Introdução

A humildade de caráter e a ternura do coração são duas grandes qualidades de uma pessoa virtuosa. Somente aqueles que possuem tais qualidades são capazes de acolher todo tipo de conselho, ensinamento moral, educação, verdade e orientação para o caminho correto. As pétalas das flores inclinam-se ao movimento silencioso da brisa suave da manhã; mas o vento de uma forte tempestade não consegue inclinar nem um pouco uma árvore de tronco robusto. O raio de luz do olhar atravessa um espelho; mas nem mesmo uma flecha de ponta afiada feita de pedra consegue produzir qualquer efeito. O ser humano encontra-se exatamente na mesma situação. As pessoas de natureza dócil e coração terno aceitam cada chamado da verdade; mas grandes milagres não exercem efeito algum sobre pessoas de coração endurecido e temperamento rude. Exemplos dispersos desse tipo de diferença podem ser encontrados em toda parte. Contudo, toda a história da propagação do Islã está repleta de exemplos dessa natureza.

Conhecemos os nomes de muitos desafortunados entre os incrédulos que, apesar de milhares de esforços, não se curvaram diante de Allah, o Senhor dos mundos. Mas entre os Companheiros do Profeta havia milhares de veneráveis homens que, assim que ouviram a voz do tawhid, ingressaram no seio do Islã. Juntamente com os Companheiros, as Companheiras, ou seja, as mulheres Companheiras, também compartilhavam dessa honra.

Elas não eram apenas participantes; em alguns casos, chegavam a estar à frente dos homens. Sem qualquer tentativa, persuasão ou coerção, Khadija (que Allah esteja satisfeito com ela) aceitou o Islã e curvou-se diante de Allah, o Senhor dos mundos. O Nobre Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse:

“Recebi a missão profética na segunda-feira, e Khadija realizou a oração no final daquele dia. ‘Ali realizou a oração no dia seguinte, terça-feira. Depois, Zayd ibn Haritha e Abu Bakr juntaram-se à oração.”

As palavras do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) comprovam que, no primeiro dia em que o sol da missão profética lançou sua luz sobre os horizontes deste mundo, essa luz penetrou o coração radiante de uma mulher de coração terno e alma pura.

No período inicial do Islã, era preciso mais coragem, destemor e firmeza de espírito para declarar o Islã do que simplesmente aceitá-lo. Apesar dos obstáculos, da oposição, da opressão e das perseguições dos incrédulos, as mulheres Companheiras, assim como os homens Companheiros, declararam sua aceitação do Islã com extrema coragem e determinação.

As mulheres Companheiras não apenas aceitaram o Islã com muita facilidade, mas também o propagaram com grande desenvoltura. No capítulo sobre o tayammum de Sahih al-Bukhari, relata-se que, durante uma expedição, os Companheiros capturaram uma mulher e a apresentaram diante do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Ela tinha consigo um odre cheio de água. Os Companheiros a capturaram porque precisavam de água. O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) utilizou sua água, mas pagou-lhe o preço. Impressionada com tamanha honestidade do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), a mulher abraçou a fé, e, por sua influência, todo o seu clã tornou-se muçulmano. Ummu Shuraik (que Allah esteja satisfeito com ela) aceitou o Islã na primeira fase em Meca. Depois de aceitar o Islã, compreendeu que era seu dever absoluto apresentar também aos outros a verdade que havia alcançado. Ela começou a visitar várias casas de Meca para transmitir o convite ao Islã às mulheres. Quando o assunto se tornou conhecido, os cruéis coraixitas capturaram-na e entregaram-na aos membros de sua tribo. Em suas mãos, ela sofreu torturas indescritíveis. Por fim, por meio dela, sua tribo aceitou o Islã.

Juntamente com os companheiros homens, as companheiras também suportaram sofrimentos e perseguições indescritíveis. Sumayya (que Allah esteja satisfeito com ela) aceitou o Islã. Os descrentes de Meca submeteram-na a todo tipo de tortura. Vestiam-na com uma armadura de ferro e deixavam-na de pé sob o sol do meio-dia, na areia escaldante de Meca. Mesmo assim, ela permanecia firme no Islã. Certo dia, vestida com a armadura de ferro, foi deitada de bruços sobre a areia ardente sob o sol do meio-dia. Nesse momento, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) passava por aquele caminho. Dirigindo-se a Sumayya (que Allah esteja satisfeito com ela), disse: “Sê paciente; o Paraíso será o teu destino.” Mesmo depois de infligirem-lhe tantas torturas, os descrentes não se deram por satisfeitos. Por fim, Abu Jahl traspassou-a com uma lança e fez dela uma mártir.

A irmã de ‘Umar (que Allah esteja satisfeito com ele) aceitou o Islã. Ao tomar conhecimento disso, ele bateu nela tão impiedosamente que todo o seu corpo ficou coberto de sangue. Mesmo assim, ela não vacilou nem por um instante. Disse claramente diante de ‘Umar (que Allah esteja satisfeito com ele): “Faça o que quiser; eu já aceitei o Islã.” Por ter aceitado o Islã, ‘Umar (que Allah esteja satisfeito com ele) costumava bater na escrava Lubayna (que Allah esteja satisfeito com ela) até se cansar e parar. Então dizia: “Não parei por compaixão ou misericórdia de ti; parei porque me cansei.” Lubayna também não era mulher de desistir. Ela dizia: “Se não aceitares o Islã, Allah também te castigará dessa maneira.” [Ansab al-Ashraf, 1/197; Ibn Hajar disse que o nome dessa companheira era Labiba e que seu kunya era Umm ‘Uways. (Al-Isaba, 4/399, 375)]

] De modo semelhante, também infligiam severas torturas a Zinnira (a escrava de sua esposa). Faziam Umm Shurayk (que Allah esteja satisfeito com ela) comer pão e mel e depois a deixavam sobre a areia escaldante sob o sol intenso do meio-dia. Seu peito ressecava-se de sede; ela implorava por uma gota de água, mas não lhe davam água.

Quando os companheiros homens abraçaram a fé, todos os vínculos de parentesco com os descrentes foram rompidos. Mas isso não causou qualquer diminuição em sua força de fé. Nesse aspecto, a situação das companheiras era ainda mais delicada que a dos companheiros homens. Embora a pessoa dependa da ajuda e do apoio de todos os seus parentes e amigos, toda a dependência da vida de uma mulher se estrutura em torno do marido. Em nenhuma situação da vida ela consegue seguir adiante sem depender dele. Um pai pode romper relações com o filho, e um filho com o pai, e ainda assim viver. Mas uma mulher, separada do marido, fica completamente desamparada. Apesar disso, as companheiras também romperam uma relação tão sensível e separaram-se para sempre de seus maridos descrentes. Assim, depois do Tratado de Hudaybiyyah, quando este versículo —(Árabe***********)[Surat al-Mumtahanah, 10] (“Não mantenhais relações conjugais com mulheres descrentes”) foi revelado, as mulheres entre os companheiros deixaram seus maridos descrentes, emigraram e foram para Medina; por isso, ‘A’ishah (que Allah esteja satisfeito com ela) disse: [Bukhari: Kitab ash-Shurut; menção ao Tratado de Hudaybiyyah. (sete páginas)]

“Não conhecemos nenhuma mulher emigrante que tenha acreditado e depois apostatado.” Há exemplos de apostasia entre os homens.

Os descrentes infligiam diversos tipos de castigo às companheiras. Contudo, jamais saiu da boca de nenhuma delas qualquer palavra de politeísmo; apenas pronunciavam a profissão da unicidade de Allah. Umm Shurayk (que Allah esteja satisfeito com ela) abraçou a fé. Seus parentes levaram-na e deixaram-na de pé sob o sol escaldante. Enquanto ardia sob o calor do sol, davam-lhe, juntamente com pão, algo tão quente quanto mel. Não lhe permitiam beber água. Quando essa situação se prolongou por três dias, os opressores disseram: “Abandona a religião que professas.” Ela havia perdido tanto os sentidos que não conseguiu compreender o significado das palavras deles. Quando apontaram para o céu com o dedo, fazendo-a entender que deveria negar o tawhid, isto é, a unicidade de Allah, ela pronunciou: “Juro por Allah que ainda permaneço firme nessa mesma crença.” [Tabaqat, 8/154; Nisa’ Hawla ar-Rasul, 0245]

Em todos os países e em todas as épocas, as mulheres geralmente se apegam firmemente aos costumes antigos, às tradições e às crenças e superstições correntes. E, como as ideias e crenças politeístas haviam permanecido difundidas e estabelecidas na Arábia por longo tempo, estavam profundamente arraigadas no coração das pessoas. Mas, assim que abraçaram o Islã, as companheiras rejeitaram com grande veemência todas as crenças e superstições correntes. Os árabes acreditavam que, se alguém falasse dos defeitos dos ídolos, seria acometido por uma doença grave. Por isso, quando Zinnira (que Allah esteja satisfeito com ela) ficou cega após aceitar o Islã, os descrentes começaram a dizer que al-Lat e al-‘Uzza a haviam cegado. Ao ouvir isso, ela declarou categoricamente: “Al-Lat e al-‘Uzza não têm poder algum sobre seus adoradores. Tudo o que me aconteceu veio de Allah.” [Usud al-Ghabah, volume 5 (Zinnira)]

Na época da ignorância, os árabes colocavam navalhas debaixo das camas das crianças. Acreditavam que, com isso, elas ficariam protegidas da influência de fantasmas e espíritos. Certa vez, ‘A’ishah (que Allah esteja satisfeito com ela) viu uma navalha na cama de uma criança e recomendou que se deixasse de fazer isso. Ela disse que o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) não aprovava de modo algum esse tipo de superstição. [Adab al-Mufrad: capítulo sobre os presságios]

Na Arábia, o principal instrumento e centro do politeísmo eram os ídolos. Em todas as casas, e até mesmo em todos os cômodos, havia ídolos. Contudo, depois de aceitarem o Islã, as mulheres Companheiras, a cada momento e em todas as oportunidades, demonstraram sua relação de rejeição aos ídolos. Hind bint ‘Utba (que Allah esteja satisfeito com ela), depois de abraçar a fé, despedaçou completamente o ídolo que havia em sua casa. Em seguida, dirigindo-se ao ídolo, disse: “Vivíamos em grande engano a teu respeito”. [At-Tabaqāt, vol. 8 (Hind bint ‘Utba)]

Quando o célebre Companheiro Abū Talha (que Allah esteja satisfeito com ele) pediu Umm Sulaym (que Allah esteja satisfeito com ela) em casamento, ela disse: “Abū Talha, você sabe que o deus que adora é um ídolo feito de madeira? Essa árvore nasceu na terra, e certo escravo abissínio a cortou e esculpiu na forma de um ídolo”. Abū Talha disse: “Eu sei disso”. Umm Sulaym disse: “Então você não se envergonha de adorá-lo?”. Enquanto Abū Talha não abandonou a idolatria e não pronunciou a Kalimat at-Tawḥīd, Umm Sulaym (que Allah esteja satisfeito com ela) não aceitou casar-se com ele. [At-Tabaqāt, vol. 8 (Umm Sulaym)]

Essas mulheres virtuosas dos primeiros tempos do Islã educaram seus filhos de tal modo que o mundo observa, maravilhado e admirado, suas realizações. Elas difundiram o Islã por todo o mundo e apresentaram, no estabelecimento do Califado, na administração do Estado, na implantação da justiça na sociedade, na introdução de um sistema econômico equilibrado e, em suma, nos âmbitos individual, social e estatal, exemplos que ainda hoje deixam as pessoas maravilhadas. Entre elas estão: Asmā’ bint Abī Bakr e seu filho ‘Abdullāh ibn az-Zubayr; Fāṭima bint Asad e seu filho ‘Alī (que Allah esteja satisfeito com ele); an-Nawwār bint Mālik e seu filho Zayd ibn Thābit; Ṣafiyya bint ‘Abd al-Muṭṭalib e seu filho Ja‘far; Umm Ayman e seu filho Usāma (que Allah esteja satisfeito com ele), além de muitos outros.

Essas mulheres nobres também cumpriram, naquela época, a responsabilidade de ordenar o bem e proibir o mal (amr bil-ma‘rūf wa nahy ‘anil-munkar).

Na educação, as mulheres também não ficaram atrás dos homens em nenhum aspecto. Encontram-se os nomes de inúmeros Companheiros homens que eram sábios (‘ulamā’). Contudo, o número de mulheres também não era pequeno. Dos sete Companheiros que narraram o maior número de hadiths, a sétima era uma mulher: a Mãe dos Crentes, ‘Ā’isha (que Allah esteja satisfeito com ela). Na explicação e análise do Alcorão, bem como na dedução dos julgamentos e normas da Sharī‘a e no ijtihād, as mulheres, assim como os homens, demonstraram sua competência.

Quando o Islã ordenou que todas as classes de pessoas na sociedade fossem tratadas com igualdade, não foram apenas os homens que procuraram colocar isso em prática; as mulheres também tomaram a iniciativa de implementá-lo. Na Batalha de Uḥud, a tia paterna de Ḥamza (que Allah esteja satisfeito com ele) trouxe dois pedaços de tecido para o kafan de seu irmão. Ela viu, ao lado dos restos mortais de Ḥamza (que Allah esteja satisfeito com ele), o cadáver nu de outro homem dos Anṣār. Os valores que o Islã havia criado em Ṣafiyya não lhe permitiram ignorar o cadáver nu daquele homem dos Anṣār. Ela decidiu doar um dos tecidos para servir de kafan ao homem dos Anṣār. Mas qual deles daria? Determinou isso por meio de um sorteio. Assim, tornou-se um símbolo de equidade e igualdade. [Al-Mufaṣṣal fī Aḥkām al-Mar’a wa al-Bayt al-Muslim, 4/3358, 359; Al-Istī‘āb, 4/335]

Foram somente os homens que esbanjaram suas riquezas a serviço do Islã? Não, não foi assim. Conhecemos as doações de Abū Bakr (que Allah esteja satisfeito com ele), ‘Uthmān (que Allah esteja satisfeito com ele) e outros. Mas como poderíamos esquecer a imensa riqueza que a Mãe dos Crentes, Khadīja (que Allah esteja satisfeito com ela), colocou nas mãos do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele)? Certo dia, em Medina, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) falou, em uma reunião de ‘Īd, sobre a importância da caridade e das boas ações. Havia mulheres naquela reunião. Elas retiraram e entregaram nas mãos do nobre Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) as pulseiras de seus braços, os brincos, os colares e os anéis. Asmā’ possuía apenas uma escrava. Ela a vendeu e doou todo o dinheiro fī sabīlillāh. A Mãe dos Crentes, Zaynab bint Jaḥsh (que Allah esteja satisfeito com ela), curtia couro com as próprias mãos e distribuía entre os pobres e necessitados o dinheiro obtido com sua venda.

Algumas mulheres Companheiras também eram vistas presentes no campo de batalha. Elas participavam das batalhas tanto de forma indireta quanto diretamente.

Safiyya cortou a cabeça de um judeu e a arremessou. Entre essas mulheres heroicas também se destaca o nome de Umm Sulaym. Na batalha de Hunayn, Umm Sulaym estava de pé com um punhal na mão. O Mensageiro perguntou: “O que fará com esse punhal?” Ela respondeu: “Eliminarei os inimigos.”

O īthār, isto é, dar preferência à necessidade dos outros em detrimento da própria necessidade, é reconhecido por pessoas de todas as épocas como uma virtude do mais elevado nível moral. Não é nada fácil adquirir essa virtude. Observamos amplamente o desenvolvimento dessa qualidade entre os Companheiros homens. Nos momentos finais da vida, um deles faz um sinal para que um gole de água, que não bebeu, seja dado a outro irmão ferido ao seu lado; este, por sua vez, faz sinal para que seja dado a outro. Assim, o copo de água passa pelos três e, quando retorna ao primeiro, verifica-se que ele já não está vivo. Um após o outro, os dois seguintes têm o mesmo destino. Cada um dos três deu preferência à vida do outro em relação à própria vida. Esse é um retrato da vida dos Companheiros homens.

As Companheiras também não ficaram para trás nesse aspecto. Essa virtude desenvolveu-se amplamente entre elas. Certo dia, Aisha estava jejuando. Havia em casa apenas um pedaço de pão para o iftar. Antes do iftar, uma mulher necessitada chegou pedindo algo para comer. Ela pediu à serva que lhe desse o pedaço de pão. A serva disse: “Como a senhora fará o iftar?” Ela respondeu: “Dê-lhe o pedaço de pão; pensaremos no iftar depois.”

Certo dia, o Mensageiro disse: “Allah será misericordioso com aquele que levar este homem para sua casa como hóspede esta noite.” Abu Talha levou-o consigo para casa. Naquele dia, não havia em casa comida adicional além da que fora preparada para as crianças. Então sua esposa, Umm Sulaym, persuadiu as crianças a dormirem. Depois, colocou diante do hóspede a pouca comida que havia, apagou a luz sob um pretexto e os dois ficaram sentados fingindo comer, sem realmente comer. O hóspede, sem perceber, comeu até se fartar.

Essas Companheiras não temiam o olhar ameaçador nem as intimidações de ninguém ao dizer a verdade. Quando Mu‘awiya, fundador do califado omíada, foi visitar Aisha, ela o repreendeu por algumas de suas ações. Quando Hajjaj ibn Yusuf, o tirânico responsável pela morte de ‘Abdullah ibn az-Zubayr, foi visitar Asma, ela o censurou com palavras extremamente severas. Chegou até a chamá-lo de mentiroso e de Dajjal. Certa noite, o poderoso califa omíada Abd al-Malik amaldiçoou um de seus servos por causa de alguma falta. Por coincidência, naquela noite a célebre Companheira Umm ad-Darda estava hospedada no palácio do califa. Pela manhã, ela chamou o califa e disse: “Ontem à noite, você amaldiçoou o servo. No entanto, o Mensageiro proibiu severamente amaldiçoar alguém.” O califa ficou envergonhado.

Assim, quando se examina cada aspecto da vida, torna-se claro que as Companheiras avançaram de modo igual aos homens, lado a lado com eles, em todos os campos da vida. No volume 6 de A Vida dos Companheiros do Mensageiro, tentamos apresentar esses diversos aspectos de suas vidas.

Devemos lembrar que, entre os nobres Companheiros, tanto homens quanto mulheres, a vida islâmica de muitos foi muito breve. A maior parte de suas vidas transcorreu na era da Jahiliyyah. Por isso, não se encontra a história completa de suas vidas. Com exceção de um ou dois episódios da vida pré-islâmica de ‘Umar, o extraordinário herói da história da humanidade, não se dispõe de um retrato completo dela. Nesse caso, é fácil imaginar quanto se pode saber da vida pré-islâmica dos demais.

Na realidade, não conseguimos escrever uma história completa da vida das Companheiras, pois não dispomos dessas informações. O que fizemos pode ser considerado apenas um retrato fragmentário de suas vidas. Contudo, esses retratos são como lampejos de luz. Nosso esforço tem por objetivo permitir que as mulheres muçulmanas de todas as épocas tomem a vida das Companheiras como modelo e sigam seu exemplo. Se os leitores e leitoras obtiverem algum benefício, ainda que pequeno, com este texto, nosso trabalho terá valido a pena.

Há ainda algo que não se pode deixar de mencionar: o plano de escrever a história da vida dos Companheiros do Mensageiro foi, na verdade, do professor A. K. M. Nazir Ahmad, diretor do Centro Islâmico de Bangladesh. Há vários anos, ele me incentivou a escrever sobre esse tema. Desde que comecei, ele tem continuado a me auxiliar de diversas maneiras em cada etapa do trabalho. Suplico a Allah, o Altíssimo, que lhe conceda a melhor recompensa por isso.

Por fim, faço humildemente um pedido aos leitores e leitoras: caso percebam algum erro ou falha, informem o autor. Que Allah, o Altíssimo, conceda a todos nós a capacidade de agir conforme a Sua vontade! Amém!

23 de dezembro de 2004

Muhammad Abdul Mabud

Professor

Árabe, Universidade de Daca

Zaynab bint Rasulillah (S.A.W.)


A filha de Muhammadur Rasulullah, Sayyida Zaynab — que Allah esteja satisfeito com ela —, que alcançou o martírio no caminho de Allah. A Mãe dos Crentes, a honorável Aisha — que Allah esteja satisfeito com ela —, narrou a seguinte declaração do Mensageiro de Allah a respeito dela: [Hayatus Sahaba, 1/372](Árabe*******)

“Ela era minha filha mais amada. Foi por me amar que teve de sofrer.”

A venerável mãe de Hadrat Zaynab (que Allah esteja satisfeito com ela) era a Mãe dos Crentes, Hadrat Khadijat al-Kubra (que Allah esteja satisfeito com ela). Ela teve a honra singular de ser a primeira a crer na missão de Muhammad (que Allah o abençoe e lhe conceda paz). Sua grandeza e dignidade eram tão imensas que, entre as comunidades anteriores, somente Hadrat Maryam (que Allah lhe conceda paz) pode ser comparada a ela.

O Imame adh-Dhahabi disse: [Siyar A‘lam an-Nubala-2/246](Árabe*******)

“Zaynab era filha do Mensageiro de Allah (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) e a mais velha entre suas nobres irmãs que emigraram.”

Abu ‘Amr disse: não há divergência quanto ao fato de Zaynab (que Allah esteja satisfeito com ela) ser a mais velha entre as filhas de seu pai. Aqueles que sustentam uma opinião diferente estão equivocados; não há razão para dar importância à sua alegação. A divergência diz respeito, porém, a saber se Zaynab foi a primeira filha dos filhos do Mensageiro de Allah (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) ou se foi al-Qasim. Segundo um grupo de genealogistas, al-Qasim foi o primeiro filho e Zaynab, a segunda. Ibn al-Kalbi declarou que Zaynab (que Allah esteja satisfeito com ela) foi a primogênita. Segundo Ibn Sa‘d, Zaynab (que Allah esteja satisfeito com ela) era a mais velha entre as filhas. [Tabaqat-8/30] Ibn Hisham organizou a ordem dos filhos do Mensageiro de Allah (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) da seguinte maneira: [As-Sirat an-Nabawiyyah-1/190](Árabe*********)

O filho mais velho do Mensageiro de Allah (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) foi al-Qasim; depois vieram, respectivamente, at-Tayyib e at-Tahir. E a filha mais velha foi Ruqayyah; depois vieram, respectivamente, Zaynab, Umm Kulthum e Fatimah.”

Hadrat Zaynab (que Allah esteja satisfeito com ela) nasceu dez anos antes de seu pai, Muhammad (que Allah o abençoe e lhe conceda paz), receber a missão profética. Naquela época, o nobre Mensageiro de Allah (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) tinha trinta anos, e sua mãe, Hadrat Khadijah (que Allah esteja satisfeito com ela), tinha quarenta e cinco anos. Não há muitas informações disponíveis sobre a infância de Hadrat Zaynab (que Allah esteja satisfeito com ela). Esse período de sua vida permaneceu completamente desconhecido. Tudo o que se sabe sobre sua vida remonta ao período de seu casamento.

Entre as filhas do Mensageiro de Allah (que Allah o abençoe e lhe conceda paz), Hadrat Zaynab (que Allah esteja satisfeito com ela) foi a primeira a se casar, ainda jovem. Naquela época, seu pai, Muhammad (que Allah o abençoe e lhe conceda paz), ainda não havia se tornado profeta. 5 O Imame adh-Dhahabi não pôde aceitar essa opinião. Ele disse: [Tabaqat-8/30-31]

‘Ibn Sa‘d mencionou que Abul ‘As se casou com Zaynab antes da missão profética. Isso é uma afirmação insustentável.’

De qualquer modo, o marido, Abul ‘As ibn ar-Rabi‘ ibn ‘Abd al-‘Uzza, era primo materno de Zaynab. Era filho de Hala bint Khuwaylid, irmã legítima de sua mãe, Khadija (ra). [Siyar A‘lam an-Nubala-2/246]

Entre os diversos presentes que os pais deram à filha por ocasião do casamento havia também um colar de ágata iemenita. Foi sua mãe, Khadija (ra), quem lhe deu o colar. [Tabaqat-8/31]

Seu pai, Muhammad (sa), recebeu a revelação e tornou-se profeta. Sua filha, Zaynab (ra), tornou-se muçulmana juntamente com sua mãe. Naquela época, seu marido, Abul ‘As, ainda não havia aceitado o Islã. O Mensageiro de Allah (sa) emigrou para Medina. Mais tarde, Zaynab (ra) emigrou para Medina, deixando o marido em Meca ainda como politeísta. [ibidem-8/32]

O Mensageiro de Allah (sa) frequentemente elogiava o profundo vínculo entre Zaynab (ra) e Abul ‘As, bem como sua conduta honrada. [Sunan Abi Dawud-1/222]

Como Abul ‘As permanecia firme no politeísmo, de acordo com a determinação islâmica, o correto teria sido separar marido e mulher. Porém, naquele período, o Mensageiro (sa) encontrava-se sem poder em Meca. A força islâmica ainda não estava consolidada. Além disso, a onda de opressão e perseguição dos incrédulos fluía impetuosamente. Por outro lado, a propagação e expansão do Islã avançava de modo lento e ainda estava em sua fase inicial. Por essas razões, o Mensageiro (sa) considerou apropriado não separar os dois cônjuges.

Abul ‘As amava muito sua esposa Zaynab (ra) e também a respeitava profundamente. Entretanto, de modo algum aceitou abandonar a religião de seus antepassados para abraçar a nova religião de sua amada esposa. Essa situação continuou assim. Enquanto isso, iniciou-se um grave conflito e confronto entre o Mensageiro de Allah (sa) e os coraixitas. Os coraixitas começaram a dizer entre si:

‘Que a ruína recaia sobre vocês! Vocês se casaram com as filhas de Muhammad e assumiram sobre os próprios ombros a preocupação dele. Se mandassem todas essas filhas de volta para ele, ele deixaria vocês em paz e se ocuparia apenas delas.’ Muitos deles apoiaram essa ideia, dizendo: ‘Esta é uma excelente proposta.’ Então, foram em grupo até Abul ‘As e disseram: ‘Abul ‘As, divorcie-se de sua esposa e envie-a de volta ao pai. Em troca, casaremos com você qualquer bela coraixita que desejar.’ Abul ‘As respondeu: ‘Juro por Allah! Não, isso não acontecerá. Não posso abandonar minha esposa. Mesmo que me dessem todas as mulheres em troca dela, eu não desejaria isso.’ Por essa razão, o Mensageiro (sa) considerava muito boa a relação de parentesco com ele e a elogiava. [Tarikh at-Tabari-3/136; Ibn Hisham, as-Sirah-1/652]

Hazrat Zaynab (r.a.) amava profundamente seu marido, Abu al-‘As. A extensão de seu amor e sacrifício pelo marido torna-se clara pelo episódio a seguir:

No décimo terceiro ano da missão profética, o Mensageiro de Allah (s.a.w.) migrou de Meca para Medina. Hazrat Zaynab (r.a.) permaneceu em Meca com o marido. [Ansab al-Ashraf-1/269] Começaram os confrontos militares entre os muçulmanos de Medina e os coraixitas. Os coraixitas reuniram-se em Badr com o objetivo de combater os muçulmanos. Apesar de sua extrema relutância, Abu al-‘As partiu para Badr com os coraixitas. Entre os coraixitas, sua posição não lhe deixava alternativa. Em Badr, os coraixitas sofreram uma derrota humilhante. Vários de seus líderes foram mortos e muitos guerreiros foram capturados. Os demais fugiram para salvar a vida. Que cruel ironia do destino! Entre esses prisioneiros estava também Abu al-‘As, genro do Mensageiro de Allah (s.a.w.) e marido de Hazrat Zaynab (r.a.). Ibn Ishaq afirma que ele foi capturado por Hazrat ‘Abdullah ibn Zubayr ibn Nu‘man (r.a.). Segundo al-Waqidi, porém, ele foi capturado por Hazrat Khirash ibn as-Simmah (r.a.). [Al-Isaba fi Tamyiz as-Sahaba-4/122]

De acordo com a posição social dos prisioneiros e a diferença entre ricos e pobres, foram fixados resgates de mil a quatro mil dirhams. Os representantes dos prisioneiros começaram a viajar incessantemente entre Meca e Medina, levando os resgates estipulados. Hazrat Zaynab (r.a.), filha do Profeta, enviou alguém a Medina com o resgate de seu marido, Abu al-‘As. Segundo al-Waqidi, quem veio a Medina com o resgate de Abu al-‘As foi seu irmão, ‘Amr ibn ar-Rabi‘. Em vez de dirhams, Hazrat Zaynab enviou um colar como resgate. Sua mãe, Hazrat Khadija (r.a.), havia lhe dado esse colar como presente de casamento. Ao ver o colar, o Mensageiro de Allah (s.a.w.) ficou profundamente entristecido e cobriu o rosto abatido com um pedaço de tecido fino. A lembrança de sua amada esposa, habitante do Paraíso, e de sua filha extremamente querida surgiu em sua mente.

Depois de algum tempo, o Mensageiro de Allah (s.a.w.) dirigiu-se aos Companheiros: ‘Zaynab enviou este colar como resgate de seu marido. Se desejardes, podeis libertar o prisioneiro dela e devolver-lhe também o colar.’ Os Companheiros concordaram. Eles libertaram Abu al-‘As e, juntamente com ele, devolveram o colar que servira como seu resgate. Contudo, o Mensageiro de Allah (s.a.w.) obteve de Abu al-‘As a promessa de que, ao retornar a Meca, ele enviaria imediatamente Zaynab para Medina.

O Mensageiro de Allah (s.a.w.) enviou Hazrat Zayd ibn Haritha (r.a.) com Abu al-‘As para buscar Zaynab (r.a.). Pediu-lhe que esperasse em um lugar chamado ‘Batan’ ou ‘Jazat’. Quando Zaynab (r.a.) chegasse ali vinda de Meca, deveria levá-la para Medina. Abu al-‘As chegou a Meca e estava ocupado preparando Zaynab (r.a.) para a viagem quando Hind bint ‘Utba apareceu. Ao ver os preparativos, disse: ‘Filha de Muhammad, estás indo para junto de teu pai?’ Zaynab (r.a.) respondeu: ‘Neste momento, não tenho tal intenção; quanto ao futuro, será como Allah quiser.’ Ao compreender a situação, Hind disse: ‘Irmã, por que esconder isso? Se realmente vais partir, não hesites em dizer se precisares de alguma coisa para a viagem; estou pronta para te servir.’

Entre as mulheres, ainda não havia se disseminado a influência venenosa da inimizade que se espalhara entre os homens. Por isso, Hazrat Zaynab (r.a.) disse: ‘O que Hind disse vinha do coração. Ou seja, se eu precisasse de alguma coisa, ela certamente a providenciaria. Mas, considerando as circunstâncias daquela época, recusei.’ [Tarikh at-Tabari-1/1247; Ibn Hisham-1/653-54]

Nos livros de sira encontram-se diversos relatos sobre como Hazrat Zaynab (r.a.) chegou de Meca a Medina. Alguns deles são apresentados aqui:

Ibn Ishaq afirma que, quando os preparativos da viagem terminaram, Kinana ibn ar-Rabi‘, cunhado de Zaynab (r.a.), trouxe um camelo e o deixou parado. Zaynab montou e sentou-se na liteira sobre o camelo. Kinana pendurou o próprio arco no ombro, tomou o feixe de flechas na mão e saiu de Meca, conduzindo o camelo em plena luz do dia. Instalou-se grande alvoroço entre os coraixitas. Eles os perseguiram e capturaram os dois no vale de ‘Dhi-Tuwa’, nos arredores de Meca. Enfurecido com o comportamento dos coraixitas, Kinana tomou o arco do ombro, espalhou à sua frente o feixe de flechas e disse: ‘Se algum de vós tentar aproximar-se de Zaynab, seu peito será o alvo das minhas flechas.’ Kinana era um arqueiro habilidoso. Nenhuma flecha que lançava costumava errar o alvo. Ao ouvir essa ameaça, Abu Sufyan ibn Harb avançou um pouco em sua direção e disse:

“Sobrinho, desvie a flecha que você está apontando para nós. Queremos conversar um pouco com você.” Kinana baixou a flecha e disse: “Digam logo o que querem dizer.” Abu Sufyan disse:

“O que você fez não foi correto. Você saiu levando Zainab publicamente, em plena luz do dia, diante das pessoas, enquanto nós ficamos sentados assistindo. Toda a Arábia sabe da calamidade que nos atingiu em Badr e da grande desgraça que o pai de Zainab nos causou. Se você a levar assim publicamente, tirando a filha dele diante de nossos próprios narizes, todos nos considerarão covardes, e esse ato será visto como uma humilhação para nós. Leve Zainab de volta para casa hoje. Que ela permaneça algum tempo na casa do marido. Enquanto isso, quando as pessoas começarem a dizer que impedimos Zainab de partir de Meca, leve-a secretamente para junto de seu pai um dia.” [Al-Bidaya-3/330; Ibn Hisham-1/654-655]

Kinana acatou as palavras de Abu Sufyan e voltou para Meca com Zainab. Quando o acontecimento se tornou conhecido entre as pessoas, ele saiu novamente de Meca com Zainab, sob a escuridão da noite, e, conforme a instrução de seu irmão, entregou-a, no local determinado, ao representante de seu pai. Zainab (que Allah esteja satisfeito com ela) chegou a Medina acompanhada de Zayd ibn Haritha (que Allah esteja satisfeito com ele). [At-Tabari-1/1249; az-Zurqani: Sharh al-Mawahib-3/223]

At-Tabarani narrou, por intermédio de Urwa ibn az-Zubayr: quando um homem saiu de Meca levando consigo Zainab, filha do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), dois homens dos coraixitas [um deles era Habb​​ar ibn al-Aswad. Ele era filho do primo paterno de Khadija (que Allah esteja satisfeito com ela). Portanto, era primo materno de Zainab. O segundo era Nafi ibn Abdi Qays ou Khalid ibn Abdi Qays] avançaram contra ela. O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) ficou profundamente irritado com sua conduta tão injustificada e excessiva. Por isso, ordenou: (ÁRABE========)

“Se vocês encontrarem Habb​​ar ibn al-Aswad e o homem que avançou com ele contra Zainab, queimem-nos até a morte.” Mas, no dia seguinte, disse novamente: (ÁRABE=========)

“Eu havia dito que, se vocês conseguissem capturar esses dois homens, deveriam queimá-los até a morte. Mas depois refleti e concluí que ninguém deve ser punido com fogo por ninguém além de Allah. Portanto, se conseguirem capturá-los, matem-nos.” Mais tarde, porém, eles se tornaram muçulmanos, e o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) perdoou-os. (Bukhari, Livro do Jihad: capítulo ‘Não se pune com o castigo de Allah’; Al-Isaba: Habb​​ar ibn al-Aswad, volume 3; Siyar Alam an-Nubala-2/247; Ibn Hisham-1/657)] Perseguiram-nos e os capturaram. Eles dominaram o homem que acompanhava Zainab (que Allah esteja satisfeito com ela) e derrubaram-na (que Allah esteja satisfeito com ela) do dorso do camelo. Quando ela caiu sobre uma pedra, seu corpo

abriu-se e começou a sangrar. Nesse estado, levaram Zainab (que Allah esteja satisfeito com ela) para Meca, até Abu Sufyan. Abu Sufyan entregou-a às mulheres da família de Banu Hashim. Mais tarde, ela emigrou para Medina. Devido à queda do dorso do camelo, ela sofreu uma lesão que lhe causou dor pelo resto da vida; por fim, morreu por causa dessa dor. Por isso, era considerada mártir. [Hayat as-Sahaba-1/371]

A’imah (que Allah esteja satisfeito com ela) narrou: Zainab, filha do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), saiu de Meca em direção a Medina com Kinana. Os habitantes de Meca perseguiram-nos. Habb​​ar ibn al-Aswad foi o primeiro a alcançar Zainab. Quando ele atingiu o camelo dela com uma flecha, ela caiu e se feriu. Ela estava grávida. Devido a esse ferimento, perdeu o bebê que carregava no ventre. Depois disso, Banu Hashim e Banu Umayya começaram a discutir por causa dela. Por fim, ela passou a permanecer junto de Hind, filha de Utba. Hind costumava dizer-lhe: ‘Essa desgraça que lhe aconteceu foi causada por seu pai.’ [Ibn Hisham 1/654]

Certo dia, o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse a Zayd ibn Harithah: “Você consegue trazer Zaynab?” Zayd aceitou. O Honorável Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) deu a Zayd um anel e disse: “Leve isto e chegue até Zaynab.” Com o anel, Zayd partiu em direção a Meca. Nos arredores de Meca, viu um pastor cuidando de cabras. Perguntou-lhe: “De quem você é pastor?” Ele respondeu: “De Abu al-‘As.” Perguntou novamente: “De quem são estas cabras?” Ele respondeu: “De Zaynab, filha de Muhammad.” Zayd caminhou algum tempo com o pastor. Depois, disse-lhe: “Se eu lhe der uma coisa, você poderá entregá-la a Zaynab?” O pastor aceitou. Zayd entregou-lhe o anel, e o pastor o fez chegar às mãos de Zaynab.

Zaynab perguntou ao pastor: “Quem lhe deu isto?” Ele respondeu: “Um homem.” Ela perguntou novamente: “Onde você o deixou?” Ele respondeu: “Em tal lugar.” Zaynab permaneceu em silêncio. Na escuridão da noite, foi secretamente até aquele lugar. Zayd disse-lhe: “Suba atrás do meu camelo e sente-se à minha frente.” Zaynab respondeu: “Não, sente-se o senhor à minha frente.” Assim, Zaynab sentou-se atrás de Zayd (que Allah esteja satisfeito com ele) e chegou a Medina. O Honorável Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) costumava dizer: “Minha melhor filha sofreu por minha causa.” [Hayat al-Sahabah, 1/371–372] Nas obras de sira, o relato da chegada de Zaynab (que Allah esteja satisfeito com ela) de Meca a Medina aparece narrado de maneiras diferentes, por meio de várias fontes.

Como o relacionamento entre os dois era muito excelente, Abu al-‘As permaneceu profundamente triste durante grande parte do tempo depois que Zaynab (que Allah esteja satisfeito com ela) partiu para Medina. Certa vez, quando estava viajando pela Síria, lembrou-se de Zaynab (que Allah esteja satisfeito com ela) e começou a recitar os dois versos seguintes: [Tabaqat, 8/32; Ansab al-Ashraf, 1/398] (Árabe==========)

“Quando atravessei o lugar chamado ‘Arim’, lembrei-me de Zaynab. Disse: ‘Que Allah, o Altíssimo, mantenha viva aquela que reside no Haram. Que Allah, o Altíssimo, recompense com o bem a filha de Muhammad (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). E todo marido elogia aquilo que conhece bem.’”

A qualidade especial dos coraixitas de Meca declarada no Alcorão — “Rihlat ash-shita’i was-sayf”, isto é, suas caravanas comerciais viajavam em direção ao Iêmen no inverno e à Síria no verão — manifestou-se plenamente também em Abu al-‘As. Sua caravana comercial viajava constantemente entre Meca e a Síria. Ela era composta de pelo menos duzentas pessoas, acompanhadas de cem camelos. Graças à sua inteligência comercial, honestidade e confiabilidade, as pessoas lhe confiavam seus bens com segurança. Ibn Ishaq disse: “Em riqueza, confiabilidade e como comerciante, ele era um dos poucos homens eminentes de Meca.” [Al-Isabah, 4/122]

Após separar-se de sua esposa, Zaynab (que Allah esteja satisfeito com ela), Abu al-‘As permaneceu em Meca. No sexto ano da Hégira

No mês de Jumada al-Awwal daquele ano, ele foi à Síria com uma caravana comercial dos coraixitas composta por 170 camelos. Depois de concluir os negócios, quando a caravana estava retornando a Meca e se encontrava numa região próxima de Medina, o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) recebeu a notícia. Ele enviou Zayd ibn Harithah (que Allah esteja satisfeito com ele), acompanhado de uma força de cento e setenta homens, para interceptar a caravana. Os dois grupos se encontraram no lugar chamado ‘Is. O exército muçulmano capturou a caravana dos coraixitas, todos os seus homens e suas mercadorias, e os levou para Medina. Contudo, não se esforçaram muito para capturar Abu al-‘As. Ele conseguiu fugir. [Ansab al-Ashraf, 1/377, 399–400; Tabaqat, 8/33; Siyar A‘lam al-Nubala, 2/259]

Contudo, segundo Musa ibn ‘Uqbah, Abu Basir e seu grupo atacaram a caravana de Abu al-‘As. É importante mencionar que Abu Basir e outras pessoas abraçaram o Islã depois do Tratado de Hudaybiyyah. Entretanto, de acordo com as condições do tratado, os habitantes de Medina declararam-se incapazes de lhes oferecer abrigo. Assim, depois de fugirem de Meca, passaram a viver numa região às margens do Mar Vermelho. Organizados, começaram a lançar ataques surpresa contra as caravanas comerciais de Meca e a saqueá-las. Tornaram-se uma calamidade para os coraixitas. Por causa do medo que inspiravam, o comércio dos coraixitas esteve prestes a ser interrompido. Por fim, os coraixitas de Meca foram obrigados a pedir ao Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) que os levasse de volta a Medina. [Al-Isabah, 4/122]

De qualquer modo, ao ver o destino de sua caravana, Abul ‘As não foi para Meca; entrou furtivamente em Medina, assustado e aterrorizado, sob a escuridão da noite, e dirigiu-se diretamente a Zainab (que Allah esteja satisfeito com ela), pedindo abrigo. Zainab garantiu-lhe segurança. Ninguém soube de nada.[Ansab al-Ashraf-1/377, 399]

A noite passou. O Honorável Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) foi à mesquita para a oração. Ele estava de pé no mihrab e, dizendo “Allahu Akbar”, iniciou a oração com o takbir de abertura. Os fiéis que estavam atrás dele também haviam terminado o takbir. Nesse momento, a voz de Zainab veio da fileira das mulheres, atrás: “Ó gente, eu sou Zainab, filha de Muhammad (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Concedi proteção a Abul ‘As; concedam-lhe proteção também.”

O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), depois de terminar a oração, voltou-se para as pessoas e perguntou: “Vocês também ouviram o que eu ouvi?”

As pessoas responderam: “Sim, ó Mensageiro de Allah!” O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: “Juro por Aquele em cuja mão está a minha vida: eu não sabia absolutamente nada deste acontecimento. Que coisa extraordinária! Até o membro mais fraco entre os muçulmanos pode conceder proteção a um inimigo. Ela concedeu proteção em nome de todos os muçulmanos.”[Ibid.-1/399-400; Tabaqat-8/33]

Depois, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) foi para casa e disse à filha: “Providencia uma recepção honrosa para Abul ‘As. Porém, fica sabendo que ele já não é lícito para ti enquanto permanecer politeísta.” Zainab (que Allah esteja satisfeito com ela) pediu ao pai que libertasse, juntamente com seus bens, os homens da caravana de Abul ‘As.

O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) chamou os homens da expedição que haviam capturado os camelos e os homens da caravana de Abul ‘As. Disse-lhes: “Vocês conhecem a relação entre Abul ‘As e eu. Vocês apreenderam suas mercadorias comerciais. Se, por consideração a ele, devolverem seus bens, ficarei feliz. Mas, se não concordarem, não terei objeção alguma. Podem desfrutar deles como uma graça de Allah. Vocês são quem tem mais direito sobre esses bens.” Eles responderam: “Ó Mensageiro de Allah! Devolveremos tudo o que lhe pertence.”[Ibn Hisham – 1/658; Tabaqat- 8/33]

Abul ‘As partiu com eles para receber de volta seus bens. No caminho, disseram-lhe: “Escuta, Abul ‘As, és um homem de grande prestígio entre os coraixitas. Além disso, és primo do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) e marido de sua filha. Faz o seguinte: aceita o Islam e permanece em Medina com esses bens dos habitantes de Meca. Viverás com grande conforto.” Ele respondeu: “Começarei a vida da minha nova religião por meio de uma fraude?”[Ibid.]

Abul ‘As levou sua caravana de volta e chegou a Meca. Depois de entregar a cada pessoa o que lhe pertencia, disse: “Ó membros da tribo dos coraixitas! Ainda têm alguma reivindicação contra mim?” Eles responderam: “Não. Que Allah te recompense com o melhor. Descobrimos que és um homem de palavra exemplar.”

Abul ‘As disse: “Eu cumpri plenamente os direitos que vocês tinham. Agora declaro: Ashhadu an la ilaha illallahu wa anna Muhammadan abduhu wa rasuluhu — testemunho que não há divindade além de Allah e que Muhammad é Seu servo e Mensageiro. Durante minha permanência em Medina, eu poderia ter feito essa declaração. Mas não o fiz porque vocês poderiam pensar que eu fiz isso com o objetivo de me apropriar dos seus bens. Quando Allah me concedeu a capacidade de devolver a cada um de vocês os seus bens e eu me livrei da minha responsabilidade, só então declaro minha entrada no Islam.”

Este foi um acontecimento do mês de Muharram do sétimo ano da Hégira. Depois disso, Abul ‘As (que Allah esteja satisfeito com ele) migrou de sua terra natal, Meca, e apresentou-se diante do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) em Medina. [referência anterior]

O Nobre Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) recebeu Abul ‘As (que Allah esteja satisfeito com ele) com honras e, com base no primeiro contrato de casamento deles, entregou-lhe sua esposa, Zainab (que Allah esteja satisfeito com ela). [Siyar A‘lam al-Nubala, 2/249; Al-Isaba, 4/312]

Zainab (que Allah esteja satisfeito com ela) havia deixado seu marido, Abul ‘As, em Meca, enquanto ele permanecia na condição de politeísta. Por isso, pode-se naturalmente concluir que o casamento deles havia sido dissolvido. Mais tarde, quando Abul ‘As aceitou o Islam e chegou a Medina, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) devolveu Zainab a ele. Agora, a questão é: ele devolveu Zainab com base no primeiro contrato de casamento ou foi celebrado um novo contrato? Há dois tipos de relatos sobre esse assunto. Ibn ‘Abbas (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: [Ibn Hisham, 1/658–659; Tirmidhi (1143); Ibn Majah (2009); Siyar A‘lam al-Nubala, 2/249]

“O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) devolveu sua filha a Abul ‘As, muitos anos depois, com base no primeiro casamento, e não estipulou nenhum novo mahr.”

O Imã Sha‘bi disse: [Tabaqat, 8/32]

“Zainab aceitou o Islam e também migrou. Depois, Abul ‘As aceitou o Islam. O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) não dissolveu o casamento deles.”

Foi dito que a razão disso era que, até então, ainda não havia sido revelado o seguinte versículo da Surata Al-Mumtahanah: [Surata Al-Mumtahanah, 10]

Hazrat Qatada também disse algo semelhante. Ele disse: (Árabe========)

“Após este acontecimento, foi revelada a surata Al-Bara’at. Depois disso, se alguma esposa aceitasse o Islã antes do marido, este não teria nenhum direito sobre ela sem um novo ‘aqd.”

Antes disso, porém, as mulheres muçulmanas retornavam para junto dos maridos depois que eles aceitavam o Islã, sem um novo ‘aqd.

Contudo, há outra narração que diz: (Árabe=====)

“O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) devolveu Zaynab a Abu al-‘As com base em um novo casamento e um novo mahr.” O Imã Ahmad disse: “Este é um hadith fraco.”

Embora, quanto à cadeia de transmissão, a narração de Ibn ‘Abbas (que Allah esteja satisfeito com ele) seja preferível à outra narração, os juristas agiram de acordo com a narração sobre a realização de um segundo ‘aqd. Embora, quanto à cadeia de transmissão, a narração de Ibn ‘Abbas (que Allah esteja satisfeito com ele) seja preferível à outra narração, os juristas agiram de acordo com a narração sobre a realização de um segundo ‘aqd. Eles explicaram a narração de Ibn ‘Abbas (que Allah esteja satisfeito com ele) dizendo que, como o mahr e as demais condições permaneceram inalterados no momento do segundo ‘aqd, ele o descreveu como o primeiro ‘aqd. Caso contrário, em uma separação desse tipo, um segundo ‘aqd seria indispensável. O Imã Suhayli também disse algo semelhante.

Hazrat Zaynab (que Allah esteja satisfeito com ela) amava profundamente tanto seu pai, o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), quanto seu marido, Abu al-‘As (que Allah esteja satisfeito com ele). Ela gostava de usar roupas de boa qualidade e caras. Certa vez, Hazrat Anas (que Allah esteja satisfeito com ele) viu-a usando um manto de seda. A borda do manto era amarela.

Hazrat Zaynab (que Allah esteja satisfeito com ela) teve dois filhos com Hazrat Abu al-‘As (que Allah esteja satisfeito com ele): um menino e uma menina. O menino, ‘Ali, nasceu em Meca antes da Hégira. O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) assumiu sua responsabilidade e passou a criá-lo. No dia da conquista de Meca, quando o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) entrou em Meca, ‘Ali estava montado no camelo de seu avô materno. Ele faleceu antes de atingir a puberdade, durante a vida de seu pai, Abu al-‘As (que Allah esteja satisfeito com ele). [Al-A‘lam, 3/36]

No entanto, uma narração de Ibn ‘Asakir informa que ‘Ali permaneceu vivo até a batalha de Yarmuk e foi martirizado nessa batalha. [Al-Isaba-4/312] Sua filha Umama viveu por muitos anos.

Hazrat Zaynab não viveu por muito tempo após se reunir com seu marido, Abu al-‘As (que Allah esteja satisfeito com ele). Depois de passar um ano, ou pouco mais, com o marido em Medina, faleceu nessa cidade no início do oitavo ano da Hégira. [Tabaqat-8/34; Al-A‘lam-3/67] Sobre a causa e as circunstâncias de sua morte, Ibn ‘Abd al-Barr escreveu: [Al-Isti‘ab (anotação marginal de Al-Isaba)-4/312]

“A causa da morte de Hazrat Zaynab foi que, quando ela saiu de Meca para ir ao encontro de seu pai, o Mensageiro de Allah, Habbār ibn al-Aswad e outro homem a atacaram. Um deles a lançou sobre uma pedra. Com isso, ela sofreu um aborto e sangrou, passando a padecer de uma doença por longo tempo. Por fim, faleceu no oitavo ano da Hégira.”

Hazrat Umm Ayman, Hazrat Sawda, Hazrat Umm Salama e Hazrat Umm ‘Atiyya realizaram o banho ritual de Hazrat Zaynab. [Ansab al-Ashraf-1/400] O Mensageiro de Allah conduziu a oração fúnebre por ela e desceu pessoalmente à sepultura, colocando com as próprias mãos sua filha muito amada dentro do túmulo. Naquele momento, o rosto abençoado do Mensageiro de Allah parecia extremamente triste e abatido. Ele suplicou por ela, dizendo: “Ó Allah! Resolva as dificuldades de Zaynab e transforme a estreiteza de seu túmulo em amplitude.” [Usud al-Ghaba-5/468; Tabaqat-8/34]

Hazrat Umm ‘Atiyya disse: “Participei do banho ritual de Zaynab, filha do Mensageiro de Allah. O próprio Mensageiro de Allah explicava o modo e o procedimento do banho. Ele disse: ‘Primeiro, lave cada membro três ou cinco vezes. Depois, aplique cânfora.’” [Tabaqat-8/34; Siyar A‘lam al-Nubala-2/250] Em uma narração, também é mencionado que o banho foi realizado sete vezes. O objetivo, na realidade, era alcançar a tahara, ou seja, a pureza e a limpeza: se isso fosse obtido após três lavagens, não seria necessário lavar mais. Caso contrário, deveria ser lavado cinco ou sete vezes. Umm ‘Atiyya acrescentou: [referência anterior]

Enquanto lavávamos Zaynab, o Mensageiro nos disse: “Comecem o banho pelo lado direito dela e pelas partes destinadas à ablução.”

Hazrat Rasu’l-Karim também disse a Umm ‘Atiyya que, quando terminassem o banho, deveriam informá-lo. Assim, quando o banho terminou, ele foi avisado. Ele entregou uma de suas próprias peças de roupa, um tahban (tanga), e disse: “Coloquem isto entre os tecidos do sudário como símbolo.” [Bukhari: Babu Ghusl al-Mayyit; Siyar A‘lam al-Nubala-2/252] O Mensageiro ordenou que ela fosse sepultada ao lado de ‘Uthman ibn Maz‘un, que havia falecido antes dela. [Ansab al-Ashraf-1/212]

Poucos dias após o falecimento de Hazrat Zaynab, seu marido, Abu al-‘As, também faleceu. [Usud al-Ghaba-5/468] Al-Baladhuri afirma que, depois de aceitar o Islã, ele não participou de nenhuma batalha com o Mensageiro de Allah e faleceu no ano 12 da Hégira. Hazrat al-Zubayr ibn al-‘Awwam era seu primo por parte materna. Antes de morrer, nomeou-o seu wasi. [Ansab al-Ashraf-1/400]

Ruqayya, filha do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele)


Ruqayya (que Allah esteja satisfeito com ela) era a segunda filha do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) e de Khadija (que Allah esteja satisfeito com ela). Ela nasceu em Meca sete anos antes de seu pai, Muhammad (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), receber a profecia. Al-Zubair e seu tio Mus’ab, especialista no tratamento da lepra, consideraram que Ruqayya (que Allah esteja satisfeito com ela) era a filha mais nova do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Al-Jurjani apoiou essa opinião. Contudo, segundo a maioria, Zaynab (que Allah esteja satisfeito com ela) era a mais velha, e Ruqayya, a segunda. Segundo Ibn Hisham, Ruqayya era a mais velha entre as filhas. [Sira de Ibn Hisham-1/190]

Segundo uma narração compilada por Muhammad ibn Ishaq, Zaynab (que Allah esteja satisfeito com ela) nasceu quando o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) tinha trinta anos, e Ruqayya (que Allah esteja satisfeito com ela) nasceu quando ele tinha trinta e três anos. [Al-Isti’ab (nota marginal de Al-Isaba)-4/299] De qualquer modo, os especialistas em biografia do Profeta concluíram que Ruqayya era a segunda filha do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele).

Antes de o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) receber a profecia, Ruqayya (que Allah esteja satisfeito com ela) casou-se pela primeira vez com ‘Utba, filho de Abu Lahab, em Meca. [Tabaqat de Ibn Sa’d-8/36] O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) recebeu a profecia. Quando seu conflito com os coraixitas atingiu o auge, eles escolheram todos os meios e métodos para atormentar o Mensageiro de Allah. Abandonando todos os princípios de moralidade, decidiram pressionar ou seduzir os maridos das filhas casadas de Muhammad para que se divorciassem de suas esposas e depois as enviassem de volta à casa paterna. Assim, pelo menos, aumentariam a dor e a preocupação de Muhammad, fazendo-o ocupar-se consigo mesmo.

Conforme o pensamento, assim foi a ação. Primeiro, foram até Abu al-‘As ibn al-Rabi’, marido da filha mais velha do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Pediram-lhe que se divorciasse de sua esposa, Zaynab, filha de Muhammad, e a enviasse à casa paterna. Mas ele recusou categoricamente diante deles. Os líderes coraixitas sem vergonha não pararam mesmo depois de ouvirem tal resposta. Foram até ‘Utba ibn Abu Lahab, marido de Ruqayya (que Allah esteja satisfeito com ela), e pressionaram-no a divorciar-se dela. Ao mesmo tempo, ofereceram-lhe o incentivo de que fariam dele marido da beldade da tribo dos coraixitas que ele escolhesse. O inescrupuloso ‘Utba aceitou a proposta. Em troca de Ruqayya, manifestou o desejo de receber uma filha de Sa’id ibn al-‘As — segundo outra opinião, de Aban ibn Sa’id ibn al-‘As. [Ansab al-Ashraf-1/401] Os líderes coraixitas aceitaram alegremente sua exigência. Não havia motivo para recusá-la. Seu principal objetivo era torturar Muhammad (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), física e mentalmente, de qualquer maneira e na medida que fosse possível. O menor sofrimento de Muhammad (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) lhes proporcionava tranquilidade mental. O vil ‘Utba divorciou-se de sua esposa, a senhora Ruqayya (que Allah esteja satisfeito com ela). [Sira de Ibn Hisham-1/652]

Há, contudo, outra narração sobre o assunto: quando a surata Al-Lahab — (Árabe====) — foi revelada censurando os pais de ‘Utba, Abu Lahab e sua esposa, Umm Jamil — carregadora de lenha —, furiosos, disseram ao filho ‘Utba: “Se você não se divorciar da filha de Muhammad, Ruqayya, e a mandar embora, não teremos mais nenhuma relação com você.” Obediente aos pais, o filho divorciou-se de sua esposa Ruqayya para agradá-los. [Al-Fath al-Rabbani ma’a Bulugh al-Amani-22/99 (hadith nº 893)] Deve-se mencionar que entre ‘Utba e Ruqayya havia ocorrido apenas o contrato matrimonial. O divórcio ocorreu antes que passassem a viver como marido e mulher. [Tabaqat -/36]

O segundo casamento de Ruqayya (que Allah esteja satisfeito com ela)

A respeito de sua conversão ao Islã e de seu casamento, ‘Uthman (que Allah esteja satisfeito com ele) relata: “Eu estava sentado no pátio da sagrada Caaba com alguns amigos. Nesse momento, alguém veio informar-me que o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) havia casado sua filha Ruqayya com ‘Utba ibn Abu Lahab. Como Ruqayya se distinguia por sua beleza, encanto e qualidades invejáveis, eu tinha certa inclinação afetiva por ela. Ao ouvir a notícia de seu casamento, fiquei um pouco perturbado. Então me levantei e fui diretamente para casa. Naquela época, minha tia materna Sa’da morava em nossa casa. Ela era também uma kahina (vidente). [Na história da Arábia pré-islâmica, são encontrados os nomes de muitas kahinas e kahins. Em geral, eles proferiam, em palavras enigmáticas e semelhantes a charadas, previsões verdadeiras e parcialmente verdadeiras sobre o futuro.] Assim que me viu, começou subitamente a dizer as seguintes palavras: (Árabe========)”

‘Ó Uthman, boas-novas para ti. Que a paz esteja contigo três vezes. Mais três vezes. Depois, mais três vezes. Por fim, uma vez. Assim, completam-se dez saudações. Pela vontade de Allah, encontrarás o bem e a prosperidade e permanecerás afastado do mal. Por Allah, casaste-te com uma bela jovem, casta e virtuosa como um botão de flor. Tu és virgem e recebeste uma noiva virgem.’

Fiquei profundamente admirado com aquelas palavras. Perguntei: “Tia, o que está dizendo?” Ela respondeu: (Árabe=====)

‘Uthman, Uthman, ó Uthman! Tu és dotado de beleza, e tens diante de ti um assunto importante. Este é um profeta, que possui provas e evidências. Ele é um Mensageiro verdadeiro e veraz. O Alcorão foi revelado a ele. Segue-o e não te deixes enganar pelos ídolos.’

Desta vez também não disse nada. Pedi-lhe que explicasse um pouco melhor o que queria dizer. Então ela disse: (Árabe======)

‘Muhammad ibn ‘Abdullah, que é o Mensageiro de Allah, trouxe o Alcorão. Ele chama as pessoas para Allah. Sua lâmpada é a verdadeira lâmpada, e sua religião é o meio da salvação. Quando começarem as lutas e os combates, as espadas forem desembainhadas e as lanças forem lançadas, o tumulto e a algazarra não trarão nenhum bem.’

Suas palavras me impressionaram profundamente. Comecei a refletir sobre o que deveria fazer no futuro. Eu costumava ir frequentemente sentar-me com Abu Bakr. Dois dias depois, quando fui visitá-lo, não havia ninguém ali. Ao ver-me sentado, preocupado, ele perguntou: “Por que hoje pareces tão preocupado?” Ele era meu amigo íntimo; por isso, contei-lhe o essencial do que minha tia havia dito. Depois de me ouvir, ele disse: ‘Uthman, és um homem inteligente. Se não conseguires distinguir entre a verdade e a falsidade, isso será realmente surpreendente. Os ídolos que teu povo adora não são feitos de pedra — ídolos que não ouvem nada, não veem nada e não têm poder para causar benefício ou dano?’ Uthman respondeu: “Tudo o que disseste é absolutamente verdadeiro.”

Abu Bakr disse: “O que tua tia disse é verdade. Muhammad ibn ‘Abdullah é o Mensageiro de Allah. Allah o enviou para transmitir Sua mensagem às pessoas. Se fores até ele e ouvires atentamente o que ele diz, que mal haverá nisso?” Depois dessas palavras, fui até o Mensageiro de Allah. Segundo outra narração, ao ouvir sobre essa conversa entre eles, o próprio Mensageiro foi até Uthman. O Mensageiro disse: “Escuta, Uthman: Allah te chama para o Paraíso; responde a esse chamado. Eu sou o Mensageiro de Allah e fui enviado a vós, isto é, a toda a criação.”

Somente Allah sabe que força havia nessas palavras dele! Perdi o controle de mim mesmo. Sem hesitação, as palavras da profissão de fé saíram de minha boca: Ashhadu an la ilaha illallahu wa ashhadu anna Muhammadan rasulullah. [Al-Iṣāba-4/327-28]

Depois desse acontecimento, o casamento de Hazrat Ruqayya (que Allah esteja satisfeito com ela) com Hazrat Uthman (que Allah esteja satisfeito com ele) foi celebrado em Meca.

Hazrat Ruqayya (que Allah esteja satisfeito com ela) aceitou o Islam juntamente com sua mãe, a Mãe dos Crentes, Hazrat Khadija (que Allah esteja satisfeito com ela), e sua irmã mais velha, Hazrat Zaynab (que Allah esteja satisfeito com ela).[Siyar A‘lam an-Nubala’ – 2/251] Quando as outras mulheres prestaram o juramento de fidelidade ao Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), ela também o prestou.[Tabaqat – 8/36]

No quinto ano da missão profética, ela migrou para a Abissínia com seu marido, Hazrat Uthman (que Allah esteja satisfeito com ele). Hazrat Asma bint Abi Bakr (que Allah esteja satisfeito com ela) narrou que o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) e Abu Bakr permaneciam na caverna de Hira, e eu levava comida para os dois. Certo dia, quando Hazrat Uthman (que Allah esteja satisfeito com ele) pediu ao Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) permissão para migrar, ele lhe deu permissão para ir à Abissínia. Então, marido e mulher deixaram Meca e partiram em direção à Abissínia. Depois, quando voltei a levar comida para eles, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) perguntou: “Uthman e Ruqayya já partiram?” Respondi: “Sim, partiram.” Então ele disse, de modo que meu pai Abu Bakr (que Allah esteja satisfeito com ele) pudesse ouvir:

“Certamente, eles dois são os primeiros a migrar depois de Ibrahim e Lut.”[Ansab al-Ashraf 01/199. Foi narrado por Hazrat Qatada (que Allah esteja satisfeito com ele) que o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: “Uthman ibn Affan foi o primeiro a migrar para Allah, levando consigo sua família.” (Hayatus-Sahaba – 1/346.)]

Depois de permanecerem algum tempo na Abissínia, eles retornaram novamente a Meca. Naquela época, as ações hostis dos incrédulos de Meca haviam aumentado ainda mais, tornando a cidade inadequada para se viver. Por isso, não consideraram conveniente permanecer ali. Então, retornaram à Abissínia.

Foi narrado por Hazrat Anas (que Allah esteja satisfeito com ele) que Uthman ibn Affan (que Allah esteja satisfeito com ele) partiu em direção à Abissínia levando consigo sua esposa, Ruqayya (que Allah esteja satisfeito com ela). Demorou até que a notícia deles chegasse ao Mensageiro de Allah. Nesse ínterim, uma mulher coraixita veio da Abissínia para Meca. Ela disse: “Muhammad, vi seu genro partir levando sua esposa.” O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) perguntou: “Em que condição você os viu?” Ela respondeu: “Vi-o fazer sua esposa montar em um jumento fraco e conduzi-lo.” Então o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) comentou:

“Que Allah os acompanhe. Depois de Lut, que a paz esteja sobre ele, Uthman foi a primeira pessoa a migrar levando consigo sua esposa. [Al-Bidaya – 3/66; Siyar A‘lam an-Nubala – 2/251]

Depois de permanecerem por bastante tempo na Abissínia pela segunda vez, eles retornaram a Meca. Após permanecerem algum tempo em Meca, migraram novamente, com toda a família, desta vez definitivamente para Medina.[Tabaqat – 8/36]

Durante a segunda permanência na Abissínia, nasceu ‘Abdullah, filho de Hazrat Ruqayya (que Allah esteja satisfeito com ela). Foi pelo nome desse ‘Abdullah que Hazrat ‘Uthman recebeu o kunya de Abu ‘Abdillah. Antes disso, durante a primeira hijra para a Abissínia, um filho que ela trazia no ventre morreu. [Al-Isti‘ab, ‘Usud al-Ghaba, 5/356] Qatada disse que ‘Uthman (que Allah esteja satisfeito com ele) não teve nenhum filho com Ruqayya (que Allah esteja satisfeito com ela). Ibn Hajar disse que isso era apenas uma opinião de Qatada; ninguém além dele afirmou tal coisa. [Al-Isti‘ab, 4/300] Contudo, depois de ‘Abdullah, Hazrat Ruqayya (que Allah esteja satisfeito com ela) não teve outro filho. [Tabaqat, 8/36]

Quando ‘Abdullah tinha apenas seis anos, certo dia, de repente, um galo bicou um de seus olhos. Seu rosto inchou e o veneno se espalhou por todo o corpo. Em consequência desse acidente, ele morreu no mês de Jumada al-Awwal do quarto ano hijri. [Siyar A‘lam al-Nubala, 2/251] O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) dirigiu a oração fúnebre por ele, e Hazrat ‘Uthman (que Allah esteja satisfeito com ele) desceu à sepultura e realizou seu enterro.

Depois de chegar a Medina, Hazrat Ruqayya (que Allah esteja satisfeito com ela) adoeceu e ficou acamada no segundo ano hijri. Era o período da Batalha de Badr. Hazrat Rasul-e-Karim (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) estava ocupado com os preparativos para a batalha. Ele deixou ‘Uthman (que Allah esteja satisfeito com ele) em Medina para cuidar de sua esposa enferma e partiu sozinho para Badr. Um ano e sete meses após a hijra, Hazrat Ruqayya faleceu no sagrado mês do Ramadan. Usama ibn Zayd (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: enquanto dávamos sepultura a Ruqayya, filha do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), e nivelávamos a terra, meu pai, Zayd ibn Haritha, chegou trazendo a boa notícia da vitória em Badr. O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) havia me deixado em Medina com ‘Uthman. [Sirat Ibn Hisham, 1/642–643; Ansab al-Ashraf, 1/294, 475]

Outra narrativa relata que, enquanto estavam ocupados com o enterro de Ruqayya (que Allah esteja satisfeito com ela), ‘Uthman (que Allah esteja satisfeito com ele) ouviu de longe o som de um takbir e perguntou a Usama (que Allah esteja satisfeito com ele) o que era aquilo. Olhando, viram Zayd ibn Haritha (que Allah esteja satisfeito com ele) montado na camela do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), anunciando a notícia da morte dos líderes coraixitas de Meca em Badr. [Al-Isaba, 4/305]

Por permanecer ao lado de sua esposa enferma, Hazrat ‘Uthman (que Allah esteja satisfeito com ele) não pôde participar de uma batalha tão importante quanto Badr. No entanto, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) considerou-o participante de Badr e concedeu-lhe uma parte dos despojos. ‘Uthman (que Allah esteja satisfeito com ele) perguntou sobre a recompensa do jihad, e o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: “Tu também receberás a recompensa.” [Ansab al-Ashraf, 1/289; Sirat Ibn Hisham, 1/678]

Ibn ‘Abbas disse que, após a morte de Ruqayya (que Allah esteja satisfeito com ela), o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: [Al-Isaba, 4/304] (árabe=======)

“Junta-te ao nosso predecessor, ‘Uthman ibn Maz‘un.” [‘Uthman ibn Maz‘un (que Allah esteja satisfeito com ele) era tio materno de Hazrat Hafsa (que Allah esteja satisfeito com ela), uma das Mães dos Crentes. Ele fez a hijra para a Abissínia duas vezes e, por fim, para Medina. Essa narrativa indica que ele morreu antes de Hazrat Ruqayya (que Allah esteja satisfeito com ela). Segundo o relato de Baladhuri, ele retornou a Medina no mês de Dhu al-Hijja do segundo ano hijri e morreu três meses após a hijra. (A Vida dos Companheiros do Mensageiro, 2/27.) Todos concordam, porém, que Hazrat Ruqayya (que Allah esteja satisfeito com ela) morreu durante a Batalha de Badr. Portanto, a questão não é compreensível.] As mulheres começaram a chorar. Nesse momento, ‘Umar (que Allah esteja satisfeito com ele) chegou e se preparou para golpeá-las, erguendo o chicote que tinha na mão. O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) segurou o chicote com a mão e disse: “Deixa-as. Elas estão chorando. O que sai do coração e dos olhos provém de Allah e de Sua misericórdia; o que se manifesta pelas mãos e pela boca provém de Satanás.” Fatima (que Allah esteja satisfeito com ela) estava sentada junto ao túmulo, ao lado do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) enxugava as lágrimas dela com a ponta de sua roupa. [Siyar al-A‘lam, 2/262; Tabaqat, 8/37.] Sobre a narrativa acima, Ibn Sa‘d disse que, segundo todos os narradores, a versão considerada mais correta é que o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) estava em Badr no momento da morte e do enterro de Ruqayya (que Allah esteja satisfeito com ela). Talvez esse tenha sido o acontecimento por ocasião da morte de outra filha do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). E, se ocorreu por ocasião da morte de Ruqayya, talvez o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) tenha ido ao túmulo depois de retornar de Badr, quando as mulheres também se reuniram ali. [Uma narrativa do Musnad do Imam Ahmad relata que o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) foi ao túmulo depois de retornar de Badr, quando as mulheres também se reuniram ali. Tabaqat, 8/37.] Outra narrativa do Musnad do Imam Ahmad relata que, por causa da relutância do Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), Abu Talha (que Allah esteja satisfeito com ele) desceu à sepultura em vez de ‘Uthman (que Allah esteja satisfeito com ele) e colocou Ruqayya nela. Também nesse caso surge a mesma pergunta: como isso seria possível? O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) estava então em Badr. Por isso, os muhaddithun disseram que esse episódio ocorreu por ocasião do enterro de Umm Kulthum (que Allah esteja satisfeito com ela). Além disso, outra narrativa menciona o nome de Umm Kulthum (que Allah esteja satisfeito com ela). [Al-Fath al-Rabbani ma‘a Bulugh al-Amani, 22/199]

Cabe mencionar que Umm Kulthum (que Allah esteja satisfeito com ela) era a terceira filha do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Após a morte de Ruqayya (que Allah esteja satisfeito com ela), ‘Uthman (que Allah esteja satisfeito com ele) casou-se com ela. Alguns dias depois, ela faleceu.

Hazrat Ruqayya (que Allah esteja satisfeito com ela) era dotada de grande beleza e encanto. Na obra ‘Durrul Manthur’ consta: “Ela era extraordinariamente bela. Durante sua permanência na Abissínia, um grupo de homens desordeiros daquele lugar ficou estupefato ao ver sua beleza e encanto. Esse grupo a importunou intensamente. Ela fez uma súplica contra eles, e eles foram destruídos. [Durrul Mansur, p. 207; Sahabiyat, p. 128]

Hazrat ‘Uthman (que Allah esteja satisfeito com ele) sofreu profundamente com a morte prematura de sua amada esposa e companheira nos momentos de alegria e tristeza. Havia grande harmonia e amor entre os dois. As pessoas costumavam dizer, e essa frase tornou-se quase um provérbio:

“Entre os casais que as pessoas já tinham visto, ela e seu marido ‘Uthman eram os melhores. [Al-Isaba, 4/305] Vários relatos mostram que Ruqayya era uma esposa afetuosa e devotada ao marido. Durante sua breve vida conjugal, os dois jamais se separaram. Enfrentaram juntos todas as dificuldades, calamidades e adversidades. Assim como ela própria procurava aliviar todo o sofrimento servindo o marido, seu esposo ‘Uthman também se esforçava sempre para tornar mais fácil a vida da esposa. Certo dia, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) foi à casa de ‘Uthman (que Allah esteja satisfeito com ele) e viu Ruqayya lavando a cabeça do marido. Ele disse:

“Minha filha! Trata bem Abu ‘Abdillah (‘Uthman), pois, entre meus Companheiros, ele é o que mais se assemelha a mim no caráter e na conduta.”

Abu Hurayra (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: Certo dia, fui à casa de Ruqayya, filha do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) e esposa de ‘Uthman, e a vi com um pente na mão. Ela disse: “O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) acabou de sair da minha casa. Ele me viu penteando os cabelos de ‘Uthman. [Hayatus Sahaba, 2/542]”

Ummu Kulthum filha do Mensageiro de Allah ((que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele))


Hazrat Ummu Kulthum (que Allah esteja satisfeito com ela) foi a terceira filha do nobre Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Contudo, há certa divergência entre os especialistas em biografia sobre esse assunto. O Imam adh-Dhahabi a classificou como a quarta entre os filhos do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). [Siyar A‘lam an-Nubala, 2/252] Zubayr ibn Bakkar afirmou que Ummu Kulthum era mais velha que Ruqayya e Fatima (que Allah esteja satisfeito com elas). Porém, a maioria dos autores de biografias se opôs a essa opinião. A posição correta e confiável é que Hazrat Ummu Kulthum (que Allah esteja satisfeito com ela) era mais nova que Hazrat Ruqayya (que Allah esteja satisfeito com ela). [Sira de Ibn Hisham, 1/190] At-Tabari mencionou a ordem de nascimento das filhas do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) da seguinte maneira. [Tarikh at-Tabari, edição de Leiden, 3/1128]

“Zaynab, Ruqayya, Ummu Kulthum e Fatima nasceram.”

Hazrat Ruqayya (que Allah esteja satisfeito com ela) era esposa de Hazrat Uthman (que Allah esteja satisfeito com ele). Quando ela faleceu no segundo ano da Hégira, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) casou Umm Kulthum (que Allah esteja satisfeito com ela) com Uthman (que Allah esteja satisfeito com ele).[Tabaqat, 8/35] Se Umm Kulthum fosse mais velha que Ruqayya, teria sido ela, e não Ruqayya, a casar-se primeiro com Uthman (que Allah esteja satisfeito com ele). Isso porque, em todas as sociedades e civilizações, o casamento da filha mais velha é providenciado primeiro. E isso é exigido tanto pela razão quanto pela natureza.

Não se encontra qualquer menção ao ano do nascimento de Hazrat Umm Kulthum (que Allah esteja satisfeito com ela) nos livros de biografia e história. Contudo, pode-se supor que ela tenha nascido seis anos antes de o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) receber a profecia. Isso porque é quase universalmente reconhecido que Ruqayya nasceu sete anos antes do início da profecia e Hazrat Fatima (que Allah esteja satisfeito com ela), cinco anos antes. Também se aceita que Umm Kulthum (que Allah esteja satisfeito com ela) era mais nova que Ruqayya e mais velha que Fatima. Portanto, é necessário considerar o período entre os nascimentos das duas como o ano de seu nascimento. Com base nesse cálculo, ela nasceu seis anos antes do início da profecia.[Sahabiyat-129]

Assim como aconteceu com muitas outras pessoas, também a infância de Hazrat Umm Kulthum (que Allah esteja satisfeito com ela) ficou encoberta pela escuridão da ignorância. Aquele período da Arábia era tal que não se dispõe da história completa da vida de nenhuma pessoa. Por isso, sua história de vida foi registrada apenas a partir de seu casamento.

Antes de o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) receber a profecia, ele casou Ruqayya com Utba, filho de Abu Lahab, e Umm Kulthum com Utayba, seu segundo filho. Depois que, após o início da profecia do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), foi revelada a Surata Al-Lahab condenando Abu Lahab e sua esposa, Abu Lahab — segundo outra versão, sua esposa — dirigiu-se aos dois filhos, dizendo: “Se vocês não se divorciarem da filha dele [Muhammad (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele)] e não a mandarem embora, então minha convivência e meu relacionamento com vocês serão proibidos.”[Tabaqat-8/37] Já mencionamos na biografia de Hazrat Ruqayya (que Allah esteja satisfeito com ela) que, devido a tais palavras dos pais e à pressão social, Utba divorciou-se de sua esposa Ruqayya. Da mesma forma, Utayba, ao cumprir a ordem dos pais, divorciou-se de sua esposa Umm Kulthum. Assim, o período e a causa dos divórcios de ambas foram os mesmos.[Usud al-Ghaba-5/12] Ambas as irmãs chegaram a casar-se, mas a separação ocorreu antes mesmo de irem para a casa dos maridos.

Quando Ruqayya (que Allah esteja satisfeito com ela) faleceu no segundo ano da Hégira, Hazrat Uthman (que Allah esteja satisfeito com ele) ficou profundamente triste e abatido pela perda da esposa. Vendo seu estado, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) perguntou-lhe um dia: “Uthman, por que o vejo tão abatido?” Uthman (que Allah esteja satisfeito com ele) respondeu: “Como poderia não estar abatido? Uma calamidade caiu sobre mim como talvez jamais tenha caído sobre alguém. A filha do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) faleceu. Com isso, minha coluna se quebrou. O vínculo de parentesco que eu tinha com o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) foi rompido. O que farei agora?” Antes que terminasse de falar, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: “Jibril (que a paz esteja sobre ele) trouxe-me uma ordem da presença de Allah: devo casar também Umm Kulthum com você, com um mahr equivalente ao de Ruqayya.”[ibidem-5/613] Depois disso, no mês de Rabi al-Awwal do terceiro ano da Hégira, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) celebrou o contrato matrimonial de Umm Kulthum com Hazrat Uthman (que Allah esteja satisfeito com ele).[Tabaqat-8/37] Dois meses após o contrato, no mês de Jumada al-Thani, ela foi para a casa do marido. Hazrat Umm Kulthum não teve filhos.[ibidem]

Segundo uma narração, após o falecimento de Ruqayya (que Allah esteja satisfeito com ela), Umar ibn al-Khattab (que Allah esteja satisfeito com ele) propôs sua filha Hafsa (que Allah esteja satisfeito com ela) em casamento a Uthman (que Allah esteja satisfeito com ele). Mas ele permaneceu calado, sem dar resposta. Ao tomar conhecimento disso, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse a Umar: “Procurarei para Hafsa um marido melhor que Uthman, e para Uthman uma esposa melhor que Hafsa.” Depois, ele casou Hafsa e casou Umm Kulthum com Uthman.[ibidem-8/38]

Hazrat Umm Kulthum (que Allah esteja satisfeito com ela) aceitou o Islã juntamente com sua mãe, a Mãe dos Crentes, Hazrat Khadija (que Allah esteja satisfeito com ela). Mais tarde, prestou a bay’a ao Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) junto com suas outras irmãs.[ibidem-8/37] Depois da Hégira do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) para Medina, ela também emigrou para Medina com os demais membros da família.[Siyar A’lam al-Nubala-2/252; Hayat al-Sahaba-1/369]

Após o falecimento de Hazrat Umm Kulthum (que Allah esteja satisfeito com ela), o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: “Se eu tivesse dez filhas, casaria todas elas, uma após outra, com Uthman (que Allah esteja satisfeito com ele).”[Al-Isti’ab-793] Em uma narração, em vez de dez filhas, menciona-se cem filhas. Depois de viver seis anos com seu marido Uthman (que Allah esteja satisfeito com ele), Hazrat Umm Kulthum (que Allah esteja satisfeito com ela) faleceu no mês de Sha’ban do nono ano da Hégira.[Siyar A’lam al-Nubala-2/253] Mulheres dos Ansar deram-lhe o banho funerário. Entre elas estava também Umm Atiyya. O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) conduziu a oração fúnebre. Hazrat Abu Talha, Ali ibn Abi Talib, Fadl ibn Abbas e Usama ibn Zayd (que Allah esteja satisfeito com eles) desceram o corpo à sepultura.[Tabaqat-8/38-39]

Foi narrado que Anas (r.a.) viu Umm Kulthum (r.a.) usando um manto de seda bordado com listras. [Bukhari: Bab al-Harir li-n-Nisa; Abu Dawud (2058); Nasa’i, 8/197; Ibn Majah (3598); Tabaqat, 8/38]

O vil Utayba, depois de divorciar-se de sua esposa Umm Kulthum (r.a.) sob a pressão de seu pai, Abu Lahab — a chama do Inferno — e de sua mãe, Umm Jamil, a carregadora de lenha, foi até o Mensageiro de Allah (s.a.) e teve uma atitude extremamente insolente. Dirigindo-se ao Mensageiro (s.a.), disse: “Nego a sua religião; ou, segundo outra versão, divorciei-me de sua filha. Você não voltará a procurar-me, e eu também não voltarei a procurá-lo.” Depois de dizer isso, lançou-se teimosamente sobre o Mensageiro de Allah (s.a.), rasgando sua túnica. Em seguida, partiu em viagem rumo à Síria. Irritado com seu comportamento bestial, o Mensageiro (s.a.) fez uma súplica contra ele, dizendo: “Peço a Allah que faça algum de Seus cães prevalecer sobre ele.”

Utayba partiu rumo à Síria com uma caravana comercial dos coraixitas. Quando estavam passando a noite num lugar chamado Az-Zarqa, um lobo começou a rondar o local onde estavam acampados. Ao vê-lo, Utayba lembrou-se da súplica feita contra ele pelo Mensageiro de Allah (s.a.). Ficou temeroso por sua vida e começou a dizer: “Que minha mãe pereça! Conforme as palavras de Muhammad, esse lobo vai me devorar.” De todo modo, os homens da caravana fizeram com que ele dormisse no meio de todos e também foram dormir. O lobo passou por cima de todos, arrancou Utayba do meio deles e o matou, mordendo-o e dilacerando-o até deixá-lo coberto de sangue.

Fátima bint Rasulillah (s.a.)


Nascimento e ascendência paterna e materna

Fátima (r.a.) nasceu em Umm al-Qura, isto é, na cidade de Meca, cinco anos antes de o nobre Mensageiro de Allah (s.a.) receber a profecia. Seu pai era Sayyid al-Kawnayn, o Mensageiro do Senhor dos mundos, Abu al-Qasim Muhammad ibn Abdullah ibn Abd al-Muttalib; e sua mãe era a líder de todas as mulheres do mundo, a primeira muçulmana, a Mãe dos Crentes Khadija bint Khuwaylid (r.a.). Quando Fátima nasceu, os coraixitas de Meca estavam realizando obras de restauração da sagrada Caaba; isso ocorreu cinco anos antes de o Mensageiro de Allah (s.a.) receber a profecia. Seus nobres pais ficaram imensamente felizes com o nascimento de Fátima. [Siyar A’lam an-Nubala, 2/119] Fátima era a filha mais nova. Embora sua mãe, Khadija (r.a.), tivesse contratado amas de leite para os outros filhos, não entregou Fátima aos cuidados de uma ama. Ela mesma amamentou sua filha caçula, a quem amava profundamente. Assim, Fátima (r.a.) foi criada e cresceu sob os cuidados de seus nobres pais, numa casa pura e santificada, e banhou-se nas límpidas águas da fonte da profecia.

Razões de sua excelência

As razões da grandeza, honra, nobreza e excelência de Fátima (r.a.), das quais se fala, são resumidamente as seguintes:

1. Seu pai é o melhor descendente de Adão, o primeiro pai da humanidade: nosso Grande Profeta Muhammad, Rahmatul lil-‘Alamin, que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele.

2. Sua mãe é a líder das mulheres do mundo, a primeira a abraçar o Islã, a Mãe dos Crentes Khadija bint Khuwaylid, que Allah esteja satisfeito com ela.

3. Seu marido é o líder deste mundo e do Além, o Comandante dos Crentes, ‘Ali, que Allah esteja satisfeito com ele.

4. Seus dois filhos, al-Hasan e al-Husayn, que Allah esteja satisfeito com eles, são os dois grandes líderes dos jovens do Paraíso e as duas flores perfumadas do Mensageiro de Allah.

5. Um de seus avôs é Hamza, que Allah esteja satisfeito com ele, o grande líder dos mártires.

6. Outro de seus avôs é al-‘Abbas ibn ‘Abd al-Muttalib, que Allah esteja satisfeito com ele, protetor da honra e da dignidade dos vizinhos, que gastava seus próprios bens para ajudar as pessoas nas dificuldades, vestia os desnudados e alimentava os famintos e os afligidos pela fome.

7. Um de seus tios é Ja‘far ibn Abi Talib, que Allah esteja satisfeito com ele, o grande líder dos mártires e comandante militar.

Haverá, entre as mulheres do mundo, alguém mais que possua essas glórias?

aceitação do Islã

Depois que a revelação foi enviada ao venerável Mensageiro de Deus (que Deus esteja satisfeito com ele), a Mãe dos Crentes, a venerável Khadija (que Deus esteja satisfeito com ela), foi a primeira a crer nele e a aceitar como verdadeira a sua missão profética. Entre as primeiras mulheres que creram no Mensageiro de Deus (que Deus o abençoe e lhe conceda paz) estavam, em sua totalidade, suas castas e puríssimas filhas. Eram elas: Zaynab, Ruqayya, Umm Kulthum e Fátima (que Deus esteja satisfeito com elas). Elas creram na profecia e na missão de seu pai juntamente com sua nobre mãe, Khadija (que Deus esteja satisfeito com ela).

Ibn Ishaq narrou, por intermédio de Aisha (que Deus esteja satisfeito com ela). Ela disse: Quando Deus conferiu a profecia ao Seu Profeta, Khadija e suas filhas aceitaram o Islã. Assim, as filhas do Mensageiro de Deus (que Deus o abençoe e lhe conceda paz) ingressaram, juntamente com sua mãe, desde o primeiro momento, na esfera do Islã e depositaram sua fé na missão de seu pai. Mesmo antes de receber a profecia, elas já eram adornadas com nobres virtudes morais. Depois do Islã, essas virtudes tornaram-se ainda mais belas e harmoniosas.

O imã az-Zurqani falou, em sua obra Sharh al-Mawahib, sobre a aceitação do Islã por Fátima e suas irmãs desde o primeiro período, nos seguintes termos: «Não há necessidade de mencionar suas filhas. Pois não há dúvida de que, ainda antes da profecia, elas seguiram firmemente e se apegaram com força à vida e à conduta de seu pai.» Em outro trecho, az-Zurqani falou assim sobre a precedência das filhas do Profeta na aceitação do Islã: Em suma, não é necessária nenhuma prova quanto à aceitação antecipada do Islã por parte delas. Por terem crescido no regaço da mais veraz e nobre paternidade e da melhor e mais afetuosa maternidade, receberam de seu pai a melhor das akhlaq, isto é, a moralidade, e de sua mãe receberam uma inteligência sem igual entre qualquer mulher do passado ou do futuro. Portanto, o Islã da família do Profeta, isto é, de suas esposas e filhas, foi um Islã natural e puro, nutrido pela fé e pela profecia. Elas cresceram na grandeza, na dignidade e na elevada moralidade. [Tarajim Sayyidati Bayt an-Nubuwwah, p. 592]

O apoio do pai durante a infância e a adolescência

A revelação foi enviada ao venerável Mensageiro (que Deus o abençoe e lhe conceda paz). Ele começou a convocar as pessoas ao Islã conforme a ordem de Deus, Senhor dos mundos, e dedicou-se inteiramente à propagação e à divulgação do Islã. Por isso, passou a ignorar todas as dores e dificuldades, perigos e adversidades, opressões e perseguições, rejeições, falsas acusações e excessos que enfrentava. Em certo momento, os coraixitas começaram a agir com extrema hostilidade e a cometer grandes excessos contra o Mensageiro de Deus (que Deus o abençoe e lhe conceda paz). Zombavam dele e começaram a incitar as pessoas contra ele. A venerável Fátima (que Deus esteja satisfeito com ela) ainda atravessava a infância. Mesmo tão jovem, a filha Fátima compreendia que seu pai estava passando por uma fase difícil de sua vida. Muitas vezes, ela o acompanhava pelas proximidades, indo de um lado para outro. Certa vez, viu o perverso Uqba ibn Abi Mu’ayt tratar seu pai de uma maneira tão vil que jamais conseguiu esquecer. Esse Uqba era tido como pertencente à tribo coraixita de Meca. Na realidade, sua origem era desconhecida. Ele cresceu como um pecador e malfeitor da pior espécie. Para ocultar a vergonha de sua origem, procurava constantemente, por meio de vários atos perversos e tomando sempre a iniciativa, conquistar o agrado dos líderes coraixitas.

Certa vez, Uqba estava sentado numa reunião dos coraixitas politeístas e perversos de Meca. Alguns líderes coraixitas disseram: «Vejam, Maomé está prostrado. Quem, entre os presentes, pode levar essas entranhas putrefatas de camelo e colocá-las sobre suas costas?» O vil Uqba, demonstrando grande entusiasmo, ofereceu-se para cometer esse ato perverso e disse: «Eu vou.» Então dirigiu-se rapidamente às entranhas apodrecidas, levantou-as e lançou-as sobre as costas de Maomé (que Deus o abençoe e lhe conceda paz), que estava em prostração. De longe, os líderes coraixitas, ao verem a cena, irromperam em gargalhadas. O venerável Mensageiro de Deus (que Deus o abençoe e lhe conceda paz) não se levantou da prostração. A notícia chegou imediatamente à casa e aos ouvidos da venerável Fátima (que Deus esteja satisfeito com ela). Ela correu até lá e, com extremo carinho, removeu com as próprias mãos a sujeira das costas do pai. Depois trouxe água e limpou a sujeira que havia atingido o corpo dele. Em seguida, avançou contra aquele grupo de pecadores e dirigiu-lhes palavras muito duras. [Al-Bidaya wan-Nihaya, 3/44; Hayat as-Sahaba, 1/271]

Depois de terminar a oração, o Mensageiro (que Deus o abençoe e lhe conceda paz) ergueu as duas mãos e fez uma súplica: (Árabe=======)

“Ó Deus! Apanha Shaiba ibn Rabī‘a! Ó Deus! Captura Abū Jahl ibn Hishām! Ó Deus! Dá conta de ‘Uqba ibn Abī Mu‘ayt! Ó Deus! Cuida de Umayya ibn Khalaf!”

Ao ver o Mensageiro de Allah (que a paz esteja com ele) levantar as mãos e fazer essa súplica, o riso dos ímpios cessou. Eles ficaram amedrontados e apreensivos. Allah aceitou a súplica de Seu amado Profeta. Todos os quatro malfeitores mencionados foram mortos em Badr. [Al-Bayhaqī, Dalā’il an-Nubuwwah, 2/278, 280; Al-Bidāya wan-Nihāya, 3/44] É digno de nota que ‘Uqba foi capturado pelos muçulmanos em Badr. O Mensageiro (que a paz esteja com ele) ordenou que ele fosse morto. Então ele disse: “Muhammad! Haverá bolo para minhas filhinhas?” Ele respondeu: “O Inferno.” Em seguida, ele disse: “Mesmo eu sendo coraixita, você vai me matar?” Ele respondeu: “Sim.” Então ele se voltou para os Companheiros e disse: “Vocês sabem como esse homem me tratou? Certo dia, eu estava prostrado atrás do Maqām Ibrāhīm. Nesse momento, ele veio, colocou o pé sobre meu pescoço e pressionou com tanta força que meus dois olhos quase saltaram das órbitas. Em outra ocasião, eu estava em prostração. Então ele trouxe de algum lugar excremento de cabra e o despejou sobre minha cabeça. Fátima correu, removeu aquilo e lavou minha cabeça.” Assim terminou a vida do perverso ‘Uqba pelas mãos dos muçulmanos. [Al-Bidāya wan-Nihāya, 3/44; Hayāt as-Sahāba, 1/271; Nisā’ Mubashsharāt bil-Jannah, 206]

Naquela idade juvenil, Fátima foi certo dia ao pátio da Caaba, segurando a mão de seu pai. Ela viu que, assim que seu pai se aproximou do Hajar al-Aswad, um grupo de politeístas o cercou em conjunto e começou a dizer: “Você não é aquele que diz coisas desse tipo?” Então começaram a enumerar, uma por uma: “Você insulta nossos antepassados, fala dos defeitos de nossos deuses e considera tolos e estúpidos os homens inteligentes e perspicazes.”

Ele respondeu: “Sim, sou eu mesmo.”

Ao ver o que aconteceu em seguida, a respiração da jovem Fátima quase parou. Ela ficou paralisada de medo. Viu que um deles havia enrolado o manto que cobria seu pai em torno de seu pescoço e começara a puxá-lo com força. Enquanto isso, Abū Bakr (que Allah esteja satisfeito com ele), de pé diante deles, dizia em tom extremamente exaltado: “Vocês vão matar um homem apenas porque ele diz: ‘Allah é meu Senhor e Sustentador’?”

Os homens olharam para ele com olhares faiscantes de ira. Agarraram-no pela barba e o sacudiram; depois abriram-lhe a cabeça, fazendo o sangue escorrer. [Ibn Hishām, As-Sīrah an-Nabawiyyah, 1/310]

Assim, Abū Bakr (que Allah esteja satisfeito com ele), naquele dia, arriscou a própria vida e livrou Muhammad (que a paz esteja com ele) das mãos dos ímpios. Depois de ser libertado, ele tomou o caminho de casa. Fátima caminhou atrás de seu pai. Todos os homens livres e escravos que encontraram pelo caminho lhe causaram grande sofrimento, lançando contra ele diversos comentários obscenos. O Mensageiro (que a paz esteja com ele) foi diretamente para casa e se deixou cair na cama, em estado de extrema prostração física. Esse acontecimento ocorreu diante dos olhos da jovem Fátima. [Tarājim Sayyidāti Bayt an-Nubuwwah, 592]

Fátima no Shi‘b Abī Tālib

Os coraixitas escolheram um novo método para perseguir o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Dessa vez, sua perseguição também se estendeu aos Banū Hāshim e aos Banū ʿAbd al-Muṭṭalib. Os idólatras de Meca tomaram a firme decisão de boicotá-los. Até que o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) se submetesse a eles, cessariam todo comércio, conversa e convivência com eles. Com exceção de Abū Rahab, os Banū Hāshim e os Banū ʿAbd al-Muṭṭalib refugiaram-se nos arredores de Meca, em “Shiʿb Abī Ṭālib”. Eles foram mantidos sitiados ali. A vida sob cerco assumiu, em certo momento, uma forma terrível. Mesmo de fora do “shiʿb”, naquela época podiam-se ouvir os lamentos e choros de mulheres e crianças consumidas pela fome. Fátima (que Allah esteja satisfeito com ela) também estava entre os sitiados. Esse cerco teve um efeito terrível sobre sua saúde. A desnutrição que sofreu ali a acompanhou por toda a vida. O cerco durou aproximadamente três anos. [Nisāʾ Mubashshirāt bil-Jannah, p. 206]

Para esquecer as dores e tristezas da vida sob cerco, ela enfrentou outra grande aflição. A amada mãe, Khadīja (que Allah esteja satisfeito com ela), que cuidara de todos eles e, com extrema discrição, desempenhara todas as responsabilidades da abençoada casa do Profeta, faleceu. Parecia ter deixado sobre sua filha Fátima todas as responsabilidades do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Ela permaneceu ao lado do pai com extrema autoconfiança e firmeza. Passou a receber dele ainda mais carinho e afeto. Até a Hégira para Medina, continuou contribuindo como auxiliar nas atividades de pregação do pai em Meca. Por essa razão, recebeu o apelido de “Ummu Abīhā” (a mãe de seu pai). [Ibid., p. 207; Usud al-Ghābah, 5/250; al-Iṣābah, 4/450]

A Hégira e Fátima

Na noite em que o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) migrou para Medina, Fátima (que Allah esteja satisfeito com ela) testemunhou de muito perto o papel corajoso desempenhado por ʿAlī (que Allah esteja satisfeito com ele). Arriscando a própria vida, ʿAlī deitou-se no leito do Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) com o objetivo de enganar os cruéis coraixitas. Fátima também estava em casa naquela noite terrível. Ela rejeitou destemidamente toda a pressão dos coraixitas. Depois, ʿAlī permaneceu três dias em Meca, devolveu aos seus proprietários os bens e valores que haviam sido confiados ao Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) e partiu para Medina.

Fátima e sua irmã Ummu Kulthūm permaneceram em Meca. Depois que o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) se estabeleceu um pouco em Medina, enviou um Companheiro para buscar os membros de sua família. Isso ocorreu no décimo terceiro ano da missão profética. Fátima tinha então dezoito anos. Ao chegar a Medina, viu que os emigrantes haviam encontrado paz e segurança ali. Em meio à solidão de uma terra estrangeira e desconhecida, haviam estabelecido laços de fraternidade. Ele próprio havia escolhido ʿAlī (que Allah esteja satisfeito com ele) como seu irmão na religião. [Ibn Hishām, 2/150; al-Istīʿāb, 3/198]

Casamento

Fátima (que Allah esteja satisfeito com ela) casou-se com ʿAlī (que Allah esteja satisfeito com ele) no segundo ano da Hégira, depois da Batalha de Badr. Há uma pequena divergência entre os especialistas em biografia quanto ao ano e à data exatos do casamento, bem como às idades de Fátima e ʿAlī na ocasião. Segundo uma opinião, o casamento ocorreu depois da Batalha de Uḥud. Também foi narrado que o casamento de ʿAlī e Fátima ocorreu quatro meses depois de o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) levar ʿĀʾishah (que Allah esteja satisfeito com ela) para sua casa, e que a consumação ocorreu nove meses depois do casamento. Fátima tinha quinze anos e cinco meses e meio, e ʿAlī tinha vinte e um anos e cinco meses no momento do casamento. [Aʿlām an-Nisāʾ, 4/109] Ibn ʿAbd al-Barr, em sua obra al-Istīʿāb, e Ibn Saʿd, em sua obra Ṭabaqāt, mencionam que ʿAlī (que Allah esteja satisfeito com ele) se casou com Fátima (que Allah esteja satisfeito com ela) no mês de Rajab, cinco meses depois da chegada do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) a Medina, e que a consumação ocorreu depois de seu retorno da Batalha de Badr. Fátima tinha então dezoito anos. No Tārīkh de al-Ṭabarī, afirma-se que a consumação de ʿAlī e Fátima (que Allah esteja satisfeito com ambos) ocorreu no mês de Dhū al-Ḥijjah, vinte e dois meses após a Hégira, no segundo ano da Hégira. Na época do casamento, ʿAlī (que Allah esteja satisfeito com ele) era quatro anos mais velho que Fátima. [Ibid.; Ṭabaqāt, 8/11; Nisāʾ Mubashshirāt bil-Jannah, p. 208]

Companheiros de elevada posição, como Abū Bakr (que Allah esteja satisfeito com ele) e ʿUmar (que Allah esteja satisfeito com ele), também desejavam ter Fátima (que Allah esteja satisfeito com ela) como esposa. Eles chegaram a apresentar propostas ao Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), mas ele as recusou com extrema humildade e gentileza. Está registrado no Mustadrak de al-Ḥākim e no Sunan de an-Nasāʾī que Abū Bakr e ʿUmar (que Allah esteja satisfeito com ambos) fizeram propostas de casamento por Fátima. O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse-lhes: “Ela ainda é jovem.” Segundo uma narração, Abū Bakr apresentou sua proposta, e o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: “Ó Abū Bakr! Aguarde a decisão de Allah a respeito dela.” Abū Bakr (que Allah esteja satisfeito com ele) contou isso a ʿUmar (que Allah esteja satisfeito com ele), e ʿUmar disse: “Ele rejeitou sua proposta.” Então Abū Bakr disse a ʿUmar: “Agora apresente você uma proposta de casamento por Fátima ao Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele).” ʿUmar apresentou a proposta. O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse a ʿUmar exatamente as mesmas palavras com que havia respondido a Abū Bakr. Quando ʿUmar (que Allah esteja satisfeito com ele) contou isso a Abū Bakr, ele comentou: “ʿUmar, ele também rejeitou sua proposta.” Então ʿUmar (que Allah esteja satisfeito com ele) disse a ʿAlī (que Allah esteja satisfeito com ele): “Você é o pretendente adequado para Fátima.” ʿAlī respondeu: “Entre os meus bens, não tenho nada além desta armadura.” Há várias narrações sobre como ocorreu o casamento de ʿAlī e Fátima. Elas são bastante semelhantes. Aqui são apresentadas algumas delas.

Segundo uma narrativa registrada nas obras Tabacates de Ibn Sa‘d e Usud al-Ghāba, ‘Alī (que Allah esteja satisfeito com ele), seguindo o conselho de ‘Umar, foi ao Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) para pedir Fátima em casamento. O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) imediatamente, por iniciativa própria, propôs o casamento de Fátima a ‘Alī (que Allah esteja satisfeito com ele). O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) imediatamente, por iniciativa própria, casou Fátima com ‘Alī. Quando essa notícia chegou aos ouvidos de Fátima, ela começou a chorar. Então o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) foi até Fátima e lhe disse: “Fátima! Casei você com o homem mais sábio, mais perspicaz e o primeiro a aceitar o Islã.” Em outra narrativa, consta que, depois de ‘Alī fazer o pedido, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: “Fátima! ‘Alī se lembrou de você.” Fátima permaneceu em silêncio, sem dar qualquer resposta. Então o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) concluiu o casamento.

Outra narrativa é a seguinte: alguns homens dos Ansar de Medina disseram a ‘Alī: “Você tem Fátima à sua disposição.” Depois disso, ‘Alī foi ao Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: “O que deseja o filho de Abu Talib?” ‘Alī falou sobre Fátima. O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: “Marhaban wa ahlan” (“Seja bem-vindo à família”). Não disse mais nada. ‘Alī levantou-se e foi até aquele grupo de Ansar que o aguardava. Eles perguntaram: “Quais são as novidades?” ‘Alī respondeu: “Não sei. Ele não me disse nada além de ‘Marhaban wa ahlan’.” Eles disseram: “Não é suficiente que o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) lhe tenha dito isso? Ele lhe deu as boas-vindas como membro da família.” Sobre como ocorreu o casamento com Fátima, a narrativa de ‘Alī (que Allah esteja satisfeito com ele) é a seguinte: chegou ao Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) um pedido de casamento por Fátima. Então uma de minhas servas me disse: “Você sabe que chegou ao Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) um pedido de casamento por Fátima?”

Eu disse: “Não.”

Ela disse: “Sim, chegou um pedido. Por que você não vai ao Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele)? Se você for, o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) casará Fátima com você.”

Eu disse: Tenho alguma coisa com que possa me casar?

Ela disse: Se você for até o Mensageiro de Allah, ele certamente a casará com você.

‘Alī (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: Por Allah, ela continuou a me dar esperança e confiança dessa maneira. Por fim, certo dia fui até o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Depois que me sentei diante dele, fiquei como um mudo. Por causa de sua grandeza, da solenidade que havia nele e do temor que inspirava, não consegui dizer palavra alguma. Em certo momento, ele mesmo me perguntou: Por que você veio? Tem alguma necessidade? ‘Alī (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: Permaneci calado. O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: Certamente você veio pedir Fátima em casamento?

Eu disse: Sim. Ele disse: Você tem algo com que possa torná-la lícita para si? Eu disse: Por Allah, ó Mensageiro de Allah! Não tenho. Ele disse: O que você fez com a couraça que eu lhe dei?

Eu disse: “Isso está comigo.” Juro por Aquele em cujas mãos está a vida de ‘Alī: trata-se de uma armadura “ḥuṭamī”. Seu valor não chegaria sequer a quatro dirrames.

O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: “Eu te casei com Fāṭimah em troca dela. Envia-a a ela e, por meio dela, torna lícita a união com ela.”

‘Alī (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: “Este foi o dote de Fāṭimah, filha do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele).” [Dalā’il an-Nubuwwah, 3/160; Usud al-Gābah, 5/250; Al-Bidāyah wa an-Nihāyah, 3/346; Ṭabaqāt, 8/12]

‘Alī (que Allah esteja satisfeito com ele) foi rapidamente para casa e trouxe a armadura. O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) ordenou que ela fosse vendida para comprar os artigos necessários para adornar a noiva. [Ṣaḥīḥ al-Bukhārī, Kitāb al-Buyū‘; Sunan an-Nasā’ī, Kitāb an-Nikāḥ; Musnad Aḥmad, 1/93, 104, 108] ‘Uthmān ibn ‘Affān (que Allah esteja satisfeito com ele) comprou a armadura por quatrocentos e setenta (470) dirhams. Esse dinheiro foi entregue ao Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Ele ordenou a Bilāl (que Allah esteja satisfeito com ele) que comprasse com parte dele perfumes e fragrâncias, e que entregasse o restante a Umm Salamah (que Allah esteja satisfeito com ela), para que ela comprasse com ele os artigos necessários para adornar a noiva.

Quando tudo estava preparado, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) mandou chamar os Companheiros. Quando eles chegaram, anunciou que havia casado sua filha Fāṭimah com ‘Alī (que Allah esteja satisfeito com ele) em troca de quatrocentos mithqāl de prata. Em seguida, conforme o costume árabe, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), representando a família da noiva, e o noivo ‘Alī (que Allah esteja satisfeito com ele) proferiram breves sermões. Depois, foi apresentada aos nobres Companheiros convidados uma vasilha cheia de tâmaras. [Tarājim Sayyidāt Bayt an-Nubuwwah, 607]

O sermão proferido pelo Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) no casamento de Fāṭimah e ‘Alī (que Allah esteja satisfeito com ele): [Jamharat Khuṭab al-‘Arab, 3/344] (Árabe==========)

“Todos os louvores pertencem a Allah, que é louvado por Suas dádivas e Sua graça; Ele é adorado pelo poder e pela força, temido por causa de Seu castigo e esperado por tudo o que está junto d’Ele. Nos céus e na terra, Ele executa Seu decreto. Com Seu poder e Sua força, criou este universo; depois, distinguiu suas criaturas por meio de mandamentos e proibições, fortaleceu-as por meio da religião e honrou-as por meio de Seu Profeta Muḥammad (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Em seguida, Allah, o Altíssimo, estabeleceu o casamento como meio de preservar as gerações futuras e como uma obrigação. Por meio dele, ligou os laços de sangue uns aos outros. E tornou esse sistema obrigatório para as criaturas.”

“Aquele cujo nome é sumamente abençoado e cuja lembrança é sublime disse: ‘E foi Ele quem criou do líquido o ser humano e estabeleceu para ele laços de parentesco e de afinidade. Teu Senhor é Onipotente.’ Portanto, o decreto de Allah dirige-se ao desfecho final. Cada desfecho final tem um prazo determinado, e cada prazo determinado tem um fim. ‘Allah apaga o que quer e confirma o que quer, e junto d’Ele está a Mãe do Livro.’”

Depois disso, meu Senhor ordenou-me que casasse Fátima com Ali. E eu a casei com ele pelo dote de quatrocentos mithqals de prata — se Ali estivesse de acordo com isso.

Após o khutba do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), o noivo Ali (que Allah esteja satisfeito com ele), segundo o costume dos árabes daquela época, proferiu um breve khutba. Primeiro, louvou e glorificou Allah e apresentou bênçãos e saudações ao Mensageiro. Depois disse: [obra citada-3/345] (Árabe============)

“Esta nossa reunião foi determinada por Allah, e Ele se agradou dela. E o casamento é aquilo que Allah ordenou e para o qual concedeu permissão. Eis que Muhammad, que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele, casou-me com sua filha Fátima pelo dote de quatrocentos e oitenta dirhams. Estou de acordo com isso. Portanto, perguntem-lhe; como testemunha, Allah é suficiente.”

Assim, de maneira extremamente simples e despretensiosa, realizou-se o abençoado casamento de Ali com Fátima az-Zahra, filha do Profeta. Em outras palavras, estabeleceu-se a mais grandiosa e gloriosa relação conjugal de toda a longa história do Islã.

Vida conjugal

Esse casamento realizou-se no mês de Rajab, depois que chegaram a Medina. No segundo ano da Hégira, após a Batalha de Badr, Ali (que Allah esteja satisfeito com ele) conseguiu alugar uma casa para levar sua esposa. Não havia nela nenhum sinal de riqueza ou luxo. Era uma casa extremamente simples. Não havia ali móveis valiosos, cama, colchão, almofada ou qualquer outra coisa. Ali possuía apenas uma pele de carneiro: estendia-a para dormir à noite e, durante o dia, ela era usada como odre. Não havia criados. [A‘lām an-Nisā’ – 4/109; Tabaqāt-8/13; Sahābiyyāt-148] Asmā’ bint ‘Umays (que Allah esteja satisfeito com ela), que presenciou o casamento de Ali e Fátima (que Allah esteja satisfeito com ambos) e a preparação de seu quarto nupcial, disse que eles não tinham nada além de almofadas e roupa de cama recheadas com fibras de tamareira. Também se diz que, naquela época, não houve banquete de casamento melhor que o de Ali (que Allah esteja satisfeito com ele). Podemos imaginar como foi esse banquete por meio do seguinte relato: Ali (que Allah esteja satisfeito com ele) penhorou uma de suas armaduras a um judeu e trouxe um pouco de cevada. [Tabaqāt-8/23] Não é difícil imaginar, por meio desse relato, como deve ter sido a refeição da noite nupcial deles.

Entretanto, por ocasião desse casamento, os Banū ‘Abd al-Muttalib ofereceram um banquete tão grandioso que, segundo dizem, nunca antes haviam realizado algo semelhante. Segundo os relatos de Sahihain e al-Isābah, Hamza (que Allah esteja satisfeito com ele), tio tanto de Muhammad (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) quanto de Ali, sacrificou duas camelas velhas e alimentou os parentes. [Tarājim Bayt an-Nubuwwah-607]

Quando terminaram as formalidades do casamento, os parentes e convidados que haviam chegado despediram-se um a um, desejando felicidade e bênçãos ao recém-casado. O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) chamou Umm Salama (que Allah esteja satisfeito com ela) e pediu-lhe que acompanhasse a noiva até a casa de Ali. Disse-lhes também que esperassem ali pela sua chegada.

Bilal (que Allah esteja satisfeito com ele) fez o chamado para a oração do ‘Isha. O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) conduziu a oração em congregação na mesquita. Depois, foi à casa de ‘Ali (que Allah esteja satisfeito com ele). Pediu que trouxessem um pouco de água. Quando a água foi trazida, recitou algumas aleyas do Alcorão sobre ela e soprou nela. Pediu que os noivos bebessem daquela água. Com o restante, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) fez a ablução em um recipiente colocado abaixo. Em seguida, aspergiu aquela água sobre a cabeça de ambos. Depois, levantou-se para partir, recitando esta súplica: [A‘lam an-Nisa’-4/109]

‘Ó Allah! Concede bênçãos a ambos. Ó Allah! Concede o bem a ambos. Ó Allah! Concede prosperidade à sua descendência.’

Outra narração relata que, ao partir, ele disse à filha: “Fátima! Não cometi nenhum erro ao casá-la com o melhor membro da minha família.” [Tabaqat-8/15, 28]

Fátima não conseguiu conter as lágrimas. O pai ficou em silêncio por alguns instantes. Depois, para aliviar o ambiente, disse à filha, com profunda emoção: “Estou deixando você sob a responsabilidade do homem de fé mais forte, de maior conhecimento, de melhor caráter e de espírito mais elevado.” [Tarajimu Sayyidati Bayt an-Nubuwwah-608]

Diante da dura realidade da pobreza

Na casa do marido para onde Fátima foi, deixando a casa paterna, não havia abundância alguma. Pelo contrário, seria apropriado dizer que ali existia a dura realidade da pobreza. Nessa questão, a situação financeira dos maridos de suas outras irmãs era comparativamente muito melhor. Zaynab casou-se com Abu al-‘As. As outras duas casaram-se com os dois filhos de ‘Abd al-‘Uzza ibn ‘Abd al-Muttalib, um dos homens muito ricos de Meca. Depois que se separaram por causa do Islã, ambas se casaram, uma após a outra, com ‘Uthman ibn ‘Affan (que Allah esteja satisfeito com ele). E ‘Uthman (que Allah esteja satisfeito com ele) era um homem rico. Em comparação com eles, ‘Ali (que Allah esteja satisfeito com ele) era um homem extremamente pobre. Ele não possuía qualquer riqueza adquirida por si mesmo, nem havia recebido coisa alguma por herança. Seu pai era o homem mais respeitado de Meca, mas não era dono de grande riqueza. Além disso, tinha muitos filhos. Por isso, para aliviar seu encargo, Muhammad (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) e seu tio ‘Abbas assumiram a criação de dois de seus filhos. Assim, ‘Ali (que Allah esteja satisfeito com ele) passou a integrar a família de Muhammad (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele).

Pode surgir aqui a pergunta: por que um jovem inteligente, de família nobre de Meca, como ‘Ali (que Allah esteja satisfeito com ele), viveu em uma pobreza tão extrema? A resposta pode ser encontrada na própria vida de ‘Ali (que Allah esteja satisfeito com ele). Muhammad (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) tornou-se Mensageiro. Entre os jovens, ‘Ali (que Allah esteja satisfeito com ele) foi o primeiro a crer nele. Segundo o relato de Ibn Ishaq, ele tinha então dez anos de idade. [Ibid.-612] A partir daquele momento, passou a estar ligado à vida do Profeta Muhammad (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Diante de todas as duras realidades enfrentadas pelo Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), e considerando a maneira como a vida de ‘Ali (que Allah esteja satisfeito com ele) começou, onde ele teria encontrado oportunidade para se dedicar a essa atividade? Muitos anos se passaram enfrentando e resistindo aos coraixitas de Meca. Ele foi para Medina de mãos completamente vazias. Ali, envolveu-se novamente no trabalho de da‘wah, em um lugar novo e de uma maneira nova. Nesse meio-tempo, ocorreu a Batalha de Badr. Ele foi à batalha. Depois da batalha, como parte dos espólios, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) deu-lhe uma armadura. Foi a primeira vez que ele se tornou proprietário de algum bem.

Fátima sabia que ‘Ali (que Allah esteja satisfeito com ele) era um homem extremamente pobre. Portanto, se o relato de Baladhuri for autêntico, quando o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) falou a Fátima sobre a proposta de ‘Ali, ela mencionou a pobreza dele. Em resposta, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse:

Ele será um líder neste mundo e, na outra vida, será um dos homens verdadeiros. Entre os Companheiros, seu conhecimento é o maior. Ele também é muito perspicaz. Além disso, foi o primeiro a abraçar o Islã.’[mesma fonte; Hayat as-Sahabah-3/256]

Este relato pode até ser verdadeiro. Afinal, não é estranho que a pobreza e a necessidade sejam levadas em consideração em uma situação como essa de casamento.

Fátima (r.a.) foi para a casa do marido aos dezoito anos. Todos os historiadores afirmam que ali não havia absolutamente nenhum luxo ou riqueza. Ao chegar àquela casa, encontrou um travesseiro de couro cheio de fibras de tamareira, uma cama, um par de moinhos manuais, dois odres, dois recipientes para água e perfume. Devido à pobreza, o marido não pôde contratar nenhum criado ou criada para ajudá-la nas tarefas domésticas ou para realizar os trabalhos mais pesados. Fátima (r.a.) realizava sozinha todo tipo de tarefa. De tanto girar o moinho, suas mãos ficaram calejadas; de tanto carregar odres cheios de água, ficaram marcas em seu ombro; e, de tanto varrer a casa, suas roupas ficavam sujas.[Tabaqat-8/159; Al-Isabah-4/450] Ali (r.a.) não conseguia aceitar que ela trabalhasse assim. Mas também não havia nada que pudesse fazer. Ajudava-a pessoalmente tanto quanto podia. Estava sempre atento à saúde de Fátima, pois, tendo sofrido desnutrição durante a vida em Meca em razão de várias adversidades, ela havia ficado bastante debilitada. Trabalhando assim, os dois, dentro e fora de casa, ficaram muito cansados. Certo dia, Ali (r.a.) disse à sua mãe, Fátima bint Asad ibn Hashim: “Ajuda a filha do Mensageiro de Allah (s.a.w.) a trazer água e nas outras tarefas externas, e Fátima te ajudará a moer o trigo e a fazer o pão em casa.” Nessa época, o pai de Fátima, o Mensageiro de Allah (s.a.w.), retornou a Medina vitorioso de uma batalha, trazendo muitos espólios de guerra e prisioneiros. Certo dia, Ali (r.a.) disse: “Fátima! Sinto muita tristeza ao ver o teu sofrimento. Allah, o Altíssimo, concedeu alguns prisioneiros de guerra. Se fosses ao teu pai pedir um escravo prisioneiro para te servir!” Fátima, exausta, enquanto afastava o moinho manual que estava em suas mãos, disse: “Irei, se Allah quiser.” Depois de descansar um pouco no pátio da casa, cobriu o corpo e a cabeça com um manto e dirigiu-se lentamente à casa paterna. Ao vê-la, o pai perguntou com voz carinhosa: “Minha filha, por que vieste?” Fátima respondeu: “Vim saudar-te.” Por vergonha, não conseguiu dizer ao pai o que desejava. Voltou para casa e contou o ocorrido ao marido. Então Ali (r.a.) levou Fátima consigo ao Mensageiro de Allah (s.a.w.). Diante do pai, Fátima baixou o rosto, envergonhada, e desta vez contou-lhe sua necessidade. O pai disse-lhe: “Juro por Allah! Não vos darei sequer um escravo. O povo de Ahl as-Suffah está sofrendo terrivelmente de fome. Não consigo fazer nada por eles. Venderei estas coisas e gastarei o dinheiro com eles.”

Ao ouvirem isso, marido e mulher agradeceram ao pai e voltaram para casa. No entanto, o pai amoroso não conseguiu ficar completamente tranquilo por tê-los mandado de volta de mãos vazias. Durante todo o dia, o rosto da querida filha, exausta pelo trabalho, permaneceu diante de seus olhos.

Anoiteceu. O frio também era intenso. Ali e Fátima tentavam dormir deitados sobre uma cama dura. Mas seria possível dormir com tanto frio? Nesse momento, ouviram alguém bater à porta. Assim que a abriram, viram o pai, Muhammad Mustafa (s.a.w.), de pé. Ele percebeu que, naquele frio intenso, o cobertor com que a filha e o genro tentavam dormir era tão pequeno que os dois só conseguiam permanecer encolhidos de algum modo. Quando o puxavam para cobrir a cabeça, os pés ficavam descobertos; quando o deslocavam para os pés, a cabeça ficava descoberta. Eles se apressaram para receber devidamente aquele ilustre visitante. Ele lhes disse que não se incomodassem e permanecessem como estavam. Compreendeu profundamente a situação deles, com todo o coração, e então disse em tom suave: “Quereis que eu vos ensine algo melhor do que aquilo que me pedistes?”

Ambos disseram ao mesmo tempo: “Dizei-nos, ó Mensageiro de Allah!”

Ele disse: “Jibril ensinou-me estas palavras: após cada oração, vós dois deveis dizer dez vezes Subhanallah, dez vezes Alhamdulillah e dez vezes Allahu Akbar. E, à noite, quando fordes dormir na cama, dizei Subhanallah trinta e três vezes, Alhamdulillah trinta e três vezes e Allahu Akbar trinta e quatro vezes.” Depois de dizer isso, ele partiu rapidamente, deixando a filha e o genro.[Este hadith foi narrado em Sahih al-Bukhari e Sahih Muslim. Ver também Tabaqat-8/25; A’lam an-Nisa’-4/111.]

Mesmo após um terço de século desde esse acontecimento, ainda se ouvia o Imam Ali (r.a.) mencionar essas palavras ensinadas pelo Mensageiro de Allah (s.a.w.). Ele costumava dizer: “Desde que o Mensageiro de Allah (s.a.w.) nos ensinou essas palavras, até hoje não deixei de recitá-las sequer por um dia.” Certa vez, um iraquiano perguntou: “Nem mesmo naquela terrível noite da batalha de Siffin?” Ele respondeu com grande ênfase: “Nem mesmo naquela noite de Siffin.”[Sahih Muslim; ad-Du’a, vol. 4, hadith n.º 2091; Tabaqat-8/19]

Pode-se mencionar outro episódio a esse respeito. Certa vez, Ali (que Allah esteja satisfeito com ele) passou por extrema pobreza e necessidade. Um dia, disse à sua esposa Fátima (que Allah esteja satisfeito com ela): “Seria bom se você fosse até o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) e pedisse alguma coisa para trazer.” Fátima (que Allah esteja satisfeito com ela) foi. Naquele momento, Umm Ayman (que Allah esteja satisfeito com ela) estava sentada junto do Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Fátima bateu à porta. O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse a Umm Ayman: “Certamente, esta é a batida da mão de Fátima. Ela veio até nós num momento em que normalmente não costuma vir.” Fátima (que Allah esteja satisfeito com ela) entrou e disse: “Ó Mensageiro de Allah! O alimento dos anjos consiste em tasbih, tahlil e tahmid. Mas qual é o nosso alimento?” Ele respondeu: “Juro por Aquele que me enviou com a verdade: há trinta dias que não se acende fogo na cozinha da família de Muhammad. Algumas cabras chegaram para mim; se quiser, posso dar-lhe cinco cabras. E, se preferir, em vez disso posso ensinar-lhe cinco palavras que Jibril me ensinou.”

Fátima (que Allah esteja satisfeito com ela) disse: “Ensine-me, antes, aquelas cinco palavras que Jibril lhe ensinou.” O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: “Diga (árabe========)”

Depois de aprender essas cinco palavras, Fátima (que Allah esteja satisfeito com ela) voltou para junto de Ali (que Allah esteja satisfeito com ele). Ao vê-la, Ali (que Allah esteja satisfeito com ele) perguntou: “Quais são as novidades?” Fátima respondeu: “Eu havia ido até você com a expectativa de obter o mundo, mas voltei trazendo a vida futura.” Ali (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: “Este é o melhor dia da sua vida.”[Kanz al-‘Ummal-1/302; Hayat as-Sahaba-1/43]

Pequenas desavenças conjugais

Desde a adolescência, quando começou a adquirir algum discernimento e conhecimento, até chegar à juventude, Fátima — que Allah esteja satisfeito com ela — não soube o que eram alegria e diversão. Enquanto seu pai estivesse perto ou longe dela, sua preocupação e ansiedade por ele não tinham fim. Quando ele partia para a guerra, isso aumentava cem vezes. Além disso, por ter protegido o pai desde a infância, formou-se também dentro dela um espírito combativo. Por isso, sempre que tinha oportunidade, corria para o campo de batalha. Na batalha de Uhud, por isso, foi vista enfaixando os guerreiros feridos, aplicando remédios em seus ferimentos e dando água aos mártires que estavam à beira da morte. Quando estava em casa, desejava do marido um tratamento afetuoso e carinhoso. Mas, diante da história da vida de Ali (que Allah esteja satisfeito com ele), onde havia espaço para essa suavidade? Toda a sua vida era uma luta árdua; portanto, não era estranho que houvesse nele certa dureza. Como resultado, o relacionamento entre os dois às vezes se tornava tenso. Isso também chegava aos ouvidos do pai. Ele ia até lá e, com paciência, reconciliava os dois.

Foi narrado que, certo dia, ao entardecer, viram o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) dirigir-se apressadamente à casa de sua filha, com preocupação e ansiedade estampadas no rosto. Pouco depois, quando saiu de lá, parecia bastante alegre. Os nobres Companheiros disseram: “Ó Mensageiro de Allah! Vimos você entrar num estado e agora está saindo alegre e sorridente!”

Ele respondeu: “Como eu não ficaria feliz por ter reconciliado as duas pessoas que mais amo?”[Tabaqat-8/499; Al-Isaba-4/368; A‘lam an-Nisa’-4/11]

Certa outra vez, Fátima (que Allah esteja satisfeito com ela) ficou magoada com a dureza de Ali (que Allah esteja satisfeito com ele). Ela disse: “Vou apresentar uma queixa ao Mensageiro de Allah” — e saiu de casa dizendo isso. Ali (que Allah esteja satisfeito com ele) foi atrás dela. Fátima contou ao pai o motivo de sua irritação com o marido, e o nobre pai, explicando-lhe com muita suavidade, conseguiu deixá-la satisfeita. No caminho de volta para casa com a esposa, Ali (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: “Juro por Allah! Nunca mais farei algo que a deixe descontente.”[Tabaqat-8/26; Al-Isaba-4/368]

A intenção de Ali (que Allah esteja satisfeito com ele) de se casar novamente durante a vida de Fátima

Mesmo sem querer, Fátima (que Allah esteja satisfeito com ela) deparava-se com acontecimentos que a deixavam profundamente perturbada. Fátima jamais conseguia aceitar que seu marido se casasse novamente e trouxesse outra esposa para casa. Ali (que Allah esteja satisfeito com ele) decidiu casar-se outra vez. Fez um cálculo simples: segundo a lei da Sharia, era permitido casar-se novamente. Assim como era permitido a outros muçulmanos manter quatro esposas ao mesmo tempo, não havia nada de errado em trazer outra esposa para a casa juntamente com a filha do Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Ele pensou que, com isso, Fátima não ficaria tão zangada com ele, pois havia exemplos disso na própria família de seu pai. Aisha, Hafsa e Umm Salama (que Allah esteja satisfeito com elas) viviam juntas. Além disso, certa vez, quando uma mulher da tribo de Banu Makhzum roubou, os parentes dela pediram ao Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), por intermédio de Usama ibn Zayd, que a pena fosse perdoada. Então o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: “Estás intercedendo para suspender uma pena determinada por Allah?” Em seguida, fez um discurso aos presentes, dizendo: “Muitas nações anteriores a vós foram destruídas porque, quando uma pessoa honrada entre elas roubava, deixavam-na impune; mas, quando alguém fraco roubava, aplicavam-lhe o hadd, a pena prescrita. Por Allah! Mesmo que Fátima, filha de Muhammad, roubasse, eu cortaria sua mão.” [Sahih al-Bukhari: Al-Anbiya; Muslim: Al-Hudud; Tarajim Sayyidati Bayt an-Nubuwwah, p. 618] Por meio dessa declaração, Ali chegou à conclusão de que Fátima também era como qualquer outra mulher muçulmana.

Com base nesse raciocínio simples, Ali (que Allah esteja satisfeito com ele) pensou em se casar novamente, mas nem em sua imaginação previa que a reação seria tão grave. Assim que se tornou público que ele enviaria uma proposta de casamento à filha de Amr ibn Hisham ibn al-Mughira al-Makhzumi, Fátima explodiu de indignação e agitação. O Mensageiro também (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) ficou irado. Ao ouvir que Ali pretendia casar-se com a filha de Amr ibn Hisham, isto é, Abu Jahl, Fátima correu até o pai e, em tom de queixa, disse: “Os membros de sua comunidade pensam que, mesmo quando os interesses de sua filha são prejudicados, você não fica zangado. Agora este Ali está se casando com a filha de Abu Jahl.” [Nisa’ Mubashsharat bil-Jannah, p. 215]

Ao ouvir isso, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) ficou extremamente irritado. Mas a questão era bastante complexa, pois também envolvia o direito de Ali (que Allah esteja satisfeito com ele). Mesmo mantendo Fátima, Ali podia casar-se com mais de uma mulher. Allah lhe havia concedido esse direito. Como o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) poderia impedi-lo de exercer esse direito? Por outro lado, também era uma grande tristeza que sua filha, pedaço de seu coração, tivesse de dividir a casa com uma coesposa. Assim, havia outro aspecto do problema: a noiva pretendida por Ali era filha de Abu Jahl, Amr ibn Hisham. Poderiam a filha do Mensageiro de Allah e a filha do inimigo de Allah viver juntas, como esposas, na casa de Ali?

Este era Abu Jahl, cuja extrema inimizade contra o Islã e cuja implacável opressão e perseguição contra o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) e os muçulmanos ainda não haviam sido apagadas da memória do Profeta e dos muçulmanos. Certo dia, esse inimigo de Allah disse aos coraixitas: “Ó membros da tribo de Quraysh! Vedes este Muhammad persistir em descrever os defeitos de nossos deuses, insultar nossos antepassados e chamar de tolos e estúpidos os nossos homens sensatos. Juro por Allah que amanhã me sentarei com uma grande pedra que eu seja capaz de carregar. Quando ele se prostrar, esmagarei sua cabeça com essa pedra. Depois disso, entregai-me aos Banu Abd Manaf ou protegei-me deles; fazei o que quiserdes.” [Ibn Hisham, As-Sirah, 1/319; Tarajim Sayyidati Bayt an-Nubuwwah, p. 619]

Nas assembleias dos coraixitas, ele costumava zombar do Profeta Muhammad (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), dizendo: “Ó membros da tribo de Quraysh! Muhammad afirma que os soldados de Allah que vos castigarão e manterão cativos no Inferno são apenas dezenove. Vós sois muito mais numerosos do que eles. Será que, para cada cem de vós, não conseguireis deter um deles?” Então foi revelado este versículo do Alcorão: (árabe=========)

“Fiz dos anjos os guardiões do Inferno e mencionei esse número apenas como uma prova para os incrédulos.” [Ibn Hisham, As-Sirah, 1/333, 335]

Este era Abu Jahl que, quando Akhnas ibn Murayq lhe perguntou sobre o Alcorão que ouvira, disse: “O que ouviste? Nós e os Banu Abd Manaf competimos uns com os outros por prestígio. Eles alimentavam as pessoas, e nós também as alimentávamos. Eles assumiam a responsabilidade pelas pessoas, e nós também a assumíamos. Eles davam presentes às pessoas, e nós também dávamos. Assim, quando nos tornamos iguais, como dois cavalos numa corrida, eles disseram: ‘Há um profeta entre nós; a revelação desce do céu sobre ele.’ Como poderemos obter um profeta agora? Por Allah! Jamais acreditarei nele nem o considerarei digno de confiança.” [Tarajim Sayyidati Bayt an-Nubuwwah, p. 620]

Este era Abu Jahl, que, ao ouvir que alguma pessoa de elevada posição havia aceitado o Islã, ameaçava-a, humilhava-a e a insultava. Dizia: “Abandonaste o teu pai, que era melhor do que tu? Divulgaremos a tua inteligência como estupidez, estabeleceremos que as tuas opiniões e decisões estão repletas de erros e reduziremos a nada a tua honra e o teu prestígio.”

E, se algum comerciante aceitasse o Islã, dizia-lhe: “Juro por Allah! Arruinaremos o teu negócio e destruiremos completamente os teus bens e a tua riqueza.” E, se o convertido ao Islã fosse fraco, submetia-o a castigos físicos e pressionava-o para que abandonasse o Islã.

Este era Abu Jahl, que, durante o bloqueio de Shi‘b Abi Talib, em Meca, impediu Hakim ibn Hizam ibn Khuwaylid de levar uma pequena quantidade de alimento para a sua tia Khadija (que Allah esteja satisfeito com ela). Esse maldito colocou-se no seu caminho e disse: “Levas comida para os Banu Hashim? Juro por Allah! Não poderás levar esta comida. Vem a Meca, que te humilharei.” Ele recusou-se a sair do caminho. Naquele dia, os dois envolveram-se numa violenta briga. Foi nesse contexto que foi revelado: [Surata ad-Dukhan, 43–46; Ibn Hisham, as-Sirah, 2/22, 126, 132] (Árabe=====)

“Certamente, a árvore de zaqqum é o alimento do pecador. Ferverá nos seus ventres como cobre derretido, como água fervente.”

Este Abu Jahl deparou-se, em Meca, com uma delegação cristã de Najran. Eles haviam vindo a Meca, depois de ouvirem a notícia de que Muhammad (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) havia recebido a profecia, com o objetivo de obter mais informações sobre ele. Depois de encontrarem o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) e ouvirem as suas palavras, abraçaram a fé. Assim que saíram da reunião do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), Abu Jahl colocou-se diante deles e dirigiu-lhes estas palavras:

“Que Allah frustre a vossa caravana. Os vossos correligionários, que deixastes para trás, enviaram-vos para obter informações sobre este homem. Mal vos sentastes um pouco com ele, abandonastes a vossa religião e passastes a acreditar nele? Não conheço nenhuma caravana mais tola do que a vossa.” [Ibn Hisham, obra citada anteriormente]

Pouco antes da Hégira do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) para Medina, este Abu Jahl disse aos coraixitas que escolhessem um jovem corajoso, hábil e astuto de cada ramo da tribo de Quraysh, e que cada um deles recebesse uma espada afiada. Depois, deveriam atacar Muhammad simultaneamente e matá-lo com um só golpe, como se fossem uma única pessoa. Assim, a responsabilidade pelo seu sangue recairia igualmente sobre todos os ramos da tribo de Quraysh. [Tabaqat, 2/15, 17]

Durante a noite, o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) fez a Hégira para Medina. Na manhã seguinte, os coraixitas saíram à sua procura. Abu Jahl também estava entre eles. Pararam à porta da casa de Abu Bakr (que Allah esteja satisfeito com ele) e começaram a chamar em voz alta. Asma (que Allah esteja satisfeito com ela), filha de Abu Bakr (que Allah esteja satisfeito com ele), saiu. Eles perguntaram: “Onde está o teu pai?” Ela respondeu: “Juro por Allah! Não sei onde está o meu pai.” Então, Abu Jahl, a personificação de toda obscenidade e maldade, levantou a mão e deu uma forte bofetada no rosto de Asma. O brinco de Asma saltou da sua orelha.

Quando, em Badr, os dois lados se preparavam para entrar em combate, o exército coraixita enviou um homem para obter informações sobre o número e a força do exército inimigo. Ele voltou e advertiu-os sobre o risco de travar a batalha. Hakim ibn Hizam ibn Khuwaylid foi até ‘Utba ibn Rabi‘a e pediu-lhe que retornasse com seus homens. ‘Utba demonstrou relutância e enviou Hakim até Abu Jahl. Mas Abu Jahl não deu ouvidos às palavras de Hakim, senão para insistir na guerra.

Esse era Abu Jahl, um dos sete incrédulos obstinados contra os quais o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) suplicou contra no dia de Badr. Ele foi morto nessa batalha como um incrédulo amaldiçoado. Quando sua cabeça foi cortada e levada diante do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), ele louvou a Allah. [Fonte citada anteriormente; Tarajim Sayyidati Bayt an-Nubuwwah, p. 612] O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) ficou com o camelo de Abu Jahl. Quatro anos depois, quando viajou em direção a Meca com o propósito de realizar a ‘Umra, levou o camelo consigo como animal destinado ao sacrifício. No caminho, foi impedido pelos coraixitas em Hudaybiyyah e sacrificou o animal ali mesmo. [Tabaqat, 2/69]

Poderia a filha de um inimigo tão ferrenho do Islam tornar-se a coesposa de Fátima (que Allah esteja satisfeito com ela), filha do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele)? Por isso, Allah e Seu Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) rejeitaram tal proposta. O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) saiu de casa furioso, dirigiu-se à mesquita e subiu diretamente ao púlpito. Em seguida, dirigiu aos presentes o seguinte discurso:

‘Banu Hashim ibn al-Mughira pediu nossa permissão para casar sua filha com ‘Ali. Eu não lhes darei essa permissão. Eu não lhes darei essa permissão. Eu não lhes darei essa permissão. Contudo, se ‘Ali quiser, poderá divorciar-se da minha filha e casar-se com a filha deles. Isso porque minha filha é como uma parte do meu corpo. O que quer que a perturbe também me perturba, e o que quer que lhe cause sofrimento também me causa sofrimento. Temo que ela passe por dificuldades em sua religião.’

Depois, ele mencionou seu genro, Abu al-‘As, e teceu grandes elogios à relação de parentesco por casamento que tinha com ele. Ele disse:

‘Ele me deu sua palavra e provou ser verdadeiro em sua palavra. Fez um compromisso comigo e o cumpriu. Não posso tornar ilícito o que é lícito, nem tornar lícito o que é ilícito. Contudo, a filha do Mensageiro de Allah e a filha do inimigo de Allah jamais podem permanecer juntas.’ [Este hadith foi compilado em quase todas as coleções de hadith, incluindo Sahih al-Bukhari, Sahih Muslim, Sunan Abi Dawud, Sunan Ibn Majah, Sunan al-Tirmidhi e Musnad Ahmad (6/326, 328).]

‘Ali (que Allah esteja satisfeito com ele) estava na mesquita. Sentou-se em silêncio e ouviu o discurso de seu sogro. Depois, saiu da mesquita e tomou o caminho de casa com passos lentos. Ao chegar em casa, encontrou Fátima sentada, abatida pela tristeza e pela dor. ‘Ali (que Allah esteja satisfeito com ele) aproximou-se lentamente e sentou-se ao lado dela. Permaneceu sentado em silêncio por bastante tempo. Parecia não conseguir decidir o que dizer. Quando viu Fátima chorando, disse suavemente, em tom de súplica por perdão:

‘Fátima! Cometi um erro em relação ao seu direito. Pessoas como você podem perdoar.’ Passou bastante tempo, mas Fátima não respondeu. Então, depois de algum tempo, disse: ‘Que Allah o perdoe.’ Dessa vez, ‘Ali (que Allah esteja satisfeito com ele) sentiu-se um pouco aliviado. Em seguida, contou-lhe tudo o que havia acontecido na mesquita. Também lhe disse que o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) havia dito que a filha do Mensageiro de Allah e a filha do inimigo de Allah jamais poderiam permanecer juntas. Os olhos de Fátima encheram-se de lágrimas. Depois, ela se levantou para a oração. [Tarajim Sayyidati Bayt an-Nubuwah, p. 624]

Quando ocorreu este episódio da intenção de um segundo casamento?

Aqui permanece uma pergunta: quando ‘Ali (que Allah esteja satisfeito com ele) teve a intenção de contrair um segundo casamento? Embora o importante discurso acima mencionado do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) esteja registrado nos livros de história e de sira, ninguém especificou precisamente quando ocorreu. No entanto, foi um acontecimento de grande importância para a vida do Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) e para sua família. Por isso, alguns especialistas, após analisarem a questão sob diferentes ângulos, chegaram à conclusão de que esse foi um acontecimento dos primeiros tempos da vida conjugal de ‘Ali e Fátima (que Allah esteja satisfeito com ambos). Mais especificamente, talvez tenha ocorrido no segundo ano da Hégira, antes do nascimento de seu primeiro filho, Hasan, no terceiro ano. Naturalmente, trata-se de uma opinião inteiramente baseada em conjecturas; não há qualquer prova documental ou narrativa que a sustente.[obra citada anteriormente]

O nascimento de Hasan e Husayn

As nuvens que haviam se acumulado sobre a vida de ‘Ali e Fátima (que Allah esteja satisfeito com ambos) dissiparam-se, e eles superaram uma difícil provação da vida. O lar de escassez e dificuldades voltou a encher-se de amor, afeto e solidariedade. Nesse período, no terceiro ano da Hégira, nasceu Hasan, seu primeiro filho. O Profeta, pai de Fátima (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), recebeu a boa notícia. Ele correu prontamente até lá, tomou nos braços o recém-nascido de sua querida filha Fátima, pronunciou o adhan em seu ouvido e começou a observá-lo atentamente, examinando-o minuciosamente. Toda Medina parecia imersa em celebrações. O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) raspou a cabeça de seu neto Hasan e doou aos pobres e necessitados uma quantidade de prata equivalente ao peso de seus cabelos. Antes que o pequeno Hasan completasse pouco mais de um ano, no mês de Sha‘ban do quarto ano da Hégira, Fátima (que Allah esteja satisfeito com ela) presenteou-o com outro filho. E essa criança era Husayn.[Sahih al-Bukhari, Kitab al-Manaqib; Muslim, al-Fada’il]

Há divergência quanto ao nome da filha de Abu Jahl. Segundo a opinião mais conhecida, era Juwairiya. Também foi chamada de al-‘Awra’, al-Hanqa’, Jahdam e Jamila. Ela abraçou o Islã, prestou juramento de fidelidade ao Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) e conservou de memória alguns hadiths do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele).[A‘lam an-Nisa’ 4/112; nota nº 1]

‘Ali (que Allah esteja satisfeito com ele) retirou sua proposta, e a filha de Abu Jahl casou-se com ‘Uttab ibn Usayd.

Depois desse acontecimento, Fátima (que Allah esteja satisfeito com ela) permaneceu como única esposa de ‘Ali (que Allah esteja satisfeito com ele) até o último dia de sua vida. Ele não tomou uma segunda esposa até a morte de Fátima. Fátima foi mãe de quatro filhos: Hasan, Husayn, Umm Kulthum e Zaynab. Ela costumava embalar o pequeno Hasan sobre as duas mãos, recitando o seguinte verso:[obra citada anteriormente, 4/113] (Árabe=======)

‘Meu filho se parece com o Profeta, não com ‘Ali.’

O carinho e a ternura do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) por Hasan e Husayn

Esses dois netos tão queridos de Hadrat Rasul Karim (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) traziam tranquilidade ao seu coração, assim como enchiam os dois braços de sua mãe, az-Zahra, de alegria. Após o falecimento de Hadrat Khadija (que Allah esteja satisfeito com ela), o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) concedeu a várias mulheres a honra de serem suas esposas, mas nenhuma delas pôde presenteá-lo com filhos. A carência que sentia de filhos homens foi suprida ao receber esses dois netos. Por meio deles, ele se convenceu de que havia a possibilidade de sua linhagem continuar existindo neste mundo. Por essa razão, seu amor paternal também se concentrou neles. Portanto, não é de admirar que tenha chamado os dois de seus filhos. Foi narrado por Anas ibn Malik que o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) dizia a Fátima (que Allah esteja satisfeito com ela): “Chama os meus dois filhos.” Quando eles se aproximavam, ele cheirava seus corpos e os abraçava.[Tarajimu Sayyidati Bayt an-Nubuwwah, p. 626] Hadrat Usama ibn Zayd (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: “Certo dia, bati à porta da casa do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) por alguma necessidade. Ele saiu com algo enrolado em seu manto. Não consegui entender o que estava envolto no manto. Quando terminei o que precisava fazer, perguntei: ‘Ó Mensageiro de Allah! O que é que o senhor está cobrindo com o manto?’”

Quando ele afastou o manto, vi Hasan e Husayn. Então disse: “Estes dois são meu filho e minha filha. Ó Allah! Eu amo estes dois; ama-os também. E ama também aqueles que os amam.”[Siyar A‘lam an-Nubala’, 3/251]

Allah, o Senhor dos mundos, concedeu grande misericórdia e benevolência a Fátima az-Zahra. Por meio dela, preservou a linhagem do amado Profeta Mustafa (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Do mesmo modo, ao conceder, por meio de Ali (que Allah esteja satisfeito com ele), a continuidade da linhagem do último Profeta, Allah também o honrou e o revestiu de uma dignidade e uma posição eternas. Por laços de sangue, Ali (que Allah esteja satisfeito com ele) era o genro mais próximo do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Em seu corpo corria o puro sangue hachemita. A genealogia do Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) e a de Ali (que Allah esteja satisfeito com ele) convergiam em Abd al-Muttalib. Ambos eram seus descendentes. Mais tarde, Muhammad (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) criou com amor paternal Ali, filho daquele tio paterno, e confiou-lhe sua filha, pedaço de seu coração. Assim, a posição e a dignidade de Ali (que Allah esteja satisfeito com ele) perante o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) eram elevadíssimas. Foi narrado por Ali (que Allah esteja satisfeito com ele): “Certo dia, perguntei ao Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele): ‘Entre mim e Fátima, qual dos dois é mais querido para o senhor?’ Ele respondeu: ‘Fátima é mais querida para mim do que tu, e tu és mais honrado para mim do que ela.’”

Essa resposta deixou clara a posição e a dignidade de Fátima e Ali (que Allah esteja satisfeito com ambos) perante o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Por isso, sempre que encontrava uma oportunidade em meio às inúmeras ocupações, ele corria à casa desse casal que lhe era tão querido e tomava no colo os dois netos tão amados, acariciando-os ternamente. Certo dia, ao visitar a casa deles, encontrou Ali e Fátima dormindo, enquanto o pequeno Hasan chorava insistentemente por comida. Ele não quis perturbar o sono dos dois. Pegou Hasan no colo, dirigiu-se a uma cabra amarrada no pátio da casa, ordenhou ele próprio o leite da cabra e deu-o a Hasan, acalmando-o.

Há também outro acontecimento. Certo dia, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) passava apressadamente por algum lugar junto à casa de Fátima e Ali (que Allah esteja satisfeito com ambos). Nesse momento, o choro de Husayn chegou aos seus ouvidos. Ele entrou na casa e disse à filha, em tom de repreensão: “Não sabes que o choro dele me causa sofrimento?”[Tarajimu Sayyidati Bayt an-Nubuwwah, p. 627]

O nascimento das filhas Zaynab e Umm Kulthum

Depois disso, o número de filhos do casal continuou a aumentar. No quinto ano da Hégira, Fátima (que Allah esteja satisfeito com ela) tornou-se mãe de sua primeira filha. Seu avô, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), deu-lhe o nome de “Zaynab”. É digno de nota que uma irmã de Fátima também se chamava “Zaynab” e faleceu após a Hégira para Medina. A memória dessa Zaynab permanecia viva no coração de seu pai e de sua irmã. Por isso, a filha de Fátima recebeu o nome daquela tia materna. Dois anos depois, Fátima (que Allah esteja satisfeito com ela) tornou-se mãe de uma segunda filha. O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) também lhe deu o nome de Umm Kulthum, em homenagem a outra de suas filhas falecidas. Assim, Hadrat Fátima (que Allah esteja satisfeito com ela), por meio de suas filhas, manteve viva a memória de suas duas irmãs falecidas. O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) partiu para a proximidade de Allah, o Senhor dos mundos, deixando vivos esses quatro filhos de Fátima (que Allah esteja satisfeito com ela).

Todos os filhos de Fátima (ra) eram pedaços do coração do nobre Mensageiro de Allah (sa); especialmente em Hasan e Husayn ele parecia encontrar seus filhos falecidos. Por isso, sentia por eles um amor especial. Certo dia, carregou um deles sobre os ombros enquanto passeava pelo mercado de Medina. Quando chegou a hora da oração, entrou na mesquita, colocou-o carinhosamente de lado e posicionou-se como imame. Porém, permaneceu tanto tempo em prostração que os fiéis que oravam atrás dele ficaram atônitos de espanto. Depois da oração, alguém perguntou: Ó Mensageiro de Allah! Fizeste uma prostração tão longa que pensamos que algo havia acontecido ou que uma revelação havia descido. Ele respondeu: Não, nada disso aconteceu. O que ocorreu foi que meu filho subiu nas minhas costas. Eu quis que ele satisfizesse sua vontade; por isso, não me apressei.[]

Certo dia, o Mensageiro de Allah (sa) estava sentado no púlpito, fazendo um sermão. Nesse momento, viu os dois irmãos, Hasan e Husayn, aproximando-se enquanto caminhavam aos tropeços, vestidos com roupas vermelhas. Ele interrompeu o sermão, desceu do púlpito, levantou os dois e os colocou sentados à sua frente. Então, dirigindo-se à assembleia presente, disse: Allah realmente disse: [Surata At-Taghabun-15] (Árabe=========)

“Vossos bens e vossos filhos são apenas uma prova.”

Vi esta criança andando e caindo. Não conseguindo suportar aquela cena, interrompi o discurso e os levantei.

Noutro dia, viu-se que as mãos do Mensageiro (sa) estavam sobre os dois ombros do pequeno Husayn, enquanto os dois pés dele estavam sobre os pés do Mensageiro. Segurando-o firmemente, dizia: Sobe, sobe. Enquanto Husayn subia, chegou um momento em que colocou os pés sobre o peito do avô. Então ele disse a Husayn: Abre a boca. Ele abriu a boca. Depois de beijar-lhe a boca, disse: Ó Allah! Eu o amo, e ele também me ama. Ama aqueles que o amam. [Muslim, Al-Fadā’il]

Certo dia, o Mensageiro (sa) estava indo, acompanhado de alguns Companheiros, para participar de um convite. No caminho, viu Husayn brincando com crianças da sua idade. O Mensageiro (sa) estendeu as duas mãos e avançou para pegá-lo. Para não ser apanhado pelas mãos do avô, ele fugia ora para um lado, ora para o outro. O Mensageiro aproximou-se dele sorrindo e ficou à sua frente. Por fim, pegou-o, colocou-o sobre um dos braços e, pondo a outra mão sob seu queixo, beijou-o. Depois disse: Husayn é parte de mim, e eu sou parte de Husayn. [Tarājimu Sayyidāti Bayt An-Nubuwwah-630]

Abu Sufyan à porta da casa de Fátima

O tempo foi passando. A escuridão de toda a Arábia estava prestes a ser dissipada pela luz do Islã. Em certa ocasião, o Mensageiro (sa) começou a preparar-se para a expedição a Meca. Houve grande mobilização em Medina. Homens e mulheres participariam da expedição. A notícia chegou a Meca no momento oportuno. Os corações dos coraixitas pagãos começaram a tremer. Pensaram que agora não havia mais salvação. Depois de muita reflexão, enviaram Abu Sufyan ibn Harb a Medina para dissuadir os habitantes de Medina de sua decisão. Isso porque, nesse meio-tempo, sua filha Umm Habiba Ramla (ra) havia aceitado o Islã, e o Mensageiro (sa) lhe havia concedido a dignidade de esposa. Portanto, seria por meio dela que essa tarefa poderia ser realizada.

Ali e Fátima decidiram participar dessa campanha. Certa noite, antes da partida, estavam se preparando para a viagem. Muitas lembranças surgiam em suas mentes. De vez em quando, também rememoravam o passado. Meca, que haviam deixado para trás oito anos antes, estaria ainda do mesmo jeito? Então surgiram em sua memória as imagens de sua mãe, Khadija (que Allah esteja satisfeito com ela), e de seu pai, Abu Talib. Enquanto se encontravam nesse estado de profunda emoção, de repente bateram à porta. Para ver quem era o visitante àquela hora da noite, Ali (que Allah esteja satisfeito com ele) dirigiu-se à porta. Fátima também ficou olhando naquela direção. Assim que abriram a porta, viram Abu Sufyan ibn Harb parado ali. Era esse mesmo Abu Sufyan o porta-estandarte do exército politeísta de Meca e marido de Hind, aquela que abriu o peito do mártir de Uhud, Hamza (que Allah esteja satisfeito com ele), arrancou-lhe o fígado e o mastigou.

Abu Sufyan começou a contar como e por que havia ido a Medina. Disse que os habitantes de Meca o haviam enviado para fazer um acordo com Muhammad (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), a fim de se protegerem de seu ataque. Ele entrara em Medina ocultando sua identidade e fora diretamente à casa de sua própria filha, a Mãe dos Crentes, Umm Habiba Ramla (que Allah esteja satisfeito com ela). Quando se preparou para sentar-se no leito do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), foi impedido pela própria filha, pois era politeísta e impuro. Não era digno de sentar-se no leito purificado do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Sua filha recolheu o leito. Ele falou com ela, mas não recebeu resposta alguma. De Abu Bakr (que Allah esteja satisfeito com ele), também recebeu o mesmo tratamento. Depois foi até Umar (que Allah esteja satisfeito com ele). Ao ouvir suas palavras, ele disse: “Eu iria interceder por você junto ao Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele)? Juro por Allah! Se eu não encontrar nada além de uma pequena planta que brote da terra, lutarei contra vocês com ela.” [Ibn Hisham, as-Sira, 4/38]

Depois de dizer isso, Abu Sufyan ficou em silêncio por algum tempo. Então engoliu em seco e disse, dirigindo-se a Ali (que Allah esteja satisfeito com ele): “Ó Ali! Tu és a pessoa mais bondosa de meu povo para comigo. Vim até ti por uma necessidade. Assim como voltei decepcionado dos outros, não quero voltar de ti da mesma maneira. Intercede por mim junto ao Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele).”

Ali (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: “Abu Sufyan, que o mal recaia sobre ti! Juro por Allah! O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) já tomou uma decisão sobre esse assunto. Não podemos dizer nada a respeito.”

Então Abu Sufyan olhou para Fátima, que permanecia silenciosamente de pé ao lado, e, apontando para Hasan, que acabara de despertar no leito próximo e se dirigia à mãe, disse a Fátima: “Ó filha de Muhammad! Não podes dizer a este teu filho que se levante entre as pessoas, anuncie proteção para os membros de sua tribo e se torne, para sempre, o líder de toda a Arábia?”

Fátima respondeu: “Meu pequeno filho ainda não tem idade para se levantar entre as pessoas e anunciar proteção a alguém, e ninguém pode conceder proteção passando por cima do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele).”

Abu Sufyan levantou-se para partir, desanimado. Chegou até a porta e parou por um instante. Então disse, em tom muito suave: “Abu al-Hasan (Ali)! Parece que a questão se tornou extremamente difícil para mim. Dá-me algum conselho.”

Ali (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: “Não conheço nenhum conselho que lhe seja útil. No entanto, tu és um líder da tribo de Kinana (um ramo da tribo dos coraixitas). Levanta-te pessoalmente entre as pessoas e pede proteção. Depois, retorna à tua terra natal.”

Abu Sufyan perguntou: “Isso me será de alguma utilidade?” Ali ficou calado por alguns instantes e disse: “Por Allah, não creio. Mas não vejo outro caminho para o senhor além deste.”

Abu Sufyan foi embora, decidido a agir conforme o conselho de Ali. O casal fechou a porta da casa e começou a refletir sobre o poder infinito do grandioso Allah, o Senhor dos mundos. Pensaram em Meca, a mãe das cidades, na Caaba, nas casas dos coraixitas e em tudo mais. (Tarajimu Sayyidati Bayt an-Nubuwwah, 633)

Fátima durante a campanha da conquista de Meca

O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) partiu de Medina em direção a Meca, acompanhado por dez mil muçulmanos. Oito anos antes, ele havia deixado Meca e emigrado para Medina na escuridão da noite, acompanhado apenas por Abu Bakr as-Siddiq (que Allah esteja satisfeito com ele). Juntamente com os demais membros da família do Profeta, Fátima também se juntou à caravana para testemunhar aquela grande vitória e o glorioso retorno. Oito anos antes, ela havia deixado Meca certa vez e ido para Medina com sua irmã mais velha, Umm Kulthum. Suas outras duas irmãs, Ruqayya e Zaynab, também haviam emigrado. Mas agora elas não estavam naquela caravana vitoriosa. Jaziam para sempre no solo de Medina e jamais retornariam a Meca. Enquanto revivia as lembranças do passado, Fátima seguia com a caravana. Em determinado momento, a caravana chegou a Marr az-Zahran e estabeleceu acampamento. Ao fim do dia, Abu Sufyan ibn Harb, líder das forças pagãs de Meca, chegou ao primeiro acampamento. Ele esperou a noite inteira à porta do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), para saber sua decisão a respeito dos habitantes de Meca. Ao amanhecer, apresentou-se diante do Mensageiro de Allah e declarou sua aceitação do Islã. Depois, saiu dali e tomou diretamente o caminho de Meca. Ao chegar, subiu a uma colina e anunciou em voz alta: “Ó povo dos coraixitas! Muhammad está vindo com um exército tão grandioso como nunca conhecestes. Quem entrar na casa de Abu Sufyan estará seguro; quem fechar a porta de sua própria casa e permanecer dentro dela estará seguro; e quem entrar na mesquita estará seguro.”

Ao ouvirem o anúncio, os habitantes de Meca entraram em suas próprias casas e na Mesquita Sagrada. O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), montado em sua cavalgadura em Dhu Tuwa, dividiu o exército em vários grupos e nomeou para cada grupo um comandante e porta-estandarte. Sa’d ibn ‘Ubada al-Ansari foi um deles. Então ele disse a Ali (que Allah esteja satisfeito com ele): “O porta-estandarte em Khaybar e na batalha contra os Banu Qurayza, e o porta-estandarte dos emigrantes na batalha de Uhud, foi…” (at-Tabaqat, 2/27, 77)

No dia da conquista de Meca, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) entrou na cidade pelo caminho de Adhakhir e desceu na parte elevada de Meca. Uma tenda foi armada para ele não muito longe do túmulo de Khadija, a Mãe dos Crentes (que Allah esteja satisfeito com ela). Sua filha Fátima az-Zahra também estava com ele. No dia em que Fátima (que Allah esteja satisfeito com ela) partia de Meca para Medina, al-Huwayrith ibn Nuqaydh a derrubara de sua montaria, pondo sua vida em perigo. Essa lembrança obscurecia a alegria de retornar à sua terra natal depois de tantos anos. O Mensageiro também não havia esquecido o ocorrido. Ele dividiu o exército em vários grupos, nomeou um comandante para eles e ordenou que os matassem, mesmo que se refugiassem sob o revestimento da Caaba. Al-Juwayrith ibn Nuqaydh estava entre eles. A responsabilidade de matá-lo foi confiada a Ali (que Allah esteja satisfeito com ele), marido de Fátima (que Allah esteja satisfeito com ela). (Tarajimu Sayyidati Bayt an-Nubuwwah, 635)

Umm Hani bint Abi Talib, prima do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) e esposa de Hubayra ibn Abi Wahab, de Meca, relatou: “Depois que o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) desceu na parte elevada de Meca, dois homens dos Banu Makhzum, al-Harith ibn Hisham e Zuhayr ibn Abi Umayya ibn al-Mughira, fugiram e buscaram refúgio em minha casa. Meu irmão Ali ibn Abi Talib (que Allah esteja satisfeito com ele) veio visitar-me e, ao vê-los, ficou extremamente irritado. Jurando em nome de Allah, disse: ‘Certamente os matarei.’ Vendo que a situação se agravava, fechei rapidamente a porta e corri até o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Ao chegar, vi-o realizando o banho ritual com água de um grande recipiente, enquanto Fátima permanecia de pé, cobrindo-o com um pano. Depois de concluir o banho, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) ofereceu oito rak’ahs da oração de duha. Então voltou-se para mim e disse: ‘Ó Umm Hani, por que vieste?’ Contei-lhe o que havia acontecido em minha casa. Ele disse: ‘Eu também concedo proteção àqueles a quem concedeste proteção. Eu também concedo refúgio àqueles a quem ofereceste segurança. Também garanto a segurança daqueles a quem prometeste segurança. Ali não os matará.’ (Mesma fonte; Sahih Muslim: Salat al-Musafirin)

Também se sabe como transcorreu a primeira noite de Fátima (que Allah esteja satisfeito com ela) em Meca. Ela ficou profundamente emocionada. As lembranças de sua amada mãe e de suas duas irmãs, Zaynab e Ruqayya, surgiam em sua mente. Recordava o tratamento cruel que os habitantes de Meca haviam dispensado a seu pai, bem como muitas lembranças de sua infância e adolescência em Meca. Durante toda a noite, não conseguiu fechar os olhos. Ao amanhecer, ouviu-se do santuário da Mesquita Sagrada o chamado para a oração do fajr, na voz de Bilal. Enquanto Ali (que Allah esteja satisfeito com ele) se levantava do leito e se preparava para ir à oração, perguntou certa vez: “Mãe de Hasan, não dormiste?” Ela respondeu, com a voz profundamente emocionada: “Quero permanecer completamente desperta para desfrutar este retorno triunfal. Se adormecer, talvez imagine que tudo isso não passou de um sonho.”

Depois, ela se levantou para a oração. Ao terminar a oração, dormiu um pouco. Ao acordar, desejou ir à casa onde havia nascido. Essa casa havia sido o cenário da infância e da adolescência dela e de seu marido, ‘Ali. Porém, depois da Hégira deles, aquela casa passou à posse de ‘Aqil ibn Abi Talib. Durante a conquista de Meca, certa vez Usama ibn Zayd (que Allah esteja satisfeito com ele) perguntou ao Mensageiro (que Allah o abençoe e lhe dê paz): “Em que casa vocês ficarão em Meca?” Ele respondeu: “Será que ‘Aqil deixou alguma moradia ou casa para nós?”

Durante essa viagem, ela não permaneceu em Meca por mais de dois meses. Chegou a Meca no mês de Ramadã do oitavo ano da Hégira e, no final do mês de Dhu al-Qa‘da daquele mesmo ano, depois de realizar a ‘Umrah, voltou para Medina com o pai. Nessa ocasião, também visitou o túmulo da mãe Khadija (que Allah esteja satisfeito com ela), habitante do Paraíso.

No nono ano da Hégira, faleceu Umm Kulthum (que Allah esteja satisfeito com ela), terceira filha do Mensageiro de Allah (que Allah o abençoe e lhe dê paz) e esposa de ‘Uthman (que Allah esteja satisfeito com ele). No décimo ano da Hégira, também faleceu Ibrahim, filho do Mensageiro de Allah (que Allah o abençoe e lhe dê paz) com sua esposa Maria al-Qibtiyya. Agora, entre os filhos do Mensageiro de Allah (que Allah o abençoe e lhe dê paz), ninguém permanecia vivo além de Fatima az-Zahra.

O pai no leito de sua doença terminal

Depois disso, chegou o momento daquela grande calamidade. No mês de Safar do décimo primeiro ano da Hégira, o nobre pai de Fatima (que Allah esteja satisfeito com ela) adoeceu. A família do Profeta e os demais muçulmanos imaginaram que talvez fosse apenas uma doença leve e que ele logo se recuperaria. Ninguém imaginou que aquela fosse sua doença terminal. O pai mandou chamar a filha. Ela imediatamente atendeu ao chamado do pai e dirigiu-se à sua casa. Naquele momento, junto ao leito do Mensageiro (que Allah o abençoe e lhe dê paz), estavam sentadas Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela) e as demais esposas. Ao ver sua filha Fatima aproximar-se, de maneira calma, serena e solene, o pai deu-lhe as boas-vindas, dizendo:

“Minha filha! Seja bem-vinda!” Depois, beijou-a, fez com que se sentasse ao seu lado e disse-lhe em segredo que seu momento de morrer se aproximava. Fatima começou a chorar. Seu choro cessou quando o pai voltou a dizer-lhe em segredo: [At-Tabaqat, 8/16; Bukhari: capítulo “Os sinais da profecia”; Muslim: As virtudes dos Companheiros; Kanz al-‘Ummal, 13/675]

“Entre os membros da minha família, você será a primeira a se juntar a mim. Fatima! Você não está satisfeita por ser a líder das mulheres crentes?” Ou o Mensageiro (que Allah o abençoe e lhe dê paz) disse: “Você não está satisfeita por ser a líder das mulheres desta comunidade?”

Assim que ouviu essas palavras, um brilho de alegria surgiu no rosto de Fatima. Ela parou de chorar e sorriu. Ao ver esse comportamento, Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela), que estava sentada ao lado, ficou admirada. Ela comentou:

‘Nunca vi, como hoje, uma cena de alegria tão próxima da tristeza.’

Mais tarde, em certa ocasião, ele perguntou a Fátima: O que seu pai lhe disse em segredo? Ela respondeu: Não posso revelar o segredo do Mensageiro de Allah. [Tabaqat-8/16]

Ao ver o estado de doença do pai, Fátima (que Allah esteja satisfeito com ela) voltou naquele dia para sua própria casa. Enquanto isso, apesar da doença, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) continuou, conforme o costume, hospedando-se alternadamente nos aposentos das Mães dos Crentes (suas esposas). No dia em que estava na casa de Maymuna bint al-Harith al-Hilaliyya (que Allah esteja satisfeito com ela), sua doença se agravou ainda mais. Ele mandou chamar as outras esposas. Quando elas chegaram, pediu permissão para permanecer, naquele estado de enfermidade, na casa de A’isha (que Allah esteja satisfeito com ela), e obteve a permissão delas.

Fátima (que Allah esteja satisfeito com ela), filha do Profeta, continuou sempre a cuidar e tratar do pai enfermo, inclusive passando noites em claro. Além de servi-lo com paciência, suplicava com extrema humildade e submissão, na presença de Allah, Senhor dos mundos, pela recuperação do pai. Mesmo assim, à medida que a doença se agravava cada vez mais e a intensidade do sofrimento aumentava continuamente, Fátima pegava água com as mãos e a passava com grande ternura sobre a cabeça do pai. Ao ver o sofrimento dele, quase ficou com a voz sufocada pelo choro. Com a voz embargada e em tom baixo, disse: Pai! Não consigo suportar o seu sofrimento. O pai olhou para ela com ternura e respondeu, com grande compaixão: Depois deste dia, teu pai não terá mais sofrimento. [Bukhari: Capítulo sobre sua doença e seu falecimento (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele): Fath al-Bari-8/105; Musnad Ahmad-3/141; Tabaqat-2/2]

Deixando a filha imersa num oceano de tristeza, o pai partiu para a presença do Senhor Supremo. Naquele dia, Fátima (que Allah esteja satisfeito com ela) tornou-se verdadeiramente uma órfã desolada, privada tanto do pai quanto da mãe. Diante daquela tristeza e daquela dor, não havia nenhum caminho de consolo diante dela.

Depois de perder o pai, Fátima (que Allah esteja satisfeito com ela) ficou profundamente enlutada. Nesse estado, dentro de dois dias, foi concluída a promessa de fidelidade a Abu Bakr (que Allah esteja satisfeito com ele) como califa, no pátio de Saqifa Banu Sa’ida. Fátima (que Allah esteja satisfeito com ela), depois de recuperar um pouco o equilíbrio de seu estado emocional abalado, dirigiu-se com passos lentos ao túmulo do pai, retirou dele um punhado de terra e passou-o sobre os olhos banhados em lágrimas. Depois, enquanto sentia seu aroma, começou a recitar os dois versos seguintes. [Siyar A’lam al-Nubala’-2/134; A’lam al-Nisa’-4/114] (Árabe=====)

‘Quem cheira a terra do túmulo de Ahmad, que não cheire nenhum outro perfume por toda a vida. Se as calamidades que me acometeram tivessem caído sobre o dia, ele teria se transformado em noite.’

Depois de concluírem o sepultamento e o amortalhamento do nobre Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), os veneráveis Companheiros (que Allah esteja satisfeito com eles) foram até Fátima (que Allah esteja satisfeito com ela) para consolá-la. Ela perguntou a Anas (que Allah esteja satisfeito com ele): Como vossos corações consentiram que cobrísseis o Mensageiro de Allah com terra? Então, em memória do Mensageiro de Allah, recitou os versos seguintes: [Usud al-Ghaba-5/532; A’lam al-Nisa’-4/113] (Árabe=====)

O horizonte do céu cobriu-se de poeira, o sol do meio-dia foi encoberto e a era mergulhou na escuridão.

Depois do Profeta (s.a.), a terra não ficou apenas triste; antes, foi dilacerada pela intensidade da dor.

O Oriente e o Ocidente choram por ele, e toda a tribo de Mudar e Iaman está de luto.

Por ele choram as grandes montanhas e cordilheiras, bem como os enormes edifícios.

Ó Selo dos Profetas, que a luz de Allah seja derramada sobre você; que o Revelador do Alcorão derrame Sua misericórdia sobre você.

Muitos mencionaram que os versos acima foram compostos por Fátima (r.a.), e os versos anteriores, por ‘Ali. [Sahabiyat-150]

Hazrat Fátima (r.a.), de pé junto ao túmulo de seu pai, também recitou estes dois versos: [A‘lam an-Nisa’ – 4/114] (Árabe======)

‘Nós o perdemos como se tivéssemos perdido a terra e os camelos; após o seu desaparecimento, a revelação e o Livro

Desapareceste de nossa vista

Ah! Se tivéssemos morrido antes de você partir! Assim não teríamos de ouvir a notícia de sua morte, e nem mesmo um monte de terra teria se interposto entre nós e você. Mesmo depois de seu casamento, Fátima (r.a.) mantinha-se informada sobre todos os assuntos da casa paterna. Muitas vezes, também intervinha nas pequenas irritações, desentendimentos e ressentimentos de suas madrastas. O Mensageiro de Allah (s.a.w.) amava profundamente a Mãe dos Crentes, ‘A’isha (r.a.). Toda a comunidade dos Companheiros sabia disso. Por essa razão, nos dias em que o Mensageiro (s.a.w.) passava na casa de ‘A’isha (r.a.), eles enviavam mais presentes e ofertas. Isso deixava as outras esposas irritadas. Elas queriam que o Mensageiro (s.a.w.) ordenasse às pessoas que enviassem para o local onde ele estivesse tudo o que desejassem oferecer. Contudo, ninguém tinha coragem de dizer isso diretamente ao Mensageiro (s.a.w.). Por isso, todas escolheram Fátima (r.a.), o pedaço do coração do Nobre Mensageiro (s.a.w.), para transmitir seus sentimentos ao Mensageiro de Allah (s.a.w.). Depois de ouvir Fátima (r.a.), o Mensageiro (s.a.w.) disse: “Minha filha, não desejas também aquilo que eu desejo?” Fátima (r.a.) compreendeu a vontade do pai e voltou. Suas madrastas quiseram enviá-la novamente, mas ela não aceitou. [Bukhari: Fada’il ‘A’isha (r.a.); Muslim: Fada’il al-Sahaba (2441); A Vida dos Companheiros do Mensageiro-5/73]

No campo da jihad

Fátima (r.a.) desempenhou um papel brilhante no campo da jihad. Na batalha de Uhud, o Nobre Mensageiro de Allah (s.a.w.) foi ferido após sofrer golpes no corpo e no rosto. O sangue jorrava de seu corpo abençoado e escorria. Quando não era possível estancar o sangue por nenhum meio, Fátima (r.a.) queimou uma esteira de folhas de tamareira no fogo e aplicou suas cinzas sobre o ferimento. [Ansab al-Ashraf-1/324] A esse respeito, ‘Imad al-Bayhaqi relata: As mulheres dos Muhajirun e dos Ansar saíram de suas casas em direção a Uhud. Elas levaram água e alimentos sobre as costas. Fátima, filha do Mensageiro de Allah (s.a.w.), também saiu com elas. Em certo momento da batalha, ao ver seu pai coberto de sangue, abraçou-o e começou a limpar o sangue de seu rosto. Enquanto isso, estas palavras saíam da boca do Mensageiro de Allah (s.a.w.): [al-Bayhaqi: Dala’il al-Nubuwwah-3/283]

“A intensa ira de Allah caiu sobre o povo que ensanguentou o rosto do Mensageiro de Allah (s.a.w.).”

Ao descrever o papel de Fátima (r.a.) em Uhud, o grande Companheiro Sahl ibn Sa‘d disse: O Mensageiro (s.a.w.) foi ferido, seu dente da frente foi quebrado e sua cabeça foi atingida por uma espada. Fátima, filha do Mensageiro de Allah (s.a.w.), começou a lavar o sangue, enquanto ‘Ali (r.a.) despejava água usando seu escudo. Quando Fátima (r.a.) viu que, quanto mais água era despejada, mais sangue saía, pegou uma esteira, queimou-a no fogo até reduzi-la a cinzas e aplicou-as sobre o ferimento. Então o sangramento parou. [Al-Bidayah wa al-Nihayah-4/39; Tabaqat-2/48; Bukhari: al-Maghazi; Muslim: al-Hudud wa al-Siyar]

Na batalha de Uhud, Hamza (r.a.), tio do Mensageiro de Allah (s.a.w.) e avô de Fátima (r.a.), foi martirizado. Foi ele quem, por ocasião do casamento de Fátima (r.a.), ofereceu o banquete de casamento e alimentou as pessoas. Fátima (r.a.) tinha grande admiração por ele. Durante toda a sua vida, visitou o túmulo de Hamza (r.a.) e, chorando por ele, fazia súplicas a Allah. [Al-Bayhaqi: Dala’il al-Nubuwwah; al-Waqidi: al-Maghazi-2/313]

Também se sabe que Fátima (r.a.) participou de outras batalhas, como as expedições de Khandaq e Khaybar. Após a conquista de Khaybar, o Mensageiro (s.a.w.) destinou a ela 85 wasq do trigo produzido naquela região. Ela também acompanhou o Mensageiro de Allah (s.a.w.) na viagem para a conquista de Meca. Na expedição de Mu’tah, o Mensageiro (s.a.w.) enviou três comandantes: Zayd ibn al-Harithah, Ja‘far ibn Abi Talib e ‘Abdullah ibn Rawahah (r.a.). Um após o outro, os três foram martirizados. Quando essa notícia chegou a Medina, Fátima (r.a.), tomada pela tristeza pela morte de seu amado tio Ja‘far (r.a.), desabou em prantos, clamando: “Ó meu tio!” Nesse momento, o Mensageiro de Allah (s.a.w.) chegou ao local e comentou: “Quem quiser chorar deve chorar por alguém como Ja‘far.” [Nisa’ Mubashsharat bil-Jannah-214]

A posição de Hazrat Fatimah (que Allah esteja satisfeito com ela)

Sua grandeza, posição e virtudes são inúmeras. Entre os membros da família do Profeta, há outras pessoas de elevada posição. Contudo, entre elas, Hazrat Fatimah (que Allah esteja satisfeito com ela) ocupa uma posição especialmente honrosa. A revelação do versículo de At-Tathir (o versículo da purificação), na Surata Al-Ahzab, comprova a posição e as virtudes especiais de Hazrat Fatimah (que Allah esteja satisfeito com ela). [Surata Al-Ahzab, 33]

“Ó membros da família do Profeta! Allah deseja apenas remover de vocês toda impureza e purificá-los completamente.”

Umm al-Mu’minin Hazrat Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela) disse: [Mukhtasar Tafsir Ibn Kathir, 3/94]

“Vi o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) chamar Ali, Fatimah, Hasan e Husayn (que Allah esteja satisfeito com eles) e lançar um pano sobre suas cabeças. Em seguida, disse: Ó Allah! Eles são membros da minha família. Remova deles toda impureza e purifique-os completamente!”

Hazrat Anas ibn Malik (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: depois da revelação deste versículo, durante seis meses, ao passar pela porta da casa de Fatimah (que Allah esteja satisfeito com ela) a caminho da oração do fajr, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) dizia:

“A oração, ó membros da família do Profeta! A oração.”

Em seguida, recitava: [Usud al-Ghabah, biografia nº 7175; Ad-Durr al-Manthur, 6/605; Nisa’ Mubashsharat bil-Jannah, 219]

O imame Ahmad narrou de Abu Huraira (que Allah esteja satisfeito com ele): o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) olhou para Ali, Fátima, Hasan e Husayn (que Allah esteja satisfeito com eles) e então disse: [Siyar A‘lam an-Nubala’ – 2/123] Árabe================

‘Combaterei aqueles que combaterem vocês e farei a paz com aqueles com quem vocês fizerem a paz e um pacto.’

Sobre esta família do Profeta, há também outro dito do venerável Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele): [supracitado](Árabe**********)

‘Quem quer que seja hostil à Ahl al-Bayt, ou família do Profeta, Allah o fará entrar no Inferno.’

No nono ano da Hégira, uma delegação cristã de Najran veio até o venerável Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) e envolveu-se numa discussão inútil acerca do venerável Isa (que a paz esteja sobre ele). Então foi revelado o versículo da Mubahala. Mubahala significa que, quando há uma disputa entre duas partes sobre a verdade e a falsidade e não se chega a uma solução por meio de argumentos e debates, ambas suplicam juntas a Allah, pedindo que seja destruída a parte que estiver mentindo a respeito disso. Fazer uma súplica dessa maneira é chamado de Mubahala. Os contendores podem realizar essa Mubahala reunindo-se, e, para aumentar sua importância, também podem reunir seus familiares. O versículo da Mubahala é: [Surata آل عمران – 61](Árabe*********)

‘Depois de teres recebido o conhecimento, se alguém discutir contigo a esse respeito, dize: “Vinde! Convocaremos nossos filhos e vossos filhos, nossas mulheres e vossas mulheres, a nós mesmos e a vós mesmos; então, suplicaremos humildemente e invocaremos a maldição de Allah sobre os mentirosos.”’

Depois da revelação deste versículo, o venerável Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) convidou a delegação para a Mubahala e também se apresentou preparado para realizá-la, levando consigo Fátima, Ali, Hasan e Husayn (que Allah esteja satisfeito com eles), e disse: (Árabe********) ‘Ó Allah! Esta é minha família. Afasta deles a impureza e purifica-os completamente.’ Depois de repetir essas palavras três vezes, pronunciou: [Sahih Muslim: Fada’il as-Sahaba; Musnad – 4/107; Mukhtasar Tafsir Ibn Kathir – 1/287-289] (Árabe***********)

‘Ó Allah, concede Tua misericórdia e Teu favor à família de Muhammad, assim como os concedeste à família de Ibrahim. Certamente, Tu és Digno de louvor e Glorioso.’

Certo dia, o Mensageiro Nobre de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse a Fátima (que Allah esteja satisfeito com ela): [Tahdhīb at-Tahdhīb, 12/442; al-Isābah, 4/366] (Árabe********)

«Que Allah, o Altíssimo, Se agrade com a tua alegria e Se indigne com o teu desagrado.»

Quando o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) retornava de alguma batalha ou viagem, primeiro ia à mesquita e realizava duas rakʿat de oração. Depois, ia à casa de Fátima, encontrava-se com ela e então visitava suas esposas. [Usud al-Ghābah, 5/535]

Certa vez, quando Fátima (que Allah esteja satisfeito com ela) adoeceu, o Mensageiro (que Allah esteja satisfeito com ele) foi visitá-la. Perguntou: Minha filha, como estás?

Fátima disse: Minha filha, não estás satisfeita por seres a líder de todas as mulheres do mundo?

Fátima disse: Pai! Então, qual é a posição de Maryam, filha de ʿImrān?

Em resposta, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: Ela foi a líder das mulheres de seu tempo, e tu serás a líder das mulheres do teu tempo.

Juro por Allah! Casei-te com um líder deste mundo e do Além

O nobre Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse-lhe —(Árabe*********)

‘As líderes das mulheres habitantes do Paraíso são, respectivamente, Maryam, Fátima bint Muhammad (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), Khadija e Asiya, esposa do Faraó.’

Certa vez, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) traçou quatro linhas no chão e então perguntou: “Vocês sabem o que são estas?” Todos responderam: “Allah e Seu Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) sabem melhor.” Ele disse: “Fátima bint Muhammad, Khadija bint Khuwaylid, Maryam bint Imran e Asiya bint Muzahim, esposa do Faraó. Elas possuem uma distinção especial entre as mulheres do Paraíso.”

A especial distinção atribuída à personalidade de Fátima (que Allah esteja satisfeito com ela) tornou-se clara neste hadith do Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele): [At-Tirmidhi; Al-Manaqib](Árabe********)

‘Entre as mulheres do mundo, Maryam, Khadija, Fátima e Asiya, esposa do Faraó, são suficientes para você seguir.’

Fátima (que Allah esteja satisfeito com ela) era a pessoa mais querida e amada pelo nobre Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Certa vez, perguntaram ao Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele): “Ó Mensageiro de Allah! Quem é a pessoa mais querida para você?” Ele respondeu: “Fátima.” O Imam Adh-Dhahabi diz:(Árabe*****)

‘Entre as mulheres, a mais querida pelo Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) era Fátima (que Allah esteja satisfeito com ela), e entre os homens, Ali (que Allah esteja satisfeito com ele).’

Certa vez, Ali (que Allah esteja satisfeito com ele) perguntou ao Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele): “Entre nós dois, Fátima e eu, quem é mais querido para você?” Ele respondeu: “Fátima é mais querida para mim do que você.” [Nisa’ Mubashsharat bil Jannah, p. 216]

A querida de Allah

Que Hazrat Fatimah era também querida por Allah pode ser comprovado por alguns acontecimentos extraordinários. Entre eles, pode-se mencionar certa ocasião em que Allah concedeu bênção e abundância a uma pequena quantidade de comida. Conforme o acontecimento é narrado em diversas fontes, seu resumo é o seguinte: certo dia, uma vizinha enviou-lhe de presente dois pães e um pedaço de carne. Ela os colocou em uma travessa e a cobriu. Depois, mandou o filho chamar o Mensageiro (que a paz esteja com ele). O Mensageiro chegou, e Fatimah (que Allah esteja satisfeito com ela) apresentou a travessa diante dele. Em seguida, Fatimah (que Allah esteja satisfeito com ela) narrou o acontecimento da seguinte maneira:

Abri a tampa da travessa e vi que ela estava cheia de pão e carne. Fiquei completamente atônita ao ver aquilo! Compreendi que essa bênção vinha de Allah. Louvei Allah e enviei bênçãos ao Seu Profeta. Então, apresentei a travessa cheia de comida diante do Mensageiro de Allah (que a paz esteja com ele). Ao vê-la, ele louvou Allah e perguntou: “Minha filha! De onde veio essa comida?”

Respondi: “Pai, veio de Allah. Allah concede provisão sem medida a quem quer.”

O Mensageiro (que a paz esteja com ele) disse: “Minha querida filha! Louvado seja Allah, que te fez semelhante à líder das mulheres dos Filhos de Israel. Quando Allah lhe concedia algum alimento e lhe perguntavam a respeito, ela dizia: ‘Isto veio de Allah. Certamente, Allah concede provisão sem medida a quem quer.’”

O Profeta (que a paz esteja com ele), ‘Ali, Fatimah, Hasan, Husayn e todas as esposas do Mensageiro de Allah (que a paz esteja com ele) comeram daquela comida. Todos comeram até se saciar. Mesmo assim, a quantidade de comida na travessa permaneceu a mesma. Fatimah distribuiu aquela comida entre as vizinhas. Allah concedeu abundante bênção e bem àquela comida. [Al-Bidayah wa an-Nihayah, 6/111; Hayat as-Sahabah, 3/628; Tafsir Ibn Kathir, 3/360]

Certa vez, o Nobre Profeta (que a paz esteja com ele) suplicou para que Allah não deixasse Fatimah passar fome. Fatimah disse: “Depois disso, nunca mais passei fome.” O acontecimento foi o seguinte:

Certo dia, o Mensageiro (que a paz esteja com ele) foi à casa de Fatimah (que Allah esteja satisfeito com ela). Naquele momento, ela estava moendo trigo no moinho. Vestia uma roupa feita de lã de camelo. Ao ver a situação da filha, o pai chorou e disse: “Fatimah! Engole esta amargura deste mundo em busca da felicidade e dos deleites da vida futura.”

Fátima levantou-se e ficou diante de seu pai. Ao olhar para a filha, o pai viu que, devido à fome intensa, seu rosto havia perdido o sangue e se tornado pálido. Ele disse: “Fátima! Aproxima-te.” Fátima aproximou-se e ficou diante de seu pai. O pai colocou uma das mãos sobre o ombro da filha e pronunciou esta súplica: [A‘lam an-Nisā’, 4/125] (Árabe*********)

“Ó Allah, Provedor de alimento aos famintos e Aquele que remove as dificuldades! Remove a dificuldade de Fátima, filha de Muhammad.”

Em todos os aspectos — em sua fala, em seu modo de andar e em sua maneira de se sentar e levantar — Fátima (que Allah esteja satisfeito com ela) era o reflexo do nobre Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). ‘Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela) disse: (Árabe*********)

“Fátima (que Allah esteja satisfeito com ela) caminhava. Seu modo de caminhar não se desviava nem um pouco do modo de caminhar do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele).” [Siyar A‘lām an-Nubalā’, 2/130] Em honestidade e veracidade, ninguém se igualava a ela. ‘Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela) dizia: [mesma fonte, p. 131] (Árabe********)

“Não vi ninguém mais veraz do que Fátima (que Allah esteja satisfeito com ela). Contudo, a filha daquele — o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) — é, evidentemente, uma exceção.”

‘Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela) também disse: [Abū Dāwūd: Bāb mā jā’a fil-qiyām, 5217; at-Tirmidhī: Manāqib Fātima, 3871] (Árabe**********)

“Não vi ninguém que se parecesse mais com o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), na fala e nas conversas, do que Fátima (que Allah esteja satisfeito com ela). Quando Fátima (que Allah esteja satisfeito com ela) ia ao Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), ele se levantava, aproximava-a de si, beijava-a e dava-lhe as boas-vindas. Fátima fazia o mesmo com seu pai.” O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) não amava nenhum outro filho tanto quanto amava Fátima (que Allah esteja satisfeito com ela).

Ele disse: (Árabe*********)

‘Fátima é uma parte do meu corpo. Quem a desagrada, desagrada a mim.’

O imã as-Suhayli disse, com base neste hadith, que quem insultar Fátima (r.a.) se tornará incrédulo. Ele considerou o desagrado dela e o desagrado do Mensageiro de Allah (s.a.w.) como uma única coisa. E quem enfurecer o Mensageiro (s.a.w.) também se tornará incrédulo.[A‘lam an-Nisā’ – 4/125, nota 2]

Ibn al-Jawzi disse que Fátima (r.a.) superou todas as outras filhas do Mensageiro de Allah (s.a.w.), e ‘Aishah (r.a.) superou todas as outras esposas dele em honra e dignidade.[Ibid. – 4/126]

Foi narrado por Abu Hurayrah (r.a.) que o Mensageiro (s.a.w.) disse: “Allah permitiu que um anjo viesse encontrar-me. Ele me deu a boa-nova de que Fátima seria a líder de todas as mulheres da minha ummah, e Hasan e Husayn seriam os líderes dos habitantes do Paraíso.”[Ibid. – 4/127] Em certa ocasião, ele disse a ‘Ali (r.a.): “Fátima é uma parte do meu corpo. Portanto, não faças nada que a desagrade.”

O amor de Fátima (r.a.) por seu pai

Assim como o nobre Mensageiro de Allah (s.a.w.) amava profundamente sua filha Fátima (r.a.), Fátima também amava intensamente seu pai. Quando ele retornava de uma viagem, primeiro ia à mesquita e fazia a oração. Depois ia à casa de sua filha Fátima, encontrava-se com ela e então ia para sua própria casa. Esse era o seu costume. Certa vez, ao retornar de uma viagem, o Mensageiro (s.a.w.) foi à casa de Fátima. Fátima (r.a.) abraçou o pai e beijou-lhe o rosto e os olhos. Depois, olhando para o rosto do pai, começou a chorar. O Mensageiro (s.a.w.) perguntou: “Por que estás chorando?” Fátima (r.a.) respondeu: “Ó Mensageiro de Allah! Seu rosto ficou pálido, e suas roupas também ficaram sujas e imundas. É por isso que estou chorando.” O Mensageiro (s.a.w.) disse: “Fátima, não chores. Allah enviou teu pai com a responsabilidade de transmitir uma mensagem. Ele fará com que ela chegue a todas as casas das cidades e aldeias da face da Terra, seja com honra, seja com humilhação.”[Kanz al-‘Ummal-1/77; Hayat as-Sahabah-1/65]

A repreensão e a advertência do Mensageiro de Allah (s.a.w.)

Apesar de Fátima ser tão querida pelo nobre Mensageiro de Allah (s.a.w.), ele não hesitava em repreendê-la mesmo quando demonstrava o menor interesse pelos prazeres e luxos mundanos. O Mensageiro (s.a.w.) não gostava da ostentação e do brilho mundanos. Aquilo de que ele próprio não gostava, não poderia gostar para outra pessoa. Certa vez, seu esposo ‘Ali (r.a.) presenteou Fátima (r.a.) com um colar de ouro. Ela o estava usando no pescoço. Nesse momento, o Mensageiro de Allah (s.a.w.) chegou e o colar chamou sua atenção. Ele disse: “Fátima! Queres que as pessoas digam que a filha do Mensageiro de Allah (s.a.w.) usa um colar de fogo no pescoço?” Ao compreender o desagrado do pai, Fátima vendeu o colar e, com o dinheiro, comprou um escravo e o libertou. Quando o Mensageiro (s.a.w.) soube disso, disse:[At-Targhib wat-Tarhib-1/557; Musnad-5/278, 279; Nisa’ Hawladar Rasul-149](Árabe*******)

“Todo louvor pertence a Allah, que salvou Fátima do fogo do Inferno.”

Outro episódio. O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) retornou de uma batalha. Como de costume, iria à casa de Fátima (que Allah esteja satisfeito com ela). Para recepcionar o pai, Fátima (que Allah esteja satisfeito com ela) pendurou uma cortina na porta da casa e colocou uma pulseira de prata em cada mão de seus dois filhos, Hasan e Husayn (que Allah esteja satisfeito com eles). Ela pensou que, com isso, o avô materno deles, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), ficaria feliz. Mas aconteceu o contrário. O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) não entrou na casa e voltou. A sábia filha, Fátima (que Allah esteja satisfeito com ela), compreendeu por que seu pai não havia entrado e retornara. Imediatamente, ela baixou e rasgou a cortina e retirou as pulseiras das mãos dos dois filhos. Eles foram chorando até o avô materno. Então, dos lábios do Nobre Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), foram proferidas estas palavras: “Eles são membros da minha família. Não desejo que sejam adornados com ornamentos mundanos.” [Sahabiyat, p. 147]

Certa vez, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse a Fátima, ‘Ali, Hasan e Husayn (que Allah esteja satisfeito com eles): “Aqueles contra quem vocês lutam, contra eles também luto; aqueles com quem vocês mantêm a paz e fazem acordos, com eles também mantenho a paz e faço acordos.” Ou seja, aqueles com quem vocês estão descontentes, com eles também estou descontente; e aqueles com quem estão satisfeitos, com eles também estou satisfeito.

O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) sempre deixava claro à sua amada filha Fátima (que Allah esteja satisfeito com ela) que ela não alcançaria a salvação na Vida Futura apenas por ser filha de um Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Ali, o único meio de salvação seriam as boas obras, a taqwa e o temor de Allah. Certa vez, ele disse em um sermão: [Bukhari, 6/16 (Tafsir da Surata Ach-Chu‘ara); Nisa’ Hawlar Rasul, p. 149](Árabe********)

“Ó gente da tribo dos coraixitas! Salvai-vos comprando a vossa própria salvação. Nada poderei fazer por vós perante Allah. Ó Fátima, filha de Muhammad! Pede-me dos meus bens o que quiseres. Porém, nada poderei fazer por ti perante Allah.”

Ele também disse:(Árabe**********)

“Ó Fátima, filha de Muhammad, salva-te do fogo do Inferno. Eu não tenho poder para te beneficiar nem para te prejudicar perante Allah.”

Quando uma mulher da tribo dos Banu Makhzum roubou, os membros de sua tribo tentaram conseguir o perdão da pena por meio de Usama ibn Zayd (que Allah esteja satisfeito com ele), que era querido pelo Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Então, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: [Bukhari: Al-Hudud; Muslim: Babu Qit‘us-Sariq, 1688](Árabe**********)

Juro por Allah! Se até Fátima, filha de Muhammad, roubasse, eu cortaria sua mão.

A reivindicação da herança do pai

Hazrat Rasul-e Karim (s.a.w.) faleceu. Surgiu a questão de sua herança. Fátima (r.a.) foi diretamente até o califa Abu Bakr (r.a.) e solicitou a distribuição da herança de seu pai. Abu Bakr (r.a.) transmitiu-lhe este hadith do Mensageiro de Allah (s.a.w.):(Árabe*********)

“Tudo o que deixamos é sadaqa; não há herança disso.” Então ele disse: “Como poderia eu distribuí-lo depois disso?” Diante dessa resposta, Hazrat Fátima (r.a.) ficou um pouco contrariada.[Muslim: Fi’l Jihad wa’s-Sayr (1759); Bukhari: 6/139, 141; 7/259, Fi’l Maghazi: capítulo: O hadith dos Banu an-Nadir; Tabaqat, 8/18; Siyar A‘lam an-Nubala, 2/120] Fátima (r.a.) voltou para casa e adoeceu. Também foi narrado que Hazrat Fátima (r.a.) ficou triste com essa resposta de Abu Bakr (r.a.) e se irritou tanto com ele que não falou com ele até sua morte. Contudo, segundo uma narração do Imam ash-Sha‘bi (r.h.), quando Fátima (r.a.) adoeceu, Abu Bakr (r.a.) foi à sua casa e pediu permissão para visitá-la. ‘Ali (r.a.) foi até Fátima (r.a.) e disse: “Abu Bakr (r.a.) deseja encontrar-se contigo.” Fátima (r.a.) perguntou a ‘Ali (r.a.): “Concordas que eu lhe dê permissão para entrar?” ‘Ali (r.a.) respondeu: “Sim.” Fátima deu-lhe permissão. Abu Bakr (r.a.) entrou na casa e, depois de cumprimentá-la, disse: “Juro por Allah! Posso abandonar toda a minha riqueza, minha família e minha tribo em troca da satisfação de Allah, do Mensageiro de Allah (s.a.w.) e de vocês, membros da Ahl al-Bayt, isto é, da família do Profeta.” Ao ouvir essas palavras de Abu Bakr (r.a.), toda a tristeza que estava no coração de Hazrat Fátima (r.a.) desapareceu. Ela ficou contente.[Tabaqat, 8/27] Depois de mencionar esse relato, o Imam adh-Dhahabi (r.a.) comentou que Hazrat Fátima (r.a.) conhecia a sunnah segundo a qual, para que outro homem visite uma mulher na casa do marido, é necessário obter a permissão do marido. Esse acontecimento demonstra isso. [Siyar A‘lam an-Nubala, 2/121] O relato mencionado aqui indica que, embora anteriormente houvesse algum descontentamento no coração de Hazrat Fátima (r.a.), ele posteriormente desapareceu. Além disso, uma narração informa que, antes de sua morte, Fátima (r.a.) recomendou à esposa de Abu Bakr (r.a.) que, após sua morte, ela lhe desse o banho funerário.[Nisa’ Mubashsharat bil-Jannah, 224; nota n.º 1]

Morte

Assim como as outras três irmãs de Hazrat Fátima (r.a.) faleceram na juventude, ela também deixou este mundo oito meses — segundo outra opinião, setenta dias — após o falecimento de Hazrat Rasul-e Karim (s.a.w.). Alguns também disseram que ela faleceu dois, quatro ou oito meses após o falecimento do Mensageiro de Allah (s.a.w.). Contudo, o correto é que Hazrat Rasul-e Karim (s.a.w.) faleceu. A profecia do Mensageiro de Allah (s.a.w.), “Tu serás a primeira de minha família a juntar-te a mim”, tornou-se realidade. Se considerarmos que Hazrat Fátima (r.a.) nasceu cinco anos antes de ele receber a missão profética, então ela tinha 29 anos no momento de sua morte. Outros disseram que Fátima (r.a.) nasceu um ano depois de ele receber a missão profética; segundo esse cálculo, sua idade não seria 29 anos. Como a maioria dos especialistas em sira considera que Fátima (r.a.) tinha 29 anos quando morreu, seu nascimento teria ocorrido cinco anos antes do início da missão profética.[Siyar A‘lam an-Nubala, 2/127]

Al-Waqidi disse que Fátima (r.a.) faleceu no dia 3 de Ramadan do ano 11 da Hégira. Hazrat ‘Abbas (r.a.) conduziu a oração funerária. Hazrat ‘Ali, Fadl e ‘Abbas (r.a.) desceram à sepultura e concluíram o sepultamento. Conforme sua recomendação, ela foi sepultada durante a noite. Também foi narrado que ‘Ali ou, segundo outra opinião, Abu Bakr (r.a.) conduziu a oração funerária. Seu marido, ‘Ali (r.a.), e Asma bint ‘Umais (r.a.) deram-lhe o banho funerário.[Al-Isti‘ab, 4/367–368; Ansab al-Ashraf, 1/402, 405]

Não se encontram muitas informações sobre a doença final de Hazrat Fátima (r.a.). Não há nenhum relato de que ela tenha permanecido acamada por algum tempo após ser acometida por uma doença grave. Umm Salama (r.a.) disse que ‘Ali (r.a.) não estava ao lado de Fátima (r.a.) no momento de seu falecimento. Ela mandou chamar-me e disse: “Providencia água para o meu banho funerário. Tira roupas novas e limpas; eu as vestirei.” Providenciei a água e trouxe roupas novas. Ela tomou um banho completo e vestiu as roupas novas. Depois disse: “Prepare minha cama; vou descansar.” Preparei a cama. Ela deitou-se voltada para a qibla. Então me disse: “O momento de minha partida está muito próximo. Já tomei banho. Não é necessário que me deem banho uma segunda vez. Também não é necessário tirar minhas roupas.” Depois disso, ela entregou sua alma à morte.

 Depois que ‘Ali (que Allah esteja satisfeito com ele) chegou em casa, contei-lhe todos esses acontecimentos. Ele considerou suficiente o banho ritual que Fatima (que Allah esteja satisfeito com ela) havia recebido e a sepultou nessa mesma condição. [A‘lam an-Nisā’ — 4/131] Relatos semelhantes também são atribuídos a Ummu Rafi‘. Segundo alguns relatos, foi ‘Ali (que Allah esteja satisfeito com ele) — ou, segundo outra opinião, Abu Bakr (que Allah esteja satisfeito com ele) — quem lhe deu o banho ritual. [Tabaqāt — 8/17, 8; Siyar A‘lām an-Nubalā’ — 2/129]

Poucas pessoas tiveram a oportunidade de participar da oração fúnebre. Isso porque ela faleceu à noite, e Hadrat ‘Ali (que Allah esteja satisfeito com ele) a sepultou naquela mesma noite, conforme seu testamento. Relatos semelhantes aparecem em várias passagens de Tabaqāt. ‘A’isha (que Allah esteja satisfeito com ela) disse que Fatima (que Allah esteja satisfeito com ela) viveu seis meses depois do Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) e foi sepultada à noite. [Siyar A‘lām an-Nubalā’ — 2/129]

A modéstia e o pudor eram uma das principais características da natureza de Hadrat Fatima (que Allah esteja satisfeito com ela). Quando sua morte se aproximou, ela disse a Asmā’ bint ‘Umays (que Allah esteja satisfeito com ela): “Não gosto que os corpos das mulheres sejam levados ao cemitério descobertos. Isso expõe o corpo. Não se faz distinção entre os corpos de homens e mulheres. O fato de os homens carregarem os corpos das mulheres descobertos é uma prática indecorosa deles.” Asmā’ bint ‘Umays (que Allah esteja satisfeito com ela) disse: “Ó filha do Mensageiro de Allah! Vi na Abissínia um bom método. Se me der permissão, posso mostrá-lo.” Dito isso, ela trouxe alguns ramos de palmeira e estendeu sobre eles um pano, fazendo algo semelhante a uma cobertura. Esse método agradou muito a Hadrat Fatima (que Allah esteja satisfeito com ela), que ficou bastante alegre.

O corpo de Hadrat Fatima (que Allah esteja satisfeito com ela) foi levado até o túmulo sob uma cobertura. No Islã, o corpo dela foi o primeiro a ser levado dessa maneira. Depois dela, o corpo da Mãe dos Crentes, Hadrat Zaynab bint Jahsh, também foi levado dessa forma até o túmulo.

Quando Hadrat ‘Ali (que Allah esteja satisfeito com ele) voltou para casa após concluir os preparativos do sepultamento e do kafan de sua esposa Fatima (que Allah esteja satisfeito com ela), parecia extremamente triste e angustiado. Em estado de luto, repetia várias vezes os versos abaixo: [A‘lām an-Nisā’ — 4/131] (Árabe*****)

‘Vejo que as doenças do mundo se instalaram abundantemente em mim. E aquele que pertence a este mundo permanece enfermo até a morte.

Depois de cada encontro entre pessoas que se amam há uma separação. O tempo do encontro que transcorre sem separação é extremamente breve.

A separação de Fatima após Ahmad (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) prova justamente que nenhum vínculo dura para sempre.’

Hazrat ‘Ali (que Allah esteja satisfeito com ele) visitava diariamente o túmulo de Fátima (que Allah esteja satisfeito com ela), chorava recordando-a e recitava os dois versos seguintes: (Árabe*********)

“O que aconteceu comigo, para que eu venha saudar o túmulo; mas o túmulo da amada não responde a nenhuma das minhas perguntas.”

Ó túmulo! O que te aconteceu, para que não respondas ao chamado daquele que te chama?

Ficaste acaso aborrecido com o amor de teu ente querido?

Local do sepultamento

Al-Waqidi disse: Perguntei a ‘Abdur-Rahman ibn Abi al-Mawla: “A maioria das pessoas diz que o túmulo de Hazrat Fátima (que Allah esteja satisfeito com ela) fica no cemitério de al-Baqi‘. O que você acha?” Ele respondeu: “Ela não foi sepultada em al-Baqi‘. Foi sepultada em um canto da casa de ‘Aqil. A distância entre seu túmulo e a estrada era de aproximadamente sete côvados.” [Sahabiyat, p. 153]

Narração de hadith

Hazrat Fátima (que Allah esteja satisfeito com ela) narrou dezoito hadiths do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Um deles é muttafaqun ‘alayh, isto é, foi compilado por Bukhari e Muslim através da cadeia de transmissão de Hazrat ‘A’isha (que Allah esteja satisfeito com ela). O Imam Abu Dawud, Ibn Majah e Tirmidhi compilaram, cada um em sua própria coletânea, os hadiths narrados por Fátima (que Allah esteja satisfeito com ela). Aqueles que narraram hadiths dela foram: seus dois filhos, pedaços de seu coração, Hasan e Husayn; seu marido, ‘Ali ibn Abi Talib; a Mãe dos Crentes, ‘A’isha; Salma, Ummu Rafi‘; Anas ibn Malik; Ummu Salama; Fátima bint al-Husayn (que Allah esteja satisfeito com eles); e muitos outros. Ibn al-Jawzi disse: “Não sabemos de nenhuma outra filha do Mensageiro de Allah, além de Fátima (que Allah esteja satisfeito com ela), que tenha narrado algum hadith do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele).” [Siyar A‘lam an-Nubala, 2/119; A‘lam an-Nisa, p. 128, nota n.º 1]

Umm al-Fadl bint al-Harith (que Allah esteja satisfeito com ela)


Umm al-Fadl era Lubaba al-Kubra, conhecida simplesmente pelo nome de Umm al-Fadl. Segundo o costume árabe, ela adotou uma kunya baseada no nome de seu filho mais velho, al-Fadl ibn ‘Abbas. Seu pai era al-Harith ibn Huzn al-Hilali, e sua mãe, Hind bint ‘Awf al-Kinaniyya. Essa Hind também era conhecida como Khawla. [Tabaqat-8/277; al-Isi‘ab-4/398] O honrado tio paterno do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), Hazrat ‘Abbas ibn ‘Abd al-Muttalib (que Allah esteja satisfeito com ele), casou-se com ela. Assim, Umm al-Fadl era uma orgulhosa tia paterna do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Os filhos de Hazrat ‘Abbas eram: al-Fadl, ‘Abdullah, ‘Ubaydullah, Ma‘bad, Qutham e ‘Abd al-Rahman; e ela também era a mãe de Umm Habib. O Imam al-Dhahabi disse: “Ela foi mãe de seis filhos ilustres de Hazrat ‘Abbas (que Allah esteja satisfeito com ele).” [Siyar A‘lam al-Nubala-2/314; Ansab al-Ashraf-1/447] O poeta árabe ‘Abdullah ibn Yazid al-Hilali disse: “Nenhuma mulher nobre da Arábia deu à luz filhos iguais aos seis filhos do ventre de Umm al-Fadl.” [Tabaqat-8/277; nota marginal de al-Isti‘ab e al-Isaba-4/399]

Ela tinha muitos irmãos e irmãs de pai e mãe, de pai ou de mãe, vários dos quais se tornaram famosos na história por diferentes motivos. Entre eles estava Maymuna bint al-Harith, conhecida como Lubaba al-Sughra, a orgulhosa mãe do ilustre Companheiro e comandante Khalid ibn al-Walid (que Allah esteja satisfeito com ele). ‘Azza bint al-Harith e Huzayla bint al-Harith eram suas irmãs por parte de pai. Já Mahmiya ibn Jaza‘a al-Zubaydi, Sulma, Asma’ e Salama eram seus irmãos e irmãs por parte de mãe. [Usd al-Ghaba-5/539] Assim, verifica-se que ela era irmã carnal de Maymuna, uma das Mães dos Crentes, e tia materna do comandante Khalid ibn al-Walid. Sua irmã Salama era esposa de Hazrat Hamza (que Allah esteja satisfeito com ele), e Asma era esposa do famoso comandante e Companheiro mártir Hazrat Ja‘far ibn Abi Talib (que Allah esteja satisfeito com ele), irmão de Hazrat ‘Ali (que Allah esteja satisfeito com ele). Após o martírio de Ja‘far, o primeiro califa, Hazrat Abu Bakr al-Siddiq (que Allah esteja satisfeito com ele), tornou-se seu segundo marido. Após o falecimento de Abu Bakr (que Allah esteja satisfeito com ele), Hazrat ‘Ali (que Allah esteja satisfeito com ele) tornou-se seu terceiro marido. A mãe de Umm al-Fadl foi afortunada nesse aspecto, pois obteve, como genros de suas filhas, os melhores filhos das melhores famílias da Arábia de então. Nenhuma outra mulher lhe era igual nessa fortuna. [Tabaqat-8/278; al-Isi‘ab-4/399]

Ela aceitou o Islã no início da pregação islâmica em Meca. Foi relatado que ela foi a primeira mulher de Meca a aceitar o Islã depois de Hazrat Khadija (que Allah esteja satisfeito com ela). [Tabaqat-8/277] Contudo, a obra al-Isaba também afirma que ela aceitou o Islã antes da Hégira. [Siyar A‘lam al-Nubala-2/315] Entretanto, os estudiosos do hadith consideraram esse relato fraco e disseram que o primeiro relato é o correto. [Sahabiyyat-174] O Imam al-Dhahabi a incluiu entre os muçulmanos do primeiro período. [Siyar A‘lam al-Nubala-2/315]

Abu Rafi‘, servo do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), disse: “Eu era escravo de ‘Abbas. O Islã entrou em nossa família. ‘Abbas e Umm al-Fadl aceitaram o Islã.” [Hayat al-Sahaba-34/530; Tabaqat-8/278] O correto é que ‘Abbas aceitou o Islã desde os primeiros tempos e o manteve em segredo.

Embora fosse muçulmana desde os primeiros tempos em Meca, ela permaneceu firmemente em solo mecano, apesar de inúmeras adversidades, até a Hégira de seu marido, Hazrat ‘Abbas (que Allah esteja satisfeito com ele), para Medina. Hazrat ‘Abbas (que Allah esteja satisfeito com ele) declarou sua aceitação do Islã muito tarde e migrou para Medina já no fim. Foi então que Umm al-Fadl (que Allah esteja satisfeito com ela) migrou para Medina com seus filhos. Por isso, mais tarde, seu filho, Hazrat ‘Abdullah ibn ‘Abbas (que Allah esteja satisfeito com ele), recitava o versículo 75 da surata al-Nisa’ e dizia: “Minha mãe e eu somos a mulher e a criança em favor das quais esse versículo ordena que se lute.” [Sahih al-Bukhari, Kitab al-Tafsir, Surata al-Nisa’] O sentido do versículo é: “E o que vos sucede, para que não luteis pela causa de Allah em favor dos homens, mulheres e crianças oprimidos, que dizem: ‘Senhor nosso! Retira-nos desta cidade, cujos habitantes são opressores!’” O hadith indica que eles aceitaram o Islã antes de Hazrat ‘Abbas (que Allah esteja satisfeito com ele), mas eram incapazes de emigrar. Foi isso que afirmou o Imam al-Dhahabi. [Siyar A‘lam al-Nubala-2/315]

O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) declarou que Umm al-Fadl e suas outras irmãs eram crentes. Certa vez, diante do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), foram mencionados os nomes de Maymuna, Umm al-Fadl, Lubaba al-Sughra, Huzayla, ‘Azza, Asma’ e Salma. O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: “Todas essas irmãs são mu’minas, isto é, crentes.” [Tabaqat-8/278; al-Isti‘ab-4/401] Alguns acontecimentos da vida do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) mostram que, assim como ele amava sua tia Umm al-Fadl, também lhe dava grande importância. E sua tia também lhe tinha grande carinho. O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) costumava visitar a casa da tia e descansar ali por algum tempo ao meio-dia. [Tabaqat-8/277; Usud al-Ghaba-5/539]

Al-Ajlah relatou, através de Zayd ibn ‘Ali ibn al-Husayn, que, depois de receber a missão profética, o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) não repousou a cabeça no colo de nenhuma mulher além de Umm al-Fadl, e tampouco lhe era permitido fazê-lo. Umm al-Fadl colocava a cabeça do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) em seu colo, limpava-a e aplicava kohl em seus olhos. Certo dia, enquanto aplicava o kohl, uma gota de água caiu subitamente de seus olhos sobre a face do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Ele ergueu a cabeça e perguntou: “O que aconteceu?” Umm al-Fadl respondeu: “Allah lhe dará a morte. Se a liderança e o poder permanecerem entre nós ou passarem para as mãos de outros, se ao menos dissesse quem, entre nós, o sucederá.” O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: “Depois de mim, vós sereis impotentes e fracos.” [Tabaqat-8/278] Segundo um relato do Imam Ahmad, esse acontecimento ocorreu durante a doença final do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). [Hayat al-Sahaba-2/337]

Durante a Peregrinação de Despedida, Ummul Fadl também realizou a peregrinação com Rasulullah (sa). No dia da permanência em Arafat, os Companheiros estavam em dúvida sobre se Rasulullah (sa) estava jejuando. Em certo momento, expuseram essa dúvida a Ummul Fadl. Para confirmar a questão, Ummul Fadl ofereceu uma taça de leite a Rasulullah (sa), e ele a bebeu. Assim, todas as dúvidas e incertezas deles desapareceram.[Tabaqat-8/279;]

Certa vez, Hazrat Ummul Fadl (ra) disse a Rasulullah (sa): “Vi em sonho que uma parte do seu corpo estava em minha casa.” Rasulullah (sa) disse: “A interpretação do sonho, insha’Allah, será boa. Fátima terá um filho, e você o amamentará. Assim, será sua tutora.” Conforme a profecia, Hazrat Fátima deu à luz Hazrat Husayn (ra), e Ummul Fadl (ra) também o amamentou. Certo dia, ela levou Husayn no colo até Rasulullah (sa). O pequeno Husayn urinou no colo do avô. Ummul Fadl o repreendeu, dizendo: “Você urinou no colo de Rasulullah (sa)?” O Mensageiro (sa) disse: “Você está me afligindo ao repreender a criança.” Em seguida, a urina foi lavada com água.[ibidem]

Hazrat Ummul Fadl (ra) narrou trinta hadiths de Rasulullah (sa). O Imam Dhahabi mencionou isso com base na transmissão de Musnad Baqi ibn Mukhalled. Entre eles, apenas um hadith é muttafaqun ‘alayh; o Imam Bukhari narrou três, e o Imam Muslim narrou três exclusivamente.[Siyar A‘lam an-Nubala-2/315; ver Bukhari-2/204, 4/206; Muslim, hadiths nº 462, 1123, 1451;]

Entre aqueles que narraram hadiths de Ummul Fadl, os mais notáveis são: ‘Abdullah, Tammam, Anas ibn Malik, ‘Abdullah ibn Harith, ‘Umayr, Quraib e Fabus.[Usud al-Ghabah-5/540]

Hazrat Ummul Fadl era uma mulher de elevado grau de devoção (‘abid) e desapegada do mundo. Tinha o hábito de jejuar todas as segundas e quartas-feiras. Isso foi afirmado por seu eminente filho, o grande Companheiro Hazrat ‘Abdullah ibn ‘Abbas (ra).[Tabaqat-8/278; Siyar as-Sahabiyyat-117] Ela faleceu durante o califado do terceiro califa, Hazrat ‘Uthman (ra). Seu marido, Hazrat ‘Abbas (ra), ainda estava vivo. Hazrat ‘Uthman (ra) conduziu a oração fúnebre.[Siyar A‘lam an-Nubala-2/315; Siyar as-Sahabiyyat-117]

Safiyyah (ra), filha de ‘Abd al-Muttalib


Hazrat Safiyyah (ra) e Hazrat Rasul-e-Karim (sa) tinham a mesma linhagem e os mesmos ancestrais. Isso porque Hazrat Safiyyah (ra) era filha de ‘Abd al-Muttalib e tia paterna de Rasulullah (sa). Por outro lado, Halah bint Wahab, meia-irmã da mãe de Rasulullah (sa), era a mãe de Safiyyah. Portanto, por esse lado, a mãe de Safiyyah era tia materna de Rasulullah (sa).[Usud al-Ghabah-5/892; al-Isabah-4/348] O mártir de Uhud, Sayyid ash-Shuhada Hazrat Hamzah (ra), era seu irmão. Ambos eram filhos da mesma mãe.[Tahdhib al-Asma’ wa al-Lughat-1/349]

Na época da ignorância, ela se casou com Harith ibn Harb, irmão de Abu Sufyan ibn Harb. Teve um filho com ele. Após a morte de Harith, casou-se pela segunda vez com ‘Awwam ibn Khuwaylid e tornou-se mãe de três filhos: Zubayr, Sa’ib e ‘Abd al-Ka‘bah.[Tabaqat-8/42] É digno de nota que esse ‘Awwam era irmão de Hazrat Khadijat al-Kubra (ra), Mãe dos Crentes. Assim, verifica-se que ela foi a orgulhosa mãe de Hazrat Zubayr ibn al-‘Awwam, um dos membros dos ‘Asharah Mubashsharah, e a avó do ilustre Companheiro ‘Abdullah ibn az-Zubayr, voz de protesto contra a opressão e a tirania, que foi martirizado pelas forças do tirânico Yazid.

Hazrat Safiyya (que Allah esteja satisfeito com ela) aceitou o Islã. Há divergência entre os especialistas em sira quanto à aceitação do Islã pelas tias paternas do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). No entanto, não há qualquer divergência entre os especialistas quanto à aceitação do Islã por parte dela. Ibn Sa‘d mencionou a aceitação do Islã por Arwa, ‘Atika e outras tias paternas. Mas a verdade é que, exceto Safiyya, as demais não aceitaram o Islã. Ibn al-Athir afirmou justamente isso.[Usud al-Ghaba 5/492; Tahdhib al-Asma’ wa al-Lughat-1/349] Sobre sua hégira, sabe-se apenas que ela emigrou para Medina com seu marido, ‘Awwam. Ibn Sa‘d disse somente o seguinte: [Tabaqat-8] “(Árabe*****)Ela emigrou para Medina.”

Hazrat ‘Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela) disse: Quando, em Meca, este versículo foi revelado ao Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele)(Árabe*******) [Surata Ash-Shu‘ara’ – 214], ele se levantou e dirigiu-se assim: [Siyar A‘lam an-Nubala-2/271]

— Ó Fatima, filha de Muhammad; ó Safiyya, filha de ‘Abd al-Muttalib; ó descendentes de ‘Abd al-Muttalib! Não poderei fazer nada por vós perante Allah. Podeis pedir-me o que quiserdes dos meus bens.

Ela participou de várias expedições militares. Durante a batalha de Uhud, as mulheres foram deixadas, para sua segurança, na fortaleza de Fari‘, pertencente ao poeta Hassan ibn Thabit (que Allah esteja satisfeito com ele). Essa fortaleza de Fari‘ também era chamada de fortaleza de ‘Utum. Hazrat Hassan também estava com elas. Hazrat Safiyya estava entre essas mulheres. Certo dia, ela viu um judeu rondando os arredores da fortaleza. Ficou alarmada, pois, se ele descobrisse onde as mulheres estavam, poderia ocorrer um grande desastre. Isso porque o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) encontrava-se então no campo de batalha com seu exército. Percebendo a gravidade do perigo, Hazrat Safiyya disse a Hassan: Mate esse judeu; caso contrário, ele informará aos outros judeus a nossa localização. Hassan (que Allah esteja satisfeito com ele) respondeu: A senhora sabe que não tenho condições de fazer isso. Se eu tivesse essa coragem, estaria junto do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Então Safiyya tomou nas mãos uma estaca da tenda, lançou-se sobre o judeu e o matou. Depois disse a Hassan (que Allah esteja satisfeito com ele): Vá agora e traga os objetos que estavam com ele. Como sou mulher e ele era homem, não posso fazer isso. Essa tarefa cabe a você. Hassan respondeu: Não há necessidade desses objetos.[Tabaqat-8/41; Kanz al-‘Ummal-7/99; Sira de Ibn Hisham-2/228; al-Aghani-4/164; al-Bidaya-4/108]

Em outro relato, consta que, depois de matar o homem, Safiyya (que Allah esteja satisfeito com ela) cortou-lhe a cabeça e disse a Hassan: Pegue-a e lance-a entre os judeus abaixo da fortaleza. Ele respondeu: Isso não é tarefa minha. Então Safiyya lançou pessoalmente a cabeça entre os judeus, que se dispersaram, tomados de medo. Mais tarde, Safiyya (que Allah esteja satisfeito com ela) costumava dizer:(Árabe*********)

Eu fui a primeira mulher a matar um homem. Isso foi relatado por ‘Urwa.[A batalha de Uhud ocorreu antes da batalha da Trincheira. Hazrat Safiyya também participou dessa batalha de Uhud e deu um exemplo brilhante de coragem. Em determinado momento da batalha, os muçulmanos foram dispersos pelo ataque das forças coraixitas e começaram a fugir. Na realidade, naquele momento havia ocorrido uma espécie de derrota. Hazrat Safiyya (que Allah esteja satisfeito com ela) segurava uma lança e golpeava todos os soldados em fuga que encontrava pela frente, dizendo em tom exaltado: Estais fugindo, deixando o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) para trás? Essa situação chegou ao conhecimento do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse a Zubayr que não deixasse sua mãe ver o corpo de Hamza, pois os coraixitas tratavam os cadáveres de forma desumana. Eles mutilavam os corpos, cortando-os e desfigurando-os. O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) deu essa instrução a Zubayr pensando que, ao ver o estado horrível do corpo de seu irmão, ela poderia perder a compostura. Seguindo as instruções do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), Zubayr (que Allah esteja satisfeito com ele) aproximou-se de sua mãe e disse: Mãe, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) está pedindo que a senhora volte. Ela respondeu: Fiquei sabendo que o corpo de meu irmão foi mutilado. Allah sabe que não aprovo de modo algum que tenham tratado assim o corpo de meu irmão; ainda assim, certamente terei paciência. Se Allah quiser, manterei o controle sobre mim mesma. Zubayr (que Allah esteja satisfeito com ele) transmitiu essas palavras de sua mãe ao Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Então ele permitiu que Safiyya (que Allah esteja satisfeito com ela) se aproximasse do corpo de seu irmão. Hazrat Safiyya foi até o corpo de seu irmão e viu os pedaços de seu corpo. Manteve pleno controle sobre si mesma. Limitou-se a pronunciar: Inna lillahi wa inna ilayhi raji‘un, e continuou suplicando a Allah pelo perdão dele. Depois que ela saiu, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) ordenou que o corpo de Hazrat Hamza (que Allah esteja satisfeito com ele) fosse sepultado.[Tabaqat-8/42; Usud al-Ghaba-5/492]

Naquele dia, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: Se eu não temesse o sofrimento de Safiyya e não temesse que isso se tornasse uma prática depois de mim, deixaria o corpo de Hamza assim no campo, para que os animais e as aves o devorassem.[Sira de Ibn Hisham-2/95]

Para garantir o sustento de Hazrat Safiyya (que Allah esteja satisfeito com ela), após a conquista de Khaybar, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) determinou para ela quarenta wasq de cereais por ano, provenientes das colheitas produzidas naquele local.[Tabaqat-8/41]

Durante o califado de Hadrat ‘Umar (que Allah esteja satisfeito com ele), ela faleceu em Medina, no ano 20 da Hégira, aos 73 anos de idade. Foi sepultada no cemitério de Baqi’, junto à casa de Mughirah ibn Shu‘bah, ao lado do local de ablução. Muitos afirmaram que numerosos relatos do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) foram transmitidos por ela. [Ibidem, 8/42; Tahdhīb al-Asmā’ wa al-Lughāt, 1/349; al-Istī‘āb (nota marginal de al-Isābah), 4/345] Isso não é correto.

Talento poético

Hadrat Safiyyah (que Allah esteja satisfeito com ela) era uma poetisa e uma mulher de fala eloquente do ramo hāshimita da tribo dos coraixitas. Também alcançou fama por seu empenho no jihad e em outras boas ações. Dominava muito bem a língua árabe. Os versos poéticos fluíam livremente de seus lábios. Esses versos eram dotados de ideias excelentes, claros e fluentes; repletos de emoções e sentimentos ternos, verdadeiros e genuínos, além de extraordinário heroísmo e coragem. Foi relatado que, quando embalava no colo seu pequeno filho az-Zubayr, versos que expressavam bravura fluíam livremente de seus lábios. [Siyar A‘lām an-Nubalā’, 1/45]

Nos livros de história e de sīrah (biografias), os poemas preservados de Hadrat Safiyyah (que Allah esteja satisfeito com ela) não deixam dúvida de que ela foi uma grande poetisa árabe. Seu êxito na composição de elegias é particularmente digno de nota. Por isso, muitos lhe deram o título de(Árabe****) ou “a Khansā do clã dos coraixitas”. [Nisā’ min ‘Asr an-Nubuwwah, 419]

O erudito as-Suyūṭī afirmou na obra Ad-Durr al-Manthūr: [Ad-Durar al-Manthūr, 261]

“Ela era uma poetisa de linguagem pura e eloquente. Em suas palavras, ações, honra, dignidade e nobreza de linhagem, possuía uma distinção especial aos olhos de todos os árabes.”

Após a morte de ‘Abdul-Muttalib, Safiyyah (que Allah esteja satisfeito com ela) reuniu suas irmãs e as filhas de Banū Hāshim e realizou algo semelhante a uma cerimônia de luto. Nessa ocasião, muitas mulheres recitaram elegias compostas por elas mesmas. Essa elegia foi compilada em várias obras. [Nota: Sīrah Ibn Hishām, 1/169–174]

Seus dois versos são os seguintes: (Árabe*************************)

Por um homem de elevada posição, durante a noite,

despertei ao som da voz de uma carpideira

Então, lágrimas escorreram por ambas as minhas faces

como as pérolas rolam de um lugar inclinado.

Após o falecimento do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), ela compôs uma elegia. Alguns trechos dela podem ser encontrados em várias obras. Aqui são apresentados alguns de seus versos: [Siyar A‘lam an-Nubala-2/271; ver: Hayatus Sahaba-3/347-348](Árabe*****)

‘Ó meus olhos! Sede generosos no derramamento de lágrimas e na vigília noturna

por um dos melhores entre os mortos,

lamentai a pessoa que se perdeu

Com intensa tristeza e dor, de Muhammad al-Mustafa

lamenta em sua memória. A dor que, no coração,

se misturou e se fundiu, deixou-o apoiado

como uma pessoa enferma.

Minha vida ficou ameaçada—

quando chegou a sua morte predeterminada,

que está registrada num Livro grandemente honrado.

Ele era gentil para com as pessoas,

Misericordioso e o melhor dos guias.

Que Allah seja benevolente para com ele em todas as circunstâncias da vida e da morte,

e, naquele dia eterno, que Allah lhe conceda o Paraíso.’

Eis alguns versos de outra elegia composta em memória do venerável Mensageiro (que a paz esteja com ele): [Shā’irāt al-‘Arab, 202–205](Árabe**********)

‘Ó Mensageiro de Allah! Você era nossa esperança e nosso apoio. Você nos tratava com bondade e não era severo.

Você era misericordioso, guia e mestre. Por você, hoje, que minha mãe, minha tia materna, meu tio paterno, meu tio materno, minha vida e todos os meus bens sejam sacrificados.

Se o Senhor da humanidade tivesse mantido nosso Profeta vivo para sempre, teríamos sido afortunados. Mas Sua decisão já estava determinada.

Que a paz da parte de Allah recaia sobre você, em sua honra! E que você entre, com o coração satisfeito, no Paraíso eterno.’

Já mencionei anteriormente a coragem demonstrada por Safiyya (ra) quando, na batalha de Uhud, os soldados muçulmanos, em estado de desordem, foram dispersos para longe do Mensageiro (sa). Naquela ocasião, ela também compôs um poema em memória de Hamza (ra). Nele, descreveu uma cena; um de seus versos é o seguinte:[Al-Isaba-4/349] (Árabe*******)

«E sobre você veio um dia cujo sol se obscureceu, embora antes fosse luminoso.»

Ummu Ayman Baraka (ra)


Ummu Ayman era a serva liberta do Mensageiro de Allah (sa). Seu nome próprio era Baraka. Era uma mulher abissínia. Seu pai chamava-se Tha‘laba ibn ‘Amr. Ela era serva do honrado pai do Mensageiro de Allah (sa), ‘Abdullah, ou, segundo outra opinião, de sua mãe, Amina.[Ansab al-Ashraf-1/96,] Por herança, o Mensageiro (sa) concedeu-lhe a liberdade da escravidão.[Siyar A‘lam an-Nubala-2/223,] Ela foi a ama de leite do Mensageiro de Allah (sa). Foi uma das pessoas que o criaram, carregando-o nos braços.[Ansab al-Ashraf-1/96, 476,] O Mensageiro de Allah (sa) possuía sete cabras, e Ummu Ayman cuidava delas.[Ibid.-1/513,]

Quando o Mensageiro de Allah (sa) tinha seis anos, sua mãe, Amina, foi com ele a Medina para visitar o túmulo de seu esposo. ‘Abdul-Muttalib e Ummu Ayman também participaram dessa viagem.[Ibid.-1/94]

‘Ubayd ibn ‘Amr al-Khazraji veio de Yathrib para Meca e passou a morar ali. Nesse período, ele se casou com Ummu Ayman (sa). Al-Baladhuri afirma que esse casamento de ‘Ubayd com Ummu Ayman ocorreu na época da Jahiliyya. Ela passou muitos anos de sua vida viúva, na casa do Mensageiro de Allah (sa). Então, certo dia, o Mensageiro (sa) disse aos seus Companheiros em Meca: «Se algum de vocês quiser casar-se com uma mulher que terá direito ao Paraíso, que se case com Ummu Ayman.» Depois, quando Zayd ibn Harith, filho adotivo do Mensageiro de Allah (sa) e muito querido por ele, manifestou o desejo de casar-se com ela, o próprio Mensageiro (sa) tomou a iniciativa e realizou o casamento de Ayman com ele. Na casa de Zayd nasceu Usama, que mais tarde se tornaria um famoso comandante militar. De acordo com o costume árabe, ela adotou o kunya Ummu Ayman, em referência ao nome de Ayman, filho de seu primeiro marido, e tornou-se conhecida na história por esse nome. Seu nome verdadeiro era Barakat. Esse Ayman tornou-se muçulmano e alcançou o martírio na batalha de Hunayn.[Ibid.-1/472-473; Tabaqat-8/224; Siyar A‘lam an-Nubala-2/224]

Ummu Ayman (ra) abraçou o Islã já no início de sua história. Ela foi uma das pessoas que tiveram a honra de emigrar tanto para a Abissínia quanto para Medina. Primeiro, emigrou para a Abissínia. Depois, retornou a Meca e emigrou novamente para Medina com seu esposo, Zayd ibn Haritha.[Siyar as-Sahabiyyat-111; Ansab al-Ashraf-1/320] Ela participou das batalhas de Uhud e Khaybar. Em Uhud, ficou encarregada de dar água aos soldados e cuidar dos feridos.

Al-Baladhuri afirma: Ummu Ayman (ra), ama de leite do Mensageiro de Allah (sa), dava água aos combatentes muçulmanos, junto com as mulheres dos Ansar, na batalha de Uhud. Hibbon ibn ‘Araqa lançou uma flecha contra ela. A flecha atingiu seu escudo, fazendo com que uma parte de seu corpo ficasse exposta. Ao ver isso, o arqueiro caiu na gargalhada. Então, o Mensageiro (sa) colocou a flecha na mão de Sa‘d ibn Abi Waqqas e disse: «Atire esta.» Sa‘d lançou a flecha, que atingiu Hibbon. Imediatamente, ele caiu ao chão e morreu. Ao ver isso, o Mensageiro (sa) riu de tal maneira que seus dentes ficaram visíveis.[Ibid.-1/320,]

Al-Harith ibn Hatib, Tha‘laba ibn Hatib, Sawad ibn Ghaziyya, Sa‘d ibn ‘Uthman e várias outras pessoas fugiram do campo de batalha de Uhud. Ummu Ayman censurou-os severamente. Começou a lançar-lhes poeira no rosto e a dizer-lhes: “Vão, há uma roca; fiem.” [ibid., 1/326]

Ummu Ayman (que Allah esteja satisfeito com ela) permaneceu ligada à família do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) por toda a vida. Foi para Medina na Hégira juntamente com os membros da família do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). [Al-Isabah, 4/450; Al-Isti‘ab, 4/450; Hayatus-Sahabah, 1/369] Também a vemos na primeira fila por ocasião do casamento de ‘Ali e Fátima. O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) enviou a sua querida filha Fátima para a casa do marido e, na manhã seguinte, correu à casa do genro para ver a filha e o genro. Bateu à porta. Havia muitas mulheres na casa do casamento. Ao perceberem a presença do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), todas ficaram bastante alertas. Quando Ummu Ayman abriu a porta, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse-lhe: “Chame o meu irmão.” É importante mencionar que o genro ‘Ali (que Allah esteja satisfeito com ele) era primo paterno do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Ummu Ayman (que Allah esteja satisfeito com ela) passou a noite na casa de ‘Ali. Ela disse ao Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele): “Ó Mensageiro de Allah! Por que chama ‘Ali de irmão? Ele não é o marido da sua filha?” [Hayatus-Sahabah, 2/668]

No oitavo ano da Hégira, quando Zaynab, filha do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), faleceu, ela participou do seu banho fúnebre juntamente com as outras mulheres. Antes disso, quando Ruqayya, filha do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), faleceu durante a batalha de Badr, Ummu Ayman também lhe deu o banho fúnebre. Al-Kalbi disse: “Quando a Mãe dos Crentes Khadija (que Allah esteja satisfeito com ela) faleceu, Ummu Ayman e Ummul-Fadl deram-lhe o banho fúnebre.” [Ansab al-Ashraf, 1/400, 401, 406]

O nobre Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) tratava Ayman com grande consideração e respeito. Às vezes, dirigia-se a ela chamando-a de mãe. Também dizia: “Ela é a última pessoa desta família.” [Tabaqat, 8/223; Al-Hakim, 4/63] Ummu Ayman (que Allah esteja satisfeito com ela) era uma pessoa de entendimento um tanto simples. O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) às vezes brincava um pouco com ela. Certo dia, Ummu Ayman (que Allah esteja satisfeito com ela) foi ter com o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) e disse: “Ó Mensageiro de Allah! Providencie uma montaria para eu montar.” O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: “Vou fazê-la montar no filhote de uma camela.” Ummu Ayman disse: “O filhote não será capaz de carregar o meu peso.” O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: “Vou fazê-la montar justamente no filhote.” Na realidade, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) estava apenas brincando um pouco com ela. Está registrado nos hadiths que o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) não fazia brincadeiras sem propósito; mesmo nelas havia verdade. Este caso não é exceção, pois todo camelo, pequeno ou grande, é filhote de alguma camela. [Al-Bidayah, 6/46; Al-Adab al-Mufrad de al-Bukhari, 41; Siyar A‘lam an-Nubala, 2/225]

Ummu Ayman (que Allah esteja satisfeito com ela) não conseguia pronunciar todos os sons das letras árabes. [Tabaqat, 8/225] Abu Ja‘far al-Baqir disse que, certo dia, Ummu Ayman (que Allah esteja satisfeito com ela) foi ter com o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) e, ao cumprimentá-lo, pronunciou da seguinte forma:(Árabe*****) (Salāmu lā ‘alaykum). Desde então, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) permitiu-lhe dizer apenas(Árabe***) as-Salāmu. [ibid.; Siyar A‘lam an-Nubala, 2/225]

Quando o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) faleceu, Ummu Ayman ficou profundamente triste e começou a chorar. As pessoas disseram: “Está a chorar?” Ela respondeu: “Juro por Allah que eu sabia que ele morreria. Mas choro porque, a partir de hoje, a revelação do céu deixou de vir até nós.” Também foi narrado por Anas (que Allah esteja satisfeito com ele): “Assim como o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) costumava visitar Ummu Ayman de vez em quando, vamos nós também visitá-la.” Quando os dois chegaram até Ummu Ayman, ela começou a chorar. Eles disseram: “Por que está a chorar? O que está junto de Allah é melhor para o Seu Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele).” Ummu Ayman disse: “Não estou a chorar por desconhecer isso. Choro porque a revelação deixou de vir do céu.” Ao ouvirem isso, Abu Bakr e ‘Umar (que Allah esteja satisfeito com ambos) começaram os dois a chorar. [Sahih Muslim; Fada’il as-Sahabah, 2454; Ibn Majah: Al-Jana’iz, 1635; Kanz al-‘Ummal, 4/48; Al-Bidayah, 5/274] Do mesmo modo, quando o segundo califa, ‘Umar, foi martirizado, ela continuou a dizer entre lágrimas: “Hoje o Islão ficou enfraquecido.” [Siyar A‘lam an-Nubala, 2/227]

Depois de o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) ter emigrado para Medina, os Ansar espontaneamente colocaram muitos dos seus pomares de tamareiras à disposição do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Mais tarde, quando as tribos judaicas de Medina, Banu Qurayza e Banu Nadir, foram expulsas de Medina e tudo o que lhes pertencia passou para as mãos dos muçulmanos, ele começou a devolver aqueles pomares aos Ansar. Entre eles havia também alguns pertencentes a Anas (que Allah esteja satisfeito com ele). O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) havia dado aquele pomar a Ummu Ayman. Quando Anas (que Allah esteja satisfeito com ele) foi até Ummu Ayman para reaver o pomar, ela recusou-se a devolvê-lo. Mais tarde, em lugar daquele pomar, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) deu-lhe dez vezes mais. [Sahih al-Bukhari; Al-Maghazi, 7/316; Muslim; Al-Jihad wa as-Siyar, 2/341]

Certo dia, o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) foi à casa de Ummu Ayman. Ummu Ayman ofereceu-lhe uma bebida. O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) estava em jejum. Por isso, hesitou em bebê-la. Com isso, Ummu Ayman demonstrou grande desagrado. [Muslim, 2/341] Provavelmente, ela não sabia que o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) estava em jejum. E o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) não considerou necessário esclarecer-lhe esse assunto.

Hazrat Ummu Ayman (que Allah esteja satisfeito com ela) também transmitiu hadiths do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Foram encontrados cinco hadiths transmitidos por meio dela. [Siyar A‘lam an-Nubala-2/227,] Entre os que transmitiram hadiths por meio dela, destacam-se Anas ibn Malik, Hansh ibn ‘Abdillah as-San‘ani e Abu Yazid.[Sahabiyyat-200]

Como já foi mencionado, ela teve dois filhos: Ayman, de seu primeiro marido, e Usama, de seu segundo marido. Ambos eram Companheiros. Usama era um Companheiro de grande dignidade e muito amado pelo Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Ayman teve um filho chamado Hajjaj ibn Ayman. Certo dia, ele entrou na mesquita, realizou o rukū‘ e a prostração de maneira descuidada e terminou a oração muito rapidamente. Hazrat ‘Abdullah ibn ‘Umar (que Allah esteja satisfeito com ele) estava sentado ao lado. Chamou Ibn Ayman (que Allah esteja satisfeito com ele) e perguntou: “Você acha que sua oração foi válida? Sua oração não foi válida. Vá e repita-a.” Depois que Ibn Ayman saiu, Ibn ‘Umar (que Allah esteja satisfeito com ele) perguntou às pessoas: “Quem é esse homem?” Elas responderam: “Hajjaj ibn Ayman, neto de Ummu Ayman.” Então Ibn ‘Umar (que Allah esteja satisfeito com ele) comentou: “Quando o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) o via, fazia-lhe carinho.”[Tabaqat-8/225; Siyar A‘lam an-Nubala-2/226,]

Hazrat Ummu Ayman (que Allah esteja satisfeito com ela) faleceu durante o califado de Hazrat ‘Uthman (que Allah esteja satisfeito com ele). A afirmação de Ibn al-Athir de que ela faleceu cinco ou seis meses depois do falecimento do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) não está correta.[Tabaqat-8/227; Sahabiyyat-200]

Diversos livros de sīrah narram um acontecimento miraculoso relacionado a Ummu Ayman (que Allah esteja satisfeito com ela). Quando ela estava emigrando, anoiteceu em certo ponto do caminho, e ela ficou extremamente sedenta. Não havia água por perto. Nesse momento, um balde de água, pendurado no céu por uma corda branca, apareceu diante dela. Ela bebeu aquela água até se saciar completamente. Como resultado, nunca mais sentiu sede em sua vida. Ela costumava dizer: “Mesmo ao meio-dia, sob um calor intenso, não sinto sede enquanto jejuo.”[Tabaqat-8/224; Hayatus Sahabah-3/618]

At-Tabarani narrou: certa vez, um grupo de pessoas da tribo de Ghifar veio a Medina até o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) com o propósito de aceitar o Islam. Entre eles estava Jahjah al-Ghifari. Eles realizaram a oração com o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) na mesquita. Depois que o Mensageiro terminou a oração com o salam, anunciou: “Cada um dos orantes levará consigo o hóspede que estiver ao seu lado.” Jahjah al-Ghifari disse: “Todos foram embora. Na mesquita, restamos apenas eu e o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Eu era um homem alto e corpulento.” O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) levou-me consigo para sua casa e mandou trazer para mim o leite de uma cabra depois de ordenhá-la. Bebi tudo de um só gole. Depois, ele mandou trazer a comida preparada na panela, e também devorei tudo. Ao ver isso, Ummu Ayman (que Allah esteja satisfeito com ela) comentou: “Que Allah deixe com fome esta noite aquele que deixou o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) sem comida.” O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: “Ummu Ayman, cale-se. Ele comeu a sua provisão, e a nossa provisão está sob a responsabilidade de Allah.”

A noite passou. No dia seguinte, todos os membros do grupo se reuniram. Cada um começou a falar sobre sua comida. Jahjah também contou sua experiência. O dia passou. Eles realizaram a oração do maghrib com o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Como no dia anterior, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) fez o mesmo anúncio. Todos partiram levando consigo seus respectivos hóspedes. Jahjah disse: “Também hoje restamos apenas eu e o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Na verdade, ao verem meu enorme corpo, ninguém demonstrava interesse em me levar.” O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) levou-me para casa. Depois, ordenhou uma cabra e trouxe o leite. Bebi e fiquei satisfeito apenas com aquilo. Vendo minha situação naquele dia, Ummu Ayman (que Allah esteja satisfeito com ela) exclamou, admirada: “Ó Mensageiro de Allah! Não é este o nosso mesmo hóspede?” Ele respondeu: “Sim, é o mesmo hóspede. Porém, esta noite ele comeu como um crente, que come em um só intestino.”[Kanz al-‘Ummal-1/93; al-Isabah-1/253; Hayatus Sahabah-2/197-198]

Hazrat Ummu Ayman (que Allah esteja satisfeito com ela) preparava comida para o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Certo dia, ela peneirou farinha e preparou, com a farinha peneirada, pão para o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Ao ver o pão, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) perguntou: “O que é isto?” Ummu Ayman respondeu: “Em nossa terra, fazemos esse tipo de pão. Por isso, quis oferecer-lhe esse pão.” Deve-se mencionar que a terra natal de Ummu Ayman (que Allah esteja satisfeito com ela) era a Abissínia. O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: “Misture esses pães com o farelo retirado ao peneirar. Depois, amasse tudo e transforme novamente em uma massa de farinha.”[At-Targhib wa at-Tarhib-5/154; Hayatus Sahabah-2/273]

Ummu Hani, filha de Abu Talib (que Allah esteja satisfeito com ela)


Na história, ela ficou famosa pelo apelido Ummu Hani. Seu nome verdadeiro era Fakhta; segundo outra opinião, Hind. Era filha do respeitável tio do Mensageiro de Allah, Abu Talib, e de sua respeitável tia, Fatima bint Asad. Era irmã consanguínea de Aqil, Ja‘far, Talib e ‘Ali (que Allah esteja satisfeito com eles).[Sira de Ibn Hisham, 2/420; A‘lam an-Nisa’, 4/14; al-Isi‘ab, 2/772.] Não se sabe muita coisa sobre sua infância e adolescência. Contudo, encontram-se alguns relatos sobre seu casamento. Por exemplo, antes de o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) receber a missão profética, ele enviou ao seu tio Abu Talib uma proposta de casamento com Ummu Hani. Na mesma ocasião, também enviou uma proposta a Hubayra ibn ‘Amr ibn ‘A’idh al-Makhzumi. O tio aceitou a proposta de Hubayra e casou Ummu Hani com ele. O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: “Sobrinho! Nós estabelecemos com ela uma relação matrimonial. Os honrados são compatíveis apenas com os honrados.”[A‘lam an-Nisa’, 4/14.] Esse é todo o relato. Não se encontra nenhuma informação adicional em qualquer narrativa. Contudo, sabe-se de várias maneiras que ela se casou com Hubayra ibn ‘Amr.[Usd al-Ghaba, 5/624.]

Há certa divergência entre os vários relatos sobre quando Ummu Hani aceitou o Islam. O Imam adh-Dhahabi disse:[Siyar A‘lam an-Nubala’, 2/312.](Árabe*******)

“Sua aceitação do Islam ocorreu tardiamente. Ela aceitou o Islam no dia da conquista de Meca.”

Entretanto, entre os diversos relatos encontrados sobre o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), também se encontra, em várias obras, um relato transmitido por Ummu Hani (que Allah esteja satisfeito com ela). Dele se entende que a Mi‘raj do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) ocorreu a partir da casa de Ummu Hani e que, naquela época, ela já era muçulmana. Isso aconteceu antes da Hégira. Ela disse: “A Isra’ do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) ocorreu a partir da minha casa (a viagem noturna de Meca a Bayt al-Maqdis). Naquela noite, ele realizou a oração de ‘Isha e dormiu em minha casa. Nós também adormecemos. Pouco antes do amanhecer, ele nos despertou. Então disse: ‘Ummu Hani! Tu viste que, na noite passada, realizei a oração de ‘Isha neste vale. Depois fui a Bayt al-Maqdis e realizei a oração lá. E agora realizei a oração de Fajr convosco, como pudestes ver.’ Em seguida, levantou-se para sair. Segurei uma ponta de seu manto, fazendo com que parte de seu ventre ficasse exposta. Naquele momento, parecia um tecido de linho egípcio dobrado. Eu disse: ‘Ó Profeta de Allah! Não conte isso a mais ninguém. Eles não acreditarão em algo assim e lhe causarão sofrimento.’ Ele respondeu: ‘Juro por Allah! Eu certamente lhes contarei isso.’”

Eu disse à minha escrava etíope: “Segue o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), escuta o que ele diz às pessoas e o que elas lhe dizem.” O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) saiu e contou às pessoas o que havia acontecido. Ao ouvirem, ficaram completamente atônitas! Disseram: “Muhammad! Qual é a prova dessa tua afirmação? Nunca ouvimos algo assim.” Ele disse: “Passei por uma caravana de determinada tribo, em determinado vale. Eles haviam perdido um camelo, e eu lhes indiquei onde ele estava. Naquele momento, eu me dirigia à Síria. Depois, em Dajnan, encontrei a caravana de determinada tribo. Quando passei por eles, estavam dormindo. Havia um recipiente de água coberto com alguma coisa. Bebi água do recipiente e tornei a cobri-lo. A prova da minha afirmação é que agora essa caravana está no caminho entre Bayda e a curva de Tan‘im. À frente dela há um camelo de cor cinzenta.” As pessoas correram imediatamente em direção a Tan‘im e encontraram a caravana. Perguntaram-lhes sobre a água do recipiente que havia sido coberto, e eles confirmaram a veracidade do relato. Quando a caravana cujo camelo havia se perdido retornou a Meca, perguntaram aos seus integrantes, e eles também confirmaram que o relato era verdadeiro.[Sira de Ibn Hisham, 1/402–403; Ibn Kathir, as-Sira an-Nabawiyya, 1/295]

No dia da conquista de Meca, Ummu Hani aparece no cenário da história. Vários acontecimentos relacionados a ela foram registrados nas obras de Sira e de história. Por exemplo, nesse dia ela aceitou o Islam, enquanto seu marido fugiu de Meca em direção a Najran.[Ansab al-Ashraf, 1/362.] Ao ouvir que sua esposa Ummu Hani havia aceitado o Islam, ele compôs um poema repreendendo-a. Parte do poema aparece em várias obras de Sira.[Sira de Ibn Hisham, 2/420; Usd al-Ghaba, 5/628; Ibn Durayd, al-Ishtiqaq, 152.] Nos versos seguintes, ele explicou à esposa a razão de sua fuga de Meca.[A‘lam an-Nisa’, 4/14.](Árabe********)

“Juro pela tua vida! Não fugi, dando as costas a Muhammad e aos seus companheiros, por covardia ou por medo de ser morto. Contudo, refleti profundamente sobre a minha situação e compreendi que, nesta guerra, minhas flechas e minha espada não seriam suficientes. Permaneci firme em minha decisão. Mas, quando temi que minha posição se tornasse insustentável, retornei, assim como o leão retorna ao seu filhote.”

Muitos disseram que esse retorno dele significava retornar ao Islam, mas isso não está correto. Pois ele morreu permanecendo firme na incredulidade.

Nesse dia da conquista de Meca, ela foi ao local onde o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) estava hospedado e o viu realizar a ablução e oferecer oito rak‘ahs de oração ad-Duha. Nesse dia, ela deu abrigo em sua casa a dois parentes e, quando informou isso ao Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), ele também declarou que eles estavam sob proteção. A seguir, são apresentadas essas narrativas.

No dia da conquista de Meca, al-Harith ibn Hisham buscou refúgio na casa de Ummu Hani. Nesse momento, seu irmão ‘Ali (que Allah esteja satisfeito com ele) foi até lá. Ela informou a ‘Ali (que Allah esteja satisfeito com ele) sobre al-Harith. Imediatamente, ‘Ali (que Allah esteja satisfeito com ele) tomou a espada com a intenção de matá-lo. Ummu Hani lhe disse: “Irmão! Eu lhe concedi proteção.” Mas ‘Ali (que Allah esteja satisfeito com ele) não deu ouvidos às suas palavras. Então Ummu Hani lançou-se sobre ele, segurou firmemente suas duas mãos e disse: “Juro por Allah! Você não pode matá-lo. Eu lhe dei abrigo.” ‘Ali (que Allah esteja satisfeito com ele) não conseguiu avançar nem um passo. Tentou libertar-se das mãos dela, mas não conseguiu.

Nesse momento, o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) chegou. Ummu Hani (que Allah esteja satisfeito com ela) disse: “Ó Mensageiro de Allah! Eu dei abrigo a fulano, mas ‘Ali quer matá-lo.” O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: “Aquele a quem você concedeu proteção, nós também protegemos. Não fique zangada com ‘Ali, pois, quando ‘Ali se zanga, Allah Se zanga. Solte-o.” Ummu Hani soltou ‘Ali. O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: “Uma mulher derrotou você.” ‘Ali respondeu: “Juro por Allah, ó Mensageiro de Allah! Eu não conseguia sequer tirar os pés do chão.” O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) riu. [Pragukta-4/15; Musnad Ahmad-5/242]

Ibn Hisham narrou o episódio em sua Sira da seguinte maneira: Ummu Hani disse: “Quando o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) desceu na parte alta de Meca, dois homens da tribo do meu sogro, Banu Makhzum — al-Harith ibn Hisham e ‘Abdullah ibn Abi Rabi‘a — fugiram e buscaram abrigo em minha casa. Nesse momento, meu irmão ‘Ali chegou e se preparou para matá-los. Fechei a porta e corri para junto do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), na parte alta de Meca. Ele me recebeu e disse: ‘Ummu Hani! Com que propósito você veio?’ Então lhe informei sobre aqueles dois homens e sobre ‘Ali. Ele disse: ‘Aqueles a quem você concedeu proteção, nós também protegemos. Portanto, ele não os matará.’ [Sira de Ibn Hisham-2/411; Hayat as-Sahabah-1/182; 3/145, 146]

Ummu Hani disse: “No dia da conquista de Meca, fui até o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Vi que ele estava tomando banho, enquanto Fatimah o ocultava com um tecido. Eu o saudei. Ele perguntou: ‘Quem é você?’ Respondi: ‘Sou Ummu Hani, filha de Abu Talib.’ Ele disse: ‘Ummu Hani! Seja bem-vinda!’ Depois de terminar o banho, ele se levantou para orar. Vestindo e envolvendo-se com apenas uma peça de tecido, ofereceu oito rak‘ahs de oração. Então eu disse: ‘Ó Mensageiro de Allah! Meu irmão ‘Ali está prestes a matar um homem a quem dei abrigo.’ Ele disse: ‘Ummu Hani! Aquele a quem você deu abrigo, nós também protegemos.’ Essa era a oração ad-Duha. [Sahih al-Bukhari-3.43; Bab Salat al-Fajr fi as-Safar-6/195, 196; Kitab al-Maghazi; Bab Manzil an-Nabiyy Yawm al-Fath; Sahih Muslim (336), Bab Salat al-Musafirin wa Qasriha; Bab Istihbab Salat ad-Duha; al-Muwatta-1/152; Bab Salat ad-Duha]

Ummu Hani (que Allah esteja satisfeito com ela) tinha grande honra e reverência pelo nobre Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Durante o período da conquista de Meca, certo dia o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) foi à sua casa. Quando Ummu Hani (que Allah esteja satisfeito com ela) lhe ofereceu uma bebida, ele bebeu um pouco e estendeu o restante a Ummu Hani. Naquele dia, Ummu Hani estava jejuando voluntariamente. Ela rompeu o jejum e bebeu o restante da bebida que o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) havia bebido. Quando o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) perguntou a razão de ela ter rompido o jejum daquela maneira, ela respondeu: “Não posso abrir mão da oportunidade de beber da bebida na qual você colocou a boca.” O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) amava-a muito. Certa vez, ele disse: “Ummu Hani, aceite uma cabra. É algo extremamente abençoado.” [Musnad Ahmad-6/343]

O marido de Ummu Hani (que Allah esteja satisfeito com ela), Hubayra, permaneceu firme na incredulidade e morreu nesse estado. Depois que Ummu Hani aceitou o Islam, marido e mulher se separaram por causa do Islam. Então o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) enviou-lhe uma proposta de casamento. Em resposta, Ummu Hani disse: “Juro por Allah! Eu já o amava na época da ignorância; agora, na época do Islam, esse amor se tornou ainda mais profundo. Contudo, atualmente sou uma mulher aflita. Tenho muitos filhos pequenos e temo que eles lhe causem sofrimento.” O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: “Entre as mulheres que montam animais, as mulheres coraixitas são as melhores. Elas são as mais compassivas para com seus filhos e as mais cuidadosas com os direitos de seus maridos.” [Sira de Ibn Hisham-2/420; Ansab al-Ashraf-1/459]

Em outra narrativa, também é mencionado que ela disse: “Ó Mensageiro de Allah! Você me é mais querido do que meus ouvidos e meus olhos. O direito do marido é algo grandioso. Se eu me dedicar ao meu marido, terei de abrir mão de muitas coisas minhas e de meus filhos; e, se me dedicar aos meus filhos, o direito do marido será prejudicado.” Ao ouvir isso, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: “Entre as mulheres que montam camelos, as mulheres coraixitas são as melhores. Elas são as mais compassivas para com seus filhos pequenos e as mais cuidadosas com os direitos de seus maridos.” Depois disso, o Mensageiro não voltou a discutir o assunto. [Al-‘Iqd al-Farid-6/89; Siyar A‘lam an-Nubala-2/314; Ansab-1/459; A‘lam an-Nisa-4/16]

Certa vez, Ummu Hani narrou: “‘Ammar ibn Yasir, seu pai Yasir e seu irmão ‘Abdullah deram.” [Musnad Ahmad, 6/343]

Ummu Hani narrou que ‘Ammar ibn Yasir, seu pai Yasir, seu irmão ‘Abdullah ibn Yasir e sua mãe Sumayyah eram torturados por causa de sua permanência no caminho de Allah. Certo dia, quando o Mensageiro (s.a.w.) passou por eles, disse: “Ó família de Yasir! Sede pacientes. Vosso destino é o Paraíso.” Depois, Yasir morreu em consequência da tortura. Sumayyah insultou Abu Jahl com palavras severas. Quando Abu Jahl a golpeou com uma lança nos órgãos genitais, ela também morreu. Quanto a ‘Abdullah, quando atiraram flechas contra ele, também sucumbiu à morte. [Ansab al-Ashraf, 1/160]

Da mesma forma, Ummu Hani (r.a.) forneceu uma breve descrição de como viu o Mensageiro de Allah (s.a.w.). Ela disse: “Nunca vi dentes mais belos que os do Mensageiro de Allah (s.a.w.). Ao olhar para o abdômen do Mensageiro de Allah (s.a.w.), ele me fazia lembrar uma folha de papel dobrada. No dia da conquista de Meca, vi os cabelos do Mensageiro de Allah (s.a.w.) divididos em quatro mechas.” [Obra citada, 1/393] Após o falecimento do Honorável Mensageiro de Allah (s.a.w.), Ummu Hani (r.a.) também narrou o episódio da reivindicação de Fátima, filha do Profeta, perante o primeiro califa, Abu Bakr (r.a.), sobre a herança de seu pai. [Obra citada, 1/393]

Ummu Hani (r.a.) narrou 46 hadiths do Mensageiro de Allah (s.a.w.), os quais foram compilados em diferentes obras de hadith. [Bukhari, 6/195, 196: Babu Aman an-Nisa wa Zawjarihinna; Muslim (336), Babu Istihbab Salatid-Duha] Entre os principais narradores que transmitiram hadiths por meio dela estão: Ja‘dah, Yahya, Harur, Abu Murra, Abu Salih, ‘Abdullah ibn ‘Ayyash, ‘Abdullah ibn al-Harith ibn Nawfal, ‘Abdur-Rahman ibn Abi Layla, Sha‘bi, ‘Ata, Kuraib, Mujahid, ‘Urwah ibn az-Zubair, Muhammad ibn ‘Uqbah, entre outros. [Siyar A‘lam an-Nubala, 2/312; A‘lam an-Nisa, 4/16]

Não se sabe com exatidão o ano da morte de Ummu Hani (r.a.). Contudo, segundo o relato da obra “Al-Isabah fi Tamyiz as-Sahabah”, sabe-se que ela ainda estava viva após a morte de ‘Ali (r.a.). [Siyar A‘lam an-Nubala, 2/313] Alguns de seus filhos chamavam-se: ‘Amr, Hani, Yusuf e Ja‘dah. Todos eles eram sobrinhos de ‘Ali (r.a.). ‘Ali (r.a.) nomeou Ja‘dah governador do Khurasan. [Obra citada, 2/312-313; Sahabiyyat, 229]

Uma honra especial de Ummu Hani (r.a.) foi o fato de o Honorável Mensageiro de Allah (s.a.w.) ter pedido comida em sua casa, comido e elogiado sua comida. Certo dia, o Mensageiro (s.a.w.) disse a Ummu Hani: “Você tem alguma coisa para comer?”

Ummu Hani: “Não tenho nada além de alguns pedaços de pão seco. Tenho vergonha de oferecê-los diante de você.”

O Mensageiro (s.a.w.) disse: “Traga justamente esses.”

Ummu Hani relatou: O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) partiu-os em pedaços e misturou-os com água e sal. Então perguntou: “Há algum acompanhamento?” Ummu Hani respondeu: “Ó Mensageiro de Allah! Não tenho nada além de um pouco de vinagre.” O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) mandou trazer o vinagre. Misturou-o aos pedaços de pão e comeu. Depois louvou Allah e disse: “O vinagre é um excelente acompanhamento. Ó Ummu Hani! A casa onde há vinagre não é pobre.” [As-Sirah al-Halabiyyah, 3/42; Nisa’ min ‘Asr an-Nubuwwah, p. 398]

Halima as-Sa‘diyyah (que Allah esteja satisfeito com ela)


Na época da Jahiliyyah, era costume e prática entre os árabes nobres que, quando nascia um filho, eles o entregassem aos cuidados de uma ama de leite de outra tribo. Acreditavam que, assim, a criança adquiriria nobreza e pureza de linguagem. Os nobres de Meca enviavam seus filhos pequenos aos beduínos que viviam no deserto. Ali, as crianças passavam a idade da amamentação junto às amas de leite beduínas. Eles escolhiam para seus filhos amas naturalmente inteligentes e de bom gosto. Nessa escolha, davam preferência à elevada moralidade, à constituição física robusta, à linguagem pura e eloquente, bem como à honra e à posição social das amas. A ama que possuísse essas qualidades teria êxito nessa profissão.

As mães que amamentavam vinham do deserto a diversas cidades e povoados à procura de crianças para amamentar. De lá, levavam as crianças mediante a condição de receberem uma remuneração e retornavam ao deserto. Ao mesmo tempo que amamentavam, ensinavam às crianças os jogos dos beduínos, as técnicas de montar tendas, o adab e os bons modos, além de uma linguagem pura e eloquente. Ele costumava mencionar que havia nascido na tribo dos Quraysh e sido amamentado e criado entre os Banu Sa‘d. [Sirat Ibn Hisham, 1/167] Dizia aos Companheiros: “Sou o mais puro e eloquente na fala entre vocês, pois sou descendente da tribo dos Quraysh e fui amamentado e criado entre os Banu Sa‘d.” Certa vez, Abu Bakr as-Siddiq (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: “Ó Mensageiro de Allah! Não vi ninguém mais puro e eloquente na fala do que você.” Ele respondeu: “O que me impediria de sê-lo? Sou descendente da tribo dos Quraysh e fui amamentado entre os Banu Sa‘d.” [Ibn Kathir, As-Sirah an-Nabawiyyah, 1/115; As-Sirah al-Halabiyyah, 1/146]

Halima as-Sa‘diyyah (que Allah esteja satisfeito com ela), de quem tratamos, era a afortunada ama de leite, isto é, a mãe de leite, do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), pertencente à tribo dos Banu Sa‘d. Ao apresentá-la, o poeta Shaykh Yusuf an-Nabhani (que Allah tenha misericórdia dele) disse: [Citado na obra “Nisa’ min ‘Asr an-Nubuwwah”, com base na obra de an-Nabhani “Hujjat Allah ‘ala al-‘Alamin”, p. 11](Árabe********)

“Quem o amamentou foi uma mulher plenamente afortunada: Halima, de uma tribo de linhagem ilustre e de sinais nobres entre as tribos.

Ela dispunha de alimento insuficiente. Depois, tornou-se a pessoa mais próspera entre os habitantes da cidade.

Ela era uma mulher afortunada; por sua sorte, tornou-se aquela que trouxe fortuna a outro afortunado.” [Sirat Ibn Hisham, 1/160]

Esta mulher afortunada era Halimah bint ‘Abdullah ibn al-Harith as-Sa‘diyyah (que Allah esteja satisfeito com ela), a ama de leite do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). O nome de seu marido era al-Harith ibn ‘Abd al-‘Uzza ibn Rifa‘ah as-Sa‘di. Seus filhos eram: ‘Abdullah, Unaysah e Khuzaymah — segundo outra opinião, Hudhafah. Este último também era conhecido como ash-Shayma. Todos eles eram filhos de al-Harith e irmãos e irmãs de leite do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) e ‘Abdullah mamaram ao mesmo tempo. Deve-se mencionar que al-Harith também tinha os epítetos Dhuwayb e Abu Kabshah. [obra citada anteriormente; Ansab al-Ashraf, 1/90-91]

Halimah foi ama de leite e mãe de leite de Abu Sufyan ibn al-Harith ibn ‘Abd al-Muttalib, primo do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Uma mulher da tribo de Banu Sa‘d foi ama de leite e mãe de leite de Hamzah ibn ‘Abd al-Muttalib, tio do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Quando o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) estava com Halimah, certo dia a mãe de leite de Hamzah esteve presente. Quando o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) estava com Halimah, certo dia a mãe de leite de Hamzah deu-lhe de mamar em seu próprio peito. Por outro lado, antes de ir para Halimah, o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) mamou durante alguns dias de Thuwaybah, escrava de Abu Lahab. Thuwaybah também amamentou Hamzah durante algum tempo. Assim, Hamzah era irmão de leite do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) por dois lados: através de Banu Sa‘d e de Thuwaybah. [Rijāl al-Mubashshirūn bil-Jannah, 1/7, 2/189; Nisa’ min ‘Asr an-Nubuwwah, p. 11; Sirat Ibn Hisham, 1/161; nota n.º 6]

Halimah amamentou o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Por isso, alcançou na Arábia a maior fama como ama de leite. Ela relatou como recebeu o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) como bebê de leite. Ela disse: Era um ano de seca e fome. Saí em busca de um bebê de leite montada, juntamente com outras dez mulheres de Banu Sa‘d, numa jumenta branca e fraca. Também levávamos conosco uma velha camela. Por Allah! Nem uma gota de leite saía de seu úbere. Por causa do choro de nossos filhos, atormentados pela fome, não conseguíamos dormir à noite. Nem o leite de meu peito nem o leite de nossa camela satisfazia o estômago de meu filho ‘Abdullah. Ainda assim, esperávamos chuva e prosperidade. Finalmente chegamos a Meca. O bebê Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) foi apresentado a cada uma de nós. Ao ouvirmos que ele era órfão, ninguém mais mostrou interesse em levá-lo. Isso porque esperávamos receber algo bom dos pais da criança. Dizíamos umas às outras: ‘A criança é órfã. O que sua mãe e seu avô poderão oferecer?’ Por isso, não o desejamos. Enquanto isso, todas as mulheres do grupo, exceto eu, encontraram um bebê de leite. Quando decidimos retornar à nossa tribo, disse a meu marido: ‘Por Allah! As outras voltarão levando um bebê de leite, enquanto eu voltarei de mãos vazias; isso não me agrada de modo algum. Vou até esse órfão haxemita e o levarei comigo.’ Ele respondeu: ‘Sim, faça isso. Talvez Allah tenha colocado nele bênção e prosperidade para nós.’ Então fui à casa dele e o levei. [Ansab al-Ashraf, 1/93-94]

Em outro relato, Halimah disse: Quando me apresentei, ‘Abd al-Muttalib me deu as boas-vindas e perguntou: ‘Quem é você?’ Respondi: ‘Sou uma mulher de Banu Sa‘d.’ Ele perguntou: ‘Qual é o seu nome?’ Respondi: ‘Halimah.’

‘Abd al-Muttalib sorriu levemente e disse: ‘Muito bem! Muito bem! Fortuna e inteligência — duas qualidades pelas quais uma pessoa alcança o bem de todas as épocas e a honra eterna.’ Ele disse isso aludindo às palavras Sa‘d, em ‘Abd al-Muttalib, e Hulm, em Halimah. Então levou Halimah à casa de Aminah, mãe do Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Foi dela que Halimah recebeu o bebê Muhammad. [obra citada anteriormente; Ibn Kathir, as-Sirah, 1/112-113; adh-Dhahabi, Tarikh al-Islam, 1/45-46] Desde o início, Halimah percebeu de várias maneiras que sua sorte era auspiciosa. Por exemplo, consta em alguns relatos que, quando Halimah chegou com ‘Abd al-Muttalib junto do Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), ‘Abd al-Muttalib ouviu a recitação dos seguintes versos por uma voz invisível: [Nisa’ min ‘Asr an-Nubuwwah, p. 12](Árabe*******************)

‘Certamente, Muhammad, filho de Aminah, é extremamente digno de confiança, o melhor de toda a criação e o melhor entre eles.

Ninguém além de Halimah o amamentará. Quão digno de confiança ele é para os virtuosos!

Ele está livre de defeitos vergonhosos e purificado de todo pecado e impureza.’

Você não o confiará a ninguém além dela. Esta ordem e decisão vieram do Ser Todo-Poderoso.”

Assim que Halima recebeu o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), a bênção e a prosperidade desceram sobre ela e seu marido. No instante em que Halima tomou o pequeno Muhammad (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) no colo e o apertou contra o peito, seu seio seco se encheu de leite. Ele mamou até se saciar. Então Halima ofereceu o seio ao seu próprio filho, ‘Abdullah, que também mamou até se saciar. Depois, os dois bebês adormeceram.

Halima e seu marido estavam ambos aflitos pela fome e pela sede, pois as tetas de sua camela estavam secas. Onde encontrariam comida ou leite? Mas, de repente, sua situação mudou. A própria Halima contou a esse respeito: “Meu marido foi até a nossa camela e viu que suas tetas estavam cheias de leite. Ele a ordenhou, e nós dois bebemos até nos saciarmos; passamos aquela noite em extrema felicidade. Pela manhã, meu marido me disse: ‘Por Allah, Halima! Saiba que você recebeu uma criança abençoada.’

Eu disse: ‘Por Allah, é isso que espero.’ Então partimos para retornar à nossa aldeia. Montei minha jumenta, levando o pequeno Muhammad (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Que maravilha! Ela começou a andar tão depressa que nenhum dos jumentos das outras mulheres do nosso grupo conseguia acompanhá-la. Em certo momento, minhas companheiras me disseram: ‘Filha de Zuwayb, diga-nos: esta é a mesma jumenta que você montava quando partiu?’ Respondi: ‘Certamente, é a mesma jumenta.’ Elas disseram: ‘Por Allah, então há algo diferente nisso.’[Sīrat Ibn Hishām-1/164; Usud al-Ghābah-5/427; al-Bidāyah wa an-Nihāyah-3/255]

A caravana chegou à aldeia dos Banū Sa‘d. Naquele ano, sinais de necessidade e pobreza predominavam por toda parte. Halima começou a testemunhar as bênçãos e o bem trazidos por aquela criança órfã. Bênção e prosperidade começaram a acompanhá-los em tudo. Suas cabras e ovelhas iam pastar nas pastagens secas junto com as cabras e ovelhas dos outros. Quando voltavam, seus úberes estavam cheios de leite, enquanto os animais dos outros retornavam exatamente como haviam partido. Por isso, os membros de sua tribo diziam aos próprios pastores: ‘O que está acontecendo com vocês? Não podem levar seus rebanhos para pastar no mesmo lugar onde pasta o rebanho da filha de Abu Zuwayb?’ Contudo, mesmo fazendo isso, eles viram que não obtinham nenhum benefício.

Assim se passaram dois anos com Halima. Todos os dias, ela via bênçãos e prosperidade vindas de Allah. Nesse período, completou-se o prazo da amamentação do Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele).

O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) cresceu de uma maneira que normalmente não se observa nas outras crianças. Halima pensou que já era hora de levá-lo de volta à sua mãe, em Meca. Naturalmente, ao recordar o bem e as bênçãos que havia testemunhado naquela criança durante aqueles dois anos, desejava mantê-lo consigo por mais alguns dias. Apesar disso, levou-o para Meca.

A mãe Āminah ficou extremamente feliz ao receber de volta seu amado filho, especialmente quando viu que ele havia crescido como uma criança de quatro anos, embora ainda não tivesse completado dois. Halima pediu à mãe Āminah que lhe permitisse manter a criança consigo na aldeia por mais alguns dias. A mãe consentiu. Halima voltou à aldeia radiante de alegria, levando a criança consigo. O menino também ficou muito feliz por retornar à vida do campo. Assim, o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) voltou pela segunda vez para junto dos Banū Sa‘d. Foi ali que ocorreu o acontecimento extraordinário da abertura de seu peito, quando ele tinha quatro ou cinco anos de idade.

O Imam Muslim narrou, com sua própria cadeia de transmissão, de Anas ibn Malik (que Allah esteja satisfeito com ele): Certo dia, enquanto o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) brincava com outras crianças, Jibril (que a paz esteja sobre ele) foi até ele. Então, segurou-o, deitou-o de costas no chão e abriu-lhe o peito. Em seguida, retirou-lhe o coração e separou dele um coágulo de sangue, dizendo: “Esta é a parte de Satanás que há em ti.” Depois, lavou-o com água de Zamzam numa bacia de ouro e o recolocou em seu devido lugar. Ao presenciarem aquela cena, seus companheiros de brincadeira correram até sua mãe de leite, Halima, e disseram: “Muhammad foi morto!” Todos acudiram e o encontraram pálido.[Sahih Muslim-1/101; Ibn Kathir, as-Sirah-1/13; as-Sirah al-Halabiyyah-1/150; al-Bayhaqi, Dala’il an-Nubuwwah-1/135]

Depois desse acontecimento, Halima ficou apreensiva. Ela devolveu o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) à sua mãe.

Ibn Ishaq disse: Alguns sábios me disseram que o motivo pelo qual a criança Muhammad foi devolvida à sua mãe foi o seguinte: depois que ele atingiu a idade do desmame, quando Halima (que Allah esteja satisfeito com ela) o levou consigo pela segunda vez, alguns cristãos da Abissínia o viram, perguntaram sobre sua identidade e o observaram atentamente. Então quiseram levá-lo para seu país, ao seu rei. Disseram: “Esta criança fará algo grandioso no futuro. Podemos ver nela os sinais disso.” Halima temeu que eles pudessem roubá-lo e levá-lo consigo; por isso, devolveu-o à sua mãe.[Sirat Ibn Hisham-1/167] Ele foi criado sob os cuidados e o carinho de sua mãe até os seis anos de idade. Então, sua mãe faleceu.

Há um relato segundo o qual, quando Halima levava a criança Muhammad (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) à sua mãe pela última vez, perdeu-o ao chegar às terras altas de Meca. Mais tarde, Waraqah ibn Nawfal e outro homem da tribo dos coraixitas o encontraram. Os dois o levaram até ‘Abd al-Muttalib e disseram: “Eis o seu filho. Nós o vimos vagando de um lado para outro nas terras altas de Meca. Quando lhe perguntamos quem era, ele respondeu: ‘Sou Muhammad ibn ‘Abdullah ibn ‘Abd al-Muttalib.’ Por isso, nós o trouxemos até você.”[Ibn Kathir, as-Sirah-1/15] Então, ‘Abd al-Muttalib colocou-o sobre os ombros e circundou a Caaba recitando um poema. Um de seus versos é o seguinte:[Sirat Ibn Hisham-1/167](Árabe********)

“Peço para ele a proteção de Allah, o Criador dos seres humanos, contra todo aquele que se desloca com o auxílio das tíbias e das plantas dos pés.”

Depois de devolver o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) à sua mãe, Halima retornou à sua aldeia. Muitos anos se passaram. Enquanto isso, o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) tornou-se adulto e se casou. Mas jamais se esqueceu de sua mãe Halima. Ele costumava falar à sua esposa Khadija (que Allah esteja satisfeito com ela) sobre seu carinho e afeto, e sobre como ela o havia criado. Khadija (que Allah esteja satisfeito com ela) também desejava conhecer Halima. Certa vez, durante um ano de escassez, ela veio visitá-lo. O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) hospedou-a em sua casa com grande honra e tratou-a generosamente. Halima falou sobre a falta de chuvas, contou que os animais estavam morrendo e descreveu a intensa pobreza. O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) conversou com Khadija (que Allah esteja satisfeito com ela) sobre como ajudá-la. Khadija (que Allah esteja satisfeito com ela) deu-lhe, com grande respeito, quarenta cabras e um camelo para transportar água e viajar de um lugar para outro. Nessa ocasião, Halima levou muitos presentes para sua família.[Ansab al-Ashraf-1/95; Nisa’ Mubashsharat bil-Jannah-1/32]

Quando Allah, o Altíssimo, escolheu Muhammad (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) como profeta e mensageiro para a humanidade e lhe ordenou que convidasse as pessoas para Allah, Halima aceitou o Islam.[as-Sirah al-Halabiyyah-1/32] Relata-se que ela, seu marido e seus filhos — ‘Abdullah, ash-Shayma’ e Unaysah — todos aceitaram o Islam. O autor de “as-Sirah al-Halabiyyah” afirma: A maioria dos sábios não tem dúvida quanto à sua aceitação do Islam. Ibn Hibban narrou um hadith autêntico que comprova sua aceitação do Islam. Hafiz Mughultay possui uma obra sobre a aceitação do Islam por Halima, cujo título é: “At-Tuhfat al-Jasimah fi Islami Halimah”.[Nisa min ‘Asr an-Nubuwwah, p. 15]

O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) era um homem de coração bondoso e compassivo. Ele não amava apenas as pessoas ao seu redor; amava todos, próximos e distantes, e lhes enviava presentes. Sua mãe de leite, Halima, não poderia ser excluída disso. Durante toda a sua vida, o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) guardou na memória o carinho e a ternura de Halima. A mãe Halima ocupava um lugar profundo no coração do Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Por isso, mesmo quando já tinha mais de quarenta anos, ouviam-no chamá-la de “mãe, mãe”; viam-no tirar o próprio manto, estendê-lo e preparar-lhe um lugar para sentar. Além disso, viam-no ouvir atentamente tudo sobre seu bem-estar e suas dificuldades e, como um filho inteiramente obediente à mãe, conversar com ela alegremente e com um sorriso no rosto.[Al-Isabah-4/274]

O cádi Iyad mencionou, na obra “Ash-Shifa”, ao tratar da posição de Halima e de seus familiares junto ao Mensageiro de Allah (que Allah o abençoe e lhe conceda paz), que Abu Tufail disse: “Na minha adolescência, vi o Profeta (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) distribuindo carne certo dia num lugar chamado ‘Jirana[“Jirana” situa-se na estrada entre Taife e Meca, mas não próximo de Meca. (Tahdhīb al-Asmā’ wa al-Lughāt, 3/59)]”. Naquela ocasião, chegou uma mulher beduína e aproximou-se bastante do Profeta (que Allah o abençoe e lhe conceda paz). O Profeta (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) estendeu seu manto e fez com que ela se sentasse. Ela sentou-se. Perguntei às pessoas: “Quem é essa mulher?” Elas responderam: “Ela é a mãe do Mensageiro de Allah (que Allah o abençoe e lhe conceda paz), que o amamentou.”[A‘lām an-Nisā’, 1/290]

‘Umar ibn as-Sa’ib narrou: Certo dia, o Mensageiro de Allah (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) estava sentado. Nesse momento, chegou seu pai de leite. Ele estendeu uma ponta de um pedaço de tecido e sentou-se sobre ela. Pouco depois, chegou ‘Abdullah ibn al-Harith, irmão de leite do Mensageiro de Allah (que Allah o abençoe e lhe conceda paz). O Mensageiro (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) levantou-se e fez com que ele se sentasse à sua frente.[At-Tabaqat, 1/114; Al-Isti‘ab, 4/262; Ash-Shifa, 1/260; Usud al-Ghaba, 5/428]

Al-Baladhuri narrou: Ash-Shayma‘, irmã de leite do Mensageiro (que Allah o abençoe e lhe conceda paz), era carregada ao colo por sua mãe, Halima, e brincava com ele. Essa Ash-Shayma‘ foi capturada pelas forças muçulmanas na batalha de Hunayn. Quando a trataram com severidade, ela disse: “Ó povo! Saibam que sou irmã do seu Profeta.” Quando foi levada ao Mensageiro de Allah (que Allah o abençoe e lhe conceda paz), disse: “Sou sua irmã. Eu o carregava ao colo junto com minha mãe, e você me mordia.” O Mensageiro (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) reconheceu-a, estendeu seu manto e fez com que ela se sentasse. Libertou-a, dando-lhe muitos presentes e dádivas, inclusive um escravo e uma escrava.[Ansab al-Ashraf, 1/93]

Sobre a morte de Halima (que Allah esteja satisfeito com ela), o xeque Ahmad Zayni Dahlan disse que ela abraçou o Islã, emigrou, morreu em Medina e foi sepultada no cemitério de Baqi. Seu túmulo é conhecido ali.[Nisa’ min ‘Asr an-Nubuwwah, p. 17] Contudo, uma narração de al-Baladhuri dá a entender que ela não emigrou para Medina e morreu antes da conquista de Meca. A narração é a seguinte: No dia da conquista de Meca, quando o Mensageiro de Allah (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) se encontrava no vale de “Abtah”, a irmã de Halima foi até ele acompanhada da irmã de seu marido. Ela presenteou o Mensageiro com um recipiente de queijo e outro de manteiga. O Mensageiro (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) perguntou-lhe sobre a situação de Halima. Ela informou-o de sua morte. Então, os dois olhos do Mensageiro (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) encheram-se de lágrimas. Depois, o Mensageiro (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) perguntou-lhes sobre sua situação. Elas falaram de sua necessidade e pobreza. O Mensageiro (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) ordenou que lhe fossem dadas roupas, um animal de carga e duzentos dirrãs. Ao partir, ela disse ao Profeta (que Allah o abençoe e lhe conceda paz): “O senhor é um excelente responsável, tanto na infância quanto na idade adulta.”[Ansab al-Ashraf, p. 91; Dala’il an-Nubuwwah, 1/133] Ela narrou hadiths do Mensageiro de Allah (que Allah o abençoe e lhe conceda paz), e ‘Abdullah ibn Ja‘far (que Allah esteja satisfeito com ele) narrou dela.[Al-Isti‘ab, 4/262]

Ash-Shayma‘ bint al-Harith as-Sa‘diyya (que Allah esteja satisfeito com ela)


O nome verdadeiro de Ash-Shayma‘ era Hudhafa; segundo outra opinião, Jadhdhama. Seus apelidos eram Ash-Shayma‘ e Ash-Shamma‘. Era uma mulher beduína dos Banu Sa‘d. Em sua tribo, era conhecida apenas por seus apelidos.[Al-Bayhaqi, Dala’il an-Nubuwwah, 1/132] Provavelmente recebeu esse nome por possuir muitas marcas no corpo.[Nisa’ min ‘Asr an-Nubuwwah, p. 337, nota 2; Al-Isaba, 4/335] Vale mencionar que, entre as Companheiras, não havia outra chamada Ash-Shayma‘. Seu pai era al-Harith ibn ‘Abd al-‘Uzza ibn Rifa‘a as-Sa‘diyya, e sua mãe era a honrada ama de leite do Grande Profeta (que Allah o abençoe e lhe conceda paz), Halima as-Sa‘diyya (que Allah esteja satisfeito com ela). A principal característica de Ash-Shayma‘ era ser irmã de leite do Grande Profeta (que Allah o abençoe e lhe conceda paz). Deve-se mencionar que os filhos de Halima (que Allah esteja satisfeito com ela) — ‘Abdullah, Unaysa e Ash-Shayma‘ — eram os três irmãos de leite do Mensageiro de Allah (que Allah o abençoe e lhe conceda paz). Ash-Shayma‘ ajudou muito sua mãe, Halima, a cuidar do pequeno Muhammad (que Allah o abençoe e lhe conceda paz).

Depois de amamentar e criar o pequeno Muhammad (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) durante dois anos, Halima (que Allah esteja satisfeito com ela) voltou novamente à sua tribo, levando consigo seu filho de leite, Muhammad (que Allah o abençoe e lhe conceda paz), com a autorização dele, em Meca. Nessa época, ele já havia aprendido a andar e a brincar com seus irmãos de leite. Como as demais crianças beduínas, os filhos de Halima também pastoreavam cabras e ovelhas nas pastagens ao redor de sua aldeia; de vez em quando, levavam consigo o irmão de leite, o menino Muhammad (que Allah o abençoe e lhe conceda paz). Nessa época, Ash-Shayma‘ cuidava dele. Quando o caminho era longo ou o calor do sol era intenso, carregava-o ao colo. Às vezes, colocava-o no chão. Outras vezes, sentava-se com ele à sombra e, erguendo-o com as duas mãos e fazendo-o balançar, cantava melodicamente os dois versos seguintes:[A obra citada anteriormente, 4/336; Ahmad Zayni Dahlan, As-Sirah an-Nabawiyyah, 4/366](Árabe****)

“Ó nosso Senhor! Conserva Muhammad para nós

Mantenha-o vivo, para que possamos vê-lo como um jovem.

Depois, possamos vê-lo como um líder honrado diante de quem a cabeça dos inimigos que lhe guardam rancor se curvará.

Ó Allah! Conceda-lhe honra e dignidade eternas.’

Em algumas narrações, o primeiro verso aparece da seguinte forma: Nisā’ min ‘Asr an-Nubuwwah, 338(Árabe********)

‘Ó nosso Senhor! Mantém vivo o meu irmão Muhammad.’

Que súplicas maravilhosas eram aquelas, cujas palavras foram todas atendidas. Todas essas súplicas foram aceitas perante Allah, o Todo-Poderoso.

Todos os membros da família de Ash-Shayma’, jovens e idosos, testemunhavam a bondade e as bênçãos presentes no pequeno Muhammad (s.a.w.). Por isso, todos desenvolveram por ele um intenso afeto e amor. Sempre que a mãe Halima queria levá-lo de um lado para outro, ela a advertia repetidamente para que Muhammad (s.a.w.) não saísse de sua vista. Mesmo assim, ela não ficava tranquila. Nos intervalos do trabalho, corria para verificar onde Muhammad (s.a.w.) estava e o que fazia.

Certo dia, ao meio-dia, a mãe Halima descansava, exausta pelo calor intenso. Pouco depois, percebeu que Ash-Shayma’ e Muhammad não estavam por perto. Para onde teriam ido sob aquele sol escaldante? Ela ficou apreensiva e saiu à procura deles. Viu que, não muito longe da casa, Ash-Shayma’ segurava Muhammad no colo, dançando com ele, enquanto cantava esta canção:(Árabe*****)

“Este é meu irmão; minha mãe não o deu à luz. Ele também não pertence à linhagem de meu pai e de meu tio. Ó Allah, concede-lhe prosperidade.”

A mãe Halima disse, em tom de censura: “Ash-Shayma’, estás brincando com ele sob este sol?” Ash-Shayma’ respondeu: “Mãe, o sol não atingiu o corpo de meu irmão. Vejo uma nuvem cobrindo sua cabeça com sombra. Quando ele para, a nuvem para; quando ele anda, a nuvem também anda. Foi assim que chegamos aqui.” Ela olhou para o rosto do menino com espanto e perguntou:

“Isso é verdade?” Ash-Shayma’ respondeu: “Juro por Allah! É verdade. Juro por Allah! É verdade.[As-Sira al-Halabiyya-1/167, 168]”

O nobre Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) passou cinco anos de sua vida com a mãe Halima, no povoado de Banu Sa‘d. Enquanto crescia no deserto, respirando seu ar puro e banhando-se em sua luz límpida, também dominou a língua árabe pura e eloquente e seu modo de expressão. Mais tarde, ele reconhecia isso abertamente. Ele dizia:Árabe********)

“Sou o mais puro e eloquente de todos vocês na fala, pois sou descendente dos coraixitas e cresci mamando entre os Banu Sa‘d.” Ele jamais esqueceu, ao longo da vida, as lembranças daqueles cinco primeiros anos. Durante toda a sua vida, guardou na memória o carinho, o cuidado, a ternura e o amor da mãe Halima, de sua irmã Ash-Shayma’ e dos demais membros daquela família.

O tempo passou, e aquela pequena criança chamada Muhammad cresceu. Com o tempo, recebeu a profecia. Migrou para Medina. Envolveu-se em guerras e conflitos com os adversários. Quando o exército muçulmano saiu vitorioso na batalha contra os Hawazin, Ash-Shayma’ foi capturada pelos muçulmanos junto com muitos outros homens e mulheres dos Banu Sa‘d. No momento de sua captura, ela disse aos combatentes muçulmanos: “Juro por Allah! Vocês descobrirão que sou a irmã de leite de seu líder.” Porém, eles não acreditaram nela e a levaram à presença do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Ash-Shayma’ disse: “Ó Mensageiro de Allah! Sou sua irmã de leite.” O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) perguntou: “Podes apresentar alguma prova ou sinal que confirme tua alegação?” Ela respondeu: “Certa vez, carreguei-te nas costas. Tu me mordeste; esta é a marca.”[Ibn Hazm, Jamharat Ansab al-‘Arab-1/265] O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) reconheceu o sinal. Estendeu uma capa, fez com que ela se sentasse sobre ela e perguntou como estava. Depois disse: “Se quiseres, podes permanecer comigo, recebendo carinho, cuidado e honrarias. Se preferires, podes retornar ao teu povo.” Ash-Shayma’ respondeu: “Quero retornar ao meu povo.” Em seguida, ela aceitou o Islam e declarou sua fé na missão do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) enviou-a de volta ao seu povo, oferecendo-lhe um escravo chamado Makhul,[Sua linhagem continua existindo. (Al-Bidaya wa an-Nihaya-4/363, Al-Isaba-3/435; Ansab al-Ashraf-1/93] uma escrava, numerosas cabras, ovelhas e camelos como presentes.[Usud al-Ghaba-5/489; Al-Bidaya wa an-Nihaya-3/363; Tarikh at-Tabari-2/171; Ansab al-Ashraf-1/93; A‘lam an-Nisa’-2/317; Al-A‘lam-3/184] Ibn al-Kalbi relata que Ash-Shayma’ veio ao Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) acompanhada por uma delegação e, como prova de sua identidade, mostrou em seu corpo a marca dos dentes do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), feita quando ele era criança.[Ansab al-Ashraf-1/93]

O grande Profeta da humanidade não demonstrou generosidade apenas para com sua irmã de leite, Ash-Shayma’; seu perdão e sua generosidade abrangeram todo o povo de Banu Sa‘d. Vale mencionar que Banu Sa‘d era uma tribo ramificada da grande tribo dos Hawazin. No oitavo ano da Hégira, quando os Hawazin foram derrotados na batalha de Hunayn, seus bens passaram às mãos dos muçulmanos como espólios de guerra, e suas mulheres e crianças foram capturadas. Então, uma delegação dos Hawazin foi à presença do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) e declarou sua submissão e aceitação do Islam. Entre os membros dessa delegação estava também um tio de leite do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Eles pediram perdão, exigiram a libertação dos cativos e solicitaram a devolução dos bens confiscados. O porta-voz da delegação, Zuhayr ibn Surad, levantou-se e proferiu um discurso. Eis uma parte dele:(Árabe****)

“Ó Mensageiro de Allah! Entre estes cativos estão suas tias que o criaram, suas tias paternas e maternas e aquelas que o carregaram e cuidaram de você no colo e nas costas. Nós o criamos carregando-o no colo e nas costas e o amamentamos com o leite de nossos seios. … Eu o vi quando era um bebê de peito. Nunca vi um bebê de peito melhor do que você. Eu o vi quando foi desmamado. Nunca vi alguém melhor do que você depois de desmamado. Depois, vi-o como jovem. Nunca vi jovem melhor do que você. Em você, as boas e nobres qualidades alcançaram a perfeição. Apesar de tudo, somos sua origem, sua raiz e sua tribo. Portanto, demonstra-nos misericórdia e benevolência; Allah demonstrará misericórdia para contigo.” Em seguida, recitou os seguintes versos:(Árabe*********)

‘Ó Mensageiro de Allah! Tende misericórdia e benevolência para conosco. Vós sois alguém de quem esperamos e cuja benevolência aguardamos.

Mostrai benevolência para com aquelas mulheres cujo leite mamastes, quando vossa boca se encheu do leite puro e límpido delas.

Perdoai essas vossas mães cujo leite mamastes. Certamente, a virtude do perdão é algo que a criação ostenta.’

Depois de ouvir esta descrição encantadora e estes doces versos, o nobre Mensageiro de Allah (s.a.w.) disse: Tudo o que eu e os Banū ‘Abd al-Muṭṭalib possuímos é para vós.

Os Quraysh exclamaram: Tudo o que possuímos é para Allah e Seu Mensageiro.

Ibn Kathīr diz que, depois disso, o Mensageiro (s.a.w.) libertou honrosamente todos os membros da tribo de seu pai de leite.[Al-Bidāya wa-n-Nihāya-4/363, 364; Tārīkh at-Ṭabarī-2/173; ‘Uyūn al-Athar-2/223; as-Sīra al-Ḥalabiyya-1/170]

Nada mais se sabe sobre a vida de Ash-Shaymā’ (r.a.). Também permaneceu completamente desconhecido quando e onde ela faleceu. Az-Ziriklī afirma que ela morreu depois do ano 8 da Hégira/630 d.C.[Al-A‘lām-3/184]

Asmā’ bint Abī Bakr (r.a.)


Hazrat Abu Bakr as-Siddiq (que Allah esteja satisfeito com ele), o amigo íntimo do nobre Mensageiro de Allah durante sua vida e seu primeiro califa após seu falecimento, era o pai de Hazrat Asma (que Allah esteja satisfeito com ela). Sua mãe era Qutaila bint Abd al-Uzza. Esse Abd al-Uzza era um famoso e respeitado líder da tribo dos coraixitas. Abu Quhafa, ou Abu Atiq, o honrado pai de Abu Bakr (que Allah esteja satisfeito com ele), era seu avô paterno. Abdullah ibn Abu Bakr era seu irmão legítimo, e Hazrat Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela), a Mãe dos Crentes, era sua meia-irmã. Zubair ibn al-Awwam (que Allah esteja satisfeito com ele), o hawari — isto é, o jovem auxiliar especial — do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), era seu marido, e o mártir pela verdade e pela justiça, Hazrat Abdullah ibn Zubair (que Allah esteja satisfeito com ele), era seu filho. Ela nasceu em Meca vinte e sete anos antes da Hégira. Naquela época, seu pai, Hazrat Abu Bakr as-Siddiq (que Allah esteja satisfeito com ele), tinha pouco mais de vinte anos. [Tabaqat ibn Sad, 8/449; Usud al-Ghaba, 5/372; Siyar Alam an-Nubala, 2/297] Esta é uma breve apresentação de Hazrat Asma bint Abu Bakr. Há ainda outros aspectos de sua vida. Seu marido, Zubair ibn al-Awwam (que Allah esteja satisfeito com ele), era um dos dez a quem foi anunciada, ainda em vida, a boa-nova do Paraíso, enquanto sua sogra era Hazrat Safiyya bint Abd al-Muttalib (que Allah esteja satisfeito com ela), tia paterna do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). É digno de nota que ela era a filha mais velha de Abu Bakr as-Siddiq (que Allah esteja satisfeito com ele) e tinha pouco mais de dez anos a mais que Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela). [Siyar Alam an-Nubala, 2/288] Essa companheira era detentora de elevada honra e distinção tanto por sua linhagem quanto por seu Islam. Por linhagem, descendia do ramo Taym da tribo coraixita de Meca. Além disso, seu pai, avô paterno, irmã, sogra e filho eram todos ilustres companheiros do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Que honra, distinção e glória maiores poderia um muçulmano desejar?

Depois que o nobre Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) iniciou em Meca o trabalho de convocação e transmissão do Islam, seus opositores idólatras começaram a submetê-lo a perseguições e torturas. Sua intensidade aumentava dia após dia. Em certo momento, decidiram assassinar o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Então ele decidiu deixar Meca. Até aquele momento, Abu Bakr (que Allah esteja satisfeito com ele) era um dos que haviam aceitado o Islam em Meca. Ele era um dos mais fiéis e íntimos companheiros do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Certa noite, às escondidas de todos, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) saiu de Meca levando Abu Bakr (que Allah esteja satisfeito com ele) consigo e refugiou-se numa caverna do monte Thawr, nos arredores de Meca. Por isso, Abu Bakr (que Allah esteja satisfeito com ele) é chamado de Rafiq al-Ghar, ou “o companheiro da caverna”. Os idólatras de Meca chegaram até a entrada dessa caverna nas montanhas à procura deles, mas Allah protegeu Seu amado Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) por meios extraordinários. Hazrat Asma (que Allah esteja satisfeito com ela) estava entre aqueles que, naquele período, mantinham secretamente contato com eles e lhes prestavam auxílio. Todas as noites, sozinha e sob a escuridão da noite, ela levava comida de casa até a caverna, alimentava-os e depois retornava.

O irmão de Hazrat Asma (que Allah esteja satisfeito com ela), Abdullah (que Allah esteja satisfeito com ele), que ainda não havia aceitado o Islam, passava o dia circulando por vários lugares de Meca, informando-se sobre os planos e objetivos dos idólatras, e à noite ia comunicar tudo ao Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). O nome do pastor fiel de Hazrat Abu Bakr as-Siddiq (que Allah esteja satisfeito com ele) era Amir. Ele pastoreava cabras nos arredores do monte Thawr, levava o rebanho até a entrada da caverna e ordenhava o leite para eles. Ao conduzir esse rebanho de cabras, apagavam-se os rastros das idas e vindas de Asma (que Allah esteja satisfeito com ela) e Abdullah (que Allah esteja satisfeito com ele). Assim, os idólatras não conseguiram encontrá-los de modo algum.

Quando os idólatras de Meca, apesar de seus esforços incansáveis, não conseguiram encontrar nenhum vestígio deles, anunciaram que dariam cem camelos como recompensa a quem os localizasse. Nessas circunstâncias, na terceira noite, quando Hazrat Asma (que Allah esteja satisfeito com ela) levou comida para eles, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: “Volta e diz a Ali (que Allah esteja satisfeito com ele) que venha a esta caverna amanhã à noite com três camelos e um guia.” Conforme a instrução, Ali (que Allah esteja satisfeito com ele) chegou com três camelos e um guia. Hazrat Asma (que Allah esteja satisfeito com ela) também trouxe provisões para dois ou três dias. O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) ordenou que se preparassem rapidamente para a viagem. Foi necessário amarrar o embrulho das provisões e a abertura do odre de água. Na pressa, não se encontrou nenhuma corda à mão. Então Asma (que Allah esteja satisfeito com ela) desatou seu nitak, ou faixa da cintura, e rasgou-o em duas partes. Com uma, amarrou as provisões; com a outra, amarrou a abertura do odre. Ao ver isso, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) pronunciou:(Árabe**********)

“Que Allah, em troca deste único nitak, te conceda dois nitaks no Paraíso.”

Assim, ela recebeu o título de Dhat an-Nitaqayn (a detentora de duas faixas da cintura). [Tabaqat, 8/450; al-Istiab, 4/229; Usud al-Ghaba, 5/372 (6698); al-Bayhaqi, Dalail an-Nubuwwah, 2/472; Tahdhib al-Asma wa al-Lughat, 2/597] Allah aceitou esse título, pronunciado pelos lábios sagrados do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Por isso, mesmo hoje, quase mil e quinhentos anos depois, ela continua conhecida por esse título entre os povos do mundo.

Há ainda algumas outras opiniões sobre a razão pela qual Asma recebeu o título de Dhat an-Nitaqayn. Alguns dizem que ela usava uma faixa da cintura sobre outra e que, por isso, recebeu esse título. Outros dizem que ela possuía dois nitaks, ou faixas da cintura. Usava um para amarrar à cintura e, com o outro, amarrava os alimentos necessários ao Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) e os levava à caverna. Por isso teria recebido esse título. É digno de nota que usar uma faixa amarrada à cintura era um costume comum entre as mulheres árabes. [Nisa min Asr an-Nubuwwah, p. 238, nota 1]

Ibn Hajar diz que ela rasgou seu nitak em duas partes. Com uma, amarrou as provisões do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) e de Abu Bakr (que Allah esteja satisfeito com ele), e com a outra continuou a usar sua faixa da cintura. A partir daí, passou a ser chamada de Dhat an-Nitaq, ou Dhat an-Nitaqayn, isto é, a detentora de uma faixa da cintura ou de duas faixas da cintura. [Banat as-Sahaba, p. 50]

Há divergência nas narrativas sobre se este episódio do “nitaq” ocorreu na caverna do monte Thawr ou na casa de Abu Bakr, quando o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) e Abu Bakr (que Allah esteja satisfeito com ele) saíram de Meca. Uma narrativa de al-Bukhari e da Sira de Ibn Ishaq dá a entender que isso aconteceu quando saíram da casa de Abu Bakr (que Allah esteja satisfeito com ele), em Meca, durante a escuridão da noite.

Assim, foi narrado que, quando Allah permitiu aos muçulmanos de Meca emigrar de Meca para Medina, os muçulmanos perseguidos e oprimidos de Meca começaram a deixar a cidade em grupos e a dirigir-se para Medina. Quando os politeístas começaram a impedi-los, os muçulmanos passaram a abandonar Meca secretamente, sozinhos ou em pequenos grupos. Todos haviam compreendido a imensa virtude da Hégira e, para alcançar essa felicidade, pareciam ter entrado numa competição uns com os outros. Certo dia, Abu Bakr (que Allah esteja satisfeito com ele) foi até o amado Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) e pediu permissão para emigrar. O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse:(Árabe***** )—Não se apresse tanto; Allah lhe dará um companheiro. Abu Bakr (que Allah esteja satisfeito com ele) compreendeu que o companheiro de sua viagem seria o próprio Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Seu coração e sua alma transbordaram de alegria. Poderia haver alegria maior do que ser o companheiro de viagem do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) em sua jornada para Medina, a Dar al-Hijra?

Depois de ouvir essas palavras alusivas do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), Abu Bakr (que Allah esteja satisfeito com ele) contou o ocorrido às suas duas filhas, Asma e Aisha (que Allah esteja satisfeito com ambas). Elas também ficaram imensamente felizes ao saber que seu pai seria o companheiro de viagem do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) na Hégira. A partir de então, passaram a aguardar aquele momento auspicioso.

Então, certo dia, Allah concedeu ao Seu Profeta permissão para emigrar para Medina. Ao meio-dia, o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) dirigia-se à casa de Abu Bakr (que Allah esteja satisfeito com ele), passando despercebido aos olhos de todos os guardas dos politeístas coraixitas. Asma (que Allah esteja satisfeito com ela) foi a primeira a vê-lo de dentro da casa e correu até seu pai, dizendo: “Papai! Eis que o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) está vindo em direção à nossa casa, cobrindo a cabeça e o rosto. Ele nunca vem a esta hora.” Abu Bakr (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: “Que meu pai e minha mãe sejam sacrificados por ele! Juro por Allah, ele certamente não veio a esta hora senão por algum assunto de extrema importância.”

Abu Bakr (que Allah esteja satisfeito com ele) correu para dar as boas-vindas ao Profeta (que Allah o abençoe e lhe conceda paz). Ele pediu permissão para entrar na casa. Depois que Abu Bakr (que Allah esteja satisfeito com ele) lhe deu permissão, ele entrou. Disse a Abu Bakr (que Allah esteja satisfeito com ele): “Peça àqueles que estão ao seu redor que saiam por um momento.” Asma e Aisha estavam ali. Abu Bakr (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: “Ó Mensageiro de Allah! Estas são minhas duas filhas.”

O Profeta (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) disse: “Foi-me dada permissão para partir (fazer a Hégira).” Abu Bakr (que Allah esteja satisfeito com ele) começou a chorar de tanta alegria. Ele disse: “Ó Mensageiro de Allah! Terei a honra de ser seu companheiro?” Ele respondeu: “Sim.” Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela) disse: “Juro por Allah! Antes daquele dia, nunca imaginei que alguém pudesse chorar de tanta alegria. Naquele dia, vi Abu Bakr chorando. [Musnad Ahmad, 6/348; Sahih al-Bukhari, hadith nº 3905; Tabaqat, 8/25]”

Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela) também relatou o episódio de “Zatun-Nitaq”: “Nós, as duas irmãs, estávamos preparando os mantimentos necessários para eles. Colocamos os objetos de que necessitavam numa bolsa de couro. Então Asma cortou seu “nitaq” e amarrou a abertura da bolsa. Foi por isso que ela recebeu o título de “Zatun-Nitaq”. [Sahih al-Bukhari, hadith nº 3905]”

Por meio desse relato acima, entende-se que o episódio em que Asma (que Allah esteja satisfeito com ela) rasgou seu “nitaq” em duas partes e recebeu o título de “Zatun-Nitaqain” ocorreu na casa de Abu Bakr (que Allah esteja satisfeito com ele), quando o Mensageiro (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) e Abu Bakr (que Allah esteja satisfeito com ele) partiram em direção ao monte Thawr.

‘Abdullah ibn az-Zubair (que Allah esteja satisfeito com ele), filho de Asma, posteriormente envolveu-se em um conflito com os califas omíadas e entrou em guerra. Naquela época, os habitantes da Síria costumavam menosprezá-lo, chamando-o de filho de ‘Zatun-Nitaqayn’. Quando isso chegou aos ouvidos de Asma, ela perguntou ao filho: “Eles menosprezam você?” Ele respondeu: “Sim.” Asma (que Allah esteja satisfeito com ela) disse: “Juro por Allah! O que eles dizem é verdade.” Depois, quando Hajjaj ibn Yusuf foi visitá-la, ela lhe disse: “Como vocês tentam insultar ‘Abdullah chamando-o de ‘Zatun-Nitaqayn’? Sim, eu tinha apenas um nitaq, e as mulheres necessariamente precisam ter um. E com o outro nitaq amarrei os alimentos do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). [A‘lam an-Nisa’, 1/47]

Casamento e aceitação do Islã

Asma (que Allah esteja satisfeito com ela) era a filha mais velha de Abu Bakr (que Allah esteja satisfeito com ele). No início da pregação islâmica em Meca, Abu Bakr (que Allah esteja satisfeito com ele) foi o primeiro entre os homens a aceitar o Islã. É natural que ele tenha apresentado a mensagem do Islã aos membros de sua família e que eles também tenham aceitado o convite. Portanto, pode-se considerar que Asma (que Allah esteja satisfeito com ela) foi a primeira entre as filhas dos Companheiros a aceitar o Islã. Como nasceu 27 anos antes da Hégira, sua idade naquela época estaria em meados da segunda década de sua vida. Ela era então apenas uma adolescente. O imame Nawawi (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: [Tahdhib al-Asma’ wa al-Lughat, 2/597; Banat as-Sahaba, 40](Árabe*******)

“Asma (que Allah esteja satisfeito com ela) aceitou o Islã depois de dezessete pessoas, muito antes.” Ibn ‘Abd al-Barr (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: [Al-Isti‘ab, 12/196;]

‘(Árabe*****)— Sua aceitação do Islã ocorreu muito cedo, em Meca.” Ibn ‘Asakir mencionou que Asma (que Allah esteja satisfeito com ela) era dez anos mais velha que ‘Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela). Em seguida, ao discutir a aceitação do Islã pelos muhajirun, ele disse: [Tarikh Madinat Dimashq, (Tarajim an-Nisa’), 10]

(Árabe********)

“Depois, algumas pessoas das tribos árabes aceitaram o Islã. Entre elas estava Asma, filha de Abu Bakr (que Allah esteja satisfeito com ela). Ela era então jovem. A sequência das primeiras mulheres a aceitar o Islã foi a seguinte: Khadija, Ummu Aiman al-Habashiyya, Umm al-Fadl, esposa de ‘Abbas, e Fatima bint Khattab, irmã de ‘Umar (que Allah esteja satisfeito com ele). [Banat as-Sahaba, 41]

Quando a pregação do Islã se espalhava rapidamente em Meca, enquanto aumentava também a intensidade da opressão e das perseguições dos coraixitas politeístas, e os muçulmanos perseguidos, seguindo as instruções do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), emigravam de Meca um após outro, foi nesse período que az-Zubair ibn al-‘Awwam (que Allah esteja satisfeito com ele), primo paterno do nobre Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), enviou uma proposta de casamento a Asma (que Allah esteja satisfeito com ela).

Entre os jovens que, no início do Islã, responderam ao chamado de Hadrat Abu Bakr (que Allah esteja satisfeito com ele) e aceitaram o Islã, az-Zubair era um deles. Depois de aceitar o Islã, dedicou-se inteiramente ao serviço do Islã, como os demais muçulmanos do período inicial. Suportou com um sorriso os diversos tipos de opressão e perseguição infligidos pelos politeístas adversários. Por isso, tornou-se conhecido como companheiro íntimo do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) e como cavaleiro.

Az-Zubair era um jovem corajoso. Ele dava prioridade à religião sobre o mundo e à vida do Além sobre a vida terrena. No entanto, quando enviou uma proposta para estabelecer um vínculo matrimonial com uma família nobre e rica como a de Abu Bakr (que Allah esteja satisfeito com ele), não possuía nenhum bem além de um único cavalo. A família de Abu Bakr (que Allah esteja satisfeito com ele) aceitou a proposta, e o casamento de Asma e az-Zubair foi realizado.

A astúcia e a engenhosidade de Asma

Quando Hadrat Abu Bakr as-Siddiq (que Allah esteja satisfeito com ele) aceitou o Islã, possuía em dinheiro cerca de cem mil dirrãs. Depois de aceitar o Islã, entregou toda a sua riqueza ao Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) para a propagação e expansão do Islã e para ajudar e apoiar os novos muçulmanos. Por isso, no momento da Hégira, saiu levando todo o dinheiro que tinha em mãos — cerca de mil e quinhentos, ou, segundo outra versão, cinco ou seis mil — e deixou seus filhos e familiares sob a proteção de Allah. Depois de se despedir do Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) e de Abu Bakr (que Allah esteja satisfeito com ele) no monte Thawr, Asma (que Allah esteja satisfeito com ela) voltou para casa. O pai de Abu Bakr, Abu Quhafa, avô de Asma — que ainda não havia aceitado o Islã — havia ficado muito fraco devido à idade e perdera a visão. Pela manhã, ao ouvir das pessoas que seu filho havia desaparecido, foi à casa dele e começou a dizer, com grande tristeza: “Que pena! Abu Bakr também partiu, levando consigo toda a riqueza, e deixou os filhos em dificuldades.” Hadrat Asma (que Allah esteja satisfeito com ela) respondeu imediatamente: “Não, avô, ele deixou muito dinheiro para nós.”

Dizendo isso, Asma (que Allah esteja satisfeito com ela), para confortar o idoso, encheu uma bolsa com pedras, amarrou sua abertura e colocou-a no lugar onde Abu Bakr (que Allah esteja satisfeito com ele) guardava o dinheiro acumulado. Depois, cobriu-a com um pedaço de tecido. Em seguida, segurou a mão do avô, levou-o até aquele depósito de dinheiro e, segurando uma de suas mãos, fez com que a passasse sobre a bolsa cheia de pedras. O idoso ficou tranquilo, pensando que havia ali uma quantidade considerável de dinheiro acumulado. Hadrat Asma (que Allah esteja satisfeito com ela) disse: “Fiz isso apenas para consolá-lo. Por Allah, ele não deixou nada para nós.” [Al-Fath ar-Rabbani (Sharh al-Musnad)-20/282; Sira de Ibn Hisham-1/448; Nihayat al-Abir-16/332]

O golpe de mão de Abu Jahl, o Faraó desta comunidade

Quando, pela manhã, espalhou-se pelas vielas de Meca a notícia de que Muhammad (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) e Abu Bakr (que Allah esteja satisfeito com ele) haviam deixado Meca durante a escuridão da noite, os politeístas pareciam ter enlouquecido. Abu Jahl, semelhante ao Faraó desta comunidade, e os demais líderes politeístas de Meca começaram a vasculhar minuciosamente as casas de Banu Hashim e de seus clãs afiliados, situadas nas partes altas e baixas de Meca. Sob a liderança do maldito criminoso Abu Jahl, um grupo de coraixitas cercou a casa de Abu Bakr (que Allah esteja satisfeito com ele). Abu Jahl, líder do grupo, avançou e bateu à porta. Na casa, naquele momento, não havia ninguém além de Asma, sua irmã Aisha e a mãe de Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela), Umm Ruman (que Allah esteja satisfeito com ela). Asma (que Allah esteja satisfeito com ela) disse: “Abri a porta e fui até eles. Eles disseram: ‘Ó filha de Abu Bakr, onde está teu pai?’”

Respondi: “Por Allah, não sei onde está meu pai.” Imediatamente, Abu Jahl levantou uma das mãos. Ele era um homem vil e malfeitor. Deu-me um forte tapa no rosto, fazendo com que meu brinco voasse. [Tarikh Madinat Dimashq (Tarajim an-Nisa)-p. 3]

Pode-se ter uma ideia, por meio deste acontecimento, de quão vil e pecador era Abu Jahl. Na época em que este episódio ocorreu, não havia nenhum homem na casa onde ele aconteceu. Asma (ra) estava grávida, e seu nobre marido, az-Zubair ibn al-Awwam (ra), estava ausente. Ele havia emigrado para Medina antes desse acontecimento. [Banat as-Sahaba, p. 53] Esse az-Zubair (ra) era um dos mais célebres e valorosos guerreiros e cavaleiros da Arábia daquela época. Na sua presença, nenhum dos cruéis habitantes de Meca tinha coragem de sequer levantar os olhos para sua esposa, quanto mais levantar a mão contra ela.

A Hégira e o primeiro filho dos emigrantes

Depois que o Nobre Profeta (sa) e Abu Bakr as-Siddiq (ra) chegaram a Medina e, após superar as dificuldades iniciais do novo lugar, conseguiram estabelecer-se um pouco, decidiram que era preciso providenciar a vinda das mulheres de Meca. Convém mencionar que o marido de Asma, az-Zubair (ra), já havia chegado a Medina antes do Profeta (sa). O Profeta (sa) enviou Zaid ibn Harithah (ra) e seu servo Rafi a Meca. Enquanto isso, Abu Bakr (ra) enviou um homem.

Abdullah, filho de Abu Bakr (ra), partiu rumo a Medina com sua mãe, suas duas irmãs, Asma e Aisha, e algumas mulheres da família. Naquela época, Asma (ra) estava prestes a dar à luz. Depois de chegarem à localidade de Quba, em Medina, nasceu Abdullah, que ainda estava no ventre materno. [At-Tabaqat, 8/123; Usud al-Ghabah, 5/392]

O relato de Asma (ra) sobre isso é o seguinte:

“Eu estava então no final da gravidez. Nessa condição, cheguei a Medina e me estabeleci em Quba. Depois dei à luz Abdullah. Levei-o e o coloquei no colo do Mensageiro de Allah (sa). Ele mandou trazer uma tâmara, mastigou-a e colocou sua saliva na boca do bebê. Assim, depois do nascimento, a saliva do Mensageiro de Allah (sa) foi a primeira coisa a entrar em seu estômago.

O Mensageiro (sa) também fez uma súplica pedindo-lhe o bem e a prosperidade. [Sahih al-Bukhari, 1/555] Ele foi o primeiro bebê nascido numa família de emigrantes em Medina. Como nenhum casal emigrante de Medina tinha tido filhos, as pessoas diziam que os judeus haviam lançado um feitiço sobre eles e que, por isso, jamais teriam filhos. Quando Abdullah nasceu, frustrando os inimigos, uma onda de alegria tomou conta dos emigrantes. Eles protestaram contra a calúnia dos judeus proclamando o takbir. [Sahih al-Bukhari, hadith nº 3909, 5467; at-Tabari, Tarikh al-Umam wa al-Muluk, 2.10; mais tarde, quando Abdullah (ra) foi martirizado pelas tropas de Hajjaj, os habitantes da Síria ouviram a notícia e proclamaram o takbir com alegria. Ao ouvir essas proclamações, o célebre companheiro Abdullah ibn Umar (ra) perguntou: “Por que este takbir?” Responderam: “Os habitantes da Síria estão proclamando o takbir com alegria ao saberem da morte de Abdullah (ra).” Ele disse: “Aqueles que proclamaram o takbir ao ouvirem sobre seu nascimento eram melhores do que estes, que hoje proclamam o takbir ao ouvirem sobre sua morte.” (Al-Iqd al-Farid, 4/419; Wafayat al-Ayan, 3/73, 75)] O Mensageiro (sa) ordenou ao avô materno da criança, Abu Bakr (ra), que fizesse o adhan em seus dois ouvidos. Ele o fez. O Mensageiro (sa) deu à criança o nome de Abdullah e atribuiu-lhe como kunya, ou nome pelo qual era chamado, o nome pelo qual seu avô materno era conhecido: Abu Bakr. Mais tarde, Abdullah ibn az-Zubair (ra) dizia com certo orgulho:(Árabe******) “Eu fiz a Hégira enquanto ainda estava no ventre de minha mãe.” Ele também dizia: “Minha mãe emigrou comigo em seu ventre. Todo o cansaço e a fome que ela suportou, eu também suportei.” [Al-Isabah, 5/229; Nasab Quraysh, 237]

Hazrat Asma (ra) criou e educou seu filho Abdullah com todo o amor e carinho de que seu coração era capaz, para que ele mais tarde se tornasse um dos melhores filhos do Islã. O sonho de Asma (ra) tornou-se realidade. Na lista daqueles que deram a vida pela implantação da verdade e da beleza neste mundo, esse filho de Asma (ra) também conseguiu incluir seu próprio nome. Ela embalava a criança nos braços e recitava versos de poesia comparando-o a uma espada branca e resplandecente. Alguns versos desse poema são os seguintes: [Anba’ Nujaba al-Abna, p. 85; A‘lam an-Nisa, 1/49; Banat as-Sahaba, p. 55]

(Árabe*******)

Entre seu pai, o Mensageiro de Allah (que Allah o abençoe e lhe conceda paz), e seu avô materno, Abu Bakr as-Siddiq, ele será branco e resplandecente como uma espada afiada e brilhante.

Essa é a minha opinião a respeito dele. E muitas opiniões se tornam realidade. Allah é o Possuidor da dignidade e o Concedente do poder.

Ele o tornará tão hábil na eloquência e nos discursos que fará até mesmo os grandes oradores parecerem incapazes e afastará as adversidades dos indefesos e incapazes. Quando sobrancelhas crescerem ao lado das pupilas dos olhos e os cavalos correrem separados e em grupos.”

Do ventre de Hazrat az-Zubair ibn al-Awwam (que Allah esteja satisfeito com ele) e do ventre de Asma nasceram: os filhos Abdullah, al-Mundhir, Urwah, Asim e al-Muhajir; e as filhas Khadijatul Kubra, Umm al-Hasan e Aisha. [Hilyat al-Awliya, 2/255.]

Fé firme

Depois de adotar a vida islâmica, sua fé criou raízes tão firmes em seu coração que ela não fez a menor concessão ao politeísmo e à incredulidade. Além disso, pensando que isso poderia causar o desagrado de Allah e de Seu Mensageiro (que Allah o abençoe e lhe conceda paz), rompeu relações até mesmo com seus parentes não muçulmanos mais próximos. Quando o pai de Asma se divorciou de sua mãe, a relação entre elas foi rompida ainda na época da ignorância. Toda a família de Asma se tornou uma família islâmica. Certo dia, quando a mãe de Asma (que Allah esteja satisfeito com ela) veio visitar a filha, ela perguntou ao Mensageiro de Allah (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) se deveria manter boas relações com sua mãe politeísta. Então foi revelado este versículo: [Surata al-Mumtahanah, 8](Árabe********)

Então o Mensageiro (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) ordenou que ela tratasse bem sua mãe politeísta e disse: “Sim, mantém boas relações com tua mãe.” [Tafsir al-Qurtubi, 10/239; Musnad Ahmad, 6/344, 347, 355] Amir ibn Abdullah relatou, por intermédio de seu pai, Abdullah ibn az-Zubair (que Allah esteja satisfeito com ele): certa vez, Qutaila bint Abd al-Uzza foi à casa de sua filha Asma levando alguns presentes, como passas, manteiga clarificada, queijo e outros. Asma (que Allah esteja satisfeito com ela) recusou-se a aceitá-los. Ela nem sequer permitiu que sua mãe entrasse em casa. Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela) informou o Mensageiro (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) sobre o ocorrido e perguntou sua opinião. Então foi revelado o versículo anteriormente mencionado da Surata al-Mumtahanah. Depois disso, Asma (que Allah esteja satisfeito com ela) recebeu sua mãe cordialmente, fê-la entrar e sentar-se em casa, e aceitou seus presentes. [Musnad Ahmad, 6/344; ad-Durr al-Manthur, 8/131]

Hazrat Asma (r.a.) era uma pessoa extremamente humilde e desprovida de orgulho. Não sentia qualquer vergonha de realizar pessoalmente todos os trabalhos domésticos. A própria Hazrat Asma (r.a.) contou-nos assim a história das dificuldades financeiras e da extrema pobreza do lar de seu marido, Hazrat az-Zubair (r.a.), bem como de como assumia pessoalmente todas as responsabilidades e deveres daquela casa:

Quando me casei com az-Zubair ibn al-Awwam, ele não possuía absolutamente nenhum bem ou riqueza. Também não tinha nenhum escravo para realizar trabalho físico. Era um homem extremamente pobre e necessitado. Tudo o que possuía era um cavalo e um camelo. Eu mesma cuidava deles. O Mensageiro de Allah (s.a.w.) havia dado a az-Zubair um pedaço de palmeiral situado a três farsakhs do centro de Medina. Eu recolhia dali os caroços de tâmaras, colocava-os num saco, carregava-o sobre a cabeça e levava-o para casa. Depois, eu mesma os triturava e dava de comer ao camelo e ao cavalo. Tirava água do poço com um balde, enchia o odre e levava-a para casa. Além disso, realizava pessoalmente todos os trabalhos domésticos. Como não sabia fazer bom pão, amassava a farinha e deixava-a preparada em porções. Ao lado de nossa casa moravam as esposas dos Ansar. Eram pessoas muito simples e afáveis. Gostavam imensamente de nós. Ficavam muito felizes quando podiam ajudar no trabalho alheio. Elas faziam e assavam o meu pão. Todos os dias eu tinha de enfrentar essas realidades.

Certo dia, como todos os dias, eu voltava do palmeiral para casa carregando um fardo de caroços de tâmaras, quando encontrei no caminho o Mensageiro de Allah (s.a.w.). Naquele momento, havia também vários Companheiros com ele. O Mensageiro (s.a.w.) fez seu camelo ajoelhar-se e chamou-me para que eu montasse atrás dele. Senti vergonha, pensando na honra e na dignidade de meu marido, az-Zubair. Ele percebeu minha vergonha e partiu. Ao voltar para casa, contei isso a az-Zubair. Ele comentou: “Allah sabe que, para mim, é mais doloroso ver-te carregando um fardo sobre a cabeça dessa maneira do que montares atrás do Mensageiro sobre o dorso de sua montaria.” Alguns dias depois desse acontecimento, meu pai, Abu Bakr (r.a.), enviou-me um escravo. Ele me livrou de cuidar do cavalo, e assim fiquei um pouco livre de todas aquelas dificuldades.[Tabaqat-8/250; Siyar A‘lam an-Nubala-2/290; Musnad Ahmad-6/352]

Devido à pobreza e às dificuldades financeiras, era extremamente cuidadosa ao administrar as despesas domésticas. Gastava cada coisa com muita medida, conforme a necessidade. Ao tomar conhecimento disso, o Mensageiro (s.a.w.) proibiu-a de gastar dessa maneira tão calculada. Disse-lhe: “Não gastes de forma tão calculada; caso contrário, Allah te dará exatamente nessa mesma medida.” Depois disso, ela abandonou esse hábito.

Em certa fase de sua vida, Hazrat Asma (r.a.) tornou-se proprietária de grande riqueza. Contudo, essa abundância não exerceu qualquer influência sobre seu modo de vida simples e despretensioso. Até o fim da vida, vestiu roupas grosseiras e viveu completamente afastada do luxo, alimentando-se até se saciar apenas de pão seco. Quando seu filho Mundhir voltou para casa após a conquista do Iraque, trouxe consigo algumas roupas femininas finas, macias, de alta qualidade e ornamentadas, e entregou-as à mãe. Naquela época, Hazrat Asma (r.a.) havia perdido a visão devido à idade. Por isso, passou as mãos sobre as roupas para tentar avaliar sua qualidade. Quando percebeu que eram de qualidade muito superior, recusou-se a vesti-las. Quando Mundhir trouxe roupas grosseiras, ela as aceitou e ficou contente. Então disse: “Meu filho! Veste-me apenas com roupas grosseiras.”[Tabaqat-8/250]

Generosidade

Uma das principais características do caráter de Asma (r.a.) era a generosidade. Ela adquiriu essa qualidade por meio de sua firme fé em Allah e de sua tradição familiar. As três filhas de Abu Bakr (r.a.) — Asma, Aisha e Umm Kulthum (r.a.) — assimilaram plenamente a qualidade de generosidade de seu pai. Essa virtude desenvolveu-se nelas em toda a sua plenitude. A tal ponto que, em sua época, tornaram-se exemplos nesse aspecto. Hazrat Abdullah ibn az-Zubair (r.a.) falou da generosidade de sua mãe e de sua tia da seguinte maneira:[Tarikh al-Islam wa Tabaqat al-Mashahir wa al-A‘lam-3/135; Siyar A‘lam an-Nubala-2/292](Árabe********)

“Não conheci mulher alguma mais generosa do que minha mãe, Asma, e minha tia, Aisha (r.a.). Havia certa diferença entre a maneira como as duas praticavam a generosidade. O hábito de minha tia Aisha era, primeiramente, reunir diversas coisas. Quando percebia que havia acumulado uma quantidade suficiente, de repente, certo dia, distribuía tudo. Já o hábito de minha mãe Asma (r.a.) era diferente. Ela não guardava consigo coisa alguma até o dia seguinte.”

É provável que Asma’ (ra) seguisse, no que diz respeito à sua generosidade, os conselhos que o Mensageiro de Allah (sa) lhe havia dado. Ele proibiu Asma de guardar qualquer coisa e de gastar contando cada item, e disse: “Se fizeres isso, Allah fará o mesmo contigo. A fonte do teu sustento e provisão será fechada.” O Mensageiro (sa) disse: [Sahih al-Bukhari, Fil-Hibah (2590, 2591), Fiz-Zakat (1433, 1434)](Árabe*******)

“Ó Asma! Não faças contas; do contrário, Allah também fará contas contigo no que diz respeito às doações.”

Asma’ (ra) disse: Depois desse conselho do Mensageiro de Allah (sa), nunca mais calculei quanto havia gasto nem quanto havia recebido. Tudo o que gastei, Allah repôs para mim. [Tarikh Madinat Dimashq (Tarajim an-Nisa’), 19; Nisa’ min ‘Asr an-Nubuwwah, 357]

Ela aconselhava assim seus filhos e filhas: “A riqueza vos é dada para ajudar e beneficiar os outros, não para ser acumulada. Se não gastardes vossos bens com os servos de Allah e fordes avarentos, Allah também vos privará de Sua graça. Tudo o que doardes ou gastardes será, na realidade, a vossa poupança; essa poupança jamais diminuirá nem será perdida. [Tarikh Madinat Dimashq, 16; Tabaqat, 8/357]

Sempre que Hazrat Asma’ (ra) adoecia, libertava todos os escravos que estavam sob sua posse. [Tabaqat, 8/283] A Mãe dos Crentes, Hazrat ‘A’ishah (ra), deixou, ao morrer, um terreno que Asma’ (ra) recebeu como herança. Ela vendeu esse terreno por cem mil dirhams e distribuiu todo o dinheiro entre seus parentes e familiares. [Sahih al-Bukhari, Bab Hibatil-Wahid lil-Jama‘ah]

O marido de Hazrat Asma’ (ra), Hazrat Zubair (ra), era um homem de natureza bastante rude. Por isso, certa vez Asma’ (ra) perguntou ao Mensageiro (sa): “Posso dar algo, sem a permissão dele, aos pobres e necessitados, utilizando os bens do meu marido?” Ele respondeu: “Sim, podes.” [Musnad, 6/353]

Certa vez, a mãe de Hazrat Asma’ (ra) foi até ela, em Medina, e pediu alguma ajuda financeira. Como de costume, ela correu até o Mensageiro (sa) e perguntou: “Minha mãe é uma mushrik (politeísta) e está me pedindo alguma ajuda financeira. Posso ajudá-la?” O Mensageiro (sa) respondeu: “Ela é tua mãe.” [Sahabiyat, 160] Ou seja, podes ajudá-la. Muhammad ibn al-Munkadir (falecido em 130 H.), que foi um grande tabi‘i, disse: “Asma’ era uma mulher generosa e de natureza caridosa.” [Tabaqat, 8/353]

Mal-entendidos com a sogra

A sogra de Hazrat Asma (que Allah esteja satisfeito com ela) era Safiyya bint ‘Abd al-Muttalib (que Allah esteja satisfeito com ela), tia paterna do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Ela foi uma das maiores poetisas. Também alcançou fama por sua bravura e coragem na vida islâmica. Contudo, era um pouco ríspida por natureza. Quando se irava, ultrapassava bastante os limites. Por essas razões, muitas vezes surgiam mal-entendidos entre ela e sua nora, Asma (que Allah esteja satisfeito com ela). E, por causa disso, também surgiam ressentimentos entre mãe e filho. Ibn ‘Asakir narrou um episódio desse tipo por meio de ‘Urwa ibn az-Zubayr. Certa vez, Safiyya e seu filho az-Zubayr tiveram uma discussão acalorada por causa de algo relacionado a Asma. Khadija, a filha pequena de Asma e az-Zubayr, estava sempre com sua avó. Ela ouviu a conversa entre seu pai e sua avó e foi até sua mãe, dizendo: “Mãe, por que você repreendeu a vovó? Ela fez uma queixa a papai.” A informação tornou-se conhecida. Safiyya ficou extremamente descontente com o filho, pensando que ele havia contado à nora o que ela dissera. Por isso, repreendeu-o. Az-Zubayr (que Allah esteja satisfeito com ele) disse à mãe: “Mãe, eu não contei a ela.” Com isso, a mãe ficou ainda mais irada. Pensou que o filho estava ocultando dela a verdade. Na realidade, az-Zubayr também não sabia de quem Asma havia tomado conhecimento do assunto. Dominada pela ira, Safiyya (que Allah esteja satisfeito com ela) recitou então vários versos de repreensão dirigidos ao filho. Por fim, o assunto foi esclarecido. Az-Zubayr (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: “Mãe, foi Khadija quem contou isso a Asma.” Safiyya disse: “Então foi isso! Que ela nunca mais entre em minha casa.” [Tarikh Madinat Dimashq (Tarajim an-Nisa’), pp. 17–18.] É digno de nota que Hazrat Safiyya (que Allah esteja satisfeito com ela) amava muito os filhos de Asma e az-Zubayr (que Allah esteja satisfeito com ele). Ela costumava embalar ‘Abdullah ibn az-Zubayr no colo e recitar versos de poesia em melodia. [Banat as-Sahaba, p. 62, nota 1]

Piedade e conhecimento

Assim como distribuir tudo no caminho de Allah, a generosidade e o elevado caráter tornavam sua personalidade doce, o conhecimento, o temor a Allah, a inteligência e a excelência no conhecimento do fiqh tornavam sua pessoa ainda mais grandiosa. Observa-se que ela participava em igual medida da narração dos hadiths do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), da participação no jihad e de outras atividades semelhantes. Dedicava-se à adoração com humildade e submissão, e recitava o Alcorão com concentração total. Ao recitar algum versículo em particular, repetia-o muitas vezes com o coração enternecido. Seu marido narrou: “Certo dia, entrei na casa de Asma (que Allah esteja satisfeito com ela) e vi que ela estava de pé em oração, recitando este versículo [Surata at-Tur, 27] (árabe*****)”(Árabe*****)

“Então Allah nos favoreceu e nos protegeu do castigo do Fogo.”

Ela o recitou. Em seguida, pronunciou “A‘udhu billah”. Fiquei de pé, enquanto ela chorava e pronunciava “A‘udhu billah”. Depois de permanecer de pé por longo tempo, fui ao mercado. Após concluir meu trabalho, voltei para lá e vi que ela ainda chorava e pronunciava “A‘udhu billah”. [Hilyat al-Awliya, 2/55; ad-Durr al-Manthur, 7/635]

Ibn al-Jawzi mencionou que, naquela época, surgiu um grupo de recitadores e ouvintes do Alcorão que adotava comportamentos inusitados ao recitar ou ouvir o Alcorão. Por exemplo: desmaiar, puxar e rasgar as roupas que vestiam, bater no rosto e na cabeça, e coisas semelhantes. Eles pensavam que, por meio disso, buscavam a proteção e o refúgio de Allah. Também pensavam que os Companheiros do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), que possuíam os corações mais puros e eram os mais virtuosos, faziam o mesmo, e que eles apenas os imitavam. [Al-Qussam wa al-Mudhakkirin, 40] O famoso hafiz de Kufa, Husayn ibn ‘Abd ar-Rahman as-Sulami (falecido em 136 H.), disse: “Certa vez, perguntei a Asma bint Abi Bakr (que Allah esteja satisfeito com ela): ‘O que faziam os Companheiros do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) durante a recitação do Alcorão?’ Ela respondeu: ‘Como Allah os descreveu: seus olhos se enchem de lágrimas e sua pele se arrepia.’ Eu disse: ‘Aqui há algumas pessoas que, quando o Alcorão é recitado diante delas, desmaiam.’ Hazrat Asma (que Allah esteja satisfeito com ela) disse: (árabe******)(Árabe******)

“Busco refúgio em Allah contra Satanás, o amaldiçoado.” [Al-Bahr al-Muhit, 9/196; Tarikh Madinat Dimashq (Tarajim an-Nisa’), 20]

Na realidade, Hazrat Asma (que Allah esteja satisfeito com ela) estava aludindo a dois versículos do Alcorão que descrevem o estado dos nobres Companheiros durante a recitação do Alcorão. Esses dois versículos são: [Surata al-Ma’ida, 83] (árabe******)(Árabe******)

“Quando ouvem o que foi revelado ao Mensageiro, vês seus olhos transbordarem de lágrimas por reconhecerem a verdade.”

(Árabe*****************)

“Allah revelou o melhor discurso: um Livro harmonioso, cujas partes se corroboram e que é recitado repetidamente. Com ele, estremecem os corpos daqueles que temem seu Senhor; depois, seus corpos e corações se tornam submissos e se inclinam à lembrança de Allah.” [Surata az-Zumar, 39:23]

As pessoas mais tementes a Allah e mais virtuosas desta ummah eram os nobres companheiros (r.a.). Eles receberam diretamente do nobre Mensageiro de Allah (s.a.w.) o conhecimento correto do Islam. Portanto, não é de modo algum permitido realizar, em nome da adoração, aquilo que eles não fizeram. Foi isso que Hazrat Asma (r.a.) quis explicar ao recitar “A‘udhu billah”. Ela também quis explicar que aquilo que essas pessoas fazem é, na realidade, obra de Satanás. A honestidade e a sinceridade faziam parte da natureza de Hazrat Asma (r.a.). Ela tinha compaixão por toda a sociedade humana. Certa vez, o nobre Mensageiro de Allah (s.a.w.) estava realizando a oração do eclipse solar. A oração foi muito longa. Asma (r.a.) ficou assustada e, cansada, começou a olhar de um lado para o outro. De repente, seus olhos se fixaram em duas mulheres que estavam de pé não muito longe dela. Uma delas era um pouco corpulenta, e a outra era um pouco magra e fraca. Ao vê-las permanecerem de pé na oração, ela recuperou a coragem e a força. Mudou de ideia quanto a sair e disse a si mesma: “Devo permanecer de pé por mais tempo do que elas.” [Musnad Ahmad, 3/349] Dito e feito. Ela permaneceu imóvel até o término da oração. A oração também durou várias horas. Manteve-se firmemente de pé, mas, ao final, não conseguiu mais se controlar. Quase perdeu a consciência e foi necessário borrifar água em sua cabeça. [Sahih al-Bukhari, 1/144]

Naquela época, Hazrat Asma (r.a.) era uma fonte de conhecimentos diversos. Ela também era uma hábil intérprete de sonhos. Al-Waqidi disse: [Tahdhib al-Asma wa al-Lughat, 2/598]

(Árabe***************)

“Sa‘id ibn al-Musayyib (r.h.) foi um dos maiores intérpretes de sonhos. Ele adquiriu esse conhecimento de Asma bint Abi Bakr. E Asma o adquiriu de seu pai, Abu Bakr (r.a.).”

Hazrat Asma (r.a.) tinha muitos devotos e seguidores. Eles vinham visitá-la com devoção e respeito. Sua pureza e santidade eram amplamente conhecidas. As pessoas vinham pedir-lhe dua. Especialmente em momentos de dificuldades e calamidades, vinham pedir que ela fizesse dua por elas. Quando uma mulher acometida de febre ia até ela, Asma borrifava água sobre seu peito e dizia: “O Mensageiro de Allah (s.a.w.) disse: ‘A febre é o fogo do Inferno; portanto, resfriai-a com água.’” [Sahih Muslim, Kitab as-Salam, 2211; al-Bukhari, Kitab at-Tibb, 5724]

Quando Hazrat ‘Aisha (ra), a Mãe dos Crentes, faleceu, deixou para Hazrat Asma (ra) uma túnica de Hazrat Rasul-e-Karim (sa). Quando alguém da família de Asma (ra) adoecia, ela dava-lhe de beber a água em que essa túnica havia sido lavada.[Muslim, Fi’l-Libani wa’z-Zinati (2069); Tabaqat-1/454; Musnad-6/348]

Hazrat Asma’ (ra) realizou o Hajj várias vezes. Na primeira vez, realizou-o na companhia de Hazrat Rasul-e-Karim (sa).

Memorização e transmissão dos hadiths

No que diz respeito à memorização e transmissão dos hadiths de Rasul-e-Karim (sa), Hazrat Asma’ (ra) superou muitas das filhas dos ilustres Companheiros (ra). Contudo, ocupou o segundo lugar entre as mulheres da família de Abu Bakr (ra). Nesse aspecto, Hazrat ‘Aisha (ra) a superou. Os Companheiros, homens ou mulheres, dos quais foram transmitidos menos de cem hadiths são chamados de “Ashabul ‘Ashara”.

[Entre as Companheiras que são incluídas entre os “Ashabul ‘Ashara”, destacam-se:

1. Asma bint Yazid (ra). Número de hadiths transmitidos: 81

2. Maymuna bint al-Harith, a Mãe dos Crentes (ra). Número de hadiths transmitidos: 76

3. Ummu Habiba, a Mãe dos Crentes (ra). Número de hadiths transmitidos: 60

4. Asma bint Umays (r.a.). Número de hadiths narrados: 65

5. Asma bint Abi Bakr (r.a.). Número de hadiths narrados: 58

6. Umm Hani bint Abi Talib (r.a.). Número de hadiths narrados: 46

7. Fatima bint Qays (r.a.). Número de hadiths narrados: 34

8/ Umm al-Fadl bint al-Harith (r.a.). Número de hadiths narrados: 30

9. Umm Qays bint Mihsan (r.a.). Número de hadiths narrados: 24

10. ar-Rubayyi bint Mu’awwidh (r.a.). Número de hadiths narrados: 21

(Banat as-Sahaba-pr, 65; nota 1]

Seu marido, az-Zubair, também pertencia a essa categoria de transmissores. Contudo, ela transmitiu vinte hadiths a mais que o marido. Enquanto ela transmitiu 58 (cinquenta e oito) — segundo outra opinião, 56 — hadiths, o número de hadiths transmitidos por seu marido foi 38 (trinta e oito).

Os hadiths narrados por Asma foram compilados em diversas obras dos Sunan e dos Musnads, incluindo os Sahihain. Quatorze (14) hadiths foram compilados no Sahih al-Bukhari e no Sahih Muslim. Além disso, al-Bukhari compilou quatro (4) individualmente, e Muslim também compilou quatro (4) individualmente. [A‘lam an-Nisa’ 1/49; al-Isaba 4/230; Banat as-Sahaba 65, 66]

Entre aqueles que narraram hadiths de Asma, os mais notáveis são: seus dois filhos, Abdullah e Urwa; seu neto, Abdullah ibn Urwa; seu escravo liberto, Abdullah ibn Qaisan; Ibn Abbas; Muhammad ibn al-Munkadir; Wahab ibn Qaisan; e muitos outros. Entre as mulheres: Fatima bint Shaiba, Umm Kulthum, a liberta de al-Hajaba, e muitas outras. [Siyar A‘lam an-Nubala 2/292; Tahdhib al-Asma’ wa al-Lughat 2/597; Tahdhib at-Tahdhib 10/451]

Asma também possuía talento poético. Além disso, era uma mulher eloquente. Encontram-se em diversas obras os poemas de lamentação que compôs após o martírio de seu marido, az-Zubair, e de seu filho, Abdullah. [A‘lam an-Nisa’ 1/49]

Divórcio

Diversas obras de sira mencionam brevemente que az-Zubair se divorciou de Asma. Contudo, nenhuma obra menciona a razão disso. Ibn al-Athir, porém, apresentou duas possíveis razões. A primeira é que Asma havia chegado à velhice e, devido à idade, sua visão também estava começando a desaparecer. [Usud al-Ghaba 5/393] Por isso, az-Zubair teria querido afastá-la. A segunda é que, por alguma razão, surgiu amargura na relação entre os dois, chegando ao ponto do divórcio, isto é, da ruptura do vínculo. A primeira razão não é de modo algum razoável. Considerando o nível de caráter de az-Zubair, pode-se imaginar que ele abandonaria, por causa da velhice, sua esposa, mãe de muitos filhos? E ainda por cima quando ela havia ficado cega? A segunda razão mencionada, contudo, é razoável. Por essa razão, seria possível que tivesse ocorrido o divórcio. Az-Zubair era um homem de natureza um tanto áspera e severa. Como resultado, a relação entre os dois se deteriorou e chegou à separação. Outra narrativa de Ibn al-Athir dá apoio a isso. Certa vez, por causa de alguma palavra, az-Zubair ficou extremamente irado com sua esposa, Asma. A situação chegou até mesmo à agressão física. Asma chamou seu filho Abdullah para ajudá-la. Ao vê-lo chegando, az-Zubair disse: “Se você vier aqui, divorciarei sua mãe.” Abdullah disse: “Você transformou minha mãe no objeto do seu juramento?” Então, à força, libertou sua mãe das mãos do pai. Depois disso, Asma separou-se dele. [Siyar A‘lam an-Nubala 2/292; Tarikh al-Islam wa Tabaqat al-Mashahir wa al-A‘lam 3/134] “Leve Hisham ibn Urwa para junto de você.” [Tabaqat 8/253; Usud al-Ghaba 5/393] Seja qual for a razão, após o divórcio Asma foi para junto de seu filho Abdullah e permaneceu ali. Abdullah, como filho obediente e dedicado, serviu sua mãe até o fim da vida. A satisfação de sua mãe era o único objetivo de sua vida.

Há também outras narrativas que mostram que az-Zubair tratava Asma com severidade. Certa vez, por exemplo, Asma foi até seu pai, Abu Bakr, e queixou-se do tratamento severo que recebia de az-Zubair. Depois de ouvir Asma, Abu Bakr primeiro elogiou az-Zubair e testemunhou sua competência em diversos assuntos. Em seguida, aconselhou-a: “Minha filha! Tenha paciência. Se uma mulher tiver um marido virtuoso, ele morrer antes dela e ela não se casar novamente, os dois se reunirão no Paraíso.” [A‘lam an-Nisa’ 2/48; Banat as-Sahaba 59]

Heroísmo, coragem, paciência e firmeza

Desde os tempos antigos, a bravura e a coragem têm sido características e qualidades especiais dos árabes. Por isso, assim como Hazrat Asma (ra) alcançou fama por sua generosidade, também se tornou conhecida como uma mulher corajosa e heroica. Durante o período de Sa‘id ibn al-‘As (ra), quando a lei e a ordem em Medina se deterioraram e a anarquia se espalhou amplamente pela cidade, Hazrat Asma (ra) dormia com uma adaga afiada debaixo do travesseiro. Quando as pessoas lhe perguntavam a razão, ela dizia: “Se algum ladrão, bandido ou malfeitor entrar em casa e me atacar, eu lhe rasgarei o ventre.” [Nisa Hawlar Rasul-184] Ela estava com az-Zubayr (ra) e testemunhou a famosa Batalha de Yarmuk. [Banat as-Sahaba-69.]

Quando ‘Abdullah (ra), filho de Hazrat Asma (ra), atingiu a plena maturidade, a maioria dos habitantes da Síria, incluindo o Hijaz, o Egito, o Iraque e o Khurasan, rebelou-se contra os califas omíadas, reconheceu-o como califa e prestou-lhe bay‘a (juramento de lealdade). Antes de falecer, Hazrat Mu‘awiya (ra), fundador do califado omíada, nomeou seu filho Yazid como sucessor do califado e, assim, estabeleceu a primeira monarquia da história islâmica. Porém, o modo monárquico pelo qual Yazid assumiu o poder e seu estilo de vida não islâmico não podiam ser aceitos pelo povo das diversas regiões do califado islâmico. Hazrat ‘Abdullah (ra) também se recusou a prestar bay‘a a Yazid. Ele declarou Meca a capital do califado islâmico e estabeleceu-se ali. Pessoas chegavam em grupos de todas as direções e prestavam-lhe bay‘a. Ele continuou a administrar os assuntos de governo nas regiões sob seu controle. Quando ‘Abd al-Malik ibn Marwan assumiu a responsabilidade pelo califado, seu vizir, al-Hajjaj ibn Yusuf, decidiu enfrentar Hazrat ‘Abdullah (ra). Com uma enorme força militar, sitiou Meca no primeiro dia de Dhu al-Hijja do ano 72 da Hégira. Meca ficou completamente isolada de todas as comunicações externas. A guerra entre os dois lados prosseguiu ininterruptamente durante seis meses. Como resultado do longo cerco, a vida dos habitantes de Meca tornou-se extremamente difícil. O número dos apoiadores de Hazrat ‘Abdullah (ra) diminuía dia após dia. Sem ver qualquer possibilidade de vitória, eles começaram a abandoná-lo. Com um pequeno grupo de seguidores que ainda lhe restava, ele se refugiou no recinto sagrado da Caaba. Pouco antes do confronto final com o exército omíada, foi encontrar-se pela última vez com sua mãe, Asma (ra). Hazrat Asma (ra) estava então debilitada pelo peso da velhice e cega. A história não conseguiu preservar muitos acontecimentos da vida repleta de eventos de Hazrat Asma (ra). Contudo, a agudeza de inteligência, a firmeza de caráter, a força da fé, o extremo autossacrifício, a confiança em Allah e a devoção inabalável à verdade que ela demonstrou nesse último encontro entre mãe e filho permanecerão para sempre gravados na história. O diálogo entre mãe e filho foi o seguinte:

‘Abdullah: Mãe, que a paz, a misericórdia e as bênçãos de Allah estejam sobre você.

Asma’: ‘Abdullah! E que a paz esteja sobre você. As catapultas do exército de al-Hajjaj estão lançando pedras contra o seu exército, que está posicionado no recinto sagrado, fazendo tremer as casas de Meca. Qual é o propósito da sua vinda num momento tão crítico?

‘Abdullah: Minha intenção é consultá-la.

Asma’: Consultar-me! Sobre o quê?

‘Abdullah: Por medo ou por tentação de al-Hajjaj, meus companheiros me abandonaram no perigo e partiram; até mesmo meus filhos e os membros da minha família me deixaram. Agora tenho comigo apenas poucas pessoas. Por maior que seja a paciência e a coragem delas, de modo algum poderão resistir por mais de uma ou duas horas. Enquanto isso, os omíadas estão enviando uma proposta: se eu reconhecer Malik ibn Marwan como califa, depuser as armas e lhe prestar lealdade, eles me darão tudo o que eu desejar em termos de conforto e riquezas mundanas. Nessas circunstâncias, que conselho a senhora me dá?

Asma’ (que Allah esteja satisfeito com ela) diz em voz um pouco mais alta: A questão é inteiramente sua. E você conhece a si mesmo melhor do que ninguém. Se tem a firme convicção de que está com a verdade e chama as pessoas à verdade, então permaneça firme, como aqueles que permaneceram firmes sob sua bandeira e morreram como mártires. Mas, se deseja o conforto e as riquezas deste mundo, então é o mais vil dos homens. Você está destruindo a si mesmo e aos seus. Lute como um homem e não aceite nenhuma humilhação por medo da morte. É muito melhor morrer atingido pela espada com honra do que viver uma vida humilhante! Ficarei feliz se você morrer como mártir. Mas, se deseja este mundo passageiro, quem poderia ser mais vil do que você? Se pensa que ficou sozinho e que não tem outra alternativa senão se render, esse não é o procedimento de uma pessoa honrada. Quanto tempo você viverá? Morra deixando boa reputação e fama. Assim encontrarei consolo.

Abdullah: Então hoje certamente serei morto.

Asma: É melhor ser morto lutando do que te render voluntariamente a Hajjaj e permitir que os jovens dos Banu Umayya brinquem com a tua cabeça.

Abdullah: Mãe, não tenho medo de ser morto. O que temo é que eles me castiguem de várias maneiras. Que cortem minhas mãos e meus pés, desmembrem meu corpo e me desfigurem.

Asma: Meu filho! Depois de morto, o ser humano não tem nada a temer. Um bode abatido não sente dor quando sua pele é retirada.

Ao ouvir isso de sua mãe, o rosto de Abdullah tornou-se ainda mais radiante. Ele disse: Minha bondosa mãe, que a sua sublime dignidade se torne ainda mais abençoada. Neste momento de crise, vim ao seu serviço apenas para ouvir estas palavras de sua boca. Allah sabe que não tive medo nem fraquejei. Ele é testemunha de que não luto por cobiça ou amor por qualquer prazer, riqueza, honra ou posição mundana. Pelo contrário, esta luta se deve unicamente ao meu intenso ódio e aversão à declaração do haram como halal. Agora vou fazer aquilo que a senhora aprovou. Se eu me tornar mártir, não se entristeça por mim e entregue tudo o que possui nas mãos de Allah.

Asma: Se fores morto defendendo a falsidade e a injustiça, ficarei triste.

Abdullah: Mãe! Tenha certeza de que este seu filho nunca praticou injustiça, atos obscenos ou indecentes, nunca violou a lei de Allah, nunca traiu a confiança de ninguém, nunca oprimiu um muçulmano nem um dhimmi, e que nada neste mundo lhe é mais precioso do que o contentamento de Allah. Não pretendo, com estas palavras, declarar-me puro e inocente, pois Allah sabe mais sobre mim. Então ergueu o rosto para o céu e disse com extrema humildade: Meu Deus, Tu sabes muito bem que tudo o que disse à minha mãe foi apenas para consolá-la, para que ela não sofresse ao ver a minha situação.

Asma disse: —(Árabe****************)

«Todo louvor pertence a Allah, que o manteve firme naquilo que é do agrado d’Ele e do meu. Meu filho! Espero que minha paciência em relação a você seja uma paciência incomparável. Se você for morto diante de mim, isso será uma ocasião para eu receber recompensa. Se você sair vitorioso, isso será motivo de alegria para mim. Agora, avance em nome de Allah. Meu filho! Venha um pouco até mim; quero sentir pela última vez o perfume do seu corpo e tocar um pouco em você. Pois este é o último encontro entre nós dois nesta vida terrena.»

‘Abdullah (ra) curvou-se e começou a cobrir as mãos e os pés de sua mãe com beijos, enquanto ela encostava o nariz e a boca na cabeça, no rosto e nos ombros do filho, cheirando-o e beijando-o, e passava carinhosamente as duas mãos sobre seu corpo. Ao despedir-se, quando ia abraçar o filho, empurrou-o novamente para longe, dizendo: ‘Abdullah! O que é isso que você está vestindo?

— Mãe, isto é minha armadura.

— Meu filho, esta não é a vestimenta daqueles que desejam o martírio.

— Mãe, vesti esta roupa para agradá-la e trazer tranquilidade ao seu coração.[A Vida dos Companheiros do Mensageiro de Allah-1/211-212]

— Tire-a. Isso será mais adequado à sua personalidade, à sua coragem e aos seus ataques. Além disso, será mais fácil para sua atividade, sua agilidade e seus movimentos. Em vez dela, vista uma calça comprida. Assim, mesmo que você seja derrubado no chão, sua awrah permanecerá coberta.

Conforme sua mãe lhe havia dito, ‘Abdullah tirou a armadura, vestiu a calça e partiu em direção ao Santuário Sagrado para juntar-se à batalha, dizendo: ‘Mãe, não se esqueça de fazer du‘a por mim — tanto antes quanto depois de eu ser morto.

— Nunca me esquecerei de fazer du‘a perante Allah. Alguns lutam pela falsidade, mas sua luta é pela verdade. Então, ela levantou as duas mãos ao céu e fez du‘a: Ó Allah, concede-lhe misericórdia por sua longa adoração e por seu choro em voz alta, enquanto permanecia acordado durante a noite, quando as pessoas, na escuridão da noite, estavam inconscientes em sono profundo. Ó Allah, tem piedade dele por suportar, em estado de jejum, a fome e a sede do meio-dia em Meca e Medina. Ó Allah! Derrama Tua misericórdia sobre ele por sua bondade para com os pais. Ó Allah, confiei-o somente a Ti. Estou satisfeita com qualquer decisão que tomares a respeito dele. Em troca disso, concede-me a recompensa dos pacientes.

As palavras de sua mãe, Hazrat Asma (que Allah esteja satisfeito com ela), trouxeram tranquilidade ao coração de Hazrat ‘Abdullah (que Allah esteja satisfeito com ele). Ele partiu e combateu com extrema paciência, alcançando o martírio. Antes de morrer, estas duas linhas eram pronunciadas por seus lábios: [Hayatus-Sahaba-1/574; Banat as-Sahaba-70](Árabe***************)

Minha mãe, Asma‘! Não chore por mim se eu for morto. Nada me resta além da minha nobreza e da minha religiosidade. Resta ainda uma espada afiada, com a qual, de tanto golpear, minha mão direita ficou enfraquecida.”

Antes mesmo de o sol se pôr naquele dia, Hazrat ‘Abdullah (que Allah esteja satisfeito com ele) encontrou-se com seu Senhor. Após matá-lo, Hajjaj mandou pendurar seu corpo. A mãe, Asma‘ (que Allah esteja satisfeito com ela), veio acompanhada de uma serva para ver o corpo do filho. Viu-o pendurado com o rosto voltado para baixo. Parada ao lado do corpo, disse com extrema calma e firmeza: “Ainda não chegou a hora de este cavaleiro do Islã descer do dorso do cavalo?” Para afastá-la, com o objetivo de dispersar a multidão, Hajjaj enviou homens. Ela se recusou a ir. Então ele mandou dizer novamente por meio de seus homens que, se ela não fosse imediatamente, seria arrastada pelos cabelos. Hazrat Asma (que Allah esteja satisfeito com ela) não se deixou intimidar por Hajjaj. Não deu a menor atenção à sua ameaça.

A proclamação da verdade era a característica mais brilhante do caráter de Hazrat Asma (que Allah esteja satisfeito com ela). Diante de um tirano assassino e opressor como Hajjaj, ela proclamou a verdade com voz extremamente firme. Frente a frente, respondeu-lhe de maneira contundente e reduziu seu orgulho a pó. Após o martírio de Hazrat ‘Abdullah (que Allah esteja satisfeito com ele), Hajjaj foi até Hazrat Asma (que Allah esteja satisfeito com ela) e disse: “Seu filho cometeu atos contrários à religião na Casa de Allah e propagou o ateísmo. Por isso, Allah o fez provar um castigo severo.”

Asma‘ (que Allah esteja satisfeito com ela) respondeu com voz firme: “Você é um mentiroso. Meu filho não era ateu. Ele jejuava e era um filho obediente e submisso aos pais. Contudo, ouvi da boca do Nobre Profeta (que Allah esteja satisfeito com ele) que, entre o povo de Thaqif, surgiriam um mentiroso impostor e um opressor. O mentiroso, al-Mukhtar ath-Thaqafi, eu já o vi. E o opressor é você, a quem estou vendo agora.” Ao ouvir isso de Hazrat Asma (que Allah esteja satisfeito com ela), Hajjaj ficou extremamente agitado e levantou-se de onde estava sentado. Porém, tendo perdido a coragem de dizer qualquer coisa, permaneceu em silêncio, de pé.[Sahih Muslim, Fada’il as-Sahaba, hadith nº 2545; Tabaqat-8/254; Musnad Ahmad-6/351; Siyar A‘lam an-Nubala-2/296]

É relatado em outra versão que Hajjaj disse a Asma‘ (que Allah esteja satisfeito com ela): “Diga-me: como tratei ‘Abdullah, o inimigo de Allah?” Asma‘ respondeu: “Você arruinou a vida mundana dele, e ele arruinou a sua vida futura. Ouvi dizer que você zombava dele, chamando-o de filho de Dhat an-Nitaqayn. Por Allah, eu sou Dhat an-Nitaqayn. Com um dos meus nitaq, amarrei a comida do Mensageiro de Allah (que Allah esteja satisfeito com ele) e de Abu Bakr (que Allah esteja satisfeito com ele). O outro nitaq ainda está em minha cintura.[Tabaqat-8/254; Tarikh al-Islam wa Tabaqat al-Mashahir wal-A‘lam-3/136] Também é relatado que Hajjaj foi até Asma‘ (que Allah esteja satisfeito com ela) e disse: “Mãe, o Emir dos Crentes ordenou-me que viesse saber como você está. Há algo de que necessita?” Asma‘ (que Allah esteja satisfeito com ela) respondeu com extrema severidade: “Não sou sua mãe. Sou a mãe do homem pendurado na forca no início da estrada. Não necessito de nada.[Siyar A‘lam an-Nubala-2/294]

Certo dia, após o martírio de Hazrat ‘Abdullah (que Allah esteja satisfeito com ele), disseram a Hazrat ‘Abdullah ibn ‘Umar (que Allah esteja satisfeito com ele): “Asma‘ (que Allah esteja satisfeito com ela) está sentada em um canto da mesquita.” Inclinando-se um pouco em sua direção, ele disse: “Este corpo sem vida não é nada. A alma já chegou até Allah. Tema Allah e tenha paciência.” Asma‘ disse: “O que me impediu de fazer isso? A cabeça do Profeta Yahya ibn Zakariya (que Allah esteja satisfeito com ele) também foi oferecida como presente a uma prostituta dos Filhos de Israel.[Pragukta-2/295; Tahdhib al-Asma’ wal-Lughat-2/330]

Convém mencionar que, quando Herodiano, governante da Palestina, quis casar-se com sua tia Herodias, Yahya o impediu. Isso porque, na religião deles, o casamento entre tia e sobrinho não era permitido. Porém, a filha de Herodias e sua mãe deram seu consentimento. Elas impuseram a Herodiano a condição de que, se ele pudesse cortar a cabeça de Yahya e trazê-la diante delas em um prato, o casamento se realizaria. Foi o que ele fez. Hazrat Asma‘ (que Allah esteja satisfeito com ela) fez alusão a esse acontecimento.[Siyar A‘lam an-Nubala’-2/295; nota 1; Qasas al-Anbiya-369]

Enquanto o corpo de Hazrat Abdullah permaneceu pendurado durante vários dias, Hazrat Asma’ (ra) suplicava a Allah, dizendo: “Ó Allah! Que eu não morra antes de poder providenciar o banho ritual, o sudário e o sepultamento de Abdullah.” Depois que o corpo foi retirado, Asma’ (ra) pediu que lho entregassem e, com grande dificuldade, lavou-o com água de Zamzam. [Zad al-Ma‘ad-1/140; Tarikh al-Islam wa Tabaqat al-Mashahir wal-A‘lam 1/503; al-Fakihi disse: “Como bênção, os habitantes de Meca costumavam lavar seus mortos com água de Zamzam.” (Nisa’ Mubashsharat fil Jannah-266)] A carne havia apodrecido e se decomposto. Mesmo vendo o estado do próprio filho, Asma’ (ra) não desmoronou de modo algum. Demonstrou paciência e agradeceu a Allah.

Ibn Mulayka disse: “Eu também estava entre aqueles a quem coube a responsabilidade de lavar o corpo. Segurávamos um membro, e ele se desprendia em nossas mãos. Lavávamo-lo, colocávamo-lo sobre o sudário e segurávamos outro membro. Assim concluímos seu banho ritual. Depois, sua mãe, Asma’, levantou-se e realizou a oração fúnebre por ele. Ela o sepultou no cemitério de al-Mu‘alla, em Meca. [A‘lam an-Nisa’-1/52; Banat as-Sahaba-71]

Hazrat ‘Abdullah ibn az-Zubayr (ra) foi martirizado na terça-feira, dia 17 de Jumada al-Awwal do ano 73 da Hégira. Alguns dias depois, em Meca, Hazrat Asma’ (ra) também deixou este mundo, no ano 73 da Hégira. Ela tinha então cem anos de idade. Entre os Companheiros muhajir, homens e mulheres, foi a última a falecer. [Siyar A‘lam an-Nubala-2/296; A‘lam an-Nisa-1/52, 53] Ao longo dessa longa vida, nenhum de seus dentes caiu, nem se manifestou nela sequer o menor sinal de demência. Ela foi sepultada em Meca, ao lado de seu filho Abdullah (ra). [Banat as-Sahaba-72]

Antes de morrer, ela deixou a seguinte orientação: “Aqueçam minhas roupas, queimando madeira perfumada e expondo-as ao seu calor; depois, perfumem meu corpo. Não apliquem perfume ao meu sudário, não acompanhem o cortejo fúnebre com fogo e não me sepultem à noite.” [Tahdhib al-Asma’ wal-Lughat-2/598]

Ummu Sulaim bintMilhan (ra)


Seu nome pelo qual era conhecida era Ummu Sulaim. Há grande divergência quanto ao seu nome verdadeiro. Entre os nomes mencionados estão: Sahla, Rumayla, Mulayka, al-Ghumaysa’ e ar-Rumaysa’. Foi uma célebre Companheira ansarita de Banu Najjar. Era a orgulhosa mãe do célebre Companheiro Hazrat Anas, o amado servidor do Mensageiro de Allah (ra). Seu pai chamava-se Milhan ibn Khalid, e sua mãe, Mulayka bint Malik ibn ‘Adi ibn Zayd ibn Manat. Em outro relato, ela é chamada de ‘Unayka. [al-Isaba-4/461, 462; Tabaqat-3/504] Hazrat Haram ibn Milhan, um dos célebres Companheiros martirizados no histórico incidente de Bi’r Ma‘una, era seu irmão. [Hayatus Sahaba (árabe)-1/528] Na história, ela se tornou conhecida pelo nome de Ummu Sulaim.

No início de sua vida, na época da jahiliyyah, ela se casou com Malik ibn an-Nadr. Dez anos antes da Hégira do Mensageiro de Allah (sa) para Medina, nasceu desse casamento seu filho Anas. Entre os ansar que abraçaram o Islam nos primeiros tempos, ela estava entre os primeiros. Por causa de sua conversão ao Islam, seu marido Malik rompeu o relacionamento e partiu para outra terra, abandonando-a juntamente com seu filho. [al-Isaba-4/461] Esse relato foi transmitido por Anas. Certo dia, Ummu Sulaim foi até seu marido Malik e disse: “Hoje trago uma notícia de que você não gostará.” Malik disse: “Você sempre traz, da parte desse beduíno, notícias de que não gosto.” Contradizendo as palavras do marido, ela disse: “Sim, ele é um beduíno, mas Allah o escolheu e fez dele um profeta.” Malik perguntou: “Então, que notícia você trouxe hoje? Diga, quero ouvir.” Ela disse: “O vinho foi declarado proibido.” Malik disse: “A nossa relação termina aqui.” Então ele abandonou sua casa, sua família, sua esposa e seu filho, partiu para a Síria e morreu ali como politeísta. [Hayatus Sahaba-2/590; al-Isaba-4/461; Tarikh Ibn ‘Asakir-6/5]

O relato acima indica que sua separação de Malik ocorreu muito depois da chegada do Mensageiro de Allah (ra) a Medina, quando o vinho foi proibido. Por outro lado, os diversos relatos sobre seu segundo casamento com Hazrat Abu Talha (ra) indicam que a separação entre eles ocorreu antes da chegada do Mensageiro de Allah (sa) a Medina. Alguns relatos indicam que, antes da chegada do Mensageiro de Allah (sa) a Medina, ela já havia tomado Abu Talha como segundo marido. Outros relatos mostram que Abu Talha abraçou o Islam em Medina pelas mãos do próprio Mensageiro de Allah (sa), e que Ummu Sulaim se casou com ele somente depois disso. Há vários relatos desse tipo. Contudo, é reconhecido que Ummu Sulaim abraçou o Islam antes da chegada do Mensageiro de Allah (sa) a Medina. A seguir, apresento alguns relatos sobre seu segundo casamento com Abu Talha. Transmitido por Anas: antes de abraçar o Islam, Abu Talha pediu Ummu Sulaim em casamento. Em resposta, Ummu Sulaim disse: “Abu Talha, você não sabe que o deus a quem adora é feito de terra?” Ele respondeu: “É verdade.” Ummu Sulaim voltou a dizer: “Você não se envergonha de adorar uma árvore? Se você abraçar o Islam, não terei objeção em me casar com você. E, nesse caso, não exigirei nenhum dote além do seu Islam.” Abu Talha partiu, dizendo: “Vou pensar no assunto.” Depois de algum tempo, voltou e recitou: “Testemunho que não há divindade além de Allah e testemunho que Muhammad é o Mensageiro de Allah.”

Depois, Ummu Sulaym chamou seu filho Anas e disse: “Anas! Providencie o casamento de Abu Talha.” Anas casou sua mãe com Abu Talha. O acontecimento foi narrado em diversas obras, com diferentes cadeias de transmissão.[Hayatus-Sahaba-1/196; Al-Isaba-4/461; Tabaqat-3/504; Tarikh de Ibn ‘Asakir-6/5]

Segundo outra narração, Anas disse: quando Abu Talha pediu Ummu Sulaym em casamento, ela lhe disse: “Eu creio neste homem e declarei que ele é o Mensageiro de Allah. Se você se tornar seu seguidor, poderei casar-me com você.” Abu Talha disse: “Muito bem, também adoto a sua religião.” Então Ummu Sulaym casou-se com ele. O Islã de Abu Talha foi o dote desse casamento. Também foi narrado nesta cadeia de transmissão que, quando Abu Talha a pediu em casamento, Ummu Sulaym disse: “Não me casarei novamente até que Anas atinja a maturidade e esteja apto a sentar-se em diferentes assembleias.” Anas disse: “Que Allah recompense minha mãe por mim. Ela me criou da melhor maneira.” Ao ouvir as palavras de Ummu Sulaym, Abu Talha disse: “Anas já se sentou em assembleias e também falou.” Então Anas casou sua mãe.

Segundo outra narração, quando Ummu Sulaym recusou o pedido de casamento, Abu Talha lhe disse: “Juro por Allah, isso talvez não seja o que você realmente deseja.” Ela perguntou em resposta: “Você deseja obter ouro e prata?” Então Ummu Sulaym declarou: “Tomo você e o Profeta de Allah como testemunhas: se você aceitar o Islã, aceitarei casar-me com você em troca do seu Islã.” Ao ouvir isso, Abu Talha disse: “Quem pode ajudar-me nisso?” Ummu Sulaym disse a seu filho Anas: “Anas, acompanhe seu tio.” Ele se levantou. Anas disse: “Abu Talha pôs a mão em meu ombro, e seguimos assim. Quando nos aproximamos do Mensageiro de Allah, ele ouviu nossa conversa e exclamou: ‘Eis Abu Talha! A honra e a glória do Islã brilham entre seus dois olhos.’ Abu Talha cumprimentou o Profeta e disse: ‘Presto testemunho de que não há divindade além de Allah e de que Muhammad é Seu servo e Mensageiro.’ Então, em troca de seu Islã, o Mensageiro casou Abu Talha com Ummu Sulaym.

Do primeiro marido de Ummu Sulaym nasceu Anas, e de seu segundo marido, Abu Talha, nasceram dois filhos: (1) Abu ‘Umayr e (2) ‘Abdullah. Abu ‘Umayr morreu na infância. A descendência se multiplicou por meio dos outros dois.

A paciência demonstrada por Ummu Sulaym por ocasião da morte de Abu ‘Umayr é uma lição para toda a humanidade. Quando Abu ‘Umayr morreu, tinha acabado de aprender a andar. Enquanto ele caminhava dando passinhos, seus pais o observavam sem piscar. Foi então que Allah, o Altíssimo, o levou deste mundo. O menino era muito querido por Abu Talha.

Abu Talha saiu para tratar de algum assunto, deixando em casa o filho doente. Nesse meio-tempo, o menino morreu. Ummu Sulaym pediu aos demais moradores da casa que nada dissessem. Quando Abu Talha voltou, perguntou pelo estado do filho doente. Ummu Sulaym respondeu: “Ele está em uma condição melhor do que aquela em que estava.” Pelas palavras da esposa, Abu Talha pensou que o menino estava bem. Depois de comer e beber como de costume, foi para a cama. Ummu Sulaym também terminou seus afazeres, arrumou-se, perfumou-se e foi para a cama. O casal teve uma relação íntima. Depois, Ummu Sulaym comunicou ao marido a morte do filho da seguinte maneira: “Abu Talha, se alguém lhe confiasse algo e depois viesse buscá-lo, você se recusaria a devolvê-lo?” Abu Talha respondeu: “Nunca.” Ummu Sulaym disse: “Então lhe digo: você deve ter paciência pela perda do filho. Ele partiu deste mundo.” Abu Talha perguntou: “Onde ele está agora?” Ela respondeu: “Ali, no aposento reservado.” Abu Talha entrou, levantou o pano que cobria o rosto do menino e pronunciou: “Inna lillahi.” Segundo outra narração, Ummu Sulaym sepultou o filho morto antes que Abu Talha retornasse.

Depois, Abu Talha compareceu à presença do Mensageiro de Allah e contou-lhe sobre a morte do filho e o comportamento de Ummu Sulaym. Depois de ouvir tudo, o Mensageiro comentou: “Allah, o Altíssimo, abençoou esta noite para vocês. Juro por Aquele que me enviou com a verdade! Allah colocou um ‘zikr’ em seu ventre. Por isso ela conseguiu demonstrar tamanha paciência diante da morte do filho.”[Hayatus-Sahaba-2/590; Muslim-2/342; Al-Isaba-4/461] Naquela noite, dessa união nasceu um filho. Ele foi ‘Abdullah ibn Talha. Allah concedeu-lhe muitos filhos e descendentes.[Al-Isaba-4/461; cf. A Vida dos Companheiros do Mensageiro, volume 3, p. 115] Segundo outra narração, naquele dia o Mensageiro fez esta súplica pelo casal: “Ó Allah, concede bênção e bem à noite destes dois.”

Depois, Ummu Sulaym deu à luz. Ao receber a notícia, o Mensageiro disse a Anas: “Vá até sua mãe e diga-lhe que, depois de cortar o cordão umbilical, não dê nada à boca do bebê; que ela o envie a mim.” Anas disse: “Minha mãe colocou o menino em meus braços, e eu o levei à presença do Mensageiro de Allah.” Então o Mensageiro pediu a Anas que trouxesse três tâmaras ‘ajwa. Quando Anas as trouxe, ele retirou-lhes os caroços, colocou-as na própria boca e mastigou-as bem. Depois abriu a boca do bebê e colocou nela um pouco da tâmara. O bebê começou a mover a boca e a sugar. Ao ver isso, o Mensageiro comentou: “Meus ansaritas gostam de tâmaras.” Em seguida, entregou o bebê a Anas e disse: “Leve-o à sua mãe.” O Mensageiro deu ao menino o nome de ‘Abdullah e fez esta súplica por ele: “Que Allah o torne virtuoso e temente.” Um homem dos Ansar disse: “Vi nove filhos deste ‘Abdullah, e todos eram grandes recitadores do Alcorão.”[Hayatus-Sahaba-2/590-591; Tarikh de Ibn ‘Asakir-6/6]

Logo após o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) chegar a Medina, Umm Sulaym levou o pequeno Anas pela mão até o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) e disse: «Ó Mensageiro de Allah! Aqui está Anas. Ele o servirá.» Anas tinha apenas dez anos. A partir de então, Anas serviu o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) até o seu falecimento. Por isso, ganhou a fama de “Khadim an-Nabi (o servo do Profeta)”. [Al-Isabah, 4/462] Segundo outra narração, ela também suplicou: «Ó Mensageiro de Allah! Rogue a Allah por ele.» O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) também suplicou por ele. [Muslim, 2/944; Bukhari, 2/302] Há uma narração segundo a qual a reunião em que o nobre Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) estabeleceu a irmandade entre os Muhajirun e os Ansar, em Medina, ocorreu na casa de Umm Sulaym. Com grande entusiasmo, a venerável Umm Sulaym acompanhava as grandes batalhas, levando consigo Umm Sulaym e algumas outras mulheres ansaritas. Elas davam água aos soldados e cuidavam dos feridos. [Muslim, 2/103; Hayatus Sahabah, 1/592–593] At-Tirmidhi também transmitiu este hadith. Mesmo quando o exército muçulmano sofreu um revés na batalha de Uhud, ela cumpriu seu dever com extrema coragem. Anas (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: «Vi Aisha e Umm Sulaym trazendo água em odres e dando-a aos feridos. Quando os odres ficavam vazios, elas voltavam a enchê-los e continuavam a dar água.» [Bukhari, Kitab al-Maghazi, 2/581]

No sétimo ano da Hégira, ela também participou da batalha de Khaybar. Em Khaybar ou no caminho de volta de Khaybar, realizou-se o casamento e a consumação do matrimônio do nobre Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) com a venerável Safiyyah (que Allah esteja satisfeito com ela). Foi ela quem penteou e adornou a venerável Safiyyah e a apresentou ao Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). [Sahih Muslim, 1/546; Sirat Ibn Hisham, 2/340; Al-Isabah, 4/462]

É narrado por Abdullah ibn Abi Bakr (que Allah esteja satisfeito com ele) que, na batalha de Hunayn, Umm Sulaym ficou de pé com um punhal na mão. Em certo momento, durante a batalha, ela apareceu diante do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Ela estava então ao lado do marido, Abu Talhah, com um manto enrolado na cintura. Abdullah ibn Abi Talhah estava em seu colo. O camelo de Abu Talhah estava com eles. Para mantê-lo sob controle, eles seguravam seus pelos da cabeça e as rédeas. O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) chamou: «Umm Sulaym?» Ela respondeu: «Sim, ó Mensageiro de Allah! Que meus pais sejam sacrificados por você! Assim como você mata aqueles que lutam contra você, também matarei aqueles que abandonarem você e fugirem do campo de batalha. Eles merecem ser mortos.» Ao ouvir suas palavras, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: «Umm Sulaym! Acaso Allah não é suficiente quanto a isso?» Umm Sulaym estava com um punhal na mão. Apontando para ele, Abu Talhah perguntou: «Umm Sulaym, por que você tem este punhal na mão?» Ela respondeu: «Se algum politeísta chegar ao meu alcance, abrirei seu ventre com este punhal.» Ao ouvir isso, Abu Talhah disse: «Ó Mensageiro de Allah! Você ouviu o que Umm Sulaym ar-Rumaysa está dizendo?» O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) sorriu levemente. [Muslim, 2/]

No quinto ano da Hégira, realizou-se o casamento do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) com a Mãe dos Crentes, a venerável Zaynab (que Allah esteja satisfeito com ela). Por ocasião disso, Umm Sulaym confeccionou com as próprias mãos uma vestimenta de lã muito bela e artisticamente bordada e a enviou pelas mãos de seu filho Anas. Ela também pediu insistentemente a Anas que dissesse ao Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) para aceitar aquele pequeno presente.

A venerável Umm Sulaym costumava, de vez em quando, preparar comida e enviá-la ao Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Quando preparava algo bom em sua própria casa, também enviava uma parte ao Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Narrado por Abu Hatim. Por ocasião da primeira consumação do casamento do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) com uma de suas esposas, Umm Sulaym preparou hais, um tipo de alimento feito de tâmaras, aqit e gordura, e colocou-o em um recipiente de bronze ou de madeira. Depois chamou seu filho Anas e disse: “Leve isto ao Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) e diga: ‘É uma pequena dádiva da nossa parte.’” Anas disse: “Naquela época, as pessoas passavam por uma grande escassez de alimentos. Levei o recipiente e disse: ‘Ó Mensageiro de Allah! Umm Sulaym enviou isto para o senhor. Ela também lhe apresenta saudações e diz que esta é uma pequena dádiva da nossa parte.’ O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) olhou para o recipiente e disse: ‘Coloque-o em um canto da casa e chame fulano, sicrano e outros.’ Ele mencionou os nomes de muitas pessoas. Além disso, disse: ‘Traga consigo todo muçulmano que encontrar pelo caminho.’ Anas disse: “Convidei aqueles cujos nomes ele havia mencionado e também convidei todos os muçulmanos que encontrei pelo caminho. Quando voltei, vi que toda a casa do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) — a Suffa e os aposentos — estava repleta de pessoas.

Perguntaram ao narrador Anas: “Quantas pessoas seriam?” Ele respondeu: “Cerca de trezentas.” Anas disse: “O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) mandou-me trazer o recipiente de comida. Eu o trouxe. Ele colocou a mão sobre o recipiente e fez uma súplica. Depois disse: ‘Sentem-se em grupos de dez, digam bismillah e cada um coma do lado que estiver à sua frente.’ Conforme a instrução do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), todos comeram até se saciarem. Então ele me disse: ‘Retire o recipiente.’ Anas disse: ‘Adiantei-me e retirei o recipiente. Olhei para dentro, mas não posso dizer se havia mais comida quando o coloquei do que quando o retirei.’ [Hayatus Sahabah—2/660–661]

Anas narrou outro acontecimento de sua mãe. Ela tinha uma cabra. Preparou ghee com o leite dela, colocou-o em um recipiente de couro e, certo dia, entregou o recipiente a Rabiba, dizendo: “Leve isto ao Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele); ele o comerá como acompanhamento.” Rabiba levou-o ao Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) e disse: “Ó Mensageiro de Allah! Umm Sulaym enviou uma uqiyya, ou recipiente, de ghee.” O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse às pessoas: “Despejem o ghee e devolvam-lhe o recipiente.” O recipiente vazio foi devolvido a ela. Ela o pendurou em uma estaca. Quando Umm Sulaym voltou para casa, viu o ghee transbordando do recipiente. Ela disse: “Eu apenas cumpri a sua ordem. Se não acredita, venha comigo e pergunte ao Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele).” Umm Sulaym levou Rabiba consigo até o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) e disse: “Ó Mensageiro de Allah! Eu lhe enviei um recipiente de ghee por meio dela.” O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: “Sim, ela o entregou.” Então Umm Sulaym disse: “Juro por Aquele que o enviou com a verdade e a verdadeira religião: o recipiente ainda está cheio de ghee, e ele está transbordando.” Ao ouvir isso, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: “Umm Sulaym!”

“Que Allah a alimente assim como você alimentou o Seu Profeta. Está tão admirada? Coma você mesma e alimente os outros.” Umm Sulaym disse: “Voltei para casa, dividi aquilo em vários copos e nós o consumimos durante um ou dois meses. [Al-Bidayah—6/102; Hayatus Sahabah—2/635]”

O Imã Muslim narrou outro episódio. Anas disse: Certo dia, Abu Talha disse à minha mãe, Umm Sulaym: “Hoje ouvi a voz do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) um pouco fraca. Parece que ele está com fome. Tens alguma comida?” Minha mãe respondeu: “Sim.” Ela enrolou alguns pedaços de pão em meu pano e me enviou ao encontro do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Assim que me viu, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) perguntou: “Abu Talha te enviou?” Respondi: “Sim.” Ele perguntou: “Com comida?” Respondi: “Sim.” O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse aos que estavam com ele: “Levantem-se.” Eles se levantaram, e eu caminhei à frente deles. Ao ver todos, Abu Talha chamou sua esposa e disse: “Umm Sulaym, vê: o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) veio acompanhado de pessoas. Não temos comida suficiente para alimentar todos.” Umm Sulaym respondeu: “Allah e Seu Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) sabem disso muito bem.” Abu Talha acomodou os convidados. O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) entrou em casa e disse: “Tragam o que houver.” Havia apenas uma pequena quantidade de comida, que foi servida. Ele disse: “Mandem entrar primeiro dez pessoas.” Dez entraram, comeram até se saciar e saíram. Depois entraram mais dez. Assim, ao todo, setenta ou oitenta pessoas comeram daquela comida até se saciarem.[Bukhari-2/342; Muslim-2/178; Al-Bidaya-9/105; Hayatus Sahaba-2/193-194]

Ele amava imensamente o nobre Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). O nobre Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) também visitava frequentemente a casa de Umm Sulaym e descansava ali ao meio-dia. Nessas ocasiões, Umm Sulaym recolhia o suor do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) e os pelos que lhe caíam.[Bukhari-2/929]

Anas (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: Certo dia, ao meio-dia, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) foi à nossa casa, descansou e começou a suar. Minha mãe trouxe uma garrafa e começou a recolher aquele suor. O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) acordou e perguntou: “Umm Sulaym, o que estás fazendo?” Minha mãe respondeu: “Este teu suor é um perfume para nós.” Anas costumava dizer: “Em toda a minha vida, nunca senti um almíscar ou âmbar mais perfumado que o aroma do suor do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele).”[Tarikh Ibn ‘Asakir-3/144, 145] Anas também disse: “Minha mãe Umm Sulaym tinha, por parte de Abu Talha, um menino chamado Abu ‘Umayr. Quando o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) ia à nossa casa, brincava um pouco com ele. Certo dia, viu Abu ‘Umayr sentado, abatido. O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) perguntou: “Abu ‘Umayr, por que estás sentado tão tristonho?” Minha mãe respondeu: “Seu passarinho Nughayr morreu.” Desde então, sempre que o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) o via, dizia-lhe estes versos:

“Ó Abu ‘Umayr, o que fez o teu Nughayr?” Observação: o Nughayr é uma pequena ave semelhante ao pardal, de bico vermelho.[Pragukt-3/139; Hayatus Sahaba-2/570, 571; Tabaqat-3/506]

Anas (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: Fora as casas de suas esposas, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) não costumava visitar nenhuma outra casa como visitava a de Umm Sulaym. Certa vez, perguntaram-lhe o motivo, e ele respondeu: “Sinto compaixão por ela. Seu pai e seu irmão foram martirizados enquanto estavam comigo.”[Muslim-2/341; Al-Isaba-4/461] Ibn Hajar disse: A explicação para a entrada do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) na casa de Umm Haram e de sua irmã Umm Sulaym é que as duas moravam na mesma casa, e Umm Sulaym participava das expedições militares com o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele).[Al-Isaba-4/461]

Umm Sulaym era tia materna do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). A linhagem de Salma bint ‘Amr, mãe de ‘Abd al-Muttalib, avô do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), encontra-se com a linhagem materna de Anas em ‘Amir ibn Ghanam.[Usud al-Ghaba-1/127; Asahhus Siyar-606] Ela amava o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) de todo o coração e o venerava e honrava. E o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) jamais se esqueceu dela. Ele também deu a essa honrada mulher as boas-novas do Paraíso.[Daira-i-Ma‘arif-i-Islamiyya (urdu)-3/402]

A honra e a posição de Umm Sulaym eram elevadas. O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: “Entrei no Paraíso e ouvi a voz de uma mulher. Perguntei: ‘Quem é essa mulher?’ Foi-me dito: ‘É Ghumaysa bint Milhan, a mãe de Anas.’”[Muslim-2/342]

Umm Sulaym narrou muitos hadiths do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Anas ibn Malik, Ibn ‘Abbas, Zayd ibn Thabit, Abu Salama ibn ‘Abd al-Rahman e muitos outros Companheiros narraram hadiths dela. O povo costumava consultá-la sobre questões religiosas urgentes. Certa vez, surgiu uma disputa entre ‘Abdullah ibn ‘Abbas e Zayd ibn Thabit, e ambos aceitaram que ela fosse a juíza.[Musnad-6/431; Al-Isaba-4/362]

Ela não tinha vergonha de perguntar ao Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) para obter conhecimento sobre qualquer assunto religioso. Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela) disse: “Como são excelentes as mulheres dos ansar! A vergonha não as impede de fazer perguntas sobre assuntos religiosos nem de buscar conhecimento da religião.” O Imã Ahmad narrou de Ummu Sulaym. Ela disse: “Eu estava ao lado de Ummu Salama, esposa do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Perguntei: ‘Ó Mensageiro de Allah! Se uma mulher sonhar que mantém relações com o marido, deverá realizar o ghusl?’ Ao ouvir a pergunta, Ummu Salama exclamou: ‘Ummu Sulaym, que tuas mãos se cubram de poeira! Tu envergonhaste todas as mulheres diante do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele).’ Sulaym respondeu: ‘Allah não Se envergonha da verdade. É melhor perguntar ao Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) do que permanecer na ignorância sobre um assunto.’ O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) respondeu: ‘Ummu Sulaym, que tuas mãos se cubram de poeira! Ela deverá realizar o ghusl se, ao acordar, encontrar água.’ Ummu Sulaym perguntou novamente: ‘Ó Mensageiro de Allah! As mulheres também têm água?’ O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) respondeu: ‘Se não tivessem água, como o filho poderia se parecer com elas? Elas são como os homens.’ (Hayatus Sahaba, 3/221-222)

Foi narrado por Anas (que Allah esteja satisfeito com ele) que ele disse: Certa vez, minha mãe levou-me ao Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) e disse: “Ó Mensageiro de Allah! Faça uma súplica por este seu pequeno servo.” O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) suplicou: “Ó Allah! Abençoa-o com abundância em sua riqueza e em seus filhos, concede-lhe uma vida longa e perdoa seus pecados.” No fim da vida, Anas costumava dizer: “Enterrei, entre meus descendentes, nada menos que 98 — ou, segundo outra versão, 102 — deles. Meu jardim floresce duas vezes por ano. Vivi por tanto tempo que passei a sentir aversão pela vida. Quanto à quarta súplica, espero o perdão dos pecados.” (Ibid., 3/347, 633)

Hazrat Anas servia diariamente ao Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) e voltava para casa ao meio-dia. Certo dia, enquanto caminhava para casa ao meio-dia, viu meninos da sua idade brincando no caminho. Gostou da brincadeira e parou para observá-la. Depois de algum tempo, viu o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) aproximar-se deles. Ele veio, segurou a mão de Anas e enviou-o para realizar uma tarefa. Quando Anas voltou, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) seguiu para casa. Como Anas demorou a voltar, sua mãe, Ummu Sulaym, perguntou: “Por que demoraste tanto?” Ele respondeu: “Fui realizar uma tarefa secreta para o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Por isso demorei a voltar.” A mãe pensou que talvez o filho estivesse escondendo a verdade e perguntou: “Que tarefa?” Anas respondeu: “É um segredo; não pode ser contado a ninguém.” A mãe disse: “Então guarde-o em segredo e não o revele a ninguém.” (Al-Fath ar-Rabbani, 22/204; Hayatus Sahaba, 1/343; 2/503) Hazrat Anas guardou esse segredo durante toda a vida.

Assim, muitos relatos da vida de Ummu Sulaym encontram-se dispersos em várias obras, e são extremamente instrutivos. Não há informações confiáveis sobre o ano de sua morte.

Ummu Haram bint Milhan ((que Allah esteja satisfeito com ela))


O nome verdadeiro de Hazrat Ummu Haram (que Allah esteja satisfeito com ela) não é conhecido. Esse era seu kunya, e foi por esse nome que ela se tornou famosa na história. Ela era filha do ramo Najjar da célebre tribo Khazraj de Medina. Seu pai era Milhan ibn Khalid. Pelo lado materno, era irmã de Hazrat Ummu Sulaym (que Allah esteja satisfeito com ela) e tia materna do célebre companheiro e servo do Mensageiro de Allah, Hazrat Anas ibn Malik. Por laços de amamentação, era também tia materna do nobre Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). (As-Sirah al-Halabiyya, 3/73)

A família de Milhan, do clã Najjar de Medina, era uma família extremamente afortunada. Nos primórdios da الدعوة islâmica em Medina, os membros dessa família buscaram refúgio sob a sombra do Islam. O profundo amor por Allah e por Seu Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) criou raízes no mais íntimo de seus corações. Tanto os homens quanto as mulheres deram contribuições notáveis em obras benéficas, como o jihad, a busca do conhecimento, o sacrifício da vida a serviço do Islam e a generosidade. Os dois filhos de Milhan, Haram e Sulaym (que Allah esteja satisfeito com eles), foram combatentes de Badr e Uhud. Ambos estavam entre os principais integrantes de Bi’r Ma‘una e ali alcançaram o martírio. Um dos maiores méritos de Haram ibn Milhan (que Allah esteja satisfeito com ele) foi ter conseguido converter ao Islam seu assassino, Jabbar ibn Sulami. O episódio foi, em resumo, o seguinte: quando Jabbar ibn Sulami lançou uma flecha contra Haram, ela atravessou-lhe o peito, e ele gritou em voz alta(Árabe**************)

e caiu ao chão após proferi-la. O significado da frase era: “Pelo Senhor da Caaba, triunfei”; isto é, triunfei ao alcançar o martírio. Quando o assassino Jabbar soube(Árabe *****)do significado dessas palavras, seu coração se transformou. Ele se arrependeu e ingressou no Islam. As últimas palavras pronunciadas por Hazrat Haram ibn Milhan (que Allah esteja satisfeito com ele) tornaram-se a causa da conversão de Hazrat Jabbar ibn Sulami (que Allah esteja satisfeito com ele) ao Islam. (Bukhari: capítulo sobre ar-Raji; Nizam Min Athar an-Nubuwwah, 42)

Entre as ilustres mulheres de Medina que, na companhia do Honorável Mensageiro de Allah (que Allah esteja satisfeito com ele), elevaram ainda mais a beleza de seu caráter, encontravam-se as duas filhas de Milhan: Umm Sulaym e Umm Haram. Somente o autor de ‘At-Tahdhib’ menciona que o primeiro marido de Umm Haram (que Allah esteja satisfeito com ela) foi Amr ibn Qays al-Ansari. [At-Tahdhib-12/46]. Contudo, na maioria das obras, seu marido é identificado como o célebre Companheiro, Hazrat Ubada ibn as-Samit. Ibn Sa‘d considera que Ubada ibn as-Samit foi seu primeiro marido, e Amr ibn Qays, seu segundo marido. [Tabaqat-8/268]. Entretanto, por meio das confiáveis obras de Sira, sabe-se que Ubada ibn as-Samit (que Allah esteja satisfeito com ele) foi seu último marido. [Sahabiyat-210]. Este Ubada (que Allah esteja satisfeito com ele) foi um grande Companheiro ansari da primeira geração, membro de Aqabah, naqib, um valoroso mujahid de Badr, Uhud e Khandaq, e participante de todos os acontecimentos importantes, incluindo a Bay‘at ar-Ridwan. Faleceu em Ramla, na Palestina, no ano 34 da Hégira. [Tahdhib al-Asma’ wa al-Lughat-1/256, 257; Al-A‘lam-3/258.]

A mesquita que o Honorável Mensageiro de Allah (que Allah esteja satisfeito com ele) construiu, a duas milhas do centro de Medina (Mu‘jam al-Buldan-4/302), sobre a base da taqwa e do temor a Allah, é a Mesquita de Quba. Sobre essa mesquita foi revelado o seguinte versículo: [Surat at-Tawbah-108; As-Sira al-Halabiyya-3/73] (Árabe***********)“A mesquita cujos fundamentos foram estabelecidos sobre a taqwa desde o primeiro dia é mais digna de que nela realizes tua oração.”

Na história do Islã, a importância dessa mesquita é incomparável. Hazrat Ibn Umar (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: “O Mensageiro de Allah (que Allah esteja satisfeito com ele) vinha a essa mesquita montado ou a pé e realizava aqui duas rak‘at de oração.” [Sahih Muslim-4/127] A residência da família de Umm Haram ficava junto a essa sagrada mesquita de Quba. O Mensageiro (que Allah esteja satisfeito com ele) concedia a Hazrat Haram (que Allah esteja satisfeito com ele) grande honra e importância. Às vezes ia à sua casa e também descansava ali ao meio-dia. [Usud al-Ghaba-5/574; Al-Isti‘ab-4/424; Adh-Dhahabi: Tarikh-3/317; Al-Isaba-4/441]. Às vezes também realizava a oração ali. Hazrat Anas (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: “Certo dia, o Profeta (que Allah esteja satisfeito com ele) veio até nós. Naquele momento, em casa estávamos apenas eu, minha mãe, Umm Sulaym, e minha tia materna Umm Haram. Ele nos disse: ‘Venham, vou realizar a oração convosco.’ Não era hora de nenhuma oração obrigatória. Ele realizou a oração conosco e suplicou pelo bem de todos os membros da nossa família, neste mundo e no Além.” (Sahih Muslim-2/128). Certa vez, quando o Mensageiro (que Allah esteja satisfeito com ele) foi à casa de Umm Haram (que Allah esteja satisfeito com ela), ela preparou comida e o alimentou. Depois da refeição, ele descansou um pouco, enquanto Umm Haram (que Allah esteja satisfeito com ela) começou a examinar seus cabelos, separando-os para procurar piolhos. Nesse momento, o Mensageiro (que Allah esteja satisfeito com ele) começou a cochilar levemente. Pouco depois, despertou sorrindo suavemente e deu a Umm Haram (que Allah esteja satisfeito com ela) a boa notícia de que seria mártir. Desde aquele dia, ela passou a ser chamada de “ash-Shahida” (a mulher mártir). A outra mulher a quem o Mensageiro (que Allah esteja satisfeito com ele) deu a boa notícia do martírio foi Umm Waraqa al-Ansariyya (que Allah esteja satisfeito com ela). É importante mencionar que a mãe do avô do Mensageiro de Allah (que Allah esteja satisfeito com ele), Abd al-Muttalib, era filha de Banu Najjar. Por isso, como Umm Haram (que Allah esteja satisfeito com ela) era sua tia materna por parentesco, ela era mahram. Assim, pôde tocar a cabeça do Mensageiro (que Allah esteja satisfeito com ele) e procurar piolhos em seus cabelos. [Nisa min ‘Asr an-Nubuwwah-44]

O Imam at-Tirmidhi compilou a narração de Hazrat Anas ibn Malik. Ele disse: “O Mensageiro de Allah (que Allah esteja satisfeito com ele) costumava ir à casa de Umm Haram, e ela alimentava o Mensageiro (que Allah esteja satisfeito com ele). Umm Haram era esposa de Ubada ibn as-Samit. Certo dia, o Mensageiro (que Allah esteja satisfeito com ele) foi até lá. Ela o alimentou. Depois, começou a examinar seus cabelos, separando-os para procurar piolhos. O Mensageiro (que Allah esteja satisfeito com ele) adormeceu. Pouco depois, despertou e sorriu suavemente. Umm Haram perguntou: ‘Ó Mensageiro de Allah! Por que sorriste?’ Ele respondeu: ‘Durante o sono, foi-me mostrado que algumas pessoas da minha comunidade haviam embarcado em navios para atravessar o mar com o objetivo de combater no caminho de Allah.’ Umm Haram suplicou: ‘Ó Mensageiro de Allah! Suplica a Allah para que Ele também me inclua entre elas.’

Depois disso, o Mensageiro (que Allah esteja satisfeito com ele) apoiou a cabeça e voltou a dormir. Após algum tempo, despertou sorrindo suavemente. Umm Haram perguntou novamente: ‘Ó Mensageiro de Allah! Por que estás sorrindo?’ Em resposta, o Mensageiro (que Allah esteja satisfeito com ele) repetiu o que havia dito antes. Umm Haram fez o mesmo pedido de antes. Então o Mensageiro (que Allah esteja satisfeito com ele) disse:(Árabe**********)“Tu estarás entre o primeiro grupo.”

O tempo passou. O Mensageiro de Allah (que Allah esteja satisfeito com ele) faleceu. Os dois primeiros califas, Abu Bakr e Umar (que Allah esteja satisfeito com eles), partiram deste mundo, um após o outro. As fronteiras do Califado Islâmico expandiram-se grandemente. O terceiro califa, Hazrat Uthman (que Allah esteja satisfeito com ele), estava sentado no trono do califado. O governador da Síria, Hazrat Mu‘awiya ibn Abi Sufyan (que Allah esteja satisfeito com ele), pediu ao califa autorização para empreender uma expedição à ilha marítima de Qubrus (Chipre). É importante mencionar que, naquela época, Qubrus era uma ilha governada pelos romanos bizantinos. Até então, os muçulmanos não possuíam uma marinha, nem tinham experiência em expedições por via marítima. Por isso, atendendo ao pedido do Emir Mu‘awiya (que Allah esteja satisfeito com ele), Hazrat Uthman (que Allah esteja satisfeito com ele) convocou uma reunião do conselho de shura. Após longas discussões e avaliações, decidiu-se formar uma marinha e empreender uma expedição marítima contra Qubrus. Essa foi a primeira expedição marítima dos muçulmanos. Por isso, foram tomadas grandes precauções.

De acordo com a decisão do conselho de shura, Hazrat Uthman (que Allah esteja satisfeito com ele) ordenou, no ano 27 da Hégira, que se atravessasse o mar para empreender uma expedição contra Qubrus. Hazrat Mu‘awiya (que Allah esteja satisfeito com ele) formou uma marinha. Incluiu nessa frota muitos Companheiros de elevado nível, como Hazrat Abu Dharr al-Ghifari (que Allah esteja satisfeito com ele), Abu ad-Darda (que Allah esteja satisfeito com ele) e Ubada ibn as-Samit (que Allah esteja satisfeito com ele).

No dia em que o Mensageiro (que Allah esteja satisfeito com ele) profetizou que Umm Haram participaria de uma batalha naval, e no dia em que ela ouviu da boca do Mensageiro de Allah (que Allah esteja satisfeito com ele) estas palavras:(Árabe***********)“O primeiro exército da minha comunidade que combater por via marítima tornará o Paraíso obrigatório para si. Umm Haram, tu também estarás entre eles. [Bukhari: Al-Jihad; Hilyat al-Awliya wa Tabaqat al-Mashahir wa al-A‘lam-2/61; Tarikh Dimashq-486 [Tarajim an-Nisa]

Desde aquele dia, Hazrat Umm Haram (r.a.) aguardava uma expedição naval como aquela. Depois de muito tempo, surgiu a oportunidade. Ela partiu para o jihad com seu marido, Ubadah ibn as-Samit (r.a.). Atravessando o mar agitado pelas ondas, o exército muçulmano desembarcou em Chipre, expulsou as forças romanas e hasteou ali a bandeira islâmica. Na realidade, Chipre foi conquistado sem batalha, apenas por meio de um acordo de paz.

Após a conquista de Chipre, quando o exército se preparava para retornar ao continente, certo dia Umm Haram (r.a.) caiu ao tentar montar no dorso de um animal de montaria. Ficou gravemente ferida e faleceu ali em consequência dos ferimentos. Ela foi sepultada no próprio solo de Chipre, a ilha marítima. [Sunan at-Tirmidhi, hadith nº 1645; Dalā’il an-Nubuwwah, 2/712; Nasab Quraysh, 124–125]

Hisham ibn al-Ghazz disse: O túmulo de Umm Haram bint Milhan fica em Chipre. A população local costuma dizer: este é o túmulo de uma mulher virtuosa. [Tarikh Dimashq, 496 (Tarajim an-Nisa)] Ele também disse: No ano 91 da Hégira, vi seu túmulo na costa do mar de Baqaquis e permaneci ao seu lado. Até hoje, multidões de pessoas de diversos continentes se reúnem ali. [Nisa’ min ‘Asr an-Nubuwwah, 47]

Hazrat Umm Haram (r.a.) foi a primeira guerreira naval da história do Islã. Foi a primeira mulher entre as Companheiras do Profeta a atravessar o Mar Branco como integrante de uma força naval, com o objetivo de guerrear.

Transmissão de hadiths

Hazrat Umm Haram (r.a.) transmitiu hadiths do Mensageiro de Allah (s.a.w.). Ao todo, foram transmitidos cinco hadiths por sua autoridade. Esses hadiths foram narrados por muitos Companheiros e tabi‘ins de elevado nível, como Anas ibn Malik (r.a.), Amr ibn Aswad (r.a.), Ubadah ibn as-Samit (r.a.), Ata ibn Yasar, Ya‘la ibn Shaddad ibn Aws (r.a.), entre outras personalidades.

Ela deixou três filhos: Qays, Abdallah e Muhammad. Os dois primeiros eram do primeiro marido, e o último, de Ubadah ibn as-Samit (r.a.). [Tabaqat, 8/318; al-Isabah, 4/442]

Fátima bint Qays al–Fihriya ((r.a.))


O pai de Hazrat Fatima (que Allah esteja satisfeito com ela) era Qays ibn Khalid, e sua mãe, Umaima bint Rabi’a. Seu irmão era Dahhak ibn Qays. Fatima era dez anos mais velha que Dahhak. A mãe de Fatima, Umaima, era filha dos Banu Kinana. Seu primeiro casamento foi com Abu Amr Hafs ibn Mugira. [Al-Isti’ab-4/383 (nota marginal de Al-Isaba); Tabaqat-8/273] Ela aceitou o Islam durante a primeira fase da da’wa islâmica em Meca e, quando as mulheres começaram a emigrar de Meca, também fez a hijra. [Usud al-Ghaba-5/526]

No ano 10 da Hégira, um exército foi enviado em direção ao Iêmen sob a liderança de Hazrat Ali (que Allah esteja satisfeito com ele). O marido de Fatima, Abu Amr, também era membro desse exército. Amr já havia dado dois talaqs a Fatima e, ao partir de Medina, comunicou-lhe o terceiro talaq por meio de Ayyash ibn Rabi’a (que Allah esteja satisfeito com ele), o representante de seu casamento. Junto com isso, enviou cinco sa’ de cevada e cinco sa’ de tâmaras como provisão para ela. Quando Fatima pediu a Ayyash que lhe providenciasse sustento e uma casa para morar, ele disse: “Seu marido enviou apenas estas tâmaras e esta cevada. Além disso, não temos mais nada. E mesmo o que foi dado foi apenas por benevolência e compaixão. Caso contrário, você não tem direito a mais nada de nossa parte.”

Fatima não pôde aceitar tais palavras de Ayyash. Ela amarrou suas roupas e foi diretamente apresentar-se diante do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Khalid ibn al-Walid e algumas outras pessoas também estavam presentes. Fatima relatou todo o ocorrido. O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) perguntou: “Quantas vezes Abu Amr se divorciou de você?” Ela respondeu: “Três vezes.” O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: “Então Abu Amr já não tem a responsabilidade de prover sua alimentação e moradia. Agora, permaneça na casa de Shuraik e complete ali o seu período de idda.” Porém, na casa de Umm Shuraik havia parentes e familiares dela; por isso, ele disse novamente: “Ibn Maktum é um homem cego e é seu primo. Portanto, é melhor que você permaneça na casa dele e complete ali o seu período de idda.”

Seguindo as instruções do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), Hazrat Fatima passou a morar na casa de Ibn Maktum. Depois de completar o período de idda, começaram a chegar propostas de casamento de todos os lados. Entre elas estavam as propostas de Mu’awiya ibn Abi Sufyan, Abu Jahl e Usama ibn Zayd. Fatima (que Allah esteja satisfeito com ela) consultou o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) sobre essas propostas. O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: “Mu’awiya é um homem pobre; não possui muitos recursos. Abu Jahl é um homem briguento e de temperamento rude. Usama ibn Zayd é melhor do que os dois. Case-se com ele.” Fatima imaginava que o próprio Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) lhe concederia a condição de esposa. Por isso, continuou hesitante quanto a casar-se com Usama. Ao perceber seu estado, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) perguntou-lhe: “O que impede você de casar-se com ele? Obedeça a Allah e ao Seu Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Há nisso um bem para você.” Após essas palavras do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), Fatima (que Allah esteja satisfeito com ela) casou-se com Usama ibn Zayd. Mais tarde, Fatima (que Allah esteja satisfeito com ela) dizia: “Depois desse meu casamento, tornei-me objeto da inveja das pessoas.” [Sahih Muslim-1/483; Musnad-6/411-414; Tabaqat-8/274-275]

Após o falecimento do califa Hazrat Umar (que Allah esteja satisfeito com ele), no ano 23 da Hégira, as sessões do conselho da shura passaram a realizar-se na casa de Fatima (que Allah esteja satisfeito com ela). [Al-Isti’ab-4/383; Usud al-Ghaba-5/527] No ano 54 da Hégira, seu marido, Usama (que Allah esteja satisfeito com ele), faleceu. Ela ficou profundamente abatida pela dor da separação do marido. Como viúva, passou o restante da vida na casa de seu irmão Dahhak. Mais tarde, quando Yazid ibn Mu’awiya (que Allah esteja satisfeito com ele), durante seu califado, nomeou Dahhak ibn Qays governador do Iraque, Fatima mudou-se para Kufa e passou a viver ali. [Usud al-Ghaba-5/526] O ano de sua morte não é conhecido com precisão. Contudo, ela ainda estava viva durante o califado de Abdullah ibn Zubayr (que Allah esteja satisfeito com ele). [Sahih Muslim-1/485]

Ela era uma mulher bela. [Al-Isaba-4/384] Além disso, era uma mulher completa, dotada de inteligência aguçada, perspicácia, refinado gosto cultural e opiniões e pensamentos corretos. [Usud al-Ghaba-5/526]

A filha de Hazrat Sa’id ibn Zayd era esposa de Abdullah ibn Amr ibn Uthman. Fatima (que Allah esteja satisfeito com ela) era tia materna da jovem. Abdullah deu três talaqs à sua esposa. Fatima disse à jovem que fosse morar com ela. Ao tomar conhecimento disso, Marwan enviou Qubaisa até ela. Qubaisa foi à presença de Fatima e disse: “Como você está tirando uma mulher de casa antes que ela complete o período de idda?” Ela respondeu: “Isso é porque o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) me ordenou exatamente isso.” Em seguida, relatou o episódio de sua própria vida e, como prova, recitou o seguinte versículo do Alcorão.(Árabe**********) [Surata At-Talaq, versículos 1–2] Depois de recitar essa parte, ela disse: “Até aqui, trata-se da situação do talaq raj’i, ou seja, do divórcio revogável. Logo depois, foi revelado o seguinte:”(Árabe*********)“Quando vos divorciardes das mulheres, divorciai-vos delas levando em consideração o período de idda e calculai a idda. Temei a Allah, vosso Senhor. Não as expulseis de suas casas, a menos que cometam uma indecência manifesta. Quando estiverem próximas do fim de sua idda, mantende-as de maneira adequada ou separai-vos delas de maneira adequada.”

Com base nesse último versículo, depois de três talaqs não resta possibilidade alguma de reconciliação. Então ela disse: “Uma vez que, segundo nossa compreensão, não se deve conceder sustento à esposa nessa situação, a menos que esteja grávida, não faz sentido mantê-la retida.” [Sahih Bukhari-9/421-422; Sahih Muslim, Livro do Talaq, hadith nº 1480; Abu Dawud, Livro do Talaq, hadith nº 2284; Tirmidhi, Livro do Nikah, hadith nº 1135; Muwatta do Imam Malik-1/98; Musnad-6/415-416]

Hadrat Fátima bint Qays (r.a.) narrou alguns hadiths do Mensageiro de Allah (s.a.a.s.). Entre os mais ilustres que ouviram esses hadiths dela e os narraram estão: Qasim ibn Muhammad, Abu Bakr ibn Abu Jahm, Abu Salama, Sa’id ibn al-Musayyib, Urwa, Abdullah ibn Abdullah, Aswad, Sulayman ibn Yasar, Abdullah al-Bahi, Muhammad ibn Abd al-Rahman ibn Thawban, Sha’bi, Abd al-Rahman ibn Asim e Tamim. [Siyar A’lam al-Nubala-2/319; al-Isti’ab-4/383; Sahabiyyat-180]

Hadrat Fátima (r.a.) era uma mulher extremamente refinada, de bom gosto e de natureza cortês. O famoso imam tabi’i Sha’bi foi seu discípulo. Certa vez, ele foi visitá-la. Fátima (r.a.) ofereceu-lhe tâmaras e preparou sattu para que ele bebesse. [Sahih Muslim-1/484]

Fátima bint Khattab ((r.a.))


O pai de Hadrat Fátima (r.a.) era al-Khattab ibn Nufayl, descendente do ramo Adi da tribo coraixita de Meca. Sua mãe era Hantama bint Hashim ibn al-Mughira, filha do ramo Makhzumi da tribo coraixita. [Ibn Sa’d, Tabaqat-8/267; al-Isaba-4/370] A principal identificação de Fátima (r.a.) é que ela era irmã consanguínea de Hadrat Umar ibn al-Khattab (r.a.) e esposa de Hadrat Sa’id ibn Zayd (r.a.). Seu kunya era Umm Jamil. [Usud al-Ghaba-5/519; al-Isti’ab-4/370] Naquele período inicial do Islã em Meca, entre os poucos homens e mulheres que aceitaram o Islã antes de o Mensageiro de Allah (s.a.a.s.) se estabelecer na casa de al-Arqam ibn Abi al-Arqam (r.a.), estavam Fátima (r.a.) e seu marido. [Tabaqat-8/267; Nisa min Asr al-Nubuwwa-462]

Fátima era uma mulher extremamente inteligente, perspicaz, de natureza transparente e coração puro. Sua fé era tão firme que nela não havia o menor espaço para dúvida ou incerteza. Foi relatado que, depois de Hadrat Khadija (r.a.), as primeiras mulheres a aceitar o Islã foram, respectivamente, Umm al-Fadl, esposa de Abbas ibn Abd al-Muttalib (r.a.), Asma, filha de Hadrat Abu Bakr (r.a.), e Fátima, filha de Khattab (r.a.). [al-Sira al-Halabiyya-1/445] Depois de mencionar os nomes de oito pessoas que aceitaram o Islã no primeiro período em Meca, Ibn Hisham discutiu a conversão de dez homens e mulheres, entre os quais também figuram Sa’id ibn Zayd e sua esposa Fátima (r.a.). [Sira de Ibn Hisham-1/252-254]

Os politeístas coraixitas de Meca infligiam aos muçulmanos toda espécie de perseguição. Umar ibn al-Khattab (r.a.) também perseguiu sua irmã Fátima (r.a.) por ela ter aceitado o Islã. Ele perseguia igualmente os demais muçulmanos. Contudo, sua irmã Fátima despertou nele o remorso e o conduziu ao Islã.

Antes do surgimento do Islã, Fátima (r.a.) casou-se com Sa’id ibn Zayd ibn Amr ibn Nufayl, da tribo coraixita de Meca. Sa’id emigrou para Medina e participou, junto com o Mensageiro de Allah (s.a.a.s.), de todas as expedições, inclusive a de Badr. Foi um dos dez afortunados a quem o Mensageiro de Allah (s.a.a.s.) anunciou a boa-nova do Paraíso. Faleceu em Medina no ano 51 da Hégira. [al-A’lam-3/146; Siyar A’lam al-Nubala-1/124] Foi relatado que marido e mulher aceitaram juntos o Islã. Também foi relatado que Fátima se tornou muçulmana antes de seu marido. [al-Isti’ab, nota marginal de al-Isaba-4/383]

A conversão de Fátima e Umar ao Islã

Em fontes antigas confiáveis, o relato detalhado da conversão de Umar ao Islã chegou por meio de diversas narrações. Aqui apresentamos a essência dessas narrações.

Umar era conhecido por seu temperamento áspero, seu caráter severo e sua extrema hostilidade para com o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Certo dia, saiu de casa com uma espada pendurada no ombro, decidido a matar o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele).

No caminho, encontrou Nu‘aim ibn Abdullah an-Nahham. Este perguntou: “Umar, aonde você vai?” Umar respondeu: “Vou matar Muhammad.” Nu‘aim perguntou: “Se você matar Muhammad, Banu Hashim e Banu Zuhrah deixarão você em paz?” Umar disse: “Parece que você também abandonou a religião de seus antepassados e se tornou um incrédulo.” Nu‘aim disse: “Umar, quer que eu lhe conte algo surpreendente? Sua irmã e o marido dela abraçaram o Islã e abandonaram a religião que você segue.” Ao ouvir isso, Umar, tomado pela raiva e pela fúria, dirigiu-se à casa de sua irmã e de seu cunhado. Naquele momento, Khabbab ibn al-Aratt (que Allah esteja satisfeito com ele) estava com eles. Ele trazia consigo um folheto no qual estava escrita a Surata Ta-Ha e ensinava essa surata aos dois. Quando perceberam a chegada de Umar (que Allah esteja satisfeito com ele), Khabbab (que Allah esteja satisfeito com ele) escondeu-se num canto da casa, e Fatimah ocultou o folheto. Umar (que Allah esteja satisfeito com ele) havia ouvido, ao aproximar-se da casa, o murmúrio de Khabbab ensinando-lhes o Alcorão. Por isso, assim que entrou, perguntou: “Que som murmurante foi esse que ouvi aqui?” Eles responderam: “Estávamos apenas conversando entre nós.” Umar disse: “Talvez vocês tenham apostatado. Fiquei sabendo que se tornaram seguidores da religião de Muhammad.” Sa‘id (que Allah esteja satisfeito com ele), seu cunhado, respondeu: “Umar, o que você faria se a verdade estivesse fora da sua própria religião?” Então Umar (que Allah esteja satisfeito com ele) não conseguiu mais se controlar. Atirou-se sobre Sa‘id, golpeou-o repetidamente com socos e pontapés, derrubou-o no chão e começou a pisoteá-lo. Fatimah afastou Umar, que estava sobre o marido. Mas Umar (que Allah esteja satisfeito com ele) desferiu um soco tão forte no rosto de Fatimah (que Allah esteja satisfeito com ela) que seu rosto ficou coberto de sangue. Nessa situação, Fatimah disse: “Umar! A verdade está fora da sua religião. Dou testemunho de que não há divindade além de Allah, e também testemunho de que Muhammad (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) é o Mensageiro de Allah. Eu já abracei o Islã. Agora, por medo de você, não há possibilidade de abandoná-lo.”

Ao ver o rosto ensanguentado de sua irmã, Umar (que Allah esteja satisfeito com ele) ficou estarrecido. Sentiu vergonha e arrependimento. Disse: “Está bem, deem-me um pouco o folheto que vocês estavam lendo; quero lê-lo.” Umar sabia ler e escrever. Sua irmã estava extremamente desejosa de que seu irmão abraçasse o Islã. Ela disse: “Você é uma pessoa impura, e ninguém além de pessoas puras pode tocá-lo. Levante-se, tome um banho e volte.” Como um menino obediente, Umar levantou-se, tomou banho e voltou. Então pegou o folheto e recitou:(Árabe*********)— Em nome de Allah, o Misericordioso, o Compassivo — Depois de ler isso, comentou: “Que belíssimos e puros nomes!” Em seguida, recitou:(Árabe *********)até este versículo: [Surata Ta-Ha, 14](Árabe******)“Sou Allah; não há divindade além de Mim. Portanto, adore-Me e estabeleça a oração em Minha lembrança.”

Então, cheio de alegria, exclamou: “Estas são palavras magníficas e extraordinárias! Onde está Muhammad? Levem-me até ele.”

Ao ouvir esse chamado de Umar (que Allah esteja satisfeito com ele), Khabbab ibn al-Aratt (que Allah esteja satisfeito com ele) correu até ele e disse: “Umar, boas-novas para você! Espero que, no seu caso, tenha sido aceita a súplica que o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) fez na última quinta-feira. A súplica foi esta:(Árabe**************)“Ó Allah, fortaleça o Islã por meio de Umar ibn al-Khattab ou de Abu Jahl ibn Hisham.” Khabbab (que Allah esteja satisfeito com ele) informou ainda que o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) se encontrava naquele momento na casa de al-Arqam, ao pé do monte Safa.

Depois disso, Umar (que Allah esteja satisfeito com ele) chegou à casa de al-Arqam, próxima ao monte Safa, e declarou sua conversão ao Islã diante do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). [Para conhecer os detalhes do episódio, consulte: Sira de Ibn Hisham, 1/343–345; Tabaqat, 3/267–268; Usud al-Ghabah, 4/52–53; Sifat as-Safwah, 1/269–271; A‘lam an-Nisa, 4/50; ad-Dhahabi, Tarikh, 1/174–175]

Fatimah (que Allah esteja satisfeito com ela) ficou imensamente feliz por ter conseguido levar seu irmão ao Islã, apesar de ter sido agredida por ele. Quando foi dada a ordem de emigrar de Meca para Medina, Fatimah e seu marido, Sa‘id ibn Zayd (que Allah esteja satisfeito com ele), foram para Medina com os primeiros emigrantes. [Al-Isti‘ab, 2/553] Ali, ela participou, dentro de suas possibilidades, da construção da sociedade islâmica junto com as demais mulheres muçulmanas.

Ibn al-Jawzi (que Allah tenha misericórdia dele) disse que Fátima (que Allah esteja satisfeito com ela) narrou hadiths do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Contudo, não é possível determinar quantos. Nenhum hadith narrado por ela é encontrado nas coletâneas autênticas de hadith. [Nisa’ Min Athar an-Nubuwwah, p. 468] Ibn Hajar (que Allah tenha misericórdia dele) narrou este seu hadith. (Árabe****************)[Al-Isabah, 4/381]

“Ouvi o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) dizer: enquanto o amor pelo mundo não se manifestar entre a minha ummah por meio de eruditos ímpios, ignorantes e governantes tirânicos, ela permanecerá no bem e na prosperidade. Porém, quando o amor pelo mundo se manifestar entre eles, temo que Allah faça recair sobre eles um castigo generalizado.”

No livro “Ad-Durr al-Manthur”, sua grandeza e dignidade são descritas da seguinte forma: (Árabe*******) [Ad-Durr al-Manthur, p. 364]

“Ela era uma mulher de grande eloquência, culta e inteligente. Ao morrer, deixou quatro filhos. Amava o bem e a prosperidade, odiava o mal e a adversidade, ordenava a prática do bem e proibia a prática do mal.”

Ela faleceu durante o califado de Umar (que Allah esteja satisfeito com ele). Ao morrer, deixou quatro filhos: Abdullah, Abdur-Rahman, Az’iad e Aswad. [mesma fonte acima]

Fátima bint al-–Asad ((que Allah esteja satisfeito com ela))


Ela foi uma ilustre companheira que protegeu o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) assim como o peito de uma pessoa protege o seu coração e as pálpebras protegem os olhos. Amava o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) como uma mãe carinhosa ama o seu único filho. Seu nome também figura entre os das ilustres mulheres cujas contribuições foram registradas em letras douradas na história dos primórdios do Islã. Ela possuía grande nobreza e dignidade. Após a morte de Abdul-Muttalib, avô do nosso amado Profeta Muhammad (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), teve a honra de cuidar de sua criação. Foi a orgulhosa mãe de Ali ibn Abi Talib (que Allah esteja satisfeito com ele), o quarto califa do Islã e um dos mais destacados e corajosos companheiros guerreiros e cavaleiros do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Foi a avó de Hasan e Husayn (que Allah esteja satisfeito com ambos), os dois líderes dos jovens destinados ao Paraíso. Foi a mãe de Ja‘far at-Tayyar (que Allah esteja satisfeito com ele), um dos três mártires da grande batalha de Mu’tah. Acima de tudo, foi a sogra de Fátima az-Zahra (que Allah esteja satisfeito com ela), a amada filha do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) e mãe de Hasan e Husayn (que Allah esteja satisfeito com ambos). O imame Shamsuddin az-Zahabi (que Allah tenha misericórdia dele) apresentou-a da seguinte maneira: (Árabe*************) [Siyar A‘lam an-Nubala, 2/118]

O nome do pai de Fátima era Asad. Seu avô era Hashim, e seu bisavô era Abd Manaf ibn Qusayy. Ela era uma descendente do ramo hashimita da tribo dos coraixitas e a mãe de Ali ibn Abi Talib. Sua linhagem se unia à do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) através de seu avô Hashim. Abdul-Muttalib, avô do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), era, por um lado, seu sogro e, por outro, seu tio. Ela foi uma das mulheres que emigraram de Meca para Medina durante o período inicial.

Quando Abd al-Muttalib, avô do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), percebeu que o fim de sua vida se aproximava, chamou seu filho Abu Talib e confiou-lhe a criação de seu sobrinho órfão, Muhammad ibn Abdillah. Ele queria que seu neto órfão crescesse sob os cuidados diretos de Abu Talib e de sua esposa, Fatima bint Asad. Recomendou-lhes que cuidassem especialmente de Muhammad. A partir de então, o jovem Muhammad passou a fazer parte do lar de seus tios Abu Talib e Fatima (que Allah esteja satisfeito com ela). Fatima, juntamente com seu marido, dedicou-se a cuidar e criar Muhammad. Depois que o jovem Muhammad passou a fazer parte de sua família, ela percebeu que, quando seus filhos comiam com Muhammad, havia uma grande bênção na comida. Abu Talib tinha muitos filhos e era um homem extremamente pobre. A comida preparada para sua família em cada refeição não era suficiente para saciar todos, quer comessem juntos, quer separadamente. Mas, quando Muhammad comia com eles, todos ficavam satisfeitos. Por isso, quando seus filhos se sentavam para comer, Abu Talib dizia: “Esperem um pouco, até que meu filho Muhammad chegue.” Ele chegava, comia com eles, e ainda sobrava comida. Quando ele bebia primeiro de uma tigela de leite, todos ficavam satisfeitos, embora qualquer um deles pudesse esvaziar sozinho aquela tigela cheia. Por isso, Abu Talib dizia-lhe: “Você é um menino muito abençoado.”

Geralmente, as crianças e os adolescentes ficam despenteados e cobertos de poeira, mas Muhammad (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) estava sempre bem-arrumado, usando óleo e kohl. [Sira de Ibn Hisham-1/120] Fatima bint Asad observava tudo isso. Com isso, seu carinho e afeto por Muhammad (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) aumentavam ainda mais, e ela passou a cuidar dele com maior atenção. Assim, criou-o desde a infância até a juventude, isto é, até seu casamento com Khadija (que Allah esteja satisfeito com ela), com mais carinho e afeto do que dedicava aos próprios filhos. Protegia-o como se o escondesse sob seu manto contra todo tipo de mal e infortúnio. Por isso, ao longo de toda a sua vida, o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) via em sua tia Fatima bint Asad a imagem de sua própria mãe, Amina bint Wahb. Considerava-a sua segunda mãe, depois de sua mãe biológica.

Fatima bint Asad (que Allah esteja satisfeito com ela) escutava atentamente tudo o que as pessoas diziam sobre Muhammad (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), especialmente o que seu marido Abu Talib costumava dizer: [As-Sira al-Halabiyya-1/189; Nisa’un Mubashsharat bil-Jannah-41] “Meu sobrinho será um homem de grande honra.” Ela também ouviu da boca do marido o relato dos acontecimentos extraordinários que ocorreram em torno do jovem Muhammad (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) durante a viagem à Síria. Além disso, ouviu o relato de Maysara, servo de Khadija, sobre o que presenciara durante sua viagem à Síria com Muhammad (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), então jovem. Tão profundamente impressionada e encantada ficou com tudo o que ela própria vira em Muhammad (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) e com tudo o que ouvira dos outros a seu respeito, que não hesitou nem por um instante em confiar-lhe seu querido filho Ali.

Ela havia visto de muito perto em Muhammad (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) a figura de um pai afetuoso. Percebera o intenso interesse e entusiasmo de Muhammad (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) por Ali desde o nascimento dele. Foi narrado que ela dizia: “Depois do nascimento de Ali, Muhammad tirou um pouco de saliva da própria boca e colocou-a na boca dele. Então ele adormeceu, lambendo a língua. Na manhã seguinte, mandamos chamar uma ama para Ali, mas ele não aceitou o seio de nenhuma delas. Chamei Muhammad, e ele colocou um pouco de leite em sua língua. Ali adormeceu, lambendo-a. Assim continuou enquanto Allah quis. [As-Sira al-Halabiyya-1/432; anteriormente citado] Ao ver e ouvir tudo isso, o carinho, o afeto, a devoção e o respeito de Fatima bint Asad por Muhammad aumentavam dia após dia. Ela recomendou a seu filho Ali que se tornasse companheiro constante de Muhammad (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele).

No início, quando o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) orava no recinto da Caaba, os coraixitas não davam muita importância. Mais tarde, quando ele passou a orar regularmente, Ali e Zayd vigiavam-no. Depois, os dois passaram a acompanhá-lo continuamente sempre que o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) saía de casa. Certo dia, Ali (que Allah esteja satisfeito com ele) saiu de casa com o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), e Abu Talib chamou por ele, mas não o encontrou. Fatima, mãe de Ali, disse: “Eu o vi sair com Muhammad.” Procurando por eles, Abu Talib encontrou-os em Shi’b Abi Talib. Muhammad (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) estava de pé em oração, enquanto Ali (que Allah esteja satisfeito com ele) o vigiava. [Ansab al-Ashraf-1/111]

Muhammad (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) recebeu a missão profética e foi ordenado a convidar seu próprio povo e seus parentes para o Islam. Allah revelou:(Árabe *******)[Surata Ash-Shu’ara-214] “Adverte os teus parentes mais próximos.”

O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) cumpriu a ordem de seu Senhor. Convidou seus parentes próximos para o bem deste mundo e do Além, exortando-os a crer em Allah e em Seu Mensageiro. Entre as poucas mulheres que, naquele período inicial do Islam, creram em Allah e em Seu Mensageiro e se tornaram muçulmanas, Fatima bint Asad foi uma das primeiras. Naquele dia, embora seu marido Abu Talib não tenha conseguido atender ao convite de seu sobrinho Muhammad (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), o jovem filho deles, Ali (que Allah esteja satisfeito com ele), creu em Allah e em Seu Mensageiro.

Foi a partir daí que começou a segunda fase da vida dessa nobre companheira, Fatima bint Asad (que Allah esteja satisfeito com ela). Os coraixitas empenharam-se inteiramente contra Muhammad e sua religião, o Islam. Entraram em conflito com os Banu Hashim. Quando viram que Abu Talib e sua esposa estavam apoiando e protegendo Muhammad (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), exigiram que ele lhes fosse entregue. Porém, o tio e a tia permaneceram firmes ao lado de seu sobrinho Muhammad (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Não se curvaram diante de pressão alguma. Rejeitaram firmemente a exigência de entregar-lhes Muhammad (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Como resultado, tornaram-se vingativos contra aqueles que haviam crido e seguido Muhammad (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele).

Quando o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) viu que os coraixitas estavam ultrapassando todos os limites na perseguição e opressão de seus seguidores, permitiu-lhes emigrar para a Abissínia. Entre o grupo de muçulmanos que primeiro emigraram para a Abissínia para escapar da perseguição dos coraixitas estavam Ja‘far ibn Abi Talib (que Allah esteja satisfeito com ele), o amado filho de Fátima bint Asad, e sua esposa Asma bint Umais (que Allah esteja satisfeito com ela). No momento da partida, esse filho de Fátima (que Allah esteja satisfeito com ela) era semelhante ao nobre Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) em aparência, maneiras e caráter. As cinco pessoas dos coraixitas que o povo considerava semelhantes ao Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) eram: Ja‘far ibn Abi Talib, Qutham ibn al-Abbas, as-Sa’ib ibn Ubayd ibn Abdi Yazid ibn Hashim ibn Abd al-Muttalib, Abu Sufyan ibn al-Harith ibn Abd al-Muttalib e al-Hasan ibn Ali ibn Abi Talib (que Allah esteja satisfeito com eles). [Nisa’un Mubashsharat bil-Jannah, p. 42]

Quando os coraixitas viram que a situação estava gradualmente saindo de seu controle, decidiram manter todos os homens, mulheres, crianças, jovens e idosos dos Banu Hashim e dos Banu Abd al-Muttalib confinados no vale de “Shi‘ab Abi Talib”. Fátima bint Asad (que Allah esteja satisfeito com ela), com o objetivo de alcançar a satisfação de Allah, aceitou esse bloqueio junto com as outras mulheres. Durante os três anos daquela vida de confinamento, ela também enfrentou uma fome e uma escassez sem limites com os demais e conseguiu sobreviver comendo folhas de árvores. Finalmente, após três anos, no décimo ano da missão profética, o bloqueio foi suspenso. Fátima (que Allah esteja satisfeito com ela) voltou à liberdade junto com os demais muçulmanos. Durante esses três anos, as mulheres demonstraram extrema paciência e perseverança.

Após serem libertados de “Shi‘ab Abi Talib”, no décimo ano da missão profética, duas pessoas muito próximas do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) faleceram com apenas poucos dias de intervalo. Primeiro, sua amada esposa, a Mãe dos Crentes, Khadija bint Khuwaylid (que Allah esteja satisfeito com ela), e depois seu tio Abu Talib partiram deste mundo. Até então, ambos haviam sido como escudos na vida do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Com a ausência dos dois, os coraixitas opressores começaram a intensificar ainda mais a perseguição e a violência contra o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) e seus seguidores. Por fim, Allah Todo-Poderoso permitiu que o nobre Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) e os muçulmanos emigrassem para Medina.

O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) e seus companheiros emigraram para Medina. Fátima bint Asad (que Allah esteja satisfeito com ela) também deixou Meca com os demais e foi para Medina. Zubayr ibn Bakkar afirma o seguinte sobre sua aceitação do Islã e sua emigração:(Árabe*****************) [al-Isti‘ab, 4/370] “Ela aceitou o Islã e emigrou em direção a Allah e ao Seu Mensageiro.”

Sua posição e mérito

O notável imam tabi‘i ash-Sha‘bi (que Allah tenha misericórdia dele) afirma o seguinte sobre sua aceitação do Islã e sua emigração:(Árabe*****************) [Usd al-Ghabah, nº 7168; al-Isabah, 4/380] “Fátima bint Asad ibn Hashim, mãe de Ali ibn Abi Talib (que Allah esteja satisfeito com ele), aceitou o Islã e emigrou para Medina.”

Sobre a posição e a importância de Fátima bint Asad (que Allah esteja satisfeito com ela) perante o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), Ibn Sa‘d afirma:(Árabe***********) [at-Tabaqat, 8/222; Sifat as-Safwah, 2/54; al-Isabah, 4/380] “Fátima bint Asad aceitou o Islã. Ela era uma mulher virtuosa. O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) ia visitá-la e descansava ao meio-dia em sua casa.”

Por causa de sua veracidade e devoção religiosa, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) tinha por ela extrema reverência e estima. Em retribuição por ela tê-lo criado, ensinado boas maneiras e caráter e tratado com bondade, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) também sempre a tratava bem. Seu filho Ali (que Allah esteja satisfeito com ele) casou-se com Fátima (que Allah esteja satisfeito com ela), filha do Mensageiro de Allah. Então, ela se mostrou uma mãe carinhosa e uma sogra exemplar. A vida deles não era uma vida de riqueza e prosperidade. Eles tinham de realizar todas as tarefas por conta própria. Depois que Ali (que Allah esteja satisfeito com ele) trouxe Fátima (que Allah esteja satisfeito com ela), filha do Profeta, para sua casa, disse à mãe: “Eu ajudarei Fátima bint Rasulullah a buscar água e a sair para onde for necessário, e você a ajudará nas tarefas domésticas, na moagem do trigo e em amassar a farinha.” [Sifat as-Safwah, 2/54; adh-Dhahabi, Tarikh al-Islam, 3/621; Usd al-Ghabah, 5/517]

Devido à extraordinária devoção e reverência do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) por Fátima bint Asad, ele às vezes lhe enviava diversos presentes e dádivas. Ja‘da ibn Hubayra narrou de Ali. Ele disse: certa vez, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) enviou-nos dois tecidos novos de qualidade excepcional. Junto com eles, mandou dizer: “Transformem estes dois tecidos em véus e distribuam-nos entre as Fátimas.” Eu os cortei em quatro partes. Dei uma parte a Fátima bint Rasulullah, uma parte a Fátima bint Asad e outra parte a Fátima bint Hamza (que Allah esteja satisfeito com ela). Contudo, ele não disse a quem deu a quarta parte. Ibn Hajar (que Allah tenha misericórdia dele) disse que provavelmente a deu a Fátima bint Shayba, esposa de Aqil ibn Abi Talib. [Usud al-Ghaba, 5/517; al-Isaba, 4/380] Vale mencionar que havia vinte e quatro mulheres entre as Companheiras chamadas Fátima. [Nisa’un min Asr an-Nubuwwah, 22; Nisa’un Mubashsharat bil-Jannah, 44]

Ibn al-Athir disse que Fátima bint Asad foi a primeira mulher haxemita a dar à luz um descendente da linhagem haxemita. [al-Isti‘ab, 2/774; Siyar A‘lam an-Nubala, 2/118] Ela foi a primeira haxemita em cujo ventre nasceu um califa. Depois, al-Hasan ibn Ali (que Allah esteja satisfeito com ele) nasceu do ventre de Fátima, filha do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Posteriormente, do ventre de Zubayda, esposa do califa Harun ar-Rashid, nasceu o califa al-Amin. [Nisa’un Mubashsharat bil-Jannah, 45]

Fátima bint Asad (que Allah esteja satisfeito com ela) também ocupava uma posição honrosa no coração dos Companheiros, especialmente entre os poetas Companheiros. Depois que Ja‘far ibn Abi Talib (que Allah esteja satisfeito com ele) foi martirizado em Mu’ta, o poeta Hassan ibn Thabit (que Allah esteja satisfeito com ele) compôs um poema em sua memória, no qual também elogiou grandemente sua mãe, Fátima. [Sira de Ibn Hisham, 2/151]

Da mesma forma, o poeta al-Hajjaj ibn ‘Ilat as-Sulami também elogiou sua mãe ao louvar a bravura e a coragem de Ali (que Allah esteja satisfeito com ele) na batalha de Uhud. [al-Bidaya wan-Nihaya, 7/336; Nisa’un Mubashsharat bil-Jannah, 45]

Muitos acreditam que ela faleceu antes da Hégira. Contudo, isso não está correto. O imã as-Samhudi (que Allah tenha misericórdia dele) mencionou em sua obra “al-Wafa bi Akhbar Dar al-Mustafa” que ela morreu em Medina e foi sepultada no cemitério de “ar-Rawha”. [al-Isaba, 4/380]

Fátima bint Asad (que Allah esteja satisfeito com ela) ocupava uma posição especialmente honrosa no coração do nobre Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Por isso, mesmo após sua morte, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) não se esqueceu de honrá-la. Ele a envolveu em sua própria camisa como mortalha, desceu à sua sepultura, deitou-se ao seu lado e louvou-a mencionando suas boas ações. [Usud al-Ghaba, 5/517] As-Samhudi mencionou que o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) não desceu a nenhuma sepultura além de cinco. Dessas cinco, três eram de mulheres e duas de homens. Uma delas ficava em Meca e quatro em Medina. As de Medina eram: 1. a sepultura do filho de Khadija (que Allah esteja satisfeito com ela), que vivia na casa do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) e estava sob seus cuidados; 2. a sepultura de Abdullah al-Muzani (que Allah esteja satisfeito com ele), conhecido como “Dhu al-Bijadayn” (o detentor dos dois mantos); 3. a sepultura de Umm Ruman (que Allah esteja satisfeito com ela), mãe de Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela), a Mãe dos Crentes; 4. a sepultura de Fátima bint Asad (que Allah esteja satisfeito com ela). [Wafa al-Wafa, 3/897; Nisa’un min Asr an-Nubuwwah, 23]

A morte de Fátima bint Asad (que Allah esteja satisfeito com ela) deixou uma profunda marca de tristeza no Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) e nos Companheiros. O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) suplicou por ela, elogiou-a e a envolveu em sua própria camisa como mortalha. Jabir ibn Abdullah (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: estávamos sentados com o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) quando alguém chegou e disse: “Ó Mensageiro de Allah! A mãe de Ali, Ja‘far e Aqil faleceu.” O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: “Vamos todos à casa de minha mãe.” Nós nos levantamos e caminhamos em tal silêncio que parecia que havia um pássaro pousado sobre a cabeça de cada um de nós. Quando chegamos à porta da casa, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) tirou a camisa que vestia, entregou-a aos familiares e disse: “Quando terminarem de lavá-la, coloquem esta camisa sob sua mortalha.”

Quando as pessoas saíram levando o corpo para o sepultamento, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) uma vez tomou a padiola sobre os ombros, outra vez caminhou à frente dela e, em seguida, veio atrás. Assim, chegou até a sepultura. Depois, desceu à sepultura, rolou dentro dela e voltou a subir. Então disse: “Em nome de Allah e sobre o nome de Allah, baixem-na à sepultura.” Depois que o sepultamento terminou, ele se pôs de pé e disse: “Minha mãe e minha cuidadora! Que Allah lhe conceda uma excelente recompensa. Você foi uma mãe maravilhosa para mim e uma cuidadora maravilhosa.” Jabir disse: nós perguntamos: “Ó Mensageiro de Allah! Aqui você fez duas coisas que nunca o vimos fazer antes.” Ele perguntou: “Quais são essas duas coisas?” Respondemos: “Você tirou sua camisa e rolou dentro da sepultura.” Ele disse: “Quanto à camisa, desejei que, se Allah quiser, o fogo do Inferno jamais a tocasse. E quanto ao meu ato de rolar dentro da sepultura, desejei que Allah ampliasse sua sepultura.” [Kanz al-Ummal, 13/636; Siyar A‘lam an-Nubala, 2/118]

Em outra narração, consta que o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) deitou-se de costas sobre o túmulo de Fátima bint Asad. Em seguida, recitou esta súplica:(Árabe****************)“Ó Allah, Aquele que concede a vida e a morte, o Vivente que jamais morre, perdoa minha mãe, Fátima bint Asad, e ensina-lhe a resposta adequada. Alarga o seu túmulo, com base na reivindicação do Teu Profeta e dos profetas que me precederam. Tu és o mais misericordioso dos misericordiosos.”

Em seguida, ele pronunciou o takbir quatro vezes. O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), Abbas e Abu Bakr as-Siddiq (que Allah esteja satisfeito com ele) desceram o corpo ao túmulo. [Nisā’un Mubashsharāt bil-Jannah, p. 47]

Hadrat Abdullah ibn Abbas (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: quando Fátima (que Allah esteja satisfeito com ela), a mãe de Ali (que Allah esteja satisfeito com ele), faleceu, o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) vestiu-a com uma de suas próprias camisas e deitou-se com ela. As pessoas disseram: “Ó Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), nunca vimos o senhor fazer algo assim.” Ele respondeu: “Depois de Abu Talib, ninguém foi mais bondoso comigo do que ela. Vesti-a com minha camisa para que recebesse as vestes do Paraíso, e deitei-me com ela para que o tratamento para com ela fosse facilitado.” [A‘lām an-Nisā’, 4/33; Siyar A‘lām an-Nubalā’, 2/118]

Desta narração, compreende-se que Fátima bint Asad (que Allah esteja satisfeito com ela) certamente entrará no Paraíso. O imã al-Qurtubi disse que Allah concedeu ao Seu Profeta Muhammad (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) a distinção de que não sofreria a compressão do túmulo. Como ele se deitou no túmulo de Fátima bint Asad, por sua bênção Fátima (que Allah esteja satisfeito com ela) foi poupada da compressão do túmulo. [As-Sīrat al-Halabiyyah, 2/673]

Hadrat Anas ibn Malik (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: quando Fátima bint Asad (que Allah esteja satisfeito com ela), a mãe de Ali (que Allah esteja satisfeito com ele), faleceu, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) foi à sua casa e, parado junto à sua cabeça, começou a dizer: “Ó minha mãe, que Allah tenha misericórdia de você. Depois da minha mãe, você alimentava-me até eu ficar saciado, embora você mesma passasse fome; vestia-me, embora você mesma não tivesse roupas; e alimentava-me com coisas boas, sem comer delas. Com isso, você esperava obter a satisfação de Allah e a recompensa da Vida Futura.” [Majma‘ az-Zawā’id, 9/256; Nisā’un Mubashsharāt bil-Jannah, p. 48]

O nobre Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) era uma pessoa tão magnânima que jamais esquecia quando alguém demonstrava para com ele a menor bondade ou favor. Sempre expressava sua gratidão por meio de palavras e ações. Então, como poderia esquecer Fátima bint Asad (que Allah esteja satisfeito com ela), que desempenhou o papel de mãe na vida do Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), emigrou por Allah e por Seu Mensageiro e passou toda a vida preocupando-se com o bem-estar do Mensageiro? Ele tratou-a como devia.

Quarenta e seis (46) hadiths foram narrados de Fátima bint Asad (que Allah esteja satisfeito com ela), transmitidos pelo Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Um deles é muttafaq ‘alayh (narrado com a mesma cadeia por al-Bukhari e Muslim). [A‘lām an-Nisā’, 4/33]

Seus filhos eram: Talib, Aqil, Ja‘far e Ali (que Allah esteja satisfeito com eles); e suas filhas eram: Hammad e Rita. [Tabaqāt, 8/161]

Sumayya bint Khubbat ((r.a.))


Sumayya (r.a.), a primeira mártir do Islã, era uma Companheira. Pouco se sabe sobre sua linhagem. Ibn Sa‘d afirmou que o nome de seu pai era “Khubbat” [Tabaqat-8/267], mas Baladhuri afirmou que era “Khayyat” [Ansab al-Ashraf-1/157]. Ela era a mãe do célebre Companheiro mártir ‘Ammar ibn Yasir (r.a.) e escrava de Abu Hudhayfa ibn al-Mughira al-Makhzumi, de Meca. [Tabaqat-8/268]

Al-Waqidi e um grupo de especialistas em genealogia afirmaram que Yasir, pai de ‘Ammar (r.a.), era descendente do ramo ‘Ansi da tribo Mazhaj, do Iêmen. Seu filho ‘Ammar, porém, era um escravo liberto dos Banu Makhzum, de Meca. Yasir foi a Meca acompanhado de seus dois irmãos, al-Harith e Malik, à procura de seu quarto irmão desaparecido. Al-Harith e Malik retornaram à sua terra natal, o Iêmen, mas Yasir permaneceu em Meca. De acordo com o costume de Meca, ele estabeleceu-se ali após firmar um pacto de proteção com Abu Hudhayfa ibn al-Mughira al-Makhzumi. Abu Hudhayfa casou sua escrava Sumayya com Yasir, e nasceu ‘Ammar. Abu Hudhayfa libertou ‘Ammar da escravidão e o manteve consigo. Enquanto Abu Hudhayfa esteve vivo, ‘Ammar permaneceu com ele. [Sira de Ibn Hisham-1/261; nota-4; Ansab al-Ashraf-1/157] É digno de nota que esse Abu Hudhayfa era tio do infame Abu Jahl. [Al-A‘lam-3/140] Quando Sumayya (r.a.) se enfraqueceu devido à velhice, começou a pregação islâmica em Meca. Logo no início, ela aceitou secretamente o Islã junto com seu marido Yasir e seu filho ‘Ammar. Depois de algum tempo, eles fizeram sua declaração pública. Em Meca, não tinham parentes nem amigos que pudessem protegê-los da crueldade dos coraixitas. Por isso, estes não pouparam esforços para submetê-los a uma tortura extrema.

O Imam Ahmad e Ibn Majah narraram que ‘Abdullah ibn Mas‘ud (r.a.) disse: “Os primeiros a declarar publicamente o Islã foram sete: o Mensageiro de Allah (s.a.w.), Abu Bakr, ‘Ammar, Sumayya, mãe de ‘Ammar, Suhayb, Bilal e al-Miqdad (r.a.). Allah protegeu o Mensageiro de Allah (s.a.w.) por meio de seu tio e Abu Bakr por meio de sua tribo. Quanto aos demais, os idólatras vestiam-nos com armaduras de ferro e os mantinham em pé sob o sol escaldante.” [Al-Bidaya-3/28; Kanz al-‘Ummal-7/14; Al-Isaba-4/335; Hayat al-Sahaba-1/288]

Jabir (r.a.) disse que, certo dia, enquanto os idólatras torturavam ‘Ammar e sua família, o Mensageiro de Allah (s.a.w.) passava por aquele caminho. Ao ver a situação deles, disse: “Ó família de Yasir! Recebei as boas-novas. Para vós há a promessa do Paraíso.” [Hayat al-Sahaba-1/291]

‘Abdullah ibn Ja‘far (r.a.) disse que, ao vê-los naquela situação de desamparo, o Mensageiro (s.a.w.) disse: “Ó família de Yasir, tende paciência. O Paraíso vos foi destinado.” [Sira de Ibn Hisham-1/320; Ansab al-Ashraf-1/160; Hayat al-Sahaba-1/291] No relato de Ibn ‘Abbas (r.a.) também consta que Abu Jahl matou Sumayya (r.a.) golpeando-a com uma lança. Yasir morreu em consequência da tortura e da perseguição, e ‘Abdullah ibn Yasir foi atingido por uma flecha, da qual morreu.

‘Uthman (r.a.) disse: “Certo dia, eu caminhava com o Mensageiro de Allah (s.a.w.) pelo vale de al-Batha. Então vi o pai de ‘Ammar, que, ao ver o Mensageiro (s.a.w.), exclamou: ‘Ó Mensageiro de Allah! O destino chegou a este ponto?’ O Mensageiro (s.a.w.) disse: ‘Ó família de Yasir! Tende paciência. Ó Allah! Perdoa a família de Yasir.’” [Tabaqat-3/177; Kanz al-‘Ummal-7/72]

Depois de sofrerem castigo durante todo o dia, eram libertados à tarde. Certo dia, após suportar o castigo, Sumayya (r.a.) voltou para casa ao entardecer, como de costume. O perverso Abu Jahl continuou a insultá-la com linguagem obscena. Em determinado momento, sua bestialidade ultrapassou todos os limites. Ele lançou uma lança contra Sumayya, que a atingiu nos órgãos genitais, e assim ela alcançou o martírio. [Tabaqat-8/265; Al-Bidaya-3/59; Sifat al-Safwa-2/32] Inna lillahi wa inna ilayhi raji‘un.

A dor de ‘Ammar pela morte tão desamparada de sua mãe não tinha fim. Ele foi até o Mensageiro de Deus (que a paz e as bênçãos de Deus estejam sobre ele) e disse: Ó Mensageiro de Deus! Agora a opressão e a tirania ultrapassaram todos os limites. O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Deus estejam sobre ele) aconselhou-o a ter paciência. Depois disse: “Ó Deus, não castigues ninguém da família de Yasir com o fogo do Inferno.” [Sīrat Ibn Hishām-1/319; nota 5]

O martírio de Sumayya (que Deus esteja satisfeito com ela) ocorreu antes da Hégira. Por isso, ela foi a primeira mártir do Islã. O honorável Mujāhid (que Deus tenha misericórdia dele) disse: A primeira mártir do Islã foi Sumayya, a mãe de ‘Ammar. [Ṭabaqāt-8/265; al-Bidāya-3/59; Ṣifat al-Ṣafwa-2/32]

Quando o vil Abu Jahl foi morto na Batalha de Badr, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Deus estejam sobre ele) disse a ‘Ammar: “Deus matou o assassino de tua mãe.” [al-Iṣāba-4/335] O martírio de Sumayya (que Deus esteja satisfeito com ela) ocorreu no ano 615 d.C. [al-A‘lām-3/140]

Ummu Umar ((que Deus esteja satisfeito com ela))


Uma mulher ansarita de Medina. Ela tornou-se conhecida na história pelo epíteto de Ummu Umar. Seu nome era Nusaiba. Seu pai chamava-se Ka‘ab ibn ‘Amr. Era filha do ramo Najjar da famosa tribo Khazraj de Medina. [Siyar A‘lām al-Nubalā’-2/278] Nasceu em Medina aproximadamente quarenta anos antes da Hégira do Mensageiro de Deus (que a paz e as bênçãos de Deus estejam sobre ele) para Medina. [Sahabiyyāt-204] Era irmã do famoso companheiro de Badr, ‘Abdullah ibn Ka‘ab al-Māzinī. [Siyar A‘lām al-Nubalā’-2/278]

O primeiro casamento de Ummu Umar foi com Zayd ibn ‘Āṣim ibn ‘Amr. Zayd era seu primo paterno. Após a morte dele, ela se casou pela segunda vez com Ghāziya ibn ‘Amr. Do primeiro casamento, teve ‘Abdullah e Habib; do segundo, teve Tamim e Khawla — ao todo, foi mãe de quatro filhos. [Ṭabaqāt-8/412; al-Iṣāba-4/479]

Nos primórdios do Islã, o honorável Mensageiro de Deus (que a paz e as bênçãos de Deus estejam sobre ele) pregava o Islã em Meca e nas localidades vizinhas, enfrentando uma resistência cada vez mais severa. Embora, por vezes, sentisse desânimo e apreensão no íntimo, prosseguia em sua atividade de pregação, depositando plena confiança na misericórdia, na ajuda e no apoio de Deus. Foi nesse contexto da vida mequense do Mensageiro de Deus (que a paz e as bênçãos de Deus estejam sobre ele) que seis homens de Yathrib chegaram a Meca, encontraram-se com ele, ouviram suas palavras, aceitaram o Islã e retornaram a Yathrib. No ano seguinte, durante a temporada da peregrinação, foram a Meca acompanhados de mais seis pessoas e encontraram-se secretamente com o Mensageiro de Deus (que a paz e as bênçãos de Deus estejam sobre ele), prestando-lhe o juramento de fidelidade. Esse acontecimento é chamado de Primeiro Juramento de ‘Aqaba. Com o objetivo de propagar e difundir o Islã em Yathrib, isto é, Medina, e a pedido deles, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Deus estejam sobre ele) enviou com eles para Medina Mus‘ab ibn ‘Umair (que Deus esteja satisfeito com ele) como pregador. Durante o ano seguinte, esse pequeno grupo dedicou-se intensamente à propagação do Islã em Medina. Trabalharam com tamanha sinceridade que, em apenas um ano, o convite ao Islã chegou a todas as casas de Medina. Nesse período, muitos dos grandes líderes de Medina, assim como homens e mulheres de famílias nobres, aceitaram o convite ao Islã. Como resultado, na temporada da peregrinação seguinte, Mus‘ab foi a Meca acompanhado de um grande grupo de setenta e três — segundo outra versão, setenta e cinco — pessoas e encontrou-se secretamente com o Mensageiro de Deus (que a paz e as bênçãos de Deus estejam sobre ele) em ‘Aqaba. Ali ocorreu o Segundo Juramento de ‘Aqaba. Antes da Hégira do Mensageiro de Deus (que a paz e as bênçãos de Deus estejam sobre ele) para Medina, Ummu Umar foi uma das mulheres e dos homens de Medina que aceitaram o Islã graças à pregação de Mus‘ab. E não apenas ela: durante esse período, toda a sua família aceitou o Islã. Assim, ela foi uma das primeiras mulheres ansaritas muçulmanas. [Sahabiyyāt-204]

Um dos grandes acontecimentos da vida de Ummu Umar foi sua participação no Juramento de ‘Aqaba. Setenta e cinco muçulmanos participaram do Segundo Juramento de ‘Aqaba. Entre eles havia duas mulheres. Uma delas era Ummu Umar (que Deus esteja satisfeito com ela); a segunda era Ummu Mani (que Deus esteja satisfeito com ela). [Sīrat Ibn Hishām-1/441] Ao término do juramento dos homens, o marido de Ummu Umar, o honorável Ghāziya ibn ‘Amr, chamou as duas mulheres, apresentou-as diante do Mensageiro de Deus (que a paz e as bênçãos de Deus estejam sobre ele) e disse: Ó Mensageiro de Deus! Estas duas mulheres também vieram conosco para prestar o juramento de fidelidade. Ele respondeu: Aceito delas o juramento com base no mesmo compromisso com base no qual o aceitei de vocês. Não há necessidade de apertar as mãos. Não aperto as mãos das mulheres. [Ansāb al-Ashrāf-1/250; al-Iṣāba-4/479; Sīrat Ibn Hishām-1/466]

A Batalha de Uhud ocorreu no segundo ano da Hégira. Ummu Umara (que Allah esteja satisfeito com ela) participou dessa batalha. Nela, muitos muçulmanos foram martirizados, entre eles o respeitado tio do Mensageiro de Allah, o honorável Hamza (que Allah esteja satisfeito com ele). Al-Waqidi disse: [Siyar A‘lam al-Nubala-2/278] Ummu Umara participou de Uhud com seu marido, Ghaziya ibn Amr, e seus dois filhos do primeiro casamento, Abdullah e Habib [em algumas narrações, no lugar de Habib aparece Khubayb]. Na verdade, ela havia ido levando consigo um odre velho com o objetivo de dar água aos combatentes. Porém, em determinado momento, envolveu-se diretamente no combate. Demonstrou uma estratégia de guerra extraordinária. Seu corpo foi atingido por doze golpes do inimigo, ou, segundo outra opinião, por treze. [Tabaqat-8/412; Siyar A‘lam al-Nubala-2/279] Algumas narrações relatam que, nessa batalha, ela feriu doze soldados politeístas com flechas e lanças. [Ansab al-Ashraf-1/325]

Em determinado momento da Batalha de Uhud, o contra-ataque das forças inimigas abalou o moral do exército muçulmano. Com exceção de alguns poucos mujahidin destemidos, todos abandonaram o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) e dispersaram-se do campo de batalha. Entre os poucos mujahidin que arriscaram a própria vida para proteger o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) estavam Ummu Umara, seu marido Ghaziya e seus dois filhos, Abdullah e Habib.

Antes desse momento delicado no campo de batalha, quando o exército muçulmano enfrentava o inimigo com grande firmeza e já estava às portas da vitória, Ummu Umara (que Allah esteja satisfeito com ela) também não permanecia de braços cruzados. Ela enchia o odre de água e dava de beber aos mujahidin. Foi então que viu todos fugindo do campo de batalha. Restavam apenas alguns poucos mujahidin ao lado do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Ela também avançou e permaneceu firmemente ao lado do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), arriscando a própria vida. Seu marido e seus dois filhos vieram posicionar-se ao lado dela. De um lado, ela repelia os ataques dos incrédulos contra o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele); de outro, lançava ataques violentos contra eles, derrubando muitos.

Ummu Umara descreveu assim aquele momento terrível da Batalha de Uhud: “Vi as pessoas fugindo e abandonando o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Restavam ao lado do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) apenas alguns poucos, cujo número não chegava sequer a dez. Eu, meus dois filhos e meu marido permanecemos ao lado do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), protegendo-o. Enquanto isso, os demais mujahidin passavam derrotados ao lado do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) viu que eu não tinha escudo algum nas mãos. Viu um homem fugindo, carregando um escudo. Disse-lhe: ‘Atira o teu escudo para alguém que esteja lutando.’ O homem lançou o escudo, e eu o apanhei. Passei a proteger o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) com aquele escudo. Naquele dia, os cavaleiros fizeram-nos muito mal. Se fossem soldados de infantaria como nós, teríamos conseguido causar grandes perdas ao inimigo.”

Ela também disse: “Um cavaleiro avançava contra nós e golpeava-me com a espada, mas eu repelia seus golpes com o escudo. Ele não conseguia fazer-me nada. Então, assim que se preparava para voltar, eu golpeava com a espada as patas traseiras de seu cavalo. O cavalo caía ao chão junto com o cavaleiro. Nesse momento, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) chamava meu filho: ‘Ó filho de Ummu Umara! Ajuda a tua mãe.’ Ele corria para me ajudar. Assim, eu o enviava para a morada da morte. [Tabaqat-8/413; Siyar A‘lam al-Nubala-2/279]

O filho de Ummu Umara narrou. Ele disse: “Participei da Batalha de Uhud. Quando os mujahidin muçulmanos se separaram do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), eu e minha mãe fomos até ele e começamos a protegê-lo dos ataques dos incrédulos. Nesse momento, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) perguntou-me: ‘Você é filho de Ummu Umara?’ Respondi: ‘Sim.’ Ele disse: ‘Atire alguma coisa contra os inimigos.’ Atirei uma pedra contra um homem que estava à minha frente. O homem estava montado a cavalo. A pedra lançada atingiu um dos olhos do cavalo. O animal, debatendo-se, caiu ao chão junto com o cavaleiro. Então comecei a atirar pedras contra o homem. Ao ver isso, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) continuou sorrindo suavemente. [Siyar A‘lam al-Nubala-2/280]

No dia de Uhud, Ummu Umara (que Allah esteja satisfeito com ela) assumiu uma aparência terrível. O avô de Damra ibn Sa‘id, que era um dos combatentes de Uhud, disse que, naquele dia, Ummu Umara enrolou um pano em torno da cintura e lançou ataques violentos contra os inimigos. Nessa batalha, treze partes de seu corpo foram gravemente feridas. [Tabaqat-8/413]

Nesse momento, um golpe lançado por um incrédulo quebrou um dente do nobre Mensageiro de Allah. O perverso Ibn Qami’a desferiu um golpe de espada contra o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), mas o golpe errou o alvo. Imediatamente, Ummu Umara (que Allah esteja satisfeito com ela) voltou-se e avançou. Ela lançou-se contra o desumano Ibn Qami’a. Porém, como todo o corpo dele estava coberto por uma armadura, o ataque não foi particularmente eficaz. Então ele desferiu outro golpe contra Ummu Umara, que atingiu seu ombro. Com isso, ela ficou gravemente ferida. [Pragukta-8/424; Ibn Hisham-2/81-82]

Ibn Qami’a fugiu para salvar a própria vida. Mas o ferimento de Ummu Umara era extremamente grave. Todo o seu corpo ficou ensanguentado. Seu filho Abdullah narrou: “Naquele dia, minha mãe ficou gravemente ferida. O sangue não parava de sair.” O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse-lhe: “Faça um curativo no local do ferimento.” Em outra narração, consta que, ao vê-la ferida, o Mensageiro chamou seu filho Abdullah e disse: “Cuida da tua mãe, cuida da tua mãe. Faça um curativo no local do ferimento. Ó Allah! Faz com que todos eles sejam meus companheiros no Paraíso.” [Siyar A‘lam an-Nubala, 2/281] Ummu Umara disse: “Não me importo com as dores e aflições que me sobrevieram no mundo.” [Tabaqat, 8/414-415] Naquele dia, o próprio Mensageiro permaneceu de pé enquanto lhe faziam um curativo no ferimento. Nessa ocasião, o Mensageiro mencionou os nomes de alguns nobres Companheiros e disse: “O que Ummu Umara fez hoje é muito mais importante do que o que eles fizeram.” Depois disso, seu ferimento foi tratado durante quase um ano. [Ibid., 8/412; Siyar A‘lam an-Nubala, 2/279]

No terrível ataque de Uhud, Abdullah, filho de Ummu Umara, também ficou gravemente ferido. Abdullah narrou: “Naquele dia, fui gravemente ferido. O sangue não parava de sair.” Ao ver isso, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: “Faça um curativo no local do ferimento.” Pouco depois, minha mãe correu até mim com vários curativos nas mãos e fez um curativo no meu ferimento. O Mensageiro estava de pé ali ao lado. Quando terminou de fazer o curativo, minha mãe me disse: “Levanta-te, meu filho. Golpeia os pescoços dos soldados inimigos.” Então o Mensageiro disse: “Ó Ummu Umara, onde há alguém que possua tanta força e capacidade quanto tu?”

Abdullah narra ainda: “Nesse momento, avistamos nas proximidades o soldado inimigo que me havia ferido. O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse à minha mãe: ‘Este é o homem que feriu teu filho.’ Minha mãe disse: ‘Vou enfrentá-lo e quebrar-lhe a tíbia.’ Dito isso, ela o golpeou e o derrubou. Ao ver aquilo, o Mensageiro riu, e eu pude ver seus dentes da frente. Depois, ele disse: ‘Ó Ummu Umara, tu te vingaste.’ Em seguida, nós dois o golpeamos repetidamente e o enviamos para sua morada no Inferno. Então o Mensageiro disse: ‘Ó Ummu Umara, todo louvor pertence a Allah, que te deu êxito.’ [Ibid.]

A batalha de Uhud terminou. Os combatentes começaram a voltar para suas casas. O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) enviou Abdullah ibn Ka‘b al-Mazini para saber como estava Ummu Umara e não voltou para casa antes de ser informado sobre sua situação.

Alguns dias depois do fim da batalha de Uhud, o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) ordenou aos combatentes de Medina que partissem em direção a Hamra al-Asad [um lugar situado a oito milhas à esquerda da estrada, no caminho de Medina para Dhul Hulayfa]. Ummu Umara preparou-se para ir até lá, enrolando um pano ao redor do corpo. Porém, não conseguiu partir porque o ferimento continuava sangrando. [Tabaqat, 8/413]

Além de Uhud, ela participou de muitas outras batalhas. Segundo a narração de Ibn Sa’d, participou das batalhas e expedições de Uhud, Hudaybiyya, Khaybar, da realização da ‘Umra de Qada, de Hunayn e de Yamama. Segundo al-Hakim e Ibn al-Mundhir, ela também participou de Badr. No entanto, o Imam adh-Dhahabi afirma que a informação sobre sua participação em Badr não é correta. [Siyar A‘lam an-Nubala, 2/278-282] Contudo, exceto no caso da batalha de Yamama, não há informações detalhadas sobre sua participação em nenhuma outra batalha ou expedição. A irmã de Ummu Umara também participou das batalhas ao lado dela. [Ibn Hisham, 1/466]

Após o falecimento do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), Musaylima al-Kadhdhab, líder dos habitantes de Yamama, tornou-se apóstata. Era um homem cruel e tirânico por natureza. Sua tribo contava com cerca de quarenta mil homens capazes de lutar. Todos o apoiavam. Orgulhoso de seu poder, ele se declarou profeta e passou a exigir, à força, que todos os seus apoiadores reconhecessem essa pretensão. Também perseguia de várias maneiras aqueles que se recusavam a aceitar sua falsa alegação de profecia. Habib ibn Zayd, filho de Ummu Umara (que Allah esteja satisfeito com ela), foi capturado por Musaylima quando vinha de Omã para Medina. Musaylima perguntou-lhe: “Tu não testemunhas que Muhammad é o Mensageiro de Allah?” Habib respondeu: “Sim, testemunho isso.” Então Musaylima disse: “Não; tens de declarar que Musaylima é o Mensageiro de Allah.” Habib rejeitou firmemente sua afirmação. O falso pretendente à profecia, Musaylima, decepou uma das mãos de Habib. Depois, exigiu dele o mesmo reconhecimento. Ele voltou a recusar, como antes. O cruel Musaylima cortou-lhe a segunda mão. Em suma, o miserável Musaylima permaneceu firme em sua pretensão, enquanto Habib também permaneceu firme em sua forte fé. O perverso Musaylima foi cortando, um por um, os membros do corpo de Habib. Esse servo de Allah considerou fácil entregar a própria vida, mas não julgou aceitável desviar-se sequer a medida de um fio de sua fé. Quando Ummu Umara (que Allah esteja satisfeito com ela) soube desse acontecimento, fortaleceu o coração e decidiu que, se algum dia o exército muçulmano empreendesse uma expedição contra aquele falso profeta, ela também participaria e, se Allah quisesse, enviaria aquele tirano para sua morada no Inferno com as próprias mãos. [Ibid.; Sahabiyyat, 207; Siyar A‘lam an-Nubala, 2/281]

As insolências e os excessos de Musaylima chegaram aos ouvidos do califa Abu Bakr (que Allah esteja satisfeito com ele). Para extirpar pela raiz essa apostasia, ele enviou Khalid ibn al-Walid (que Allah esteja satisfeito com ele) com quatro mil soldados. Ummu Umara (que Allah esteja satisfeito com ela) considerou aquilo uma oportunidade de ouro para pôr em prática sua decisão. Pediu ao califa permissão para participar da expedição, e o califa concedeu-lhe autorização. Ummu Umara foi para Yamama com o exército de Khalid ibn al-Walid (que Allah esteja satisfeito com ele). Travou-se uma batalha feroz. Mil e duzentos combatentes muçulmanos foram martirizados. Por outro lado, segundo os historiadores, entre oito e nove mil soldados de Musaylima foram mortos. Por fim, o exército muçulmano saiu vitorioso após a morte de Musaylima.

A batalha feroz prosseguia. Ummu Umara (r.a.) aguardava uma oportunidade. Seu único objetivo era Musailama al-Kazzab, o miserável assassino de seu filho. Em determinado momento, avançando com uma lança em uma mão e uma espada na outra, ela rompeu as fileiras do exército inimigo e chegou até Musailama. Até alcançar esse ponto, onze partes de seu corpo haviam sido feridas por lanças e golpes de espada. Além disso, uma de suas mãos foi decepada junto ao braço. Mesmo assim, sua determinação não vacilou; ela não perdeu nem um pouco a paciência. Avançou ainda mais um passo. Quando estava prestes a desferir um golpe de espada contra Musailama, de repente dois golpes de espada atingiram-no simultaneamente. Ele foi cortado e caiu da sela do cavalo. Ela olhou, maravilhada, e viu seu filho Abdullah parado ao lado. Perguntou-lhe: “Foste tu que o mataste?” Abdullah respondeu: “Um golpe foi meu e o outro foi de Wahshi. Não consigo saber por qual golpe ele morreu.” Ummu Umara (r.a.) ficou extremamente jubilosa e imediatamente prostrou-se em agradecimento. [Ibn Hisham-1/466; Sahabiyyat-208]

Os ferimentos de Ummu Umara (r.a.) eram muito graves. Uma de suas mãos também havia sido decepada. Por isso, ela ficara muito debilitada. O comandante do exército, Khalid ibn al-Walid, era um grande admirador de sua bravura e coragem. Ele também a honrava profundamente. Sob sua supervisão pessoal, providenciou seus cuidados e tratamento. Mantinha constante vigilância para que não houvesse qualquer falha em seu tratamento. Por isso, depois de se recuperar, ela expressou gratidão a Khalid durante toda a vida. Ao elogiá-lo, dizia que ele era um líder compassivo, nobre e humilde. Ele cuidara dela e de seu tratamento com grande sinceridade. Depois de retornar a Medina, o califa Abu Bakr (r.a.) costumava visitá-la com frequência. [Tabaqat-8/416]

Ummu Umara (r.a.) era uma guerreira. Testemunhamos a realidade surpreendente de sua bravura e coragem em diversos campos de batalha. A forma como a vemos combater nas batalhas de Uhud e Yamama tem poucos exemplos na história do mundo. O nobre Mensageiro de Allah (s.a.w.) era a pessoa mais querida por ela. Ela deu prova de seu amor no campo de Uhud. O Mensageiro (s.a.w.) costumava visitar sua casa de vez em quando. Certo dia, ele foi visitá-la. Ela lhe ofereceu comida, e o Mensageiro de Allah pediu-lhe que também comesse com ele. Ummu Umara disse: “Estou jejuando.” O Mensageiro de Allah disse: “Quando se come na presença de uma pessoa que jejua, os anjos suplicam por ela.” [obra citada; Musnad Ahmad-6/439; Tirmidhi-785; Ibn Majah-1748]

O califa Umar (r.a.) também zelava atentamente pela honra e pelo prestígio de Ummu Umara (r.a.). Durante seu califado, certa vez chegaram alguns mantos entre os espólios de guerra. Um deles era muito bonito e valioso. Algumas pessoas disseram que deveria ser dado à esposa de Abdullah (r.a.), filho do califa. Outras sugeriram que fosse dado a Kulthum bint Ali (r.a.), esposa do califa. O califa não deu ouvidos a ninguém. Disse: “Considero Ummu Umara a pessoa mais merecedora deste manto. Vou dá-lo a ela. Pois ouvi o Mensageiro de Allah (s.a.w.) dizer sobre ela no dia de Uhud: ‘Para qualquer lado que eu olhasse, via apenas Ummu Umara lutando.’” Então enviou o manto para ela. [Tabaqat-8/415; Siyar A‘lam al-Nubala-2/281; Ansab al-Ashraf-1/326]

Vários hadiths do Mensageiro de Allah (s.a.w.) foram transmitidos por sua autoridade. Esses hadiths foram narrados por Ubbad ibn Tamim ibn Zayd, Harith ibn Abdullah ibn Ka‘b, Ikrima e Layla, com base em seu testemunho. [Al-Isaba-4/480]

O ano da morte de Ummu Umara (r.a.) não é conhecido com precisão. É certo que ela estava viva até a batalha contra Musailama. Contudo, ninguém pôde dizer com certeza por quanto tempo viveu depois disso.

Ummu Umara (r.a.) estava sempre presente nas reuniões do Mensageiro (s.a.w.) e escutava atentamente suas palavras. Assim, sua fé se fortalecia a cada dia e seu conhecimento aumentava. Certo dia, ela disse ao Mensageiro de Allah: “Vejo que tudo é mencionado em relação aos homens, mas nada é mencionado em relação às mulheres.” Em outras palavras, ela reivindicava que, assim como os homens eram mencionados no Alcorão, as mulheres também fossem mencionadas. Em resposta a essa reivindicação, foi revelado o versículo 35 da surata Al-Ahzab. [Tirmidhi-4/116; obra citada-4/479]

Ummu Waraq ibn Nawfal ((r.a.))


Há muitas mulheres neste mundo que foram ocultadas pelo curso do tempo, e a história também permaneceu silenciosa a seu respeito. Apesar disso, Allah, o Altíssimo, fez surgir em suas vidas algum acontecimento por meio do qual suas biografias vieram à luz. E, quando a poeira e os detritos acumulados sobre sua lembrança e memória foram removidos, suas imagens tornaram-se luminosas e radiantes. Uma delas foi Umm Waraqa al-Ansariyya (que Allah esteja satisfeito com ela). Umm Waraqa ficou conhecida na história por esse kunya. Em nenhum dos dicionários biográficos dos Companheiros foi mencionado seu nome verdadeiro. O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) conferiu-lhe o título de “ash-Shahida” (a mulher mártir). [Al-Isaba, 4/481] Sua linhagem era a seguinte: Umm Waraqa, filha de Abd-Allah, filho de al-Harith, filho de Uwaymir, filho de Nawfal. Contudo, na obra Usud al-Ghaba, em lugar de “Uwaymir” aparece “Umayr”. Por atribuição a um de seus antepassados, “Nawfal”, ela ficou conhecida como Umm Waraqa, filha de Nawfal. [Usud al-Ghaba, 5/626; Tahdhib at-Tahdhib, 12/482] O ano de seu nascimento e de sua morte não é conhecido com precisão. Entretanto, é praticamente consenso geral que ela faleceu durante o califado de Umar ibn al-Khattab (que Allah esteja satisfeito com ele). Disso se pode concluir que ela viveu durante o período de vida do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), todo o califado de Abu Bakr (que Allah esteja satisfeito com ele) e parte do califado de Umar (que Allah esteja satisfeito com ele). É provável que tenha sido martirizada no ano vinte e dois após a Hégira. [Tabaqat, 9/165; Nisa’ Ra’idat, p. 108]

Umm Waraqa era uma mulher ansarita. Ela foi uma das mulheres que, pouco depois da Hégira do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) para Medina, acreditaram em sua missão e prestaram-lhe o juramento de fidelidade. [A‘la an-Nisa’, 5/284; Tabaqat, 8/457] Ela abraçou o Islã de maneira excelente e adquiriu profundo conhecimento da religião de Allah. Estudou o Alcorão e memorizou a maior parte dele. Segundo um relato, ela reuniu o Alcorão inteiro. [Al-Isaba, 4/505] Foi narrado que, quando Abu Bakr (que Allah esteja satisfeito com ele) reuniu e compilou o Alcorão, também se valeu da coleção dessa Umm Waraqa. Ela guardava algumas folhas nas quais estavam escritas determinadas suratas do Alcorão. [Nisa’ Ra’idat, 108] Embora talvez não tivesse o Alcorão inteiro, a maior parte dele estava preservada por escrito em sua posse. Ela era uma mulher crente, dotada de memória muito aguçada e competente nas normas da religião. O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) visitava ocasionalmente sua casa. Ela era uma das poucas mulheres às quais o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) ia visitar em suas próprias casas. O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) não a valorizava por sua riqueza ou elevada posição social; ia visitá-la por causa de sua fé em Allah, de sua firme crença e convicção, de sua competência nas normas da religião e de sua devoção e adoração. No segundo ano após a Hégira, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) decidiu combater os politeístas de Meca em Badr. Essa notícia chegou a Umm Waraqa. Ela insistiu em participar da batalha. As várias responsabilidades domésticas e os deveres de criação dos filhos não puderam impedi-la de cumprir o dever do “jihad fi sabilillah” (jihad no caminho de Allah). Ela correu até o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) e pediu permissão para participar da batalha. Explicou seu propósito, dizendo que faria curativos nos feridos, cuidaria dos doentes, garantiria seu alimento e sua bebida e atenderia às necessidades dos combatentes durante a batalha. Ali desempenharia funções cuja importância não seria inferior em nada à dos combatentes. Talvez Allah, o Altíssimo, também lhe concedesse o martírio ao sair com eles. Na narrativa de Al-Isaba, suas palavras aparecem assim: [Al-Isaba, 4/505]

Ó Mensageiro de Allah! Se me deres permissão, irei contigo à batalha. Cuidarei dos vossos doentes e administrarei remédios aos feridos. Assim, talvez Allah, o Altíssimo, também me conceda o martírio. Em resposta, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: Ó Umm Waraqa! Permanece em tua casa. Certamente, Allah providenciará teu martírio em tua própria casa. Em outra narrativa, aparece a frase: “Allah te concederá o martírio”. [Tabaqat, 8/457; Al-Isti‘ab, 4/481; Sunan Abi Dawud, 1/97; As-Sirah al-Halabiyyah, 2/357] Na realidade, foi a partir daquele dia que o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) a chamou de mártir. De vez em quando, levava consigo alguns Companheiros à sua casa para visitá-la. Dizia: (Árabe**********) [Abu Nu‘aym, Hilyat al-Awliya, 2/63; Usud al-Ghaba, 5/626 (7718)]

“Venham comigo; vamos visitar um pouco esta mulher mártir.” Com palavras desse tipo, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) indicava que essa mulher seria martirizada.

Conhecem-se vários aspectos da primazia de Umm Waraqa na história do Islã. Por exemplo:

1. Ela foi a primeira mulher em cuja casa se providenciou a convocação para a oração.

2. Em Medina, ela foi a primeira a estabelecer a oração congregacional das mulheres e a liderar essa congregação como imame.

3. Ela foi a primeira mulher a quem o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) conferiu o título de “Shahida”.

4. Na história do Islã, ela foi a primeira mulher por cuja morte foram executados, por crucificação, um escravo e uma escrava, acusados de tê-la assassinado.[Nisā’ Radiyāt-110]

Ummu Waraqa pediu ao Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) permissão para estabelecer uma sala de oração em sua própria casa e nomear um mu’adhdhin para fazer o adhan em cada horário de oração. O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) designou um mu’adhdhin para fazer o adhan em sua casa. Ele fazia o adhan em todos os horários de oração. Esse व्यवस्था permaneceu em vigor até a morte de Ummu Waraqa.[Abū Dāwūd-1/97; Nisā’ min Āthār an-Nubuwwah-297] Ela foi a primeira mulher a alcançar essa honra e essa distinção. Uma testemunha ocular relatou: “Vi o mu’adhdhin de Ummu Waraqa. Ele era um homem muito idoso. Seu nome era ‘Abdur-Rahman.”[Nisā’ Mubashsharāt bil-Jinnah-293]

O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) conhecia sua inteligência aguçada, sua memória extraordinária e seu profundo conhecimento das normas e preceitos da religião. Por isso, depois que o mu’adhdhin fizesse o adhan, ele permitiu que Ummu Waraqa estabelecesse a oração em congregação em sua própria casa, reunindo também as mulheres vizinhas, e que as liderasse como imāmah. Essa व्यवस्था permaneceu em vigor durante o califado de ‘Umar ibn al-Khattab (que Allah esteja satisfeito com ele), isto é, até o dia da morte de Ummu Waraqa. Na história do Islã, ela foi a primeira mulher em cuja casa foi estabelecida uma mesquita para as mulheres. [Ibid.; Sahabiyyāt-216]

Ummu Waraqa envelheceu. Seus filhos e filhas cresceram. As filhas se casaram e, uma após outra, foram para as casas de seus maridos. Os filhos também foram obrigados a se afastar da mãe por causa de suas próprias responsabilidades. A casa de Ummu Waraqa estava agora praticamente vazia.

Ela manteve um escravo e uma escrava para servi-la e cuidar da casa. Tratava-os muito bem. Prometeu-lhes que, após sua morte, seriam libertados automaticamente, isto é, seriam livres da escravidão. O escravo e a escrava não viram nenhum sinal de que Ummu Waraqa morreria em breve. Não conseguiram mais esperar. Na ausência dos familiares dela, tramaram matá-la dentro da casa vazia. Certa noite, quando surgiu a oportunidade, enrolaram um pano em seu pescoço, sufocaram-na até a morte e fugiram, julgando-se livres da escravidão.

‘Umar ibn al-Khattab (que Allah esteja satisfeito com ele) ouvia todos os dias o adhan na casa de Ummu Waraqa (que Allah esteja satisfeito com ela), bem como os sons da preparação das mulheres para a oração em congregação. Um dia, ele disse: “Ora, desde ontem não ouço o som da recitação do Alcorão da tia Ummu Waraqa. O que terá acontecido com ela?” Para saber notícias dela, enviou alguém. O homem voltou e disse que a casa estava trancada por fora e que, embora tivesse batido à porta, não recebera resposta alguma de dentro. ‘Umar (que Allah esteja satisfeito com ele) ficou desconfiado. Dessa vez, ele próprio foi até lá. Como não viu ninguém na casa, entrou. Assim que entrou, viu o corpo dela estendido no chão, envolto em um manto. Ele bradou em voz alta: “Allahu Akbar!” Então comentou: “Quando o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) lhe deu o título de ‘Shahida’, disse a verdade.” [Al-Isaba, 4/505]

Em seguida, ‘Umar (que Allah esteja satisfeito com ele) subiu ao púlpito da mesquita e anunciou que Ummu Waraqa havia sido martirizada. Seus dois escravos a haviam sufocado até a morte e fugido. Ele ordenou que fossem procurados, capturados e levados até ele. Em instantes, a população espalhou-se por todos os lados à procura deles. Foram capturados enquanto fugiam e apresentados, em Medina, diante do califa ‘Umar (que Allah esteja satisfeito com ele). Foram interrogados. A princípio, tentaram negar seu envolvimento no assassinato, mas depois confessaram que os dois a haviam matado juntos. Então ‘Umar (que Allah esteja satisfeito com ele), repetindo o que dissera antes, afirmou: “O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse a verdade quando dizia:(Árabe*****************)“Venham comigo; vamos ver esta mártir.” Assim, Ummu Waraqa (que Allah esteja satisfeito com ela) tornou-se a primeira mulher do Islã a receber o título de “ash-Shahida”.

A punição dos dois escravos era inevitável. ‘Umar ibn al-Khattab (que Allah esteja satisfeito com ele) ordenou que fossem mortos por crucificação. Eles foram crucificados e mortos. Esses dois escravos foram as primeiras duas pessoas crucificadas em Medina; e Ummu Waraqa foi a primeira mulher do Islã por cujo assassinato um escravo e uma escrava foram crucificados e executados. [Abu Dawud, 1/97; Tabaqat, 8/457; Al-Isti‘ab, 4/482]

Por compreender profundamente o significado da religião, assumir sobre os próprios ombros a responsabilidade de ensinar as vizinhas e as mulheres que a procuravam, Ummu Waraqa (r.a.) tornou-se uma líder das mulheres muçulmanas. A expressão de seu desejo de participar da jihad, movida pelo anseio de alcançar o martírio, elevou cem vezes sua grandeza e dignidade.

A morte de Ummu Waraqa (r.a.) contém uma lição para todos aqueles que dependem completamente de escravos, servas e criados, especialmente quando estes são não muçulmanos. Há conhecimento, no mundo, de muitos escravos, servas e criados que trouxeram numerosos males à vida de seus senhores. Entre quase todos os povos e grupos do mundo, ouve-se o ditado: “Cuidado com o mal daquele a quem fizeste o bem.” Ummu Waraqa tratava bem seus escravos e servas e lhes havia prometido a liberdade; como consequência, acabou sendo morta pelas mãos deles. Esse acontecimento contém uma grande lição e admoestação para as mulheres muçulmanas da era moderna.

Ummu Waraqa (r.a.) narrou hadiths do Mensageiro de Allah (s.a.a.s.), e seus netos narraram dela. [Nisā’ Rā’idāt-113]

Ummu Hakim bint Al–Harith ((r.a.))


Após receber a missão profética, o Honorável Mensageiro de Allah (s.a.a.s.) passou mais de vinte anos convocando o povo árabe, especialmente os habitantes de Meca, ao Islã, primeiro em Meca e depois em Medina. Ele os convidou à verdade, à beleza e ao bem, mas os habitantes de Meca comportaram-se como cegos e surdos. Seu comportamento era assim: (Árabe***********) [Surata Hā-Mīm as-Sajdah-5]

“Eles dizem: ‘Nossos corações estão cobertos por uma camada que nos impede de compreender aquilo a que nos convocas; há surdez em nossos ouvidos, e existe uma barreira entre ti e nós. Portanto, age conforme o que te cabe, e nós agiremos conforme o que nos cabe.’”

Eles retribuíram o amor e a afeição com hostilidade, e o bem e o benefício com mal e dano; seu comportamento era assim: (Árabe ***************) [Surata Al-Qamar-3]

“Eles rejeitam a verdade, seguem seus próprios desejos, e cada assunto chegará ao seu objetivo.”

Eles romperam todas as relações com o nobre Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) e o expulsaram de Meca. Mesmo assim, não ficaram satisfeitos. Repetidamente entraram em guerra contra ele e lançaram-se sobre ele. Aproveitaram todas as oportunidades para apagar a luz do Islam.

Então, Allah, Senhor dos mundos, concedeu-lhes a vitória. Meca foi conquistada. Quando aquele vasto mundo se tornou estreito para eles e passaram a ver apenas escuridão ao seu redor, o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) demonstrou magnanimidade para com eles. Perdoou todas as suas condutas passadas. Os habitantes de Meca abraçaram voluntariamente o Islam, em grupos. Ummu Hakim, seu pai, sua mãe e seu marido aceitaram todos o Islam no dia da conquista de Meca. É digno de nota que os quatro haviam sido inimigos ferrenhos do Islam e do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Desde o início do Islam até o momento anterior à sua aceitação da fé, sua hostilidade, durante vinte anos, não teve limites.

Ummu Hakim era descendente do ramo Al-Makhzumi da tribo coraixita de Meca. Ummu Hakim era seu nome pelo qual era conhecida; seu nome verdadeiro perdeu-se por trás dele e já não é conhecido. A família de Ummu Hakim era um dos principais centros de honra, prestígio e liderança entre os coraixitas. Seu pai, Al-Harith ibn Hisham ibn Al-Mughira Al-Makhzumi, era irmão do infame Abu Jahl. Aceitou o Islam no dia da conquista de Meca. Era um homem educado e de destaque. Para mantê-lo firme no Islam, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) deu-lhe cem camelos dos despojos da batalha de Hunayn. Ele se tornou um bom muçulmano. Mais tarde, foi para a Síria como mujahid e morreu ali, acometido pela doença de ‘Aun. (Az-Zahabi, Tarikh al-Islam, 2/183–184)

Sua mãe, Fatima bint Al-Walid ibn Al-Mughira Al-Makhzumiya, era irmã do célebre comandante Khalid ibn Al-Walid (que Allah esteja satisfeito com ele). Aceitou o Islam no dia da conquista de Meca. Ela transmitiu um hadith do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Também acompanhou o marido, Al-Harith, em sua expedição à Síria. Com Al-Harith, teve um filho, Abd ar-Rahman, e uma filha, Ummu Hakim. (Tarikh Dimashq, biografias das mulheres, 305–307)

O marido de Ummu Hakim, Ikrimah ibn Abu Jahl Al-Makhzumi, era um dos maiores líderes da Meca da época da ignorância. Após a conquista de Meca, foi até o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), declarou sua aceitação do Islam e, posteriormente, tornou-se um muçulmano exemplar. Partiu para a campanha na Síria e foi martirizado no ano 13 da Hégira, na batalha de Ajnadayn ou, segundo outra opinião, na batalha de Yarmuk. O tio materno de Ummu Hakim era a Espada de Allah, Khalid ibn Al-Walid (que Allah esteja satisfeito com ele).

Foi em uma família e ambiente assim que Ummu Hakim cresceu. Casou-se com seu primo paterno, Ikrimah. O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) surgiu em Meca como Mensageiro. Desde o dia em que convocou os habitantes de Meca ao Islam, essa família se tornou uma poderosa adversária do Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) e do Islam. Até a conquista de Meca, os membros mencionados desempenharam um papel de liderança em todas as conspirações tramadas para conter o Islam e em todas as guerras travadas para erradicá-lo por completo. Na batalha de Uhud, Al-Harith, sua esposa Fatima, Ikrimah, sua esposa Ummu Hakim e Khalid ibn Al-Walid participaram ao lado do exército coraixita.

Eles não deixaram escapar nenhuma oportunidade de se opor ao Islam e causar danos aos muçulmanos. Entre aqueles que o nobre Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) declarou grandes criminosos e cuja execução ordenou mesmo que fossem encontrados sob o manto da Caaba estava Ikrimah, marido de Ummu Hakim.

A postura adotada pelo nobre Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) após a conquista de Meca permanece registrada na história da humanidade como um modelo incomparável. Naquele dia, sua misericórdia e compaixão envolveram a todos: amigos e inimigos, crentes e descrentes. Durante muito tempo, aqueles que nutriam por ele intenso ódio e hostilidade encontraram, naquele dia, profunda tranquilidade para seus corações de pedra por meio de seu amplo perdão e misericórdia. Seus corações despertaram num instante e, rompendo as cadeias do erro, entregaram-se à luz como mariposas. A própria Ummu Hakim aproveitou essa oportunidade de perdão em favor de seu marido. Ela foi até o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) com outras mulheres da tribo dos coraixitas, como Fatima bint Al-Walid, Hind bint Utba e Fakhita bint Al-Walid, declarou sua aceitação do Islam e prestou juramento de fidelidade. Depois que ela aceitou o Islam, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) passou a tratá-la com grande respeito. Por isso, ela alcançou uma posição de especial prestígio entre as mulheres.

O marido de Ummu Hakim, Ikrima, era um ferrenho inimigo do Islã e, aos olhos do Profeta, um grande criminoso. Por isso, o Mensageiro de Allah (s.a.w.) ordenou sua execução. Após a conquista de Meca, ele fugiu para o Iêmen, temendo pela própria vida. Graças aos esforços de sua esposa, Ummu Hakim, retornou a Meca e aceitou o Islã. Depois de aceitar o Islã, Ummu Hakim (r.a.) levantou-se e disse: “Ó Mensageiro de Allah! Ikrima fugiu para o Iêmen por medo de que você pudesse matá-lo. Conceda-lhe segurança, e Allah lhe concederá segurança.” O Mensageiro (s.a.w.) disse: “Ele está seguro.”

Naquele momento, Ummu Hakim saiu à procura de seu marido, Ikrima. Levou consigo um escravo romano. Os dois seguiram viagem. No caminho, o escravo sentiu um desejo indecoroso por sua senhora. Queria possuí-la, mas ela continuou ganhando tempo com diversos pretextos. Assim, chegaram a uma tribo árabe. Ummu Hakim pediu sua ajuda, e eles prometeram ajudá-la. Ela deixou o escravo sob sua custódia e partiu sozinha. Por fim, encontrou Ikrima à beira-mar, na região de Tihama. Ele estava conversando com um barqueiro para que o transportasse, e o barqueiro lhe dizia:

— Seja sincero.

Ikrima disse: — Como posso ser sincero?

O barqueiro disse: — Diga:(Árabe ************)

“Testemunho que não há outra divindade ou objeto de adoração além do Deus Único, e que Muhammad é o Mensageiro de Allah.”

Ikrima disse: — Foi justamente por isso que fugi.

Durante essa conversa entre os dois, Ummu Hakim chegou. Dirigindo-se ao marido, disse: — Ó meu primo! Venho da presença da melhor, mais sublime e mais pura de todas as pessoas. Pedi-lhe amān (segurança), e ele lhe concedeu amān. Portanto, não destrua a si mesmo depois disso.

Ikrimah perguntou: Você mesmo falou com ele? Ela respondeu: Sim, fui eu mesma que falei com ele, e ele lhe concedeu proteção. Repetidamente, ela continuou assegurando-lhe que ele estava sob proteção. Por fim, sentindo-se tranquilo, ele voltou com sua esposa. [A‘lām an-Nisā’ 1/281]

Enquanto caminhavam, Ummu Hakim contou ao marido sobre as más intenções de seu escravo. No caminho de volta, antes de aceitar o Islã, Ikrimah matou o escravo. No trajeto, eles passaram a noite em uma casa. Ikrimah quis ter intimidade com sua esposa. Ela recusou firmemente, dizendo: Sou uma mulher muçulmana, e você ainda é um mushrik. Ao ouvir as palavras da esposa, Ikrimah ficou surpreso. Disse: O que se interpõe entre a nossa união é, de fato, algo muito grandioso.

Quando Ikrimah se aproximou de Meca, o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse aos seus Companheiros: Muito em breve, Ikrimah abandonará a incredulidade e virá até vocês como um crente. Não insultem seu pai. Insultar um morto causa sofrimento no coração dos vivos e não chega até o morto.

Pouco depois, Ikrimah chegou à presença do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), acompanhado de sua esposa, Ummu Hakim. Assim que o viu, o Mensageiro levantou-se alegremente e foi em sua direção sem sequer envolver-se com o manto. Depois, o Mensageiro sentou-se. Ikrimah permaneceu de pé diante dele e disse:

Ó Muhammad! Ummu Hakim me disse que você me concedeu proteção. O Profeta respondeu: Ela disse a verdade. Você está seguro. Ikrimah perguntou: Muhammad, para o que você convoca as pessoas?

O Mensageiro respondeu: Convoco você a testemunhar que não há divindade além de Allah e que eu, Muhammad, sou servo e Mensageiro de Allah. Depois, você deverá estabelecer a oração e pagar o zakat. Assim, ele lhe explicou todos os pilares do Islã.

Ikrimah disse: Juro por Allah! Você só convoca para a verdade e fala do bem. Então começou a dizer:

Mesmo antes desta convocação, você já era, entre nós, o mais veraz e o mais virtuoso. Então, enquanto dizia: “Ashhadu an lā ilāha illallāhu wa ashhadu annaka ‘abduhu wa rasūluhu”, estendeu a mão na direção do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele).

O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: «Dize: “Ushhidu Allah wa ushhidu man hadara annī muslimun mujāhidun muhājirun” — tomo Allah e todos os presentes como testemunhas de que sou muçulmano, mujahid e muhajir.»

Ikrima pronunciou essas palavras. Então o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse-lhe: «Se hoje me pedires algo que eu não daria a mais ninguém, eu te darei.»

Ikrima disse: «Peço que implores a Allah o meu perdão por toda a hostilidade que manifestei contra ti, por todas as batalhas em que te enfrentei e por todas as palavras que proferi contra ti, na tua presença ou na tua ausência.»

O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) fez uma súplica por ele: «Ó Allah! Perdoa-lhe toda a hostilidade que manifestou contra mim e todas as jornadas que empreendeu para comparecer nos campos de batalha com o objetivo de apagar a Tua luz. Perdoa também todas as palavras difamatórias que proferiu contra mim, na minha presença ou na minha ausência.»

O rosto de Ikrima iluminou-se de alegria, e ele disse: «Ó Mensageiro de Allah, juro por Allah! Gastarei no caminho de Allah o dobro de tudo quanto gastei com o objetivo de criar obstáculos ao caminho de Allah, e lutarei no caminho de Allah o dobro das vezes que lutei com o objetivo de criar obstáculos ao caminho de Allah.» [At-Tabari, Tarikh, 2/160; Al-Bidaya wan-Nihaya, 4/297; Al-A‘lam, 2/269; Usud al-Ghaba, 5/577; Ashab-e Rasul-er Jibonkotha, 1/205–208]

A partir daquele dia, ele juntou-se à caravana dos combatentes empenhados em estabelecer a religião de Allah na terra de Allah e, ao alcançar o martírio na batalha de Yarmuk, cumpriu plenamente o compromisso que assumira com o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele).

Umm Hakim foi para a Síria com o seu marido, Ikrima (que Allah esteja satisfeito com ambos), para combater os romanos. Na planície de Yarmuk, os exércitos romano e muçulmano enfrentaram-se, e travou-se uma batalha feroz. Nessa batalha, as mulheres coraixitas superaram até os guerreiros homens no manejo da espada. Umm Hakim era uma delas. Nessa batalha de Yarmuk, Umm Hakim perdeu o marido. Ikrima (que Allah esteja satisfeito com ele) foi martirizado nessa batalha. [Siyar A‘lam an-Nubala, 1/324; Al-Isaba, 4/426] Depois de cumprir a idda de quatro meses e dez dias, muitos homens pediram-na em casamento. Yazid ibn Abi Sufyan (que Allah esteja satisfeito com ele) foi um deles. Para deceção de todos os demais, ela aceitou a proposta de Khalid ibn Sa‘id ibn al-As (que Allah esteja satisfeito com ele). O casamento foi celebrado com um mahr de quatrocentos dinares. Embora o contrato matrimonial tivesse sido concluído, antes da noite de núpcias começaram os preparativos para a batalha de Marj as-Saffar, travada ao sul de Damasco. Os soldados muçulmanos partiram para lá. Hadrat Khalid (que Allah esteja satisfeito com ele) quis consumar o casamento com a esposa antes de partir para a batalha. Sua esposa, Umm Hakim, disse: «Devemos esperar até que a concentração das forças inimigas seja derrotada.»

Khalid (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: «Meu coração me diz que alcançarei o martírio nesta batalha.» Umm Hakim não fez mais objeções. Em Marj as-Saffar, prepararam a noite de núpcias numa tenda junto a uma ponte e ali passaram a noite.

Mais tarde, essa ponte passou a chamar-se “Qantaratu Umm Hakim” — a ponte de Umm Hakim. Pela manhã, também foi servido o banquete de casamento. Mal o banquete terminou, começou a batalha contra os romanos. Khalid (r.a.) lançou-se contra o exército inimigo e, lutando como um herói, alcançou o martírio. Umm Hakim (r.a.) ainda estava vestida como uma recém-casada: tinha henna nas mãos e perfume no corpo. Ela arrancou uma das estacas da tenda onde passara a noite de núpcias e tomou-a nas mãos. Junto àquela tenda, entrou em combate com os soldados romanos e, golpeando-os com a estaca, matou naquele dia sete soldados romanos.[Al-Isti‘ab-4/425; Tarikhu Dimashq-506; Usud al-Ghaba-5/577; A‘lam an-Nisa-1/281; Al-Isaba-4/426]

Umm Hakim voltou a Medina novamente viúva. O califa Umar (r.a.) casou-se com ela, e desse casamento nasceu sua filha Fatima bint Umar. Essa Fatima casou-se com o filho de Zayd ibn al-Khattab, tio paterno dela.[At-Tabari, Tarikh-2/564; Adh-Dhahabi, Tarikh-3/274; Nasabu Quraysh-303]

À luz de vários acontecimentos, entende-se que Umm Hakim faleceu durante a vida de seu marido, Umar (r.a.), e durante o seu califado. O erudito az-Zirikli especificou o ano 14 da Hégira.[Nisa min Athar an-Nubuwwah-489]

Umama bint Abil As ((r.a.))


A principal identificação de Umama (r.a.) é que ela era neta do nobre Mensageiro de Allah (s.a.w.). Seu pai era Abu al-As ibn Rabi (r.a.), e sua mãe era Zaynab bint Rasulullah (r.a.). Umama nasceu em Meca durante a vida de seu avô materno. Muito antes de seu nascimento, sua avó materna, a Mãe dos Crentes, Khadija al-Kubra (r.a.), já havia falecido. Sua avó paterna era Hala bint Khuwaylid, irmã mais nova de Khadija (r.a.). No oitavo ano da Hégira faleceu a mãe de Umama, e no décimo segundo ano faleceu seu pai.[Tarajimu Sayyidat Baytin Nubuwwah-536-537]

Seu avô, o nobre Mensageiro de Allah (s.a.w.), tinha imenso carinho pela pequena Umama. Mantinha-a sempre consigo. Até mesmo durante a oração, mantinha-a por perto. Às vezes, acontecia de o Mensageiro (s.a.w.) colocá-la sobre os ombros e levantar-se para a oração. Ao inclinar-se para o rukū‘, colocava-a no chão, tirando-a dos ombros. Depois, ao prostrar-se, colocava-a sobre a cabeça e, ao levantar-se da prostração, colocava-a novamente sobre os ombros. Assim, concluía a oração. Esse comportamento permite avaliar, em certa medida, a intensidade de seu carinho por Umama.

O Companheiro do Mensageiro de Allah, Hadrat Abu Qatada (r.a.), disse: certo dia, depois de Bilal fazer o chamado para a oração, estávamos esperando pela oração do zuhr — segundo outra opinião, pela oração do asr — quando o Mensageiro (s.a.w.) veio até nós com Umama bint Abil As sentada sobre os ombros. O Mensageiro (s.a.w.) levantou-se para a oração, e nós também nos colocamos atrás dele para rezar. Umama ainda estava sentada da mesma forma sobre os ombros de seu avô.

Quando o Mensageiro (s.a.w.) ia inclinar-se para o rukū‘, colocava-a no chão, descendo-a dos ombros. Depois de concluir o rukū‘ e a prostração, ao levantar-se, pegava-a novamente e colocava-a sobre os ombros. Fazendo isso em cada rak‘ah, concluiu a oração.[Sunan an-Nasa’i-2/45, 3/10; Tabaqat-8/232; Al-Isaba-4/236; Hayatus-Sahaba-2/482]

A Mãe dos Crentes, Hadrat Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela), narrou: o Negus, imperador da Abissínia, enviou ao Mensageiro de Allah (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) alguns ornamentos de ouro como presente, entre os quais havia um anel de ouro. O Mensageiro (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) deu-o a Umama.[Nisa min Asr an-Nubuwwah-289]

A intensidade do afeto do Mensageiro de Allah (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) por Umama também pode ser percebida por outro acontecimento. Certa vez, chegou às mãos do Mensageiro de Allah (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) um colar de ouro cravejado de pérolas. Ele entrou em casa com o colar nas mãos, mostrou-o às suas esposas e disse: “Vejam, o que acham dele?”. Todas disseram: “É belíssimo! Nunca vimos antes um colar mais bonito do que este”. O Mensageiro (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) disse: “Colocarei este colar no pescoço daquela que é a mais querida da minha família”. Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela) pensou consigo mesma: “Quem sabe ele não o coloque no meu pescoço, em vez de no pescoço de outra esposa?”. As outras esposas também imaginaram que talvez o colar coubesse no destino de Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela). Enquanto isso, a menina Umama brincava no chão, não muito longe de seu avô e de suas avós. O Mensageiro (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) aproximou-se e colocou o colar em seu pescoço.[Al-Isti‘ab-4/238; Usud al-Ghabah-5/400; As-Sirah al-Halabiyyah-2/452; Durrus-Sahabah fi Manaqib al-Qarabah was-Sahabah-535; A‘lam an-Nisa-1/77]

O pai de Hadrat Umama (que Allah esteja satisfeito com ela), Abul-As ibn ar-Rabi (que Allah esteja satisfeito com ele), faleceu no ano 12 da Hégira. Antes de morrer, manifestou o desejo de casar Umama com seu primo materno, Zubair ibn al-Awwam. Enquanto isso, a tia materna de Umama, Hadrat Fatima (que Allah esteja satisfeito com ela), também faleceu. Antes de morrer, disse ao seu marido Ali que, depois dela, ele deveria casar-se com Umama. Então Umama atingiu a idade de se casar. Zubair ibn al-Awwam (que Allah esteja satisfeito com ele) empenhou-se em realizar o último desejo de Hadrat Fatima (que Allah esteja satisfeito com ela). Foi por sua mediação que o casamento de Umama (que Allah esteja satisfeito com ela) com Ali (que Allah esteja satisfeito com ele) foi celebrado. Naquela época, era o período do califado do Amir al-Mu’minin Umar (que Allah esteja satisfeito com ele).

Ela viveu maritalmente com Ali (que Allah esteja satisfeito com ele) até o ano 40 da Hégira. Durante esse período, várias tempestades e tribulações atravessaram a vida de Ali (que Allah esteja satisfeito com ele). Por fim, no ano 40 da Hégira, ele foi gravemente ferido pelas mãos de um assassino. Em consequência desse ferimento, deu seu último suspiro. Antes de morrer, disse à sua esposa Umama: “Depois de mim, se sentires necessidade de um homem, poderás casar-te com al-Mughira ibn Nawfal”. Ele também disse a al-Mughira que, após sua morte, deveria casar-se com Umama. Temia que, depois de sua morte, Muawiya (que Allah esteja satisfeito com ele) enviasse uma proposta de casamento a Umama. Esse temor tornou-se realidade. Ele faleceu. Umama cumpriu o período determinado de espera, a idda. Hadrat Muawiya (que Allah esteja satisfeito com ele) não demorou nada. Escreveu a Marwan: “Envie, em meu nome, uma proposta de casamento a Umama e gaste mil dinares nessa ocasião”. Essa notícia chegou aos ouvidos de Umama (que Allah esteja satisfeito com ela). Imediatamente, por meio de um mensageiro, disse a al-Mughira: “Se desejais casar-vos comigo, vinde depressa”. Ele veio, e o casamento foi celebrado por intermédio de Hadrat Hasan ibn Ali (que Allah esteja satisfeito com ele).[Al-Isabah-4/237] Ela faleceu durante o califado de Muawiya (que Allah esteja satisfeito com ele), enquanto era esposa de al-Mughira. Umama (que Allah esteja satisfeito com ela) não teve filhos na casa de Ali (que Allah esteja satisfeito com ele). Contudo, na casa de al-Mughira, teve um filho, a quem deu o nome de Yahya. Por isso, al-Mughira recebeu o kunya Abu Yahya.[Mesma fonte; Usud al-Ghabah-5/400; A‘lam an-Nisa-1/77] Entretanto, muitos disseram que ela também não teve filhos na casa de al-Mughira. Afirmam que, entre as filhas do Mensageiro de Allah (que Allah o abençoe e lhe conceda paz), a única cuja descendência continuou foi Fatima (que Allah esteja satisfeito com ela). É possível que ela tenha dado a al-Mughira um filho chamado Yahya, mas que ele tenha morrido ainda na infância. Com a morte de Umama, encerrou-se a linhagem de Zainab (que Allah esteja satisfeito com ela), filha do Profeta, pois seu filho Ali já havia morrido antes dela.[Tarajim Sayyidati Batin an-Nubuwwah-538; Nisa min Asr an-Nubuwwah-280]

Khawla bint Hakim ((que Allah esteja satisfeito com ela))


Hadrat Khawla (que Allah esteja satisfeito com ela) era filha de Hakim ibn Umayya, da tribo Banu Sulaym de Meca. Seu kunya era Umm Suraik.[Tabaqat-8/158; Al-Isti‘ab-4/281; Usud al-Ghabah-5/444; Tahdhib at-Tahdhib-12/415] Sua maior distinção era ser esposa do célebre Companheiro Hadrat Uthman ibn Maz‘un (que Allah esteja satisfeito com ele). Esse Uthman (que Allah esteja satisfeito com ele) era uma das principais figuras entre os emigrantes que fizeram a Hégira para Medina. Faleceu em Medina após a Batalha de Badr. O Mensageiro (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) dirigiu sua oração fúnebre e sepultou-o no cemitério de Al-Baqi, em Medina. Ele foi o primeiro Companheiro a ser sepultado no cemitério de Al-Baqi. Khawla (que Allah esteja satisfeito com ela) era parente do lado materno do nobre Mensageiro de Allah (que Allah o abençoe e lhe conceda paz).[Musnad Ahmad-6/409]

No início da pregação islâmica em Meca, ela foi uma das poucas mulheres e homens que abraçaram o Islã desde os primeiros tempos. Ela se casou com Uthman ibn Maz‘un (que Allah esteja satisfeito com ele) antes de aceitar o Islã. É provável que marido e mulher tenham aceitado o Islã ao mesmo tempo. Depois de aceitar o Islã, ela experimentou plenamente o sabor agradável da fé, e a luz da verdade despedaçou todas as cortinas diante de seus olhos. Ela passou a desfrutar da companhia e da proximidade do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Dedicou-se ao seu serviço. Por ser parente do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), essa tarefa tornou-se ainda mais fácil. Em Meca, todos os dias, ela se informava sobre todos os assuntos da casa e da família do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), bem como sobre suas facilidades e dificuldades. Mesmo depois de ir para Medina, continuou realizando essa tarefa até o fim de sua vida. Sua participação em vários acontecimentos importantes da vida do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) conferiu-lhe uma posição de especial distinção. Ao apresentar sua biografia, Ibn Abd al-Barr (que Allah tenha misericórdia dele) disse:(Árabe*****************)“Ela era uma mulher virtuosa e dotada de excelentes qualidades.” Umar ibn Abd al-Aziz (que Allah tenha misericórdia dele) também a mencionou como uma mulher virtuosa. Ao narrar um episódio, ele se referiu a ela da seguinte maneira:(Árabe**************)[Al-Isaba, 4/293]

“A virtuosa mulher Khawla bint Hakim, esposa de Uthman ibn Maz‘un, considerou…”

Assim, muitos especialistas em biografia também a mencionaram como uma mulher virtuosa.

Khadija (que Allah esteja satisfeito com ela) foi a primeira e mais amada esposa do Nobre Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Em todas as crises da vida do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) em Meca, ela foi sua companheira inseparável. Em cada momento difícil, consolava o marido, expressava solidariedade e, permanecendo ao seu lado, ajudava-o a superar todos os obstáculos. Com a morte de uma esposa e amiga tão íntima, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) ficou profundamente abatido e entristecido. Além disso, Khadija era a mãe dos filhos do Mensageiro de Allah e cuidava da casa. Na sua ausência, tornou-se difícil criar os filhos privados da mãe e administrar o lar. Além do mais, aumentaram a perseguição e as perturbações causadas pelos politeístas. Essa situação do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) preocupou profundamente seus Companheiros.

Em um momento tão difícil da vida do Nobre Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), Khawla foi um dia até ele e, vendo-o abatido, disse: “Ó Mensageiro de Allah! Tenho a impressão de que, com a morte de Khadija, você ficou angustiado e sente sua falta.” O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) respondeu: “Sim, é verdade. Ela era a mãe dos meus filhos e a dona da casa.” No decorrer da conversa, Khawla disse, com grande reverência: “Ó Mensageiro de Allah! Case-se novamente.” O Mensageiro perguntou: “Quem é a pretendente?” Khawla respondeu: “Há dois tipos de pretendentes: viúva e virgem. Pode-se conversar sobre aquela de quem você gostar.” Ele perguntou novamente: “Quem é a pretendente?” Khawla respondeu: “A viúva é Sawda bint Zam‘a, e a virgem é Aisha, filha de Abu Bakr.” O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: “Sim, as mulheres são mais aptas a desempenhar esse papel.” [Tabaqat, 8/57; A Vida de Aisha, 24] “Vá e apresente minha proposta às duas.”

Há uma pequena divergência sobre se Khawla, depois de obter o consentimento do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), foi primeiro à casa de Aisha ou à de Sawda. De qualquer modo, ela foi à casa de Sawda e, assim que a viu, exclamou: “Que bênção e prosperidade tão grandes Allah concedeu a você!” Sawda perguntou: “Por que diz isso?” Ela respondeu: “O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) enviou-me para propor seu casamento.” Sawda disse: “Quero que você fale com meu pai.”

O pai de Sawda (que Allah esteja satisfeito com ela) encontrava-se então no fim da vida. Havia-se retirado completamente de todas as atividades mundanas. Khawla foi até ele e o cumprimentou, segundo o costume da época da ignorância, dizendo: “An‘im sabahan” (“Bom dia”).

O ancião perguntou: “Quem é você?” Khawla respondeu: “Sou Khawla bint Hakim.” O ancião deu-lhe as boas-vindas e pediu que se sentasse perto dele. Khawla apresentou a proposta de casamento nestes termos: “Muhammad ibn Abd Allah ibn Abd al-Muttalib pediu Sawda em casamento.” O ancião disse: “Que excelente e nobre pretendente! O que diz sua amiga Sawda?” Khawla respondeu: “Ela está de acordo.” O ancião pediu que chamassem Sawda. Quando Sawda chegou, disse-lhe: “Minha filha! Esta moça, Khawla, está dizendo que Muhammad ibn Abd Allah a enviou para pedir você em casamento. É um pretendente nobre. Quero casá-la com ele; você aceita?” Sawda respondeu: “Sim, aceito.” Então o ancião disse a Khawla: “Vá chamar Muhammad.” O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) compareceu vestido como noivo, e o pai de Sawda entregou-a a ele. [At-Tabari: Tarikh, 2/211; Al-Bidaya wa an-Nihaya, 2/130; Adh-Dhahabi: Tarikh, 1/166; Ansab al-Ashraf, 1/408; Musnad Ahmad, 6/210; Tabaqat, 8/53]

Com a autorização do Honorável Mensageiro de Allah (s.a.w.), Khawla (r.a.) foi à casa de Abu Bakr e encontrou Umm Ruman (r.a.), mãe de Aisha (r.a.), e disse: “Ó Umm Ruman! Que bênção e prosperidade tão especiais Allah concedeu à vossa casa?” Ela perguntou: “Por que dizes isso?” Khawla respondeu: “O Mensageiro de Allah (s.a.w.) enviou-me para pedir Aisha em casamento.” Umm Ruman disse: “Espera um pouco; Abu Bakr chegará a qualquer momento.” Abu Bakr voltou para casa, e Khawla apresentou-lhe a proposta. Convém mencionar que, entre os árabes da época da ignorância, era costume não considerarem lícito o casamento com as filhas dos próprios irmãos, nem julgarem apropriado casar com as filhas de meio-irmãos, primos ou irmãos por adoção. Por isso, ao ouvir a proposta, Abu Bakr disse: “Ó Khawla! Aisha é sobrinha do Mensageiro de Allah (s.a.w.). Como, então, esse casamento seria possível?” Khawla voltou e perguntou ao Mensageiro de Allah (s.a.w.) sobre o assunto. O Mensageiro (s.a.w.) disse: “Abu Bakr é meu irmão na fé. E é permitido estabelecer vínculo matrimonial com as filhas de irmãos desse tipo.” Abu Bakr (r.a.) aceitou a proposta e pediu a Khawla que trouxesse o Mensageiro de Allah (s.a.w.). Então Khawla levou o Mensageiro de Allah (s.a.w.) consigo, e o casamento foi celebrado. [Sahih al-Bukhari, Babu Tazwij as-Sighar min al-Kibar; Ibn Kathir, as-Sirah an-Nabawiyyah, 1/316; Ashabe Rasul-er Jibonkotha, 5/56]

O marido de Hazrat Khawla (r.a.), Hazrat Uthman ibn Maz’un (r.a.), foi um dos primeiros muçulmanos de Meca. Sofreu diversas formas de perseguição por parte dos idólatras. Também migrou para a Abissínia e, algum tempo depois, voltou a Meca. Não há qualquer relato de que Hazrat Khawla tenha migrado para a Abissínia. Se o casamento de Khawla com Uthman ibn Maz’un (r.a.) ocorreu ainda no primeiro período do Islã, então ela também deve ter sido esmagada, como membro da família de Uthman, sob o peso das injustiças e perseguições dos coraixitas. Não se encontram informações sobre isso. Sabe-se, porém, que ela migrou para Medina com o marido.

Hazrat Uthman ibn Maz’un (r.a.) tinha uma forte inclinação natural para a ruhbaniyyah, ou ascetismo. A adoração e a vigília noturna eram suas atividades prediletas. Passava toda a noite em oração e jejuava na maior parte dos dias do ano. Havia reservado um aposento da casa para a adoração. Ali permanecia em i‘tikaf dia e noite. Em certo momento, tornou-se completamente indiferente à esposa e aos filhos. Hazrat Khawla (r.a.) tinha o hábito de visitar a Casa do Profeta e perguntar pelas esposas do Mensageiro de Allah. Certo dia, foi à Casa do Profeta. As esposas do Profeta (s.a.w.), ao verem suas roupas e sua aparência desleixadas, perguntaram-lhe: “Por que estás assim? Teu marido é um homem rico entre os coraixitas.” Ela respondeu: “O que tenho eu a ver com ele? Ele jejua durante o dia e passa a noite em oração.” As esposas levaram o assunto ao conhecimento do Mensageiro de Allah (s.a.w.). Ele foi imediatamente à casa de Uthman ibn Maz’un e, chamando-o, disse: “Ó Uthman! Minha vida não é um exemplo para ti?” Uthman respondeu: “Que meus pais sejam sacrificados por ti! Por que dizes isso?” O Mensageiro (s.a.w.) disse: “Tu jejuas durante o dia e passas toda a noite em oração.” Ele respondeu: “Sim, é isso mesmo que faço.” Então lhe foi dito: “Não faças mais isso. Tens obrigações para com teus olhos, teu corpo e tua família. Ora, descansa, jejua e quebra o jejum.” Depois dessa orientação, sua esposa Khawla voltou certa vez à Casa do Profeta. Naquele dia, estava adornada como uma noiva recém-casada, e uma fragrância se espalhava de seu corpo. [Siyar A‘lam an-Nubala, 1/157-158; Nisa min Asr an-Nubuwwah, 16]

Hazrat Khawla (r.a.) era uma mulher eloquente. Falava numa linguagem pura e clara. Possuía sentimentos e emoções delicados. Há provas de que também cultivava a poesia. Após o falecimento de seu marido, Uthman (r.a.), compôs uma elegia fúnebre, da qual seguem abaixo alguns versos:(Árabe *****************) [Nisa min Asr an-Nubuwwah, 169; Hayatus Sahabah, 2/611]

“Ó meus olhos! Derramai lágrimas sem cessar

pela grande calamidade de Uthman ibn Maz’un.

Por um homem que passou a noite buscando a satisfação de seu Criador,

boas-novas para aquele morto que foi sepultado.”

Para ele, Baqi‘ tornou-se uma morada, e as árvores ofereceram sombra,

Sua terra iluminou-se depois de jazer como uma terra pedregosa,

A dor encheu o coração de pesar — um pesar cujo fim não chega nem com a morte.

As veias das minhas lágrimas ficarão incapazes de derramar lágrimas por ele.”

No segundo ano da Hégira, depois de ficar viúva, Khawla (r.a.) não se casou novamente. Vivia sempre triste. Sabe-se, pelos relatos dos livros de hadith e da Sira, que várias mulheres, por iniciativa própria, se ofereceram ao Profeta (s.a.w.) em casamento. Aisha (r.a.) disse que Khawla era uma delas. Urwa ibn az-Zubayr (r.a.) disse: “Costumávamos dizer que Khawla havia se oferecido pessoalmente ao Mensageiro de Allah (s.a.w.). Ela era uma mulher virtuosa.” Ibn Abbas (r.a.) disse que ele não aceitou nenhuma das mulheres que se ofereceram ao Mensageiro de Allah (s.a.w.), embora Allah, o Altíssimo, tivesse concedido ao Profeta (s.a.w.) a opção de aceitar uma mulher assim. Essa opção havia sido concedida exclusivamente a ele. Allah diz:(Árabe *****************)(Surata al-Ahzab, 50)

“Se alguma mulher crente se oferecer ao Profeta e o Profeta desejar desposá-la, isso também lhe será lícito.” (Tafsir al-Qurtubi e Tafsir Ibn Kathir — Surata al-Ahzab, versículos 50–51; Al-Bidaya wan-Nihaya, 5/259; Tabaqat, 8/158; al-Bayhaqi, Dala’il an-Nubuwwah, 7/287)

No versículo acima, Allah, o Senhor dos mundos, qualificou esse tipo de mulher como mulher crente. Isso constitui para elas uma grande honra, glória e sucesso. Khawla também foi agraciada com essa honra e glória.

Ela também alcançou a honra de participar do jihad junto com o Mensageiro de Allah (s.a.w.). Esteve presente na expedição a Ta’if. Nessa ocasião, ela pediu ao Mensageiro de Allah (s.a.w.): “Ó Mensageiro de Allah! Se Ta’if for conquistada, conceda-me as joias de Badiya bint Ghaylan ou de Fari‘a bint ‘Aqil.” Deve-se mencionar que as joias dessas duas mulheres eram as mais belas e valiosas entre as mulheres da tribo de Thaqif. O Mensageiro (s.a.w.) disse-lhe: “Ainda não recebi permissão a respeito delas, e não creio que as conquistaremos agora.” Khawla (r.a.) saiu da presença do Mensageiro de Allah (s.a.w.) e contou isso a Umar ibn al-Khattab (r.a.). Umar (r.a.) foi até o Mensageiro de Allah (s.a.w.) e disse: “Ó Mensageiro de Allah! O que significa isto: Khawla disse algo e afirma que você disse isso?” O Mensageiro (s.a.w.) respondeu: “Eu disse isso.” Umar (r.a.) perguntou: “Devo anunciar a partida?” O Mensageiro (s.a.w.) respondeu: “Sim, anuncie.” Umar (r.a.) anunciou a partida. (Ibn Hisham, as-Sira, 2/484; Usud al-Ghaba, 5/444; al-Isaba, 4/291; as-Sira al-Halabiyya, 3/81–82)

Hazrat Khawla (que Allah esteja satisfeito com ela) também preservou alguns hadiths do nobre Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Ao todo, quinze (15) hadiths foram narrados através dela. O Imam Muslim, Tirmidhi, Nasai e Ibn Majah registraram-nos em suas coletâneas. Hazrat Sa’d ibn Abi Waqqas (que Allah esteja satisfeito com ele), Sa’id ibn al-Musayyib, Bishr ibn Sa’id, Urwa (que Allah tenha misericórdia dele) e muitos outros narraram hadiths dela. [Nisa’min Asr an-Nubuwwah, p. 170; Sahabiyyah, p. 251]

Khawla bint Tha’‘laba ((que Allah esteja satisfeito com ela))


O pai de Hazrat Khawla (que Allah esteja satisfeito com ela) chamava-se Tha’laba ibn Asram. Ibn Hajar afirmou que o nome de seu pai era Malik e o de seu avô, Tha’laba. [Al-Isabah, 4/289] Ela era descendente dos Banu Awf, da tribo Khazraj de Medina. Alguns disseram que seu nome era Khuwaila, em vez de Khawla. [Tabaqat, 8/387; Tahdhib at-Tahdhib, 12/414; Usud al-Ghabah, 5/442] Abraçou o Islam na primeira fase da propagação do Islam em Medina. Depois que o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) chegou a Medina, prestou-lhe o bay’ah (juramento de lealdade). Sua família era uma família islâmica. Seus três irmãos, Bahhas, Abdullah e Yazid (que Allah esteja satisfeito com eles), eram todos famosos Companheiros ansaríes. Eles abraçaram o Islam na primeira fase da propagação do Islam em Medina. Seu marido era Aws ibn as-Samit (que Allah esteja satisfeito com ele), irmão de Ubada ibn as-Samit (que Allah esteja satisfeito com ele), líder da tribo Khazraj de Medina. Esse Aws (que Allah esteja satisfeito com ele) participou, ao lado do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), de todas as batalhas, incluindo Badr, Uhud e Khandaq. Era poeta. Faleceu em Ramallah, na Palestina, no ano 32 da Hégira, aos 72 anos de idade. [Tabaqat, 3/547; Tahdhib al-Asma’ wa al-Lughat, 1/129]

Abdullah ibn Abbas (que Allah esteja satisfeito com ele) disse que, na era islâmica, o primeiro caso relacionado ao zihar foi cometido por Aws ibn as-Samit. [Ibn Qutaybah, Al-Ma’arif, p. 255] Sua esposa era Khawla bint Tha’laba (que Allah esteja satisfeito com ela).

Era frequente ocorrer entre os árabes da época da Jahiliyyah que, quando surgia algum desentendimento, discussão ou disputa entre marido e mulher, o marido, tomado pela ira, dissesse:(Árabe **********)— O significado literal desta frase é: “Para mim, tu és como as costas de minha mãe.” O significado evidente de tal declaração é que ele já não considera sua esposa como esposa, mas a inclui entre as mulheres que lhe são mahram. Dizer algo desse tipo é denominado zihar na terminologia do fiqhÁrabe******) . Em árabe, aÁrabe****) palavra(Árabe******) deriva de . Seu significado corrente é montaria, aquilo sobre o qual se monta. Em árabe, um animal de montaria é chamado zahr, pois se monta sobre seu dorso. Com o propósito de tornar a própria esposa ilícita para si, os árabes da época da Jahiliyyah diziam: “Tornar-te uma zahr — uma montaria — é tão ilícito para mim quanto tornar minha própria mãe uma montaria.” Por isso, pronunciar tais frases ou declarações era chamado zihar em sua terminologia. Na época da Jahiliyyah, entre os árabes, proferir esse tipo de frase era considerado equivalente a anunciar a ruptura do vínculo de modo tão forte quanto o divórcio — ou até mais forte. Isso porque, para eles, significava que o marido não apenas rompia o vínculo matrimonial com a esposa, mas também a tornava ilícita para si, tal como sua mãe. Assim, na sociedade árabe, mesmo depois do divórcio havia uma maneira de o marido aceitar novamente a esposa, mas, depois de praticar o zihar, nenhum caminho permanecia aberto. [Tafhim al-Qur’an, Tafsir, Surata al-Mujadalah, 16/183]

Os muhaddithun forneceram, através de diversos narradores, relatos detalhados sobre o caso de zihar de Hazrat Aws. O resumo e o ponto central desses relatos são que, ao chegar à velhice, Aws (que Allah esteja satisfeito com ele) tornou-se um tanto irritadiço. Alguns relatos dizem que ele passou a apresentar um estado de loucura. Para expressar isso, os narradores de hadith utilizaram a seguinte expressão:(Árabe************). Em árabe, esta(Árabe******) palavra não significa exatamente loucura, mas indica um estado semelhante ao que queremos expressar quando dizemos: “Fulano enlouqueceu de raiva.” Por causa desse estado de temperamento e disposição, ele já havia praticado zihar contra sua esposa em várias ocasiões anteriores. Contudo, depois de abraçar o Islam, esse fato voltou a ocorrer por causa de uma discussão com sua esposa.

Depois disso, sua esposa, Khawla (que Allah esteja satisfeito com ela), foi até o nobre Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) e, após relatar todo o ocorrido, suplicou: “Ó Mensageiro de Allah! Nestas circunstâncias, existe alguma maneira de proteger minha vida e a de meus filhos de uma terrível calamidade?”

Os diversos narradores relataram em diferentes termos o que o nobre Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) respondeu. Segundo alguns relatos, sua resposta foi: “Até agora, não recebi nenhuma ordem sobre este assunto.” Outro relato traz: “Parece-me que te tornaste ilícita para teu marido.” E, segundo outro, ele disse: “Tu te tornaste ilícita para ele.” Ao ouvir tal resposta, Hazrat Khawla começou a chorar, lamentar-se e implorar intensamente.

Continuou dizendo repetidamente ao Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele): “Ele nem sequer pronunciou a palavra ‘talaq’. Diga-me algum meio pelo qual eu possa proteger meus filhos e a vida de meu marido de uma situação extremamente difícil.” Mas, todas as vezes, o Nobre Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) continuava dando-lhe a mesma resposta, nesse sentido. Por fim, Khawla (que Allah esteja satisfeito com ela) levantou as mãos e começou a suplicar: “Ó Allah! Eu Te exponho a minha grande aflição e a intensa dor da separação de meu marido. Ó Allah! Faze surgir, pela boca de Teu Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), alguma palavra que seja benéfica para nós.” Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela) disse: “Então se criou uma cena tal que eu e todos os presentes choramos diante da súplica comovente e dos lamentos de Khawla.

Nesse momento, manifestou-se sobre o Nobre Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) o estado da revelação da wahy. Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela), alegre, disse a Khawla (que Allah esteja satisfeito com ela): “Khawla, muito em breve será proferida por parte de Allah uma decisão sobre o seu caso.” Aquele foi um momento extremamente difícil para ela. Ela ficou muito inquieta, oscilando entre a esperança e o desespero. Surgiu o temor de que fosse ordenada a separação e de que ela morresse de tristeza. Contudo, ao olhar para o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) e ver seu rosto sorridente, recuperou a esperança. De tanta alegria, levantou-se. Então o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: “Khuwayla! Allah revelou uma wahy a respeito de você e de seu companheiro.” Em seguida, recitou:(Árabe ********************)[Surata Al-Mujadalah, 1–4]

“Allah ouviu as palavras da mulher que discutia contigo a respeito de seu marido e apresentava sua queixa diante de Allah. Allah ouve o diálogo de ambos. Certamente, Allah ouve tudo e vê tudo. Aqueles dentre vós que declaram suas esposas como suas mães, elas não são suas mães. Suas mães são somente aquelas que os deram à luz. Na verdade, eles proferem palavras indecorosas e sem fundamento. Certamente, Allah é Perdoador e Misericordioso. Quanto àqueles que declaram suas esposas como suas mães e depois retiram o que disseram, a expiação consiste em libertar um escravo antes que ambos se toquem. Isso é uma exortação para vós. Allah está ciente do que fazeis. Quem não tiver capacidade para isso deverá jejuar dois meses consecutivos antes que ambos se toquem. E quem não puder fazê-lo deverá alimentar sessenta necessitados. Isso é para que creiais em Allah e em Seu Mensageiro. Esses são os limites estabelecidos por Allah. E para os incrédulos haverá um castigo doloroso.”

Após a revelação dos versículos acima, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse a Khawla: “Diga a seu marido que liberte um escravo.” Khawla disse: “Ó Mensageiro de Allah! Ele não tem condições de libertar um escravo.” O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: “Então deverá jejuar dois meses consecutivos.” Khawla disse: “Ele é velho; de onde terá forças para jejuar? Se não comer e beber duas ou três vezes durante o dia, sua visão começa a enfraquecer.” O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: “Então deverá alimentar sessenta necessitados.”

Khawla disse: “Ele não possui os recursos financeiros necessários para isso. Contudo, isso poderia ser feito se o senhor o ajudasse.” Então o Nobre Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) doou a quantidade de alimentos necessária para alimentar sessenta necessitados duas vezes ao dia. Em algumas narrações, afirma-se que Khawla (que Allah esteja satisfeito com ela) entregou ao marido, de seus próprios bens, exatamente a mesma quantidade que o Nobre Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) havia dado, para que ele cumprisse sua expiação.[Al-Isabah, 4/290]

A esposa, Khawla, havia ido ao Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) para saber a decisão sobre o zihār. Enquanto isso, o marido, Aws (que Allah esteja satisfeito com ele), permanecia inquieto junto à porta de casa, esperando seu retorno. Seu peito tremia de ansiedade e dúvida, sem saber que decisão ela traria. Certo momento, ao ver Khawla ao longe, ele gritou, inquieto, perguntando: “Khawla, o que aconteceu?”

Khawla disse: “Está tudo bem. Você é afortunado.” Em seguida, informou-lhe a decisão do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) e ele cumpriu aquela expiação.[Tabaqat, 8/379–380; Shajarat adh-Dhahab, 1/138–139; Ansab al-Ashraf, 1/251; Tafhim al-Qur’an, 16/185–186]

Allah, o Altíssimo, honrou Khawla (que Allah esteja satisfeito com ela) e, em resposta à sua súplica, revelou os versículos acima da Surata Al-Mujadalah. Neles, Ele não apenas explicou a norma do zihār e estabeleceu meios para remover sua aflição e sofrimento, mas, para consolá-la, declarou logo no início: “Eu ouvi as palavras da mulher que discutia contigo a respeito de seu marido.” Aisha, a verídica (que Allah esteja satisfeito com ela), disse: “Santo é Aquele que ouve todas as vozes e a súplica de cada pessoa. Eu estava presente quando Khawla, filha de Tha’laba, queixava-se de seu marido ao Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Apesar de estar tão perto, não consegui ouvir algumas de suas palavras. No entanto, Allah, o Altíssimo, ouviu tudo.”[Tafsir Al-Qurtubi e Tafsir Ibn Kathir, comentário da Surata Al-Mujadalah, versículos 1–4] Após a revelação dos versículos, o nome de Khawla (que Allah esteja satisfeito com ela) passou a ser “Al-Mujadilah” (a mulher que discutiu).

Khawla era uma das mulheres mais eloquentes entre os Ansar. Era hábil em expressar, de maneira magnífica e com linguagem adornada, palavras decisivas. A título de exemplo, podem ser apresentadas aqui algumas das palavras e da forma como ela apresentou sua queixa contra o marido diante do Mensageiro de Allah (s.a.w.). Ela disse: (Árabe*************************) [Nisa min Athar an-Nubuwwah-405; Hayatus-Sahabah-3/31]

“Ó Mensageiro de Allah! Ele consumiu meus bens e desfrutou da minha juventude até esgotá-la. Eu estendi meu ventre para ele. Agora, quando envelheci e deixei de ter filhos, ele praticou zihār contra mim.”

É uma narrativa breve, mas possui uma forma artística e capacidade de atrair a atenção. O fato de seu clamor ter sido ouvido e aceito por Allah, e de uma decisão favorável ter sido prontamente emitida por Allah, fez com que ela recebesse especial honra e dignidade na sociedade dos Companheiros. Um hadith narrado por Ibn Abi Hatim e al-Bayhaqi relata que, certa vez, Umar (r.a.) caminhava com alguns companheiros. No caminho, uma mulher bloqueou sua passagem e ficou diante dele. Umar (r.a.) permaneceu parado, baixou a cabeça e ouviu seu discurso por longo tempo. Continuou de pé até que ela terminasse de falar. Um dos companheiros exclamou: “Por causa desta velha, você mantém aqui de pé os líderes da tribo dos coraixitas.” Umar (r.a.) disse: “Vocês sabem quem é esta mulher? Ela é Khawla bint Tha’laba. É uma mulher cuja queixa foi ouvida acima do sétimo céu. Juro por Allah! Se ela me mantivesse de pé até a noite, eu permaneceria de pé. Eu só pediria licença para me afastar dela quando chegasse o momento da oração.” [Tafhimul Qur’an-16/182]

Ibn Abd al-Barr citou, em sua obra “Al-Isti’ab”, uma narração de Qatadah (r.h.). Quando essa mulher, Khawla, encontrou Umar (r.a.) no caminho, ela o cumprimentou. Depois que a mulher respondeu ao cumprimento, começou a dizer: “Oh, Umar! Houve um tempo em que eu o vi no mercado de Ukaz. Naquela época, todos o chamavam de Umayr; você pastoreava cabras com um cajado na mão. Depois de algum tempo, as pessoas começaram a chamá-lo de Umar. Mais algum tempo se passou, e você passou a ser chamado de Amir al-Mu’minin. Digo-lhe uma coisa: tema um pouco a Allah no que diz respeito ao povo. Lembre-se: para aquele que teme a maldição de Allah, até uma pessoa distante se torna como um parente próximo. E, quanto àquele que teme a morte, teme-se que aquilo que ele deseja proteger seja justamente o que acabará perdendo.”

Ao ouvir isso, Jarud al-Abdi, companheiro de Umar (r.a.), disse: “Ó mulher! Você está falando com muita insolência ao Amir al-Mu’minin.”

Umar (r.a.) disse: “Deixe-a falar. Você sabe quem ela é? Suas palavras foram ouvidas até acima do sétimo céu; portanto, Umar (r.a.) certamente deve ouvi-las.” [Izalatul-Khafa-1/51; Al-Isti’ab-4/283; Al-Isabah-4/283; Kanz al-Ummal-1/385; Hayatus-Sahabah-2/436]

Esta é Khawla bint Tha’laba (r.a.), uma mulher ansarita crente, a respeito de quem foram revelados versículos do Alcorão. Por intermédio dela, foi estabelecida uma importante norma da Sharia islâmica, e a honra e a dignidade das mulheres muçulmanas foram elevadas.

Não se conhece o ano e a data exatos de sua morte. Contudo, diversos acontecimentos indicam que ela viveu durante a maior parte do período do Califado Ortodoxo e faleceu nesse mesmo período.

Hauá bint Iázid (que Allah esteja satisfeito com ela)


O nome do pai de Hauá era Iázid ibn Sinan. Ela era uma mulher da tribo de Abdul Ashhal, em Medina. Foi esposa de Qays ibn Khutaym, de Medina. O eminente companheiro ansari Sa‘d ibn Mu‘adh, de Medina, era irmão legítimo de sua mãe, Aqrab bint Mu‘adh. Portanto, o famoso companheiro Sa‘d era seu tio materno. O eminente companheiro badri Rafi‘ ibn Iázid era seu irmão consanguíneo. Hauá aceitou o Islã no início da pregação islâmica em Medina, antes da Hégira do Mensageiro de Allah para Medina. Ela era uma das mulheres que o Mensageiro considerava com honra e respeito. É provável que Hauá tenha aceitado o Islã no período entre o primeiro e o segundo juramento de al-‘Aqaba. [Al-Isaba, 4/277; Nisa min Asr an-Nubuwwah, 91]

Hauá foi uma das primeiras mulheres de Medina a se apresentar diante do Mensageiro de Allah e prestar-lhe o juramento de fidelidade. Uma mulher da tribo de Abdul Ashhal, Ummu Amir, relatou: “Certa vez, eu, Layla bint al-Hutaym e Hauá bint Iázid fomos até o Mensageiro de Allah, entre o Maghrib e o ‘Isha, cobrindo todo o corpo com nossos mantos. Nós o saudamos, e ele perguntou quem éramos. Nós nos identificamos. Ele nos deu as boas-vindas e perguntou: ‘Por que vocês vieram?’

Nós respondemos: ‘Ó Mensageiro de Allah! Viemos prestar-lhe o juramento de fidelidade ao Islã. Depositamos nossa fé em você e testemunhamos que é verdadeira a mensagem que você trouxe.’

O Mensageiro disse: ‘Todo louvor pertence a Allah, que guiou vocês ao Islã. Aceito o juramento de fidelidade de vocês.’ Ummu Amir relatou: “Então me aproximei um pouco do Mensageiro de Allah. Ele disse: ‘Não aperto a mão das mulheres. O que digo a mil mulheres é a mesma coisa que digo a uma única mulher.’

Ummu Amir disse: ‘Nós fomos as primeiras a prestar o juramento de fidelidade ao Mensageiro de Allah.’ [Tabaqat, 8/12; Al-Isaba, 4/276]

Hauá foi uma das mulheres que sofreram injustiça e perseguição por causa do Islã. Seu marido, Qays ibn Khutaym, era um famoso poeta da tribo de Aws, em Medina. Embora permanecesse firme no paganismo, sua esposa aceitou o Islã sem que ele soubesse. Ao descobrir isso, começou a persegui-la para impedi-la de seguir o Islã. Zombava dela e, quando ela se prostrava durante a oração, derrubava-a no chão. [Al-Isaba, 4/276] Hauá suportava em silêncio todas as agressões. Naquele tempo, o Mensageiro estava em Meca. Por meio dos muçulmanos que iam de Medina a Meca, ele se informava sobre a situação em Medina. Foi por eles que tomou conhecimento da perseguição sofrida por Hauá. Certa vez, pouco antes de sua morte, Qays foi à feira de “Dhu al-Majaz”, em Meca. Ao receber a notícia, o Mensageiro foi até o local onde ele estava. Ao vê-lo, Qays demonstrou satisfação e tratou-o com grande respeito e consideração. O Mensageiro o convidou a aceitar o Islã. Qays pediu tempo, dizendo que voltaria a Medina e refletiria um pouco mais. O Mensageiro concordou. Em seguida, mudou de assunto e disse: ‘Sua esposa, Hauá bint Iázid, aceitou o Islã. Você a tem maltratado de várias maneiras. Quero que não a maltrate mais de forma alguma. Tema a Allah e lembre-se das minhas palavras a respeito dela.’ [Tabaqat, 3/324; 8/23; A‘lam an-Nisa, 1/304]

Qays disse: ‘Ó Abu al-Qasim! Por respeito a você, não a maltratarei mais.’ Depois de dar sua palavra ao Mensageiro, voltou a Medina e disse à esposa: ‘Aquele seu amigo esteve comigo e pediu-me que não lhe causasse nenhum sofrimento. Portanto, de agora em diante, não lhe direi mais nada. Você pode praticar sua religião livremente.’ [Ibn Sallam, Tabaqat ash-Shu‘ara, 192–193]

Em outro relato, ele disse à esposa: “Pratica a tua religião como quiseres. Não voltarei a impedir-te de maneira alguma.” Por Deus! Nunca vi uma pessoa de rosto e aparência mais belos do que ele. [Al-Bayhaqi, Dala’il an-Nubuwwah-2/456; A’lam an-Nisa-1/304]

Depois disso, Hawa (r.a.) revelou ao marido tudo o que havia mantido em segredo sobre o Islã. Ela continuou a praticar o Islã abertamente. Qays não mais a impediu de modo algum. Quando os vizinhos e amigos lhe diziam: “Tu permaneces firme na religião pagã, mas tua esposa tornou-se seguidora de Muhammad (s.a.w.)”, ele respondia: “Prometi a Muhammad que não lhe causaria mais nenhum sofrimento, e cumprirei a promessa que lhe fiz.” Quando a notícia do cumprimento desse compromisso por Qays e de ele não maltratar a esposa chegou ao Mensageiro de Allah (s.a.w.), ele comentou:(Árabe*********)isto é, o homem de sobrancelhas de cores diferentes manteve a sua palavra. [Usud al-Ghabah-5/431; Nisa min Asr an-Nubuwwah-94]

Assim, Hawa continuou a viver sua vida islâmica sem impedimentos. Nesse meio-tempo, o Mensageiro (s.a.w.) migrou para Medina. Ainda no primeiro período, Hawa compareceu ao Mensageiro de Allah (s.a.w.) juntamente com algumas outras mulheres ansar e prestou-lhe o juramento de fidelidade.

Qays não aceitou o Islã. Contudo, seus dois filhos, Yazid e Thabit, nascidos de Hawa (r.a.), aceitaram ambos o Islã e alcançaram a honra de se tornarem Companheiros do Mensageiro de Allah (s.a.w.). Yazid participou da batalha de Uhud junto ao Mensageiro de Allah (s.a.w.) e foi ferido em doze partes do corpo. Naquele dia, lutou ferozmente diante do Mensageiro de Allah, empunhando a espada. Então o Mensageiro (s.a.w.) dirigia-se a ele, chamando-o de “Jasir”, e dava-lhe ordens desta maneira:(Árabe ************)— Ó Jasir! Avança. Jasir! Recua.

Esse Yazid alcançou o martírio na batalha de Jasar, conduzida sob a liderança de Abu Ubaydah (r.a.). [Referência anterior] Quanto a Thabit, Ibn Abd al-Barr afirmou na obra Al-Isti’ab que ele foi mencionado entre os Companheiros. Faleceu durante o califado de Mu’awiyah (r.a.). [Nisa min Asr an-Nubuwwah-92]

É importante mencionar que as duas irmãs de Qays ibn Khutaym — Layla e Lubna — aceitaram o Islã e prestaram o juramento de fidelidade ao Mensageiro de Allah (s.a.w.). Não há informações sobre a fase final da vida de Hawa. A história silencia sobre quando, onde e como ela morreu. Contudo, todas as fontes históricas afirmam que ela conseguiu tornar-se uma boa muçulmana. [Al-Isabah-4/276]

Shifa bint Abdillah ((r.a.))


A venerável Shifa (r.a.) era filha de um ramo Adi da tribo coraixita de Meca. Seu kunya era Umm Sulayman. Seu pai era Abdillah ibn Abdi Shams, e sua mãe era Fatimah bint Abi Wahab, descendente do ramo Amr ibn Makhzum da mesma tribo. [Usud al-Ghabah-5/486; Al-Isabah fi Tamyiz as-Sahabah-4/333] Shifa casou-se com Abu Huthmah ibn Hudhayfah al-Adawi. [Tabaqat-8/268; Al-Isti’ab-4/332] Alguns afirmaram que seu nome original era Layla e que, posteriormente, ela se tornou conhecida pelo título que lhe foi atribuído, ash-Shifa. [Nisa min Asr an-Nubuwwah, nota n.º 1, p. 159]

Abraçou o Islã ainda em Meca, antes da Hégira, e foi uma das mulheres que migraram de Meca para Medina na primeira leva. [Al-Iṣābah, 4/333] Foi uma das mulheres companheiras que prestaram o juramento de lealdade ao Mensageiro de Allah. [Nisā min Athar an-Nubuwwah, p. 159] Ela nutria profunda devoção e amor pelo nobre Mensageiro de Allah. O Mensageiro dava grande importância a essa sua devoção e amor. De vez em quando, visitava a casa de Shifā e ali descansava. Shifā reservou especialmente em sua casa uma cama e um conjunto de roupas para o Mensageiro. Ele costumava usá-los. Após o falecimento de Shifā, seus filhos continuaram a conservar esses objetos com extremo cuidado. Porém, o califa omíada Marwān ibn al-Ḥakam (falecido em 65 H.) tomou-os à força deles. Assim, esses objetos saíram da posse da família de Shifā. [Tahdhīb al-Asmā wa al-Lughāt, 2/87; Al-Istīʿāb, 4/358]

O nobre ʿUmar tinha Shifā em alta consideração. Dava grande importância à sua opinião e nutria por ela especial respeito. Confiou-lhe algumas responsabilidades de supervisão e administração do mercado. [Jamharat al-Ansāb al-ʿArab, 1/150; Al-Iṣābah, 4/333]

O nobre Mensageiro de Allah presenteou-a com uma casa. Ela morava nessa casa com seu filho Sulaymān. [Nisā min Athar an-Nubuwwah, p. 161]

Certa vez, o califa ʿUmar mandou chamá-la e presenteou-a com um manto. Naquele mesmo momento, também presenteou ʿĀtikah bint Usayd, que estava presente, com um manto relativamente melhor. Em tom de censura, Shifā disse ao califa: “Que suas mãos se cubram de poeira! Você deu a ela um manto melhor que o meu, embora eu tenha abraçado o Islã antes dela e seja sua prima paterna. Além disso, eu vim porque você me mandou chamar, enquanto ela veio por iniciativa própria.” ʿUmar respondeu: “Eu teria dado a você o manto melhor, mas, como ela chegou, tive de dar-lhe preferência, pois, em termos de linhagem, ela é mais próxima do Mensageiro de Allah.” [Al-Istīʿāb, 4/358; Usud al-Ghābah, 5/497; Ṣaḥābiyyāt, p. 240]

Shifā também era uma grande admiradora de ʿUmar. Sempre que encontrava tempo e oportunidade, apresentava às pessoas o exemplo de ʿUmar. Certa vez, ao ver alguns jovens passarem diante dela caminhando muito lentamente e falando em voz baixa, perguntou: “Por que eles estão assim?” As pessoas responderam: “São devotos, pessoas ocupadas com a adoração de Allah.” Shifā disse em tom um tanto irritado:(Árabe***********) [Tārīkh at-Ṭabarī, 2/571; Ṭabaqāt, 3/290]

“Por Allah! Quando ʿUmar falava, falava em voz alta; quando caminhava, caminhava rapidamente; e, quando batia em alguém, causava muita dor. Por Allah! Ele era o verdadeiro devoto.”

ʿUmar visitava às vezes a casa de Shifā para encontrá-la e saber como ela estava. Perguntava pelo bem-estar de seu marido e de seus filhos e dava-lhes conselhos e orientações sobre diversos assuntos. Shifā relatou: “Certo dia, ʿUmar foi à minha casa e viu dois homens dormindo. Esses dois homens eram seu marido e seu filho Sulaymān. ʿUmar perguntou: ‘O que está acontecendo com eles? Eles não fizeram a oração em congregação conosco pela manhã?’ Respondi: ‘Ó Comandante dos Crentes! Eles fizeram a oração em congregação. Passaram a noite inteira em oração, depois fizeram a oração do fajr em congregação pela manhã e foram dormir.’ Naquela época era o mês do Ramadã. ʿUmar disse: ‘Para mim, é mais querido fazer a oração do fajr em congregação do que passar a noite inteira em oração e deixar de participar da congregação do fajr.’ [Kanz al-ʿUmmāl, 4/243; Ḥayāt aṣ-Ṣaḥābah, 3/123]

Ela sabia realizar algumas práticas de cura por recitação e também sabia escrever. Na época da ignorância, essas duas habilidades eram vistas com grande respeito. Certa vez, foi até o Mensageiro de Allah e disse humildemente: “Na época da ignorância, eu sabia realizar algumas práticas de cura por recitação. Se o senhor me der permissão, posso recitá-las.” O Mensageiro deu permissão e ouviu a recitação. Então disse: “Você pode continuar realizando a cura com essa recitação. Ensine-a também a Hafṣah, a Mãe dos Crentes.”

Em outra narração, o Mensageiro (s.a.) disse-lhe:(Árabe**************)

“Ensina a Hafsa o encantamento para a namla, assim como lhe ensinaste a escrever.” Por meio dessa narração, sabe-se que ela ensinou a Hazrat Hafsa (r.a.) a escrever. [Al-Isaba 4/333] Cabe mencionar que, segundo os médicos da era moderna, “namla” é uma doença de pele semelhante ao eczema. [A’lam an-Nisa 2/201] Com a permissão do Mensageiro de Allah (s.a.), ela ensinava esse encantamento às mulheres. [Nisa min Asr an-Nubuwwah, p. 160]

Hazrat Shifa (r.a.) narrou diretamente alguns hadiths do Mensageiro de Allah (s.a.) e de Umar (r.a.). Entre aqueles que narraram dela, destacam-se seu filho Sulayman; seus netos Abu Salama, Abu Bakr e Uthman; Abu Ishaq; e a Mãe dos Crentes, Hazrat Hafsa (r.a.). [Tahdhib at-Tahdhib 12/428; Al-Isti’ab 4/333] O número de hadiths narrados por ela é 12 (doze). [Al-Isaba 4/333]

Sabe-se que ela teve dois filhos: um filho, Sulayman, e uma filha, que era esposa de Shurahbil ibn Hasana (r.a.). Sulayman era um homem sábio, devoto e virtuoso. Ele ocupava uma posição especialmente elevada entre os sábios muçulmanos. [Tabaqat 8/268]

Não se conhece o ano da morte de Hazrat Shifa (r.a.). Contudo, muitos mencionaram algum momento próximo ao ano 20 da Hégira, durante o califado de Hazrat Umar (r.a.). [A’lam an-Nisa 2/163]

Um dos hadiths notáveis narrados por Hazrat Shifa é:(Árabe************) [Usud al-Ghaba 5/487; Al-Isaba 4/333]

“Perguntou-se ao Mensageiro de Allah (s.a.) sobre a melhor das ações. Ele respondeu: fé em Allah, jihad no caminho de Allah e um hajj mabrur, isto é, um hajj aceito por Allah.”

At-Tabarani e Al-Bayhaqi narraram um hadith extraordinário de Hazrat Shifa (r.a.). Shifa (r.a.) disse: Certo dia, fui até o Mensageiro de Allah (s.a.) e pedi alguma caridade. Ele continuou alegando incapacidade, enquanto eu continuava insistindo. Nesse meio-tempo, chegou a hora da oração. Saí e fui à casa de minha filha. O marido de minha filha era Shurahbil ibn Hasana. Ao ver Shurahbil em casa naquele momento, eu lhe disse: A oração está prestes a começar, e você está em casa agora? Comecei a repreendê-lo. Ele disse: Tia, não me repreenda. Tenho apenas uma roupa, e o Mensageiro (s.a.) até a tomou emprestada. Eu disse: Aquele a quem estou repreendendo encontra-se nessa situação, e eu nada sabia disso. Shurahbil disse: Tenho apenas uma roupa remendada. [Kanz al-Ummal 4/41; Hayat as-Sahaba 1/326]

Hamna bint Jahsh ((r.a.))


Hazrat Hamna (r.a.) era uma parente próxima do nobre Mensageiro de Allah (s.a.w.). Era filha de sua respeitável tia paterna Umayma bint Abd al-Muttalib. Por um lado, era prima paterna do Mensageiro de Allah (s.a.w.); por outro, era também sua cunhada. Era irmã consanguínea da Mãe dos Crentes, Hazrat Zaynab bint Jahsh. [Ansab al-Ashraf-1/231; Nisa’un Mubashsharat bil Jannah-1/243] O renomado Companheiro Mus‘ab ibn Umayr (r.a.), o primeiro emissário e da‘i (propagador do Islã) enviado pelo Mensageiro de Allah (s.a.w.) a Medina, foi seu primeiro marido. [Jamh arat al-Ansab al-Arab-1/191; Tabaqat-8/241; al-Isti‘ab-4/262]

O marido de Hazrat Hamna (r.a.), Mus‘ab ibn Umayr (r.a.), era um jovem belo, oriundo de uma família rica de Meca. Sua mãe, Khunays bint Malik, possuía grande riqueza. Desde a infância, ele cresceu em meio à abundância. Sua mãe sempre o vestia com roupas caras. Em Meca, ninguém usava perfumes mais caros que os dele. Calçava sapatos de Hadramaut. Mais tarde, ao recordar-se de Mus‘ab, o Mensageiro (s.a.w.) dizia:(Árabe*************)

“Em Meca, não vi ninguém com cachos mais belos que os de Mus‘ab, com mantos mais macios, nem mais luxuoso do que ele.”

Quando esse jovem ouviu que o Mensageiro (s.a.w.) estava na casa de al-Arqam ibn Abi al-Arqam, convocando secretamente as pessoas ao Islã, foi até lá certo dia e aceitou o Islã. A partir de então, tornou-se aluno da Madrasa Profética. Sob a supervisão direta do Profeta (s.a.w.), recebeu educação e treinamento. Em muito pouco tempo, conquistou tamanha confiança de seu mestre que este o enviou a Medina como emissário e da‘i. Assim, tornou-se o primeiro emissário e da‘i da história do Islã. [Nisa’ min Asr an-Nubuwwah, p. 50]

Entre as mulheres que, no período inicial do Islã em Meca, aceitaram o Islã e tiveram a honra de desfrutar da companhia do Mensageiro de Allah (s.a.w.), estava Hamna. Toda a família de Hamna era muçulmana. Quando a perseguição dos coraixitas contra eles em Meca atingiu proporções extremas, todos, homens e mulheres, emigraram para Medina. Entre os homens que emigraram estavam: Abdullah ibn Jahsh, seu irmão Abu Ahmad, Ukasha ibn Mihsan, Shuja‘, Uqba, os dois filhos de Wahab e Arbad; e entre as mulheres estavam: Zaynab bint Jahsh, Umm Habiba bint Jahsh, Juzama bint Jandal, Umm Qays bint Mihsan, Umm Habib bint Thumama, Umayya bint Ruqays, Sakhbar bint Tamim e Hamna bint Jahsh (r.a.). [Sirat Ibn Hisham-1/472; Durrus Sahaba-556]

Depois de chegar a Medina, Hazrat Hamna (r.a.), juntamente com outras mulheres crentes, dedicou-se a alcançar a satisfação de Allah e de Seu Mensageiro (s.a.w.). Tornou-se ainda mais instruída por meio da aquisição de conhecimento islâmico junto do Profeta (s.a.w.) e de seu marido. Elevou ainda mais seu padrão moral. Como resultado, elas conquistaram uma posição honrosa na sociedade de Medina. Foi ali que nasceu sua filha, Zaynab bint Mus‘ab. [Tabaqat-3/116; Ansab al-Ashraf-1/437]

Quando, durante a vida medinense do nobre Mensageiro (s.a.w.), começaram as guerras, disputas e conflitos com os adversários, o papel de Hamna (r.a.) foi extremamente louvável e exemplar. Na batalha de Uhud, Hamna (r.a.) juntou-se aos mujahideen com algumas outras mulheres muçulmanas. Naquele dia, elas desempenharam um papel importante. Hazrat Ka‘b ibn Malik (r.a.), um soldado e testemunha ocular daquela batalha, disse: “No dia da batalha de Uhud, vi Umm Sulaym bint Milhan e a Mãe dos Crentes, Aisha (r.a.), carregando, cada uma, um odre de água pendurado às costas. Vi Hamna bint Jahsh dando água aos sedentos e cuidando dos feridos. E vi Umm Ayman dando água aos feridos.” [Al-Waqidi, al-Maghazi-1/249, 250; Durrus Sahaba-556]

Na batalha de Uhud, setenta mujahidin muçulmanos, entre eles Mus‘ab ibn Umair (que Deus esteja satisfeito com ele), foram martirizados. Após a batalha, Hamna (que Deus esteja satisfeito com ela) foi até o Mensageiro de Deus (que a paz e as bênçãos de Deus estejam sobre ele). O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Deus estejam sobre ele) disse-lhe: “Hamna, conte.” Hamna perguntou: “Quem?” O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Deus estejam sobre ele) respondeu: “Seu tio materno Hamza.” Hamza:(Árabe**********)Que Deus o perdoe, derrame sobre ele Sua misericórdia e graça e lhe conceda o Paraíso!

O Profeta (que a paz e as bênçãos de Deus estejam sobre ele) disse novamente: “Conte outra pessoa.”

Hamna perguntou: “Quem?”

O Profeta (que a paz e as bênçãos de Deus estejam sobre ele) respondeu: “Seu marido, Mus‘ab ibn Umair.”

Hamna soltou um grito alto e exclamou: “Ai, minha desgraça!”

Vendo seu estado, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Deus estejam sobre ele) comentou: “No coração de uma mulher, o marido ocupa uma posição que ninguém mais ocupa.” Ele fez esse comentário ao perceber que Hamna permanecera firme diante da morte de seu tio materno e de seu irmão, mas desmoronara ao ouvir sobre a morte do marido.

O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Deus estejam sobre ele) perguntou a Hamna: “Por que você reagiu assim ao ouvir sobre a morte de seu marido?” Hamna respondeu: “Pensei em seus filhos ficando órfãos e, assustada, perdi o controle.” [Sira de Ibn Hisham-2/98; Ansab al-Ashraf-1/438]

O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Deus estejam sobre ele) fez uma súplica por Hamna, pedindo que Deus lhe concedesse, para seus filhos, alguém melhor no lugar de Mus‘ab. Depois, Hamna (que Deus esteja satisfeito com ela) casou-se com o renomado Companheiro Talha ibn Ubaidullah (que Deus esteja satisfeito com ele). Vale mencionar que Talha era um dos dez que receberam, ainda em vida, a boa-nova do Paraíso. Com Talha, Hamna teve um filho chamado Muhammad ibn Talha. Ele era extremamente carinhoso com os filhos de Hamna. [Al-Isaba-2/221; Ansab al-Ashraf-1/88; Sunan Abi Dawud, hadith nº 1590]

Hamnā (que Allah esteja satisfeito com ela) continuou participando das batalhas posteriores à de Uhud. Ela também acompanhou o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) a Khaybar e, após a vitória, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) destinou-lhe trinta wasaqs da produção agrícola obtida ali. [at-Tabaqāt-8/241; Sīrat Ibn Hishām-2/352]

Após o nascimento de Muhammad ibn Talhah, filho de Humnā (que Allah esteja satisfeito com ela), ela o levou no colo até o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) e pediu: “Ó Mensageiro de Allah! Dê-lhe um nome.” O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) passou a mão sobre a cabeça dele e deu-lhe o nome de Muhammad e o kunya de Abū al-Qāsim. Rāshid ibn Hafs az-Zuhrī disse: “Encontrei apenas quatro filhos dos Companheiros, cada um dos quais se chamava Muhammad e tinha o kunya Abū al-Qāsim. Eles eram: 1. Muhammad ibn Abī Bakr (que Allah esteja satisfeito com ele), 2. Muhammad ibn Alī ibn Abī Tālib (que Allah esteja satisfeito com ele), 3. Muhammad ibn Sa‘d ibn Abī Waqqās (que Allah esteja satisfeito com ele), 4. Muhammad ibn Talhah (que Allah esteja satisfeito com ele).” [al-Isābah-3/357]

Esse Muhammad ibn Talhah, filho de Humnā (que Allah esteja satisfeito com ela), tornou-se mais tarde um adorador devoto, desapegado do mundo e fiel à verdade. Devido às suas frequentes prostrações, recebeu o título de “as-Sajjād”. No mês de Jumādā al-Awwal do ano 36 da Hégira, foi martirizado juntamente com seu pai, Talhah, na Batalha do Camelo. Humnā (que Allah esteja satisfeito com ela) teve ainda outro filho com Talhah (que Allah esteja satisfeito com ele), chamado ‘Imrān ibn Talhah (que Allah esteja satisfeito com ele). [at-Tabaqāt-5/166; Jamharat Ansāb al-‘Arab-1/138; Ansāb al-Ashrāf-1/437]

Humnā (que Allah esteja satisfeito com ela) possuía grande virtude e elevada posição. Ela narrou hadiths do nobre Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), e seu filho ‘Imrān ibn Talhah narrou dela. Ela era irmã da Mãe dos Crentes, Zaynab (que Allah esteja satisfeito com ela). Foi narrado que, quando a vida de Zaynab (que Allah esteja satisfeito com ela) se aproximava do fim, ela disse à sua irmã Humnā (que Allah esteja satisfeito com ela): “Já preparei minha mortalha. Após a minha morte, o califa ‘Umar (que Allah esteja satisfeito com ele) poderá enviar uma mortalha para mim. Se ele a enviar, dá-a como caridade.” Zaynab (que Allah esteja satisfeito com ela) faleceu, e ‘Umar (que Allah esteja satisfeito com ele) enviou cinco peças de tecido. Ela foi amortalhada com esse tecido, enquanto Humnā deu como caridade o tecido que Zaynab havia preparado. [Ansāb al-Ashrāf-1/435; al-Isābah-4/308] Esse acontecimento indica que Humnā (que Allah esteja satisfeito com ela) ainda estava viva depois do ano 20 da Hégira, pois a Mãe dos Crentes, Zaynab (que Allah esteja satisfeito com ela), faleceu no ano 20 da Hégira. [Nisā’ min ‘Asr an-Nubuwwah-54] Ela partiu para a Outra Vida após viver uma vida louvável, dedicada à adoração e à devoção, em obediência a Allah e ao Seu Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele).

Os que estiveram envolvidos de várias maneiras no episódio da acusação caluniosa contra o caráter imaculado da Mãe dos Crentes, ‘Ā’ishah (que Allah esteja satisfeito com ela), foram ‘Abdullah ibn Ubayy, Zayd ibn Rifā‘ah, Mistah ibn Uthāthah, Hassān ibn Thābit e Humnā bint Jahsh. Os dois primeiros eram hipócritas, e os outros três eram crentes. Esses três crentes envolveram-se nessa intriga devido a certas fraquezas humanas e a um erro de julgamento. [Tafhīm al-Qur’ān, vol. 3, Sūrat an-Nūr, p. 138; Hayāt as-Sahābah-1/588]

Após a revelação dos versículos do Alcorão que declaravam a castidade de ‘Ā’ishah (que Allah esteja satisfeito com ela), o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) aplicou a todos eles a punição prescrita por lançar falsas acusações caluniosas. [al-Bidāyah wan-Nihāyah-4/160; Ansāb al-Ashrāf-1/343; Hayāt as-Sahābah-1/590] Sobre a razão pela qual Humnā (que Allah esteja satisfeito com ela) se envolveu em tal ato, ‘Ā’ishah (que Allah esteja satisfeito com ela) disse: “Entre minhas coesposas, ninguém além de sua irmã Zaynab podia reivindicar igualdade comigo. Por isso, visando o bem de sua irmã, ela assumiu o papel de minha oponente e envolveu-se nessa intriga.” [Sīrat Ibn Hishām-2/300]

Khansā bint ‘Amr ibn ash–Sharīd ((que Allah esteja satisfeito com ela))


O nome verdadeiro de Hazrat Khansa era Tumadir. Devido ao seu temperamento vivaz, inteligência e agilidade, além de seu rosto encantador, era chamada de Khansa. Khansa significa vaca selvagem e gazela. Por fim, seu nome verdadeiro desapareceu nas profundezas do esquecimento, e ela alcançou fama na história apenas pelo nome de Khansa. [Sahabiyat, p. 181] O nome de seu pai era Amr ibn Sharid. Ele era descendente do clã Sulaym da tribo de Qays. [Usud al-Ghaba, 5/441; al-Isaba, 4/287] Os Banu Sulaym viviam ao norte do Hijaz e de Najd. [Dr. Umar Farrukh: Tarikh al-Adab, 1/317]

Duraid ibn as-Simmah era um famoso líder da antiga Arábia. Quando Khansa atingiu a idade de se casar, Duraid viu certo dia que ela aplicava cuidadosamente um medicamento no corpo de um de seus camelos e depois se limpava. Duraid ficou encantado e enviou-lhe uma proposta de casamento. Khansa rejeitou sua proposta, dizendo: [Ibn Qutaybah: ash-Shi‘ru wash-Shu‘ara, p. 160] (Árabe* *****)

“Queres ver-me abandonar meus primos como se fossem a parte superior de uma flecha e um ancião abandonado dos Banu Jusham?”

Rejeitado, Duraid recitou um poema, alguns trechos do qual foram compilados em diferentes obras. Dois de seus versos são os seguintes: [al-Isaba, 4/287](Árabe*******************)

“Ó meus companheiros e amigos, acolhei Tumadir e esperai por mim. Pois a vossa permanência é o meu sustento. Acaso a Khunas (gazela) enlouqueceu vossos corações de amor e vos deixou doentes por causa de seu amor?”

Depois de rejeitar a proposta de Duraid, Khansa casou-se com o jovem de sua própria tribo, Rawahah ibn Abd al-Uzza. Com ele, teve um filho chamado Shajarah ibn Abdullah. Pouco tempo depois, Rawahah morreu, e ela se casou com Mirdas ibn Abi Amr. Desse segundo marido nasceram dois filhos — Yazid e Muawiyah — e uma filha, Umrah. [as-Suyuti: ad-Durr al-Manthur, p. 110; ash-Shi‘ru wash-Shu‘ara, p. 160]

Quando, em Meca, surgiu o sol da Mensagem e sua luz iluminou o mundo inteiro, os olhos de Khansa (que Allah esteja satisfeito com ela) brilharam com o esplendor da fé. Ela foi apressadamente a Medina, acompanhada por alguns membros de sua tribo, para comparecer diante do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), e declarou sua adesão ao Islã. Nessa ocasião, recitou para o Mensageiro de Allah poemas de sua própria autoria. O Mensageiro ouviu pacientemente sua recitação durante muito tempo e, admirado com a pureza e a beleza artística de sua linguagem, manifestou o desejo de ouvir mais. [Usud al-Ghaba, 5/441; al-Isaba, 4/550]

Khansa (que Allah esteja satisfeito com ela) era poetisa. Contudo, na primeira fase de sua vida poética, compunha apenas ocasionalmente dois ou quatro versos. Na guerra entre sua tribo e a famosa tribo árabe de Asad, seu irmão de sangue, Muawiyah, foi morto, e seu meio-irmão Sakhr foi gravemente ferido pela lança lançada por um homem do lado adversário chamado Abu Thawr al-Asadi. Durante quase um ano, ela suportou sofrimentos e dificuldades sem limites, tentando recuperar o irmão. Mas todos os seus esforços fracassaram. O ferimento era muito grave. Depois de fazer sua querida irmã mergulhar em um oceano de tristeza, ele deixou um dia este mundo. [al-Isti‘ab (anotação marginal de al-Isaba), 4/296]

Khanza (que Allah esteja satisfeito com ela) amava profundamente seus dois irmãos falecidos. Em especial, devido ao conhecimento, à inteligência, à paciência, à bravura, à generosidade, à bela aparência e a outras qualidades de Sakhr, ele ocupava um lugar muito profundo no coração de Khanza (que Allah esteja satisfeito com ela). Por isso, sua morte causou-lhe uma dor imensurável. Desde aquele dia, ela começou a compor, em memória de Sakhr, elegias incomparáveis. [Usud al-Ghaba, 5/441] Ibn Qutayba diz: [ash-Shi‘ru wash-Shu‘ara, p. 161](Árabe********)

“De tanto chorar a morte de Sakhr, ela ficou cega.”

Havia uma razão para ela amar Sakhr tão profundamente. Khanza (que Allah esteja satisfeito com ela) casou-se com um jovem nobre e esbanjador. Ele desperdiçou todos os seus bens em coisas inúteis e acabou na miséria. Khanza foi até seu irmão Sakhr para queixar-se do marido. Sakhr, porém, entregou à irmã metade de seus bens. Ela voltou com isso para a casa do marido. O marido extravagante logo gastou tudo novamente e ficou sem nada. Khanza (que Allah esteja satisfeito com ela) voltou a procurar Sakhr. Dessa vez também, Sakhr dividiu seus bens em duas partes iguais e deu à irmã a melhor parte. [Dr. Umar Farrukh, 1/317] Assim, Sakhr conquistou um lugar permanente e profundo no coração de sua meia-irmã. Nas elegias compostas em memória de Sakhr, a ilustre Khanza (que Allah esteja satisfeito com ela) expressou sua intensa dor e sofrimento com palavras tão comoventes que ninguém consegue ouvi-las ou lê-las sem ficar profundamente perturbado. Lágrimas escorrem dos olhos de qualquer pessoa. Sobre as emoções nelas contidas, o professor R. A. Nicholson disse:

“É impossível traduzir a emoção pungente e vívida, a energia da paixão e a nobre simplicidade de estilo que distinguem a poesia de Khanza.” [A Literary History of the Arabs, p. 126]

A seguir, são citados alguns versos de uma de suas elegias, para que se possam observar diretamente sua forma artística, seus ornamentos e seu estilo.

(Árabe**********)

“Ó meus dois olhos, sede generosos, não sejais avaros. Não chorareis por Sakhr, o generoso? Não chorareis por um homem corajoso e belo como ele? Não chorareis por um jovem líder como ele?

O punho de sua espada era muito comprido, [a expressão ‘punho da espada comprido’ significa que ele era de estatura elevada.] e o monte de cinzas era enorme. [Ele era um anfitrião extremamente generoso; por isso, havia um enorme monte de cinzas em sua casa.] Ele assumiu a liderança de sua tribo quando ainda era jovem.

Quando sua tribo estendeu a mão em direção a alguma ação honrosa e gloriosa, ele também se lançou rapidamente a ela. Assim, partiu levando consigo honra e boa fortuna.

Verás que a honra e a dignidade indicam o caminho de sua casa. Até a mais elevada dignidade considera que ele deve ser louvado.

Se se falar de honra e nobreza, verás que ele está envolto no manto da dignidade.”

De acordo com os hábitos e costumes das mulheres da antiga Arábia, Khansá (que Allah esteja satisfeito com ela) ia sentar-se junto ao túmulo de seu irmão pela manhã e ao entardecer, lamentava sua morte ao lembrar-se dele e recitava as elegias fúnebres que ela mesma compusera. Alguns trechos dessas elegias são os seguintes: [Sahabiyat-184]

(Árabe*******************************)

“Todos os dias, o nascer do sol me faz lembrar Sakhr. E lembro-me dele a cada pôr do sol. Se não houvesse ao meu redor tantas mulheres que lamentassem seus próprios mortos, eu teria cometido suicídio.” [obra citada anteriormente]

(Árabe******************)

“Ó Sakhr, que importa se fizeste meus dois olhos chorarem? Tu me fizeste rir durante tanto tempo.

Chorei por ti entre um grupo de pranteadores que lamentavam em voz alta. No entanto, sou mais digno de lamentar em voz alta do que aqueles que lamentam em voz alta.

Durante a tua vida, por teu intermédio, afastei muitas adversidades. Agora, quem afastará esta grande calamidade?

Quando lamentar por um morto é algo condenável, considero o choro por ti uma ação muito louvável.”

Ao descrever a honra e o prestígio de Sakhir, ela disse: [Ash-Shi‘ru wash-Shu‘arā’-162]

(Árabe**************)

“Grandes líderes seguem Sakhir. Sakhir é como uma montanha em cujo cume arde um fogo.”

Ou seja, assim como os árabes encontram o caminho à luz do fogo ardente no topo das montanhas, também encontram o caminho seguindo Sakhir. Em memória de Sakhir, ela compôs ainda a seguinte elegia: [Al-‘Iqd al-Farīd-3/268]

Árabe*****************)

Oh, o que aconteceu aos meus olhos? Oh, o que aconteceu com ele? Ele encharcou sua túnica com lágrimas. Depois da morte de Sakhr, descendente de al-Sharid, a terra ficou livre de seu peso? (Os árabes dizem que um cavaleiro destemido é um fardo imenso para a terra; com sua morte ou assassinato, a terra se livra desse peso.) Então jurei oferecer condolências por um homem destruído. E, enquanto choro, pergunto: o que aconteceu com ele?

Ele próprio decidiu suportar todas as dores e aflições. Portanto, os sofrimentos que são melhores para mim são mais apropriados para mim.

Seguirei um caminho e uma conduta; talvez sejam contra ele ou a seu favor.

Certa vez, disseram a Khansā: “Fale-nos sobre algumas das qualidades de seus dois irmãos.” Ela respondeu: (Árabe ***************)

“Por Deus, Sakhr era um escudo dos tempos passados e a lâmina vermelha e envenenada de uma lança de cinco côvados. E, por Deus, Mu‘āwiya era tão eloquente quanto eficiente.”

Novamente lhe perguntaram: “Qual dos dois possuía maior dignidade e glória?” Ela respondeu: Árabe**********)

“Sakhr é o calor do inverno, enquanto Mu‘āwiya é o frescor do vento.” Novamente lhe perguntaram: “Qual dor é mais intensa?” Ela respondeu: Árabe***************)

“Sakhr é o tremor do coração, enquanto Mu‘āwiya é a febre do corpo.” Em seguida, recitou os dois versos seguintes: (Árabe**********************)

“Eles dois eram dois leões audazes, de garras vermelho-sangue; dois mares em meio à áspera e irada roda do tempo; duas luas nas assembleias; elevadíssimos em honra e dignidade, líderes como montanhas e livres.” [obra citada anteriormente, 3/267]

Graças à composição de elegias tão comoventes e a comentários dessa natureza, como os aqui citados, Khansá (r.a.) tornou-se famosa em toda a Arábia pré-islâmica como uma autora de elegias sem rival.

Após o falecimento do Mensageiro de Allah (s.a.w.), Khansá (r.a.) ia, de vez em quando, visitar a Mãe dos Crentes, Aisha (r.a.). De acordo com o costume árabe da época, ela amarrava na cabeça um pano preto como símbolo de luto. Certa vez, Aisha (r.a.) disse-lhe que adotar um símbolo de luto dessa forma era proibido no Islã. Após o falecimento do Mensageiro de Allah (s.a.w.), eu também não adotei nenhum símbolo de luto desse tipo. Khansá (r.a.) respondeu: “Eu não sabia que isso era proibido. Contudo, há uma razão especial para eu adotar este símbolo.” Aisha (r.a.) quis saber qual era a razão.

Khansá (r.a.) disse: “Meu pai casou-me com um homem que era um dos líderes de sua tribo, mas ele era extremamente leviano. Ele dissipou no jogo todos os bens dele e os meus. Quando ficamos completamente sem recursos, meu irmão Sakhr dividiu igualmente todos os seus bens e deu-me a melhor parte. Meu marido dissipou também essa parte em pouco tempo. Ao ver minha situação difícil, Sakhr lamentou-se e novamente dividiu igualmente todos os seus bens, pedindo-me que escolhesse a melhor parte. Então sua esposa exclamou: ‘Uma vez antes você deu a Khansá metade dos seus bens — justamente a melhor parte — e agora ainda lhe pede que escolha a melhor parte. Até quando isso continuará? A situação do marido dela continua exatamente como antes. Ele vai acabar com tudo jogando e voltará para casa.’ Então Sakhr recitou para sua esposa os dois versos seguintes: [obra citada anteriormente; Al-Isaba, 4/296]”

(Árabe**********************)

“Por Allah, não lhe darei a pior parte dos meus bens. Ela é uma mulher casta e virtuosa; o desprezo e a humilhação já são suficientes para mim. Quando eu morrer, ela rasgará seu véu em luto por mim e fará, com seus cabelos, uma faixa como símbolo de luto.” “Ó Mãe dos Crentes, foi por isso que adotei este símbolo de luto em sua memória.” [Ash-Shi‘r wa ash-Shu‘ara, 161]

Em certa ocasião, durante o califado do segundo califa, Umar, Khansá (r.a.) foi à corte do califa. Ela tinha então cinquenta anos e ainda continuava lamentando a morte de seus irmãos. As lágrimas que escorriam de seus dois olhos haviam deixado marcas em suas faces. O califa perguntou: “Khansá, que marcas são essas em seu rosto?” Ela respondeu: “São marcas das lágrimas que derramei durante muitos anos por meus dois irmãos.” O califa disse: “Por que tanto luto por eles? Eles foram para o Inferno.” Khansá (r.a.) respondeu:(Árabe*********)[Dr. Umar Faruque, 1/317]

“Essa é a maior razão para lamentar por eles. Antes, eu chorava pela vingança de seu sangue; agora choro pelo fogo do Inferno deles.”

Segundo o relato de Ibn Qutayba, Khansā (que Allah esteja satisfeito com ela): Árabe*****************)[Ash-Shi‘ru wash-Shu‘arā’-161; Al-‘Iqd al-Farīd-3/266]

“Antes, eu chorava pela morte de Sakhr. Agora, porém, choro pensando no castigo dele no Inferno.”

Depois de passar da vida da Jāhiliyya para a vida islâmica, Hazrat Khansā (que Allah esteja satisfeito com ela) tornou-se uma verdadeira muçulmana em seus costumes, sua cultura, seus pensamentos e sua crença. Ela compreendeu que o jihad contínuo é a sagrada responsabilidade e o dever de um verdadeiro muçulmano. Por isso, não hesitou em sacrificar aquilo que lhe era mais precioso.

No décimo sexto ano da Hégira, durante o califado do califa ‘Umar (que Allah esteja satisfeito com ele), ocorreu a histórica batalha de Qādisiyya. Nessa batalha, o enorme exército persa enfrentou o exército muçulmano com extrema coragem e habilidade. Inúmeros soldados de ambos os lados foram mortos ou feridos. Hazrat Khansā (que Allah esteja satisfeito com ela) participou dessa batalha levando consigo os seus quatro filhos. O discurso de incentivo e estímulo que, na noite anterior à batalha decisiva, ela proferiu diante dos quatro filhos reunidos foi preservado pela história. Apresentamos aos leitores uma parte dele: [Khazānatul Adab-1/395; Jamharatul Khutabِl-‘Arab-1/231; Al-Isāba-4/288]

(Árabe*********************************************)

“Meus queridos filhos! Vocês aceitaram o Islã obedientemente e fizeram a Hégira voluntariamente. Juro pelo nome de Allah, além de Quem não há outra divindade: certamente vocês são filhos de um mesmo homem, assim como são filhos de uma mesma mulher. Não traí o pai de vocês, não cobri de vergonha a família materna de vocês e não maculei de modo algum a linhagem nem a honra de vocês. Saibam quão grande recompensa Allah Todo-Poderoso destinou aos muçulmanos pelo jihad contra os incrédulos. Saibam muito bem que a vida eterna da Outra Vida é melhor do que a vida terrena passageira. Allah, o Majestoso, o Senhor dos mundos, diz: ‘Ó crentes! Sede pacientes, mantende-vos firmes no confronto e temei Allah, para que possais alcançar o vosso objetivo.’ (Āl ‘Imrān, 200.) Amanhã, ao raiar do dia, avançarão contra o inimigo com discernimento e atacarão para exterminá-lo. Na batalha contra os inimigos de Allah, buscarão a Sua ajuda.”

Os filhos obedientes ouviram atentamente as palavras da mãe. A noite passou. Ao amanhecer, avançaram juntos em direção ao campo de batalha, recitando repetidamente alguns versos de poesia árabe. [Al-Qurtubī e Ibn Hajar compilaram muitos desses versos em suas obras. (Al-Istī‘āb-4/296; Al-Isāba-4/288)] Em certo momento, todos combateram com extrema bravura e coragem e alcançaram o martírio. Vale a pena observar as palavras pronunciadas pela mãe, Khansā (que Allah esteja satisfeito com ela), depois que ouviu a notícia do martírio. Ela disse: (Árabe***********************)[Usud al-Gāba-5/442; Jamharatul Khutabِl-‘Arab-1/231]

“Todo louvor pertence a Allah, que me honrou concedendo-lhes o martírio. Espero de meu Senhor que, na Outra Vida, Ele me reúna com eles sob a sombra de Sua misericórdia eterna.”

A mulher que, na era pré-islâmica, alcançou fama em toda a Arábia por passar a vida escrevendo elegias e expressando pesar pela morte de um irmão legítimo foi justamente aquela que, ao ouvir assim, de uma só vez, a notícia do martírio de seus quatro filhos, expressou gratidão a Allah. Não se sabe que tenha feito qualquer coisa por eles: nem lamentação, nem composição de elegias, nem uso de qualquer símbolo de luto. Quão firme deve ser a fé para que alguém alcance tal estado?

O califa Hazrat Umar (que Allah esteja satisfeito com ele) concedia a cada um de seus filhos uma pensão de cem dirrames enquanto eles estavam vivos. Mesmo após o martírio deles, manteve as pensões em nome de Hazrat Khansa (que Allah esteja satisfeito com ela). Ela continuou recebendo essa pensão até o fim de sua vida. [Al-Isaba-4/288; Khazანatul Adab-1/395, Dr. Umar Farrukh-1/318]

A posição de Hazrat Khansa ((que Allah esteja satisfeito com ela)) como poetisa


Khansa (que Allah esteja satisfeito com ela) destacou-se em quase todos os campos da poesia árabe. Contudo, é difícil encontrar alguém que se compare a ela na composição de elegias. O erudito Ibn al-Athir escreveu: Árabe **************) [Usud al-Ghaba-5/441]

“Os estudiosos da poética árabe concordaram que, antes ou depois de Khansa, não nasceu nenhuma poetisa maior do que ela.”

Jarir (falecido em 110 da Hégira) foi um dos maiores poetas árabes da era omíada. Certa vez, perguntaram-lhe: Quem é o maior poeta da Arábia? Ele respondeu: Árabe**********)[Durr al-Manthur-110]

“Se Khansa estivesse viva, seria eu.”

Bashshar ibn Burd foi um dos maiores poetas árabes da era abássida. Ele disse: Quando observo profundamente a poesia das poetisas, percebo alguma falha ou fraqueza nos poemas de cada uma delas. As pessoas perguntaram: O mesmo se aplica à poesia de Khansa? Ele respondeu: Ela está acima até mesmo dos poetas homens. [Tabaqat al-Shu’ara-271]

Todos os poetas árabes consideravam Layla al-Ukhayliyya, da era omíada, a coroa das poetisas árabes, com exceção de Khansa (ra). O erudito egípcio moderno Dr. Umar Farrukh avaliou assim o talento poético de Khansa (ra) e o valor de sua poesia: [Tarikh al-Adab al-Arabi-1/318]

(Árabe ******************)

“Khansa é, em todos os aspectos, a maior poetisa árabe. Todos os seus poemas são breves. São extremamente puros, claros, sutis, de estrutura sólida e com uma excelente introdução. Em sua poesia, a presença de poemas de glorificação é muito pequena. Pelo que vimos, especialmente por causa da dor que sofreu com a morte de seus dois irmãos, a elegia ocupa um espaço muito maior. O significado de suas elegias é claro, sutil e delicado, e elas são a expressão exata de suas emoções e sentimentos. Apesar de conterem tristeza e pesar excessivos, bem como exageros nos elogios aos dois irmãos, seguem o método e o estilo beduínos.”

Na era pré-islâmica, havia o costume de realizar feiras, exposições e assembleias em diferentes lugares de toda a Arábia. O objetivo era a troca de opiniões, bem como exposições e competições de arte, literatura e cultura. Pessoas de todas as classes, homens e mulheres sem distinção, participavam delas. Os habitantes de toda a Arábia afluíam a essas feiras vindos de lugares distantes. Elas começavam no mês de Rabi al-Awwal. No primeiro dia desse mês, realizava-se em Dumat al-Jandal a primeira feira do ano. Depois de encerrá-la, eles iam ao mercado de Hajr. Em seguida, dirigiam-se a Omã e, de lá, a Hadramaut. Depois, permaneciam nas proximidades de Saná, no Iêmen, durante dez dias em alguns lugares e vinte em outros. Assim, depois de percorrer toda a Arábia, por volta da época do Hajj, no mês de Dhu al-Qi’dah, realizava-se, a alguns quilômetros de Meca, a última feira do ano no mercado de Ukaz [Ukaz: situado entre Nakhlah e Taif. Ali se realizava normalmente um mercado de comércio. Esse mercado foi fundado em 540 d.C. e permaneceu ativo até ser saqueado pelos carijitas no ano 129 da Hégira. (Dr. Abd al-Mun’im Khafaji e Dr. Salah al-Din Abd al-Tawwab: Al-Hayat al-Adabiyya fi Asray al-Jahiliyya wa Sadr al-Islam, p. 28.) Depois que a feira de Ukaz foi encerrada por medo dos carijitas, nunca mais voltou a funcionar até hoje. Após Ukaz, antigos mercados árabes, como Majannah e Dhu al-Majaz, também foram gradualmente fechados. O último mercado desse tipo em Meca foi destruído no ano 197 da Hégira. (Al-Azruqi: Akhbar Makkah, 121-122.)]. Essa era a maior e mais importante feira da Arábia. Pessoas de todas as tribos árabes, especialmente os líderes tribais, participavam obrigatoriamente dela. Se algum líder tribal não pudesse comparecer por alguma razão, enviava um representante. Nesse recinto, os árabes tomavam decisões finais sobre a escolha de seus líderes tribais, a resolução de conflitos entre tribos e o fim de assassinatos e confrontos mútuos, entre outras questões. Nessa feira, a honra e o prestígio da tribo coraixita de Meca estavam acima dos de todos. Quando todas as questões eram resolvidas, os poetas de cada tribo recitavam seus poemas autorais. Esses poemas tratavam de bravura, coragem, generosidade, hospitalidade, a valentia dos antepassados, glória, caça, festividades, assassinatos, guerras, tréguas, amor, separação, luto e outros temas. Era ali que se determinavam a posição e o prestígio dos poetas árabes.

A poetisa Khansa também participava de todas essas feiras e assembleias, e em Ukaz suas elegias eram reconhecidas como incomparáveis. Quando chegava montada em um camelo, os outros poetas se aglomeravam ao seu redor. Todos aguardavam ansiosamente para ouvir sua poesia. Por fim, ela os satisfazia recitando suas elegias.

Em todas essas assembleias, como símbolo da especial posição e honra de Khansa, uma bandeira era hasteada à porta de sua tenda, e nela estava escrito—(Árabe*****)a expressão. Seu significado era: a maior autora de elegias da Arábia. Ibn Qutayba diz:(Árabe*******) [Ash-Shi’r wa ash-Shu’ara, 161; Sifat Jazirat al-Arab, 263]

Ela permanecia nessas feiras sazonais. Seu howdah era especialmente identificado. Os árabes consideravam uma grande calamidade a morte de seu pai, Amr, e de seus dois irmãos, Sakhr e Muawiya. Ela recitava poesia, e as pessoas choravam.” Na Arábia pré-islâmica nasceram muitos grandes poetas. Al-Nabigha al-Dhubyani (falecido em 604 d.C.) era um desses grandes poetas. Sua fama poética continua conhecida em todo o mundo. Seu nome verdadeiro era Ziyad ibn Muawiya, e seu kunya era Abu Umama. Abu Ubayda escreveu sobre ele:(Árabe ***************) [Sahabiyat, 186]

“Ele era um dos poetas de primeiro nível, que ocupava a posição de vanguarda entre todos os poetas.” Por ter composto uma grande quantidade de poesia de alta qualidade, foi chamado de al-Nabigha. Na feira de Ukaz, uma tenda vermelha era construída exclusivamente para ele. Era um símbolo raro de honra e prestígio, considerado digno de ser recebido somente por ele. Não se podia construir uma tenda vermelha semelhante para qualquer outra pessoa. A razão era que somente aquele que gozasse de reconhecimento universal no campo da poesia era considerado digno de receber tal honra. Ibn Qutayba diz:(Árabe *****) [Ash-Shi’r wa ash-Shu’ara, 160]

“Em Ukaz, era armada para An-Nabigha uma tenda de couro vermelho. Os poetas iam até essa tenda e recitavam seus poemas para ele.”

Por ocasião da feira de Ukaz, realizava-se uma assembleia de poetas presidida pelo poeta An-Nabigha. Os grandes poetas da Arábia participavam dessa assembleia e obtinham reconhecimento recitando seus próprios poemas. Certa vez, participaram de uma dessas assembleias os três maiores poetas da Arábia daquela época: Al-A’sha Abu Basir, Hassan ibn Thabit e Khansa. Primeiro, Al-A’sha recitou seus poemas; depois, Hassan. Por fim, Khansa recitou os seus. Quando ela terminou sua recitação, o presidente An-Nabigha dirigiu-se a ela e disse: (Árabe ***********)

“Por Deus! Se Abu Basir não tivesse acabado de recitar seus poemas para mim, eu diria que você é a maior poetisa entre os gênios e os seres humanos.”

Ao ouvir esse comentário de An-Nabigha, o poeta Hassan ficou extremamente irritado. Ele reagiu dizendo: “Por Deus! Sou um poeta maior do que você, seu pai e seu avô.” An-Nabigha apertou a mão de Hassan e disse: “Meu sobrinho, você consegue dizer algum verso melhor do que este meu?” (Árabe***********)

“Certamente, você é como a noite que me envolve, embora eu tenha imaginado que a distância entre mim e você fosse muito grande.” Isto é, você me envolve como a noite — não importa quão distante eu esteja. Então ele disse a Khansa: “Recite-o para ele.” Khansa recitou mais alguns de seus versos. Em seguida, An-Nabigha comentou: (Árabe ****)

“Por Deus! Nunca vi ninguém de dois seios ser um poeta maior do que você.” Isto é, nunca vi uma poetisa maior do que você. Imediatamente, Khansa corrigiu as palavras de An-Nabigha, dizendo: (Árabe************)

“Não, por Deus! Nem entre os que têm dois testículos.” Isto é, não apenas entre as mulheres, mas também entre os homens, você não viu um poeta maior do que eu. [Abu al-Faraj al-Isfahani: Kitab al-Aghani, 11/6; Ash-Shi’r wa ash-Shu’ara, 160]

Em algumas narrativas, consta que, em resposta à pergunta de An-Nabigha, Hassan recitou para ele o seguinte verso: Árabe ********)

“Temos grandes recipientes transparentes e reluzentes, que brilham antes do meio-dia. E nossas espadas são tais que, de seus cabos, o sangue escorre gota a gota.” O poeta Hassan quis falar, em seu verso, sobre sua hospitalidade para com os hóspedes, bem como sobre sua bravura e coragem. Contudo, o poeta An-Nabigha — ou, segundo outra opinião, Khansa — criticou severamente o verso de Hassan, apontou suas falhas e rejeitou sua reivindicação. [Qudama ibn Ja‘far: Naqd ash-Shi‘r, p. 62; Al-Aghani, 9/340]

Em suma, em termos de força e talento poéticos, Khansa ocupava uma posição muito elevada entre os poetas árabes de segundo escalão de sua época. Um diwan de seus poemas foi publicado pela primeira vez em forma impressa, em 1888, por uma editora de Beirute. Em 1889, o diwan foi traduzido para o francês. [Sahabiyyat, p. 188]

Há divergência quanto ao ano da morte de Khansa. Segundo uma opinião, ela morreu no início do califado de Uthman, no ano 24 da Hégira/644–645 d.C. Por outro lado, outra opinião menciona o ano 42 da Hégira/663 d.C. [Dr. Umar Farrukh, 1/318]

Asma’ bint Yazid al-Ansariyya (que Allah esteja satisfeito com ela)


Asma (que Allah esteja satisfeito com ela) era uma Companheira ansarita. Seu pai era Yazid ibn as-Sakan, e sua mãe, Ummu Sa‘d ibn Zays ibn Mas‘ud. Seu marido era Sa‘id ibn ‘Ammara, conhecido como Abu Sa‘id al-Ansari. [Siyar A‘lam an-Nubala’, 2/296; Al-Isaba, 4/89] O kunya de Asma era Ummu Salama; segundo outra opinião, Ummu ‘Amir. Ela era descendente do ramo Banu ‘Abd al-Ashhal da famosa tribo Aws, de Medina. Era filha da tia paterna do ilustre Companheiro Mu‘adh ibn Jabal (que Allah esteja satisfeito com ele). [Nisa’ min ‘Asr an-Nubuwwah, p. 78] Ibn Hajar disse que ela era prima paterna de Mu‘adh ibn Jabal. [Al-Isaba, 4/225]

Não se encontram muitas informações sobre o nascimento e a infância de Asma (que Allah esteja satisfeito com ela). Sobre sua conversão ao Islã, sabe-se apenas que ela se tornou muçulmana depois da Hégira do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) para Medina. Ela possuía muitas qualidades. Era uma mulher de linguagem pura e extraordinariamente eloquente. Também era conhecida por sua inteligência, temor a Allah, adoração e devoção, transmissão de hadiths, entre outras virtudes. Outra de suas grandes características era ser uma guerreira valente. Ela era chamada de porta-voz das mulheres, pois falava em nome delas diante do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Segundo uma narração, participou do último juramento de lealdade de Aqaba. [Hayat as-Sahaba, 1/597; nota 4]

O nobre Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) havia chegado a Medina. Certo dia, estava sentado, cercado pelos ilustres Companheiros. Nesse momento, Asma chegou e dirigiu ao Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) este breve discurso:

“Ó Mensageiro de Allah! Vim falar em nome de um grupo de mulheres muçulmanas e transmitir algumas de suas palavras. Allah, o Altíssimo, enviou-te como guia para os dois sexos, homens e mulheres. Nós, mulheres, cremos em ti e te seguimos. No entanto, notamos uma grande diferença entre mulheres e homens. Permanecemos confinadas aos limites do lar. Satisfazemos o desejo sexual dos homens e geramos seus filhos. Já vós, homens, podeis participar da oração congregacional de sexta-feira, das orações fúnebres e ir à peregrinação. E, acima de tudo, partis para o jihad no caminho de Allah. Enquanto isso, nós cuidamos de vossos filhos, preservamos vossos bens e fiamos o fio na roca para confeccionar roupas. Nossa pergunta é: não teremos também uma parte da vossa recompensa? Todas as mulheres que ficaram atrás de mim têm a mesma declaração e a mesma opinião que eu.”

Depois de ouvir as palavras de Asma, o Mensageiro (que a paz esteja sobre ele) voltou-se para os Companheiros e disse: “Já ouvistes falar de alguma mulher que deseje conhecer uma religião mais bela do que esta?” Eles responderam: “Nunca imaginamos que uma mulher pudesse fazer uma pergunta como essa.” Então o Mensageiro (que a paz esteja sobre ele) dirigiu-se a Asma e disse: “Se a mulher tratar bem o marido, procurar agradá-lo, obedecer-lhe em suas vontades e desagrados e cumprir as responsabilidades e os direitos da vida conjugal, ela também receberá uma recompensa igual à do homem. Vai e transmite estas palavras às outras mulheres que deixaste para trás.”

Ao ouvir essa boa notícia da boca do Mensageiro de Allah (que a paz esteja sobre ele), Asma voltou alegre, recitando “Lā ilāha illallāh” e “Allāhu akbar”. [Al-Istī‘āb—4/233; Usud al-Gābah—5/398; as-Sīrah al-Halabiyyah—1/149. At-Tūsī atribuiu esse acontecimento a Asma, filha de ‘Ubayd al-Ansāriyyah. Ibn Mandah e Abū Nu‘aym consideraram Asma, filha de Yazīd ibn as-Sakan, uma mulher diferente. Ibn ‘Abd al-Barr disse que as duas mencionadas eram a mesma mulher e, segundo ele, foi ela quem falou com o Mensageiro de Allah (que a paz esteja sobre ele). O Imām Ahmad também adotou essa opinião. (A‘lām an-Nisā’—1/67; nota 1)]

Naquele grupo de mulheres que Hazrat Asma representava também estava sua tia materna. Ela usava braceletes e anéis de ouro. O Mensageiro (que a paz esteja sobre ele) perguntou: “É paga a zakat por essas joias?” Ela respondeu: “Não.” O Mensageiro (que a paz esteja sobre ele) disse: “Gostarias que Allah te colocasse braceletes e anéis de fogo?” Então Asma disse à tia: “Minha tia, tira-os.” Imediatamente, ela retirou todas as joias e atirou-as para longe. Depois Asma disse: “Ó Mensageiro de Allah! Se não usarmos joias, perderemos nossa importância aos olhos de nossos maridos.” Ele respondeu: “Fazei joias de prata e aplicai-lhes a cor do açafrão, mas não de modo que apareça o brilho do ouro.” Nesse momento, chegou a hora da bay‘ah. O Mensageiro (que a paz esteja sobre ele) fez com que elas recitassem algumas fórmulas de compromisso. Então Asma disse: “Ó Mensageiro de Allah! Estende uma de tuas mãos, para que a toquemos e concluamos nossa bay‘ah.” O Mensageiro (que a paz esteja sobre ele) respondeu: “Não aperto a mão das mulheres.” [Musnad Ahmad—6/453, 454, 458, 460, 461] Em algumas fontes, o episódio das joias é narrado como tendo ocorrido com uma mulher chamada Asma. [Sahabiyyāt—302]

Hazrat Asma (que Allah esteja satisfeito com ela) permanecia sempre nas proximidades do nobre Mensageiro de Allah (que a paz esteja sobre ele). Certo dia, o Mensageiro (que a paz esteja sobre ele) falou diante dela sobre o Dajjāl. Ela começou a chorar. O Mensageiro levantou-se e saiu nesse estado. Ao voltar, viu que Asma continuava chorando da mesma maneira. Perguntou-lhe: “Por que estás chorando?” Asma respondeu: “Nossa situação é tal que a serva se senta para amassar a farinha, enquanto nós começamos a sentir fome. Antes mesmo de ela terminar de preparar a comida, ficamos ansiosos para comer. Quando surgir a escassez no tempo do Dajjāl, como conseguiremos ter paciência?” O Mensageiro (que a paz esteja sobre ele) disse: “Naquele dia, o tasbīh e o takbīr vos protegerão da fome. Não há necessidade de tanto choro e lamentação. Se eu estiver vivo naquele dia, serei um escudo para vós. Caso contrário, depois de mim Allah protegerá cada muçulmano.” [Musnad Ahmad—6/453]

Poucos dias depois de Hazrat ‘Ā’ishah (que Allah esteja satisfeito com ela) ter emigrado de Meca para Medina com os demais membros de sua família, ela foi formalmente transferida da casa paterna para a casa do marido. Hazrat Asma também estava presente nessa cerimônia. Asma foi uma das mulheres que adornaram ‘Ā’ishah (que Allah esteja satisfeito com ela) com os trajes de uma noiva. Depois de concluída a preparação, ‘Ā’ishah foi sentada em um assento e o Mensageiro, seu marido (que a paz esteja sobre ele), foi avisado. Ele veio e sentou-se ao lado de ‘Ā’ishah (que Allah esteja satisfeito com ela). Uma das mulheres presentes entregou uma taça de leite ao Mensageiro de Allah (que a paz esteja sobre ele). Ele bebeu um pouco e a passou a ‘Ā’ishah (que Allah esteja satisfeito com ela). Ela manteve a cabeça baixa, envergonhada. Então Asma disse em tom de repreensão: “Aceita o que o Mensageiro de Allah (que a paz esteja sobre ele) está te oferecendo.” Hazrat ‘Ā’ishah (que Allah esteja satisfeito com ela) pegou a taça de leite da mão do Mensageiro de Allah (que a paz esteja sobre ele), bebeu um pouco e devolveu-a à sua mão. Ele entregou a taça a Asma. Asma começou a girá-la, para beber colocando a boca exatamente no lugar onde o Mensageiro (que a paz esteja sobre ele) havia encostado a boca. O Mensageiro disse: “Dai também às outras mulheres.” Mas as outras mulheres presentes disseram: “Não temos vontade de beber agora.” Em resposta, o Mensageiro de Allah (que a paz esteja sobre ele) disse: “Fome junto com mentira? Ou seja, estais igualando a mentira à fome?” [Ibid.—6/458, 461]

Entre os nomes das heroínas mujāhidāt encontrados na história do Islã, o nome de Hazrat Asma ocupa o lugar de destaque. E assim deveria ser, pois ela era filha de uma família cujos membros todos sacrificaram suas vidas pela segurança do Mensageiro de Allah. Em todos os momentos críticos da vida medanense do Mensageiro de Allah (que a paz esteja sobre ele), inclusive na Batalha de Uhud, os membros dessa família garantiram a segurança do Mensageiro de Allah ao custo de suas próprias vidas.

Foi narrado por Anas ibn Mālik (que Allah esteja satisfeito com ele) que, no dia da Batalha de Uhud, o Mensageiro (que a paz esteja sobre ele) ficou separado do exército principal com sete Ansār e dois coraixitas, ao todo nove mujāhidīn. Em certo momento, o Mensageiro (que a paz esteja sobre ele) foi ferido pelos golpes do inimigo. Então, dirigindo-se àqueles poucos mujāhidīn que o acompanhavam, disse: “Quem conseguir afastá-los de nós terá o Paraíso.” Ou disse: “Ele será meu companheiro no Paraíso.”

Um homem dos Ansār avançou, combateu e foi martirizado. O Mensageiro (que a paz esteja sobre ele) repetiu as mesmas palavras de antes. Novamente, um homem dos Ansār avançou, combateu e foi martirizado. Assim, um após outro, os sete homens dos Ansār foram martirizados. [Sahih Muslim: Bāb Ghazwat Uhud.] O sétimo deles era ‘Ammārah ibn Yazīd ibn as-Sakan, irmão de Asma. Quando ele caiu, gravemente ferido pelos golpes do inimigo, um grupo de mujāhidīn chegou naquele exato momento. Eles expulsaram o exército dos politeístas e resgataram ‘Ammārah de suas mãos. O Mensageiro (que a paz esteja sobre ele) gritou-lhes: “Trazei-o até mim.” O Mensageiro deitou-o, colocando sua cabeça sobre seus próprios pés. Quando ele morreu nessa posição, viu-se que seu rosto estava sobre os dois pés do Mensageiro de Allah (que a paz esteja sobre ele). Nessa Batalha de Uhud, o pai de Asma, Yazīd, seu outro irmão, ‘Āmir, e seu tio, Ziyād ibn as-Sakan (que Allah esteja satisfeito com eles), foram martirizados. [Nisā’ min ‘Asr an-Nubuwwah—80]

O martírio dos membros de sua família dessa maneira despertou nela o interesse pelo jihad. Entre eles estavam o Juramento de Ridwan, a conquista de Meca e a expedição de Khaybar. Os narradores são unânimes em afirmar que Asma (que Allah esteja satisfeito com ela) participou da batalha de Yarmuk, ocorrida no ano 15 da Hégira, e matou sozinha nove soldados romanos, golpeando-os com a haste de uma tenda.[Siyar A‘lam an-Nubala’ -2/297; Al-Isaba-4/229; A‘lam an-Nisa; Majma‘ az-Zawa’id-9/260; Hayatus Sahaba-1/597]

Hadrat Asma (que Allah esteja satisfeito com ela) passou longo tempo na companhia e na proximidade do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), desde sua conversão ao Islã até o falecimento dele. Ela permanecia sempre ao seu redor. Não deixava escapar nenhuma oportunidade, por menor que fosse, de servir ao Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Escutava atentamente todas as suas palavras e as guardava na memória. Em momentos oportunos e inoportunos, fazia-lhe perguntas sobre diversos assuntos e obtinha esclarecimentos. Por isso, alcançou entre as mulheres dos Ansar a distinção de ser a maior narradora de hadiths. Ela narrou 81 (oitenta e um) hadiths do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele).[A‘lam an-Nisa’-1/67; Nisa’ min ‘Asr an-Nubuwwah-80]

Entre aqueles que narraram hadiths de Hadrat Asma (que Allah esteja satisfeito com ela) estão: Mahmud ibn ‘Amr (seu sobrinho), al-Ansari; Abu Sufyan, mawla de Ibn Ahmad; ‘Abdur-Rahman ibn Thabit as-Samit al-Ansari; Mujahid ibn Jubayr; Muhajir ibn Abi Muslim; e Shahr ibn Hawshab.

Seus hadiths foram compilados nas obras de Abu Dawud, at-Tirmidhi, an-Nasa’i, Ibn Majah e outras.[A‘lam an-Nisa’-1/67; Siyar as-Sahabiyyat-166] O Imam al-Bukhari também os compilou em sua obra “Al-Adab al-Mufrad”.[Nisa’ min ‘Asr an-Nubuwwah-81]

Por meio dos hadiths narrados por Hadrat Asma (que Allah esteja satisfeito com ela), é possível conhecer, de modo geral, as circunstâncias e ocasiões da revelação de diversos versículos do Alcorão, várias disposições da Sharia, as características do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), guerras, sua biografia e outros assuntos. Por exemplo, a respeito da revelação da surata Al-Ma’idah, ela disse: Eu segurava a rédea da camela de montaria do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), al-‘Adba’. Naquele momento, ele estava sentado sobre seu dorso. Em tais circunstâncias, parecia que as patas dianteiras da camela se quebrariam e se despedaçariam.[Tafsir Ibn Kathir-2.2; Al-Bidayah wan-Nihayah-3/22]

A camisa era a vestimenta mais querida do Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Asma (que Allah esteja satisfeito com ela) descreveu essa camisa da seguinte maneira: As mangas da camisa do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) chegavam até os pulsos.[Hayatus Sahaba-2/705]

Também foi narrado por Asma (que Allah esteja satisfeito com ela) que o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) faleceu enquanto sua armadura estava penhorada a um judeu em troca de alguns alimentos. Após o falecimento do nobre Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), ela narrou um hadith sobre o fato de que Abu Dharr al-Ghifari (que Allah esteja satisfeito com ele) criticaria severamente os governantes e, por isso, seria levado de um lugar para outro.[Ibn Majah (2838); at-Tirmidhi (1765); Hayatus Sahaba-2/67]

Assim como os livros de hadith, sirah e história narram muitos relatos sobre a compaixão, a generosidade e a preferência pelos outros demonstradas pelos Ansar de Medina, também relatam muitos milagres que se manifestaram por intermédio do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Ibn ‘Asakir narrou em sua História, pelas palavras de Asma, um milagre do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) relacionado a ela. Asma disse: Certo dia, vi o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) realizando a oração do Maghrib em nossa mesquita. Fui para casa, peguei carne com ossos e pão, coloquei-os diante dele e disse: Que meu pai e minha mãe sejam sacrificados por você! Coma isto como refeição noturna. Ele chamou seus companheiros e disse: Comecem a comer dizendo “Bismillah”. O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) comeu daquela pequena quantidade de comida, seus companheiros comeram e todos os que estavam presentes também comeram. Juro por Aquele em cuja mão está minha vida: mesmo depois de um total de quarenta pessoas terem comido, vi que a maior parte da carne e do pão ainda permanecia. Depois, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) bebeu água de um odre, encostando a boca nele, e partiu. Nós conservamos aquele odre. Quando alguém adoecia, dava-se-lhe de beber a água daquele odre; e, de tempos em tempos, também se bebia dela buscando bênçãos.[Nisa’ min ‘Asr an-Nubuwwah-82]

Ela era extremamente hospitaleira. Certa vez, Shahr ibn Hawshab foi à sua casa. Foi-lhe servida comida diante dele, mas ele demonstrou relutância em comer. Então Asma (que Allah esteja satisfeito com ela) contou-lhe um episódio do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) e disse: “Agora, certamente, você não demonstrará mais relutância em comer.” Shahr respondeu: “Minha mãe, não cometerei tal erro.”[Al-Isti‘ab, 3/726; Musnad Ahmad, 6/458]

Após o falecimento do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), Asma (que Allah esteja satisfeito com ela) deixou Medina e foi para a Síria. Nessa época, participou da batalha de Yarmuk. Depois, estabeleceu-se em Damasco, onde continuou a narrar hadiths. Ibn ‘Asakir transmitiu isso através de Abu Zur‘a.

Não se conhece o ano exato da morte de Asma (que Allah esteja satisfeito com ela). O erudito al-Dhahabi (que Allah tenha misericórdia dele) disse que ela permaneceu viva até o período do governo de Yazid ibn Mu‘awiya (que Allah esteja satisfeito com ele).[Nisa’ min ‘Asr al-Nubuwwah, 83]

Convém mencionar que Yazid faleceu em 14 de Rabi‘ al-Awwal do ano 64 da Hégira. Al-Dhahabi também disse que Asma (que Allah esteja satisfeito com ela) viveu em Damasco e que seu túmulo se encontra em Bab al-Saghir, em Damasco.[Siyar A‘lam al-Nubala’, 2/220, 296] O comentário de Ibn Kathir corrobora exatamente isso. Segundo ele, ela, que faleceu no ano 69 da Hégira, foi sepultada em Bab al-Saghir, em Damasco. Conforme sua afirmação, a senhora Asma faleceu durante o califado de ‘Abd al-Malik ibn Marwan.[Nisa’ min ‘Asr al-Nubuwwah, 83] Não há informações sobre seus filhos.

Ummu Ruman, filha de ‘Amir (que Allah esteja satisfeito com ela)


A identificação da senhora Ummu Ruman (que Allah esteja satisfeito com ela) é a seguinte: Ummu Ruman, filha de ‘Amir ibn ‘Uwaymir ibn ‘Abd Shams ibn ‘Attab ibn Uzayna al-Kinaniyya.[Usud al-Ghaba, 5/583; Ansab al-Ashraf, 1/409; Siyar A‘lam al-Nubala’, 2/135] Na história, encontram-se duas pronúncias diferentes do nome: Ummu Ruman e Ummu Rawman. Ibn Ishaq disse que seu nome verdadeiro era “Zaynab”, mas outros disseram “Da‘ad”.[Al-Isaba, 4/433; al-Rawd al-Anf, 4/12] Ela se tornou famosa na história pelo kunya Ummu Ruman.

Na região de ‘as-Sarat’, na Península Arábica(Árabe****)[Mu‘jam al-Buldan, 3/204–205;] nasceu Ummu Ruman, e foi ali que ela cresceu. Quando atingiu a idade de casar, teve um filho chamado ‘Abdullah. Isso ocorreu na época pré-islâmica, a época dos dias de al-Jahiliyyah. Naquela época, reinavam a corrupção e a desordem em toda a Arábia. Pode-se dizer que a pouca paz e segurança existente na Península Arábica encontrava-se somente na cidade de Meca, Umm al-Qura.[Surata Ibrahim, 35](Árabe*********)

“Quando Ibrahim disse: ‘Ó meu Senhor! Faça desta cidade uma cidade de paz e segurança…’.” No próprio centro dessa cidade honrada e gloriosa encontrava-se a Casa de Allah, o Senhor dos mundos: a Caaba. Ao longo das eras, as pessoas desejaram ir morar junto à Caaba, nessa cidade de paz e segurança. O marido de Ummu Ruman, ‘Abdullah ibn al-Harith, também sonhava em viver como vizinho da sagrada Caaba. Com o objetivo de realizar esse sonho, certo dia ele partiu de sua terra natal, ‘as-Sarat’, em direção a Meca, levando consigo sua esposa Ummu Ruman e seu filho al-Tufayl. Ao chegar a Meca, conforme o costume árabe da época, celebrou um pacto com Abu Bakr, um dos habitantes dali. Assim, começou a viver em Meca com sua família, sob a proteção de Abu Bakr. Poucos dias depois, ele morreu. A viúva Ummu Ruman, com seu filho, ficou em uma situação extremamente desamparada, longe de sua terra natal.

Em meio a essa provação, Ummu Rūmān vislumbrou uma luz de esperança. Seu protetor, Abū Bakr, era um homem de personalidade firme, dotado de generosidade e espírito caritativo. Apoiar as pessoas em suas dificuldades fazia parte de sua natureza. Depois de aceitar o Islã, quando as forças politeístas de Meca começaram a perseguir Abū Bakr (que Allah esteja satisfeito com ele) com crescente intensidade, ele decidiu deixar o país. Foi então que Ibn ad-Dighanna repreendeu os coraixitas e pronunciou algumas palavras nas quais as virtudes de Abū Bakr (que Allah esteja satisfeito com ele) foram descritas de maneira admirável. Ele disse: [Nisā’ min ‘Asr an-Nubuwwah, 269–270](Árabe********)

“Estais expulsando do país um homem que ajuda os pobres e necessitados, mantém os laços de parentesco, carrega os fardos dos outros, alimenta os hóspedes e socorre as pessoas nas adversidades?” Como poderia uma pessoa assim afastar uma viúva indefesa, juntamente com o filho que estava sob sua proteção? Ele estendeu a mão para ajudar Ummu Rūmān. Casou-se com ela e integrou-a, juntamente com seu filho, à própria família. Assim, Ummu Rūmān (que Allah esteja satisfeito com ela) obteve um lar e uma família magníficos. Durante sua vida conjugal com Abū Bakr (que Allah esteja satisfeito com ele), ela lhe deu um filho e uma filha: ‘Abd ar-Raḥmān e ‘Ā’ishah (que Allah esteja satisfeito com ela). [Ibidem; Nisā’ Hawālidār ar-Rasūl, 264] Essa ‘Ā’ishah (que Allah esteja satisfeito com ela) alcançou posteriormente a honra de tornar-se “Mãe dos Crentes”.

Não será descabido mencionar aqui que, na época da Jāhiliyyah, Abū Bakr (que Allah esteja satisfeito com ele) casou-se com Qutaylah bint ‘Abd al-‘Uzzā al-‘Āmiriyyah. Dela nasceram seu filho ‘Abdullāh e sua filha Asmā’ (que Allah esteja satisfeito com ela). Como Qutaylah não aceitou o Islã, Abū Bakr (que Allah esteja satisfeito com ele) separou-se dela. Durante sua vida islâmica, Abū Bakr casou-se com Asmā’ bint ‘Umays (que Allah esteja satisfeito com ela). Dela nasceu seu filho Muḥammad ibn Abī Bakr (que Allah esteja satisfeito com ele). Ele também se casou com Ḥabībah bint Khārijah, e faleceu quando sua filha Ummu Kulthūm ainda estava no ventre da mãe. [Nisā’ Mubashshirāt bil-Jannah, 84]

Aceitação do Islã

Todas as narrações confiáveis confirmam que Abū Bakr aṣ-Ṣiddīq (que Allah esteja satisfeito com ele) foi o primeiro homem livre a aceitar o Islã. Aquele que dedicou tudo o que possuía à divulgação e à propagação do Islã naturalmente teria apresentado o convite ao Islã aos seus familiares mais próximos imediatamente após sua própria aceitação. Sabe-se que ele levou sua mãe, Ummul Khayr Salmā bint Ṣakhr (que Allah esteja satisfeito com ela), pela mão e a apresentou diante do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) conduziu-a ao Islã. Ele também convidou sua esposa, Ummu Rūmān, ao Islã, e ela alcançou a singular honra de tornar-se membro do grupo dos primeiros muçulmanos. Ḥaḍrat ‘Ā’ishah (que Allah esteja satisfeito com ela) disse: [Tahdhīb al-Asmā’ wa al-Lughāt, 2/183]

(Árabe**********)

“Desde que passei a conhecer meu pai, vi esses dois abraçarem esta religião.”

Ibn Sa‘d disse:(Árabe*********)

«Umm Ruman abraçou o Islã, prestou o juramento de fidelidade e também emigrou muito antes, em Meca.» [Tabaqat, 8/276]

Depois de abraçar o Islã, ela se esforçou ao máximo para formar a si mesma e à sua família, de corpo e alma, segundo os ensinamentos islâmicos. Ela contemplava a grandeza do Islã e sua representação concreta na pessoa do Mensageiro de Allah (que a paz esteja com ele). O Mensageiro (que a paz esteja com ele) ia à casa de Abu Bakr (que Allah esteja satisfeito com ele) em horários diversos, conforme as necessidades da da‘wah islâmica. Toda a família de Umm Ruman ficava muito feliz com essas visitas auspiciosas do Mensageiro de Allah (que a paz esteja com ele). Ela servia esse ilustre hóspede da melhor maneira que podia. Umm Ruman (que Allah esteja satisfeito com ela) tinha uma mente transparente e um coração cheio de compaixão, repleto de fé firme. Também possuía uma força ilimitada para manter a paciência diante das adversidades. Ela sofria profundamente ao ver a cruel perseguição dos pagãos contra os muçulmanos fracos de Meca. Via o Mensageiro (que a paz esteja com ele) ensinando paciência aos seus Companheiros. Ficava feliz ao ver seu marido, Abu Bakr (que Allah esteja satisfeito com ele), apoiar os muçulmanos das classes mais fracas e comprar escravos com seu próprio dinheiro para libertá-los. Ela o incentivava em suas obras nobres.

Além dos trabalhos domésticos, ela cuidava com extremo zelo de seu filho, ‘Abd al-Rahman, e de sua filha, ‘Aisha (que Allah esteja satisfeito com ambos). Esforçava-se para educar os filhos no temor a Allah e no amor por Allah e por Seu Mensageiro. Desde o início, seu coração puro lhe dizia que sua filha, ‘Aisha, desempenharia no futuro um papel especial pelo Islã. O Mensageiro (que a paz esteja com ele) ia e vinha da casa a qualquer hora, de manhã, ao meio-dia ou à tarde. Às vezes, também orientava Umm Ruman sobre a realização das tarefas domésticas e a criação dos filhos.

Quando era pequena, ‘Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela) às vezes provocava a mãe. A mãe também a castigava. O Mensageiro (que a paz esteja com ele) ficava entristecido com isso. Certa vez, disse a Umm Ruman: (obra citada)(Árabe*****)

«Umm Ruman! Trate Aisha bem e lembre-se das minhas palavras a respeito dela.»

Certo dia, o Mensageiro (que a paz esteja com ele) foi à casa de Abu Bakr (que Allah esteja satisfeito com ele) e viu ‘Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela) chorando, encostada no batente da porta. Ele disse a Umm Ruman: «Você não deu importância às minhas palavras.» Umm Ruman respondeu: «Ó Mensageiro de Allah! Esta menina faz queixa de mim ao pai.» O Mensageiro (que a paz esteja com ele) disse: «Não importa o que ela faça, não a aflija.» (A Vida dos Companheiros do Mensageiro, 5/57)

A ternura e o carinho pelos filhos, o profundo amor e a obediência ao marido e, acima de tudo, a inteligência aguçada transformaram Umm Ruman e sua família em um modelo exemplar. Ela não tomava nenhuma decisão importante sem consultar o marido. O papel de Umm Ruman por ocasião da proposta de casamento do Mensageiro de Allah (que a paz esteja com ele) à sua filha, ‘Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela), é um excelente exemplo disso.

Três anos antes da Hégira, faleceu a Mãe dos Crentes, Khadija (que Allah esteja satisfeito com ela). O Mensageiro (que a paz esteja com ele) ficou profundamente entristecido. Certo dia, ao vê-lo abatido, Khawla bint Hakim (que Allah esteja satisfeito com ela), esposa de ‘Uthman ibn Maz‘un, disse: «Ó Mensageiro de Allah! Case-se novamente.» O Mensageiro (que a paz esteja com ele) perguntou: «Com quem?» Khawla respondeu: «Há dois tipos de pretendentes: viúvas e virgens. Podemos falar sobre aquela de quem o senhor gostar.» O Mensageiro (que a paz esteja com ele) perguntou novamente: «Quem são elas?» Khawla respondeu: «A viúva é Sawda bint Zam‘a, e a virgem é ‘Aisha, filha de Abu Bakr.» O Mensageiro (que a paz esteja com ele) disse: «Está bem. Fale com ela a meu respeito.»

Após obter a aprovação do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), Khawla (que Allah esteja satisfeito com ela) foi à casa de Abu Bakr e disse a Umm Ruman (que Allah esteja satisfeito com ela), com grande emoção: “Ó Umm Ruman! Por que Allah, o Altíssimo, concedeu tanta bondade e bênção à sua casa?” Umm Ruman respondeu: “Por quê? O que aconteceu, Khawla?”

Com o rosto radiante de alegria, Khawla (que Allah esteja satisfeito com ela) disse: “O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) falou sobre Aisha (enviou uma proposta de casamento).”

Umm Ruman (que Allah esteja satisfeito com ela) ficou por um instante pensativa. Pouco a pouco, seu rosto se iluminou. Ela disse: “Khawla! Sente-se um pouco; Abu Bakr chegará imediatamente.”

Abu Bakr (que Allah esteja satisfeito com ele) chegou. Quando Umm Ruman (que Allah esteja satisfeito com ela) lhe comunicou o assunto, ele disse: “Mut’im ibn Adi havia proposto casar Aisha com seu filho Zubayr, e eu lhe havia dado minha palavra. Não posso quebrar meu compromisso.” Abu Bakr (que Allah esteja satisfeito com ele) foi até Mut’im ibn Adi e disse: “Você havia proposto casar Aisha com seu filho. Qual é agora a decisão de vocês? Diga-me.” Mut’im perguntou à sua esposa. A família de Mut’im ainda não havia aceitado o Islã. Por isso, sua esposa disse: “Se essa menina entrar em nossa casa, nosso filho abandonará sua religião. Não concordo com essa proposta.” Abu Bakr (que Allah esteja satisfeito com ele) voltou-se para Mut’im e perguntou: “E qual é a sua opinião?” Mut’im respondeu: “Minha opinião é a mesma que a dela.” Abu Bakr (que Allah esteja satisfeito com ele) voltou para casa e disse a Khawla: “Leve o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) até aqui.” O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) veio, e o casamento foi realizado.[Musnad Ahmad-6/210-211; Tabaqat-8/58; adh-Dhahabi: Tarikh-1/280-281; Siyar A’lam an-Nubala-2/149] Atiyya (que Allah esteja satisfeito com ele) narrou esse casamento da seguinte maneira: “Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela) estava brincando com outras meninas. Sua criada veio buscá-la, e Abu Bakr (que Allah esteja satisfeito com ele) chegou e realizou o casamento.” É possível avaliar quão simples foi esse casamento por meio de uma narração de Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela). Ela disse: “Quando me casei, eu não entendia absolutamente nada. Meu casamento aconteceu. Quando minha mãe começou a me proibir de sair, compreendi que havia me casado. Depois, minha mãe me explicou tudo.”[Tabaqat-8/59-60] Em suma, Umm Ruman (que Allah esteja satisfeito com ela) educou sua filha Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela) de modo a torná-la digna de ser a futura Mãe dos Crentes, a senhora da casa do Profeta e alguém em cujo lar a revelação pudesse ser recebida.

Hégira

Abu Bakr (que Allah esteja satisfeito com ele) partiu com o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), na escuridão da noite, rumo a Medina. Eles permaneceram escondidos durante três dias na caverna do monte Thawr. A preocupação e a ansiedade tiraram o sono de Umm Ruman. De um lado, ela se preocupava porque Abu Bakr (que Allah esteja satisfeito com ele) não havia deixado dinheiro em casa para os filhos; de outro, temia pela segurança do amado Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) e de seu marido. Contudo, mantendo-se extremamente firme e inabalável, afastou da mente todas as preocupações e continuou a suplicar a Allah para que o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) chegasse em segurança a Medina.

Depois de se estabelecer um pouco em Medina, o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) enviou Zayd ibn Haritha (que Allah esteja satisfeito com ele) e Rafi’ (que Allah esteja satisfeito com ele) a Meca para trazer seus familiares para Medina. Abu Bakr (que Allah esteja satisfeito com ele) também enviou Abd Allah com eles, dizendo-lhe que trouxesse Asma, Aisha e sua mãe Umm Ruman para Medina. Quando todas essas pessoas partiram de Meca, Talha ibn Abd Allah (que Allah esteja satisfeito com ele) juntou-se a elas como companheiro de viagem para a Hégira. Com Abu Rafi’ e Zayd ibn Haritha (que Allah esteja satisfeito com eles), estavam Umm Kulthum, Fatima, a Mãe dos Crentes Sawda bint Zam’a, Umm Ayman e Usama ibn Zayd (que Allah esteja satisfeito com eles); e com Abd Allah ibn Abu Bakr (que Allah esteja satisfeito com ele), estavam Umm Ruman, Asma e Aisha (que Allah esteja satisfeito com elas).[Ansab al-Ashraf-1/269-270]

Quando essa caravana partiu de Meca e chegou a al-Bayda, local de residência dos Banu Kinana, no Hijaz, o camelo sobre o qual estavam Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela) e sua mãe Umm Ruman (que Allah esteja satisfeito com ela) se assustou e começou a correr em alta velocidade. A cada instante, elas temiam ser lançadas para fora, junto com o howdah. Como é próprio das mulheres, a mãe não se importava consigo mesma; começou a chorar e a se afligir pela filha querida, Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela). Ela continuava gritando:(Árabe******)

“Salvem a nora, salvem minha filha!”

Hadrat ‘Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela) disse: Nesse momento, ouvi alguém dizer:

“Afrouxe as rédeas do camelo.” Afrouxei as rédeas. Pela vontade de Allah, o camelo se acalmou e ficou parado.[Al-Bidaya wan-Nihaya-3/211; Al-Isti‘ab-4/4343]

Eles permaneceram em segurança e chegaram a Medina em segurança.

Hadrat Ummu Ruman (que Allah esteja satisfeito com ela) instalou-se com os filhos no bairro dos Banu al-Harith ibn Khazraj, em Medina, e viveu ali durante sete ou oito meses. É digno de nota que ‘Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela) permanecia com a mãe. O clima de Medina não era favorável à maioria dos muhajirun vindos de Meca. Muitos homens e mulheres adoeceram. Abu Bakr (que Allah esteja satisfeito com ele) adoeceu. Abu Bakr (que Allah esteja satisfeito com ele) adoeceu. Graças aos cuidados incansáveis da mãe e da filha, ele se recuperou. Depois que o marido se recuperou, sua filha ‘Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela) ficou acamada. Sua doença foi tão grave que quase todos os seus cabelos caíram.[Sahih al-Bukhari: capítulo da Hégira; Tabaqat-8/63] Ela se recuperou graças aos cuidados da mãe. Depois que se livraram de todas essas dificuldades e aflições, a mãe, Ummu Ruman (que Allah esteja satisfeito com ela), disse um dia ao Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele): “Ó Mensageiro de Allah! Por que não leva sua esposa para sua casa? No momento, não tenho dinheiro suficiente para pagar o mahr.” Abu Bakr (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: “Aceite meu dinheiro. Estou lhe emprestando.” Então o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) tomou emprestado de Abu Bakr (que Allah esteja satisfeito com ele) o valor equivalente ao mahr e enviou-o a ‘Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela).

No sexto ano da Hégira, no caminho de volta da batalha de Muraysi‘, os hipócritas envolveram-se numa conspiração terrível contra a família do Profeta. Hadrat ‘Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela) acompanhava o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) nessa viagem. No caminho de volta, aproveitando-se de um incidente, um grupo mal-intencionado espalhou calúnias com o objetivo de manchar o caráter de Hadrat ‘Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela). Durante quase um mês, essa falsa acusação circulou pela sociedade de Medina. O próprio Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) e a família de Abu Bakr (que Allah esteja satisfeito com ele) ficaram numa situação extremamente constrangedora. Quando a calúnia contra sua filha chegou aos ouvidos de Ummu Ruman (que Allah esteja satisfeito com ela), ela perdeu a consciência e caiu ao chão.[A‘lam an-Nisa’-1/472] Contudo, recuperou a consciência pouco depois, fortaleceu-se e entregou tudo a Allah e ao Seu Mensageiro. No início, o que as pessoas diziam foi mantido em segredo de ‘Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela). Mais tarde, quando soube, ela repreendeu severamente a mãe por ter ocultado isso dela.[Nisa Hawlar Rasul-267] Ao voltar da viagem para Medina, ‘Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela) adoeceu ligeiramente e foi para junto da mãe. Depois, permaneceu com ela durante todo aquele mês de grave crise. Nesse período, Ummu Ruman (que Allah esteja satisfeito com ela) esteve ao lado da filha como uma mãe exemplar. Sempre a aconselhava a ter paciência e dizia-lhe que confiasse em Allah, o Senhor dos mundos. Certo dia, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) foi à casa paterna de ‘Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela). Abu Bakr e Ummu Ruman (que Allah esteja satisfeito com eles) pensaram que talvez naquele dia fosse tomada alguma decisão definitiva. Por isso, ambos se aproximaram e sentaram-se. O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse a ‘Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela): “‘Aisha, chegaram aos meus ouvidos essas coisas a seu respeito. Se você for inocente, espero que Allah revele isso e o prove. Mas, se de fato tiver cometido algum pecado, arrependa-se diante de Allah e peça-Lhe perdão. Quando um servo reconhece o pecado e se arrepende, Allah o perdoa.”

‘Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela) disse: Ao ouvir as palavras do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), minhas lágrimas secaram. Eu disse ao meu pai: “Responda às palavras do Nobre Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele).” Ele respondeu: “Minha filha! Não sei o que dizer ao Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele).” Eu disse à minha mãe: “Responda ao Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele).” Ela respondeu: “Não sei o que dizer ao Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele).”[Tafsir Ibn Kathir, Tafsir al-Qurtubi: Surata an-Nur, versículos 11–21; Bukhari-6/127; Tafsir da Surata an-Nur.]

Enquanto isso, o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) entrou no estado que ocorre durante a descida da revelação. Mesmo em meio ao frio intenso, gotas de suor começaram a cair de seu rosto abençoado. Ao ver aquela situação, todos ficamos em silêncio. Eu estava completamente tranquila. Mas meu pai, Abu Bakr, e minha mãe, Ummu Ruman, encontravam-se numa situação extremamente angustiante. Preocupados com que verdade Allah revelaria, estavam agitados e aflitos. Quando terminou o estado da revelação, o Nobre Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) parecia extremamente feliz. Sorrindo, as primeiras palavras que disse foram: “‘Aisha, boas-novas para você. Allah fez descer uma revelação declarando sua inocência.” Em seguida, recitou para nós os versículos 11 e 12 da Surata an-Nur. Minha mãe disse-me: “Levante-se e agradeça ao Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele).”

A ansiedade e a agitação que tomaram conta da família de Ummu Ruman (que Allah esteja satisfeito com ela) por causa do episódio da calúnia lançada contra sua amada filha ‘Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela) desapareceram após a revelação da wahy. A honra e a importância que essa família já possuía aos olhos das pessoas aumentaram cem vezes mais. Como mãe, a felicidade de Ummu Ruman (que Allah esteja satisfeito com ela) não conhecia limites.

O episódio de Umm al-Mu’minin Hadrat ‘Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela) causou um enorme desgaste físico e emocional à sua mãe, Ummu Ruman (que Allah esteja satisfeito com ela). Depois de superar isso, ela própria adoeceu e ficou acamada. Sua filha ‘Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela) fez todo o possível para curá-la. Todos os esforços foram inúteis. Ela faleceu em Medina, no mês de Dhul-Hijjah do sexto ano da Hégira.[A‘lam an-Nisa’-1/472]

Ummu Ruman era uma mulher devota. A satisfação de Allah e de Seu Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) era o seu único objetivo. Assumindo sobre os próprios ombros todas as responsabilidades do lar, ela proporcionava ao marido mais tempo para servir ao Islã. Certo dia, seu marido Abu Bakr (que Allah esteja satisfeito com ele) chegou em casa com alguns convidados do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Era preciso oferecer-lhes uma refeição à noite. Entretanto, chegou uma convocação urgente da presença do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Ele disse a Ummu Ruman (que Allah esteja satisfeito com ela) que demoraria a voltar e pediu que ela desse de comer aos convidados. Conforme combinado, Ummu Ruman (que Allah esteja satisfeito com ela) mandou seu filho ‘Abdur Rahman apresentar a comida aos convidados no horário apropriado; porém, eles se recusaram a comer na ausência do anfitrião. Quando Abu Bakr (que Allah esteja satisfeito com ele) voltou tarde da noite e soube que os convidados continuavam sem comer, ficou extremamente zangado com Ummu Ruman e com seu filho ‘Abdur Rahman. Chegou até a tentar bater no filho. Por fim, acalmou-se por intervenção dos convidados. A comida foi colocada diante deles. Depois que todos comeram até se satisfazer, Ummu Ruman disse que ainda restava uma quantidade de comida três vezes maior que a que havia sido preparada. Abu Bakr (que Allah esteja satisfeito com ele) enviou essa comida à casa do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). (Bukhari 1/84, 85)

Ela era uma mulher ‘abida (devota e dedicada à adoração). Seu marido ensinava-lhe as regras e os métodos da adoração. Certo dia, enquanto estava de pé na oração, ela olhava de soslaio para um lado e para o outro. Ao perceber isso, Abu Bakr (que Allah esteja satisfeito com ele) repreendeu-a de tal maneira que ela quase interrompeu a oração. Então ele disse: Ouvi o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) dizer:[Hayat as-Sahaba-3/137](Árabe*********)

‘Quando qualquer um de vós se levantar para a oração, mantenha o olhar fixo. Não o mova de um lado para o outro como os judeus. Manter o olhar fixo faz parte da perfeição da oração.’

O Nobre Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) tinha grande respeito por Ummu Ruman (que Allah esteja satisfeito com ela), por ela ser sua sogra, por um lado, e por sua contribuição ao serviço do Islã, por outro. Por isso, quando filha e genro conversavam em sua presença, ela os ouvia em silêncio. Às vezes, também mediava as suas doces e afetuosas discussões. O Nobre Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) frequentemente falava de sua primeira esposa, Umm al-Mu’minin Hadrat Khadijah al-Kubra (que Allah esteja satisfeito com ela), e mencionava suas muitas virtudes. Isso despertava o ciúme próprio da natureza feminina de ‘Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela). Certo dia, ela deixou escapar: Parece que não existe no mundo nenhuma outra mulher além de Khadijah (que Allah esteja satisfeito com ela). O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) ficou bastante magoado com essa reação de ‘Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela). Então Ummu Ruman, como mãe, interveio. Dirigindo-se ao genro, ela disse: O que aconteceu entre você e ‘Aisha? Ela é jovem; uma pessoa como você pode perdoá-la.[As-Sirah al-Halabiyyah-3/401]

A família de Ummu Ruman (que Allah esteja satisfeito com ela) sempre pedia ao Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) que fizesse du‘a. Certo dia, Abu Bakr (que Allah esteja satisfeito com ele) e Ummu Ruman (que Allah esteja satisfeito com ela) foram até o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Ele perguntou: Por que vocês vieram? Eles responderam: Ó Mensageiro de Allah! Faça diante de nós uma du‘a pedindo o perdão de ‘Aisha. O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse:(Árabe****)

‘Ó Allah! Perdoa todos os pecados aparentes e ocultos de ‘Aisha, filha de Abu Bakr, para que não lhe reste pecado algum.’

Depois desta súplica, vendo os sogros bastante alegres, o Mensageiro (s.a.w.) disse: «Desde o dia em que Allah me enviou como Profeta até hoje, esta tem sido a súplica por todos os muçulmanos da minha ummah.»[Tuhfat as-Siddiq fi Fada’il Abi Bakr as-Siddiq-97; Siyar A’lam an-Nubala-2/158]

Com a morte de Ummu Ruman (r.a.), sua filha ‘Aisha (r.a.) e os demais familiares ficaram, assim como seu genro, o Nobre Mensageiro (s.a.w.), profundamente entristecidos. Enquanto ela viveu, o Mensageiro (s.a.w.) lhe tributou profundo respeito; mesmo após sua morte, demonstrou igual respeito por seu corpo.

Foi narrado que o Mensageiro (s.a.w.) desceu ao túmulo de apenas cinco pessoas e as sepultou com suas próprias mãos. Entre elas, havia três mulheres e dois homens. Em Meca, ele desceu ao túmulo da Mãe dos Crentes, Khadija. E, entre as outras quatro pessoas em Medina, estava Ummu Ruman (r.a.). No cemitério de Baqi‘, o Nobre Mensageiro (s.a.w.) colocou o corpo de Ummu Ruman (r.a.) no túmulo e fez esta súplica:[Al-Isti‘ab-4/431; Al-Isaba-4/433; Wafa al-Wafa-3/897](Árabe*****)

«Ó Allah! Não Te está oculto tudo quanto Ummu Ruman suportou em busca da Tua satisfação e da satisfação do Teu Mensageiro.»

Ele também disse aos presentes:[Tabaqat-8/277; Kanz al-Ummal-12/146; Ansab al-Ashraf-1/420; ar-Rawd al-Anf-4/21]

«Se algum de vós deseja alegrar-se ao ver uma hur al-‘ayn do Paraíso, pode olhar para Ummu Ruman.»

Uma vez que isso (Árabe*****ocorrerá somente no Paraíso, pelas palavras do Mensageiro de Allah (s.a.w.) compreende-se que Ummu Ruman (r.a.) certamente estará entre os habitantes do Paraíso. Nestas palavras foi dada justamente essa boa-nova.

Foi narrado um hadith do Mensageiro de Allah (s.a.w.) por intermédio de Ummu Ruman (r.a.). O Imam Bukhari (r.a.) compilou esse hadith.

Ummu ‘Atiyya bint al-Harith (ra)


Ummu ‘Atiyya (ra) era uma mulher ansarita. Seu pai chamava-se al-Harith.[Tahdhib al-Asma’ wa al-Lughat-2/364; Tahdhib at-Tahdhib-12/455; Usud al-Ghaba-5/603] Ela era uma eminente mulher Companheira. Ummu ‘Atiyya era seu kunya, e foi por esse nome que se tornou conhecida na história. Seu nome verdadeiro era Nusaiba bint al-Harith.[Al-Qamus al-Muhit, verbete (nasab)] É importante observar que não se encontra nenhuma outra mulher Companheira que tivesse simultaneamente o nome Nusaiba e o kunya Ummu ‘Atiyya.

É provável que ela tenha aceitado o Islã antes da Hégira do Mensageiro de Allah (sa) para Medina. Por isso, depois que o Mensageiro (sa) chegou a Medina, ela relatou a aliança que ele realizou com as mulheres, assim como com os homens, da seguinte maneira:

Quando o Mensageiro de Allah (sa) chegou a Medina, reuniu as mulheres ansaritas em uma casa. Depois, enviou para lá ‘Umar ibn al-Khattab (ra). Ele foi até lá, ficou do outro lado da porta e cumprimentou-as com salam; as mulheres também responderam ao salam. Em seguida, disse: “Vim até vós como representante do Mensageiro de Allah (sa).” Nós dissemos: “Sejam bem-vindos o Mensageiro de Allah (sa) e seu representante.” Ele disse: “Prestai a aliança sob o compromisso de não associardes nada a Allah, não roubardes, não cometerdes adultério, não matardes vossos filhos, não levantardes falsas acusações contra ninguém e não desobedecerdes em nenhuma boa ação.”

Dissemos: “Sim, aceitamos.” Então, ‘Umar (ra) estendeu a mão do lado de fora da porta, e as mulheres dentro da casa também estenderam cada uma a sua mão. (Na realidade, estender as mãos era apenas um símbolo da aliança. Nenhuma mulher tocou na mão de ‘Umar (ra).) Depois, ‘Umar (ra) disse: “Ó Allah, sê testemunha!” Ummu ‘Atiyya (ra) acrescentou: “Foi-nos ordenado levar nossas mulheres menstruadas e nossas moças ao local da oração dos dois ‘Eids, fomos proibidas de acompanhar os cortejos fúnebres e fomos dispensadas da oração de Jumu‘a.” Nesse dia, Ummu ‘Atiyya perguntou a explicação das duas expressões: “levantar falsas acusações” e “desobedecer em uma boa ação”.[Hayat as-Sahaba-1/251-252]

O ilustre Mensageiro (sa) havia permitido que as mulheres partissem para o jihad. De fato, muitas mulheres dos Muhajirun e dos Ansar, inclusive algumas esposas do Mensageiro de Allah (sa), participaram do jihad. Por exemplo, a Mãe dos Crentes ‘A’isha (ra) participou das batalhas de Uhud e de Banu al-Mustaliq, enquanto a Mãe dos Crentes Ummu Salama (ra) participou da campanha de Khaybar e da conquista de Makkah.

No campo de batalha, as mulheres geralmente se dedicavam a tarefas de assistência, como cuidar dos feridos, administrar-lhes medicamentos, preparar alimentos, oferecer água para beber e outras atividades semelhantes. Ummu ‘Atiyya também participou de batalhas junto com o Mensageiro de Allah (sa). Ela mesma disse: [At-Tajh al-Jami‘ li al-Usul-4/344; Tabaqat-8/455; al-Isaba-4/455; al-Isaba-4/455; al-Maghazi-2/685; Sirat Ibn Hisham-2/342](Árabe*********)

“Participei de sete batalhas com o Profeta (sa). Ficava nas tendas atrás deles, preparando comida para eles, administrando medicamentos aos feridos e cuidando dos doentes.” Na batalha de Khaybar, Ummu ‘Atiyya (ra) saiu de casa com um grupo de vinte mulheres, com o objetivo de obter a recompensa do jihad.

Havia uma relação profunda entre Ummu ‘Atiyya (que Allah esteja satisfeito com ela) e a família do Profeta (que a paz esteja com ele). Em especial, sua relação com a Mãe dos Crentes, ‘A’isha (que Allah esteja satisfeito com ela), era muito cordial. De vez em quando, ela presenteava ‘A’isha (que Allah esteja satisfeito com ela). Certo dia, o Mensageiro (que a paz esteja com ele) foi ao quarto de ‘A’isha (que Allah esteja satisfeito com ela) e perguntou: “Você tem algo para comer?” ‘A’isha (que Allah esteja satisfeito com ela) respondeu: “Não. Contudo, havia sido enviada a Ummu ‘Atiyya Nusayba alguma carne de uma cabra dada em caridade, e ela nos enviou uma parte.” O Mensageiro (que a paz esteja com ele) disse: “Isso chegou ao seu devido destino.” [Al-Isaba, 4/455]

Ummu ‘Atiyya (que Allah esteja satisfeito com ela) também mantinha relações com as filhas do nobre Mensageiro de Allah (que a paz esteja com ele). A prova disso é que, quando Zaynab (que Allah esteja satisfeito com ela) faleceu, no início do oitavo ano da Hégira, Ummu ‘Atiyya (que Allah esteja satisfeito com ela) deu-lhe o banho fúnebre. Ela narrou o ocorrido da seguinte maneira: [Muwatta do Imam Malik: Al-Jana’iz; Tabaqat, 8/34-35; Usud al-Ghaba, 5/603; Adh-Dhahabi: Tarikh, 2/520](Árabe********)

“Quando Zaynab, filha do Mensageiro de Allah (que a paz esteja com ele), faleceu, o Mensageiro (que a paz esteja com ele) disse: ‘Dai-lhe o banho fúnebre três ou cinco vezes, em número ímpar. Na última vez, usai cânfora ou algo semelhante à cânfora. Quando terminardes o banho, informai-me.’ Quando terminamos de lhe dar o banho, o Mensageiro (que a paz esteja com ele) nos entregou uma de suas próprias peças de roupa inferior e disse: ‘Envolvei-a com isso.’”

Quando Ummu Kulthum (que Allah esteja satisfeito com ela), outra filha do Mensageiro de Allah (que a paz esteja com ele), faleceu, Ummu ‘Atiyya (que Allah esteja satisfeito com ela) também lhe deu o banho fúnebre. [At-Tabari: Tarikh, 2/192; Ibn Majah, hadith nº 1458; Tabaqat, 8/38; Al-Isaba, 4/466] Assim, durante o período do Mensageiro de Allah (que a paz esteja com ele), ela simplesmente cumpriu suas responsabilidades.

Durante o Califado Bem-Guiado, um filho de Ummu ‘Atiyya (que Allah esteja satisfeito com ela) partiu para uma das batalhas e foi levado para Basra em estado gravemente enfermo. Ao receber a notícia, sua mãe, Ummu ‘Atiyya (que Allah esteja satisfeito com ela), dirigiu-se rapidamente para lá. Contudo, seu filho faleceu um dia antes de sua chegada. Ela hospedou-se no palácio dos Banu Khalaf, em Basra, e não saiu mais dali. No terceiro dia após a morte do filho, mandou buscar perfume, aplicou-o no corpo e disse:

 (Árabe*******)[As duas coletâneas autênticas: At-Talaq; Tafsir al-Khazin, 1/239]

“Uma mulher não deve guardar luto por mais de três dias por qualquer falecido, exceto por seu marido. Pelo marido, deverá guardar luto durante quatro meses e dez dias.”

Ela procurava obedecer devidamente às ordens e proibições do Mensageiro de Allah (que a paz esteja com ele). Quando foi proibido lamentar continuamente os mortos, ela disse: “As pessoas de determinada família vieram até mim e prantearam; portanto, eu também deveria ir prantear um de seus mortos, como retribuição.” Por causa dessas palavras, o Mensageiro (que a paz esteja com ele) declarou aquela família uma exceção ao âmbito da proibição. [Sahih Muslim, 1/401; Musnad, /407]

Entre as mulheres ansar que possuíam uma memória excepcional, Umm ‘Atiyya (r.a.) era uma delas. Ela memorizou e narrou vários hadiths do Mensageiro de Allah (s.a.w.). O Imam An-Nawawi (r.a.) mencionou que quarenta hadiths do Mensageiro de Allah (s.a.w.) foram narrados por intermédio de Umm ‘Atiyya (r.a.). Desses, seis foram narrados tanto por Al-Bukhari quanto por Muslim. Além disso, cada um dos dois narrou individualmente um hadith em sua própria coletânea.[Tahdhib al-Asma’ wa al-Lughat-2/364] Seus hadiths também foram compilados nas Sunan al-Arba‘a.

Muitos proeminentes tabi‘in, incluindo o ilustre companheiro Anas ibn Malik (r.a.), ouviram e narraram esses hadiths dela. Entre eles estavam: Hafsa bint Sirin (falecida em 101 AH), seu irmão Muhammad ibn Sirin, ‘Abd al-Malik ibn ‘Umayr, ‘Ali ibn al-Aqmar, Umm Shurah (r.a.) e outros.[Siyar A‘lam an-Nubala-2/318; Tahdhib at-Tahdhib-12/455]

O Imam Adh-Dhahabi mencionou Umm ‘Atiyya (r.a.) entre as companheiras juristas. A veracidade disso fica comprovada ao observarmos a seguinte narração sua. Ele disse: (Árabe(********

“Fomos proibidas de acompanhar os cortejos fúnebres, mas não de forma rigorosa.” Com isso, ele quis dizer que as mulheres foram proibidas de seguir atrás do cortejo fúnebre. Contudo, essa proibição não é tão rigorosa quanto outras proibições. Portanto, não chega ao nível de haram; está antes no nível de makruh.[Nisa’ min ‘Asr an-Nubuwwah-121, nota 1]

Ibn ‘Abd al-Barr considerou Umm ‘Atiyya (r.a.) uma habitante de Basra. A famosa tabi‘iyya Hafsa bint Sirin (r.a.) também afirmou isso.[Ibid.] Vários dados históricos indicam que, depois de deixar Medina, ela nunca mais voltou para lá. Permaneceu em Basra até o último dia de sua vida. Conquistou o profundo respeito e amor dos companheiros, tabi‘in e do povo em geral de Basra. Sua boa relação com os Ahl al-Bayt, isto é, a família do Profeta, manteve-se durante toda a sua vida. Hadrat ‘Ali (r.a.) costumava comer e descansar em sua casa.[Tabaqat-8/456; Al-Isaba-4/455]

Em Basra, ela ganhou fama como uma companheira jurista. Depois que se tornaram conhecidos seu entendimento dos hadiths, seu profundo conhecimento das normas da Sharia e sua proximidade do Mensageiro de Allah (s.a.w.), tornou-se uma pessoa respeitada por gente de todas as classes. Como havia lavado os corpos das duas filhas do Mensageiro de Allah (s.a.w.) e narrava esse acontecimento, os companheiros residentes em Basra e tabi‘in juristas de alto nível, como Muhammad ibn Sirin (r.a.), iam até ela para aprender as regras e os procedimentos do banho fúnebre e outros assuntos.[Al-Isti‘ab-4/452; Al-Isaba-4/455]

Supõe-se que ela tenha falecido em Basra no final do ano 70 da Hégira.[Siyar A‘lam an-Nubala’ 2/318]

Zaynab bint Abu Mu‘awiya (r.a.)


Naquela época, o nome Zaynab era bastante comum na Arábia. Nos livros de sīrah, encontram-se muitas mulheres com esse nome. Entre as Zaynabs que conquistaram um lugar nas páginas da história por sua fé e suas virtudes, está também a nossa Zaynab. Ela era filha da famosa tribo de Thaqīf. Seu pai era ʿAbdullāh Abū Muʿāwiyah ibn ʿUttāb. Seu marido era o ilustre Companheiro ʿAbdullāh ibn Masʿūd (que Allah esteja satisfeito com ele).[Ṭabaqāt-8/290; al-Istīʿāb-4/310; Usud al-Ghābah-5/470; Tahdhīb al-Tahdhīb-12/422]

Ela era artesã. Vendia os objetos que confeccionava com as próprias mãos e gastava o que obtinha com os filhos e a família. Aceitou o Islã junto com outras pessoas e prestou bayʿah ao Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) junto com outras mulheres. Participou da expedição de Khaybar.[Majmaʿ al-Zawāʾid-6/10]

Zaynab (que Allah esteja satisfeito com ela) foi uma das Companheiras que memorizaram e transmitiram os hadiths do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). O número de hadiths narrados por ela é oito. Ela narrou hadiths diretamente do Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), bem como por intermédio de seu marido, ʿAbdullāh ibn Masʿūd, e de ʿUmar ibn al-Khaṭṭāb (que Allah esteja satisfeito com ambos).[Nisāʾ min ʿAṣr al-Nubuwwah-72] E os seguintes narraram hadiths por intermédio dela:

Abū ʿUbaydah, ʿUmar ibn al-Ḥārith, Bisr ibn Saʿīd, ʿUbayd ibn Sabbāk, um de seus sobrinhos cujo nome não é conhecido, e muitos outros.[al-Iṣābah-4/313]

Zaynab (que Allah esteja satisfeito com ela) narrou que o nobre Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) proibiu as mulheres de usar qualquer tipo de perfume ao saírem de casa. Certo dia, o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) lhe disse: “Quando saíres de casa para a oração do ʿishāʾ, não uses perfume.[Ṭabaqāt-8/290; al-Istīʿāb-4/310; al-Iṣābah-4/313;]

O marido de Zaynab (que Allah esteja satisfeito com ela), ʿAbdullāh ibn Masʿūd (que Allah esteja satisfeito com ele), era um Companheiro de elevada posição. Ele seguia à risca as palavras e os atos do nobre Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Não conseguia sequer imaginar a menor alteração. Esforçava-se ao máximo para educar também os membros de sua família da mesma maneira. Como esposa, Zaynab (que Allah esteja satisfeito com ela) aprendeu com ele muitas normas islâmicas e diversos aspectos do modo de vida.

O Imām Aḥmad compilou uma narração de Zaynab (que Allah esteja satisfeito com ela). Ela disse: “Quando ʿAbdullāh (seu marido) voltava para casa depois de concluir o trabalho externo, parava junto à porta, limpava a garganta e tossia, para não nos surpreender em alguma situação de que ele não gostasse. Certo dia, ele voltou e limpou a garganta. Naquele momento, uma idosa estava sentada comigo, recitando encantamentos e soprando sobre mim com o objetivo de me curar da doença de ḥumrah (). Rapidamente, escondi-a debaixo da cama. Depois que ele entrou em casa e se sentou ao meu lado, viu um fio pendurado em meu pescoço. Perguntou: ‘O que é isso?’

Respondi: ‘Fizeram encantamentos e sopraram sobre mim com isto.’ Ele o segurou, rasgou-o e o reduziu a pedaços. Então disse: ‘A família de ʿAbdullāh não tem necessidade alguma de shirk. Ouvi o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) dizer: “Encantamentos, amuletos e feitiçaria são shirk.”’

Eu lhe disse: Por que você está dizendo isso? Certa vez, meus olhos sofriam de uma secreção, e eu fui até um determinado judeu. Quando ele recitou um encantamento sobre meus olhos e soprou neles, fiquei curada.

Ele disse: Isso é obra de Satanás. Ele cutucava seus olhos com a mão. Quando recitava o encantamento e soprava, Satanás parava de cutucá-los. Para você, basta aquilo que o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse:(Árabe****************)

‘Ó Senhor da humanidade! Afasta esta aflição. Tu és o Curador; cura-me. Não há cura além da Tua cura. Concede uma cura que não deixe doença alguma.[Bukhari; At-Tibb, capítulo sobre a ruqyah do Profeta; Muslim: capítulo sobre a ruqyah do enfermo; Abu Dawud (3883); Ibn Majah (3530); Tafsir Ibn Kathir – 4/494]

Os juristas islâmicos dizem: se o zakat se tornar obrigatório para a esposa, é apropriado que ela dê o zakat ao marido. Isso porque a responsabilidade pelo sustento da família não é da esposa, mas do marido. Portanto, ao dar ao marido, em vez de entregar o dinheiro do zakat a outra pessoa, a esposa obterá uma recompensa maior.

Algo semelhante também aconteceu com Zaynab (que Allah esteja satisfeito com ela). Certo dia, ela ouviu o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) fazer um sermão, incentivando as mulheres a dar sadaqah e a buscar proximidade com Allah. Ao voltar para casa, reuniu todas as suas joias com a intenção de doá-las. Seu marido, ‘Abdullah ibn Mas‘ud (que Allah esteja satisfeito com ele), perguntou: Onde você vai com essas joias?

Ela respondeu: Com elas, quero alcançar a satisfação e a proximidade de Allah e de Seu Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele).

Ele disse: Dê-as a mim; dê-as a mim e aos meus filhos. Eu sou mais merecedor de recebê-las.[Hilyat al-Awliya wa Tabaqat al-Asfiya – 2/69]

Em seguida, o Imam Bukhari narrou o acontecimento, por intermédio de Abu Sa‘id al-Khudri (que Allah esteja satisfeito com ele), da seguinte maneira:

Zaynab, esposa de Ibn Mas‘ud, disse: Ó Profeta de Allah! Hoje o senhor ordenou a sadaqa. Tenho algumas joias e quero doá-las como sadaqa. Mas Ibn Mas‘ud (seu marido) considera que ele e seu filho têm mais direito do que os outros de recebê-la. O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: Ibn Mas‘ud está certo. Seu marido e seu filho têm mais direito do que os outros de receberem a sua sadaqa.

O acontecimento foi narrado desta forma por ‘Amr ibn al-Harith:

Zaynab, esposa de ‘Abdullah ibn Mas‘ud (que Allah esteja satisfeito com ele), disse: O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse:(Árabe************)

“Ó mulheres! Dai sadaqa, ainda que seja com as vossas joias.”

Zaynab disse: Ao ouvir isso, voltei para junto de ‘Abdullah. Disse-lhe: Você é um homem de poucos recursos. O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) ordenou-nos que déssemos sadaqa. Vá até ele e pergunte se é permitido dar-lhe sadaqa. Se não for permitido, darei a outras pessoas.

Fui até lá. Vi outra mulher ansarita parada à porta do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). É digno de nota que o nome dessa mulher também era Zaynab e que ela era esposa de Abu Mas‘ud al-Ansari. O objetivo dela e o meu era o mesmo. Bilal (que Allah esteja satisfeito com ele) saiu de dentro. Dissemos-lhe: Vá, por favor, até o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) e diga-lhe que duas mulheres paradas à porta querem saber se é permitido dar sadaqa ao marido e aos seus filhos pequenos. Não lhe diga quem somos.

Bilal (que Allah esteja satisfeito com ele) foi até o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) e perguntou-lhe sobre o assunto. Mas o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) perguntou: Quem são elas? Bilal (que Allah esteja satisfeito com ele) respondeu: Uma mulher ansarita e Zaynab.

O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) perguntou novamente: Qual Zaynab? Bilal respondeu: A esposa de ‘Abdullah ibn Mas‘ud. O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: Elas receberão duas recompensas: a da manutenção dos laços de parentesco e a da sadaqa.[Bukhari: az-Zakat, capítulo sobre a zakat dada aos parentes; Muslim: az-Zakat, capítulo sobre a virtude de gastar com os parentes, a esposa e os filhos; Usud al-Ghaba-5/470, 471; al-Isaba-4/313]

O marido de Zaynab, ‘Abdullah ibn Mas‘ud, faleceu no ano 32 da Hégira. Em seu leito de morte, deixou um testamento em favor de az-Zubayr ibn al-‘Awwam e ‘Abdullah ibn az-Zubayr, concedendo-lhes certa autoridade para cuidar de sua esposa e filhas e tomar decisões acerca de seus casamentos. [Tabaqat, 3/159] Não há informações precisas sobre quando ou onde Zaynab faleceu. Supõe-se, contudo, que ela tenha vivido por vários anos após a morte do marido e falecido no final do Califado Bem-Guiado. [Nisa’ min ‘Asr an-Nubuwwah, p. 76]

Ar-Rubayyi‘ bint Mu‘awwidh (que Allah esteja satisfeito com ela)


Ar-Rubayyi‘ era uma filha da família de ‘Adi ibn an-Najjar, de Medina. Sua família fazia parte das famílias ansar que desempenharam um papel grandioso a serviço do Islã. Nos primeiros tempos, essa família prestou uma contribuição gloriosa a serviço do Mensageiro de Allah, do Islã e dos muçulmanos que haviam vindo de Meca. Seus ilustres pais eram Mu‘awwidh, Iyas, ‘Aqil, Khalid e ‘Amir. A mãe deles era ‘Afra’ bint ‘Ubayd al-Ansariyya an-Najjariyya (que Allah esteja satisfeito com ela). O pai de seus três primeiros filhos era al-Harith ibn Rifa‘a an-Najjari. Contudo, eles eram mais conhecidos pelo nome de sua mãe, ‘Afra’, do que pelo nome do pai. Na história, são conhecidos como(Árabe***********)(os filhos de ‘Afra’). O pai dos quatro restantes era al-Bukayr ibn ‘Abd Yalil al-Laythi. Todos os sete filhos de ‘Afra’ participaram, ao lado do Nobre Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), da Batalha de Badr, a primeira batalha do Islã. ‘Awf, tio de ar-Rubayyi‘, foi um dos seis habitantes de Medina que foram a Meca, encontraram-se secretamente pela primeira vez com o Mensageiro de Allah e aceitaram o Islã. Ele também era um ‘Aqabi, isto é, alguém que participou dos dois juramentos de fidelidade de ‘Aqaba. Seu pai, Mu‘awwidh, e seu outro tio, Mu‘adh (que Allah esteja satisfeito com eles), participaram do primeiro juramento de fidelidade de ‘Aqaba.

Sua avó, ‘Afra’ bint ‘Ubayd, aceitou o Islã no início da propagação da mensagem islâmica em Medina. Depois da chegada do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) a Medina, ela também prestou o juramento de fidelidade juntamente com as demais mulheres ansar. Seus sete filhos participaram da Batalha de Badr sob a bandeira do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), e dois deles alcançaram o martírio. Haveria, entre as mulheres muçulmanas, alguma outra tão afortunada quanto ela? A mãe de ar-Rubayyi‘, Ummu Yazid bint Qays, também era filha da tribo de ‘Adi ibn an-Najjar, de Medina.

Abu Jahl, que era chamado de Faraó desta comunidade, foi morto em Badr pelos dois filhos de ‘Afra’, e o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) fez uma súplica favorável por eles. Ele suplicou: [Ansab al-Ashraf, 1/299; Ahmad Zayni Dahlan, as-Sirah an-Nabawiyyah, 1/389](Árabe******)

Que Allah derrame Sua misericórdia e compaixão sobre os dois filhos de ‘Afra’, que participaram da morte de Abu Jahl, o Faraó desta comunidade.

A mãe de ar-Rubayyi‘, Ummu Yazid bint Qays, era filha da tribo de an-Najjar, de Medina. Sua irmã era Furay‘a bint Mu‘awwidh. Ela também era uma Companheira de elevado nível. Devido à extrema aceitação de suas súplicas perante Allah,(Árabe******) era chamada de (Mujabatud du‘awah). [Al-Isti‘ab, 4/375]

Como já foi mencionado, o pai e os tios de ar-Rubayyi‘ eram guerreiros valentes na Batalha de Badr. Naquele dia, deram a vida e abriram o caminho para a sequência de vitórias do Islã nos tempos posteriores. Nesse dia, o bravo soldado dos coraixitas, Abu al-Walid—‘Utba ibn Rabi‘a—, saiu das fileiras do exército pagão acompanhado de seu irmão Shayba e de seu filho al-Walid ibn ‘Utba, avançou em direção ao exército muçulmano e os desafiou para um combate individual. Imediatamente, os três filhos de ‘Afra’, Mu‘awwidh, Mu‘adh e ‘Awf, avançaram armados em sua direção. Eles perguntaram: “Quem são vocês?” Eles responderam: “Somos do grupo dos ansar.” Eles disseram: “Não queremos lutar com vocês.” O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) ordenou-lhes que voltassem e mandou que seus próprios parentes, Hamza, ‘Ali e ‘Ubayda (que Allah esteja satisfeito com eles), avançassem. Eles avançaram e, atacando juntos, separaram do corpo a cabeça daqueles demônios.

Os familiares de Ar-Rubayyi‘u sabiam que o Faraó desta comunidade, Abu Jahl, era o principal obstáculo à divulgação e consolidação do Islã. Ele era tão vil por natureza que atormentava o Mensageiro de Allah e o insultava. Perseguia os muçulmanos fracos e os matava. Por isso, o pai de Ar-Rubayyi‘u, Mu‘awwidh, e seu tio Mu‘adh (que Allah esteja satisfeito com ambos) decidiram matar aquele miserável assim que tivessem oportunidade. Eles prometeram que ou o matariam ou seriam martirizados. A tão desejada oportunidade chegou. Os dois irmãos foram à batalha de Badr. O que aconteceu depois foi narrado de maneira extraordinária pelo famoso Companheiro emigrado ‘Abd ar-Rahman ibn ‘Awf (que Allah esteja satisfeito com ele). Ele disse: 3[Al-Bukhari: sobre a distribuição do quinto (3141), sobre as campanhas militares (3964, 3988); Muslim: sobre o jihad (1752); Siyar A‘lam an-Nubala, 1/250; Banat as-Sahaba, 66](Árabe*******)

No dia de Badr, eu estava em formação e, olhando para a direita e para a esquerda, vi dois jovens de pouca idade, um de cada lado. Não me senti seguro com a posição deles ao meu lado. Então, um deles, sussurrando para que o outro companheiro não ouvisse, disse-me: “Tio! Mostre-me Abu Jahl.” Eu disse: “Meu sobrinho! O que você fará com ele?” Ele respondeu: “Prometi a Allah que, se o visse, ou o mataria ou seria morto.” O outro também me disse exatamente a mesma coisa.

‘Abd ar-Rahman ibn ‘Awf disse: “Então fiquei extremamente feliz por poder permanecer entre os dois. Apontei com a mão para Abu Jahl e mostrei-o a eles. Imediatamente, como dois falcões, lançaram-se sobre Abu Jahl e o mataram. Eles eram os dois filhos de ‘Afra.”

Depois de matar Abu Jahl, eles lançaram-se corajosamente contra o inimigo. Foi nessa mesma batalha de Badr que o ilustre pai de Ar-Rubayyi‘u, Mu‘awwidh (que Allah esteja satisfeito com ele), foi martirizado.[Al-Istibsar, 66] Perguntaram ao Mensageiro sobre o assassinato de Abu Jahl: “Quem mais estava com os dois quando o mataram?” Ele respondeu: “Os anjos; e ‘Abdullah ibn Mas‘ud desferiu o golpe final.” Depois da morte de Abu Jahl, o Mensageiro disse: “Quem irá verificar qual é a condição de Abu Jahl?” Ibn Mas‘ud (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: “Ó Mensageiro de Allah, eu vou.” Ele foi e viu que os dois filhos de ‘Afra haviam golpeado Abu Jahl tão severamente que ele já estava completamente sem vida.[‘Uyun al-Athar, 1/315; as-Sirah al-Halabiyyah, 2/433]

Ar-Rubayyi‘u (que Allah esteja satisfeito com ela) aceitou o Islã antes da migração do nobre Mensageiro para Medina. Naquela época, ela era uma adolescente. O Mensageiro partiu de Meca e chegou a Quba. Depois de permanecer ali por três dias, dirigiu-se ao centro de Medina e hospedou-se na casa de Abu Ayyub al-Ansari (que Allah esteja satisfeito com ele), junto à Mesquita do Profeta. Toda Medina recebeu sua bendita chegada com alegria, dançando e cantando. Um verso da canção de boas-vindas dizia:

(Árabe*****)

“Somos os jovens de Banu an-Najjar. Que alegria! Muhammad é nosso vizinho.”

O Mensageiro lhes perguntou: “Vocês me amam?” Eles responderam: “Sim.” Ele disse: “Allah sabe que meu coração ama vocês.” Muitos disseram que Ar-Rubayyi‘u também estava entre aqueles meninos e meninas.[Nisa’ min ‘Asr an-Nubuwwah, 150–151] À medida que crescia, ela passou a envolver-se de diversas maneiras na luta do nobre Mensageiro e na divulgação e consolidação do Islã. Ela é vista presente em diferentes acontecimentos. Devido ao sacrifício incomparável dessa família a serviço do Islã, o Mensageiro considerava seus membros com especial estima. Eles sempre se mantinham informados sobre os desejos e as preferências, o bem-estar e o conforto do nobre Mensageiro. O Mensageiro gostava de comer pepinos tenros com tâmaras frescas. Ar-Rubayyi‘u disse: “Meu pai, Mu‘awwidh ibn ‘Afra (que Allah esteja satisfeito com ele), colocou num recipiente um sa‘ de tâmaras frescas, com alguns pepinos tenros por cima, e enviou-me ao Mensageiro de Allah. Ele gostava de pepinos. Naquele momento, algumas joias haviam chegado ao Mensageiro vindas do Bahrein. Ele retirou um punhado delas e deu-mo. Em outra narração, menciona-se ouro. Então disse: ‘Adorne-se com isto.’ Ou disse: ‘Faça joias com isto e use-as.’”[Al-Bukhari, sobre os alimentos, 9/495; Muslim, sobre as bebidas (2043); at-Tirmidhi (1845) e Ibn Majah (3325), sobre os alimentos; Majma‘ az-Zawa’id lil-Haythami, 9/13]

Ao atingir a idade para se casar, ela se casou com o famoso Companheiro emigrado Ibn al-Bukayr al-Laythi, e dessa união nasceu seu filho Muhammad ibn Iyas. A especial importância e dignidade desse casamento consistem no fato de que, na manhã do dia do casamento, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) foi à casa deles e sentou-se em sua cama. Mais tarde, Ar-Rubayyi‘u (que Allah esteja satisfeito com ela) falou disso com grande orgulho, da seguinte maneira: [Al-Bukhari, Fi an-Nikah (5147); Fi al-Maghazi (4001); At-Tirmidhi, 1090; Tabaqat, 8/328; Tahdhib al-Asma’ wa al-Lughat, 2/609](Árabe******)

“Na manhã do dia do meu casamento, o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) veio à nossa casa, entrou no meu quarto e sentou-se na cama. Nossas meninas pequenas tocavam o daff e cantavam melodias em louvor aos meus tios e ao meu pai, mortos na Batalha de Badr. Uma delas cantou: ‘Entre nós há um Profeta que conhece o que acontecerá no futuro.’ Então o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse-lhe: ‘Deixe isso. Digam aquilo que estavam dizendo antes.’ Em outra narração, consta:

“Não diga isso. Pelo contrário, diga aquilo que estava dizendo antes.” Na verdade, ele disse isso para impedi-la de atribuir-lhe conhecimento do futuro.

O Imam Adh-Dhahabi narrou esse acontecimento da seguinte maneira: [Siyar A‘lam an-Nubala’, 3/198](Árabe*******)

“Na manhã do dia do casamento dela, o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) foi visitá-la por laços de parentesco.”

A presença do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) no dia do casamento de Ar-Rubayyi‘u provavelmente se deveu ao desejo de honrá-la, bem como à sua família. Pois o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) não podia ignorar os sacrifícios e as dádivas que essa família fizera pelo Islã. Por causa do Islã, essa família gastou seus bens, combateu contra os inimigos e também ofereceu a própria vida. Assim, como poderia o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) manter-se distante no dia de alegria dessa órfã cujo pai matara Abu Jahl e alcançara o martírio em Badr?

No campo de batalha, o pai de Ar-Rubayyi‘u iniciou o jihad participando da Batalha de Badr; como sua filha, ela deu continuidade a essa trajetória. O sangue de seu pai corria em suas veias. Por isso, possuía um desejo irresistível de partir para o jihad. Ela compreendeu plenamente a imensa importância do jihad. Assim, para alcançar a satisfação de Allah, participou de várias campanhas de jihad com o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Ibn Kathir (que Allah tenha misericórdia dele) disse: Ela participava do jihad com o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Tratava os feridos com remédios e dava água aos que estavam cobertos de ferimentos. Ela mesma disse: [Sifat as-Safwah, 2/71; At-Taj al-Jami‘ li al-Usul, 4/344](Árabe******)

“Participávamos do jihad com o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Dávamos água aos combatentes, cuidávamos deles e enviávamos os feridos e os mortos para Medina.”

No mês de Dhu al-Qi‘dah do sexto ano da Hégira, ela também estava entre os mil e quatrocentos mujahids que participaram do tratado de paz firmado pelo Mensageiro de Allah (que a paz esteja com ele) com os politeístas de Meca, em Hudaybiyyah. Ali, ela também prestou o juramento de fidelidade ao Mensageiro de Allah (que a paz esteja com ele), no qual se comprometiam a arriscar a vida no combate contra os politeístas. Esse juramento é chamado de Bay‘at al-Ridwan e Bay‘at al-Shajarah. Na história do Islã, a importância desse juramento é imensa. As palavras do Alcorão e dos hadiths deixam claro que Allah, Senhor dos mundos, e Seu Mensageiro (que a paz esteja com ele) aprovaram grandemente esse juramento. Allah disse: [Surata al-Fath, 10](Árabe*******)

‘Aqueles que prestam juramento de fidelidade a ti, na verdade prestam juramento de fidelidade a Allah. A mão de Allah está sobre as mãos deles. Portanto, quem o romper, só o romperá em prejuízo próprio; e quem cumprir o compromisso assumido com Allah, Ele certamente lhe concederá uma grandiosa recompensa.’

Neste versículo, prestar juramento de fidelidade colocando a mão sobre a mão do Mensageiro de Allah (que a paz esteja com ele) é descrito como prestar juramento de fidelidade colocando a mão sobre a mão de Allah. Isso comprova a extraordinária importância desse juramento.

O nobre Mensageiro de Allah (que a paz esteja com ele) disse sobre a importância desse juramento: [Muslim (2496); Tabaqat, 2/100–101](Árabe******)

‘Nenhum dos que prestaram juramento sob a árvore entrará no Inferno.’

Naquele dia, o Mensageiro (que a paz esteja com ele) disse aos que haviam prestado o juramento: [Bukhari: capítulo sobre a Expedição da Conquista](Árabe*****)

‘Hoje, vocês são as melhores pessoas entre os habitantes da Terra.’

De fala franca

A avó paterna de Abu Jahl não tinha limites no orgulho que sentia por seu ilustre pai. Isso fica comprovado por um episódio que teve com Asma binte Makhrama, a mãe de Abu Jahl. Ar-Rubayyi‘u disse:

Certo dia, durante o califado de ‘Umar ibn al-Khattab, fui com algumas mulheres ansar até Asma binte Makhrama, a mãe de Abu Jahl. ‘Abdullah ibn Abi Rabi‘a, irmão uterino de Abu Jahl, era outro de seus filhos. Ele enviava perfumes do Iêmen para sua mãe Asma, em Medina, e ela os vendia. Nós também comprávamos perfume dela. Naquele dia, ela encheu meu frasco com perfume e o pesou, como havia pesado o perfume de minhas companheiras. Depois disse: “Quanto cada uma de vocês me deve? Mandem registrar isso.” Eu disse: “Registre a dívida de Ar-Rubayyi‘u bint Mu‘awwidh.”

Assim que ouviu meu nome, Asma exclamou:(Árabe***)— Halaka. A palavra é uma maldição. Isto é: “Que morras com dor na garganta.” Depois perguntou: “És filha do assassino do líder dos coraixitas?”

Respondi: “Não do líder, mas do assassino de seu escravo.”

Ela disse: “Por Allah! Não venderei nada a ti.”

Eu também disse: “Por Allah! Também nunca mais comprarei nada de ti. Este teu perfume não tem fragrância.” Segundo outra versão, ela também teria dito: “Além do teu perfume, nunca senti cheiro desagradável no perfume de ninguém.” Depois de dizer essas coisas, fui embora. Na verdade, disse isso sob o efeito da exaltação. No entanto, jamais senti um perfume mais fragrante que o dela. [Al-Maghazi li-l-Waqidi-1/89; Tabaqat-8/300-301; Ansab al-Ashraf-1/298; Siyar a‘lam an-Nubala-3/199]

Transmissão de hadith

Seu intenso interesse não se limitava a partir para o jihad; ela também tinha igual interesse em conhecer os diversos assuntos da sharia, ouvir as palavras do Mensageiro de Allah e observar sua conduta. Com esse objetivo, ia frequentemente à presença da Mãe dos Crentes, a honorável ‘A’isha. Por isso, foram transmitidas por ela várias qualidades e características do Mensageiro de Allah. O Imam adh-Dhahabi disse: “Ela obteve a companhia do Mensageiro de Allah e também transmitiu seus hadiths. Foram narrados por ela 21 (vinte e um) hadiths do Mensageiro de Allah. Esses hadiths foram compilados nas coleções de Sahih e Sunan. Entre eles, um hadith é muttafaq ‘alayhi.” [Jawami‘ as-Sirah an-Nabawiyyah-282; Banat as-Sahabah-167, 168]

Muitos estudiosos tabi‘un de alto nível ouviram hadiths dela e também os narraram por sua autoridade. Alguns desses famosos tabi‘un são:

Sulayman ibn Yasar e Abu Salamah ibn ‘Abdir-Rahman. Esses dois estavam entre os sete primeiros grandes sábios tabi‘un. Além deles, Abu ‘Ubaydah Muhammad ibn ‘Ammar ibn Yasir; Nafi‘, o escravo liberto de Ibn ‘Umar (que Allah esteja satisfeito com ele); ‘Ubadah ibn al-Walid ibn ‘Ubadah ibn as-Samit (que Allah esteja satisfeito com ele); Khalid ibn Dhakwan; ‘Abdullah ibn Muhammad ibn ‘Aqil; ‘A’ishah bint Anas ibn Malik, entre outros. [Al-Isti‘ab, 4/302; Tahdhib at-Tahdhib, 12/418; Siyar A‘lam an-Nubala’, 3/198]

Os nobres Companheiros descreveram de várias maneiras extraordinárias o esplendor e a beleza do rosto do nobre Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Algumas frases dessas descrições possuem uma arte incomparável, que encanta profundamente os leitores e ouvintes. Como, por exemplo, uma frase de Abu Hurayrah (que Allah esteja satisfeito com ele): [Musnad Ahmad, 2/350, 380; Bint as-Sahabah, 166;](Árabe*****)

“Jamais vi algo mais belo do que o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Era como se o sol corresse.” Para descrever a beleza do rosto do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), ele disse: [Dala’il an-Nubuwwah de al-Bayhaqi, 1/200; Usud al-Ghabah, 5/455;](Árabe****)

“Meu filho, se você o visse, diria: ‘O sol está nascendo.’” Verdadeiramente, esta é uma descrição maravilhosa.

Certa vez, o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) realizou a ablução na casa de ar-Rubayyi‘. Ar-Rubayyi‘ (que Allah esteja satisfeito com ela) observou como ele realizou a ablução. Mais tarde, ela costumava narrar isso. Muitas pessoas iam até ela para ouvir essa narração. Certa vez, ‘Abdullah ibn ‘Abbas (que Allah esteja satisfeito com ele) foi até ela e pediu que descrevesse como o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) realizava a ablução. [Tafsir al-Qurtubi, 6/89] Essa sua narração foi compilada em diversas obras de hadith. [Abu Dawud: Fi at-Taharah, capítulo sobre a descrição da ablução do Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele); at-Tirmidhi: at-Taharah (33); Ibn Majah (418)]

Assim como é natural que um homem e uma mulher vivam juntos como marido e mulher neste mundo, também são naturais nessa vida as divergências, as discussões e a separação. Isso também ocorreu na vida de ar-Rubayyi‘ (que Allah esteja satisfeito com ela). Depois de viver por muito tempo com seu marido, Yas ibn al-Bukayr, surgiu entre os dois uma divergência tão grande que se tornou impossível continuarem juntos de qualquer maneira. Ela descreveu o ocorrido da seguinte forma: “Certo dia, meu primo, isto é, meu marido, e eu brigamos. Eu lhe disse: ‘Separe-se de mim, levando tudo o que possuo.’ Ele respondeu: ‘Está bem, foi o que fiz.’ Ar-Rubayyi‘ (que Allah esteja satisfeito com ela) disse: ‘Por Allah! Ele levou tudo o que eu tinha, até mesmo a cama. Fui até ‘Uthman (que Allah esteja satisfeito com ele) e contei-lhe tudo. Naquele momento, ele estava sitiado. Ele disse: ‘A condição deve ser cumprida.’ Dirigindo-se a Yas, disse: ‘Você poderia escolher levar tudo o que ela possui, até mesmo a fita de cabelo.’ [Al-Isabah, 4/294; Siyar A‘lam an-Nubala’, 3/300] Esse episódio de separação ocorreu no ano 35 da Hégira.

Sabe-se que a venerável ar-Rubayyi‘ (que Allah esteja satisfeito com ela) viveu por muito tempo. Contudo, não se conhece com precisão o ano de sua morte. O Imam adh-Dhahabi (que Allah tenha misericórdia dele) disse que ela faleceu depois do ano 70 da Hégira, durante o califado de ‘Abd al-Malik ibn Marwan. [Siyar A‘lam an-Nubala’, 3/300] Entretanto, uma fonte menciona que ela morreu no ano 45 da Hégira. O erudito az-Zirikli disse que ela permaneceu viva até o califado de Mu‘awiyah (que Allah esteja satisfeito com ele). [Al-A‘lam, 3/39]

Hind bint ‘Utba


Hind era filha de ‘Utba ibn Rabī‘a ibn ‘Abdu Manāf ibn ‘Abdu Shams. Sua mãe era Safiyya bint Umayya ibn Hāritha al-Sulamiyya. Era descendente da nobre família dos Quraysh de Meca.[Ṭabaqāt-8/235; Tahdhīb al-Asmā’ wa al-Lughāt-2/35; al-Iṣāba fī Tamyīz al-Ṣaḥāba-4/409] Ela foi uma das mulheres que alcançaram fama na Arábia pré-islâmica e pós-islâmica. Sua maior distinção foi ser a honrada mãe de Mu‘āwiya ibn Abī Sufyān (que Allah esteja satisfeito com ele), fundador do califado omíada.

O primeiro casamento de Hind foi com o jovem al-Fākih ibn al-Mughīra al-Makhzūmī, da linhagem dos Quraysh, mas esse casamento não durou. Eles se separaram. Por trás dessa separação há uma história surpreendente, relatada nas antigas fontes da literatura árabe. O acontecimento foi o seguinte:

Hind casou-se com o jovem al-Fākih ibn al-Mughīra, do ramo al-Makhzūmī da tribo dos Quraysh de Meca. Ele era hospitaleiro. Tinha uma casa de hóspedes para acomodar os visitantes. Pessoas de fora entravam e saíam dali constantemente, sem permissão. Certo dia, al-Fākih estava descansando naquela casa ao meio-dia com sua esposa Hind. Em dado momento, saiu da casa, deixando Hind dormindo. Então chegou um visitante e, ao ver uma mulher dormindo, voltou da própria porta. No caminho de volta, o homem encontrou al-Fākih, que ficou desconfiado. Ele entrou na casa e perguntou a Hind: “Quem era o homem que acabou de sair de junto de você?” Hind respondeu: “Não sei de nada. Não vi ninguém.” Al-Fākih não acreditou nela. Mandou Hind ir para a casa de seu pai. O caso tornou-se conhecido entre as pessoas. O pai de Hind, ‘Utba, disse à filha: “Conte-me toda a verdade sobre o que aconteceu. Se as palavras de al-Fākih forem verdadeiras, mandarei um assassino secreto matá-lo. Assim, sua desonra será removida para sempre. Mas, se ele for mentiroso, levarei o caso ao famoso kāhin (adivinho) do Iêmen para que julgue.” Hind respondeu: “Pai, ele é um mentiroso.”

‘Utba foi até al-Fākih e lhe disse: “Você lançou uma grave calúnia contra minha filha. Ou revelará a verdade, ou terá de ir ao kāhin do Iêmen para que ele julgue entre nós.” Ele respondeu: “Está bem, que assim seja.” Assim como al-Fākih partiu de Meca rumo ao Iêmen acompanhado de um grupo de homens e mulheres dos Banū Makhzūm, ‘Utba também partiu acompanhado de um grupo de homens e mulheres dos Banū ‘Abd Manāf.

Quando se aproximaram da casa do kāhin, o semblante de Hind mudou. Ela ficou abatida. Ao vê-la assim, seu pai lhe disse: “Quando saímos de Meca, seu semblante não estava assim.” Ela respondeu: “Pai, meu semblante não está assim porque eu tenha cometido algo ruim. Pelo contrário, estou preocupada porque aquele a quem vocês estão indo consultar é apenas um ser humano. Ele pode acertar ou errar. Talvez me acuse, e isso continue sendo repetido de boca em boca entre os árabes para sempre.” O pai disse: “Você tem razão.”

Por fim, chegaram à presença do kāhin. As mulheres ficaram em fila. O kāhin ia até cada uma, colocava a mão sobre sua cabeça e dizia: “Vá! Cuide dos seus afazeres.” Então chegou até Hind, colocou a mão sobre sua cabeça e disse:(Árabe****)

“Vá, você não cometeu nenhum ato obsceno e também não é adúltera. No futuro, dará à luz um rei cujo nome será Mu‘āwiya.”

Quando Hind saiu da casa de al-Fakih, ele segurou-lhe a mão; mas Hind soltou-a com força e disse a al-Fakih: “Juro por Allah! Quero que o filho que eu gerar em meu ventre seja de outro homem.” Depois, Abu Sufyan casou-se com ela e tornou-se o pai de Mu‘awiya.

Foi relatado que, depois de se separar de al-Fakih, Hind disse ao pai: “Papai! Você me casou com esse homem sem sequer pedir minha opinião. Depois, aconteceu o que tinha de acontecer. Agora, não me case com ninguém sem antes descrever detalhadamente para mim o caráter e as qualidades dessa pessoa.” Então, Suhail ibn ‘Amr e Abu Sufyan ibn Harb apresentaram a proposta de casamento da seguinte maneira:(Árabe*****)

“Ó Hind, mulher da nobreza! Abu Sufyan, filho de Suhail e de Harb, veio pedir-te em casamento. Eles têm interesse e boa disposição para contigo.

Pode-se viver graças à sua generosidade e benevolência. Eles podem tanto causar dano quanto trazer benefício.

Ambos são magnânimos e generosos. Ambos são bravos guerreiros, de semblante radiante.

Apresentei-os a ti. Tu mesma escolhe, pois és uma mulher perspicaz e inteligente. Não recorras à trapaça e à fraude, pois quem engana acaba sendo enganado.”

Hind disse: “Papai! Não quero ouvir nada disso. Explique-me um pouco o caráter e as qualidades de cada um deles. Então poderei decidir qual deles é mais adequado para mim.” ‘Utba começou a descrever Suhail, dizendo: “Um deles é de posição elevada na tribo e é rico. Se lhe obedeceres, ele te obedecerá; se fores hostil para com ele, ele se submeterá a ti. Então terás autoridade sobre ele no que diz respeito à família e aos bens. O outro é conhecido por sua nobre linhagem e por tomar decisões acertadas. Ele é a honra e o prestígio de sua tribo. É extremamente orgulhoso, muito vigilante; não dorme negligenciando a guarda de seus bens e jamais baixa o bastão sobre sua família.” Hind disse: “Papai! O primeiro homem destruirá uma mulher livre. Se essa mulher se rebelar, não voltará a se submeter. Sob a proteção do marido, ela fará tudo essencialmente por conta própria. Se o marido lhe obedecer, a esposa o conduzirá com sinais e gestos. Os membros da família viverão com medo dele. Então a situação deles ficará muito ruim. Se, nessas circunstâncias, ele tiver um filho, esse filho será um tolo. Não me fale desse homem. Também não pronuncie o nome dele diante de mim. Quanto ao outro, ele é digno de ser marido de uma mulher livre, casta e virgem. Estou certa de que sua tribo não conseguirá fazê-lo mudar de decisão, e nenhum temor ou ameaça será capaz de prejudicá-lo. Um homem com esse caráter e essas qualidades é digno de ser meu marido. Case-me com ele.” ‘Utba casou Hind com Abu Sufyan. Ela lhe deu um filho chamado Mu‘awiya. Suhail ibn ‘Amr ficou profundamente ferido por não ter conseguido Hind e expressou sua dor em um poema. Também tentou menosprezar um pouco Abu Sufyan. Abu Sufyan respondeu-lhe em um poema.

O que aconteceu depois foi o seguinte: Suhail casou-se com outra mulher, e ela lhe deu um filho. Quando o menino cresceu, certo dia Suhail saiu para passear com ele. No caminho, viu um homem montado em uma camela e pastoreando cabras. O menino perguntou ao pai: “Papai! Estas pequenas são filhotes daquela maior?” Ao ouvir a pergunta, saiu da boca de Suhail, como um solilóquio: “Que Allah tenha misericórdia e compaixão de Hind!” Com esse comentário, ele se lembrou da perspicácia de Hind. (Tarikh Dimashq — biografias das mulheres, 440–441; al-‘Iqd al-Farid, 6/89; as-Sirah al-Halabiyyah, 6/86–78; Majma‘ az-Zawa’id, 9/267–268.)

Ibn Sa‘d, contudo, afirmou que o primeiro marido de Hind foi Hafs ibn al-Mughira ibn ‘Abdullah, e que, com ele, nasceu Aban, filho de Hind.[Tabaqat-8/235]

Hind amava Musafir ibn Abi ‘Amr. Musafir também a amava profundamente. Esse Musafir era o mais destacado entre os jovens coraixitas em beleza, talento poético e generosidade. Certo dia, Hind disse-lhe: Como és pobre, minha família não aceitará casar-me contigo. Vai a algum rei vizinho, torna-te dono de alguma riqueza e volta para casar-te comigo. Esperando obter do rei o dinheiro do mahr de Hind, Musafir foi até An-Nu‘man ibn al-Mundhir, rei de Hira. Alguns dias depois, Abu Sufyan ibn Harb — segundo outra versão, certo homem — foi de Meca a Hira. Musafir perguntou-lhe sobre a situação de Meca e quis saber se havia alguma notícia nova dali. Abu Sufyan respondeu: Não há nenhuma notícia particularmente nova. Contudo, casei-me com Hind bint ‘Utba. Musafir começou então a recitar os dois versos seguintes:[A‘lam an-Nisa’-5/242](Árabe****)

“Ó! Hind tornou-se proibida para ti e transformou-se na mais vil das coisas proibidas. Ela se tornou como um homem perverso que desembainha a espada e examina o arco e as flechas com as duas mãos.”

Certa vez, o Islã despontou em Meca.

Durante os vinte anos seguintes, Hind não deu ouvidos ao chamado do Islã. Pelo contrário, esse longo período foi passado em oposição excessiva e hostilidade contra o Mensageiro de Allah, o Islã e os muçulmanos. Durante esse tempo, ela não deixou escapar nenhuma oportunidade de manifestar sua hostilidade. O apego das mulheres ao ouro e às joias é natural. Em nenhuma circunstância elas querem abrir mão dessas duas coisas. Hind, porém, não poupou esforços para impedir a propagação e a expansão do Islã, mesmo ao custo de ambas. No dia da conquista de Meca, o Mensageiro (que a paz esteja com ele) declarou segura a casa de Abu Sufyan. Disse: Quem buscar refúgio na casa de Abu Sufyan estará seguro. Depois desse anúncio, quando Abu Sufyan quis entrar em casa, Hind o repreendeu, dizendo: Que Allah te faça mal. És um intruso desprezível.[Adh-Dhahabi, Tarikh al-Islam wa Tabaqat al-Mashahir wa al-A‘lam-3/298] Por causa de sua hostilidade desmedida, o Mensageiro (que a paz esteja com ele) ordenou que ela fosse morta. Essa inimiga tão feroz do Islã declarou sua adesão ao Islã no momento da conquista de Meca.

Hind era uma das mulheres mais belas e inteligentes dos coraixitas.[obra citada anteriormente] Ela também possuía um extraordinário talento poético. Em memória dos mortos de Badr — especialmente de seu pai, ‘Utba, de seu irmão al-Walid ibn ‘Utba, de seu tio Shayba ibn Rabi‘a e de outros — ela compôs muitos poemas de elegia.

‘Umar Rida Kahhala apresentou Hind da seguinte maneira:[A‘lam an-Nisa’-5/242](Árabe*******)

Hind bint ‘Utba possuía beleza, formosura, opinião, capacidade de decisão, inteligência e sabedoria, correção e eloquência da linguagem, domínio da literatura e da poesia, bravura e coragem, além de dignidade pessoal.

Foi relatado que, quando o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), tendo sido incumbido de propagar o Islã, reuniu os membros da tribo dos Coraixitas e lhes apresentou o convite ao Islã, Abu Lahab protestou contra ele e saiu, recusando-se a aceitá-lo. Em seguida, foi até Hind, filha de ‘Utbah, e disse: “Ó filha de ‘Utbah! Eu me separei de Muhammad e me recusei a aceitar aquilo que ele afirma ter trazido. Eu apoiei al-Lat e al-‘Uzza e fiquei furioso com Muhammad por ele tê-los rejeitado.” Hind comentou: “Ó pai de ‘Utbah! Que Allah o recompense com o bem.” [Sīrat Ibn Hisham, 1/654]

Hind nutria intenso ódio e hostilidade contra o Islã. Apesar disso, possuía muitas qualidades. A História registra um episódio que evidencia claramente seu forte senso de dignidade e sua intensa compaixão e solidariedade para com as mulheres. Abu al-‘As ibn al-Rabi‘ (que Allah esteja satisfeito com ele), esposo de Zaynab (que Allah esteja satisfeito com ela), filha do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), foi a Badr com o exército coraixita para lutar contra os muçulmanos. Infelizmente, foi capturado pelo exército muçulmano. Enquanto permanecia em Meca, foi libertado graças aos esforços de sua esposa Zaynab (que Allah esteja satisfeito com ela) e à generosidade dos muçulmanos, retornando a Meca. Contudo, ao partir de Medina, havia prometido ao Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) que, ao chegar a Meca, levaria Zaynab honrosamente para Medina. Ao retornar a Meca, pediu à sua esposa Zaynab (que Allah esteja satisfeito com ela) que se preparasse para a viagem. Zaynab começou a preparar-se secretamente. A notícia chegou aos ouvidos de Hind. Ela foi secretamente, durante a escuridão da noite, até Zaynab e disse: “Ó filha de Muhammad! Ouvi dizer que você pretende ir para junto de seu pai?” Zaynab (que Allah esteja satisfeito com ela) respondeu: “Ainda não tomei uma decisão.” Hind pensou que talvez Zaynab estivesse escondendo dela o assunto e disse: “Minha prima, não esconda isso. Se precisar de algo que lhe seja útil durante a viagem, ou se estiver com dificuldades financeiras, diga-me, e eu a ajudarei. Não tenha vergonha de mim. Os conflitos e as disputas entre os homens não têm qualquer efeito sobre as mulheres.” Mais tarde, Zaynab (que Allah esteja satisfeito com ela) disse: “Eu acreditava que ela faria o que estava dizendo. Apesar disso, eu tinha medo dela. Por isso, neguei que tivesse tal intenção.” [ibid.]

Certo dia, Zaynab (que Allah esteja satisfeito com ela) partiu de Meca em direção a Medina. Os coraixitas a impediram e a fizeram retornar a Meca. Ao saber disso, Hind saiu de casa assumindo uma aparência terrível e, dirigindo-se àqueles malfeitores, censurou-os severamente por tal ato perverso. Também recitou diante deles o seguinte verso: [ibid., 1/656; Nisa’ min ‘Asr an-Nubuwwah, 472](Árabe*****)

“Em tempos de trégua e paz, podes comportar-te como um asno duro e obstinado; e no campo de batalha, assume a forma de uma mulher menstruada.”

Os cruéis coraixitas levaram Zaynab (que Allah esteja satisfeito com ela) até Abu Sufyan, em Meca. É importante mencionar que Zaynab (que Allah esteja satisfeito com ela) estava grávida. Como os cruéis a derrubaram do dorso do camelo, ela ficou bastante ferida. As filhas dos Banu Hashim e dos Banu Umayyah começaram a discutir entre si para cuidar dela e tratá-la com carinho. Por fim, Hind levou-a para sua própria casa, cuidou dela e a ajudou a recuperar-se. Nessa época, Hind frequentemente lhe dizia: “Esse infortúnio que lhe aconteceu é por causa de seu pai.”

No segundo ano da Hégira, um enorme exército de idólatras de Meca partiu com o objetivo de garantir a passagem segura de uma caravana comercial de Abu Sufyan, que vinha da Síria em direção a Meca, e de exterminar os muçulmanos para sempre. À frente desse exército estavam os homens escolhidos e os líderes dos coraixitas. Eles decidiram que, ao chegar a Badr, sacrificariam camelos, fariam um grande banquete, beberiam vinho e se divertiriam. Depois, arrancariam os muçulmanos pela raiz, para que ninguém na Arábia ousasse novamente erguer a cabeça contra eles.

Nesse exército idólatra de Meca estavam o pai, o irmão, o tio e o marido de Hind. Entre eles encontravam-se, de modo particularmente significativo, ‘Utbah ibn Rabi‘ah e seu escravo liberto Salim (que Allah esteja satisfeito com ambos). Na batalha de Badr, Abu Hudhayfah ibn ‘Utbah (que Allah esteja satisfeito com ele) e seu escravo liberto Salim (que Allah esteja satisfeito com ele) desempenharam um papel glorioso. Abu Hudhayfah (que Allah esteja satisfeito com ele) teve um papel glorioso na batalha de Badr.

Nessa batalha, ele desafiou seu pai, ‘Utbah, para um combate singular. Hind, censurando tal atitude de seu irmão, recitou os dois versos seguintes: [Siyar A‘lam an-Nubala’, 1/166; Nisa’ min ‘Asr an-Nubuwwah, 472](Árabe******)

‘Abu Hudhayfa, dono de olhos vesgos, dentes tortos e destino maldito, é o pior dos homens no que diz respeito à religião.

Não demonstrarás gratidão por teu pai, que te criou desde a infância e sob cuja orientação te tornaste um jovem completo, sem qualquer desvio?’

No início da batalha, o pai, o irmão e o tio de Hind foram mortos. Além disso, setenta dos melhores soldados do exército politeísta também foram mortos. Os outros fugiram em direção a Meca, deixando seus cadáveres em Badr. À frente desses fugitivos estava o marido de Hind, Abu Sufyan. Assim como os muçulmanos ficaram extremamente felizes com essa vitória, todos em Meca, homens e mulheres, ficaram atônitos quando a notícia do exército dos coraixitas chegou. A princípio, muitos não conseguiram acreditar na notícia. Quando os derrotados começaram a retornar a Meca, já não restava dúvida quanto à sua veracidade. A gravidade do acontecimento fez parecer aos habitantes de Meca que o céu havia desabado sobre suas cabeças. Abu Lahab entregou-se ao leito, consumido pela dor e pelo pesar, e, sete dias depois, partiu para o caminho do Inferno, encerrando-se assim a sua vida. As mulheres coraixitas observaram um mês de luto pelos seus mortos. Batiam no peito, arrancavam os cabelos e pranteavam. Reuniam-se junto ao animal de montaria ou ao cavalo de algum soldado morto e choravam em lamentação. Nenhuma mulher de Meca deixou de expressar luto e lamentar, exceto Hind. Sim, Hind não manifestou luto algum. Certo dia, algumas mulheres coraixitas foram até Hind e perguntaram: ‘Não choraste um pouco por teu pai, teu irmão, teu tio e os membros de tua família?’ Ela respondeu: ‘Se eu chorar por eles, essa notícia chegará a Muhammad.’

Elas e as mulheres da tribo dos Khazraj ficarão alegres. Juro por Allah! Até que eu me vingue de Muhammad e de seus companheiros, o óleo e o perfume estarão proibidos para mim. Se eu soubesse que chorar e lamentar aliviariam minha dor e meu sofrimento, eu choraria. Porém, sei que a dor em meu coração não desaparecerá até que eu me vingue pelos meus entes queridos.

Hind não se aproximou sequer do óleo e do perfume, nem se aproximou do leito de Abu Sufyan. Até a batalha de Uhud, continuou incitando os habitantes de Meca contra os muçulmanos. Também compôs numerosas elegias em memória dos mortos de Badr. Alguns versos dessas elegias são os seguintes: [Poetisas dos Árabes, p. 468; A‘lam an-Nisa’, 5/243] (Árabe*******)(Árabe*******)

‘Choro a morte do líder dos dois vales de Al-Abtah e daquele que o protegia das más intenções de todo rebelde.

Que a destruição recaia sobre ti! Sabe que choro por Utba, o virtuoso, por Shayba e pelo filho daquele que garantia a segurança da tribo. Todos eles eram homens de elevada posição entre os descendentes de Ghalib. Sua honra e dignidade eram imensas.’

Na batalha de Badr, o pai de Hind, Utba, seu tio Shayba e seu irmão foram mortos. Hind passou a entoar elegias em memória deles. Al-Khansa era uma das maiores poetisas árabes de sua época. Em uma das guerras do período da Jahiliyyah, seus dois irmãos, Sakhr e Muawiya, foram mortos. Al-Khansa chorou e lamentou por eles durante toda a vida e compôs muitas elegias comoventes, fazendo com que todos os árabes compartilhassem o seu luto. Por isso, na feira de Ukaz, sua howdah e sua tenda eram especialmente identificadas com uma bandeira hasteada à sua frente. Ela dizia: ‘Sou a pessoa mais afligida de toda a Arábia.’ Ao tomar conhecimento disso, Hind dizia: ‘Sou ainda mais afligida do que Al-Khansa.’ Então, também ordenou que sua howdah fosse especialmente identificada e compareceu a Ukaz. Ela disse: ‘Aproxima o meu camelo do camelo de Al-Khansa.’ Assim foi feito. Quando se aproximou de Al-Khansa, esta perguntou: ‘Irmã! Quem és?’ Ela respondeu: ‘Sou Hind bint Utba, a pessoa mais afligida de toda a Arábia. Soube que te apresentaste aos árabes como a pessoa mais aflita. Qual é a tua aflição?’ Ela respondeu: ‘A morte de meu pai, Amr, e de meus irmãos, Sakhr e Muawiya.’

Ele, por sua vez, perguntou a Hind: «Qual é, então, a sua aflição?» Ela respondeu: «A morte de meu pai, ‘Utba, e de meu irmão, Al-Walīd.» Al-Khansā’ perguntou: «Além desses, há mais alguém?» Em seguida, recitou um poema de lamentação em memória de Abū ‘Amr, Mu‘āwiya e Sakhr.[A‘lām an-Nisā’ — 5/234]

Preparativos para Uhud

Desde a batalha de Badr, os coraixitas não tinham paz no coração. Suas mulheres continuavam lamentando a morte de filhos, pais, maridos ou entes queridos. Havia grande dor em seus corações. Então, os politeístas de Meca decidiram vingar-se devidamente de Badr. Dessa vez, as mulheres também insistiram em ir à guerra com os homens. Safwān ibn Umayya e alguns outros guerreiros de cavalaria e infantaria, porém, não queriam levar as mulheres consigo. Hind saiu de casa, colocou-se diante deles e disse, dirigindo-se a Safwān ibn Umayya: «Você sobreviveu a Badr e voltou em segurança para sua esposa. Pois bem, desta vez iremos e participaremos da batalha. Quando vocês partiram para Badr, mandaram as mulheres de volta de Al-Juhfa; desta vez, ninguém poderá fazê-las voltar. Naquela ocasião, elas perderam seus entes queridos.»

O exército coraixita saiu de Meca e marchou em direção a Medina. Quinze mulheres, lideradas por Hind, também o acompanharam.[Ansāb al-Ashrāf — 1/312–313; Entre as outras mulheres que foram de Meca para Uhud estavam: Barzāz bint ‘Umūd ath-Thaqafī, esposa de Safwān ibn Umayya; Salama bint Sa‘d, esposa de Talha ibn Abī Talha; Fātima bint Al-Walīd ibn Al-Mughīra, esposa de Al-Hārith ibn Hishām; e Hind bint Munabbih, esposa de ‘Amr ibn Al-‘Ās. (Al-Wāqidī, Al-Maghāzī — 1/202–203)] O fogo da vingança ardia intensamente em seus corações. Em Badr, Hamza ibn ‘Abd al-Muttalib, tio de Maomé (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), havia matado o ente mais querido de Hind. Por isso, Hind estimulou e incitou o escravo abissínio Wahshī com várias promessas. Se ele conseguisse matar Hamza, ela lhe daria muito ouro, joias e dinheiro. Convém mencionar que esse Wahshī era escravo de Jubayr ibn Mut‘im.

Quando os dois exércitos se defrontaram no campo de Uhud, ambos se prepararam e permaneceram em posição para a batalha. Os coraixitas recordavam Badr e os que haviam sido mortos ali. As mulheres coraixitas, lideradas por Hind, começaram a circular diante de seus soldados enfileirados, tocando pandeiros e tambores e cantando a seguinte canção.[A‘lām an-Nisā’ — 5/244; Há algumas diferenças na canção conforme os relatos.](Árabe***********)

«Somos filhas das estrelas, de andar gracioso. Se avançarem, nós os abraçaremos; mas, se recuarem, nos separaremos para sempre.» Do outro lado, os muçulmanos lembravam-se de Allah, o Senhor dos mundos, e de Seu auxílio. O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) colocou alguns arqueiros habilidosos em um local determinado no alto da montanha e dispôs todo o exército de tal modo que, se ninguém cometesse um erro, a vitória estaria assegurada, pela vontade de Allah.

A batalha começou. No início, a derrota do exército politeísta parecia inevitável. O exército muçulmano chegou às portas da vitória. O exército coraixita dispersou-se. As mulheres coraixitas estavam prestes a ser feitas prisioneiras de guerra, humilhadas e desonradas. Em certo momento da batalha, alguns soldados muçulmanos concentraram-se em recolher os objetos abandonados pelo inimigo, enquanto alguns membros do grupo de arqueiros colocado na montanha deixaram sua posição, esquecendo a ordem do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Num instante, o rumo da batalha mudou. O exército politeísta em fuga aproveitou-se dessa fraqueza dos muçulmanos. Voltou, reorganizou-se e lançou um contra-ataque. O exército muçulmano ficou atônito. A batalha recomeçou e terminou com o martírio de setenta (70) soldados muçulmanos, além de muitos mortos e feridos. Hamza (que Allah esteja satisfeito com ele) foi martirizado pelas mãos de Wahshī.

Os coraixitas explodiram de alegria e júbilo. Sentiram-se satisfeitos consigo mesmos, julgando ter conseguido uma vingança severa por Badr. Ninguém ficou mais feliz do que Hind. Ela não se contentou com a morte de Hamza (que Allah esteja satisfeito com ele). Junto com as mulheres coraixitas, lançou-se sobre os soldados muçulmanos mortos e mutilou-os horrivelmente, cortando seus narizes, orelhas, mãos, pés e outros membros.

Al-Baladhuri, ao descrever a crueldade de Hind, disse: «Wahshi matou o venerável Hamza, rasgou-lhe o peito, retirou-lhe o fígado e o entregou a Hind. Hind mastigou aquele fígado com os dentes e cuspiu-o. Depois, foi pessoalmente cortar e mutilar o corpo de Hamza (que Allah esteja satisfeito com ele). Hind cortou e separou do corpo dele os pulsos das duas mãos, o estômago e as duas pernas. Em seguida, voltou, retirou do próprio corpo seus preciosos adornos de ouro incrustados de joias — como as tornozeleiras, o colar e os brincos — e entregou-os a Wahshi. Também tirou os anéis de ouro que usava nos dedos dos pés e deu-lhos. Isso porque Hamza havia matado seu pai, Utba, na batalha de Badr. [Ansab al-Ashraf-1/322]

Ao ouvir que o venerável Hamza (que Allah esteja satisfeito com ele) havia tido o fígado mastigado, o venerável Mensageiro de Allah (que a paz esteja com ele) disse: «Se Hind tivesse mastigado e engolido o fígado de Hamza, o fogo do Inferno não a teria tocado. Allah, Senhor dos mundos, proibiu que o fogo do Inferno tocasse a carne de Hamza.» [Alusi, An-Nisa’-5/245]

Foi um ato tão cruel e desumano que até o líder coraixita Abu Sufyan se recusou a assumir sua responsabilidade. Dirigindo-se a um muçulmano, disse: «Juro por Allah! Não estou satisfeito nem insatisfeito com as mutilações que foram feitas aos vossos mortos. Não proibi ninguém de fazê-lo, nem ordenei que o fizesse.» Depois de tudo terminado, Hind subiu a uma pedra elevada e gritou os seguintes versos: [Adh-Dhahabi, Tarikh-2/205](Árabe**********)

«Demos-vos a retribuição por Badr. Uma batalha sucede à outra, uma guerra de fogo. Eu estava inconsolável por meu pai, Utba, por meu irmão, por meu tio e por meu clã. Curei meu coração e cumpri minha promessa. Ó Wahshi! Tu curaste meu coração.»

Depois de compensarem em grande parte a perda, a humilhação e a vergonha de Badr, os coraixitas partiram de volta, com o coração cheio de alegria. Hind começou então a cantar: [Sira de Ibn Hisham-2/168]

«Estou voltando, embora meu coração contenha muitas dores acumuladas. Fracassei em alcançar parte do que era meu objetivo. Contudo, alcancei algo. As coisas não ocorreram como eu esperava, nem quanto ao meu objetivo nem quanto ao caminho que percorri.»

Vários anos se passaram para os coraixitas em conflitos e confrontos com os habitantes de Medina.

A batalha da Trincheira, a trégua de Hudaybiyyah e, por fim, a conquista de Meca. Sem encontrar outra alternativa, no dia anterior à entrada do Mensageiro de Allah (que a paz esteja com ele) em Meca, Abu Sufyan, marido de Hind e líder dos coraixitas, foi até o Mensageiro de Allah (que a paz esteja com ele) para discutir a segurança dos habitantes de Meca. Foi ali que aceitou o Islã e, ao retornar a Meca, anunciou: «Ó comunidade dos coraixitas! Escutai: eu aceitei o Islã. Aceitai-o também, pois Muhammad veio até vós com uma força e um poder cuja dimensão nem sequer podeis imaginar.» Imediatamente, Hind apertou sua cabeça com força e disse: «Tu és um dos piores líderes da comunidade.» Depois, Hind convocou os habitantes de Meca a oferecer uma forte resistência e a matar Muhammad (que a paz esteja com ele). [A‘lam an-Nisa’-5/245]

Aceitação do Islã e juramento de fidelidade

Todas as narrativas concordam que, no dia da conquista de Meca, Hind aceitou o Islã depois que seu marido, Abū Sufyān, o aceitou. Ela se tornou uma muçulmana muito devota. Reunindo as informações sobre sua conversão ao Islã transmitidas por diferentes fontes, obtém-se o seguinte relato:

Hind disse a Abū Sufyān: Decidi tornar-me uma seguidora de Muhammad.

Abū Sufyān: Ainda ontem vi que você detestava profundamente esse ato.

Hind: Juro por Allah! Tive a impressão de que, antes da noite passada, jamais havia sido prestada nesta mesquita uma adoração verdadeira a Allah. Eles vieram ali com o propósito de realizar a oração, permanecendo de pé, inclinando-se e prostrando-se.

Abū Sufyān: Você já fez o que tinha de fazer. Quando for até ele, leve consigo alguém do seu clã. [No dia da conquista de Meca, o Mensageiro (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) excluiu seis homens e quatro mulheres da anistia e ordenou que fossem mortos assim que fossem encontrados. Os homens eram: ‘Ikrimah ibn Abī Jahl, Khabbāb ibn al-Aswad, ‘Abdullah ibn Sa‘d ibn Abī Sarh, Muqayyis ibn Subābah e al-Huwayrith ibn Nuqaydh. As mulheres eram: Hind bint ‘Utbah; Sārah, escrava de ‘Amr ibn Hāshim ibn ‘Abd al-Muttalib; e as duas cantoras de Hilāl ibn ‘Abdullah, Fartanah e Arnā. Essas duas cantoras costumavam cantar canções que difamavam o Mensageiro de Allah (que Allah o abençoe e lhe conceda paz). (Ansāb al-Ashrāf, 1/257; Nisā’ min ‘Asr an-Nubuwwah, p. 486.) Ibn Hajar mencionou ainda os nomes de algumas outras mulheres e homens. (Fath al-Bārī, 8/11–12.)]

Depois disso, Hind foi até ‘Uthmān — segundo outra versão, até ‘Umar. Naquela ocasião, algumas mulheres que já haviam aceitado o Islã anteriormente também estavam com Hind. ‘Uthmān foi obter permissão para que elas se encontrassem com o Mensageiro de Allah. Hind temia que o Mensageiro (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) pudesse prendê-la por causa do que havia feito com Hamzah; por isso, entrou na presença do Mensageiro (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) com a cabeça e o rosto cobertos, disfarçada de desconhecida.

Muitas outras mulheres foram com ela. Seu objetivo era prestar juramento de fidelidade ao Mensageiro de Allah (que Allah o abençoe e lhe conceda paz). Quando chegaram à presença do Mensageiro de Allah (que Allah o abençoe e lhe conceda paz), estavam sentadas junto dele suas duas esposas, sua filha Fátima e muitas outras mulheres dos Banū ‘Abd al-Muttalib. Com a cabeça e o rosto cobertos, Hind falou ao Mensageiro de Allah (que Allah o abençoe e lhe conceda paz): Sinto hoje grande vergonha e remorso por ter mastigado o fígado de Hamzah durante a batalha de Uhud. E, ainda com a cabeça e o rosto cobertos, disse:

“Ó Mensageiro de Allah! Louvado seja Allah, que concedeu a vitória à religião que Ele escolheu. Em razão do laço de parentesco que existe entre mim e o senhor, espero ser bem tratada por você. Agora sou uma mulher crente e de fé”—ao dizer isso, ela retirou o véu que cobria seu rosto e se apresentou—“Ó Mensageiro de Allah! Eu sou Hind bint ‘Utbah.” O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: “Seja bem-vinda.” Hind disse: “Por Allah! Antes, não havia na face da terra casa alguma que me fosse mais querida que a sua, para humilhá-la e desonrá-la. Agora, porém, não há para mim casa alguma mais honrada que a sua. (A Vida dos Companheiros do Mensageiro, vol. 1, p. 205)”

O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: “Muito mais do que isso.” Em seguida, recitou o Alcorão para elas e recebeu delas o juramento de lealdade. O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: “Comprometam-se a não associar nada a Allah.”

Hind disse: “Você está exigindo de nós um compromisso que não exige dos homens. Ainda assim, nós lhe damos essa promessa.”

O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: “Não roubem.”

Hind disse: “Por Allah! Às vezes, pego algo dos bens de Abu Sufyan. Não sei se isso é lícito ou ilícito para mim.”

Abu Sufyan, que estava sentado ao lado, exclamou: “Quanto ao que você pegou no passado, isso lhe é lícito.” O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: “Então você é Hind bint ‘Utbah.”

Hind disse: “Sim, eu sou Hind bint ‘Utbah. Perdoe minha conduta passada. Que Allah o perdoe.”

O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: “Não cometam adultério.”

Hind: Ó Mensageiro de Allah! Alguma mulher livre comete adultério?

O Mensageiro (s.a.): Não matareis vossos filhos.

Hind disse: Nós os criamos e educamos quando eram crianças. Vós matastes os adultos deles em Badr. Portanto, vós e eles sabeis melhor sobre este assunto.

Ao ouvir isso, ‘Umar (r.a.) começou a rir.

O Mensageiro (s.a.): Não atribuireis falsamente acusações a ninguém.

Hind: Acusar alguém é uma coisa muito ruim.

O Mensageiro (s.a.): Não me desobedecereis em nenhuma boa ação.

Hind: Mesmo depois de nos sentarmos nesta reunião, desobedeceríamos a vós em alguma boa ação?

O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse a ‘Umar: “Aceita o juramento de fidelidade destas mulheres e suplica a Allah pedindo o seu maghfirah.”

‘Umar (que Allah esteja satisfeito com ele) aceitou o juramento de fidelidade delas. O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) não apertava a mão das mulheres. Ele não tocava nenhuma mulher, exceto aquela que lhe fosse lícita ou mahram. Do mesmo modo, não lhes dava oportunidade de tocá-lo. Assim, quando Hind disse: “Ó Mensageiro de Allah! Queremos tocar-te”, ele respondeu: “Eu não aperto a mão das mulheres. O que digo a uma mulher é o mesmo que digo a cem mulheres.”

Depois disso, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) manteve válido o casamento anterior de Abu Sufyan e Hind. [Tabaqat-8/236, 237; at-Tabari, Tarikh-2/161, 162; al-Isti‘ab-4/411; Usud al-Ghabah-4/4/409; as-Sirah al-Halabiyyah-3/46, 47; além disso, o acontecimento foi narrado, com algumas variações, em várias obras, incluindo Bukhari, Muslim, Abu Dawud e Nasa’i.]

Entre as mulheres, a personalidade de Hind apresentava uma marca de singularidade. Depois que o Islam penetrou em seu coração, removeu todas as suas impurezas interiores, e ela surgiu na sociedade das sahabiyyat como uma mulher incomparável. Allah, o Altíssimo, removeu o véu de sua ignorância e todas as falsidades e futilidades que cobriam sua consciência e percepção, deixando-a pura e limpa. Depois de aceitar o Islam, jamais se submeteu a qualquer crença equivocada. Ela concretizou na prática a crença islâmica. Antes do Islam, havia em sua casa um ídolo valioso. Ao voltar depois de aceitar o Islam, despedaçou-o com um machado, dizendo repetidamente: “Estávamos enganados a seu respeito.” [Tahdhib al-Asma’ wa al-Lughat-2/357; Tabaqat-8/237; Ansab al-Ashraf-1/360]

Isso demonstra que Hind era dotada de polidez e bons modos. Depois de aceitar o Islam e reconhecer como verdadeira a missão do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), enviou-lhe um presente. O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) fez du‘a por ela. A esse respeito, Ibn ‘Asakir disse: depois de aceitar o Islam, Hind enviou ao Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), por meio de sua serva, dois cabritos assados e um odre de água. Naquela ocasião, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) encontrava-se no vale de al-Abtah. Estavam com ele Umm Salama, Maymunah e algumas outras mulheres dos Banu ‘Abd al-Muttalib. Depois de apresentar os alimentos diante do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), a serva disse: “Minha senhora enviou este presente e, humildemente, também pediu que eu mencionasse sua incapacidade: atualmente, nossas cabras raramente dão crias.” O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: “Que Allah abençoe as vossas cabras e aumente o número das suas crias.”

Quando a serva voltou e informou Hind sobre a du‘a do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), ela ficou extremamente feliz. Mais tarde, a serva costumava dizer: “Vimos o número das nossas cabras e de suas crias aumentar tanto como nunca havia acontecido antes.” Hind dizia: “Isso aconteceu pela du‘a do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) e pela sua bênção. Todos os louvores pertencem a Allah, que nos guiou ao Islam.” Depois, ela costumava contar este sonho: “Sonhei que permanecia de pé sob o sol por toda a eternidade. A sombra estava bem perto de mim, mas eu não conseguia chegar até ela. Quando o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) veio até nós, vi que era como se eu tivesse entrado na sombra.” [Tarikh Dimashq, Tarajim an-Nisa’-456, 457]

Palavras sábias de Hind

Há muitas palavras sábias proferidas por Hind que quase se transformaram em provérbios e máximas. Suas palavras eram tão mágicas e seu significado tão elevado que demonstram sua perspicácia, sua extraordinária capacidade de pensar e refletir. Elas também evidenciam sua vasta experiência acerca do palco da vida, sua firmeza nas decisões, sua visão de longo alcance, sua capacidade de aceitar a verdade e outras qualidades semelhantes. Por isso, Ibn al-Athir a apresentou da seguinte forma: [Usud al-Ghabah-5/563](Árabe********)

‘Ela era uma mulher dotada de vitalidade, dignidade, capacidade de tomar decisões de forma independente, inteligência e sabedoria.’

Como ele disse: ‘A mulher é uma corrente. Ela certamente precisa de um pescoço. Antes de colocá-la em seu pescoço, examine bem quem você está colocando.’ Ele também disse: ‘As mulheres são correntes. Todo homem deve carregar uma corrente em sua mão.’ [Al-Bayān wa at-Tabyīn-3/267; Al-A‘lām-8/98]

Um episódio posterior. Durante o califado de ‘Umar, que Allah esteja satisfeito com ele, a água escorria em frente à porta da casa de Abū Sufyān, que Allah esteja satisfeito com ele, em Meca. Quando os peregrinos passavam, seus pés escorregavam. ‘Umar, que Allah esteja satisfeito com ele, pediu-lhe que impedisse aquela água de escorrer daquele modo. Abū Sufyān, que Allah esteja satisfeito com ele, não deu importância às palavras de ‘Umar, que Allah esteja satisfeito com ele. Certo dia, ‘Umar, que Allah esteja satisfeito com ele, passava por aquele caminho. Justamente no local molhado diante daquela porta, seu pé escorregou. Ele ergueu o chicote que tinha na mão sobre a cabeça de Abū Sufyān, que Allah esteja satisfeito com ele, e disse: ‘Eu não lhe disse para impedir que esta água escorresse?’ Abū Sufyān imediatamente cobriu a boca com o dedo indicador. Então ‘Umar, que Allah esteja satisfeito com ele, disse: ‘Todo louvor pertence a Allah, que me permitiu ver também o dia em que bato em Abū Sufyān no vale de Baṭḥā, em Meca, sem que ele tenha um ajudante; ordeno-lhe algo, e ele o cumpre.’ Ao ouvir esse comentário de ‘Umar, Hind exclamou: ‘Ó ‘Umar! Elogie-o. Se você o elogiar, receberá algo muito valioso.’

Quando o califa ‘Umar ibn al-Khaṭṭāb, que Allah esteja satisfeito com ele, nomeou Yazīd ibn Abī Sufyān, que Allah esteja satisfeito com ele, governador da Síria, Mu‘āwiya, que Allah esteja satisfeito com ele, foi para a Síria com Yazīd. Nessa ocasião, certo dia, Abū Sufyān, que Allah esteja satisfeito com ele, disse a Hind, que Allah esteja satisfeito com ela: ‘O que você acha de agora seu filho Mu‘āwiya ficar sob a autoridade de meu filho Yazīd?’ Hind respondeu: ‘Se surgir instabilidade na unidade dos árabes, então você verá qual será a posição de meu filho e de seu filho.’ Deve-se observar que Yazīd, que Allah esteja satisfeito com ele, era filho de outra esposa de Abū Sufyān, que Allah esteja satisfeito com ele. Pouco tempo depois, Yazīd, que Allah esteja satisfeito com ele, morreu na Síria. ‘Umar, que Allah esteja satisfeito com ele, nomeou Mu‘āwiya, que Allah esteja satisfeito com ele, em seu lugar. Depois dessa nomeação, Hind disse a Mu‘āwiya: ‘Meu filho! Por Allah, poucas mulheres livres da Arábia deram à luz um filho como você. Este homem elevou você. Portanto, goste ou não, você fará o que ele desejar.’ Pelos comentários e atitudes desse tipo de Hind, que Allah esteja satisfeito com ela, em diferentes ocasiões, compreende-se que ela tinha grande respeito por ‘Umar, que Allah esteja satisfeito com ele. Ela sempre o via com respeito e consideração.

Certa vez, Hind foi até o califa ‘Umar, que Allah esteja satisfeito com ele, solicitou um empréstimo de quatro mil dirrãs do Tesouro Público e disse: ‘Com isso farei negócios e pagarei gradualmente.’ O califa concedeu-lhe o empréstimo. Ela levou o dinheiro para a região da tribo de Kalb e começou a comprar e vender ali. Nesse meio-tempo, soube que Abū Sufyān e seu filho ‘Amr ibn Abī Sufyān haviam chegado junto de Mu‘āwiya, que Allah esteja satisfeito com ele. Imediatamente, dirigiu-se até Mu‘āwiya, que Allah esteja satisfeito com ele.

Convém mencionar que anteriormente havia surgido um distanciamento entre ela e Abū Sufyān, que Allah esteja satisfeito com ele.

Mu‘āwiya, que Allah esteja satisfeito com ele, perguntou por que ela havia vindo daquela maneira. Hind respondeu: ‘Vim para manter você sob vigilância. ‘Umar age somente por Allah. Enquanto isso, seu pai veio até você. Temo que você entregue tudo a ele. As pessoas não saberão de onde você está lhe dando essas coisas. Depois, ‘Umar o prenderá.’ Mu‘āwiya, que Allah esteja satisfeito com ele, deu ao pai e ao irmão cem dinares, além de roupas e montarias. Seu irmão ‘Amr considerou essa doação suficiente.

Abū Sufyān disse: ‘Não considere isso uma grande doação. Essa doação não foi feita sem o conhecimento de Hind. E estas belas roupas foram trazidas por Hind.’ Depois, todos retornaram a Medina. Certa vez, Abū Sufyān perguntou a Hind: ‘Houve lucro nos negócios?’ Hind respondeu: ‘Allah sabe melhor. Tenho alguns negócios em Medina.’ Ao chegar a Medina, Hind vendeu suas mercadorias e foi até ‘Umar, que Allah esteja satisfeito com ele, informá-lo de que havia tido prejuízo nos negócios. ‘Umar disse: ‘Se o dinheiro que lhe foi dado fosse meu, eu o perdoaria. Mas esse dinheiro pertence aos muçulmanos. E estas belas roupas que você deu a Abū Sufyān ainda estão com ele.’ Em seguida, ‘Umar, que Allah esteja satisfeito com ele, enviou pessoas para prender Abū Sufyān. Depois de recuperar dele o que era devido a Hind, deixou-o partir. ‘Umar, que Allah esteja satisfeito com ele, perguntou a Abū Sufyān, que Allah esteja satisfeito com ele: ‘Quanto Mu‘āwiya lhe deu em dinheiro?’ Abū Sufyān respondeu: ‘Cem dinares.’ [A‘lām an-Nisā’-5/249]

É mencionado na obra “Al-‘Iqd Al-Farīd”. Abū Sufyān veio de Medina, vindo de junto de Mu‘āwiyah, e dirigiu-se a ‘Umar (que Deus esteja satisfeito com ele), dizendo: “Dê-me alguma coisa.” ‘Umar (que Deus esteja satisfeito com ele) respondeu: “Não tenho comigo nada de especial que possa lhe dar.” ‘Umar entregou o selo a um homem e enviou-o até Hind. Instruiu-o: “Diga-lhe que Abū Sufyān mandou enviar os dois recipientes que você trouxe.” Pouco depois, quando os dois recipientes foram levados até ‘Umar (que Deus esteja satisfeito com ele), descobriu-se que continham dez mil dirhams. ‘Umar (que Deus esteja satisfeito com ele) enviou os dirhams, junto com os recipientes, ao tesouro público. Depois de ‘Umar (que Deus esteja satisfeito com ele), ‘Uthmān (que Deus esteja satisfeito com ele) tornou-se califa. Ele quis devolver aquele dinheiro a Abū Sufyān (que Deus esteja satisfeito com ele), mas Abū Sufyān recusou-se a aceitá-lo, dizendo: “Eu jamais aceitarei o dinheiro pelo qual ‘Umar me repreendeu.” [Ibid.; Al-‘Iqd Al-Farīd, 1/49]

Hind e Mu‘āwiyah

Enquanto amamentava o filho de Hind, Mu‘āwiyah (que Deus esteja satisfeito com ele), ela procurou educá-lo como alguém dotado de dignidade, generoso, gentil e revestido de várias virtudes. Ela pegava o filho ainda bebê no colo e, enquanto o fazia dançar, recitava melodiosamente os seguintes versos. [Nisā’ min ‘Aṣr an-Nubuwwah, 480]

(Árabe***********)

“Meu filho é de nobre origem e linhagem. É muito querido e perspicaz entre os de sua família. Não é praticante de atos obscenos nem de natureza vil. Não é covarde nem pusilânime, tampouco símbolo de mau agouro e infortúnio. É o nobre dos Banū Fihr, seu líder. Não permite que as opiniões e suposições das pessoas se revelem falsas, e também não foge por medo.”

Quando Mu‘āwiyah (que Deus esteja satisfeito com ele) ainda era uma criança pequena, certo dia um homem o viu e comentou: “Creio que este menino certamente liderará seu povo.” [Al-‘Iqd Al-Farīd, 2/287; ‘Uyūn Al-Akhbār, 1/224]

Após a morte de Yazīd ibn Abī Sufyān, muitos começaram a dizer: “Esperamos que Mu‘āwiyah seja o digno sucessor de Yazīd.” Ao ouvir isso, Hind comentou: “Um homem como Mu‘āwiyah não é sucessor de ninguém. Juro por Deus! Se toda a terra árabe fosse reunida e ele fosse lançado no meio dela, conseguiria sair por onde quisesse.” [Al-‘Iqd Al-Farīd, 3/14] Certa vez, disseram-lhe: “Se Mu‘āwiyah viver, governará seu povo.” Hind respondeu: “Que ele seja destruído, se não governar senão o seu próprio povo.” Certa vez, ela viajava para Ṭā’if levando o pequeno Mu‘āwiyah. Mu‘āwiyah estava sentado na parte dianteira da liteira, sobre o camelo. Um beduíno árabe, ao vê-lo, disse a Hind: “Segure bem o menino com ambas as mãos e cuide de sua educação com atenção, pois no futuro ele será um grande líder e alguém que preservará os laços de parentesco.” Hind contestou suas palavras, dizendo: “Não; ao contrário, ele será um rei de elevada dignidade e um homem generoso.” [A‘lām an-Nisā’, 5/250]

Ao apresentar a identidade de sua mãe, Mu‘āwiyah (que Deus esteja satisfeito com ele) disse: “Hind era, na época da ignorância, uma mulher de grande importância entre os coraixitas e, na era islâmica, uma mulher respeitada e experiente. Mu‘āwiyah (que Deus esteja satisfeito com ele) era um dos homens mais perspicazes, inteligentes, talentosos e habilidosos da Arábia. Ele adquiriu a maior parte de todas as suas qualidades mais de sua mãe do que de seu pai. Em sua vida posterior, sempre que mencionava francamente as próprias qualidades e características, atribuía-as sobretudo à sua mãe. Em resposta às críticas dos adversários, costumava dizer com orgulho: ‘Sou filho de Hind.’ [Al-Bayān wa at-Tabyīn, 2/92

Hind (que Allah esteja satisfeito com ela) permaneceu fiel até o fim da vida ao compromisso assumido com o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Ela o cumpriu em todos os seus detalhes. Participou da batalha de Yarmuk e, no campo de batalha, incitou os soldados contra os romanos. Durante o califado de ‘Umar (que Allah esteja satisfeito com ele), foi visitar seu filho Mu‘awiya (que Allah esteja satisfeito com ele).[Tarikh Dimashq, Tarajim an-Nisa’—437; Al-A‘lam—8/98]

Hind (que Allah esteja satisfeito com ela) transmitiu alguns hadices do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Mu‘awiya e a Mãe dos Crentes, ‘A’isha (que Allah esteja satisfeito com ela), transmitiram hadices por sua autoridade. Um dos hadices narrados por ela é o seguinte:[Narrado em cinco das seis coletâneas autênticas, exceto em Jami‘ at-Tirmidhi. Musnad Ahmad—6/39; Tabaqat—8/237;](Árabe********)

‘Eu disse ao Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele): “Abu Sufyan é um homem avarento. Além do que retiro, sem o seu conhecimento, de seus bens, ele não dá nada ao meu filho nem a mim. Cometo algum pecado por isso?” Ele respondeu: “Retira, de maneira razoável, o suficiente para atender às necessidades de teu filho e às tuas.”’

Contudo, Ibn al-Jawzi afirmou na obra ‘Al-Mujtana’ que não se sabe que Hind tenha narrado diretamente algo do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele).[A‘lam an-Nisa—5/250]

Segundo diversos relatos, Hind (que Allah esteja satisfeito com ela) faleceu no ano 14 da Hégira, correspondente a 635 d.C., durante o califado de ‘Umar (que Allah esteja satisfeito com ele). No mesmo dia em que ela faleceu, faleceu também Abu Quhafa (que Allah esteja satisfeito com ele), pai de Abu Bakr as-Siddiq (que Allah esteja satisfeito com ele).[Usud al-Ghaba—563; Tahdhib al-Asma’ wa al-Lughat—2/357] Também foi narrado que, quando Abu Sufyan (que Allah esteja satisfeito com ele) faleceu durante o califado de ‘Uthman (que Allah esteja satisfeito com ele), certa pessoa enviou a Mu‘awiya (que Allah esteja satisfeito com ele) uma proposta de casamento com Hind. Ele a recusou educadamente, dizendo que ela já havia se tornado estéril e não precisava mais se casar.[Al-Isaba—4/426; Sahabiyyat—271]

Durra (que Allah esteja satisfeito com ela), filha de Abu Lahab


Após receber a missão profética, o nobre Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) continuou pregando secretamente a mensagem do Islã em Meca durante três anos. Muitas pessoas atenderam ao seu chamado e creram em Allah e em Seu Mensageiro. Embora a conversão de algumas pessoas tenha se tornado conhecida, a maioria manteve sua fé em segredo por medo da perseguição dos coraixitas. No início, os coraixitas não deram muita importância à pregação do Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Após três anos, o anjo Jibril (que a paz esteja sobre ele) veio e ordenou ao Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) que convocasse publicamente as pessoas ao Islã, informando-lhe também que ele era um admoestador manifesto. Ibn ‘Abbas (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: quando este versículo—(Árabe*********)

‘Admoeste os teus parentes mais próximos’[Surata Ash-Shu‘ara—214]—foi revelado, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) subiu ao topo do monte Safa e começou a convocar em voz alta: Ó povo da tribo de Fihr, ó povo da tribo de ‘Adī!

Ao ouvir essa voz, todos os líderes dos coraixitas se reuniram. Quem não pôde ir enviou um representante para saber do que se tratava. Quando os coraixitas chegaram, Abu Lahab também estava com eles. Então ele disse: «Digam-me: se eu lhes dissesse que, no vale além daquela montanha, há um grupo de cavaleiros escondidos que deseja atacá-los, vocês acreditariam nisso?» Todos responderam: «Sim, acreditaríamos, pois nunca o ouvimos dizer uma mentira.» O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: «Então escutem: fui enviado para adverti-los acerca de um castigo terrível.» Abu Lahab disse: «Que pereças! Foi para nos dizer isso que nos chamaste aqui?»

Depois que Abu Lahab disse isso, Allah, o Altíssimo, revelou a Surata Al-Lahab. Nela é dito:(Árabe*******)

«Que pereçam as duas mãos de Abu Lahab, e que ele próprio pereça.» [Sahih Muslim-1/114; Sahih Bukhari-2/706; Tafsir al-Khazin-7/311; Tafsir Ibn Kathir: Surata Al-Masad]

Durra (que Allah esteja satisfeito com ela) era filha deste Abu Lahab, e Abdul Muttalib era seu avô. Ela pertencia ao ramo hachemita da tribo coraixita de Meca e era prima do nobre Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). [Usud al-Ghabah-5/449; Al-Isti’ab-4/290; Siyar A’lam an-Nubala-2/275] Antes de abordar a vida de Durra (que Allah esteja satisfeito com ela), não será inadequado fazer uma breve apresentação de seus pais.

Abu Lahab era tio do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Seu nome verdadeiro era Abdul Uzza ibn Abdul Muttalib ibn Hashim. Ele nutria intenso ódio e inimizade por seu sobrinho Muhammad (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Não havia limite para seus pensamentos e esforços destinados a atormentá-lo e a humilhar sua religião e sua pessoa. Por causa de sua beleza física e do brilho de seu rosto, era chamado de “Abu Lahab” (chama de fogo). Entretanto, para alguém de rosto luminoso, deveria ser chamado de (Abun Nur)(Árabe****) ou (Árabe****)(Abud Diya); mas, como seu destino futuro seria o Inferno, Allah fez com que as pessoas lhe dessem desde o princípio o nome de Abu Lahab. [Tafsir Ibn Kathir; Surata Al-Lahab]

Embora Abu Lahab fosse tio do nobre Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), não tinha a menor compaixão ou afeição por seu sobrinho. Assim que o sobrinho declarou ter recebido a profecia e iniciou publicamente a propagação do Islam, a relação entre ambos deteriorou-se profundamente. Ele passou a persegui-lo para humilhá-lo e desonrá-lo. Não perdia nenhuma oportunidade de atormentá-lo. Para fazer com que fosse tido por mentiroso, seguia-o nos mercados e em diversas reuniões públicas. O Imam Ahmad (que Allah esteja satisfeito com ele) narrou através de Abu Zinad. Abu Zinad disse: um homem chamado Rabi’ah ibn Abbad, que mais tarde aceitou o Islam, contou-me: certa vez vi o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) no mercado de Dhu al-Majaz, dirigindo-se às pessoas e dizendo:(Árabe******)

«Ó povo! Dizei: não há outra divindade além de Allah. Vós prosperareis.» Havia uma multidão reunida ao seu redor. E um homem de rosto radiante o seguia. Ele dizia às pessoas: «Este é um apóstata mentiroso.» Quando perguntei às pessoas quem era aquele homem, responderam: «Ele é seu tio, Abu Lahab.» [mesma fonte; Nisa min Athar an-Nubuwwah-191]

Segundo o relato de Tariq ibn Abdillah al-Muharibi, Abu Lahab não se limitava a empenhar-se em desmentir as palavras do Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele); ele também lhe atirava pedras. Com isso, os calcanhares do Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) ficavam ensanguentados. [Tafhim al-Qur’an-6/522; Fi Zilal al-Qur’an-3/282]

E não é só isso. Ele pensava que suas riquezas o protegeriam de toda humilhação, desonra e castigo neste mundo e no Além. Foi narrado que, quando o Mensageiro (que a paz esteja com ele) convidou seu povo à fé em Allah, Abu Lahab disse: “Se o que meu sobrinho diz for verdade, no Dia da Ressurreição poderei libertar-me em troca de minhas riquezas e de meus filhos.” Ele ignorou esta declaração de Allah, o Altíssimo: [Surata Ach-Chu‘ara, 88-89](Árabe*******)

“No dia em que as riquezas e os filhos não terão nenhuma utilidade. Naquele dia, somente se beneficiará aquele que vier a Allah com o coração íntegro.”

Antes de o Mensageiro de Allah (que a paz esteja com ele) receber a missão profética, Abu Lahab havia casado seus dois filhos, ‘Utba e ‘Utaiba, com as duas filhas do Mensageiro (que a paz esteja com ele), Ruqayya e Umm Kulthum. Porém, depois de o Mensageiro (que a paz esteja com ele) receber a missão profética e começar a transmitir o convite à religião, Abu Lahab obrigou seus dois filhos a divorciarem-se das duas filhas do Profeta. [Tafhimul Qur’an-6/522; Fi Zilal al-Qur’an-3/282]

Após a morte de ‘Abdullah, o segundo filho do nobre Mensageiro de Allah (que a paz esteja com ele), Abu Lahab ficou tão feliz que correu até seus amigos e disse, com a voz cheia de alegria: “Muhammad ficou sem filhos homens.” [Tafhimul Qur’an-6/490]

O verdadeiro nome de Umm Jamil, esposa de Abu Lahab e mãe de Durra (que Allah esteja satisfeito com ela), era Arwa. Ela era filha de Harb ibn Umayya e irmã de Abu Sufyan (que Allah esteja satisfeito com ele). Em sua hostilidade para com o nobre Mensageiro de Allah (que a paz esteja com ele), ela não ficava atrás de seu marido em nenhum aspecto. Espalhava espinhos pelo caminho por onde o Mensageiro (que a paz esteja com ele) passava e diante de sua porta. Era extremamente vulgar e muito brigona. Insultar o Profeta (que a paz esteja com ele), fazer intrigas, brigar por qualquer pretexto e criar situações de discórdia, tumulto e conflito eram suas ocupações. Em suma, era uma mulher de caráter imundo. Por isso, Allah, o Altíssimo, condenou-a no Alcorão, dizendo:

(Árabe*******)— e sua esposa também carregará lenha. [Sira de Ibn Hisham-1/355]

Quando Umm Jamil soube que haviam sido revelados versículos condenando-a e condenando seu marido, foi até a Caaba à procura do Mensageiro de Allah (que a paz esteja com ele), que se encontrava ali. O nobre Abu Bakr Siddiq também estava com ele. A esposa de Abu Lahab trazia nas mãos um punhado de pedras. Quando se aproximou do Mensageiro (que a paz esteja com ele), Allah retirou-lhe a capacidade de vê-lo. Assim, ela não conseguiu ver o Mensageiro (que a paz esteja com ele), embora visse Abu Bakr (que Allah esteja satisfeito com ele). Ela foi até Abu Bakr (que Allah esteja satisfeito com ele) e perguntou: “Onde está o teu companheiro? Ouvi dizer que ele me condenou. Por Allah! Se eu o encontrar, atirarei estas pedras contra o seu rosto. Vê? Por Allah! Eu também sou uma poetisa.” Em seguida, recitou os dois versos abaixo(Árabe****)

“Desobedeci a Muzammam, rejeitei suas ações e recusei sua religião com ódio e desprezo.”

É digno de nota que os politeístas de Meca daquela época não chamavam o nobre Profeta de Muhammad, mas de “Muzammam”. Muhammad significa “louvado”, enquanto “Muzammam” significa “condenado”. Depois disso, Ummu Jamil foi embora. Abu Bakr as-Siddiq (que Allah esteja satisfeito com ele) disse ao Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele): “Ó Mensageiro de Allah! Ela não o viu?” Ele respondeu: “Não, ela não me viu. Allah havia retirado dela a capacidade de me enxergar.” [mesma fonte, 1/356]

Ibn Ishaq disse que os homens que molestavam o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) dentro de sua casa eram Abu Lahab, al-Hakam ibn Abi al-‘As ibn Umayya, ‘Uqba ibn Abi Mu‘ayt, ‘Adi ibn Hamra, Saqafi ibn al-Asda‘, entre outros. Todos eram vizinhos do Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). [Ar-Rahiq al-Makhtum, p. 103]

Vale a pena saber qual foi o destino daquele extremo inimigo do nobre Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Ele estava em Meca na época da Batalha de Badr. Ao ouvir a notícia da vitória dos muçulmanos na batalha, morreu acometido por uma doença extremamente grave, semelhante à peste, chamada(Árabe***) al-‘Adasa. Seu cadáver permaneceu dentro de casa durante três dias. Ninguém se aproximou, por medo do contágio. Quando começou a apodrecer e o mau cheiro se espalhou, um de seus filhos, de longe, atirou-lhe água e lavou o cadáver. Ninguém da tribo dos coraixitas se aproximou do corpo. Depois, envolveram-no em um pano, levaram-no para uma área elevada de Meca, apoiaram-no contra um muro e o cobriram com pedras. Esse foi o vil destino terreno do extremo inimigo de Allah e de Seu Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). [Nisa min ‘Asr an-Nubuwwah, p. 192]

Em uma família tão imunda e terrível nasceu e cresceu Durra bint Abi Lahab. Desde a infância, ela via os atos tão imundos e baixos de seus pais, mas não conseguia aceitar suas ações e seu comportamento. Em seu íntimo, rejeitava aqueles atos abomináveis de seus pais.

Aos poucos, ela compreendeu a mensagem do Islam. O Islam tomou lugar em seu coração. Um dia, livrou-se das trevas do paganismo e iluminou-se com a luz da fé. (Árabe****) (Ele tira o vivo do morto.) Assim como Allah, Senhor dos mundos, tira o vivo do morto, pode-se dizer que o mesmo ocorreu com Durra (que Allah esteja satisfeito com ela) quando aceitou o Islam.

Hazrat Durra (que Allah esteja satisfeito com ela) aceitou o Islam em Meca. [Az-Zirikli, al-A‘lam, 2/338] Contudo, não se sabe exatamente quando isso ocorreu. Ela migrou para Medina. [Siyar A‘lam an-Nubala, 2/275] Seu primeiro marido foi al-Harith ibn Nawfal ibn al-Harith ibn Abd al-Muttalib. Ele foi lutar na Batalha de Badr pelo lado dos coraixitas e morreu como pagão. Durra (que Allah esteja satisfeito com ela) teve com ele três filhos: ‘Uqba, al-Walid e Abu Muslim. Depois que chegou a Medina, casou-se pela segunda vez com o ilustre Companheiro Hazrat Dihya al-Kalbi (que Allah esteja satisfeito com ele). [Tabaqat Ibn Sa‘d, 8/50; Nisa min ‘Asr an-Nubuwwah, p. 193] Esse Dihya al-Kalbi (que Allah esteja satisfeito com ele) era um grande Companheiro que havia aceitado o Islam no período inicial. Ele participou com o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) de todas as batalhas depois de Badr. Levou uma carta do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) à corte do imperador romano Heráclio. Era extremamente belo. Às vezes, Jibril (que a paz esteja sobre ele) vinha ao Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) assumindo sua aparência. Ele permaneceu vivo até o califado de Hazrat Mu‘awiya (que Allah esteja satisfeito com ele). [Tahdhib al-Asma’ wa al-Lughat, 1/185]

Depois que Hazrat Durra (que Allah esteja satisfeito com ela) migrou para Medina, recebeu grande acolhimento, honra e respeito, embora algumas mulheres muçulmanas não conseguissem aceitá-la facilmente. Lembrando-se do tratamento dispensado por seus pais ao Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), elas passaram a olhá-la com desprezo. Durra (que Allah esteja satisfeito com ela) ficou em uma situação muito constrangedora. O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) a salvou dessa situação. Reunindo o que foi relatado sobre isso em várias fontes, o relato fica assim: “Durra bint Abi Lahab migrou para Medina e hospedou-se na casa de Rafi‘ ibn al-Mu‘alla az-Zurqi (que Allah esteja satisfeito com ele). As mulheres da tribo Banu Zuraiq foram visitá-la e disseram: ‘Você é filha daquele Abu Lahab sobre quem foi revelado:(Árabe*********)

Então, onde está o benefício da sua migração?”

Com o coração profundamente aflito, Durra (que Allah esteja satisfeito com ela) foi até o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) e informou-lhe sobre os comentários das mulheres da tribo de Zuraique. O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) acalmou-a e disse: “Sente-se.” Em seguida, realizou a oração do meio-dia, sentou-se no púlpito e permaneceu em silêncio por algum tempo. Então disse: (Árabe*******)

“Ó gente! Por que sou incomodado por causa da minha família? Juro por Allah! Meus parentes próximos obterão a minha intercessão no Dia da Ressurreição. Até mesmo as tribos Sudá, Hakam e Sa‘laba, do Iêmen, certamente a obterão. [A‘lam an-Nisá, 1/409; Usud al-Gába, 5/450; Al-Isába, 4/490; Hayatus-Sahaba, 1/372]

Em outra narração, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), fazendo alusão à posição honrosa de Durra (que Allah esteja satisfeito com ela), disse: (Árabe********)

“Quem te irritar, irritará Allah.” [Ash-Shawkani, Durarus-Sahaba, 542;]

A relação de Durra (que Allah esteja satisfeito com ela) com a família do Profeta não era distante. Por isso, ela visitava frequentemente a Mãe dos Crentes, ‘Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela), e adquiria dela conhecimento sobre vários assuntos do Islam. Muitas vezes aconteceu que as duas competiam entre si no serviço ao Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Ela narrou um acontecimento de certo dia da seguinte maneira: “Eu estava sentada com ‘Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela) quando o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) entrou em casa e disse: ‘Dê-me água para a ablução.’ Eu e ‘Aisha corremos ambas para o recipiente de água. Peguei-o antes de ‘Aisha. Depois que o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) fez a ablução com aquela água, olhou para mim e disse:

(Árabe*****)Tu és uma pessoa da minha família, e eu sou uma pessoa da tua família. [O Imam Ash-Shawkani disse: O Imam Ahmad narrou este hadith. Todos os narradores da cadeia de transmissão a partir de Durra são thiqah, isto é, confiáveis. (Durus us-Sahaba, 543)]

Durra (que Allah esteja satisfeito com ela) foi uma das notáveis poetisas dos coraixitas. Ela também narrou hadiths. Narrou ao todo três hadiths diretamente do Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) e por intermédio de ‘Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela). Um dos hadiths narrados por ela é citado abaixo: (Árabe******)

“Durra (que Allah esteja satisfeito com ela) disse: O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) estava no púlpito quando um homem se levantou e perguntou: ‘Ó Mensageiro de Allah! Qual pessoa é a melhor?’ O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) respondeu: ‘Aquele que recita mais o Alcorão, adota mais temor e piedade, ordena mais frequentemente o bem, proíbe mais frequentemente as más ações e preserva mais os laços de parentesco; essa é a melhor pessoa.’”

O segundo hadith narrado por ela é: (Árabe********)

‘Nenhum vivo deve ser afligido por causa de um morto.’[Al-Istī‘āb-4/291; Al-Isābah-4/291; Al-A‘lām-2/338]

Ela possuía um forte talento poético e praticava a poesia. Alguns poemas de ideias excelentes são encontrados em diversas obras sob seu nome. Seguem alguns versos de um de seus poemas sobre a Guerra de Fijar: [A‘lām an-Nisā-1/409; Shā‘irāt al-‘Arab-120; Nisā min ‘Asr an-Nubuwwah-196] (Árabe*********)

‘Ao amanhecer do dia de medo e terror, eles se deparam com um exército firme como montanhas, entre os quais há líderes vestidos com as armaduras de guerra dos Banu Fihr.

Quando se torna visível o enorme exército, excitado como um louco e silencioso, pensarás que ele é como as ondas revoltas do mar.

A cavalaria, como falcões caçadores, precipita-se com espadas desembainhadas diante do exército de cor acinzentada.

O veneno mortal dessas espadas, semelhante à morte, excita até o mais frio deles e faz fluir o mais ardoroso.

Eles são um povo tal que, se uma pedra se erguer como obstáculo diante deles, eles também se tornam firmes e amolecem até mesmo a pedra dura.’

Hazrat Durra (ra) conservou por toda a vida a honra e a dignidade que recebeu do nobre Mensageiro de Allah (saw). Ela partiu deste mundo enquanto o Mensageiro (saw) estava satisfeito com ela. Durra (ra) faleceu no ano 20 da Hégira, durante o califado de Hazrat ‘Umar (ra).[Nisa’ min ‘Asr an-Nubuwwah-196]

Convém mencionar que a história registra três mulheres Companheiras chamadas Durra. Elas são: Durra bint Abi Sufyan, Durra bint Abi Salama e Durra bint Abi Lahab, que Allah esteja satisfeito com todas elas.

 Ummu Kulsum (ra), filha de ‘Uqba


Ummu Kulsum era filha de uma família Quraysh de Meca. Esse era seu kunya; seu nome verdadeiro não é conhecido. Seu pai era ‘Uqba ibn Abi Mu‘ayt al-Umawi, e sua mãe, Arwa bint Qurayz.[Usd al-Ghaba-5/614; Tahdhib al-Asma’ wa al-Lughat-2/365; Siyar A‘lam an-Nubala’-2/276] Convém mencionar que se encontram, ao todo, sete mulheres Companheiras com o nome de Ummu Kulsum.[Ver: Usd al-Ghaba-5/612-615] Ela era irmã materna de Hazrat ‘Uthman ibn ‘Affan (ra), um dos membros dos Ashara Mubashshara e o terceiro califa do Islã, pois Arwa bint Qurayz também era a mãe de Hazrat ‘Uthman (ra). Os dois irmãos de sangue de Ummu Kulsum (ra), al-Walid e ‘Umara, aceitaram o Islã na época da conquista de Meca.[Nisa’ min ‘Asr an-Nubuwwah-383]

O pai de Hazrat Ummu Kulsum (ra) era um inimigo declarado do Nobre Mensageiro durante o período mequense de sua missão. Tornou-se conhecido na história por sua perseguição extremamente cruel ao Profeta (saw) e aos muçulmanos vulneráveis em Meca. Foi capturado pelas forças muçulmanas na batalha de Badr e morto por ordem do Mensageiro de Allah (saw). Ummu Kulsum (ra) encontrava-se então em Meca. Os historiadores mencionam que, ao ouvir a notícia da morte de seu pai cruel, nenhuma lágrima sequer caiu de seus olhos.

Ummu Kulsum (ra) aceitou o Islã ainda jovem, enquanto vivia na casa paterna em Meca, e ali mesmo prestou seu juramento de fidelidade ao Mensageiro de Allah (saw), antes de sua Hégira. Ela foi uma das pessoas que rezaram voltadas para as duas qiblas.[Ibid.]

Ela foi a primeira mulher muhajir a partir sozinha, fugindo, pelo caminho de Medina.

Ela nasceu em uma família extremamente hostil ao Islã, em Meca. Quando se soube que havia aceitado o Islã, enfrentou circunstâncias gravemente adversas. Abateram-se sobre ela injustiças e perseguições. Ela foi confinada em casa, para que não pudesse emigrar com os muhajirun que partiam para Medina. Nessa situação, teve de passar um longo período.

Ibn ʿAbd al-Barr (falecido em 463 H.) afirma que Umm Kulthum (que Allah esteja satisfeito com ela) não pôde emigrar até Medina antes do sétimo ano da Hégira. Logo após o Tratado de Hudaybiyyah, surgiu em sua vida a oportunidade de emigrar para Medina, e ela fugiu de Meca e chegou à cidade. Uma das condições do Tratado de Hudaybiyyah era que, se alguém de Meca aceitasse o Islã e fosse para Medina, deveria ser devolvido. Dois dias depois de Umm Kulthum (que Allah esteja satisfeito com ela) chegar a Medina, seus dois irmãos, al-Walid e ʿUmārah ibn ʿUqbah, chegaram à presença do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), em Medina, exigindo que ela lhes fosse devolvida. Então foi revelado o versículo 10 da surata al-Mumtahanah, no qual se proíbe devolver as mulheres emigrantes que vêm de Meca. Após a revelação desse versículo, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) recusou entregar Umm Kulthum (que Allah esteja satisfeito com ela) a seu irmão. [Al-Bayhaqī, Dalāʾil an-Nubuwwah, 4/171; al-Istīʿāb, 4/465; Nasab Quraysh, p. 145] Ele lhes disse:(Árabe*******)

“A condição dizia respeito aos homens, não às mulheres.” [Tafhīm al-Qurʾān, vol. 17, p. 72; o hadith citado no Tafhīm al-Qurʾān foi mencionado com base no Tafsīr al-Kabīr do Imām Rāzī e no Aḥkām al-Qurʾān de Ibn al-ʿArabī.]

O episódio da emigração de Umm Kulthum (que Allah esteja satisfeito com ela) para Medina é bastante surpreendente e extraordinário. Várias fontes históricas relatam que ela saiu sozinha de Meca e, no caminho, tomou como acompanhante um homem da tribo de Khuzāʿah. Chegou a Medina a pé ou, segundo outra versão, montada em um camelo. Ibn Saʿd (falecido em 230 H.) diz: “Não conhecemos nenhuma outra mulher coraixita, além de Umm Kulthum (que Allah esteja satisfeito com ela), que tenha emigrado sozinha, abraçando o Islã, em direção a Allah e ao Seu Mensageiro.” [Ṭabaqāt, 8/230]

Ouçamos da própria Umm Kulthum o relato de sua emigração de Meca para Medina e da estratégia que utilizou:

Parte de minha família vivia no campo, em um oásis. Eu ia para lá sozinha, permanecia três ou quatro dias e depois retornava a Meca. Ninguém me impedia de fazer essas viagens. Em certo momento, decidi partir para Medina. Um dia, saí de Meca com destino ao campo. Aqueles que haviam vindo para me acompanhar avançaram comigo por uma curta distância e depois voltaram. Eu seguia sozinha quando encontrei um homem da tribo de Khuzāʿah. Ele perguntou: “Aonde você vai?”

Perguntei: “Por que o senhor está fazendo essa pergunta e quem é o senhor?”

Ele respondeu: “Sou da tribo de Khuzāʿah.”

Quando ele disse que era da tribo de Khuzāʿah, fiquei tranquila, pois essa tribo havia firmado uma trégua e um tratado de paz com o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Eu me identifiquei e disse:

Sou uma mulher da tribo dos Coraixitas e quero ir até o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), mas não conheço o caminho.

Ele disse: Eu a levarei até Medina.

Então trouxe um camelo para mim, e eu montei em seu dorso.

Depois de algum tempo, chegamos a Medina. Ele foi um excelente companheiro. Que Allah lhe conceda uma boa recompensa. Fui até Umm Salama, Mãe dos Crentes (que Allah esteja satisfeito com ela), e me apresentei. Ela me abraçou e disse: Você emigrou em direção ao Grandioso Allah, Senhor dos mundos, e ao Seu Mensageiro (que a paz esteja sobre ele)?

Respondi: Sim. Contudo, temo que me mandem de volta.

Pouco depois, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) veio até Umm Salama (que Allah esteja satisfeito com ela). Quando Umm Salama (que Allah esteja satisfeito com ela) lhe contou o meu caso, ele me deu as boas-vindas, dizendo: “Marhaban wa ahlan”.

Disse: Fugi para junto de você por causa da minha religião. Dê-me proteção. Não me mande de volta. Se me mandar de volta, eles me infligirão um castigo que não poderei suportar.

O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: O Grandioso Allah declarou nulo o tratado de paz no que diz respeito às mulheres. Como já foi mencionado, a cláusula do Tratado de Hudaybiyyah que estipulava a devolução dos habitantes de Meca mencionava apenas os homens; nada dizia sobre as mulheres. Em seguida, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) recitou os dois versículos seguintes: [Surata al-Mumtahina, 10–11](Árabe**********)

“Ó crentes! Quando mulheres crentes vierem até vós emigrando, examinai-as; Allah conhece plenamente a sua fé. Se souberdes que são crentes, não as devolvais aos incrédulos. As mulheres crentes não são lícitas para os incrédulos, nem os incrédulos são lícitos para as mulheres crentes. Devolvei-lhes o que eles gastaram. Depois, não cometereis pecado se vos casardes com elas, desde que lhes deis o mahr. Não mantenhais vínculos conjugais com mulheres incrédulas. Pedi de volta o que gastastes, e os incrédulos também pedirão de volta o que gastaram. Esta é a determinação de Allah; Ele julga entre vós. Allah é Onisciente, Sapientíssimo. E, se alguma das vossas esposas passar para os incrédulos e tiverdes a oportunidade, dai àqueles cujas esposas partiram uma quantia equivalente ao que gastaram. Temei Allah, em Quem crestes.”

Depois, o Mensageiro de Allah (s.a.w.) examinou, à luz deste versículo, Umm Kulthum (r.a.) e todas as mulheres que chegaram a Medina depois dela. Perguntaram a Ibn Abbas: “Qual era o método do Mensageiro de Allah (s.a.w.) para examinar as mulheres?” Ele respondeu: “Ele fazia com que as mulheres chegadas a Medina prestassem o seguinte juramento: Por Allah! Não saí de casa por ódio ou hostilidade ao meu marido. Por Allah! Não saí por desejar passar de uma terra para outra. Por Allah! Não abandonei minha casa por qualquer ambição ou desejo mundano. Por Allah! Abandonei minha casa somente por amor a Allah e ao Seu Mensageiro (s.a.w.).” [Mukhtasar Tafsir Ibn Kathir-3/485; Tafsir al-Khazin ma‘a Hamish al-Baghawi-7/78; Sirat Ibn Hisham-2/325; Siyar A‘lam an-Nubala’-2/276; adh-Dhahabi: Tarikh-2/400; Zad al-Ma‘ad-3/300]

Por meio do acontecimento acima, pode-se reconhecer a inteligência aguçada e a fé firme de Umm Kulthum (r.a.). Em razão dela, Allah, o Senhor dos mundos, instituiu várias disposições especiais da Sharia islâmica. Isso constitui uma honra especial para ela.

Durante sua vida em Medina, Umm Kulthum (r.a.) alcançou uma posição de especial prestígio entre as companheiras. O nobre Mensageiro de Allah (s.a.w.) a via com respeito e atribuía grande importância à sua sinceridade na fé. Ele a levou consigo em algumas expedições e a encarregou de cuidar dos feridos. Também lhe concedeu uma parte dos espólios de guerra. [Nisa’ min ‘Asr an-Nubuwwah-386]

Casamentos

Umm Kulthum (r.a.) não se casou até a Hégira. Depois de chegar a Medina, quatro ilustres companheiros enviaram-lhe propostas de casamento. Eram eles: az-Zubayr ibn al-Awwam, Zayd ibn Harithah, Abd ar-Rahman ibn Awf e Amr ibn al-As (r.a.). Ela consultou seu irmão uterino, Uthman ibn Affan (r.a.). Uthman (r.a.) disse-lhe que consultasse o Mensageiro de Allah (s.a.w.). Ela foi até o Mensageiro de Allah (s.a.w.) e pediu seu conselho para tomar uma decisão. O Mensageiro (s.a.w.) disse-lhe: “Casa-te com Zayd ibn Harithah. Será melhor para ti.” Ela se casou com Zayd.

Zayd (r.a.) foi martirizado na batalha de Mu’tah. Depois disso, az-Zubayr ibn al-Awwam (r.a.) casou-se com ela. Az-Zubayr (r.a.) tinha certa rudeza em seu temperamento. Tratava suas esposas com bastante severidade.

Por essa razão, Umm Kulthum (r.a.) pediu o divórcio, e ele lhe concedeu o divórcio. Depois que se separaram, Abd ar-Rahman ibn Awf (r.a.) casou-se com ela. Abd ar-Rahman faleceu após adoecer. Então Amr casou-se com ela. Abd ar-Rahman faleceu após adoecer. Nessa época, Amr ibn al-As (r.a.) era governador do Egito. Ele se casou com Umm Kulthum (r.a.), e ela faleceu em sua casa. [Tahdhib al-Asma’ wa al-Lughat-2/365; Tahdhib at-Tahdhib-12/477; Ansab al-Ashraf-1/471; Siyar A‘lam an-Nubala’-2/277] Naquele momento, encontrava-se em vigor o califado do quarto califa, Ali (r.a.).

filhos

Na casa de Hazrat az-Zubayr ibn al-‘Awwam (que Allah esteja satisfeito com ele), nasceu Zaynab; e na casa de ‘Abd ar-Rahman ibn ‘Awf (que Allah esteja satisfeito com ele), nasceram Ibrahim, Muhammad e Isma‘il. Na casa de Hazrat Zayd e ‘Amr ibn al-‘As (que Allah esteja satisfeito com eles), nasceu um filho. Na casa de Hazrat Zayd e ‘Amr ibn al-‘As (que Allah esteja satisfeito com eles), não nasceu nenhum filho. Entre seus filhos, Humayd tornou-se um tabi‘i e um grande faqih e erudito. Ele narrou muitos hadiths. Ainda criança, ouviu hadiths de seu tio materno, Hazrat ‘Uthman (que Allah esteja satisfeito com ele). Ibn al-‘Imad al-Hanbali disse: “Ele era um erudito célebre e de grande prestígio.” Morreu no ano 95 da Hégira. [Shadharat adh-Dhahab, 1/386–387]

Naquela época, quando a leitura e a escrita não eram de modo algum difundidas, havia algumas mulheres coraixitas que sabiam ler e escrever. Umm Kulthum (que Allah esteja satisfeito com ela) era uma delas. Ela sabia ler e escrever. Narrou dez hadiths do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Entre os que narraram hadiths dela estavam seus dois filhos; Humayd ibn Nafi‘ narrou hadiths por sua autoridade. [Al-Isti‘ab, 2/794] Seus hadiths foram compilados nos Sahihayn (Bukhari e Muslim). Um hadith é muttafaq ‘alayh. Seus hadiths também foram compilados nas demais obras dos Sihah Sittah, exceto Ibn Majah. [Sahabiyyat, 243; Nisa’ min ‘Asr an-Nubuwwah, 388]

 Asma’ bint ‘Umais (que Allah esteja satisfeito com ela)


Asma’ era filha da tribo árabe Khath‘am. Seu pai era ‘Umais ibn Ma‘ad, e sua mãe, Khawla bint ‘Awf. Sua mãe, Khawla, também conhecida como Hind, era filha da tribo de Kinana. O kunya de Asma’ era Umm ‘Abdillah. [Siyar A‘lam an-Nubala, 2/282] Ela era meia-irmã de Umm al-Mu’minin Hazrat Maymunah (que Allah esteja satisfeito com ela). [Sirat Ibn Hisham, 1/257; nota 7; Siyar Sahabiyyat, 141] Casou-se com Ja‘far ibn Abi Talib (que Allah esteja satisfeito com ele), o irmão mais velho de Hazrat ‘Ali ibn Abi Talib. [Tabaqat Ibn Sa‘d, 8/280; Ibn Qutaybah; Al-Ma‘arif, 171, 173] Ela era irmã, uterina ou consanguínea, de um grupo de célebres mulheres Companheiras. Seu número era de nove ou dez. [Al-Isabah, 4/231]

Ela abraçou o Islam antes de o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) se estabelecer na Dar al-Arqam, em Meca. [Tabaqat, 8/280]

Por volta dessa mesma época, seu marido, Hazrat Ja‘far (que Allah esteja satisfeito com ele), também abraçou o Islam. [Sirat Ibn Hisham, 1/136] Depois de abraçar o Islam, ela migrou com o marido para a Abissínia. Ali nasceram seus três filhos: ‘Abdullah, Muhammad e ‘Awn. [Ibid., 1/323, 2/359; Ansab al-Ashraf, 1/198; Siyar A‘lam an-Nubala, 2/283; Jamharat Ansab al-‘Arab, 390]

Depois de permanecer alguns anos na Abissínia, chegou diretamente da Abissínia a Medina no sétimo ano da Hégira, durante a conquista de Khaybar. [Ansab al-Ashraf, 1/198; Sirat Ibn Hisham, 2/359, 269] Ao chegar a Medina, foi à casa de Umm al-Mu’minin Hazrat Hafsah (que Allah esteja satisfeito com ela). Naquele momento, Hazrat ‘Umar (que Allah esteja satisfeito com ele) estava presente. Ele perguntou: “Quem é esta mulher?” Responderam: “Asma’ bint ‘Umais.” ‘Umar (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: “Sim, aquela mulher abissínia, aquela mulher do mar!” Asma’ disse: “Sim, sou eu.” ‘Umar (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: “Por meio da Hégira, nós vos superamos em mérito.” Asma’ disse: “Sim, você está certo. Vocês estavam com o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Ele alimentava os famintos entre vocês e ensinava os ignorantes. Já nós permanecíamos, indefesas, muito longe de nossa terra, buscando a satisfação de Allah e de Seu Mensageiro. Com paciência e firmeza, enfrentávamos calamidades e provações cada vez mais difíceis. Esperávamos que o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) retornasse, para informá-lo do ocorrido.” Asma’ disse essas palavras com certa indignação. Nesse ínterim, o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) chegou. Asma’ (que Allah esteja satisfeito com ela) contou-lhe tudo detalhadamente. O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: “Eles fizeram apenas uma Hégira, enquanto vocês fizeram duas Hégiras. Sob esse aspecto, vocês têm maior mérito.” [Fath al-Bari, 7/317; Al-Maghazi, capítulo sobre a expedição de Khaybar; Muslim, hadith nº 2503; Fi Fada’il as-Sahabah; Kanz al-‘Ummal, 8/333]

Foi narrado por ‘Amir. Asma’ apresentou uma queixa nestes termos: “Ó Mensageiro de Allah! Essas pessoas afirmam que não somos emigrantes.” O Mensageiro (que Allah o abençoe e lhe dê paz) respondeu: “Aqueles que dizem isso mentem. Vós emigrastes duas vezes: uma vez para junto do Negus e outra vez para junto de mim.” [At-Tabaqat-8/281; Al-Isabah-4/231]

Quando essa boa notícia, proferida pelos lábios do Mensageiro de Allah (que Allah o abençoe e lhe dê paz), se espalhou entre as pessoas, os que haviam emigrado para a Abissínia ficaram extremamente felizes. Eles iam até Asma’ para confirmar a veracidade dessa boa notícia. [Bukhari-2/607-608; Tabaqat-8/281]

A histórica Batalha de Mu’tah ocorreu no oitavo ano da Hégira. O marido de Asma’, Ja‘far (que Allah esteja satisfeito com ele), era um dos comandantes do exército nessa batalha. Ele foi martirizado durante o combate. Quando a notícia chegou ao Mensageiro de Allah (que Allah o abençoe e lhe dê paz), ele correu até a casa de Asma’ e disse: “Traga para diante de mim os filhos de Ja‘far.” Asma’ deu banho nos meninos, deixou-os limpos e bem-arrumados, e apresentou-os diante do Mensageiro de Allah (que Allah o abençoe e lhe dê paz). Os olhos do Mensageiro de Allah (que Allah o abençoe e lhe dê paz) encheram-se de lágrimas. Ele abraçou e beijou os meninos. Asma’ perguntou: “Recebestes alguma notícia sobre Ja‘far?” O Mensageiro (que Allah o abençoe e lhe dê paz) respondeu: “Sim, ele foi martirizado.” Assim que ouviu isso, Asma’ soltou um grito, e a casa assumiu a aparência de um lugar de lamentação. As mulheres vizinhas reuniram-se ao seu redor e disseram-lhe que o Mensageiro (que Allah o abençoe e lhe dê paz) proibia bater no peito. Então o Mensageiro (que Allah o abençoe e lhe dê paz) levantou-se dali, voltou para sua casa e disse: “Preparem comida para os filhos de Ja‘far, pois a mãe deles, Asma’, está prostrada pela tristeza e pela dor.” [Musnad-6/370; Ansab al-Ashraf-1/380]

Depois, o Mensageiro (que Allah o abençoe e lhe dê paz), com o coração aflito e o rosto abatido, foi sentar-se na mesquita e anunciou a notícia do martírio de Ja‘far (que Allah esteja satisfeito com ele). Exatamente nesse momento, um homem foi até o Mensageiro de Allah (que Allah o abençoe e lhe dê paz) e disse que a esposa de Ja‘far havia começado a lamentar-se e a chorar. Ele disse ao homem: “Vai e proíbe-as de fazer isso.” Depois de algum tempo, o homem voltou e disse: “Ó Mensageiro de Allah, elas não param.” Ele tornou a enviá-lo, dizendo-lhe a mesma coisa. Mas isso também não surtiu efeito. Então o Mensageiro (que Allah o abençoe e lhe dê paz) disse: “Enchei-lhe a boca de terra.” Também foi relatado no Sahih Bukhari que ‘A’ishah (que Allah esteja satisfeito com ela) disse àquele homem: “Juro por Allah! Se não fizerdes isso — encher-lhe a boca de terra — o Mensageiro (que Allah o abençoe e lhe dê paz) não ficará livre do sofrimento.” No terceiro dia, o Mensageiro (que Allah o abençoe e lhe dê paz) foi à casa de Asma’ e proibiu-a de guardar luto. [Musnad-6/369]

Segundo casamento

Seis meses após o martírio de seu marido Ja‘far (que Allah esteja satisfeito com ele), no mês de Shawwal do oitavo ano da Hégira, durante o período da Batalha de Hunayn, Asma’ casou-se pela segunda vez, com Abu Bakr. O Mensageiro de Allah (que Allah o abençoe e lhe dê paz) celebrou pessoalmente o casamento. [Al-Isabah-4/231] Dois anos depois desse casamento, no mês de Dhu al-Qa‘dah do décimo ano da Hégira, nasceu Muhammad ibn Abi Bakr, filho de Abu Bakr (que Allah esteja satisfeito com ele) e Asma’. Naquela época, Asma’ estava a caminho de Meca, acompanhando a caravana do Mensageiro de Allah (que Allah o abençoe e lhe dê paz) para a Peregrinação de Despedida. Quando chegaram a Dhu al-Hulayfah, Muhammad nasceu. Então ela ficou em dúvida quanto à realização da peregrinação. Seu marido, Abu Bakr (que Allah esteja satisfeito com ele), também quis mandá-la de volta a Medina. Finalmente, pediram a opinião do Mensageiro de Allah (que Allah o abençoe e lhe dê paz). O Mensageiro (que Allah o abençoe e lhe dê paz) disse: “Dizei-lhe que tome banho e vista o ihram para a peregrinação.” [Tabaqat-8/282; Musnad-6/369; Muslim-3/185-186]

Quando seu primeiro marido, Ja‘far, faleceu no oitavo ano da Hégira, Asma’ (que Allah esteja satisfeito com ela) sofreu profundamente. Contudo, na esperança de alcançar a satisfação de Allah e de Seu Mensageiro, transformou esse luto e essa tristeza em paciência e gratidão. Mas, quando seu segundo marido, Abu Bakr (que Allah esteja satisfeito com ele), morreu no décimo terceiro ano da Hégira, ela voltou a ficar dominada pelo luto. Por meio da paciência e da tolerância, também superou essa tristeza. Antes de morrer, Abu Bakr (que Allah esteja satisfeito com ele) deixou como testamento que sua esposa Asma’ lhe desse o banho funerário. Asma’ deu-lhe o banho. [Muwatta-1/223; Tabaqat-8/283] Depois de terminar o banho, ela disse aos emigrantes presentes: “Estou jejuando, e o dia também está muito frio. Devo tomar banho?” Eles responderam: “Não.” [Muwatta-1/222-223; Siyar A‘lam an-Nubala-2/286]

Quando Abu Bakr (que Allah esteja satisfeito com ele) faleceu, Muhammad, o filho de Asma’ com Abu Bakr, tinha aproximadamente três anos de idade. [Tabaqat-8/284] Mais tarde, esse Muhammad tornou-se uma das principais testemunhas ou protagonistas da grave tragédia do assassinato do terceiro califa, ‘Uthman (que Allah esteja satisfeito com ele).

Após a morte de seu segundo marido, Abu Bakr (r.a.), Hadrat Asma aceitou Hadrat Ali (r.a.) como seu terceiro marido. O menino Muhammad ibn Abi Bakr foi morar com sua mãe no lar de seu padrasto Ali (r.a.) e cresceu sob seu carinho e tutela. É importante mencionar que, mais tarde, a razão principal pela qual muitos tentaram atribuir a Hadrat Ali (r.a.) a responsabilidade pelo assassinato de Hadrat Uthman (r.a.) foi a conduta de seu enteado Muhammad.

Os leitores devem ter observado que os dois filhos de Hadrat Asma se chamavam Muhammad: Muhammad ibn Ja’far e Muhammad ibn Abi Bakr. Certo dia, os dois meninos começaram a exaltar sua própria nobreza e superioridade, dizendo: “Eu sou mais honrado do que você. Meu pai é mais respeitável do que o seu.” A discussão continuou por bastante tempo. Hadrat Ali (r.a.) disse à mãe deles, Asma: “Resolva você mesma essa disputa entre eles.” Asma disse: “Entre os jovens árabes, não encontrei ninguém melhor que Ja’far; e entre os anciãos, não vi ninguém melhor que Abu Bakr.” Ali (r.a.) disse: “Você não deixou nada para eu dizer. Eu ficaria descontente se dissesse algo além do que você disse.” Então Asma acrescentou: “E, como homem virtuoso, você é o terceiro entre os três.”[Al-Ma’āriful, 8/285; Siyar A’lam an-Nubala, 2/287]

Hadrat Asma deu à luz um filho, Yahya, de Hadrat Ali (r.a.). Contudo, Ibn Sa’d narrou em seu Tabaqat, por intermédio de Muhammad ibn Umar, que Asma teve dois filhos com Ali (r.a.): Yahya e Awn. A primeira narrativa parece ser correta, pois a maioria dos especialistas em biografia profética adotou precisamente essa opinião. O erudito Ibn al-Athir declarou equivocada a segunda opinião. Ele escreveu que ela era uma invenção de Ibn al-Kalbi, que era um famoso mentiroso.[Usd al-Ghabah, 5/395; Siyar al-Sahabiyyat, 144; Al-Isti’ab, 2/745] Assim, o número total de filhos de Hadrat Asma com seus três maridos chega a cinco. Com Ja’far, ela teve Muhammad, Abdullah e Awn; com Abu Bakr (r.a.), Muhammad; e com Ali (r.a.), Yahya.[Ansab al-Ashraf, 1/447] Todos os cinco eram filhos homens.

Como já foi mencionado, Muhammad ibn Abi Bakr envolveu-se na rebelião e na desordem durante o califado do califa Uthman. Nesse contexto, ele foi morto no Egito, no ano 38 da Hégira. Seu cadáver foi colocado dentro de uma pele de jumento, queimado e, assim, foi cometida uma vingança extremamente cruel. Naturalmente, sua mãe, Asma, ficou profundamente entristecida com o destino trágico do filho. Mas não sucumbiu; teve paciência. Ao ouvir essa notícia dolorosa, estendeu o tapete de oração e levantou-se para rezar.[Al-Isabah, 4/231; Sahabiyyat, 173]

Durante sua permanência na Abissínia, Hadrat Asma adquiriu conhecimentos de tratamentos caseiros simples praticados ali. Quando o Mensageiro de Allah (s.a.w.) estava em seu leito de doença terminal, no limite de sua vida terrena, Umm Salama e Asma (r.a.) diagnosticaram conjuntamente sua enfermidade como zāt al-janb e decidiram administrar-lhe um remédio. O Mensageiro (s.a.w.) recusou-se a tomar qualquer tipo de medicamento. Naquele momento, ele ficou ligeiramente inconsciente. As duas consideraram isso uma oportunidade. Abriram um pouco a boca do Mensageiro de Allah (s.a.w.) e despejaram o remédio. Algum tempo depois, ao recuperar a consciência, ele sentiu certo alívio e disse: “Provavelmente foi Asma quem preparou este remédio.”[Bukhari, 2/851; Ansab al-Ashraf, 1/545]

Sessenta hadiths foram narrados por Hadrat Asma. Entre os mais importantes daqueles que ouviram e transmitiram hadiths dela estão: Abdullah ibn Ja’far, Ibn Abbas, Qasim ibn Muhammad, Abdullah ibn Shaddad ibn al-Had, Urwah, Sa’id ibn al-Musayyib, Umm Awn bint Muhammad ibn Ja’far, Fatimah bint Ali e Abu Yazid al-Madani.[Ad-Durr al-Manthur, 35; Siyar A’lam an-Nubala, 2/278] Ela adquiria diretamente do Mensageiro de Allah (s.a.w.) conhecimento sobre diversos assuntos. O Mensageiro (s.a.w.) ensinou-lhe uma súplica para recitar em tempos de dificuldades e aflições. Asma costumava recitá-la.[Musnad, 6/369; Kanz al-Ummal, 1/299]

Ela conhecia bem a interpretação dos sonhos. Por isso, Umar (r.a.) costumava pedir a interpretação de seus sonhos principalmente a ela.[Kanz al-Ummal, 3/153; Al-Isabah, 4/231; Hayat al-Sahabah, 3/450]

O terceiro marido de Hadrat Asma, Ali (r.a.), alcançou o martírio no ano 40 da Hégira. Hadrat Asma também faleceu alguns dias depois.[Tahdhib al-Tahdhib, 12/399; Shajarat al-Jahan, 1/15, 48]

Certo dia, ao ver os três filhos de Ja‘far, o primeiro marido de Asmā’, muito magros e fracos, o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) perguntou: “Por que eles estão assim?” Asmā’ respondeu: “Eles são muito afetados pelo mau-olhado.” O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: “Então, por que não fazes ruqyah neles?” Ḥaḍrat Asmā’ conhecia uma fórmula de ruqyah. Ela a recitou para o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Depois de ouvi-la, ele disse: “Sim, está correta.” [Muslim, 2/223]

Ḥaḍrat Asmā’ (que Allah esteja satisfeito com ela) esteve profundamente ligada à família do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) durante a sua vida. Algumas narrativas mostram que ela desempenhou um papel bastante ativo por ocasião do casamento de Ḥaḍrat Fāṭimah (que Allah esteja satisfeito com ela). Como representante da família da noiva, ela foi à casa do genro, ‘Alī (que Allah esteja satisfeito com ele). [Ḥayātus Ṣaḥābah, 2/667–668]

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50. Al-Bayhaqi: Dala’il al-Nubuwwah, (Beirute: Dar al-Kutub al-‘Ilmiyyah, 1.ª edição, 1985)

51. Ahmad Khalil Jum’a: Nisa’ Mubashsharat bil-Jannah, (Beirute: Dar Ibn Kathir, 4.ª edição, 2001)

52. Muhibb al-Din al-Tabari: al-Riyad al-Nadirah fi Manaqib al-‘Asharah, (Beirute: Dar al-Kutub al-‘Ilmiyyah, 1.ª edição, 1984)

53. Ahmad Zayni Dahlān: al-Sirah al-Nabawiyyah, (Beirute: Ahlia para Publicação e Distribuição, 1983)

54. Abu Nu’aym al-Isfahani: Hilyat al-Awliya, (Beirute: Dar al-Kitab al-‘Arabi, 2.ª edição, 1967)

55. Khalil Jum’a: Banat al-Sahab, (Beirute: al-Yamamah, 1.ª edição, 1999)

56. al-Samhudi: Wafa’ al-Wafa’, (Beirute: Dar Ihya’ al-Turath al-‘Arabi, 4.ª edição, 1984)

57. Ibn ‘Asakir: Tarikh Dimashq, (Damasco: Dar al-Fikr)

58. Al-Haythamī: Majma‘ az-Zawā’id wa-Manba‘ al-Fawā’id, (Beirute: Mu’assasat al-Ma‘ārif, 19856)

59. Mus‘ab az-Zubayrī: Nasab Quraysh, (Egito: Dār al-Ma‘ārif, 3.ª edição)

60. Ibn Qayyim: Zād al-Ma‘ād, (Beirute: Mu’assasat ar-Risāla, 2.ª edição, 1982)

61. Ibn Qayyim: Zād al-Ma‘ād, (Beirute: Mu’assasat ar-Risāla, 2.ª edição, 1982)

61. Al-Wāqidī: Al-Maghāzī, (Beirute: ‘Ālam al-Kutub)

62. Ibn Sayyid an-Nās: ‘Uyūn al-Athar fī Funūn al-Maghāzī wa-s-Siyar, (Mu’assasat ‘Izz ad-Dīn)

63. Ibn Qutayba: ‘Uyūn al-Akhbār, (Dār al-Kutub, 1963)

64. Ibn Qutayba: Al-Ma‘ārif, (Egito: Dār al-Ma‘ārif, 4.ª edição, 1977)

65. Mansur ‘Ali Nasif: At-Al-Jami‘ lil-Usul, (Egito: Matba‘at al-Babi al-Halabi, 4.ª edição)

66. At-Tabari: Tarikh al-Umam wa-l-Muluk, (Beirute: Dar al-Kutub al-‘Ilmiyya, 2.ª edição, 1988)

67. ‘Abdul Badi‘ Saqar: Sha‘irat al-‘Arab, (Al-Maktab al-Islami, 1.ª edição, 1967)

68. Ahmad Khalil Juma‘a: Nisa’ min at-Tarikh, (Damasco: Dar al-Yamama, 1.ª edição, 1997)

70. Dra. Aisha ‘Abdur-Rahman: Tarajim Sayyidat Bayt an-Nubuwwah, (Cairo: Dar ad-Dayyan li-t-Turath, 1.ª edição, 1988)

71. Ibn Durayd: Al-Ishtiqaq, (Cairo, 1958)

72. Ibn Qudama al-Maqdisi: Al-Istibsar fi Ansab as-Sahaba min al-Ansar, (Beirute: Dar al-Fiqh)

73. Imam al-Bukhari: Al-Adab al-Mufrad, (Daca: Ahsan Publication, 2001)

74. ‘Abdur Rauf Danapuri: Asah as-Sirah, (Carachi)

75. Dr. Abdul Ma‘bud: A Vida dos Companheiros do Mensageiro, volumes 1–5, (Daca: Centro Islâmico de Bangladesh)

76. Dr. Muhammad Abdul Ma‘bud: O talento poético dos Companheiros do Mensageiro, (Daca: Ahsan Publication, 1.ª edição, 2003)

77. Várias obras de hadith