Palavras do editor
Há muito tempo sentia-se profundamente a necessidade de uma obra sobre o ilm al-fiqh que fosse concisa, mas que atendesse às necessidades de todos os aspectos da vida de cada muçulmano. Graças a Allah, “Asan Fiqh”, escrito em urdu pelo Maulana Muhammad Yusuf Islahi, satisfez essa nossa necessidade. Agradecemos a Allah por podermos publicar esta obra, composta em dois volumes, em língua bengali.
Consideramos que a tradução da obra ficou fiel por ter sido realizada pelo ilustre pensador e literato islâmico, senhor Abbas Ali Khan. Este volume contém três capítulos, intitulados Aqā’id, Tahārat e Salat. O segundo volume contém as normas da zakat, do sawm e do hajj.
É digno de nota que, no atual mundo muçulmano, existem quatro escolas de fiqh em prática: Hanafi, Maliki, Shafi‘i e Hanbali. Além delas, há também seguidores de outra escola, que não seguem nenhuma das quatro mencionadas. Eles são conhecidos como salafis ou ahl al-hadith. Todas as escolas mencionadas estão corretas. A base de todas elas está estabelecida no Alcorão e no hadith. O esforço de todos consistiu em seguir integralmente o Alcorão e o hadith. Por causa dessas divergências de opinião, acusar uns aos outros, considerar-se mutuamente fora do din e tentar criar fissuras na unidade da umma muçulmana não pode ser obra de nenhum sincero seguidor da verdade.
No subcontinente há seguidores de todas as escolas. Contudo, como os seguidores da escola Hanafi são mais numerosos, esta obra foi elaborada exclusivamente com base na escola Hanafi, evitando as divergências de opinião, para que os muçulmanos comuns possam seguir seu próprio madhhab com o coração livre de dúvidas e plena tranquilidade. Entretanto, em alguns pontos específicos, opiniões de outras escolas de fiqh também foram incluídas nas notas.
Em diferentes épocas, os respeitados ulamā recomendaram opiniões distintas sobre certas questões, após ampla pesquisa. A opinião considerada correta entre elas também foi mencionada nas notas, para que quem desejasse pudesse praticá-la com o coração aberto. Além disso, juntamente com as questões jurídicas, foram descritas à luz dos hadiths a virtude e a importância da adoração e das boas ações, para que se desperte no coração entusiasmo pela adoração.
O julgamento do nosso sucesso cabe aos leitores. Que o Altíssimo Allah nos conceda a capacidade de seguir plenamente o Seu din. Amém. O editor
Terminologia
Nos livros de fiqh, são utilizados alguns termos que possuem significados específicos e particulares. Para compreender os preceitos e as questões do fiqh, é necessário conhecer também o significado correto desses termos.
Nesta obra também foram utilizados esses termos nos lugares apropriados. Em vez de explicá-los a cada ocorrência, considerou-se razoável inserir logo no início da obra uma lista acompanhada de suas explicações. Os termos foram explicados segundo a ordem alfabética da língua bengali e, quando necessário, pode-se consultá-la. Também é possível memorizar todos os termos em conjunto.
A
1. Adā
A adoração realizada em seu horário determinado chama-se adā. Por exemplo, rezar a oração do fajr desde o subh sadiq até antes do nascer do sol, e jejuar no Ramadã durante o próprio mês de Ramadã, chama-se adā.
2. Awasat al-Mufaṣṣal
As suratas de الطارق até البينة são chamadas de Awasat al-Mufaṣṣal. É sunnah recitá-las nas orações do asr e do isha.
3. Ayyām al-Tashrīq
Os dias 11, 12 e 13 do mês de Zul-Hijjah são chamados de Ayyam al-Tashriq. O takbir recitado após cada oração obrigatória durante estes cinco dias — o Yawm de Arafah (9 de Zul-Hijjah), o Yawm al-Nahr (10 de Zul-Hijjah) e os Ayyam al-Tashriq — é chamado de takbir al-Tashriq.
4. Aqidah
Isto é, uma verdade na qual a pessoa adquire uma convicção firme; por exemplo, a verdade de que Allah é Um e de que ninguém é associado a Ele em Sua essência, atributos, mandamentos ou autoridade. Esta é a aqidah do muçulmano.
5. Amal qalil
Amal qalil refere-se a uma ação que o orante não realiza em excesso. Se, por alguma necessidade, ele realizar um amal qalil, a oração não é invalidada nem se torna makruh.
6. Amal kathir
É uma ação que o orante realiza em excesso, de modo que, se alguém o visse, pensaria que ele não está rezando. Por exemplo, começar a coçar o corpo com as duas mãos ou, no caso de uma mulher, começar a amarrar os cabelos durante a oração. Isso é chamado de amal kathir e, com isso, a oração é invalidada.
7. Awrah
As partes do corpo que devem obrigatoriamente ser cobertas são chamadas de awrah. Para o homem, é obrigatório cobrir da região do umbigo até os joelhos. Também é obrigatório cobrir os joelhos. Para as mulheres, é obrigatório cobrir todo o corpo, exceto o rosto, as palmas das mãos e as plantas dos pés.
I
8. Símbolos islâmicos
Por símbolos islâmicos entendem-se aqueles atos de adoração e práticas religiosas que manifestam a grandeza e a dignidade da religião e que despertam atração, amor, bem como a percepção de sua grandeza e importância.
9. Isal al-Thawab
Destinar a uma pessoa falecida a recompensa de suas boas ações e dos atos de adoração físicos e mundanos — isto é, suplicar a Allah: “Ó Allah, faze chegar à alma de determinada pessoa a recompensa desta minha adoração ou boa ação” — chama-se Isal al-Thawab.
10. Ya’isa
A mulher idosa cuja menstruação cessou é chamada de ya’isa.
Este
11. Izne aam
Esta é uma das condições para que a oração de sexta-feira seja obrigatória. Isso significa que, no local onde a oração de sexta-feira é realizada, haverá permissão livre para que pessoas de todas as classes participem, sem qualquer impedimento ou restrição para ninguém.
12. Iqamah
Antes de se posicionar para a oração em congregação, uma pessoa repete aquelas palavras que foram pronunciadas no azan e, além disso, diz قد قامت الصلوة duas vezes; isso é chamado de iqamah. Geralmente, também é chamado de takbir.
13. Iqtida
Realizar a oração em congregação atrás do imame é chamado de iqtida. Aquele que faz iqtida é chamado de muqtadi. O imame seguido na iqtida é chamado de muqtada.
14. Istiqbal da qibla
Voltar o rosto na direção da Qibla durante a oração chama-se istiqbāl al-Qibla. Voltar-se para a Qibla significa direcionar para ela o rosto e o peito. Esta é uma das condições da oração; se ela não for cumprida, a oração não é válida.
15. Istikhara
Istikhara significa buscar o bem. Em termos técnicos, a oração de istikhara, ou oração de istikhāra, é a oração facultativa que o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) ensinou aos muçulmanos com o objetivo de que, quando alguém estiver prestes a realizar uma ação permitida e não estiver claro qual é o seu melhor aspecto, nem conseguir sentir segurança quanto a qualquer um dos seus lados, reze duas rak‘at facultativas e recite a súplica prescrita da istikhara. Espera-se que, pela bênção da oração de istikhara, Allah faça surgir segurança quanto a uma das opções ou uma inclinação do coração.
16. Istinja
Purificar e limpar as partes dianteira e traseira do corpo após as necessidades humanas, isto é, urinar e defecar, chama-se istinja. O istinja pode ser feito com terra ou água.
17. Istihada
O sangue que sai pelo orifício urinário das mulheres, excetuando-se o da menstruação e o do nifas, chama-se istihada.
18. Um mitsal
Quando o sol começa a declinar, se a sombra de cada objeto, excluindo a sombra original que ele tinha nesse momento, se tornar igual ao próprio objeto, isso é chamado de um mithl.
19. Iyadat
Iyadat significa ir até o doente e perguntar sobre seu estado. Esse ato é mustahabb.
E
20. Wajib
Cumprir o wajib é tão obrigatório quanto cumprir o fard. Quem o considera insignificante e sem importância e o abandona sem motivo será um fasiq e merecerá punição. Ele é mais importante e necessário do que a sunnat mu’akkadah. Contudo, quem nega o wajib não pode ser considerado kafir.
21. Wadi
Além do sêmen e do líquido que sai imediatamente antes de sua emissão, chama-se wadi a substância espessa que é expelida pelo pênis em outros momentos e que, na maioria das vezes, sai após a urina.
22. Watan Asli
Chama-se Watan Asli o lugar onde uma pessoa reside permanentemente. Se alguém abandonar esse lugar com a intenção de residir permanentemente em outro, o novo lugar se tornará seu Watan Asli. O primeiro lugar deixará de ser seu Watan Asli.
K
23. Qira’at
A recitação do Alcorão Sagrado durante a oração chama-se Qira’at. Na oração, é obrigatório recitar o equivalente a um versículo longo ou a três versículos curtos. A Qira’at é um dos pilares da oração. Sem ela, a oração não é válida.
24. Qurbani
O sacrifício de um animal, nos dias do Eid al-Adha, pela satisfação de Allah, chama-se Qurbani. É o compromisso de que, se necessário, o servo não hesitará em dar o próprio sangue pelo caminho de Allah.
25. Qa’dat al-Ula
Em uma oração de quatro rak‘ahs, sentar-se após a segunda rak‘ah para recitar o Attahiyyat chama-se qa‘da ula.
26. Qa‘da akhira
Sentar-se na última rak‘ah de cada oração para recitar o Attahiyyat chama-se qa‘da akhira. A reunião na segunda rak‘ah de uma oração de duas rak‘ahs, na terceira rak‘ah de uma oração de três rak‘ahs e na quarta rak‘ah de uma oração de quatro rak‘ahs será chamada de qa‘da akhira. O qa‘da akhira é obrigatório em toda oração
27. Qawma
Após levantar-se do rukū‘, ficar de pé completamente ereto e com firmeza chama-se qawma. Este é um dos atos obrigatórios da oração.
28. Qisār al-mufassal
Da surata الزلزال até a surata الناس chama-se qisār al-mufassal. É uma prática sunnah recitar essas suratas na oração do Maghrib.
29. Qunut nazila
Qunute Nazila é a súplica que o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) recitava para proteger contra a destruição causada pelo inimigo, enfraquecer seu poder e pedir sua destruição. Depois do Profeta, os Companheiros também estabeleceram a prática de recitá-la.
Kha
30. Khusuf
O eclipse da Lua é chamado de khusuf. No Alcorão, consta وخسف القمرisto é: “Haverá um eclipse da Lua, e ela ficará sem luz.” A oração de duas rak‘ahs realizada durante o khusuf é chamada salat al-khusuf, ou oração do khusuf.
Jim
31. Animais ghayr damawi
Os animais que não têm sangue algum ou cujo sangue não circula, como mosquitos, moscas, vespas e escorpiões, entre outros, são chamados ghayr damawi.
32. Ghusl
Segundo a Shariah, chama-se ghusl lavar todo o corpo e purificá-lo da najāsat haqīqī e hukmī.
Ch
33. Sombra original
A sombra que cada objeto possui ao meio-dia é chamada de sombra original.
34. Sombra de um mithl
Quando, excluindo a sombra original, a sombra de cada objeto é igual ao seu tamanho, ela é chamada de sombra de um mithl.
35. Sombra de dois mithl
Quando, excluindo a sombra original, a sombra de cada objeto é o dobro do seu tamanho, ela é chamada de sombra de dois mithl.
J
36. Na terminologia do fiqh, a posição sentada entre as duas prostrações chama-se jalsa; ela é uma das obrigações da oração.
37. Jamaat-e Sani
Depois de se realizar regularmente a oração em congregação na mesquita, se aqueles que não puderam participar dessa congregação realizarem novamente uma oração em congregação, isso é chamado de Jamaat-e Sani. Em que circunstâncias essa segunda congregação é permitida e em quais é considerada makruh?
38. Jam‘ baynaṣ-ṣalātayn
Chama-se jam‘ baynaṣ-ṣalātayn a realização conjunta, num único horário, das orações de dois horários. Por exemplo, realizar as orações de Zuhr e Asr no horário de Zuhr. Durante o Hajj, em Arafat, as orações de Zuhr e Asr são realizadas juntas no horário de Zuhr do dia 9 de Dhu al-Hijjah. Depois, ao chegar a Muzdalifah, Maghrib e Isha são realizadas juntas no horário de Isha. No Hajj, realiza-se necessariamente o jam‘ baynaṣ-ṣalātayn; segundo algumas pessoas, ele também é permitido durante uma viagem.
39. Jam‘ Suri
Isso significa atrasar uma oração e realizá-la quando seu horário estiver quase terminando, e realizar a oração do segundo horário assim que este começar. Desse modo, aparentemente parecerá que as duas orações foram realizadas ao mesmo tempo, mas, na realidade, ambas foram realizadas em seus respectivos horários. Segundo os hanafitas, durante outras viagens além do Hajj, somente o jam‘ suri é permitido; o jam‘ haqiqi não é permitido.
40. Jamʿ haqīqī
Significa realizar juntas, no horário de uma delas, as orações de dois horários. Por exemplo, realizar juntas a oração do meio-dia e a oração da tarde no horário da oração do meio-dia.
41. Jamʿ taqdīm
Significa realizar a segunda oração juntamente com a primeira, no horário da primeira, antes do início do horário da segunda. Por exemplo, realizar a oração da tarde no horário da oração do meio-dia, juntamente com esta, antes de começar o horário da oração da tarde. É assim que se faz em ʿArafāt durante o Hajj.
42. Jamʿ taʾkhīr
Significa adiar a oração de um horário e realizá-la no horário da segunda oração, juntamente com esta. Por exemplo, não realizar a oração do crepúsculo no seu horário, adiá-la e realizá-la no horário da oração da noite, juntamente com esta. É assim que se faz em Muzdalifah.
43. Janābah
O significado linguístico de janābah é afastamento. Na terminologia do fiqh, designa o estado de impureza que torna obrigatório o banho ritual para o homem ou para a mulher. Esse banho torna-se necessário após a realização de relações sexuais ou quando ocorre ejaculação por outro meio. Como, nesse estado, a pessoa deve manter-se afastada da tahārah e da oração, ele é chamado janābah.
44. Oração jahrī
Isto é, a oração na qual é obrigatório que o imame recite em voz alta. Por exemplo, as duas primeiras rak‘ahs do maghrib e do ‘ishā’, o fajr, a oração de sexta-feira e as duas orações dos ‘Īds são jahrī. Nestas orações, é obrigatório que o imame recite em voz alta.
Ta
45. Tahmīd
Após levantar-se do rukū‘, na posição de qawmah,ربنا لك الحمدdeve-se recitar.
46. Tahiyyat al-Masjid
Tahiyyat al-Masjid é a oração cuja realização é recomendada para aqueles que entram na mesquita. Podem-se realizar duas rak‘ahs de Tahiyyat al-Masjid, e é recomendável realizar mais do que isso. Se alguém, depois de entrar na mesquita, realizar uma oração fard, wajib ou sunnah, ela substituirá a oração de Tahiyyat al-Masjid.
47. Tasbīh
Recitar Subḥāna rabbiyal-ʿaẓīm ou Subḥāna rabbiyal-aʿlā durante a oração.
48. Tasmi‘
Ao levantar-se do rukū‘سمع الله لمن حمدهrecitar.
49. Tasmiyah
بسم الله الرحمن الرحيمrecitar.
50. Tashahhud
Recitar At-Taḥiyyāt durante a sessão. Como ao seu final se testemunha a unicidade e a missão profética, isso é chamado de tashahhud.
51. Taʿawwudh
اعوذ بالله من الشيطان الرجيم recitar.
52. Ta‘dīl al-Arkān
Executar o rukū‘, o sujūd e outros movimentos com firmeza, e realizar corretamente o qawmah, o jalsah e outros.
53. Ta‘ziyat
Ta‘ziyat é aconselhar os familiares do falecido a terem paciência, expressar condolências e fazer súplicas pelo falecido.
54. Takbīr de Taḥrīmah
Dizer “Allāhu Akbar” ao iniciar a oração. É chamado de Takbīr de Taḥrīmah porque, a partir daí, a oração começa e, durante a oração, falar, comer, beber e outras coisas semelhantes tornam-se proibidos.
55. Takbīr
Dizer «Allahu Akbar». Geralmente, a iqamah também é chamada de takbir.
56. Takbir de Tashriq
Chama-se takbir de Tashriq o takbir que é pronunciado uma vez em voz alta após cada oração obrigatória, desde o fajr do dia 9 de Zul-Hijjah até o asr do dia 13 de Zul-Hijjah. Ele é o seguinte:
الله اكبر الله اكبر لااله الاالله والله اكبر الله اكبر ولله الحمد-
57. Tahlil
لااله الااللهA recitação é chamada de tahlil.
58. Tahajjud
Tahajjud significa levantar-se do sono; a oração realizada depois de se levantar, após dormir por algum tempo à noite, é chamada de oração do Tahajjud. O método prescrito pela Sunnah para o Tahajjud é que a pessoa se levante depois da metade da noite e faça a oração.
59. Tayammum
No dicionário, tayammum significa ter a intenção e o propósito; na terminologia do fiqh, significa alcançar a purificação da impureza ritual por meio de terra pura ou algo semelhante, na ausência de água. Pode-se fazer tayammum em substituição ao wudu e também em substituição ao ghusl.
60. Tayāmun
Começar toda ação pelo lado direito; por exemplo, começar o wudu pela mão direita e calçar primeiro o sapato no pé direito, entre outras coisas.
61. Tilāwat al-Mufaṣṣal
As suratas desde a surata الحجرات até à surata البروج são chamadas de Tiwāl al-Mufaṣṣal. É sunnah recitá-las nas orações do fajr e do zuhr.
62. Tahārat
Tahārat é o oposto de najāsat. Tahārat significa purificar o corpo, de acordo com a Sharia, da najāsat haqīqī e da najāsat hukmī.
63. Tohr
O estado de pureza entre duas menstruações é chamado de tohr.
64. Dabaghat
Curtir o couro cru, removendo sua umidade e seu mau cheiro, chama-se fazer dabaghat. Por meio do dabaghat, o couro de todo animal halal ou haram torna-se puro. Porém, o couro de porco não se torna puro de modo algum.
65. Animal damubi
Aquele em cujo corpo circula sangue.
66. Dirham
O peso de um dirham é de três masas e um rati. É aproximadamente igual a uma taka.
67. Duplo Miṣāl
Quando o sol começa a declinar, se a sombra de cada objeto, além da sua sombra original, atingir o dobro do seu comprimento, isso é chamado de duplo miṣāl.
N
68. Najāsat Ḥaqīqiyya
Najāsat ḥaqīqiyya refere-se a todas as impurezas que provocam repulsa natural nas pessoas, das quais se deve proteger o próprio corpo, as roupas e os demais pertences, e das quais a Sharīʿa ordena que se mantenha afastado.
69. Najāsat Ḥukmiyya
A condição de impureza que não pode ser vista, mas é conhecida por meio da Sharīʿa, é chamada de najāsat ḥukmiyya; por exemplo, não estar em estado de wuḍūʾ ou necessitar de ghusl. Ela também é chamada de ḥadath.
70. Najāsat Khafīfa
Essas impurezas perceptíveis são chamadas de najasat-e-khafifa, cuja impureza é relativamente leve e, segundo algumas provas e evidências da Sharia, há também dúvida quanto à sua pureza. Por isso, a determinação da Sharia a respeito delas também é relativamente branda. Um exemplo são as fezes de aves ilícitas.
71. Najasat-e-ghaliza
Aquilo cuja impureza não deixa qualquer dúvida é chamado de najasat-e-ghaliza. As pessoas também sentem repulsa natural por isso, e há provas na Sharia de que é impuro. Exemplos são o porco e todas as suas partes, a urina e as fezes humanas, entre outros.
72. Nafl
Uma ação que o Profeta (que a paz esteja com ele) praticou ocasionalmente, mas não praticou na maior parte do tempo, é chamada de nafl. Nafl também é chamado de mandub, mustahabb e tatawwu.
73. Nifas
O sangue que sai do órgão especial da mulher após o parto é chamado de nifas. O período máximo de saída desse sangue é de 40 dias, e não há um período mínimo determinado.
74. Oração de Chasht
A oração voluntária realizada desde depois do nascer completo do sol até o meio-dia é chamada de oração de Duha. Essa oração é mustahabb. Pode-se rezar quatro rak‘ahs ou mais.
75. A oração de Qasr
Por oração de Qasr entende-se a oração abreviada durante a viagem. A Sharia concedeu ao viajante a facilidade de rezar as orações de Zuhr, ‘Asr e ‘Isha em duas rak‘ahs, em vez de quatro. Não há Qasr nas orações de Fajr e Maghrib.
F
76. Um ato cuja prática é indispensável para todo muçulmano, e aquele que o nega é um kafir. Quem abandonar um fard sem justificativa será fasiq e merecedor de punição. O fard é de dois tipos: fard ‘ayn e fard kifayah.
77. Fard ‘Ayn
Aquilo cuja prática é absolutamente indispensável para todo muçulmano; se não o fizer, será um grande pecador e merecerá punição. Como a oração, o jejum e outros semelhantes.
78. Fard Kifayah
Não é individualmente obrigatório para cada pessoa, mas é obrigatório para todos os muçulmanos em conjunto; assim, se algumas pessoas o cumprirem, a obrigação estará cumprida por todos, mas, se ninguém o cumprir, todos serão pecadores. Por exemplo, a oração fúnebre, preparar o morto para o enterro e enterrá-lo, entre outros.
79. Fiqh
A palavra fiqh significa inteligência, discernimento e compreensão. Como termo técnico, fiqh significa as normas da Sharia, que os sábios dotados de profundo conhecimento e domínio do Alcorão e da Sunna deduziram do Alcorão e da Sunna com argumentos e provas.
80. Fidya
Fidya é uma caridade oferecida em nome de uma pessoa falecida em lugar das orações que ela deixou de cumprir e que deveriam ser compensadas. A fidya de uma oração é um ser e um quarto de trigo ou dois seres e meio de cevada. Também se pode oferecer o seu valor.
M
81. Māʾ jārī
A água corrente é chamada de “māʾ jārī”. Por exemplo, a água de rios, mares, nascentes das montanhas, canais e semelhantes. A “māʾ jārī” é pura. Pode-se realizar a purificação ritual com ela. Contudo, se nela houver uma quantidade de impureza que altere a sua cor, o seu sabor ou o seu odor, não será possível realizar a purificação ritual com ela.
82. Māʼe Rāqed Qalīl
Rāqed significa parado. Māʼe Rāqed Qalīl significa água parada ou estagnada em quantidade tão pequena que, se alguma impureza cair em uma extremidade, a cor, o cheiro e o sabor de toda a água, até a outra extremidade, se alteram.
83. Māʼe Rāqed Kathīr
É a água estagnada em quantidade tão grande que, se alguma impureza cair em uma extremidade, nenhuma alteração ocorre na outra. Ou seja, a cor, o cheiro e o sabor da água não se alteram.
84. Māʼe Ṭāhir Muṭahhir
Chama-se Māʼe Ṭāhir Muṭahhir a água que é pura em si mesma, pode purificar outras coisas e com a qual se pode realizar a ablução e o banho ritual corretamente.
85. Māʼe Mustaʿmal
É a água utilizada por alguém para se purificar do hadath menor por meio da ablução, ou com a intenção de obter recompensa, ou utilizada no banho ritual por uma pessoa para quem esse banho é obrigatório, desde que não houvesse nenhuma impureza em seu corpo. Essa água é pura em si mesma, mas não se pode realizar corretamente com ela a ablução nem o banho ritual.
86. Mā’-e Mashkūk
Mā’-e Mashkūk (água sobre a qual há dúvida) é uma água pura, mas há dúvida quanto à validade ou não da purificação realizada com ela. Por exemplo, a água que sobra de um jumento ou de uma mula. A regra relativa a essa água é que, após fazer a ablução com ela, também se deve fazer tayammum.
87. Mā’-e Najās (água impura)
É uma água com a qual não se pode realizar a purificação; e, se tocar uma roupa ou o corpo, estes também se tornarão impuros.
88. Mubāh
Toda ação permitida cuja prática não traz recompensa e cuja omissão não implica pecado.
89. Mubāsharat
Ter relações sexuais é denominado mubāsharat.
90. Mudrik
Chama-se mudrik a pessoa que permanece na congregação com o imame desde o início até o fim.
91. Mazi
Chama-se mazi o líquido esbranquiçado que é expelido antes da ejaculação, no momento culminante da relação sexual.
92. Murtad
Murtad é a pessoa que, depois de crer no Islã, retorna novamente à incredulidade.
93. Musafir
Na terminologia da sharia, chama-se musafir a pessoa que sai de sua localidade com a intenção de viajar uma distância de 36 milhas [segundo alguns eruditos hanafitas, essa distância é de 48 milhas]. Tal pessoa deve realizar a oração qasr durante a viagem.
94. Masbuq
Chama-se masbuq o muqtadi que se junta à congregação com algum atraso, quando já passou uma ou duas rak‘ahs.
95. Mustahabb
Chama-se mustahabb a prática que o Profeta (s.a.w.) realizou ocasionalmente e não realizou na maior parte do tempo. Há muita recompensa nessa prática; não há pecado em não a realizar.
96. Masah
Masah significa passar a mão molhada. Quer se faça masah na cabeça ou sobre as meias, deve-se fazê-lo com água não utilizada.
97. Muqtadi
Chama-se muqtadi aquele que realiza a oração atrás do imame.
98. Mukabbir
Aquele que profere a iqamah e o takbir é chamado de mukabbir. Quando a congregação é numerosa, também é chamado de mukabbir aquele que repete o takbir do imame e faz sua voz chegar a todos os seguidores.
99. Makruh tahrimi
É toda ação da qual é obrigatório que todo muçulmano se abstenha. Quem a pratica sem uma desculpa legítima torna-se um grande pecador. Contudo, aquele que a nega não pode ser chamado de kafir.
100. Makruh tanzihi
É uma ação cuja abstenção traz recompensa, mas cuja prática não torna a pessoa pecadora.
101. Mani
É uma substância cuja emissão satisfaz o desejo sexual e alivia a excitação.
r
102. Rukn
Rukn é o nome dado à parte de algo de cuja existência depende o fato de ele permanecer estabelecido ou não. O plural de rukn é arkan. Por exemplo, os arkan da oração são qiyam, qira’at, ruku, sujud, qawmah e qa’dah akhirah; todas essas são partes da oração de cuja existência ela depende. Os arkan do Islã são aqidah, oração, zakat, jejum e hajj. É sobre todos eles que se ergue o edifício do Islã. Sem eles, esse edifício não poderia permanecer de pé.
l
103. Lāhiq
Lāhiq é o nome dado ao muqtadi que participa da congregação desde o início, mas depois perde uma ou mais rak‘at.
s
104. Sutra
Se aquele que reza fizer a oração em um local onde as pessoas passam à sua frente, colocar diante de si algum objeto alto como barreira é chamado, na terminologia, de sutra.
105. Cobertura da awrah
Awrah refere-se à parte do corpo cuja exposição é proibida segundo a Sharia. Para o homem, é obrigatório cobrir-se do umbigo até os joelhos; para a mulher, é obrigatório cobrir todo o corpo, exceto o rosto, as mãos e os pés. Cobertura da awrah significa cobrir essas partes, o que é obrigatório.
106. Prostração por esquecimento
Sahw significa esquecer. Quando, por engano, ocorre algum acréscimo ou redução durante a oração, torna-se obrigatório fazer duas prostrações ao final da oração para reparar o prejuízo causado à oração. Elas são chamadas de prostrações por esquecimento.
107. Oração sirri
As orações nas quais é obrigatório o imame recitar em voz baixa são chamadas de orações sirri. Por exemplo, as orações do meio-dia e da tarde.
108. Sunnah
Sunnah são aquelas ações praticadas pelo Profeta (s.a.) e pelos nobres Companheiros (r.a.). Há dois tipos: sunnah mu’akkadah e sunnah ghayr mu’akkadah.
109. Sunnah mu’akkadah
São aquelas ações que o Profeta (s.a.) e os nobres Companheiros (r.a.) praticavam constantemente e nunca abandonavam sem uma justificativa. Contudo, não advertiam aqueles que não as praticavam. Porém, quem as abandona sem justificativa e cria o hábito de deixá-las é fásiq e pecador. Será privado do testemunho do Profeta (s.a.). Se alguma delas for omitida acidentalmente, isso é outra questão.
110. Sunnah ghayr mu’akkadah
É uma ação que o Profeta (s.a.) ou os Companheiros praticavam, mas que às vezes também abandonavam sem justificativa. Quem a pratica recebe grande recompensa; quem não a pratica não comete pecado.
111. Sāhib al-tartīb
Na terminologia da Shariah, chama-se sāhib al-tartīb ao servo crente que nunca teve orações em atraso, mas cujo atraso corresponde a uma, duas ou cinco das cinco orações diárias — seja de forma consecutiva ou em momentos diferentes —, ou que já tenha compensado as orações anteriormente atrasadas e ainda tenha sob sua responsabilidade a compensação de uma, duas ou cinco orações.
112. Sadaqah al-fitr
Sadaqat al-Fitr é a caridade que toda pessoa abastada entrega ao necessitado antes da oração do Eid al-Fitr. Entregá-la é obrigatório para todo muçulmano que possua bens além de suas necessidades básicas, quer a zakat seja obrigatória para ele ou não. Além disso, não é necessário que esses bens permaneçam em sua posse durante um ano. Também é obrigatório entregá-la em nome de todo menor; inclusive, se um louco for rico, é obrigatório entregá-la em seu nome.
Capítulo sobre as crenças
Os pilares do Islã
Qualquer edifício ou casa necessariamente se apoia sobre alguma fundação ou pilar. Essa casa permanece firme enquanto sua fundação ou seus pilares forem sólidos. Se esse pilar ficar instável ou enfraquecer, a casa construída sobre ele também enfraquecerá. E se esse pilar se mover desde a base ou ficar deteriorado a ponto de estar prestes a cair, a casa também não poderá permanecer de pé e, a qualquer momento, desabará estrondosamente no chão. O exemplo do Islã é exatamente como o de uma casa. Ele tem cinco arkan, ou pilares. Estes são chamados de arkan no Islã.
Quanto mais sólidos forem esses pilares do palácio ou da casa islâmica, mais duradouro será também o edifício islâmico. Se Deus não permita que esses arkan enfraqueçam, que sua base se solte ou que fiquem prestes a cair, o edifício islâmico também não poderá permanecer intacto. Um dia, desabará estrondosamente sobre a terra.
Agora, se o Islã é querido para nós, se desejamos adorar o Deus Único com tranquilidade e em um ambiente pacífico, sob a sombra desta casa, e se também nutrimos o nobre desejo de que todos os servos de Deus encontrem abrigo neste edifício, permaneçam longe do perigo da descrença e do politeísmo, vivam como servos queridos por Deus e alcancem sucesso na religião e no mundo, então é nosso dever conhecer bem a essência dos pilares do Islã e tomar todas as medidas para garantir sua estabilidade e solidez. Depois disso, não devemos permitir, em circunstância alguma, que eles enfraqueçam. Isso porque este grandioso edifício do Islã, com suas inúmeras bênçãos, só pode permanecer estabelecido quando esses pilares existirem firmes e sólidos.
Os pilares do Islã são cinco:
1. A kalima tayyiba. Isto é, abandonar as ideias e crenças de descrença e politeísmo e crer nas crenças islâmicas.
2. Estabelecer a oração.
3. Dar a zakat.
4. Jejuar durante o Ramadã.
5. Realizar a peregrinação à Casa de Allah.
O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: بني الاسلام على خمس
A base do Islã está sobre cinco coisas:
شهادة ان لأ اله الأالله و ان محمدا رسول الله-
Testemunhar que não há divindade além de Allah e que Muhammad é o Mensageiro de Allah.
واقام الصلوة
E estabelecer a oração.
وايتاء الزكوة
E pagar o zakat.
وصوم رمضان
E jejuar no Ramadã.
وحج البيت
E visitar a Casa de Allah, ou realizar o Hajj.
Conceito islâmico — crença e pensamento
A base das boas ações
No Islã, a base de toda adoração e de toda boa ação é a fé. Sem fé, nenhuma adoração é confiável, nenhuma boa ação será aceita e a salvação também não será possível. Por mais virtuosa que qualquer ação possa parecer, se a fé não for sua base, ela não terá valor algum perante Allah. O Alcorão chama de boa ação aquela cuja fonte de inspiração é a fé.
Allah diz:
Quem quer que pratique boas ações, seja homem ou mulher, se for crente, conceder-lhe-ei uma vida pura e virtuosa. (Surata An-Naml: 97)
Em outra passagem do Alcorão, é dito:
(Ó Mensageiro,) diga-lhes: quereis que vos informemos quem são os que mais perdem e se frustram por causa de suas ações? São aqueles cujos esforços se consumiram, durante a vida mundana, no desvio, embora pensem que estão praticando boas ações. São aqueles que negaram os sinais de Allah e não acreditaram que compareceriam perante Allah. Por isso, todas as suas ações fracassaram. No Dia da Ressurreição, elas não terão valor algum. (Surata Al-Kahf: 103–105)
O que se entende por fé?
Aceitar de coração o significado da Kalima Tayyiba e da Kalima Shahadat e pronunciá-las com a boca é chamado de fé.
Kalima Tayyiba: لااله الا الله محمد رسول الله
Não há divindade além de Allah. Muhammad (s.a.) é o Mensageiro de Allah.
Kalima Shahadat: اشهد ان لأ اله الا الله واشهد ان محمدا عبده ورسوله
Testifico que não há divindade além de Allah e também testifico que Muhammad (s.a.) é Seu servo e Mensageiro.
As questões cuja aceitação geral é necessária depois de crer na Kalima Tayyiba e na Kalima Shahadat são chamadas de crenças islâmicas.
As crenças islâmicas são seis:
1. Crer na essência e nos atributos de Allah.
2. Fé nos anjos.
3. Fé nos mensageiros, incluindo a fé no selo da profecia.
4. Fé nos Livros celestiais.
5. Fé na vida após a morte.
6. Fé no decreto divino.
Essas seis crenças constituem, na realidade, as seis partes da fé. Entre elas existe uma relação mútua profunda e indispensável. Ao aceitar qualquer uma delas, é necessário aceitar todas as demais; e, ao negar qualquer uma delas, todas são negadas. O verdadeiro significado da fé é aceitar todas elas com o coração. Se alguém se recusar a aceitar qualquer uma delas, de modo algum poderá ser chamado de crente. Do mesmo modo, não é crente aquele que, além dessas seis crenças do Islã, considera alguma nova crença, criada por si mesmo, como parte da fé e a considera necessária para a fé.
Fé na essência e nos atributos de Allah
1. Este vasto e grandioso universo natural contém inúmeros sistemas solares. Existem também muitos outros mundos desse tipo. Neles há igualmente diversos tipos de organização. A imensidão de tudo isso está além da nossa imaginação. Essas criações não vieram à existência de repente, por mero acaso. Tampouco são o resultado das atividades naturais das coisas ao longo de muitos anos. Pelo contrário, Allah Todo-Poderoso criou tudo isso por Sua própria vontade e ordem, com base em um plano especial. Ele é o verdadeiro Proprietário de tudo isso. Ele mantém tudo isso estabelecido por Seu poder infinito e continuará a mantê-lo assim pelo tempo que desejar.
2. Allah, o Altíssimo, é o Criador de cada coisa do reino da natureza. Não existe nada que tenha vindo à existência por si mesmo sem ter sido criado por Ele. A existência e a permanência de cada coisa dependem Dele. Ele é o Sustentador de todos. Ele protege quem quer e destrói quem quer.
3. Ele existe desde a eternidade e permanecerá para sempre. Ele é eternamente Vivo e eternamente Perene. Ele não perece.
4. Ele é Um e Único. Todos dependem Dele. Ele não depende de ninguém. Ele é Onipotente. Ninguém pode alterar Sua vontade e Sua decisão. Ele não tem pai nem mãe, nem filhos ou descendentes. Não tem esposa, filhos, parentes, irmãos, companheiros, familiares ou clã.
5. Ele não tem associado em assunto algum. Em Sua essência, atributos, autoridade e prerrogativas, não há nenhum associado ou parceiro. Ele existe por Si mesmo. Em Sua autoridade, prerrogativas, essência e atributos, não precisa da ajuda de ninguém.
6. Nada está além de Seu poder. Não se pode imaginar algo que Ele seja incapaz de fazer. Ele está acima de toda espécie de obrigação, incapacidade, defeito e falha. Ele é a fonte de todo bem. Todos os nomes puros e todos os atributos excelentes pertencem a Ele. O sono ou a sonolência não podem tocá-Lo. Ele é puro e santíssimo, acima de todos os defeitos e falhas.
7. Ele é o único Rei ou Governante de todo o universo. Ele é a fonte de toda autoridade. No universo, somente Sua autoridade está em vigor. Para exercer Sua autoridade e Seu domínio, Ele não depende de ninguém. Ninguém além Dele pode possuir autoridade e domínio. Ele faz o que quer, e ninguém pode questioná-Lo.
8. Ele é a verdadeira fonte e o centro de todas as forças. Todas as outras forças são insignificantes diante Dele. No universo, não existe nada que possa dar um passo ou respirar contra Sua vontade, seja homem, anjo, jinn ou qualquer outra criatura poderosa. Qualquer planeta grandioso do reino da natureza ou qualquer força visível ou invisível, por maior e mais poderosa que seja, nada é diante do poder e da capacidade infinitos de Allah.
9. Ele está presente em toda parte e em todos os momentos. Ele tudo vê. Ele vê cada coisa, esteja ela sob a terra ou em algum lugar do céu infinito. Ele conhece o futuro. Ele conhece perfeitamente os pensamentos da mente humana, os sentimentos e emoções ocultos no mais íntimo do coração e todos os segredos. Ele está mais próximo do ser humano do que suas veias e vasos sanguíneos. Ele possui conhecimento certo de todas as coisas, passadas e futuras. Nenhuma folha cai de uma árvore sem que isso esteja fora de Seu conhecimento, e não existe no solo nenhuma semente de grão escondida que Ele não conheça.
10. A vida e a morte estão em Suas mãos. Ele concede vida e morte a quem quer. Ninguém pode salvar aquele que Ele quer fazer morrer, e ninguém pode matar aquele que Ele quer manter vivo.
11. Ele é o único proprietário de todas as riquezas. Ninguém pode dar nada àquele a quem Ele quer privar dessas riquezas. E ninguém pode impedir que receba aquilo que Ele quer dar. Conceder ou não filhos a alguém está inteiramente sob Sua autoridade. Ele concede filhos homens a quem quer, filhas a quem quer, ou ambos a quem quer. E, novamente, priva quem quer de ambos. Ninguém tem sequer o mínimo poder para mudar Sua decisão.
12. Somente Ele tem poder sobre o benefício e o prejuízo. Se Ele quiser fazer alguém sofrer dano ou enfrentar uma calamidade, ninguém poderá impedi-lo. E, se quiser beneficiar alguém, ninguém poderá causar-lhe qualquer dano ou mal. Em suma, ninguém além de Allah pode causar benefício ou mal a quem quer que seja.
13. Somente Ele é o Provedor de todos. As chaves da provisão estão unicamente em Suas mãos. Ele tem pleno conhecimento de toda a Sua criação. Ele concede sustento a todos. Também está em Suas mãos aumentar ou diminuir o sustento e os ganhos. Cada pessoa receberá exatamente aquilo que Ele determinou para ela. Ninguém tem o direito de aumentar ou diminuir isso.
14. Ele é extremamente justo. É sábio e possui um julgamento perfeito. Ele toma as decisões corretas. Não viola o direito de nenhum titular de um direito, nem oprime ninguém. Seria contrário à Sua justiça e equidade que o benfeitor e o malfeitor fossem iguais diante d’Ele. Ele recompensa cada um de acordo com suas próprias obras. Não castiga nenhum criminoso além do que seu crime merece, nem priva nenhum justo da recompensa que lhe é devida. Cada uma de Suas decisões baseia-se em Seu conhecimento perfeito, em Seu julgamento equilibrado e na justiça.
15. Ele ama imensamente Seus servos. Perdoa os pecados e aceita o arrependimento dos que se arrependem. Ele derrama continuamente Sua misericórdia sobre Seus servos. Os crentes não devem desesperar da Sua misericórdia e do Seu perdão.
16. Somente Ele é o Ser que pode ser amado. Somente a Sua satisfação deve ser buscada. Se alguém, além d’Ele, for amado, deve ser amado por Sua causa; o amor por Ele deve governar todos os demais amores.
17. Somente Ele é digno da nossa gratidão. Somente Ele tem o direito de receber toda adoração, servidão e obediência. Ninguém além d’Ele pode ter o direito de receber obediência, nem se pode demonstrar gratidão a qualquer outro. Somente diante d’Ele se pode permanecer humildemente. Somente a Ele se pode prostrar. Somente a Ele se pode pedir tudo. Somente a Ele se pode suplicar humildemente.
18. É direito exclusivo d’Ele que as pessoas Lhe obedeçam, sigam Sua lei e cumpram integralmente as determinações da Sharia que Ele estabeleceu. Somente Ele tem o direito de determinar o que é halal e haram. Ninguém possui sequer a menor autoridade nesse assunto.
19. Somente a Ele se deve temer. Somente n’Ele se deve depositar esperança e confiança. Em todos os assuntos, deve-se pedir ajuda somente a Ele. Deve-se considerá-Lo o realizador dos desejos, o salvador, o protetor e o ajudador. Em todas as questões, deve-se confiar somente n’Ele.
20. Somente a Ele se deve pedir orientação. Guiar pelo caminho reto é Sua função. Ninguém pode desviar aquele a quem Ele guia, e ninguém pode guiar pelo caminho reto aquele a quem Ele desvia.
21. O kufr, o shirk, o ateísmo, a bid‘ah e semelhantes trazem destruição nesta vida e na Outra. Os piores entre as pessoas no mundo são aqueles que negam a existência de Allah, não aceitam Sua religião, associam outros a Ele e, em vez de obedecer-Lhe, seguem seus próprios desejos.
22. Sobre aqueles que morrem em estado de kufr recaem a maldição de Allah, a maldição dos anjos e a maldição de toda a humanidade.
23. A consequência do kufr e do shirk é o desagrado de Allah e, como resultado, a pessoa terá de sofrer castigo e humilhação eternos.
24. O shirk é uma injustiça e uma falsidade evidentes. Allah pode perdoar todos os demais pecados, mas de modo algum perdoará o pecado do shirk.
ان الله لايغفر ان يشرك به ويغفر ما دون ذالك لمن يشاء
Fé no destino
A fé no destino é, por assim dizer, uma parte importante da fé na essência e nos atributos de Allah, o Altíssimo. Por isso, ela foi mencionada no Alcorão. Além disso, considerando sua importância nos hadiths, ela foi reconhecida como uma crença permanente do Islã.
O verdadeiro significado da fé no destino é que tudo o que existe de bom e mau na criação, ou que existirá no futuro, provém de Allah e está incluído em Seu conhecimento. Nenhum aspecto, por mais sutil que seja, do bem ou do mal está fora de Seu conhecimento. Seu conhecimento abrange todas as coisas. Allah sabe, desde antes do nascimento de cada pessoa, se ela nascerá neste mundo e praticará boas ações ou más ações. Nenhum átomo da criação pode mover-se ou agir contra Sua vontade, e nem mesmo a atividade ou o movimento de qualquer coisa sutil pode ficar fora de Seu conhecimento. Ninguém possui sequer o mínimo poder para invalidar aquilo que Allah determinou para alguém. Se Ele priva alguém de alguma coisa, ninguém tem poder para concedê-la. Somente Ele tem em Suas mãos a determinação da boa e da má sorte, e a felicidade e a infelicidade das pessoas foram predeterminadas por Ele. [Embora Allah, o Altíssimo, conheça tudo sobre a liberdade ou faculdade que concedeu às pessoas para praticarem boas ou más ações dentro de seus limites restritos, a fim de testá-las neste mundo, essa faculdade não é anulada. O ensinamento do Islã é que a pessoa deve sempre praticar boas ações e não ser negligente na obediência à religião. Deve-se evitar preocupar-se excessivamente com a questão do destino e investigar seus aspectos complexos. Basta lembrar que Allah preparou o Paraíso para o crente que pratica boas ações e o Inferno para os malfeitores. Se, tendo fé, eu praticar boas ações, serei merecedor do Paraíso. Mas, se, sendo incrédulo, praticar más ações, serei lançado no Inferno.]
Discurso do Santo Profeta (que a paz e as bênçãos estejam sobre ele):
كتب الله مقاديرالخلائق قبل ان يخلق السموت والارض بخمسين الف سنة قال وكان عرشه على الماء (مسلم)
Allah registrou o destino de toda a Sua criação cinquenta mil anos antes da criação dos céus e da Terra. Ele disse que, naquele momento, o Trono de Allah estava sobre a água. Isto é, naquela época não existia nenhuma criação além da água. (Muslim)
Fé nos anjos
1. Os anjos são uma criação obediente de Allah, o Altíssimo. Foram criados da luz e estão além do alcance da nossa visão. Não são nem femininos nem masculinos. Allah confiou-lhes diversas responsabilidades, e eles estão cumprindo essas tarefas.
2. Os anjos não fazem nada segundo a própria vontade. Eles não têm qualquer direito sobre o governo, a autoridade ou o domínio de Allah. São súditos sem qualquer poder independente de Allah. Quando recebem uma ordem de Allah, dedicam-se a cumpri-la com o coração livre de qualquer dúvida. Eles não têm capacidade de fazer coisa alguma contrária à Sua ordem.
3. Eles louvam e glorificam Allah continuamente. Não desobedecem a nenhuma ordem de Allah, nem se cansam de glorificá-Lo incessantemente. Dia e noite, sem interrupção, proclamam a santidade de Allah.
4. Os anjos permanecem sempre temerosos e aterrorizados diante de Allah. Eles não conseguem sequer conceber a desobediência ou a rebelião contra Allah.
5. Eles cumprem com plena responsabilidade o trabalho ao qual foram designados. Não demonstram qualquer negligência no cumprimento do dever, nem têm qualquer intenção de se esquivar do trabalho.
6. Somente Allah, o Altíssimo, sabe qual é o número deles. Contudo, quatro são muito famosos e estão próximos de Allah. Eles são:
a. Hazrat Jibril (A.S.). Sua função era levar o Livro de Allah e Suas mensagens aos profetas. Essa função chegou ao fim, pois o Profeta Muhammad Mustafa (S.A.W.) foi o último profeta.
b. Hazrat Israfil (A.S.). Ele soprará a trombeta pouco antes do Dia da Ressurreição.
c. Hazrat Mika’il (A.S.). Está sob sua responsabilidade fazer a chuva cair e levar o sustento às criaturas de Allah.
d. Hazrat Azrail (A.S.). Ele está encarregado de recolher a vida de toda criatura.
7. Dois anjos permanecem com cada pessoa. Um registra suas boas ações e o outro, suas más ações. Eles são chamados de “Kiraman Katibin” (os honrados escribas).
8. Dois anjos interrogam a pessoa em seu túmulo após sua morte. Eles são chamados de Munkar e Nakir.
Fé nos Mensageiros
1. A व्यवस्था que Allah Ta’ala estabelece para transmitir aos Seus servos Seus mandamentos, preceitos e orientação é chamada de “risalat”. Aqueles que transmitem essa orientação e mensagem às pessoas são chamados de nabi, rasul ou paygamber.
2. O rasul ou nabi transmite corretamente a mensagem de Allah às pessoas. Nesse assunto, eles não cometem traição, não exageram nem ocultam nada. A revelação é enviada a eles por parte de Allah, e eles cumprem plenamente seu dever de transmiti-la às pessoas.
3. A “risalat” é uma dádiva de Allah. Ele a concede a quem deseja. Essa posição não é resultado de qualquer desejo, aspiração, esforço ou empenho humano. É uma dádiva especial de Allah. Somente Ele sabe de quem e de que maneira receberá este grandioso serviço.
4. Um “rasul” é necessariamente um ser humano. Um anjo, um jinn ou qualquer outra criatura não pode alcançar essa posição. Eles não têm qualquer direito ou influência sobre Allah. Sua característica é que Allah os escolhe como Seus representantes e para cumprir a responsabilidade da risalat. Ele envia Sua revelação a eles.
5. Ele próprio segue plenamente o sistema de vida ou a religião que apresenta e constitui o modelo ou exemplo de seu convite. Não lhe cabe convidar os outros à obediência à religião e, ele mesmo, manter-se afastado dela.
6. Em todas as épocas vieram profetas. Vieram para todas as nações. Vieram para todos os países. O muçulmano crê em todos os profetas e não nega a profecia de nenhum deles. O muçulmano reconhece a fé nos profetas e mensageiros mencionados no Alcorão e nos hadiths, e demonstra-lhes pleno respeito. Quanto àqueles que não são mencionados no Alcorão e nos hadiths, mantém silêncio a respeito deles. Não afirma que eram profetas, nem faz qualquer declaração sobre eles que demonstre desprezo por eles.
7. O convite de todos os profetas era o mesmo. Negar qualquer um deles equivale a negar todos. Todos pertenciam ao mesmo grupo e todos trouxeram a mesma mensagem.
8. Crer no profeta significa obedecer-lhe plenamente. Se não se obedece ao profeta, reconhecê-lo apenas verbalmente como profeta será completamente sem sentido.
9. A profecia terminou com o profeta Muhammad (que a paz esteja com ele). Não virá nenhum outro profeta até o Dia do Juízo. Por isso, ele é o Selo dos Profetas. Sua profecia é para o mundo inteiro e permanecerá enquanto o mundo existir. Perante Allah, alcançarão a salvação somente aqueles que crerem nele e viverem em obediência a ele.
10. A vida do profeta Muhammad (que a paz esteja com ele) é, para nós, o modelo perfeito em todos os aspectos da vida. Em matéria de religião, sua ordem é definitiva. O dever do muçulmano é cumprir de todo o coração as ações cuja realização for ordenada por ele. Deve abster-se das ações que ele proibiu. Em suma, deve aceitar plenamente cada uma de suas decisões.
11. A obediência ao Mensageiro é, na realidade, obediência ao próprio Allah. A desobediência ao Mensageiro será igualmente desobediência a Allah. A obediência ao Mensageiro, motivada pelo amor a Allah, é a prova decisiva da fé. A desobediência ao Mensageiro é um sinal de hipocrisia.
12. Respeitar e amar sinceramente o Mensageiro é sinal de fé. Desrespeitá-lo e agir com insolência para com ele anulam todas as boas obras. É dever obrigatório do muçulmano considerar o Mensageiro mais amado não apenas que seus pais, filhos e parentes, mas até mesmo que a própria vida.
O Alcorão diz: النَّبِيُّ أَوْلَى بِالْمُؤْمِنِينَ مِنْ أَنْفُسِهِمْ
O Profeta é mais querido pelos crentes do que suas próprias vidas. (Al-Ahzab: 6)
13. Uma exigência clara da fé na missão profética é que todo muçulmano recite salawat pelo Profeta Mustafa (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) e faça súplicas por ele.
Fé nos Livros celestiais
1. Allah Todo-Poderoso revelou muitos livros, grandes e pequenos, para orientar Seus servos. Nesses livros, Ele falou sobre a religião e também estabeleceu normas para conduzir a vida. Os profetas explicaram claramente o conteúdo essencial desses livros e demonstraram sua aplicação por meio de suas próprias ações.
2. É necessário crer em todos os Livros celestiais, pois o ensinamento fundamental de todos esses livros era um e único. Isto é, foi ordenado: adorai Allah e afastai-vos da descrença e do shirk.
3. Entre os Livros celestiais, quatro são famosos; eles foram revelados a quatro profetas renomados. São eles:
a. Taurat. Foi revelada ao Hazrat Musa (que a paz esteja sobre ele).
b. Zabur. Foi revelado ao venerável Davi (A.S.).
c. Injil. Foi revelado ao venerável Jesus (A.S.).
d. O Sagrado Alcorão. Foi revelado ao último Profeta, o venerável Muhammad Mustafa (S.A.W.).
4. Entre os Livros Celestiais, somente o Sagrado Alcorão permanece integralmente em sua forma e configuração originais, com cada uma de suas palavras, letras e sinais vocálicos originais, e assim será preservado até o Dia da Ressurreição. O próprio Allah prometeu preservá-lo. Mesmo que alguns tiranos pecadores — que Allah nos livre — queimassem todas as cópias do Alcorão, ele ainda assim permaneceria preservado. Isso porque, em todas as épocas e em todos os países, houve, há e haverá milhões de muçulmanos em cujos corações o Alcorão foi, é e continuará sendo preservado integralmente.
5. Grande parte dos outros três Livros Celestiais foi alterada. Nenhum deles existe hoje em sua forma original. Em primeiro lugar, esses Livros foram compilados muito tempo depois de os respectivos Profetas terem deixado este mundo.
Em segundo lugar, pessoas desviadas e movidas por interesses mundanos acrescentaram a esses Livros algumas coisas contrárias aos ensinamentos fundamentais da religião e eliminaram deles assuntos que contrariavam seus interesses. Por isso, hoje existe apenas um meio preservado, confiável e universalmente aceito de conhecer a verdadeira religião de Allah e praticá-la: o Sagrado Alcorão. Ninguém pode obedecer à verdadeira religião de Allah negando-o e sem depender dele. A humanidade que nascer até o Dia da Ressurreição deve crer neste Livro. Sem crer nele, a salvação é absolutamente impossível.
6. Ninguém tem o direito de alterar ou modificar o Sagrado Alcorão. A tarefa do Profeta também consistia unicamente em segui-lo corretamente. Extrair do Sagrado Alcorão significados conforme a própria vontade e usar seus versículos em benefício próprio por meio de interpretações e explicações é uma atitude extremamente irreligiosa.
7. O Alcorão contém a solução para todos os problemas da humanidade. Não existe nenhum assunto da vida pessoal ou social sobre o qual o Alcorão não tenha oferecido uma orientação clara. Portanto, desprezar o Alcorão em qualquer área da vida e estruturá-la de acordo com outros princípios, em oposição aos princípios que ele apresenta, é desvio e uma declaração de rebelião contra o Alcorão.
A fé na Akhirah
1. A vida humana não se limita à vida deste mundo. Pelo contrário, após a morte e a ressurreição, começará uma segunda vida, que será eterna e na qual a morte jamais alcançará alguém. De acordo com as próprias obras, essa vida será de extrema felicidade ou de extremo sofrimento e aflição. Crer nessa vida é ter fé na Akhirah.
2. Após a morte, os dois anjos Munkar e Nakir irão até cada pessoa falecida e perguntarão:
Diga: quem é o seu Senhor?
Diga: qual é a sua religião?
Apontando para o Profeta Mustafa (que a paz esteja com ele), dirão: diga, quem é este?
Esta é a primeira etapa da provação da Akhirah.
3. Um dia, quando for soprado o trombeta, toda a ordem do universo será virada de cabeça para baixo. A Terra tremerá de modo terrível e estremecerá violentamente. O Sol e a Lua colidirão. As estrelas ficarão sem luz, dispersas e espalhadas em todas as direções. As montanhas voarão como algodão cardado. Todos os seres vivos dos céus e da Terra morrerão, e o universo inteiro será completamente destruído.
4. Depois, por ordem de Allah, será dado um segundo toque na Trombeta. Então, todos os mortos serão ressuscitados. Um novo mundo passará a existir. A partir de então, a vida humana será eterna. Esse é o Dia da Ressurreição, e será um dia extremamente aterrador. As pessoas permanecerão apavoradas e aterrorizadas pelo medo e pelo horror. Seus olhares estarão voltados para baixo. Cada um aguardará o seu destino.
5. Todas as pessoas se reunirão no campo de Hashr diante de Allah. Naquele dia, Allah estará sentado no trono do julgamento. Somente Ele terá autoridade e domínio. Ninguém terá coragem de abrir a boca sem a Sua permissão. Allah fará as contas de cada pessoa separadamente. Com base em Seu conhecimento, juízo perfeito, sabedoria e justiça, Ele proferirá a decisão correta. Cada um receberá a recompensa justa e adequada às suas ações. Ninguém sofrerá a menor injustiça.
6. Os registros das ações dos servos virtuosos serão entregues em suas mãos direitas, e os dos pecadores, em suas mãos esquerdas. As pessoas virtuosas alcançarão a salvação e o sucesso, enquanto os pecadores ficarão frustrados e fracassados. Os rostos dos bem-sucedidos resplandecerão de alegria. Em contrapartida, os rostos dos pecadores ficarão pálidos e escuros de tristeza e dor. Os virtuosos e piedosos desfrutarão de alegria e satisfação no Paraíso, enquanto os rebeldes contra Allah serão lançados em uma fornalha de fogo ardente.
7. A decisão daquele dia será firme e imutável. Ninguém poderá escapar dela. Ninguém poderá enganar Allah com mentiras ou qualquer desculpa. Tampouco qualquer wali ou profeta poderá fazer uma intercessão injusta por alguém. Somente poderá falar em favor da intercessão aquele a quem Allah conceder permissão. E somente será feita intercessão por aquele em favor de quem Allah permitir a intercessão. Ninguém terá a oportunidade de voltar novamente ao mundo para praticar boas ações e tornar proveitosa a vida na Outra Vida. Nem os lamentos e prantos de alguém poderão salvar qualquer pessoa do castigo do Inferno.
8. As ações de cada pessoa no mundo estão sendo registradas. Tudo o que dizemos e fazemos é anotado pelos anjos de Allah. Assim que qualquer palavra sai da boca, o anjo a registra exatamente como foi dita.
9. Naquele dia, nenhuma ação humana ficará oculta ao olhar de Allah. Quer esteja incrustada em uma pedra sólida, do tamanho de uma semente de mostarda, quer esteja no ar do céu ou escondida em alguma camada escura sob a terra, Allah a apresentará naquele dia. Todos serão levados perante Allah naquele dia.
10. Aos crentes habitantes do Paraíso serão concedidos prazeres e riquezas incomparáveis e ilimitados, que nenhum olho jamais viu, sobre os quais nenhum ouvido jamais ouviu falar e que nenhum coração jamais imaginou. Para onde quer que vão, ouvirão apenas, de todos os lados: “Salam, salam! Bem-vindos, bem-vindos!” Jamais serão privados dessa alegria e felicidade. Sua maior dádiva será que Allah lhes concederá a visão d’Ele e dirá: “Ó Meus servos! Hoje manifesto Minha satisfação para convosco. A partir de agora, jamais ficarei descontente convosco.”
11. Os rebeldes contra Allah serão lançados na fornalha de fogo ardente do Inferno. O fogo os cercará, e jamais poderão escapar dali. Eles não morrerão para se livrar do tormento, nem permanecerão vivos para desfrutar da vida. Desesperados, desejarão a morte a cada momento. Mas a morte jamais lhes será concedida. O fogo do Inferno continuará a arder, como se explodisse de ira, e jamais se apagará. Quando os habitantes do Inferno, atormentados pela sede, se debaterem, será dado a eles metal derretido e incandescente como bebida, fazendo com que seus rostos sejam queimados. Ou lhes será dado algo que não conseguirá passar por suas gargantas. Correntes de fogo serão colocadas em seus pescoços, e eles serão vestidos com roupas de alcatrão e de fogo. Consumidos pela fome, serão obrigados a comer alimentos espinhosos. Allah estará terrivelmente irado com eles.
12. Allah tem o conhecimento exato de quem habitará o Paraíso e quem habitará o Inferno. No entanto, o Nobre Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) explicou claramente quais ações levarão uma pessoa ao Paraíso. Da mesma forma, ele explicou claramente quais ações terão como consequência o Inferno. Neste mundo, não podemos afirmar com certeza que alguém é destinado ao Paraíso, exceto aqueles afortunados a quem o Santo Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) anunciou a boa-nova de que entrarão no Paraíso. Contudo, ao observar bons sinais, certamente se pode esperar a misericórdia de Allah.
13. Se quiser, Allah pode perdoar qualquer pecado. O Alcorão diz que Allah não perdoará os pecados de incredulidade e politeísmo. Porém, se a pessoa se arrepender sinceramente, Ele a perdoará.” (Surata Al-Furqan).
14. Se alguém abraçar a fé em qualquer momento da vida ou se arrepender dos pecados, Allah aceitará sua fé e seu arrependimento. Porém, quando, no momento da morte, os anjos do castigo forem vistos, nem a fé de ninguém será aceita, nem o arrependimento.
Crenças e ideologias não islâmicas
Para ser muçulmano, é extremamente necessário conhecer plenamente as crenças e a ideologia islâmicas, abraçar voluntária e conscientemente a fé nelas e, com base nelas, corrigir e formar a própria vida. Do mesmo modo, também é necessário conhecer plenamente as crenças e ideologias não islâmicas que são contrárias ao Islam e à fé. Se não for possível purificar o coração e a mente dessas crenças e ideologias, de modo algum será possível cumprir as exigências do Islam e viver uma verdadeira vida islâmica.
A seguir, são descritas brevemente algumas dessas concepções e crenças não islâmicas, das quais um muçulmano pode manter-se completamente livre e purificado, com plena consciência.
1. Gostar de pensamentos e práticas de incredulidade, orgulhar-se deles e incentivar outras pessoas a segui-los é absolutamente contrário à fé. É preciso arrepender-se disso o quanto antes.
2. Demonstrar desprezo pela verdadeira moral do Islam e por seus símbolos; mencioná-los com escárnio, desprezo e aversão. Fazer declarações insolentes contra o Islam é uma forma da pior hipocrisia. Tolerar esse tipo de conversa e não demonstrar, por palavras e ações, repulsa por isso é demonstrar desrespeito a Allah e ao Mensageiro. É manifestar desobediência à religião e, com isso, revelar extrema fraqueza na fé.
3. Mesmo depois de tomar conhecimento dos sinais de Allah e de Seu santo Profeta (s.a.w.), demonstrar uma atitude inflexível na observância dos costumes dos antepassados e das práticas sociais, e considerar humilhante cumprir as instruções de Allah e de Seu Mensageiro, é resultado de crenças e pensamentos contrários ao Islam. Nada disso tem a menor relação com o iman.
4. Interpretar os mandamentos e preceitos de Allah e do Mensageiro conforme a própria vontade, distorcer seu significado para ajustá-lo aos próprios interesses e manter-se afastado do cumprimento literal das ordens e proibições de Allah e do Mensageiro é um ato de extrema hipocrisia.
5. Criticar os mandamentos e preceitos de Allah e de Seu Mensageiro, apontar defeitos neles, considerá-los inadequados para os tempos atuais e fazer afirmações como: “Tudo isso são práticas da época da ignorância” — tudo isso é consequência de uma mentalidade equivocada, que não tem qualquer relação com o iman.
6. Os descrentes de Allah acumulam riquezas sem distinguir entre o halal e o haram e vivem uma vida cheia de prazeres. Se, ao ver isso, algum muçulmano sentir vergonha de seu iman e disser: “Ah! Se não fosse muçulmano, também poderia desfrutar deste mundo”, então é preciso considerar tais pensamentos, concepções e afirmações como resultado de uma mentalidade contrária ao Islam. É absolutamente necessário proteger o iman contra isso.
7. Considerar as restrições e proibições da Sharia um obstáculo ao progresso; orgulhar-se de fazer as mulheres trabalharem em todas as áreas da vida lado a lado com os homens; orgulhar-se ao ver mulheres respeitáveis do lar apertando as mãos umas das outras, conversando e estabelecendo relações sem constrangimento; e considerar isso progresso — tudo isso é uma irreligiosidade descarada. É totalmente contrário ao autorrespeito e ao senso de dignidade religiosa.
8. Não se trata apenas de permanecer indiferente à aquisição de educação e formação religiosa e de continuar ignorante acerca do Islam. Pelo contrário, alegar incapacidade de praticar o Islam por causa da própria ignorância é uma mentalidade arrogante que destrói o iman e a aqidah de um muçulmano.
9. Considerar alguém além de Allah como senhor e detentor do poder sobre o lucro e o prejuízo, a honra e a desonra, o progresso e o declínio, e coisas semelhantes é contrário à crença no Tawhid.
10. Nutrir no coração temor por alguém além de Allah, confiar em alguém, depositar esperança em alguém e acreditar que outra pessoa tem autoridade sobre a ascensão e a queda da vida humana destrói o iman.
11. Considerar alguém além de Allah como guardião, patrono, executor, aquele que satisfaz necessidades, remove calamidades, ouve as súplicas, ajudante e protetor é contrário à crença tawhidi.
12. Perguntar a alguém sobre o futuro e acreditar no que ele diz destrói a fé.
13. Considerar alguém além de Allah como Hazir-Nazir, isto é, acreditar que conhece tudo o que é oculto e manifesto, é contrário à crença islâmica.
14. Invocar alguém além de Allah para a realização dos desejos, pedir a alguém sustento e filhos, deixar uma mecha de cabelo após perfurar o nariz e as orelhas de uma criança em nome de alguém e fazer um voto em nome de alguém constituem shirk completo.
15. Soltar um animal em nome de alguém além de Allah, sacrificá-lo, praticar atos inovados para salvar uma criança, colocar uma arma à cabeceira de um recém-nascido para protegê-lo e temer algum outro poder pela vida da criança, entre outras coisas semelhantes, constituem shirk e são contrários ao tawhid.
16. Considerar indispensáveis, por ocasião do casamento, do nascimento de um filho e da circuncisão, atos que o Islam não considerou indispensáveis é uma forma de pensamento não islâmico e superstição.
17. Culpar Allah pelas doenças e pela morte, proferir declarações descabidas e insolentes e nutrir uma má opinião sobre Allah destrói a fé.
18. Não esperar a misericórdia de Allah após cair em calamidades extraordinárias e ser repetidamente atingido por perigos e diversos acidentes, e considerar Allah — que Allah nos livre — desprovido de misericórdia, é uma manifestação de um pensamento kufri. Quando esse tipo de sussurro satânico surgir na mente, deve-se arrepender imediatamente com o coração sincero.
19. Ficar de pé diante de alguém com as mãos juntas, prostrar-se diante de alguém e inclinar a cabeça diante de alguém é shirk.
20. Beijar um túmulo, ficar de pé diante dele com as mãos juntas, encostar a testa no túmulo e todas as demais ações desse tipo são contrárias à crença monoteísta e constituem extrema humilhação.
21. Manter consigo a imagem de algum pīr em busca de bênçãos, colocar nela uma guirlanda de flores e demonstrar-lhe reverência é shirk absoluto.
22. Buscar refúgio junto de alguém além de Allah e declarar a crença de que ele tem poder para mudar as circunstâncias é shirk absoluto. [Parar um carro ou veículo ao passar ao lado do túmulo de uma pessoa falecida, para demonstrar respeito por ela, oferecer algo em seu túmulo por acreditar que essa pessoa pode proteger contra acidentes e acreditar que, se não se fizer a oferenda, ela ficará irada e poderá causar algum infortúnio: tudo isso é shirk em sua totalidade — o tradutor.]
23. Considerar as ordens e proibições de alguém equivalentes às ordens e proibições de Allah, dar prioridade às suas instruções, considerar que outra pessoa tem o direito de aumentar ou diminuir as determinações da xaria, considerar alguém acima da xaria ou acreditar que alguém pode isentar uma pessoa de alguma determinação da xaria: tudo isso é shirk absoluto.
24. Circundar a casa ou o túmulo de alguém e demonstrar reverência a algum lugar considerando-o semelhante à Kaaba Sagrada é uma manifestação de uma crença contrária ao Islã.
25. Dar nomes como Ali Bakhsh, Nabi Bakhsh, Hossain Bakhsh e Abdunnabi, entre outros, e chamar alguém por nomes como “Ya Ghausul Madad” e “Ya Waliul Madad”, entre outros, é contrário à crença monoteísta.
26. Considerar corretas as leis elaboradas pelos seres humanos em comparação com a lei de Allah, obedecê-las, considerá-las obrigatórias, esforçar-se e agir para preservá-las intactas, bem como apoiá-las e ajudá-las, é totalmente contrário à fé e ao pensamento islâmico.
27. Considerar suficiente, para a salvação na Outra Vida, estabelecer uma relação com um pír ou wali em vez da fé e das boas ações, e acreditar que tudo será resolvido por sua intercessão, ou que ele pode exercer tamanha influência sobre Allah a ponto de fazer com que sejam tomadas as decisões que desejar, é uma crença totalmente contrária ao Islã.
28. Considerar-se absolutamente compelido a cometer pecados ou praticar boas ações, e acreditar que o servo não tem direito algum de fazer o bem ou o mal, que todo bem e todo mal são causados por Allah e que o servo os pratica apenas por estar compelido a fazê-lo, é uma crença totalmente contrária ao Islã. Com essa crença, a fé na Outra Vida torna-se sem sentido.
29. Considerar-se plenamente capaz de realizar todas as ações e acreditar que, em tudo o que o ser humano faz, Allah não tem participação alguma, e que o ser humano possui plena autoridade para realizar cada ação, é uma forma de pensar contrária ao Islã. É necessário manter o coração puro e livre de tais pensamentos.
30. Não considerar os profetas e mensageiros livres de pecado, atribuir-lhes qualquer má ação ou considerá-los autores dos Livros celestiais é uma crença contrária ao Islã.
31. Criticar os ilustres Companheiros (que Allah esteja satisfeito com eles), apontar seus defeitos e erros, demonstrar-lhes desrespeito ou diminuir sua dignidade é uma forma de pensar contrária ao Islã. É necessário arrepender-se de tais pensamentos.
32. Allah e Seu Mensageiro descreveram detalhada e claramente todos os assuntos relacionados à religião. Portanto, descobrir algo novo sobre a religião por meio de kashf e ilhām, de sonhos ou do próprio conhecimento e intelecto, instituí-lo e considerá-lo necessário é bid‘ah. A bid‘ah é um grande pecado e desvio.
33. Ao enfrentar adversidades, tristeza e sofrimento, considerar seu destino bom ou mau, proferir declarações contra o qadar e dizer coisas como: “O que posso dizer? Meu destino é mau”; “Allah escreveu isso na minha testa”; “Será que meu destino é tal que jamais verei a felicidade?”, significa nutrir uma má opinião sobre Allah e cometer insolência contra Sua dignidade. É necessário manter-se puro de tais pensamentos e declarações contrários ao Islã. Estar satisfeito com cada ato de Allah e aceitar de coração contente cada uma de Suas decisões é um sinal da verdadeira fé.
Capítulo sobre Taharat
Taharat
Depois de ser honrado com a dignidade da profecia, a primeira revelação que desceu sobre o Profeta Mustafa (que a paz esteja com ele), para incentivá-lo a cumprir sua missão profética, determinou, logo após o ensinamento do tawhid, que se adotasse pureza e limpeza completas (taharat).
وَثِيَابَكَ فَطَهِّر )المدثر-4)
Mantenha-se puro, limpo e asseado (Al-Muddaththir, 4).
ثياب é a palavra ثوب é o plural da palavra. Seu significado literal é vestimenta. Porém, aqui ثياب (siyab) não significa apenas roupas e vestimentas. Pelo contrário, refere-se ao corpo, às roupas, à mente e ao intelecto; em suma, à totalidade da pessoa. Na língua árabe, طاهر الثوب é chamado aquele que está acima de todas as falhas, deficiências e máculas. O sentido da ordem corânica é que a mácula das próprias roupas, do corpo, da mente e do intelecto significa as doutrinas e os pensamentos errôneos do shirk e do kufr, bem como seu reflexo no caráter. A mácula do corpo e das vestimentas significa uma impureza e falta de asseio que podem ser percebidas e são repugnantes ao bom gosto e à natureza humana, e cuja impureza (najis) também foi declarada pela sharia.
Tendo em vista essa importância da pureza, o Sagrado Alcorão exortou repetidamente as pessoas a observá-la. Em dois lugares do Alcorão, Allah, exaltado seja, declara que aqueles que preservam a pureza e a limpeza são Seus servos amados.
وَاللَّهُ يُحِبُّ الْمُطَّهِّرِينَ
Allah ama aqueles que se mantêm puros e asseados (At-Tawbah, 108).
إِنَّ اللَّهَ يُحِبُّ التَّوَّابِينَ وَيُحِبُّ الْمُتَطَهِّرِينَ
Aqueles que se arrependem repetidamente e se mantêm puros e limpos, Allah os ama (Al-Baqarah: 222).
O Santo Profeta (que a paz esteja sobre ele) era, por si mesmo, um exemplo incomparável de pureza e limpeza. Ele exortou especialmente a comunidade a observar a pureza e a limpeza e, explicando sua importância de diversas formas, incentivou-a a manter-se limpa. Ele declarou: a pureza e a limpeza são metade da fé (الطهور شطر لايمان). Em seguida, explicou detalhada e claramente suas normas, preceitos e métodos. Não apenas isso: ele próprio as aplicou em sua vida prática, cumprindo plenamente seu dever de fazer com que seus seguidores as compreendessem e assimilassem. Portanto, é dever indispensável de todo muçulmano seguir e lembrar essas suas valiosas instruções e, de acordo com elas, manter puro e limpo o seu exterior e interior (as dimensões externa e interna). Também é dever indispensável de cada pessoa purificar a mente e o intelecto de doutrinas e linhas de pensamento errôneas, bem como das crenças de politeísmo e incredulidade; e manter o próprio corpo, as roupas e tudo o que a eles se relaciona livres de toda espécie de impureza e sujeira. As crenças de politeísmo e incredulidade foram descritas no capítulo anterior. Nas páginas seguintes, serão explicadas as normas relativas às impurezas manifestas.
A esse respeito, deve-se lembrar bem que o critério para distinguir o puro do impuro é a Lei de Allah. Ninguém tem o direito de acrescentar ou retirar algo nesse assunto conforme seu próprio conhecimento, razão ou gosto. Somente são puros os objetos que a Lei declarou puros, e somente é verdadeiro aquilo que a Lei declarou verdadeiro. Do mesmo modo, são necessariamente inválidos e impuros os objetos que a Lei declarou inválidos e impuros. Além disso, só se pode alcançar a purificação seguindo exclusivamente os métodos e procedimentos que a Lei estabeleceu para purificar e tornar-se puro. Estabelecer, nesse assunto, um critério próprio para o puro e o impuro, submetendo-se aos gostos e concepções pessoais, e tornar difícil a simples e fácil Lei de Allah por causa de superstições e dúvidas infundadas não apenas lança a própria pessoa em enormes dificuldades, mas também constitui um desvio extremamente grave e a priva da compreensão correta da religião. Como resultado dessas concepções e práticas equivocadas, muitas vezes surgem consequências desastrosas, e as pessoas passam a considerar a Lei um enorme infortúnio para si mesmas, afastando-se da religião do Islã.
Descrição das impurezas
O significado de impureza ritual (نجاست) é sujeira, falta de asseio e impureza. Ela é o oposto da pureza ritual (طهارت) ou pureza. Para conhecer o significado, os tipos, os preceitos, as normas, os métodos e as questões jurídicas relativas à pureza ritual, é necessário primeiro compreender o significado da impureza ritual, suas categorias e os procedimentos para purificá-la. Por isso, serão apresentadas inicialmente as normas relativas às impurezas e as questões jurídicas relacionadas a elas.
Tipos de impureza ritual
As impurezas são de dois tipos: impureza ritual real e impureza ritual jurídica. As normas, os preceitos e as questões jurídicas de ambas são distintos. Para alcançar a pureza, é extremamente necessário compreender bem essas normas e questões jurídicas e guardá-las na memória.
Najāsat haqīqiyya
Chamam-se najāsat ghāliza aquelas coisas cuja impureza não pode de modo algum ser posta em dúvida. A natureza humana sente aversão por elas, e a sharia declarou-as impuras. A impureza e a repugnância dessas coisas são sentidas de modo muito intenso e, por isso, a sharia estabeleceu instruções rigorosas a seu respeito. A seguir, são apresentadas algumas coisas que constituem najāsat ghāliza.
1. O porco. Cada parte dele é najāsat ghāliza, esteja ele vivo ou morto.
2. A urina, as fezes e o sêmen humanos; qualquer líquido que saia pelo orifício urinário; o sêmen de todos os animais; e a urina e as fezes de crianças pequenas.
3. O sangue de seres humanos ou de animais.
4. O vômito, seja qual for a idade da pessoa.
5. O sangue que sai pelo orifício urinário das mulheres.
6. Qualquer substância líquida que saia pelo orifício urinário das mulheres.
7. O pus, o fluido ou qualquer outra substância líquida que saia de uma ferida.
8. O suor e a saliva dos animais cujos restos de comida ou bebida são impuros.
9. A carne, a gordura e outras partes, bem como a pele, dos animais que morreram sem terem sido abatidos ritualmente são impureza grave. Contudo, se a pele for curtida, torna-se pura. Do mesmo modo, são puros os elementos nos quais não circula sangue, como chifres, dentes, cascos etc.
10. O leite dos animais proibidos, estejam vivos ou mortos, e o leite de animais mortos, sejam eles lícitos ou proibidos.
11. O líquido que sai do corpo de um animal morto.
12. O extrato que sai de uma substância impura ou qualquer substância desse tipo.
13. A urina e as fezes de todos os animais, exceto as aves. O esterco de vacas, búfalos, elefantes, cavalos, jumentos, mulas e semelhantes; os excrementos de camelos, cabras e semelhantes. As fezes de aves que não podem voar, como patos, galinhas etc. A urina e as fezes de todos os animais predadores.
14. Bebidas alcoólicas e outras substâncias líquidas intoxicantes.
15. A pele descamada da serpente.
16. A saliva da boca de uma pessoa falecida.
17. O sangue que flui do corpo de um mártir.
Najāsat Khafīfa
São considerados najāsat khafīfa aqueles elementos cuja impureza é relativamente leve. Com base em algumas provas e evidências da Sharia, há dúvida quanto à sua pureza. Por isso, a regra da Sharia a respeito deles também é relativamente leniente. A seguir, são mencionados os elementos cuja impureza é najāsat khafīfa.
1. A urina de animais halal, como vacas, búfalos, cabras etc.
2. A urina do cavalo.
3. As fezes de aves haram, como corvos, milhafres, falcões etc. Contudo, a urina e as fezes do morcego são puras.
4. Se as fezes de uma ave halal tiverem mau cheiro.
5. Se a najāsat khafīfa se misturar com a najāsat ghalīza, toda ela se tornará najāsat ghalīza, por menor que seja a quantidade desta última.
Métodos de purificação da najāsat haqīqī
Assim como são variados os tipos de coisas que se tornam impuras, também são variados os métodos para purificá-las. Algumas coisas permanecem fixas; algumas são leves e fluem; algumas secam com a umidade; algumas não secam ou secam apenas em pequena medida; em algumas, a sujeira desaparece completamente, enquanto em outras isso não acontece. Por isso, é necessário compreender bem as regras e os métodos para purificá-las.
Regras para purificar a terra e semelhantes
1. Se a terra se tornar impura, seja por fezes pouco líquidas ou por fezes espessas e densas, em ambos os casos ela se tornará pura assim que secar. Contudo, não é permitido fazer tayammum com uma terra desse tipo.
2. Antes que a terra impura seque, deve-se despejar bastante água sobre ela, de modo que a água escorra. Ou deve-se despejar água e absorvê-la com um pano ou outra coisa, para que não reste nenhum vestígio nem cheiro das fezes. Com isso, a terra também se tornará pura. Contudo, é recomendável fazer isso três vezes.
3. Terra, torrões, areia, pedras e semelhantes tornam-se puros quando secam. Uma pedra que não seja lisa e absorva substâncias líquidas torna-se pura quando seca.
4. A grama, os cereais e as mudas de árvores que brotam da terra tornam-se puros quando secam depois de se tornarem impuros.
5. As coisas firmemente fixadas na terra, como paredes, pilares, cercas, soleiras e semelhantes, tornam-se puras quando secam.
6. A terra impura também se torna pura quando é revolvida.
7. Se um fogão se tornar impuro por causa de fezes, ele se torna puro quando se acende o fogo e se eliminam os vestígios da sujeira.
8. Deve-se cobrir com terra a terra impura e cobrir completamente as fezes, de modo que seu odor não seja sentido; então ela se torna pura. Contudo, não se pode fazer tayammum sobre ela.
9. Um recipiente feito de terra impura permanece impuro enquanto estiver cru. Quando secar e endurecer, tornar-se-á puro.
10. A terra misturada com esterco é impura. Não é permitido realizar a oração sobre ela sem colocar algo por cima.
Não pode absorver a impureza
Método para purificar esse tipo de coisa
1. Se objetos de metal, como espada, faca, lâmina, espelho, ouro, prata e outras joias de metal, ou utensílios e tigelas de cobre, latão, alumínio e aço, ficarem impuros, eles se purificam esfregando-os e polindo-os com terra ou limpando-os bem com um pano úmido. Deve-se esfregá-los e poli-los de tal modo que não reste nenhum vestígio nem cheiro da impureza. Naturalmente, os objetos não devem ter ornamentos.
2. Pratos, tigelas ou panelas de porcelana, vidro ou pedra lisa, bem como pratos, tigelas e panelas usadas que não absorvem a impureza, tornam-se puros quando esfregados e polidos com terra ou limpos com um pano úmido. Deve-se proceder de modo que não reste nenhum vestígio da impureza. Naturalmente, isso se aplica apenas se não forem ornamentados.
3. Objetos de metal ou de porcelana tornam-se puros quando lavados três vezes com água.
4. Se esses objetos forem ornamentados, como joias ou pratos e tigelas ornamentados, não se purificarão apenas esfregando-os ou limpando-os com um pano úmido; é necessário lavá-los com água.
5. Pratos, tigelas ou outros utensílios de metal, como lâminas, facas, pinças, grilhões e semelhantes, tornam-se puros quando colocados no fogo.
6. Pratos e tigelas de barro ou de pedra tornam-se puros quando colocados no fogo.
7. Se sujeira sólida ou líquida aderir a uma esteira, cama baixa, banco, banqueta ou qualquer objeto semelhante, ele não se purificará apenas sendo limpo com um pano úmido. É necessário lavá-lo com água.
Regulamentos para purificar as coisas que absorvem a impureza
1. Se as meias, os sapatos ou outros objetos de couro ficarem impuros, e a impureza for sólida, como esterco, fezes, sangue, sêmen etc., eles serão purificados ao raspar ou esfregar e remover a impureza. Porém, se a impureza for líquida e não puder ser vista depois de secar, não serão purificados sem serem lavados. O procedimento para lavá-los é esperar, após cada lavagem, até que pare de pingar água. Deve-se lavá-los três vezes dessa maneira.
2. Se recipientes novos de barro (prato, tigela ou jarro), recipientes de pedra que absorvem água, ou recipientes de madeira nos quais a impureza penetra — como pratos, tigelas ou utensílios desse tipo — ficarem impuros, o procedimento para purificá-los é lavá-los três vezes, deixando-os secar a cada vez até que pare de pingar água. Porém, ao lavá-los em água corrente, não é necessário cumprir essa condição. Depois de lavá-los bem, basta deixar escorrer toda a água.
3. Se grãos alimentícios ficarem impuros, devem ser lavados três vezes e secos após cada lavagem. Se a impureza for espessa e estiver acumulada em um só lugar, basta removê-la. Por exemplo, se um gato defecar sobre uma pilha de grãos e as fezes secarem e endurecerem, basta removê-las. No máximo, se houver suspeita de que algum vestígio tenha atingido os outros grãos, estes deverão ser lavados três vezes.
4. Se uma roupa for atingida por impureza, deve ser lavada três vezes com água e espremida vigorosamente após cada lavagem. Mesmo que, depois de lavá-la e espremê-la bem, permaneçam mau cheiro ou manchas, isso não causará problema: ela estará purificada.
5. Se o sêmen atingir uma roupa e secar, ela será purificada se ele for removido raspando ou esfregando vigorosamente. Se o sêmen não estiver seco, a roupa será purificada ao ser lavada três vezes com água. Se o sêmen sair depois de urinar e lavar-se com água, será necessário lavar novamente. Se o sêmen for muito líquido e secar, bastará lavá-lo para purificar a roupa.
6. As substâncias líquidas semelhantes à água, desde que não sejam oleosas, podem ser usadas para lavar e purificar a impureza que atingiu uma roupa.
7. Ao lavar uma roupa em água corrente, não é necessário espremê-la. Basta que a água passe de um lado ao outro da roupa.
8. Se o tecido for do tipo que se rasgaria ao ser espremido com força, deve-se lavá-lo três vezes. Depois, deve-se pressioná-lo com as mãos ou com outra coisa, de modo que a água saia sem rasgar o tecido.
9. Se óleo impuro, ghee ou qualquer outro óleo atingir um tecido, este se tornará puro após ser lavado três vezes, mesmo que a oleosidade do óleo permaneça no tecido. A najasah misturada ao óleo torna-se pura após três lavagens.
10. Se um tecido se tornar impuro devido à gordura de um animal morto, não será suficiente lavá-lo três vezes. Deve-se remover a oleosidade e lavá-lo novamente.
11. Se uma esteira, um grande tapete, um carpete ou qualquer roupa de cama semelhante que não possa ser espremida for atingida por najasah, o modo de purificá-la é despejar água sobre ela três vezes. Depois de despejar a água a cada vez, deve-se deixá-la secar. Considera-se que ela secou quando algo colocado sobre ela não fica molhado.
12. Se um recipiente vazio e oco se tornar impuro e tiver absorvido najasah, o modo de purificá-lo é enchê-lo com água. Se sinais ou efeitos da najasah forem percebidos na água, deve-se despejá-la e enchê-lo novamente. Enquanto houver qualquer vestígio de najasah na água, deve-se continuar despejando-a e enchendo o recipiente com água nova. Quando a cor e o mau cheiro da najasah desaparecerem, o recipiente estará puro.
13. Para purificar um tecido tingido com uma tinta impura, deve-se lavá-lo tantas vezes quanto necessário até que a água saia limpa. Depois disso, o tecido estará puro, quer a tinta permaneça ou não.
Regras para purificar substâncias líquidas e oleosas
1. Se for feito sabão a partir de gordura ou óleo impuro, o sabão será puro.
2. Se o óleo ou o ghee estiver impuro, deve-se acrescentar uma quantidade de água igual à quantidade de óleo ou ghee e fervê-los. Depois que a água evaporar, deve-se acrescentar novamente a mesma quantidade de água e ferver. Fazendo isso três vezes, ficará purificado. Ou então, deve-se colocar água no óleo ou ghee. O óleo ou ghee subirá à superfície da água. Nesse momento, deve-se retirá-lo de cima e acrescentar água novamente. Fazendo isso três vezes, ficará purificado.
3. Se mel, xarope ou sherbet estiver impuro, deve-se acrescentar água e fervê-lo. Quando a água evaporar, deve-se acrescentar água novamente. Fazendo isso três vezes, ficará purificado.
4. Se óleo impuro for aplicado na cabeça ou no corpo, lavar apenas três vezes será suficiente para purificar a cabeça ou o corpo. Não é necessário remover a oleosidade com nada.
Regras para purificar substâncias sólidas
1. Se ghee, gordura ou mel solidificado estiver impuro, ficará purificado bastando remover a parte impura.
2. Se farinha fina ou farinha seca ficar impura, o restante ficará purificado bastando retirar a parte impura. Por exemplo, se um cão tiver colocado a boca sobre a farinha fina, ela ficará purificada bastando descartar essa parte; ou, se o cão colocar a boca sobre farinha seca, o restante ficará purificado separando-se a quantidade que se considerar ter sido atingida pela saliva do cão.
3. Se alguma impureza atingir o sabão, a parte restante permanecerá purificada bastando cortar a parte impura.
Regras para purificar o couro
1. Após o curtimento, todo couro se torna puro, seja o couro de um animal halal ou haram, de um animal predador ou herbívoro. Contudo, o couro de porco jamais se tornará puro.
2. O couro de um animal halal torna-se puro imediatamente após o abate; não é necessário curti-lo para purificá-lo.
3. Se o couro for curtido com gordura de porco ou qualquer outra substância impura, ele se tornará puro após ser lavado três vezes.
Método para purificar o corpo
1. Se uma impureza real atingir o corpo, ele se tornará puro após ser lavado três vezes. Se o sêmen atingir o corpo e secar, basta removê-lo para que o corpo se torne puro. Se o sêmen estiver líquido, o corpo se tornará puro ao ser lavado.
2. Se o corpo ou o cabelo forem tingidos com uma tinta impura, será suficiente lavá-los até que a água limpa comece a escorrer. Não é necessário remover a tinta.
3. Se a pele for perfurada e alguma substância impura for colocada dentro dela, o corpo se tornará puro após ser lavado três vezes; não é necessário remover essa substância impura.
4. Se alguma substância impura for introduzida em uma ferida e depois a ferida cicatrizar, não será necessário remover essa substância impura. Basta lavar o corpo para que ele se torne puro. Se um osso se quebrar e um osso impuro for colocado em seu lugar, ou se a ferida for suturada com uma substância impura, ou se um dente quebrado for fixado com alguma substância, em todas essas situações, após a recuperação, o corpo se tornará puro ao ser lavado três vezes com água.
5. Depois de aplicar no corpo óleo impuro ou qualquer outra substância oleosa, o corpo ficará puro bastando lavá-lo três vezes. Não é necessário remover a oleosidade.
Seis princípios práticos da tahārat
1. Para evitar esforços desnecessários, as determinações relativas à tahārat são tornadas mais flexíveis.
Isto é, quando surge alguma dificuldade extraordinária em relação a determinações comprovadas por qiyās, a Sharia concede perdão e facilita a aplicação da regra. Por exemplo, a água que escorre do corpo do falecido durante o banho fúnebre é impura. Contudo, se respingos dessa água atingirem o corpo daqueles que lavam o falecido, isso é perdoado, pois é muito difícil proteger o corpo contra isso.
2. Também se inclui entre os esforços desnecessários aquilo com que as pessoas geralmente se veem envolvidas. Isto é, quando algo que todos normalmente fazem é considerado impuro por qiyās, mas é muito difícil evitá-lo, a determinação da Sharia sobre isso é facilitada. Por exemplo, durante a chuva, as ruas normalmente ficam enlameadas e é muito difícil proteger-se disso. Por isso, os respingos de água lamacenta que atingem a roupa são perdoados.
3. Aquilo que foi declarado permitido por uma necessidade específica só será permitido quando essa necessidade existir. Isto é, algo que foi permitido em determinada ocasião por uma necessidade específica só será permitido nessa situação. Em outras circunstâncias, não será permitido sem necessidade.
Por exemplo, quando se debulham cereais com a ajuda de animais, se o animal urinar sobre os cereais, isso é perdoado por necessidade, e os cereais permanecem puros. Porém, se o animal urinar sobre os cereais em qualquer outro momento, eles se tornarão impuros.
4. Uma impureza que tenha sido eliminada uma vez não retornará. Isto é, quando a Sharia determina que uma impureza foi eliminada, ela não voltará a existir. Por exemplo, se o sêmen seco for removido da roupa esfregando-a, a roupa se tornará pura. Depois, se essa roupa cair na água, nem a roupa se tornará impura nem a água. Do mesmo modo, a terra impura se torna pura depois de secar. Depois, se ficar molhada, essa impureza não retornará.
5. A superstição e a dúvida não terão qualquer valor no lugar da convicção e da firme certeza. Ou seja, se há convicção ou firme certeza de que algo é puro, então continuará sendo puro. Não se pode considerá-lo impuro apenas por causa da dúvida.
6. As determinações devem ser estabelecidas de acordo com os costumes geralmente praticados. Isto é, ao determinar o que é permitido e o que é proibido, deve-se levar em consideração os costumes e hábitos vigentes. Por exemplo, é um hábito arraigado das pessoas quererem proteger todos os alimentos e bebidas contra a impureza. Portanto, os alimentos e bebidas dos não muçulmanos também devem ser considerados puros. Só é correto considerá-los impuros quando sua impureza for conhecida por meio de uma prova clara e válida.
A facilitação da Shariah nas determinações relativas à taharat
1. É perdoada uma quantidade de najasat ghaliza equivalente a um dirham. Se for espessa, a quantidade correspondente ao peso de um dirham; se for líquida, a quantidade correspondente ao tamanho de um dirham. Ou seja, se essa quantidade de najasat ghaliza atingir o corpo ou a roupa e a oração for realizada nessas condições, a oração será válida e não precisará ser repetida. Contudo, se houver oportunidade de lavá-la, é preferível fazê-lo.
2. Se a najasat khafifa atingir o corpo ou a roupa, é perdoada uma quantidade equivalente a um quarto.
3. São perdoados os respingos que atingem aqueles que dão o ghusl ao lavar o mayyit.
4. Se um animal urinar enquanto os grãos são debulhados no pátio, os grãos continuarão puros.
5. Se uma gota de urina ou de qualquer outra impureza, do tamanho da cabeça de uma agulha, atingir a roupa ou o corpo, estes não se tornarão impuros. Para aqueles que criam animais domésticos em casa, se urina, esterco ou algo semelhante do animal atingir o corpo ou a roupa, isso será perdoado mesmo que exceda um dirham.
6. Durante a estação das chuvas, quando as ruas e estradas ficam cheias de água e lama e é difícil evitar isso, os respingos são desculpados.
7. Se fezes de rato se misturarem aos grãos alimentícios e forem tão poucas que nenhum efeito delas possa ser percebido na farinha, essa farinha será pura. Se uma certa quantidade de fezes de rato for cozida junto com pão ou arroz e permanecer sólida, sem se dissolver, esse alimento continuará puro e poderá ser comido.
8. Entre os animais que sugam o sangue humano, há aqueles que não possuem sangue circulante, como moscas, mosquitos, percevejos etc. Se eles beberem sangue e, ao serem mortos, o sangue atingir o corpo ou a roupa, o corpo e a roupa não se tornarão impuros.
9. Quando uma impureza é queimada no fogo, sua fumaça é pura, e suas cinzas também são puras. Por exemplo, se, ao queimar esterco, sua fumaça atingir pão ou algum alimento, ou se seus restos forem usados para lavar pratos e tigelas, isso será permitido. Nada se tornará impuro.
10. Se alguém se deitar sobre uma cama, esteira, estrado ou chão impuro e este estiver molhado, ou se alguém pisar com os pés molhados sobre uma cama ou chão impuro, ou se o efeito da impureza não for evidente sobre a cama impura, o corpo permanecerá puro.
11. Se, durante a ordenha, de repente caírem no leite um ou dois pedaços de esterco, seja de uma vaca ou de um bezerro, eles deverão ser retirados imediatamente. Esse leite permanecerá puro, e não há problema em utilizá-lo.
12. Se uma roupa molhada for colocada para secar em algum lugar impuro, ou simplesmente deixada ali, ou se alguém se sentar sobre um estrado impuro enquanto sua roupa estiver molhada, a roupa não se tornará impura. Porém, se a impureza puder ser percebida na roupa, ela não permanecerá pura.
Diversas questões sobre pureza e impureza
1. O sangue de peixes, moscas, mosquitos e percevejos não é impuro. Se tocar o corpo ou a roupa, eles não se tornarão impuros.
2. Se uma parte de um tapete, esteira ou outro tipo de cama estiver impura e o restante estiver puro, é permitido realizar a oração sobre a parte pura.
3. Depois de aplicar hena nas mãos, nos pés e nos cabelos, se perceber que a hena era impura, basta lavá-los três vezes para que se tornem puros; não é necessário remover a cor da hena.
4. Depois de aplicar surma ou kohl nos olhos, se descobrir que era impuro, não é obrigatório removê-lo ou lavá-lo. Porém, se uma quantidade dele escorrer e sair, será necessário lavá-la.
5. A saliva do cão é impura, mas o corpo dele não é impuro. Se um cão tocar o corpo ou a roupa de alguém, mesmo que seu corpo esteja molhado, o corpo ou a roupa não se tornarão impuros. Porém, se houver impureza no corpo do cão, ao tocá-los, ele tornará o corpo ou a roupa impuros.
6. Se a impureza atingir uma tábua tão espessa que possa ser rachada ao meio, é permitido realizar a oração sobre o lado oposto.
7. O suor humano é puro, seja a pessoa muçulmana ou não muçulmana; e o suor de uma mulher, mesmo quando ela está menstruada ou no período pós-parto, também é puro. O suor da pessoa que necessita do ghusl também é puro.
8. Se algo for cozinhado com a fumaça resultante da queima de uma impureza, isso se tornará puro. O vapor que se eleva da impureza também é puro.
9. O almíscar e o almíscar de veado são puros.
10. Se sair água da boca durante o sono e ela atingir o corpo ou a roupa, estes permanecerão puros.
11. Mesmo que o ovo de uma ave halal apodreça, ele permanece puro. Se atingir a roupa ou o corpo, estes permanecerão puros.
12. Se algo se tornar impuro, mas não se lembrar em que lugar a impureza o atingiu, deve-se lavar tudo.
13. Se a saliva de um cão atingir utensílios de metal ou de barro, eles se tornarão puros após serem bem lavados três vezes. O método preferível é esfregar uma vez com terra e lavar com água, e depois lavar duas vezes somente com água.
Najasat hukmiyya
Najasat hukmiyya é um estado de impureza que não pode ser visto. Ele é conhecido por meio da sharia. Por exemplo, estar sem ablução ou necessitar de banho ritual. Najasat hukmiyya também é chamado de hadath.
Classificação da najasat hukmiyya
A impureza legal, ou hadath, é de dois tipos: hadath menor e hadath maior.
Hadath menor
A condição de impureza causada por urinar ou defecar, pela saída de gases pelo ânus, pela saída de sangue ou pus de qualquer parte do corpo, por vomitar em quantidade que encha a boca, pela saída de sangue de istihada ou por dormir apoiado é chamada de hadath menor. Para purificar-se dessa condição, é necessário fazer a ablução. Se não houver água ou se seu uso for prejudicial, também é possível purificar-se por meio do tayammum. No estado de hadath menor, não se pode realizar a oração nem tocar no Alcorão Sagrado. Contudo, aqueles que mantêm constantemente o Alcorão nas mãos e para quem é difícil fazer a ablução repetidamente, ou a criança que recita o Alcorão, podem prosseguir sem ablução. É permitido recitar oralmente o Alcorão sem ablução, isto é, no estado de hadath menor.
Hadath maior
A condição de impureza causada após ter relações sexuais com uma mulher, pela emissão de sêmen acompanhada de desejo de qualquer maneira, pela emissão de sêmen durante um sonho, ou pela saída do sangue da menstruação e do nifas é chamada de hadath maior. Para purificar-se do hadath maior, é necessário fazer o ghusl. Se não for possível fazer o ghusl, também é possível purificar-se por meio do tayammum. No estado de hadath maior, não se pode realizar a oração, tocar no Alcorão Sagrado, recitá-lo oralmente nem entrar na mesquita. Contudo, é permitido ir à mesquita em caso de necessidade extrema. Por exemplo, a Shariah permite atravessar a mesquita quando o caminho para a casa de banho passa por dentro dela ou para buscar um recipiente de água.
Descrição da menstruação
Depois de atingir a puberdade, o sangue que normalmente sai pelo órgão urinário das meninas é chamado de menstruação. Esse sangue é impuro. Se atingir as roupas ou o corpo, estes se tornarão impuros.
Idade para o início da menstruação
A idade mínima para a menstruação é de nove anos. Se uma menina tiver sangramento antes dos nove anos, isso não será considerado menstruação. Depois disso, normalmente as mulheres menstruam até os cinquenta e cinco anos. Se houver sangramento depois dos cinquenta e cinco anos, ele novamente não poderá ser considerado menstruação. Contudo, se nessa idade o sangue for vermelho-escuro ou vermelho enegrecido, será considerado menstruação.
Duração da menstruação
1. Nos dias determinados da menstruação, qualquer sangue que venha, exceto o de cor completamente branca — seja vermelho, amarelo, cáqui, verde, preto ou de qualquer outra cor — será considerado menstruação.
2. Para aquelas mulheres que, antes dos cinquenta e cinco anos, além do sangue vermelho-escuro, também apresentam sangue verde, cáqui ou amarelo, se depois dos cinquenta e cinco anos vier sangue verde, cáqui ou amarelo, ele deverá ser considerado menstruação.
3. Se o sangramento durar um período ligeiramente inferior a três dias e três noites, também não será considerado menstruação. Por exemplo, se uma menina tiver sangramento na sexta-feira, ao nascer do sol, e o sangramento parar na segunda-feira, bastante tempo antes do nascer do sol — isto é, faltando algum tempo para completar três dias e três noites —, esse sangue não será considerado menstruação, mas sim istiḥāḍa.
4. Se uma menina tiver o hábito de sangrar durante três ou quatro dias e, em algum mês, o sangramento durar mais dias, isso será considerado menstruação. Porém, se o sangramento durar um pouco mais de dez dias, serão considerados menstruação apenas tantos dias quantos correspondiam ao seu hábito, e os dias restantes serão istiḥāḍa.
5. O período de pureza entre duas menstruações é de, no mínimo, quinze dias, e não há limite máximo determinado. Portanto, se uma mulher não tiver sangramento durante alguns meses ou durante toda a vida, permanecerá em estado de pureza. Ou, se tiver sangramento durante um ou dois dias, permanecer bem por dez ou doze dias, e depois tiver novamente sangramento durante um ou dois dias que então pare, todo esse período será considerado istiḥāḍa.
6. Se uma mulher tiver sangramento por um período inferior à duração de sua menstruação, isto é, durante um ou dois dias, permanecer pura por quinze dias e, em seguida, tiver novamente sangramento durante um ou dois dias, esses quinze dias serão certamente considerados um período de pureza; o sangue que vier depois será istiḥāḍa.
7. O primeiro sangramento de uma mulher começou e continuou por vários meses. Os dez dias a partir do dia em que o sangramento começou serão considerados hayez, e os dias adicionais, istihaza. Assim, os dez primeiros dias de cada mês deverão ser considerados hayez, e os vinte dias restantes, istihaza.
8. Se uma mulher tiver sangramento durante um ou dois dias, permanecer em estado de pureza por menos de quinze dias e depois começar a sangrar novamente, não se dará validade a esse período de pureza; pelo contrário, deverá considerar-se que o sangramento continuou repetidamente. Nesse caso, o período correspondente ao seu hábito será considerado hayez, e o restante, istihaza. Quando o sangramento ocorrer pela primeira vez, os dez primeiros dias deverão ser considerados hayez, e o restante, istihaza. Por exemplo, suponha que o hábito de uma mulher seja ter hayez no primeiro, segundo e terceiro dias do mês. Então, em determinado mês, o sangramento começou no primeiro dia e cessou; depois ela permaneceu pura durante catorze dias e voltou a sangrar no décimo sexto dia. Deve-se entender que o sangramento ocorreu repetidamente durante dezesseis dias. Portanto, segundo o seu hábito, o primeiro, o segundo e o terceiro dias serão considerados hayez, e os treze dias restantes, istihaza. Se o hábito de hayez for no quarto, quinto e sexto dias, esses serão considerados os dias de hayez, enquanto os três primeiros dias e os dez últimos serão considerados istihaza.
9. Se uma mulher não tiver um hábito definido — às vezes quatro dias, às vezes sete dias, às vezes dez dias —, todos esses períodos serão considerados hayez. Se ela voltar a sangrar por mais de dez dias, deverá verificar quantos dias sangrou no mês anterior. Esse mesmo número de dias será considerado hayez, e os dias restantes, istihaza.
Descrição do nifás
O sangue que sai do órgão genital da mulher depois do nascimento do bebê é chamado nifás. A condição, porém, é que o sangue que sai depois de mais da metade do bebê ter vindo para fora é nifás; o sangue que sai antes disso não é sangue de nifás.
A duração máxima do sangramento de nifás é de quarenta dias. Não há uma duração mínima definida. É possível que uma mulher não tenha nenhum sangramento de nifás.
Questões do nifás
1. Se, depois de dar à luz, uma mulher não tiver nenhum sangramento, ainda assim será obrigatório que ela faça o banho ritual após o nascimento do bebê.
2. Durante o período do nifas, qualquer sangue que apareça, de uma só vez, com qualquer cor exceto a branca, será considerado sangue de nifas.
3. O período de pureza entre o nifas e o início do hayz deve ser de, no mínimo, 15 dias.
4. Se, após um aborto espontâneo, os membros do feto já estiverem formados e ocorrer sangramento, este será sangue de nifas. Porém, se o feto for apenas um pedaço de carne, o sangue que sair não será considerado nifas. Contudo, se as condições do hayz forem satisfeitas, deverá ser considerado hayz; caso contrário, será istihada. Por exemplo, se o sangramento durar menos de três dias ou se o período de pureza não completar 15 dias, será istihada.
5. Se uma mulher sangrar por mais de 40 dias e este for o seu primeiro parto, os 40 primeiros dias serão de nifas e os dias restantes, de istihada. Após 40 dias, deverá fazer o ghusl, purificar-se completamente e cumprir as obrigações religiosas; não deverá esperar que o sangramento cesse. Se não for o seu primeiro parto e a duração habitual for conhecida, o período de nifas será conforme o seu hábito, e os dias restantes serão de istihada.
6. Se uma mulher tiver o hábito de apresentar sangue de nifas durante 30 dias, mas em certa ocasião o sangramento não cessar após os 30 dias e só cessar depois de completar 40 dias, todos esses 40 dias serão considerados nifas. Se houver sangramento depois disso, será istihada. Portanto, imediatamente após os 40 dias, deverá fazer o ghusl e cumprir a oração e as demais obrigações, além de compensar as orações dos 10 dias anteriores.
7. Se o sangramento de alguém cessar antes de completar 40 dias, ela deverá fazer o ghusl e começar a realizar a oração e as demais obrigações, sem esperar o término dos 40 dias. Se houver receio de que o ghusl cause algum dano grave, deverá purificar-se por meio do tayammum e realizar a oração. De modo algum deverá permitir que alguma oração fique para compensação.
As regras do hayz e do nifas
1. Durante os dias de hayz, a oração e o jejum são proibidos. A oração é completamente dispensada. Porém, depois de se purificar, será necessário compensar os jejuns.
2. Durante o hayez e o nifas, é haram para as mulheres ir à mesquita, realizar o tawaf da Caaba e recitar o Alcorão.
3. Também não é permitido fazer a prostração da recitação nem tocar o Alcorão; contudo, pode-se tocar o Alcorão usando um juzdan ou um lenço. Também não é permitido tocá-lo com a roupa que se veste. É igualmente proibido tocá-lo com um tecido costurado ao Alcorão.
4. É permitido recitar a Surata Al-Fátiha com a intenção de fazer uma súplica. Da mesma forma, é permitido recitar a súplica do Qunut e outras súplicas do Alcorão com a intenção de fazer uma súplica.
5. É permitido recitar o kalima, recitar o durud, fazer o zikr de Allah, pedir istighfar e recitar qualquer outro wazifa. Por exemplo, se alguém recitar “La hawla wa la quwwata illa billah”, não há problema.
6. É permitido ir ao eidgah, a uma instituição de ensino religioso e, em caso de necessidade inevitável, à mesquita. Contudo, é melhor ir à mesquita depois de fazer o tayammum.
7. A mulher que ensina o Alcorão a alguém pode ensiná-lo durante o hayez. Contudo, em vez de recitar o versículo inteiro de uma só vez, sem parar para respirar, deve ensiná-lo fazendo pausas e dividindo-o em partes. É permitido às mulheres nessa situação recitar dessa maneira.
8. Durante o hayez e o nifas, as relações sexuais com a esposa são haram. Com exceção desse ato, tudo o mais é permitido, como beijar, comer e beber juntos, dormir na mesma cama, entre outras coisas. Contudo, nesse período, é makruh abster-se de atos como ficar na mesma cama, comer e beber juntos, beijar e fazer carícias. [A razão de isso ser makruh é que o Profeta (que a paz esteja com ele) convivia com suas esposas quando elas estavam menstruadas. Outra razão é que os judeus mantinham suas esposas isoladas e intocáveis durante a menstruação. Por isso, os muçulmanos foram proibidos de imitar os judeus.]
9. Uma mulher tem o hábito de sangrar durante 5 dias, mas o sangue parou após 4 dias. Nesse caso, é wajib que ela tome banho ritual e faça a oração. Contudo, não é permitido ter relações sexuais com o marido antes de completar os 5 dias, pois o sangue pode voltar depois.
10. Se o sangramento de uma mulher cessar depois de completos 10 dias e 10 noites, é permitido ter relações sexuais com ela mesmo que ainda não tenha feito o banho ritual. Do mesmo modo, se uma mulher que habitualmente sangra por 6 dias tiver o sangramento cessado depois disso, também é permitido ter relações sexuais com ela antes que faça o banho ritual. Porém, se o sangramento cessar antes do período habitual estabelecido, não é permitido ter relações sexuais antes de se completarem os dias habituais. Mesmo que essa mulher faça o banho ritual, ainda assim não é permitido.
11. Uma mulher tem o hábito de ter o sangramento cessado após 6 dias. Mas, se em algum mês acontecer de os 6 dias se completarem e o sangramento não cessar, ela não deverá fazer o banho ritual nem rezar; deverá, ao contrário, esperar que o sangramento cesse. Se então o sangramento cessar ao completar 10 dias ou antes disso, todo esse período será considerado hayz. Porém, se o sangramento não cessar mesmo após 10 dias, o período de hayz permanecerá sendo apenas aqueles 6 dias. Os dias restantes serão incluídos no istihada.
12. Se uma mulher se purificar durante o dia no mês de Ramadã, é obrigatório que se abstenha de comer e beber durante o restante do dia. Ela deverá passar o tempo até o anoitecer como os jejuadores e deverá compensar o jejum daquele dia.
13. Se uma mulher, estando em estado de pureza, dormir depois de colocar um pedaço de tecido em seu local específico e, pela manhã, vir uma mancha de sangue nesse tecido, o início do hayz deverá ser contado a partir do momento em que a mancha de sangue foi percebida.
Descrição da istihada
Istihada é um fluxo de sangue que não é nem hayz nem nifás, mas que sai devido a uma doença. É como o sangue que continua saindo quando uma veia do nariz de alguém se rompe e não para.
Condições da istihada
1. O sangue que sai de uma menina com menos de nove anos é istihada, e o sangue que sai de uma mulher com mais de 55 anos também é istihada. Porém, neste último caso, se a cor do sangue for vermelho-escura ou vermelho-enegrecida, deve ser considerado hayz.
2. O sangue que as mulheres grávidas eliminam é istihada.
3. O sangue eliminado por menos de três dias e três noites é istihada; igualmente, o sangue eliminado depois de dez dias e dez noites é istihada.
4. Para a mulher cujo período de menstruação está determinado conforme seu hábito, o sangue que surgir depois desse período determinado, durante os dias adicionais, é istihada. Isso se aplica quando o sangramento continua mesmo depois de dez dias.
5. Se o sangramento de uma mulher cessar depois de dez dias de menstruação e voltar antes de completados quinze dias, esse será sangue de istihada, pois o período de pureza entre duas menstruações é de, no mínimo, quinze dias.
6. Se o sangramento de nifas cessar depois de quarenta dias e voltar após um intervalo inferior a quinze dias, esse segundo sangramento será istihada, pois, depois do fim do nifas, é necessário um intervalo de pelo menos quinze dias para que ocorra a menstruação.
7. Se uma mulher continuar sangrando por mais de quarenta dias após dar à luz, sendo esse seu primeiro filho e não havendo um hábito determinado, todo o sangue eliminado além dos quarenta dias será istihada. Porém, se ela tiver um hábito determinado, o sangue eliminado além dos dias desse hábito será istihada.
As regras da istihada
As mulheres que sofrem de istihada estão sujeitas às mesmas regras que os doentes cujo sangramento nasal começa após o rompimento de uma veia e não cessa; ou que têm uma ferida da qual o sangue flui continuamente; ou que sofrem de uma doença urinária devido à qual a urina goteja constantemente. As regras aplicáveis às mulheres em estado de istihada são as seguintes:
1. Durante a istihada, é obrigatório rezar. Não é permitido deixar de cumprir as orações para compensá-las depois. Também não poderá deixar de jejuar.
2. Durante a istihada, as relações sexuais são permitidas. Devido à istihada, o banho ritual não é obrigatório para a mulher.
3. Ela se purificará fazendo apenas a ablução.
4. Nesse estado, tanto a recitação do Alcorão quanto a entrada na mesquita são permitidas.
5. Essas mulheres não poderão realizar várias orações com uma única ablução. Será necessário fazer uma nova ablução a cada vez.
Leucorreia
Nessa doença, uma substância líquida branca ou amarelada continua a sair do órgão genital da mulher. Sua regra é exatamente como a da istihada. Essas mulheres também rezarão e jejuarão. Também recitarão o Alcorão. Contudo, antes de cada oração, deverão lavar bem as partes íntimas e fazer uma nova ablução antes de rezar.
Descrição da água
A taharat (purificação) só pode ser obtida com água que seja pura em si mesma. Com água impura, não se pode fazer nem ablução nem ghusl, nem purificar qualquer coisa impura. Pelo contrário, por meio dela, até as coisas puras se tornam impuras. Por isso, é necessário compreender bem as regras e as questões relativas à pureza e à impureza da água, para que se possa alcançar a taharat com certeza e tranquilidade.
Tipos de água
Basicamente, a água é de dois tipos: pura e impura.
Água pura
Quanto à obtenção da purificação, a água pura é de quatro tipos:
1. Tahir mutahhir, não makruh: isto é, água pura com a qual se pode fazer ablução e ghusl tranquilamente, sem qualquer karahat (sentimento de repulsa ou desrespeito). Por exemplo, água da chuva, de rios, do mar, de lagoas, canais, nascentes, poços, bombas de água e semelhantes. Quer seja doce ou salgada, água de orvalho ou de gelo, pode-se fazer ablução e ghusl com qualquer uma dessas águas sem qualquer espécie de karahat.
2. Tahir mutahhir makruh: é a água com a qual é makruh fazer ablução e ghusl. Por exemplo, quando uma criança pequena coloca a mão na água. Não se pode afirmar com certeza que a mão estivesse impura, mas há dúvida a esse respeito. Ou quando um gato ou algum animal cuja saliva ou resto de comida seja makruh encosta a boca na água. Portanto, fazer ablução e ghusl com essa água será makruh.
3. Tahir ghair mutahhir: é a água pura com a qual não é permitido fazer ablução e ghusl, como a ma’ musta’mal, isto é, a água com a qual alguém fez ablução, ou na qual se banhou uma pessoa para quem o ghusl era obrigatório, mas sem que houvesse qualquer najasat em seu corpo. Se essa água tocar o corpo ou a roupa, não os tornará impuros. Contudo, não se pode fazer ablução nem ghusl com essa água.
4. Mashkūk: isto é, a água sobre a qual há dúvida quanto à permissibilidade de realizar ablução e banho ritual. Por exemplo, a água na qual um jumento ou uma mula colocou a boca. A regra dessa água é que, depois de realizar a ablução com ela, também se deve fazer tayammum.
Mā’ al-najāsah (água impura)
1. Estado da água impura: quando uma impureza cai em água corrente e a situação chega ao ponto de alterar a cor, o odor e o sabor da água.
2. Kathīr rāqid: uma grande quantidade de água estagnada. Porém, devido à queda de sujeira (impureza), a cor, o odor e o sabor da água em todas as partes foram alterados.
3. Qalīl rāqid: uma pequena quantidade de água estagnada. Se nela cair uma pequena quantidade de impureza e, por causa disso, não ocorrer nenhuma alteração na cor, no odor e no sabor da água, ainda assim não se poderá realizar ablução ou banho ritual com essa água, nem purificar com ela qualquer coisa impura.
Seis princípios práticos sobre a água
1. A água é originalmente pura. Isto é, é pura em seu estado fundamental. Portanto, enquanto não houver prova de que ela se tornou impura, deve-se considerá-la pura. Por exemplo, se houver água em algum buraco no meio da floresta, ela é pura. Contudo, se alguma evidência ou prova confirmar que ela se tornou impura, deve-se considerá-la impura.
2. Uma certeza não pode ser abandonada por causa de uma dúvida. Por exemplo, há água guardada em uma casa, e vê-se um cão saindo de lá. Então surge a dúvida de que talvez o cão tenha colocado a boca na água. Ou não se viu o cão colocar a boca nela, nem há qualquer indício circunstancial de que ele tenha colocado a boca na água. Em tal situação, deve-se considerar a água pura, pois sua pureza é certa. Há apenas uma dúvida quanto à sua impureza. A dúvida não elimina a certeza.
3. Em situações difíceis, a regra é atenuada. Por exemplo, as fezes das aves são impuras. Como é muito difícil proteger o poço delas, a regra é que a água do poço não se torna impura por causa das fezes das aves.
4. Em caso de necessidade inevitável, até mesmo algo proibido se torna permitido. Por exemplo, quando alguém está prestes a morrer de sede, não se encontra água pura e só há água impura disponível. Em tal situação, é permitido beber água impura.
5. Ao aplicar uma regra da Sharia, deve-se considerar a substância que está em maior quantidade. Por exemplo, se água purificadora e água pura já utilizada forem misturadas em algum recipiente, a regra será determinada pela que estiver em maior quantidade. Se houver mais água purificadora, toda a água deverá ser considerada purificadora, e será permitido fazer wudu e ghusl com ela. Mas, se houver mais água musta’mal (já utilizada), toda ela deverá ser considerada musta’mal, e não será permitido fazer wudu e ghusl com ela.
6. Quando se toma conhecimento de um novo fato, deve-se seguir a regra a partir do momento em que se toma conhecimento dele. Por exemplo, se for encontrada uma ratazana morta em um poço, a regra é considerar a água do poço impura a partir do momento em que ela for vista. Se antes disso tiver sido realizado um ghusl com essa água, ele deverá ser considerado válido.
Questões relativas à água
Água com a qual a taharah é válida
1. A água da chuva, dos rios, do mar, dos lagos, das nascentes, dos poços, dos tubos de abastecimento e semelhantes, seja doce ou salgada, bem como o orvalho, a neve e a água proveniente do derretimento da neve, é pura. É permitido, sem hesitação, fazer wudu e ghusl com qualquer um desses tipos de água.
2. Se a água for aquecida acendendo-se o fogo com esterco, fezes ou materiais semelhantes, ela continuará pura, e será válido fazer wudu e ghusl com ela.
3. Se a água permanecer acumulada durante muitos dias em algum lago, reservatório ou cova, ou ficar guardada por muitos dias em um recipiente, e por isso sua cor, cheiro ou sabor mudar, ainda assim ela continuará pura, e a purificação ritual poderá ser realizada com ela sem hesitação.
4. A água que se acumula em pequenas ou grandes cavidades nas florestas e áreas selvagens é pura. A purificação ritual pode ser realizada com ela sem qualquer repugnância. Contudo, se por alguma evidência ou prova se tiver certeza de que ela está impura, ou houver forte presunção disso, não será correto realizar com ela a ablução ou o banho ritual.
5. No caminho, as pessoas deixam água em jarros e grandes vasilhas, da qual bebem crianças, adultos, habitantes das cidades e moradores das aldeias. Também não se tomam todos os cuidados possíveis quanto a isso. Essa água é pura, e pode-se realizar com ela a ablução e o banho ritual. Porém, se houver alguma evidência ou prova de que ela está impura, a situação será outra.
6. Se uma criança pequena colocar a mão na água, sem que haja certeza nem suspeita de que sua mão esteja impura, mas, como se considera que as crianças não costumam tomar precauções, houver a possibilidade de que alguma impureza tenha tocado sua mão, então a regra para essa água é que ela permanece pura, e a ablução e o banho ritual realizados com ela serão válidos.
7. A água dos recipientes dos não muçulmanos é pura, pois, em geral, todos procuram manter-se afastados da impureza. Contudo, se por evidência ou prova ficar comprovado que ela está impura, não será válido realizar o banho ritual com ela.
8. Se uma substância pura cair na água e fizer mudar sua cor, seu cheiro ou seu sabor, com a condição de que essa substância não tenha sido fervida na água nem a tenha tornado espessa — como a areia misturada à água corrente —, ou se cair açafrão e alguma de sua cor passar para a água, ou se sabão ou algo semelhante se dissolver, ou ainda se cair qualquer outra substância pura desse tipo, em todas essas situações a água permanecerá pura, e será permitido realizar com ela a ablução e o banho ritual.
9. Mesmo que os poços dos quais diversas pessoas retiram água — e cujas mãos, pés, baldes, vasilhas e outros objetos estejam sujos e cobertos de poeira — tenham essas condições, a água desses poços continuará pura. Naturalmente, se houver alguma prova de que as mãos, os pés ou os recipientes das pessoas que retiram a água estão impuros, a situação será outra.
10. Mesmo que, devido à queda de folhas de árvores, uma ou todas as três características da água mudem, ela permanecerá pura. A ablução e o banho ritual realizados com ela serão válidos.
11. Se a água for aquecida com sabão, folhas de azufaife ou qualquer outra coisa semelhante para limpar roupas ou o corpo, ou para purificar a água, e ela permanecer líquida, sem engrossar, será válido fazer com ela tanto a ablução quanto o banho ritual, mesmo que sua cor, seu odor e seu sabor se alterem.
12. Se recipientes puros, arroz, verduras e outros alimentos forem lavados em determinada água, ou se um pano puro for mergulhado nela, e apenas uma das características da água se alterar, ou nenhuma delas se alterar, será válido fazer a ablução e o banho ritual com essa água.
13. Se um animal vivo, exceto o porco e o cão, for banhado em determinada água, e não houver impureza aderida ao corpo do animal nem sua saliva entrar na água, então essa água será pura. Do mesmo modo, se um animal, exceto o porco e o cão, entrar ou se banhar em determinada água, e não houver impureza em seu corpo, a água será pura. A condição é que a boca do animal esteja voltada para cima e que não caia saliva na água. Mesmo que a saliva de um cavalo ou de outro animal cuja carne seja lícita caia na água, ela continuará pura. Pode-se fazer com ela, sem dúvida, a ablução e o banho ritual.
14. Se cair uma certa quantidade de leite na água, quer a cor da água se altere um pouco, quer não, será possível fazer com ela a ablução e o banho ritual sem hesitação.
15. Depois que a água corrente se tornar impura, quando o efeito da impureza desaparecer, essa água voltará a ser pura. Será possível realizar a purificação com ela.
16. Se criaturas sem circulação sanguínea, como moscas, mosquitos, vespas e semelhantes, caírem na água e morrerem, ou caírem nela já mortas, a água permanecerá pura, e será possível fazer com ela a ablução e o banho ritual.
17. Se criaturas aquáticas morrerem na água, como peixes, caranguejos, tartarugas, rãs e semelhantes, a água permanecerá pura. Pode-se realizar com ela a purificação sem qualquer reprovação.
Observação: A regra referente às rãs terrestres e aquáticas é a mesma. Contudo, se houver sangue nas rãs terrestres e elas morrerem na água, a água se tornará impura.
Água com a qual a taharat não é válida
1. Se uma gota de urina, sangue ou vinho cair numa pequena quantidade de água estagnada, ou se uma pequena quantidade de qualquer outra impureza cair nela, ou ainda se cair uma quantidade de fezes equivalente a um rati, toda a água se tornará impura. Quer a cor, o sabor e o odor da água se alterem, quer não, a taharat não será válida com ela.
2. Se uma criatura cujo sangue circula cair numa pequena quantidade de água e morrer nela, ou cair já morta, a água se tornará impura. Entre as criaturas cujo sangue não circula, se morrerem aquelas que sugam o sangue humano — como sanguessugas, moscas grandes e percevejos grandes — a água também se tornará impura. Se uma rã que possui sangue morrer na água, esta se tornará impura, e a taharat não será válida com ela.
3. Se os insetos que vivem nas fezes e no esterco morrerem numa pequena quantidade de água, a água se tornará impura.
4. Se num tanque houver impureza numa pequena quantidade de água e depois for acrescentada água até que a quantidade se torne muito grande, toda a água continuará impura e a taharat não será válida com ela.
5. Quando alguma outra coisa é misturada à água ou é cozida nela, deixando de ser normalmente chamada de água — como sharbat, xarope, shurba, sattu e semelhantes — a ablução e o banho ritual não serão válidos com ela.
6. Não é permitido fazer a ablução e o banho ritual com substâncias correntes ou líquidas que não sejam chamadas de água, como caldo de cana-de-açúcar, kewra, água de rosas, vinagre e semelhantes. Do mesmo modo, a ablução e o banho ritual não serão válidos com essências de frutas, água de frutas e semelhantes, como suco ou essência de limão e laranja, água de melancia, água de coco etc.
7. Se a água for fervida com alguma substância pura e, embora geralmente ainda seja chamada de água, ficar um pouco espessa, também não será permitido fazer a ablução e o banho ritual com ela.
8. Depois que leite ou açafrão caiu na água, ela adquiriu completamente a cor do leite ou do açafrão. É permitido fazer ablução e banho ritual com ela.
9. Se um animal que não é aquático, mas vive na água, como um pato, morrer na água ou cair nela já morto, não será permitido fazer ablução e banho ritual com essa água.
10. A água usada, embora seja pura — isto é, se tocar o corpo ou a roupa, não os tornará impuros —, não é permitido usá-la para a ablução e o banho ritual. Isso porque, embora seja pura em si mesma, ela não pode purificar outra coisa.
11. Se água usada se misturar com água pura e a quantidade de água usada for maior, toda a água será considerada água usada, e não será permitido fazer ablução e banho ritual com ela.
Água com a qual é makruh realizar a purificação ritual
1. É makruh fazer ablução e banho ritual com água aquecida pelo sol. Isso pode causar manchas brancas de lepra no corpo.
2. Se saliva ou tosse humana cair em pouca água, será makruh fazer ablução e banho ritual com ela.
3. Se um não muçulmano (que não tem noção de pureza e impureza) colocar a mão em água pura, mas não houver certeza de que há impureza em sua mão, existindo apenas a suspeita de que, como geralmente os não muçulmanos não têm noção de pureza e impureza, talvez sua mão estivesse impura, então será makruh fazer ablução e banho ritual com essa água.
4. A pessoa que não tem ablução não deve fazer a ablução com a água de Zamzam, e quem tem o banho ritual obrigatório não deve banhar-se com essa água. É makruh lavar impurezas e fazer istنجاء com essa água.
5. É makruh fazer ablução ou banho ritual com a água de um lugar onde o castigo de Allah foi enviado sobre algum povo.
6. É makruh fazer ablução ou banho ritual com a água que contenha os restos deixados por gatos, ratos e aves proibidas.
7. Se os restos deixados por um jumento ou uma mula caírem na água, fazer ablução ou banho ritual com ela é duvidoso, pois não se pode afirmar com certeza se ela é pura ou impura. Por isso, depois de fazer a ablução ou o banho ritual com essa água, deve-se fazer tayammum.
Questões relativas à água remanescente e semelhantes
1. Os restos deixados por seres humanos são puros. Seja muçulmano ou não muçulmano, piedoso ou pecador, mulher ou homem, esteja em estado de janabah ou de menstruação ou puerpério, em todos os casos os restos deixados por essas pessoas são puros. Contudo, se alguém beber vinho ou outra coisa impura e logo depois deixar seus restos na água, ela se tornará impura.
2. Os restos deixados por animais lícitos são puros, sejam aves ou animais herbívoros, como vaca, búfalo, cabra, cervo, rolinha, pombo etc. Os restos deixados pelo cavalo também são puros.
3. Os restos deixados por criaturas cujo sangue não circula também são puros, sejam elas lícitas ou proibidas. Os restos deixados por criaturas aquáticas também são puros, sejam elas lícitas ou proibidas. Contudo, se, logo depois de comer uma impureza, elas deixarem seus restos na água, ela se tornará impura. Não será permitido realizar a purificação com ela.
4. É makruh o resto deixado por animais proibidos que geralmente vivem nas casas, como ratos e gatos, por aves cuja carne é proibida e por pequenos animais que ficam correndo e comem por vontade própria, como galinhas, patos e semelhantes. Se a galinha estiver amarrada, o resto deixado por ela é puro. Se o gato beber água logo após comer um rato, essa água ficará impura.
5. O resto deixado por porcos, cães e todos os tipos de animais predadores é impuro. Assim, o resto deixado por cada um deles — como tigres, ursos, macacos e abutres — é impuro.
6. Também é impuro o resto deixado por animais proibidos que vivem nas florestas, como elefantes, rinocerontes e semelhantes.
7. É permitido consumir leite, iogurte, soro de leite e semelhantes se o gato colocar a boca neles.
8. O resto deixado por jumentos e mulas é duvidoso. A ablução e o banho ritual feitos com essa água também serão duvidosos. Depois de fazer a ablução com essa água, deve-se fazer tayammum.
9. É makruh o resto deixado por aves de rapina, como o açor, o falcão e semelhantes.
10. Se um rato roer um pedaço de pão ou biscoito, pode-se cortar e remover essa parte e comer o restante.
11. O suor dos animais cujo resto deixado é impuro também é impuro. O suor daqueles cujo resto deixado é makruh também é makruh.
12. É makruh para as mulheres comerem e beberem o que foi deixado por homens estranhos.
Questões e regras relativas aos poços
Regras detalhadas para purificar a água de um poço
Para compreender as questões relativas aos poços, os procedimentos para purificá-los e suas regras e disposições jurídicas, é preciso lembrar as sete regras detalhadas a seguir:
1. Se toda a água de um poço se tornar impura, será necessário retirar toda a água para purificá-lo. Retirar toda a água significa que, ao baixar um balde nele, não se consiga retirar sequer meio balde de água. Depois de retirar tanta água, a escada, a corda e o balde do poço tornam-se todos puros. Quanto ao poço cuja água não seja totalmente possível retirar, devem ser retirados dele trezentos baldes de água; com isso, a água do poço se tornará pura.
2. Se o poço estiver puro e não houver necessidade de retirar sequer uma pequena quantidade de água, ainda assim, se alguém quiser retirar, em algum momento, vinte ou vinte e dois baldes de água para tranquilizar o coração, isso não será contrário à Shariah e não haverá nisso qualquer problema.
3. Se for possível saber com certeza quando o poço se tornou impuro, e não houver nenhuma indicação para determinar o momento, deve-se considerá-lo impuro a partir do momento em que a impureza for constatada. Porém, se houver alguma indicação — por exemplo, se um animal tiver morrido, inchado e apodrecido — deve-se presumir com certeza que ele caiu no poço e morreu alguns dias antes. Nesse caso, será necessário repetir as orações de três dias e três noites, e purificar novamente os utensílios, recipientes e roupas que tenham sido lavados com aquela água. Quanto ao que não puder ser corrigido, não é necessário lamentar-se.
4. Para purificar um poço, deve-se calcular com base no balde ou recipiente normalmente usado nele. Se, em determinada ocasião, a água for retirada com um balde muito maior ou muito menor, deve-se calcular com base em um balde de tamanho médio. Mesmo que a quantidade de água prescrita para ser retirada seja extraída por meio de um cano ou de outro método, o poço também se tornará puro.
5. Para purificar o poço, quer toda a água seja retirada de uma só vez, quer seja retirada gradualmente, em ambos os casos o poço ficará purificado.
6. Se aquilo que tornou a água impura ao cair no poço for em si mesmo impuro, como um rato morto, um gato ou algo semelhante, primeiro deve ser retirado e, depois, a água deve ser retirada conforme a regra estabelecida. Enquanto esse animal morto não for retirado, por mais água que se retire do poço, ele não ficará purificado. Porém, se houver a convicção de que o animal morreu, apodreceu e se decompôs completamente, transformando-se em terra, não será necessário retirá-lo; basta retirar a água conforme a regra estabelecida para que o poço fique purificado.
7. Se cair no poço algo que seja puro em si mesmo, mas que tenha tido impureza, como uma bola de futebol, um sapato, uma roupa ou algo semelhante, retirá-lo não é condição para purificar o poço; basta retirar a água conforme a regra estabelecida.
As impurezas por causa das quais toda a água deve ser retirada
1. Se qualquer impureza cair no poço, seja impureza leve ou grave, em pequena ou grande quantidade, toda a água se tornará impura e será obrigatório retirá-la por completo. Por exemplo, se cair urina ou fezes humanas, ou urina ou fezes de vaca, búfalo, cão, gato ou outros animais semelhantes, ou se cair sangue ou uma gota de vinho, em qualquer desses casos o poço se tornará impuro.
2. Se um porco cair no poço, esteja vivo ou morto, toda a água se tornará impura, pois o corpo do porco é impuro como a urina e as fezes.
3. Se uma pessoa cair no poço e morrer, seja muçulmana ou não muçulmana, toda a água se tornará impura. Do mesmo modo, se alguém já morto cair no poço, seja criança ou adulto, toda a água se tornará impura.
4. Se um cão, uma cabra ou qualquer animal maior que eles, como uma vaca, um búfalo, um camelo, um elefante, um cavalo ou outro semelhante, cair no poço e morrer, toda a água se tornará impura.
5. Se um animal com sangue circulante, ferido, cair no poço, quer esteja morto ou vivo, toda a água deverá ser retirada.
6. Se cair no poço qualquer objeto impuro, como roupas, utensílios, sapatos etc., toda a água se tornará impura.
7. Por menor que seja um animal com sangue circulante, se cair no poço e morrer, apodrecendo e inchando, ou se cair no poço já morto, apodrecido e inchado, toda a água se tornará impura. Por exemplo, se um rato, uma lagartixa, um animal sugador de sangue etc. cair, morrer e inchar, toda a água deverá ser retirada.
8. Se excrementos de pato ou galinha caírem no poço, toda a água deverá ser retirada.
9. Se dois gatos, ou vários outros animais com peso equivalente, caírem no poço e morrerem, toda a água se tornará impura.
10. Se um rato ou um camaleão, ou um animal semelhante, cair no poço com a cauda cortada, toda a água deverá ser retirada.
11. Se um animal sem sangue circulante, como um escorpião, um zangão, uma vespa, um camaleão ou uma rã terrestre, cair no poço, morrer e inchar, toda a água se tornará impura e deverá ser retirada.
Impurezas pelas quais não é obrigatório retirar toda a água
1. Se um gato, uma galinha, um pombo ou qualquer animal de tamanho semelhante cair no poço e morrer, mas não inchar nem estourar, o poço se purifica retirando-se 40 baldes de água. No entanto, é melhor retirar 60 baldes.
2. Se um rato, um pardal ou qualquer animal de tamanho semelhante cair no poço e morrer, mas não inchar nem estourar, o poço se purifica retirando-se apenas 20 baldes de água. No entanto, é melhor retirar 30 baldes.
Observação: para estimar a impureza do poço causada pela queda de um animal, a jurisprudência islâmica toma como referência três animais: a cabra, o gato e o rato.
A regra para um animal do tamanho de uma cabra ou maior é a mesma que para o gato.
A regra para um animal do tamanho de um gato ou menor que uma cabra é a mesma que para o gato.
A regra para um animal do tamanho de um rato ou maior que ele, mas menor que um gato, é a mesma que para o rato.
3. Se uma grande lagartixa, que possui sangue circulante, cair no poço e morrer, mas não inchar nem estourar, será necessário retirar 20 baldes. No entanto, é melhor retirar 30 baldes.
4. Uma galinha caiu em um poço e morreu. Enquanto alguém retirava água, foi informado de que o poço estava impuro. Ele de fato jogou fora aquela água, mas levou o balde molhado para outro poço puro. Assim, esse poço puro também se tornou impuro. Para purificá-lo, será necessário retirar uma quantidade de água igual à do poço impuro, isto é, 40 baldes.
Nessa situação, o poço não se torna impuro.
1. Se animais que não possuem circulação sanguínea, como escorpiões, vespas, rãs terrestres e semelhantes, caírem mortos no poço ou caírem nele depois de mortos, o poço não se torna impuro.
2. Se animais aquáticos, como peixes, caranguejos, crocodilos e semelhantes, caírem mortos no poço ou caírem nele depois de mortos, o poço não se torna impuro.
3. Se uma pessoa viva cair no poço e sair viva depois de mergulhar, o poço não se tornará impuro. Porém, se houver alguma impureza em seu corpo, o poço se tornará impuro.
4. Se pelos, cascos ou ossos secos de qualquer animal lícito ou ilícito, exceto o porco, caírem no poço, o poço permanecerá puro.
5. Se um animal cuja água residual é pura cair no poço e sair vivo, o poço permanecerá puro.
6. Se animais cuja água residual é impura ou duvidosa caírem no poço e saírem vivos, o poço não se tornará impuro. A condição é que sua boca não fique submersa na água e que sua saliva não caia na água. Porém, por precaução, é melhor retirar 20 ou 30 baldes de água. (Se um porco cair no poço e sair vivo, o poço se tornará impuro mesmo assim. Também se tornará impuro se qualquer parte de seu corpo cair nele.)
7. Se as fezes de qualquer ave, exceto pato e galinha, caírem no poço, o poço não se tornará impuro.
8. Se uma pequena quantidade de esterco de cabra cair no poço, ele não se tornará impuro.
9. Para aqueles que mantêm vacas e búfalos em casa, é difícil proteger seus poços do esterco; nem mesmo seus pratos e utensílios podem ser mantidos livres dele. Como é difícil para eles se precaverem completamente contra o esterco, se pequenas quantidades caírem no poço, ele não se tornará impuro.
10. Se um não muçulmano cair no poço, ou se alguém que necessita de um banho ritual entrar nele, a água do poço não se tornará impura, desde que não haja nenhuma impureza aderida ao seu corpo. Contudo, é melhor retirar de 20 a 30 baldes de água.
11. Se cair no poço algum objeto cuja impureza não seja certa, como um medicamento estrangeiro sobre o qual haja dúvida se contém álcool, o poço não se tornará impuro.
12. Nas cidades, a água é distribuída dos tanques por meio de canos. Trata-se de água corrente. Se uma impureza cair nela, só será considerada impura quando a cor, o odor e o sabor da água forem alterados.
Descrição do istinja
A limpeza após urinar ou defecar chama-se istinja. A Shariah deu uma ênfase especial ao istinja. Ser negligente no istinja é um grande pecado. O Santo Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) afirmou que isso é uma causa do castigo da sepultura. Certa vez, ele passava ao lado de duas sepulturas. Então disse: “Esses dois mortos estão sendo castigados, não por alguma grande causa, mas por atos que são considerados muito comuns.” Um deles não se purificava devidamente depois de urinar, e o segundo praticava mexericos (Bukhari).
Etiqueta e regras para urinar e defecar
1. É proibido sentar-se, ao urinar ou defecar, com o rosto ou as costas voltados para a Qibla. Ao colocar as crianças para urinar ou defecar, não se deve posicioná-las de modo que fiquem com o rosto ou as costas voltados para a Qibla. Deve-se evitar urinar ou defecar com o rosto ou as costas voltados para a Lua ou para o Sol.
2. É proibido urinar em qualquer buraco ou sobre solo duro. É proibido urinar em buracos porque pode haver neles algum animal nocivo que saia e morda. Se alguém urinar sobre solo duro, os respingos da urina poderão atingir a pessoa.
3. É proibido urinar ou defecar sob árvores que proporcionem sombra; na margem de rios e lagoas, no lado por onde as pessoas retiram água; sob árvores frutíferas; em lugares onde as pessoas fazem ablução ou tomam banho; em cemitérios; tão perto de mesquitas e locais de oração do Eid que o mau cheiro cause incômodo aos que rezam; nas vias de circulação pública; à beira das estradas; perto de qualquer lugar onde as pessoas se reúnam. Em suma, é proibido urinar ou defecar em todos os lugares onde as pessoas se sentam, descansam ou realizam outras atividades. Urinar ou defecar nesses lugares causa incômodo às pessoas.
4. É proibido urinar ou defecar em pé. Contudo, se isso for feito ocasionalmente por uma razão especial, não há culpa.
5. Se no anel estiver escrito o nome de Allah, a profissão de fé, algum versículo ou hadith, deve-se retirá-lo e guardá-lo ao ir urinar ou defecar; caso contrário, isso será uma falta de respeito.
Hazrat Anas (que Allah esteja satisfeito com ele) disse:
O Santo Profeta (que a paz esteja com ele) usava um anel no qual estava gravado “Muhammadur Rasulullah”. Ao urinar ou defecar, ele o retirava e o deixava de lado (Muslim, Tirmidhi).
6. Ao urinar ou defecar, não é correto falar sem necessidade, tossir, recitar hadiths, versículos do Alcorão ou qualquer coisa boa, nem dizer “Alhamdulillah” ao espirrar. Se a pessoa recitar mentalmente, não há culpa.
7. Não é correto defecar completamente nu, nem urinar ou defecar deitado ou em pé sem motivo.
8. Quando for defecar em campo aberto, antes de se sentar, e antes de entrar no banheiro ou na latrina, deve-se recitar a seguinte súplica:
Árabe****************108******)
Ó Allah! Busco refúgio em Ti contra os homens, mulheres e jinn maléficos — (Bukhari).
Depois de terminar de defecar, deve-se sair e recitar esta súplica:
(Árabe************108*****)
Louvado seja Allah, que removeu de mim o sofrimento causado pela evacuação e me concedeu tranquilidade — (Nasa’i, Ibn Majah). Se, ao sair da latrina, a súplica acima não for lembrada, basta recitar apenas isto: (Árabe***)Ó Allah! Peço o Teu perdão.
9. Não se deve urinar em água parada nem em água corrente. Jabir (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) proibiu urinar em água corrente. Ele também disse que o Profeta proibiu urinar em água parada — (Muslim, Nasa’i).
A etiqueta e as regras do istinja
1. Depois de urinar ou defecar, é sunna limpar bem o ânus com torrões de terra, conforme necessário, e depois purificar-se com água. Mesmo que não se encontrem torrões de terra, também é possível limpar-se somente com água. Para fazer istinja somente com água, deve-se esperar, após urinar, tempo suficiente para que não saiam depois gotas de urina. Em seguida, deve-se fazer istinja com água.
2. Depois de urinar, deve-se fazer istinja com torrões de terra durante tempo suficiente para que o torrão fique completamente seco — caminhando de um lado para outro ou por qualquer outro meio.
3. Ao fazer istinja com torrões de terra, deve-se levar em consideração a civilidade, a cortesia, o bom gosto, a dignidade religiosa e o recato. Fazer isso sem constrangimento em lugares onde mulheres, crianças e homens costumam circular — andar de um lado para outro com a mão dentro das calças ou do tahband, conversar e pressionar uma coxa contra a outra em posturas estranhas — é sinal de extrema falta de pudor e incivilidade. Isso provoca uma reação contrária à civilização islâmica e ao bom gosto. Esse ato deve ser realizado dentro da latrina ou longe dos olhares das pessoas.
4. Pode-se fazer istinja com água, torrões de terra, pedras, um pano velho comum e outros materiais absorventes que sejam puros e capazes de remover a najasat. Deve-se, contudo, ter o cuidado de que o material usado para o istinja não seja algo valioso ou digno de respeito.
5. É proibido fazer istinja com esterco, fezes ou um torrão que já tenha sido usado uma vez para fazer istinja, bem como com substâncias que não removam a najasat, como vinagre, xarope e semelhantes.
6. É proibido fazer istinja com ossos, carvão, vidro ou qualquer objeto duro que possa causar dor ao ser usado para fazer istinja.
7. É proibido fazer istinja com ferro, cobre, latão, ouro, prata ou outros objetos metálicos.
8. É proibido fazer istinja com objetos que servem de alimento aos animais, como capim, folhas, palha etc.; com objetos valiosos, como roupas, ou partes do corpo humano, como cabelos, carne etc.; com pedaços dos tapetes da mesquita, vassouras e semelhantes; com papel de escrita no qual se possa escrever; com água de Zamzam; com cascas de frutas. Em suma, é proibido fazer istinja com tudo aquilo de que seres humanos e animais se beneficiam e que é necessário respeitar.
9. Se as fezes não se espalharem para fora do ânus, fazer istinja é sunnah mu’akkadah; se se espalharem, torna-se obrigatório.
10. Se sair pelo orifício urinário ou anal alguma outra substância, como sangue, pus etc., deve-se fazer istinja.
11. O istinja deve ser feito com a mão esquerda. Depois do istinja, deve-se lavar muito bem as mãos com terra ou sabão.
Hazrat Abu Huraira (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: quando o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) ia ao banheiro, eu lhe levava água em um recipiente de bronze. Depois de fazer istinja, ele esfregava a mão na terra para limpá-la. — (Abu Dawud, Nasai)
Descrição da ablução
As virtudes e bênçãos da ablução
O que poderia demonstrar mais a grandeza e a importância da ablução do que o fato de que o próprio Alcorão não apenas ordenou sua prática, mas também descreveu detalhadamente quais partes do corpo devem ser lavadas durante a ablução? Também foi declarado claramente que a ablução é uma condição indispensável da oração.
(Árabe*****************111)
Ó vós que credes! Quando vos levantardes para a oração, antes disso, lavai o rosto, lavai as mãos até aos cotovelos, passai as mãos molhadas sobre a cabeça e, depois, lavai os pés até aos tornozelos (Al-Mā’idah: 6).
Ao explicar as virtudes e as bênçãos da ablução, o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse:
No Dia da Ressurreição, reconhecerei os membros da minha comunidade. Um Companheiro perguntou: “Como, ó Mensageiro de Allah?” O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) respondeu: “Poderei reconhecê-los porque, graças à ablução, os rostos, as mãos e os pés dos membros da minha comunidade brilharão.”
Em outra ocasião, o Nobre Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), ao explicar a importância da ablução, disse: “Quem fizer corretamente a ablução de acordo com o método que ensinei e, depois da ablução, recitar esta fórmula da Shahada—
(Árabe**********111)
Para ele, serão abertas as oito portas do Paraíso; então, ele entrará no Paraíso pela porta que desejar (Muslim).
Além disso, ele também disse:
Por causa da ablução, os pecados menores são perdoados, o praticante da ablução será honrado com uma elevada posição na vida futura, e, por meio da ablução, todos os pecados do corpo são removidos (Bukhari, Muslim).
Em outra ocasião, o Profeta (que a paz esteja com ele) chamou a ablução de sinal da fé e disse: “Permanecei firmes corretamente no caminho da verdade, mas jamais conseguireis cumprir plenamente o direito de permanecer firmes no caminho verdadeiro. (Por isso, permanecei conscientes de vossas falhas e limitações.) E compreendei bem que, entre todas as vossas ações, a oração é a mais excelente, e que somente um crente consegue preservar plenamente a ablução” (Muwatta do Imam Malik, Ibn Majah).
O método prescrito da ablução
Primeiro, aquele que fará a ablução deve formular mentalmente esta intenção: “Estou fazendo a ablução somente para agradar a Allah e para receber d’Ele a recompensa pela prática.” Em seguida, (Árabe*****começará a ablução dizendo e recitará a seguinte súplica (Abu Dawud, Tirmidhi, Nasa’i).
(Árabe***********112)
Ó Allah! Perdoa os meus pecados, amplia para mim a minha morada e concede bênção ao meu sustento. — (Nasa’i).
Hazrat Abu Musa al-Ash‘ari relata: trouxe água para a ablução do Profeta (que a paz esteja com ele). Ele começou a fazer a ablução. Ouvi que, durante a ablução, ele recitava esta súplica. Perguntei: “Ó Mensageiro de Allah! O senhor estava recitando esta súplica?” Ele respondeu: “Que coisa da religião e deste mundo deixei de pedir a Ele?”
Para a ablução, primeiro deve-se pegar água com a mão direita e esfregar e lavar muito bem ambas as mãos até os pulsos, três vezes. Depois, deve-se pegar água com a mão direita e fazer bochechos três vezes. Também se deve usar o miswak. [O Profeta (que a paz esteja com ele) atribuía uma importância extraordinária ao miswak. Hazrat Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela) relata que, sempre que o Profeta (que a paz esteja com ele) se levantava, de dia ou de noite, tinha o hábito de usar obrigatoriamente o miswak antes da ablução (Abu Dawud, Abu Dawud). Hudhayfa (que Allah esteja satisfeito com ele) relata que, quando o Profeta (que a paz esteja com ele) se levantava à noite para a oração de Tahajjud, tinha o hábito de limpar muito bem a boca e os dentes com o miswak; depois fazia a ablução e se ocupava com a oração de Tahajjud.]
O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) incentivava a comunidade a usar o miswak, dizendo: “O miswak limpa e purifica bem a boca e agrada imensamente a Allah” (Bukhari, Nasa’i).
O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) também disse: “Se eu não temesse causar dificuldades à minha comunidade, ordenaria o uso do miswak em cada ablução” (Bukhari, Muslim) ]
Quando não houver miswak, deve-se esfregar bem os dentes com o dedo indicador e limpá-los. Se não estiver jejuando, deve-se gargarejar e enxaguar a boca três vezes, fazendo a água chegar até a garganta. Depois, deve-se colocar água no nariz três vezes, de modo que ela alcance o interior das narinas. Durante o jejum, porém, deve-se agir com cautela. Em seguida, deve-se limpar o nariz com os dedos da mão esquerda. Deve-se usar água nova no nariz a cada vez. Depois, deve-se encher as palmas das duas mãos com água e lavar três vezes todo o rosto, de modo que nem mesmo o espaço de um fio permaneça seco. Se a barba for espessa, deve-se passar os dedos entre seus pelos para que a água alcance as raízes. Ao lavar o rosto, deve-se recitar esta súplica:
(Árabe***********113)
Ó Allah! Torna meu rosto luminoso no dia em que os rostos de algumas pessoas estarão luminosos e os de outras estarão sombrios.
Depois, deve-se esfregar e lavar bem os braços até os cotovelos. Primeiro, deve-se lavar o braço direito e depois o esquerdo, três vezes cada um. Se houver um anel na mão, ou se as mulheres usarem pulseiras e joias nas mãos, deve-se movimentá-los para que a água alcance bem todos os lugares. Deve-se passar os dedos entre os dedos das mãos. Depois, deve-se molhar as duas mãos e fazer o masah da cabeça e das orelhas.
Método de fazer o masah
O método de fazer o masah é o seguinte: mantendo separados os polegares e os dedos indicadores, deve-se juntar os três dedos restantes de cada mão e, com a parte interna desses dedos, fazer o masah de um quarto da cabeça, desde a raiz dos cabelos na testa em direção à parte posterior. Depois, deve-se fazer o masah dos três quartos restantes da cabeça, puxando as mãos da parte posterior das palmas para a frente. Em seguida, deve-se fazer o masah da parte interna das orelhas com os dedos indicadores e da parte externa com os polegares. Depois, deve-se fazer o masah do pescoço com o dorso dos dedos das duas mãos. Não se deve fazer o masah da garganta. A característica desse método é que, ao fazer o masah de cada parte, nenhuma parte da mão já utilizada uma vez precisa ser usada novamente.
Depois de passar as mãos molhadas, deve-se lavar ambos os pés até os tornozelos, três vezes, de modo que se despeje água com a mão direita e se esfregue com a mão esquerda. Deve-se passar o dedo mínimo da mão esquerda entre os dedos dos pés. No pé direito, deve-se começar a passar o dedo entre os dedos pelo dedo mínimo e terminar no dedão. No pé esquerdo, deve-se começar pelo dedão e terminar no dedo mínimo. As etapas da ablução devem ser realizadas consecutivamente. Ou seja, deve-se lavar uma parte imediatamente após a outra, sem fazer pausas prolongadas entre elas.
Depois de concluir a ablução, deve-se voltar o rosto para o céu e recitar esta súplica três vezes.
(Árabe************************১১৪*********)
Testemunho que não há divindade além de Allah; Ele é Único e não tem associado algum. E testemunho que Muhammad é Seu servo e Mensageiro. Ó Allah, inclui-me entre aqueles que se arrependem frequentemente e inclui-me entre aqueles que se mantêm frequentemente puros.
As regras da ablução
As situações em que a ablução é obrigatória
1. A ablução é obrigatória para cada oração, seja ela obrigatória ou necessária, sunnah ou voluntária.
2. A ablução é obrigatória para a oração fúnebre.
3. O wudu é obrigatório para a sajdah de recitação.
Situações em que o wudu é wajib
1. Para realizar o tawaf da Baytullah.
2. Para tocar o Alcorão Sagrado.
Situações em que o wudu é sunnah
1. É sunnah fazer wudu antes de dormir.
2. É sunnah fazer wudu antes do banho ritual.
Situações em que o wudu é mustahab
1. Para o adhan e o takbir, o wudu é mustahab.
2. Durante a leitura do khutba — seja o khutba de sexta-feira ou o khutba do nikah.
3. Durante o ensino religioso.
4. Durante o dhikr de Allah.
5. Depois de acordar.
6. Depois de dar banho ao mayyit.
7. Durante a visita ao Rawza Mubarak do Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele).
8. Durante a permanência na planície de Arafat.
9. Ao realizar o sa‘i entre Safa e Marwa.
10. Antes de comer enquanto estiver em estado de janabah.
11. Durante a menstruação e o puerpério, no horário de cada oração.
12. É mustahabb manter o wudu o tempo todo.
Os fard do wudu
O wudu possui quatro fard e, na realidade, o nome wudu aplica-se a esses quatro. Se algum deles for deixado de realizar, ou se qualquer parte, ainda que do tamanho de um fio de cabelo, permanecer seca, o wudu não será válido.
1. Lavar uma vez todo o rosto. Isto é, é fard lavar todo o rosto desde a linha do cabelo acima da testa até abaixo do queixo, e desde a raiz de uma orelha até a raiz da outra.
2. Lavar ambas as mãos pelo menos uma vez, até os cotovelos.
3. Passar uma vez a mão sobre um quarto da cabeça.
4. Lavar uma vez os dois pés até os tornozelos.
As sunnahs da ablução
Há algumas sunnahs da ablução. É necessário observá-las ao realizar a ablução. Embora a ablução seja válida mesmo quando se deixa alguma delas ou se faz algo contrário a elas, fazê-lo deliberadamente e repetidamente é um erro grave. Teme-se que tal pessoa possa tornar-se pecadora.
Quinze sunnahs da ablução
1. Ter a intenção de buscar a satisfação de Allah e a recompensa da Outra Vida.
2. Iniciar a ablução dizendo: Bismillahir-Rahmanir-Rahim.
3. Lavar as duas mãos até os pulsos antes de lavar o rosto.
4. Enxaguar a boca três vezes.
5. Usar o miswak.
6. Introduzir água no nariz três vezes.
7. Fazer khilal da barba três vezes. [Durante o ihram, não se deve fazer khilal da barba, pois algum pelo pode ser arrancado acidentalmente. É proibido ao muhrim arrancar pelos.]
8. Fazer khilal entre os dedos das mãos e dos pés.
9. Fazer masah de toda a cabeça.
10. Fazer masah das duas orelhas. [Não é necessário usar água nova para fazer masah das orelhas. Contudo, se as mãos secarem por tocar em gorro, turbante, lenço etc., deve-se molhá-las novamente.]
11. Fazer as ações em ordem.
12. Lavar primeiro os membros do lado direito e depois os do lado esquerdo.
13. Lavar o segundo membro imediatamente após lavar um membro. Não demorar tanto entre a lavagem de um e de outro a ponto de o primeiro secar.
14. Lavar cada membro três vezes.
15. Recitar a súplica masnun ao concluir a ablução (a súplica foi mencionada anteriormente).
Atos mustahab da ablução
Isto é, alguns pormenores cuja observância é mustahab na ablução.
1. Fazer a ablução sentado em um lugar elevado, de modo que a água escorra para outro lado e os respingos não atinjam o corpo.
2. Fazer a ablução voltado para a qibla.
3. Não buscar a ajuda de outra pessoa durante o wudu; isto é, buscar a água e lavar os próprios membros por si mesmo. [Se alguém se adiantar espontaneamente e encher o recipiente com água, não há problema nisso. Não é correto ficar esperando a ajuda de alguém. Não há absolutamente nenhuma reprovação em outra pessoa lavar os membros de um doente ou de alguém incapaz.]
4. Pegar água com a mão direita para enxaguar a boca e introduzir água no nariz.
5. Limpar o nariz com a mão esquerda.
6. Ao lavar os pés, derramar água com a mão direita e esfregá-los com a mão esquerda.
7. Recitar a súplica prescrita ao lavar os membros.
8. Lavar os membros esfregando-os cuidadosamente, para que nenhum local permaneça seco nem fique sujeira.
Atos desaconselháveis do wudu
1. Abandonar as regras de etiqueta e as práticas recomendáveis do wudu, ou fazer o oposto delas.
2. Gastar mais água do que o necessário.
3. Usar tão pouca água que alguma parte dos membros fique seca ao lavá-los.
4. Falar coisas fúteis durante a ablução.
5. Lavar os membros jogando água com força.
6. Lavar mais de três vezes.
7. Passar a mão molhada três vezes usando água nova.
8. Borrifar a água das mãos depois da ablução.
9. Sem motivo, lavar durante a ablução aqueles membros cuja lavagem não é obrigatória.
Masah sobre bandagens, feridas e semelhantes
1. Há uma bandagem de madeira ou um gesso sobre um osso fraturado, e é obrigatório lavar esse local para a ablução. Nesse caso, basta fazer masah sobre ele.
2. Há uma bandagem ou um gesso sobre o local da ferida, e existe o risco de dano se entrar em contato com água. Nessa situação, basta fazer masah; e, se houver risco de dano até mesmo com isso, isso também será perdoado.
3. Se a ferida estiver em uma condição tal que, ao fazer a bandagem, uma parte saudável do corpo também tenha sido incluída nela, e houver risco de dano ao retirar a bandagem ou ao retirá-la para lavar a parte saudável, então basta fazer masah.
4. Não há risco de dano ao retirar a bandagem e lavar aquela parte do corpo, mas, depois de retirá-la, não há ninguém para colocá-la novamente. Em tal situação, é permitido fazer masah.
5. Se outra bandagem for colocada sobre a bandagem, também se pode fazer masah sobre ela.
6. Houve uma lesão ou ferida em alguma parte do corpo, e existe a possibilidade de dano se entrar em contato com água. Nesse caso, fazer masah será suficiente.
7. Se o rosto ou as mãos e os pés estiverem cortados, ou se houver dor em alguma parte do corpo e existir o risco de dano ao entrar em contato com água, então basta fazer masah. Porém, se até mesmo fazer masah causar dano, não há problema em não fazê-lo.
8. Se, devido a rachaduras nas mãos ou nos pés, foi aplicada cera, vaselina ou algum outro medicamento, basta despejar água por cima. Não é necessário remover a vaselina ou substâncias semelhantes. Se despejar água também for prejudicial, basta fazer mas’h.
9. Foi aplicado medicamento sobre uma ferida ou lesão, ou foi derramada água sobre a atadura, ou foi feito mas’h. Depois, se a atadura se soltar ou a ferida sarar, será obrigatório lavar; o mas’h já não será suficiente.
Coisas sobre as quais não é permitido fazer mas’h
1. Sobre luvas.
2. Sobre um gorro.
3. Sobre o turbante ou o cachecol.
4. Sobre o dupatta ou a burca.
Coisas que invalidam a ablução
As causas que invalidam a ablução são de dois tipos:
Primeiro: aquilo que sai do interior do corpo.
Segundo: aquilo que vem de fora e recai sobre a pessoa.
Primeiro tipo
1. A saída de urina e fezes.
2. A emissão de gases pelo orifício das fezes.
3. A saída de qualquer outra coisa pelos orifícios da urina e das fezes, como vermes, pedras, sangue, madhy e semelhantes.
4. A saída de sangue de qualquer parte do corpo, escorrendo.
5. Se, além de saliva ou tosse, sair sangue, pus, alimento ou qualquer outra coisa junto com o vômito, ou se o vômito encher a boca, o wudu será invalidado.
6. Mesmo que o vômito não encha a boca, se ocorrer repetidamente e sua quantidade for equivalente à que encheria a boca, o wudu será invalidado.
7. Se sair sangue junto com a saliva e a quantidade de sangue for maior, o wudu será invalidado.
8. Se houver emissão de sêmen sem desejo sexual — por exemplo, ao levantar um peso grande, ao descer de um lugar alto ou se o sêmen sair devido a uma tristeza intensa — o wudu será invalidado.
9. Se, devido a algum problema nos olhos, sair secreção ou água e ela escorrer, o wudu será invalidado. Porém, isso é perdoado para quem tem os olhos constantemente lacrimejantes.
10. Se, devido a uma dor no seio de uma mulher, sair algum líquido que não seja leite, o wudu será invalidado.
11. Se sair sangue de istihada.
12. Se sair madhy.
13. Todo motivo que torna obrigatório o ghusl também invalida necessariamente o wudu, como a menstruação, o sangramento pós-parto, a ejaculação, entre outros.
Segundo tipo
1. Ao dormir de costas, de lado ou apoiado em algo.
2. Em qualquer estado em que não haja consciência nem percepção.
3. Ao perder a consciência por causa de uma doença ou de uma aflição.
4. Ao ficar intoxicado por consumir ou cheirar algum entorpecente.
5. Ao rir alto em qualquer oração que não seja a oração fúnebre.
6. Quando os órgãos genitais de duas pessoas entrarem em contato e não houver qualquer roupa ou barreira entre eles, o wudu será invalidado mesmo sem ejaculação.
৭. Se o doente adormecer enquanto reza deitado.
৮. Se, fora da oração, alguém adormecer sentado de joelhos ou de outra maneira, mantendo ambos os lados do corpo separados do chão, a ablução será invalidada.
Motivos que não invalidam a ablução
১. Se adormecer durante a oração, mesmo em prostração.
২. Se cochilar sentado.
৩. Se um menor rir alto.
৪. Se rir alto durante a oração fúnebre.
৫. Se rir durante a oração emitindo apenas um som inaudível, ou se sorrir levemente.
6. Se sair leite do seio de uma mulher.
7. Se as partes íntimas ficarem descobertas, se alguém tocar nelas ou se outra pessoa as vir.
8. Se sair sangue de uma ferida, mas ele não escorrer, permanecendo dentro da própria ferida.
9. Se, depois de fazer a ablução, raspar ou aparar a cabeça ou a barba.
10. Se tossir ou sair saliva.
11. Se um homem e uma mulher beijarem um ao outro.
12. Se algum inseto sair pela boca, pelo ouvido ou pelo nariz.
13. Se algum inseto sair do corpo.
14. Ao arrotar, mesmo que o arroto tenha mau cheiro.
15. Ao mentir, cometer calúnia ou praticar qualquer pecado (Deus nos livre).
Disposições relativas ao hadath menor
1. A oração é haram durante o estado de hadath menor, seja qual for a oração.
2. É haram prostrar-se, seja uma prostração de recitação, de agradecimento ou simplesmente uma prostração feita por alguém.
3. Tocar o Alcorão Sagrado é makruh tahrimi, mesmo que seja o tecido ou a fita que envolva o Alcorão Sagrado.
4. O tawaf da Caaba é makruh tahrimi.
5. Se algum versículo estiver escrito em um pedaço de papel, tecido, plástico, rexine ou material semelhante, tocar nele também é makruh tahrimi.
6. Se o Alcorão Sagrado estiver envolto em um juzdan, lenço ou outro tecido separado, não será censurável tocá-lo.
7. Para crianças que ainda não atingiram a puberdade, copistas, impressores e encadernadores, não é censurável tocar o Alcorão estando em estado de hadas menor. Isso porque é difícil para eles permanecerem sempre livres do hadas menor.
8. É permitido ler e ensinar o Alcorão Sagrado estando em estado de hadas menor, quer olhando para o texto ou não, e quer de memória, em qualquer situação.
9. É censurável tocar sem ablução um livro de tafsir que contenha o texto original do Alcorão.
10. É permitido escrever o Alcorão Sagrado estando em estado de hadas menor (sem ablução), desde que não se toque naquilo sobre o qual se está escrevendo.
11. Quando a tradução do Alcorão Sagrado estiver em outro idioma, é melhor tocá-la estando com ablução.
Regras da ablução para o doente
Quanto à ablução, será considerado uma exceção aquele que sofre de uma doença que faz com que algo que invalida a ablução saia continuamente de seu corpo, e que não dispõe de tempo suficiente para realizar a oração em estado de pureza. Por exemplo:
1. Alguém sofre de uma doença ocular, fazendo com que remela ou água escorra continuamente de seus olhos.
2. Alguém sofre de uma doença urinária e sua urina sai continuamente gota a gota.
3. Alguém sofre de uma doença que causa a emissão de gases, e os gases são continuamente emitidos.
4. Alguém sofre de uma doença intestinal e evacua continuamente.
5. Um doente de quem continuamente sai sangue ou pus.
6. Alguém sofre de sangramento nasal e continuamente lhe sai sangue pelo nariz.
7. De alguém saem continuamente mani ou mazi pelo orifício urinário.
8. Uma mulher apresenta continuamente sangue de istihada.
Em todas essas situações, a regra é que a pessoa nessa condição faça uma nova ablução para cada oração, e sua ablução permanecerá válida até que ocorra outra causa que a anule. Por exemplo, alguém sofre de sangramento nasal e fez a ablução para a oração do Zuhr. Agora, sua ablução permanecerá válida até o Asr. Porém, se, além do sangue nasal, ele urinar ou liberar gases, a ablução será anulada.
Questões relativas ao doente
1. Depois de fazer uma nova ablução, a pessoa doente incapacitada pode realizar, com essa ablução, todas as orações obrigatórias, sunnah e nafl enquanto durar o horário da oração.
2. Alguém fez a ablução para a oração do Fajr. Depois, sua ablução foi anulada após o nascer do sol. Agora, para realizar qualquer oração, terá de fazer uma nova ablução.
3. Se ele fizer a ablução após o nascer do sol, poderá realizar a oração do Zuhr com essa ablução. Não será necessário fazer uma segunda ablução para o Zuhr; porém, essa ablução será anulada assim que começar o horário do Asr.
4. Se, durante todo o horário de uma oração, a enfermidade de uma pessoa nessa condição desaparecer completamente, sua situação de enfermo ficará encerrada. Por exemplo, alguém urinava continuamente gota a gota. Agora, desde o Zuhr até o Asr, não saiu sequer uma gota. Nesse caso, sua condição de enfermo terminou. Depois disso, deverá fazer a ablução cada vez que sair uma gota de urina.
Masah sobre os muzas
Com o objetivo de proporcionar a devida facilidade, a Shariah permitiu fazer masah sobre os muzas. Em determinadas condições climáticas rigorosas, especialmente nos países onde faz um frio terrível, o coração e a alma se enchem espontaneamente de sentimentos transbordantes de gratidão por essa concessão concedida pela Shariah, e surge a percepção da infinita misericórdia e graça de Allah. Então cresce a certeza de que a religião não negligenciou nenhuma de nossas necessidades ou dificuldades.
Sobre quais meias é permitido fazer masah
Quase todos concordam que é permitido fazer masah sobre meias de couro. Contudo, há alguma divergência quanto à permissibilidade de fazer masah sobre meias de lã, algodão, seda e náilon. A maioria dos juristas estabeleceu algumas condições para que seja permitido fazer masah sobre meias de lã, algodão e similares. Alguns sábios, porém, afirmam que é permitido fazer masah sobre todos os tipos de meias sem qualquer condição. Geralmente, os livros de jurisprudência islâmica só permitem fazer masah sobre aquelas meias que atendam às quatro condições seguintes.
1. Devem ser tão espessas que permaneçam ajustadas ao pé mesmo sem serem presas por nada.
2. Devem ser tão resistentes que seja possível caminhar três milhas usando-as.
3. Devem ser suficientemente espessas para que a pele do pé não possa ser vista através delas.
4. Devem ser impermeáveis, de modo que, quando se derrame água sobre elas, não a absorvam nem permitam que ela chegue ao interior.
Não será permitido fazer masah sobre as meias que não atenderem a essas quatro condições. Alguns sábios perspicazes não reconhecem essas condições. Eles afirmam que tudo o que está comprovado na Sunnah é apenas que o Profeta (que a paz esteja sobre ele) fez masah sobre meias e calçados.
Portanto, é permitido fazer masah sobre todos os tipos de meias sem qualquer condição. Um famoso e amplamente reconhecido sábio religioso, pensador e perspicaz da época atual, o Maulana Sayyid Abul A‘la Maududi, lançou uma luz especial sobre o assunto por meio da detalhada explicação que deu em resposta à pergunta de um estudante residente na Escócia. A seguir, são apresentadas a pergunta e sua resposta:
Pergunta: Há divergência entre os eruditos quanto a fazer masḥ sobre as meias. Moro no norte da Escócia para estudar. Aqui faz um frio terrível no inverno. É indispensável usar meias de lã o tempo todo. É permitido fazer masḥ sobre esse tipo de meia? Queira informar-me detalhadamente à luz da investigação e do estudo das fontes da Sharia.
Resposta: Há consenso entre quase todos os Ahl al-Sunna quanto a fazer masḥ sobre as meias de couro. Porém, no caso das meias de lã e de algodão, nossos juristas geralmente estabeleceram a condição de que elas sejam grossas, não tão finas que a pele dos pés possa ser vista por baixo. Além disso, devem permanecer sobre os pés sem qualquer tipo de amarração. Tentei, dentro das minhas possibilidades, investigar qual é a origem dessas condições, mas não encontrei nada semelhante na Sunna. O que está comprovado pela Sunna é que o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) fez masḥ sobre os sapatos e as meias. Nos livros de hadith, com exceção do de al-Nasa’i, e no Musnad de Ahmad, há uma narração de al-Mughira ibn Shu’ba segundo a qual o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) realizou a ablução(Árabe**********)e fez masḥ sobre suas meias e seus sapatos. Segundo uma narração de Abu Dawud, Ali (que Allah esteja satisfeito com ele), Abdullah ibn Mas’ud (que Allah esteja satisfeito com ele), al-Bara ibn Azib (que Allah esteja satisfeito com ele), Anas ibn Malik (que Allah esteja satisfeito com ele), Abu Usama (que Allah esteja satisfeito com ele), Sahl ibn Sa’d (que Allah esteja satisfeito com ele) e Amr ibn al-Harith fizeram masḥ sobre as meias. Além disso, foi narrado que Umar (que Allah esteja satisfeito com ele) e Ibn Abbas (que Allah esteja satisfeito com ele) também praticaram isso. Mais ainda, al-Bayhaqi narrou de Ibn Abbas (que Allah esteja satisfeito com ele) e de Anas ibn Malik (que Allah esteja satisfeito com ele), e al-Tahawi narrou de Aws ibn Abi Aws (que Allah esteja satisfeito com ele), que o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) fez masḥ somente sobre os sapatos. Nessa narração, não há menção às meias. Também foi narrado que Ali (que Allah esteja satisfeito com ele) fazia o mesmo. Dessas diversas narrações, entende-se que é permitido fazer masḥ somente sobre as meias, somente sobre os sapatos e também sobre os sapatos enquanto se usam meias, da mesma forma que é permitido fazê-lo sobre meias de couro. Em nenhuma dessas narrações se encontra que o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) tenha mencionado qualquer uma das condições estabelecidas pelos juristas. Tampouco se encontra em qualquer lugar uma narração que indique de que tipo eram as meias sobre as quais o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) e os Companheiros acima mencionados fizeram masḥ. Por isso, sou obrigado a dizer que as condições impostas pelos juristas não têm fundamento algum que justifique sua imposição. E, como os juristas não são legisladores da Sharia, se alguém não seguir as condições impostas por eles, não será pecador.
A opinião do Imã al-Shafi’i (que Allah tenha misericórdia dele) e do Imã Ahmad (que Allah tenha misericórdia dele) é que só se pode fazer masḥ sobre as meias quando a pessoa tiver calçado os sapatos por cima delas. Porém, nenhum dos Companheiros (que Allah esteja satisfeito com eles) cuja prática foi mencionada acima seguiu essa condição.
Refletindo sobre a questão de fazer masḥ sobre as meias, compreendi que isso é, na realidade, uma concessão, semelhante ao tayammum, concedida aos crentes quando são obrigados, de qualquer maneira, a manter os pés cobertos e lavar os pés repetidamente lhes causa dano ou dificuldade. Essa concessão não se baseia na ideia de que, ao calçar as meias depois de alcançar a pureza ritual, os pés ficarão protegidos da impureza e não será mais necessário lavá-los. Pelo contrário, baseia-se na misericórdia de Allah, que requer que se conceda facilidade ao servo. Portanto, pode-se fazer masḥ sobre tudo o que uma pessoa usar para proteger os pés do frio e da poeira da estrada ou para proteger uma ferida no pé, quando for difícil retirar e recolocar repetidamente tal cobertura. Pode ser uma meia de lã ou de algodão, um sapato de couro, um calçado de crepe ou qualquer tecido enrolado e amarrado ao redor do pé.
Quando vejo alguém levando a mão aos pés para fazer masḥ depois da ablução, parece-me que esse servo está dizendo a Allah: “Se fosse uma ordem, eu tiraria imediatamente estas meias e lavaria os pés. Mas, como o Dono de toda autoridade e soberania concedeu essa permissão, contento-me em fazer masḥ.” Para mim, esse é, na realidade, o verdadeiro significado de fazer masḥ sobre as meias. E, sob esse aspecto, são equivalentes todas as coisas que as pessoas usam por necessidade e sobre as quais foi concedida permissão para fazer masḥ como forma de facilidade. (Rasā’il wa Masā’il, volume II, p. 258).
O resumo desta investigação é que se pode fazer masḥ com plena convicção sobre todos os tipos de meias, sejam elas de lã, algodão, seda, couro, oleado ou rexina. Mesmo que um tecido seja enrolado e amarrado ao redor do pé, também é permitido fazer masḥ sobre ele.
Além do erudito Mawlana Mawdudi, o erudito Ibn Taymiyya também emitiu um parecer semelhante no segundo volume de sua coletânea de fatwas.
A opinião de Hafiz Ibn al-Qayyim e do erudito Ibn Hazm também é que se pode fazer masḥ sobre todos os tipos de meias sem qualquer condição. (Para informações detalhadas, consulte “Tarjuman al-Qur’an”, fevereiro de 1968, o artigo principal de Rasā’il wa Masā’il, p. 53.)
Método de fazer masah sobre as meias
- Molhe ambas as mãos com água nova; separe ligeiramente os dedos da mão direita e, com os dedos da mão direita, faça masah sobre o pé direito, e com os dedos da mão esquerda, sobre o pé esquerdo.
- Passe os dedos desde os dedos dos pés em direção aos tornozelos, para cima.
- Puxe os dedos exercendo um pouco de pressão, de modo que se sinta sobre a meia o toque da mão molhada.
- O masah deve ser feito sobre a parte superior do pé, não na parte inferior.
- O masah deve ser feito apenas uma vez sobre cada um dos dois pés.
Duração do masah
Para o viajante, a duração do masah é de três dias e três noites. Para o residente, é de um dia e uma noite. Esse período será contado a partir do momento em que a ablução for invalidada, e não a partir do momento em que as meias forem calçadas. Por exemplo, se alguém fizer a ablução no horário do zuhr e calçar as meias, e depois sua ablução for invalidada ao pôr do sol, então, para o residente, o masah será válido até o pôr do sol do dia seguinte. Ou seja, sempre que a ablução for invalidada, ele fará masah junto com a renovação da ablução. Se for viajante, seu masah será válido até o pôr do sol do terceiro dia. Em outras palavras, a duração do masah terminará depois de completados três dias e três noites a partir do momento em que a ablução foi invalidada. Por exemplo, se a ablução for invalidada ao pôr do sol de sexta-feira, a duração do masah permanecerá até o pôr do sol de segunda-feira; se ele fizer a ablução para a oração do maghrib depois do pôr do sol de segunda-feira, deverá lavar os pés.
Casos que invalidam o masḥ
1. O masḥ é invalidado por todas as coisas que invalidam a ablução. Ou seja, depois de fazer a ablução, será necessário realizar novamente o masḥ.
2. Se a muza for retirada por algum motivo, se sair sozinha, ou se a maior parte do pé ficar descoberta ou exposta.
3. Se o pé ficar molhado com água enquanto se usa a muza, quer todo o pé fique molhado, quer a maior parte dele.
4. Quando terminar o período permitido para o masḥ; isto é, quando tiver passado um dia e uma noite para o residente, e três dias e três noites para o viajante.
Nas três situações mencionadas por último, não é necessário refazer a ablução; basta lavar os pés.
Algumas questões relativas ao masḥ
1. Se, por não fazer o masḥ, for inevitável deixar de cumprir uma obrigação, então o masḥ se tornará obrigatório. Por exemplo, se alguém temer que, ao perder tempo lavando os pés, não consiga permanecer em Arafat, que a oração congregacional termine ou que o horário da oração se encerre, nessas situações o masḥ será obrigatório.
2. Se alguém tiver água suficiente para lavar todas as partes do corpo, exceto os pés, então o masah será obrigatório.
3. Se o khuff for tão curto que o tornozelo fique descoberto, mas puder ser alongado com couro, tecido ou algo semelhante, será permitido fazer masah sobre ele.
4. É permitido fazer masah sobre um calçado que cubra todo o pé, incluindo os tornozelos, sem deixar visível nenhuma parte da pele do pé, seja ele de couro, borracha, plástico ou náilon.
5. Se alguém usar um khuff sobre outro khuff, será suficiente fazer masah sobre o khuff de cima.
6. Quem faz tayammum não precisa fazer masah. Durante o ghusl, também não é válido fazer masah sobre o khuff; é obrigatório lavar os pés.
Descrição do ghusl
Significado terminológico de ghusl
No dicionário, ghusl significa lavar todo o corpo; na terminologia do fiqh, significa lavar todo o corpo, de acordo com o método específico prescrito pela Sharia, com o objetivo de remover a impureza ou buscando recompensa.
Sete orientações sobre o banho ritual
1. Ao tomar banho no banheiro ou em um lugar aberto, deve-se fazê-lo usando um tahband, um niqab ou outra peça de roupa.
2. Deve-se sempre tomar banho em um lugar protegido, para que não se fique à vista de homens ou mulheres estranhos.
Se não houver um lugar assim, deve-se amarrar uma lungi ou algo semelhante e tomar banho. Se não houver nada para amarrar, deve-se traçar uma linha ao redor com os dedos, dizer Bismillah e tomar banho sentado.
3. As mulheres devem sempre tomar banho sentadas. Se um homem estiver nu, também deve tomar banho sentado. Contudo, não há problema em tomar banho em pé usando uma lungi ou algo semelhante.
4. Durante o banho, não se deve conversar. Se houver uma necessidade especial, isso é outra questão.
5. Ao tomar banho nu, não se deve ficar voltado para a qibla.
6. Deve-se sempre tomar banho em um lugar puro e limpo. Também se deve evitar urinar ou fazer algo semelhante no local do banho.
7. Tudo aquilo que é makruh no wudu também é makruh no ghusl. Deve-se evitar essas coisas. É makruh recitar as súplicas do wudu durante o ghusl.
O método sunnah do ghusl
O método do ghusl conforme a Sunnah é o seguinte: pegar água com a mão direita e lavar ambas as mãos até os punhos. Depois, fazer istinja, esteja ou não presente alguma impureza no local do istinja. Em seguida, se houver alguma impureza aderida a qualquer parte do corpo, deve-se limpá-la. Depois, lavar bem ambas as mãos com sabão e fazer o wudu. Ao fazer a lavagem da boca, deve-se fazer a água chegar bem até a garganta e ao interior do nariz. Se houver água acumulada no local do ghusl, deve-se lavar os pés depois do ghusl. Se o ghusl for obrigatório, durante o wudu não se deve recitar nenhuma súplica além de Bismillah. Depois do wudu, derramar água sobre a cabeça, depois sobre o ombro direito e, em seguida, sobre o ombro esquerdo. Deve-se esfregar bem todo o corpo, seja com sabão ou apenas com as mãos, para que nenhum lugar permaneça seco e para que o corpo fique bem limpo.
Depois, deve-se derramar água cuidadosamente sobre todo o corpo duas vezes dessa maneira, para que não haja receio de que algum lugar permaneça seco. Se os pés não tiverem sido lavados durante o wudu, deve-se lavá-los agora. Depois, deve-se enxugar bem todo o corpo com algum pano, toalha ou toalha de banho.
Os atos obrigatórios do ghusl
O ghusl tem apenas três atos obrigatórios
1. Lavar a boca. Ao lavar a boca, deve-se ter o cuidado de fazer a água chegar a toda a boca, até a garganta.
2. Colocar água no nariz.
3. Deve-se fazer a água chegar a todo o corpo, de modo que não permaneça seco nenhum ponto, sequer da espessura de um fio de cabelo. A água deve chegar às raízes dos cabelos e ao interior das unhas.
Na realidade, é a união dessas três coisas que constitui o ghusl. Se qualquer uma delas for omitida, o ghusl não será válido.
Regras sobre o coque e os adornos
1. Se a água chegar às raízes dos cabelos sem desfazer o coque, as mulheres não precisarão desfazer o coque ou a trança. Porém, se os cabelos forem muito espessos ou se o coque estiver tão apertado que a água não possa chegar sem desfazê-lo, será obrigatório desfazê-lo.
2. Se os cabelos estiverem soltos, será necessário molhá-los todos e fazer a água chegar bem até as raízes, para que nenhum fio permaneça seco.
3. Se um homem deixar o cabelo comprido e fizer um coque como as mulheres, ou simplesmente o prender todo junto, deverá desfazê-lo e fazer a água chegar a cada fio e às suas raízes.
4. Quanto aos adornos apertados, como anéis, gargantilhas e semelhantes, e aos adornos usados através de perfurações, como argolas de nariz, anéis ou brincos nas orelhas e semelhantes, deve-se movê-los para que a água chegue por baixo deles.
As sunnas do ghusl
1. Buscar a purificação com a intenção de obter a satisfação de Allah e a recompensa.
2. Realizar o ghusl de acordo com a ordem da Sunnah e fazer primeiro o wudu.
3. Lavar ambas as mãos até os pulsos.
4. Remover a impureza do corpo e lavá-lo esfregando.
5. Usar o miswak.
6. Derramar água sobre todo o corpo três vezes.
Os atos mustahabb do ghusl
Ou seja, os atos cuja realização é mustahabb no ghusl
1. Tomar o ghusl em um lugar onde não seja visto pelas pessoas. Se tomar o ghusl em pé, deve fazê-lo vestido.
2. Lavar primeiro o lado direito e depois o lado esquerdo.
3. Tomar o ghusl em um lugar puro.
4. Não usar água em excesso, de modo que isso constitua desperdício, nem tão pouca água que o corpo não fique devidamente molhado.
5. Tomar o ghusl sentado.
As regras do ghusl
Tipos de ghusl
O ghusl é realizado por três motivos.
1. Para purificar-se do hadath maior. Este banho é obrigatório.
2. Com a intenção de obter recompensa espiritual. Este banho é sunnat ou mustahabb.
3. Para limpar o corpo da poeira e da sujeira e obter alívio durante o calor. Este banho é mubah.
Situações em que o banho se torna obrigatório
O banho se torna obrigatório em quatro situações.
1. Quando ocorre a ejaculação.
2. Quando a glande do pênis penetra o órgão sexual da esposa.
3. Quando ocorre a menstruação.
4. Quando sair sangue do nifás.
Primeira situação em que o ghusl se torna obrigatório
Quando houver ejaculação de um homem ou de uma mulher acompanhada de desejo sexual, o ghusl torna-se obrigatório. A ejaculação pode ocorrer de várias maneiras, como:
- Quando ocorrer um sonho molhado durante a noite ou o dia — quer se tenha visto algo no sonho, quer não.
- Quando houver ejaculação durante uma relação sexual com um homem, uma mulher ou um animal.
- Por meio de pensamentos ou da leitura de histórias e romances que provocam excitação sexual.
- Quando houver ejaculação por masturbação ou por qualquer outro meio.
Em suma, seja qual for a maneira, se houver ejaculação acompanhada de desejo e excitação sexual, o ghusl será obrigatório. [Deve-se observar que, como aqui estão sendo expostas as regras jurídicas sobre as situações em que o ghusl se torna obrigatório, foram mencionadas as diversas situações de ejaculação. Caso contrário, excetuando-se a relação sexual com a própria esposa e o sonho molhado (ihtilam), ejacular por qualquer outro meio é extrema ignorância e um ato pecaminoso.]
Algumas questões sobre a ejaculação
1. Se uma parte do sêmen sair por qualquer meio e a pessoa realizar o ghusl, e depois sair novamente uma parte do sêmen, o primeiro ghusl será invalidado e será necessário realizar o ghusl uma segunda vez.
2. Uma pessoa teve uma emissão seminal durante o sono e sentiu prazer sexual. Porém, ao acordar, não encontrou nenhum vestígio de sêmen em suas roupas. O ghusl não será obrigatório para ela.
3. Depois de acordar, alguém vê que há sêmen em suas roupas, mas não se lembra de ter tido uma emissão seminal (ihtilam). O ghusl será obrigatório para essa pessoa.
4. Sentiu-se prazer sexual durante o sono, mas a pessoa tem certeza de que a marca ou umidade encontrada em suas roupas não é sêmen, e sim madhi ou wadi. Nesse caso, o ghusl será obrigatório em todas as circunstâncias.
5. Se alguém não for circuncidado e o sêmen sair, mas permanecer entre a pele que será removida, ainda assim o ghusl será obrigatório.
6. Alguém sentiu prazer sexual por qualquer meio, mas, no exato momento da ejaculação, apertou o pênis e impediu que o sêmen saísse. Depois que o prazer extremo terminou, o sêmen saiu. (O ghusl será obrigatório.)
A segunda causa que torna o ghusl obrigatório
Se o órgão sexual masculino penetrar no corpo de qualquer pessoa viva, o ghusl se tornará obrigatório, seja essa pessoa mulher ou homem, mukhannath ou hijra; seja a penetração pela abertura urinária ou pelo ânus, com ou sem ejaculação, o ghusl será obrigatório em todos os casos.
Se tanto aquele que realiza o ato quanto aquele sobre quem o ato é realizado forem adultos e conscientes, o ghusl será obrigatório para ambos. Caso contrário, será obrigatório somente para aquele dos dois que for adulto e consciente. [Aqui, está sendo explicado apenas o preceito relativo à obrigatoriedade do ghusl. Caso contrário, introduzir o próprio órgão sexual no ânus, exceto na abertura vaginal da própria esposa, ou em qualquer abertura do corpo de outra pessoa é um pecado gravíssimo.]
Algumas questões sobre quando o ghusl se torna obrigatório
1. Se um homem introduzir seu órgão sexual no órgão de uma menina muito jovem, e não houver o risco de que, por causa disso, seus órgãos anterior e posterior tenham se rompido e se tornado uma só abertura, o ghusl será obrigatório para o homem.
2. Se uma mulher, tomada pelo desejo sexual, introduzir em si o órgão sexual de um homem impotente, o órgão sexual de algum animal ou algum objeto semelhante, o ghusl será obrigatório, tenha ela ejaculado ou não.
3. Mesmo que o órgão sexual de um homem castrado penetre no corpo de uma mulher ou de um homem, o ghusl será obrigatório. Se ambos forem adultos e conscientes, será obrigatório para ambos; caso contrário, para aquele que for adulto e consciente.
4. Se um homem envolver seu órgão sexual com tecido, borracha ou qualquer outra coisa e o introduzir no corpo de alguém, o ghusl será obrigatório.
A terceira causa da obrigatoriedade do ghusl
A terceira causa ou situação que torna o ghusl obrigatório é o sangue da menstruação. A duração da menstruação é de, no mínimo, três dias e três noites, e de, no máximo, dez dias e dez noites. O período mínimo de pureza entre duas menstruações é de quinze dias. Isto é, se houver sangramento por menos de três dias, o ghusl não será obrigatório. Se o sangramento ocorrer antes de passarem quinze dias após o fim de uma menstruação, também não será considerado menstruação. Portanto, o ghusl não será obrigatório.
A quarta causa que torna o ghusl obrigatório
A quarta causa é o sangue do nifas. O sangue que surge após a saída de metade do bebê estará sujeito às regras do nifas. O sangue que surgir antes disso não será nifas. Por causa dele, o ghusl não será obrigatório. A duração máxima do nifas é de quarenta dias e quarenta noites. O sangue que surgir depois disso não tornará o ghusl obrigatório. Se, depois do nascimento do bebê, uma mulher não tiver sangramento algum, o ghusl não será obrigatório. Contudo, é recomendável realizar o ghusl por precaução.
Situações em que o ghusl não é obrigatório
1. Se sair madhy ou wadi, ou se houver sangramento de istihada, o ghusl não será obrigatório.
2. Se o pênis penetrar menos do que a glande, o ghusl não será obrigatório.
3. Se o sêmen do homem entrar na vagina por qualquer meio que não seja a relação sexual, o ghusl não será obrigatório.
4. Se o pênis penetrar no umbigo de alguém, o ghusl não será obrigatório.
As situações em que o ghusl é sunnat
1. Na sexta-feira, é sunnat fazer o ghusl para a oração de sexta-feira.
2. É sunnat fazer o ghusl para as orações dos dois Eids.
3. É sunnat fazer o ghusl para entrar no ihram do Hajj ou da Umrah.
4. Para os peregrinos, é sunnat fazer o ghusl no dia de Arafat, depois do meio-dia.
As situações em que o ghusl é mustahabb
1. É mustahabb fazer o ghusl ao aceitar o Islã.
2. É mustahabb fazer o ghusl depois de dar banho em um falecido.
3. É recomendável realizar o ghusl após a recuperação de uma perturbação mental e da inconsciência.
4. É recomendável realizar o ghusl na noite do dia 15 de Sha’ban.
5. É recomendável realizar o ghusl antes de entrar em Meca Muazzama e Medina Sharif.
6. É recomendável realizar o ghusl para a oração do eclipse solar e do eclipse lunar.
7. É recomendável realizar o ghusl após o fajr do dia 10, para permanecer em Muzdalifah.
8. É recomendável realizar o ghusl no momento de apedrejar.
9. É recomendável realizar o ghusl para se arrepender de algum pecado.
10. É recomendável realizar o ghusl antes de participar de qualquer reunião ou evento religioso e antes de vestir uma roupa nova.
11. Tomar banho após chegar a casa de uma viagem.
As situações em que o ghusl é permitido
É permitido tomar banho para proteger o corpo da poeira e da sujeira, para refrescá-lo e protegê-lo do calor, e para eliminar o cansaço e a fadiga.
Diversas questões relativas ao ghusl
1. Se alguém, estando em estado de hadath maior, mergulhar num rio, canal ou lagoa, ou permanecer de pé sob a chuva, e a água escorrer por todo o seu corpo, além de gargarejar e introduzir água no nariz, o seu ghusl será válido e ele ficará purificado do hadath maior.
2. Se alguém não fizer wudu antes do ghusl, não será necessário fazer wudu separadamente depois do ghusl. Isso porque, durante o ghusl, foram lavadas precisamente as partes cuja lavagem era obrigatória no wudu. Portanto, o wudu também terá sido realizado juntamente com o ghusl.
3. Se, durante o ghusl, não tiver gargarejado, mas tiver tomado água enchendo bem a boca, de modo que a água tenha alcançado toda a boca, o ghusl será válido. Isso porque o objetivo do gargarejo é fazer a água alcançar todas as partes da boca, e isso já aconteceu.
4. Se tiver sido aplicado muito óleo no cabelo ou no corpo, e depois, ao derramar água sobre o corpo, a água escorregar sem penetrar nos folículos dos pelos, não haverá problema algum. O ghusl será válido.
5. Se a massa de farinha grudou nas unhas, secou e endureceu, ou se foi aplicado algum produto de beleza, a água não chegará até a parte inferior se isso não for removido. Nessa situação, se não for removido, o ghusl não será válido.
6. Se, devido a uma doença, molhar a cabeça for prejudicial, o ghusl será válido ao lavar todo o corpo, exceto a cabeça. Se não houver receio de dano, é necessário lavar a cabeça.
Disposições do hadas maior
1. É haram entrar na mesquita estando em estado de hadas maior. Porém, se for necessário entrar por uma razão inevitável, é permitido fazê-lo após realizar o tayammum. Por exemplo, quando o caminho até a residência de alguém passa pelo interior da mesquita, não há outro caminho para sair e a água também se encontra na mesquita. Não há nenhuma torneira, poço ou lago do lado de fora. Nessa situação, é permitido ir à mesquita fazendo o tayammum. Contudo, deve-se sair imediatamente após concluir o necessário.
2. É haram realizar o tawaf da Baitullah estando em estado de hadas maior.
3. Também é haram recitar o Alcorão Sagrado, ainda que seja apenas um versículo.
4. Também é haram tocar o Alcorão Sagrado. Contudo, será permitido sob as mesmas condições em que é permitido tocá-lo estando em estado de hadas menor.
5. As ações proibidas no estado de hadas menor também são proibidas no estado de hadas maior, como realizar a oração, a prostração da recitação, a prostração de gratidão e outras semelhantes.
6. É permitido ir ao Eidgah em estado de hadas akbar, e também é permitido ir a um local de ensino religioso.
7. É permitido recitar aquelas aias do Alcorão Sagrado que contêm hamd, tasbih e dua, como, por exemplo:
(Árabe****************138*******)
8. É permitido recitar a Surata Al-Fátiha e a dua Qunut com a intenção de fazer uma súplica.
9. É haram jejuar durante a menstruação e o nifas.
10. É haram ter relações sexuais com a esposa durante a menstruação e o nifas. Contudo, é permitido beijá-la, acariciá-la, dormir junto com ela e outras coisas semelhantes, desde que não haja relação sexual; pelo contrário, interromper a convivência com a esposa nessa situação é makruh.
Exposição sobre o tayammum
O meio principal para alcançar a taharat é a água, que Allah Ta’ala, por Sua especial misericórdia, forneceu abundantemente aos Seus servos. No entanto, pode ocorrer uma situação em que não se encontre água em determinado lugar, ou, mesmo que ela seja encontrada, alcançar a taharat por meio dela esteja além da capacidade da pessoa, ou exista grande receio de sofrer dano ao utilizá-la. Nessas situações, a misericórdia adicional de Allah Ta’ala consiste em Ele ter permitido alcançar a taharat utilizando terra. Ele também ensinou seu método, para que o servo não enfrente dificuldade nem constrangimento ao praticar a religião.
Está no Alcorão:
(Árabe*******************************139*************)
“E, se não encontrardes água, então recorrei à terra pura. Batei nela com as mãos e passai-as sobre o rosto e as duas mãos. Allah não deseja colocar-vos em dificuldade. Pelo contrário, deseja purificar-vos e completar Sua graça sobre vós, para que sejais agradecidos.” (Al-Mā’idah: 6)
O significado do tayammum
No dicionário, a palavra tayammum significa ter uma ideia e uma intenção. Na terminologia do fiqh, significa ter a intenção de purificar-se da impureza ritual por meio da terra. O tayammum pode ser feito em substituição tanto da ablução quanto do banho ritual. Isto é, por meio dele é possível purificar-se tanto do hadath menor quanto do hadath maior. Esta permissão do tayammum é uma dádiva especial concedida à comunidade do Santo Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). A comunidade cuja esfera e extensão de atuação abrangem toda a humanidade do mundo e cujo período se estende até o Dia do Juízo tem, com toda justiça, o direito de receber esta concessão, para que, em qualquer época, em qualquer circunstância e em qualquer parte do mundo, não enfrente restrição ou dificuldade alguma ao praticar os preceitos religiosos.
Em quais situações o tayammum é permitido
1. Quando se está em um lugar onde não há esperança de encontrar água. Não há meios de perguntar a ninguém, nem se encontra qualquer sinal de que possa haver água ali. Ou quando a água está a uma milha ou mais de distância e seria extremamente difícil ir até lá ou trazer água de lá. Em tais circunstâncias, o tayammum é permitido.
2. Há água, mas há um inimigo junto dela, ou animais ou feras perigosos; ou há água fora de casa, mas existe o temor de ladrões ou assaltantes; ou há um poço, mas não há nada para retirar a água; ou, para uma mulher, trazer água de fora prejudicaria sua honra e dignidade. Em todas essas situações, o tayammum é permitido.
3. A água está bem perto, mas em quantidade tão pequena que, se for usada para fazer a ablução ou o banho ritual, haverá sofrimento por causa da sede ou não será possível cozinhar a comida; nesse caso, o tayammum será permitido.
4. Há água, mas existe o risco de que seu uso agrave uma doença ou cause efeitos prejudiciais à saúde, não por alguma superstição. Por exemplo, uma pessoa está acostumada a fazer a ablução ou o banho ritual com água quente nos dias frios de inverno; quando precisa fazer a ablução ou o banho ritual, há água, mas ela está fria. Pela experiência, sabe que usar água fria lhe causa doença ou prejudica sua saúde. Em tal situação, o tayammum é permitido. Não é correto permanecer impuro esperando por água quente nem perder a oração; ao contrário, deve fazer o tayammum, purificar-se e cumprir a oração e outras obrigações.
5. É possível encontrar água, mas o vendedor exige um preço exorbitantemente alto; ou o preço da água é justo, mas a pessoa necessitada não tem condições de pagá-lo; ou ela tem dinheiro suficiente para pagar o preço, mas não possui nada além do dinheiro necessário para as despesas da viagem, e há risco de enfrentar dificuldades se comprar a água. Em tal situação, o tayammum é permitido.
6. Há água, mas o frio é tão intenso que usar água fria pode causar a morte, paralisia ou alguma doença, como pneumonia, e não há possibilidade de aquecer a água. Em tal situação, o tayammum é permitido.
7. Existe o risco de que, ao fazer a ablução ou o banho ritual, se perca uma oração que não pode ser compensada posteriormente, como a oração fúnebre, a oração do Eid e as orações do eclipse solar e do eclipse lunar; nesse caso, o tayammum será permitido.
8. Há água dentro da própria casa, mas a pessoa está tão fraca que não consegue levantar-se para buscá-la ou operar o poço tubular. Em tal situação, o tayammum é permitido.
9. Alguém está viajando de trem, navio ou ônibus. O veículo continua em movimento e não há água nele; ou há água, mas a lotação é tão grande que não é possível fazer a ablução; ou, quando o veículo para em algum lugar, não é possível descer. Em tal situação, o tayammum é permitido.
10. Se houver feridas ou varíola na maior parte do corpo, o tayammum será permitido.
11. Durante a viagem, há água consigo, mas pode ser que não se encontre água em nenhum lugar adiante, o que causaria sofrimento devido à sede, ou há até mesmo o risco de perder a vida. Nessa situação, é permitido conservar a água e fazer tayammum.
O método prescrito do tayammum
Dirá «Bismillāhir-Raḥmānir-Raḥīm» e fará a intenção do tayammum. Em seguida, estenderá ligeiramente as palmas das duas mãos e as colocará suavemente sobre a terra pura. Se muita poeira ficar presa às mãos, deverá sacudi-la ou soprá-la para removê-la. Depois, esfregará suavemente as duas mãos sobre todo o rosto, de modo que não fique sequer um espaço da largura de um fio sem ser alcançado. Também deverá passar os dedos entre os pelos da barba. Em seguida, baterá novamente as mãos na terra dessa maneira e, depois de sacudi-las, passará primeiro a parte inferior das pontas dos quatro dedos da mão esquerda sobre os dedos da mão direita, desde a parte superior até o cotovelo. Depois, esfregará a palma da mão esquerda sobre a parte acima do cotovelo e a levará pela parte posterior do braço até os dedos da mão direita, passando também os dedos entre eles. Do mesmo modo, esfregará a mão esquerda com a mão direita. Se houver um relógio ou anel na mão, é necessário removê-lo e esfregar também a área sob ele.
Os atos obrigatórios do tayammum
Os três atos obrigatórios do tayammum:
1. Ter a intenção de purificar-se para obter a satisfação de Allah.
2. Bater suavemente as duas mãos na terra e esfregá-las sobre todo o rosto.
3. Em seguida, bater ou tocar suavemente as duas mãos na terra e esfregá-las até os cotovelos.
Sunnas do tayammum
1. Dizer Bismillah no início do tayammum.
2. Fazer o tayammum conforme o método prescrito. Isto é, primeiro passar as mãos sobre o rosto e depois sobre ambas as mãos até os cotovelos.
3. Bater na terra pura com o lado interno das mãos, não com o dorso.
4. Depois de bater as mãos na terra, sacudir a terra delas.
5. Ao bater as mãos na terra, manter os dedos estendidos, para que a poeira alcance o espaço entre eles.
6. Passar pelo menos três dedos sobre o rosto e as mãos.
7. Passar primeiro sobre a mão direita e depois sobre a mão esquerda.
8. Depois de passar as mãos úmidas no rosto, fazer o khilāl da barba.
Coisas com as quais o tayammum é permitido ou não é permitido
1. O tayammum é permitido com terra pura e, além disso, com todas as coisas do tipo da terra. É permitido fazê-lo com todas as coisas que, quando queimadas pelo fogo, não se transformam em cinzas nem amolecem, permanecendo como a terra, tais como kohl, cal, tijolos, pedras, areia, cascalho, mármore, ágata, turquesa e semelhantes.
2. Não é permitido fazer tayammum com coisas que não são do tipo da terra e que, quando colocadas no fogo, queimam-se e viram cinzas ou derretem, como madeira, ferro, ouro, prata, cobre, latão, vidro, tinta e todos os tipos de objetos metálicos, carvão, grãos alimentícios, tecido, papel, náilon, plástico e cinzas.
3. Se sobre coisas com as quais não é permitido fazer tayammum se acumular tanta poeira que ela voe quando se bate com a mão, ou deixe uma marca quando se coloca a mão e a arrasta, então será permitido fazer tayammum com elas. Por exemplo, se houver poeira sobre um fardo de tecido, sobre cadeiras e mesas, ou sobre o corpo de uma pessoa.
4. Com as coisas com as quais é permitido fazer tayammum, como terra, tijolos, pedras, recipientes de barro e semelhantes, será permitido fazer tayammum mesmo que tenham sido completamente lavadas e não haja nenhum tipo de poeira sobre elas.
Coisas que invalidam o tayammum
1. O tayammum será invalidado por tudo aquilo que invalida o wudu. Pelos motivos que tornam o ghusl obrigatório, tanto o tayammum em lugar do wudu quanto o tayammum em lugar do ghusl serão invalidados.
2. Se for feito um único tayammum para o wudu e o ghusl, e o wudu for invalidado, o tayammum do wudu será invalidado, mas o tayammum do ghusl não. No entanto, se ocorrer algum motivo que torne o ghusl obrigatório, o tayammum do ghusl também será invalidado.
3. Se o tayammum tiver sido feito simplesmente por não se encontrar água, ele será invalidado assim que a água for encontrada.
4. Se o tayammum tiver sido feito devido a alguma desculpa legítima ou doença, e depois essa desculpa ou doença deixar de existir, o tayammum será invalidado. Por exemplo, alguém fez tayammum em vez de wudu por causa de um frio intenso; depois, quando foi possível obter água quente, o tayammum foi imediatamente invalidado.
5. Se tiver sido feito tayammum em vez de wudu porque havia um animal feroz, uma cobra ou um inimigo próximo da água, assim que esse temor desaparecer, o tayammum será invalidado.
6. Se alguém fizer tayammum por falta de água durante uma viagem de trem, navio ou ônibus e, enquanto percorre o caminho, vir rios, lagos, nascentes ou algo semelhante, seu tayammum não será invalidado, pois, estando o veículo ou o navio em movimento, não há nenhuma possibilidade de usar a água.
7. Se alguém fizer tayammum por causa de uma determinada desculpa legítima, e depois essa desculpa terminar, mas surgir uma segunda desculpa, ainda assim o tayammum será invalidado assim que a primeira desculpa terminar. Por exemplo, alguém fez tayammum por não encontrar água; depois, assim que encontrou água, ficou tão doente que não podia usá-la. Mesmo assim, seu primeiro tayammum, feito por não encontrar água, será invalidado.
8. Se alguém tiver feito tayammum em vez de wudu e depois encontrar água suficiente para fazer wudu, seu tayammum será invalidado. Se alguém fizer tayammum em vez de ghusl, isto é, para se purificar do hadas maior, e depois encontrar água suficiente apenas para fazer wudu, mas não para fazer ghusl, o tayammum do ghusl não será invalidado.
Diversas questões sobre o tayammum
1. Alguém fez tayammum por não dispor de água e realizou a oração. Depois da oração, encontrou água. Mesmo que encontre essa água dentro do horário da oração, não será necessário repetir a oração.
2. Quando, por falta de água, doença ou incapacidade, uma pessoa sentir necessidade de fazer tayammum, deverá fazê-lo com plena convicção e cumprir os deveres religiosos. Que nenhum pensamento desse tipo a perturbe: “Somente com água é possível purificar-se; para que serviria o tayammum?” A questão de estar puro ou impuro não depende da água ou da terra, mas da ordem de Allah. Quando a Shariah de Allah permitiu purificar-se com terra e realizar a oração, deve-se compreender que também se pode alcançar, por meio do tayammum, uma purificação semelhante à obtida com o wudu e o banho ritual.
3. Se alguém procurar água em campo aberto, fizer tayammum e realizar a oração, e depois descobrir que havia água nas proximidades, tanto o tayammum quanto a oração continuarão válidos. Não será necessário fazer wudu e repetir a oração.
4. Durante uma viagem, se outra pessoa tiver água e houver a expectativa de que ela a fornecerá caso seja solicitada, deve-se pedi-la e fazer wudu. Mas, se houver a expectativa de que ela não a fornecerá mesmo que seja solicitada, então será correto fazer tayammum.
5. O tayammum é válido em substituição tanto do wudu quanto do banho ritual. Ou seja, é válido fazer tayammum para purificar-se tanto do hadath menor quanto do hadath maior, e o método do tayammum é aquele explicado anteriormente. Não é necessário fazer um tayammum separado para cada um; o mesmo tayammum é suficiente para ambos. Por exemplo, se uma pessoa tiver o banho ritual obrigatório e fizer tayammum, poderá realizar a oração com esse tayammum. Não será necessário fazer um tayammum separado para o wudu.
6. No tayammum, não é obrigatório realizar apenas a oração do mesmo horário com um único tayammum. Pelo contrário, enquanto ele não for invalidado, poderão ser realizadas as orações de vários horários. Assim, o tayammum feito para a oração obrigatória pode ser usado para orações obrigatórias, sunnah, voluntárias, funerárias e para a prostração da recitação. Porém, o tayammum feito somente para tocar o Alcorão Sagrado, entrar na mesquita, recitar o Alcorão ou ir ao cemitério não poderá ser usado para realizar a oração e outras práticas semelhantes.
7. Se houver água, mas, ao fazer wudu ou o banho ritual, a pessoa perder a oração funerária, a oração do Eid, a oração do eclipse solar, a oração do eclipse lunar ou outras orações semelhantes, será permitido, nessa situação, fazer tayammum e participar da oração. Isso porque essas orações não podem ser compensadas em outro momento.
8. Se alguém estiver incapacitado e não puder fazer tayammum com as próprias mãos, outra pessoa deverá fazê-lo por ele conforme o método da Sunnah. Isto é, deverá bater as mãos dele na terra e depois passar corretamente, primeiro no rosto e em seguida nas mãos.
9. Se alguém tiver água em dois recipientes, sendo a água de um pura e a do outro impura, mas não souber em qual deles está a água pura e em qual está a impura, deverá fazer tayammum nessa situação.
10. A mesma pessoa pode fazer tayammum várias vezes com um único torrão de terra. Também é permitido que várias pessoas façam tayammum com esse mesmo torrão. A regra referente ao objeto sobre o qual se faz tayammum não é a mesma da água usada (mā’ al-musta‘mal).
Capítulo da oração
Exposição sobre a oração
Depois da fé, a oração é o segundo pilar do Islã. O correto seria expor as regras e as questões da oração imediatamente depois do capítulo sobre as crenças. Contudo, como é indispensável purificar-se de toda espécie de impureza para realizar a oração, as regras e as questões da oração são apresentadas depois da explicação detalhada sobre a pureza ritual.
O significado da oração
A oração é uma palavra muito conhecida entre nós. Na terminologia do Alcorão, usa-se “oração” no lugar de “salat”. Salatصلوة significa, em sentido linguístico, voltar-se para alguém, avançar, suplicar e aproximar-se. Na terminologia do Alcorão, oração significa voltar a atenção para Allah, avançar em direção a Ele, pedir somente a Ele e aproximar-se inteiramente d’Ele. O Alcorão ensinou os pilares desse método de adoração, e o Profeta Purificado (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) ensinou sua forma detalhada, com todos os seus pormenores.
(Árabe*********149**************)
“E, em cada oração, dirige teu olhar diretamente para Allah e invoca-O com sincera submissão.” (Al-A‘raf: 29)
(Árabe************)e prostrai-vos e aproximai-vos de Allah” (Al-‘Alaq: 19)
Está escrito no Hadith:
– O servo está mais próximo de seu Senhor quando se encontra prostrado diante de Allah (Muslim).
– Quando alguém dentre vós está ocupado na oração, ele conversa em particular com Allah (Bukhari).
Mas qual é a maneira de voltar o coração para Allah, aproximar-se d’Ele e pedir-Lhe? Há apenas uma resposta correta. Todas as demais respostas são erradas e levam ao desvio. A maneira ensinada pelo Profeta (que a paz esteja com ele) é a correta, confiável e aceita. O Profeta (que a paz esteja com ele) não ensinou apenas verbalmente os pilares da oração, as súplicas da oração, seus horários, o número de rak‘ahs e seu método detalhado; ao contrário, demonstrou sua prática durante toda a vida. Suas palavras e ações a esse respeito foram preservadas nos livros de Hadith mais confiáveis. A Ummah inteira tem realizado continuamente a oração segundo esse método, mantendo-a livre de todo tipo de dúvida.
A excelência e a importância da oração
Depois de abraçar a fé, a primeira exigência feita a um muçulmano é que ele estabeleça a oração. Allah, o Altíssimo, diz:(Árabe***************150******)
“Certamente, Eu sou Allah. Não há divindade além de Mim. Portanto, adore somente a Mim e estabeleça a oração para a Minha lembrança.” (Ta-Ha: 14)
Assim como, no campo da crença, a fé na essência e nos atributos de Allah é a fonte de toda a religião, no campo das ações, a oração é a base de todas as práticas religiosas. É por isso que, entre todos os atos de adoração, o Alcorão Sagrado dá a maior ênfase à oração. E tanta ênfase é dada ao seu estabelecimento que parece que toda a religião depende dela.
Além da oração, os outros atos de adoração tornam-se obrigatórios para pessoas específicas em momentos específicos. Por exemplo, o hajj e o zakat são obrigatórios apenas para os muçulmanos que possuem riqueza. O jejum é obrigatório somente durante um mês do ano. Mas a oração é uma prática para a qual não há condição alguma além da fé. Assim que abraça a fé, a oração torna-se obrigatória para toda pessoa adulta e mentalmente sã, seja mulher ou homem, rica ou pobre, saudável ou doente, residente ou viajante. As cinco orações diárias são uma obrigação individual. Mesmo no campo de batalha armado, quando há temor a cada instante diante do confronto com o inimigo, a oração não apenas continua obrigatória, como também há ênfase em realizá-la em congregação. O próprio Alcorão descreveu o método de realizar em congregação a oração do temor.
Juntamente com a ênfase e o incentivo à oração, para firmar sua importância nos corações, o Alcorão advertiu sobre o terrível destino [toda pessoa, exceto os companheiros da mão direita, permanecerá confinada no Inferno como consequência de suas ações. Os companheiros da mão direita estarão nos jardins do Paraíso e perguntarão aos pecadores: “O que vos levou ao Inferno?” Eles responderão: “Não costumávamos realizar a oração” (Al-Muddaththir: 38)] e a grande humilhação [no dia em que uma situação terrivelmente difícil se estabelecer (o Dia da Ressurreição), eles serão chamados a prostrar-se (os pecadores que não realizavam a oração). Então não poderão prostrar-se. Seus olhares estarão baixos e a humilhação os cobrirá. Eles são aqueles que, no mundo, eram chamados a prostrar-se (a realizar a oração), mas não se prostravam, embora estivessem saudáveis (Al-Qalam: 42–43)], que serão sofridos por aqueles que abandonam a oração.
O Profeta (que a paz esteja com ele) explicou de várias maneiras a extraordinária importância e virtude da oração, bem como o terrível castigo por abandoná-la. Ele disse:
— A oração é o que distingue o crente da descrença — (Muslim).
— Para aquele que realiza regularmente a oração, essa oração será, no Dia da Ressurreição, uma luz, uma prova de sua fé e uma causa de salvação.
Aquele que não realizar a oração com concentração, sua oração não será para ele uma luz nem uma prova de fé, e tampouco o salvará do castigo de Allah. Tal pessoa, no Dia da Ressurreição, terá a companhia do Faraó, de Qarun, de Haman e de Ubay ibn Khalaf — (Musnad Ahmad, Bayhaqi).
Hazrate Abu Dharr (r.a.) narra: certa vez, durante o inverno, quando as folhas das árvores estavam caindo, o Profeta (s.a.w.) saiu e começou a sacudir segurando dois galhos de uma árvore; as folhas (secas) começaram a cair em grande quantidade. Então o Profeta disse: “Ó Abu Dharr, quando um muçulmano realiza a oração com sinceridade e devoção, seus pecados caem exatamente assim, como caem as folhas desta árvore.” (Musnad Ahmad).
Certa vez, o Santo Profeta (s.a.w.) perguntou aos Companheiros: “Se junto à casa de algum de vocês corresse um rio no qual ele se banhasse cinco vezes por dia, digam: restaria alguma sujeira em seu corpo?” Os Companheiros responderam: “Não, nenhuma sujeira permaneceria em seu corpo.” O Profeta disse: “Essa é a situação das cinco orações diárias. Por meio dessas orações, Allah apagará seus pecados.” (Bukhari, Muslim).
Hazrate Ali (r.a.) disse: nos últimos momentos da vida do Santo Profeta (s.a.w.), estas palavras saíram de seus lábios: “Oração, oração.” (Al-Adab al-Mufrad).
Para conhecer a importância e a virtude da oração na religião, juntamente com essas orientações claras e enfáticas do Alcorão e da Sunnah, também devemos lembrar quão profunda e estreita era a relação do próprio Santo Profeta (s.a.w.) com a oração. Ele encontrava nela o refrigério dos olhos. Por qualquer motivo, ia à mesquita e realizava tantas orações voluntárias que seus pés inchavam.
De qualquer modo, após esses relatos detalhados do Alcorão e da Sunnah, torna-se evidente que a oração é um sinal indispensável da fé. Onde há fé, necessariamente haverá oração; e onde há oração, deve-se compreender que ali existe a religião inteira. Se não houver oração, não se pode conceber a existência da religião nesse lugar. O segundo califa, Hazrate Umar al-Faruq (r.a.), ao orientar por escrito os responsáveis de seu governo, chamou a atenção deles para esta verdade, dizendo: “A questão é que, entre todos os seus problemas, o mais importante para mim é a oração. Quem preservou plenamente sua oração preservou sua religião; e quem destruiu sua oração destruirá ainda mais o restante da religião.” (Mishkat).
Condições e etiquetas para estabelecer a oração
A virtude e a importância mencionadas acima referem-se à oração que é verdadeiramente oração: aquela realizada com plena consciência, levando em consideração todas as etiquetas externas e as qualidades internas. Por isso, em vez de empregar uma expressão simples, como “realizar a oração”, o Alcorão usa os termos iqāmat(Árabe***— “e estabelecei a oração” (Al-Baqarah, 43) — (estabelecimento) e muhāfazat(Árabe********)— “e aqueles que preservam sua oração” (Al-Mu’minun, 9) — (preservação). O significado de iqāmat e muhāfazat é que, ao realizar a oração, deve-se observar todas as etiquetas externas relacionadas à correção de seu aspecto exterior. Ao mesmo tempo, é preciso assegurar plenamente aquelas qualidades internas relacionadas ao coração do orante e aos seus sentimentos e emoções.
A seguir, serão apresentadas brevemente essas etiquetas (boas maneiras) e qualidades:
1. Taharat ou purificação
A Sharia ensinou os métodos e as normas da purificação. De acordo com isso, é necessário limpar e purificar bem o corpo e as roupas antes de comparecer perante Allah —
Árabe****************153*****)
“Ó crentes, sabei que, quando vos levantardes para a oração, deveis lavar e limpar bem o rosto e os dois braços até os cotovelos, passar as mãos molhadas sobre a cabeça e lavar os dois pés até os tornozelos. E, se estiverdes em estado de janabah, purificai-vos completamente. (Al-Ma’idah: 6)
Em outro lugar, foi declarado (Árabe*************154)
“E purifica e limpa bem as tuas vestes. (Al-Muddaththir: 4)
2. Pontualidade nos horários
Isto é, a oração deve ser realizada no horário exato. Por isso, a oração foi prescrita com observância rigorosa do horário.
(Árabe****************154**)
“Portanto, estabelece a oração. Na verdade, a oração foi prescrita aos crentes em horários determinados.” (An-Nissá: 103).
O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: Os melhores servos são aqueles que observam a luz do sol e o movimento da lua e das estrelas, para que o horário da oração não passe. – (Mustadrak de al-Hákim).
3. Pontualidade nos horários da oração
Isto é, deve-se rezar continuamente, sempre, sem deixar que nenhuma oração se perca. Na realidade, devem ser chamados de orantes aqueles que realizam a oração pontualmente e sem deixar nenhuma oração de lado.
(Árabe**********154)
“Exceto aqueles que realizam a oração e sempre a cumprem pontualmente.” – (Al-Ma‘árij: 22–23).
4. Organização das fileiras
Deve-se tomar as devidas providências para manter retas as fileiras da oração. Corrigir as fileiras da oração faz parte de realizar bem a oração.
Hazrat Nu‘man bin Bashir conta que o Profeta (que a paz esteja com ele) cuidava para que mantivéssemos as fileiras tão retas como se, por meio delas, fosse alinhar o alvo de uma flecha. Depois, ele percebia que havíamos compreendido a importância de manter as fileiras retas. Certo dia, ele saiu e se levantou para conduzir a oração. Quando estava prestes a pronunciar o takbir, seu olhar recaiu sobre um homem cujo peito se projetava um pouco à frente da fileira. Então disse: “Ó servo de Allah, mantenha a fileira reta e alinhada; caso contrário, Allah fará com que vossos rostos se voltem uns contra os outros.” (Muslim)
—Mantende as fileiras retas e alinhadas durante a oração, pois endireitar as fileiras faz parte do estabelecimento da oração— (Bukhari).
Ou seja, se as fileiras não forem devidamente corrigidas, o direito da oração não será cumprido adequadamente.
Além de manter as fileiras retas e alinhadas, deve-se também organizar sua composição. Isto é, as pessoas inteligentes, instruídas e ponderadas devem permanecer próximas do imam. Isso só será possível quando a sociedade desenvolver respeito pelas pessoas instruídas e quando elas próprias tiverem consciência de sua posição distinta, chegando cedo à mesquita para ocupar um lugar próximo do imam.
Hazrat Abu Mas‘ud (que Allah esteja satisfeito com ele) conta que o Profeta (que a paz esteja com ele) vinha e, colocando as mãos sobre nossos ombros para endireitar e alinhar nossas fileiras, dizia: “Ficai retos, alinhai as fileiras e não fiqueis uns à frente dos outros nem uns atrás dos outros; caso contrário, vossos corações se desagradarão uns dos outros.” Ele também dizia: “Os que possuem conhecimento e entendimento devem ficar próximos de mim; depois, os que lhes são mais próximos em posição de honra; e, depois, os que lhes são mais próximos em conhecimento e entendimento.” (Bukhari)
5. Tranquilidade interior e moderação
Ou seja, é necessário realizar a oração com a mente tranquila e serena, fazendo pausas, para que se cumpram devidamente os direitos da recitação, da posição em pé, do ruku‘, da prostração e de todos os demais pilares da oração.
(Árabe************)
Não faça a oração em voz demasiado alta, nem em voz demasiado baixa; adote, antes, um tom intermediário. (Bani Israel: 110)
Hazrat Abu Huraira (que Allah esteja satisfeito com ele) conta: certa vez, o Santo Profeta (que a paz esteja com ele) estava sentado num canto da mesquita, quando um homem entrou e fez a oração. Depois, aproximou-se do Profeta (que a paz esteja com ele) e o saudou. O Profeta (que a paz esteja com ele) respondeu à saudação e disse: “Volta e faz a oração, pois não a fizeste corretamente.” O homem voltou, repetiu a oração e veio saudar o Profeta. O Profeta (que a paz esteja com ele) disse: “Volta e faz a oração, pois a tua oração não está correta.” Depois de fazer a oração pela terceira vez, o homem disse: “Ó Mensageiro de Allah, ensina-me como devo fazer a oração.” O Profeta (que a paz esteja com ele) disse: “Quando decidires fazer a oração, primeiro faze a ablução muito bem. Depois, volta o rosto na direção da quibla. Em seguida, inicia a oração pronunciando o takbir tahrima e recita a parte do Alcorão que conseguires recitar facilmente. (Em algumas narrações consta: recita a Surata Al-Fátiha e depois o que desejares.) Depois, inclina-te com tranquilidade. Em seguida, levanta-te da inclinação e fica completamente ereto. Depois, prostra-te com tranquilidade e, após a prostração, senta-te tranquilamente, ficando completamente ereto. Realiza toda a oração dessa maneira, com tranquilidade e serenidade.” (Bukhari e Muslim)
O sentido da orientação acima do Santo Profeta (que a paz esteja com ele) é que a oração não é um peso sobre a cabeça, do qual se deve livrar de qualquer maneira, terminando-a às pressas. Pelo contrário, ela é a melhor forma de adoração a Allah. O seu devido direito é que seja realizada com plena concentração. Para o Santo Profeta (que a paz esteja com ele), a oração que não é feita com tranquilidade e serenidade nem sequer é oração.
Ao descrever a maneira como o Profeta (que a paz esteja com ele) fazia a oração, Hazrat Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela) diz: o Profeta (que a paz esteja com ele) iniciava a oração pronunciando o takbir tahrima e começava a recitar o Alcorão a partir de “Alhamdulillahi Rabbil Alamin”. Quando se inclinava, não mantinha a cabeça erguida nem a baixava; mantinha-a numa posição intermediária, isto é, alinhada com a cintura. Depois, ao levantar-se da inclinação, não ia para a prostração enquanto não estivesse completamente ereto. Quando levantava a cabeça da primeira prostração, não ia para a segunda prostração enquanto não estivesse completamente sentado e ereto. Após cada duas rak‘at, recitava o “Attahiyyat”. Ao recitar o “Attahiyyat”, estendia o pé esquerdo e mantinha o direito erguido, e proibia sentar-se como Satanás. Em outra narração, consta que proibia sentar-se como um cão. Também proibia prostrar-se da maneira como um animal feroz se senta, estendendo as duas patas dianteiras. Depois, concluía a oração dizendo (****). (Muslim)
6. Organização da oração em congregação
A oração obrigatória deve ser realizada em congregação, desde que não haja receio de dano à vida ou aos bens. (Árabe*************)
—Inclinai-vos juntamente com os que se inclinam. (Al-Baqara: 43)
(Árabe*******************(
E (ó Profeta), quando estiveres com os muçulmanos, conduzi-los-ás na oração (An-Nissá: 102).
Esta é a instrução sobre a realização da oração no campo de batalha. Mesmo em uma situação tão delicada, os soldados não devem realizar a oração individualmente. Pelo contrário, o Profeta (s) deverá conduzi-los na oração. De acordo com a instrução do Alcorão, eles realizarão a oração em congregação atrás do Profeta (s).
O Profeta (s) disse:
Aquele que ouvir o chamado do muézin para a oração em congregação e não tiver qualquer desculpa para atender ao seu chamado, mas ainda assim não for à oração em congregação e rezar sozinho, não terá essa oração aceita perante Allah. Algumas pessoas perguntaram: “Qual é o significado de ‘desculpa’?” Ele respondeu: o temor pela vida ou pelos bens, ou uma doença (Abu Dawud).
Hazrat Anas (ra) relata que o Profeta (s) disse: quem realizar todas as orações durante quarenta dias consecutivos, participando do primeiro takbir, será isentado de duas coisas: primeiro, do fogo do Inferno; segundo, da hipocrisia (Jami’ at-Tirmidhi).
7. Tartil e reflexão na recitação do Alcorão
O direito da recitação do Alcorão na oração é cumprido quando ele é recitado com pequenas pausas, sinceridade, atenção ou presença de espírito, e grande interesse. Em seguida, deve-se refletir sobre cada versículo. O Santo Profeta (s) pronunciava claramente cada letra e recitava cada versículo separadamente.(Árabe******************)
E recite o Alcorão pausadamente — (Al-Muzzammil: 4) (Árabe**********)
Este é um Livro que fizemos descer sobre você, abençoado, para que as pessoas reflitam sobre seus versículos e para que os dotados de conhecimento tirem dele uma lição. (Sad: 29).
8. Interesse e atenção
A verdadeira oração é aquela em que a pessoa se volta para Allah com concentração, envolvendo a mente, o coração, as emoções e os pensamentos, e sente tamanho desejo de encontrar-se com Ele e pedir-Lhe que, depois de realizar uma oração, seu coração fica ansioso à espera da seguinte. (Árabe***********************)
“Mantende vossa qibla em cada oração, invocai-O (a Allah) e consagrai-Lhe a obediência e a servidão” (Al-A’raf: 29)
“Ó crentes! Quando fordes chamados para a oração na sexta-feira, deixai todas as atividades e apressai-vos para a recordação de Allah” — (Al-Jumu’ah: 9).
9. Reverência e submissão
Isto é, o fiel que ora deve permanecer diante de Allah, como um servo obediente, como símbolo de extrema humildade e submissão, de modo que seu coração estremeça diante da majestade e do poder de Allah, e que os sinais de humildade e modéstia se manifestem também em seus membros.
(Árabe*********************)
“Observai as orações, especialmente a melhor das orações, e permanecei diante de Allah como a personificação da reverência e da submissão.” (Al-Baqara: 238) (Árabe*******************)
“E (ó Profeta), anuncia as boas-novas àqueles que demonstram humildade e reverência e cuja condição é que, quando ouvem a lembrança de Allah, seus corações estremecem, suportam firmemente as adversidades e estabelecem a oração.” (Al-Hajj: 34–35). (Árabe****************)
‘E recorda teu Senhor, de manhã e à tarde, no íntimo, com humildade e temor d’Ele, em voz baixa, e não te incluas entre os negligentes. (Al-A‘raf: 205).
Quando o Honorável Imam Zayn al-Abidin (que Allah esteja satisfeito com ele) fazia a ablução para a oração, seu rosto empalidecia. Os membros da família perguntavam-lhe: “Por que o senhor fica assim durante a ablução?” Ele respondia: “Vocês não sabem diante de que Ser pretendo estar?” (Ihyā’ al-‘Ulūm).
10. Humildade e reverência
A humildade e a reverência são a alma da oração. A oração que não contém humildade e reverência não é oração. No Alcorão, é utilizada a palavra ‘khushu’; ela significa tornar-se pequeno, submeter-se e inclinar-se com humildade. Adotar esse ‘khushu’ na oração significa que não apenas o corpo, mas também a mente e o intelecto — tudo — deve inclinar-se ou prostrar-se humildemente diante de Allah. A grandeza e a majestade de Allah inspiram no coração um temor tal que emoções e desejos ruins, bem como pensamentos indesejáveis, não conseguem penetrá-lo. Isso também deixa sua marca no corpo. Externamente, manifesta-se uma expressão apropriada à majestade e ao poder do Todo-Poderoso Allah.
(Árabe****************)
Felizes são os crentes que são humildes em suas orações. (Al-Mu’minun: 1–2).
11. A sensação da proximidade de Allah
A oração aproxima tanto a pessoa de Allah que não se pode conceber que ela se aproxime tanto por meio de qualquer outra prática. O Profeta (que a paz esteja com ele) disse: “O servo fica mais próximo de seu Senhor quando está em prostração” (Muslim).
Uma condição importante para estabelecer a oração é que o orante sinta a proximidade em seu coração. Em seu íntimo, deve haver também o desejo dessa proximidade, e ele deve orar como se estivesse vendo Allah ou, pelo menos, sentir que Allah está olhando para ele.(Árabe***************)
E prostra-te e aproxima-te d’Ele. (Al-‘Alaq: 19)
12. A lembrança de Allah
A verdadeira qualidade da oração é a lembrança de Allah. A oração é o método completo e confiável para lembrar Allah, pois é o método que Ele mesmo ensinou, cuja lembrança é desejada. A oração desprovida da qualidade da lembrança de Allah não é a oração de um crente, mas a oração de um hipócrita. O propósito de estabelecer a oração é justamente lembrar Allah.(Árabe**********)
E estabelece a oração para Me lembrar. (Ta-Ha: 14)
(Árabe***************)
(Deve-se lembrar que este versículo é um versículo de prostração.)
Somente aqueles que, de fato, creem em Nossos versículos, que, quando lhes são lembrados por meio deles, caem em prostração, glorificam seu Senhor e proclamam Sua pureza, e não se enchem de orgulho nem arrogância — (As-Sajdah: 15).
Ou seja, o rukūʿ e a prostração deles são o rukūʿ e a prostração de quem sente. Eles não recitam o tasbīḥ apenas com os lábios, de maneira displicente; pelo contrário, todas as palavras que pronunciam são ditas na lembrança de Allah, e sua oração é diretamente para Allah.
13. Manter-se afastado da ostentação
Uma grande condição para preservar a oração é mantê-la afastada da ostentação, da exibição para ser visto pelas pessoas e de outras tendências vis e degradantes. Caso contrário, ela será contrária à sinceridade; por causa da ostentação, não apenas a oração é destruída, mas também o próprio orante que age dessa maneira é arruinado. (Árabe**************)
Ai dos orantes que são negligentes em relação à sua oração e oram apenas para serem vistos pelas pessoas (Al-Māʿūn: 4).
Hazrat Shaddād ibn Aws (que Allah esteja satisfeito com ele) narra que o Profeta (que a paz esteja com ele) disse: “Quem ora para ser visto pelas pessoas cometeu shirk” — (Musnad Ahmad).
14. Entrega completa
A condição final e abrangente do estabelecimento da oração é que o crente se entregue completamente ao seu Allah durante a oração. Enquanto estiver vivo, permanecerá como um servo obediente de Allah e, quando se deparar com a morte, sua morte também será por Allah.(Árabe****************)
Certamente, minha oração, meu sacrifício, minha vida e minha morte são todos por Allah, o Senhor dos mundos. Ele não tem parceiro algum, e foi isso que me foi ordenado. E sou o primeiro entre todos a entregar-me a Allah — (Al-An’am: 163-163).
Neste versículo, quatro assuntos são mencionados numa ordem especial: a oração e o sacrifício; depois, a vida é mencionada juntamente com a oração, e a morte, juntamente com o sacrifício. Na realidade, oração e sacrifício são dois assuntos abrangentes que representam toda a vida do crente. A oração é, de fato, o reflexo desta verdade: o crente não é um servo obediente somente durante a oração; ao contrário, é o servo obediente exclusivo de Allah durante toda a sua vida, inclusive fora da oração. O sacrifício manifesta esta verdade: a vida e os bens do crente estão confiados a ele apenas para serem sacrificados no caminho de Allah.
A oração realizada com entrega completa será a verdadeira oração. Ela exercerá tal influência sobre toda a vida que, por um lado, a pessoa que ora permanecerá extremamente vigilante para se manter afastada da transgressão e da obscenidade — longe de praticar uma transgressão, sentirá aversão até mesmo de pensar nela — e, por outro lado, ficará entusiasmada e empenhada em praticar boas ações, ou melhor, as melhores ações.
Para cumprir plenamente o direito do estabelecimento da oração e tornar a oração uma oração verdadeira, é necessário observar as quatorze condições mencionadas acima. Junto com isso, deve-se manter o hábito regular do tahajjud, de outras orações voluntárias e do dhikr e adhkar, conforme a Sunnah. Além disso, deve-se cultivar também o hábito de fazer constantemente a autoavaliação e suplicar a Allah, com lágrimas e voz embargada, em um lugar isolado.
O período em que a oração se tornou obrigatória
O Profeta (que a paz esteja sobre ele) e os nobres Companheiros (que Allah esteja satisfeito com eles) já realizavam a oração desde o início. Contudo, as cinco orações diárias foram tornadas obrigatórias na noite do Mi’raj. Um ano antes da Hégira, o nobre Profeta (que a paz esteja sobre ele) recebeu a honra do Mi’raj e compareceu à presença de Allah. Nessa ocasião, esta oração foi-lhe oferecida como presente. Depois, o anjo Gabriel (que a paz esteja sobre ele) veio e ensinou-lhe os horários e o método da oração. O fato de a oração ser obrigatória foi declarado claramente no Alcorão, e entre todos os atos de adoração foi dada uma ênfase especial à oração. Quem negar que a oração é obrigatória certamente não é muçulmano.
Os horários da oração
Os horários da oração foram prescritos como obrigatórios em horários determinados. [No Alcorão, consta— (Árabe*********)
—Portanto, estabelece a oração. Com efeito, a oração foi prescrita aos crentes em horários determinados — (An-Nissá: 1:103)] De acordo com as explicações do Alcorão e da Sunnah, os horários das orações obrigatórias são cinco: Fajr, Zuhr, Asr, Maghrib e Isha. [Ao explicar os horários da oração, o Alcorão ordena— (Árabe**************)
Estabelece a oração desde o declínio do sol até a escuridão da noite, e recita o Alcorão ao amanhecer com regularidade. Certamente, a recitação do amanhecer é testemunhada (isto é, os anjos testemunham essa oração). — (Bani Israil: 78)
O declínio do sol significa que, depois do meio-dia, sua intensidade vai diminuindo gradualmente. Essa mudança ocorre quatro vezes ao dia, e é isso que se indica pela palavra “duluk”. Por exemplo:
(1) Depois do meio-dia, quando o sol se inclina para o céu ocidental.
(2) No final do dia, quando seus raios diminuem e aparece neles uma tonalidade amarela.
(3) No momento em que o sol se põe.
(4) O momento em que, depois do pôr do sol, o brilho avermelhado desaparece e a escuridão cai.
Estes são os quatro momentos em que foi ordenado estabelecer as orações de Zuhr, Asr, Maghrib e Isha. A expressão “recitação do Alcorão na alvorada” significa “a oração do Fajr”. No Alcorão, a palavra “salat” é usada para designar a oração. Em alguns lugares, a oração é considerada sua parte mais importante. Com isso, pode-se compreender a importância dessa parte da oração. A recitação do Fajr é testemunhada — isto é, depois do sono e do repouso da noite, a mente e o temperamento estão muito tranquilos, a pessoa recupera o vigor, e o momento também é extremamente agradável e silencioso.
Em outras passagens do Alcorão, é apresentada uma explicação detalhada sobre as quatro orações às quais se faz referência de modo geral no versículo acima.(Árabe****************)
— e estabelece a oração nas duas extremidades do dia e depois de transcorrida uma parte da noite — (Hud: 114).
O significado evidente da oração nas duas extremidades do dia é a oração do Fajr e a do Maghrib. A oração realizada depois que a noite se aprofunda é a oração do Isha.(Árabe***************)
E glorifica, com o louvor do teu Senhor, antes do nascer do sol e antes de ele se pôr, e depois de transcorrida uma parte da noite. Glorifica novamente nas extremidades do dia. (Taha: 130)
Antes do nascer do sol, isto é, foi mencionada a oração do Fajr; antes de ele se pôr, isto é, a oração do Isha. Depois, as extremidades do dia são três: a manhã, depois do meio-dia e depois do pôr do sol. Isto é, Fajr, Zuhr e Maghrib.
(Árabe********************)
Portanto, glorifica a Allah quando chega a tua tarde e quando chega a tua manhã. A Ele pertence exclusivamente o louvor nos céus e na terra; e glorifica-O também à tarde e quando chega o teu meio-dia. (Ar-Rum: 17-18).
Aqui, glorificação significa oração. Dessa forma, o Alcorão também determinou os horários. Caso contrário, que sentido poderia haver em determinar apenas o horário da glorificação? Em seguida, Allah, o Altíssimo, enviou o anjo Gabriel (que a paz esteja sobre ele) para explicar os horários das orações. Ele foi até o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) e informou o horário exato de cada oração.
O nobre Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse:
Gabriel (que a paz esteja sobre ele) conduziu-me nas orações junto à Casa Sagrada duas vezes. No primeiro dia, conduziu a oração do meio-dia quando o sol acabara de inclinar-se para o ocidente, e a sombra ainda não era maior que a sola de uma sandália. Depois, conduziu a oração da tarde quando a sombra de cada coisa era igual ao seu tamanho. Em seguida, conduziu a oração do pôr do sol quando o jejuador rompe o jejum. Conduziu a oração da noite assim que o brilho do céu ocidental desapareceu; depois, conduziu a oração da alvorada quando os alimentos e as bebidas se tornaram proibidos para os jejuadores. Na segunda vez, conduziu a oração do meio-dia quando a sombra de cada coisa era igual ao seu tamanho, e a oração da tarde quando a sombra dos objetos era o dobro do seu tamanho. Conduziu a oração do pôr do sol no momento em que os jejuadores rompem o jejum, e a oração da noite depois de transcorrido um terço da noite. Conduziu a oração da alvorada depois que a luz da aurora se espalhou completamente. Então, voltou-se para mim e disse: “Ó Muhammad (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), este é o horário das orações dos profetas. O horário correto de cada oração está entre dois limites temporais.”
Horário da oração da alvorada
Vai desde o aparecimento da luz da aurora até antes do nascer do sol.
Horário da oração do meio-dia
Começa depois que o sol se inclina para o ocidente. Continua até o momento em que a sombra de cada coisa se torna o dobro, além de sua sombra original. Por exemplo, uma vara de um côvado de comprimento tinha, ao meio-dia, uma sombra original de quatro dedos. Quando a sombra dessa vara chegar a dois côvados e quatro dedos, o horário da oração do meio-dia terá terminado. Contudo, por precaução, a oração do meio-dia deve ser realizada durante o período em que a sombra de cada objeto, excluindo sua sombra original, seja igual ao próprio objeto. Esse também é o horário da oração de sexta-feira. Entretanto, durante o calor, é melhor realizá-la um pouco mais tarde. Ainda assim, em todas as estações, é preferível realizar a oração de sexta-feira no início do horário.
Horário da oração de Asr
O horário de Asr começa assim que termina o horário de Zuhr e permanece até o pôr do sol. É recomendável realizar a oração de Asr antes que o sol adquira uma coloração amarelada. Depois que ele adquire essa coloração, a oração torna-se makruh. Se, por qualquer motivo, a oração de Asr atrasar e o sol adquirir uma coloração amarelada, deve-se realizá-la imediatamente, sem considerá-la uma oração de reposição.
Horário da oração de Maghrib
Começa depois do pôr do sol e permanece até desaparecer a coloração vermelha no céu ocidental. É mustahabb realizar a oração assim que começar o horário de Maghrib.
Horário da oração de Isha
Começa depois que, após o desaparecimento da coloração vermelha no céu ocidental, a coloração branca também desaparece, e permanece até o Subh Sadiq. A coloração branca no céu ocidental é encoberta pela escuridão aproximadamente uma hora e quinze minutos após o pôr do sol. Porém, por precaução, a oração de Isha deve ser realizada uma hora e meia depois.
Além dessas orações fard, há três orações wajib. A seguir, são indicados os horários delas.
Horário da oração de Witr
A oração do witr deve ser realizada logo após a oração do isha. Contudo, para aqueles que estão habituados a levantar-se regularmente no final da noite, é mustahabb realizá-la no final da noite. Mas, se houver receio de não acordar, é mustahabb realizá-la logo após a oração do isha.
O horário das orações dos dois Eids
O horário das orações dos dois Eids começa quando, após o nascer do sol, sua coloração amarelada termina e o calor do sol se intensifica, e permanece até antes do zawal. Contudo, é sempre mustahabb realizar a oração do Eid cedo. [A oração do witr é wajib. Na sharia, há apenas três orações wajib: a oração do witr e as duas orações dos Eids. Naturalmente, a oração feita em cumprimento de um voto também é wajib. Todo nafl torna-se wajib depois de ser iniciado. Se uma oração for invalidada por qualquer motivo, torna-se necessário realizá-la como qada.]
Estes horários das orações valem para todo o mundo
A regra para determinar os horários das orações apresentada acima aplica-se a todos os países do mundo. Onde o nascer e o pôr do sol ocorrem dentro de 24 horas, os horários das orações devem ser determinados segundo a regra acima, seja a noite e o dia curtos ou longos. [Nas regiões próximas aos polos, onde há uma diferença extraordinária entre a noite e o dia, é digno de nota o que o pensador islâmico Allama Maududi disse ao responder a uma pergunta sobre a determinação dos horários das orações. A seguir, transcreve-se a pergunta e a resposta do segundo volume de Rasail o Masail.]
Os horários das orações e do jejum nos países próximos às regiões polares
Pergunta: Meu filho está na Inglaterra para um treinamento. Ele quer conhecer as regras e o método básicos para determinar os horários do jejum. Devido à chuva, às nuvens, à neblina e coisas semelhantes, o sol raramente é visto ali. Às vezes, o dia é muito longo e, outras vezes, muito curto. Às vezes, a diferença entre o nascer e o pôr do sol chega a vinte horas. Nessa situação, será necessário jejuar por vinte horas ou mais?
Resposta: Nos países onde o sol nasce e se põe dentro de 24 horas, os horários das orações devem ser determinados exatamente segundo a regra estabelecida no Alcorão e no hadith, seja a noite curta ou longa. Isto é, a oração do fajr antes do nascer do sol; a oração do dhuhr depois do declínio do sol; a oração do asr antes do pôr do sol; a oração do maghrib logo após o pôr do sol; e a oração do isha depois de transcorrido algum tempo da noite. Do mesmo modo, o jejum começa no horário do subh sadiq, e o iftar deve ser feito imediatamente após o pôr do sol. Onde não for possível deixar transcorrer um intervalo entre o dhuhr e o asr, ou entre o maghrib e o isha, devem-se realizar juntas as orações correspondentes aos dois horários.
Que seu filho se informe convenientemente no serviço meteorológico sobre os horários do nascer e do pôr do sol nesse lugar, e sobre quando ocorre o meio do dia. Com base nisso, ele deverá determinar os horários das orações.
Não há necessidade de se preocupar com os dias longos daquele lugar durante o período do jejum. Ibn Battuta relata, a respeito da cidade de Bulgária, na Rússia, que, quando chegou lá no verão, era o mês de Ramadã. Ali, entre o horário do iftar e o subh al-sadiq, havia apenas duas horas. Nesse curto período, os muçulmanos faziam o iftar, comiam e também rezavam a oração do isha. Pouco depois da oração do isha, chegava o subh al-sadiq. Em seguida, rezavam a oração do fajr.
Os rak‘ahs das orações
A oração do fajr
Primeiro, os dois rak‘ahs de sunnah mu’akkadah [Chama-se sunnah mu’akkadah a oração à qual foi dada grande ênfase. Se alguém, sem uma desculpa válida, abandonar deliberadamente essa oração, será um grande pecador. O significado de sunnah ghayr mu’akkadah (nafl) é que ela não é obrigatória, mas quem a realiza recebe uma recompensa muito grande. Se houver tempo, oportunidade e disposição, é bom realizá-la. Não há pecado em não realizá-la.] e depois os dois rak‘ahs da oração fard. Os hadiths dão grande ênfase à sunnah do fajr. Embora o Profeta (que a paz esteja com ele) também tenha enfatizado as outras sunnahs, ele deu a maior ênfase à sunnah do fajr. Ele próprio era muito cuidadoso a esse respeito. Disse: “Jamais abandoneis a sunnah do fajr, mesmo que os cavalos vos pisoteiem.” [(Ahmad, Abu Dawud) O significado deste hadith não é que se deva realizar essa sunnah mesmo que isso custe a vida. Por medo pela própria vida, é permitido até deixar de realizar uma oração fard. Essa afirmação foi feita devido à grande ênfase dada a ela.]
Ele também disse: “A sunnah do fajr é mais querida para mim do que o mundo e tudo o que ele contém.” [Muslim, Tirmidhi, Nasa’i.]
Entre as orações sunnah, o Profeta (que a paz esteja com ele) era tão assíduo na sunnah do fajr que não demonstrava igual assiduidade em nenhuma outra oração sunnah. [Bukhari, Muslim, Ahmad.] A senhora Hafsa (que Allah esteja satisfeito com ela) disse: “O Profeta (que a paz esteja com ele) realizava a sunnah do fajr em minha casa e a realizava brevemente.” [Ahmad, Bukhari, Muslim.] Na sunnah do fajr, ele recitava no primeiro rak‘ah (*****) e no segundo rak‘ah (*****). [Ahmad, Tahawi, Tirmidhi.]]
A oração do zuhr
Primeiro, quatro rak‘at de sunnat mu’akkadah (com um salam), depois quatro rak‘at de fard. Em seguida, duas rak‘at de sunnat mu’akkadah e, depois, duas rak‘at de nafl.
Oração de Jumu‘ah
Primeiro, quatro rak‘at de sunnat mu’akkadah (com um salam), depois duas rak‘at de fard em congregação e, em seguida, quatro rak‘at de sunnat mu’akkadah com um salam. [Esta é a opinião do Imam Abu Hanifa (r.a.). Seus dois principais discípulos dizem que, depois do fard, rezar duas rak‘at é sunnat mu’akkadah. Primeiro, quatro rak‘at com um salam e, depois, duas rak‘at. Há apoio para ambas as opiniões nos hadiths. Hazrat Abu Hurayrah (r.a.) disse que o Profeta (s.a.w.) ordenou: “Rezai quatro rak‘at depois da oração de Jumu‘ah” (Tirmidhi). Abdullah ibn Umar (r.a.) costumava rezar duas rak‘at de sunnat em casa depois da oração de Jumu‘ah e dizia que o Profeta (s.a.w.) também fazia assim. A opinião de Hazrat Ishaq é que, se a oração depois de Jumu‘ah for feita na mesquita, devem ser quatro rak‘at, pois o Profeta (s.a.w.) disse para rezar quatro rak‘at depois da oração de Jumu‘ah. Mas, se for feita em casa, devem ser duas rak‘at, pois o Profeta (s.a.w.) rezava duas rak‘at.]
Oração de ‘Asr
Primeiro, quatro rak‘at de sunnat ghayr mu’akkadah ou mustahabb; depois, quatro rak‘at de fard.
Em Maghrib
Primeiro, três rak‘at de fard; depois, duas rak‘at de sunnat mu’akkadah; em seguida, duas rak‘at de nafl.
‘Isha
Primeiro, quatro rak‘ats de sunnat ghair mu’akkadah; depois, quatro rak‘ats de farz; em seguida, duas rak‘ats de sunnat mu’akkadah; depois, três rak‘ats de witr; e, por fim, duas rak‘ats de nafl. (Duas rak‘ats de nafl depois do witr. O Profeta (S) disse: “Dizei àqueles para quem é difícil levantar-se à noite que rezem duas rak‘ats depois do witr. Se tiverem a oportunidade de se levantar à noite para rezar o tahajjud, melhor. Caso contrário, essas duas rak‘ats serão consideradas tahajjud.” Mishkat.)
Nas cinco orações diárias, o número de rak‘ats de sunnat mu’akkadah é: duas no fajr, seis no zuhr, duas no maghrib e duas no isha, totalizando doze (Tirmidhi). A excelência dessas orações é mencionada e enfatizada em hadices distintos. Aqueles que as abandonarem sem motivo serão grandes pecadores. O Profeta (S) disse: “Para o muçulmano que, além das orações farz, rezar diariamente doze rak‘ats por Allah, Ele construirá uma casa no Paraíso.” (Muslim.)
Horários makruh para a oração
Há três tipos desses horários: primeiro, o horário em que toda oração é proibida; segundo, o horário em que toda oração é makruh; terceiro, o horário em que somente a oração nafl é makruh.
Horários em que toda oração é proibida
1. Quando o sol está nascendo, até que sua cor amarelada desapareça completamente e sua luz se espalhe plenamente.
2. Exatamente ao meio-dia, até que o sol passe do meridiano.
3. Desde que o sol adquira uma cor avermelhada até o pôr do sol. Contudo, se por algum motivo a oração de asr daquele dia ainda não tiver sido realizada, deve-se rezá-la; não se deve fazê-la como oração atrasada.
Nos três períodos mencionados acima, toda oração é proibida, seja ela fard, sunnah ou nafl, wajib ou sunnah mu’akkadah. Nesse período, também são proibidos o sujud de agradecimento e o sujud de recitação. Se esse horário makruh começar depois que a oração já tiver sido iniciada, a oração será invalidada. Contudo, se ocorrer uma oração fúnebre, deve-se realizá-la sem demora.
Os períodos em que é makruh realizar a oração
1. Quando houver necessidade urgente de urinar, defecar ou expelir gases.
2. Quando a fome for intensa e a comida estiver servida. Se houver receio de não conseguir concentrar-se na oração sem antes comer, a oração será válida nessa situação, mas será makruh. Deve-se atender primeiro a essas necessidades e depois orar, para que a oração possa ser realizada com concentração.
Os períodos em que somente a oração nafl é makruh
1. Quando o imame se levantar de seu lugar para proferir o khutbah, seja o khutbah de sexta-feira, do Eid, de casamento ou do Hajj.
2. Depois da oração do Fajr, até o nascer do sol e a disseminação de sua luz.
3. Depois da oração do Asr até o pôr do sol.
4. Durante o horário do Fajr, qualquer oração nafl, exceto a oração sunnah do Fajr.
5. Durante o horário da oração obrigatória, pronunciar o takbir.
6. Antes da oração do Eid, seja em casa ou no campo aberto.
7. Fazer uma oração nafl no local da oração do Eid após a oração do Eid.
8. Em Arafat, entre o Zuhr e o Asr, e depois do Asr.
9. Em Muzdalifah, entre o Maghrib e o Isha, e depois.
10. No horário do Maghrib, no início da oração do Maghrib.
É makruh atrasar demasiadamente a oração do Isha e também fazê-la depois da meia-noite. É makruh atrasar a oração do Maghrib até que as estrelas apareçam claramente.
Explicação sobre o adhan e a iqamah
O significado do adhan e da iqamah
Adhan significa advertir, informar e anunciar. Na terminologia da Sharia, adhan é chamar e anunciar, por meio de certas palavras específicas, com o objetivo de reunir as pessoas para a oração em congregação. No início, as pessoas calculavam aproximadamente o horário, dirigiam-se por conta própria à mesquita e realizavam a oração em congregação. Porém, quando o número de muçulmanos começou a aumentar gradualmente e muitas pessoas ocupadas com diferentes atividades começaram a aceitar o Islã, percebeu-se que deveria ser feito um anúncio para a oração. Assim, no primeiro ano da Hégira, o Profeta (que a paz esteja com ele) ensinou o método do adhan.
Iqamah significa fazer levantar-se. Na terminologia islâmica, é repetir as palavras do adhan antes do início da congregação e anunciar que a congregação está se levantando. Por isso, na iqamah, depois de (****), diz-se: (*****), isto é, a oração começou ou as pessoas se levantaram para a oração.
A excelência do adhan
O adhan é um símbolo distintivo da comunidade muçulmana. Nos hadiths, muitas coisas foram ditas sobre a excelência e a grandeza do adhan. A seguir, são citadas algumas delas.
O Profeta (que a paz esteja com ele) disse:
1. O mu’adhdhin entrará no Paraíso depois dos profetas e dos mártires. (Ilmul Fiqah)
2. Todos aqueles até quem chega o adhan e que o ouvem — sejam humanos ou jinn — testemunharão, no Dia da Ressurreição, a fé daquele que proferiu o adhan (Bukhari).
3. Para aquele que proferir continuamente o adhan durante sete anos e buscar por isso a recompensa da vida futura, será registrada a libertação do Inferno (Abu Dawud, Tirmidhi).
4. No Dia da Ressurreição, os pescoços dos que proferem o adhan estarão elevados. Isto é, naquele dia, eles serão honrados com uma posição distinta (Muslim).
5. Quando o adhan é proferido, o medo e o terror tomam conta do coração de Satanás, e ele foge em extrema precipitação. Ele não consegue permanecer até onde chega o som do adhan (Bukhari e Muslim).
6. Onde quer que o adhan seja proferido, haverá a misericórdia de Allah, e esse lugar permanecerá protegido do castigo e das calamidades (Tabarani).
A maneira do adhan e da iqama conforme a Sunnah
A maneira de proferir o adhan conforme a Sunnah é que o mu’adhdhin (aquele que profere o adhan), estando purificado e limpo, fique de pé em um lugar elevado, voltado para a qibla, coloque os dedos indicadores nos ouvidos e, em voz alta, diga as seguintes palavras:
(*****) (Allah é o Maior) — quatro vezes.
(*****) (Testemunho que não há divindade além de Allah.) — duas vezes.
(****) Testemunho que Muhammad (S) é o Mensageiro de Allah — duas vezes.
(****) (Vinde para a oração) — duas vezes.
(****) (Vinde para a prosperidade e o sucesso) — duas vezes.
(****) (Allah é o Maior) — duas vezes.
(****) (Não há divindade além de Allah) — uma vez.
Depois de dizer Allahu Akbar duas vezes e depois de dizer as demais frases, deve-se fazer uma pausa, a cada vez, por tempo suficiente para que os ouvintes possam responder —
isto é, para que eles também possam pronunciá-las. Ao dizer (*****) deve voltar o rosto para a direita e, ao dizer (****), para a esquerda.
Durante a iqamah, deve-se repetir essas mesmas palavras o mesmo número de vezes. A única diferença é que essas palavras devem ser pronunciadas em voz baixa, estando de pé na fileira da oração. E, depois de (****), deve-se dizer (****) duas vezes.
Resposta ao adhan e súplica
1. É obrigatório responder para todo aquele que ouvir o adhan. Isto é, deve dizer exatamente o que o mu’adhdhin disser. Contudo, depois de dizer (****) e (****), deve dizer (****). O Profeta (s) disse: quando o mu’adhdhin disser (***) e alguém entre vocês disser (***), depois (***); então, quando o mu’adhdhin disser (****) e aquele que responde disser (****); depois, quando o mu’adhdhin disser (***) e aquele que responde disser (***); depois, quando o mu’adhdhin disser (****), aquele que responde deverá dizer (****); depois, quando o mu’adhdhin disser ((******) e aquele que responde ……. Então, a pessoa que disser essas palavras em resposta ao adhan entrará no Paraíso. (Muslim)
2. Durante o adhan do fajr, quando o mu’adhdhin disser (****) (a oração é melhor que o sono), o ouvinte deverá dizer (****) (Você disse a verdade e falou palavras de bondade).
3. Depois de ouvir o adhan, deve-se recitar o salat sharif. Abdullah bin Umar (ra) narra que o Profeta (s) disse: quando qualquer um de vocês ouvir meu nome
****1 Sem a ajuda de Allah, não podemos evitar os pecados nem realizar qualquer boa obra. (***) O significado da palavra é a força para evitar os pecados, e o sentido da palavra (****) é a força para obedecer a Allah e cumprir Seus mandamentos.
Ele também deverá dizer o que o mu’adhdhin disser e recitar salat sobre mim. Pois aquele que recitar salat sobre mim uma vez, Allah fará descer sobre ele dez misericórdias. Com base nisso, os ulemás dizem que é mustahabb dizer (***) uma vez, depois de ouvi-lo pela primeira vez (Ilmul Fiqah, volume 2).
4. Depois de ouvir o adhan, deve-se recitar a seguinte súplica. Hazrat Jabir (ra) disse que o Profeta (s) afirmou: quem recitar esta súplica depois de ouvir o adhan terá direito à minha intercessão (Bukhari).
(Árabe***************)
Ó Allah, Senhor desta chamada perfeita e da oração que está prestes a ser estabelecida, concede a Muhammad a Al-Wasila, concede-lhe excelência e eleva-o à Estação Louvada que Lhe prometeste.
O significado de «Da‘wat al-Tammah» é este chamado ao tawhid, que ressoa cinco vezes por dia em todas as mesquitas e continuará a ressoar até ao Dia da Ressurreição. «Al-Wasila» significa a posição de proximidade de Allah no Paraíso, que será alcançada apenas pelo Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Ele disse:
Quando alguém dentre vós ouvir o adhan do mu’adhdhin, deverá repeti-lo e, depois, enviar bênçãos sobre mim. (Pois, quem enviar uma bênção sobre mim uma vez, Allah fará descer sobre ele dez bênçãos.) Depois, deverá pedir a Allah Al-Wasila para mim. Esta é uma posição no Paraíso reservada a um servo especial de Allah. Espero que esse servo seja eu. Tornar-se-á minha obrigação interceder por quem suplicar a Allah por Al-Wasila para mim. (Muslim).
O significado de «Maqam Mahmud» é uma elevada posição de aceitação, na qual aquele que for estabelecido será «Mahmud al-Khala’iq», ou seja, louvado pelas criaturas, neste mundo e no Além. Allah diz no Alcorão:
(Árabe*************************)
Em breve, o teu Senhor te elevará à «Maqam Mahmud»: (Bani Isra’il—79).
5. É mustahabb responder à iqamah, mas não é wajib. Se, em alguma ocasião, uma mulher fizer o adhan, este deverá ser repetido.
6. Se se ouvirem algumas palavras de vários adhan, uma única resposta será suficiente. Não é necessário responder separadamente a cada adhan.
7. Na sexta-feira, responder ao adhan durante o sermão não é obrigatório nem makruh; pelo contrário, é mustahabb (Ilmul Fiqh).
Regras e procedimentos relativos ao adhan e ao mu’adhdhin
1. O adhan deve ser proferido por um homem. O adhan proferido por uma mulher não é válido. Se uma mulher proferir o adhan em algum horário, ele deverá ser repetido.
2. O adhan deve ser proferido por alguém que conheça as questões essenciais da sharia, seja virtuoso e piedoso. É melhor que sua voz seja muito forte.
3. O adhan deve ser proferido por uma pessoa instruída e sensata. É makruh o adhan proferido por um louco ou por alguém de pouca lucidez. Também é makruh o adhan proferido por uma criança imatura.
4. O adhan deve ser proferido fora da mesquita, em algum lugar elevado e voltado para a qibla. Contudo, não é makruh proferir dentro da mesquita o segundo adhan da sexta-feira, que é feito antes do sermão.
5. O adhan deve ser proferido de pé. É makruh proferi-lo sentado.
6. É mustahabb colocar os indicadores de ambas as mãos dentro dos orifícios das orelhas ao pronunciar o adhan.
7. É sunnah pronunciar as palavras do adhan pausadamente e a iqamah sem interrupção. As palavras do adhan devem ser pronunciadas de modo que se possa respirar entre elas, permitindo que o ouvinte responda.
8. É sunnah virar o rosto para a direita ao pronunciar uma das expressões do adhan e para a esquerda ao pronunciar a outra. Contudo, deve-se cuidar para que o peito e as plantas dos pés não se desviem da direção da qiblah.
Questões relativas ao adhan e à iqamah
1. Para a oração fard ayn, o adhan é sunnat mu’akkadah, seja para uma oração dentro do seu horário ou uma oração qada; esteja aquele que reza estabelecido ou viajando, o adhan é sunnat mu’akkadah em todas essas situações. Contudo, durante uma viagem, quando todos os companheiros que participarão da oração em congregação estiverem presentes, o adhan será mustahabb, e não sunnat mu’akkadah.
2. O adhan deve ser pronunciado depois do início do horário da oração. Se for pronunciado antes, não será válido. Quando chegar o horário, deverá ser pronunciado novamente, qualquer que seja a oração daquele horário.
3. O adhan deve ser pronunciado em árabe e com as palavras ensinadas pelo Profeta (que a paz esteja com ele). Não é permitido pronunciar o adhan em qualquer outra língua, nem chamar para a oração usando palavras diferentes das ensinadas pelo Profeta (que a paz esteja com ele). Mesmo que, nessas condições, as pessoas compreendam o adhan e se reúnam, ele não será válido. É absolutamente necessário pronunciar o adhan conforme o método estabelecido pela Sunnah.
3. O adhan deve ser sempre pronunciado por um homem lúcido e adulto. O adhan pronunciado por uma mulher é makruh tahrimi. Também é makruh o adhan pronunciado por um insano ou por uma pessoa embriagada. O adhan pronunciado por uma criança sem discernimento também é makruh. Se, em alguma ocasião, uma mulher, um insano ou uma criança sem discernimento pronunciar o adhan, ele deverá ser repetido.
5. Nas mesquitas onde há uma organização regular das orações em congregação e onde a congregação já foi realizada conforme as regras, com adhan e iqama, é makruh realizar uma segunda congregação mediante um segundo adhan e uma segunda iqama. Porém, se numa mesquita não houver uma organização regular da congregação, nem um imã designado nem um mu’azzin, então não é makruh realizar ali a oração novamente com adhan e iqama; pelo contrário, isso é preferível.
6. Fora da oração fard ‘ayn, como nas orações fúnebre, do Eid, wajib e nafl, não é correto fazer o adhan.
7. Não é permitido falar nem responder ao salam durante o adhan. Se alguém responder subitamente ao salam, não há problema. Porém, se depois começar a falar, deverá repetir o adhan.
8. Assim que ouvir o primeiro adhan de sexta-feira, é wajib abandonar todas as atividades e ir à mesquita. Depois de ouvir o adhan, é haram continuar normalmente ocupado com o trabalho e os negócios.
9. Quando o som do adhan chegar aos ouvidos de alguém, seja homem ou mulher, esteja com wudu ou sem wudu, deve prestar atenção ao adhan. Se estiver caminhando, é mustahabb parar e ficar de pé. Durante o adhan, não é correto ocupar-se com qualquer outra atividade além de responder a ele. Não deve dar salam nem responder ao salam. Se estiver recitando o Alcorão, deve interromper a recitação.
10. Aquele que faz o adhan tem o direito de fazer a iqama. Se, depois de fazer o adhan, ele for para algum lugar, ou se ele próprio quiser que outra pessoa faça a iqama, então a iqama feita por essa pessoa será válida.
11. O mu’azzin deve fazer o adhan na mesquita onde terá de realizar a oração fard. É makruh fazer o adhan em duas mesquitas para uma mesma oração fard.
12. Também é permitido que vários mu’azzins façam o adhan simultaneamente.
13. Quando nasce um bebê, é recomendável recitar o adhan em seu ouvido direito e a iqamah em seu ouvido esquerdo.
Responder ao adhan é obrigatório, mas há sete situações em que não se deve fazê-lo.
1. Durante a oração.
2. Ao ouvir o khutba, seja o da oração de sexta-feira ou qualquer outro khutba.
3. Durante a menstruação ou o puerpério.
4. Durante o estudo ou o ensino do conhecimento religioso.
5. Durante a relação sexual com a esposa.
6. Durante a micção ou a defecação.
7. Enquanto se come.
Condições para que a oração se torne obrigatória
São cinco as condições para que a oração se torne obrigatória. Se alguma dessas condições não estiver presente, a oração não será obrigatória.
1. Islam. Ou seja, a oração é obrigatória para os muçulmanos, não para os incrédulos.
2. Alcançar a puberdade. Enquanto o menino ou a menina não atingir a puberdade, a oração não será obrigatória para eles.
3. Possuir lucidez. Se alguém for louco, estiver inconsciente ou permanecer sempre embriagado ou inconsciente, a oração não será obrigatória para essa pessoa.
4. As mulheres estarem purificadas da menstruação e do nifás. Durante a menstruação e o nifás, a oração não é obrigatória.
5. Chegar o horário da oração. Ou seja, deve haver tempo suficiente para realizar a oração ou, no mínimo, tempo suficiente para purificar-se e pronunciar o takbīr taḥrīma. Se as quatro condições anteriores estiverem presentes, mas não houver tempo suficiente para a oração, então a oração daquele horário não será obrigatória.
As obrigações da oração
Para que a oração seja válida ou correta, são necessárias quatorze coisas; se uma delas faltar, a oração não será válida. Essas quatorze coisas são chamadas de farā’iḍ ou obrigações da oração. Dentre elas, sete são obrigatórias antes da oração — isto é, necessárias — e são chamadas de condições ou sharā’iṭ. As sete restantes são obrigatórias ou necessárias dentro da oração e são chamadas de arkān, ou pilares da oração.
As condições da oração
As condições da oração são sete. Se faltar qualquer uma delas, a oração não será válida.
1. A pureza do corpo
Isto é, se houver alguma impureza real aderida ao corpo, ela deverá ser removida de acordo com as orientações da Sharia. Se for necessário fazer a ablução, deve-se fazer a ablução. Se for necessário realizar o ghusl, deve-se realizar o ghusl. Se o corpo não estiver purificado da impureza real e da impureza ritual, a oração não será válida.
2. A pureza das roupas
Isto é, as roupas usadas ou colocadas sobre o corpo para realizar a oração devem estar puras. A camisa, o pijama, o gorro, o turbante, o casaco, o sherwani, o lençol, o cobertor, as meias, as luvas — em suma, tudo o que estiver sobre o corpo daquele que ora deve estar puro. Caso contrário, a oração não será válida.
3. O local da oração estar puro
Ou seja, é necessário que estejam puros os locais dos dois pés, dos joelhos, das mãos e da prostração da pessoa que realiza a oração. Seja esse local o chão descoberto ou qualquer outra coisa sobre o chão, como um tapete, uma esteira de oração etc. Embora, para que a oração seja válida, seja necessário que pelo menos esse espaço esteja puro, não é correto realizar a oração em um local ao lado do qual haja fezes e urina, de onde se espalhe mau cheiro.
4. Cobrir o satr
Ou seja, cobrir essas partes do corpo cuja cobertura é obrigatória para homens e mulheres. Para o homem, é obrigatório cobrir a região do umbigo até os joelhos. Para a mulher, é obrigatório cobrir todo o corpo, exceto as palmas das mãos, os pés e o rosto. (Esta é uma obrigação que deve ser observada sempre, tanto durante a oração quanto fora dela. Embora seja uma obrigação, foi incluída entre as condições da oração porque não é um de seus elementos.) Ao descobrir os pés, deve-se prestar atenção para que os tornozelos não fiquem expostos, pois é obrigatório que a mulher cubra os tornozelos.
5. Chegar o horário da oração
Ou seja, cada oração deve ser realizada dentro do seu respectivo horário. A oração realizada antes de começar o horário não será válida; e, se for realizada depois de terminado o horário, será uma oração de reposição (qadā’).
6. Voltar-se na direção da qibla
Ou seja, deve-se realizar a oração voltado para a direção da qibla. Se alguém, sem uma razão legítima ou uma doença, realizar a oração voltado para qualquer outra direção que não a qibla, sua oração não será válida.
7. Fazer a intenção
Isto é, formar mentalmente a intenção de realizar a oração obrigatória específica que se deve fazer. Se for necessário realizar uma oração perdida de determinado horário, deve-se intencionar: “Estou realizando a oração perdida de tal horário de tal dia”. Quanto às orações voluntárias e sunnah, basta intencionar que se está realizando uma oração voluntária ou uma oração sunnah. É recomendável expressar verbalmente a intenção ou o desejo do coração, mas isso não é obrigatório. Se a oração for realizada atrás de um imame, também é obrigatório formar a intenção de segui-lo.
Os pilares da oração
As coisas que são obrigatórias dentro da oração são chamadas de pilares. Os pilares da oração são sete.
1. Takbir tahrima
Isto é, dizer “Allahu Akbar” ao iniciar a oração, expressando assim a majestade e a grandeza de Allah. Como, depois deste takbir, andar, comer, beber e conversar, entre outras coisas, se tornam proibidos, ele é chamado de takbir tahrima.
2. Qiyam
Isto é, permanecer de pé e ereto durante a oração. É obrigatório permanecer de pé durante o tempo necessário para recitar a quantidade de Alcorão cuja recitação é obrigatória. Observa-se que este “qiyam” é obrigatório somente nas orações fard e wajib. Nas orações sunnah e nafl, o “qiyam” não é obrigatório.
3. Qira’ah
Isto é, recitar pelo menos uma ayah durante a oração. [Ou seja, se alguém, em alguma ocasião, concluir a oração recitando apenas a mesma ayah, a oração será válida e não será necessário repeti-la. Contudo, de modo algum será correto adquirir o hábito de recitar sempre a mesma ayah.] Seja a ayah longa ou curta, ela deve ser composta de pelo menos duas palavras. Por exemplo: (*****). Porém, se a ayah consistir de uma única palavra, como (******), o fard não será cumprido. [Esta é a opinião do Imame Abu Hanifah (que Allah tenha misericórdia dele). A opinião do Imame Muhammad (que Allah tenha misericórdia dele) e do Imame Abu Yusuf (que Allah tenha misericórdia dele) é que é obrigatório recitar três ayahs curtas ou uma ayah longa.]
Nas orações fard, a recitação é obrigatória apenas em duas rak’ahs. Quer sejam as duas primeiras rak’ahs, as duas últimas, as duas do meio ou a primeira e a última rak’ah, o fard será cumprido em todos os casos. A recitação é obrigatória em todas as rak’ahs do witr, das orações sunnah e das orações nafl.
4. Ruku’
É obrigatório fazer um ruku’ em cada rak’ah. Ruku’ significa inclinar-se para a frente, durante a oração, até que as duas mãos alcancem os joelhos.
5. Sajdah
São obrigatórias duas sajdahs em cada rak’ah.
6. Qa’dah akhirah
Isto é, na última rak‘ah da oração, permanecer sentado pelo tempo suficiente para recitar de (****) até (****).
7. Encerrar a oração por meio de um ato intencional
Isto é, depois de completar todos os pilares da oração, realizar algum ato proibido durante a oração e que faça com que ela termine. Com exceção do qiyām, todos os demais pilares são obrigatórios em todas as orações, sejam elas farḍ, wājib ou nāfilah. O qiyām é obrigatório apenas nas orações farḍ e wājib.
Os wājib da oração
Por wājib da oração entendem-se aqueles assuntos necessários cuja omissão acidental de qualquer um deles torna a oração válida mediante o sujūd as-sahw. Se, após omitir algo inadvertidamente, não se fizer o sujūd as-sahw, ou se, depois de omitir algo deliberadamente, não se fizer o sujūd as-sahw, ou se algo for deixado intencionalmente, torna-se obrigatório repetir a oração. Os wājib da oração são quatorze.
1. Fazer a recitação nas duas primeiras rak‘ahs das orações farḍ.
2. Recitar a Sūrat al-Fātiḥah nas duas primeiras rak‘ahs das orações farḍ e em todas as rak‘ahs das demais orações.
3. Depois de recitar a Sūrat al-Fātiḥah, recitar outra sūrah nas duas primeiras rak‘ahs das orações farḍ e em todas as rak‘ahs das orações wājib, sunnah e nāfilah, seja uma sūrah completa, um versículo longo ou três versículos curtos.
4. Recitar a Surata Al-Fatiha antes da segunda surata. Se alguém recitar primeiro outra surata e depois recitar a Surata Al-Fatiha, o wajib não será cumprido.
5. Manter a ordem correta entre a recitação, o rukūʿ, a prostração e os versículos.
6. Fazer o qawma, isto é, levantar-se do rukūʿ e ficar em pé, ereto.
7. Fazer a jalsa, isto é, sentar-se ereto e com tranquilidade entre as duas prostrações.
8. Fazer o taʿdīl dos pilares, isto é, realizar corretamente o rukūʿ e a prostração com segurança e tranquilidade.
9. Fazer o primeiro qaʿda, isto é, nas orações de três e quatro rakʿat, sentar-se depois de duas rakʿat pelo tempo necessário para recitar (****).
10. Recitar o At-Tahiyyat uma vez em cada um dos dois qaʿda.
11. O imã deve fazer a recitação em voz alta nas duas rakʿat do Fajr, nas duas primeiras rakʿat do Maghrib e do ʿIshāʾ, nas orações de sexta-feira e do Eid, no Tarawih e na oração do Witr durante o mês do Ramadan. Deve fazer a recitação em voz baixa nas orações do Zuhr e do ʿAsr e nas últimas rakʿat do Maghrib e do ʿIshāʾ.
12. Encerrar a oração por (****০.
13. Proferir o takbīr e recitar a súplica do qunūt na oração do witr.
14. Proferir os takbīres adicionais nas orações dos dois Eids.
As sunnahs da oração
O Profeta (s) também praticou, durante a oração, algumas coisas além dos atos obrigatórios e necessários, mas não há registro de que tenha enfatizado essas coisas da mesma forma que enfatizou os atos obrigatórios e necessários. Elas são chamadas de sunnahs da oração. Embora a oração não seja invalidada nem seja necessário realizar a prostração por esquecimento quando alguma delas é omitida, ainda assim devemos observá-las. Isso porque o Profeta (s) as observou e, na realidade, a oração é aquela que se assemelha à oração do Profeta (s).
Vinte e uma sunnahs da oração
1. Antes de proferir o takbīr de consagração, levantar ambas as mãos até a parte inferior das orelhas para os homens [o Profeta (s), por causa do frio, levantou as mãos até o peito sob o manto] e até os ombros para as mulheres. Em caso de escusa, será válido que o homem levante ambas as mãos até os ombros.
2. Ao proferir o takbīr de consagração, manter os dedos de ambas as mãos abertos e direcionar as palmas e os dedos para a qibla.
3. Imediatamente após pronunciar o takbīr taḥrīma, deve-se colocar as mãos abaixo do umbigo no caso dos homens e acima do peito no caso das mulheres. O imame Shāfiʿī (que Allah tenha misericórdia dele), bem como os estudiosos de Ahl al-Hadith, consideram sunnah que os homens também coloquem as mãos sobre o peito. Contudo, não é correto afirmar que colocar as mãos até o umbigo não tenha fundamento nos hadiths. Ibn Abī Shaybah citou, por meio de al-Qāḍī, uma narração de Wā’il ibn Ḥujr segundo a qual ele viu o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) colocar as mãos abaixo do umbigo. Todos os narradores deste hadith são confiáveis, e também está comprovado que ʿAlqamah e Ibn Ḥujr se encontraram. O erudito Firingi Mahalli discutiu detalhadamente este assunto em Al-Qawl al-Ḥāzim. O modo sunnah de colocar as mãos é pôr a palma da mão direita sobre o dorso da palma da mão esquerda, segurar o pulso esquerdo com o polegar e o dedo mínimo da mão direita e estender os três dedos restantes sobre a mão esquerda. Este método vale tanto para homens quanto para mulheres. Contudo, segurar o pulso da mão esquerda com dois dedos não é sunnah para as mulheres.
4. Ao pronunciar o takbīr taḥrīma, não inclinar a cabeça.
5. Para o imame, pronunciar em voz alta o takbīr taḥrīma e os takbīrs ao passar de um rukn para outro.
6. Recitar o thanā; isto é, recitar “Subḥānaka Allāhumma” até o fim. [Também há um hadith sobre recitar a seguinte súplica: (Árabe****************)
Ó Allah! Cria entre mim e os meus pecados uma distância como a que existe entre o Oriente e o Ocidente. Ó Allah, purifica-me dos pecados assim como uma roupa branca é lavada e limpa da sujeira e da imundície. Ó Allah, lava os meus pecados com água e gelo. (Bukhari)
Segundo Abū Yūsuf, é mustahabb recitar a seguinte súplica: (Árabe**************)
Volto o meu rosto, com devoção exclusiva, de todas as direções para aquela Essência Pura que criou os céus e a Terra, e não faço parte dos idólatras. Na verdade, a minha oração, o meu sacrifício, a minha vida e a minha morte pertencem somente a Allah, o Senhor de todos os mundos; e sou o primeiro entre os submissos a submeter-me. (Al-Anʿām)]
7. (Árabe*************) recitar.
8. Recitar (*****) antes da Surata Al-Fátiha em cada rak‘ah.
9. Nas terceira e quarta rak‘ahs da oração obrigatória, recitar somente a Surata Al-Fátiha.
10. Dizer “Amém”. O imame também dirá “Amém”, assim como aquele que reza sozinho. Nas orações em que o imame recita em voz alta, todos os seguidores dirão “Amém” depois do término da Surata Al-Fátiha.
11. Recitar o Sana, o A‘udhu billah, o Bismillah e o Amém em voz baixa [Segundo os hanafitas, o “Amém” deve ser dito em voz baixa. Também é relatado que o imame Maleque sustentava essa opinião em uma transmissão. Essa também foi a opinião final do imame Shafi‘i. Contudo, tanto recitar em voz baixa quanto em voz alta está comprovado nos hadiths. Portanto, de modo algum é correto criar divisões com base nisso e uma parte insultar a outra. Quando tanto a recitação em voz alta quanto a recitação em voz baixa estão comprovadas nos hadiths, deve-se respeitar aquele que pratica o método que, segundo sua compreensão, considera sunnah; não é correto insultá-lo.]
12. Seguir o método prescrito para a recitação. Recitar, em cada oração, a quantidade de Alcorão que é sunnah recitar nela.
14. No rukū‘, manter a cabeça e a cintura retas e segurar ambos os joelhos com os dedos das duas mãos.
15. Durante a qawmah (a posição de ficar em pé depois de se levantar do rukū‘), o imame dirá (*****) e o seguidor dirá (****).
16. Ao ir para o sujūd, colocar primeiro os joelhos, depois as duas mãos, em seguida o nariz e, por fim, a testa.
17. Durante a jalsa e a qa‘da, estender o pé esquerdo e sentar-se sobre ele, mantendo o pé direito erguido de modo que as pontas dos dedos fiquem voltadas para a qibla. Manter ambas as mãos sobre os joelhos.
18. Durante o attahiyyat, fazer um gesto com o dedo indicador ao dizer «la ilaha».
19. Na qa‘da final, recitar o durud após o attahiyyat.
20. Recitar uma súplica masnun após o durud.
21. Fazer o salam primeiro para o lado direito e depois para o lado esquerdo.
Os atos mustahab da oração
Há cinco atos mustahab na oração. Cumpri-los é uma ação de grande recompensa, e abandoná-los não constitui pecado.
1. Se o homem estiver usando um xale ou algo semelhante, ao levantar as mãos para o takbir tahrima, deve tirá-las para fora do xale; as mulheres devem pronunciar o takbir tahrima sem tirar as mãos para fora.
2. Manter o olhar voltado para o local da prostração enquanto se está de pé; para os dois pés durante o rukūʿ; para os dois joelhos durante o jalsa e o qaʿda; e para os dois ombros ao virar-se para pronunciar o salām.
3. Quando o orante realiza a oração sozinho, recitar o tasbīḥ mais de três vezes no rukūʿ e na prostração.
4. Conter a tosse tanto quanto possível.
5. Ao sentir vontade de bocejar, tentar manter a boca fechada; se a boca se abrir, cobri-la com a mão direita enquanto se está de pé e, nas demais posições, com o dorso da mão esquerda.
As causas que invalidam a oração
As causas que invalidam a oração são quatorze. É necessário lembrá-las para preservar a validade da oração.
1. Falar durante a oração. Seja pouco ou muito, a oração será invalidada e deverá ser repetida. Pode haver cinco situações ao falar:
** A primeira situação é falar diretamente com alguém ou responder ao que alguém disse. Seja na própria língua, em outra língua ou mesmo na linguagem do Alcorão, em todos os casos a oração será invalidada. Por exemplo, se alguém disser, na linguagem do Alcorão, algo a uma pessoa chamada Yahya (***), ou disser algo a uma menina chamada Maryam (*****), ou fizer uma pergunta a um viajante (******), ou der uma ordem a alguém (*******), ou, ao ouvir uma notícia triste, disser algo (******), ou, ao ouvir alguém espirrar, disser algo (******), ou, ao ouvir uma coisa estranha, disser algo (******), ou, ao ouvir uma boa notícia, disser algo (******), ou olhar para alguém e perceber que essa pessoa está falando coisas absurdas e inúteis, e então disser algo (*****); ou cumprimentar alguém com salām ou responder ao salām; ou, se alguém fizer uma súplica fora da oração, o orante disser “āmīn”; ou, ao ouvir “Ya Allah”, disser (****); ou, ao ouvir o nome do Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), recitar o ṣalawāt; ou, ao ver uma mulher vendo uma criança cair, disser alguma coisa — em suma, se de qualquer maneira alguém falar com outra pessoa ou disser algo em resposta a alguma coisa, a oração será invalidada.
Segundo caso: dizer algo olhando para algum animal. Por exemplo, durante a oração, notar que uma galinha ou um gato está comendo algo e dizer algumas palavras para afastá-lo; nesse caso, a oração será invalidada.
Terceiro caso: falar consigo mesmo, espontaneamente, seja na própria língua ou em árabe; com isso, a oração será invalidada. Porém, se forem palavras que constam no Alcorão, a oração não será invalidada. Se essas palavras forem um vício de linguagem da pessoa, a oração será invalidada, mesmo que sejam palavras do Alcorão. Por exemplo, se “sim” for um vício de linguagem de alguém, embora essa palavra conste no Alcorão, a oração será invalidada.
Quarto caso: fazer súplicas e dhikr. A oração será invalidada quer a súplica seja feita na própria língua, quer em árabe. Porém, se alguma súplica ou algum dhikr do Alcorão e do hadith escapar repentinamente da boca, a oração não será invalidada. Isso significa que, se tal erro ocorrer repentinamente e por acaso, a oração não será invalidada. Mas não se pode fazer isso deliberadamente, transformando-o em hábito; não se pode dizer, durante o rukūʿ, o sujūd ou a postura sentada, qualquer coisa que se queira. Além disso, se durante a oração forem feitos pedidos que normalmente se fazem às pessoas, a oração será invalidada, mesmo que o pedido seja feito em árabe.
Quinto caso: alguém, enquanto está orando, percebe que outra pessoa está recitando o Alcorão incorretamente e lhe sopra a correção, quer essa pessoa esteja recitando durante a oração, quer fora dela; a oração será invalidada. Porém, se quem estiver recitando incorretamente for o imame, a oração não será invalidada. Se o maʾmūm soprar a correção olhando o Alcorão, ou ouvir a recitação correta de outra pessoa e soprar a correção ao seu próprio imame, a oração será invalidada. E, se o imame aceitar a correção, a oração dele também será invalidada.
2. Mesmo que se recite o Alcorão olhando para ele durante a oração, a oração será invalidada.
3. Se qualquer uma das condições da oração deixar de existir, quer seja uma condição para a validade da oração, quer seja uma condição de obrigatoriedade, em ambos os casos a oração será invalidada. Por exemplo: perder a tahārah; perder o wuḍūʾ; tornar necessário o ghusl; começar o sangramento menstrual; as roupas tornarem-se impuras; o tapete de oração tornar-se impuro; virar o rosto para outra direção que não a qiblah sem motivo; o ʿawrah ficar descoberto e permanecer assim pelo tempo necessário para realizar o rukūʿ ou o sujūd; perder a consciência por qualquer motivo; ou enlouquecer. Em suma, se qualquer condição deixar de existir, a oração será invalidada.
4. Se qualquer um dos farḍ da oração deixar de ser cumprido, seja por esquecimento, seja por omissão deliberada, a oração será invalidada. Por exemplo, não realizar o qiyām; deixar de realizar o rukūʿ ou o sujūd; ou não fazer recitação alguma. Quer isso ocorra por esquecimento, quer deliberadamente, a oração será invalidada.
5. Omitir deliberadamente um ou todos os wājib da oração.
6. Se um dos deveres obrigatórios da oração for omitido por esquecimento e não se fizer a prostração de compensação, deve-se repetir a oração.
7. Tossir sem motivo válido e sem uma necessidade legítima. Porém, se a tosse vier involuntariamente devido a uma doença, ou se a pessoa tossir para limpar a garganta, ou para alertar o imã sobre um erro na recitação da oração, fazendo-o perceber que está rezando incorretamente, a oração não será invalidada por essas razões. Fora dessas situações, tossir sem motivo invalida a oração.
8. Se, ao sofrer tristeza, dor, luto ou uma calamidade grave, a pessoa soltar gemidos, ou emitir um som doloroso ou um grito de aflição, a oração será invalidada. Porém, se involuntariamente algum som lhe escapar da boca, ou se alguém chorar por temor a Allah, ou chorar por se comover durante a recitação, ou emitir um gemido, a oração não será invalidada nessas circunstâncias.
9. Se, durante a oração, alguém comer ou beber alguma coisa, intencionalmente ou por esquecimento — por exemplo, se tivesse algum alimento no bolso e o comesse por distração ou de propósito — a oração será invalidada. Porém, se sair de entre os dentes algo menor que um grão-de-bico e a pessoa que está rezando o engolir, a oração não será invalidada. Ainda assim, não é correto fazer isso intencionalmente. A pessoa deve limpar bem a boca antes de iniciar a oração.
10. Caminhar alguns passos durante a oração sem motivo válido. Isso também invalidará a oração.
11. Praticar amal kathir, isto é, fazer algo que leve quem observa a pensar que a pessoa não está rezando. Por exemplo, ajeitar a roupa com as duas mãos, uma mulher amarrar o cabelo durante a oração ou uma criança mamar enquanto a oração está sendo realizada; em tais situações, a oração será invalidada.
12. Cometer um erro grave na recitação do Alcorão Sagrado, alterando o significado, ou prolongar excessivamente o alif de “Allah” no takbir; nesse caso, a oração será invalidada. (Ao prolongar o alif, o significado passa a ser: “Allah é grande?”)
13. Uma pessoa adulta dar uma gargalhada.
14. Se havia algo escrito na parede ou um cartaz, ou se o olhar caiu sobre uma carta e a pessoa a leu, a oração ficará inválida. Porém, se compreender o significado sem a ler, a oração não ficará inválida.
15. Se uma mulher permanecer próxima de um homem durante o tempo suficiente para realizar uma prostração ou uma inclinação, a oração ficará inválida. Porém, se for uma menina pequena por quem não se sentiria atração sexual, ou se for uma mulher, mas houver uma cortina entre eles, a oração não ficará inválida.
As causas que tornam a oração makruh
É necessário evitar certos atos que, embora não invalidem a oração, fazem com que ela se torne makruh.
***2. [Não é correto escrever algo ou afixar cartazes em um local da mesquita para o qual os olhos de quem ora se dirigem.]
Os atos makruh da oração são vinte e oito
1. Vestir roupas de modo contrário ao costume. Por exemplo, colocar um xale sobre a cabeça, deixando-o pendurado igualmente dos dois lados, sem colocá-lo sobre o pescoço; colocar uma camisa ou uma sherwani sobre os ombros sem introduzir os braços nas mangas; ou colocar um cachecol ou algo semelhante ao redor do pescoço, deixando-o pendurado dos dois lados.
2. Enrolar as roupas para protegê-las da poeira, sacudir a poeira, ou soprar repetidamente ou usar as mãos para remover pedrinhas e coisas semelhantes do local da prostração. [Se as pedrinhas forem removidas uma vez com a mão ou o local for limpo soprando uma vez, não haverá problema.]
3. Brincar com a roupa que se veste, a barba, os botões, os cabelos ou qualquer outra coisa; colocar o dedo na boca; estalar os dedos sobre a mão enquanto se está de pé; ou coçar o corpo sem motivo. [A maioria das pessoas costuma fazer essas coisas. Deve-se esforçar-se, com especial atenção, para evitá-las. O método correto, então, é realizar a oração com plena devoção e cultivar concentração, humildade e submissão no coração.]
4. Realizar a oração usando uma roupa tão comum e inferior que a pessoa não gostaria de usá-la para ir ao mercado, a uma reunião ou a uma assembleia. Por exemplo, alguém que reza usando na cabeça um gorro infantil. Nas mesquitas, deixam-se gorros baratos ou de qualquer outro tipo; muitas pessoas rezam usando-os, embora não gostem de participar de nenhuma reunião usando esses gorros na cabeça.
5. É makruh rezar com a cabeça descoberta por preguiça e descuido. Contudo, se alguém rezar em sua própria casa sem gorro, por falta de religiosidade, isso não será makruh. Ainda assim, é preferível rezar na mesquita usando boas roupas.
6. Rezar sem aliviar a necessidade de urinar, defecar ou liberar gases.
7. Os homens rezarem com os cabelos da cabeça amarrados.
8. Estalar os dedos das mãos ou entrelaçar os dedos de uma mão com os da outra.
9. Colocar as mãos na cintura durante a oração.
10. Virar o rosto para os lados ou olhar de um lado para outro com os olhos semicerrados, sem motivo.
11. Durante a prostração, estender ambas as mãos no chão até os cotovelos. Fazer isso é makruh somente para os homens. As mulheres devem prostrar-se estendendo ambas as mãos no chão até os cotovelos.]
12. Rezar voltado para alguém que está voltado para a pessoa que reza.
13. O imame permanecer completamente dentro do mihrab. Se os pés estiverem fora do mihrab e a prostração e outras ações forem realizadas dentro dele, não há problema.
14. Não impedir o bocejo quando se é capaz de fazê-lo e bocejar deliberadamente.
15. Rezar usando uma roupa que contenha a imagem de algum ser vivo, ou rezar sobre um tapete de oração que tenha a imagem de algum ser vivo no local da prostração, ou rezar num lugar onde haja imagens acima da cabeça ou à direita e à esquerda.
16. Permanecer sozinho na parte de trás, apesar de haver espaço na fileira da frente.
17. Fazer a saudação com um gesto da mão ou da cabeça.
18. Rezar de olhos fechados. Fechar os olhos para concentrar-se na oração e criar um estado de humildade, submissão e reconhecimento da própria insignificância não torna a oração makruh; pelo contrário, isso é recomendável.
19. Prostrar-se tocando o chão apenas com a testa ou apenas com o nariz, ou prostrar-se sobre a borda do gorro ou sobre o turbante.
20. Sentar-se de pernas cruzadas sem motivo e sentar-se pressionando o abdômen e o peito contra os joelhos.
21. Sem motivo, ficar em um lugar mais elevado que o imame, estando sozinho. Se alguns muqtadis estiverem com ele, não há problema. Do mesmo modo, é makruh que os muqtadis fiquem em um lugar mais elevado sem motivo.
22. Inclinar-se antes de completar a recitação durante o qiyam e terminar a recitação já estando inclinado.
23. Recitar, na oração obrigatória, sem manter a ordem sequencial do Alcorão. Por exemplo, recitar (****) na primeira rak‘ah e (****) na segunda rak‘ah. Ou deixar de lado, no meio, uma surata com três versículos e recitar a surata seguinte, “Al-Kafirun”, deixando de lado a surata intermediária, Al-Kawthar, que é uma surata de três versículos. Também é makruh recitar alguns versículos de uma surata na primeira rak‘ah e, depois de deixar de lado dois versículos, recitar alguns versículos posteriores na segunda rak‘ah. Do mesmo modo, é makruh recitar duas suratas em uma rak‘ah de tal forma que entre elas fique omitida uma surata ou várias suratas, pequenas ou grandes. Também é makruh fazer uma recitação mais longa na segunda rak‘ah que na primeira, ou escolher uma determinada surata para recitar na oração e recitá-la sempre. Se a ordem for invertida por engano, não há problema. Deve-se observar que essas coisas são makruh somente nas orações obrigatórias; não são makruh no tarawih nem nas demais orações voluntárias.
24. Deixar de cumprir qualquer uma das sunnahs da oração.
25. Levantar os dois pés do chão durante a prostração.
26. Contar com os dedos os versículos, as suratas ou os tasbihs durante a oração.
27. Bocejar ou demonstrar preguiça durante a oração.
28. Fazer a oração mantendo algo na boca, de modo que isso dificulte a recitação. Se não dificultar, não será makruh.
Situações em que é permitido ou obrigatório interromper a oração
1. Se, enquanto alguém estiver fazendo a oração, o trem partir. Se houver bagagens e crianças no trem, será permitido interromper a oração.
2. Se aparecer uma cobra durante a oração, ou se algumas vespas ou outro inseto nocivo entrarem nas roupas, será permitido interromper a oração e matar esse animal nocivo.
3. Se um gato vier para apanhar uma galinha, um pombo ou outra ave doméstica, e houver receio de que a coma caso a pessoa não interrompa a oração para afugentá-lo, será permitido interromper a oração por esse motivo.
4. Se houver receio de prejuízo financeiro caso se conclua a oração, será permitido interrompê-la. Por exemplo, uma mulher está fazendo a oração e há uma panela sobre o fogão, cujo conteúdo pode queimar ou que pode cair ao transbordar; ou alguém está fazendo a oração na mesquita e seus sapatos, guarda-chuva e outros objetos estão colocados em um local onde há risco de serem roubados; ou uma mulher está fazendo a oração em casa e se esqueceu de fechar a porta, havendo, por isso, risco de furto; ou um cachorro, gato ou macaco pode entrar na casa, havendo receio de que cause algum dano. Em suma, em todas as situações em que houver receio de prejuízo financeiro, será permitido interromper a oração. Mas, se houver receio de um prejuízo muito pequeno, é melhor completar a oração.
5. Se, durante a oração, surgir necessidade urgente de urinar ou defecar, deve-se interromper a oração, satisfazer a necessidade, fazer novamente a ablução e então realizar a oração.
6. Um cego está caminhando por uma estrada. Há um poço à frente ou a margem de um rio; ele pode cair e morrer afogado. Será obrigatório interromper a oração para salvá-lo. Deus nos livre, se ele cair, a pessoa que está rezando será pecadora.
7. Se, durante a oração, uma criança pegar fogo, ou uma criança pequena e incapaz chegar à beirada do terraço, ou um macaco entrar na casa e houver o temor de que leve consigo um bebê de colo, ou uma criança pequena pegar uma faca ou lâmina e houver o temor de que corte a própria mão ou o próprio pé, ou os de outra criança, ou estiver ferindo alguém em um trem ou automóvel, em todas essas situações será obrigatório interromper a oração para salvar a pessoa em perigo da destruição. Se não a interromper, cometerá um grave pecado.
8. Se a mãe, o pai, o avô, a avó, o avô materno ou a avó materna chamar enquanto estiver em alguma dificuldade, será obrigatório interromper a oração para ajudá-los. Se houver outra pessoa por perto para ajudá-los, ou se estiverem chamando sem necessidade, será melhor não interromper a oração. Se, durante uma oração voluntária ou sunita, eles chamarem sem necessidade e não souberem que a pessoa chamada está rezando, ainda assim será obrigatório interromper a oração e responder-lhes.
O método detalhado para realizar a oração
Quando alguém decidir realizar a oração, deverá certificar-se primeiro de que nenhuma das condições da oração foi deixada de lado. Depois, deverá voltar o coração para Allah com devoção e imaginar que está de pé diante de Allah. Em seguida, com devoção e plena concentração, deverá recitar a súplica a seguir.
(Árabe***************)
Voltei plenamente devotado o meu rosto para Aquele que criou os céus e a terra, e não estou entre aqueles que associam outros a Ele. Na verdade, minha oração, meu sacrifício, minha vida e minha morte são exclusivamente para Allah, Senhor e Dono de todos os mundos. Ele não tem associado algum. Assim me foi ordenado, e eu sou o primeiro entre os submissos. (Al-An’am)
Depois, o orante ficará de pé ereto e fará a intenção da oração. Isto é, decidirá em seu coração que está realizando determinado número de rak’ahs da oração de determinado horário. Intenção é, na realidade, o nome da decisão do coração; e isso é o necessário. (No entanto, é preferível expressar essa decisão verbalmente.) Por exemplo: “Estou realizando as três rak’ahs obrigatórias da oração do Maghrib.” Se a oração for realizada atrás do imame, também deverá intencionar: “Estou realizando a oração atrás deste imame.” [É preferível fazer a intenção verbalmente, mas basta dizer: “Estou realizando determinado número de rak’ahs da oração de determinado horário.” Por exemplo: “Estou realizando as quatro rak’ahs obrigatórias do Zuhr.” Se for uma oração sunita ou voluntária, dirá: “Estou realizando as duas rak’ahs sunitas ou voluntárias do Zuhr.” Além disso, as longas fórmulas de intenção que normalmente são recitadas são desnecessárias. Pelo contrário, elas podem causar a perda da oração. Por exemplo, alguém já está atrás do imame desde o início. Assim que a iqamah termina, o imame pronuncia o takbir de consagração e inicia a oração, enquanto essa pessoa continua recitando as longas fórmulas da intenção. Como resultado, perde a participação com o imame no primeiro takbir. Ou imagine que o imame esteja em rukū‘; o seguidor poderia pronunciar o takbir de consagração e juntar-se ao rukū‘, mas permanece de pé recitando longamente a intenção. Nesse momento, o imame já se levantou do rukū‘, e o seguidor perde aquela rak’ah. Por isso, é apropriado que se limite às palavras breves e necessárias da intenção. Não é correto afligir-se acrescentando palavras desnecessárias sem motivo.]
Takbīr
Fique de pé, ereto, mantendo o corpo em posição natural. Deve haver necessariamente um espaço de pelo menos quatro dedos entre os dois pés. Mantenha o olhar voltado para o local da prostração e, junto com a intenção, diga “Allāhu Akbar” e levante as duas mãos até a altura das bases das orelhas, com as palmas voltadas para a qibla e os dedos abertos em posição natural. Em seguida, coloque as duas mãos abaixo do umbigo, de modo que a palma da mão direita fique sobre o dorso da mão esquerda. Segure o pulso esquerdo com o polegar e o dedo mínimo da mão direita. Estenda os demais dedos da mão direita sobre a mão esquerda. [Segundo o método dos Ahl al-Hadith, tanto homens quanto mulheres colocam as mãos sobre o peito. Eles também dizem que tanto homens quanto mulheres devem levantar as mãos até a altura dos ombros.]
Em seguida, recite a seguinte súplica ou sanā:(Árabe***************)
Tu és puro e santíssimo, ó Allah! Somente Tu és digno de louvor. Tu és o Abençoador e o Magnífico. Teu nome e tua dignidade são elevadíssimos. Não há divindade além de Ti. [Os Ahl al-Hadith recitam a seguinte súplica. (Árabe****************)]
Depois da sanā, recite integralmente o Aʿūdhu billāh e o Bismillāh.
Recitação da Sūrat al-Fātiḥa e do Alcorão
Depois, recite a Sūrat al-Fātiḥa e diga “āmīn”. Se você for um muqtadī, depois de recitar a sanā, ouça em silêncio a recitação do imām. [Os Ahl al-Hadith recitam baixinho a Sūrat al-Fātiḥa atrás do imām.] Quando o imām terminar a Sūrat al-Fātiḥa, diga “āmīn” em voz baixa. [Nas orações em que a recitação é feita em voz alta, os Ahl al-Hadith dizem “āmīn” em voz alta atrás do imām.] Em seguida, recite uma sūra do Alcorão ou algumas āyāt, pelo menos três āyāt curtas. Se você for um muqtadī, deverá permanecer em silêncio.
Rukūʿ
Depois de recitar, vá para o rukū dizendo «Allāhu akbar». [Os Ahl al-Hadith fazem o rafʿ al-yadayn ao descer para o rukū, ao se levantar dele e ao se levantar, depois de duas rakʿahs, para a terceira rakʿah; isto é, levantam as mãos até os ombros.] No rukū, coloque as mãos sobre os joelhos e segure-os com os dedos. Mantenha os dois braços estendidos e retos. Durante o rukū, deve-se cuidar para que a cabeça não fique muito abaixo nem acima da cintura. Pelo contrário, a cintura e a cabeça devem ficar exatamente alinhadas. Depois, recite três vezes o tasbīh a seguir.
Tasbīh do rukū
(******) Meu grandioso Senhor está livre de todas as imperfeições. [Os Ahl al-Hadith recitam (*******) Tu és puro e grandioso, ó Allah; a Ti pertence o louvor do meu Senhor. Ó meu Senhor, perdoa-me.]
Este tasbīh (*******) pode ser recitado mais de três vezes: cinco, sete, nove ou ainda mais vezes. Se você for o imã, tenha consideração pelos muqtadīs. Não o recite tantas vezes a ponto de lhes causar dificuldade. Porém, quantas vezes quer que o recite, faça-o em voz baixa.
Qawmah
Qawmah: após o rukū,(Árabe***********)diga (*******) (Allah ouviu quem O louvou), levante-se completamente ereto e diga (*******) (Ó nosso Senhor, a Ti pertence todo o louvor). Se você for um muqtadī, recite a segunda expressão; se for o imã, recite a primeira. [Nesta situação, os Ahl al-Hadith dizem (********)](Árabe********)]
Sujūd
Depois, vá para o sujūd dizendo o takbīr. Faça o sujūd desta maneira: primeiro coloque os dois joelhos no chão, depois as duas mãos, em seguida o nariz e, por fim, a testa. O rosto ficará entre as duas mãos. Os polegares ficarão alinhados com as orelhas. Os dedos das mãos permanecerão separados, e todos estarão voltados para a qiblah. Os dois cotovelos ficarão acima do chão; os joelhos permanecerão afastados das coxas, e o abdômen também ficará afastado das coxas. Os cotovelos ficarão tão elevados do chão que um pequeno cabrito poderá passar por baixo deles. Os dois pés permanecerão apoiados no chão sobre os dedos, e os dedos estarão voltados para a qiblah.
Na prostração, recite (*****) pelo menos três vezes, fazendo pausas entre as recitações.
Jalsa
Depois, diga o takbir, levante primeiro a testa e depois o corpo, e sente-se tranquilamente. O modo de sentar-se é o seguinte: o pé direito deve ficar erguido, e o pé esquerdo deve ficar estendido, sentando-se sobre ele, com os dois joelhos apoiados. Depois, coloque as duas mãos sobre os dois joelhos, de modo que os dedos fiquem sobre eles. [Há uma súplica mencionada nos hadiths para ser recitada durante a jalsa. Os Ahl al-Hadith enfatizam a recitação desta súplica. (Árabe*********)
(Ó Allah! Perdoa-me, tem misericórdia de mim, guia-me, concede-me prosperidade e concede-me sustento (Abu Dawud).]
Depois, diga o takbir e vá para a segunda prostração.
Faça esta prostração como a primeira. Depois de realizar as duas prostrações, diga o takbir e fique de pé para a segunda rak’ah. [Segundo os Ahl al-Hadith, depois da prostração da primeira e da terceira rak’ah, deve-se sentar por um momento e então levantar-se. Não é correto levantar-se diretamente da prostração.] Depois, complete a segunda rak’ah recitando a Bismillah, a surata Al-Fatiha e a recitação.
Qa’dah(***)
Depois, faça a inclinação, o qawmah, a prostração e a jalsa como na primeira rak’ah e, ao levantar-se da segunda prostração, sente-se na qa’dah. O modo de sentar-se na qa’dah é o mesmo descrito para sentar-se na jalsa. Depois, recite o tashahhud tranquilamente, fazendo pausas entre as recitações.
Tashahhud
(Árabe*****************)
Todos os louvores, a adoração e toda a pureza pertencem a Allah. Ó Profeta (S), que a paz esteja sobre você. Que Sua misericórdia e Suas bênçãos sejam derramadas sobre você. Que a paz esteja sobre nós e sobre os servos virtuosos de Allah. Testifico que não há divindade além de Allah e testifico que Muhammad (S) é Seu servo e Mensageiro.
Ao dizer “lā ilāha”, forme um círculo com o polegar e o dedo médio da mão direita, mantendo os outros dedos fechados, e levante o dedo indicador em direção ao céu para fazer um sinal; ao dizer “illallāh”, abaixe o dedo. Mantenha os dedos nessa posição até concluir o salām.
Se a oração tiver quatro rakʿahs, depois de recitar o Tashahhud, levante-se para a terceira rakʿah dizendo o takbīr. Em seguida, recite a basmalah e a Sūrat al-Fātiḥah da mesma maneira. Se for uma oração sunnah ou nafl, recite uma surata ou alguns versículos depois da Sūrat al-Fātiḥah na terceira e na quarta rakʿahs. Se for uma oração farḍ, não recite nenhuma parte do Alcorão depois da Sūrat al-Fātiḥah na terceira e na quarta rakʿahs. Recite apenas a Sūrat al-Fātiḥah e passe ao rukūʿ.
Depois de realizar as duas prostrações da quarta rakʿah, recite o “Attahiyyātu”. Em seguida, recite o seguinte Durūd Sharīf:
(Árabe*****************)
Ó Allah! Concede paz e misericórdia a Muhammad (S) e à sua família, assim como concedeste misericórdia a Ibrāhīm (A) e à sua família. Ó Allah! Concede bênçãos a Muhammad (S) e à sua família, assim como concedeste bênçãos ao honorável Ibrāhīm (A) e à sua família.
Súplica após o durude
Após o durude, recite a seguinte súplica:(Árabe****************)
Ó Allah! Cometi uma grande injustiça contra mim mesmo, e não há ninguém além de Ti que possa perdoar os pecados. Portanto, concede-me o Teu perdão especial e tem misericórdia de mim. Certamente, Tu és Perdoador e Misericordioso.
Ou recite a seguinte súplica, ou recite ambas.(Árabe********************)
Ó Allah! Busco refúgio em Ti contra o castigo do Inferno e contra o castigo da sepultura; busco refúgio em Ti contra a provação do Masih Dajjal; busco refúgio em Ti contra as provações da vida e da morte. Ó Allah! Busco refúgio em Ti contra os pecados e contra as dívidas esmagadoras.
Salam
Depois de recitar esta súplica, para terminar a oração, vire primeiro o rosto para a direita e diga: “Assalamu alaikum wa rahmatullah”; depois vire o rosto para a esquerda e diga: “Assalamu alaikum wa rahmatullah”. Ao dizer essas palavras, deve-se ter em mente que esta súplica de paz e misericórdia é dirigida a todos os que participam da oração e aos anjos. Depois de terminar a oração, você pode fazer qualquer súplica permitida. Muitas súplicas e recordações foram transmitidas pelo Profeta (que a paz esteja com ele). Pratique assiduamente essas súplicas e recordações. Algumas súplicas são apresentadas a seguir:
Súplica após a oração
(Árabe**************)
Peço perdão a Allah. Ó Allah! Somente Tu és a fonte da paz, e as correntes de paz fluem de Ti. Tu és o possuidor de toda bondade e bênção, ó Possuidor de misericórdia e benevolência — (Muslim).
2. Certo dia, o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), segurando a mão de Hazrat Mu‘az (que Allah esteja satisfeito com ele), disse: “Mu‘az! Eu amo-te.” Em seguida, disse: “Recomendo-te que não te esqueças de fazer esta súplica depois de nenhuma oração. Recita-a obrigatoriamente depois de cada oração:”
(Árabe**************)
Ó Allah! Ajuda-me para que eu possa agradecer-Te e prestar-Te devidamente a minha adoração.
(Árabe***************)
Não há divindade além de Allah. Ele é Único e Singular; não tem parceiro. A autoridade, o domínio e a soberania pertencem somente a Ele, e somente Ele é digno de louvor e gratidão. Ele tem poder sobre todas as coisas. Ó Allah! Ninguém pode impedir o que Tu concedes. E aquilo que Tu não concedes, quem mais poderá dar? A grandeza de nenhuma pessoa grandiosa tem qualquer valor diante de Ti — (Bukhari e Muslim).
4. Subhanallah 33 vezes, Alhamdulillah 33 vezes, Allahu Akbar 33 vezes e uma vez (Árabe********)
Allah é Puro e Santíssimo; todo louvor pertence a Allah; Allah é o Maior de todos; não há divindade além de Allah. Ele é Único e não tem associado algum. A soberania pertence a Ele, e somente a Ele pertence todo louvor. E Ele tem poder sobre todas as coisas — (Sahih Muslim, narrado por Abu Hurairah).
Método da oração das mulheres
A maneira de realizar a maioria dos pilares da oração é a mesma para as mulheres e para os homens. Contudo, há seis diferenças na realização de certos atos da oração pelas mulheres. A razão fundamental dessa diferença é que, durante a oração, as mulheres devem dar atenção especial à cobertura das partes íntimas e ao recato. Os seis atos cuja realização é diferente são os seguintes:
1. Elevar as mãos no takbīr taḥrīmah
Faça frio ou calor, as mulheres devem sempre elevar as mãos para o takbīr taḥrīmah de dentro do xale, dupatta ou vestimenta semelhante. Não se deve tirar as mãos para fora do xale ou dupatta; elas devem ser elevadas somente até os ombros, e não até as orelhas.
2. Colocar as mãos
As mulheres devem sempre colocar as mãos sobre o peito. Não devem colocá-las abaixo do peito, sobre o umbigo. Em vez de segurar o pulso esquerdo com o polegar e o dedo mínimo da mão direita, devem simplesmente colocar a palma da mão direita sobre o dorso da palma da mão esquerda.
3. Rukūʿ
No rukūʿ, as mulheres devem inclinar-se apenas o suficiente para que as duas mãos alcancem os joelhos. Em vez de segurar os joelhos com os dedos, devem simplesmente colocar os dedos unidos sobre os joelhos. Além disso, os cotovelos de ambas as mãos devem permanecer encostados aos lados do corpo.
4. Sجدah
Durante o sujūd, as mulheres devem manter o abdômen encostado às coxas e os braços junto às axilas. Devem manter as mãos no chão até os cotovelos e estender as duas pernas, em vez de mantê-las levantadas.
5. Qaʿdah e Jalsah
No qaʿdah ou jalsah, deve-se sentar com os dois pés voltados para o lado direito, apoiando-se sobre o lado esquerdo, de modo que a coxa direita fique junto à coxa esquerda e a panturrilha da perna direita fique sobre o pé esquerdo.
6. Qirāʾah
As mulheres devem sempre fazer a qirāʾah em voz baixa. Elas não têm permissão para recitar em voz alta em nenhuma oração.
Como realizar a oração do Witr
A oração realizada após a oração de isha é chamada de witr. É chamada de witr porque suas rak‘ahs são ímpares. A oração de witr é wajib. O Profeta (que a paz esteja sobre ele) deu uma ênfase especial a ela. Ele disse:
“Aquele que não realizar o witr não tem qualquer relação conosco.” [Abu Dawud, Hakim. Devido a esta ênfase, o Imam Abu Hanifa (que Allah tenha misericórdia dele) considera-o wajib. Contudo, segundo os Ahl al-Hadith, o Imam Shafi‘i e o qadi Abu Yusuf, a oração de witr é sunnah.] A oração de witr consiste em três rak‘ahs, como a oração de maghrib. 2 O Imam Shafi‘i e os Ahl al-Hadith defendem a realização de uma rak‘ah. Segundo os Ahl al-Hadith, também é permitido realizar três, cinco, sete ou até nove rak‘ahs, pois isso é comprovado pelos hadiths. O modo de realizá-las é o seguinte: se alguém quiser realizar três ou cinco rak‘ahs com um único salam, não deverá sentar-se no meio para o tashahhud; deverá sentar-se na última rak‘ah, recitar o tashahhud e o durood, e concluir com o salam. Para realizar sete ou nove rak‘ahs com um único salam, deverá sentar-se antes da última rak‘ah e, recitando apenas “Attahiyyat”, levantar-se. Depois, realizará uma rak‘ah e, após recitar Attahiyyat, durood e a súplica, concluirá com o salam. — [Namaz-e-Muhammadi, Maulana Muhammad Junagarhi (que Allah tenha misericórdia dele).] A maioria dos Companheiros fuqaha realizava três rak‘ahs.
O modo de realizar a oração de witr é o seguinte: realize duas rak‘ahs como na oração fard. Depois, na terceira rak‘ah, após a Surah al-Fatihah, recite uma surah curta ou alguns versículos. Em seguida, pronuncie o takbir e levante ambas as mãos até às orelhas, da mesma forma que as levanta no takbir tahrimah. Depois, mantendo as mãos unidas, recite calmamente a du‘a al-qunut. [Segundo os Ahl al-Hadith, em vez de manter as mãos unidas após o ruku‘, deve-se levantá-las em direção ao céu e recitar a du‘a al-qunut.
(****) Significado: Ó Allah, perdoa-me. (*****) Significado: O verdadeiro Rei, puro e grandioso, está acima de todas as falhas e deficiências. (****) Significado: Senhor dos anjos e de Jibril, o confiável. (Abu Dawud, Nasa’i)
Qunut al-Nazilah
Por qunut al-nazilah entende-se a súplica que o sagrado Profeta (que a paz esteja sobre ele) recitava para proteger-se da destruição causada pelos inimigos, para quebrar seu poder e destruí-los. ***1 Depois dele, os nobres Companheiros (que Allah esteja satisfeito com eles) estabeleceram a prática de recitá-la. ****2
Se, em algum momento, os muçulmanos enfrentarem uma situação difícil; se suas vidas se tornarem insuportáveis devido ao perigo iminente vindo dos inimigos, dia e noite, e ao medo e terror causados por eles; se a força dos inimigos for visível por todos os lados e eles continuarem a infligir uma opressão desumana aos muçulmanos com o objetivo de destruir a comunidade islâmica e apagar a luz do Islam, então, para escapar de uma situação tão desesperadora, é masnun recitar o qunut al-nazilah e pedir a Allah que quebre o poder dos inimigos e os destrua.
Questões relativas ao qunut al-nazilah]
Súplica do Qunut
(Árabe*************)
Ó Allah! Somente de Ti buscamos ajuda e somente a Ti pedimos perdão. Cremos em Ti e confiamos somente em Ti. Louvamos-Te da melhor maneira, agradecemos-Te e não somos ingratos para contigo. Abandonamos aqueles que Te desobedecem e rompemos os laços com eles. Ó Allah! Somente a Ti adoramos, somente para Ti rezamos e somente diante de Ti nos prostramos. Corremos apressadamente em Tua direção e estamos prontos para obedecer às Tuas ordens. Esperamos a Tua misericórdia e tememos o Teu castigo. Certamente, o Teu castigo alcançará os incrédulos.
É bom recitar junto com ela a seguinte súplica:
(Árabe**********)
Ó Allah! Concede-me orientação e inclui-me entre os orientados. Concede-me prosperidade e inclui-me entre os prósperos. Assume a minha proteção e inclui-me entre aqueles de quem Tu és o Protetor. Abençoa o que me concedeste e protege-me do mal que decretaste. Pois somente Tu decretas, e nenhum decreto contra Ti pode ser executado. Aquele de quem Tu és o Protetor ninguém pode humilhar; e jamais poderá obter honra aquele que Tu transformaste em Teu inimigo. Tu és o Grandioso em bênçãos, ó meu Senhor, Altíssimo e Magnífico. Que as bênçãos e a paz estejam sobre o querido Profeta e sobre os seus descendentes.
Os seguidores de Ahl al-Hadith recitam esta súplica no Witr.
Se a súplica do Qunut não estiver memorizada, deve-se memorizá-la o quanto antes. Enquanto não estiver memorizada, deve-se recitar a seguinte súplica em lugar da súplica do Qunut.
(Árabe*************)
Ó Allah! Concede-nos o bem neste mundo e concede-nos o bem na Outra Vida, e salva-nos do fogo do Inferno. Se isto também não for memorizado, recite (***) três vezes. É mustahabb (****) recitar esta súplica depois de pronunciar o salām da oração do Witr; ao recitá-la três vezes, recite-a em voz alta na terceira vez *****.
Na oração do Witr, pode-se recitar qualquer surata depois da surata al-Fátiha. Contudo, é preferível recitar (****) na primeira rakʿah, (****) na segunda rakʿah e (*(****) na terceira rakʿah.
Abu Ubaid ibn Kaʿb afirma que o Profeta (s) recitava estas três suratas no Witr.
1. É permitido recitar o qunut al-nazila em todas as orações nas quais se recita em voz alta. ****৩ Deve-se providenciar especialmente a sua recitação na oração do Fajr.
****১ Hazrat Abu Huraira (r.a.) afirma que o Profeta (s) recitava este qunut na oração do ʿIshāʾ continuamente durante até um mês, para libertar os prisioneiros muçulmanos e destruir os incrédulos. Abu Huraira (r.a.) afirma: certo dia, o Profeta (s) não recitou esta súplica. Então perguntei ao Profeta (s) o motivo de não a ter recitado. Ele respondeu: “Não viste que os prisioneiros muçulmanos foram libertados?” — (Abu Dawud)
****২ Foi relatado a respeito de Hazrat Abu Bakr (r.a.) que ele recitou este qunut al-nazila durante a guerra contra Musaylima, o Mentiroso. Do mesmo modo, Hazrat Umar (r.a.), Hazrat Ali (r.a.) e Amir Muawiya (r.a.) recitaram o qunut al-nazila durante as guerras. (Ghaniyat al-Mustamli).
****৩ Allama Tahawi mencionou a recitação do qunut al-nazila somente na oração do Fajr. O autor do livro Shami deu preferência a esta opinião.
2. Se os liderados souberem de cor a súplica do qunut nazila, o imame também a recitará em voz baixa, e todos os liderados igualmente a recitarão em voz baixa. Porém, como hoje em dia os liderados em geral não sabem a súplica de cor, é preferível que o imame a recite em voz alta ***1, pausadamente, enquanto os liderados continuam dizendo: “Amém, amém”.
3. Depois de se levantar do rukūʿ na última rakʿah, o imame e todos os liderados juntarão as mãos ***2; o imame recitará o qunut, e os liderados dirão “Amém” em voz baixa. Segundo o imame Abū Ḥanīfa e o imame Abū Yūsuf, é sunna recitar o qunut nazila com as mãos juntas.
4. Quem realiza a oração sozinho também pode recitar o qunut. As mulheres também podem recitá-lo em suas orações.
A súplica do qunut nazila
(Árabe***************)
Ayni analisou a recitação em voz alta em todas as orações nas quais se recita em voz alta. As palavras de Ayni, em Sharḥ Hidāya, são as seguintes:
(Árabe*********)
Se alguma vez ocorrer uma calamidade aos muçulmanos, o imame recitará o qunut nas orações nas quais a recitação é feita em voz alta. Essa também é a opinião da maioria dos ulemás e do imame Aḥmad ibn Ḥanbal. Consulte Qunut Nazila e as questões relacionadas, do falecido mufti Muḥammad Kifāyatullāh.
***1 Abu Huraira (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: o Profeta (que a paz esteja com ele) recitava o qunute de nazila em voz alta. (Bukhari).
***2 Se alguém, em vez de cruzar as mãos, fizer a súplica com as mãos levantadas, ou rezar com as mãos soltas, conforme a opinião do imame Muhammad, há permissão para fazê-lo à luz dos hadiths. Isso porque não é de modo algum desejável discutir, brigar e causar conflitos sobre essas questões.
Ó Allah! Concede-nos orientação e inclui-nos entre aqueles a quem concedeste orientação. Concede-nos prosperidade e inclui-nos entre aqueles a quem concedeste prosperidade. Sê nosso Protetor e inclui-nos entre aqueles de quem Te tornaste o Protetor. Abençoa aquilo que nos concedeste. Protege-nos do mal sobre o qual decretaste, pois és Tu quem decreta, e ninguém pode fazer prevalecer um decreto contra Ti. Aquele de quem és o Protetor jamais pode ser humilhado e desprezado. Aquele a quem declaras Teu inimigo jamais pode alcançar honra. Tu és o Dono de abundantes bênçãos. Ó nosso Senhor, Altíssimo e Sublime! Pedimos-Te perdão e nos arrependemos diante de Ti. Que a misericórdia de Allah esteja sobre o Profeta (que a paz esteja com ele).
Ó Allah! Perdoa-nos. Perdoa os homens e mulheres crentes e os homens e mulheres muçulmanos; une os seus corações, fortalece as suas relações mútuas e ajuda-nos contra os Teus inimigos e contra os inimigos deles.
Ó Allah! Amaldiçoa todos aqueles incrédulos que desviam as pessoas e as afastam do Teu caminho, que consideram mentirosos os Teus mensageiros e que provocam divergências entre os Teus amados. Lança-os em medo e tremor e faz descer sobre eles um castigo tal que não afastes por causa dos seus pecados.
Descrição das orações facultativas
As práticas que o Profeta (que a paz esteja com ele) realizava juntamente com as cinco orações diárias já foram mencionadas detalhadamente acima, no contexto das cinco orações. Além dessas, o Nobre Profeta (que a paz esteja com ele) rezava muitas orações facultativas em diferentes ocasiões. Nos hadiths, são mencionadas muitas virtudes dessas orações. Na realidade, é por meio da prática abundante de atos facultativos de adoração que o servo alcança proximidade de Allah e se torna merecedor de uma grande posição. Excetuando-se os horários em que a oração é desaconselhada, sempre que alguém desejar rezar orações facultativas, e por mais que deseje rezar, isso será para ele causa de bem e bênção. Naturalmente, o Profeta (que a paz esteja com ele) realizou algumas orações facultativas específicas em horários específicos e também mencionou as virtudes particulares de cada uma. A seguir, serão apresentadas essas orações facultativas específicas.
A oração do tahajjud
A oração do Tahajjud é Sunnah. O Profeta (s) rezava regularmente esta oração o tempo todo e incentivava os Companheiros honrados (ra) a cumpri-la regularmente. No Alcorão Sagrado, há uma ênfase especial na oração do Tahajjud. Uma vez que foi ordenado à Ummah que seguisse o Profeta, essa ênfase no Tahajjud foi feita indiretamente para toda a Ummah.
(Árabe*************)
E continua rezando o Tahajjud durante uma parte da noite. Isto é uma graça e uma generosidade adicionais de Allah para contigo. Em breve, Allah te concederá a posição desejada em ambos os mundos — (Bani Isra’il: 7).
O Alcorão denomina de Muhsin e Muttaqi aqueles que praticam regularmente o Tahajjud e declara que eles são merecedores da misericórdia de Allah e da felicidade e prosperidade eternas na Outra Vida.
(Árabe************)
Certamente, os Muttaqis permanecerão desfrutando das delícias dos jardins e das fontes, e aceitarão tudo o que o seu Senhor, o Parvardigar, continuar a conceder-lhes. Pois, sem dúvida, antes disso, na vida mundana, eles eram Muhsinin (grandes virtuosos). Dormiam apenas uma pequena parte da noite e, na última parte da noite, praticavam o Istighfar. (Pediam, chorando, o perdão de Allah.) (Adh-Dhariyat: 15–18)
Na verdade, a oração do Tahajjud é um meio indispensável e eficaz para purificar e santificar a mente e o caráter, e para permanecer firme no caminho da verdade.
(Árabe*****************)
De fato, levantar-se durante a noite é muito eficaz para disciplinar a mente, e a recitação do Alcorão ou o dhikr nesse horário é especialmente apropriada. (Al-Muzzammil: 6).
Allah chamou esses servos de Seus servos prediletos e testemunhou sua piedade e sua fé. (Subhanallah)
(Árabe**************)
Eles são os servos prediletos de Allah: aqueles que se prostram diante de seu Senhor e passam a noite em oração. (Al-Furqan: 63–64).
Essa qualidade distintiva dos crentes os mantinha firmes diante dos ferozes ataques da descrença e os coroava com a vitória. Entre as causas fundamentais da incomparável vitória dos mujahidins desarmados que fizeram ressoar a voz da verdade no campo de Badr estava também o fato de que, no fim da noite, choravam diante de Allah, derramando lágrimas, e pediam perdão pelos pecados.
(Árabe*************)
Essas pessoas são firmes e inabaláveis nas provações de fogo, seguem a verdade, são plenamente obedientes, gastam seus bens no caminho de Allah e, nas últimas horas da noite, pedem a Allah perdão por seus erros. (Al ‘Imran: 17).
O próprio Nobre Profeta (que a paz esteja com ele) disse muitas coisas sobre a excelência do tahajjud. Hazrat Abdullah ibn Salam (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: quando o Profeta (que a paz esteja com ele) chegou a Medina, estas foram as primeiras palavras que ouvi de sua santa boca:
“Ó gente! Divulgai e propagai o Islã, dai alimento às pessoas, mantende os laços de parentesco e, enquanto as pessoas estiverem dormindo, continuai rezando à noite. Assim, entrareis seguramente no Paraíso — (Al-Hakim, Ibn Majah, Tirmidhi).”
Hazrat Salman al-Farisi (que Allah esteja satisfeito com ele) relatou que o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse:
“Praticai a oração do tahajjud; ela é o hábito dos virtuosos, aproximar-vos-á de Allah, apagará os pecados, proteger-vos-á dos pecados e eliminará as doenças do corpo.”
Em outra ocasião, ele disse:
Depois das orações obrigatórias, a melhor oração é a oração do tahajjud realizada à noite — (Sahih Muslim, Ahmad).
O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) também disse:
No final da noite, Allah, o Altíssimo, desce em direção ao mundo e diz: “Há alguém que Me invoque, para que Eu atenda à sua invocação? Há alguém que peça, para que Eu lhe conceda? Há alguém que peça perdão pelos pecados, para que Eu perdoe os seus pecados?” — (Sahih Bukhari).
O horário da oração do tahajjud
O significado de tahajjud é levantar-se do sono. A ordem do Alcorão para realizar tahajjud durante parte da noite significa levantar-se, depois de dormir por uma parte da noite, e oferecer a oração. O horário recomendado para o tahajjud é que a pessoa durma depois da oração do isha e, então, se levante após a meia-noite para orar.
O Profeta (que a paz esteja com ele) às vezes se levantava no meio da noite, e às vezes um pouco antes ou depois, e, olhando para o céu, recitava alguns versículos da última seção da surata آل عمران. Depois, usava o miswak, fazia a ablução e oferecia a oração. Ao se levantar do sono, ele recitava os seguintes versículos —(Árabe***************)
De fato, há muitos sinais na criação dos céus e da Terra e na alternância da noite e do dia para os sábios, que se lembram de Allah em pé, sentados e deitados, e refletem sobre a engenhosa criação dos céus e da Terra. Então dizem espontaneamente: “Ó nosso Senhor! Não criaste tudo isso sem propósito. Tu és puro, santíssimo e grandioso, acima de toda futilidade. Portanto, ó nosso Senhor, salva-nos do fogo do Inferno. Aquele a quem lançares no Inferno, certamente o lançarás em extrema humilhação. E esses injustos não terão então nenhum ajudador. Ó Senhor! Ouvimos um pregador que convoca à fé e nos ordena aceitar o nosso Senhor. Aceitamos o seu chamado. Ó meu Senhor! Perdoa os nossos pecados. Remove de nós as más ações que cometemos e concede que o nosso fim seja junto dos virtuosos. Ó Allah! Cumpre as promessas que fizeste por meio dos Teus Mensageiros e não nos humilhes no Dia da Ressurreição. Certamente, Tu não quebras a promessa.” (Al Imran)
O número de rak’ahs do tahajjud
O número de rak’ahs do tahajjud é, no mínimo, dois, e o máximo é oito. O hábito do Nobre Profeta (que a paz esteja com ele) era oferecer oito rak’ahs, duas a duas. Por isso, é melhor oferecer oito rak’ahs. Contudo, isso não é obrigatório. Conforme as circunstâncias e a oportunidade, basta oferecer quantas forem possíveis.
A oração de tarawih
A oração de tarawih é uma sunnah mu’akkadah tanto para mulheres quanto para homens. Para os homens, é sunnah oferecer a oração de tarawih em congregação. O tarawih consiste em vinte rak’ahs ****1
Hazrat Umar (que Allah esteja satisfeito com ele) estabeleceu a realização da oração de tarawih com vinte rak’ahs. Mais tarde, os Khulafa-e-Rashidun também ofereceram vinte rak’ahs.
O método de realizar a oração de Tarawih é fazer a intenção de duas rak‘at de Tarawih como sunnah e rezá-las da mesma forma que se rezam as outras orações sunnah e nafl. Após cada quatro rak‘at, sente-se pelo tempo necessário para realizar quatro rak‘at. Enquanto estiver sentado, é bom recitar alguns tasbih e fazer dhikr. Também é permitido permanecer sentado em silêncio.
O horário da oração de Tarawih vai depois da oração de Isha até antes do Fajr.
Nos hadiths, são mencionadas muitas virtudes da oração de Tarawih. O nobre Profeta (que a paz esteja sobre ele) disse:
“Quem realizar a oração de Tarawih nas noites do Ramadan, com fé e buscando a recompensa da Outra Vida, terá todos os pecados que cometeu perdoados por Allah, o Altíssimo.” (Bukhari e Muslim).
Para uma descrição detalhada da oração de Tarawih, consulte o capítulo sobre o jejum.
1. Segundo os Ahl al-Hadith, a oração de Tarawih consiste em oito rak‘at.
A oração de Chasht
A oração de Chasht é mustahabb. Seu horário começa quando o sol já tiver surgido completamente e sua luz se tiver espalhado, e continua até antes do meio-dia começar a declinar. Nesse período, quem quiser pode realizar quatro rak‘at ou mais de oração nafl. O Profeta (que a paz esteja sobre ele) realizou quatro rak‘at e também mais de quatro. A intenção para a oração de Chasht deve ser feita assim:
Formulo a intenção de realizar quatro rak‘at da oração Duha, conforme a Sunnah do Profeta.
Tahiyyat al-Masjid
Tahiyyat al-Masjid é uma oração recomendada pela Sunnah para aqueles que entram na mesquita. O Profeta (que a paz esteja com ele) disse: “Quando algum de vocês entrar na mesquita, não se sente antes de realizar estas duas rak‘at.” (Bukhari e Muslim).
Como a mesquita é construída para a adoração de Allah, em respeito a ela a pessoa deve prostrar-se diante de Allah imediatamente após entrar. Se, depois de entrar na mesquita, alguém realizar a oração obrigatória ou qualquer oração wajib, sunnah etc., então Tahiyyat al-Masjid será considerada cumprida. Pode-se realizar Tahiyyat al-Masjid em duas rak‘at ou em mais.
Tahiyyat al-Wudu
Depois de concluir o wudu, é recomendado realizar duas rak‘at antes que a água do wudu seque. Essa oração é chamada Tahiyyat al-Wudu. Não há problema em realizar quatro rak‘at. Também foram mencionadas nos hadiths as virtudes de Tahiyyat al-Wudu. O Profeta (que a paz esteja com ele) disse:
“Para aquele que fizer o wudu corretamente e realizar duas rak‘at com plena sinceridade, o Paraíso se torna obrigatório” — (Sahih Muslim).
Também é recomendado realizar essas duas rak‘at depois do ghusl, pois o wudu também é realizado junto com o ghusl.
Nafl durante a viagem
Antes de partir para uma viagem, é mustahab rezar duas rak‘ahs; e, ao voltar da viagem, deve-se entrar em casa depois de realizar duas rak‘ahs na mesquita. Quando o Profeta (s) retornava de uma viagem, chegava primeiro à mesquita e rezava duas rak‘ahs (Sahih Muslim). Ele disse: “Durante a viagem, nada melhor do que duas rak‘ahs rezadas em casa é deixado pela pessoa em casa.” (Tabarani).
Se alguém, durante uma viagem, quiser permanecer em algum lugar, será mustahab realizar primeiro duas rak‘ahs de oração nesse local (consulte as obras de Shami e outras).
Salat al-Awwabin
A Salat al-Awwabin é realizada depois do Maghrib. O Profeta (s) expôs sua grande virtude e incentivou sua realização. A Salat al-Awwabin deve ser realizada depois do Maghrib em seis rak‘ahs, de duas em duas. Essa oração é mustahab.
Salat al-Tasbih
Esta oração é chamada de Salat al-Tasbih porque, em cada uma de suas rak‘ahs, este tasbih é recitado setenta e cinco vezes—
(Árabe***********)
A Salat al-Tasbih é recomendável. Nos hadiths, são mencionadas muitas recompensas por ela. O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) realizou esta oração com quatro rak‘ats. Por isso, é preferível realizar as quatro rak‘ats com um único salam. Contudo, também será válido realizá-la em duas rak‘ats.
O modo de realizar a Salat al-Tasbih é o seguinte: formule a intenção de realizar quatro rak‘ats de Salat al-Tasbih e junte as mãos. Depois de recitar a Sana, recite este tasbih quinze vezes.
Em seguida, recite A‘udhu billahi, Bismillah, a Surata al-Fatiha e alguma parte do Alcorão. Depois, recite o tasbih dez vezes.
Ao inclinar-se para o ruku‘, depois do tasbih do ruku‘, recite este tasbih dez vezes; ao levantar-se do ruku‘, durante a qawma, recite-o dez vezes; na sajda, depois de ‘Subhana Rabbiyal-A‘la’, recite-o dez vezes; ao levantar-se da sajda, durante a jalsa, recite-o dez vezes. Na segunda sajda, recite-o igualmente dez vezes.
Depois, na segunda rak‘at, faça da mesma maneira: quinze vezes depois da Sana, dez vezes depois da recitação, dez vezes no ruku‘, dez vezes ao levantar-se do ruku‘, dez vezes em cada uma das duas sajdas e dez vezes entre as duas sajdas.
Depois, realize a terceira e a quarta rak‘at exatamente da mesma forma. Ou seja, recite o tasbih 75 vezes em cada rak‘at, totalizando 300 vezes. Para controlar a contagem do tasbih, não conte dobrando as articulações dos dedos; em vez disso, conte pressionando os dedos. Se esquecer de recitá-lo em algum momento, complete-o em outro lugar. Por exemplo, se esquecer o tasbih durante a jalsa, complete-o na sajda. Se esquecer de recitá-lo na sajda, não o complete na jalsa, pois a jalsa não deve ser mais longa que a sajda. Nesse caso, complete-o na outra sajda.
A oração do arrependimento
Toda pessoa erra e comete pecados. Quando alguém comete um pecado, é recomendável que, sentindo vergonha e arrependimento, chore e implore perante Allah e realize duas rak‘ats para pedir o perdão do pecado.
Hazrat Abu Bakr (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: O Santo Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) declarou:
Se algum muçulmano cometer um pecado, deve purificar-se, rezar duas rak‘at de oração voluntária e pedir a Allah que perdoe o pecado. Então Allah perdoará o seu pecado. Depois, ele recitou este versículo.
(Árabe*************)
E a condição deles é tal que, se alguma vez cometerem uma obscenidade ou forem injustos consigo mesmos ao cometerem um pecado, imediatamente se lembram de Allah e pedem-Lhe perdão pelos pecados. Pois quem, além de Allah, pode perdoar os pecados? E eles não persistem conscientemente nos delitos que cometeram. (Al ‘Imran 135)
A oração do kusuf e do khusuf ***1
É sunnah rezar duas rak‘at durante o kusuf e o khusuf. No entanto, não é necessário fazer o adhan e a iqamah para isso. Se for necessário reunir as pessoas, isso deverá ser feito de outra maneira.
Na oração, é sunnah recitar suratas longas, como a Surata Al-Baqara ou Al ‘Imran, e fazer rukus bem longos. ****2 Depois da oração, o imame ocupar-se-á com a súplica, e os seguidores continuarão dizendo: “Amin, amin”. Então, assim que o eclipse terminar, a súplica também terminará. Contudo, se chegar o horário de outra oração antes do fim do eclipse, deve-se interromper a súplica e realizar a oração daquele horário.
A oração em congregação não é sunnah durante o khusuf. Cada pessoa deverá rezar individualmente duas rak‘at. O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) declarou:
O sol e a lua são dois sinais de Allah. Eles não sofrem eclipse por causa do nascimento ou da morte de alguém. Quando virdes que o sol ou a lua está eclipsado, invocai Allah, suplicai-Lhe e realizai a oração até que o eclipse termine e o sol ou a lua volte a ficar claro. ****3
Se ocorrer um eclipse solar durante os horários em que a oração é proibida, como no nascer do sol, no pôr do sol ou ao meio-dia, não se deve realizar a oração. Contudo, se o eclipse continuar depois de passado esse horário proibido, pode-se realizar a oração.
É sunna recitar em voz alta na oração do kusuf. Do mesmo modo, é sunna realizar orações facultativas em momentos de medo, calamidade, aflição e sofrimento.
***1 O eclipse solar é chamado de kusuf, e o eclipse lunar, de khusuf.
***2 É recomendável recitar a Sura Al-Ankabut na primeira rak‘at e a Sura Ar-Rum na segunda rak‘at. Contudo, isso não é obrigatório.
****3 Bukhari e Muslim.
Por exemplo, pode ocorrer uma terrível tempestade, uma chuva torrencial e incessante, um terremoto, raios começarem a cair do céu, uma epidemia começar, surgir o temor do inimigo ou começarem a desordem e atos destrutivos — em suma, é sunna realizar a oração em todos os momentos de calamidade. Essa oração deve ser realizada individualmente, conforme a própria conveniência.
Salat al-Hajah
Quando o servo se deparar com alguma necessidade especial — quer essa necessidade esteja relacionada a Allah, como o desejo de ser aprovado num exame, ou à necessidade de uma casa ou loja; quer esteja relacionada a outra pessoa, como o desejo de casar-se com uma moça que ame o Islã, ou a necessidade de conseguir um emprego sob a autoridade de alguém — é mustahabb que ele realize duas rak‘ahs de oração com a intenção de Salatul Hajat. Depois, recitará a seguinte súplica:
(Árabe*************)
Não há divindade além de Allah. Ele é Aquele que perdoa muitas faltas e é extremamente misericordioso. Ele está livre de toda falha e imperfeição, é o Senhor do grandioso Trono. Todo louvor pertence unicamente a Allah, Senhor e Sustentador de todos os mundos. Ó Allah, peço-Te aquelas coisas cuja obtenção requer necessariamente a Tua misericórdia e que são causa da Tua generosidade e do Teu perdão. Desejo participar de todo bem e almejo estar a salvo de todo pecado. Ó Allah, não Te detenhas até perdoares os meus pecados, removeres a minha tristeza e pobreza, e satisfazeres todas as minhas necessidades que Te agradam — ó Mais Generoso dos generosos!
Depois dessa súplica, peça o que desejar. Esta oração é comprovada para a realização das necessidades.
Certa vez, um homem cego compareceu perante o Profeta (s) e disse: “Ó Mensageiro de Allah, suplica a Allah pela minha visão.” O Profeta (s) disse: “Se tiveres paciência, receberás uma recompensa muito grande; mas, se quiseres, suplicarei por ti.”
Quando ele expressou o desejo de que o Profeta fizesse a súplica, o Profeta (s) ensinou-lhe esta oração — (Ilmul Fiqah, vol. 2).
A oração de Istikhara
A palavra istikhara significa desejar o bem. Se surgir alguma situação — por exemplo, receber uma proposta de casamento e não saber se deve aceitá-la ou rejeitá-la; surgir a questão de viajar ou não viajar; iniciar algum negócio; associar-se a outra pessoa em algum assunto; comprar ou vender uma loja, uma casa ou um terreno; ou aceitar ou deixar um emprego — isto é, se surgir algum problema em qualquer assunto, é mustahabb, para tomar uma decisão, realizar duas rak‘ahs de oração nafl e recitar a súplica prescrita da istikhara. Depois da istikhara, se a pessoa seguir a direção pela qual sentir inclinação e tendência no coração, alcançará sucesso pela graça de Allah.
O Profeta (que a paz esteja com ele) disse: aquele que faz istikhara nunca fracassa; aquele que consulta nunca se arrepende; e aquele que é econômico nunca fica dependente dos outros — (Tabarani).
Hazrat Sa’d ibn Abi Waqqas (que Allah esteja satisfeito com ele) narra que o Profeta (que a paz esteja com ele) disse: fazer istikhara perante Allah é uma fonte de felicidade para os filhos de Adão. Estar satisfeito com a vontade de Allah também é uma fonte de felicidade para os filhos de Adão. A desventura dos filhos de Adão consiste em não fazerem istikhara perante Allah e em demonstrarem descontentamento com a decisão de Allah — (Musnad Ahmad).
Método para fazer istikhara
O método de fazer istikhara é o seguinte: em qualquer momento conveniente, exceto nos horários proibidos, faça duas rak’ahs de oração de istikhara, como uma oração nafl comum. Em seguida, recite o hamd e a sana de Allah, bem como o durood sharif. Depois, recite a súplica de istikhara ensinada pelo Profeta e durma voltado para a qibla. É recomendável fazê-lo sete vezes. Depois, siga a direção para a qual perceber que tende o seu coração, considerando-a como a vontade de Allah.
Se, por algum motivo, não for possível realizar a oração — por exemplo, se uma mulher estiver menstruada ou em estado de nifas —, será suficiente recitar apenas a súplica. Depois, deve-se agir de acordo com a direção para a qual o coração se inclinar.
A súplica de istikhara
Hazrat Jabir (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: assim como o Profeta (que a paz esteja com ele) nos ensinava o Sagrado Alcorão, também nos ensinava a súplica de istikhara.
Ele dizia:
Se algum de vós, em algum momento, ficar preocupado com uma questão importante, que faça duas rak‘at de oração voluntária e recite esta súplica:
(Árabe*************)
Ó Allah! Com base no Teu conhecimento, peço-Te o bem, e, por meio do Teu poder, imploro a Tua imensa graça e generosidade. Pois Tu és o Dono do poder, enquanto eu sou impotente. Tu sabes tudo, e eu não sei; e Tu conheces perfeitamente o invisível.
Ó Allah! Se, segundo o Teu conhecimento, este assunto for benéfico para mim, para a minha religião, para a minha vida mundana e quanto ao seu desfecho final, então decreta-o para mim, facilita-o para mim e abençoa-o para mim. Mas, se este assunto for prejudicial para mim, para a minha religião, para a minha vida mundana e quanto ao seu desfecho, então afasta-o de mim e salva-me dele; decreta para mim o bem onde quer que ele esteja e, depois, concede-me a capacidade de ficar satisfeito e firme.
Descrição da mesquita
Depois de emigrar para Medina Sharif, a maior preocupação do nobre Profeta (que a paz esteja com ele) foi construir uma mesquita para a adoração de Allah. Perto da sua residência havia um terreno pertencente a duas crianças órfãs chamadas Sahl e Suhail. O Profeta (que a paz esteja com ele) chamou-as e comprou-lhes aquele terreno. Em seguida, iniciou a construção da mesquita. O próprio Profeta (que a paz esteja com ele) trabalhava com as mãos abençoadas junto dos ilustres Companheiros (que Allah esteja satisfeito com eles) e carregava tijolos e pedras. Ao ver isso, um dos Companheiros exclamou:
(Árabe***********)
Se ficarmos sentados em silêncio enquanto o Profeta (que a paz esteja com ele) trabalha com as próprias mãos, essa nossa atitude nos desviará do caminho.
Os Sahabah trabalhavam com entusiasmo e alegria, cantando poesias em melodia—
(Árabe***********)
Ó Allah! A verdadeira vida é a vida da Outra Vida. Portanto, concede misericórdia aos Ansar e aos Muhajirun.
Na realidade, a mesquita é um centro tão fundamental da vida islâmica que toda a vida dos muçulmanos gira ao seu redor. Além dela, não se pode sequer imaginar uma comunidade islâmica. Foi por isso que o Profeta (que a paz esteja com ele), logo após chegar a Medina, tomou providências para construir esta mesquita e carregou pessoalmente tijolos e pedras para construí-la.
Para manter viva entre os muçulmanos a força espiritual da religião, despertar neles um sentimento verdadeiro da existência da Millat e unificar suas partes dispersas, é necessário transformar a mesquita no centro da vida islâmica e estabelecer nela a oração em congregação. Foi com esse propósito que Hazrat Musa (que a paz esteja com ele) e Hazrat Harun (que a paz esteja com ele) receberam a ordem de designar algumas casas no Egito e estabelecer nelas a oração em congregação. Desse modo, foi ordenado que essas casas fossem transformadas no centro da vida dos muçulmanos e que as forças dispersas fossem reunidas.
(Árabe***********)
Ordenamos a Musa e a seu irmão: “Designai algumas casas no Egito para o vosso povo, fazei delas uma qibla e estabelecei a oração” (Yunus: 87).
O Mensageiro de Allah (que a paz esteja com ele) ofereceu vários incentivos para construir mesquitas e mantê-las em funcionamento. Ele disse—
Quem constrói uma mesquita buscando a satisfação de Allah, Allah lhe constrói uma casa no Paraíso — (Tirmidhi, Bukhari).
Construir uma mesquita significa construir o edifício da mesquita. Porém, em sentido verdadeiro, estabelecer uma mesquita significa adorar Allah nela e providenciar a realização das orações em congregação. Caso contrário, é certo que, se esse objetivo não for alcançado, a mesquita será apenas uma casa como as demais casas.
O Profeta (que a paz esteja sobre ele) disse: estará sob a sombra do Trono de Allah aquele cujo coração permanece sempre ligado à mesquita — (Bukhari).
Isto é, em nenhum momento o pensamento da mesquita se afasta de seu coração. Depois de realizar uma oração, espera ansiosamente pela próxima.
Para compreender a necessidade e a importância da mesquita em manter viva e desperta a vida religiosa dos muçulmanos, considere que o Profeta (que a paz esteja sobre ele), embora sofresse em seu leito de morte, levantou-se da cama mesmo nessa condição e, apoiando-se em dois homens, arrastou os seus pés abençoados pelo chão até chegar à mesquita. Depois, realizou a oração em congregação — (Bukhari).
Para Allah, em todo este mundo, a parte mais amada é aquela onde se encontra estabelecida uma mesquita de Allah. Então, como seria possível que os crentes não tivessem uma relação extraordinária com as mesquitas?
Abu Huraira (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: o Mensageiro de Allah (que a paz esteja sobre ele) disse:
Entre todos os lugares das localidades, os mais amados por Allah são as Suas mesquitas, e os mais detestados são os mercados dessas localidades (Muslim).
Certa vez, o Profeta (que a paz esteja com ele) descreveu a relação íntima com a mesquita como um sinal evidente da fé. Em seguida, determinou que, na sociedade muçulmana, aqueles que mantêm uma relação sincera com a mesquita e consideram o serviço à mesquita uma atividade querida são verdadeiros crentes; portanto, testemunhai a favor de sua fé. É certo que, na sociedade muçulmana, somente essas pessoas são dignas de respeito. Segui-las traz felicidade na religião e na vida mundana.
Hazrat Abu Sa’id al-Khudri (que Allah esteja satisfeito com ele) relatou que o Profeta (que a paz esteja com ele) disse:
Quando virdes alguém que mantém uma relação íntima com a mesquita e cuida dela, testemunhai que ele é um crente. Isso porque Allah diz:(Árabe*************)
Somente aqueles que creem em Allah e no Último Dia mantêm as mesquitas de Allah.
Este hadith foi narrado por Tirmidhi e Ibn Majah.
Boas maneiras e etiqueta da mesquita
1. Ao entrar na mesquita, deve-se colocar primeiro o pé direito. Em seguida, após recitar o Durood Sharif, deve-se fazer a súplica que o Profeta (que a paz esteja com ele) ensinou. O Profeta (que a paz esteja com ele) disse: Quando alguém dentre vós vier à mesquita, que envie bênçãos ao Profeta e faça esta súplica:(Árabe*************)
Ó Allah, abre para mim as portas da Tua misericórdia. (Sahih Muslim)
2. Ao entrar na mesquita, deve-se primeiro realizar duas rak‘at de oração voluntária Tahiyyat al-Masjid. O Profeta (s) disse: quando alguém dentre vós entrar na mesquita, não deve sentar-se até realizar duas rak‘at de oração. (Bukhari, Muslim).
3. Deve-se permanecer sentado na mesquita com tranquilidade e humildade, para que a grandeza e o temor de Allah preencham o coração. Fazer algazarra, brincar e rir, discutir assuntos mundanos, comprar e vender, bem como realizar outras atividades mundanas desse tipo, é contrário à dignidade da mesquita. O Profeta (s) advertiu contra essas ações. Ele disse:
Chegará um tempo em que as pessoas falarão na mesquita exclusivamente sobre assuntos mundanos. Não participeis das conversas dessas pessoas. Allah não aceitará a oração daqueles que, por causa desse tipo de negligência, se afastam da religião.
A grandeza da mesquita e o respeito por ela exigem que a pessoa entre ali com temor e reverência, e se sente humildemente onde quer que encontre lugar. É uma grave injustiça passar à frente empurrando as pessoas e passando por cima de seus pescoços. Também é errado correr precipitadamente para a mesquita a fim de alcançar o rukū‘ e a rak‘at com o imame. Correr dessa maneira é contrário à dignidade da mesquita. Quer se alcance ou não a rak‘at, deve-se caminhar até a mesquita com toda a educação e dignidade, em passos tranquilos. O Profeta (s) disse: é necessário que permaneçais na mesquita com calma e decoro.
4. Não se deve levar ou comer na mesquita coisas de odor desagradável. O Profeta (s) disse: ninguém deve vir à nossa mesquita depois de comer alho ou cebola, pois aquilo que causa incômodo às pessoas também causa incômodo aos anjos. (Bukhari, Muslim).
5. Não se deve levar à mesquita uma criança pequena que não consiga avisar quando estiver com vontade de urinar ou defecar. Há o receio de que ela urine ou defeque ali, ou de que, de alguma outra forma, desrespeite a santidade da mesquita. Também não se deve permitir a entrada na mesquita de pessoas insanas que não distinguem o puro do impuro.
6. Não é correto atravessar a mesquita como passagem. Ao entrar na mesquita, torna-se seu direito que aquele que entra realize uma oração, ou faça dhikr e recitação. Entrar por uma porta e sair casualmente por outra é desrespeitar a mesquita. Se alguém entrar por engano, deve sair assim que se lembrar.
7. Quando algo se perde, não é correto anunciá-lo na mesquita gritando em voz alta. Quando alguém fazia tal anúncio na mesquita, o Profeta (s) ficava descontente com ele e dizia:(Árabe**********)
Que Allah não devolva o que você perdeu — (Bukhari)
8. Deve-se manter uma profunda relação do coração com a mesquita. Deve-se ir à mesquita, em todos os horários das orações, com alegria e entusiasmo. O Santo Profeta (s) disse:
No terrível Dia da Ressurreição, quando não haverá sombra em lugar algum, exceto a do Trono de Allah. Nesse dia, sete tipos de pessoas estarão sob a sombra do Trono. Um desses tipos será formado por aqueles cujos corações permaneciam ligados à prostração. — (Bukhari).
Isso significa que terão uma relação íntima com a mesquita. Ela será sempre o objeto de sua atenção. Depois de terminar uma oração, ficará olhando para o relógio, aguardando o horário da oração seguinte.
O Profeta (s) disse:
Allah, o Altíssimo, prepara uma recepção para aqueles que vão à mesquita de manhã e à tarde. (Bukhari, Muslim)
O Profeta (s) também disse:
Quando uma pessoa faz a ablução em casa e vai para a oração, Allah fica tão feliz quando ela chega à mesquita quanto os familiares ficam felizes quando um viajante retorna para casa após a viagem. — (Ibn Khuzayma).
O Profeta (S) também disse:
Aqueles que vão à mesquita na escuridão da manhã terão consigo uma luz completa no Dia do Juízo. (At-Tabarani).
Hazrat Sa’id ibn al-Musayyib (que Allah esteja satisfeito com ele) relatou que o Profeta (S) disse:
Quem fizer a ablução corretamente e depois sair de casa para a oração terá uma boa ação registrada por cada passo dado com o pé direito. E, por cada passo dado com o pé esquerdo, um pecado lhe será apagado. Quer a mesquita esteja perto ou longe. Depois, ao chegar à mesquita, se realizar a oração com toda a congregação, receberá a recompensa completa; se se juntar à oração depois de parte dela ter passado e completar o restante após o salam, também receberá a recompensa completa. E se, ao chegar à mesquita, a congregação já tiver terminado e ele realizar a oração sozinho na mesquita, ainda assim receberá a recompensa completa. (Abu Dawud).
9. Providenciar perfume e outras coisas para a mesquita e mantê-la pura e limpa é um direito da mesquita. Aos olhos de Allah, isso é obra dos habitantes do Paraíso. O Profeta (S) disse: providenciar a limpeza da mesquita, mantê-la pura e limpa, retirar o lixo para fora, providenciar perfume para a mesquita, especialmente encher a mesquita de fragrância na sexta-feira, e todas as demais ações semelhantes conduzirão as pessoas ao Paraíso. (Ibn Majah, At-Tabarani).
Ele também disse:
Limpar o lixo da mesquita é o dote das belas huris do Paraíso. (At-Tabarani).
Isto é, quem se encarrega de manter a mesquita limpa e asseada paga o dote das verdadeiras belas huris.
Hazrat Abu Huraira (que Allah esteja satisfeito com ele) relata: uma mulher costumava varrer a Mesquita do Profeta. De repente, ela morreu. As pessoas a sepultaram sem lhe dar importância e não informaram o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Quando o Profeta perguntou por ela e soube que havia morrido e fora sepultada por considerarem isso algo insignificante, disse:
Por que vocês não me informaram?
Então ele foi ao túmulo dela, fez uma súplica e disse: “A melhor obra praticada por essa mulher era varrer a mesquita.” (Bukhari, Muslim, Ibn Majah e outros).
10. É makruh realizar a ablução, enxaguar a boca ou, depois de fazer a ablução, sacudir as mãos dentro da mesquita e espalhar água. Algumas pessoas, depois de fazer a ablução, enxugam o rosto e as mãos e deixam a água utilizada dentro da mesquita. Isso é uma falta de respeito para com a mesquita. Do mesmo modo, é makruh limpar nas paredes, nas molduras ou nas cortinas da mesquita a lama que esteja grudada nos pés, nas roupas ou em outras partes de alguém.
11. Não se deve ir à mesquita em estado de janabah, menstruação ou nifas. Sem uma necessidade indispensável, ir à mesquita em tal estado é makruh tahrimi.
12. É makruh dormir na mesquita ou passar tempo sem necessidade, deitado ou sentado. Contudo, é permitido ao viajante permanecer e dormir nela. Além disso, aqueles que fazem i’tikaf devem permanecer e dormir na mesquita.
13. Não se deve ir à mesquita usando roupas que deixem a awrah descoberta. Por exemplo, não se deve ir usando um niqab ou com as roupas levantadas. Pelo contrário, deve-se ir com o corpo coberto e de maneira respeitosa.
14. Não se deve manter fechada a porta da mesquita, para que qualquer pessoa possa entrar e fazer a oração quando desejar. Contudo, se houver receio de que muitos objetos valiosos sejam roubados, pode-se fechar a porta. Mas, durante o horário da oração, a porta deve permanecer aberta. Em circunstâncias normais, manter fechada a porta da mesquita é makruh.
15. Deve-se providenciar devidamente o adhan e a oração em congregação na mesquita. Deve ser nomeada para fazer o adhan e liderar a oração uma pessoa que, aos olhos de todos os que frequentam a mesquita, seja considerada, em termos gerais, a melhor em religião e caráter. Deve-se fazer todo o possível para encontrar, para o adhan e a liderança da oração, alguém que desempenhe essa responsabilidade unicamente na esperança da recompensa na Vida Futura.
Hazrat Uthman ibn Abi al-As (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: Pedi ao Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), dizendo: “Nomeia-me imam do meu povo.”
O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse:
“Sê o imam deles, mas leva em consideração os fracos; e nomeia um muazzin que não aceite remuneração por fazer o adhan.” (Abu Dawud, Tirmidhi, Ibn Majah, Nasa’i).
16. Deve-se tomar todas as providências para manter a mesquita ativa. Manter a mesquita ativa significa adorar Allah nela e fazer com que as pessoas se ocupem com dhikr e reflexão, recitação, orações voluntárias e outras práticas semelhantes. Allah, o Altíssimo, diz:
(Árabe**************)
“Em casas que Allah permitiu que fossem elevadas e nas quais o Seu nome fosse mencionado.” (An-Nur: 36)
Isso significa que é direito da mesquita ser tratada com honra e respeito, que nela se façam dhikr e reflexão e que se estabeleça nela a adoração de Allah; isso é um direito e uma responsabilidade dos crentes, bem como um testemunho da sua fé.
Está no Alcorão—(Árabe************)
Somente aqueles que creem em Allah e no Além mantêm as mesquitas de Allah vivas e prósperas (At-Tawbah: 17).
Hoje em dia, porém, as pessoas geralmente decoram as mesquitas com belos trabalhos ornamentais e providenciam, de modo surpreendente, que elas permaneçam brilhando com luzes coloridas. Pior ainda: arrecadam doações para isso. Entretanto, são extremamente negligentes quanto a manter as mesquitas vivas e alcançar a bênção de adorar Allah. Contudo, o Santo Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) declarou:
Não fui ordenado a construir mesquitas altas e suntuosas. — (Abu Dawud).
Depois de ouvir este hadith, Ibn Abbas advertiu as pessoas, dizendo:
“Continuareis a ornamentar vossas mesquitas da mesma maneira que os judeus e os cristãos ornamentam seus locais de adoração.”
Ao sair da mesquita, deve-se primeiro colocar o pé esquerdo e depois recitar esta súplica:(Árabe********)
Ó Allah, peço-Te a Tua graça e benevolência.
18. Urinar, defecar e praticar relações sexuais sobre o teto da mesquita é makruh tahrimi. Se alguém tiver construído uma mesquita dentro de sua casa, o حکم da mesquita não se aplicará à casa inteira. Ao contrário, somente a parte que foi designada para a oração estará sujeita ao حکم da mesquita. Do mesmo modo, os locais designados para as orações do Eidain ou fúnebre não estarão sujeitos ao حکم da mesquita.
19. Em geral, não é permitido a um profissional exercer seu trabalho sentado na mesquita. Contudo, se alguém se sentar temporariamente na mesquita para cuidar de sua proteção e realizar ali seu próprio trabalho, como um alfaiate que costura ou um escritor que escreve, isso será permitido.
Descrição da oração em congregação
Ênfase e virtude da congregação
A ênfase e as virtudes da oração em congregação expostas no Alcorão e na Sunnah tornam evidente esta verdade: as orações obrigatórias devem ser realizadas em congregação, e, numa sociedade islâmica, não se pode sequer conceber a realização de uma oração obrigatória sem congregação. Naturalmente, se houver uma desculpa legítima, trata-se de outra questão.
A instrução do Alcorão (Árabe***************)
E inclinai-vos com os que se inclinam — (Al-Baqarah: 43)
Os exegetas geralmente provaram, com base neste versículo, que a oração deve ser realizada em congregação — (Ma’alimut Tanzil, Khazin, Tafsir Kabir e outras obras).
Pode-se avaliar a extraordinária importância e ênfase da oração em congregação na religião pelo fato de que, quando no campo de batalha há, a cada instante, o risco de um confronto sangrento com o inimigo, ainda assim foi ordenado que não se rezasse separadamente, mas sim em congregação. Além disso, o Alcorão não contém apenas a ordem de que a oração seja realizada em congregação; ele também estabeleceu o modo e o procedimento da oração—
(Árabe*****************)
—e, quando estiveres entre os muçulmanos e te levantares para conduzi-los na oração (em situação de batalha), que um grupo se ponha de pé contigo e permaneça com suas armas. Depois, quando eles tiverem realizado a prostração, que se retirem para trás, e que venha o segundo grupo, que ainda não rezou, para rezar contigo. Eles também permanecerão alertas e portarão suas armas. (Nissá: 102).
O Santo Profeta (que a paz esteja com ele) disse muitas coisas sobre a ênfase e a virtude da oração em congregação. Mencionando sua importância e bênção, ele a incentivou e proferiu severas advertências contra aqueles que abandonam a congregação. Ele disse—
** Para os hipócritas, nenhuma oração é mais difícil do que a do Fajr e a do Isha. Se soubessem quanto mérito há nessas duas orações, estariam sempre presentes para realizá-las, mesmo que tivessem de vir rastejando apoiados sobre os joelhos.
Então ele disse—
Pensei em ordenar a um muézin que fizesse o iqama da oração em congregação, ordenar a alguém que conduzisse a oração em meu lugar e eu mesmo levar feixes de fogo às casas daqueles que, mesmo depois de ouvirem o azan, não saem de suas casas, e incendiá-los— (Bukhari, Muslim).
** A oração realizada em congregação possui vinte e sete vezes mais mérito do que a oração realizada individualmente—(Bukhari, Muslim).
** Hazrat Anas (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: o Profeta (que a paz esteja com ele) disse:
Quem realizar regularmente todas as orações em congregação durante quarenta dias, de modo que não perca sequer o Takbir inicial, receberá a decisão de ser libertado de duas coisas. (Isto é, Allah, o Altíssimo, decidirá protegê-lo e salvá-lo de duas coisas.) A primeira é a libertação do fogo do Inferno; a segunda, a libertação e proteção contra a hipocrisia — (Tirmidhi).
** Hazrat Abdullah ibn Masud (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: o Profeta (que a paz esteja com ele) disse:
Ó muçulmanos, Allah estabeleceu para vós as “Sunane Huda”. Isto é, ensinou um método pelo qual a comunidade pode permanecer firme na orientação ao segui-lo. E realizar as cinco orações em congregação, na mesquita, é precisamente uma das “Sunane Huda”. Se começardes a realizar as orações em vossas casas, como foi indicado a certa pessoa, abandonareis a Sunna de vosso Profeta. E, se abandonardes a Sunna do Profeta, desviar-vos-eis do caminho da orientação — (Muslim).
** Segundo a narração de Hazrat Ubayy ibn Ka’b (que Allah esteja satisfeito com ele), o Profeta (que a paz esteja com ele) disse:
Se as pessoas soubessem a recompensa e o mérito da oração em congregação, correriam para participar dela, qualquer que fosse a sua situação. A primeira fileira da congregação é como a fileira dos anjos. Realizar a oração com duas pessoas é melhor do que realizá-la sozinho. Depois, quanto maior for o número de pessoas, mais agradável e querida será essa congregação para Allah. ***2
** O Profeta (que a paz esteja com ele) também disse:
Anuncia esta boa-nova àqueles que vão à mesquita para a oração em congregação nas noites escuras: no Dia da Ressurreição, eles receberão uma luz completa — (Tirmidhi).
**Hazrat Uthman (que Allah esteja satisfeito com ele) relata que o Profeta (que a paz esteja com ele) disse:
Aquele que realiza a oração do Isha em congregação receberá a recompensa de adorar durante metade da noite, e aquele que realizar a oração do Fajr em congregação receberá a recompensa de adorar durante toda a noite — (Tirmidhi).
***1 Está escrito na Torá que, quanto maior for o número de pessoas na oração congregacional da umma de Muhammad, maior será a recompensa para cada pessoa. Isto é, se houver mil pessoas, cada uma receberá a recompensa de mil orações. (Ilmul Fiqh).
**2 Abu Dawud.
Hazrat Ibn Abbas (que Allah esteja satisfeito com ele) relata que o Profeta (que a paz esteja com ele) disse: aquele que, depois de ouvir o azan, não vai realizar a oração em congregação, sem ter qualquer desculpa para não ir, não terá aceita a oração que realizar sozinho.
Um companheiro perguntou: o que se entende por desculpa? Em resposta, o Profeta (que a paz esteja com ele) disse: “medo ou doença” — (Abu Dawud).
Hazrat Aswad (que Allah esteja satisfeito com ele) relata: certo dia, estávamos na presença de Hazrat Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela), quando surgiu uma conversa sobre a assiduidade na oração e suas virtudes. Então Hazrat Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela), descrevendo o leito de morte do Profeta (que a paz esteja com ele), disse:
Certo dia, quando chegou a hora da oração, o Profeta (que a paz esteja com ele) disse: “Dizei a Abu Bakr (que Allah esteja satisfeito com ele) que conduza a oração.” Nós dissemos: “Abu Bakr é um homem de coração sensível. Se ficar no seu lugar, não conseguirá controlar-se e não será capaz de conduzir a oração.”
O Santo Profeta (que a paz esteja com ele) ordenou novamente: “Dizei a Abu Bakr que conduza a oração.” Repetimos novamente as mesmas palavras. Então o Profeta (que a paz esteja com ele) disse: “Estais falando comigo da mesma maneira que as mulheres do Egito falaram com o Hazrate Yusuf (que a paz esteja com ele)? Dizei a Abu Bakr que conduza a oração.”
De qualquer modo, o Hazrate Abu Bakr (que Allah esteja satisfeito com ele) avançou para conduzir a oração. Nesse momento, o Santo Profeta (que a paz esteja com ele) sentiu-se um pouco melhor e começou a dirigir-se à mesquita, apoiado em duas pessoas. Essa cena ainda flutua diante dos meus olhos. Os pés abençoados do Santo Profeta (que a paz esteja com ele) avançavam, arrastando-se sobre o chão. Isso significa que não havia força suficiente em seus pés para levantá-los. Abu Bakr (que Allah esteja satisfeito com ele) já havia iniciado a oração na mesquita. Então ele quis recuar, mas o Santo Profeta (que a paz esteja com ele) o proibiu e fez com que ele conduzisse a oração — (Sahih Bukhari).
Disposição sobre a oração congregacional
1. A oração congregacional é wajib nas cinco orações diárias. Ela continua sendo wajib mesmo quando a oração é realizada fora da mesquita, como em casa ou em um campo. É permitido realizar a oração congregacional em casa, mas não é correto fazê-lo sem uma justificativa. A oração congregacional deve ser realizada na mesquita.
2. A oração congregacional é condição para a oração de Jumu’ah e para as orações dos dois Eids. Ou seja, sem a congregação, não se pode realizar nem a oração de Jumu’ah nem as orações dos Eids.
3. Realizar a oração de Tarawih do Ramadã em congregação é Sunnat Mu’akkadah, mesmo quando todo o Alcorão Sagrado é recitado em congregação.
4. Na oração de Kusuf, a congregação também é Sunnat Mu’akkadah.
5. É mustahabb realizar em congregação a oração de Witr do Ramadã.
6. É makruh tahrimi realizar em congregação a oração do eclipse lunar.
7. Também é makruh realizar em congregação uma oração nafl comum se forem organizados o adhan e a iqamah para convocar as pessoas, como na oração fard. Contudo, se em algum momento algumas pessoas se reunirem espontaneamente e realizarem uma oração nafl em congregação, não há qualquer problema.
Condições para que a congregação seja wajib
1. Ser homem. A oração em congregação não é wajib para as mulheres.
2. Ser púbere. Não é wajib que as crianças impúberes realizem a oração em congregação.
3. Ter entendimento. A congregação não é wajib para os inconscientes, loucos e intoxicados.
4. Não possuir nenhuma das desculpas que permitem deixar de participar da congregação.
Desculpas para deixar de participar da congregação
Há quatro tipos de desculpas que permitem não participar da oração em congregação. Por esses motivos, pode-se deixar de participar da congregação; contudo, é melhor participar dela tanto quanto possível.
1. O fiel é incapaz de chegar à mesquita. Por exemplo:
(a) Está tão fraco que não consegue andar.
(b) Tem uma doença que o impede de se locomover.
(c) É cego, deficiente físico ou teve uma perna amputada. Mesmo que alguém o leve à mesquita nessas condições, a oração em congregação não é obrigatória para ele.
2. Há grande dificuldade para ir à mesquita ou existe o receio de agravamento da doença. Por exemplo:
(a) Está chovendo torrencialmente.
(b) O frio é intenso e há receio de adoecer ao sair.
(c) Escuridão intensa, de modo que não seja possível ver o caminho.
(d) Haver lama e água no caminho da mesquita.
(e) Haver receio de que o meio de transporte parta e, caso se espere pelo próximo, haver risco de prejuízo.
3. Haver temor pela vida e pelos bens, como:
(a) Haver algum animal nocivo no caminho da mesquita, como uma cobra ou um animal feroz.
(b) O inimigo estar à espreita, emboscado.
(c) Haver medo de ladrões ou assaltantes no caminho, ou receio de que a casa seja roubada.
4. Haver alguma necessidade humana cuja satisfação seja necessária para evitar o risco de não conseguir concentrar-se na oração. Por exemplo:
(a) Sentir fome enquanto a comida está pronta.
(b) Sentir necessidade de urinar ou defecar.
Alinhar as fileiras
1. Deve-se tomar todas as providências para alinhar as fileiras para a oração em congregação. A orientação do Profeta (que a paz esteja com ele) é:
«Mantenham suas fileiras retas e alinhadas na oração. Fazer isso faz parte da oração» (Bukhari, Muslim).
Hazrat Nu‘man ibn Bashir (que Allah esteja satisfeito com ele) relata: O Santo Profeta (que a paz esteja com ele) alinhava nossas fileiras de tal maneira que parecia estar endireitando uma flecha com elas. Ele fazia isso para ter certeza de que havíamos compreendido bem suas palavras. Certa vez, ele saiu e se postou para dirigir a oração; quando estava prestes a pronunciar o takbir, seu olhar caiu sobre um homem cujo peito havia avançado um pouco para além da fileira. Então o Santo Profeta (que a paz esteja com ele) disse:
«Ó servo de Allah, endireita e nivela tua fileira. Não aconteça que, por não manterdes as fileiras retas, Allah faça vossos rostos se voltarem uns para longe dos outros.» — (Muslim).
2. Primeiro, devem-se endireitar e nivelar as fileiras da frente. Depois, se ainda houver alguma falha, devem-se corrigir as fileiras de trás.
3. Próximos ao imã, atrás dele, devem ficar aqueles que são mais avançados em conhecimento e discernimento. Depois, devem ficar mais próximos aqueles que lhes são mais semelhantes em inteligência e bom senso.
4. Atrás do imã ficará primeiro a fileira dos homens, depois a dos meninos e, por fim, a das mulheres.
5. Os muqtadis devem ficar em ambos os lados do imã, de modo que ele permaneça no meio; não deve acontecer de haver mais pessoas de um lado do imã e menos do outro.
6. Se houver apenas um muqtadi, seja ele um homem adulto ou um menino menor de idade, ele deve ficar à direita do imã, ligeiramente atrás dele. É makruh que um único muqtadi fique atrás ou à esquerda do imã.
7. Quando houver vários muqtadis, eles deverão ficar atrás do imã. Se houver dois muqtadis e eles ficarem à direita do imã, será makruh tanzihi. Se forem mais de dois, será makruh tahrimi. Isso porque, havendo mais de dois muqtadis, será wajib que eles fiquem diante do próprio imã — (Ilmul Fiqah, Durr-e-Mukhtar, Shami).
8. Se inicialmente houver um muqtadi e depois chegarem mais muqtadis, o muqtadi que estiver alinhado com o imã deverá ser puxado para trás, para a fileira, ou o imã deverá avançar, de modo que todos os muqtadis possam ficar juntos numa única fileira atrás do imã.
9. Quando a fileira da frente estiver completa, aquele que chegar depois não deverá ficar sozinho na fileira de trás. Deve-se puxar alguém da fileira da frente para a fileira de trás. Contudo, se a pessoa não conhecer esta regra, poderá considerar ruim que a puxem.
10. É makruh ficar na fileira de trás quando ainda há espaço na fileira da frente.
A congregação das mulheres
1. É permitido formar uma congregação composta exclusivamente por mulheres (isto é, tanto a imame quanto as que a seguem são mulheres), e isso não é makruh.
Hazrat Umm Waraka (que Allah esteja satisfeito com ela), filha de Nawfal, relatou que o Profeta (que a paz esteja com ele) costumava ir à sua casa para visitá-la. Ele também havia designado para ela um mu’adhdhin, que fazia o adhan para a oração delas. Umm Waraka conduzia em oração as mulheres de sua casa. (Abu Dawud)
2. Quando uma mulher conduz outras mulheres em oração, a imame deve ficar no meio da fileira, e não à frente, quer haja uma única muqtadi ou várias.
3. É permitido que um homem conduza somente mulheres em oração, sob a condição de que haja nessa congregação pelo menos um homem ou, entre as mulheres, uma mulher mahram, como a mãe, a irmã ou a esposa. Porém, se não houver na congregação nem um homem nem uma mulher mahram, conduzir a oração será makruh tahrimi.
4. Se a muqtadi for uma menina ou mulher, seja adulta ou menor de idade, ela deve ficar atrás do imame, esteja sozinha ou acompanhada de outras. Mesmo sendo apenas uma, não deve ficar ao lado do imame; deve ficar atrás dele.
Sutra
1. Se alguém rezar em um local diante do qual as pessoas passam, deve colocar à sua frente algum objeto com aproximadamente um côvado de altura e pelo menos a espessura de um dedo. Isso é mustahabb.
2. Passar diante de alguém que está rezando é pecado. Porém, se uma sutra (o objeto mencionado anteriormente) estiver colocada de pé, não haverá pecado em passar diante dela. Contudo, não se deve passar entre a sutra e a pessoa que está rezando.
3. Se o imame colocar uma sutra à sua frente, isso será suficiente para todos os muqtadis. Nesse caso, não haverá pecado em passar diante da congregação.
Questões relativas à congregação
1. Se alguém chegar à mesquita mais próxima e descobrir que a oração em congregação já terminou, é mustahabb tentar alcançar a congregação em outra mesquita. Também é permitido voltar para casa e rezar em congregação com os familiares.
2. Para que a congregação seja válida, é necessário que o local da oração do imame e do muqtadi seja o mesmo; por exemplo, que ambos estejam rezando na mesma mesquita ou na mesma casa, ou que o imame esteja na mesquita e o muqtadi, do lado de fora, na rua ou em sua própria casa, mas que entre ambos haja fileiras contínuas.
3. Se o imame estiver dentro da mesquita e o muqtadi estiver no terraço da mesquita, ou se a casa de alguém for contígua à mesquita e ele estiver no terraço de sua casa, mas não houver entre ambos um espaço vazio suficiente para formar duas fileiras.
4. Se alguém já tiver rezado sozinho a oração obrigatória e então começar uma oração obrigatória em congregação, deve juntar-se à congregação. Contudo, não deve participar no fajr, no asr e no maghrib. Isso porque a oração é makruh depois do fajr e do asr. A razão para não participar no maghrib é que essa segunda oração seria nafl; e não há registro de oração nafl com três rak‘ahs.
5. Se alguém estiver rezando uma oração obrigatória e, depois, essa mesma oração começar a ser realizada em congregação, deve interromper sua oração e juntar-se à congregação. Porém, se, na oração do fajr, já tiver feito a prostração da segunda rak‘ah, deverá completar sua oração. Depois de completá-la, se perceber que a congregação ainda não terminou, deverá juntar-se a ela caso se trate da oração do zuhr ou do isha.
6. Se alguém tiver iniciado uma oração nafl e a congregação da oração fard começar, deverá rezar duas rak‘at e pronunciar o salām.
7. Se alguém tiver iniciado as quatro primeiras rak‘at da sunnah mu’akkadah do zuhr ou da oração de sexta-feira, e nesse momento o imam se levantar para a oração fard, deverá rezar duas rak‘at da sunnah e pronunciar o salām. Depois da oração fard, deverá completar essa sunnah.
8. Quando o imam se levantar para realizar a oração fard, não se deve rezar a sunnah. Contudo, se houver a certeza de que nenhuma rak‘at da oração fard será perdida, pode-se rezar a sunnah. Como a sunnah do fajr tem uma ênfase muito maior, se houver mesmo a esperança de alcançar uma rak‘at da congregação, deve-se rezar a sunnah. Se não houver esperança de alcançar uma rak‘at, não se deve rezá-la.
9. Quando a oração fard estiver sendo realizada em congregação, quem quiser rezar a sunnah deverá fazê-lo em um local separado da mesquita. Se isso não for possível, deverá afastar-se das fileiras da congregação e rezar em um canto da mesquita. Se isso também não for possível, não deverá rezar a sunnah. Por isso, no local onde se realiza a oração fard em congregação, qualquer outra oração é makruh tahrimi.
10. Se alguém se atrasar em alguma ocasião e não tiver esperança de alcançar a congregação completa, ainda assim deverá ir à mesquita e rezar em congregação. Pode-se esperar a recompensa da congregação; além disso, mesmo que a congregação já tenha terminado, pode-se esperar de Allah que se receba a recompensa da congregação.
O Profeta (que a paz esteja com ele) disse:
Aquele que realizar o wudu corretamente e depois for à mesquita na esperança de alcançar a congregação, mas ao chegar descobrir que a congregação já terminou, receberá de Allah Ta‘ala a recompensa da congregação, como aquelas pessoas que participaram da congregação e realizaram a oração. Com isso, a recompensa delas não será diminuída. — (Abu Dawud).
11. Será considerado que aquele que se juntar ao imam no rukū‘ alcançou essa rak‘at. Mas, se não alcançar o rukū‘, não terá alcançado essa rak‘at.
12. Se, além do imã, uma pessoa participar da oração, haverá congregação nas orações comuns. Porém, para a congregação da oração de sexta-feira, são necessários pelo menos mais dois além do imã. Caso contrário, não haverá congregação da oração de sexta-feira.
A regra sobre a segunda congregação
Depois de realizada regularmente a primeira congregação na mesquita, se algumas pessoas que não conseguiram participar dela formarem uma segunda congregação, em que circunstâncias essa segunda congregação será permitida e em que circunstâncias será makruh?
1. Depois de realizada a congregação regular na mesquita, se alguém formar uma segunda congregação em sua casa ou em um campo, isso será permitido. Não há divergência quanto a isso.
2. É permitida uma segunda congregação em uma mesquita situada em local de passagem pública, que não tenha um imã designado, nem um muezim, nem um horário determinado para a oração.
3. Se a primeira congregação não tiver sido realizada de modo completo e organizado, com o adhan em voz alta e a iqamah, então, nesse caso, será permitida uma segunda congregação.
4. Se a primeira congregação tiver sido formada por pessoas que não são moradores do bairro e que também não têm qualquer responsabilidade relacionada à mesquita, então será permitida uma segunda congregação nesse local.
5. Se for possível alterar a forma da segunda congregação, ela será indubitavelmente permitida. Alterar a forma significa que, na segunda congregação, o imã deverá sair do local onde o imã da primeira congregação havia ficado e posicionar-se em outro lugar. [Em Ilmul Fiqah, volume 2, citando Durr al-Mukhtar, afirma-se que, segundo o imã Abu Yusuf, se a forma e a configuração da congregação forem alteradas, a segunda congregação não será makruh; e é com base nisso que se emite a fatwa.
Está registrado em Tirmidhi e Abu Dawud que o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) viu um homem rezando sozinho. O Profeta perguntou: “Quem o ajudará?” Então um homem se levantou e rezou com ele. Contudo, não deve haver numa mesquita uma situação em que uma segunda congregação continue sendo realizada regularmente.
6. Se as condições acima não forem encontradas e a situação não for dessa natureza, a segunda congregação será makruh. Isto é, numa mesquita de um bairro, os moradores do bairro, seguindo a organização habitual, fizeram a oração em congregação após proferirem o azan em voz alta e a iqamah. Depois, algumas pessoas chegaram à mesquita após a congregação e fizeram a oração em congregação sem alterar a forma da congregação; em tal situação, a congregação será makruh tahrimi.
Descrição da liderança na oração
Escolha do imam
Liderar a oração é uma grande honra e responsabilidade religiosa. É a honra de ser herdeiro do Mensageiro. Por isso, o imam deve ser escolhido com muito cuidado. Essa responsabilidade deve ser confiada à pessoa que, de modo geral, seja superior e mais digna do que todos os demais orantes; que esteja acima de todos em conhecimento e piedade, sacrifício e dedicação, bem como em discernimento e julgamento sutil acerca da religião. Ele será o imam dos muçulmanos na mesquita e, na vida prática, também será seu guia e líder.
Quando o Santo Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) ficou impossibilitado de ir à mesquita devido à doença em seu leito de morte, ele designou Hazrat Abu Bakr Siddiq (que Allah esteja satisfeito com ele) para representá-lo, pois ele era, de modo geral, o melhor de toda a ummah. As mulheres da casa fizeram objeções duas vezes, dizendo que Hazrat Abu Bakr Siddiq era uma pessoa muito sensível e não conseguiria se controlar. Apesar disso, o Profeta disse três vezes: “Ordenem a Abu Bakr (que Allah esteja satisfeito com ele) que conduza a oração.” Então Hazrat Abu Bakr (que Allah esteja satisfeito com ele) conduziu a oração.
Na realidade, a oração é a fonte da vida religiosa. Na oração, somente aquele que é digno dessa honra e, em termos gerais, o mais elevado de todos nas qualidades religiosas tem o direito de representar os muçulmanos perante Allah. Hazrat Abu Masud (que Allah esteja satisfeito com ele) disse que o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse:
O imam dos muçulmanos deve ser aquele que mais recita o Alcorão. Se todos forem iguais nessa qualidade, então deve ser aquele que possui mais conhecimento da Sunnah e da Shariah. Se também forem iguais nisso, então deve ser aquele que fez a Hégira primeiro. Se também forem iguais nesse aspecto, deve ser aquele que tiver a idade mais avançada. (Muslim).
Chama-se leitor assíduo do Alcorão àquele que tem um amor e uma ligação especiais com o Alcorão; que recita bastante, é um hafiz do Alcorão e sabe recitá-lo bem; que é capaz de refletir e estudar o Alcorão; e que compreendeu o convite e a sabedoria do Alcorão. Se todas essas qualidades forem encontradas nas pessoas, deve-se nomear como imame aquele que tiver maior conhecimento da Sunna e da Sharia, bem como dos mandamentos e das questões jurídicas da religião.
Ser avançado na Hégira significa ser uma pessoa que está à frente no caminho da religião e é a melhor de todos em sacrifício e dedicação. Se essas qualidades estiverem presentes em todos de maneira igual, deve-se dar preferência àquele que as possuir em maior grau.
Questões relativas à liderança da oração
1. Não é permitido que uma mulher lidere homens na oração. Hazrat Jabir (que Allah esteja satisfeito com ele) relata que o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: “Nenhuma mulher deve liderar um homem na oração.” — (Ibn Majah)
2. Se uma mulher liderar outras mulheres na oração, deverá ficar no meio da fileira, e não à frente.
3. O imame deve recitar o Alcorão levando em consideração as necessidades e as dificuldades dos que o seguem na oração, e não deve prolongar o rukūʿ e o sujūd. Recitar suratas muito longas e fazer rukūʿ e sujūd muito prolongados sem levar em consideração os que o seguem na oração é makruh tahrimi.
O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse:
Se algum de vocês liderar a oração, deverá fazê-la de forma breve, pois entre os que o seguem na oração há doentes, pessoas fracas e idosos. Contudo, se rezar sozinho, poderá prolongá-la tanto quanto desejar. — (Bukhari, Muslim)
Hazrat Mu‘az (que Allah esteja satisfeito com ele) costumava recitar uma surata longa na oração de ‘Isha. Então, isso foi levado ao conhecimento do Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) ficou muito zangado com Hazrat Mu‘az e disse:
“Ó Mu‘az, queres envolver as pessoas numa provação?”
Depois, disse-lhe: (Árabe************)Lerás suratas deste tipo. — (Bukhari, Muslim)
O próprio Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse a respeito de si mesmo:
“Quando começo a dirigir a oração, penso em fazê-la longa. Porém, ao ouvir o choro das crianças, encurto a oração, pois sei quanto a mãe sofre quando o seu filho chora. — (Bukhari)”
4. É permitido designar um mukabbir entre o imam e os seguidores, para que o takbir do imam chegue aos seguidores. Ele ouvirá o takbir do imam e pronunciará o takbir; ao ouvirem o seu takbir, os seguidores realizarão a prostração e os demais pilares da oração.
5. É makruh tahrimi nomear como imam uma pessoa perversa, pecadora ou adepta de inovações religiosas. Contudo, se em alguma ocasião não se encontrar ninguém além de tal pessoa, não será makruh.
6. É permitido nomear como imam uma pessoa que siga qualquer escola de fiqh e rezar atrás dela. Se a oração do imam for válida segundo o seu fiqh, a oração de todos os seguidores será válida, independentemente da escola de fiqh que sigam.
7. Se uma pessoa rezar sozinha a oração obrigatória do maghrib, do ‘ishá ou do fajr, e alguém vier e se tornar seu ma’mum, então será obrigatório que esse imam recite em voz alta. Mesmo que já tenha recitado a Surata al-Fátiha ou a surata seguinte, deverá recitá-la novamente em voz alta, pois é obrigatório que o imam recite em voz alta nessas orações. Contudo, por ter recitado a Surata al-Fátiha duas vezes, será obrigatório realizar a سجدة de esquecimento.
8. É makruh nomear como imam uma pessoa cuja doença normalmente provoque repulsa nas pessoas, como a lepra ou alguma doença semelhante.
9. É makruh nomear como imam um rapaz bonito que ainda não tenha barba.
10. Aquele cuja liderança na oração não é do agrado dos ma’mumins não deve dirigir a oração. Dirigir a oração contra a vontade da comunidade é makruh tahrimi.
11. Se alguma vez a oração for realizada na casa de alguém, o dono da casa terá prioridade para dirigir a oração. Contudo, não há problema se ele próprio der preferência a outra pessoa. Do mesmo modo, se houver um imam designado em uma mesquita, ele terá prioridade para dirigir a oração. Porém, não haverá problema se ele próprio nomear outra pessoa como imam.
12. Se a oração do imam for invalidada por qualquer motivo, a oração de todos os que rezam será invalidada, quer isso seja descoberto durante a oração, quer depois dela. Se isso for descoberto após a oração, será obrigatório para o imam informar todos os ma’mumins, para que possam repetir a oração.
13. É responsabilidade do imam dizer aos ma’mumins que endireitem e alinhem as fileiras, aproximando-se uns dos outros e permanecendo sem qualquer espaço entre duas pessoas.
14. Um homem também pode dirigir a oração somente para mulheres, desde que entre elas haja necessariamente uma mulher que seja sua mahram; ou que, além dessas mulheres, outro homem participe da oração em congregação.
A liderança da oração por meio de máquinas
Não é permitido realizar a oração em congregação seguindo um imã cuja voz tenha sido gravada em uma fita ou uma gravação de oração congregacional produzida com o auxílio de um gramofone. Do mesmo modo, se alguém dirigir a oração por meio do rádio a partir de lugares distantes, não será permitido realizar a oração seguindo-o. [Allama Maududi (que Allah tenha misericórdia dele) expressou sua opinião sobre este assunto em resposta a uma pergunta; sua resposta é citada abaixo:
Pergunta: O rádio é um meio de comunicação que transmite a fala e a voz de uma pessoa por milhares de quilômetros. Da mesma forma, a voz humana pode ser preservada em uma gravação de gramofone e depois repetida por meio de um método especial. A questão agora é: se um imã dirigir a oração pelo rádio a milhares de quilômetros de distância, ou se uma voz for preservada em uma gravação de gramofone e depois reproduzida novamente, será permitido formar uma congregação para a oração seguindo essas vozes mecânicas?
Resposta: Realizar a oração à distância, seguindo a liderança de uma pessoa pelo rádio, ou realizar a oração em qualquer congregação dessa maneira, não é, em princípio, válido. Se você examinar profundamente as razões disso, poderá compreendê-las por si mesmo.
A função do imã não consiste apenas em dirigir a oração. Pelo contrário, ele é, de certo modo, o líder da congregação local. Sua função é estabelecer relações pessoais com as pessoas e cuidar de seu caráter, de sua conduta e das condições locais. Depois, conforme as circunstâncias e as necessidades, deve cumprir, por meio de seu sermão ou de alguma outra oportunidade, a responsabilidade de corrigi-las e orientá-las. É claro que, juntamente com outras instituições, esse tipo de instituição também se deteriorou. Mas, em qualquer circunstância, é necessário preservar a instituição original em sua forma genuína. Se a oração começar a ser realizada pelo rádio, ou se a liderança da oração e a pregação começarem a ser realizadas por meio do gramofone, a verdadeira força vital da liderança da oração será destruída para sempre.
A oração não é simplesmente uma “adoração”, como nas outras religiões. Portanto, eliminar a personalidade da liderança da oração e criar nela uma “mecanização” significa, na realidade, destruir sua dignidade e seu valor.
Além disso, se alguém, a partir de um centro, assumir a função de dirigir a oração e fazer o sermão por meio do rádio ou do gramofone, eliminando a liderança local, isso produzirá uma uniformidade artificial (Uniformity), que destruirá a força vital democrática (Spirit) do Islã e abrirá caminho para a ditadura. Essa prática é compatível com a natureza daqueles sistemas de organização que adotam o princípio de tornar as pessoas completamente obedientes a um único líder, como o fascismo e o comunismo. Mas o Islã não deseja tornar a autoridade de um imã central ou de um emir tão abrangente que a autoridade do povo local passe inteiramente para suas mãos e que não se desenvolva entre as próprias pessoas a capacidade de pensar sobre seus interesses, compreender seus próprios assuntos e tomar decisões. A época do Profeta (que a paz esteja com ele) foi a melhor das épocas (Khayr al-Qurun). Naquele tempo, os imãs não desempenhavam simplesmente o papel de sacerdotes, cuja função consistia apenas em realizar alguns ritos religiosos. Pelo contrário, eram designados como líderes locais. Sua função era promover o ensino e a purificação espiritual, bem como a reforma e a correção da sociedade e da civilização. As congregações locais deveriam ser estabelecidas com o objetivo de que participassem, de acordo com sua capacidade, do bem-estar e do desenvolvimento da grande congregação central. Como um objetivo tão grandioso e importante poderia ser alcançado por meio do rádio ou do gramofone? Uma máquina jamais pode substituir o ser humano; pode, porém, servir como auxiliar. Por essas razões, considero que a “liderança mecânica da oração” é totalmente contrária à força vital islâmica. — (Rasail wa Masa’il, vol. 1, p. 156 — Abul A‘la Maududi).]
As regras relativas ao muqtadi
1. Uma condição para que a oração do muqtadi seja válida é que ele também formule a intenção, dizendo: “Estou rezando seguindo este imã.”
Não é necessário que ele manifeste a intenção verbalmente. É suficiente concebê-la no coração.
2. É necessário que o muqtadi fique de pé atrás do imã. Se houver apenas um muqtadi, ele deverá ficar alinhado com o imã; se ficar à frente dele, a oração não será válida.
Considera-se que ele ficou à frente se o seu pé ultrapassar o pé do imã.
3. É obrigatório para o muqtadi seguir o imã em todos os fard e wajib da oração. Contudo, não é necessário imitá-lo nas sunnas da oração. Portanto, se o imã for shafiita e fizer raf‘ al-yadayn ao ir para o rukū‘ e ao se levantar dele, não será obrigatório para o muqtadi hanafita seguir o imã nessa sunna. Da mesma forma, se ele recitar a du‘ā’ al-qunūt na oração do fajr, não será necessário que o muqtadi hanafita a recite. Porém, se o imã shafiita recitar a du‘ā’ al-qunūt depois do rukū‘ na oração do witr, também será obrigatório para o muqtadi hanafita recitá-la depois do rukū‘, pois a recitação do qunūt é obrigatória na oração do witr.
4. Quando houver apenas um muqtadi na congregação, seja ele um menino adulto ou não adulto, deverá ficar alinhado à direita do imã ou ligeiramente atrás dele. Ficar atrás ou à esquerda do imã será makruh. Entretanto, se o muqtadi for uma mulher, deverá ficar atrás em qualquer situação.
5. É makruh ficar na segunda fileira quando ainda houver espaço na primeira. Se não houver espaço na primeira fileira, será makruh ficar sozinho na segunda fileira. [Wābisa ibn Ma‘bad (r.a.) narra: certa vez, o Profeta (s.a.w.) viu um homem rezando sozinho atrás da fileira. Então, o Profeta ordenou-lhe que repetisse a oração — (Tirmidhi, Abū Dāwūd).] Nessa situação, o muqtadi deverá puxar para trás, da fileira anterior, uma pessoa que ele acredita que não se incomodará. Se não houver na fileira anterior ninguém assim, deverá, inevitavelmente, ficar sozinho.
6. É necessário que o muqtadi acompanhe o imã em todos os arkan, exceto na recitação. Se não o acompanhar em algum rukn, a oração não será válida. Por exemplo, se o imã se curvar em rukū‘ e depois se levantar dele, mas o muqtadi não fizer o rukū‘, ou fizer o rukū‘ depois de o imã se levantar, a oração do muqtadi não será válida. Porém, se o muqtadi entrar no rukū‘ com um pequeno atraso ou um pouco antes e depois se juntar ao imã no rukū‘, a oração será válida.
Tipos de muqtadi.
Quanto à participação na oração congregacional, há três tipos de muqtadi: mudrik, masbuq e lahiq.
Mudrik
Chama-se mudrik o orante que permanece participando da oração com o imã desde o início até o fim.
Masbuq
Chama-se masbuq o orante que participa da oração congregacional depois de terem sido realizadas uma ou mais rak‘ahs.
Lahiq
Chama-se lahiq o orante que participou da oração congregacional, mas, depois de participar, perdeu uma ou mais rak‘ahs — seja por perder a ablução, por adormecer, por não poder permanecer na congregação devido à necessidade de usar o banheiro, ou por não conseguir realizar o rukū‘ e o sujūd por alguma circunstância extraordinária.
Questões relativas ao masbuq
O masbuq deverá, ao participar da oração em congregação, realizar primeiro com o imã as partes restantes da oração que conseguir acompanhar. Depois, quando o imã terminar a oração e proferir o salām, o masbuq não deverá proferi-lo; ao contrário, deverá levantar-se para realizar as rakʿahs que perdeu. Em seguida, deverá realizar essas rakʿahs perdidas como alguém que reza sozinho, isto é, recitará a qirāʾah e, caso cometa um erro, fará também o sujūd as-sahw. Deverá rezar em uma ordem tal que se sente para o qaʿdah considerando primeiro as rakʿahs com recitação que acompanhou com o imã. Suponha, por exemplo, que uma pessoa entre na oração congregacional do zuhr depois de terem sido realizadas três rakʿahs. Depois de rezar uma rakʿah com o imã, ela se levantará e realizará as três rakʿahs perdidas da seguinte maneira: na primeira rakʿah, recitará uma surata juntamente com a Sūrat al-Fātiḥah e fará o qaʿdah ulā (a primeira sessão). Assim, embora essa seja a primeira rakʿah que realiza nesse momento, na contagem da oração completa ela será a segunda rakʿah. Depois, na segunda rakʿah, também recitará uma surata juntamente com a Sūrat al-Fātiḥah, mas não fará o qaʿdah, pois, entre as rakʿahs que lhe faltavam, esta é a terceira. Em seguida, na terceira rakʿah, não recitará nenhuma surata juntamente com a Sūrat al-Fātiḥah. Sentar-se-á no qaʿdah ākhirah (a sessão final), concluirá a oração e proferirá o salām.
Questões relativas ao lāḥiq
O lāḥiq deverá primeiro realizar as rakʿahs que deixou de acompanhar com o imã, realizando-as como um muqtadi. Ou seja, não fará a recitação; permanecerá em pé em silêncio. Se ocorrer algum erro que torne obrigatório o sujūd as-sahw, também o fará. Depois de realizar as rakʿahs perdidas, juntar-se-á à congregação e completará o restante da oração com o imã. Entretanto, se nesse intervalo o imã terminar a oração, o lāḥiq completará sozinho a parte restante. Suponha, por exemplo, que uma pessoa esteja participando da oração congregacional com o imã desde o início. Depois de uma rakʿah, o seu wuḍūʾ é invalidado. Ainda assim, ela vai tranquilamente fazer o wuḍūʾ. Nesse intervalo, o imã realiza mais uma rakʿah. Nesse caso, o lāḥiq deverá realizar então as rakʿahs que perdeu da mesma forma que um muqtadi, isto é, não fará a recitação nem outras práticas semelhantes. Se, nesse meio-tempo, o imã terminar a oração congregacional, o lāḥiq realizará sozinho as rakʿahs restantes.
Questões relativas à recitação na oração
1. É obrigatório recitar corretamente o Nobre Alcorão. Recitar corretamente significa pronunciar cada letra com precisão; isto é, as diferenças na pronúncia de letras semelhantes devem ser claramente perceptíveis. Se, apesar de tentar, alguém não conseguir pronunciar corretamente alguma letra, deverá permanecer nessa incapacidade. Contudo, recitar incorretamente por negligência e não criar o hábito de recitar corretamente é um grande pecado.
2. Nas duas primeiras rakʿahs das orações farḍ, é obrigatório, depois da Sūrat al-Fātiḥah, recitar uma surata, uma āyah longa ou três āyahs curtas. Em todas as rakʿahs das orações de witr, sunnah e nāfilah, é obrigatório, depois da Sūrat al-Fātiḥah, recitar uma surata, uma āyah longa ou três āyahs curtas. Nas terceira e quarta rakʿahs das orações farḍ, não se deve recitar nenhuma surata depois da Sūrat al-Fātiḥah; deve-se recitar apenas a Fātiḥah e então fazer o rukūʿ.
3. Com exceção da terceira e quarta rakʿahs das orações farḍ, é obrigatório recitar a Sūrat al-Fātiḥah em todas as rakʿahs de todas as orações, sejam elas farḍ, wājib, sunnah ou nāfilah.
4. É obrigatório recitar primeiro a Surata Al-Fátiha e depois alguma outra surata ou três versículos curtos. Se alguém recitar primeiro outra surata e depois a Surata Al-Fátiha, a obrigação não será cumprida.
5. As orações do fajr, maghrib, isha, jumua e dos dois Eids são jahri. Isto é, é obrigatório que o imame recite em voz alta nas duas primeiras rak‘ats do maghrib e do isha, bem como em todas as rak‘ats das demais orações. Se o imame recitar em voz baixa por esquecimento, deverá realizar a prostração do esquecimento. Mas, se recitar em voz baixa deliberadamente, a oração deverá ser repetida.
6. As orações do zuhr e do asr são sirri; isto é, nessas duas orações é obrigatório que o imame e o seguidor recitem em voz baixa. Na oração do witr, também é obrigatório que aquele que ora sozinho recite em voz baixa.
7. Se alguém realizar sozinho as orações do fajr, maghrib e isha, é preferível que recite em voz alta.
8. Se o imame estiver realizando como oração compensatória as orações do fajr, maghrib e isha, também será obrigatório para ele recitar em voz alta.
9. É permitido recitar na segunda rak‘at a mesma surata que foi recitada na primeira rak‘at. Contudo, não é preferível fazê-lo.
10. Mesmo na oração sirri, é necessário recitar pronunciando as palavras com a boca. Não basta fechar a boca e recitar apenas mentalmente.
11. É makruh inclinar-se para o rukū‘ antes de terminar a recitação, bem como recitar enquanto se está inclinado.
12. É makruh recitar intencionalmente, nas orações obrigatórias, contrariando a ordem sequencial do Alcorão. Por exemplo, alguém recita «Al-Kafirun» na primeira rak‘ah e «Alam Tara» na segunda. Se isso ocorrer por engano, não será makruh. Nas orações nafl, mesmo que alguém não siga intencionalmente a ordem sequencial, isso não será makruh.
13. É makruh recitar, na segunda rak‘ah, alguns versículos da mesma surata a partir de um ponto anterior, deixando menos de dois versículos entre as partes. Do mesmo modo, se alguém recitar duas suratas deixando de lado, entre elas, uma surata que contenha três versículos e recitar a surata seguinte, isso será makruh. Por exemplo, se recitar a surata Al-Lahab na primeira rak‘ah e Al-Falaq na segunda, deixando de lado «Qul Hu Allah» entre elas, será makruh. Contudo, isso é makruh somente nas orações obrigatórias, não nas orações nafl.
14. É makruh recitar duas suratas na mesma rak‘ah deixando de lado, entre elas, um ou mais versículos. Contudo, isso também é makruh somente nas orações obrigatórias, não nas orações nafl.
15. Se alguém não souber de memória nenhum versículo do Alcorão — por exemplo, se tiver se tornado muçulmano recentemente, tiver acabado de começar a oração e ainda não tiver memorizado nenhuma surata ou versículo do Alcorão — deverá memorizá-los o mais rapidamente possível. Enquanto isso, no lugar da recitação, deverá dizer «Subhanallah», «Alhamdulillah» e expressões semelhantes. Porém, será pecador se negligenciar a memorização das suratas e dos versículos do Alcorão.
A recitação masnun nas orações
1. Durante uma viagem, pode-se recitar qualquer surata depois da Surata Al-Fatihah. Porém, fora da viagem, enquanto se permanece em casa, é sunnah que tanto o imame quanto aquele que ora sozinho recitem nas orações uma quantidade específica de versículos.
** Nas orações do fajr e do zuhr, é sunnah recitar uma das suratas entre a Surata Al-Hujurat e a Surata Al-Buruj. Essas suratas são chamadas de «Tiwal al-Mufassal» (*****).
Nas orações do asr e do isha, é masnun recitar uma das suratas entre a Surata At-Tariq e a Surata Al-Bayyinah. Elas são chamadas de «Awsat al-Mufassal» (*******).
** Na oração do maghrib, é sunna recitar uma das suratas entre a Surata Az-Zilzal e a Surata An-Nas. Estas são chamadas de «Qisar al-Mufassal». )(********)
2. Determinar por conta própria uma surata específica é contrário à Sharia. Entretanto, nas orações em que o Profeta (S) costumava recitar determinadas suratas na maioria das vezes, é sunna recitar essas suratas.
** Nas duas rak’ahs sunnah do fajr, o Profeta (S) recitava, na maioria das vezes, a Surata Al-Kafirun na primeira rak’ah e a Surata Al-Ikhlas na segunda rak’ah.
** Na oração do witr, o Profeta (S) recitava a Surata Al-A’la na primeira rak’ah, a Surata Al-Kafirun na segunda rak’ah e a Surata Al-Ikhlas na terceira rak’ah.
** Às sextas-feiras, na oração do fajr, ele frequentemente recitava a Surata Alif Lam Mim Sajdah e a Surata Ad-Dahr.
3. Na oração de sexta-feira, o Profeta (S) frequentemente recitava a Surata Al-A’la e a Surata Al-Ghashiyah, ou a Surata Al-Jumu’ah e a Surata Al-Munafiqun.
Hazrat Ibn Abbas (R) disse: O Profeta (S) recitava (****) e (******) na oração do fajr de sexta-feira, e, na oração de sexta-feira, recitava a Surata Al-Jumu’ah e a Surata Al-Munafiqun.
4. A recitação na primeira rak’ah da oração obrigatória deve ser mais longa do que a recitação na segunda rak’ah. Por isso, o Profeta (S) recitava uma surata mais longa na primeira rak’ah do que na segunda (Bukhari).
5. Na oração do fajr, deve-se fazer uma recitação mais longa do que nas demais orações. Isso porque, nesse horário, a mente permanece tranquila e concentrada. Além disso, pela manhã e ao entardecer ocorre a reunião dos anjos. A recitação da primeira rak‘ah deve ser uma vez e meia mais longa que a da segunda rak‘ah.
A prostração da recitação
No Alcorão Sagrado há catorze lugares em que, ao recitá-los ou ouvi-los, uma prostração se torna obrigatória. Quer se ouça do imã durante a oração, quer alguém recite por si mesmo, quer alguém recite ou ouça fora da oração, e quer se recite ou ouça o versículo completo, quer se recite apenas o versículo da prostração juntamente com os versículos anteriores e posteriores — em todas essas situações, a prostração da recitação será obrigatória. ****1
A regra sobre a recitação atrás do imã
Na oração, não é válida a recitação do seguidor atrás do imã. Recitar em voz alta atrás do imã é makruh tahrimi. Isso porque tal recitação perturba a recitação do imã, e o Profeta proibiu que se fizesse isso.
Certa vez, após a oração do fajr, ele perguntou aos companheiros: “Algum de vocês estava recitando atrás de mim?”
Um dos companheiros respondeu: “Sim, eu estava.”
Ele disse: “Eu pergunto: por que vocês discutem comigo recitando o Alcorão?”
Recitar silenciosamente atrás do imame não é makruh, mas também não é necessário. Isso porque a recitação do imame é considerada a recitação de todos os seguidores da oração
***1 Os detalhes da prostração da recitação devem ser consultados no segundo volume desta obra.
da oração. Hazrat Jabir ibn Abdullah (r.a.) disse: o Profeta (s.a.w.) disse:
Quem estiver fazendo a oração atrás de um imame, a recitação do imame será considerada a recitação daquele que o segue na oração.***1
Recitar a Surata Al-Fatiha atrás do imame
Quando o imame recitar em voz alta, como nas orações jahrí do fajr, do ichá e do maghrib, entre outras, é makruh que aquele que o segue recite a Surata Al-Fatiha. Porém, quando o imame recitar silenciosamente, como nas orações do zuhr e do asr, a opinião mais equilibrada é que é mustahabb que aquele que o segue recite a Surata Al-Fatiha. O Imame Muhammad (r.a.) também considerou melhor que aquele que o segue recite a Surata Al-Fatiha, como medida de precaução. ****2 Assim, o autor de Hidaya citou:
(Árabe******************)
***1 As palavras do hadith são as seguintes: (Árabe************)
O Imã Muhammad (que Allah tenha misericórdia dele) narrou este hadith em seu Muwatta por meio de duas cadeias de transmissão, e ambos os narradores são extremamente confiáveis. Em uma cadeia está o Imã Abu Hanifa (que Allah tenha misericórdia dele) e, na outra, Musa ibn Abi Aisha (que Allah tenha misericórdia dele). Allama Ibn Hummam disse: “Este hadith é sahih e está de acordo com as condições de Bukhari e Muslim.” Allama Ayni disse: “Este hadith é sahih.” Um deles é Abu Hanifa — sim, é Abu Hanifa — e o outro é Musa ibn Abi Aisha. Ele também era um dos homens mais piedosos e confiáveis. O Imã Bukhari e Muslim narraram dele.]
***2[ A opinião do Imã Malik também é que, nas orações silenciosas, é mustahabb que o muqtadi recite a Surata al-Fatiha. O Imã Shafi’i e o Imã Ahmad ibn Hanbal disseram que, tanto nas orações silenciosas quanto nas audíveis, é obrigatório que o muqtadi recite a Surata al-Fatiha. Essa também é a opinião dos Ahl al-Hadith.)]
Explicação da sajda al-sahw
Sahw significa esquecer. Quando, por esquecimento, algo é acrescentado ou omitido na oração, ocorre uma falha; para corrigi-la, torna-se wajib realizar duas prostrações na sessão final da oração. Isso é chamado de sajda al-sahw.
Modo de realizar a sajda al-sahw
Na sessão final da oração, depois de recitar o Attahiyyat, deve-se virar o rosto para a direita e pronunciar o salam. Em seguida, dizendo “Allahu Akbar”, deve-se entrar na prostração. Devem-se realizar duas prostrações da mesma maneira que as demais prostrações da oração; depois, recitar o Attahiyyat, o durood e outras recitações, e finalizar a oração pronunciando o salam para ambos os lados. Situações em que a sajda al-sahw se torna wajib
1. Quando, por esquecimento, algum wajib da oração for omitido, como esquecer-se de recitar a Surata al-Fatiha ou esquecer-se de recitar alguma surata depois da Surata al-Fatiha.
2. Quando houver demora na realização de algum wajib, seja por esquecimento ou por ficar pensando em algo; por exemplo, quando alguém permanece em silêncio depois de recitar a Surata al-Fatiha e, após permanecer em silêncio por algum tempo, recita outra surata.
3. Se houver demora na realização de algum fard ou se algum fard for realizado antes do momento devido, como atrasar o rukū após a recitação [aqui, demora significa que, nesse intervalo, seria possível realizar uma prostração ou um rukū], ou fazer a prostração antes do rukū.
4. Realizar repetidamente algum fard. Por exemplo, fazer dois rukū consecutivos.
5. Alterar a forma de algum wajib. Por exemplo, recitar em voz alta numa oração sirrī ou recitar em voz baixa numa oração jahrī.
Questões sobre o sajda de sahw
1. Se algum fard da oração for deixado deliberadamente ou por esquecimento, a oração será invalidada. Do mesmo modo, se algum wajib for deliberadamente deixado, a oração será invalidada. Mesmo realizando o sajda de sahw, a oração não será válida. A oração deverá ser repetida.
2. Se um ou mais wajib forem deixados, será suficiente realizar dois sajda de sahw uma única vez. Mesmo que todos os wajib da oração sejam deixados, dois sajda serão suficientes; não é correto realizar mais de dois sajda de sahw.
3. Se alguém, por esquecimento, recitar o at-Tahiyyat enquanto está de pé, antes da Sura al-Fatiha, não será obrigatório realizar o sajda de sahw. Isso porque, antes da Fatiha, recitam-se o louvor e a glorificação de Allah, e o at-Tahiyyat contém louvor e glorificação. Porém, se o at-Tahiyyat for recitado depois da recitação, ou na segunda rakʿah antes ou depois da recitação, será obrigatório realizar o sajda de sahw.
4. Se, por esquecimento, a qaumah for omitida ou não se fizer a jalsah entre as duas prostrações, será necessário realizar o sajda de sahw.
5. Se alguém esquecer de fazer a qa’da ula e, em vez de se sentar, levantar-se completamente, ao se lembrar não deverá voltar a sentar-se; deverá, antes, completar a oração e fazer a prostração de sahw conforme as regras. Mas, se não tiver se levantado completamente e estiver próximo da prostração, deverá sentar-se. Nesse caso, não será necessário fazer a prostração de sahw.
6. Se alguém esquecer a qa’da akhirah***1 numa oração obrigatória de duas ou quatro rak’ahs e, em vez de se sentar, levantar-se, se perceber isso antes de fazer a prostração, deverá completar a oração sentado e fazer a prostração de sahw. Assim, a oração obrigatória será válida. Se perceber, depois de fazer a prostração, que não fez a qa’da akhirah, não deverá mais se sentar; deverá, antes, acrescentar uma rak’ah e completar quatro rak’ahs ou duas rak’ahs. Nessa situação, não será necessário fazer a prostração de sahw. Essas rak’ahs se tornarão voluntárias. A oração obrigatória deverá ser repetida. Se ocorrer esse erro na oração obrigatória do maghrib, deverá ser repetida
****1 Consulte os termos da jurisprudência islâmica apresentados no início do livro.
Não fará a quinta rak’ah. Sentar-se-á na quarta rak’ah e completará a oração, pois a oração voluntária não é ímpar. O Profeta (que a paz esteja com ele) disse:
As rak’ahs da oração voluntária são feitas de duas em duas — (Ilmul Fiqah).
7. Se alguém esquecer de recitar a Surata Al-Fatiha, esquecer a súplica de qunut, esquecer de recitar o Attahiyyat ou esquecer os takbirs adicionais do Eid al-Fitr e do Eid al-Adha, a prostração de sahw será obrigatória.
8. Se, nas orações audíveis do maghrib, do isha ou do fajr, o imã recitar em voz baixa por engano, a prostração de sahw será obrigatória.
9. Se o imã deixar de cumprir algum ato obrigatório e a prostração de sahw se tornar obrigatória, o seguidor também deverá fazer a prostração de sahw. Mas, se o seguidor deixar de cumprir algum ato obrigatório, a prostração de sahw não será obrigatória nem para o seguidor nem para o imã.
10. Se alguém esquecer de recitar uma surata depois da Surata al-Fátiha, ou recitar primeiro uma surata e depois a Surata al-Fátiha, deverá recitar outra surata depois da Surata al-Fátiha e, após a última qa’da, deverá necessariamente realizar o sujud sahw.
11. Se alguém esquecer de recitar uma surata na primeira ou nas duas primeiras rak’ats da oração fard, deverá recitar uma surata nas rak’ats seguintes, realizar o sujud sahw e completar a oração.
12. Se alguém esquecer de recitar uma surata durante uma oração sunnah ou nafl, o sujud sahw será obrigatório.
13. Se, numa oração fard de quatro rak’ats, alguém permanecer sentado na última rak’at pelo tempo necessário para recitar o At-Tahiyyat e, depois, imaginar que aquela era a qa’da ula e se levantar para a quinta rak’at em vez de pronunciar o salam, mas perceber isso antes de realizar a prostração, deverá sentar-se, completar a oração, realizar o sujud sahw conforme o procedimento e pronunciar o salam. Porém, se já tiver realizado a prostração da quinta rak’at, deverá acrescentar uma sexta rak’at e completar a oração com o sujud sahw. Nesse caso, sua oração fard será válida, e as duas rak’ats adicionais serão consideradas nafl.
14. Se uma pessoa que ora sozinha ou um imã esquecer de recitar a Surata al-Fátiha nas duas últimas rak’ats de uma oração fard de quatro rak’ats, o sujud sahw não será obrigatório. Contudo, se esquecer disso numa oração sunnah ou nafl, o sujud sahw será obrigatório, pois a recitação da Fátiha não é obrigatória nas últimas rak’ats da oração fard, enquanto na oração sunnah e nafl a Surata al-Fátiha é obrigatória em cada rak’at.
15. Se alguém, por engano, realizar dois rukus numa rak’at, ou três prostrações numa rak’at, ou recitar a Surata al-Fátiha duas vezes, o sujud sahw será obrigatório, pois é obrigatório recitar a Surata al-Fátiha uma vez.
16. Se, na qa’da ula, alguém começar a recitar o durood depois do At-Tahiyyat e recitar a quantidade correspondente a “Allahumma salli ala Muhammad”, ou permanecer sentado em silêncio durante esse tempo, o sujud sahw será obrigatório.
17. Se um masbuq cometer algum erro ao completar a parte restante de sua oração, deverá realizar o sujud sahw na sessão final.
18. Se alguém rezar duas rak‘at da oração farḍ de zuhr ou ‘aṣr, mas pensar que rezou quatro rak‘at e então proferir o salām, percebendo depois que havia rezado apenas duas, deverá completar as duas rak‘at restantes e fazer a prostração de esquecimento.
19. Se alguém tiver dúvida, durante a oração, se rezou três ou quatro rak‘at, e essa dúvida ocorrer acidentalmente pela primeira vez, sem que normalmente tenha dúvidas desse tipo, deverá repetir a oração. Porém, se tiver frequentemente esse tipo de dúvida, deverá agir de acordo com a opinião que considerar mais provável. Se nenhuma das duas possibilidades lhe parecer mais provável, deverá considerar o menor número de rak‘at. Por exemplo, se alguém tiver dúvida, durante a oração de zuhr, se rezou três ou quatro rak‘at, e nenhuma das possibilidades lhe parecer claramente mais provável, deverá considerar que rezou três rak‘at, completar a rak‘at restante e fazer a prostração de esquecimento.
20. Se uma sunnah ou um mustaḥabb da oração for omitido, não será necessário fazer a prostração de esquecimento. Por exemplo, se alguém esquecer de recitar a thanā no início da oração, ou esquecer de recitar o tasbīḥ do rukū‘ e do sujūd, ou esquecer a súplica ao ir para o rukū‘ e ao se levantar dele, ou esquecer o Durūd Sharīf e a súplica que o segue, a prostração de esquecimento não será obrigatória.
21. Se ocorrer na oração um erro que torne obrigatória a prostração de esquecimento, mas a oração for encerrada sem que ela seja realizada, e depois a pessoa se lembrar de que não a fez por esquecimento, então, se ainda estiver voltada para a qiblah e não tiver falado com ninguém, deverá fazer imediatamente a prostração de esquecimento e, depois de recitar o Attaḥiyyāt e o Durūd, proferir o salām.
22. Se alguém fizer, por esquecimento, apenas uma prostração em uma rak‘ah, então, se se lembrar antes de recitar o Attaḥiyyāt na sessão final, seja na primeira rak‘ah, na segunda rak‘ah ou em qualquer outro momento, deverá fazer a prostração que falta e, conforme o procedimento, a prostração de esquecimento. Se se lembrar da prostração depois de recitar o Attaḥiyyāt, deverá realizar a prostração, recitar novamente o Attaḥiyyāt, fazer a prostração de esquecimento e completar a oração de acordo com a sessão correspondente.
23. Durante a viagem, o qaṣr será obrigatório. Porém, se alguém, por esquecimento, não fizer o qaṣr e rezar quatro rak‘at completas, deverá, nessa situação, fazer a prostração de esquecimento na última rak‘ah, conforme o procedimento. Nessa situação, a oração será válida desta forma: as duas primeiras rak‘at serão farḍ e as duas últimas serão nafl.
Descrição sobre a realização das orações qaḍā’
Se alguma oração farḍ ou wajib não for realizada no horário estabelecido e for realizada depois de transcorrido esse horário, isso se chama oração qaḍā’. Se for realizada dentro do horário, chama-se adā’.
Regras sobre a oração qada
1. A qada das orações obrigatórias é obrigatória, e a qada da oração wajib (witr) é wajib.
2. A qada de uma oração feita por voto também é wajib.
3. Depois que uma oração nafl é iniciada, ela se torna wajib. Se, por algum motivo, a oração nafl for invalidada ou tiver de ser interrompida após o seu início, será wajib fazer sua qada.
4. Não há qada para a sunnah mu’akkadah nem para a nafl. Contudo, como a sunnah do fajr é muito importante e há forte ênfase sobre ela nos hadiths, se tanto a oração obrigatória quanto a sunnah do fajr forem perdidas, ambas deverão ser feitas em qada antes do meio-dia. Depois disso, deverá ser feita apenas a qada da oração obrigatória; não será necessário fazer a qada da sunnah. Se a oração obrigatória do fajr for feita dentro do seu horário e a sunnah tiver ficado pendente, ela poderá ser feita depois do nascer do sol e antes do meio-dia, mas não depois que o sol começar a declinar. Além disso, se qualquer outra sunnah ou nafl não puder ser feita dentro do seu horário, não será wajib fazer sua qada.
5. Se, por algum motivo, não forem feitas as quatro rak‘ahs de sunnah antes da oração obrigatória do zuhr, elas poderão ser feitas depois da oração obrigatória. As duas rak‘ahs de sunnah após a oração obrigatória também podem ser feitas antes ou depois dessas quatro rak‘ahs. Contudo, se o horário do zuhr terminar, não será wajib fazer a qada.
Questões e orientações sobre a oração qada
1. Deixar de fazer uma oração qada sem motivo nem justificativa é um grande pecado. Nos hadiths, é mencionado um castigo severo por isso. Se tal falta ocorrer por negligência, deve-se fazer tawbah com o coração sincero e tomar uma firme resolução de corrigir-se no futuro.
2. Se uma oração for perdida devido a uma desculpa legítima ou incapacidade, não é correto adiá-la; deve-se realizar a oração qada assim que possível. Adiá-la sem motivo é pecado. Além disso, não há garantia de vida: talvez não se tenha outra oportunidade, e a pessoa comparecerá perante Allah sem ter conseguido realizar a oração qada, embora tivesse tido a oportunidade e a tivesse adiado.
3. Se, em alguma ocasião, várias pessoas perderem suas orações — por exemplo, por não conseguirem realizá-las dentro do horário durante uma viagem conjunta, ou porque, devido a algum incidente em uma localidade, todos perderem suas orações, ou porque algumas pessoas permanecerem dormindo e todos perderem a oração —, nesse caso, elas deverão realizá-la em congregação. Se a oração perdida for sirri, a recitação da oração qada em congregação deverá ser silenciosa; se for jahri, a recitação deverá ser audível. ****1
4. Se alguém perder uma oração, é melhor realizá-la discretamente em casa. Se a oração qada tiver ocorrido por negligência, revelar esse pecado às pessoas também será pecado. Mesmo que a oração qada tenha ocorrido por alguma incapacidade, divulgá-la às pessoas é censurável e makruh. Ainda que a oração qada seja realizada na mesquita, não é correto deixar que as pessoas saibam.
5. Não há um horário específico para realizar a oração qada. Deve-se realizá-la sempre que se lembrar e tiver oportunidade. Contudo, se alguém se lembrar dela durante os horários proibidos, deverá esperar. Deverá realizá-la depois que esse período terminar.
****1 [Certa vez, a caravana do Profeta (s) viajou durante toda a noite e, no fim da noite, armou as tendas em um lugar. Então todos adormeceram tão profundamente que o horário da oração do Fajr passou, mas continuaram dormindo. Quando o dia clareou, todos despertaram com o calor do sol. O Profeta (s) ordenou imediatamente que se fizesse o adhan e realizou a oração do Fajr em congregação.]
6. Se várias orações de diferentes horários forem perdidas de uma só vez, não se deve adiar a realização das orações qada. Deve-se realizá-las o quanto antes. Se possível, todas as orações qada devem ser realizadas no mesmo horário. Não é necessário realizar a oração qada do Zuhr no horário do Zuhr e a do Asr no horário do Asr; ao contrário, é recomendável realizar todas as orações qada no mesmo horário.
7. Alguém, por negligência, deixou de realizar as orações por muito tempo. Assim, passou meses e anos sem realizar as orações. Depois, Allah lhe concedeu a oportunidade de se arrepender. Nesse caso, será wajib para ele realizar a oração qada de todas essas orações. Ao se arrepender, pode-se esperar que Allah perdoe o pecado de não ter realizado as orações. Mas as orações que não foram realizadas não serão perdoadas. Por isso, ele deverá realizar todas as orações qada.
8. Se as orações de alguém tiverem sido perdidas por vários meses ou anos, ele deverá estimar a quantidade de orações qada e começar a realizá-las. Nesse caso, o modo de realizar as orações qada é o seguinte: ao desejar realizar a oração qada de determinado horário, deverá mencionar o nome desse horário e dizer: “Estou realizando a primeira” ou “a última oração daquele horário”. Por exemplo, se quiser realizar a oração qada do Fajr entre as orações perdidas, deverá dizer: “Estou realizando a primeira oração do Fajr” ou “a última oração do Fajr”. Deverá continuar dessa forma até completar todas as orações qada.
9. Se uma oração for perdida durante a viagem e for compensada quando a pessoa estiver residente, deverá ser feita como qasr (encurtada). Da mesma forma, se for perdida enquanto a pessoa estiver residente, deverá ser compensada integralmente durante a viagem.
10. Se apenas a oração do witr tiver sido perdida e não houver nenhuma outra oração em falta, não será correto fazer a oração do fajr sem antes compensar o witr. Se, apesar de se lembrar da compensação do witr, a pessoa fizer primeiro o fajr e depois o witr, deverá repetir o fajr após compensar o witr.
11. Se um doente pudesse fazer a oração por gestos enquanto estivesse acamado, mas algumas orações acabassem sendo perdidas, deveria deixar aos seus herdeiros a recomendação de pagar, com um terço dos seus bens, a fidya pelas orações perdidas. A fidya por uma oração perdida é de um ser e um quarto de trigo ou dois ser e meio de cevada. Também é permitido pagar o valor correspondente.
12. Se um doente ficar tão fraco que não tenha forças sequer para fazer a oração por gestos, ou perder a consciência, e por isso perder seis orações, não será obrigatório compensá-las. Contudo, se recuperar a consciência depois de cinco períodos de oração, deverá compensar todas as orações.
13. Aqueles que, por razões desconhecidas, passaram uma parte da vida em negligência e perderam inúmeras orações, se receberem a graça de se arrepender, poderão compensar as orações perdidas da seguinte maneira: em vez de fazer, juntamente com as orações obrigatórias dos cinco períodos, as orações sunnah e nafl com a intenção de sunnah e nafl, deverão continuar fazendo-as como compensação pelas orações obrigatórias perdidas. Deverão continuar até terem a forte convicção de que todas as orações foram compensadas. É muito bom que a pessoa faça as orações sunnah e nafl juntamente com as orações obrigatórias dos cinco períodos, mas não deve negligenciar a compensação das orações perdidas. As orações perdidas são como uma dívida. Não faz absolutamente sentido deixar de pagar uma dívida e, ao mesmo tempo, continuar dando esmolas e caridade. Contudo, se, além de organizar plenamente a compensação das orações obrigatórias perdidas, a pessoa fizer as orações sunnah e nafl dos cinco períodos, espera-se que Allah, o Altíssimo, as aceite.
14. A oração de Jumu‘ah não tem compensação. Se não for possível fazer a oração de Jumu‘ah, deverão ser compensadas quatro rak‘ahs da oração de zuhr.
15. Se uma pessoa participar da oração do Eid com o imame e, depois, por alguma razão, a sua oração for invalidada, não poderá compensar essa oração, pois a oração do Eid não tem compensação. [Segundo os Ahl al-Hadith, a oração do Eid também pode ser feita individualmente. Se não for possível encontrar uma congregação no local da oração do Eid, ou se um doente não puder ir até lá, poderá fazê-la sozinho.] Também não poderá fazê-la sozinho dentro do período निर्धारितado, pois a congregação é uma condição para a oração do Eid.
16. Se, por alguma razão, não for possível fazer no primeiro dia a oração do Eid al-Fitr ou do Eid al-Adha, a oração do Eid al-Fitr poderá ser compensada no dia seguinte, e a oração do Eid al-Adha poderá ser compensada até o dia 12.
O sahib al-tartib e suas orações de reposição
Aquele crente que, depois de atingir a puberdade, não deixou nenhuma oração por repor; ou que, no início de sua vida, deixou uma ou duas orações por repor, consecutiva ou ocasionalmente, mas depois as repôs; e que agora tem uma, duas ou até cinco orações por repor, é chamado, na terminologia da Sharia, de «sahib al-tartib». No que diz respeito à reposição das orações do sahib al-tartib, é necessário observar duas questões.
A primeira é que, enquanto não repuser as orações perdidas, ele não poderá realizar a oração do horário seguinte. Por exemplo, se alguém deixou de realizar o Fajr, o Zuhr, o Asr, o Maghrib e o Isha, isto é, as orações de um dia e uma noite, enquanto não repuser essas cinco orações, não será válido para ele realizar a oração do Fajr do dia seguinte. Se, mesmo sabendo disso, ele a realizar, ela não será válida; depois de repor as orações perdidas, deverá realizar novamente a oração do Fajr. Contudo, se o sahib al-tartib não se lembrar de que tinha orações por repor e realizar a oração do horário, não será necessário repeti-la. A mesma regra da reposição do Witr se aplica às demais orações.
A segunda questão é que as orações deixadas por realizar devem ser repostas em ordem. Ou seja, primeiro a oração do Fajr, depois a do Zuhr, em seguida a do Asr, depois a do Maghrib e, por fim, a do Isha. Se ele realizar o Zuhr antes da oração do Fajr, depois de realizar a oração do Fajr deverá repor novamente o Zuhr. Do mesmo modo, se realizar a reposição do Asr ou do Maghrib antes de repor o Zuhr, depois de repor o Zuhr deverá repor novamente o Asr e o Maghrib.
Aquele que tiver mais de cinco orações perdidas não é sahib al-tartib. Não será obrigatório realizar as orações de reposição na ordem correspondente. Quando tiver oportunidade e no horário em que quiser realizar uma oração de reposição, poderá fazê-lo. Também é permitido realizar a oração corrente antes da oração de reposição. A obrigação de seguir a ordem aplica-se somente ao sahib al-tartib.
A oração do incapacitado e do enfermo
1. Por mais grave que seja a doença, deve-se realizar a oração dentro do seu horário, tanto quanto possível. Mesmo que não se tenha força para cumprir todos os pilares da oração, deve-se realizá-la dentro do horário, cumprindo os pilares que se tiver força para cumprir ou realizando-a por meio de gestos. ***1
2. Deve-se realizar a oração em pé na medida do possível. Se não for possível realizar toda a oração em pé, deve-se fazê-lo em pé enquanto houver força para permanecer assim. Mesmo que um incapacitado ou enfermo consiga ficar em pé apenas para pronunciar o takbir tahrima, deverá pronunciá-lo em pé e depois completar a oração sentado. Não é válido realizá-la sentado quando se tem força para orar em pé.
3. Se alguém for absolutamente incapaz de realizar a oração em pé, ou houver receio de que caia devido à fraqueza, ou sentir tontura ao ficar em pé, ou sentir dores intensas nessa posição, ou não tiver força para fazer o rukū‘ e a prostração mesmo estando em pé, deverá realizar a oração sentado em qualquer uma dessas situações.
4. Se for possível realizar a oração sentado, deverá sentar-se da maneira prescrita pela Sunna, como se senta durante a recitação de ‘at-taḥiyyāt’. Se não for possível sentar-se dessa maneira, deverá realizar a oração sentado da forma que conseguir. Se não for possível fazer o rukū‘ e a prostração, deverá fazê-los por gestos.
5. Ao realizar o rukū‘ e a prostração por gestos, não será suficiente fazê-los com os olhos ou com o rosto. Deverá fazê-los com a cabeça. Deverá inclinar a cabeça um pouco menos no rukū‘ e mais na prostração.
6. Se não for possível encostar a testa no chão para fazer a prostração, os gestos serão suficientes. É makruh elevar uma almofada ou algo semelhante até à altura da testa e fazer a prostração sobre ela.
*****1 [Os juristas da religião deram tanta ênfase a este assunto que, se uma mulher grávida começar a sentir as dores do parto quando chegar o horário da oração, e ainda estiver consciente, deverá realizar a oração rapidamente, seja em pé ou sentada, de qualquer maneira que conseguir. Isso porque, após começar o sangramento do nifās, a oração ficará perdida, e deixar de compensá-la, apesar de ainda ter força para rezar, é um pecado grave.]
7. Se não tiver força sequer para realizar a oração, ou sentir muita dificuldade, ou houver receio de agravamento da doença, ou medo de que o curativo do ferimento se solte, deverá realizar a oração deitado. A melhor maneira de realizar a oração deitado é deitar-se de costas, com os pés voltados para a qibla. Contudo, não deverá manter as pernas estendidas; deverá deixar os joelhos elevados. Deverá elevar um pouco a cabeça colocando uma almofada ou algo semelhante sob ela. Em seguida, fará o rukū‘ e a prostração por gestos. Se nem isso for possível, deverá posicionar a cabeça voltada para o norte, virar o rosto em direção à qibla e realizar a oração deitado sobre o lado direito. Se isso também não for possível, deverá realizar a oração da maneira que conseguir.
8. Se o estado do doente for tal que nem mesmo seja possível realizar a oração por gestos, não deverá realizá-la. Quando melhorar, deverá compensá-la. Se esse estado durar mais do que o período de cinco orações obrigatórias, não será obrigatório compensá-las; essas orações serão perdoadas. Do mesmo modo, se a pessoa estiver perdendo a consciência devido à fraqueza e esse estado durar até o horário da sexta oração, não será obrigatório compensar essas orações. Da mesma forma, se uma pessoa saudável desmaiar repentinamente e permanecer assim até o horário da sexta oração, essas orações serão perdoadas para ela.
9. Se alguém adoecer repentinamente enquanto estiver realizando a oração e não puder continuar em pé, deverá continuar sentado; se não puder continuar sentado, deverá continuar deitado ou por gestos. Em suma, deverá realizar o restante da oração da maneira que conseguir.
10. Se for difícil rezar em pé em barcos, navios, trens, aviões e meios semelhantes em movimento, deve-se rezar sentado. Contudo, se não houver dificuldade em rezar em pé, é preferível rezar em pé.
11. Se alguém deixar de fazer algumas orações obrigatórias durante um período de saúde e depois adoecer, não deverá esperar a recuperação para compensá-las. Deve compensá-las durante a doença, de qualquer maneira possível.
12. Se a cama de um doente se tornar impura e for difícil conseguir uma cama pura ou impossível trocar a cama, será permitido rezar sobre a cama impura.
Explicação sobre a oração encurtada
A Shariah concedeu ao viajante a permissão de encurtar a oração durante a viagem. Isto é, nas orações que têm quatro rak‘ahs, ele fará duas rak‘ahs. Allah diz:(Árabe*****************)
— Quando partirdes para viajar pela terra, não haverá culpa em encurtardes a oração — (An-Nissá: 101).
O Mensageiro disse:
Esta é uma caridade que Allah vos concedeu; aceitai, portanto, esta caridade — (Bukhari, Muslim, Tirmidhi e outros).
A regra da oração de encurtamento
Depois de sair da própria aldeia ou povoado, é obrigatório que o viajante faça a oração encurtada. Se fizer a oração completa, será pecador — (Ilmul-Fiqh, volume 2, p. 130; Durr al-Mukhtar, entre outras obras).
Hazrat Abdullah ibn Umar (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: “Viajei com o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), Abu Bakr (que Allah esteja satisfeito com ele), Umar (que Allah esteja satisfeito com ele) e Uthman (que Allah esteja satisfeito com ele). Nunca os vi fazerem mais de duas rak‘at das orações obrigatórias” — (Bukhari, Muslim). O encurtamento aplica-se somente às orações que têm quatro rak‘at obrigatórias, como Zuhr, Asr e Isha. Nas orações que têm duas ou três rak‘at obrigatórias, não se pode reduzir nenhuma. A oração do Fajr deve ser feita com suas duas rak‘at, e a do Maghrib, com suas três rak‘at.
A regra das orações sunnah e nafl durante a viagem
Não é correto abandonar a sunnah da oração do Fajr. Também se deve fazer a sunnah do Maghrib; quanto às sunnahs dos demais horários, há permissão para não fazê-las. Contudo, enquanto a viagem estiver em andamento, é melhor fazer somente as orações obrigatórias e deixar as sunnahs. Se permanecer em algum lugar durante a viagem, deverá fazê-las. A oração do Witr deve ser feita completa, pois é wajib. Não há encurtamento nas orações sunnah, nafl e Witr. Deve-se fazer durante a viagem o mesmo número de rak‘at que se faz em casa.
A distância para o encurtamento
Se alguém sair de sua casa para viajar a um lugar que fique a uma distância de três dias de sua casa ou povoado, será obrigatório que faça a oração encurtada. A distância de três dias é aproximadamente trinta e seis milhas. Se alguém viajar a pé em velocidade moderada, não poderá percorrer mais de trinta e seis milhas por dia. Portanto, se alguém sair de casa com a intenção de viajar pelo menos trinta e seis milhas, quer chegue lá a pé em três dias, quer chegue em algumas horas por meio de um veículo veloz, em todos os casos deverá fazer a oração encurtada. O detalhado esclarecimento dado por Allama Maududi (que Allah tenha misericórdia dele) lança luz sobre a verdade de que, segundo a Shariah, o que se entende por viagem. Certa pessoa me perguntou:
“Qual é a extensão da milha inglesa para que o encurtamento da oração se torne obrigatório numa viagem de determinada distância?” Em resposta, Allama Maududi (que Allah tenha misericórdia dele) disse que, sobre essa questão, os juristas expressaram opiniões diversas.
Para a oração qasr, foi estabelecido um limite de viagem de pelo menos nove milhas e, no máximo, 48 milhas. A razão da divergência é que não há nenhuma declaração explícita narrada do Santo Profeta (s) sobre esse assunto. Na ausência de um texto explícito (***) ou de uma declaração, há margem para divergência entre as provas com base nas quais se fez a inferência, isto é, se estabeleceu a decisão da Sharia. O correto é que não se deve aplicar a regra da viagem simplesmente por ultrapassar um determinado ponto; o Legislador não pretendeu fixar esse tipo de distância para a oração qasr. O Legislador deixou o significado de viagem entregue aos costumes geralmente reconhecidos, e qualquer pessoa pode compreender facilmente quando está viajando e quando não está. É verdade que, quando saímos da cidade para uma excursão ao campo, ou vamos do campo à cidade para comprar e vender, nunca sentimos que somos musafir. Por outro lado, quando realmente precisamos viajar, sentimos por nós mesmos a condição de viajante. De acordo com essa sensação, pode-se rezar qasr ou a oração completa. Deve-se compreender muito bem que, nas questões da Sharia, é confiável o parecer interior daquele que deseja seguir a Sharia e não procura desculpas — (Rasā’il wa Masā’il, vol. 1, p. 167).
O lugar onde começa a oração qasr
Depois de partir para a viagem, enquanto o musafir permanecer dentro de sua área habitada, deverá rezar a oração completa. Ao sair da área habitada ou da localidade, deverá rezar qasr. Se a estação da localidade estiver dentro de sua área residencial, não deverá rezar qasr, mas a oração completa. Se estiver fora dela, deverá rezar qasr.
A duração da oração qasr
O musafir continuará rezando qasr enquanto não retornar ao seu watan asli (veja a terminologia). Se, em qualquer lugar, tiver a intenção de permanecer por quinze dias ou mais, esse lugar será considerado seu watan iqamat (veja a terminologia). No watan iqamat, deverá rezar a oração completa, mesmo que, depois de fazer a intenção de permanecer quinze dias, acabe ficando ali por menos tempo. Se tiver a intenção de permanecer menos de quinze dias em algum lugar, mas, por alguma razão, ficar repetidamente retido ali — isto é, embora pretenda partir, não consegue fazê-lo — deverá continuar rezando qasr. Assim, mesmo que passem vários meses nessa situação de incerteza, esse lugar não será considerado watan iqamat, e ali deverá continuar rezando qasr.
Diversas questões relativas à oração qasr
1. Se, durante uma viagem, alguém rezar por engano quatro rak‘at, de modo que tenha se sentado na segunda rak‘at e recitado o Attahiyyat, deverá fazer as prostrações de sahw. Nesse caso, duas rak‘at serão fard e duas rak‘at serão nafl. Essa oração será válida. Porém, se não tiver se sentado na segunda rak‘at para recitar o Attahiyyat, essas quatro rak‘at serão nafl. Será necessário repetir a oração qasr.
2. Se, durante uma viagem, houver intenção de permanecer em vários lugares — cinco dias em um, dez dias em outro, doze dias em outro — sem intenção de permanecer quinze dias em lugar algum, deverá rezar qasr durante toda a viagem.
3. Se, após o casamento, uma mulher começar a residir permanentemente na casa dos sogros, então seu ‘watan asli’ passará a ser o lugar onde ela viverá com o marido. Se, partindo desse lugar, ela visitar a casa dos pais e a distância entre a casa dos sogros e a casa dos pais for de 36 milhas, deverá realizar a oração qasr na casa dos pais. Porém, se ela for para a casa dos sogros apenas por alguns dias e tiver a intenção de residir permanentemente na casa dos pais, então o local que era seu ‘watan asli’ antes do casamento continuará sendo seu watan asli.
4. Se uma mulher viajar com o marido, um empregado com seu patrão ou um filho com seu pai — isto é, se o viajante for uma pessoa subordinada e obediente a outra —, a vontade ou intenção dessa pessoa subordinada não terá validade. Nessa situação, mesmo que a mulher, o empregado ou o filho tenha a intenção de permanecer em algum lugar por quinze dias, não poderá tornar-se muqim se o marido, o patrão ou o pai não tiver a intenção de permanecer por quinze dias.
5. Um muqim pode rezar atrás de um musafir. O imame viajante deve anunciar isso, para que, quando o imame fizer duas rak‘at e concluir a oração com o salame, o muqtadi muqim possa levantar-se e completar as duas rak‘at restantes.
6. É válido que o musafir reze atrás de um imame muqim. Nesse caso, seguindo o imame, deverá realizar as quatro rak‘at obrigatórias completas; não fará qasr.
7. Se alguém não tiver decidido nada sobre quanto tempo permanecerá em algum lugar, ou tiver tido a intenção de permanecer menos de quinze dias, mas durante a oração decidir permanecer por mais de quinze dias, deverá realizar a oração completa; não fará qasr.
8. As orações que forem perdidas durante a viagem deverão ser compensadas como qasr depois do retorno para casa. Do mesmo modo, se algumas orações forem perdidas enquanto a pessoa estiver em casa e, de repente, ela tiver de viajar, deverá compensá-las integralmente durante a viagem; não fará qasr.
Reunir duas orações durante a viagem
Durante a viagem para o hajj, é sunna praticar o ‘jam‘ bayna as-salatayn’, isto é, reunir as orações de dois horários. No dia 9 de Zul-Hijjah, na planície de Arafat, as orações do zuhr e do asr são realizadas juntas no horário do zuhr. O azan é proferido uma vez, e a iqama é proferida separadamente para cada uma das duas orações. Como a oração do asr é realizada antes do horário estabelecido, a iqama é proferida separadamente para informar as pessoas disso.
Depois, quando o sol se põe, os peregrinos partem em direção a Muzdalifa. Ao chegarem a Muzdalifa, rezam juntos as orações do Maghrib e do Isha. Se alguém rezar o Maghrib no caminho para Muzdalifa, essa oração não será válida e deverá ser repetida.
Fora da viagem do Hajj, não é permitido juntar duas orações em nenhuma outra viagem. Contudo, é permitido o jam‘ suri (ver o termo). Jam‘ suri significa atrasar a primeira oração e rezá-la no final do seu horário, e rezar a segunda oração no início do seu horário. Desse modo, aparentemente parece que as duas orações estão sendo rezadas juntas; porém, na realidade, cada uma está sendo rezada no seu respectivo horário. [Segundo os Ahl al-Hadith, é permitido juntar duas orações em qualquer viagem. Não apenas o jam‘ suri é permitido, mas também o jam‘ haqiqi. Jam‘ haqiqi significa rezar as orações de dois horários juntas, no mesmo horário. Há duas maneiras de fazê-lo:]
** A primeira é rezar as duas juntas, ainda no horário da primeira oração, antes de começar o horário da segunda. Por exemplo, depois do meio-dia, rezar a oração do Asr junto com a oração do Zuhr. Isso é chamado jam‘ taqdim.
** A segunda é atrasar a primeira oração e rezar as duas juntas no horário da segunda. Por exemplo, atrasar a oração do Zuhr e rezar o Zuhr e o Asr juntos no horário do Asr. Isso é chamado jam‘ ta’khir. Segundo os Ahl al-Hadith, os três — jam‘ suri, jam‘ taqdim e jam‘ ta’khir — são permitidos. O viajante deve praticar aquele que lhe for mais conveniente, conforme a necessidade. Isso pode ser feito durante a viagem e também enquanto estiver hospedado em algum lugar. Tudo isso está comprovado por hadiths autênticos.
Hazrat Ibn Abbas (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: durante uma viagem, se o meio-dia passasse enquanto o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) ainda estivesse em casa, ele primeiro rezava juntas as orações do Zuhr e do Asr e depois partia. Mas, se o meio-dia ainda não tivesse passado enquanto estava em casa, ele iniciava a viagem e, quando chegava o horário do Asr, rezava juntas as orações do Zuhr e do Asr. Do mesmo modo, se, antes de partir, o sol se pusesse enquanto ainda estivesse em casa, ele rezava juntas as orações do Maghrib e do Isha e depois partia. Mas, se o sol ainda não tivesse se posto enquanto estava em casa, ele saía e, quando chegava o horário do Isha, descia da montaria e rezava juntas as orações do Maghrib e do Isha. — Musnad Ahmad.
Ao narrar um episódio de Tabuk, Hazrat Mu‘adh ibn Jabal (que Allah esteja satisfeito com ele) disse:
Durante a expedição de Tabuk, quando o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) queria iniciar a viagem antes do meio-dia, ele atrasava a oração do Zuhr e a rezava junto com a do Asr. Mas, se partisse depois do meio-dia, rezava o Zuhr no horário do Zuhr e a oração do Asr no horário do Asr, e então iniciava a viagem. Se partisse antes do pôr do sol, atrasava a oração do Maghrib e a rezava junto com a oração do Isha. Se partisse depois do pôr do sol, rezava a oração do Isha junto com a oração do Maghrib. — Tirmidhi.
Descrição da oração de sexta-feira
As virtudes da sexta-feira
Aos olhos de Allah, a sexta-feira é o melhor e mais distinto de todos os dias. Esse dia reúne seis qualidades especiais que não existem nos outros dias; por isso, é chamado de Jumu‘ah (a grande reunião). A primeira qualidade especial é que, nesse dia, ocorre uma grande reunião dos muçulmanos. Eles se reúnem em um local central para a recordação e a adoração de Allah, e a grande congregação realiza a oração de Jumu‘ah. Por isso, o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) chamou esse dia de dia de Eid dos muçulmanos. ***1 Na época da Jahiliyyah, os árabes chamavam esse dia de ‘Yawm ‘Arubah’. Quando, no Islã, esse dia foi designado como o dia da reunião dos muçulmanos, recebeu o nome de ‘Jumu‘ah’. Jumu‘ah é, na realidade, uma terminologia islâmica. O sábado era reservado pelos judeus para a adoração, pois nesse dia Allah salvou os Filhos de Israel da escravidão do Faraó. Para se distinguirem dos judeus, os cristãos escolheram por conta própria o domingo. Entretanto, nem o Profeta Jesus (que a paz esteja sobre ele) deu qualquer instrução a esse respeito, nem há qualquer menção disso no Evangelho. A crença dos cristãos é que, depois de ser crucificado e dar a vida, Jesus (que a paz esteja sobre ele) saiu do túmulo e ascendeu ao céu. Isso ocorreu no domingo. Posteriormente, no ano 321 d.C., o Império Romano, por meio de uma proclamação oficial, determinou esse dia como feriado. Para distinguir a comunidade muçulmana dessas duas comunidades religiosas, o Islã deixou de lado esses dois dias e adotou a sexta-feira para a adoração coletiva. Com base nisso, esse dia é chamado de dia de Eid dos muçulmanos. Ao mencionar as outras cinco qualidades ou belezas, o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse:
***1 [Certa vez, durante o sermão de sexta-feira, o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: “Ó muçulmanos! Hoje é um dia que Allah designou para vós como dia de Eid. Portanto, tomai banho nesse dia; quem puder obter perfume, que o use. Nesse dia, limpai obrigatoriamente os dentes e a boca com miswak” — (Muwatta, Ibn Majah).]
A sexta-feira é o melhor e mais distinto de todos os dias. Aos olhos de Allah, sua dignidade é maior que a de todos os outros dias. Além disso, a dignidade desse dia é superior até mesmo à do Eid al-Adha e à do Eid al-Fitr. Esse dia possui cinco características que não existem nos outros dias. São elas:
1. Nesse dia, Allah criou Adão (que a paz esteja sobre ele).
2. Nesse dia, Allah enviou o venerável Adão (que a paz esteja sobre ele) ao mundo como Seu khalifah.
3. Nesse dia, ocorreu sua morte.
4. Nesse dia, há um momento especial em que, tudo o que o servo pedir a Allah — qualquer coisa boa e pura — Ele certamente lhe concederá.
5. E neste dia ocorrerá a Ressurreição. Não há entre os anjos próximos de Allah, o céu, a terra, o vento, as colinas, as montanhas, os rios e os mares algo que não tema e trema por causa da sexta-feira (Ibn Majah).
O Profeta (S) também disse:
Nossa chegada ao mundo ocorre por último, mas no Dia da Ressurreição seremos os primeiros a entrar no Paraíso. Aos judeus e aos cristãos foram concedidos o Livro e a orientação antes de nós, e a nós depois deles. A observância da sexta-feira foi prescrita a todos eles, mas eles divergiram a respeito, e Allah nos concedeu a graça de permanecermos firmes nela. Por isso, todos eles ficarão atrás de nós. Os judeus veneram o dia seguinte, o sábado, e os cristãos veneram o dia depois de amanhã, o domingo (Bukhari, Muslim).
O Profeta (S) começava os preparativos para a sexta-feira já na quinta-feira e dizia:
A noite de sexta-feira é uma noite branca, e o dia de sexta-feira é um dia luminoso (Mishkat).
O Imam Ghazali (R) diz: Aqueles que passam o tempo aguardando a sexta-feira são os que alcançam sua inspiração e suas bênçãos. Já os negligentes são extremamente desafortunados; não sabem quando chega a sexta-feira e perguntam às pessoas: “Que dia é hoje?” (Ihya’ ul-Ulum).
A obrigatoriedade da oração de sexta-feira
A ordem que tornou obrigatória a sexta-feira foi revelada em Meca, antes da Hégira. Porém, devido às condições adversas dali, não era possível aos muçulmanos realizar a adoração coletiva. Por isso, o Profeta (S) não pôde colocá-la em prática. Contudo, aos que haviam emigrado antes dele e chegado a Medina, o Profeta (S) enviou instruções por escrito, designando Hazrat Mus’ab bin Umair (R) como seu responsável:
(Árabe******************)
Na sexta-feira, quando o sol declinar após o meio-dia, aproxime-se de Allah rezando duas rak‘at. Ao receber essa ordem, Mus‘ab ibn ‘Umair (r.a.) realizou a primeira oração de sexta-feira em Medina, acompanhado de doze pessoas. — (Darqutni).
Hazrat Ka‘b ibn Maqel (r.a.) e Ibn Sirin (r.a.) dizem que, antes disso, os Ansar de Medina haviam deliberado entre si e decidido reunir-se uma vez por semana para realizar uma adoração coletiva. Para esse propósito, escolheram a sexta-feira, deixando de lado o sábado dos judeus e o domingo dos cristãos. E a primeira oração de sexta-feira em Medina foi realizada por As‘ad ibn Zurarah (r.a.), na região de Bayada, com 140 pessoas. — (Musnad Ahmad, Abu Dawud, Ibn Majah).
Depois, quando o Profeta (s.a.w.) migrou de Meca para Medina, parou no caminho, em um lugar chamado Quba. No quinto dia, partiu dali em direção a Medina. Quando chegou ao local dos Banu Salim ibn Awf, chegou o horário da oração de sexta-feira. Ali, realizou a primeira oração de sexta-feira. — (Ibn Hisham).
A determinação, a virtude e a importância da oração de sexta-feira
A oração de sexta-feira é uma obrigação individual. Sua obrigatoriedade é comprovada de modo irrefutável pelo Alcorão, pelos hadiths e pelo consenso da comunidade. Além disso, ela possui grande importância como símbolo do Islam. Quem nega sua obrigatoriedade está fora dos limites do Islam. Quem a abandona por negligência torna-se um fasiq.
O Alcorão diz: (Árabe*******************)
Ó crentes, quando, na sexta-feira, for feito o chamado para a oração de sexta-feira, apressai-vos para a lembrança de Allah e abandonai o comércio. Isso é melhor para vós, se compreenderdes e agirdes com entendimento.
Por “recordação de Allah” entende-se o sermão e a oração. “Correr” significa esforçar-se para chegar à mesquita o mais rapidamente possível, com plena observância das regras e concentração. O sentido desta extraordinária ênfase é que as outras orações podem ser realizadas sem congregação e, se o horário passar, podem ser compensadas. Mas a oração de sexta-feira não pode ser realizada sem congregação, nem pode ser compensada depois de passado o horário. Por isso, depois de ouvir o chamado para a oração, não é de modo algum permitido àqueles que são chamados de crentes ocupar-se com compra e venda ou qualquer outro trabalho. Na realidade, o benefício eterno de permanecer de pé e prostrar-se diante de Allah e ocupar-se com a recordação de Allah durante esse período é muitas vezes maior do que os benefícios temporários, instáveis e absorventes dos afazeres mundanos. Contudo, a condição é que a pessoa faça isso conscientemente e com plena compreensão e sentimento.
O Santo Profeta disse:
**A oração de sexta-feira, em congregação, é obrigatória para todo muçulmano, exceto para escravos, mulheres, menores de idade e doentes — (Abu Dawud).
**A oração de sexta-feira é obrigatória para quem crê em Allah e no Último Dia. Se, por causa de diversão, entretenimento ou comércio, ele negligenciar essa oração, Allah Se afastará dele, pois Ele é Puro e Independente de tudo — (Darqutni).
**Se alguém abandonar a oração de sexta-feira sem motivo, seu nome será registrado como hipócrita em um livro que de modo algum poderá ser apagado nem alterado — (Mishkat).
**Penso em ordenar que outra pessoa conduza a oração em meu lugar e em incendiar pessoalmente as casas daqueles que não vêm à oração de sexta-feira e ficam sentados em suas casas — (Muslim).
**Hazrat Ibn Umar e Hazrat Abu Huraira disseram que ouviram o Profeta, de pé sobre o púlpito, dizer:
As pessoas devem abster-se de abandonar a oração de sexta-feira; caso contrário, Allah selará seus corações, e então permanecerão absortas na negligência — (Muslim).
Quem ouviu o adhan da oração de sexta-feira, mas não foi à oração; depois ouviu também o segundo adhan da sexta-feira, mas não foi; e assim não compareceu a três sextas-feiras consecutivas, terá o coração selado e este será transformado no coração de um hipócrita — (At-Tabarani).
O erudito Sarakhsi diz:
A oração de sexta-feira é obrigatória à luz do Alcorão e da Sunnah, e há consenso da ummah quanto à sua obrigatoriedade — (Al-Mabsut, vol. 2, p. 22).
O erudito Ibn al-Humam diz:
A oração de sexta-feira é uma obrigação estabelecida pelo Alcorão e pela Sunnah. Há consenso da ummah quanto à incredulidade de quem a negar — (Fath al-Qadir, vol. 1, p. 807).
O venerável Ibn Abbas (que Allah esteja satisfeito com ele) diz:
Quem, por negligência, abandonar várias orações de sexta-feira consecutivas terá lançado o Islam para trás — (Ilmul Fiqah).
Ao incentivar a oração de sexta-feira e descrever sua excelência, o Profeta (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) disse:
Quem tomar banho na sexta-feira, cuidar plenamente da sua pureza e higiene, aplicar óleo e perfume, chegar à mesquita no primeiro horário, à medida que o dia avançar, e não afastar duas pessoas uma da outra — isto é, não cometer o erro de atravessar as fileiras passando sobre os ombros e as cabeças delas, nem sentar-se entre duas pessoas que já estejam sentadas — mas sentar-se silenciosamente onde encontrar lugar, rezar as orações sunnah e outras que Allah lhe tiver destinado e, quando o khatib subir ao mimbar, sentar-se em silêncio e ouvir o khutbah, terá todos os pecados cometidos entre a sexta-feira anterior e esta sexta-feira perdoados (Bukhari).
Hazrat Ibn Umar (r.a.) relatou que o Profeta (s.a.w.) disse que há três categorias de pessoas que vêm à oração de sexta-feira:
1. Um grupo é formado por pessoas que se ocupam de conversas inúteis. Sua parte consiste apenas nessas conversas inúteis.
2. O segundo grupo é formado por aqueles que vêm e continuam fazendo súplicas a Allah. Se Allah quiser, aceitará suas súplicas; caso contrário, não as aceitará.
3. O terceiro grupo é formado por aqueles que vêm e se sentam silenciosamente; não passam sobre os pescoços dos muçulmanos para avançar, nem causam qualquer sofrimento a ninguém. Assim, essa boa ação torna-se uma expiação por todos os pecados cometidos até a próxima sexta-feira e durante os três dias seguintes (Abu Dawud).
Como Allah diz:(Árabe****************)
Quem pratica uma boa ação recebe uma recompensa dez vezes maior.
O Profeta (s.a.w.) também disse:
Quem tomar um bom banho na sexta-feira, for cedo à mesquita caminhando, e não montado em nenhum veículo, depois ouvir atentamente a khutbah e não praticar nenhuma futilidade durante a khutbah, receberá, em troca de cada passo, a recompensa da adoração de um ano — das orações de um ano e do jejum de um ano — (Tirmidhi).
Condições da oração de sexta-feira
A Sharia estabeleceu algumas condições para que a oração de sexta-feira seja válida e obrigatória. Se essas condições não forem encontradas, a oração de sexta-feira não será obrigatória. Essas condições são de dois tipos. Algumas devem existir durante a própria oração; são chamadas de “condições de obrigatoriedade”. Outras devem existir externamente; são chamadas de “condições de validade”.
Condições de obrigatoriedade
Há cinco condições para que a oração de sexta-feira seja obrigatória.
1. Ser homem. A oração de sexta-feira não é obrigatória para as mulheres.
2. Ser livre. Ela não é obrigatória para o escravo.
3. Ser adulto e dotado de razão. Ela não é obrigatória para menores nem para os insanos.
4. Ser residente. Não é obrigatório para o viajante.
5. Estar saudável. Não é obrigatório para o doente e o incapaz. Considera-se doente aquele que não consegue chegar à mesquita. Porém, para quem consegue caminhar e chegar à mesquita, a oração de sexta-feira é obrigatória.
Há dois tipos de incapazes. Primeiro, aqueles que possuem alguma incapacidade física, como o cego, o manco e o idoso que não consegue caminhar. Segundo, as pessoas às quais surgiu alguma dificuldade externa, como tempestade, chuva, mau tempo, a presença de algum animal feroz no caminho ou o temor de um inimigo hostil.
A regra da oração de sexta-feira quando não se encontram as condições de obrigatoriedade
A oração de sexta-feira é obrigatória para a pessoa que reúne as cinco condições mencionadas acima. Porém, se uma pessoa não reunir todas ou algumas dessas condições e ainda assim rezar a oração de sexta-feira, sua oração será válida. Isto é, depois de rezar a oração de sexta-feira, não será necessário que ela reze a oração do meio-dia. Por exemplo, se uma mulher for à mesquita e rezar a oração de sexta-feira, ou se um viajante ou incapaz rezar a oração de sexta-feira, sua oração será válida e, depois de rezar a oração de sexta-feira, não será necessário que ele reze a oração do meio-dia. Por exemplo, uma mulher não terá necessidade de rezar a oração de sexta-feira indo à mesquita. Por exemplo, se uma mulher for à mesquita e rezar a oração de sexta-feira, ou se um viajante ou incapaz rezar a oração de sexta-feira, sua oração será válida e ele não terá de rezar a oração do meio-dia.
As condições de validade (*****)
Há cinco condições para que a oração de sexta-feira seja válida. Se alguém rezar a oração de sexta-feira sem cumprir essas condições, precisará rezar a oração do meio-dia. As condições são as seguintes:
1. Estar em uma cidade ou localidade estabelecida.
2. O início do horário do Zuhr.
3. A realização da khutbah.
4. A realização da congregação.
5. Que haja permissão para que o público em geral participe da oração.
Explicação das condições
1. Masr-e Jame’
A oração de Jumu‘ah não é válida em florestas e selvas, aldeias rurais ou locais de permanência temporária.
Hazrat Ali (que Allah esteja satisfeito com ele) disse:
A oração de Jumu‘ah e as orações dos dois Eid não são válidas em nenhum lugar além de um Misr-e Jami‘.
Misr-e Jami‘ significa uma cidade ou uma grande povoação onde há tantos muçulmanos que a oração de Jumu‘ah se torna obrigatória para eles e, se eles se reunissem numa mesquita daquela povoação, não haveria espaço suficiente [em geral, a definição acima de Misr-e Jami‘ é a dos juristas hanafitas. Além dessa, foram mencionadas muitas outras definições. Por exemplo:
1. É o Misr de um lugar cuja população é de dez mil pessoas.
2. Ou se chama Misr (cidade) ao lugar onde pessoas de todas as profissões ganham o seu sustento.
3. É Misr o lugar que o imame da época designar como Misr e onde ordenar o estabelecimento da oração de Jumu‘ah.
4. Chama-se Misr ao lugar onde existem mercados, estradas e bairros, onde há um administrador capaz de garantir os direitos dos oprimidos contra os tiranos e um sábio a quem as pessoas vão para aprender as questões e normas religiosas.
Além dessas, os juristas apresentaram muitas outras definições. Isso mostra que não existe uma definição clara e precisa de Misr-e Jami‘ pela qual se possa concluir, sem dúvida, que a oração de Jumu‘ah só pode ser realizada na cidade e não na aldeia. Na realidade, os juristas deram importância ao objetivo essencial da condição de Misr-e Jami‘ e procuraram esclarecê-lo tanto quanto possível, cada um segundo o seu próprio ponto de vista. Ao fazê-lo, deram atenção especial a duas questões. A primeira é que, como a oração de Jumu‘ah é uma obrigação muito importante, para a qual foi dada grande ênfase, deve reunir-se o maior número possível de muçulmanos para cumpri-la, para que ninguém seja privado, tanto quanto possível, da bênção desta grandiosa obrigação. A segunda é que a oração de Jumu‘ah não deve ser realizada por pessoas dispersas e isoladas. Pelo contrário, deve ser realizada num lugar central onde possa ocorrer uma grande reunião de muçulmanos. Ao analisar o Misr-e Jami‘, o Allamah Maududi diz:
Pelo tanto que refleti sobre as normas da Shariah, parece-me que o seu objetivo é que realizar a oração de Jumu‘ah separadamente, de forma dispersa, dentro de pequenos limites, não cumpre a finalidade da Jumu‘ah. Por isso, o Legislador da Shariah ordenou que a Jumu‘ah fosse realizada no Misr-e Jami‘. A expressão Misr-e Jami‘ por si mesma indica que significa uma povoação que reúne pequenas congregações; isto é, os habitantes de muitas pequenas povoações reúnem-se para realizar a oração de Jumu‘ah. Para esse objetivo, o número de lojas, mercados e povoações, bem como outras coisas desse tipo, não tem importância para a centralidade do Misr. Tampouco existe uma relação direta entre essas características do Misr e a congregação da Jumu‘ah que torne necessários mercados e muitas lojas para que a oração de Jumu‘ah seja válida. Para isso, basta uma povoação que possua uma posição central, de modo que os muçulmanos dos arredores possam reunir-se ali. Se for uma grande cidade que tenha uma posição central do ponto de vista civilizacional, tanto melhor. Caso contrário, o imame da época designará como Misr-e Jami‘ a povoação que considerar adequada e ordenará aos habitantes dos arredores que se reúnam ali. O Allamah Ibn Hammam diz-(Árabe****************)
Isto é, se o imame declarar determinado lugar como misr e ordenar às pessoas que ali estabeleçam a oração de sexta-feira, a oração será válida nesse local. Porém, se os habitantes de algum lugar proibirem o estabelecimento da oração de sexta-feira, ela não deverá ser estabelecida ali. (Fath al-Qadir, volume 1, p. 409.) Contudo, se não houver um imame, a oração de sexta-feira poderá ser estabelecida com base na opinião dos muçulmanos, e eles poderão nomear um cádi segundo sua decisão. Da mesma forma, poderão nomear alguém para substituir o imame e, por decisão conjunta, declarar qualquer aldeia como um misr jâmi.
Em seguida, ao apresentar uma proposta justa e prática, ele disse:
Assim, até mesmo os muçulmanos nômades poderão realizar a oração de sexta-feira da maneira correta segundo a xaria. O método seria dividir a região rural em pequenas unidades, cuja distância, levando em consideração as condições locais, variaria de quatro ou cinco milhas até oito ou nove milhas. Entre essas unidades, um local central deveria ser declarado misr jâmi com o consentimento dos habitantes muçulmanos. Em seguida, as aldeias vizinhas deveriam ser declaradas subordinadas ao misr, e os habitantes muçulmanos dessas aldeias iriam até lá para realizar a oração de sexta-feira. Essa organização não seria apenas válida à luz dos hadiths autênticos; tampouco contrariaria as análises dos juristas hanafitas. Os juristas deram várias definições para as aldeias ou povoados subordinados ao misr: alguns estabeleceram em nove milhas a distância entre as moradias subordinadas ao misr; outros, em duas milhas; e outros, em seis milhas. Alguns também dizem que deve ser considerado subordinado ao misr qualquer lugar de onde seja possível ir ao misr para realizar a oração de sexta-feira e retornar para casa antes do anoitecer. O autor de Bada’i preferiu justamente esta última definição. Ela também encontra apoio nos hadiths. Em Tirmidhi, é narrado por Abu Huraira:(Árabe*************)
Isto é, o Profeta disse: a oração de sexta-feira é obrigatória para aquele que, depois de realizá-la, consegue chegar em casa antes do anoitecer.
Em outra ocasião, Abu Huraira disse que o Profeta afirmou:(Árabe***************)
Isto é, o Profeta disse: “Ouçam: se alguém dentre vocês se afastar uma ou duas milhas com um rebanho de cabras à procura de pasto, mas, quando chegar a sexta-feira, não retornar para cá — ele repetiu isso três vezes —, então um selo será colocado sobre o coração dessa pessoa.”
A partir desses hadiths e das análises dos juristas, sabe-se que a distância dos locais subordinados ao misr é de seis ou sete milhas, ou aproximadamente isso, de modo que seus habitantes possam realizar a oração e retornar para casa antes do anoitecer. Para aqueles que vivem dentro dessa distância — sejam moradores permanentes das aldeias ou nômades — é obrigatório comparecer ao misr e realizar a oração de sexta-feira em congregação. Ibn al-Humam diz em Fath al-Qadir:
A oração de sexta-feira nas aldeias rurais
Não é válida a realização da oração de sexta-feira de forma dispersa, em cada pequena aldeia e em cada povoado, grande ou pequeno, ignorando as condições do misr jâmi’. Pelo contrário, é obrigatório que os muçulmanos, reunidos e após consulta, designem algum lugar central para a oração de sexta-feira, onde os muçulmanos das áreas circundantes se reúnam e realizem essa oração.
O erudito Ibn Hammam afirma em Fath al-Qadir:(Árabe************)
Para quem quer que resida em qualquer lugar sob a jurisdição do misr, a oração de sexta-feira é obrigatória, assim como para os habitantes do misr. Essa pessoa deve comparecer ao misr e realizar a oração de sexta-feira (Fath al-Qadir, primeiro volume, p. 411).
A oração de sexta-feira também é obrigatória para aqueles que vivem nos arredores da cidade, tal como para os habitantes da cidade. É indispensável que eles também se dirijam à cidade e realizem ali a oração de sexta-feira (Fath al-Qadir, primeiro volume, p. 411).
Por arredores da cidade entendem-se todos aqueles povoados próximos dos quais o participante da oração de sexta-feira pode retornar à sua casa, depois da oração, antes do anoitecer.
*1 Segundo os Ahl al-Hadith, não é condição para a oração de sexta-feira que ela seja realizada numa cidade ou num grande povoado. Onde quer que algumas pessoas se reúnam para formar uma congregação, ali a oração de sexta-feira torna-se obrigatória. A prova apresentada por eles é que Abu Hurayra (que Deus esteja satisfeito com ele) perguntou, por meio de uma carta enviada do Bahrein a Umar (que Deus esteja satisfeito com ele), se era permitido realizar a oração de sexta-feira no Bahrein. O Amir al-Mu’minin respondeu: “Realizai a oração de sexta-feira onde quer que estejais” (Ibn Khuzayma). O erudito Ibn Hazm afirma que a maior prova da validade da oração de sexta-feira numa aldeia é que, quando o Profeta (que a paz esteja com ele) chegou a Medina, construiu mesquitas nos pequenos povoados de Medina, cada um como um povoado separado, e realizou a oração de sexta-feira nesses povoados. E nenhum deles era uma grande aldeia nem uma cidade (Islami Ta‘lim; ver Awn al-Ma‘bud, comentário de Abu Dawud).
O Profeta (que a paz esteja com ele) disse:
A oração de sexta-feira é obrigatória para aquele que consegue chegar, antes do anoitecer, até seus filhos e familiares (Tirmidhi).
Hazrat Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela) disse:
As pessoas vinham de suas casas e dos arredores de Medina para realizar a oração de sexta-feira. Seus corpos ficavam cobertos de poeira e elas suavam intensamente. Certa vez, o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) estava comigo, e um deles veio apresentar-se diante do Profeta. Ele disse: “Como seria bom se vocês tomassem banho e viessem hoje!” (Bukhari).
2. O horário de Zuhr
Não é permitido realizar a oração de sexta-feira antes nem depois do horário de Zuhr. Se, durante a oração de sexta-feira, o horário de Zuhr terminar, a oração será invalidada, mesmo que se tenha permanecido sentado pelo tempo suficiente para recitar o Attahiyyat na última sessão. Isso porque a oração de sexta-feira não pode ser compensada posteriormente.
3. Khutba
É necessário proferir a khutba antes da oração de sexta-feira, dentro do horário estabelecido. Se a khutba for proferida antes do início do horário, a oração não será válida. Da mesma forma, se a khutba for proferida depois da oração, a oração não será válida.
4. Congregação
Desde o início da khutba até o final da oração, além do imã, deve haver pelo menos mais três pessoas capazes de conduzir a oração. Se forem mulheres ou meninos que ainda não atingiram a idade de maturidade, a oração não será válida.
5. Idhn-e ‘Amm (acesso irrestrito para o público em geral)
Isto é, pode-se anunciar e realizar a oração em um local público onde todos tenham acesso e permissão irrestrita para orar, sem qualquer tipo de impedimento ou restrição para ninguém. Se a oração de sexta-feira for realizada em um local onde a entrada do público em geral seja proibida, isto é, se a oração for realizada com as portas fechadas, ela não será válida. Por exemplo, se a oração de sexta-feira for organizada na mansão ou no bangalô de algum zamindar ou pessoa de alta posição, onde a entrada do público em geral seja proibida, a oração de sexta-feira não será permitida.
A condição de um governante muçulmano para a oração de sexta-feira
Nos livros de jurisprudência islâmica, foi estabelecida a condição de um governante para a oração de sexta-feira. ***1 Isto é, o próprio governante muçulmano ou seu representante deverá estabelecer a oração de sexta-feira. O objetivo dessa condição é que uma das responsabilidades indispensáveis dos governantes muçulmanos é providenciar o estabelecimento da oração de sexta-feira e supervisionar essa grande reunião, para que a paz e a ordem sejam mantidas e não ocorra qualquer tipo de desordem. Ora, onde houver um governante não muçulmano, a oração de sexta-feira não deixa de ser obrigatória para os muçulmanos pelo fato de essa condição não existir. Pelo contrário, torna-se dever deles reunirem-se e realizarem a oração de sexta-feira. Os juristas compreenderam assim a importância dessa condição. Em seguida, emitiram uma fatwa clara: onde houver um governante não muçulmano, os próprios muçulmanos deverão organizar a oração de sexta-feira. No famoso livro de jurisprudência Shami, consta:
(Árabe****************)
Nos países onde houver um governante incrédulo, será válido que os muçulmanos organizem, por iniciativa própria, as orações de sexta-feira e das duas festas. Ali, aquele que for nomeado cádi por consenso mútuo dos muçulmanos será o cádi, e será obrigatório para ele reivindicar um governante muçulmano e lutar por isso.
***1 Em Hidaya, consta: -(Árabe****************)
Isto é, o estabelecimento da oração de sexta-feira não é permitido sem um governante ou o representante de um governante.]
Maulana Abdul Hayy Firangi Mahalli afirmou isso em termos tão claros que, mesmo nos países onde governantes não muçulmanos estão no poder, a oração de Jumu’a é obrigatória para os muçulmanos desses lugares. Após o domínio mogol, quando o domínio inglês se estabeleceu na Índia, surgiu a questão de saber se a oração de Jumu’a era válida ali. Alguns indivíduos de pensamento rígido consideraram que, como o governo muçulmano era uma condição para a Jumu’a, não se deveria realizar a oração de Jumu’a na Índia. Mas Maulana Abdul Hayy declarou inequivocamente que a Jumu’a é obrigatória para os muçulmanos mesmo quando não há um governante muçulmano.
(Árabe******************)
Não há dúvida de que, na Índia, onde se estabeleceu a predominância dos cristãos e eles nomearam governantes descrentes, a Jumu’a é obrigatória e será válida quando realizada com base no consenso mútuo dos muçulmanos; quem emitir uma fatwa pela abolição da Jumu’a será ele próprio desviado e desviará os outros — (Tafhimat, 2.º volume, p. 410, Allama Maududi (r)).
As sunnas da Jumu’a
As sunnas da Jumu’a são oito rak’ahs, todas sunnas mu’akkadah. Antes do fard, quatro rak’ahs com um único salam, e depois do fard, quatro rak’ahs com um único salam. Esta é a opinião do Imam Abu Hanifa (r).
Os Sahibayn (r) (os dois discípulos do Imam) dizem que há dez sunnas na Jumu’a: quatro rak’ahs antes do fard e seis depois. As quatro rak’ahs com um salam, e depois duas rak’ahs com um salam.
As regras e etiquetas da Jumu’a
1. É sunna, na sexta-feira, cuidar da pureza e da limpeza, cortar o cabelo e as unhas, vestir-se com boas roupas conforme as possibilidades, usar perfume e chegar primeiro à mesquita congregacional.
O Profeta (que a paz esteja com ele) disse:
Quem tomar banho na sexta-feira, vestir boas roupas, usar perfume se tiver oportunidade, comparecer à oração de sexta-feira, não passar por cima do pescoço das pessoas, depois realizar a oração que Allah lhe tiver destinado, e permanecer em silêncio desde a chegada do imame até o término da oração, terá todos os seus pecados perdoados entre a sexta-feira anterior e esta sexta-feira — (Ilmul Fiqah, volume 2).
2. Se, apesar das providências, alguém deixar de realizar a oração de sexta-feira por esquecimento ou por qualquer outro motivo, deverá realizar os quatro rak‘at obrigatórios da oração do meio-dia e é recomendável dar alguma caridade. Se não puder realizar a oração de sexta-feira por estar cuidando de um doente, por causa de uma tempestade ou por medo do inimigo, deverá realizar a oração do meio-dia.
3. É melhor que aquele que profere o sermão também conduza a oração. Contudo, se por algum motivo outra pessoa conduzir a oração, ela será válida — (Durr al-Mukhtar).
Entretanto, a oração de sexta-feira deve ser conduzida por quem tiver ouvido o sermão. Se alguém que não ouviu o sermão conduzir a oração, ela não será válida.
4. É melhor que todos os habitantes da localidade se reúnam na mesma mesquita congregacional para realizar a oração de sexta-feira. Porém, nas cidades, é permitido realizar a oração em várias mesquitas — (Bahr al-Ra’iq).
5. Na cidade ou numa localidade onde se realiza a oração de sexta-feira, é haram realizar a oração do meio-dia antes da oração de sexta-feira (Ilmul Fiqah).
6. Os doentes e as pessoas incapacitadas — sobre quem a oração de sexta-feira não é obrigatória — devem realizar separadamente a oração do meio-dia na sexta-feira. Para esse tipo de pessoa, realizar a oração do meio-dia em congregação na sexta-feira é makruh tahrimi — (Durr al-Mukhtar).
7. A oração de sexta-feira deve ser mais longa do que o sermão.
O fato de a oração de sexta-feira ser longa e o sermão breve é sinal de que o pregador possui profundo conhecimento da religião e discernimento (Muslim).
8. Mesmo que um retardatário se junte à congregação na sessão final, ou participe do tashahhud após as prostrações por distração, sua oração de sexta-feira será válida. Depois que o imame terminar a oração com o salam, ele deverá se levantar e realizar duas rak‘at.
9. A preparação para a sexta-feira deve começar já na quinta-feira. O Profeta (que a paz esteja com ele) começava a preparação desde a quinta-feira (Mishkat).
10. Na sexta-feira, deve-se dedicar mais atenção ao dhikr, ao tasbih, à recitação do Alcorão, às súplicas, ao istighfar, às doações e à caridade, ao cuidado dos enfermos, à participação nos funerais, à visita aos cemitérios e à prática de outras boas ações. Hazrat Abu Sa‘id al-Khudri (que Allah esteja satisfeito com ele) relatou que o Profeta (que a paz esteja com ele) disse: há cinco boas ações que, se alguém as praticar em um único dia, Allah o fará entrar no Paraíso—
1—Cuidar e tratar de um enfermo
2—Participar de um funeral
3—Jejuar
4 — Realizar a oração de sexta-feira
5 — Libertar um escravo
Há também uma narração de Hazrat Abu Sa’id al-Khudri (que Allah esteja satisfeito com ele), segundo a qual o Profeta (que a paz esteja com ele) disse:
Quem recitar a Surata Al-Kahf na sexta-feira terá uma luz brilhando para ele até a sexta-feira seguinte — (An-Nasa’i).
Hazrat Abu Huraira (que Allah esteja satisfeito com ele) disse que o Profeta (que a paz esteja com ele) falou: quem recitar a Surata Ad-Dukhan na noite de sexta-feira terá setenta mil anjos pedindo perdão por ele, e seus pecados serão perdoados — (At-Tirmidhi).
Além disso, o Profeta (que a paz esteja com ele) disse:
Na sexta-feira há um momento em que qualquer súplica que o servo faça é aceita — (Al-Bukhari).
Há várias opiniões dos estudiosos sobre quando ocorre esse momento, entre as quais duas foram reconhecidas como mais autênticas. A primeira é: desde o momento em que o imã sobe ao púlpito para o sermão até o fim da oração. A segunda é: os últimos momentos da sexta-feira, quando o sol está se pondo. É apropriado fazer súplicas nesses dois momentos.
11. É mustahab ir à mesquita muito antes da oração de sexta-feira. O Profeta (s) disse:
Assim como uma pessoa toma banho para se purificar, se alguém tomar um banho completo na sexta-feira e chegar à mesquita no primeiro horário, será como se tivesse sacrificado um camelo. Depois, quem chegar em seguida será como se tivesse sacrificado um camelo; depois, quem chegar será como se tivesse sacrificado um carneiro com chifres. Quando o khatib sai para proferir o sermão, os anjos deixam as portas, fecham o registro de presença e sentam-se dentro da mesquita para ouvir o sermão e realizar a oração — (Bukhari, Muslim).
12. É sunnah recitar a surata (****) e a surata (****) na oração do fajr da sexta-feira.
13. É sunnah recitar, na oração de sexta-feira, a surata (***) e a surata (****), ou a surata (***) e a surata (***).
14. Deve-se sentar onde quer que haja lugar na mesquita; é makruh passar por cima da cabeça e do pescoço de alguém. Isso causa sofrimento às pessoas, tanto físico quanto mental, e também prejudica sua concentração. Hazrat Abdullah ibn Abbas (r.a.) narra que o Profeta (s) disse: Se uma pessoa deixa a primeira fileira e fica na segunda para não causar qualquer sofrimento a seus irmãos muçulmanos, Allah lhe concederá o dobro da recompensa concedida às pessoas da primeira fileira — (Tabarani).
15. É mustahab enviar abundantemente salawat sobre o Profeta (s) na sexta-feira. O Profeta (s) disse:
A melhor de vossas dias é a sexta-feira; nela, Adão (a.s.) foi criado e nesse mesmo dia faleceu. Nesse dia ocorrerá a Ressurreição. Portanto, nesse dia, enviai abundantemente salawat sobre mim, pois vossas bênçãos e saudações me são apresentadas. Os Companheiros disseram: Ó Mensageiro de Allah! Seu corpo certamente apodrecerá e se dissolverá. O Profeta (s) disse: Allah proibiu à terra que devore os corpos dos profetas — (Abu Dawud).
Regras e etiquetas do sermão
1. O khatib proferirá dois sermões. No primeiro sermão, ensinará aos ouvintes as instruções da religião e como praticá-las. [O objetivo fundamental do sermão só pode ser cumprido quando o khatib se dirigir aos ouvintes em sua própria língua, para que eles possam compreender. Entretanto, há divergência entre os juristas quanto à possibilidade de proferir o sermão em uma língua diferente do árabe.
A verdade é que o primeiro sermão é, na realidade, destinado à exortação, aos conselhos religiosos, à explicação dos princípios da religião às pessoas e a outros assuntos semelhantes, e pode ser proferido também em línguas diferentes do árabe. Naturalmente, o segundo sermão deve ser proferido em árabe. E, onde houver uma conferência internacional de muçulmanos, ambos os sermões devem ser proferidos em árabe. Ao expressar sua opinião sobre este assunto, o Allama Maududi (que Allah tenha misericórdia dele) disse:
Deveria ser assim: uma parte do sermão (a segunda parte) deve ser necessariamente em árabe. Essa parte deve ser reservada ao louvor e à glorificação de Allah, às bênçãos e saudações ao Mensageiro de Allah (que a paz esteja com ele), aos seus companheiros e aos Al-Aulad, bem como à recitação de versículos do Alcorão. Depois, na segunda parte (o primeiro sermão), a exortação, os conselhos e os ensinamentos islâmicos de acordo com as necessidades da época devem ser apresentados em uma língua que todos os ouvintes, ou a maioria deles, possam compreender. Para esse fim, deve-se usar sobretudo uma língua que tenha, entre os muçulmanos, importância internacional ou regional. Por exemplo, na Índia (Índia Britânica), o sermão deveria ser proferido em urdu, em vez de na língua regional ou no dialeto local. Isso porque o urdu é compreendido pelos habitantes de quase todas as províncias; naturalmente, em lugares muito distantes onde as pessoas não compreendem urdu, o sermão pode ser proferido na língua local. Porém, onde houver uma conferência internacional de muçulmanos, o sermão não deve ser proferido em nenhuma língua além do árabe — (Tafhimat, volume 2, p. 342).] E, no segundo sermão, recitará alguns versículos do Alcorão, proferirá bênçãos sobre o Profeta e fará súplicas pelos Companheiros do Mensageiro (que a paz esteja com ele) e pelos muçulmanos em geral.
2. É responsabilidade do khatib preparar, para cada sexta-feira, um discurso adequado ao tempo e às circunstâncias, aconselhar, à luz do Alcorão e da Sunnah, sobre a situação do país e da comunidade, bem como sobre os problemas enfrentados pela nação muçulmana; inspirar a solução de todos os problemas segundo a perspectiva da religião e incentivar a adoção dos meios correspondentes; lembrar aos muçulmanos suas responsabilidades e deveres religiosos e despertar neles preocupação pela religião e pela comunidade. É permitido ler um sermão já preparado a partir de um livro, assim como é permitido, como forma de obter bênçãos, ler um sermão autêntico do próprio Profeta (que a paz esteja com ele). Contudo, o verdadeiro objetivo do sermão de sexta-feira é que aquele responsável pelos muçulmanos lhes apresente, de maneira natural, contínua e organizada, as instruções da religião a cada semana, esclareça suas responsabilidades e lhes ofereça orientação sobre os problemas que surgirem, à luz do Livro e da Sunnah. Portanto, a melhor maneira de cumprir o objetivo do sermão é que o khatib, quando necessário, explique as questões jurídicas da Sharia e ofereça orientação. Simplesmente ler um livro não será suficiente. [Os sábios Ahl al-Hadith também consideram permitido, e até preferível, proferir o sermão em qualquer língua que não seja o árabe. O Maulana Abdus Salam Bastavi disse:
O significado do sermão é dirigir-se às pessoas presentes para oferecer exortação e conselhos. Os conselhos só são proveitosos quando são dados na língua dos ouvintes. Portanto, o sermão deve ser proferido na língua dos ouvintes. Se os ouvintes forem falantes de árabe, o sermão deve ser em árabe; se falarem outra língua, deve ser nessa língua. Não é obrigatório proferir o sermão exclusivamente em árabe. Pelo contrário, deve-se recitar o texto original em árabe, traduzi-lo e explicá-lo aos ouvintes — (Educação Islâmica, volume 4, p. 130).
1. Ao discutir o objetivo do sermão, o Allama Maududi (que Allah tenha misericórdia dele) disse:
Na realidade, a instituição do sermão não foi criada para que as pessoas ouvissem uma vez por semana, de maneira rotineira, algum tipo de discurso como os sermões ou exortações proferidos nas igrejas cristãs. Pelo contrário, esse sermão foi transformado em uma parte ativa da vida coletiva dos muçulmanos. Seu objetivo era reunir obrigatoriamente todos os muçulmanos uma vez por semana, transmitir-lhes as instruções de Allah e firmar os ensinamentos da religião em seus corações. Quando surgisse alguma irregularidade entre indivíduos ou na comunidade, deveria tentar-se corrigi-la e eles deveriam ser incentivados a realizar obras de benefício social. Além disso, o chefe de Estado do Estado Islâmico () deveria apresentar diretamente ao público a política do governo e dar a todos a oportunidade de questioná-la ou de expor suas próprias opiniões. — (Tafhimat, volume 2, p. 335).]
3. Depois de proferir o primeiro sermão, o khatib deverá sentar-se no púlpito pelo tempo necessário para recitar três versículos curtos ou dizer três vezes «Subhanallah». Em seguida, deverá levantar-se e proferir o segundo sermão. No primeiro sermão, deverá transmitir à comunidade, em linguagem comovente e com incentivo e entusiasmo, os mandamentos e as determinações da religião. É recomendável proferir, no sermão, um discurso que desperte incentivo, entusiasmo e emoção.
No segundo khutba, devem ser recitados alguns versículos do Alcorão, salat e salam, e devem ser feitas súplicas pelos Companheiros do Mensageiro (que a paz e as bênçãos estejam com ele) e pelos muçulmanos em geral.
4. O khutba deve ser mais curto que a oração. É makruh tornar o khutba mais longo que a oração. O Profeta (que a paz e as bênçãos estejam com ele) disse: “Alongar a oração e encurtar o khutba é sinal da sabedoria e da perspicácia do khatib. Portanto, alongai a oração e encurtai o khutba.” (Muslim).
5. Durante o khutba, é wajib sentar-se em silêncio e ouvi-lo atentamente, esteja o ouvinte perto ou longe do khatib.
6. Durante o khutba, é mustahab sentar-se perto do khatib e voltar-se para ele. Há um hadith: “Estejai presentes no khutba e permanecei perto do imame.” (Mishkat).
7. Quando o khatib se levanta para o khutba, não é correto rezar nem conversar. Durante o khutba, rezar, conversar, ocupar-se com dhikr e tasbih, comer e beber, cumprimentar alguém ou responder ao cumprimento, bem como realizar qualquer ato que impeça de ouvir o khutba, é makruh tahrimi. Durante o khutba, também é proibido ensinar a alguém uma norma da Sharia ou aconselhá-lo a praticar uma boa ação. O Profeta (que a paz e as bênçãos estejam com ele) disse:
“Quando o imame profere o khutba, aquele que fala é como quem carrega o peso de livros; e aquele que, durante o khutba, diz a outra pessoa ‘Fica calado’, não teve a sua oração de sexta-feira.” (Musnad Ahmad, Tabarani).
Contudo, durante o khutba, não é apenas permitido rezar a oração qada; isso é, pelo contrário, wajib.
8. Se o nome do Profeta for mencionado durante o khutba, é permitido recitar mentalmente o durood.
9. No segundo khutba, é mustahab fazer súplicas pelos descendentes do Profeta, pelos Companheiros — especialmente pelos Califas Bem-Guiados —, por Hazrat Hamza (que Allah esteja satisfeito com ele) e por Hazrat Abbas (que Allah esteja satisfeito com ele). Também é permitido fazer súplicas pelo responsável pelo Estado Islâmico. Contudo, é makruh tahrimi fazer elogios inadequados e exagerados — (Ilmul Fiqah, volume 2, p. 148, citando Durr al-Mukhtar).
10. Embora não seja proibido falar ou ler sobre despedida e separação no khutba da última sexta-feira do Ramadã (Jumu‘at al-Wada), nada disso foi transmitido do Profeta (que a paz esteja com ele) nem dos nobres Companheiros. Nenhum livro autorizado de fiqh faz qualquer menção a esse assunto. Portanto, não é correto ler permanentemente textos desse tipo. Assim, algo que pertence apenas ao nível do mubah passou a ser lido pelas pessoas com grande pompa; aqueles que não leem o khutba de despedida não são considerados bons, e o povo em geral passou a atribuir a Jumu‘at al-Wada um status religioso. Por isso, é melhor manter-se afastado disso — (Ilmul Fiqah, volume 2, p. 148).
11. Assim que o khutba terminar, deve-se iniciar a oração com a iqama. É makruh tahrimi ocupar-se de qualquer atividade mundana entre o khutba e a oração. Se esse intervalo for longo — por exemplo, se o khatib se sentar para comer ou para resolver uma questão comercial de alguém —, será necessário proferir o khutba novamente. Contudo, se houver uma necessidade religiosa, como ter de informar a alguém uma regra da Sharia, precisar fazer a ablução ou perceber, depois do khutba, que era necessário tomar um banho ritual [Observe-se que a pureza ritual não é condição para o khutba. Mesmo que alguém, por esquecimento, profira o khutba em estado de janabah, não será necessário repeti-lo.
(Árabe****************)
Se o khatib proferir o khutba sentado ou sem estar em estado de pureza, ele será válido — (Hidaya).] então não haverá problema nesse intervalo. Não será necessário proferir o khutba uma segunda vez.
O uso do microfone na oração e no khutba
É permitido usar o microfone durante o khutba quando necessário.
Também não há problema em usar o microfone na oração quando necessário. ****1
É proibido comprar e vender depois do azan da sexta-feira
Assim que se ouvir o azan da sexta-feira, deve-se interromper todo negócio e toda compra e venda, preparar-se e partir para ouvir a khutba e realizar a oração. Isso porque, depois do azan da sexta-feira, a compra e a venda tornam-se haram. O Alcorão afirma claramente:
(Árabe****************)
Ó crentes! Quando o chamado para a oração for feito na sexta-feira, apressai-vos para a recordação de Allah e deixai de comprar e vender. (Al-Jumu‘ah: 9)
Os exegetas concordam que o significado da primeira expressão é a khutba, ou tanto a khutba quanto a oração. E o azan mencionado na segunda expressão é aquele que é dado antes da khutba, não o que é dado muito antes. Hazrat Sa’ib ibn Yazid (que Allah esteja satisfeito com ele) disse que, na época do Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), havia apenas um azan, e ele era dado quando o khatib subia ao púlpito e
¹ O Mufti Muhammad Shafi, expressando sua opinião sobre o assunto, disse: A partir da análise apresentada pelos juristas e da prática dos Companheiros do Profeta (que Allah esteja satisfeito com eles) por ocasião da mudança da qibla, obtém-se um argumento claro de que não se pode decretar que a oração seja invalidada por isso — (A lei islâmica sobre os instrumentos modernos, p. 89).
Ao apresentar as provas de que é não apenas permitido, mas também preferível, usar o microfone na oração, Allama Maududi (que Allah tenha misericórdia dele) disse: Com base nesses argumentos e provas, considero o uso do microfone na oração não apenas permitido, mas também preferível. Minha consciência testemunha que, se tais instrumentos existissem na época do Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), ele certamente os teria utilizado na oração, no azan e na khutba. Por exemplo, durante a Batalha da Trincheira, ele aceitou sem hesitação a escavação de uma trincheira segundo o método iraniano — (Tafhimat, vol. 2, p. 380).
sentava-se; depois, durante o período de Hazrat Abu Bakr (que Allah esteja satisfeito com ele) e Hazrat Umar (que Allah esteja satisfeito com ele), quando a população aumentou bastante, eles instituíram mais um azan. Esse azan era dado no mercado de Medina, a partir de sua residência chamada ‘Zawra’ (Bukhari, Abu Dawud, Nasa’i).
Allama Shabbir Ahmad Usmani diz em seu tafsir que (***) se refere ao adhan que é proferido diante do imame. A prática de proferir o adhan anterior foi estabelecida no período de Hazrat Uthman, por consenso dos nobres Companheiros.
O método prescrito pela Sunnah para o khutba
O khatib se sentará, estando limpo e asseado, voltado para os ouvintes, e o mu’azzin proferirá o adhan diante do khatib.
Assim que o adhan terminar, o khatib subirá ao minbar e, recitando mentalmente “A‘udhu billahi minash-shaytanir-rajim”, proferirá o khutba.
Primeiro, fará o hamd e a sana de Allah; depois, dará testemunho do tawhid e da risalat. Em seguida, fará um sermão breve, porém abrangente, com entusiasmo, estímulo e seriedade. Depois, sentará por um curto período, equivalente ao tempo necessário para recitar “Subhanallah” três vezes.
Depois, levantar-se-á novamente e proferirá o segundo khutba. Também neste khutba repetirá o hamd, a sana e a shahada. Recitará alguns versículos do Sagrado Alcorão e enviará durood e salam ao Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Fará súplicas pelos nobres Companheiros, pelos Califas Bem-Guiados e, especialmente, por Hazrat Hamza e Hazrat Abbas (que Allah esteja satisfeito com eles). Em seguida, encerrará o khutba fazendo súplicas pelos muçulmanos em geral. Logo após o término do khutba, todos se levantarão para a oração.
Descrição das orações dos dois Eids
Hazrat Anas relata que, quando o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) migrou de Meca e chegou a Medina, viu que as pessoas se divertiam e desfrutavam de entretenimentos em dois dias específicos do ano. Ele lhes perguntou: que dias são estes dois?
Eles dizem: antes da chegada do Islã, costumávamos brincar, divertir-nos e desfrutar de alegrias nesses dois dias.
O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: Allah determinou, em substituição a esses dois dias, dois dias melhores: um é o dia do Eid al-Fitr e o outro é o dia do Eid al-Adha.
O significado do Eid al-Fitr
No primeiro dia do mês de Shawwal, os muçulmanos celebram o Eid al-Fitr. Allah, o Altíssimo, determinou para os Seus servos diversas formas de adoração, como o jejum do mês de Ramadan, a oração de Tarawih, a recitação do Alcorão, a caridade e outras; os servos receberam d’Ele a capacidade de cumpri-las devidamente e alcançaram o sucesso. É por isso que se celebra o Eid al-Fitr, para expressar uma alegria verdadeira.
O significado do Eid al-Adha
No décimo dia do mês de Dhu al-Hijjah, os muçulmanos celebram o Eid al-Adha. Essa celebração é, na realidade, uma lembrança daquele grandioso sacrifício que o nobre Ibrahim e o nobre Ismail apresentaram perante Allah. Ao receber a indicação de Allah, o nobre Ibrahim preparou-se para sacrificar, pela satisfação de Allah, o seu único filho, o nobre Ismail. Por sua vez, ao saber que essa era a vontade de Allah, o nobre Ismail colocou alegremente o pescoço sob a faca afiada. Ao celebrarem o Eid al-Adha em memória da incomparável história do sacrifício, os muçulmanos proclamam, por meio de suas palavras e ações, que oferecerão no caminho de Allah a vida e os bens que possuem ao menor sinal de Allah. Eles fazem este juramento a Allah, fazendo o sangue do animal correr ao cortar-lhe a garganta: “Ó Allah! Assim como estamos fazendo o sangue do animal correr pela Tua satisfação, se necessário, também não hesitaremos em fazer nosso sangue correr no Teu caminho. Se alcançarmos essa ventura, provaremos ser Teus servos obedientes e fiéis.”
Práticas da Sunnah no dia do Eid al-Fitr
1. Providenciar suas próprias roupas e adornos.
2. Tomar banho para a oração do Eid depois da oração do fajr.
3. Usar o miswak.
4. Vestir roupas novas ou limpas, conforme as possibilidades, e usar perfume.
5. Levantar-se bem cedo.
6. Ir cedo ao eidgah.
7. Entregar a sadaqa al-fitr antes de ir ao eidgah.
8. Comer alguns doces antes de ir ao eidgah.
9. Realizar a oração do Eid no eidgah. Ir ao eidgah para realizar a oração é uma sunnah mu’akkadah. O Profeta (que a paz esteja com ele) realizava a oração do Eid no eidgah, apesar da extraordinária virtude de realizar a oração na Mesquita do Profeta. Apenas uma vez, por causa da chuva, ele realizou a oração na Mesquita do Profeta (Abu Dawud).
10. Ir a pé por um caminho e retornar por outro.
11. Recitar lentamente o seguinte takbir na estrada.(Árabe*******************)
Atos sunnah no dia do Eid al-Adha
1. No dia do Eid al-Adha também são sunnah os mesmos atos que são sunnah no dia do Eid al-Fitr.
1. No dia do Eid al-Adha, é sunnah não comer nada antes de ir ao local da oração do Eid. Hazrat Burayda (r.a.) relata que, no Eid al-Fitr, o Profeta (s.a.w.) comia algo antes de ir ao local da oração do Eid, enquanto, no dia do Eid al-Adha, comia depois de retornar do local da oração do Eid. (Em Tirmidhi, Ibn Majah e Musnad Ahmad acrescenta-se que ele comia carne do sacrifício.)
2. No Eid al-Adha, é sunnah recitar o takbir em voz alta ao dirigir-se ao local da oração do Eid.
A oração do Eid
É wajib realizar duas rak‘ahs de oração no dia do Eid. As condições para que a oração do Eid seja válida e wajib são as mesmas da oração de sexta-feira. Contudo, o khutbah da oração do Eid não é uma condição, ao passo que o khutbah da sexta-feira é fard. O khutbah do Eid é sunnah.
Intenção para a oração do Eid
Tenho a intenção de realizar as duas rak‘ahs obrigatórias da oração do Eid, com seis takbires. Quem quiser dizê-la em árabe dirá:
(Árabe****************(
(Se for o Eid al-Fitr, dirá (****), e se for o Eid al-Adha, dirá (****).)
Método da oração do Eid
Tendo a intenção de realizar a oração do Eid, levantará as mãos até as orelhas enquanto diz “Allahu akbar”. Em seguida, deverá colocar as mãos juntas e recitar a súplica Sana.
Depois, deverá dizer “Allahu akbar” três vezes, levantando as mãos até as orelhas a cada vez. Após cada takbir, deverá permanecer parado pelo tempo necessário para recitar “Subhanallah” três vezes. Depois do terceiro takbir, deverá colocar as mãos juntas sem abaixá-las. Em seguida, recitará o ta‘awwudh, a tasmiyah, a Surata al-Fatiha e outra surata junto com ela.
Depois, após realizar o rukū‘ e as prostrações conforme o costume, recitará na segunda rak‘ah a Surata al-Fatiha e outra surata junto com ela.
Depois, antes de entrar no rukū‘, dirá três takbīres e baixará as mãos. Em seguida, dirá o quarto takbīr e entrará no rukū‘.
Horário da oração do Eid
Quando o sol tiver nascido completamente e sua luz brilhante se espalhar, começará o horário da oração do Eid, que permanecerá até o meio-dia. Contudo, é mustahabb não atrasar a oração do Eid. A prática conforme a Sunnah é realizar a oração do Eid al-Adha um pouco mais cedo e a oração do Eid al-Fitr um pouco mais tarde.
Questões jurídicas relativas à oração do Eid
1. Se alguém não conseguir realizar a oração do Eid, não poderá realizá-la sozinho, pois a congregação é uma condição para a oração do Eid. Da mesma forma, se alguém participar da oração do Eid, mas sua oração for invalidada por algum motivo, não poderá realizar a oração compensatória, nem esta lhe será obrigatória. Contudo, se outra pessoa se juntar a ele, poderá realizar a oração.
2. Se, por algum motivo, não for possível realizar a oração do Eid al-Fitr no dia do Eid, ela poderá ser realizada no segundo dia. Se for o período do Eid al-Adha, poderá ser realizada até o dia 12 de Dhu al-Hijjah.
3. Sem uma desculpa válida, é permitido realizar a oração do Eid al-Adha até o dia 12, mas isso será makrūh. Não é de modo algum permitido atrasar a oração do Eid al-Fitr sem uma desculpa válida.
4. Não há adhān nem iqāmah para a oração do Eid.
5. Para as mulheres ***1 e para aquele que, por alguma razão, não tenha realizado a oração do Eid, é makruh realizar uma oração nafl antes da oração do Eid.
6. Se alguém se juntar à oração do Eid quando o imã já tiver pronunciado o takbir e iniciado a recitação, deverá formular a intenção e, primeiro, pronunciar o takbir. Se ele se juntar ao rukūʿ, deverá formular a intenção e, primeiro, pronunciar o takbir. Se ele se juntar ao rukūʿ, deverá formular a intenção e, em vez de recitar o tasbih, pronunciar o takbir, mas sem levantar as mãos. Se o imã se levantar do rukūʿ antes que ele complete todo o takbir, deverá levantar-se junto com o imã. Nesse caso, o takbir que ele perder será perdoado.
7. Se o imã esquecer de pronunciar os takbirs adicionais na oração do Eid e se lembrar já estando no rukūʿ, deverá pronunciar o takbir nessa mesma posição, sem voltar à recitação. Mesmo que se levante do rukūʿ para permanecer em pé, a oração não será invalidada.
8. É makruh realizar qualquer outra oração no eidgah ou no local onde a oração do Eid está sendo realizada, tanto antes quanto depois da oração do Eid. [Hazrat Abdullah ibn Abbas (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) saiu para a oração do Eid. Depois, realizou somente duas rakʿat; não realizou nenhuma oração antes nem depois dela. (Tirmidhi).]
***1 A participação de crianças e mulheres na oração do Eid
Segundo os Ahl-e-Hadith, a participação de mulheres e crianças na oração do Eid é masnun. Isso porque o Eid, assim como a oração de sexta-feira, faz parte dos ritos islâmicos. O próprio Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) enfatizou às mulheres que elas deveriam ir ao eidgah. Hazrat Umm Atiyya (que Allah esteja satisfeito com ela) disse: o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) ordenou-nos que levássemos ao eidgah as virgens, as jovens, as mulheres recatadas e as mulheres que estivessem menstruadas. Contudo, as que estivessem menstruadas deveriam sentar-se separadas do local da oração no eidgah, pronunciar os takbirs e participar das súplicas dos muçulmanos. Eu perguntei: “Ó Mensageiro de Allah! Muitas mulheres não têm um xale. Como irão ao eidgah?” O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) respondeu: “Aquela que tiver um xale deverá acolher sua irmã na fé sob o seu xale.” — (Bukhari, Muslim, Tirmidhi).
Hazrat Ab Abbas (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: fui com o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) à oração do Eid. Ele conduziu a oração e proferiu o sermão. Depois, foi à reunião das mulheres, aconselhou-as e exortou-as a fazer caridade e boas ações. — (Bukhari).
9. Quem perder a oração do Eid não precisará realizá-la como qada, pois não há qada para a oração do Eid. ***1
10. É permitido por consenso realizar a oração do Eid em vários locais da cidade. Deve-se organizar a oração na cidade para aqueles que não podem ir ao Eidgah, para que possam realizar a oração do Eid.
11. Na oração do Eid, a recitação deve ser feita em voz alta. É recomendável recitar as suratas que o Profeta (que a paz esteja com ele) costumava recitar. Às vezes, ele recitava as suratas Al-A’la e Al-Ghashiyah (Ahmad, Tirmidhi), e às vezes as suratas Qaf e Al-Qamar (Tirmidhi, Abu Dawud).
Questões relativas ao khutba do Eid
1. O khutba do Eid é sunnah, e ouvi-lo é wajib.
2. É sunnah proferir o khutba do Eid depois da oração. Hazrat Abu Sa’id (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: o Profeta (que a paz esteja com ele) costumava ir ao Eidgah no dia do Eid al-Fitr e do Eid al-Adha. Ali, primeiro realizava a oração. Depois, ficava de frente para a assembleia. As pessoas permaneciam sentadas em suas fileiras. Então, ele fazia um sermão diante delas e lhes explicava as ordens e os preceitos da religião. Quando era necessário enviar um exército para alguma direção ou dar alguma orientação especial, ele o fazia. Depois, retornava para casa (Bukhari, Muslim).
3. Proferir dois khutbas e sentar-se entre eles durante o tempo em que se senta entre os khutbas de sexta-feira é sunnah.
4. Deve-se dizer o takbir no khutba do Eid: nove vezes no primeiro khutba e sete vezes no segundo.
5. No khutba do Eid al-Fitr, devem ser explicadas as questões relativas à sadaqat al-fitr; e no khutba do Eid al-Adha, as questões relativas ao qurbani e ao takbir tashriq.
****1 Segundo os Ahl al-Hadith, se alguém perder a oração do Eid, deverá rezar sozinho duas rak‘at.
Takbir de Tashriq
1. O nono dia do mês de Zul-Hijjah chama-se ‘Yaum de Arafah’ (o dia de Arafat). O décimo dia chama-se ‘Yaum an-Nahr’ (o dia do sacrifício), e os dias onze, doze e treze chamam-se Ayyam de Tashriq. O takbir recitado após as orações obrigatórias nesses cinco dias chama-se Takbir de Tashriq.
2. O Takbir de Tashriq é:(Árabe*****************)
3. O Takbir de Tashriq deve ser recitado após cada oração obrigatória, desde o fajr do dia de Arafah até a oração do asr do dia 13 de Zul-Hijjah. Isto é, é obrigatório recitar o takbir após vinte e três orações.
4. É obrigatório recitar o Takbir de Tashriq em voz alta. As mulheres devem recitá-lo em voz baixa.
5. Não é obrigatório que o viajante e as mulheres recitem o Takbir de Tashriq. Porém, se rezarem atrás de alguém para quem é obrigatório recitar o takbir, também será obrigatório que o recitem.
6. O Takbir de Tashriq deve ser recitado imediatamente após a oração. Porém, se depois da oração for praticado algum ato proibido durante a oração, como gargalhar, falar ou sair da mesquita, não se deverá recitar o takbir. Contudo, se o wudu for perdido, é permitido recitar o takbir sem wudu, e também é permitido recitá-lo depois de fazer o wudu.
7. Se o imame esquecer-se de recitar o takbir, o muqtadi deve começar imediatamente a recitá-lo. Assim, o imame também se lembrará. Não é correto permanecer sentado em silêncio, esperando pelo imame, como se só se devesse recitá-lo depois que ele o recitar.
Descrição da doença e da morte
Regras e etiqueta da visita ao doente
Na terminologia islâmica, visitar o doente para saber como ele está é chamado de ‘iyādat’ (assistência). Fazer iyādat do doente é mustahabb. Quando um doente não tem parentes próximos para cuidar dele, é obrigatório para os muçulmanos fazer-lhe iyādat e prestar-lhe assistência. O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) fazia questão especial de visitar os doentes. Ele não visitava somente os muçulmanos; também ia visitar os não muçulmanos. Ele destacou a grande importância e virtude da iyādat, insistiu nela e ensinou também algumas de suas regras de etiqueta.
1. Para incentivar a iyādat, ele mencionou virtudes desse tipo:
No Dia da Ressurreição, Allah dirá: “Ó filho de Adão, Eu adoeci; por que não foste visitar-Me?”
O servo dirá: “Ó Allah! Tu és o Senhor de todos os mundos; como poderia eu fazer-Te iyādat?”
Allah dirá: “Certo servo Meu adoeceu, mas tu não fizeste iyādat dele. Se tivesses ido visitá-lo, ter-Me-ias encontrado ali” — (Muslim).
Quando um servo visita seu irmão muçulmano doente ou vai encontrá-lo, um anunciador anuncia do céu: “Parabéns! Parabéns por visitares um doente; construíste uma morada no Paraíso” — (Tirmidhi).
2. Deve-se aproximar-se do doente e consolá-lo. Deve-se exortá-lo a ter paciência e fazê-lo compreender que a doença é, na verdade, uma misericórdia de Allah. Pois todo sofrimento e aflição, por menores que sejam, que agora atingem o crente servem como expiação de seus pecados. O Profeta (s.a.w.) perguntava ao doente (*****): “Diga-me, como está?” Depois, consolando-o, dizia (********): “Não se preocupe; se Allah quiser, esta doença será uma causa de purificação dos pecados.”
Hazrat Abu Sa’id (r.a.) relata que o Profeta (s.a.w.) disse: qualquer calamidade, doença, preocupação, tristeza, sofrimento ou pesar que atinja os muçulmanos — até mesmo o ferimento causado por um espinho — faz com que Allah lhes perdoe os pecados por causa disso — (Bukhari, Muslim).
Hazrat Abu Sa’id (r.a.) também relata que o Profeta (s.a.w.) disse: quando fores visitar um doente, transmite-lhe palavras de consolo. Ainda que essas palavras não mudem a situação, o doente ficará contente — (Tirmidhi, Ibn Majah).
3. Também é sunna fazer uma súplica pelo doente. Hazrat Aisha (r.a.) relata que era hábito do Profeta (s.a.w.), quando alguém entre nós adoecia, passar sua mão direita sobre seu corpo e recitar esta súplica:
(Árabe***************)
“Ó Senhor das pessoas! Remove o sofrimento deste doente. Concede-lhe a cura. Tu és o Curador; a cura está somente em Tuas mãos. Concede uma cura que não deixe nenhum vestígio da doença.” 4. Também se deve pedir ao doente que faça uma súplica por si mesmo, pois, durante a doença, seu coração permanece voltado para Allah. Está registrado no hadith: quando visitardes um doente, pedi-lhe que faça uma súplica por vós. A súplica do doente é como a súplica dos anjos — (Ibn Majah). Os anjos fazem súplicas pela vontade de Allah e, por isso, suas súplicas são aceitas.
5. Não é correto permanecer sentado por muito tempo junto ao doente. Contudo, se parecer que o doente gosta de que permaneçais mais tempo e está recebendo consolo, não há problema. Hazrat Abdullah ibn Abbas (r.a.) disse que não é correto permanecer por muito tempo junto ao doente nem fazer barulho.
6. Ao visitar um não muçulmano, deve-se, quando houver oportunidade, atraí-lo com sabedoria para a fé e o Islã. Durante a doença, o coração se torna mais receptivo e a pessoa fica relativamente mais atenta para aceitar a verdade. Hadrat Anas (que Allah esteja satisfeito com ele) narra que um menino judeu costumava visitar o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Quando ele adoeceu, o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) foi visitá-lo. Sentou-se à cabeceira dele e então disse: “Aceita a verdadeira religião.” O menino ficou olhando para o pai. O pai disse: “Obedece a Abu al-Qasim.”
O menino tornou-se muçulmano. Então o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) saiu da casa dele, dizendo: “Louvado seja Allah, que salvou o menino do Inferno” (Bukhari).
Etiqueta e regras para o moribundo
1. Quando houver sinais de que o doente tem pouco tempo de vida, é sunnah colocá-lo deitado sobre o lado direito, com o rosto voltado para a qiblah, e elevar-lhe a cabeça. Se isso lhe causar sofrimento, deve-se deixá-lo na posição que lhe proporcione conforto.
2. Deve-se sentar junto ao doente e recitar a kalimah. Contudo, não é correto ordenar ao moribundo que a recite, para que não aconteça de, devido à dificuldade de entregar a alma, ele subitamente se recusar a recitar a kalimah, ou de, em meio à agitação, proferir alguma palavra inadequada. Depois que ele recitar a kalimah uma vez, deve-se permanecer em silêncio. Porém, se o doente falar sobre assuntos mundanos, deve-se fazer talqin para que suas últimas palavras sejam a Kalimah Tayyibah. É mustahabb fazer talqin da Kalimah Tayyibah ao doente. O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse:
“Fazei talqin de ‘لا-إله إلا الله’ ao moribundo” (Muslim). Ele também disse: “Aquele cuja última palavra for ‘لا-إله إلا الله’ entrará no Paraíso” (Abu Dawud).
3. Também é mustahabb recitar a Surata Yasin junto ao doente no momento da morte. O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: “Recitai a Surata Yasin junto ao moribundo” (Fatawa Alamgiri).
5. É mustahabb aplicar fragrância e semelhantes ao moribundo.
6. Depois que a alma partir, deve-se fechar suavemente os olhos dele.
Ao fechar os olhos, deve-se recitar esta súplica: (Árabe**************)
Ó Allah, facilita o seu difícil momento. Facilita também a condição em que ele se encontrará posteriormente. Concede-lhe a bênção de contemplar Tehama e torna o lugar para onde ele está indo melhor para ele do que o lugar de onde está partindo.
7. É extremamente natural sentir pesar e tristeza pela morte dos entes queridos. Também é natural que as lágrimas escorram dos olhos. Contudo, não é correto chorar em lamentos, bater no peito, rasgar as roupas, rolar-se em aflição como um louco e coisas semelhantes. O Profeta (s) proibiu severamente tudo isso.
8. Falar em tom de queixa contra a morte, amaldiçoar a si mesmo e fazer uma súplica nociva contra si próprio são completamente errados. O Profeta (s) disse: continuai sempre a fazer súplicas por vós mesmos, pois os anjos continuam dizendo amém às súplicas que fazeis — (Muçulmano).
9. Deve-se recordar o falecido com boas palavras. Mesmo que ele tenha cometido algum ato mau, deve-se mencionar apenas as suas virtudes. O Profeta (s) disse: mencionai as virtudes dos vossos falecidos e mantende silêncio sobre os seus defeitos e falhas — (Abu Dawud).
Regras sobre o banho ritual do falecido (pessoa morta)
1. Após a morte, não se deve atrasar o banho ritual, o amortalhamento e o enterro. A instrução do Profeta (s) é a seguinte:
Apressa o kafan e o enterro. Não é correto que o falecido permaneça por muito tempo na casa de alguém — (Abu Dawud).
2. Dar o ghusl ao mayyit é fard kifaya. Se algum mayyit não tiver herdeiros ou responsáveis, a responsabilidade de dar-lhe o ghusl recai coletivamente sobre todos os muçulmanos. Se algum mayyit for enterrado sem ghusl, todos os muçulmanos serão pecadores, caso tenham conhecimento disso e ainda assim sejam negligentes.
3. Se um mayyit for colocado na sepultura sem ghusl e ainda não tiver sido coberto com terra, é obrigatório retirá-lo e dar-lhe o ghusl; porém, depois que tiver sido coberto com terra, não se deve mais retirá-lo.
4. Se alguma parte do corpo do mayyit não tiver sido lavada e isso for percebido depois de lhe terem colocado o kafan, deve-se retirar o kafan e lavá-la. Porém, se apenas uma pequena parte tiver permanecido seca, como um dedo ou outra parte equivalente, não é necessário retirar o kafan para lavá-la.
Dar o ghusl ao mayyit uma vez é fard, e fazê-lo três vezes é sunnat.
6. Aquele que pode ver o mayyit pode dar-lhe o ghusl. Por isso, um homem não pode dar o ghusl a uma mulher, nem uma mulher a um homem. Contudo, a esposa pode dar o ghusl ao marido, pois deve ser considerada sua esposa até o término da iddah. Mas o marido não pode dar o ghusl à esposa, porque o nikah termina imediatamente com a morte dela. Segundo os Ahl al-Hadith, o marido pode dar o ghusl à esposa.
7. Tanto homens quanto mulheres podem dar o ghusl a meninos e meninas menores de idade.
8. Se algum ente querido do mayyit estiver presente, é preferível que ele mesmo lhe dê o ghusl. Se não souber o método do ghusl, outra pessoa piedosa deve realizá-lo.
9. Se uma criança morrer logo depois de nascer, será obrigatório dar-lhe o ghusl. Se nascer morta, o ghusl não será obrigatório; contudo, é preferível realizá-lo.
Método do ghusl do falecido conforme a Sunnah
Deve-se deitar o falecido sobre uma tábua, retirar suas roupas e cobri-lo com outro tecido desde o umbigo até os joelhos, para que as partes íntimas não sejam vistas. Depois, envolvendo a mão com um pano, deve-se realizar sua istinjā. Em seguida, deve-se fazer-lhe o wudū’. Isso deve ser feito da seguinte maneira: primeiro, lavar seu rosto; depois, ambas as mãos até os cotovelos; em seguida, passar as mãos molhadas sobre a cabeça; e, por fim, lavar ambos os pés. Não se deve colocar água no nariz nem na boca. Contudo, é permitido umedecer algodão e limpar com ele as gengivas e o interior do nariz. Se a pessoa morrer em estado de janābah ou ḥayḍ, isso é obrigatório. Depois, deve-se colocar algodão no nariz, na boca e nos ouvidos, para que a água não entre, e então lavar o corpo. Pode-se usar sabão e semelhantes. Em seguida, deve-se deitar o falecido sobre o lado esquerdo e derramar, três vezes, água levemente morna com folhas de sidr, da cabeça aos pés, de modo que alcance o lado esquerdo. Depois, deve-se colocá-lo sobre o lado direito e derramar água da mesma maneira, três vezes. Em seguida, deve-se sentar o falecido apoiando-o em alguns objetos e pressionar suavemente seu abdômen. Se sair alguma matéria fecal, deve-se limpá-la; porém, não é necessário repetir o wudū’ nem o ghusl. Depois, deve-se deitá-lo sobre o lado esquerdo e derramar três vezes água misturada com cânfora. Por fim, deve-se enxugar todo o corpo com um pano.
Questões relativas ao kafan
1. Depois que o corpo secar após o ghusl, deve-se colocá-lo no kafan.
2. Colocar o kafan é farḍ kifāyah.
3. A responsabilidade de comprar o kafan cabe àqueles que sustentavam o falecido durante sua vida. Se não houver ninguém assim para o falecido e ele também não tiver deixado nenhum patrimônio, a responsabilidade pelo seu kafan recai coletivamente sobre todos os muçulmanos, seja uma única pessoa que assuma essa responsabilidade, seja todos juntos.
4. O kafan de todos — adultos, menores, muḥrims e não muḥrims — é exatamente igual.
5. O tecido usado para a mortalha deve ser do tipo que era permitido ao falecido durante sua vida. É permitido usar uma mortalha de seda ou de tecido colorido para as mulheres. Porém, não se pode usar tecido de seda nem tecido cor de açafrão para a mortalha de um homem.
6. É makruh usar um tecido muito valioso como mortalha. Também não é correto que o tecido seja de qualidade extremamente inferior. Pelo contrário, a mortalha deve ser da mesma qualidade dos tecidos que o falecido costumava usar durante sua vida.
7. É preferível que a mortalha seja branca, seja nova ou usada.
8. Não há problema em algumas pessoas providenciarem sua própria mortalha durante a vida. Porém, é makruh cavar e deixar preparada a própria sepultura durante a vida.
9. Para o homem, três tecidos são sunnah:
(a) uma camisa ou kurta sem costuras
(b) tahband
(c) um lençol
A camisa deve ir do pescoço aos pés. O izar e o tahaband devem ir da cabeça aos pés, e o lençol deve ser um côvado mais comprido que eles, para que possa ser amarrado nas duas extremidades, na cabeça e nos pés. A túnica ou camisa não deve ter mangas nem gola.
10. O sudário feminino consiste em cinco peças de tecido:
(a) túnica
(b) izar
(c) cobertura da cabeça
(d) faixa do peito
(e) lençol
A túnica deve ir do pescoço aos pés. Não deve ter gola nem mangas. O izar deve ir da cabeça aos pés. O lençol deve ser um côvado mais comprido que ele. A cobertura da cabeça deve ter três côvados de comprimento. Deve cobrir a cabeça e ser colocada sobre o rosto. Não deve ser amarrada nem enrolada. A faixa do peito deve ir do peito até os joelhos. Deve ser suficientemente larga para poder ser amarrada.
11. Se não for possível obter a mortalha conforme descrito acima, será suficiente usar, para o homem, o izar e o chador, e, para a mulher, o izar, o chador e o pano para cobrir a cabeça. Se nem isso puder ser obtido, deve-se fazer o que for possível. Se alguma parte ficar descoberta, deve-se cobri-la com folhas ou algo semelhante, para que não permaneça nua.
12. Se a criança nascer morta ou ocorrer um aborto espontâneo, deve-se envolvê-la em algum tecido puro e limpo e enterrá-la.
Modo de vestir a mortalha
O modo de vestir a mortalha de um homem é o seguinte: primeiro, deve-se estender o chador da mortalha sobre uma cama ou tábua. Sobre o chador, deve-se estender o izar. Depois, deve-se vestir o morto com o kurta e deitá-lo sobre o izar. Em seguida, deve-se envolver o izar de modo que sua borda direita fique por cima. Isto é, deve-se começar envolvendo-o pelo lado esquerdo. O chador também deve ser envolvido da mesma maneira.
O modo de vestir a mortalha de uma mulher é o seguinte: primeiro, estende-se o chador, depois o izar; em seguida, veste-se o kurta e divide-se o cabelo do morto em duas partes, colocando-as sobre o kurta, à direita e à esquerda. Depois, coloca-se o pano para cobrir a cabeça sobre a cabeça e sobre o rosto, sem amarrá-lo. Em seguida, deita-se o morto sobre o izar. Depois, veste-se o izar conforme o método descrito acima, de modo que a borda direita fique sobre a borda esquerda. Da mesma forma, devem ser envolvidos o pano para cobrir o peito e o chador. A cabeça, a cintura e os pés devem ser amarrados com tiras de tecido, para que não se abram com o vento durante o caminho.
Oração fúnebre
A oração fúnebre consiste em suplicar ao Rahmanur Rahim pelo morto. Quando os muçulmanos fazem uma súplica coletivamente, há possibilidade de ela ser aceita perante Allah, o Altíssimo. Por isso, quanto maior for o número de pessoas na oração fúnebre, melhor. Contudo, não é correto adiar a oração fúnebre para reunir mais pessoas.
Regra da oração fúnebre
A oração de janazah é uma obrigação comunitária. Está comprovado por meio do Livro e da Sunnah que ela é obrigatória. Portanto, quem a nega é um incrédulo.
A oração de janazah tem duas obrigações:
1. Dizer “Allahu Akbar” quatro vezes. Cada takbir substitui uma rak‘ah. Nesta oração não há rukū‘ nem sujūd.
2. Permanecer de pé. Não é permitido realizar a oração de janazah sentado sem uma justificativa válida. Também não é permitido realizá-la montado sobre qualquer coisa.
As sunnahs da oração de janazah
Nesta oração há três sunnahs
1. Recitar o louvor e a glorificação de Allah.
2. Recitar o salawat sobre o Profeta (que Allah o abençoe e lhe conceda paz).
3. Fazer uma súplica pelo falecido.
Modo de realizar a oração
É sunna formar três fileiras para a oração. Se houver muitas pessoas, podem-se formar mais de três fileiras, mas é preferível que o número de fileiras seja ímpar. O imã ficará de pé diante do falecido, voltado para a qibla e alinhado com o seu peito, enquanto todos formularão a seguinte intenção:
(Árabe****************)
Se a falecida for uma mulher, fará a intenção substituindo a forma masculina pela feminina; em seguida, dirá Allahu Akbar uma vez, elevará ambas as mãos até as orelhas, colocá-las-á como no takbir tahrima e recitará:(Árabe***********)
Ó Allah, Tu és puro e santificado de toda deficiência e falha, juntamente com todos os louvores. Teu nome é auspicioso e abençoado, Tua grandeza é imensa, Teu louvor é supremamente grandioso, e não há outra divindade além de Ti.
Depois de recitar a sana, dirá novamente o takbir, mas sem levantar as mãos. Em seguida, recitará as seguintes bênçãos sobre o Profeta.
(Árabe*****************)
Em seguida, dirá o takbir e fará a súplica pelo falecido. Se o falecido tiver atingido a puberdade, seja homem ou mulher, fará esta súplica:
(Árabe*******************)
Ó Allah, perdoa os pecados dos nossos vivos e dos nossos mortos, dos presentes e dos ausentes entre nós, dos nossos pequenos e dos nossos adultos, dos nossos homens e das nossas mulheres. Ó Allah, mantém no Islã aqueles a quem mantiveste vivos e faz morrer com fé aqueles a quem dás a morte.
Depois, dirá o quarto takbir e fará o salām para ambos os lados. O imã dirá os takbirs em voz alta.
Súplica pelo falecido menor de idade
(Árabe*)
Ó Allah, envia esta criança adiante para ser uma provisão para a nossa salvação e o nosso conforto; faz da tristeza e do pesar que sentimos por ela uma causa de recompensa e riqueza para nós, e faz dela um intercessor nosso cuja intercessão seja aceita.
Súplica pela falecida menor de idade
(Árabe**************)
Aqueles que não conhecem essas súplicas dirão: (Árabe*************)
Se não puderem dizer isso, basta pronunciar quatro takbires para que a oração seja válida.
É extremamente lamentável que muitos muçulmanos sejam privados da bênção de participar da oração fúnebre de seus entes queridos e de fazer súplicas coletivamente. Apresentando várias desculpas e objeções, eles próprios não participam da oração fúnebre. Permitem que outros realizem a oração e ficam parados em silêncio, como se estivessem assistindo a um espetáculo.
1. A congregação não é uma condição para a oração fúnebre. Se uma única pessoa realizar a oração fúnebre, a obrigação será cumprida. Contudo, todos devem participar da oração fúnebre de maneira organizada. O Profeta (que a paz esteja com ele) disse que participar da oração fúnebre é um direito do falecido sobre os muçulmanos (Muslim).
2. É makruh realizar a oração fúnebre nas mesquitas construídas para as cinco orações diárias. Também é makruh realizá-la na mesquita da oração de sexta-feira. Contudo, não é makruh realizá-la numa mesquita construída especialmente para a oração fúnebre.
3. Quando várias orações fúnebres se reúnem ao mesmo tempo, pode-se realizar a oração de cada uma separadamente ou de todas juntas. Para realizá-la conjuntamente, deve-se colocar a cabeça de cada falecido voltada para o norte e os pés para o sul. Ou seja, nenhum falecido deve ficar na direção da cabeça ou dos pés de outro. Depois, o imã ficará alinhado com o peito do falecido colocado na extremidade leste. Assim, ficará alinhado com o peito de todos.
4. A oração fúnebre será invalidada pelas mesmas coisas que invalidam as outras orações. Contudo, o riso alto não invalida a oração fúnebre; tampouco ela será invalidada se uma mulher ficar alinhada com um homem ou à sua frente.
5. Se alguém chegar atrasado à oração fúnebre, depois de o imame já ter pronunciado alguns takbires, não deverá juntar-se ao imame imediatamente ao chegar; deverá esperar o takbir seguinte. Quando o imame pronunciar o takbir, ele também o pronunciará e juntar-se-á à oração. Esse takbir será considerado o seu takbir tahrima. Quando o imame terminar a oração com o salam, ele deverá, como o masbuq, pronunciar os takbires que perdeu e concluir a oração.
6. Se alguém precisar de ablução ou banho ritual e pensar que, se fizer a ablução ou o banho ritual, não conseguirá alcançar a oração fúnebre, será permitido participar dela fazendo tayammum. Por isso, não há oração fúnebre a ser compensada posteriormente.
7. A pessoa com mais direito de dirigir a oração fúnebre é o chefe do Estado Islâmico ou o governador da cidade por ele nomeado. Na sua ausência, é o cádi da cidade ou o seu substituto. Se estes também não estiverem presentes, será o imame do bairro. O imame do bairro dirigirá a oração somente quando nenhum parente do falecido for superior ao imame em conhecimento e piedade. Caso contrário, o próprio parente terá mais direito de dirigir a oração fúnebre. Depois dele, dirigirá a oração aquele a quem o wali der permissão.
8. O falecido deve ser levado ao túmulo imediatamente após a oração fúnebre.
9. Se o falecido for uma criança pequena, deverá ser levada ao túmulo no colo; uma pessoa a levará por certa distância, depois outra a levará por outra distância, e assim sucessivamente, em revezamento, até o túmulo.
10. Se o falecido for adulto, deverá ser colocado numa padiola e levado aos ombros por quatro pessoas, cada uma segurando uma das quatro hastes.
11. É makruh transportar o falecido num veículo sem uma justificativa.
12. É sunnah levar o cortejo fúnebre com passos um pouco rápidos, mas não tão rápidos a ponto de fazer o falecido sacudir-se.
13. É mustahabb seguir o cortejo fúnebre. É makruh ir à frente de todos. Pode-se caminhar um pouco à frente ou atrás.
14. Aqueles que acompanham o cortejo fúnebre não devem sentar-se antes de o janazah ser baixado. Sentar-se sem uma desculpa é makruh.
15. É mustahabb acompanhar o cortejo fúnebre a pé. Quem estiver num veículo deve permanecer atrás dele.
16. É makruh fazer du‘a e dhikr em voz alta enquanto se acompanha o cortejo fúnebre.
17. É makruh tahrimi que as mulheres acompanhem o cortejo fúnebre.
Como carregar o janazah ao ombro
O método mustahabb para levantar o janazah e carregá-lo ao ombro é o seguinte: deve-se colocar a haste dianteira sobre o ombro direito e caminhar dez passos. Depois, deve-se caminhar mais dez passos e, a cada dez passos, trocar a haste. Dessa forma, devem-se percorrer quarenta passos. Está registrado no hadith que, para aquele que carregar o janazah por quarenta passos, serão perdoados quarenta pecados maiores.
1. Enterrar o falecido é fard kifaya, assim como dar-lhe o ghusl. Realizar a oração fúnebre é fard kifaya.
2. O comprimento da sepultura deve ser igual à altura do falecido, e sua profundidade, metade dela. Sua largura deve ser de dois côvados, para que seja possível colocar o falecido nela.
3. Antes de baixar o corpo à sepultura, a oração fúnebre deve ser colocada voltada para o lado da qibla da sepultura. Aqueles que o baixarem devem fazê-lo voltados para a qibla.
4. Ao baixar o corpo à sepultura, é recomendável dizer (**************).
5. Depois de colocar o falecido na sepultura, deitá-lo sobre o lado direito, voltado para a qibla, é sunnah.
6. Se o falecido for uma mulher, é recomendável manter uma cobertura ao baixá-la à sepultura. Se houver receio de que o corpo da falecida fique exposto, a cobertura é obrigatória.
7. É recomendável começar a colocar terra na sepultura pelo lado da cabeça. Deve-se pegar terra com ambas as mãos e lançá-la na sepultura. Na primeira vez, deve-se dizer (***), na segunda vez (******) e na terceira vez (**********)
8. Depois do enterro, é recomendável permanecer algum tempo junto à sepultura e fazer súplicas pelo falecido.
9. É recomendável fincar na sepultura um ramo de árvore fresco. Está registrado no hadith que certa vez o Profeta (s) dividiu um ramo verde em duas partes, fincou-as em duas sepulturas e disse: enquanto esses ramos não secarem, o castigo dos falecidos nas sepulturas será reduzido.
11. Deve-se sepultar um único falecido em cada sepultura. Se necessário, pode-se sepultar mais de um.
12. É proibido construir sobre as sepulturas, por motivo de ornamentação, edifícios, cúpulas, minaretes e semelhantes.
13. Se alguém morrer durante uma viagem marítima e a terra firme estiver muito distante, de modo que haja receio de que o corpo se decomponha antes de se chegar a ela, deve-se dar banho ao falecido, realizar sua oração fúnebre e entregá-lo ao mar. Porém, se a terra firme estiver próxima, deve-se sepultá-lo em terra.
Consolo (ta‘ziyat)
Na terminologia islâmica, chama-se ta‘ziyat oferecer palavras de consolo à família do falecido para ajudá-la a ter paciência, expressar-lhes condolências, aliviar sua tristeza e fazer súplicas pelo perdão do falecido, entre outras coisas. O Profeta (s) fez isso pessoalmente e recomendou que fosse feito. Ele disse:
— Para quem oferece ta‘ziyat a uma pessoa afligida, há uma recompensa semelhante àquela concedida à própria pessoa afligida — (Tirmidhi).
Hazrat Ma‘aza (que Allah esteja satisfeito com ela) disse que, quando seu filho faleceu, o Profeta (s) enviou a seguinte carta de condolências:
Em nome de Allah, o Misericordioso, o Misericordiador
Da parte de Muhammad, Mensageiro de Allah, para Mu’adh ibn Jabal—
Que a paz esteja sobre ti. Primeiro, recito diante de ti o louvor e a glorificação de Allah, além de Quem não há divindade. Depois, suplico que Allah te conceda uma grande recompensa por esta aflição, que te dê força para perseverar e que conceda a nós e a ti a capacidade de Lhe agradecer. A verdade é que minha vida, meus bens e minha família são dádivas abençoadas de Allah, e tudo isso é um depósito confiado a nós. Allah nos concede a oportunidade de desfrutar dessas dádivas pelo tempo que deseja. Quando deseja, retoma essas dádivas e, em troca, concede uma grande recompensa. Ou seja, se perseverares buscando a satisfação de Allah e a recompensa da Vida Futura, Ele te honrará com Sua misericórdia especial e Sua orientação.
Portanto, persevera, para que não aconteça de teus lamentos por causa da aflição destruírem tua recompensa e teu mérito, fazendo-te depois arrepender. Lembra-te de que chorar e lamentar-se pela aflição não fará o falecido retornar, nem diminuirá a dor e o sofrimento. O decreto que é revelado acontece e já aconteceu — (Mu’azzam Kabir).
Isal al-Sawab
O significado de Isal al-Sawab é transmitir a recompensa. Como termo técnico, Isal al-Sawab significa que a pessoa intenciona transmitir a recompensa de suas boas ações e de sua adoração a algum ente querido.
É recomendável transmitir ao falecido a recompensa de toda adoração voluntária, seja material, como a caridade, a esmola e o sacrifício, ou física, como a oração, o jejum e outras semelhantes. De modo algum somos capazes de retribuir Suas imensas dádivas, Seu carinho e Seu amor. Contudo, o servo crente considera sua boa fortuna transmitir a recompensa de sua adoração à sua alma pura. Não há ninguém mais desafortunado do que aquele que jamais teve essa boa fortuna na vida.
O procedimento do Isal al-Sawab
O procedimento do Isal al-Sawab é que, depois de concluir a adoração cuja recompensa deseja transmitir a determinada pessoa, a pessoa deve fazer a seguinte súplica—
“Ó Allah, faze chegar a recompensa desta minha adoração a tal e tal pessoa falecida.”
Pela infinita misericórdia de Allah, espera-se que Ele faça chegar a sua recompensa à pessoa falecida.
Questões sobre a transmissão da recompensa
1. Para a transmissão da recompensa, não é condição que, no momento da adoração, se formule a intenção de transmitir a recompensa a outra pessoa. Pelo contrário, sempre que desejar, depois disso, poderá transmitir a outra pessoa a recompensa da sua própria adoração.
2. Quando alguém transmite a recompensa da sua adoração a uma pessoa falecida, Allah faz chegar essa recompensa à pessoa falecida e não priva dela aquele que realizou a adoração. Ele também lhe concede a recompensa completa dessa adoração. Por isso, a exigência dessa infinita graça de Allah é que, quando o servo crente realizar uma adoração voluntária, transmita a sua recompensa às almas dos justos.
3. Se alguém desejar transmitir a recompensa da sua obra a várias pessoas, ela não será dividida em várias partes. Allah, por Sua infinita graça, concederá a cada uma a recompensa completa.
4. Além destas simples questões relativas à transmissão da recompensa, impor condições por iniciativa própria, fixar dias e datas específicos, tratá-los depois como mandamentos da Sharia e, com base nisso, criar divisões sectárias entre os muçulmanos é extremamente censurável. Para os crentes que desejam seguir o caminho da verdade, nada disso é de modo algum apropriado.
Bibliografia
1. Tafsir al-Nasafi.
2. Tafsir de Kazen.
3. Tafsir al-Baydawi.
4. Tarjuman al-Qur’an — Maulana Abul Kalam Azad (r).
5. Tafhim al-Qur’an — Maulana Maududi (r).
6. Tradução e exegese — Maulana Shabbir Ahmad Usmani (r).
7. As Seis Coleções Autênticas.
8. Muwatta.
9. Riyadus Salihin.
10. Al-Adab al-Mufrad.
11. Hisn-e Hasin.
12. Mishkat.
‘3. Ihya Ulum al-Din.
14. Kashf al-Mahjub, entre outras.
Foram consultadas as seguintes obras:
1. Hidaya.
2. Ainul Hidaya (comentário de Hidaya).
3. Fathul Qadir.
4. Quduri.
5. Sharh Beqaya.
6. Nurul Idah.
7. Fiqhus Sunnah — Sayyid Sabiq (que Allah tenha misericórdia dele).
8. Ilmul Fiqah.
9. Ta’limul Islam.
10. Namaz-e Maomedi — Maulana Muhammad Junagarhi (que Allah tenha misericórdia dele).
11. Ensino Islâmico — Maulana Abdus Salam Bastavi (que Allah tenha misericórdia dele).
12. Normas jurídicas islâmicas sobre os instrumentos modernos — Mufti Muhammad Shafi (que Allah tenha misericórdia dele).
13. Tratados e questões — Maulana Maududi (que Allah tenha misericórdia dele).
14. Adorno celestial e obras semelhantes.