah! Inclui-me entre os Teus honrados hóspedes. E concede-me a capacidade de seguir o caminho reto, ó Senhor dos mundos, até que eu me encontre Contigo.

Lugares onde as súplicas são aceitas

Durante o Hajj, é característica do crente manter-se ocupado com o dhikr e o tasbih ao realizar cada ato e fazer muitas súplicas em todos os lugares. Em particular, deve-se providenciar para fazer mais súplicas em determinados lugares. Quando Hazrat Hasan al-Basri estava retornando de Meca para Basra, escreveu uma carta aos habitantes de Meca. Nela, explicou a importância e a virtude de permanecer em Meca e, especialmente, disse que as súplicas do crente são particularmente aceitas nos onze lugares seguintes:

1. Fazer súplicas encostando o corpo e o coração ao Multazam. O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: “O Multazam é um lugar onde as súplicas são aceitas. Qualquer súplica que o servo faça aqui é aceita.”

2. Sob o Mizab.

3. Dentro da Sagrada Caaba.

4. Perto do Zamzam.

5. Em Safa e Marwa.

6. Em Safa e Marwa, onde se deve correr.

7. Perto do Maqam Ibrahim.

8. Na planície de Arafat.

9. Em Muzdalifah.

10. Em Mina.

11. Ao lado das Jamarat.

Umrah

Umrah significa visitar a Casa consagrada e, na terminologia da Sharia, significa o pequeno Hajj, que pode ser realizado em qualquer época. Não há mês ou dia específico para isso. Sempre que desejar, poderá vestir o ihram, realizar o tawaf da Casa de Allah, fazer o sa’i e, depois de raspar a cabeça ou cortar o cabelo, sair do ihram. A Umrah pode ser realizada juntamente com o Hajj ou separadamente. O Alcorão diz:

*******Árabe*********

E cumpri o Hajj e a Umrah pela satisfação de Allah. (Surata Al-Baqara)

Nos hadiths, é mencionada a grandiosa virtude da Umrah. O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: o ato mais excelente é dar testemunho da fé. Depois vêm a dignidade da Hégira e do jihad. Depois disso, não há ato melhor do que estes dois: um é o Hajj mabrur e o segundo é a Umrah mabrur. (Musnad Ahmad)

Umrah mabrur significa uma Umrah realizada unicamente para obter a satisfação de Allah, cumprindo todas as suas regras, normas e condições.

O Profeta (que a paz esteja com ele) também disse: quem partir de sua casa com a intenção de realizar o Hajj ou a Umrah e morrer no caminho, entrará no Paraíso sem prestar contas. Allah, o Altíssimo, orgulha-se diante dos visitantes da Casa Sagrada. (Al-Bayhaqi, Al-Daraqutni)

O Profeta (que a paz esteja com ele) disse: aqueles que realizam o Hajj e a Umrah são hóspedes de Allah. Eles vêm em resposta ao convite de Allah. Portanto, tudo o que Lhe pedem, recebem. (Al-Bazzar)

Uma Umrah serve de expiação pelos pecados cometidos até a Umrah seguinte. (Al-Bukhari, Muslim)

Questões da Umrah

1. Realizar a Umrah uma vez na vida é uma sunnah mu’akkadah. Além disso, sempre que for realizada, haverá recompensa e bênçãos por ela. Jabir (que Allah esteja satisfeito com ele) relatou que perguntaram ao Profeta (que a paz esteja com ele): “A Umrah é obrigatória?” O Profeta (que a paz esteja com ele) respondeu: “Não, mas realizem a Umrah, pois ela tem grande virtude.”

2. Não há mês, dia ou horário determinado para a Umrah, como há para o Hajj. A Umrah pode ser realizada sempre que houver oportunidade.

3. É mustahabb realizar a Umrah no Ramadã. O Profeta (que a paz esteja com ele) disse: “Realizar a Umrah no Ramadã é como realizar o Hajj comigo.” (Abu Dawud) Em Al-Bukhari consta: “A Umrah no Ramadã equivale ao Hajj.”

4. Para a Umrah, o miqat é al-hill, e isso vale para todos, sejam eles afaqis, habitantes da região interna ao miqat ou residentes de Meca. Para os habitantes de Meca, o miqat do Hajj é al-hill.

5. Os ritos da Umrah consistem apenas em vestir o ihram, realizar o tawaf, fazer o sa’i e raspar a cabeça ou encurtar os cabelos.

Tipos de Hajj

Há três tipos de Hajj, e cada um possui regras específicas: (1) Hajj Ifrad, (2) Hajj Qiran e (3) Hajj Tamattu’.

Hajj Ifrad

O significado linguístico de Ifrad é fazer algo individualmente, realizar uma única ação e assim por diante. Na terminologia da sharia, chama-se Ifrad o Hajj ao qual não se associa a Umrah: veste-se o ihram somente para o Hajj e realizam-se os seus ritos e procedimentos. Aquele que realiza o Hajj Ifrad é chamado mufrid. Ao vestir o ihram, o mufrid formulará a intenção somente para o Hajj e realizará os pilares do Hajj mencionados anteriormente. O sacrifício não é obrigatório para o mufrid.

Hajj Qiran

A palavra Qiran significa unir duas coisas. Como termo técnico, chama-se Hajj Qiran a vestir simultaneamente o ihram para o Hajj e a Umrah e realizar os pilares de ambos. Aquele que realiza esse Hajj é chamado qarin.

O Hajj Qiran é superior ao Ifrad e ao Tamattu’. (Segundo o Imam Shafi’i, o Ifrad é superior, e segundo o Imam Malik, o Tamattu’ é superior, pois o Tamattu’ é mencionado no Alcorão. O Imam Ahmad ibn Hanbal afirma que, se o animal destinado ao sacrifício estiver consigo, o Qiran é superior; caso contrário, o Tamattu’ é superior. Segundo os Ahl al-Hadith, um único tawaf e um único sa’i são suficientes para a Umrah e o Hajj Qiran.)

Hazrat Abdullah ibn Masud (que Allah esteja satisfeito com ele) relatou que o Profeta (que a paz esteja com ele) disse: «Realizai o Hajj e a Umrah conjuntamente, pois ambos eliminam a pobreza e os pecados assim como a fornalha elimina as impurezas do ferro, do ouro e da prata.» (Tirmidhi)

Regras do Qiran

1. Para quem realiza o Qiran, é obrigatório realizar a Umrah durante os meses do Hajj.

2. No Hajj Qiran, é obrigatório realizar o tawaf da Umrah antes do tawaf do Hajj. Deve haver um tawaf e um sa’i separados para a Umrah, e também um tawaf e um sa’i separados para o Hajj.

3. É sunnah iniciar os ritos do Hajj depois de concluir todos os ritos da Umrah do Qiran.

4. Depois da Umrah do Qiran, é proibido raspar a cabeça ou cortar o cabelo.

5. É permitido àquele que realiza o Qiran combinar o tawaf da Umrah com o tawaf al-qudum do Hajj, e também é permitido combinar os dois sa’is; contudo, fazê-lo é contrário à Sunnah.

6. Para quem realiza o Qiran, o sacrifício é obrigatório. Esse sacrifício é uma forma de agradecer a Allah por Ele ter concedido a oportunidade de realizar conjuntamente o Hajj e a Umrah. Se não tiver condições de oferecer o sacrifício, é obrigatório jejuar dez dias: três jejuns antes do dia do sacrifício e sete depois dos dias de Tashriq. O Alcorão diz:

*******Árabe*********

Aquele que não tiver condições de oferecer o sacrifício deverá jejuar três dias durante o Hajj e sete dias quando retornardes após concluir o Hajj; ao todo, dez dias.

7. O Hajj Qirān e o Hajj Tamattuʿ destinam-se somente àqueles que vivem fora do Miqāt; eles são chamados de āfāqī. O Alcorão diz:

*******Árabe*********

Isso (o Tamattuʿ e o Qirān) é para aqueles cujas famílias não residem junto à Mesquita Sagrada. Para os que vivem dentro do Miqāt, há apenas o Hajj Ifrād.

Hajj Tamattuʿ

A palavra Tamattuʿ significa desfrutar de facilidades e benefícios por algum tempo. Em sentido técnico, o Hajj Tamattuʿ consiste em realizar a Umrah e o Hajj juntos, de modo que se entre no estado de ihram separadamente para cada um: tira-se o ihram após realizar a Umrah e desfrutam-se aquelas coisas que eram proibidas durante o ihram. Depois, entra-se no ihram para o Hajj e realiza-se o Hajj. Como nesse tipo de Hajj há a oportunidade de tirar o ihram entre a Umrah e o Hajj e desfrutar das coisas lícitas, ele é chamado de Hajj Tamattuʿ.

O Alcorão diz

*******Árabe*********

Portanto, quem desejar aproveitar a Umrah durante os dias do Hajj deverá oferecer um sacrifício de acordo com sua capacidade.

O Hajj Tamattu é melhor que o Hajj Ifrad, pois nele se tem a oportunidade de reunir duas formas de adoração. Além disso, alcança-se a graça de cumprir alguns atos adicionais de adoração.

Há duas formas de realizar o Hajj Tamattu. A primeira é levar consigo o animal destinado ao sacrifício. A segunda é não levar consigo o animal do hady. A primeira é superior à segunda.

Questões relativas ao Tamattu

1. É necessário que aquele que realiza o Tamattu faça o tawaf da Umrah durante os meses do Hajj. (Os meses do Hajj são Shawwal, Dhul-Qadah e os dez primeiros dias de Dhul-Hijjah.) Ou, pelo menos, a maioria das voltas do tawaf da Umrah deve ocorrer durante o período do Hajj.

2. Para o Hajj Tamattu, é necessário que o tawaf da Umrah e o do Hajj sejam realizados no mesmo ano. Se alguém fizer o tawaf da Umrah em um ano e o tawaf do Hajj no ano seguinte, não poderá ser chamado de praticante do Tamattu.

3. Para o Tamattu, é necessário primeiro assumir o ihram da Umrah; também é necessário concluir o tawaf da Umrah antes de assumir o ihram do Hajj.

4. É necessário que aquele que realiza o tamattu‘ não faça iltām entre a ‘umrah e o ihrām do hajj. Iltām significa que, depois de sair do ihrām da ‘umrah, não deve voltar para junto da própria família. Contudo, se trouxer consigo o animal destinado ao sacrifício, o tamattu‘ será válido.

5. O hajj tamattu‘ é destinado somente aos que residem fora do mīqāt. Para aqueles que residem em Meca ou dentro do mīqāt, o tamattu‘ e o qirān são makruh tahrimi. (Ilmul Fiqah)

6. Para aquele que realiza o tamattu‘, é sunnah realizar o tawaf al-qudum, e é recomendável fazer ramal no tawaf al-ziyarah.

7. Assim como para aquele que realiza o qirān, o sacrifício também é wajib para aquele que realiza o tamattu‘. Se não tiver condições, deverá jejuar dez dias: três durante o hajj, antes do dia do sacrifício, e sete depois dos Ayyam al-Tashriq.

8. Se aquele que realiza o tamattu‘ não tiver trazido consigo o animal destinado ao sacrifício, sairá do ihrām depois do sa‘i da ‘umrah e de raspar a cabeça. Se tiver trazido consigo o animal destinado ao sacrifício, não sairá do ihrām; sairá somente depois de realizar o sacrifício no dia 10 de Zul-Hijjah.

O hajj de despedida do Profeta

Nas palavras do companheiro do Profeta, Hazrat Jabir (que Allah esteja satisfeito com ele):

Hazrat Jabir (que Allah esteja satisfeito com ele) foi o último companheiro em Medina; depois de sua morte, já não havia nenhum companheiro em Medina. Ele havia envelhecido muito e tinha mais de noventa anos. Também havia perdido a visão. Foi nessa época que Muhammad ibn Ali, neto de Hazrat Husain — isto é, o Imam Baqir — foi visitar Hazrat Jabir (que Allah esteja satisfeito com ele). O Imam Baqir (que Allah tenha misericórdia dele) disse: quando alguns de nós fomos visitá-lo, ele perguntou o nome e a situação de cada um. Quando eu disse que era neto de Hazrat Husain, ele passou a mão sobre minha cabeça com grande carinho. Depois abriu os botões da frente do meu kurta e colocou a mão exatamente no centro do meu peito. Naquela época eu estava no pleno vigor da juventude. Muito feliz, ele disse: “Bem-vindo, meu sobrinho. Você é uma lembrança de Husain. Diga, por que veio?” Comecei a dizer: ————- . Ele era cego. Nesse momento chegou a hora da oração. Ele vestia um pequeno xale e levantou-se para a oração usando-o. O xale era tão pequeno que, quando o colocava sobre os ombros, caía. Mesmo assim, manteve aquele xale sobre o corpo, embora um xale maior estivesse guardado bem perto. Depois de nos conduzir na oração e terminá-la, pedi: “Hazrat, conte-nos o relato do hajj de despedida do Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele).”

Contando até nove com os dedos da mão, ele disse: o Mensageiro de Allah (que a paz esteja com ele) não realizou o Hajj durante nove anos após chegar a Medina. No décimo ano após a Hégira, anunciou publicamente que iria realizar o Hajj. Assim que receberam essa notícia, muitas pessoas começaram a reunir-se em Medina. Cada uma esperava ser companheira do Profeta na viagem do Hajj, obedecer às suas ordens e fazer tudo o que ele fizesse.

Por fim, chegou o momento de partir de Medina. Toda a caravana partiu com o Profeta e chegou a Zul-Hulaifa, onde permaneceu.

Ali ocorreu um acontecimento especial. Uma mulher da caravana, Asma bint Umais (que Allah esteja satisfeito com ela), esposa de Abu Bakr (que Allah esteja satisfeito com ele), deu à luz. Ela perguntou ao Profeta o que deveria fazer naquela situação. O Profeta (que a paz esteja com ele) disse: “Toma banho para o ihram e, nessa situação, usa uma faixa como as outras mulheres.”

Depois, o Profeta (que a paz esteja com ele) realizou a oração em Zul-Hulaifa. Após a oração, montou a sua camela, Al-Qaswa. A camela levou-o até Al-Bayda, o planalto elevado mais próximo. Quando, do alto de Al-Bayda, olhei ao redor, vi que, até onde a vista alcançava, havia pessoas por toda parte, à direita e à esquerda. Algumas estavam montadas e outras caminhavam a pé. O Profeta estava entre nós. O Alcorão estava sendo revelado a ele. Como ele o compreendia perfeitamente, nós também fazíamos, por ordem de Allah, tudo o que ele fazia. Ao chegar ali, ele recitou em voz alta a talbiya:

*******Árabe*********

“Ó Allah, o Teu servo está presente diante de Ti. Atendi ao Teu chamado e estou presente diante de Ti. Tu não tens parceiro algum. Aqui estou. A Ti pertence todo o louvor, e Te pertencem o direito e o poder de conceder misericórdia, graça e recompensa. No domínio e na autoridade, não tens parceiro algum.”

Todos recitaram a talbiya em voz alta. Eles acrescentaram algumas palavras, mas o Profeta (que a paz esteja com ele) não os repreendeu. Ele continuou recitando sempre a sua talbiya.

Jabir (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: nesta viagem, nossa intenção era realizar o Hajj; não deveríamos realizar a Umrah. Finalmente, quando chegamos à Casa de Allah com o meu nobre Profeta, ele primeiro beijou a Pedra Negra. Depois começou o tawaf. Nas três primeiras voltas, ele fez ramal; nas quatro voltas seguintes, caminhou em ritmo normal. Depois, chegou ao Maqam Ibrahim e recitou este versículo:

*******Árabe*********

e toma o Maqam Ibrahim como lugar de oração para ti.

Então, posicionou-se de modo que o Maqam Ibrahim ficasse entre ele e a Caaba. Ali, rezou duas rak‘at: na primeira rak‘ah, *******Árabe********* e na segunda rak‘ah, *******Árabe********* recitou. Depois, aproximou-se do Hajar al-Aswad e beijou-o. Em seguida, dirigiu-se ao monte Safa. Ao chegar perto de Safa, recitou *******Árabe********* e disse: *******Árabe********* Estou iniciando o sa‘y a partir de Safa, assim como Allah o mencionou e iniciou nesta ayah.

Então, subiu em Safa até uma altura tal que a Caaba surgiu claramente diante de seus olhos. Voltou-se em direção à qiblah e permaneceu de pé. Em seguida, ocupou-se com o tawhid e o takbir.

Ele recitou:

*******Árabe*********

Não há divindade além de Allah. Ele é Único e Uno; não tem parceiro algum. O domínio e a autoridade pertencem a Ele, e Ele é digno de todo louvor. Ele é poderoso sobre todas as coisas. Não há divindade além de Allah. Ele é Único e Uno. Ele cumpriu Sua promessa, isto é, fez a religião triunfar em toda a Arábia. Ele ajudou Seu servo e, sozinho, derrotou os grupos de incrédulos e politeístas.

Ele recitou essas palavras três vezes e fez súplica. Depois, desceu e dirigiu-se a Marwah. Em Marwah, disse o mesmo que havia dito em Safa. Assim, completou a última volta e chegou a Marwah. Ali, dirigiu um sermão aos companheiros. Ele estava acima, e os companheiros abaixo.

Ele disse:

Ao ouvir isso, Suraca bin Maleque levantou-se e disse: “Ó Mensageiro de Allah, esta ordem é somente para este ano ou é para sempre?” (Para os habitantes de Meca, realizar a Umrah permanentemente durante os meses do Hajj era considerado um pecado grave. Suraca bin Maleque percebeu que o tawaf e o sa’i realizados durante os meses do Hajj estavam sendo considerados Umrah permanentemente. Por isso, ele fez essa pergunta.)

Se eu tivesse compreendido desde o início o que compreendi depois, não teria trazido comigo o animal destinado ao hady. Então, teria considerado este tawaf e este sa’i como o tawaf e o sa’i da Umrah, transformando-o em Umrah, e teria saído do ihram. Aqueles dentre vocês que não trouxeram consigo um animal para o hady podem vir, considerar isso como o tawaf e o sa’i da Umrah e sair do ihram.

O Profeta (que a paz esteja com ele) respondeu: “Não somente para este ano, mas para sempre.”

Então, Hazrat Jabir (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: Hazrat Ali (que Allah esteja satisfeito com ele) chegou a Meca vindo do Iêmen, trazendo muitos animais para sacrifício destinados ao Profeta. Ele viu que sua esposa, Hazrat Fátima, havia saído do ihram, vestira roupas coloridas e aplicara kohl nos olhos. Hazrat Ali (que Allah esteja satisfeito com ele), não considerando isso correto, manifestou seu desagrado. Hazrat Fátima (que Allah esteja satisfeito com ela) disse: “Meu pai me ordenou isso.” Isto é, o Profeta (que a paz esteja com ele) havia ordenado que ela saísse do ihram.

O Profeta (que a paz esteja com ele) voltou-se para Hazrat Ali e perguntou: “Quando você entrou no ihram e recitou a talbiyah, qual intenção fez: teve a intenção somente do Hajj ou teve a intenção tanto do Hajj quanto da Umrah?” Ali (que Allah esteja satisfeito com ele) respondeu: “Eu disse: Ó Allah, entro no ihram para aquilo para o qual o Teu Mensageiro entrou no ihram.”

O Profeta (que a paz esteja com ele) disse: “Como trouxe comigo o animal destinado ao hady, não tenho possibilidade de sair do ihram. Você também fez a mesma intenção que eu. Portanto, você também não pode sair do ihram.”

Hazrat Jabir (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: O número total de camelos trazidos por Hazrat Ali do Iêmen e dos camelos do Profeta era cem. (Em alguns relatos consta que o Profeta (que a paz esteja com ele) trouxe consigo 63 camelos, enquanto Hazrat Ali (que Allah esteja satisfeito com ele) trouxe 37 camelos do Iêmen.)

Todos os Companheiros, conforme a instrução do Profeta, retiraram o ihram e tornaram-se halal, raspando ou cortando os cabelos. Entretanto, o Profeta (que a paz esteja com ele) e os Companheiros que haviam trazido o hady permaneceram em estado de ihram.

Então, no dia 8 de Zul-Hijjah, aqueles que haviam retirado o ihram após a Umrah colocaram o ihram para o Hajj. O Profeta (que a paz esteja com ele), montado em al-Qaswa, partiu para Mina. Ali, realizou as cinco orações: Zuhr, Asr, Maghrib, Isha e Fajr. Depois da oração de Fajr, permaneceu algum tempo em Mina. Quando o sol se elevou bem acima do horizonte, partiu em direção a Arafat. Ele ordenou que, no local chamado Namira (Namira é, na realidade, um lugar onde termina o limite do Haram e começa o limite de Arafat. Na época da Jahiliyyah, os coraixitas permaneciam dentro do limite do Haram, perto de Mashar al-Haram, enquanto as pessoas comuns permaneciam na planície de Arafat. Por isso, os coraixitas pensavam que o Profeta (que a paz esteja com ele) permaneceria naquele mesmo local. Entretanto, ele já havia ordenado, pela manhã, que sua tenda fosse armada no verdadeiro local de permanência), fosse armada para ele uma tenda de lã. Os coraixitas estavam certos de que o Profeta (que a paz esteja com ele) permaneceria perto de Mashar al-Haram, pois era isso que sempre se fazia na época da Jahiliyyah. Porém, o Profeta (que a paz esteja com ele) ultrapassou o limite de Mashar al-Haram e entrou no limite de Arafat. Ele permaneceu na tenda que havia sido armada por sua ordem no local chamado Namira.

Depois, quando o dia declinou, ele mandou colocar uma howdah nas costas de Qawsar. Quando a howdah foi colocada, montou na camela e chegou à planície de Urana. Ali, de um lugar elevado, proferiu um discurso à multidão, montado no camelo. Ele disse:

Ó povo reunido! Matar alguém injustamente e apropriar-se ilegalmente dos bens de outra pessoa são haram para vós. Isso é tão haram quanto este dia é haram para vós (e vós o considerais haram).

Compreendei bem: tudo o que pertencia à época da Jahiliyyah foi colocado sob os meus pés. E todo sangue derramado na época da Jahiliyyah foi perdoado. Antes de todos, declaro perdoado o sangue da minha própria família, isto é, o sangue do filho de Rabi’a ibn al-Harith ibn Abd al-Muttalib. O filho de Rabi’a permanecia na tribo Banu Sa’d para ser amamentado. Pessoas da tribo Huzail o mataram.

Todas as reivindicações de juros da época da Jahiliyyah foram anuladas. A esse respeito, antes de todos, declaro retirada a reivindicação de juros do meu tio Abbas ibn Abd al-Muttalib. Hoje, todas as suas reivindicações de juros chegaram ao fim.

Ó povo reunido! Continuai a temer a Allah no que diz respeito aos direitos das mulheres. Vós as tomastes como esposas sob o vínculo matrimonial, como um depósito confiado por Allah. Desfrutar delas tornou-se halal para vós somente pela palavra e pela lei de Allah. Um direito especial de vossas esposas sobre vós é que aquelas cuja presença em vossas casas não apreciais não devem receber permissão para se sentarem em vossos leitos. Se elas cometerem esse erro, podeis aplicar-lhes uma punição leve. E um direito especial delas sobre vós é que providencieis, de acordo com vossa capacidade, sua alimentação e vestuário.

Deixo entre vós uma fonte de orientação: se vos apegardes firmemente a ela e seguirdes suas instruções, jamais vos desviareis do caminho da verdade. Essa fonte de orientação é o Livro de Allah.

No Dia da Ressurreição, Allah Todo-Poderoso vos perguntará a meu respeito se transmiti a vós a mensagem de Allah. Dizei: naquele dia, que resposta dareis a Allah a meu respeito?

A multidão reunida respondeu em uníssono: “Testemunhamos que cumpristes o dever da transmissão. Transmitistes tudo e, como conselheiro e benquerente, nada deixastes por fazer.”

Depois disso, o Profeta (que a paz esteja com ele) levantou o dedo indicador para o céu e, apontando para as pessoas, disse: “Ó Allah, sê testemunha; ó Allah, sê testemunha; ó Allah, sê testemunha. Transmiti a Tua mensagem e os Teus mandamentos aos Teus servos, e os Teus servos também testemunham que cumpri o dever da transmissão.”

Depois, Hazrat Bilal (que Allah esteja satisfeito com ele) fez o adhan e pronunciou a iqamah. O Profeta (que a paz esteja com ele) conduziu a oração do meio-dia. Então Hazrat Bilal (que Allah esteja satisfeito com ele) pronunciou a iqamah pela segunda vez, e o Profeta (que a paz esteja com ele) conduziu a oração da tarde. Depois de realizar juntas as orações do meio-dia e da tarde, ele foi ao lugar onde se podia permanecer. Em seguida, fez sua camela Qaswa voltar-se em direção aos grandes blocos de pedra, e as pessoas reunidas ficaram diante dele. Algumas estavam montadas e outras iam a pé. O Profeta (que a paz esteja com ele) voltou-se para a qiblah e permaneceu ali. Quando finalmente o sol se pôs, partiu de Arafat em direção a Muzdalifah, levando Usamah ibn Zayd sentado atrás dele sobre o camelo. Ao chegar a Muzdalifah, realizou juntas as orações do pôr do sol e da noite. Foi feito o adhan, e houve duas iqamahs, uma para cada oração. Entre essas duas orações, ele não realizou nenhuma oração sunnah ou nafl. Depois, deitou-se para descansar. Por fim, surgiu a alvorada. Após o adhan e a iqamah, realizou a oração da alvorada. Depois da oração, foi até perto de Mashar al-Haram, ficou de pé voltado para a qiblah e ocupou-se com tasbih e tahlil. Quando o lado oriental já estava bastante claro, partiu dali em direção a Mina antes do nascer do sol. Dessa vez, colocou Fazl ibn Abbas atrás de si na camela. Quando chegou ao meio do vale de Muhassir, acelerou o passo da camela. Saindo da planície de Muhassir, tomou o caminho central, que desembocava perto da grande Jamrah. Ao chegar àquela Jamrah, situada junto à árvore, apedrejou-a. Lançou sete pequenas pedras contra a Jamrah e, ao lançá-las, dizia “Allahu Akbar”. Atirou essas pedras a partir do nível mais baixo. Depois de concluir o apedrejamento, foi ao local do sacrifício e abateu pessoalmente sessenta e três animais para o sacrifício. Deixou os restantes sob a responsabilidade de Hazrat Ali (que Allah esteja satisfeito com ele). Ele havia associado Hazrat Ali à sua hady; depois, ordenou que se retirasse um pedaço de cada animal sacrificado. Isso foi levado e cozinhado. Então o Profeta (que a paz esteja com ele) e Hazrat Ali (que Allah esteja satisfeito com ele) comeram parte daquela carne e beberam o caldo. Depois, o Profeta montou a camela e partiu em direção à Baytullah para realizar a ziyarat. Ao chegar a Meca, realizou a oração do meio-dia. Após a oração, foi até os membros da família de Abd al-Muttalib, que retiravam a água de Zamzam e a davam de beber às pessoas. Ele disse: “Tirai água em baldes e dai-a de beber às pessoas. Se eu não temesse que, ao me verem, as pessoas vos ajudassem a puxar os baldes, eu mesmo os puxaria convosco.” Eles deram ao Profeta um balde cheio de água, e ele bebeu dele. (Muslim — narrado por Jafar ibn Muhammad ibn Atiyyah.)

Descrição das infrações

Jināyah significa praticar qualquer ato ilícito, cometer um pecado e coisas semelhantes. Porém, no contexto do Hajj, jināyah significa praticar qualquer ato que se torne ilícito por ocorrer no Haram ou por estar relacionado à entrada no ihram. As jināyāt são de dois tipos:

Primeiro: jināyah do Haram

Segundo: jināyah do ihram

Se alguém praticar um ato proibido dentro dos limites do Haram, ou um ato proibido enquanto estiver em estado de ihram, há regras distintas de expiação e sacrifício para reparar cada uma dessas duas situações, as quais serão apresentadas a seguir.

O Haram de Meca e sua grandeza

A mais sagrada, abençoada e honrada Casa da Terra é aquela que Allah mencionou como Sua própria Casa. Essa Casa é o centro do tawhid e da oração, e a primeira Casa estabelecida na Terra. Construída para a adoração de Allah, ela é uma fonte de orientação e bênçãos, e um refúgio para toda a humanidade.

A mesquita abençoada no centro da qual se encontra essa Casa de Allah é chamada Masjid al-Haram (a Mesquita Sagrada). Ela não é apenas a melhor de todas as mesquitas do mundo; é também chamada de a verdadeira mesquita. As orações nas demais mesquitas do mundo são válidas porque elas ocupam o lugar da Masjid al-Haram, e todos devem realizar a oração voltados para ela. A grandeza da Masjid al-Haram é tal que uma oração realizada nela proporciona a recompensa de cem mil orações. (Ibn Majah)

Allah, então, não considerou apenas esta cidade de Meca como Haram; Ele também incluiu como Haram uma região de vários quilômetros ao seu redor, delimitando-a como parte do território do Haram (isto é, uma região digna de honra). Para honrar sua grandeza, estabeleceu determinados costumes, regras e mandamentos. Dentro desses limites, muitas ações foram proibidas e consideradas ilícitas em respeito à santidade da região, embora sejam permitidas e lícitas em todo o restante do mundo.

Esses limites do Haram foram estabelecidos inicialmente por Hazrat Ibrahim (a.s.). Mais tarde, durante a época de sua missão profética, o Profeta (s.a.w.) renovou ou restabeleceu esses limites. Eles são bem conhecidos e claramente determinados. Na direção de Medina, o limite do Haram se estende por cerca de cinco quilômetros; na direção do Iêmen, por aproximadamente onze quilômetros; na direção de Taife, igualmente; e na direção do Iraque, por aproximadamente essa mesma distância. Na direção de Jedá, o limite se estende por cerca de dezesseis quilômetros. Depois do Profeta (s.a.w.), Hazrat Umar (r.a.), Hazrat Uthman (r.a.) e Hazrat Muawiya (r.a.) renovaram esses mesmos limites. Portanto, eles são hoje extremamente conhecidos. A grandeza e a honra dos limites do Haram demonstram a relação e a lealdade para com Allah e Sua religião. Enquanto a Ummah, como um todo, preservar essa devoção e reverência, a proteção e a misericórdia de Allah continuarão sobre ela, e seus membros poderão viver com a cabeça erguida neste mundo.

O Profeta (s.a.w.) disse: Enquanto minha Ummah continuar cumprindo o direito devido à grandeza, à devoção e à reverência pelo sagrado Haram, continuará alcançando o bem. Mas, quando destruir sua honra, será destruída. (Ibn Majah)

Infrações no Haram

1. Cortar ou arrancar as plantas silvestres, a grama e os arbustos verdes e exuberantes que crescem no Haram constitui uma infração. Se não pertencerem a ninguém, sua expiação consiste em doar o seu valor como caridade pelo caminho de Allah; se pertencerem a alguém, deve-se pagar o dobro do seu valor. Também se deve fazer a caridade e pagar o valor ao proprietário.

2. É permitido cortar ou arrancar o izkhir (o izkhir é um tipo de grama aromática). A pedido de Abbas, que Allah esteja satisfeito com ele, o Profeta, que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele, permitiu cortar ou arrancar o izkhir.

3. Quer se trate de plantas silvestres, trepadeiras ou moitas, cortá-las ou arrancá-las constitui uma infração.

4. Se algum galho não for silvestre, mas tiver sido plantado, cortá-lo não constituirá uma infração. Também não constitui uma infração arrancar algumas folhas de uma árvore desse tipo, se ela não pertencer a ninguém. Se pertencer a alguém, não se pode arrancar suas folhas sem a permissão do proprietário. Se o próprio proprietário as arrancar, não haverá infração.

5. Matar animais de caça no Haram constitui uma infração. O responsável pela morte deverá pagar uma compensação.

6. Quebrar ou cozinhar ovos de aves no Haram constitui uma infração. Matar gafanhotos também constitui uma infração.

7. Se alguém tiver animais de caça consigo e estiver entrando no Haram, é obrigatório soltá-los. Contudo, se a caça estiver amarrada com uma corda cuja ponta esteja em sua mão, ou se estiver presa em uma gaiola, não será obrigatório soltá-la.

8. Entrar no Haram sem ter assumido o ihram no miqat também constitui uma infração. Por isso, é obrigatório oferecer um sacrifício.

9. Dentro dos limites do Haram, não constitui uma violação matar os seguintes animais: vespas, serpentes, escorpiões, ratos, moscas, percevejos, mosquitos, formigas e semelhantes, bem como os animais que vêm para atacar e contra os quais é indispensável proteger-se.

10. Raspar a cabeça ou cortar o cabelo fora dos limites do Haram, para sair do Ihram, constitui uma violação. Por isso, é obrigatório oferecer um sacrifício.

Violações do Ihram

As violações do Ihram são de três tipos.

1. Aquelas pelas quais são obrigatórios dois sacrifícios.

2. Aquelas pelas quais é obrigatório um sacrifício.

3. Aquelas pelas quais é obrigatório um sacrifício como caridade.

Pelos quais são obrigatórios dois sacrifícios

1. Se um homem aplicar na cabeça um perfume concentrado ou hena concentrada, e isso permanecer por um dia e uma noite, quer seja aplicado em toda a cabeça ou em um quarto dela, duas oferendas serão obrigatórias para ele. Porém, se uma mulher fizer isso, deverá oferecer uma única oferenda.

2. Nas violações pelas quais uma oferenda se torna obrigatória para quem realiza o hajj ifrad, duas oferendas serão obrigatórias para quem realiza o hajj qiran.

3. Se aquele que realiza o hajj tamattu trouxer consigo o animal do hady, duas oferendas serão obrigatórias para ele por todas as violações; para quem realiza o hajj ifrad, será obrigatória uma única oferenda.

As violações pelas quais uma única oferenda é obrigatória

Somente em duas situações se torna obrigatória a oferenda de um camelo ou de uma vaca. Nos demais casos, sempre que for mencionada uma oferenda, deve-se entender que se trata da oferenda de uma cabra ou de uma ovelha.

1. Se alguém realizar o tawaf az-ziyarah em estado de janabah (estado que torna obrigatório o banho ritual), será obrigatória a oferenda de um camelo ou de uma vaca.

2. Se, após a permanência em Arafat e antes do tawaf az-ziyarah ou de raspar a cabeça, alguém tiver relações sexuais com a esposa, será obrigatória a oferenda de um camelo ou de uma vaca. Fora essas duas situações, em todos os demais casos será obrigatória a oferenda de uma cabra ou de uma ovelha.

3. Se qualquer uma das obrigações do tawaf for omitida, será obrigatória uma única oferenda.

Abster-se dos atos proibidos durante o ihram também está incluído entre os atos obrigatórios do tawaf. A seguir, são apresentadas as regras relativas ao sacrifício expiatório por alguns desses atos proibidos.

4. Se for aplicado muito perfume, será obrigatório oferecer um sacrifício expiatório. Se for aplicada pouca quantidade de perfume, mas ela for espalhada sobre uma grande parte do corpo, como a cabeça, as mãos, os pés etc., também será obrigatório oferecer um sacrifício expiatório.

5. Se o perfume for aplicado em todo o corpo, no mesmo local, será necessário oferecer um sacrifício expiatório; mas, se for aplicado em todo o corpo em locais diferentes, será necessário oferecer um sacrifício expiatório por cada local.

6. Se, depois de aplicado o perfume, for oferecido o sacrifício expiatório, mas o perfume não desaparecer, será necessário oferecer novamente o sacrifício expiatório.

7. Se uma roupa perfumada for usada durante um dia, será obrigatório oferecer um sacrifício expiatório.

8. Se henna líquida for aplicada na cabeça, na barba, nas mãos e nos pés, será necessário oferecer um sacrifício expiatório.

9. Para que se torne obrigatório oferecer um sacrifício expiatório por vestir roupas costuradas, é condição que elas sejam usadas durante um dia e uma noite. Se forem usadas por menos tempo, não será obrigatório oferecer um sacrifício expiatório; será necessário apenas dar uma esmola. Também é condição que a roupa costurada seja vestida da maneira habitual. Se alguém simplesmente colocar uma túnica ou um sherwani sobre os ombros, sem introduzir os braços nas mangas, não cometerá uma infração.

As regras relativas à obrigatoriedade de oferecer um sacrifício expiatório por realizar o tawaf sem estar purificado da impureza ritual são as seguintes:

10. Se qualquer tawaf, exceto o Tawaf az-Ziyarat, for realizado em estado de janabah, será obrigatório oferecer um qurbani.

11. Se o Tawaf az-Ziyarat for realizado em estado de hadath menor, será obrigatório oferecer um qurbani; e, se o tawaf da Umrah for realizado em estado de hadath menor, também será obrigatório oferecer um qurbani.

12. Se, no Tawaf az-Ziyarat, forem deixadas três voltas, será obrigatório oferecer um qurbani; mas, se forem deixadas mais de três, não será suficiente apenas oferecer o qurbani: será necessário realizar o tawaf uma segunda vez.

13. Se qualquer um dos atos obrigatórios do Hajj for deixado de cumprir, será obrigatório oferecer um qurbani.

14. Se o mufrid raspar a cabeça ou cortar o cabelo, ou realizar o Tawaf az-Ziyarat depois do dia 10 de Zul-Hijjah, será obrigatório oferecer um qurbani.

15. Se o qarin raspar a cabeça antes do sacrifício ou antes do ramy, será obrigatório oferecer um qurbani.

Infrações pelas quais somente a sadaqa é obrigatória

1. Se for usada uma quantidade de perfume que não torne obrigatório o qurbani, será obrigatória a sadaqa. (Sadaqa significa uma sadaqa equivalente à sadaqat al-fitr.) Por exemplo, se o perfume for aplicado numa área menor que um membro do corpo, ou numa área da roupa menor ou maior que um quadrado de um palmo, mas não for usado durante um dia inteiro ou uma noite inteira.

2. Se uma roupa costurada for usada por menos de um dia ou de uma noite, ou se a cabeça ficar coberta durante esse período, será obrigatória uma caridade. Porém, se a cabeça for coberta ou uma roupa costurada for usada por pouco tempo, como por menos de uma hora, será suficiente dar um punhado de farinha.

3. Se o Tawaf de Chegada, o Tawaf de Despedida (Tawaf de despedida) ou qualquer Tawaf voluntário for realizado estando em estado de hadas menor, será obrigatória uma caridade.

4. Se forem deixadas três ou menos voltas do Tawaf de Chegada, do Tawaf de Despedida ou do sa’i, será obrigatória uma caridade por cada volta deixada.

5. Se forem deixados menos da metade dos lançamentos obrigatórios em um dia — por exemplo, no dia 10, dos sete lançamentos obrigatórios contra Jamarat al-Aqabah, alguém deixar de fazer três, isto é, deixar de lançar três pedras — será obrigatória uma caridade por cada pedra.

6. Se alguém trançar o cabelo da cabeça ou do pescoço de outra pessoa, seja essa segunda pessoa muhrim ou não, será obrigatória uma caridade para aquele que trançou o cabelo.

7. Se forem cortadas cinco unhas ou mais, mas não as unhas de uma única mão ou de um único pé, e sim de diferentes mãos ou pés, será obrigatória uma caridade.

Orientações fundamentais

1. Se o valor de uma caridade ou o valor de várias caridades obrigatórias for igual ao preço de um sacrifício, seja porque o sacrifício ficou barato, seja porque o valor de várias caridades se tornou tão alto que permite comprar um sacrifício, deve-se reduzir uma parte desse valor, para que o valor restante não seja igual ao preço de um sacrifício.

2. Se alguma obrigação do Hajj for deixada sem uma justificativa, o sacrifício será obrigatório. Mas, se for deixada por alguma justificativa válida, nem o sacrifício nem a caridade serão obrigatórios.

3. Quando se pratica, durante o estado de ihram, algo proibido, às vezes o sacrifício e, às vezes, a caridade tornam-se obrigatórios. Quando o sacrifício for obrigatório, também haverá a opção de, em seu lugar, dar uma caridade a cada um de seis necessitados. Também haverá a opção de jejuar três dias, quando e onde se desejar.

Depois que a caridade se torna obrigatória, é dada a opção de jejuar um dia em seu lugar.

A compensação pela caça

Entre as ações proibidas durante o ihram está também caçar animais selvagens. É proibido caçar, assim como ajudar alguém a caçar. Quem caçar um animal selvagem deverá oferecer uma compensação. Compensação significa o valor da caça, que será determinado por duas pessoas justas. O Alcorão diz:

*******Árabe*********

Ó crentes! Não caceis enquanto estiverdes em estado de ihram. Se algum de vós matar deliberadamente uma caça, deverá oferecer como compensação um animal equivalente. E dois homens justos dentre vós deverão decidir isso. O animal deverá ser enviado à Caaba; ou, como expiação por essa infração, deverão ser alimentados alguns necessitados; ou deverão ser observados jejuns em quantidade equivalente, para que experimente as consequências do que fez. (Surata al-Ma’idah: 95)

A caça proibida neste versículo é a caça terrestre. A caça de rios ou do mar é permitida, seja ou não permitido comê-la. O Alcorão declara claramente:

*******Árabe*********

A caça marítima e o seu consumo vos são permitidos, como provisão para vós durante a permanência e para as caravanas. Mas a caça terrestre vos é proibida enquanto estiverdes em estado de ihram. (Surata Al-Ma’idah: 96)

Questões sobre a caça e sua compensação

1. Assim como é proibido caçar pessoalmente, também é proibido ajudar o caçador. Assim como o caçador deve oferecer uma compensação, aquele que o ajudar também deverá oferecer uma compensação.

2. Se vários muhrims participarem da caça de um animal, ou se um deles caçar e os demais o ajudarem, cada um deverá oferecer uma compensação separadamente.

3. Se um muhrim caçar vários animais, deverá oferecer uma compensação separada por cada animal caçado.

4. Só é necessário oferecer uma compensação por caçar um animal selvagem. Não é necessário oferecer compensação por caçar ou matar um animal doméstico. Por exemplo, se alguém matar uma cabra, uma vaca, um camelo, uma galinha etc., não deverá oferecer compensação.

5. A compensação por qualquer animal cuja carne não seja lícita, por maior que seja, é uma cabra. Por exemplo, se alguém matar um elefante, deverá oferecer uma cabra como compensação.

6. Se matar pessoalmente mais de três piolhos ou gafanhotos, ou ordenar a outra pessoa que os mate, será obrigatório dar uma sadaqat al-fitr. Se matar três ou menos, dará como caridade o que desejar.

7. Se a caça pertencer a alguém, deverá pagar uma compensação em dobro: além de entregá-la no caminho de Allah, deverá também pagar ao proprietário o valor estimado.

8. Será obrigatório considerar o valor correspondente ao local e ao momento em que a caça foi realizada. Não se poderá considerar o valor de outro local ou de outro momento. Por isso, o valor pode variar conforme o lugar e a época.

9. Também é permitido comprar um animal equivalente à caça e enviá-lo ao Haram para ser sacrificado. Também é permitido comprar gêneros alimentícios com o seu valor e dar a cada miskin uma quantidade equivalente a uma sadaqat al-fitr. Ou cada miskin poderá jejuar um dia em vez da caridade. Porém, se não for possível comprar nenhum animal de sacrifício com o valor estimado, haverá duas opções: dar a cada miskin uma quantidade equivalente à sadaqat al-fitr ou jejuar um dia por cada sadaqa.

10. Se o valor estimado da caça não for suficiente para comprar alimentos na quantidade de uma sadaqat al-fitr, dará como caridade o que for possível ou jejuará.

11. A regra e os destinatários da caridade dada como compensação são os mesmos da sadaqat al-fitr.

Explicação sobre o ihsar

O significado lexical de ihsar é impedir, proibir ou deter. Como termo técnico, ihsar significa que uma pessoa entra em ihram para o Hajj ou a Umrah e, depois, é impedida de seguir para o Hajj ou a Umrah. Tal pessoa é chamada, como termo técnico, de muhsar (aquela que foi impedida).

Abster-se do Hajj após entrar em ihram e não conseguir realizar o Hajj e a Umrah é uma jinayat. Por isso, é wajib para o muḥṣar oferecer um sacrifício, na medida de suas possibilidades, como compensação pelo ihsar. Isso é chamado de dam de ihsar. O Alcorão diz:

*******Árabe*********

Cumpri o Hajj e a Umrah por amor à satisfação de Allah. Se fordes impedidos em algum lugar ou tiverdes de parar, oferecei diante de Allah o sacrifício que puderdes encontrar e não raspeis a cabeça até que o animal destinado ao sacrifício alcance o local de destino. (Surata Al-Baqarah: 196)

Algumas formas de ihsar

Pode haver muitas razões para ser impedido após entrar em ihram e não conseguir realizar o Hajj; algumas delas são mencionadas a seguir:

1. A estrada não ser segura; haver medo do inimigo, de assassinato e saque; haver algum animal feroz no caminho; ou existir qualquer outro tipo de risco para a vida e os bens.

2. Adoecer; haver o receio de que a doença piore caso se prossiga; ou não ter forças para continuar avançando devido à fraqueza.

3. Após entrar em ihram, não haver nenhum homem mahram acompanhando a mulher; haver um, mas ele adoecer ou morrer; ocorrer uma discussão e ele se recusar a acompanhá-la; ou alguém não permitir que ele vá.

4. As despesas da viagem acabaram, tornaram-se insuficientes ou foram roubadas.

5. Perdeu-se o caminho e não havia ninguém para indicá-lo.

6. Começou o período de iddah de alguma mulher; por exemplo, o marido divorciou-se dela ou morreu depois que ela entrou em ihram.

7. Uma mulher entrou em ihram sem a permissão do marido, e, depois de ela ter entrado em ihram, o marido a proibiu. Em todas essas situações, depois de entrar em ihram, a pessoa se tornará muhassir.

Questões sobre o Ihsār

1. Devido ao Ihsār, o muhassir comprará, conforme suas possibilidades, um camelo, uma vaca, uma cabra ou o que puder, e o enviará ao Haram para que seja oferecido em sacrifício em seu nome.

2. O sacrifício do Ihsār é obrigatório. Enquanto não for realizado um sacrifício no Haram em nome do muhassir, ele não sairá do ihram. Ao enviar o animal do sacrifício ou o seu valor, ele determinará o dia do abate, para que possa sair do ihram nesse dia.

3. Se alguém for impedido de realizar a Umrah ou o Hajj ifrad, deverá enviar um sacrifício; e, se não puder realizar o Hajj qirān ou tamattu‘, deverá enviar dois sacrifícios, ou o valor correspondente.

4. Não é permitido ao muhsar comer a carne do sacrifício de ihsar, pois este também é um tipo de sacrifício de jinayat.

5. Depois de enviar o animal para o sacrifício, se o impedimento for removido e for possível que o muhsar chegue a Meca antes que o animal seja abatido e obtenha a bênção do Hajj, será obrigatório que ele parta imediatamente para o Hajj. Porém, se não puder chegar antes do sacrifício e não houver possibilidade de realizar o Hajj, será obrigatório para ele não partir.

Hajj em nome de outra pessoa

Hajj em nome de outra pessoa significa fazer com que outra pessoa realize o Hajj em seu lugar e às suas próprias custas. O Hajj é obrigatório para uma pessoa, mas, por alguma razão inevitável, ela não pode ir pessoalmente realizá-lo, como por doença, idade muito avançada ou outro motivo semelhante. Por isso, ela tem a possibilidade de nomear outra pessoa para substituí-la e enviá-la para realizar o Hajj; essa pessoa fará o Hajj em seu nome.

Hazrat Abu Ruzayn (que Allah esteja satisfeito com ele) perguntou ao Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele): “Ó Mensageiro de Allah! Meu pai está extremamente velho; ele não consegue realizar o Hajj nem a Umrah. Ele nem sequer consegue sentar-se sobre uma montaria.” O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: “Realiza o Hajj e a Umrah em nome de teu pai.” (Tirmidhi)

Com isso, soube-se que também é válido realizar o Hajj em lugar de outra pessoa. Quem não consegue cumprir pessoalmente o seu Hajj obrigatório pode enviar outra pessoa para cumpri-lo em seu nome. Além disso, em tal situação, deve-se fazer com que o seu Hajj obrigatório seja realizado. Este é um dever obrigatório determinado por Allah; e quem não tiver a oportunidade de enviar alguém deve deixar em testamento que, depois de sua morte, seja realizado um Hajj em seu nome com os seus bens.

Essa pessoa compareceu perante o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) e disse: “Ó Mensageiro de Allah! Meu pai morreu e, durante sua vida, não conseguiu cumprir o Hajj obrigatório. Devo realizar o Hajj em seu nome?” O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: “Se ele tivesse alguma dívida, tu a pagarias?” O homem respondeu: “Sim, certamente a pagaria.” O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: “O pagamento da dívida para com Allah é ainda mais necessário.” (Jām‘ al-Fawā’id)

Condições para a validade do Hajj em nome de outra pessoa

Há dezesseis condições para que o Hajj por procuração seja válido; as cinco primeiras estão relacionadas àquele que o encomenda, e as onze restantes, àquele que realiza o Hajj por procuração.

1. Para aquele que deseja encomendar um Hajj por procuração, o Hajj deve ser obrigatório para ele segundo a Sharia. Se alguém encomendar um Hajj por procuração para uma pessoa para quem o Hajj não é obrigatório, isto é, que não tem condições financeiras, esse Hajj por procuração não quitará a obrigação. Por exemplo, se depois desse Hajj por procuração essa pessoa adquirir condições financeiras e o Hajj se tornar obrigatório para ela, a obrigação não será cumprida pelo Hajj por procuração que ela havia encomendado. Pelo contrário, deverá encomendar novamente um Hajj por procuração, caso não possa realizá-lo pessoalmente.

2. Aquele que deseja encomendar um Hajj por procuração deve estar pessoalmente incapacitado. Se sua incapacidade for temporária e houver esperança de que desapareça, então, depois de encomendar o Hajj por procuração, quando a incapacidade se tornar permanente e não houver possibilidade de desaparecer — como quando ele fica muito fraco por causa da velhice ou fica cego — não será condição esperar até o fim dessa incapacidade. Se, pela especial misericórdia de Allah Todo-Poderoso, sua incapacidade desaparecer depois de ele ter encomendado o Hajj por procuração, não será obrigatório realizar o Hajj novamente; deve-se considerar que a obrigação já foi cumprida.

3. Essa incapacidade deve manifestar-se antes de se encomendar o Hajj por procuração. Se a incapacidade se manifestar depois de se encomendar o Hajj por procuração, esse Hajj por procuração não será considerado válido para esse fim. Depois que a incapacidade se manifestar, será necessário encomendar um Hajj por procuração.

4. Aquele que deseja encomendar um Hajj por procuração deve pessoalmente pedir a outra pessoa que realize o Hajj. Se alguém realizar por conta própria o Hajj em nome de outra pessoa, sem que ela tenha pedido, a obrigação não será cumprida. Fazer um testamento no momento da morte também está incluído no ato de pedir. Contudo, se o herdeiro de alguém realizar um Hajj por procuração em nome do falecido, ou o encomendar a outra pessoa, sem que o falecido tenha deixado testamento, a obrigação será cumprida.

5. Aquele que encomenda o Hajj por procuração deve arcar pessoalmente com todas as despesas do Hajj.

6. Aquele que realiza o Hajj por procuração deve ser muçulmano.

7. Aquele que realiza o Hajj por procuração deve ser mentalmente lúcido; não pode ser louco nem mentalmente incapaz.

8. A pessoa que realiza o Hajj em substituição deve ser mentalmente capaz — mesmo que seja menor de idade. O Hajj em substituição realizado por uma pessoa mentalmente incapaz não é válido e a obrigação não será cumprida.

9. Ao vestir o ihram, a pessoa que realiza o Hajj em substituição deve formular a intenção do Hajj em nome daquele que o encomendou.

10. O Hajj em substituição deve ser realizado pela pessoa que aquele em nome de quem o Hajj está sendo realizado tiver indicado. Em outras palavras, somente a pessoa indicada por aquele que encomendou o Hajj em substituição poderá realizá-lo. Contudo, se ele der permissão para que o Hajj em substituição também seja realizado por outra pessoa, então será válido que essa outra pessoa o realize.

11. A pessoa que realiza o Hajj em substituição deve realizá-lo de acordo com a intenção daquele que o encomendou. Por exemplo, se aquele que encomendou o Hajj em substituição determinar que seja um Hajj Qirān ou um Hajj Tamattuʿ, a pessoa que o realiza deverá fazer, respectivamente, o Hajj Qirān ou o Hajj Tamattuʿ.

12. A pessoa que realiza o Hajj em substituição deve vestir o ihram para um único tipo de Hajj e em nome de uma única pessoa. Se vestir o ihram para o Hajj em substituição em nome de duas pessoas, a obrigação não será cumprida.

13. A pessoa que realiza o Hajj em substituição deve viajar para o Hajj utilizando um meio de transporte, e não a pé.

14. A pessoa que realiza o Hajj em substituição deve iniciar a viagem para o Hajj a partir do local daquele que deseja que o Hajj em substituição seja realizado. Mesmo quando o Hajj em substituição é financiado com um terço dos bens do falecido, a viagem deve ser iniciada, nesse sentido, a partir do local de onde for possível iniciar a viagem para o Hajj.

15. A pessoa que realiza o Hajj em substituição não deve invalidar o Hajj. Se, depois de invalidá-lo, ela realizar sua reposição, a obrigação daquele que encomendou o Hajj em substituição não será cumprida.

16. Segundo os hanafitas, não é necessário impor ao peregrino que realiza o Hajj em nome de outra pessoa a condição de que ele primeiro cumpra o seu próprio Hajj obrigatório e só depois possa realizar o Hajj em nome de outrem. Contudo, para os Ahl al-Hadith, a condição é que, se ele ainda não tiver realizado primeiro o Hajj obrigatório, não poderá realizar o Hajj em nome de outra pessoa.

Presença em Medina

Visitar Medina Tayyiba não é, naturalmente, nenhum dos pilares do Hajj. Contudo, a extraordinária grandeza e virtude de Medina, a enorme recompensa pela oração na Mesquita do Profeta e o intenso desejo de comparecer perante o Profeta atraem o crente para Medina. Assim tem sido desde sempre. Que uma pessoa viaje de terras longínquas até à Casa de Allah e depois regresse para casa sem apresentar bênçãos e saudações perante o santuário do Profeta seria uma decepção extremamente dolorosa. Por isso, o coração do crente solta um grito de angústia.

A grandeza e a virtude de Medina Tayyiba

Que maior grandeza e virtude poderia haver para Medina do que o fato de o grande benfeitor da humanidade ter passado aqui dez anos de sua vida? Aqui se encontra a mesquita construída por suas mãos abençoadas, na qual ele realizava as orações juntamente com os seus nobres Companheiros. Aqui se encontra também o campo histórico onde ocorreu a batalha decisiva entre a verdade e a falsidade; e é nesta terra sagrada que repousam em paz os mártires de Badr, dos quais toda a comunidade muçulmana se orgulha. Aqui descansam também aquelas almas puras às quais o Profeta, durante a vida delas, anunciou a boa-nova do Paraíso; e é nesta terra sagrada que o próprio Profeta da misericórdia reside.

Antes da Hégira, o nome desta cidade era Yathrib. Depois da Hégira, tornou-se famosa como Medina Tayyiba. O próprio Allah deu-lhe o nome de Taba, dizendo ………. (Jabir ibn Samura, que Allah esteja satisfeito com ele, disse: Ouvi o Profeta dizer que Allah deu a Medina o nome de Taba. (Muslim)

As palavras Taba, Tiba e Tayyiba significam pura e agradável. Na verdade, a terra sagrada de Medina é realmente pura e agradável.

Depois da Hégira, Abu Bakr e Bilal, que Allah esteja satisfeito com ambos, foram acometidos por uma doença grave, pois o clima daqui era muito ruim e insalubre. Epidemias surgiam com frequência. O Profeta fez a seguinte súplica: “Ó nosso Senhor! Faze nascer em nossos corações amor por Medina, assim como temos amor por Meca. Afasta a febre e as doenças daqui para Juhfa e torna agradável o clima daqui.” (Bukhari)

Pode-se avaliar o extraordinário amor que o Profeta (s) tinha por Medina pelo fato de que, sempre que retornava a Medina de alguma viagem, ao avistar de longe os edifícios da cidade, ficava extremamente feliz e dizia: “Eis que eles chegaram.” (Bukhari) Depois, tirava o manto dos ombros e dizia: “Este é o vento de Taibah. Oh! Como é agradável!”

Aos seus companheiros que cobriam o rosto para se proteger da poeira, dizia: “No solo de Medina há cura.” (Jazbul Qulub)

O Profeta (s) disse: “Juro por Aquele em cuja mão está a minha vida: no solo de Medina há remédio para todas as doenças.”

Hazrat Sa‘d (ra) disse: “Creio que o Profeta disse que no seu solo há também cura para a lepra.” (At-Targhib)

Para enfatizar o respeito devido a Medina, o Profeta (s) disse: “Ibrahim (a) declarou Meca um haram, e eu declaro Medina um haram. Também é haram o espaço entre os dois limites de Medina. Aqui não se pode derramar sangue nem portar armas. Nem sequer se pode arrancar as folhas das árvores. Contudo, isso é permitido para alimentar os animais.” (Muslim)

Ao expor a virtude de suportar dificuldades e sofrimentos enquanto se vive em Medina, o Profeta (s) disse: “Aquele que, dentre a minha comunidade, viver em Medina suportando dificuldades e sofrimentos, eu intercederei por ele no Dia da Ressurreição.” (Muslim)

O Profeta (s) disse: “Entre todos os membros da minha comunidade, intercederei primeiro pelos habitantes de Medina; depois, pelos habitantes de Meca; e, em seguida, pelos habitantes de Taife.” (Tabarani)

Ao reassentar seus descendentes na terra de Meca, Hazrat Ibrahim (a) fez esta declaração:

*******Árabe*********

Portanto, ó Allah, faze com que os corações das pessoas se inclinem para eles e concede-lhes frutos como alimento, para que possam tornar-se servos agradecidos. (Surata Ibrahim)

Com base nesta súplica, o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) suplicou pelo bem e pela bênção de Medina:

Ó Allah! Ibrahim (que a paz esteja sobre ele) foi Teu servo escolhido, Teu amigo e Teu profeta. Eu também sou Teu servo e Teu profeta. Ele suplicou-Te pelo bem e pela bênção de Meca. Eu também suplico pelo bem e pela bênção de Medina, da mesma forma, ou até mais. (Muslim)

Ao descrever a santidade e a importância religiosa de Medina, o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: A Hora não chegará até que Medina expulse de seu interior os malfeitores, assim como a forja do ferreiro remove as impurezas do ferro. (Muslim)

Ao explicar a virtude de desejar e esforçar-se para morrer em Medina, o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse:

Quem puder morrer em Medina deve fazê-lo. Isso porque intercederei por todo aquele que morrer em Medina. (Musnad Ahmad, Tirmidhi)

Hazrat Ibn Sa’d (que Allah esteja satisfeito com ele) relata que Hazrat Awf ibn Malik al-Ashja’i (que Allah esteja satisfeito com ele) sonhou que Hazrat Umar (que Allah esteja satisfeito com ele) havia sido martirizado. Quando esse sonho lhe foi contado, ele disse tristemente:

Como poderei ter a sorte do martírio? Estou na região da Arábia, não participo pessoalmente de nenhum jihad e as pessoas mantêm-me constantemente cercado. Porém, se essa for a vontade de Allah, mesmo nessa situação Ele me concederá a ventura do martírio. Então recitou esta súplica:

*******Árabe*********

Ó Allah! Concede-me a ventura de ser martirizado no Teu caminho e faze-me morrer na cidade do Teu Mensageiro.

A excelência da Mesquita do Profeta

Uma grande excelência da Mesquita do Profeta é também o fato de o Santo Profeta tê-la construído com as suas próprias mãos sagradas e ter orado nela durante vários anos. Ele declarou que essa era a sua própria mesquita. Disse: “Uma oração na minha mesquita é muito superior a mil orações em qualquer outra mesquita, exceto na Mesquita al-Haram.”

Hazrat Anas (r.a.) relata que o Profeta (s) disse: “Quem realizar consecutivamente quarenta orações na minha mesquita, sem deixar de cumprir sequer uma oração entre elas, será perdoado do fogo do Inferno e dos demais castigos, e será também protegido da hipocrisia.” (Musnad Ahmad, At-Targhib)

O Profeta (s) disse: “O espaço entre a minha casa e o meu púlpito é um dos jardins do Paraíso, e o meu púlpito está sobre o Reservatório de Kawthar.” (Bukhari, Muslim)

A visita à Rawda Sagrada

Quão afortunados eram aqueles muçulmanos cujos olhos se alegravam ao contemplar o Mensageiro Purificado (que a paz esteja com ele); eles eram continuamente honrados com a companhia do Mensageiro e recebiam inspiração de suas palavras. Essa felicidade era exclusiva dos nobres Companheiros. Contudo, esta oportunidade permanecerá até o Dia da Ressurreição: os amantes do Mensageiro visitarão sua Rawda Sagrada e, de pé à sua porta, oferecerão bênçãos e saudações sobre ele.

Hazrat Abdullah bin Umar (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: o Profeta (que a paz esteja com ele) disse: “Quem realizou o Hajj e, após a minha morte, visitou a minha Rawda, alcançou a felicidade de me visitar exatamente como aquele que me visitou durante a minha vida.” (Bayhaqi)

“Quem visitou o meu túmulo após a minha morte é como se me tivesse visitado durante a minha vida. A minha intercessão tornou-se obrigatória em favor de quem visitou o meu túmulo. Entre os membros da minha Ummah, a desculpa daquele que, apesar de ter capacidade, não visitou o meu túmulo não é desculpa alguma.” (Ilmul Fiqah)

“Quem veio visitar o meu túmulo e não tinha qualquer outro propósito além desse adquiriu sobre mim o direito de que eu interceda por ele.” (Ilmul Fiqah)

A determinação sobre a visita à Rawda Sagrada

Visitar a Rawda Sagrada é wajib. É isso que parece resultar dos hadiths. O Profeta (que a paz esteja com ele) disse: “Quem realizou o Hajj, mas não veio visitar o meu túmulo, cometeu uma injustiça contra mim.” E há outro hadith: “A desculpa daquele que, apesar de possuir força e capacidade, não visitou o meu túmulo não é aceitável.” À luz desses hadiths, os nobres ulemás declararam wajib a visita à Rawda Sagrada.

De fato, os nobres Companheiros (que Allah esteja satisfeito com eles), os tabi’in e outros grandes eruditos islâmicos fizeram esforços especiais para visitar a Rawda. Era hábito de Hazrat Umar (que Allah esteja satisfeito com ele) que, sempre que regressava de uma viagem, fosse primeiro à Rawda Sagrada para oferecer bênçãos e saudações.

Certa vez, Hazrat Umar (que Allah esteja satisfeito com ele) foi a Medina acompanhado de Ka’b al-Ahbar e, antes de tudo, apresentou-se na Rawda Sagrada para oferecer bênçãos e saudações.

Hazrat Umar ibn Abd al-Aziz enviou seu mensageiro da Síria a Medina com o propósito de que, ao chegar lá, transmitisse suas saudações, em seu nome, à corte do Mensageiro.

As súplicas do Hajj em um relance

Durante o Hajj, é necessário fazer súplicas ao cumprir os ritos do Hajj em vários lugares. Elas foram devidamente descritas nesta obra, e suas traduções também foram apresentadas. A lista das súplicas e suas páginas é apresentada abaixo:

Súplica ao beber a água de Zamzam — p. 270

Súplica após a Talbiyah — p. 166

Súplica ao apedrejar os pilares — p. 187

Súplica do Saʿy — p. 182

Súplica do Tawaf — p. 176

Lugares onde as súplicas são aceitas — p. 208

Súplica do sacrifício — p. 196

Súplica do Multazam — p. 207

Súplica da planície de Arafat — p. 168

Lugares do Hajj

O Haram sagrado e os lugares santos situados em seus arredores, onde são realizados os atos e os ritos do Hajj, são lugares de grande honra. Eles são, na realidade, sinais de Allah, o Altíssimo. Possuem uma estreita relação com a história do Islã. É extremamente necessário que todo muçulmano conheça esses lugares, especialmente os peregrinos do Hajj. Assim, poderão obter plenamente os benefícios do Hajj e sentirão nele aquela emoção e aquele sentimento espiritual que constituem sua essência. A seguir, são apresentados os nomes e as características desses lugares.

1. Baytullah

É uma casa sagrada quadrangular que Hazrat Ibrahim (A.S.) e Hazrat Ismail (A.S.) construíram por ordem de Allah. Eles a construíram na esperança de que, enquanto o mundo existisse, ela permanecesse como centro de orientação para toda a humanidade. Foi daqui que surgiu aquele Mensageiro que continuaria a cumprir a grandiosa responsabilidade de orientar o mundo inteiro. O Alcorão testemunha que a primeira casa construída no mundo para a adoração de Allah pelos filhos de Adão foi este Baytullah. Ele é uma fonte de bem e bênçãos para o mundo inteiro e um centro de orientação. Durante o Hajj, os visitantes do Haram realizam o tawaf ao seu redor com a mais profunda devoção, reverência, humildade e submissão.

2. Batn Urana

Um local específico na planície de Arafat, famoso pelos nomes Batn Urana ou planície de Urana. Durante a Peregrinação de Despedida, foi nesta planície que o Profeta (que a paz esteja com ele) proferiu um discurso diante da multidão.

3. Jabal al-Rahmah

Uma montanha abençoada na planície de Arafat.

4. Jabal Qazah

Uma montanha próxima de Mash‘ar al-Haram, em Muzdalifah.

5. Jabal Arafat

Uma montanha na planície de Arafat. É por causa dessa montanha que este vale ou planície é chamado de Arafat ou planície de Arafat.

6. Hujfa

Hujfa é o nome de um lugar situado a cerca de cento e oitenta quilômetros a oeste de Meca. Hujfa é o miqat para os habitantes da Síria e para todos os que chegam pelo caminho da Síria. Para entrar no Haram, é preciso vestir o ihram ali.

7. Jamarat

Há três pilares situados a certa distância em Mina. Eles são chamados de Jamarat. O primeiro pilar, situado no mercado, na direção da Mesquita de Khayf, é chamado Jamarat al-Ula. O segundo pilar, situado na direção da Baytullah, chama-se Jamarat al-Aqaba. Entre os dois está o terceiro pilar, cujo nome é Jamarat al-Wusta.

8. Haram

Algumas áreas ao redor da cidade de Meca, onde se encontram a Baytullah e a Mesquita al-Haram, são chamadas de Haram. Os limites do Haram foram determinados e são conhecidos por todos. Esses limites foram estabelecidos inicialmente por Hazrat Ibrahim (que a paz esteja com ele). Depois, durante sua época, o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) renovou e confirmou esses limites. O limite do Haram estende-se por cerca de cinco quilômetros na direção de Medina, cerca de onze quilômetros na direção do Iêmen, também cerca de onze quilômetros na direção de Taife, e tantos quilômetros na direção do Iraque. Depois do Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), Hazrat Umar (que Allah esteja satisfeito com ele), Hazrat Uthman (que Allah esteja satisfeito com ele) e Hazrat Muawiya (que Allah esteja satisfeito com ele) mantiveram esses limites em suas respectivas épocas. A exigência do amor e da obediência à religião de Allah é que o muçulmano dê plena atenção à grandeza, ao respeito e à preservação dessas demarcações, e se abstenha de praticar, dentro delas, tudo aquilo que é proibido.

9. Hatim

A parte noroeste da Baytullah fazia parte da Casa da Caaba na época de Hazrat Ibrahim (que a paz esteja com ele), mas posteriormente, durante a reforma, não foi incorporada à construção principal. Antes da missão profética do Profeta Purificado, um incêndio destruiu parte da Casa da Caaba. Quando os coraixitas tentaram reconstruí-la, os recursos se esgotaram e algumas paredes foram deixadas mais baixas. Essa parte inacabada é chamada de Hatim. Como o Hatim faz parte da própria Baytullah, os que realizam o tawaf o fazem pelo lado externo do Hatim, para que o Hatim também seja incluído no tawaf.

10. Miqat do Iraque

Um lugar situado a aproximadamente cem quilômetros a nordeste de Meca, que foi estabelecido como miqat para os habitantes do Iraque e também para aqueles que entram no Haram pela rota do Iraque.

11. Zul-Hulaifa

No caminho de Medina para Meca, há um lugar chamado Zul-Hulaifa, situado a oito ou nove quilômetros de Medina. Ele é o miqat dos habitantes de Medina e daqueles que chegam por Medina, embora esteja a várias centenas de quilômetros de Meca.

12. Rukn Yamani

O canto da Casa de Allah voltado para o Iêmen é chamado Rukn Yamani. É um lugar de grande bênção. O Profeta (que a paz esteja com ele) disse: “Quando se toca o Rukn Yamani e a Pedra Negra, os pecados são perdoados.” (At-Targhib)

13. Zamzam

Zamzam é um poço histórico situado a leste da Casa de Allah. Quando o Profeta Ibrahim (que a paz esteja com ele), por ordem de Allah, levou o Profeta Ismael (que a paz esteja com ele) e sua mãe, Hajar, para Meca e os estabeleceu naquele deserto desolado, Allah lhes demonstrou uma graça especial e fez brotar para eles, naquela região pedregosa, esta fonte de Zamzam. Nos hadiths, são mencionadas as grandes virtudes desta fonte e de sua água. O Profeta (que a paz esteja com ele) disse que se deve beber a água de Zamzam até saciar-se. Ela será benéfica para o propósito com que for bebida: é alimento para o faminto e cura para o enfermo.

14. Safa

Safa é o nome de uma colina situada a leste da Caaba. Hoje, restam apenas poucos vestígios dessa colina. Em frente a ela, ao norte da Caaba, encontra-se a colina de Marwah. É obrigatório que os visitantes do Santuário realizem o sa‘i entre essas duas colinas. Esse sa‘i é mencionado no Alcorão Sagrado.

15. Arafat

Arafat é uma extensa planície situada a cerca de quinze quilômetros de Meca. O limite de Arafat começa onde termina o limite do Santuário. Chegar à planície de Arafat e permanecer nela constitui um pilar muito importante do Hajj. Se esse pilar for deixado de cumprir, o Hajj não será válido. Nos hadiths, é mencionada a grande virtude de permanecer em Arafat.

16. Qarnul Manazil

Qarnul Manazil é o nome de um lugar montanhoso situado na estrada que segue para leste a partir de Meca. Fica a cerca de cinquenta quilômetros de Meca. É o miqat dos habitantes de Najd e daqueles que entram no Santuário pelo caminho de Najd.

17. Muhassab

É uma planície situada entre Meca e Mina, entre duas montanhas. Atualmente, tornou-se uma área habitada. Hoje, é chamada de Muahada. O Profeta (s) parou ali por algum tempo ao partir de Mina. Contudo, parar ali não faz parte dos ritos do Hajj.

18. Muzdalifah

Entre Mina e Arafat, há um lugar chamado Muzdalifah. Também é chamado de Jam, porque, na noite do dia 10 de Zul-Hijjah, os peregrinos devem reunir-se aqui. Permanecer em Muzdalifah é obrigatório. O período de permanência vai desde o início do fajr até o nascer do sol.

19. Masjid al-Haram

A Masjid al-Haram é superior a todas as mesquitas do mundo. Mais propriamente, esta é o verdadeiro lugar da oração, e todas as mesquitas do mundo são, na realidade, substitutas desta mesquita. Esta é a mesquita abençoada em cujo centro se encontra a Casa de Allah, que é a primeira casa de adoração do mundo e a fonte de orientação e bênçãos para toda a humanidade. O Profeta (que a paz esteja com ele) disse que a recompensa por uma oração realizada nesta mesquita equivale à de cem mil orações realizadas em qualquer outro lugar.

20. Masjid an-Nabawi

Quando o Profeta (que a paz esteja com ele) chegou a Medina após a Hégira, construiu aqui uma mesquita. Ele próprio participou continuamente da construção junto com os Companheiros. Ele disse: “Esta é a minha mesquita.” Ele realizou as orações nesta mesquita durante dez anos, e os nobres Companheiros também rezaram nela durante muitos anos. Descrevendo a virtude e a grandeza desta mesquita, o Profeta (que a paz esteja com ele) disse:

Só se pode viajar com o propósito de visitar três mesquitas: a Masjid al-Haram, a Masjid al-Aqsa e esta minha mesquita. (Bukhari e Muslim)

Ele também disse: “Quem realizar quarenta orações na minha mesquita, de modo que nenhuma oração entre elas seja perdida, será salvo do fogo do Inferno e dos demais castigos. Dessa forma, também será isentado da hipocrisia.” (At-Targhib)

21. Mesquita de Khayf

Esta é uma mesquita de Mina. Durante sua permanência em Mina, os peregrinos realizam nesta mesquita as orações do zuhr, asr, maghrib, isha e fajr.

22. Mesquita de Nimrah

Ela está situada exatamente na fronteira entre o Haram e Arafat. A parede desta mesquita que está voltada para Meca é justamente o ponto de encontro entre o Haram e Arafat. Na época da ignorância, os coraixitas, em vez de irem a Arafat, permaneciam dentro dos limites do Haram, isto é, junto a Mash’ar al-Haram, e consideravam isso uma característica exclusiva sua. Porém, durante a Peregrinação de Despedida, o Profeta (S) ordenou que sua tenda fosse armada em Nimrah. Assim foi feito. É neste local que se encontra a Mesquita de Nimrah.

23. Mash’ar al-Haram

Na planície de Muzdalifah há um marco elevado. Ele foi cercado ao redor. Este local é chamado Mash’ar al-Haram. Aqui foi dada ênfase à prática abundante do dhikr e à recitação do tasbih. O Profeta (S) subia a esse lugar elevado, recitava o tasbih e fazia súplicas. Este também é um local onde as súplicas são atendidas. No Alcorão Sagrado também foi dito que aqui se deve recordar muito a Allah—

*******Árabe*********

Portanto, quando retornardes de Arafat, recordai Allah junto a Mash’ar al-Haram, conforme vos foi ordenado.

24. Mutaf

O espaço oval ao redor de Baytullah, que inclui também o Hatim, é chamado de Mutaf, isto é, o lugar onde se realiza o tawaf. Aqui, dia e noite, a todo momento, as pessoas circundam Baytullah como mariposas. A circunambulação só é interrompida durante a oração congregacional.

25. Maqam Ibrahim

A nordeste de Baytullah, a pouca distância da porta da Caaba, foi construída uma cúpula. Dentro dela há uma pedra sagrada sobre a qual estão as marcas dos dois pés de Ibrahim (que a paz esteja com ele). Ela é chamada de Maqam Ibrahim. É um lugar extremamente sagrado e abençoado, e um dos grandiosos sinais de Allah. Allah diz:

*******Árabe*********

E tomai o Maqam Ibrahim como local permanente de adoração.

Depois de completar as sete voltas do tawaf, aquele que o realiza faz duas rak’ahs de oração junto ao Maqam Ibrahim. O local da oração fica entre o Maqam Ibrahim e a porta da Caaba. O Imam Malik (que Allah tenha misericórdia dele) disse que o Maqam Ibrahim está exatamente no lugar onde o Profeta Ibrahim (que a paz esteja com ele) o deixou.

26. Multazem

Aquela parte da parede da Caaba que se encontra entre a Pedra Negra e a porta da Caaba é chamada de Multazam. Essa parte tem aproximadamente seis pés. É um dos lugares mais importantes para a aceitação das súplicas. A palavra Multazam significa o lugar onde se adere, isto é, o lugar que se abraça com o peito, o rosto e as mãos. É sunnah fazer súplicas aqui dessa maneira, abraçando-o com extrema humildade e sincera emoção.

27. Mina

Um lugar situado dentro dos limites do Haram, a cerca de cinco quilômetros de Meca. Os peregrinos permanecem aqui na noite entre os dias oito e nove de Zul-Hijjah. Depois que o sol nasce plenamente no dia nove, os peregrinos partem daqui em direção a Arafat.

28. Milain-e Akhdarain (os dois sinais verdes)

No caminho de Safa para Marwa, entre Safa e Marwa, há dois sinais verdes à esquerda. Eles são chamados de Milain-e Akhdarain. É sunnah correr entre os dois. Isso se aplica somente aos homens, não às mulheres.

29. Vale de Muhassir

Um lugar no caminho entre Muzdalifa e Mina é chamado Muhassir. Alguns dias antes do nascimento do Santo Profeta (que a paz esteja com ele), Abraha, o governante cristão da Abissínia, atacou Meca com a intenção maligna de destruir a Caaba. Quando chegou à planície de Muhassir, Allah, o Altíssimo, enviou do mar numerosos bandos de pequenas aves. Essas aves traziam pequenas pedras nos bicos e nas patas. Elas começaram a lançar essas pedras sobre os soldados de Abraha com tamanha força e sem cessar que todo o exército foi completamente destruído. Os peregrinos recolhem deste lugar pequenas pedras e realizam com elas o ramy. O ramy é feito com a intenção de que, se alguém avançar com a intenção maligna de destruir a religião da verdade, também será destruído dessa maneira, assim como os bandos de aves destruíram o exército de Abraha. Os peregrinos devem recolher daqui, conforme a necessidade, pequenas pedras do tamanho de grãos-de-bico e deixar imediatamente este lugar, pois este é um lugar de castigo.

30. Yalamlam

É o nome de um lugar situado a sudeste de Meca, no caminho vindo do Iêmen. Fica a cerca de sessenta quilômetros de Meca. Esse lugar é o miqat para os que vêm do Iêmen e da direção do Iêmen. Os peregrinos de Bangladesh, do Paquistão e da Índia devem entrar em ihram nesse local.

Terminologia

1. Ihram

Vestir a roupa do Hajj com a intenção de realizar o Hajj e recitar a talbiyah chama-se ihram. Aquele que entra em ihram é chamado muhrim. Assim como, depois de pronunciar o takbir tahrima para a oração, comer, beber, locomover-se e outras coisas semelhantes se tornam proibidos, depois de entrar em ihram muitas coisas que antes eram permitidas tornam-se proibidas. Por isso, chama-se ihram.

2. Ihsar

O significado literal de ihsar é impedir, deter. Na terminologia, significa que uma pessoa formulou a intenção de realizar o Hajj ou a Umrah e, depois, foi impedida de realizar o Hajj ou a Umrah. Essa pessoa é chamada muhasar.

3. Istilam

Significa tocar e beijar. No tawaf, é sunnah tocar ou beijar o Hajar al-Aswad no início de cada volta e ao concluir o tawaf. É mustahabb tocar o Rukn Yamani.

4. Idtibāʿ

O manto deve ser colocado de modo que uma de suas extremidades passe por baixo da axila direita, em vez de ser colocada sobre o ombro direito, e seja lançada sobre o ombro esquerdo. O ombro direito permanecerá descoberto. Isso demonstra agilidade, força e entusiasmo, expressando que o soldado de Allah está pronto para lutar contra o inimigo.

5. Iʿtikāf

Iʿtikāf significa que a pessoa abandona por algum tempo as ocupações mundanas, permanece em uma mesquita e se dedica ali ao dhikr, ao tasbih, à lembrança de Allah e a outras práticas semelhantes. Realizar essa prática nos últimos dez dias do Ramadan é uma sunnah muʾakkadah.

6. Āfāqī

Chamam-se Āfāqī aqueles que vivem fora do mīqāt.

7. Ifrād

O hajj é de três tipos. Um deles é o Ifrād. Os que realizam esse hajj são chamados mufrid.

8. Almam

Almam significa descer. Como termo técnico, Almam significa ir para junto da própria família após retirar o ihram.

9. Uquiya

Uma unidade de peso equivalente a 40 dirrãs.

10. Ayyam al-Bid

Os dias 13, 14 e 15 de cada mês lunar são os Ayyam al-Bid, isto é, os dias luminosos.

11. Ayyam at-Tashriq

Os Ayyam at-Tashriq vão do dia 9 ao dia 13 do mês de Zul-Hijjah.

12. Talbiya

Uma súplica especial para os visitantes do Haram, que eles recitam continuamente.

13. Tamattu

Tamattu é uma modalidade de hajj. Consiste em realizar o hajj e a umrah juntos, assumindo um ihram separado para cada um deles. Após a umrah, a pessoa tira o ihram. Então, tornam-se lícitas para ela aquelas coisas que são proibidas durante o ihram. Depois, assume novamente o ihram para o hajj. Tal pessoa é chamada mutamatti.

14. Tamlik

Tamlik significa tornar alguém proprietário. Uma condição do zakat é tornar proprietário aquele a quem os bens do zakat serão entregues, para que ele possa gastá-los como quiser.

15. Jinayat

Jinayat significa praticar algum ato proibido e mau. Em termos técnicos, significa praticar algum ato que é proibido enquanto se está no Haram ou em estado de ihram.

16. Damm al-Ihsar

Se, depois de formular a intenção, alguém for impedido de realizar o Hajj ou a Umrah, deverá oferecer um sacrifício conforme as suas possibilidades. Esse sacrifício é chamado Damm al-Ihsar.

17. Ramal

Chama-se ramal caminhar rapidamente, inclinando-se e balançando-se, nas três primeiras voltas do tawaf.

18. Rami

Em Mina há três pilares, situados a certa distância uns dos outros. É preciso atirar pedras contra eles. Isso se chama rami. Os pilares são chamados Jamarat.

19. Sa’imah

Sa’imah são os animais que comem grama nos campos e nas matas. Não é necessário alimentá-los em casa com forragem ou algo semelhante. No entanto, eles são criados para a obtenção de leite.

20. Tawaf al-Qudum

O primeiro tawaf realizado após entrar em Meca chama-se tawaf al-Qudum. Ele é obrigatório para aqueles que residem fora do miqat.

21. Tawaf az-Ziyarah

O tawaf realizado no dia 10 de Dhu al-Hijjah, após a permanência em Arafat, chama-se tawaf az-Ziyarah. Esse tawaf é obrigatório.

22. Tawaf de despedida ou tawaf al-Wada

O tawaf realizado antes de se despedir da Baitullah é o tawaf de despedida. Esse tawaf é obrigatório para os afaqis.

23. Umrah

A Umrah é a peregrinação menor. Ela pode ser realizada a qualquer momento. Sempre que houver oportunidade, deve-se entrar no ihram, realizar o tawaf da Baitullah, fazer o sa’i e, depois de raspar ou aparar os cabelos, sair do ihram. A Umrah pode ser realizada junto com o Hajj ou separadamente.

24. Fidya

Devido à incapacidade de jejuar, a Shariah concedeu à pessoa incapaz a possibilidade de, em lugar do jejum, dar a um necessitado uma quantidade de grãos alimentícios equivalente à sadaqat al-fitr ou alimentá-lo por duas refeições. Isso é chamado, em termos técnicos, de fidya. Também é permitido dar o valor dos grãos.

25. Qiran

Assumir simultaneamente o ihram para o Hajj e a Umrah e cumprir os pilares de ambos. O peregrino que faz isso é chamado de qarin. O Hajj qiran é superior tanto ao Hajj tamattu quanto ao Hajj ifrad.

26. Qirat

Um qirat equivale a cinco grãos de cevada. Vinte qirats equivalem a um mithqal.

27. Kaffarah Qualquer prática que a Shariah tenha prescrito como compensação por uma falha ou deficiência, segundo a Shariah, é chamada de kaffarah.

28. Mithqal

Uma espécie de unidade de peso é chamada de miskal. Ela equivale a três mashas, que correspondem a uma rati.

29. Muhrim

A pessoa que assume o ihram para o hajj ou a umrah a partir do miqat é chamada de muhrim.

30. Muhassar

A pessoa que, após fazer a intenção do hajj ou da umrah, é obrigada, por algum motivo, a ficar impedida de realizar o hajj ou a umrah é chamada de muhassar.

31. Miqat

Miqat é um local determinado a partir do qual é proibido ir à Meca Mukarramah sem assumir o ihram. Qualquer que seja o motivo pelo qual alguém precise ir a Meca, deve chegar ao miqat e assumir o ihram. Avançar sem o ihram é makruh tahrimi.

32. Wasak

Wasaq significa o peso de um camelo, equivalente a 60 sa.

33. Hadi

Literalmente, significa presente ou dádiva. Na terminologia da Sharia, hadi é o animal que o peregrino que visita o Haram leva consigo para ser sacrificado, ou faz chegar ali de alguma maneira.

34. Yawm al-Tarwiya

O oitavo dia do mês de Zul-Hijjah é chamado de Yawm al-Tarwiya. Isso significa que, nesse dia, começam os ritos do Hajj.

35. Yawm de Arafat

O nono dia do mês de Zul-Hijjah, isto é, o dia do Hajj, é chamado de Yawm de Arafat ou Dia de Arafat. Nesse dia, os peregrinos do Hajj reúnem-se na planície de Arafat.

36. Yawm al-Nahr

O dia 10 do mês de Zul-Hijjah é chamado de Yawm an-Nahr. Isso porque é a partir desse dia que começa o sacrifício.

— Fim —