As fontes fundamentais da Sharia islâmica são duas: uma é o Livro de Allah, isto é, o Sagrado Alcorão; a segunda é a Sunnah, ou seja, os hadiths do Mensageiro. Indicando isso, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse nas palavras finais de seu discurso de despedida durante a Peregrinação de Despedida: “Estou deixando para vocês duas coisas. Se vocês se apegarem firmemente a ambas, não haverá risco de se desviarem do caminho. Elas são o Livro de Allah e a minha Sunnah, ou método.” É por meio dos hadiths que conhecemos os detalhes da Sunnah. Por um lado, o hadith é uma explicação do Alcorão; por outro, é também por meio dos hadiths que obtemos os detalhes das determinações e dos preceitos da Sharia. Os juristas encontraram nos hadiths as fontes das questões jurídicas e, de acordo com sua importância, classificaram-nas em categorias como fard, wajib e mustahabb.

No primeiro volume do livro “A vida humana à luz dos hadiths”, que compilei, apresentei os hadiths relacionados às virtudes dos atos de adoração. No segundo volume, apresentei os hadiths relacionados às questões jurídicas, isto é, às fontes dos atos de adoração. Enquanto isso, pela graça de Allah, os volumes terceiro e quarto do livro “A vida humana à luz dos hadiths” também foram publicados e chegaram às mãos dos leitores. O terceiro volume contém “Os hadiths do Mensageiro relacionados à moralidade”, e o quarto contém os hadiths relacionados às recomendações do Mensageiro.

Por fim, ofereço minha gratidão ao meu grandioso Senhor, que me concedeu a capacidade de compilar e publicar nada menos que quatro volumes de livros de hadith. Que Ele aceite este meu pequeno serviço e, na outra vida, o aceite como um meio para que eu alcance Sua graça e salvação.

Abul Kalam Muhammad Yusuf

Capítulo 1: A pureza

Normas e restrições relativas à água

Ao descrever no Sagrado Alcorão as propriedades purificadoras da água, Allah diz:

وَأَنْزَلْنَا مِنَ السَّمَاءِ مَاءً طَهُورًا (الفرقان: ٤٨)

“Fiz descer do céu uma água purificadora.”
(Al-Furqan, 48)

Allah também diz:

وَيُنَزِّلُ مِنَ السَّمَاءِ مَاءً لِيُطَهِّرَكُمْ بِهِ (الأنفال: ۱۱)

“Ele fez descer água do céu para, por meio dela, purificar-vos.” (Al-Anfal, 11)

A água é uma dádiva extremamente valiosa do Deus Todo-Poderoso, não apenas para os seres humanos, mas também para todos os animais, insetos, plantas e árvores. Assim como é indispensável beber água pura para preservar a saúde, também é necessária água pura para alcançar a purificação. Por isso, o Profeta (que a paz esteja com ele) proibiu que se tornasse intencionalmente impura a água pura. Isso frustra o propósito para o qual a água foi criada. Da mesma forma, ele também nos proibiu de desperdiçar e utilizar indevidamente a água.

Enquanto a cor, o sabor e o odor da água permanecerem inalterados, ela será considerada pura. Porém, se qualquer uma dessas três características mencionadas se alterar, a água deixará de ser pura. Assim como é proibido beber dessa água, também não é permitido realizar ablução ou banho ritual com ela.

(۱) وَعَنْ أَبِي هُرَيْرَةَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ قَالَ رَسُولُ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ لَا يَبُوْلَنَّ أَحَدُكُمْ فِي الْمَاءِ الدَّائِمِ الَّذِي لَا يَجْرِي ثُمَّ يَغْتَسِلُ فِيهِ (متفق عليه)

(1) “Hazrat Abu Huraira (que Allah esteja satisfeito com ele) relata que o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: ‘Nenhum de vós deve jamais urinar em água estagnada, que não corre, e depois banhar-se nela.'”
(Bukhari, Muslim)

Explicação: Em água estagnada cuja quantidade não seja grande, não é permitido urinar, nem realizar ablução ou banho ritual com essa água.

(۲) وَعَنِ جَابِرٍ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ نَهَى رَسُولُ اللَّهِ صلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ أَنْ تُبَالَ فِي الْمَاءِ الرَّكِي (مسلم)

(2) «Hazrate Jabir (que Deus esteja satisfeito com ele) disse: O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Deus estejam sobre ele) proibiu urinar em água estagnada.» (Muslim)

(۳) وَعَنْ عَبْدِ اللَّهِ ابْنِ عُمَرَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ سُئِلَ رَسُولُ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ عَنِ الْمَاءِ يَكُوْنُ فِي الْفَلَاةِ مِنَ الْأَرْضِ وَمَا يَنُوبُهُ مِنَ الدَّوَابِ وَالسَّبَاعَ فَقَالَ إِذَا كَانَ الْمَاءُ قُلْتَيْنِ لَمْ يَحْمِلُ الْخَبَثَ
(أحمد – أبو داود – -ترمذي- نسائي- دارمي – ابن ماجة)

(3) «Hazrate Abdullah ibn Umar (que Deus esteja satisfeito com ele) disse: Certa vez, perguntaram ao Profeta (que a paz e as bênçãos de Deus estejam sobre ele) sobre a água que se acumula em campo aberto e da qual bebem animais selvagens e feras. Em resposta, o Profeta (que a paz e as bênçãos de Deus estejam sobre ele) disse: Quando a água atingir a quantidade de duas qollas (jarros), não se tornará impura.»

(Ahmad, Abu Dawud, Tirmidhi, Nasa’i, Darimi, Ibn Majah)

Explicação: Qolla é o nome dado a um jarro. Uma qolla normalmente comporta um pouco mais de três man de água. Portanto, duas qollas conterão entre seis man e um quarto e seis man e meio de água. À luz do hadith acima, o Imame Shafi’i e Ahmad ibn Hanbal, quando a água ultrapassa seis man, consideraram-naمَاءٌ كَثِيرٌágua abundante e disseram que ela não se tornará impura. Contudo, o Imame Abu Hanifa não apoia a opinião acima. Segundo o Imame Abu Hanifa, se num reservatório ou lago com dez côvados de comprimento e dez côvados de largura houver, no mínimo, água suficiente para que, ao retirar um recipiente cheio de água, não se consiga tocar o fundo com a mão, então essa éمَاءً كَثِيرٌágua abundante, e, se alguma substância impura cair nesse tipo de água, ela não se tornará impura.

(٤) وَعَنْ أَبِي هُرَيْرَةَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ يَقُولُ جَاءَ رَجُلٌ إِلَى رَسُولِ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ فَقَالَ يَا رَسُولَ اللَّهِ إِنَّا تَرْكَبُ الْبَحْرَ وَنَحْمِلُ مَعَنَا الْقَلِيْلَ مِنَ الْمَاءِ فَإِنْ تَوَضَّأْنَا بِهِ عَطِشْنَا أَفَنَتَوَضَأُ بِمَاءِ الْبَحْرِ فَقَالَ رَسُولُ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ هُوَ الطُّهُورُ مَاؤُهُ الْحِلُّ مَيْتَتَهُ
(موطأ إمام مالك، ترمذي، أبو داود، نسائي ، ابن ماجة ، دارمي)

(4) «Foi narrado por Abu Huraira (que Allah esteja satisfeito com ele): certa vez, um homem foi até o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) e perguntou: “Ó Mensageiro de Allah, durante nossas viagens marítimas, às vezes temos apenas uma pequena quantidade de água doce. Se fizermos a ablução com essa água, sofreremos de sede. Nessa situação, podemos fazer a ablução com a água do mar?” O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) respondeu: “A água do mar é pura, e os animais mortos nele são lícitos.”» (Málik, Tirmidhi, Abu Dawud, Nasa’i, Ibn Majah, Darimi)

Explicação: embora o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) tenha sido questionado acerca da água do mar, ao explicar a condição da água do mar, ele também esclareceu a condição dos alimentos do mar. Isto é, assim como a água do mar é pura, todos os animais mortos que vivem na água do mar também são lícitos. Com base neste hadith, o Imam Malik, o Imam Shastri e o Imam Ahmad ibn Hanbal consideraram lícitos todos os seres que vivem na água, sejam peixes ou outros. Porém, o Imam Abu Hanifa (que Allah tenha misericórdia dele) considerou lícitos, entre os seres que vivem na água, somente os peixes. Como prova, ele apresentou o seguinte versículo do Alcorão:

وَيُحِلُّ لَهُمُ الطَّيِّبَاتِ وَيُحَرِّمَ عَلَيْهُمُ الْخَبَائِثَ (الأعراف: ١٥٧)

Significado: «Para eles foram tornados lícitos os alimentos puros e bons, e foram proibidos os alimentos impuros e ruins.» (Al-A‘raf, 157)
No versículo acima, Allah tornou lícitas as coisas puras e boas e proibiu as coisas impuras e ruins; e, entre os seres que vivem na água, todos, exceto os peixes, são khabith, isto é, impuros.

Embora o questionador tivesse perguntado ao Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) somente acerca da água, o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) também explicou os alimentos, juntamente com a condição da água do mar. Isso porque, assim como pode haver escassez de água no mar, também pode haver escassez de alimentos.

(٥) وَعَنْ كَبُشَةَ بِنْتِ كَعْبِ بْنِ مَالِكٍ أَنَّ أَبَا قَتَادَةَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ دَخَلَ عَلَيْهَا فَسَكَبَتْ لَهُ وَضُوءٌ، فَجَاءَتْ هِرَّةٌ تَشْرَبُ مِنْهُ، فَأَصْغَى لَهَا أَبُو قَتَادَةَ الإِنَاءَ حَتَّى شَرِبَتْ، قَالَتْ كَبْشَةُ فَرَآنِي أَنْظُرُ إِلَيْهِ، فَقَالَ: أَتَعْجَبِينَ يَا بِنْتَ أَخِي؟ قُلْتُ: نَعَمْ، قَالَ: إِنَّ رَسُولَ اللَّهِ صَلَّى اللهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ قَالَ: إِنَّهَا لَيْسَتْ بِنَجَسِ، إِنَّمَا هِيَ مِنْ الطَّوَّافِينَ عَلَيْكُمْ أَوَ الطَّوَّافَاتِ.
(مؤطا إمام مالك – أحمد – ترمذي – نسائي)

(5) «Foi narrado por Kabsha, filha de Ka‘b ibn Malik: certa vez, Abu Qatada foi à sua casa. Ela providenciou água para a ablução dele. De repente, um gato chegou e começou a beber daquela água. Abu Qatada inclinou o recipiente em direção ao gato, até que ele terminasse de beber. Eu estava observando aquela cena. Então meu sogro, Abu Qatada, disse: “Minha sobrinha, estás admirada?” Eu respondi: “Sim.” Então ele disse: “O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: ‘O gato não é impuro; ele circula frequentemente entre vós.’”
(Malik, Ahmad, Tirmidhi, Nasa’i)

Explicação: com base no significado do hadith acima, o Imam Shafi‘i e Abu Yusuf consideram pura a água restante depois de um gato beber dela. Abu Hanifa (que Allah tenha misericórdia dele), contudo, declarou makruh tanzih fazer a ablução com a água restante depois de um gato beber dela.

Regras e proibições relativas à defecação e à urinação

(٦) وَعَنْ أَبِي أَيُّوبَ الأَنْصَارِي رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ قَالَ رَسُولُ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ إِذَا أَتَيْتُمُ الْغَائِطَ فَلَا تَسْتَقْبَلُوا الْقِبْلَةَ وَلَا تَسْتَدْبِرُوهَا وَلَكِنْ شَرِّقُوا أَوْ غَرِبُوا (متفق عليه)

(6) «Foi narrado por Hazrat Abu Ayyub Ansari (que Allah esteja satisfeito com ele) que ele disse: o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) afirmou: “Quando forem ao banheiro, não se sentem com a qibla à sua frente nem às suas costas. Sentem-se voltados para o leste ou para o oeste.”» (Bukhari e Muslim)
Explicação: Como os muçulmanos de todo o mundo realizam a oração tendo a Casa Sagrada de Allah, a Caaba, à sua frente e como direção da qibla, o Profeta de Allah, para preservar a honra da Casa de Allah, proibiu que se defecasse ou urinasse voltado para ela. Segundo a perspectiva da Sharia, isso é um ato abominável e reprovável. Portanto, devemos necessariamente seguir esta orientação do Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) ao nos sentarmos para defecar ou urinar.

(۷) قَالَ الشَّيْخُ الإِمَامُ مُحِيُّ السُّنَّةِ بَغْوِي رَحِمَهُ اللَّهُ هَذَا الْحَدِيثُ فِي الصَّحْرَاءِ وَأَمَّا فِي الْبُنْيَانِ فَلَا بَأْسَ

لِمَا رُوِيَ عَنْ عَبْدِ اللَّهِ بْنِ عُمَرَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ: ارْتَقَيْتُ فَوْقَ بَيْتِ حَفْصَةً لِبَعْضٍ حَاجَتِي، فَرَأَيْتُ رَسُولَ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ يَقْضِي حَاجَتَهُ مُسْتَدْبِرَ الْقِبْلَةِ، مُسْتَقِيلَ الشَّامِ (بخاري – مسلم)

(7) «O xeque Muhyissunnah Bagavi disse: “O hadith acima, narrado por Abu Ayyub Ansari, referia-se a um campo aberto, e não a um banheiro cercado por uma cerca ou por paredes. Com efeito, foi narrado por Hazrat Abdullah ibn Umar (que Allah esteja satisfeito com ele) que ele disse: certa vez, por causa de uma tarefa, subi ao terraço da casa de Hazrat Hafsa, a Mãe dos Crentes (minha irmã), e então vi o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) defecando em um local cercado, com a qibla às suas costas e o rosto voltado para a frente.”» (Bukhari e Muslim)

Explicação: Defecar ou urinar em local aberto mantendo a qibla à frente ou às costas é unanimemente considerado haram. Contudo, alguns Companheiros e tabi’un consideram permitido sentar-se em um local cercado mantendo a qibla à frente ou às costas. O hadith narrado por Ibn Umar é a prova deles. O Imam Shafi’i considera permitido, em situação semelhante, defecar ou urinar mantendo a qibla à frente ou às costas. Quanto ao hadith de Abu Ayyub Ansari, nele não se menciona se o local era cercado ou não. Segundo o Imam Abu Hanifa, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) talvez estivesse sentado inclinado para algum lado, mas Ibn Umar se enganou ao vê-lo.

(۸)
وَعَنْ أَنَسٍ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ كَانَ رَسُولُ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ إِذَا دَخَلَ الْخَلَاءَ يَقُولُ: أَللَّهُمَّ إِنِّي أَعُوذُ بِكَ مِنَ الْخُبْثِ وَالْخَبَائِثِ
(بخاري – مسلم)

(8) “Hazrat Anas (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: Quando o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) ia ao banheiro, recitava esta súplica: “Ó Allah, busco refúgio em Ti contra os demônios, tanto masculinos quanto femininos.” (Bukhari e Muslim)

(۹) وَعَنْ أَبِي هُرَيْرَةَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ قَالَ رَسُولُ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ اتَّقُوا اللَّاعِنَيْنِ قَالُوا وَمَا اللَّاعِنَانِ يَا رَسُولَ اللَّهِ؟ قَالَ الَّذِي يَتَخَلَّى فِي طَرِيقِ النَّاسِ أَوْ فِي ظِلِهِمْ (مسلم)

(9) “Hazrat Abu Huraira (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: Evitai as duas causas de maldição. Os Companheiros perguntaram: “Ó Mensageiro, não entendemos quais são as duas causas de maldição.” Em resposta, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: “Aquele que defeca no caminho por onde passam as pessoas ou em um local sombreado (onde as pessoas se sentam).” (Muslim)

Explicação: Que as pessoas promovam o bem umas das outras: essa é a exigência do Islã e da humanidade. Ninguém deve fazer algo que cause dano ou prejuízo às pessoas. Do ponto de vista da Sharia, esse tipo de ato é extremamente repreensível. Portanto, se alguém defeca no caminho por onde passam as pessoas, isso pode sujar os pés delas e causar-lhes sofrimento quando caminham no escuro ou sem perceber. Da mesma forma, defecar à sombra de uma árvore também pode causar sofrimento às pessoas, pois o viajante, cansado, descansa à sombra de uma árvore à beira do caminho para aliviar o cansaço. Portanto, é proibido defecar em locais desse tipo.

(۱۰) وَعَنْ سَلْمَانَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ نَهَانًا يَعْنِي صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ أَنْ تَسْتَقْبِلَ الْقِبْلَةَ بِغَائِطِ أَوْ بَوْلٍ وَأَنْ لَا تَسْتَنْجِيَ بِالْيَمِيْنِ أَوْ أَنْ لَا نَسْتَنْحِيَ بِأَقَلَّ مِنْ ثَلَاثَةِ أَحْجَارٍ أَوْ أَنْ تَسْتَنْجِيَ بِرَجِيعِ أَوْ عَظْمٍ (مسلم)

(10) “Foi narrado por Hazrat Salman (que Allah esteja satisfeito com ele): O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) proibiu-nos de defecar ou urinar voltados para a qibla, de fazer istinja (limpeza após evacuar) com a mão direita e de usar menos de três pedras para alcançar a pureza. Da mesma forma, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) proibiu-nos de usar esterco seco e ossos como pedras para a limpeza.” (Muslim)

(۱۱) وَعَنْ أَنَسٍ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ كَانَ رَسُولُ اللَّهِ صلَّى اللهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ يَدْخُلُ الْخَلَاءَ فَاحْمِلُ أَنَا وَغُلَامٌ أَدَاوَةً مِّنْ مَّاءٍ وَعَنَزَةً يَسْتَنْجِي بِالْمَاءِ (بخاري – مسلم)

(11) “Hazrat Anas (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: Quando o Profeta Excelso (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) ia ao banheiro, eu e outro menino levávamos um recipiente com água e um bastão com uma lança na extremidade. O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) fazia istinja com aquela água.” (Bukhari e Muslim)

Explicação: Como, em geral, havia escassez de água na Arábia, o Profeta (que a paz esteja com ele) recomendou que, após defecar e urinar, se alcançasse uma boa purificação utilizando três pedras (kulukh). Contudo, se houver água disponível, é igualmente recomendável utilizá-la juntamente com as pedras. Na narração do hadith acima, vemos que o Profeta (que a paz esteja com ele) geralmente se purificava após defecar e urinar utilizando água.

“Anaza” era um tipo de bastão que tinha uma lança na extremidade. Com sua ajuda, o Profeta (que a paz esteja com ele) cavava a terra e recolhia torrões. Além disso, ao rezar em campo aberto, fincava-o à sua frente.

O banho ritual obrigatório

Allah, o Altíssimo, declarou no Alcorão Sagrado:

وَإِنْ كُنتُمْ جُنُبًا فَاطْهَرُوا (المائدة – (٦)

“Se estiverdes em estado de impureza, então purificai-vos completamente.” (Al-Ma’idah, 6)

O versículo acima ordena que a pessoa impura se purifique. Portanto, para a pessoa impura, é obrigatório alcançar a purificação por meio do banho ritual.

Quando o banho ritual se torna obrigatório

(۱۲)
وَعَنْ أَبِي هُرَيْرَةَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ قَالَ رَسُوْلُ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ إِذَا جَلَسَ أَحَدُكُمْ شُعَبِهَا

الْأَرْبَعِ ثُمَّ جَهَدَهَا فَقَدْ وَجَبَ الْغُسْلُ وَإِنْ لَّمْ يُنْزِلْ (بخاري – مسلم)

(12) “Hadrat Abu Huraira (que Allah esteja satisfeito com ele) relatou que o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: quando alguém dentre vós se senta entre os quatro membros de uma mulher e mantém relações com ela, então o ghusl torna-se obrigatório, mesmo que não haja ejaculação.” (Bukhari e Muslim)

Explicação: O ghusl torna-se obrigatório assim que se mantém relação sexual com uma mulher, haja ou não ejaculação.

(۱۳)
وَعَنْ سَعِيدِ بْنِ الْمُسِيَّبِ إِنَّ عُمَرَ بْنِ الْخَطَّابِ وَعُثْمَانَ بْنِ عَفَّانَ وَعَائِشَةَ زَوْجِ النَّبِيِّ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ كَانُوا يَقُولُونَ إِذَا مَسَّ الْخِتَانُ الخِتَانَ فَقَدْ وَجَبَ الْغُسْلُ (مؤطا إمام مالك)

(13) “É relatado por Hadrat Sa’id ibn al-Musayyab que ele disse: Hadrat Umar ibn al-Khattab, Hadrat Uthman ibn Affan e Hadrat Aisha, esposa do Mensageiro (que Allah esteja satisfeito com ela), costumavam dizer que, quando os órgãos sexuais se tocam, o ghusl torna-se obrigatório.” (Muwatta do Imam Malik)
Explicação: A opinião dos Companheiros ilustres mencionados no hadith era que, quando o órgão sexual do homem toca o órgão sexual da mulher — isto é, quando a extremidade do órgão sexual masculino penetra no órgão sexual feminino — o ghusl torna-se obrigatório. A ejaculação não é necessária nem uma condição para o ghusl.

(١٤) وَعَنْ نَافِعٍ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ أَنَّ عَبْدَ اللَّهِ بْنَ عُمَرَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ كَانَ يَقُولُ إِذَا جَاوَزَ الْخِتَانُ الْخِتَانَ فَقَدْ وَجَبَ الْغُسْلُ (مؤطا إمام مالك)

(14) “É relatado por Nafi’ (que Allah esteja satisfeito com ele) que Hadrat Abdullah ibn Umar (que Allah esteja satisfeito com ele) costumava dizer que, assim que o órgão sexual penetra no órgão sexual, o ghusl torna-se obrigatório.” (Muwatta)

(١٥) وَعَنْ أَبِي سَعِيدٍ قَالَ قَالَ رَسُولُ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ إِنَّمَا الْمَاءُ مِنَ الْمَاءِ رَوَاهُ الْمُسْلِمُ)، قَالَ الشَّيْخُ الإِمَامُ مُحِيُّ السُّنَّةِ رَحِمَهُ اللَّهِ هَذَا مَنْسُوخٌ وَقَالَ بْنُ عَبَّاسٍ إِنَّمَا الْمَاءُ مِنَ الْمَاءِ فِي الاحْتِلامِ رَوَاهُ التَّرْمِذِي وَلَمْ أَجِدَهُ فِي الصَّحِيحَيْنِ

(15) “Hazrat Abu Sa’id (que Allah esteja satisfeito com ele) relatou: O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: Certamente, a água torna obrigatória a água.” (Isto é, o ghusl torna-se obrigatório devido à ejaculação.) (Muslim)

Explicação: Conforme os relatos dos hadiths números 12, 13 e 14, entende-se que o ghusl se torna obrigatório assim que ocorre a relação sexual, haja ou não ejaculação. Contudo, no relato do hadith número 15, afirma-se que a ejaculação é necessária para que o ghusl se torne obrigatório. Para conciliar isso, o Shaykh Muhy us-Sunnah disse que o hadith em questão foi ab-rogado pelos hadiths mencionados acima. Segundo Ibn Abbas, este hadith aplica-se à polução noturna.

Se não houver ejaculação durante a polução noturna, o ghusl não se torna obrigatório. Esta declaração de Ibn Abbas está registrada no Tirmidhi Sharif.

(١٦) وَعَنْ أُمِّ سَلَمَةَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهَا قَالَتْ قَالَتْ أُمُّ سُلَيْمٍ يَا رَسُولَ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ إِنَّ اللَّهَ لَا يَسْتَحِي مِنَ الْحَقِّ فَهَلْ عَلَى الْمَرْأَةِ مِنَ الْغُسْلِ إِذَا احْتَمَلَتْ قَالَ نَعَمْ إِذَا رَأْتِ الْمَاءَ فَفَطَّتْ أُمُّ سَلَمَةَ وَجْهَهَا وَقَالَتْ يَا رَسُولَ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ أَوَ تَحْتَلِمُ الْمَرأَةُ ؟ قَالَ نَعَمْ تَرِبَتْ يَمِينُكَ فَبِمَا يَشْبَهُهَا وَلَدُهَا (متفق عليه)

(16) “Hazrat Umm Salama (que Allah esteja satisfeito com ela) relatou: Certo dia, Umm Sulaym al-Ansariyya disse: Ó Mensageiro de Allah, Allah nunca Se envergonha de dizer a verdade. (Por isso, deixando de lado a vergonha, pergunto:) Se uma mulher tiver uma polução noturna, o ghusl torna-se obrigatório? O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) respondeu: Sim, quando ela encontrar sêmen (ao acordar, em sua roupa ou em seu corpo). Ao ouvir isso, Hazrat Umm Salama cobriu o rosto, envergonhada, e disse: Ó Mensageiro de Allah, as mulheres também têm polução noturna? O Profeta respondeu: Sim. Que espécie de pergunta é essa que fazes? Caso contrário, como poderia o filho se parecer com a mãe?” (Bukhari, Muslim)

Explicação: Assim como os homens, as mulheres também possuem sêmen. O sêmen do homem é espesso e branco, enquanto o da mulher é amarelado e fino; aquele dos dois que prevalecer fará com que o filho se pareça com ele.

O procedimento do ghusl obrigatório

(۱۷) وَعَنْ عَائِشَةَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهَا قَالَتْ كَانَ رَسُوْلُ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ إِذَا اغْتَسَلَ مِنَ الْجَنَابَةِ غَسَلَ يَدَيْهِ وَتَوَضَّأَ وَضُوْءَهُ لِلصَّلاةِ ثُمَّ يَغْتَسِلُ ثُمَّ يُخَلِّلُ بِيَدَيْهِ حَتَّى إِذَا ظَنَّ أَنَّهُ أَرْوَى بَشْرَتَهُ أَفَاضَ عَلَيْهِ ثَلَاثَ مَرَّاتٍ ثُمَّ غَسَلَ سَائِرَ جَسَدِهِ وَقَالَتْ كُنْتُ أَنَا وَرَسُولُ اللَّهِ اغْتَسِلُ مِنْ إِنَاءٍ وَاحِدٍ نَغْتَرِفُ مِنْهُ جَمِيعًا
(بخاري – مسلم)

(17) «Hazrat Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela) disse: quando o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) fazia o ghusl da janabah (para remover a impureza), primeiro lavava as duas mãos e fazia a ablução como a ablução para a oração. Depois, fazia o ghusl da seguinte maneira: primeiro passava os dedos pelos cabelos com as duas mãos e, quando julgava que o couro cabeludo estava molhado, despejava água sobre a cabeça três vezes. Depois, lavava todo o corpo com água. Hazrat Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela) disse: eu e o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) fazíamos o ghusl usando o mesmo recipiente e pegávamos água com as duas mãos, despejando-a sobre nossos respectivos corpos.» (Bukhari e Muslim).

(۱۸)
وَعَنِ ابْنِ عَبَّاسٍ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ قَالَتْ مَيْمُنَةُ زَوْجُ النَّبِيِّ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ وَضَعْتُ لِلنَّبِيِّ صَلَّى

اللهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ غَسَلاً فَسَتَرْتُهُ بِثَوْبٍ وَصَبَّ عَلَى يَدَيْهِ فَغَسَلَهُمَا ثُمَّ صَبَّ بِيَمِينِهِ عَلَى شَمَالِهِ فَغَسَلَ فَرْجَهُ فَضَرَبَ بِيَدِهِ الْأَرْضَ فَمَسَحَ ثُمَّ غَسَلَهَا فَمَضْمَضَ وَاسْتَنْشَقَ وَغَسَلَ وَجْهَهُ وَزِرَاعَيْهِ ثُمَّ صَبَّ عَلَى رَأْسِهِ وَأَفَاضَ عَلَى جَسَدِهِ ثُمَّ تَنَحَّى فَغَسَلَ قَدَمَيْهِ فَنَاوَلْتُهُ تَوْبًا فَلَمْ يَأْخُذُهُ فَانْطَلَقَ وَهُوَ يَنْقُدُ يَدَيْهِ (بخاري – مسلم)

(18) «Hazrat Ibn Abbas (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: minha tia materna, a Mãe dos Crentes, Hazrat Maymunah, disse: certa vez, deixei água preparada para o ghusl do Nobre Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) e depois coloquei um pano como cortina. Primeiro, ele derramou água sobre as duas mãos e lavou-as até os pulsos; depois, com a mão direita, despejou um pouco de água sobre a mão esquerda e lavou com ela o órgão genital. Em seguida, bateu a mão no chão e limpou-a; depois lavou a mão esquerda, gargarejou e enxaguou a boca, colocou água no nariz, lavou o rosto e lavou as duas mãos até os cotovelos. Depois, derramou água sobre a cabeça e sobre todo o corpo. Em seguida, afastou-se um pouco do lugar onde estava de pé e lavou os dois pés. Dei ao Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) um pano para se enxugar, mas ele não o aceitou e saiu sacudindo as mãos.» (Bukhari e Muslim).

Explicação: os dois hadiths acima descrevem como o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) alcançava a purificação por meio do ghusl após a intimidade com suas esposas, removendo a impureza. A vida conjugal do Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) também deve ser seguida pela ummah. Todos os detalhes da vida conjugal eram conhecidos sobretudo por suas nobres esposas. Nos dois hadiths acima, as duas nobres esposas do Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), as Mães dos Crentes Hazrat Aisha e Maymunah (que Allah esteja satisfeito com ambas), descreveram o que haviam observado diretamente da prática dele quanto ao ghusl obrigatório. Os companheiros realizavam suas práticas exatamente como haviam visto o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) fazer a ablução e como haviam ouvido das Mães dos Crentes a descrição de seu ghusl. Posteriormente, os imames das escolas jurídicas classificaram, conforme a importância, as questões relativas à ablução e ao ghusl em fard, wajib e sunnah.

Segundo o Imam Azam Hazrat Abu Hanifa, os atos obrigatórios do ghusl são três: (1) gargarejar e enxaguar a boca; (2) colocar água no nariz; (3) lavar todo o corpo. Se qualquer pequena parte do corpo permanecer seca, o ghusl não será válido. Portanto, é necessário que a água alcance todos os lugares, inclusive sob os cabelos, no interior das axilas e assim por diante. Segundo o Imam, além dos três fard mencionados acima, os demais atos do ghusl são sunnah e mustahabb. Segundo o Imam Malik, os atos obrigatórios do ghusl são cinco. Ele também incluiu entre os fard a intenção e esfregar bem todo o corpo durante a lavagem. Para o Imam Shafi’i, os atos obrigatórios do ghusl são dois: (1) a intenção; (2) lavar todo o corpo. Os demais atos são sunnah e mustahabb.

(۱۹)
وَعَنْ أُمِّ سَلَمَةَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهَا قَالَتْ قُلْتُ يَا رَسُولَ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ إِنِّي امْرَأَةٌ أَشَدُّ صَفَرَ رَأْسِي أَفَأَنْقُضُهَ لِغُسْلِ الْجَنَابَةِ ۚ فَقَالَ لَا إِنَّمَا يَكْفِيْهِ أَنْ تَحْتِي عَلَى رَأْسِكَ ثَلَاثَ حَثِيَاتٍ ثُمَّ تُفِيضِيْنَ عَلَيْكِ الْمَاءَ فَتَطَهَّرِينَ (مسلم)

(19) “Umm Salama (que Allah esteja satisfeito com ela) disse: Perguntei ao Mensageiro de Allah (que a paz esteja sobre ele): Ó Mensageiro de Allah, faço tranças apertadas nos cabelos da minha cabeça. Devo desfazê-las para o banho obrigatório? Ele respondeu: Não. Basta derramares três punhados de água sobre a cabeça e alcançares a purificação.” (Muslim)

Explicação: Quando a água chega às raízes dos cabelos, não é necessário que a mulher desfaça as tranças.

(۲۰)
وَعَنْ عَائِشَةَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهَا قَالَتْ إِنَّ امْرَأَةً مِّنَ الْأَنْصَارِ سَأَلَتْ النَّبِيَّ عَنْ غُسْلِهَا مِنَ الْمَحِيضِ فَأَمَرَهَا كَيْفَ تَغْتَسِلُ (بخاري – مسلم)

(20) “Foi narrado por Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela) que uma mulher da tribo dos Ansar perguntou ao nobre Profeta (que a paz esteja sobre ele) como deveria realizar o banho após a menstruação. O Mensageiro (que a paz esteja sobre ele) explicou-lhe como fazê-lo.” (Isto é, como tomar banho depois de se purificar da menstruação.)
(Bukhari e Muslim).

Explicação: Quando as mulheres se purificam da menstruação ou do nifas, o banho torna-se obrigatório para elas.

Os banhos da Sunnah

(۲۱)
وَعَن عَبْدِ اللَّهِ ابْنِ عُمَرَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ قَالَ رَسُولُ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ إِذَا جَاءَ أَحَدُكُمْ الْجُمُعَةَ فَلْيَغْتَسِلْ (بخاري – مسلم)

(21) “Abdullah ibn Umar (que Allah esteja satisfeito com ele) relatou que o Mensageiro (que a paz esteja sobre ele) disse: Quando algum de vós for realizar a oração de sexta-feira, que tome um banho.” (Bukhari e Muslim).

(۲۲) وَعَنْ أَبِي هُرَيْرَةَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ قَالَ رَسُوْلُ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ مَنْ غَسَلَ مَيْتًا فَلْيَغْتَسِلْ
(ابن ماجة)

(22) “Foi narrado por Hazrat Abu Huraira (que Allah esteja satisfeito com ele): ele disse que o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) afirmou: ‘Quem der banho ritual a um morto deve tomar banho ritual.’” (Ibn Majah).

(۲۳)
وَعَنْ قَيْسِ بْنِ عَاصِمٍ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ أَنَّهُ أَسْلَمَ فَأَمَرَهُ النَّبِيُّ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ أَنْ يَفْتَسِلَ بِمَاءٍ وسيدر (ترمذی – ابوداؤد – نسائی)

(23) “Foi narrado por Hazrat Qais ibn Asim (que Allah esteja satisfeito com ele) que, quando ele aceitou o Islã, o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) ordenou-lhe que tomasse banho com água misturada com folhas de sidra.” (Tirmidhi, Abu Dawud, Nasai)

Explicação: O banho ritual da sexta-feira, o banho ritual dos dois Eids, o banho ritual antes de vestir o ihram e o banho ritual no dia de Arafah, isto é, no dia 9 de Dhu al-Hijjah, são sunnah. Além disso, é mustahabb tomar banho ritual depois de dar banho ritual a um morto e depois de realizar a sangria por ventosas. Após aceitar o Islã, o banho ritual torna-se wajib se a pessoa estiver em estado de impureza.

Descrição da ablução

Allah, o Senhor dos mundos, ordenou que se faça a ablução antes da oração. Assim, Allah diz em Seu sagrado Kalam:

يَا أَيُّهَا الَّذِينَ آمَنُوا إِذَا قُمْتُمْ إِلَى الصَّلَاةِ فَاغْسِلُوا وُجُوْهَكُمْ وَأَيْدِيَكُمْ إِلَى الْمَرَافِقِ وَامْسَحُوا بِرُءُوسِكُمْ وَأَرْجُلَكُمْ إِلَى الْكَعْبَيْنِ (المائدة – ٦)

“Quando vos dispuserdes a realizar a oração, lavai o vosso rosto e as vossas mãos até aos cotovelos. E passai as mãos sobre a cabeça e lavai os pés até aos tornozelos.” (Al-Mā’idah — 6)

À luz do versículo acima, o venerável Imame Abū Ḥanīfa (que Allah esteja satisfeito com ele) afirmou que há quatro farḍ na ablução. Isto é, ao descrever a ablução, Allah mencionou quatro partes do corpo: lavar o rosto, as mãos e os pés, e passar as mãos sobre a cabeça — tudo isso é farḍ. Porém, segundo o Imame Shāfiʿī e o Imame Aḥmad ibn Ḥanbal, os farḍ da ablução são seis. Esses dois imames incluíram também a intenção para a ablução entre os seus farḍ. O Imame Shāfiʿī considerou igualmente farḍ lavar as partes do corpo consecutivamente, sem intervalo. Segundo o Imame Abū Ḥanīfa, o farḍ é cumprido passando as mãos sobre um quarto da cabeça. Já segundo o Imame Mālik e o Imame Aḥmad ibn Ḥanbal, é farḍ passar as mãos sobre toda a cabeça. Segundo o Imame Shāfiʿī, basta passar as mãos sobre uma pequena parte da cabeça para cumprir o farḍ.

A ablução é de três tipos: (1) farḍ (obrigatória); (2) wājib; (3) mustaḥabb.

1. É farḍ fazer a ablução para a oração, a prostração da recitação e a oração fúnebre.
2. É wājib fazer a ablução para o tawāf da Nobre Casa de Allah.
3. É mustaḥabb renovar a ablução enquanto ainda se tem a ablução.

As virtudes da ablução

(٢٤) وَعَنْ أَبِي هُرَيْرَةَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ قَالَ رَسُولُ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ إِنَّ أُمَّتِي يُدْعَوْنَ يَوْمَ الْقِيَامَةِ غُرَّا مُحَجَّلِيْنَ مِنْ آثَارِ الْوُضُوْءِ فَمَنِ اسْتَطَاعَ مِنْكُمْ أَنْ يُطِيلَ غُرَّتَهُ فَلْيَفْعَلْ (بخاري – مسلم)

(24) “Abū Hurayra (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: o Nobre Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: No Dia da Ressurreição, quando a minha comunidade for chamada, as suas mãos, os seus pés e o seu rosto estarão brilhantes e luminosos devido à ablução. Portanto, quem dentre vós tiver capacidade, que aumente o seu brilho.” (Al-Bukhārī e Muslim)

Explicação: No Dia da Ressurreição, o rosto, as mãos e os pés dos crentes que rezam estarão brilhantes e resplandecentes graças às virtudes da ablução. Ao ver esse sinal, o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) poderá reconhecer a sua comunidade entre inumeráveis pessoas no Dia da Ressurreição e intercederá em favor dela.

(٢٥) وَعَنْ عُثْمَانَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ قَالَ رَسُولُ اللَّهِ صلَّى اللهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ مَنْ تَوَضَّأَ فَأَحْسَنَ الْوَضُوْءَ

خَرَجَتْ خَطَايَاهُ مِنْ جَسَدِهِ حَتَّى تَخْرُجَ مِنْ تَحْتِ أَظْفَارِهِ (بخاري – مسلم)

(25) “Hazrat Uthman (r.a.) disse: O Mensageiro (s.a.w.) disse: Quem fizer a ablução e a fizer adequadamente, terá os pecados (menores) eliminados de todo o corpo, até mesmo de debaixo das unhas.” (Bukhari e Muslim)

(٢٦) وَعَنْ جَابِرٍ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ قَالَ رَسُولُ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ مِفْتَاجُ الْجَنَّةِ الصَّلَاةُ وَمِفْتَاحُ الصَّلاةِ الطُّهُورُ (أحمد)

(26) “Hazrat Jabir (r.a.) disse: O Profeta (s.a.w.) disse: A chave do Paraíso é a oração, e a chave da oração é a pureza.” (Ahmad)

Explicação: A oração não é válida sem pureza. Portanto, para a oração, a ablução é indispensável; e, quando o corpo está impuro, o banho ritual é obrigatório. Entre as obrigações da oração está a obrigação de manter o corpo puro.

As regras da ablução

(۲۷)
وَعَنْ عُثْمَانَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ أَنَّهُ تَوَضَّأَ فَأَفْرَغَ عَلَى يَدَيْهِ ثَلاثًا ثُمَّ تَمَضْمَضَ وَاسْتَنْتَرَ ثُمَّ غَسَلَ وَجْهَهُ ثَلَاثًا ثُمَّ يَدَهُ الْيُمْنَى إِلَى الْمِرْفَقِ ثَلَاثًا ثُمَّ غَسَلَ يَدَهُ الْيُسْرَى

إِلَى الْمِرْفَقِ ثَلَاثًا ثُمَّ مَسَحَ بِرَأْسِهِ ثُمَّ غَسَلَ رِجْلَهُ الْيُمْنَى ثَلاثًا ثُمَّ الْيُسْرَى ثَلاثًا ثُمَّ قَالَ: رَأَيْتُ رَسُولَ اللَّهِ تَوَضَّأَ نَحْوَ وُضُوئِي هَذَا ثُمَّ قَالَ مَنْ تَوَضَّأَ وَضُوئِي هَذَا ثُمَّ يُصَلِّي رَكْعَتَيْنِ لَا يُحَدِّثُ نَفْسَهُ فِيْهَا بِشَيْءٍ غُفِرَ لَهُ مَا تَقَدَّمَ مِنْ ذَنْبِهِ (بخاري – مسلم)

(27) “Foi narrado por Hazrat Uthman (que Allah esteja satisfeito com ele): certa vez, ao realizar a ablução (wudu), ele derramou água sobre as mãos três vezes e lavou-as. Em seguida, bochechou e colocou água no nariz. Depois, lavou o rosto três vezes. Então, lavou o braço direito até o cotovelo três vezes e, da mesma forma, lavou o braço esquerdo três vezes. Em seguida, passou as mãos molhadas sobre a cabeça. Depois, lavou o pé direito três vezes e, da mesma forma, lavou o pé esquerdo três vezes. Então disse: ‘Vi o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) realizar a ablução assim, da mesma maneira que eu a realizei.’ Em seguida, ele (o Profeta) disse: ‘Quem realizar a ablução como a minha e rezar duas rak‘ahs de tal modo que nenhum pensamento lhe ocorra, exceto a lembrança de Allah, terá todos os seus pecados anteriores (menores) perdoados.’” (Bukhari, Muslim).

Explicação: O hadith acima prova que o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) lavava cada membro da ablução três vezes. Por isso, segundo os imames, lavá-los três vezes é sunnah. O hadith mencionado apresenta uma descrição completa de como realizar a ablução.

As circunstâncias que tornam necessária a ablução

As circunstâncias que tornam necessária a ablução são chamadas de “mujibāt da ablução”. E as circunstâncias que anulam a ablução são chamadas de “nawāqid da ablução”. Na realidade, ambas são a mesma coisa, pois aquilo que torna necessária a ablução é justamente o que a anula.

(۲۸) وَعَنْ أَبِي هُرَيْرَةَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ قَالَ رَسُولُ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ لَا تُقْبَلُ صَلَاةٌ مَنْ أَحْدَثَ حَتَّى يَتَوَضَّأَ (بخاري – مسلم)

(28) “Hazrat Abu Huraira (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: ‘A oração daquele cuja ablução foi invalidada não será aceita até que ele faça a ablução.’” (Bukhari, Muslim)

(۲۹) وَعَن عَبْدِ اللَّهِ ابْنِ عُمَرَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ قَالَ رَسُولُ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ لَا تُقْبَلُ صَلَاةٌ بَغَيْرِ طَهُورٍ وَلَا صَدَقَةٌ مِنْ غَلُوْلٍ (مسلم)

(29) “Abdullah ibn Umar (que Allah esteja satisfeito com ele) relatou: o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: ‘A oração não é aceita sem purificação, e a doação de um traidor não é aceita.’” (Muslim)

(۳۰)
وَعَنْ عَلِيِّ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ كُنْتُ رُجُلًا مَّذَاءً فَكُنْتُ أَسْتَحِي أَنْ أَسْأَلَ النَّبِيَّ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ

لِمَكَانِ ابْنَتِهِ فَأَمَرْتُ الْمِقْدَادَ فَسَأَلَهُ فَقَالَ يَغْسِلُ ذَكَرَهُ وَيَتَوَضَّأُ (بخاري – مسلم)

(30) “Foi narrado por Ali (que Allah esteja satisfeito com ele): ele disse: ‘Eu tinha uma emissão excessiva de “madi”. Porém, como a filha do Nobre Profeta (Fátima) vivia em minha casa, eu tinha vergonha de perguntar ao Mensageiro sobre isso. Por isso, pedi a Miqdad (que Allah esteja satisfeito com ele) que lhe perguntasse a respeito. Quando ele perguntou ao Mensageiro, este disse: “Em primeiro lugar, essa pessoa deve lavar o órgão genital e, depois, fazer a ablução.”’ (Bukhari, Muslim)

Explicação: Quando surge o desejo sexual, o líquido aquoso que sai, sem ser sêmen, é chamado de madi. Ele não sai com força. Por causa dele, a ablução torna-se obrigatória; o banho ritual não se torna obrigatório.

(۳۱) وَعَنْ أَبِي هُرَيْرَةَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ قَالَ رَسُولُ اللهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ إِذَا وَجَدَ أَحَدٌ فِي بَطْنِهِ شَيْئًا فَأَشْكَلَ عَلَيْهِ أَخْرَجَ مِنْهُ شَيْءٌ أَمْ لَا فَلَا يَخْرُجُنَّ مِنَ الْمَسْجِدِ حَتَّى يَسْمَعَ صَوْتًا أَوْ يَجِدَ رِيحًا (مسلم)

(31) “Abu Huraira (que Allah esteja satisfeito com ele) relatou: o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: ‘Se algum de vós sentir algo no ventre e tiver dúvida se algo saiu dele, não deve sair da mesquita até ouvir algum som ou sentir algum odor.’” (Muslim)

Explicação: A simples dúvida sobre se o ar saiu do ventre não causa a anulação da ablução, enquanto a pessoa não tiver certeza de que o ar saiu pelo ânus.

(۳۲) وَعَن عَبْدِ اللَّهِ ابْنِ عَبَّاسٍ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ قَالَ رَسُولُ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ إِنَّ الْوَضُوْءَ عَلَى مَنْ نَامَ مُضْطَجِعًا فَإِنَّهُ إِذَا اضْطَجَعَ اسْتَرْخَتْ مَفَاصِلُهُ
(ترمذي، ابوداؤد)

(32) “Hazrat Abdullah ibn Abbas (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: aquele que dormir de lado deverá fazer a ablução. Isso porque, ao dormir de lado, os esfíncteres do corpo relaxam.” (Tirmidhi, Abu Dawud)

Explicação: Dormir de lado ou inclinado, apoiando-se em algo, invalida a ablução. Isso porque, ao dormir dessa maneira, os esfíncteres do corpo e o ânus relaxam; consequentemente, não há impedimento para que gases saiam do abdômen. Em contrapartida, quando se dorme sentado ou em pé, não se alcança um sono profundo e não há possibilidade de saída de gases; portanto, a ablução não é invalidada.

O toque no órgão genital masculino invalida a ablução?

(۳۳)
وَعَنْ بُسْرَةً بِنْتِ صَفْوَانَ بْنِ نَوْفَلٍ قَالَتْ قَالَ رَسُولُ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ إِذَا مَسَّ أَحَدُكُمْ ذَكَرَهُ فَلْيَتَوَضَّا
(مالك ، أحمد ، أبو داود ، ترمذي، نسائي، ابن ماجة

(33) “Foi narrado por Busra bint Safwan ibn Nawfal que ela disse: o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: se alguém dentre vós tocar o próprio órgão genital masculino, deverá fazer a ablução.” (Muslim, Abu Dawud, Tirmidhi, Nasai, Ibn Majah)

Explicação: Com base nesse hadith, o Imam Malik, al-Shafi’i e o Imam Ahmad ibn Hanbal disseram que tocar o órgão genital masculino invalida a ablução.

(٣٤) وَعَنْ طَلَقِ بْنِ عَلِيِّ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ سُئِلَ رَسُولُ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ عَنْ مَسَ الرَّجُلِ ذَكَرَهُ بَعْدَ مَا يَتَوَضَّأُ قَالَ وَهَلْ هُوَ إِلَّا بَضْعَةٌ مِنْهُ
أبو داود، ترمذي، نسائي

(34) “Foi narrado por Hazrat Talq ibn Ali (r.a.). Ele disse: certa vez, perguntaram ao Profeta (s.a.w.): o que acontece se alguém tocar o próprio órgão genital depois de fazer a ablução? O Profeta (s.a.w.) respondeu: isso é apenas uma parte do corpo. Portanto, por que a ablução seria invalidada ao tocá-lo?” (Abu Dawud, Tirmidhi, Nasai)

Comentário: o Imam Abu Hanifa afirmou, com base no hadith acima, que tocar o órgão genital não invalida a ablução. Também havia divergência sobre esse assunto entre os companheiros do Profeta.

A ablução é invalidada ao tocar uma mulher?

(٣٥) وَعَن عَبْدِ اللَّهِ ابْنِ عُمَرَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ كَانَ يَقُولُ قُبْلَةُ الرَّجُلِ امْرَأَتَهُ وَجَسَّهَا بِيَدِهِ مِنَ الْمُلَامَسَةِ وَمَنْ قَبَّلَ امْرَأَتَهُ أَوْ جَسَهَا بِيَدِهِ فَعَلَيْهِ الْوَضُوْءُ
(مالك ، شافعي)

(35) “Foi narrado por Hazrat Abdullah ibn Umar (r.a.). Ele costumava dizer: beijar a própria esposa ou tocar seu corpo com a mão é o que se chama de ‘lams’. Portanto, quem beijar ou tocar sua esposa deverá necessariamente fazer a ablução.” (Malik, Shafi’i)

(٣٦) وَعَنْ عَائِشَةَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهَا قَالَتْ كَانَ النَّبِيُّ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ يُقَبِّلُ بَعْضَ أَزْوَاجِهِ ثُمَّ يُصَلِّي وَلَا يَتَوَضَّأُ (أبو داود ، ترمذي، نسائي، ابن ماجة)

(36) “Foi narrado por Hazrat Aisha (r.a.). Ela disse: o Nobre Profeta (s.a.w.) beijava algumas de suas esposas e, depois, fazia a oração sem renovar a ablução.” (Abu Dawud, Tirmidhi, Nasai, Ibn Majah)

Comentário: há divergência entre os companheiros do Profeta e os imams quanto a saber se tocar uma mulher depois de fazer a ablução a invalida. Segundo o Imam Abu Hanifa (r.a.), o simples toque ou beijo em uma mulher não invalida a ablução. Contudo, segundo os Imams Shafi’i e Malik (r.a.), a ablução é invalidada. Essa divergência surgiu da interpretação de um versículo do Alcorão. O versículo é:

أَوْ لَمَسْتُمُ النِّسَاءَ فَلَمْ تَجِدُوا مَاءً فَتَيَمَّمُوا صَعِيدًا طَيِّبًا
(النساء – ٤٣)

“Quando, depois de tocardes uma mulher, não encontrardes água, fazei tayammum com terra pura.” (An-Nisā, 4:43)
Segundo o Imam Malik e o Imam Shafi‘i, tocar uma mulher significa tocar qualquer parte do corpo dela; segundo o Imam Abu Hanifa, a expressão “tocar uma mulher” foi usada aqui em sentido metafórico. Seu significado real é ter relações sexuais com uma mulher.

(۳۷)
وَعَنْ عُمَرَ بْنِ عَبْدُ الْعَزِيزِ عَنْ تَمِيمِ الدَّارِي قَالَ قَالَ رَسُولُ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ الْوَضُوْءُ مِنْ كُلِّ دَمٍ سَائِلٍ (دار قطني)

(37) “Hazrat Umar ibn Abd al-Aziz Tamim Dari narra que o Nobre Profeta (que a paz esteja sobre ele) disse: ‘É necessário fazer a ablução ritual por causa de todo sangue que flui.’” (Ad-Daraqutni)

Explicação: Se o sangue sair do corpo e fluir, a ablução ritual será invalidada. Essa é a opinião do Imam Abu Hanifa. O hadith mencionado acima é sua prova. Por outro lado, segundo o Imam Shafi‘i e os demais imames, a ablução ritual não é invalidada pelo sangue que flui. Eles põem em dúvida a autenticidade do hadith mencionado acima.

(۳۸) وَعَنْ أَبِي مُوسَى رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ بَيْنَمَا رَسُوْلُ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ يُصَلِّي بِالنَّاسِ إِذْ دَخَلَ رَجُلٌ فَتَرَدَّى فِي حُفْرَةٍ كَانَتْ فِي الْمَسْجِدِ وَكَانَ فِي بَصَرِهِ ضَرَرٌ فَضَحِكَ كَثِيرٌ مِّنَ الْقَوْمِ وَهُمْ فِي الصَّلَاةِ فَأَمَرَ رَسُوْلُ اللَّهِ مَنْ ضَحِكَ أَنْ يُعِيدَ الْوَضُوءَ (طبراني)

(38) “Hazrat Abu Musa (que Allah esteja satisfeito com ele) narra: Certo dia, o Mensageiro (que a paz esteja sobre ele) estava realizando a oração com as pessoas. Nesse momento, um homem entrou e caiu num buraco da mesquita, pois tinha um problema nos olhos. Como resultado, a maioria dos que oravam começou a rir em voz alta. Então o Profeta (que a paz esteja sobre ele) ordenou que aqueles que haviam rido durante a oração fizessem a ablução ritual.” (At-Tirmidhi)

Explicação: Segundo o Imam Abu Hanifa, se alguém rir em voz alta durante a oração, de modo que a pessoa que está ao lado possa ouvir o som, sua ablução ritual será invalidada. Porém, segundo os outros imames, a ablução ritual não será invalidada. O Imam Abu Hanifa tomou como prova o hadith mencionado acima.

A importância do miswak

(۳۹) وَعَنْ أَبِي هُرَيْرَةَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ قَالَ رَسُوْلُ اللهِ صَلَّى اللهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ لَوْلَا أَنْ أَشُقَّ عَلَى أُمَّتِي لَأَمَرْتُهُمْ بِتَاخِيْرِ الْعِشَاءِ وَبِالسَّوَاكِ عِنْدَ كُلِّ صَلَاةٍ (متفق عليه)

(39) “Foi narrado por Abu Huraira (que Allah esteja satisfeito com ele): ele disse que o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) afirmou: Se eu não temesse impor dificuldades excessivas à minha comunidade, ordenaria que atrasassem a oração do isha e usassem o miswak em todas as orações.” (Bukhari, Muslim)

Explicação: É sunnah usar o miswak ao fazer a ablução para cada oração. Em outros momentos, o uso do miswak é mustahabb. Para preservar a pureza da boca e evitar doenças dos dentes e do estômago, é indispensável manter limpos os dentes, a base dos dentes, a língua e a garganta. O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) deu extrema importância ao uso do miswak. O miswak feito de um galho de árvore amarga é o melhor. É recomendável que o miswak tenha a espessura de um dedo indicador e o comprimento de um palmo. Não há problema algum em usar escovas de cerdas puras ou de náilon, nem pasta ou pó dentífrico feito de substâncias puras.

(٤٠) وَعَنْ شَرِيحٍ بْنِ هَانِي رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ سَأَلْتُ عَائِشَةَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهَا بِأَيِّ شَيْءٍ كَانَ يَبْدَأُ رَسُولُ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ إِذَا دَخَلَ بَيْتَهُ قَالَتْ بِالسَّوَاكِ (مسلم)

(40) “Foi narrado por Shurai bin Hani (que Allah esteja satisfeito com ele): ele disse: Perguntei a Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela): Qual era a primeira coisa que o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) fazia ao entrar em casa? Aisha respondeu: Ele usava primeiro o miswak.” (Muslim)

(٤١) وَعَنْ حُذَيْفَةَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ كَانَ النَّبِيُّ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ إِذَا قَامَ لِلتَّهَجُدِ مِنَ اللَّيْلِ يَشْوصُ فاه بالسواك (متفق عليه)

(41) “Hudhaifa (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: Sempre que o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) se levantava à noite para a oração do tahajjud, primeiro limpava a boca com o miswak.” (Bukhari, Muslim)

Atos permitidos em estado de impureza ritual

(٤٢) وَعَنْ عَبْدِ اللَّهِ بْنِ عُمَرَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ ذَكَرَ عُمَرَ بْنُ الْخَطَّابِ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ لِرَسُولِ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ أَنَّهُ تُصِيبُهُ الْجَنَابَةُ مِنَ اللَّيْلِ فَقَالَ لَهُ رَسُوْلُ اللَّهُ تَوَضَّأْ وَأَغْسِلْ ذَكَرَكَ ثُمَّ نَمْ (بخاري – مسلم)

(42) “Foi narrado por Hazrat Abdullah bin Umar (que Allah esteja satisfeito com ele): ele disse que seu pai, Umar bin Khattab, perguntou ao Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele): ‘O que deve fazer aquele que, durante a noite, entra em estado de impureza ritual?’ O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: ‘Fazei a ablução, lavai o órgão genital e depois dormi.’” (Bukhari, Muslim)

(٤٣) وَعَنْ عَائِشَةَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهَا قَالَتْ كَانَ النَّبِيُّ صلَّى اللهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ إِذَا كَانَ جُنُبًا فَأَرَادَ أَنْ يَأْكُلَ أَوْ يَنَامَ تَوَضَّأَ وَضُوْءَهُ لِلصَّلاةِ (بخاري – مسلم)

(43) “Hazrat Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela) disse: ‘Quando o Nobre Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) desejava comer ou dormir em estado de impureza ritual, fazia a ablução como a ablução para a oração.’” (Bukhari, Muslim)

(٤٤) وَعَنْ أَبِي سَعِيدِ الْخُدْرِي رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ قَالَ رَسُولُ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ إِذَا أَتَى أَحَدُكُمْ أَهْلَهُ ثُمَّ أَرَادَ أَنْ يَعُودَ فَلْيَتَوَضَّأْ بَيْنَهُمَا (مسلم)

(44) “Foi narrado por Hazrat Abu Sa’id al-Khudri (que Allah esteja satisfeito com ele): ele disse que o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: ‘Quando alguém dentre vós tiver relações sexuais com sua esposa e depois desejar fazê-lo novamente, que faça a ablução entre as duas relações.’” (Muslim)

Explicação: Dos hadiths acima, compreende-se que comer, beber e dormir em estado de impureza ritual não são proibidos. Contudo, é recomendado lavar os órgãos genitais e fazer a ablução. É permitido, inclusive, ter relações sexuais várias vezes em estado de impureza ritual e visitar várias esposas. Porém, é melhor lavar o órgão genital e fazer a ablução entre uma relação e outra. (Muslim)

(٤٥) وَعَنِ بْنِ عُمَرَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ قَالَ رَسُولُ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ لَا تَقْرَأُ الْحَائِضُ وَلَا الْجُنُبُ شَيْئًا مِّنَ الْقُرْآنِ (ترمذي)

(45) «Hazrat Ibn Umar (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: O Mensageiro (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) disse: Ninguém deve recitar o Alcorão enquanto estiver menstruada ou em estado de impureza ritual.» (Tirmidhi)

Explicação: Segundo o Imam Abu Hanifa e o Imam Shafi’i, é proibido, nessas condições, que a mulher menstruada e aquele sobre quem o banho ritual se tornou obrigatório recitem o Alcorão. Contudo, segundo alguns estudiosos, é permitido recitá-lo quando não se trata de um versículo completo.

(٤٦) وَعَنْ عَائِشَةَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهَا قَالَتْ قَالَ النَّبِيُّ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ وَجَهُوْا هَذِهِ الْبُيُوتَ عَنِ الْمَسْجِدِ فَإِنِّي لَا أُحِلُّ الْمَسْجِدَ لِحَائِضِ وَلَا جُنُب (أبو داود)

(46) «Hazrat Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela) disse: O Nobre Profeta (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) disse: Voltai as portas das vossas casas para longe da direção da mesquita, pois não considero lícito ou permitido que uma mulher menstruada ou uma pessoa em estado de impureza ritual permaneça na mesquita.» (Abu Dawud)

Explicação: O hadith acima permite compreender que as portas das casas de alguns Companheiros davam para a Mesquita do Profeta. Segundo o Imam Abu Hanifa, uma pessoa em estado de impureza ritual não pode entrar na mesquita em circunstância alguma. Contudo, segundo os Imams Malik e Shafi’i, isso é permitido com o objetivo de atravessá-la como passagem.

Detalhes sobre a menstruação e o sangramento pós-parto

وَيَسْأَلُونَكَ عَنِ الْمَحِيضِ قُلْ هُوَ أَذًى فَاعْتَزِلُوا النِّسَاءَ فِي الْمَحِيضِ وَلَا تَقْرَبُوهُنَّ حَتَّى يَطْهُرْنَ (البقرة : ۲۲۲)

Significado: (Ó Profeta) “Eles lhe perguntam sobre a menstruação. Diga: ela é uma impureza. Portanto, afastem-se das mulheres durante a menstruação e não se aproximem delas até que estejam purificadas.” (Isto é, não mantenham relações sexuais.) (Surata Al-Baqarah — 222)

O sangramento que ocorre todos os meses no útero das mulheres que atingiram a puberdade é chamado hayez. Sua duração mínima é de três dias e três noites, e a máxima é de dez dias e dez noites. O sangramento que ocorre após o parto é chamado nifas. A duração mínima do nifas não é determinada; a mulher pode purificar-se mesmo em pouco tempo. Sua duração máxima é de quarenta dias. Durante o hayez e o nifas, o jejum e a oração são proibidos. Contudo, não é necessário compensar as orações, mas é necessário compensar os jejuns. Durante o hayez e o nifas, as relações sexuais são proibidas. Entretanto, viver juntos, comer e beber juntos ou dormir na mesma cama não são proibidos.

(٤٧) وَعَنْ عَائِشَةَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهَا قَالَتْ كُنْتُ أَغْتَسِلُ أَنَا وَالنَّبِيُّ مِنْ إِنَاءٍ وَاحِدٍ كِلانَا جُنُبٌ وَكَانَ يَأْمُرُنِي فَاتَّزِرُ فَيُبَاشِرُونِ وَأَنَا حَائِضِ وَكَانَ يُخْرِجُ رَأْسَهُ إِلَيَّ وَهُوَ مُعْتَكِفٌ فَأَغْسِلُهُ وَأَنَا حَائِضِ (بخاري – مسلم)

(47) “Narrado por Hazrat Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela): ela disse: Eu e o Nobre Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) tomávamos banho, ambos em estado de impureza, usando o mesmo recipiente. Quando eu estava menstruada, ele me ordenava que amarrasse firmemente um tahband (um tecido sobre as partes íntimas), e o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) deitava-se junto de mim, encostado ao meu corpo.” (Bukhari e Muslim)

Explicação: Com base no hadith acima, narrado por Bukhari e Muslim, entende-se que deitar-se junto da esposa menstruada, tocá-la e, durante o i’tikaf, retirar alguma parte do corpo da mesquita para ser servido pela esposa menstruada não invalida o i’tikaf.

(٤٨) وَعَنْ زَيْدِ بْنِ أَسْلَمَ أَنَّ رَجُلًا سَأَلَ رَسُولَ اللَّهِ فَقَالَ مَا يَحِلُّ لِي مِنْ امْرَأَتِي وَهِيَ حَائِضٌ فَقَالَ رَسُولُ اللَّهُ لِتَشَدَّ عَلَيْهَا إِزَارَهَا ثُمَّ شَانَكَ بِأَعْلَاهَا
(مؤطأ إمام مالك)

(48) Narrado por Zayd ibn Aslam: certa vez, um homem perguntou ao Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele): “Que tipo de ação me é permitida com minha esposa quando ela está menstruada?” O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) respondeu: “Amarre um tecido sobre as partes íntimas dela. Depois disso, é permitido a você, por cima do tecido, satisfazer seu desejo.” (Muwatta de Ibn Malik)

(٤٩) وَعَنْ نَافِعٍ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ أَنَّ عُبَيْدَ اللَّهِ بْنِ عَبْدِ اللَّهِ بْنِ عُمَرَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ أَرْسَلَ إِلَى عَائِشَةَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهَا زَوْجُ النَّبِيُّ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ يَسْأَلُهَا هَلْ يُبَاشِرُ الرَّجُلُ امْرَأَتَهُ وَهِيَ حَائِضِ فَقَالَتْ لِتَشُدَّ إِزَارَهَا إِلَى أَسْفَلِهَا ثُمَّ يُبَاشِرُهَا إِنْ شَاءَ (مؤطا إمام مالك)

(49) “Foi narrado por Hazrat Nafi‘ (que Allah esteja satisfeito com ele): Certa vez, Ubaidullah ibn Abdullah ibn Umar (que Allah esteja satisfeito com ele) enviou um homem a Hazrat Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela) para perguntar se, durante a menstruação, um homem pode praticar mubasharat com sua esposa. Hazrat Aisha respondeu: Que ela cubra firmemente a parte inferior do corpo com um pano. Depois, o homem poderá praticar mubasharat com ela. (Muwatta do Imam Malik)

Explicação: O hadith acima mostra que, se um homem não conseguir se conter durante a menstruação, deve cobrir bem os órgãos íntimos com um pano e satisfazer seu desejo por meio de mubasharat com sua esposa.

Passar as mãos úmidas sobre as meias

(٥٠) وَعَنْ شُرَيْحٍ بْنِ هَانِي قَالَ سَأَلْتُ عَلِيَّ بْنِ أَبِي طالِبٌ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ عَنِ الْمَسْحِ عَلَى الْخُفْيْنِ فَقَالَ جَعَلَ رَسُولُ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ ثَلَاثَةَ أَيَّامٍ وَلَيَالِيَهِنَّ لِلْمُسَافِرِ وَيَوْمًا وَلَيْلَةٌ لِلْمُقِيمِ (مسلم)

(50) “Hazrat Suraiya ibn Hani‘ disse: Perguntei a Hazrat Ali ibn Abu Talib (que Allah esteja satisfeito com ele) sobre passar as mãos úmidas sobre as meias. (Por quantos dias isso pode ser feito?) Ele respondeu: O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) estabeleceu três dias e três noites para o viajante, e um dia e uma noite para o residente.” (Ou seja, o viajante pode passar as mãos úmidas sobre as meias durante três dias e três noites enquanto estiver viajando, e o residente pode fazê-lo durante um dia e uma noite.) (Muslim)

Explicação: Há hadiths narrados por aproximadamente oitenta Companheiros sobre passar as mãos úmidas sobre as meias. Portanto, não há como negar essa prática. O viajante pode passar as mãos úmidas sobre as meias por três dias e três noites consecutivos (72 horas), e o residente, por um dia e uma noite (24 horas). A condição, porém, é que ele lave os pés após a primeira ablução e então calce as meias. Ou seja, depois de realizar a ablução completa, pode calçar as meias e, nas abluções posteriores, passar as mãos úmidas sobre elas sem tirá-las.

(٥١) وَعَنْ هِشَامِ بْنِ عُرْوَةَ أَنَّهُ رَأَى أَبَاهُ يَمْسَحُ عَلَى الْخُفْيْنِ وَكَانَ لَا يَزِيدُ إِذَا مَسَحَ عَلَى الْخُفْيْنِ عَلَى أَنْ يَمْسَحَ ظُهُورَهُمَا وَلَا يَمْسَحُ بُطُونَهُمَا (مؤطا إمام مالك)

(51) “Foi narrado por Hazrat Hisham ibn Urwa: Ele viu seu pai; quando este passava as mãos úmidas sobre as meias, fazia-o somente na parte superior, não na parte inferior.” (Muwatta do Imam Malik)

Explicação: O modo de fazer a mas’h sobre as meias consiste em manter os dedos das mãos separados, colocá-los sobre as pontas dos dedos dos pés e puxá-los para cima até os calcanhares. Primeiro, faz-se a mas’h no pé direito e, depois, no pé esquerdo. Segundo o Imam Abu Hanifa, a mas’h só é válida sobre meias de couro; porém, os outros imames consideram válida também a mas’h sobre meias de tecido.

Descrição do tayammum

وَإِنْ كُنْتُمْ مَرْضَى أَوْ عَلَى سَفَرٍ أَوْ جَاءَ أَحَدٌ مِّنْكُمْ مِنَ الْغَائِطِ أَوْ لَاَمَسْتُمُ النِّسَاءَ فَلَمْ تَجِدُوا مَاءً فَتَيَمَّمُوا صَعِيدًا طَيِّبًا فَأَمْسَحُوا بِوُجُوهِكُمْ وَأَيْدِيَكُمْ
(النساء : ٤٣)

“Se estiverdes enfermos ou em viagem, ou se algum de vós vier de satisfazer suas necessidades, ou tiverdes tocado mulheres e não encontrardes água, então buscai terra pura e limpa e, com ela, passai as mãos sobre os vossos rostos e as vossas mãos.” (Surata An-Nissá, 4:43)

(٥٢) وَعَنْ حُذَيْفَةَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ قَالَ رَسُولُ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ فُضَلْنَا عَلَى النَّاسِ بِثَلَاثِ جُعِلَتْ

صَفُوفَنَا كَصُفُوفِ الْمَلَائِكَةِ وَجُعِلَتْ لَنَا الْأَرْضُ كَلُّهَا مَسْجِدًا وَجُعِلَتْ تُرْبَتُهَا لَنَا طَهُورًا إِذَا لَمْ نَجِدِ الْمَاءَ (مسلم)

(52) “Hudhayfa (que Allah esteja satisfeito com ele) relata que o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: Foram-nos concedidas três distinções acima de toda a humanidade: nossas fileiras em pé durante a oração foram feitas semelhantes às fileiras dos anjos; toda a superfície da terra foi feita para nós como uma mesquita; e, quando não houver água, a terra será para nós um meio de purificação.” (Muslim)

Explicação: As orações ou atos de adoração dos seguidores dos outros profetas não eram realizados em fileiras. Além disso, a adoração formal dos seguidores dos outros profetas, especialmente a oração, não podia ser realizada em outro lugar senão na mesquita. E a água era indispensável para que eles alcançassem a pureza. O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse que Allah nos honrou, demonstrando generosidade para com a minha comunidade. (1) Devemos realizar nossa oração em fileiras, permanecendo de pé como os anjos; (2) para nós, a mesquita não foi estabelecida como condição para realizar a oração; pelo contrário, qualquer terra sobre a superfície da terra onde realizarmos a oração será para nós uma mesquita; (3) se não houver água para alcançar a pureza, ou se não formos capazes de usá-la, a terra foi declarada para nós como meio de purificação. Isto é, por meio do tayammum, Allah nos concedeu a oportunidade de nos purificarmos, algo que não existia para as outras comunidades.

O Huzur (s.a.w.) disse: Minha ummah foi honrada por meio das três características especiais mencionadas acima.

(٥٣) وَعَنْ عِمْرَانَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ كُنَّا فِي سَفَرٍ مَعَ النَّبِيُّ فَصَلَّى بِالنَّاسِ فَلَمَّا انْفَتَلَ مِنْ صَلَاتِهِ إِذَا هُوَ بِرَجُلٍ مُّعْتَزِلٍ لَّمْ يُصَلِّ مَعَ الْقَوْمِ فَقَالَ مَا مَنَعَكَ يَا فُلَانُ أَنْ تُصَلِّي مَعَ الْقَوْمِ قَالَ أَصَابَتْنِي جَنَابَةٌ وَلَا مَاءً قَالَ عَلَيْكَ بِالصَّعِيدِ فَإِنَّهُ يَكْفِيكَ (بخاري، مسلم)

(53) “Hazrat Imran (r.a.) disse: Estávamos com o Huzur (s.a.w.) em uma viagem, e ele conduziu a oração com as pessoas. Quando o Huzur (s.a.w.) terminou a oração, viu um homem sentado sozinho, afastado dos demais, que não havia rezado com eles. O Huzur (s.a.w.) disse: ‘Ó homem, por que você não realizou a oração junto com as pessoas?’ Ele respondeu: ‘Fiquei impuro, mas não encontrei água.’ O Huzur (s.a.w.) disse: ‘Você deveria ter usado terra; isso seria suficiente para você.’” (Bukhari e Muslim)

Explicação: O hadith acima prova que, por meio do tayammum, tanto o wudu quanto o ghusl podem ser realizados. Entretanto, segundo a opinião do Imam Abu Hanifa, deve-se fazer tayammum uma vez para o wudu e outra vez para o ghusl.

Procedimento do tayammum

(٥٤) وَعَنْ نَافِعٍ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ أَنَّهُ أَقْبَلَ هُوَ وَعَبْدُ اللَّهِ بْنِ عُمَرَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ مِنَ الْجُرُفِ حَتَّى إِذَا كَانَا فِي

الْمِرْبَدِ نَزَلَ عَبْدُ اللَّهِ فَتَيَمَّمَ صَعِيدًا طَيِّبًا فَمَسَحَ
بِوَجْهِهِ وَيَدَيْهِ إِلَى الْمِرْفَقَيْنِ ثُمَّ صَلِّيَ
(مؤطا إمام مالك)

(54) “Hazrat Nafi (r.a.) disse: Certa vez, ele e Abdullah ibn Umar estavam vindo de um lugar chamado Juruf. Quando chegaram a um lugar chamado Mirbad, Abdullah ibn Umar desceu ali e fez tayammum com terra pura. Ele passou as mãos no rosto e passou ambas as mãos até os cotovelos. Em seguida, realizou a oração.” (Muwatta do Imam Malik)

Explicação: Este hadith descreve o método do tayammum. O método do tayammum é, em primeiro lugar, fazer a intenção; depois, colocar as duas mãos sobre terra pura e levantá-las, passando-as uma vez pelo rosto. Em seguida, colocar novamente as mãos sobre a terra, levantá-las e passá-las até aos cotovelos. Segundo o Imam Abu Hanifa, o tayammum pode ser feito com terra e com todas as matérias da mesma natureza, como pedra, areia, calcário e semelhantes. Porém, segundo o Imam Shafi’i, não se pode fazer tayammum com nada além de terra.

بَابُ الْمُسْتَحَاضَةِ

Descrição da mulher que sofre de istihada

Quando o sangramento menstrual das mulheres dura normalmente menos de três dias e três noites ou mais de dez dias e dez noites, chama-se istihada. Da mesma forma, se o sangramento continuar por mais de 40 dias após o parto, isso também é chamado de istihada.

Isto não é hayd nem nifas. É um tipo de doença. A mulher acometida por esse problema deve obrigatoriamente jejuar e fazer a oração. Contudo, deve renovar a ablução a cada oração.

(٥٥) وَعَنْ عَائِشَةَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهَا قَالَتْ جَاءَتْ فَاطِمَةُ بنْتِ أَبِي حُبَيْشَ إِلَى النَّبِيِّ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ فَقَالَتْ يَا رَسُولَ اللَّهِ إِنِّي امْرَأَةُ اسْتَحَاضُ فَلَا أَطْهَرُ أَفَادَعُ الصَّلاةَ فَقَالَ لَا إِنَّمَا ذَالِكَ عِرْقٌ وَلَيْسَ بِحَيْضِ فَإِذَا أَقْبَلَتْ حَيْضَتُكِ فَدُعِيَ الصَّلَاةَ وَإِذَا أَدْبَرَتْ فَاغْسِلِي عَنْكِ الدَّمَ ثُمَّ صَلِّي (بخاري – مسلم)

(55) Foi narrado por Hazrat Aisha (r.a.): Ela disse: Fátima bint Abu Hubaysh foi até o Mensageiro (s.a.w.) e disse: “Ó Mensageiro de Allah (s.a.w.), sou uma mulher que sofre continuamente de istihada. Nunca fico pura. Nessa situação, devo deixar de fazer a oração?” O Profeta (s.a.w.) disse: “Não; este é o sangue de uma veia, não é hayd. Portanto, quando tiveres hayd, deixa de fazer a oração. E quando terminar o período do hayd, lava o sangue (toma banho ritual) e depois faz a oração.” (Bukhari, Muslim)

Explicação: A mulher doente é aquela que apresenta sangramento fora do período de hayd e nifas. A determinação da Shariah para ela é que, assim que ultrapassar o período específico estabelecido para o seu hayd, tome o banho ritual. Depois, deve cumprir regularmente o jejum e a oração. Contudo, deve lavar o sangue e fazer a ablução a cada oração. Quanto ao nifas, depois de transcorridos quarenta dias, deve cumprir regularmente o jejum e a oração, e poderá manter relações conjugais.

Capítulo 2: A oração

بَابُ الْآذَانِ

Seção sobre o azan

Literalmente, azan significa informar e convocar. Na terminologia da Sharia, azan é a convocação ou o chamamento dos orantes, em voz alta e com um tom específico, para realizarem a oração em congregação.

Em Meca não havia o costume de fazer o azan, pois ali os muçulmanos frequentemente realizavam a oração em segredo, por medo dos incrédulos. Depois da Hégira, quando foi construída uma mesquita em Medina e os muçulmanos começaram a realizar publicamente a oração em congregação, estabeleceu-se o chamamento dos orantes à mesquita por meio do azan.

Descrição do azan

(٥٦) وَعَنْ أَنَسٍ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ ذَكَرُوا النَّارَ والنَّاقُوسَ فَذَكَرُوا الْيَهُودَ وَالنَّصَارَى فَأُمِرَ بِلاَلٌ أَنْ يَشْفَعَ الْآذَانَ وَأَنْ يُؤْتِرَ الْإِقَامَةَ قَالَ إِسْمَاعِيلُ فَذَكَرْتُهُ لأَيُّوبَ فَقَالَ إِلَّا الْإِقَامَةَ (بخاري – مسلم)

(56) “Hazrat Anas (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: Para convocar à oração, os Companheiros sugeriram ao Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) o fogo e o toque do chifre. Por isso, alguns Companheiros mencionaram que isso era costume dos judeus e dos cristãos. Então foi ordenado a Hazrat Bilal (que Allah esteja satisfeito com ele) que pronunciasse o azan repetindo cada frase duas vezes e a iqamat uma única vez. O narrador Ismail disse: Perguntei a Ayyub sobre a pronúncia única da iqamat. Ele respondeu: Sim, exceto ‘qad qamatis-salat’.” (Bukhari e Muslim)

Explicação: Este hadith é um resumo de um longo hadith sobre o adhan, narrado por Hazrat Abdullah ibn Umar. Repetir em pares significa dizer cada palavra duas vezes, e em número ímpar significa dizê-la uma vez. Foi com base neste hadith que os imames determinaram que o adhan fosse feito em pares e a iqama em número ímpar. Contudo, na iqama, “qad qamatis-salah” deve ser dito em pares, isto é, duas vezes.

(٥٧) وَعَنْ يَحْيَى بْنِ سَعِيدِ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ أَنَّهُ قَالَ كَانَ رَسُولُ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ قَدْ أَرَادَ أَنْ يَتَّخِذَ خَشَبَتَيْنِ يُضْرَبُ بِهِمَا لِيَجْتَمِعَ النَّاسُ لِلصَّلَاةِ فَأَرِيَ عَبْدُ اللَّهِ بْنَ زَيرِ الْأَنْصَارِي خَشَبَتَيْنِ فِي النَّوْمِ فَقَالَ إِنَّ هَاتَيْنِ لَنَحْرٌ مِمَّا يُرِيدُ رَسُولُ اللَّهِ فَقِيلَ أَلَا تُؤَذِّنُوْنَ لِلصَّلَاةِ؟ فَأَتَى رَسُولَ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ حينَ اسْتَيْقَظَ فَذَكَرَ لَهُ ذَالِكَ فَأَمَرَ رَسُولُ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ بِالْآذَانِ (مؤطا إمام مالك)

(57) “Narrado por Hazrat Yahya ibn Sa’id, ele disse: o Nobre Mensageiro pretendia mandar fazer duas peças de madeira e emitir um som com elas, para que as pessoas pudessem reunir-se para a oração. Então, Abdullah ibn Zayd Ansari viu em sonho duas peças de madeira semelhantes, e foi-lhe dito: foi a respeito de duas peças de madeira desse tipo que o Mensageiro tinha pensado. Então, por que não dais o adhan para a oração? Ao acordar, Abdullah foi diretamente ao Mensageiro e contou-lhe o sonho. Em seguida, o Mensageiro ordenou que se fizesse o adhan para a oração.” (Muwatta do Imam Malik)

Explicação: Quando o Profeta consultou os companheiros sobre como convocar e reunir as pessoas para a oração, cada um deu uma sugestão diferente. Alguns disseram que se deveria chamar as pessoas tocando o nakara, enquanto outros disseram que se deveria chamá-las acendendo um fogo. Alguns companheiros disseram que tocar o nakara e o sino era uma prática dos cristãos. Acender fogo ou soprar o shofar era prática dos judeus e dos adoradores do fogo; portanto, nenhuma dessas opções deveria ser adotada. Então o Profeta decidiu mandar fazer duas peças de madeira de modo que se pudesse bater uma contra a outra e produzir um som para chamar as pessoas. Exatamente nesse momento, durante a noite, em meio ao sono, alguns companheiros, entre eles Abdullah ibn Zayd Ansari e Umar ibn al-Khattab, ouviram as palavras do adhan e as apresentaram ao Mensageiro. Em seguida, o Profeta decidiu instituir o adhan. Segundo o Imam Ghazali, dez companheiros do Mensageiro tiveram sonhos semelhantes sobre o adhan. Alguns afirmam que foram quatorze os companheiros que tiveram esses sonhos. Segundo uma narração, durante o Mi’raj, o Profeta ouviu um chamado semelhante ao adhan da boca de um anjo em Sidrat al-Muntaha.

Embora o Profeta tenha decidido instituir o adhan por meio do ijtihad, conforme o sonho dos companheiros, posteriormente sua aprovação veio por meio da revelação. O adhan é uma sunnah, mas também é um dos símbolos distintivos do Islã. Os juristas determinaram o jihad contra aqueles que abandonassem coletivamente o adhan.

(٥٨) وَعَنْ عَبْدِ اللَّهِ بْنِ عُمَرَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ الْمُسْلِمُونَ حِيْنَ قَدِمَ الْمَدِينَةَ يَجْتَمِعُونَ فَيَتَحَيَّنُونَ للصَّلَاةِ وَلَيْسَ يُنَادِي بِهَا أَحَدٌ فَتَكَلِّمُوا يَوْمًا فِي ذَلِكَ فَقَالَ بَعْضُهُمْ اتَّخَذُوا مِثْلَ نَاقُوْسِ النَّصَارَى وَقَالَ بَعْضُهُمْ قَرْنًا مِثْلَ قَرْنِ الْيَهُودِ فَقَالَ عُمَرُ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ أَوَلَا تَبْعَثُوْنَ رَجُلًا يُنَادِي بِالصَّلَاةِ فَقَالَ رَسُولُ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ يَا بِلالُ قُمْ فَنَادِ بِالصَّلَاةِ
(بخاري – مسلم)

(58) “Hazrat Abdullah ibn Umar (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: quando os muçulmanos chegaram a Medina, reuniam-se para a oração por iniciativa própria. Ninguém chamava os outros. Certo dia, começou uma discussão sobre esse assunto. Alguns disseram que se deveria providenciar um sino, como os cristãos. Outros disseram que se deveria providenciar um shofar, como os judeus. Então Hazrat Umar disse: não podeis enviar alguém para convocar as pessoas para a oração? Em seguida, o Profeta disse a Bilal: ‘Ó Bilal, levanta-te e faz o chamado para a oração.’” (Bukhari e Muslim)

Explicação: Em Meca, as pessoas rezavam sem adhan. Depois, quando os muçulmanos chegaram a Medina, no início também se reuniam na mesquita para a oração por iniciativa própria. Isso se tornou difícil à medida que o número de fiéis aumentava. Por isso, certo dia, todos se reuniram para deliberar sobre o que fazer a esse respeito. Alguns disseram que as pessoas deveriam ser chamadas tocando um sino, como os cristãos. Hazrat Umar disse: por que não podemos enviar alguém para chamar as pessoas? Conforme a sugestão de Hazrat Umar, o Profeta ordenou a Bilal (que Allah esteja satisfeito com ele) que chamasse as pessoas para a oração.الصلوة جامعةDesde então, quando chegava a hora da oração, Hazrat Bilal (que Allah esteja satisfeito com ele) convocava as pessoas para a oração. É justamente esse acontecimento que é mencionado no hadith em questão. Depois, alguns companheiros do Mensageiro ouviram em sonho as palavras do adhan que hoje conhecemos e as relataram ao Profeta. Vários companheiros tiveram esse sonho e todos foram ao Profeta, apresentando o mesmo relato. O hadith de Yahya ibn Sa’id mencionado anteriormente refere-se ao sonho sobre o adhan tido por Abdullah ibn Zayd Ansari. Depois disso, o Profeta determinou as palavras e as frases e ordenou que o adhan fosse feito à semelhança do adhan atualmente praticado.

O azan é uma sunna e um dos símbolos do Islã. Se os muçulmanos de uma região abandonarem coletivamente o azan, os juristas emitiram uma fatwa declarando permitido travar jihad contra eles. O azan da mesquita do bairro é suficiente para os moradores do bairro. Não é necessário fazer o azan em cada casa.

(٥٩) وَعَنْ أَبِي سَعِيدِ الْخُدْرِيِّ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ إِذَا سَمِعْتُمُ النِّدَاءَ فَقُولُوا مِثْلَ مَا يَقُولُ الْمُؤَذِّنُ
(مؤطا إمام مالك)

(59) “Hazrate Abu Sa‘id al-Khudri (que Deus esteja satisfeito com ele) relatou que o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Deus estejam sobre ele) disse: ‘Quando ouvirdes o azan, dizei tudo o que o muezim disser.’” (Muwatta do Imam Malik).

Explicação: No hadith acima, o Profeta (que a paz e as bênçãos de Deus estejam sobre ele) ordenou que se respondesse ao azan pronunciando palavras semelhantes às do muezim. Contudo, nos hadiths de Bukhari e Muslim consta: “Quando o muezim disser حَيَّ عَلَى الْفَلَاحِ e حَيَّ عَلَى الصَّلاةِ disser, o ouvinte لا حَوْلاً وَلَا قُوَّةَ إِلَّا بِاللَّهِ deverá responder. Contudo, em vez de قَدْ قَامَتِ الصَّلاةُ deve responder أَقَامَهَا اللَّهُ أَبَدًا ao azan; isso é obrigatório. Esta é a opinião dos piedosos predecessores e dos imames hanafitas. Contudo, a opinião da maioria dos imames é que responder ao azan é sunna. Entretanto, a opinião mais forte de alguns imames é que uma resposta verbal ao azan não é suficiente. Na prática, é obrigatório responder comparecendo à congregação da oração. Assim como se responde ao azan, também se deve responder à iqama.

(٦٠) وَعَنْ أَبِي هُرَيْرَةَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ قَالَ رَسُولُ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ إِذَا تُوِّبَ بِالصَّلَاةِ فَلَا تَأْتُوْهَا وَأَنتُمْ تَسْعُوْنَ وَأَتَوْهَا وَعَلَيْكُمُ السَّكِينَةُ فَمَا أَدْرَكْتُمْ فَصَلُّوْا وَمَا فَأْتَكُمْ فَأَتِمُّوا فَإِنَّ أَحَدَكُمْ فِي الصَّلَاةِ مَا كَانَ يَعْمِدُ إِلَى الصَّلاة (مؤطا إمام مالك)

(60) “Foi narrado por Hazrate Abu Huraira (que Deus esteja satisfeito com ele) que o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Deus estejam sobre ele) disse: ‘Quando for proferido o takbir para a oração, não corrais aflitos. Vinde, pelo contrário, com tranquilidade; depois, realizai da oração aquilo que alcançardes com a congregação, e completai posteriormente aquilo que não alcançardes. Pois, quando vos preparais para a oração, já sois considerados como estando em oração.’”
(Muwatta do Imam Malik)

Explicação: Aquele que parte para participar da oração em congregação deve ser considerado como alguém que já participa da oração. Portanto, assim como o fiel deve manter serenidade durante a oração, também deve seguir tranquilamente pelo caminho até a oração.

(٦١) وَعَنْ أَبِي هُرَيْرَةَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ قَالَ رَسُولُ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ الْإِمَامُ ضَامِنٌ وَالْمُؤَذِّنُ مُؤْتَمَنَّ اللَّهُمَّ أَرْشِدِ الْأَئِمَّةَ وَاغْفِرِ لِلْمُؤَذِّنِيْنَ
أحمد – أبو داود – ترمذي)

(61) “Hazrat Abu Huraira (que Allah esteja satisfeito com ele) relatou: o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: ‘O imã é o responsável pela oração dos que o seguem, e o muézin é depositário de uma confiança. Depois, o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) suplicou por ambos: Ó Allah, guia os imãs pelo caminho correto e perdoa os muézins.’” (Ahmad, Abu Dawud, Tirmidhi)

Explicação: O imã é um responsável; isto é, assume sobre seus próprios ombros a responsabilidade pela oração dos que o seguem. Já o muézin é depositário de uma confiança no que diz respeito aos que oram realizarem a oração no horário correto. Ou seja, quando o muézin faz o azan no horário correto, os que oram podem realizar a oração no horário correto. Portanto, não fazer o azan no horário correto é uma traição à confiança.

(٦٢) وَعَنْ ابْنِ عَبَّاسٍ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ قَالَ رَسُولُ اللهِ صَلَّى اللهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ مَنْ أَذَّنَ سَبْعَ سِنِينَ مُحْتَسِبًا كُتِبَ لَهُ بَرَأَةٌ مِّنَ النَّارِ (ترمذي أبو داود – ابن ماجه)

(62) “Foi narrado por Hazrat Ibn Abbas (que Allah esteja satisfeito com ele) que o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: ‘Para aquele que fizer o azan durante sete anos com a intenção de obter recompensa, será registrada a libertação do fogo do Inferno.’” (Tirmidhi, Abu Dawud, Ibn Majah)

Vestuário para a oração

Allah, o Senhor dos mundos, declarou no Sagrado Alcorão:

يَا بَنِي آدَمَ خُذُوا زِينَتَكُمْ عِنْدَ كُلِّ مَسْجِدٍ
(الأعراف : ۳۱)

Isto é: “Ó filhos de Adão, tomai vosso adorno em cada oração.” Portanto, é obrigatório usar uma vestimenta que cubra a awrah. Além disso, é melhor usar uma cobertura adicional. Pois a palavra “adorno” usada no versículo significa vestimenta completa; isto é, ao se colocar diante de Allah, deve-se usar uma roupa que cubra a awrah e também aumente a beleza.

A explicação acima foi apresentada no tafsir de Maulana Sayyid Abul Ala Maududi. No tafsir de Ibn Kathir, o versículo acima foi explicado da seguinte forma.

الزِّينَةُ الرِّبَاسُ وَهُوَ مَا يُوَارِيُّ السَّوأَةَ وَمَا سَوَى ذَلِكَ مِنْ جَيْدِ الْبَرِّ وَالْمَتَاعِ فَأُمِرُوا أَنْ يَأْخُذُوا زِينَتَهُمْ عِنْدَ كُلِّ مَسْجِد وَلِهَذِهِ الْآيَةِ وَمَا وَرَدَ فِي مَعْنَاهَا مِنَ السَّنَةِ يَسْتَحِبُّ التَّجَمَّلَ عِنْدَ الصَّلَاةِ لَأَسِيَّمَا يَوْمَ الْجُمُعَةِ وَيَوْمِ الْعِيدِ
(تفسير ابن قصير)

“Por ‘zinat’ no versículo entende-se o adorno ou vestimenta que não apenas cobre o ‘satr’, mas também aumenta o esplendor e a beleza do corpo. Allah, o Senhor dos mundos, ordenou aos Seus servos que adotassem vestimentas apropriadas para a oração. O significado deste versículo e de outros versículos semelhantes revelados sobre este assunto é que, em cada oração, é sunnah que a pessoa que reza vista a melhor roupa, especialmente para a oração de Jumu‘ah e as orações do Eid.” (Tafsir de Ibn Kathir)

(٦٣) وَعَنْ أَبِي هُرَيْرَةَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ قَالَ رَسُولُ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ لَا يُصَلِّيَنَّ أَحَدُكُمْ فِي التَّوْبِ الْوَاحِدِ لَيْسَ عَلَى عَائِقَيْهِ مِنْهُ شَيْءٌ
(بخاري – مسلم)

(63) “Hazrat Abu Huraira (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: ‘Nenhum de vocês deve rezar usando uma única peça de roupa de tal modo que nenhuma parte dela fique sobre seus ombros.’” (Bukhari, Muslim)

(٦٤) وَعَنْ أَبِي هُرَيْرَةَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ سَمِعْتُ رَسُولَ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ يَقُولُ مَنْ صَلَّى فِي ثَوْبِ وَاحِدٍ فَلْيُخَالِفْ بَيْنَ طَرْفَيْهِ (بخاري)

(64) “Hazrat Abu Huraira (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: Ouvi o nobre Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) dizer: ‘Quem rezar usando uma única peça de roupa deve envolver-se com as duas extremidades da roupa em sentidos opostos.’” (Bukhari)

Explicação: Cobrir o ‘satr’ é uma obrigação entre as obrigações da oração. Portanto, todo homem e toda mulher devem rezar usando uma vestimenta que cubra o seu ‘satr’ e não haja risco de que ele fique descoberto durante a oração.

مَوَاقِيْتُ الصَّلاةِ

Descrição dos horários das orações

إِنَّ الصَّلَاةَ كَانَتْ عَلَى الْمُؤْمِيْنِنَ كِتَبَا مَّوْقُوْتًا
(النساء – ١٠٣)

Significado: Certamente, a oração foi prescrita aos crentes em horários determinados. (Nissá, 103)

(٦٥) وَعَنْ أَبِي عَمْرِ الشَّيْبَانِي وَاسْمُهُ سَعَدُ بْنُ إِيَاسٍ قَالَ حَدَّثَنِي صَاحِبُ هَذِهِ الدَّارِ وَأَشَارَ إِلَى دَارِ عَبْدِ اللَّهِ بْنِ مَسْعُودٍ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ سَأَلْتُ رَسُولَ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ أَيُّ الْأَعْمَالِ أَحَبُّ إِلَى اللَّهِ؟ قَالَ الصَّلَاةُ عَلَى وَقْتِهَا قُلْتُ ثُمَّ أَيُّ؟ قَالَ بِرُّ الْوَالِدَيْنِ قُلْتُ ثُمَّ أَيُّ قَالَ الْجِهَادُ فِي سَبِيلِ اللَّهِ قَالَ حَدَّثَنِي بِهِنَّ رَسُولُ اللَّهِ وَلَوِ اسْتَزَدْتُهُ لَزَادَنِي
(بخاري – مسلم)

(65) Abu Amr ash-Shaibani, cujo nome era Saad ibn Iyaz, apontou para a casa de Hazrat Abdullah ibn Masud e disse: “O dono desta casa, ao narrar um hadith para mim, disse: Perguntei ao Mensageiro de Deus: ‘Qual ação do servo é mais amada por Deus?’ O Mensageiro respondeu: ‘Cumprir a oração no horário determinado.’ Perguntei novamente: ‘E depois dessa?’ O Mensageiro respondeu: ‘Tratar bem os pais.’ Perguntei outra vez: ‘E depois dessa?’ O Mensageiro respondeu: ‘Lutar pela causa de Deus.’ Ibn Masud disse: ‘O Mensageiro disse-me as palavras acima; penso que, se eu lhe tivesse feito mais perguntas, ele teria acrescentado outras respostas.’” (Bukhari, Muslim)

Explicação: A oração foi prescrita com horários determinados; portanto, entre as treze obrigações fundamentais da oração, uma é realizá-la em seu horário. No hadith citado, o Mensageiro de Deus mencionou a realização da oração conforme o horário como a ação mais amada por Deus. O imã Shafii, o imã Malik e o imã Ahmad ibn Hanbal afirmaram que é preferível, isto é, melhor, realizar a oração no início de seu horário. Já o imã Abu Hanifa afirmou ser preferível realizar a oração do isha no meio da noite, a oração do fajr depois que a luz do dia se tornar clara, isto é, no final de seu horário, e a oração do zuhr com algum atraso nos dias quentes. O imã Abu Hanifa tomou como prova vários hadiths em apoio a essa posição. Contudo, segundo os outros imãs, o hadith sobre atrasar a oração se aplica àquele que a realiza sozinho, e não aos que a realizam em congregação.

(٦٦) وَعَنْ ابْنِ عَبَّاسٍ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُمَا قَالَ قَالَ رَسُوْلُ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ أَمَّنِي جِبْرَيْلُ عِنْدَ الْبَيْتِ مَرَّتَيْنِ فَصَلَّى بِيَ الظُّهْرَ حِيْنَ زَالَتِ الشَّمْسُ وَكَانَ قَدْرَ الشَّرَاكِ وَصَلَّى بِيَ الْعَصْرَ حِيْنَ صَارَ ظِلُّ كُلِّ شَيْءٍ مِثْلَهُ وَصَلَّى بِيَ الْمَغْرِبَ حِيْنَ افْطَرَ الصَّائِمُ وَصَلَّى بِيَ الْعِشَاءَ حِيْنَ غَابَ الشَّفَقُ وَصَلَّى بِيَ الْفَجْرَ حِيْنَ حَرُمَ الطَّعَامُ وَالشَّرَابُ عَلَى الصَّائِمِ فَلَمَّا كَانَ الْقَدُ وَصَلَّى بِيَ الظُّهْرَ حِيْنَ كَانَ ظِلُّهُ مِثْلَهُ وَصَلَّى بِيَ الْعَصْرَ حِيْنَ كَانَ مِثْلَيْهِ وَصَلَّى بِيَ الْمَغْرِبَ حِيْنَ افْطَرَ الصَّائِمُ وَصَلَّى بِي الْعِشَاءَ إِلَى ثُلُثِ اللَّيْلِ وَصَلَّى بِي الْفَجْرَ فَاسْفَرَ ثُمَّ الْتَفَتَ إِلَيَّ فَقَالَ يَا مُحَمَّدُ هَذَا وَقْتُ الْأَنْبِيَاءِ مِنْ قَبْلِكَ وَالْوَقْتُ مَا بَيْنَ هَذَيْنِ الْوَقْتَيْنِ
(أبو داود – ترمذي)

(66) “Hazrat Ibn Abbas (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: Jibril (que a paz esteja sobre ele) dirigiu minha oração duas vezes nas proximidades da Casa da Caaba. Na primeira vez, conduziu-me na oração do Zuhr assim que o sol começou a declinar ligeiramente. Sua extensão era como a largura da correia de uma sandália. Conduziu-me na oração do Asr quando a sombra de cada coisa se tornou igual ao seu tamanho. Conduziu a oração do Maghrib quando o jejuador quebra o jejum, e a oração do Isha quando o crepúsculo vermelho do céu ocidental desapareceu. E conduziu a oração do Fajr no momento em que comer e beber se tornou proibido para o jejuador. Quando chegou o segundo dia, conduziu-me na oração do Zuhr quando a sombra de cada coisa se tornou uma vez o seu tamanho, e na oração do Asr quando se tornou duas vezes o seu tamanho. Conduziu a oração do Maghrib quando o jejuador quebra o jejum, e a oração do Isha quando um terço da noite havia passado. E conduziu a oração do Fajr quando a luz da alvorada começou a surgir. Então, olhando para mim, disse: Ó Muhammad (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), estes são os horários das orações dos profetas que vieram antes de você. O horário da oração está entre estes dois limites de tempo.” (Abu Dawud, Tirmidhi)

Explicação: O hadith mencionado prova que, depois de as cinco orações diárias se tornarem obrigatórias, Allah, o Senhor dos mundos, enviou pessoalmente Jibril (que a paz esteja sobre ele) para ensinar corretamente ao Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) como essas orações deveriam ser realizadas; isto é, quando começa o horário da oração, quantas rak’ahs devem ser feitas em cada horário e como devem ser realizados o rukū’, o sujūd e os demais atos da oração. Ele veio durante dois dias consecutivos: no primeiro dia, fez o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) realizar a oração no primeiro horário, e no segundo dia, no último horário. Depois disse-lhe que o horário da oração começaria no momento em que ela fora realizada no primeiro dia e terminaria no momento em que a oração fora concluída no segundo dia.

Como Jibril (que a paz esteja sobre ele) conduziu o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) na oração do Maghrib no mesmo horário em ambos os dias, o horário da oração do Maghrib é curto. Segundo o Imam Shafi’i, o horário da oração do Maghrib dura apenas até a realização do azan, da iqamah e das cinco rak’ahs. Contudo, o momento de o jejuador quebrar o jejum também está incluído nesse intervalo. Segundo o Imam Abu Hanifa, o horário do Maghrib permanece até que o crepúsculo vermelho do céu ocidental desapareça.
Como Jibril (que a paz esteja sobre ele) conduziu o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) na oração do Maghrib no mesmo horário em ambos os dias, desde a época do Profeta até hoje, embora nas outras orações se conceda aos fiéis um tempo considerável após o azan para se prepararem, esse tempo não é concedido para a oração do Maghrib, e não será concedido até o Dia do Juízo. Se Jibril (que a paz esteja sobre ele) o tivesse concedido, certamente isso teria sido feito. Este hadith prova justamente que, assim como a oração se tornou obrigatória por ordem de Allah, o modo de realizá-la também veio da parte de Allah. O Profeta não estabeleceu esse método ou regra por meio de seu próprio ijtihad.

(٦٧) وَعَنْ عَبْدِ اللَّهِ بْنِ عُمَرَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ قَالَ رَسُولُ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ وَقْتُ الظُّهْرِ إِذَا زَالَتِ الشَّمْسُ وَكَانَ ظِلُّ الرَّجُلِ كَطُولِهِ مَا لَمْ يَحْضُرِ الْعَصْرُ وَوَقْتُ الْعَصْرِ مَا لَمْ تَصْفَرُّ الشَّمْسُ وَوَقْتُ صَلَاةِ الْمَغْرِبِ مَا لَمْ يَغِبُ الشَّفَقُ وَوَقْتُ صَلَاةِ الْعِشَاءِ إِلَى نِصْفِ اللَّيْلِ الْأَوْسَطِ وَوَقْتُ صَلَاةِ الصُّبْحِ مِنْ طُلُوعِ الْفَجْرِ مَا لَمْ تَطْلُعِ الشَّمْسُ فَإِذَا طَلَعَتِ الشَّمْسُ فَأَمْسِكْ عَنِ الصَّلَاةِ فَإِنَّهَا تَطْلُعُ بَيْنَ قَرْنِي الشَّيْطَانِ (مسلم)

(67) Abdullah ibn Umar (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: O Mensageiro (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) disse: “O início do horário da oração de Zuhr ocorre quando o sol declina, e seu fim, quando a sombra de uma pessoa se torna igual ao seu comprimento, isto é, até chegar o horário de Asr. O horário de Asr permanece até que, a partir daí, o sol adquira uma coloração amarelada. O horário da oração de Maghrib vai do pôr do sol até que o avermelhado do céu ocidental desapareça. O horário da oração de Isha vai até a meia-noite, e o horário de Fajr vai do surgimento da alvorada até começar o nascer do sol. Quando o nascer do sol começar, abstém-te da oração, pois ele nasce entre os dois chifres de Satanás.” (Muslim)

Explicação: Com base neste hadith, os imames Malik, Shafi’i, Ahmad ibn Hanbal, Abu Yusuf, Muhammad, Ja’far e outros afirmaram que o horário da oração de Zuhr permanece, excluindo a sombra original, até que a sombra de cada objeto se torne igual ao seu comprimento. Contudo, segundo Imam Abu Hanifa, o horário de Zuhr permanece até que a sombra se torne duas vezes maior. Chama-se “sombra original” a sombra que se estende lateralmente de um objeto exatamente ao meio-dia, isto é, quando o sol está diretamente acima dele. A expressão “o sol adquirir uma coloração amarelada” significa que a intensidade dos raios solares diminui e eles assumem a forma de um prato; até esse momento vai o horário de Asr. Entretanto, a oração de Asr pode ser realizada até o pôr do sol, embora com karahah. O melhor horário para a oração de Isha é até a meia-noite. Depois da meia-noite e até o surgimento da alvorada é um horário makruh.

Como os politeístas adoradores do sol adoram o sol no momento de seu nascer e de seu pôr, e Satanás fica diante do sol nesse momento para receber a adoração deles, o hadith afirma que o sol nasce entre os dois chifres de Satanás.

Descrição das mesquitas e dos locais de oração

(٦٨) وَعَنْ أَبِي هُرَيْرَةَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ قَالَ رَسُولُ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ أَحَبُّ الْبِلادِ إِلَى اللَّهِ مَسَاجِدُهَا وَأَبْغَضُ الْبِلادِ إِلَى اللَّهِ أَسْوَاقُهَا (مسلم)

(68) “Foi narrado por Hazrat Abu Huraira (que Allah esteja satisfeito com ele); ele disse: o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: entre os lugares, a mesquita é o mais amado por Allah, e o mercado é o mais detestado.” (Muslim)

Explicação: quando um lugar é escolhido e designado para a oração, esse lugar é chamado mesquita. Como a mesquita é destinada à adoração de Allah e à oração, assim que uma pessoa parte em direção à mesquita, seu coração se volta para Allah; por isso, a mesquita é mais amada por Allah. Já aquele que se dirige ao mercado vai até lá para satisfazer necessidades mundanas; a agitação do mercado, ainda que temporariamente, o torna negligente em relação a Allah, e por isso o mercado é inferior aos olhos de Allah. Contudo, não há problema em estabelecer mercados e ir ao mercado quando necessário. Não é apropriado passar muito tempo no mercado sem motivo.

O terreno da mesquita deve necessariamente ser waqf, e, em geral, todos os muçulmanos devem ter acesso à mesquita. A oração na mesquita tem uma recompensa vinte e cinco vezes maior que a oração realizada fora dela.

(٦٩) وَعَنْ عُثْمَانَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ قَالَ رَسُولُ اللَّهِ صلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ مَنْ بَنَى لِلَّهِ مَسْجِدًا بَنَى اللَّهُ لَهُ بَيْتًا فِي الْجَنَّةِ
(بخاري – مسلم)

(69) “Foi narrado por Hazrat Uthman (que Allah esteja satisfeito com ele); ele disse: o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: se alguém construir uma mesquita para Allah, Allah construirá para ele uma casa no Paraíso.” (Bukhari, Muslim)

(۷۰) وَعَنْ أَبِي قَتَادَةَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ أَنَّ رَسُولَ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ قَالَ إِذْ دَخَلَ أَحَدُكُمُ الْمَسْجِدَ فَلْيَرْكَعْ رَكْعَتَيْنِ قَبْلَ أَنْ يَجْلِسَ (بخاري – مسلم)

(70) “Foi narrado por Hazrat Abu Qatada (que Allah esteja satisfeito com ele); ele disse: o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: quando qualquer um de vocês entrar na mesquita, que faça duas rak‘at de oração antes de se sentar.”

Explicação: A oração de duas rak‘at realizada imediatamente após entrar na mesquita é chamada de Dukhul al-Masjid. Segundo alguns, ela é wajib; entretanto, o imame Abu Hanifa (que Allah esteja satisfeito com ele) a considerou mustahabb.

(۷۱)
وَعَنْ كَعْبِ بْنِ مَالِكٍ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ كَانَ النَّبِيُّ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ لَا يَقْدِمُ مِنْ سَفَرٍ إِلَّا نَهَارًا

فِي الضُّحَى فَإِذَا قَدِمَ بَدَأَ بِالْمَسْجِدِ فَصَلَّى فِيْهِ رَكْعَتَيْنِ ثُمَّ جَلَسَ فِيْهِ (بخاري – مسلم)

(71) “Hazrat Kaab ibn Malik (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) sempre retornava de uma viagem na primeira parte do dia. Primeiro, entrava na mesquita e rezava ali duas rak‘at. Depois, sentava-se ali.” (Bukhari e Muslim)

Explicação: É mustahabb que a pessoa que retorna de uma viagem pratique conforme o hadith acima.

(۷۲) وَعَنْ جَابِرٍ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ أَنَّ النَّبِيَّ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ قَالَ مَنْ أَكَلَ التَّوْمَ وَالْبَصَلَ وَالكُرَّثَ فَلَا يَقْرَبَنَّ مَسْجِدَنَا فَإِنَّ الْمَلَائِكَةَ تَتَأَدَّى مِمَّا يَتَأَنَّى مِنْهُ بَنُوْ آدَمَ
(بخاري – مسلم)

(72) “Foi narrado por Hazrat Jabir (que Allah esteja satisfeito com ele) que o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: Que ninguém entre na minha mesquita depois de comer alho, cebola ou alho-poró, pois aquilo que causa sofrimento aos seres humanos também causa sofrimento aos anjos.” (Bukhari e Muslim)

Explicação: O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) proibiu entrar na mesquita depois de comer cebola, alho ou qualquer outro alimento cru de odor semelhante, pois as pessoas se reúnem na mesquita para a oração; assim como o odor da boca de quem come cebola, alho e verduras cruas e odoríferas causa desconforto às pessoas presentes, também causa desconforto aos anjos presentes na mesquita. Comer cebola e alho não é proibido. Porém, é proibido ir, depois de comê-los, à mesquita, ao eidgah, a reuniões de sermões religiosos ou a lugares semelhantes.

(۷۳) وَعَنْ عَائِشَةَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهَا أَنَّ رَسُولَ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ قَالَ فِي مَرَضِهِ الَّذِي لَمْ يَقُمْ مِنْهُ لَعَنَ اللَّهُ الْيَهُودَ وَالنَّصَارَى اتَّخِذُوا قَبُورَ أَنْبِيَائِهِمْ مَسَاجِدَ
(بخاري – مسلم)

(73) “Foi narrado por Hazrat Aisha (r.a.) que o Mensageiro (s.a.w.), durante a doença que precedeu sua morte, disse: ‘Que Allah faça descer Sua maldição sobre os judeus e os cristãos, pois eles transformaram os túmulos de seus profetas em mesquitas.’” (Bukhari, Muslim)

Explicação: Os túmulos eram transformados em locais de prostração ou mesquitas por dois motivos. O primeiro era prostrar-se com a intenção de agradar as pessoas ilustres sepultadas nesses túmulos. Isso é shirk evidente, ou shirk jali. O segundo era buscar tawajjuh, durante a oração ou a muraqabah, a partir dos túmulos dessas pessoas, para que Allah Se agradasse. Isso também é shirk, porém shirk khafi, isto é, shirk oculto. O amado Profeta (s.a.w.) proferiu essa advertência durante as dores da doença que precedeu sua morte, para que sua comunidade não repetisse os pecados cometidos pelos judeus e cristãos.

(٧٤) وَعَنْ أَنَسِ بْنِ مَالِكٍ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ فُرِضَتْ عَلَى النَّبِيِّ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ الصَّلَوَاتُ لَيْلَةً أُسْرِيَ

بِهِ خَمْسِيْنَ ثُمَّ نَقَصَتْ حَتَّى جُعِلَتْ خَمْسًا ثُمَّ نُوْدِيَ يَا مُحَمَّدُ إِنَّهُ لَا يُبَدِّلُ الْقَوْلَ لَدَيَّ وَإِنَّ لَكَ بِهَذِهِ الْخَمْسِ خَمْسِينَ (أحمد – نسائي – ترمذي)

(74) «Foi narrado por Anas ibn Malik (r.a.), que disse: Na noite da Mi’raj, foram prescritas ao Nobre Profeta (s.a.w.) cinquenta orações obrigatórias (durante o dia e a noite). Então foi proclamado: ‘Ó Muhammad (s.a.w.), certamente Minha decisão jamais muda; e estas cinco orações para ti equivalem a cinquenta.’» (Ahmad, Nasai, Tirmidhi)

Explicação: O hadith acima é parte dos hadiths relacionados à Mi’raj. Foi na própria noite da Mi’raj que as orações, com seus horários, foram prescritas como obrigatórias ao Mensageiro (s.a.w.); antes disso, o Mensageiro (s.a.w.) rezava apenas à noite. Isso é mencionado na surata al-Muzzammil. A partir do hadith acima, sabe-se que, inicialmente, durante a Mi’raj, cinquenta orações foram prescritas como obrigatórias para Muhammad (s.a.w.) e sua ummah. Depois, o Deus Altíssimo, movido pela misericórdia em resposta ao pedido do Mensageiro (s.a.w.), tornou obrigatórias cinco orações em vez de cinquenta, mas manteve a recompensa equivalente à de cinquenta orações.

(٧٥) وَعَنْ أَبِي هُرَيْرَةَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ أَنَّ رَجُلًا دَخَلَ الْمَسْجِدَ وَرَسُولُ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ جَالِسٌ فِي ناحِيَةِ الْمَسْجِدِ فَصَلَّى ثُمَّ جَاءَ فَسَلَّمَ عَلَيْهِ فَقَالَ لَهُ

رَسُولُ اللَّهِ وَعَلَيْكَ السَّلَامُ ارْجِعْ فَصَلِّ فَإِنَّكَ لَمْ تُصَلِّ فَرَجَعَ فَصَلَّى ثُمَّ جَاءَ فَسَلَّمَ عَلَيْهِ فَقَالَ وَعَلَيْكَ السَّلَامُ ارْجِعْ فَصَلِّ فَإِنَّكَ لَمْ تُصَلِّ فَقَالَ فِي الثَّالِثَةِ أَوْ فِي الَّتِي بَعْدَهَا عَلِمْنِي يَا رَسُولَ اللَّهِ فَقَالَ إِذَا قُمْتَ إِلَى الصَّلَاةِ فَاسْبِغِ الْوَضُوءَ ثُمَّ اسْتَقْبِلِ الْقِبْلَةَ فَكَبِّرْ ثُمَّ اقْرَأْ بِمَا تَيَسَّرَ مَعَكَ مِنَ الْقُرْآنَ ثُمَّ اسْجُدْ حَتَّى تَطْمَئِنَّ سَاجِدًا ثُمَّ ارْفَعْ حَتَّى تَطْمَئِنَّ جَالِسًا وَفِي رِوَايَةٍ ثُمَّ ارْفَعْ حَتَّى تَسْتَوِيَ قَائِمًا ثُمَّ افْعَلْ ذَلِكَ فِي صَلَاتِكَ كُلِّهَا
(بخاري – مسلم)

(75) “Relata-se de Hazrat Abu Huraira (que Allah esteja satisfeito com ele) que, certa vez, o Mensageiro (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) estava sentado num canto da Mesquita do Profeta. Nesse momento, um homem entrou na mesquita e fez a oração; depois, aproximou-se e saudou o Profeta. O Profeta (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) respondeu à sua saudação e disse: ‘Vai e faz novamente a oração, pois não fizeste a oração corretamente’. O homem voltou, fez novamente a oração e, ao retornar, saudou outra vez o Profeta (que Allah o abençoe e lhe conceda paz). O Profeta respondeu à saudação e disse-lhe novamente: ‘Volta e faz a oração, pois não fizeste a oração corretamente’. O homem foi mais uma vez, realizou a oração e voltou novamente para saudar o Profeta (que Allah o abençoe e lhe conceda paz). O Profeta (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) respondeu outra vez à sua saudação e disse: ‘Não fizeste a oração corretamente; faz novamente a oração’. Então, na terceira ou quarta vez, o homem disse: ‘Ó Mensageiro de Allah, ensina-me

a oração’. O Profeta disse-lhe: ‘Quando desejares fazer a oração, realiza corretamente a ablução; em seguida, posiciona-te voltado para a qibla e pronuncia o takbir tahrima. Depois, recita do Alcorão aquilo que puderes, faz o rukū e permanece nele com plena tranquilidade; em seguida, levanta a cabeça e fica completamente ereto. Depois, faz a sajda e permanece nela com plena tranquilidade. Em seguida, levanta a cabeça e fica completamente ereto. Assim, realiza toda a tua oração com calma e serenidade’.” (Bukhari, Muslim)

Explicação: A pessoa mencionada neste hadith era Khallad ibn Rafi (que Allah esteja satisfeito com ele), irmão do célebre companheiro do Mensageiro, Rafi ibn Rafi. Ao reunir as narrações de Bukhari, Muslim e Nasai, sabe-se que ele entrou na Mesquita do Profeta e, primeiro, realizou duas rak‘at da oração Tahiyyat al-Masjid, considerada obrigatória em algumas escolas jurídicas. Isto é: ao entrar na mesquita, deve-se necessariamente realizar duas rak‘at de oração. Hazrat Rafi estava fazendo a oração com tanta pressa que não realizava corretamente o rukū e a sajda, nem se sentava ereto entre o rukū e a sajda (qawma e jalsa); por isso, o Profeta (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) ordenou-lhe repetidamente que refizesse a oração. Mesmo depois de realizar a oração várias vezes, o homem não conseguiu compreender o erro fundamental de sua oração. Então, conforme seu pedido, o Profeta (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) explicou-lhe como realizar a oração com perfeição, especialmente aquilo em que o companheiro que rezava estava falhando: fazer o rukū e a sajda com tranquilidade, levantar a cabeça do rukū e ficar ereto, e sentar-se completamente ereto entre as duas sajda; além disso, permanecer nessa posição pelo tempo necessário para recitar uma vez o tasbih — ‘Subhana Rabbiyal A‘la’. Isso é chamado ta‘dil al-arkan. Segundo a maioria dos imames, com base na descrição do hadith acima, o ta‘dil al-arkan é obrigatório; porém, segundo o Imam Abu Hanifa, é wajib.

(٧٦) وَعَنْ عَائِشَةَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهَا قَالَتْ كَانَ رَسُولُ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ يَسْتَفْتِحُ الصَّلَاةَ بِالتَّكْبِيرِ وَالْقِرَاءَةِ بِالْحَمْدِ لِلَّهِ رَبِّ الْعَالَمِيْنَ وَكَانَ إِذَا رَكَعَ لَمْ يُشْخِصَ رَأْسَهُ وَلَمْ يُصَوِّبُهُ وَلَكِنْ بَيْنَ ذَلِكَ وَكَانَ إِذَا رَفَعَ رَأْسَهُ مِنَ الرُّكُوعِ لَمْ يَسْجُدْ حَتَّى يَسْتَوِيَ قَائِمًا وَكَانَ إِذَا رَفَعَ رَأْسَهُ مِنَ السَّجْدَةِ لَمْ يَسْجُدْ حَتَّى يَسْتَوِيَ جَالِسًا وَكَانَ يَقُولُ فِي كُلِّ رَكْعَتَيْنِ التَّحِيَّةَ وَكَانَ يَفْتَرِشُ رِجْلَهُ الْيُسْرَى وَيَنْصَبُ رِجْلَهُ الْيُمْنَى وَكَانَ يَنْهَى عَنْ عَقْبَةِ الشَّيْطَانِ وَيَنْهَى أَنْ يَفْتَرِشَ الرَّجُلُ ذِرَاعَيْهِ افْتِرَاشَ السَّبْعِ وَكَانَ يَخْتِمُ الصَّلَاةَ بالتسليم (رواه مسلم)

(76) “Hazrat Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela) disse: ‘O Mensageiro (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) iniciava a oração dizendo “Allahu Akbar” e começava a recitação dizendo “Alhamdu lillahi Rabbil ‘alamin”. Quando fazia o rukū, não mantinha a cabeça nem elevada nem abaixada, mas na posição intermediária. Quando levantava a cabeça do rukū, não ia para a sajda até ficar completamente ereto. E, quando levantava a cabeça da sajda, não ia novamente para a sajda até sentar-se completamente ereto. A cada duas rak‘at, recitava o “Attahiyyat”. Ao sentar-se, estendia a perna esquerda e mantinha a direita erguida. Assim como proibia sentar-se à maneira de Satanás, também proibia colocar as duas mãos estendidas no chão como os animais. O Profeta (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) terminava a oração com o salam’.” (Muslim)

Explicação: Neste hadith é apresentada uma descrição de como o Mensageiro (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) fazia a oração. Conforme o significado do hadith citado e do hadith anterior, o Imam Shafi‘i, o Imam Ahmad ibn Hanbal e o Imam Abu Yusuf consideraram obrigatório o qawma e a jalsa — isto é, permanecer ereto após levantar-se do rukū pelo tempo de uma recitação do tasbih e sentar-se ereto entre as duas sajda pelo tempo de uma recitação do tasbih. Isso é chamado ta‘dil al-arkan. Segundo o Imam Abu Hanifa e o Imam Muhammad, isso é wajib. Se o qawma e a jalsa não forem realizados corretamente, a oração não é válida. Foi por essa razão que o Mensageiro (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) ordenou repetidamente a um companheiro que refizesse a oração, pois ele não realizava corretamente o qawma e a jalsa. O hadith também mostra que o Mensageiro (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) iniciava a oração com o takbir e a terminava com o salam. E o Profeta (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) recitava a Surata al-Fatiha em cada rak‘at.

(۷۷) وَعَنْ عَبْدِ اللَّهِ ابْنِ عُمَرَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ أَنَّ رَسُولَ اللهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ كَانَ يَرْفَعُ يَدَيْهَ حَدْوَ مِنْكَبَيْهِ إِذَا افْتَتَحَ الصَّلاةَ وَإِذَا كَبَّرَ لِلرُّكُوعِ وَإِذَا رَفَعَ رَأْسَهُ مِنَ الرُّكُوعِ رَفَعَهُمَا كَذَالِكَ وَقَالَ سَمِعَ اللهُ لِمَنْ حَمِدَهُ رَبَّنَا لَكَ الْحَمْدُ وَكَانَ لَا يَفْعَلُ ذَالِكَ في السُّجُودِ (بخاري – مسلم)

(77) «Foi narrado por Abdullah ibn Umar (que Allah esteja satisfeito com ele) que ele disse: Quando o Mensageiro (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) iniciava a oração, levantava ambas as mãos à altura dos ombros. Depois, quando dizia o takbir para o rukū‘ e levantava a cabeça do rukū‘, também levantava ambas as mãos da mesma maneira, à altura dos ombros, e dizia: “Sami‘allāhu liman hamidah, rabbanā lakal-hamd” [Allah ouve quem O louva; ó nosso Senhor, a Ti pertence todo o louvor]. Porém, não levantava as mãos desse modo ao prostrar-se.» (Bukhari, Muslim)

(۷۸) وَعَنْ نَافِعٍ أَنَّ عَبْدَ اللَّهِ ابْنَ عُمَرَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ كَانَ إِذَا دَخَلَ فِي الصَّلَاةِ كَبَّرَ وَرَفَعَ يَدَيْهِ وَإِذَا رَكَعَ رَفَعَ يَدَيْهِ وَإِذَا قَالَ سَمِعَ اللَّهُ لِمَنْ حَمِدَهُ رَفَعَ يَدَيْهِ وَإِذَا قَامَ مِنَ الرَّكَعَتَيْنِ رَفَعَ يَدَيْهِ وَرَفَعَ ذَالِكَ ابْنُ عُمَرَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ إِلَى النَّبِيِّ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ (بخاري)

(78) «Foi narrado por Nafi‘ que, quando Abdullah ibn Umar (que Allah esteja satisfeito com ele) iniciava a oração, dizia o takbir e levantava ambas as mãos. Depois, quando ia para o rukū‘, também levantava ambas as mãos. Quando dizia “Sami‘allāhu liman hamidah” [Allah ouve quem O louva], também levantava ambas as mãos. Depois, quando se levantava após completar duas rak‘āt, também levantava ambas as mãos. Abdullah ibn Umar (que Allah esteja satisfeito com ele) afirmava isso mencionando expressamente o Mensageiro (que Allah o abençoe e lhe conceda paz).» (Bukhari)

Explicação: Os hadiths mencionados acima comprovam que o Mensageiro (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) levantava ambas as mãos ao ir para o rukū‘ e ao levantar-se dele; isto é, praticava o “raf‘ al-yadayn”. Com base no significado desses hadiths, a maioria dos imames, entre eles o Imam Ahmad e o Imam Shafi‘i, é favorável à prática do “raf‘ al-yadayn” na oração. Os Ahl al-Hadith também seguem essa opinião. Por outro lado, o Imam Abu Hanifa não é favorável à prática do “raf‘ al-yadayn”, levantando as mãos em qualquer outro ponto além do takbir tahrima.

O hadith a seguir, narrado por Abdullah ibn Mas‘ud e registrado no Tirmidhi Sharif, constitui a prova do Imam Abu Hanifa e de seus seguidores:

(۷۹) وَعَنِ ابْنِ مَسْعُودٍ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ أَنَّهُ قَالَ لَأُصَلِّيَنَّ لَكُمْ صَلَاةَ رَسُولِ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ فَصَلَّى فَلَمْ يَرْفَعْ يَدَيْهِ إِلَّا مَرَّةً وَّاحِدَةً
ترمذي – نسائي – أبو داود )

(79) «Foi narrado por Ibn Mas‘ud (que Allah esteja satisfeito com ele) que certa vez ele disse: “Devo mostrar-vos como o Mensageiro (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) rezava?” Então, ele rezou e não levantou as mãos mais de uma vez, além do takbir tahrima.» (Tirmidhi, Abu Dawud, Nasa’i)
Explicação: Além do hadith acima, há outra narração na qual Ibn Mas‘ud diz: “O Mensageiro (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) levantava as mãos durante a oração, e nós também as levantávamos. Depois, ele deixou de fazê-lo. Portanto, nós também deixamos de fazê-lo.” (Nihaya Sharh Hidaya). Em um hadith narrado pelo Imam Tahawi, consta que Umar (que Allah esteja satisfeito com ele) e Ali (que Allah esteja satisfeito com ele) levantavam as mãos somente no takbir tahrima.

Segundo Shah Waliullah Dehlawi: «O Nobre Profeta (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) às vezes levantava as mãos e às vezes não as levantava. Ambas as práticas são encontradas nos hadiths. Portanto, ambas são sunnah. Um grupo dos Companheiros e dos tabi‘in praticava o raf‘ al-yadayn, enquanto outro grupo não o praticava. Há provas a favor de ambos os lados. Portanto, nenhum dos lados deve cometer excessos.» Aqueles que consideram comprovado o “raf‘ al-yadayn” em outros momentos além do takbir tahrima também o classificam como uma sunnah da oração, e não como farḍ ou wajib.

(۸۰) وَعَنْ قَبِيْصَةَ بْنِ حُلْبٍ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ عَنْ أَبِيْهِ قَالَ كَانَ رَسُولُ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ يَؤُمُّنَا فَيَأْخُذُ شِمَالَهُ بِيَمِينِهِ (ترمذي – ابن ماجة)
(80) “Foi narrado por Hazrat Qabisa bin Hulb (que Allah esteja satisfeito com ele), cujo pai disse: o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) conduzia-nos na oração e, durante a oração, segurava a mão esquerda com a mão direita.” (Tirmidhi, Ibn Majah)

(۸۱) وَعَنْ عَلِيِّ بْنِ الْحُسَيْنِ مُرْسَلاً قَالَ كَانَ رَسُوْلُ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ يُكَبِّرُ فِي الصَّلَاةِ كُلِّمَا خَفَضَ وَرَفَعَ فَلَمْ تَزِلْ تِلْكَ صَلَاتُهُ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ حَتَّى لَقِيَ الله (مؤطا امام مالك)

(81) “Hazrat Ali ibn Husayn (Zayn al-Abidin) narra, por uma cadeia mursal, que o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) dizia o takbir sempre que baixava e elevava a cabeça durante a oração, e assim realizou a oração até sua morte.” (Muwatta do Imam Malik)

Explicação: O primeiro hadith descreve como o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) colocava as mãos durante a oração. Isto é, colocava a mão direita sobre a mão esquerda e segurava a mão esquerda com a mão direita. O segundo hadith descreve os takbirs que o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) dizia ao levantar-se e sentar-se em cada rak‘ah da oração. Contudo, o hadith também menciona que, somente ao elevar a cabeça do rukū‘, era então que pronunciava:سَمِعَ اللَّهُ لِمَنْ حَمِدَهُ— dizia.

Algumas discussões adicionais sobre a oração

A importância da oração:

Na Sharia, a importância da oração é incomensurável. Entre os atos formais de adoração, a oração é o mais grandioso. No Dia da Ressurreição, o servo será questionado primeiramente sobre a oração. A oração é mencionada repetidamente no Sagrado Alcorão. O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) chamou a oração de pilar do Islam. Está narrado no hadith de Tirmidhi Sharif que Hazrat Abdullah bin Shafiq al-Uqayli relatou: os companheiros do Mensageiro não consideravam kufr abandonar qualquer outra prática além da oração. Hazrat Buraidah disse que o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) afirmou: “Quem abandona a oração cometeu kufr.” À luz do hadith acima, alguns consideram incrédulo aquele que abandona a oração. Segundo os Imams Abu Hanifa, Malik e Shafi‘i, quem abandona a oração não é incrédulo, mas é fasiq. O Estado Islâmico ordenará que ele se arrependa. Se ele se recusar a arrepender-se, então, segundo os Imams Malik e Shafi‘i, deverá ser executado como punição. Já segundo o Imam Abu Hanifa, deverá receber prisão perpétua. Se, porém, ele se arrepender e prometer realizar a oração, será libertado; caso contrário, morrerá encarcerado. A discussão acima deixou clara a importância da oração na Sharia.

Os elementos obrigatórios da oração:

Entre os componentes da oração, alguns são obrigatórios (fard); se forem omitidos, a oração não será válida. Alguns são necessários (wajib); se forem omitidos, podem ser corrigidos mediante a prostração do esquecimento (sajda sahw). E alguns são sunnah; sua omissão não invalida a oração. A oração possui, ao todo, 13 obrigações (fard): seis externas, necessárias para a preparação da oração, chamadas condições (shart), e sete internas, chamadas pilares (rukn).

Condições:

(1) Purificar o corpo por meio da ablução e do banho ritual; (2) realizar a oração com roupas purificadas; (3) o local da oração estar puro; (4) cobrir a awrah; (5) formular a intenção; (6) voltar-se em direção à qibla.

Pilares:

(1) O takbir tahrima; (2) o qiyam, isto é, realizar a oração em pé; (3) a qira’at, isto é, recitar uma parte do Alcorão; (4) realizar o ruku; (5) realizar o sujud; (6) o qa’dah akhirah, isto é, a última sessão da oração; (7) sair da oração por meio de algum ato. Segundo alguns imames, recitar a Surata al-Fatiha em cada rak’ah e levantar-se e sentar-se ereto após o ruku e o sujud, isto é, o ta’dil al-arkan, também estão entre as obrigações da oração.

Atos necessários (wajib) da oração

(1) Recitar a Surata al-Fatiha; segundo outros imames, isso é obrigatório (fard); (2) recitar, junto com a Surata al-Fatiha, outra surata ou parte dela; (3) recitar a qira’at nas duas primeiras rak’ahs; (4) realizar a oração na ordem correta; (5) realizar corretamente o ta’dil al-arkan, isto é, o ruku e o sujud; segundo outros imames, isso é obrigatório (fard); (6) sentar-se após as duas rak’ahs nas orações de quatro ou três rak’ahs; (7) recitar o at-tahiyyat; (8) concluir a oração com o salam; (9) recitar a qira’at em voz baixa no zuhr e no asr; (10) recitar a qira’at em voz audível no maghrib, no isha e no fajr; (11) recitar a du’a qunut no witr; (12) proferir takbirs adicionais nas orações do Eid.

O que deve ser recitado após o takbir tahrima

(۸۲)
وَعَنْ عَائِشَةَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهَا قَالَتْ كَانَ رَسُولُ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ إِذَا افْتَتَحَ الصَّلَاةَ قَالَ

سُبْحَانَكَ اللَّهُمَّ وَبِحَمْدِكَ وَتَبَارَكَ اسْمُكَ وَتَعَالَى جَدُّكَ وَلَا إِلَهَ غَيْرُكَ (ترمذي – أبو داود)

(82) Hazrat Aisha (r.a.) disse: quando o Mensageiro (s.a.w.) iniciava a oração, recitava a seguinte súplica—

سُبْحَانَكَ اللَّهُمَّ وَبِحَمْدِكَ وَتَبَارَكَ اسْمُكَ وَتَعَالَى جَدُّكَ وَلَا إِلَهَ غَيْرُكَ

(۸۳)
وَعَنْ عُمَرَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ أَنَّهُ كَانَ يَقُولُ بَعْدَ تَكْبِيرَةِ الْإِحْرَامِ سُبْحَانَكَ اللَّهُمَّ وَبِحَمْدِكَ وَتَبَارَكَ اسْمُكَ وَتَعَالَى جَدُّكَ” (مسلم – دار قطني)

(83) “Foi narrado por Hazrat Umar (r.a.) que, após o takbir tahrima,

سُبْحَانَكَ اللَّهُمَّ وَبِحَمْدِكَ وَتَبَارَكَ اسْمُكَ وَتَعَالَى جَدُّكَ وَلَا إِلَهَ غَيْرُكَ

recitava esta súplica.” (Muslim, Darekutni)

Explicação: A partir dos hadiths acima, sabe-se que o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), após o takbir tahrima,

سُبْحَانَكَ اللَّهُمَّ وَبِحَمْدِكَ وَتَبَارَكَ اسْمُكَ وَتَعَالَى جَدُّكَ وَلَا إِلَهَ غَيْرُكَ

recitava esta súplica. No hadith nº 82, vê-se que Hazrat Umar (que Allah esteja satisfeito com ele) recitava sempre esta súplica após o takbir tahrima. Hazrat Ibn Masud (que Allah esteja satisfeito com ele) e numerosos tabi‘in também recitavam esta súplica. Com base no hadith acima, o Imam Abu Hanifa, o Imam Ahmad ibn Hanbal e Ishaq ibn Rahwayh recomendaram a recitação desta súplica. Contudo, o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) também recitava, ocasionalmente, outras súplicas.

A recitação da Surata al-Fatiha durante a oração

(٨٤) وَعَنْ عُبَادَةَ بْنِ الصَّامِتْ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ قَالَ رَسُولُ اللَّهِ صَلَّى اللهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ لَا صَلَاةَ لِمَنْ لَمْ يَقْرَأْ بِفَاتِحَةِ الْكِتَابِ (بخاري – مسلم)

(84) “Hazrat Ubada ibn Samit (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: ‘A oração daquele que não recita a Surata al-Fatiha não foi realizada.’” (Bukhari, Muslim)

(٨٥) وَعَنْ أَبِي هُرَيْرَةَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ قَالَ رَسُولُ اللهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ مَنْ صَلَّى صَلَاةٌ لَمْ يَقْرَأْ فِيهَا بِأُمِّ الْقُرْآنِ فَهِيَ خِدَاجٌ ثَلَاثًا غَيْرَ تَمَامٍ
بخاري – مسلم – أحمد )

(85) “Hazrat Abu Huraira (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: ‘A oração daquele que rezar sem recitar a Surata al-Fatiha é incompleta.’ O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) repetiu esta afirmação três vezes.” (Bukhari, Muslim, Ahmad)

(٨٦) وَعَنْ أَنَسٍ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ أَنَّ النَّبِيَّ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ وَأَبَا بَكْرٍ وَعُمَرَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُمَا كَانُوْا يَفْتَتِحُونَ الصَّلاةَ بِالْحَمْدِ لِلَّهِ رَبِّ الْعَالَمِينَ (مسلم)

(86) “Hazrat Anas (que Deus esteja satisfeito com ele) disse: o Mensageiro (que Deus o abençoe e lhe conceda paz), Hazrat Abu Bakr e Hazrat Umar (que Deus esteja satisfeito com ambos) começavam todos a oração recitando Alhamdu lillahi Rabbil-‘Alamin (isto é, a surata Al-Fatiha).” (Muslim)

(۸۷) وَعَنْ أَبِي هُرَيْرَةَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ قَالَ رَسُولُ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ لَا تُجْزِئُ صَلَاةٌ لَا يُقْرَأُ فِيهَا بِفَاتِحَةِ الْكِتَابِ ابن خزيمة – ابن حبان)
(87) “Hazrat Abu Huraira (que Deus esteja satisfeito com ele) disse: o Mensageiro (que Deus o abençoe e lhe conceda paz) disse: a oração em que a surata Al-Fatiha não é recitada não é válida.” (Ibn Khuzayma, Ibn Hibban)

Explicação: Com base nos hadiths acima, o Imam Shafi‘i e o Imam Ahmad ibn Hanbal declararam obrigatório recitar a surata Al-Fatiha em cada rak‘ah da oração, em todas as circunstâncias, quer a oração seja realizada em congregação ou individualmente, quer o imam recite em voz audível ou em voz baixa. Por outro lado, o Imam Malik disse que o muqtadi não precisa recitar a surata Al-Fatiha somente nas orações jahri, isto é, nas orações em que o imam recita em voz audível. O Imam Abu Hanifa disse que, de modo geral, é fard recitar qualquer parte do Alcorão na oração.

فَاقْرَؤُوا مَا تَيَسَّرَ مِنَ الْقُرْآنَ

Aqui, Allah ordenou que se recitasse qualquer parte do Alcorão cuja recitação fosse fácil para quem ora. Além disso, quando o Mensageiro ensinou o beduíno a oração, disse-lhe: depois, recitarás aquilo do Alcorão que for fácil para ti. Portanto, seja a surata Al-Fatiha, outra surata ou parte de uma surata, sua recitação é fard na oração, enquanto a recitação da surata Al-Fatiha é wajib.

Relato sobre o muqtadi não recitar atrás do imam

(۸۸) وَعَنْ نَافِعٍ أَنَّ عَبْدَ اللَّهِ بْنِ عُمَرَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ كَانَ إِذَا سُئِلَ هَلْ يَقْرَأُ أَحَدٌ خَلْفَ الْإِمَامِ قَالَ إِذَا صَلَّى أَحَدُكُمْ خَلْفَ الْإِمَامِ فَحَسْبُهُ قِرَاءَةُ الْإِمَامِ وَإِذَا صَلَّى وَحْدَهُ فَلْيَقْرَأْ قَالَ وَكَانَ ابْنُ عُمَرَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ لَا يَقْرَأُ خَلْفَ الإِمَامِ (مؤطا إمام مالك)

(88) “Hazrat Nafi‘ disse: Quando alguém perguntava a Abdullah ibn Umar (que Allah esteja satisfeito com ele) se era necessário ou não recitar o Alcorão atrás do imame, ele respondia: Quando qualquer um de vocês rezar atrás do imame, a recitação do imame será suficiente para ele. (Ele não precisa recitar.) Contudo, se rezar sozinho, deverá recitar. E Abdullah ibn Umar (que Allah esteja satisfeito com ele) não recitava atrás do imame.” (Muwatta do Imame Malik)

(۸۹) وَعَنْ أَبِي نَعِيمٍ وَهْبِ بْنِ كَيْسَانَ أَنَّهُ سَمِعَ جَابِرَ بْنَ عَبْدَ اللَّهِ يَقُولُ مَنْ صَلَّى رَكْعَةً لَمْ يَقْرَأْ فِيْهَا بِأُمِّ الْقُرْآنَ فَلَمْ يُصَلِّ إِلَّا وَرَاءَ الْإِمَامِ (مؤطا إمام مالك)

(89) “Abu Nu‘aym narrou de Wahb ibn Kaysan que ouviu Jabir ibn Abdullah dizer: Quem rezar sequer uma rak‘ah sem a Surata Al-Fatiha, é como se não tivesse rezado. Contudo, se rezar atrás do imame, não há problema.” (Muwatta do Imame Malik)

Explicação: A palavra qira’at significa recitação. Na terminologia da Sharia, qira’at é a recitação de uma parte do Alcorão, de uma maneira específica, estando de pé durante a oração. Recitar na oração é obrigatório. Segundo o Imame Shafi‘i, deve-se recitar nas quatro rak‘ahs. Segundo o Imame Malik, a obrigação é cumprida recitando na primeira rak‘ah. Já segundo o Imame Abu Hanifa, é indispensável recitar nas duas primeiras rak‘ahs. Sobre a recitação na oração, a ordem de Allah é:

فَاقْرَؤُوا مَا تَيَسَّرَ مِنَ الْقُرْآنَ

(na oração) “Recitai do Alcorão aquilo que vos for fácil e possível”

(۹۰) وعَنْ أَبِي هُرَيْرَةَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ قَالَ رَسُولُ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ إِنَّمَا جُعِلَ الْإِمَامُ لِيُؤْتَمَّ بِهِ فَإِذَا كَبَّرَ فَكَبِّرُوا وَإِذَا قَرَأَ فَانْصِتُوا
أبو داود – نسائي – ابن ماجة)

(90) “Hazrat Abu Huraira (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: O imame só é designado para ser seguido. Portanto, quando o imame disser ‘Allahu Akbar’, dizei também ‘Allahu Akbar’; e quando ele recitar, permanecei em silêncio.” (Abu Dawud, Nasa’i, Ibn Majah)

(۹۱)
وَعَنْ عَبْدِ اللَّهِ بْنِ شَدَّادٍ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ أَنَّ النَّبِيَّ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ قَالَ مَنْ كَانَ لَهُ إِمَامٌ فَقِرَاءَةُ الإِمَامِ لَهُ قِرَاءَةٌ (دار قطني)

(91) «Foi narrado por Hazrat Abdullah ibn Shaddad (que Allah esteja satisfeito com ele) que o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: “Para aquele que reza atrás do imam, a recitação do imam é suficiente.” (Isto é, o muqtadi não precisa fazer a recitação.) (Dar Qutni)

Explicação: Os dois hadiths acima mencionados constituem um argumento sólido a favor do Imam Abu Hanifa quanto à não recitação atrás do imam.

(۹۲) وَعَنْ أَنَسِ بْنِ مَالِكٍ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ صَلَّيْتُ مَعَ النَّبِيِّ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ وَأَبِي بَكْرٍ وَعُمَرَ وَعُثْمَانَ رِضْوَانُ اللَّهِ عَلَيْهِمْ فَلَمْ أَسْمَعُ أَحَدًا مِنْهُمْ يَقْرَأُ بسمِ اللهِ الرَّحْمَنِ الرَّحِيمِ وَفِي رِوَايَةٍ فَكَانُوا لَا يَجْهَرُونَ بِسْمِ اللَّهِ الرَّحْمَنِ الرَّحِيمِ
أحمد – مسلم – نسائي)

(92) «Hazrat Anas ibn Malik (que Allah esteja satisfeito com ele) narrou: “Rezei atrás do Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), de Hazrat Abu Bakr, Hazrat Umar e Hazrat Uthman (que Allah esteja satisfeito com eles), mas não ouvi nenhum deles recitar ‘Bismillahir-Rahmanir-Rahim’.” De acordo com outra narração, não ouvi nenhum deles recitar ‘Bismillahir-Rahmanir-Rahim’ em voz alta. (Ahmad, Muslim, Nasai)

Explicação: O hadith acima é uma prova a favor do Imam Abu Hanifa quanto à não recitação em voz alta de “Bismillahir-Rahmanir-Rahim” antes da recitação durante a oração.

(۹۳) وَعَنْ أَبِي سَعِيدِ الْخُدْرِيِّ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ أَمَرَنَا أَنْ نَقْرَأَ بِفَاتِحَةِ الْكِتَابِ وَمَا تَيَسَّرَ (أبو داود)

(93) «Hazrat Abu Sa’id al-Khudri (que Allah esteja satisfeito com ele) narrou: “Foi-nos ordenado que, na oração, recitássemos a Surata al-Fatiha e, conforme nos fosse conveniente, mais alguma parte do Alcorão.” (Abu Dawud)

Explicação: Com base nos hadiths acima, o Imam Shafi‘i e o Imam Ahmad ibn Hanbal declararam obrigatória (fard) a recitação da surata al-Fátiha na oração. Por outro lado, o Imam Abu Hanifa (que Allah tenha misericórdia dele) declarou-a wajib. Segundo o Imam Abu Hanifa, é obrigatório recitar qualquer parte do Alcorão. Se a surata al-Fátiha ou qualquer outra parte do Alcorão for recitada, a obrigação será cumprida; porém, se a surata al-Fátiha não for recitada na oração, haverá o abandono de um ato wajib, e a oração não será completa. O hadith comprova precisamente esta afirmação: “a sua oração é incompleta”.

(٩٤) وَعَنْ عُبَادَةَ بْنِ الصَّامِتِ قَالَ كُنَّا خَلْفَ النَّبِيِّ فِي صَلَاةِ الْفَجْرِ فَقَرَأَ فَتَقُلَتْ عَلَيْهِ الْقِرَاءَةُ فَلَمَّا فَرَغَ قَالَ لَعَلَّكُمْ تَقْرَؤُوْنَ خَلْفَ إِمَامِكُمْ قُلْنَا نَعَمْ يَا رَسُوْلَ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ قَالَ لَا تَفْعَلُوْا إِلَّا بِفَاتِحَةِ الْكِتَابِ فَإِنَّهُ لَا صَلَاةَ لِمَنْ لَمْ يَقْرَأْ بِهَا
أبو داود – ترمذي – نسائي)

(94) “Hazrat ‘Ubada ibn as-Samit disse: Certo dia, estávamos atrás do nobre Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) na oração do fajr. O Mensageiro recitava, mas a recitação lhe parecia difícil. Depois de terminar a oração, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: Parece que recitais atrás do vosso imam. Respondemos: Sim, ó Mensageiro de Allah. Ele disse: Não façais isso; recitai, porém, a surata al-Fátiha, pois a oração daquele que não recita a surata al-Fátiha não é válida.” (Abu Dawud, Tirmidhi, Nasa’i)”

Explicação: Este hadith acima indica que também se deve recitar a surata al-Fátiha atrás do imam. Esta é a opinião do Imam Ahmad ibn Hanbal. Segundo o Imam Abu Hanifa, em nenhuma circunstância se deve recitar a surata al-Fátiha atrás do imam, pois Allah diz:

وَإِذَا قُرِأَ الْقُرْآنُ فَاسْتَمِعُوْا لَهُ وَانْصِتُوا
(الْأَعْرَاف – ٢٠٤)

Significado: “Quando o Alcorão for recitado, escutai-o atentamente.” (Al-A‘raf, 204)

Além disso, há no hadith:وَإِذَا قَرَءَ فَانْصِتُوا

Ou seja: “Quando o imam recitar, permanecei em silêncio”

O Hazrat Imam Malik afirma que, nas orações em que o imam recita em voz alta, o muqtadi não deve recitar a Surata al-Fatiha, mas deve ouvir a recitação do imam. Já nas orações em que o imam recita em silêncio, o muqtadi deve recitar a Surata al-Fatiha. Shah Waliullah (que Allah tenha misericórdia dele) apoiou esta opinião, e Maulana Maududi (que Allah tenha misericórdia dele) também a praticava. Assim, ambas as hadices são seguidas.

(٩٥) وَعَنْ أَبِي هُرَيْرَةَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ أَنَّ رَسُولَ اللَّهِ صلَّى اللهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ انْصَرَفَ مِنْ صَلَاةٍ جَهَرَ فِيهَا بِالْقِرَاءَةِ فَقَالَ هَلْ قَرَأَ مَعِي أَحَدٌ مِنْكُمْ آئِفًا فَقَالَ رَجُلٌ نَعَمْ يَا رَسُولَ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ قَالَ إِنِّي أَقُولُ مَا لِي أُنَازِعُ الْقُرْآنَ قَالَ فَانْتَهَى النَّاسُ عَنِ الْقِرَاءَةِ مَعَ رَسُولِ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ فِيْمَا جَهَرَ فِيْهِ بِالْقِرَاءَةِ مِنَ الصَّلَوَاتِ حِيْنَ سَمِعُوا ذَالِكَ مِنْ رَّسُولِ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ
(رواه مالك – أحمد – أبو داود – الترمذي – والنسائي)

(95) “Foi narrado por Hazrat Abu Huraira (que Allah esteja satisfeito com ele) que, certa vez, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) terminou uma oração na qual havia recitado em voz alta. Então, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) perguntou: ‘Algum de vocês recitou agora mesmo comigo durante a oração?’ Um homem respondeu: ‘Sim, ó Mensageiro de Allah.’ Ao ouvir isso, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: ‘Eu estava pensando comigo mesmo por que estava tendo dificuldade para recitar o Alcorão durante a minha oração.’ Abu Huraira disse: ‘Depois disso, as pessoas deixaram de recitar atrás do Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) nas orações em que a recitação é audível.’”
(Malik, Ahmad, Abu Dawud, Tirmidhi, Nasa’i)

Explicação: Segundo o Imam Abu Hanifa, por meio desta hadice, todas as hadices relativas à recitação atrás do imam foram revogadas (mansukh).

Descrição do rukū

Rukū significa ficar parcialmente inclinado, curvar-se. Na terminologia da sharia, rukū é inclinar-se, apoiando-se sobre os joelhos, com o objetivo de demonstrar humildade diante de Allah durante a oração. Por consenso, ele é um dos farḍ da oração. Allah diz no Alcorão:

يَا أَيُّهَا الَّذِينَ آمَنُوا ارْكَعُوا وَاسْجُدُوا (سورة الحج – (۷۷)

Isto é: “Ó vós que credes, curvai-vos e prostrai-vos.” (Surata al-Hajj, 77)

É preciso permanecer na posição de rukū‘ e recitar alguns tasbīḥ, e, depois de levantar a cabeça do rukū‘, ficar de pé, ereto, por algum tempo (o suficiente para recitar um tasbīḥ). Somente então o ato obrigatório do rukū‘ será cumprido.

(٩٦) وَعَنْ أَنَسٍ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ قَالَ رَسُولُ اللَّهِ صلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ أَقِيمُوا الرُّكُوعَ وَالسُّجُودَ فَوَاللَّهِ
إِنِّي لَأَرَاكُمْ مِنْ بَعْدِي (بخاري – مسلم)

(96) “Foi narrado por Hazrat Anas (que Allah esteja satisfeito com ele) que ele disse: o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: ‘Cumpri corretamente o rukū‘ e o sujūd. Por Allah, certamente vejo-vos também por trás.’” (Bukhari e Muslim)

(۹۷) وَعَنْ عُقْبَةَ بْنِ عَامِرٍ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ لَمَّا نَزَلَتْ فَسَبِّحْ بِاسْمِ رَبِّكَ الْعَظِيمٍ قَالَ رَسُولُ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ اجْعَلُوْهَا فِي رُكُوعِكُمْ فَلَمَّا نَزَلَتْ سَبِّحِ اسْمَ رَبِّكَ الْأَعْلَى قَالَ رَسُولُ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ اجْعَلُوْهَا فِي سُجُودِكُمْ
أبو داود – ابن ماجة – دارمي)

(97) “Foi narrado por Hazrat Uqba bin Amir (que Allah esteja satisfeito com ele) que ele disse: quando foi revelado ‘Fasabbih bismi rabbikal azim’, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: ‘Colocai isto no vosso rukū‘.’ E quando foi revelado ‘Sabbih isma rabbikal a‘la’, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: ‘Colocai isto no vosso sujūd.’” (Abu Dawud, Ibn Majah, Darimi)

Explicação: O Mensageiro ordenou que os dois tasbīḥ mencionados acima fossem recitados, respectivamente, no rukū‘ e no sujūd.

Descrição do sujūd

Sujūd significa prostrar-se, colocando a testa no chão. Na terminologia da Shariah, sujūd significa colocar a testa no chão durante a oração, dirigindo-se a Allah para expressar a máxima humildade. O sujūd é um dos atos obrigatórios da oração. É preciso realizar dois sujūd em cada rak‘ah. Entre os dois sujūd, deve-se sentar-se ereto e esperar o tempo de um tasbīḥ, para que o corpo fique completamente reto. Na terminologia da Shariah, isso é chamado de “ta‘dīl al-arkān”. Segundo a maioria dos imames, o ta‘dīl al-arkān é obrigatório. Se for omitido, a oração será invalidada.

(۹۸) وَعَنْ ابْنِ عَبَّاسٍ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُمَا قَالَ قَالَ رَسُولُ
اللهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ أُمِرْتُ أَنْ أَسْجُدَ عَلَى سَبْعَةٍ أَعْظَمِ عَلَى الْجَبْهَةِ وَالْيَدَيْنِ وَالرُّكْبَتَيْنِ وَأَطْرَافِ الْقَدَمَيْنِ وَلَا نَكْفِتَ التَّيَابَ وَلَا الْشَّعْرَ
(بخاري – مسلم)

(98) “Hazrat Ibn Abbas (que Allah esteja satisfeito com ele) relata que o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: Foi-me ordenado que me prostrasse apoiando-me sobre sete ossos (partes do corpo): a testa, as duas mãos, os dois joelhos e as pontas dos dois pés. E que eu não arrumasse as roupas nem o cabelo (ao prostrar-me).” (Bukhari e Muslim)

Explicação: A opinião da maioria dos imames é que é obrigatório colocar tanto o nariz quanto a testa no chão. Segundo o Imam Abu Hanifa, a prostração será válida colocando-se apenas a testa, mas a oração será makruh. Durante a prostração, ambos os pés devem permanecer em contato com o chão. Se os dois pés se levantarem simultaneamente do chão, a oração será invalidada. Se um pé se levantar, a oração será makruh. É makruh arrumar as roupas e ajeitar o cabelo durante a prostração. É indispensável permanecer entre as duas prostrações pelo tempo de recitar um tasbih.

(۹۹) وَعَنْ أَنَسٍ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ قَالَ رَسُولُ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ اعْتَدِلُوا فِي السُّجُودِ وَلَا يَبْسُطُ أَحَدُكُمْ ذِرَاعَيْهِ الْيَسَاطَ الْكَلب (بخاري – مسلم)

(99) “Hazrat Anas (que Allah esteja satisfeito com ele) relata que o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: Realizai a prostração corretamente (cumprindo o seu direito), e que nenhum de vós estenda as mãos no chão durante a prostração como um cão.” (Bukhari e Muslim)

(۱۰۰) وَعَنْ عَلِيِّ بْنِ شَيْبَانَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ أَنَّ رَسُولَ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ قَالَ لَا صَلَاةَ لِمَنْ لَمْ يُقِمْ صُلْبَهُ فِي الرُّكُوعِ وَالسُّجُودِ أحمد – ابن ماجة)

(100) “Hazrat Ali ibn Saiban (que Allah esteja satisfeito com ele) relata que o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: A oração daquele cuja coluna não se endireita no rukū e na prostração não será válida.” (Ahmad, Ibn Majah)

Explicação: Entre o rukū e a prostração, deve-se ficar de pé com as costas completamente retas. Do mesmo modo, entre as duas prostrações, deve-se sentar com as costas completamente retas. Na terminologia da Shariah, isso é chamado de “tamaninat”. Sua duração deve ser, no mínimo, o tempo necessário para recitar um tasbih. Segundo a maioria dos imames, isso é obrigatório.

(۱۰۱) وَعَنِ ابْنِ عَبَّاسٍ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ كَانَ النَّبِيُّ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ يَقُولُ بَيْنَ السَّجْدَتَيْنِ اللَّهُمَّ اغْفِرْ لِي وَارْحَمْنِي وَاهْدِنِي وَعَافِنِي وَارْزُقْنِي
(أبو داود – ترمذي)

(101) “Hazrat Ibn Abbas (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: O nobre Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) recitava a seguinte súplica entre as duas prostrações: ‘Allahummaghfir li, warhamni, wahdini, wa‘afini, warzuqni.’ (Abu Dawud, Tirmidhi)

(۱۰۲) وَعَنْ حُذَيْفَةَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهَا أَنَّ النَّبِيَّ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ كَانَ يَقُولُ بَيْنَ السَّجْدَتَيْنِ رَبِّ اغْفِرْ لِي
(نسائي – دارمي)

(102) “Hazrat Hudhayfa (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: O nobre Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) dizia entre as duas prostrações:رَبِّ اغْفِرْلِي “‘Senhor meu, perdoa-me.’ (Nasa’i, Darimi)

Explicação: Os dois hadiths acima comprovam que, quando o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) se sentava entre as duas prostrações, recitava uma súplica enquanto estava sentado. Às vezes, prolongava a súplica e, outras vezes, fazia-a brevemente. Aqueles que recitam uma súplica entre as duas prostrações e, ao levantar a cabeça do rukū‘, dizem “Rabbana lakal-hamd” realizam corretamente o ta‘dīl al-arkān. Por isso, é melhor recitar a súplica.

(۱۰۳) وَعَنِ ابْنِ مَسْعُودٍ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ عَلِّمَنِي رَسُولُ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ التَّشَهُدَ كَمَا يُعَلِّمُنِي السُّورَةَ مِنَ الْقُرْآنَ التَّحِيَّاتُ لِلَّهِ وَالصَّلَوَاتُ وَالطَّيِّبَاتُ السَّلَامُ عَلَيْكَ أَيُّهَا النَّبِيُّ وَرَحْمَةُ اللَّهِ وَبَرَكَتُهُ، السَّلامُ عَلَيْنَا وَعَلَى عِبَادِ اللَّهِ الصَّالِحِيْنَ، أَشْهَدُ أَنْ لَا إِلَهَ إِلَّا اللَّهُ وَأَشْهَدُ أَنَّ مُحَمَّدًا عَبْدُهُ وَرَسُولُهُ (بخاري – مسلم)

(103) “É narrado por Hazrat Ibn Mas‘ud (que Allah esteja satisfeito com ele) que ele disse: O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) ensinou-nos o tashahhud, assim como nos ensinava uma surata do Alcorão.” (O Profeta dizia)

التَّحِيَّاتُ لِلَّهِ وَالصَّلَوَاتُ وَالطَّيِّبَاتُ وَالسَّلَامُ عَلَيْنَا وَعَلَى عِبَادِ اللَّهِ الصَّالِحِيْنَ أَشْهَدُ أَنْ لَا إِلَهَ إِلَّا اللَّهُ وَأَشْهَدُ أَنَّ مُحَمَّدًا عَبْدُهُ وَرَسُولُهُ (بخاري – مسلم)

Explicação: Sobre o tashahhud que o Profeta recitava na oração, além de Ibn Mas‘ud, também foi transmitido, por Hazrat Ibn Abbas e Hazrat Jabir (que Allah esteja satisfeito com eles), que se recitava outro tashahhud. Contudo, a opinião consensual da maioria dos muhaddithin é que, no que diz respeito ao tashahhud, a transmissão de Hazrat Abdullah ibn Mas‘ud é mais confiável e aceitável. O Imam Abu Hanifa adotou precisamente o tashahhud de Ibn Mas‘ud.

(١٠٤) وَعَنِ ابْنِ مَسْعُودٍ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ كَانَ يَقُولُ مِنَ السُّنَّةِ إِخْفَاءُ التَّشَهر (أبو داود – ترمذي)

(104) Foi narrado por Hazrat Ibn Mas‘ud (que Allah esteja satisfeito com ele) que ele dizia: “Recitar o tashahhud em silêncio é a Sunnah.” (Abu Dawud, Tirmidhi)

(١٠٥) وَعَنِ عَبْدِ اللَّهِ ابْنِ مَسْعُودٍ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ كُنَّا نَقُولُ قَبْلَ أَنْ يُفْرَضَ عَلَيْنَا التَّشْهَدُ السَّلَامُ عَلَى اللهِ السَّلَامُ عَلَى جِبْرِيلَ وَمِيكَائِيْلَ فَقَالَ رَسُولُ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ لَا تَقُولُ هَكَذَا وَلَكِنْ قُولُوا التَّحِيَّاتُ لِلَّهِ وَالصَّلَوَاتُ وَالطَّيِّبَاتُ السَّلَامُ عَلَيْكَ أَيُّهَا النَّبِيُّ وَرَحْمَةُ اللهِ وَبَرَكَتُهُ، السَّلَامُ عَلَيْنَا وَعَلَى عِبَادِ اللَّهِ الصَّالِحِيْنَ، أَشْهَدُ أَنْ لَا إِلَهَ إِلَّا اللَّهُ وَأَشْهَدُ أَنَّ مُحَمَّدًا عَبْدُهُ وَرَسُولُهُ (دار قطني)

(105) Hazrat Abdullah ibn Mas‘ud (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: “Antes de o tashahhud se tornar obrigatório para nós, dizíamos:

السَّلَامُ عَلَى اللَّهِ السَّلَامُ عَلَى جِبْرِيلَ وَمِيكَائِيْلَ

O Profeta nos disse: “Não recitem mais dessa maneira; em vez disso, recitem التَّحِيَّاتُ لِلَّهِ … إلى آخر الدعاء (Dar Qutni)

Explicação: Isto é, o Profeta nos ensinou o modo de recitar o tashahhud.

(١٠٦) وَعَنْ عُمَرَ بْنِ الْخَطَّابِ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ لَا تُجْزِي صَلاةٌ إِلَّا بِتَشَهُرٍ (بخاري)

(106) “Foi narrado por Hazrat Umar ibn al-Khattab (que Allah esteja satisfeito com ele) que ele disse: Não haverá oração sem a recitação do tashahhud. (Bukhari)”

Explicação: À luz do hadith acima, o Imam Shafi‘i e Ahmad ibn Hanbal consideraram obrigatória a recitação do tashahhud na oração. Porém, o Imam Abu Hanifa (que Allah esteja satisfeito com ele) considerou a recitação do tashahhud wajib. Naturalmente, a “qa‘dah akhirah” da oração, isto é, a última sessão, é considerada farz por todos.

Fazer um sinal com o dedo indicador durante a recitação do tashahhud

(۱۰۷) وَعَنِ ابْنِ عُمَرَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ كَانَ رَسُولُ اللهِ صَلَّى اللهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ إِذَا قَعَدَ فِي التَّشَهُدِ وَضَعَ يَدَهُ الْيُسْرَى عَلَى رُكْبَتِهِ الْيُسْرَى وَوَضَعَ يَدَهُ الْيُمْنَى عَلَى رُكْبَتِهِ الْيُمْنَى وَعَقَدَ ثَلَاثَةٌ وَخَمْسِينَ وَأَشَارَ بِالسَّبَّابَةِ وَرَفَعَ إِصْبَعَهُ الْيُمْنَى الَّتِي تَلِيَ الْإِبْهَامَ يَدْعُوْنِهَا وَيَدُهُ الْيُسْرَى عَلَى رُكْبَتِهِ بَاسِطُهَا عَلَيْهَا
(مسلم – نيل الأوطار)

(107) “Hazrat Ibn Umar (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: Quando o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) se sentava para recitar o tashahhud, colocava a mão esquerda sobre o joelho esquerdo e a mão direita sobre o joelho direito. Nessa ocasião, fechava os dedos como se os fechasse para contar cinquenta e três, e fazia um sinal com o dedo indicador. Em outra narração, foi mencionado que, quando o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) se sentava para a oração, colocava as duas mãos sobre os dois joelhos; levantava o dedo que fica junto ao polegar da mão direita e fazia súplicas com ele. E sua mão esquerda permanecia estendida sobre o joelho esquerdo.” (Muslim)

Explicação: Ao contar com os dedos, os árabes, ao contar cinquenta e três, fechavam o dedo mínimo, o anelar e o médio, mantendo o indicador erguido. É isso que foi mencionado no hadith.

A partir deste hadith e de vários outros, sabe-se que, durante a recitação do tashahhud, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) erguia o dedo indicador e fazia um sinal indicando que Allah é Único e sem parceiro; isso é sunnah. Contudo, às vezes ele fazia o sinal com os dedos fechados e o indicador, e outras vezes fazia o sinal mantendo os dedos estendidos. Ele levantava o dedo ao dizer “la ilaha” e o baixava ao dizer “illallah”.

Recitar o Durud na oração

(۱۰۸) وَعَنْ عَبْدِ الرَّحْمَنِ بْنِ أَبِي لَيْلَى قَالَ لَقِيَنِي كعْبُ بْنُ عُجْرَةَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ فَقَالَ أَلَا أُهْدِي لَكَ هدِيَّةٌ سَمِعْتُهَا مِنَ النَّبِيِّ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ فَقُلْتُ

بَلَى فَأَهْدِهَا لِي فَقَالَ سَأَلْنَا رَسُولَ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ فَقُلْنَا يَا رَسُولَ اللَّهِ كَيْفَ الصَّلَاةُ عَلَيْكُمْ أَهْلَ الْبَيْتِ فَإِنَّ اللَّهَ قَدْ عَلَّمَنَا كَيْفَ نُسَلِّمُ عَلَيْكَ قَالَ قُوْلُوْا اللَّهُمَّ صَلِّ عَلَى مُحَمَّدٍ وَعَلَى آلِ مُحَمَّدٍ كَمَا صَلَّيْتَ عَلَى إِبْرَاهِيمَ وَعَلَى آلِ إِبْرَاهِيمَ إِنَّكَ حَمِيدٌ مَجِيدٌ اللَّهُمَّ بَارِكْ عَلَى مُحَمَّدٍ وَعَلَى آلِ مُحَمَّدٍ كَمَا بَارَكْتَ عَلَى إِبْرَاهِيمَ وَعَلَى آلِ إِبْرَاهِيمَ إِنَّكَ حَمِيدٌ مَجِيدٌ
(بخاري – مسلم)

(108) “Hazrat Abdur Rahman ibn Abi Layla disse: certa vez encontrei Hazrat Kaab ibn Ujrah. Ele disse: Ó Abdur Rahman, devo oferecer-te um presente que ouvi do Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele)? Respondi: Sim, oferece-mo. Então ele disse: certa vez perguntámos ao Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele): Ó Mensageiro de Allah, Allah ensinou-nos como recitar o Durud por ti. Dize-nos como devemos recitar o Durud por ti e pela tua família. O Profeta disse: Direis assim:

اللَّهُمَّ صَلِّ عَلَى مُحَمَّدٍ وَعَلَى آلِ مُحَمَّدٍ كَمَا صَلَّيْتَ عَلَى إِبْرَاهِيمَ وَعَلَى آلِ إِبْرَاهِيمَ إِنَّكَ حَمِيدٌ مَجِيدٌ اللَّهُمَّ

بَارِكْ عَلَى مُحَمَّدٍ وَعَلَى آلِ مُحَمَّدٍ كَمَا بَارَكْتَ عَلَى إِبْرَاهِيمَ وَعَلَى آلِ إِبْرَاهِيمَ إِنَّكَ حَمِيدٌ مَجِيدٌ
(بخاري – مسلم)

Explicação: Durud é uma palavra persa. Em árabe, diz-se “Salat”. Recitar o Durud pelo Mensageiro é obrigatório pelo menos uma vez na vida. Contudo, recitar o Durud depois do Attahiyyat na última posição da oração é Sunna. Segundo o Imam Shafi‘i, recitar o Durud na oração é obrigatório.

(۱۰۹) وَعَنْ فُضَالَةَ بْنَ عُبَيْدٍ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ سَمِعَ النَّبِيُّ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ رَجُلًا يَدْعُوْ فِي صَلَاتِهِ فَلَمْ يُصَلِّ عَلَى النَّبِيِّ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ فَقَالَ عَجَّلَ هَذَا ثُمَّ دَعَاهُ فَقَالَ لَهُ أَوْ لِغَيْرِهِ إِذَا صَلَّى أَحَدُكُمْ فَلْيَبْدَأَ بِتَحْمِيدِ اللَّهِ وَالثَّنَاءِ عَلَيْهِ ثُمَّ لِيُصَلِّ عَلَى النَّبِيِّ صَلَّى اللهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ ثُمَّ لِيَدْعُ بَعْدُ مَا شَاءَ (ترمذي)

(১০৯) “Foi narrado por Hazrat Fudala bin Ubaid (que Allah esteja satisfeito com ele): ele disse que o nobre Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) ouviu um homem fazendo uma súplica durante a oração, mas ele não recitou bênçãos sobre o nobre Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). O Mensageiro disse: ‘Este homem se apressou.’ Em seguida, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) chamou-o e disse-lhe — ou chamou-o e, apresentando-o diante dele, disse a outro: ‘Quando algum de vocês fizer a oração, que a inicie com o louvor e a exaltação de Allah’

começando com isso. Em seguida, que recite bênçãos sobre o Profeta. Depois das bênçãos, que faça a súplica que desejar.’” (Tirmizi)

Explicação: O hadith acima prova que se devem recitar bênçãos sobre o Profeta antes da súplica. O hadith também prova que as bênçãos sobre o Profeta na oração são sunnah, não obrigatórias. Pois, se fossem obrigatórias, ele teria ordenado ao homem mencionado acima que repetisse a oração.

Fazer a súplica após as bênçãos sobre o Profeta na última sessão

(۱۱۰) وَعَنْ أَبِي هُرَيْرَةَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ قَالَ رَسُولُ اللهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ إِذَا فَرَغَ أَحَدُكُمْ مِنَ التَّشَهُرِ الْآخِرِ فَلْيَتَعَوَّذَ بِاللَّهِ مِنْ أَرْبَعٍ مِنْ عَذَابِ جَهَنَّمَ وَمِنْ عَذَابِ الْقَبْرِ وَمِنْ فِتْنَةِ الْمَحْيَاءِ وَالْمَمَاتِ وَمِنْ شَرِّ الْمَسِيحِ الدَّجَّالِ (مسلم)

(১১০) “Foi narrado por Hazrat Abu Huraira (que Allah esteja satisfeito com ele): ele disse que o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) afirmou: ‘Quando algum de vocês terminar o tashahhud (na última rak‘at), que busque refúgio em Allah contra quatro coisas: contra o castigo do Inferno, contra o castigo do túmulo, contra as provações da vida e da morte e contra a má influência do Dajjal caolho.’” (Muslim)

Explicação: No hadith acima, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) incentivou a fazer súplicas na oração após as bênçãos sobre o Profeta. Contudo, fazer súplicas na oração após as bênçãos sobre o Profeta é mustahabb (recomendável).

Concluir a oração com o salam

(۱۱۱)
وَعَنْ عَلِيِّ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ أَنْ النَّبِيَّ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ قَالَ مِفْتَاحُ الصَّلَاةِ الطُّهُورُ وَتَحْرِيمُهَا التَّكْبِيرُ وَتَحْلِيلُهَا التَّسْلِيمُ
(أحمد – أبو داود – ابن ماجة – ترمذي)

(111) “Relatado por Hazrat Ali (que Allah esteja satisfeito com ele): o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: a chave da oração é a purificação; o seu tahrim (porta de entrada) é o takbir; e o seu encerramento é o salam.” (Ahmad, Abu Dawud, Ibn Majah, Tirmidhi)

(۱۱۲) وَعَنِ ابْنِ مَسْعُودٍ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ أَنَّ النَّبِيُّ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ كَانَ يُسَلِّمُ عَنْ يَمِينِهِ وَعَنْ يَسَارِهِ السَّلَامُ عَلَيْكُمْ وَرَحْمَةُ اللهِ السَّلَامُ عَلَيْكُمْ وَرَحْمَةُ اللهِ حَتَّى يُرَى بِيَاضُ خَدِهِ
(أحمد – مسلم – نسائي – ابن ماجة)

(112) “Relatado por Hazrat Ibn Masud (que Allah esteja satisfeito com ele): o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) fazia o salam tanto para o seu lado direito como para o esquerdo durante a oração. Ele dizia: ‘As-salamu alaikum wa rahmatullah, as-salamu alaikum wa rahmatullah’. Ao fazer o salam, virava-se tanto para a direita quanto para a esquerda a tal ponto que se podia ver a brancura de suas faces.” (Ahmad, Muslim, Nasa’i, Ibn Majah)

Explicação: Todos os imames são da opinião de que é obrigatório encerrar a oração com o salam. Entretanto, há divergência entre os imames quanto a fazer o salam para ambos os lados ser obrigatório ou bastar fazê-lo apenas para um lado.

Sentar-se voltado para os seguidores da oração após o término da oração

(۱۱۳) وَعَنْ سَمُرَةَ بْنِ جُنْدُبٍ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ كَانَ رَسُولُ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ إِذَا صَلَّى صَلَاةٌ أَقْبَلَ
عَلَيْنَا بِوَجْهِهِ (بخاري)

(113) “Hazrat Samura ibn Jundub (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: quando o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) terminava a oração, sentava-se voltado para nós.” (Bukhari)

(١١٤) وَعَنْ أَنَسٍ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ كَانَ النَّبِيُّ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ يَنْصَرِفُ عَنْ يَمِينِهِ (مسلم)

(114) “Foi narrado por Hazrat Anas (que Allah esteja satisfeito com ele) que ele disse: o Nobre Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), após a oração, sentava-se voltado para o lado direito.” (Muslim)
Explicação: Ao término das orações em que não há oração sunnah após a oração obrigatória, o respeitado Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) sentava-se de frente para os seus seguidores, voltado ora para a esquerda, ora para a direita. Porém, quando havia oração sunnah após a oração obrigatória, ele se afastava para outro local depois da oração e realizava a oração sunnah.

(١١٥) وَعَنْ عَطَاءِ بْنِ الْخُرَاسَانِي عَنِ الْمُغِيْرَةَ رَضِيَ اللهُ عَنْهُ قَالَ قَالَ رَسُولُ اللهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ لَا يُصَلِّي الْإِمَامُ فِي الْمَوَضَعِ الَّذِي صَلَّى فِيْهِ حَتَّى يَتَحَوَّلَ
(أبو داود)

(115) “Ata bin Khurasani narrou, de Hazrat Mughirah (que Allah esteja satisfeito com ele), que o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: que o imame não realize outra oração no local onde permaneceu de pé para realizar a oração obrigatória; ao contrário, deve afastar-se dali.” (Abu Dawud)

Explicação: Ele não deve realizar a oração sunnah da mesma forma que realizou a oração obrigatória; deve mudar de lugar. Isto é, deve afastar-se do local e realizar a oração sunnah, para que qualquer pessoa recém-chegada possa compreender que o imame já não está conduzindo a oração, mas sim realizando a oração sunnah.

Recitar súplicas após a oração

(١١٦) وَعَنْ مُعَاذِ بْنِ جَبَلٍ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ أَخَذَ بِيَدِي رَسُولُ اللَّهِ فَقَالَ إِنِّي لَأُحِبُّكَ يَا مُعَادُ فَقُلْتُ أَنَا أُحِبُّكَ يَا رَسُولَ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ قَالَ فَلَا تَدَعْ أَنْ تَقُوْلَ فِي دُبُرِ كُلِّ صَلَاةٍ رَبِّ أَعِنِّي عَلَى ذِكْرِكَ وَشُكْرِكَ وَحُسْنِ عِبَادَتِكَ (أحمد أبو داود – نسائي)

(116) “Hazrat Muaz bin Jabal (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: certa vez, o respeitado Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) segurou minha mão e disse: ‘Ó Muaz, eu amo você.’ Eu disse: ‘Ó Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), eu também amo você.’ Então, o respeitado Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: ‘Ó Muaz, você deve certamente recitar esta súplica após cada oração.’”

رَبِّ أَعِنِّي عَلَى ذِكْرِكَ وَشُكْرِكَ وَحُسْنِ عِبَادَتِكَ(Ahmad, Abu Dawud, an-Nasa’i)

(۱۱۷) وَعَنْ عَائِشَةَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهَا قَالَتْ كَانَ رَسُولُ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ إِذَا سَلَّمَ لَمْ يَقْعُدْ إِلَّا مِقْدَارَ مَا يَقُولُ اللَّهُمَّ أَنْتَ السَّلَامُ وَمِنْكَ السَّلَامُ تَبَارَكْتَ يَا ذَا الْجَلَالِ وَالْإِكْرَامِ” (مسلم)

(117) “Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela) disse: ‘Depois de pronunciar o salām da oração, o Mensageiro (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) permanecia sentado apenas pelo tempo necessário para recitar a súplica abaixo.’”

اللَّهُمَّ أَنْتَ السَّلَامُ وَمِنْكَ السَّلَامُ تَبَارَكْتَ يَا ذَا الْجَلَالِ وَالْإِكْرَامِ

Significado: “Ó Allah, Tu és a paz, e de Ti provém a paz. Tu és Abençoado, ó Possuidor de majestade e honra.”

(۱۱۸)
وَعَنْ مُغِيرَةَ بْنِ شُعْبَةَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ أَنَّ النَّبِيَّ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ كَانَ يَقُولُ فِي دُبُرِ كُلِّ صَلَاةٍ

مَكْتُوبَةٍ لَا إِلَهَ إِلَّا اللَّهُ وَحْدَهُ لَا شَرِيكَ لَهُ لَهُ الْمُلْكُ وَلَهُ الْحَمْدُ وَهُوَ عَلَى كُلِّ شَيْءٍ قَدِيْرٍ أَللَّهُمَّ لَا مَانِعَ لِمَا أَعْطَيْتَ وَلَا مُعْطِيَ لِمَا مَنَعْتَ وَلَا يَنْفَعُ ذَا الْجَدِّ مِنْكَ الْجَدُّ (بخاري – مسلم)

(118) “Foi narrado por al-Mughirah ibn Shu‘bah (que Allah esteja satisfeito com ele): ‘O nobre Profeta (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) dizia depois de cada oração obrigatória,

لَا إِلَهَ إِلَّا اللَّهُ وَحْدَهُ لَا شَرِيكَ لَهُ … إلى آخر

“Não há divindade além de Allah. Ele é Único; não tem associado. A soberania pertence a Ele, e o louvor pertence a Ele, e Ele é Onipotente. Ó Allah, ninguém pode impedir aquilo que Tu queres conceder. E ninguém pode conceder aquilo que Tu queres impedir. E nenhuma riqueza pode proteger seu possuidor de Ti.” (Bukhari, Muslim)

Explicação: O nobre Profeta (que a paz esteja com ele) recitava algumas súplicas e fórmulas de recordação após a oração obrigatória. Isso é comprovado pelos relatos dos hadices acima. Quando não havia oração sunnah após a oração obrigatória, ele fazia uma súplica longa. Contudo, não há nenhuma prova de que, após a oração, ele realizasse regularmente uma súplica coletiva ou uma invocação juntamente com os seguidores. Naturalmente, alguns juristas posteriormente consideraram isso recomendável; porém, não é correto considerá-lo obrigatório.

Recitação do tasbih após a oração

(۱۱۹) وَعَنْ كَعْبِ بْنِ عُجْرَةَ قَالَ قَالَ رَسُولُ اللَّهِ صَلَّى اللهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ مُعَقِبَاتٌ لَا يَخِيْبُ قَائِلُهُنَّ أَوْ فَائِلُهُنَّ دُبُرَ كُلِّ صَلَاةٍ مَكْتُوبَةٍ ثَلاثُ وَثَلاثُونَ تَسْبِيحَةٌ وَثَلاثُ وَثَلاتُوْنَ تَحْمِيدَةً وَأَرْبَعُ وَثَلاتُوْنَ تَكْبِيرَةً (مسلم)

(119) “Hazrat Kaab ibn Ujrah disse: O Mensageiro (que a paz esteja com ele) disse: após cada oração obrigatória há algumas fórmulas que, quem as recitar, jamais ficará desamparado. São elas: 33 vezes ‘Subhanallah’, 33 vezes ‘Alhamdulillah’ e 34 vezes ‘Allahu Akbar’.” (Muslim)

(۱۲۰) وَعَنْ أَبِي أُمَامَةَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ قِيْلَ رَسُولُ اللهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ أَيُّ الدُّعَاءِ أَسْمَعُ قَالَ جَوْفَ اللَّيْلِ الْآخِرِ وَدُبُرِ الصَّلَوَاتِ الْمَكْتُوبَةِ (ترمذي)

(120) “Hazrat Abu Umamah (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: alguém perguntou ao Mensageiro (que a paz esteja com ele): Ó Mensageiro de Allah, qual súplica é respondida mais rapidamente? O nobre Profeta respondeu: a súplica na última parte da noite e a súplica após a oração obrigatória.” (Tirmidhi)

(۱۲۱)
وَعَنْ عُقْبَةَ بْنِ عَامِرٍ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ أَمَرَ رَسُولُ اللهِ صَلَّى اللهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ أَنْ أَقْرَأَ بِالْمُعَوَّذَاتِ فِي دُبُرِ كُلِّ صَلاة (أحمد – أبو داود – نسائي)

(121) «Hazrat Uqba ibn Amir (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) ordenou-me recitar as “Mu’awwidhatayn” após cada oração.»
(Ahmad, Abu Dawud, Nasa’i)

Explicação: As suratas “Al-Falaq” e “An-Nas” são chamadas de “Mu’awwidhatayn”. Na realidade, essas duas suratas também são uma forma especial de súplica a Allah, por meio da qual se busca refúgio junto a Ele contra os malefícios dos gênios e dos seres humanos. Essas duas suratas foram reveladas ao Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) quando um judeu chamado Labid lançou um feitiço sobre ele. O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), recitando essas duas suratas e buscando a ajuda de Allah, libertou-se dos efeitos da magia. Talvez, devido a alguma circunstância especial de Uqba ibn Amir, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) lhe tenha ordenado recitar essas duas suratas depois da oração. É recomendável recitar as “Mu’awwidhatayn”, juntamente com outras súplicas, ao final da oração obrigatória que não é seguida por uma oração sunnah.

Atos proibidos na oração

(۱۲۲)
وَعَنْ عَبْدِ اللَّهِ بْنِ مَسْعُودٍ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ كُنَّا نُسَلِّمُ عَلَى النَّبِيِّ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ وَهُوَ فِي الصَّلاةِ فَيَرُدُّ عَلَيْنَا فَلَمَّا رَجَعْنَا مِنْ عِنْدِ النَّجَاشِي سَلَّمْنَا عَلَيْهِ فَلَمْ يَرُدَّ عَلَيْنَا فَقُلْنَا يَا رَسُولَ اللَّهِ صَلَّى اللهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ كُنَّا نُسَلِّمُ عَلَيْكَ فِي الصَّلَاةِ فَتَرُدُّ
عَلَيْنَا فَقَالَ إِنَّ فِي الصَّلَاةِ لَشْغُلا (بخاري – مسلم)

(122) «Hazrat Abdullah ibn Mas’ud (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: Enquanto estávamos rezando, costumávamos saudar o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), e ele respondia à nossa saudação. Depois, quando retornamos da presença do Najashi (após a Hégira para a Abissínia), saudamos o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) enquanto ele estava em oração. Porém, ele não respondeu à nossa saudação. Perguntamos: Ó Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), antes nós o saudávamos durante a oração e o senhor respondia à nossa saudação! Por que agora não responde? O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: “Na oração há certos atos grandiosos.”» (Por isso, não se pode falar outras coisas.) (Bukhari, Muslim)

(۱۲۳)
وَعَنْ زَيْدِ بْنِ أَرْقَمَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ كُنَّا نَتَكَلَّمُ فِي الصَّلَاةِ يُكَلِّمُ الرَّجُلُ مِنَّا صَاحِبَهُ وَهُوَ إِلَى جَنْبِهِ فِي الصَّلَاةِ حَتَّى نَزَلَتْ وَقُومُوا لِلَّهِ قَانِتِينَ فَأُمِرْنَا بالسُّكُوتِ وَنُهِينَا عَنِ الْكَلَامِ
بخاري – مسلم – ترمذي)

(123) «Hazrat Zayd ibn Arqam (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: Houve um tempo em que conversávamos enquanto estávamos em oração; muitas vezes, uma pessoa que estava rezando conversava com a pessoa que rezava ao seu lado. Depois,

وَقُومُوا لِلَّهِ قَانِتِينَ

“Depois que este versículo foi revelado, recebemos a ordem de permanecer em silêncio durante a oração e de não conversar.” (Bukhari, Muslim, Tirmidhi)

Explicação: No início, era permitido fazer a saudação na oração e dizer algumas palavras. Posteriormente, isso foi completamente proibido. Portanto, se alguém falar enquanto estiver realizando a oração, sua oração se tornará inválida.

(١٢٤) وَعَنْ أَنَسٍ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ أَنَّ النَّبِيَّ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ قَالَ يَا أَنَسُ اجْعَلْ بَصَرَكَ حَيْثُ تَسْجُدُ
(بيهقي)

(124) “Segundo Anas (que Allah esteja satisfeito com ele), o Nobre Profeta (que Allah o abençoe e lhe dê paz) disse: Ó Anas, fixa o teu olhar no lugar onde farás a prostração.” (Bayhaqi)

Descrição das prostrações por esquecimento

(١٢٥) وَعَنْ أَبِي هُرَيْرَةَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ قَالَ رَسُولُ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ إِنَّ أَحَدَكُمْ إِذَا قَامَ يُصَلِّي جَاءَهُ الشَّيْطَانُ فَلَبَّسَ عَلَيْهِ حَتَّى لَا يَدْرِيَ كَمْ صَلَّى فَإِذَا وَجَدَ ذَالِكَ أَحَدُكُمْ فَلْيَسْجُدْ سَجْدَتَيْنِ وَهُوَ جالِس (بخاري – مسلم)

(125) “Abu Huraira (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: O Mensageiro (que Allah o abençoe e lhe dê paz) disse: Quando um de vós se põe de pé para a oração, Satanás vem e lhe provoca dúvidas durante a oração, a ponto de ele não conseguir dizer quantas unidades de oração realizou. Quando alguém de vós se encontrar nessa situação, que faça então duas prostrações sentado.” (Bukhari, Muslim)

(١٢٦) وَعَنْ أَبِي هُرَيْرَةَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ صَلَّى رَسُولُ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ صَلَاةَ الْعَصْرِ فَسَلَّمَ فِي رَكْعَتَيْنِ فَقَامَ ذُو الْيَدَيْنِ فَقَالَ أَقَصُرَتِ الصَّلَاةُ يَا رَسُولَ اللَّهِ أَمْ نَسِيْتَ فَقَالَ رَسُولُ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ كُلُّ ذَالِكَ لَمْ يَكُنْ فَقَالَ قَدْ كَانَ بَعْضُ ذَالِكَ يَا رَسُولَ اللَّهِ فَأَقْبَلَ رَسُولُ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ عَلَى النَّاسِ فَقَالَ أَصَدَقَ ذُوالْيَدَيْنِ فَقَالُوا نَعَمْ فَقَامَ رَسُولُ اللَّهِ فَأَتَمَّ مَا بَقِيَ مِنَ الصَّلَاةِ ثُمَّ سَجَدَ سَجْدَتَيْنِ بَعْدَ التَّسْلِيمِ وَهُوَ جَالِسٌ (مؤطا إمام مالك)

(126) “Hazrat Abu Huraira (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: Certo dia, o Mensageiro (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) fez duas rak’ahs da oração do Asr e terminou-a com a saudação final. Um homem chamado Zul-Yadain, que era um companheiro, levantou-se e disse: Ó Mensageiro de Allah, a oração foi reduzida ou o senhor esqueceu? O Profeta disse: Nenhuma dessas duas coisas aconteceu. Zul-Yadain disse: Ó Mensageiro de Allah, algo assim aconteceu. Então o Profeta (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) virou-se para as pessoas e perguntou: Zul-Yadain está dizendo a verdade? Todos disseram: Sim, ó Mensageiro de Allah. Então o Profeta (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) levantou-se e completou a oração restante. Depois, ainda sentado, após pronunciar a saudação final, fez duas prostrações de esquecimento.” (Muwatta do Imam Malik)

Explicação: Se ocorrer involuntariamente algum erro durante a oração e a pessoa se lembrar dele enquanto ainda está em oração, duas prostrações adicionais compensarão esse erro. Segundo o Imam Abu Hanifa, esse procedimento só compensará o abandono involuntário de um ato wajib; não se aplica, porém, aos atos fard. Se um ato fard for abandonado, a oração deverá ser repetida desde o início. Segundo o Imam Abu Hanifa, depois de terminar a recitação do Attahiyyat, a pessoa deverá virar-se para a direita, pronunciar a saudação final e fazer duas prostrações. Depois, recitará o tashahhud, o durood e a súplica, e pronunciará a saudação final para ambos os lados. Segundo o Imam Shafi’i, fará duas prostrações depois de pronunciar a saudação final para ambos os lados. Pela narração do hadith, vê-se que o Profeta (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) completou a oração restante depois de falar com os liderados pelo imam; isso prova que falar não invalida a oração. Na explicação, contudo, afirma-se claramente que esse acontecimento ocorreu numa época em que ainda não era proibido falar durante a oração. Portanto, atualmente, depois de falar dessa maneira, será necessário realizar a oração inteira novamente.

Os horários em que é proibido rezar

(۱۲۷)
وَعَنْ أَبِي سَعِيدِنِ الْخُدْرِيِّ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ قَالَ رَسُولُ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ لَأَصَلَاةَ بَعْدَ الصُّبْحِ حَتَّى تَرْتَفِعَ الشَّمْسُ وَلَا صَلَاةَ بَعْدَ الْعَصْرِ حَتَّى تَغِيبَ الشَّمْسُ (بخاري – مسلم)

(127) “Foi narrado por Hazrat Abu Sa’id al-Khudri (que Allah esteja satisfeito com ele), que disse: O Mensageiro (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) disse: Não há oração depois da oração do Fajr até que o sol se eleve acima do horizonte, nem depois da oração do Asr até que o sol se ponha completamente.” (Bukhari, Muslim)

(۱۲۸)
وَعَنْ أَبِي هُرَيْرَةَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ أَنَّ النَّبِيَّ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ نَهَى عَنِ الصَّلَاةِ نِصْفَ النَّهَارِ حَتَّى تَزُولَ الشَّمْسُ إِلَّا يَوْمَ الْجُمُعَةِ (الشافعي)

(128) “Foi narrado por Hazrat Abu Huraira (que Allah esteja satisfeito com ele) que o Nobre Profeta (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) proibiu rezar ao meio-dia, quando o sol está diretamente sobre a cabeça, até que ele se incline. Exceto a oração da sexta-feira.” (Shafi’i)

Explicação: Em geral, é proibido realizar a oração em três períodos: depois da oração do fajr, até o nascer do sol; depois da oração do asr, até o pôr do sol; e quando o sol está no ponto mais alto do céu, ao meio-dia. Esta é a opinião de Abu Hanifa, sem qualquer exceção. Já os demais imames são da opinião de que a oração ao meio-dia não é proibida na sexta-feira. Alguns também são da opinião de que, se alguém não puder realizar a sunnah do fajr porque a oração congregacional do fajr já começou, poderá realizá-la depois da oração obrigatória, antes do nascer do sol. Esta é a prática dos Ahl al-Hadith.

(۱۲۹)
وَعَنْ جُبَيْرِ بْنِ مُطْعِمٍ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ أَنَّ النَّبِيَّ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ قَالَ يَا بَنِي عَبْدِ مَنَافٍ لَا تَمْنَعُوا أَحَدًا طَافَ بِهَذَا الْبَيْتِ وَصَلَّى أَيَّةَ سَاعَةٍ شَاءَ مِنْ لَيْلٍ أو نهار (ترمذي – أبو داود – نسائي)

(129) “Jubair ibn Mut’im (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: O Nobre Profeta (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) disse: ‘Ó Banu Abd Manaf, não impeçais ninguém que circunvale esta Casa (a Caaba) e queira realizar aqui a oração em qualquer hora do dia ou da noite.’” (Tirmidhi, Abu Dawud e Nasa’i)

Explicação: A circunvolução da Caaba pode ser realizada a qualquer hora, de dia ou de noite, no nascer ou no pôr do sol. Esta é a opinião de todos. Do mesmo modo, é permitido realizar a oração a qualquer hora na Mesquita Sagrada. Esta é a opinião do Imam Shafi’i com base no sentido deste hadith. O Imam Ahmad ibn Hanbal disse que este hadith se aplica às duas rak’ahs da oração da circunvolução. Ou seja, assim como a circunvolução é permitida a qualquer hora, inclusive no nascer e no pôr do sol, também é permitido realizar a oração de duas rak’ahs da circunvolução a qualquer hora. Outras orações não podem ser realizadas nos horários proibidos. Imam Abu Hanifa não considera permitida a oração da circunvolução nos horários proibidos.

(۱۳۰) وَعَنْ أَبِي هُرَيْرَةَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ قَالَ رَسُولُ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ مَنْ لَمْ يُصَلِّ رَكْعَتَيِ الْفَجْرِ فَلْيُصَلِهِمَا بَعْدَ مَا تَطْلُعُ الشَّمْسُ (رواه الترمذي) وَقَدْ ثَبَتَ أَنَّ النَّبِيَّ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ قَضَاهُمَا مَعَ الْفَرِيضَةِ لَمَّا نَامَ (نيل الأوطار)

(130) “Abu Huraira (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: O Mensageiro (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) disse: ‘Quem não puder realizar as duas rak’ahs do fajr (antes do fajr), que as realize depois do nascer do sol.’ Está relatado no Tirmidhi Sharif que, certa vez, o Profeta (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) dormiu durante o horário do fajr; depois, realizou as quatro rak’ahs, incluindo a sunnah, como reposição, após o nascer do sol.” (Nayl al-Awtar)

Explicação: O hadith acima indica a importância especial da sunnah do fajr, pois não há reposição para nenhuma outra oração sunnah. Quando o horário passa, somente a oração obrigatória deve ser realizada como reposição. Contudo, se alguma vez o Profeta (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) não pudesse realizar, antes da oração obrigatória do zuhr, as quatro rak’ahs da sunnah que a precedem, ele as realizava ainda dentro do horário, depois de realizar as duas rak’ahs da sunnah que sucedem a oração obrigatória.

A importância de realizar a oração em congregação

(۱۳۱) وَعَنْ أَبِي هُرَيْرَةَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ أَنَّ رَسُولَ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ قَالَ وَالَّذِي نَفْسِي بِيَدِهِ لَقَدْ هَمَمْتُ أَنْ آمُرَ بِحَطَبٍ فَيُحْطَبُ ثُمَّ آمُرَ بِالصَّلَاةِ فَيُؤَذَنَ لَهَا ثُمَّ آمُرَ رَجُلاً فَيَؤُمَّ النَّاسَ ثُمَّ أُخَالِفَ إِلَى رِجَالٍ لَا يَشْهَدُونَ الصَّلاةَ فَأُحَرِّقَ عَلَيْهِمْ بُيُوتَهُمْ (بخاري)

(131) “Abu Huraira (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: O Mensageiro (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) disse: Juro por Allah que desejo ordenar que se reúna lenha, e ela será reunida. Em seguida, ordenarei que se faça a oração; então será feita a chamada para ela. Depois, ordenarei a alguém que lidere as pessoas na oração. Então irei às casas daqueles que não compareceram à oração e atearei fogo nelas juntamente com seus ocupantes.” (Bukhari)

Explicação: Com base no hadith acima e no extremo cuidado demonstrado pelo Mensageiro (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) e pelos nobres Companheiros em relação à oração em congregação, alguns imames declararam que realizar a oração obrigatória em congregação é uma obrigação individual (fard al-ayn). O Imam Abu Hanifa (que Allah tenha misericórdia dele) considerou a congregação uma sunnah mu’akkadah. Contudo, segundo a maioria dos sábios hanafitas, realizar a oração obrigatória em congregação é wajib. O ilustre Mulla Jiyun Hanafi, autor do famoso livro Nur al-Anwar, escreveu em sua obra que a oração obrigatória só é realizada verdadeira e perfeitamente quando feita em congregação. Se alguém realizar a oração obrigatória sozinho, ela não será realizada de forma perfeita; ao contrário, será semelhante à oração compensatória (qada).

(۱۳۲) وَعَنِ ابْنَ عُمَرَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ أَنَّهُ أَذَّنَ بِالصَّلَاةِ فِي لَيْلَةٍ ذَاتِ بَرْدٍ وَرِيْحٍ ثُمَّ قَالَ أَلَا صَلُّوْا فِي الرِّحَالِ ثُمَّ قَالَ إِنَّ رَسُولَ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ كَانَ يَأْمُرُ الْمُؤَذِّنَ إِذَا كَانَتْ لَيْلَةٌ ذَاتُ بَرْدٍ وَمَطَرٍ يَقُولُ أَلَا صَلُّوْا
في الرِّحَالِ (بخاري – مسلم)

(132) “Foi narrado por Abdullah ibn Umar (que Allah esteja satisfeito com ele) que, numa noite de inverno com ventos fortes, ele fez a chamada para a oração. Em seguida, anunciou: Cada um deve realizar a oração em sua própria casa. Depois disse: Quando o Mensageiro (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) enfrentava uma noite fria e chuvosa, dizia ao muezzin que anunciasse: Ó vós todos, rezai cada um em seu próprio lugar.” (Bukhari, Muslim)

Explicação: Os países árabes não são regiões onde a chuva seja abundante; permanecem secos na maior parte do tempo. Por isso, não há ali instalações adequadas para o escoamento da água. Nessas circunstâncias, quando ocasionalmente sopravam ventos fortes e caía muita chuva durante o inverno, além de fazer um frio intenso, as estradas e vielas ficavam alagadas e impróprias para o trânsito. Por isso, nessas situações, o Profeta (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) dizia aos Companheiros que realizassem a oração, cada um, em sua própria casa. Atualmente, porém, as estradas dos países árabes são muito boas. Este hadith concede a permissão de não comparecer à oração em congregação quando há uma justificativa válida.

(۱۳۳)
وَعَنْ أَبِي هُرَيْرَةَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ قَالَ رَسُولَ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ إِذَا أُقِيمَتْ الصَّلَاةُ فَلَا صلَاةَ إِلَّا الْمَكْتُوبَةَ (مسلم)

(133) “Abu Huraira (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: O Mensageiro (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) disse: Quando a iqamah é feita para a oração, não há outra oração além da obrigatória.” (Muslim)

Explicação: À luz deste hadith, o Imame Xafii afirma que, depois de iniciada a oração obrigatória, ninguém deve fazer a intenção de realizar uma oração sunna; ao contrário, deve juntar-se à oração obrigatória. Esta é a opinião do Imame Xafii a respeito de todas as orações sunna, incluindo a sunna do fajr. Contudo, a opinião do Imame Abu Hanifa é que, se houver possibilidade de alcançar a oração em congregação, é melhor realizar a sunna do fajr bem afastado das fileiras. Se alguém começar a oração com a intenção de realizar a sunna do zuhr e, nesse momento, for feita a iqama, a opinião dos imames é que essa pessoa deve completar duas rak‘at, fazer o salam e juntar-se à oração obrigatória.

(١٣٤) وَعَنْ أَبِي هُرَيْرَةَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ أَنَّ رَجُلًا أَعْمَى قَالَ يَا رَسُولَ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ لَيْسَ لِي قَائِدٌ يَقُودُنِي إِلَى الْمَسْجِدِ فَسَأَلَ رَسُولَ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ أَنْ يُرَخّصَ لَهُ فَيُصَلِى فِي بَيْتِهِ فَرَخَّصَ لَهُ فَلَمَّا وَلَّى دَعَاهُ فَقَالَ هَلْ تَسْمَعُ النِّدَاءَ بِالصَّلَاةِ فَقَالَ نَعَمْ قَالَ فَأَجِبْ (مسلم – نسائي)

(134) “Foi narrado por Abu Huraira (que Allah esteja satisfeito com ele): um companheiro cego disse ao Profeta (que Allah o abençoe e lhe conceda paz): ‘Ó Profeta, não tenho ninguém que me guie e me conduza pela mão até à mesquita.’ Ele pediu ao Profeta (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) permissão para rezar em casa, sem participar da oração em congregação na mesquita. O Profeta (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) concedeu-lhe a permissão. Quando ele estava a regressar, o Profeta (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) chamou-o novamente e perguntou: ‘Consegues ouvir o chamado para a oração enquanto estás em casa?’ Ele respondeu: ‘Sim.’ Então o Profeta disse: ‘Nesse caso, deves comparecer à mesquita.’” (Muslim, Nasa’i)

Explicação: O hadith acima também é uma prova irrefutável da indispensabilidade da oração em congregação. Com efeito, o Profeta (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) não permitiu sequer que um companheiro cego, que vivia perto da mesquita, deixasse de participar da congregação.

(١٣٥) وَعَنْ عَائِشَةَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهَا قَالَتْ سَمِعْتُ رَسُولَ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ يَقُولُ لَا صَلَاةَ بِحَضْرَةِ الطَّعَامِ وَلَا هُوَ يُدَافِعُهُ الْأَخْبَتَانِ (مسلم)

(135) “Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela) disse: ouvi o Mensageiro (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) dizer: ‘Assim como não se deve rezar com a comida diante de si, também não se deve rezar sentindo necessidade de defecar ou urinar.’” (Muslim)

Explicação: Se, no horário da oração, a comida for servida, a pessoa deve primeiro comer e depois rezar. Do mesmo modo, quando sentir necessidade de defecar ou urinar, deve primeiro satisfazer essa necessidade e depois realizar a oração. Isso porque, assim como a presença da comida e a fome no estômago impedem a concentração na oração, a necessidade de defecar ou urinar também dificulta a atenção durante a oração. Portanto, mesmo que haja receio de perder a oração em congregação, deve primeiro cuidar dessas duas necessidades e depois rezar.

(١٣٦) وَعَنْ أُمِّ الدَّرْدَاءِ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَتْ دَخَلَ عَلَيَّ أَبُو الدَّرْدَاءِ وَهُوَ مُغْضَبٌ فَقُلْتُ مَا أَغْضَبَكَ قَالَ وَاللَّهِ مَا أَعْرِفُ مِنْ أَمْرِ أُمَّةٍ مُحَمَّدٍ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ شَيْئًا إِلَّا أَنَّهُمْ يُصَلُّوْنَ جَمِيعًا (بخاري)

(136) “Umm Darda (que Allah esteja satisfeito com ela) disse: certo dia, (meu marido) Abu Darda veio até mim muito zangado. Perguntei-lhe: qual é a razão dessa sua raiva? Ele respondeu: Juro por Allah, eu conheço a característica da comunidade de Muhammad: eles realizam juntos a oração em congregação. (No entanto, hoje estou vendo algumas exceções a isso).” (Bukhari)

(۱۳۷)
وَعَنْ أَبِي مُوسَى الْأَشْعَرِي رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ قَالَ رَسُوْلُ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ إِثْنَانِ فَمَا فَوْقَهُمَا جَمَاعَةٌ (ابن ماجة)

(137) “Hazrat Abu Musa al-Ashari (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: o Mensageiro (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) disse: quando há duas pessoas, ou mais, há uma congregação.” (Ibn Majah)

Explicação: A congregação se constitui, no mínimo, com duas pessoas junto ao imã. Alguns outros disseram que ela se constitui com apenas uma pessoa junto ao imã. O hadith narrado por Hazrat Abu Sa’id, apresentado abaixo, é uma prova disso.

(۱۳۸)
وَعَنْ أَبِي سَعِيدِ الْخُدْرِيِّ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ أَنَّ رَجُلاً دَخَلَ الْمَسْجِدَ وَقَدْ صَلَّى رَسُولُ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ بِأَصْحَابِهِ فَقَالَ رَسُولُ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ مَنْ يَتَصَدَّقَ عَلَى فَيُصْلِى مَعَهُ فَقَامَ رَجُلٌ مِّنَ الْقَوْمِ فَصَلَّى مَعَهُ (أحمد – أبو داود – ترمذي)

(138) “Hazrat Abu Sa’id al-Khudri (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: um homem entrou na mesquita quando o Mensageiro (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) já havia terminado de realizar a oração com seus companheiros. O Mensageiro (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) disse: há alguém que faça uma caridade a este homem, isto é, que reze novamente com ele, tornando-se seu seguidor? Ao ouvir isso, um homem se levantou e rezou com ele.” (Ahmad, Abu Dawud, Tirmidhi)

(۱۳۹) وَعَنِ النُّعْمَانِ بْنِ بَشِيرٍ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ كَانَ رَسُولُ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ يُسَوَّى صُفُوفَنَا حَتَّى كَأَنَّمَا يُسَوِّى بِهَا الْقِدَاحَ حَتَّى رَأَى أَنَّ قَدْ عَقَلْنَا عَنْهُ ثُمَّ خَرَجَ يَوْمًا فَقَامَ حَتَّى كَادَ يُكَبِّرَ فَرَأَى رَجُلاً بَادِيًا صَدْرَهُ مِنَ الصَّفْ فَقَالَ عِبَادَ اللَّهِ لَتُسَوَّنَّ صُفُوفَكُمْ أَوْ لَيُخَالِفَنَّ اللَّهُ بَيْنَ وُجُوهِكُمْ (مسلم)

(139) “Foi narrado por Hazrat Nu’man ibn Bashir (que Allah esteja satisfeito com ele): ele disse que o Mensageiro (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) endireitava nossas fileiras na oração como se estivesse alinhando flechas com a fileira. Ele continuava fazendo isso até perceber que havíamos compreendido a questão. Certo dia, ele saiu de sua casa e, estando de pé para a oração, preparava-se para pronunciar o takbir de consagração quando viu que o peito de um homem se projetava à frente da fileira. O Mensageiro (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) disse: Ó servos de Allah, endireitem suas fileiras; caso contrário, Allah criará divergência entre seus rostos.” (Muslim)

(١٤٠) وَعَنْ أَنَسٍ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ قَالَ رَسُولُ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ سَرُّوا صُفُوفَكُمْ فَإِنَّ تَصْفِيَةَ الصُّفُوفِ مِنْ إِقَامَةِ الصَّلاةِ (بخاري – مسلم)

(140) «Hazrat Anas (r.a.) disse: O Mensageiro (s.a.w.) disse: “Alinhai as fileiras da oração, pois alinhar as fileiras da oração equivale a estabelecer a oração.”» (Bukhari, Muslim)

Explicação: É desejo da Shariah que todas as atividades coletivas dos muçulmanos sejam realizadas de maneira organizada. Desde o alinhamento das fileiras da oração até todas as demais cerimônias, tudo nos ensina isso. O Huzur (s.a.w.) declarou que endireitar as fileiras equivale a estabelecer a oração.

(١٤١) وَعَنْ عَبْدِ اللَّهِ بْنِ مَسْعُودٍ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ قَالَ رَسُولُ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ لِيَلَنِي مِنْكُمْ أُولُوْ الأَحْلامِ وَالنُّهَى ثُمَّ الَّذِيْنَ يَلُونَهُمْ ثَلَاثًا وَإِيَّاكُمْ وَهَبْشَاتِ الْأَسْوَاقِ (مسلم)

(141) «Hazrat Abdullah bin Masud (r.a.) disse: O Mensageiro (s.a.w.) disse: “Que aqueles dentre vós que são firmes e instruídos fiquem de pé mais próximos de mim durante a oração; depois, os demais.” O Huzur (s.a.w.) repetiu isso três vezes e, em seguida, disse: “Cuidado! Não façais barulho na mesquita como num mercado.”» (Muslim)

Explicação: Os eruditos e as pessoas qualificadas devem ficar próximos do imam; é isso que foi mencionado no hadith.

Quem tem o direito de ser imam

(١٤٢) وَعَنْ أَبِي سَعِيدٍ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ قَالَ رَسُولُ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ إِذَا كَانُوا ثَلَاثَةٌ فَلْيُؤَمَّهُمْ أَحَدُهُمْ وَأَحَقُّهُمْ بِالْإِمَامَةِ أَقْرَأُهُمْ
أحمد – مسلم – نسائي – نيل الأوطار)

(১৪২) «Hazrat Abu Sa’id al-Khudri (que Allah esteja satisfeito com ele) relata: O Mensageiro (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) disse: Quando houver três pessoas, uma delas deverá liderá-las na oração. E aquele que tiver mais direito de liderar a oração será quem melhor recitar o Alcorão.» (Ahmad, Muslim, Nasa’i, Naylul Awtar)

(١٤٣) وَعَنْ أَبِي مَسْعُوْدٍ الْأَنْصَارِيِّ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ قَالَ رَسُولُ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ يَؤُمُ الْقَوْمَ أَقْرَؤُهُمْ لِكِتَابِ اللَّهِ فَإِنْ كَانُوا فِي الْقِرَاءَةِ سَوَاءً فَأَعْلَمُهُمْ بِالسُّنَّةِ فَإِنْ كَانُوا فِي السُّنَّةِ سَوَاءٌ فَأَقْدَمُهُمْ هجْرَةً فَإِنْ كَانُوا فِي الْهِجْرَةِ سَوَاءً فَأَقْدَمُهُمْ سِنَّا وَلَا يَؤْمَنَّ الرَّجُلُ الرَّجُلَ فِي سُلْطَانِهِ وَلَا يَقْعُدْ فِي بَيْتِهِ عَلَى تَكْرِمَتِهِ إِلَّا بِإِذْنِهِ (مسلم)

(১৪৩) «Hazrat Abu Mas’ud (que Allah esteja satisfeito com ele) relata: O Mensageiro (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) disse: Deve liderar as pessoas na oração aquele que melhor recitar o Alcorão; sim, se todos forem iguais na recitação do Alcorão, então aquele que conhecer melhor a Sunnah (o conhecimento dos hadiths). Se todos forem iguais no conhecimento da Sunnah, então aquele que tiver emigrado primeiro. Se todos forem iguais quanto ao mérito da Hégira, então aquele que for mais velho. Ninguém deve liderar a oração em um lugar que pertença ao direito ou à autoridade de outra pessoa, nem deve sentar-se no lugar de honra de outra pessoa em sua casa sem a permissão dela.»

(١٤٤) وَعَنِ ابْنِ عَبَّاسٍ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ قَالَ رَسُولُ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ لِيُؤَذِّنُ لَكُمْ خِيَارُكُمْ وَلِيُؤَمِّكُمْ قُرَّاكُمْ (أبو داود)

(১৪৪) «Foi narrado por Hazrat Ibn Abbas (que Allah esteja satisfeito com ele): O Mensageiro (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) disse: Que os melhores dentre vós façam o vosso adhan, e que os vossos recitadores liderem a vossa oração.» (Abu Dawud)

(١٤٥) وَعَنِ ابْنِ عَبَّاسٍ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ قَالَ رَسُولُ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ اجْعَلُوا أَئِمَّنَّكُمْ خِيَارَكُمْ فَإِنَّهُمْ وَقْدُكُمْ فِيْمَا بَيْنَكُمْ وَبَيْنَ رَبِّكُمْ (دار قطني)

(১৪৫) «Hazrat Ibn Abbas (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: O Mensageiro (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) disse: Escolhei como vosso imam os melhores dentre vós. Eles são o elo entre vós e o vosso Senhor.» (Darqutni)

(١٤٦) وَعَنْ جَابِرٍ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ عَنِ النَّبِيِّ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ قَالَ لَا تَؤُمَنَّ اِمْرَأَةً رَجُلًا وَلَا أَعْرَابِي مُهَاجِرًا وَلَا يَؤْمَنَّ فَاجِرٌ مُّؤْمِنًا إِلَّا أَنْ يَقْهَرَهُ بِسُلْطَانٍ يَخَافُ سَيْفَهُ أَوْ سَوْطَهُ (ابن ماجة)

(146) “Hazrat Jābir (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: Nenhuma mulher deve liderar homens na oração; nenhum árabe (beduíno) deve liderar um muhājir; e nenhum indivíduo fāsiq deve ser o imã de um crente. Porém, se alguém for compelido mediante ameaça de armas e chicote, então deverá obedecê-lo por obrigação.” (Ibn Mājah)

Explicação: Todos concordam que não é permitido às mulheres liderar a oração. Além disso, como a maioria dos árabes, isto é, dos beduínos, que viviam nos arredores de Medina era ignorante e havia ingressado no Islã recentemente, uma pessoa ignorante quanto ao conhecimento da Sharīʿah desse tipo não pode liderar os muhājirūn, que eram crentes testados e estudiosos, como imã. É isso que foi mencionado neste hadith. Um crente não pode aceitar a liderança de um fāsiq na oração, a menos que seja obrigado; este é o significado do hadith.

(١٤٧) وَعَنْ أَبِي هُرَيْرَةَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ قَالَ رَسُولُ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ الْجِهَادُ وَاجِبٌ عَلَيْكُمْ مَعَ كُلِّ أَمِيْرٍ بَرًّا كَانَ أَوْ فَاجِرًا وَإِنْ عَمِلَ الْكَبَائِرَ وَالصَّلَاةُ وَاحِبَةٌ عَلَيْكُمْ خَلْفَ كُلِّ مُسْلِمٍ بَرًّا كَانَ أَوْ فَاجِرًا وَإِنْ عَمِلَ الْكَبَائِرَ (أبو داود – ونيل الأوطار)

(147) “Hazrat Abū Hurayrah (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: É obrigatório que vocês participem do jihād sob o comando do amīr, seja ele bom ou mau, mesmo que cometa um pecado grave. Do mesmo modo, é obrigatório que vocês rezem atrás de todo muçulmano, mesmo que ele cometa um pecado grave.” (Abū Dāwūd, Nayl al-Awṭār)

Explicação: Imã significa líder dos muçulmanos. O líder deve sempre ser escolhido entre as melhores pessoas. Na época do Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) e dos Companheiros, não se fazia distinção entre a liderança do Estado e a liderança da oração. Portanto, na época dos Companheiros, as melhores pessoas entre os muçulmanos exerciam ambas as lideranças. Porém, se o infortúnio dos muçulmanos chegar ao ponto de uma pessoa fāsiq tornar-se o governante do Estado, ainda assim os muçulmanos não podem deixar de participar do jihād. Pelo contrário, visando ao bem geral da Ummah muçulmana, devem participar do jihād sob o comando desse fāsiq; a mesma determinação se aplica à oração. Não se pode deixar de participar da congregação porque um fāsiq está liderando a oração. Contudo, é responsabilidade coletiva da sociedade muçulmana nomear o melhor imã para a oração e também escolher, dentre si, a melhor pessoa para governar o Estado, pessoas que temam Allah e cumpram suas responsabilidades de acordo com a vontade de Allah.

(١٤٨) وَعَنِ ابْنِ عَبَّاسٍ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ عَنْ رَسُولِ اللَّهِ صَلَّى اللَّهِ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ قَالَ ثَلَاثَةٌ لَا تُرْفَعُ صَلَاتُهُمْ فَوْقَ رؤُوسِهِمْ شِبْرًا رَجُلٌ أَمَّ قَوْمًا وَهُمْ لَهُ كَارِهُونَ وَامْرَأَةٌ بَاتَتْ وَزَوْجُهَا عَلَيْهَا سَاخِطٌ وَأَخَوَانِ مُتَصَارِمَانِ
(ابن ماجة)

(148) “Foi narrado por Hazrat Ibn ʿAbbās (que Allah esteja satisfeito com ele) que ele disse: O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: Há três pessoas cuja oração não é elevada sequer um palmo acima de suas cabeças: (1) aquele que lidera a oração, embora as pessoas não gostem dele; (2) a mulher que passa a noite enquanto seu marido está descontente com ela; (3) dois irmãos consanguíneos que se separaram um do outro (após brigarem).” (Ibn Mājah)

Responsabilidades e deveres do imã

(١٤٩) وَعَنْ أَبِي هُرَيْرَةَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ قَالَ رَسُولُ اللَّهِ صَلَّى اللَّهِ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ إِذَا صَلَّى أَحَدُكُمْ لِلنَّاسِ

فَلْيُخَفِّفْ فَإِنَّ مِنْهُمُ السَّقِيمُ وَالضَّعِيفُ وَالْكَبِيرُ وَإِذَا صَلَّى أَحَدُكُمْ لِنَفْسِهِ فَلْيُطَوِّلْ مَا شَاءَ (بخاري – مسلم)

(149) “Abu Huraira (que Allah esteja satisfeito com ele) relatou que o Mensageiro (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) disse: Quando algum de vós conduzir a oração para as pessoas, que a faça breve, pois entre elas talvez haja doentes, fracos e idosos. Porém, quando rezar sozinho, que prolongue a oração como desejar.” (Bukhari e Muslim)

(١٥٠) وَعَنْ أَنَسٍ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ مَا صَلَّيْتُ وَرَاءَ إِمَامٍ قَطُّ أَخَفَّ صَلَاةً وَلَا أَتَمَّ صَلَاةٌ مِنْ النَّبِيِّ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ وَإِنْ كَانَ لَيَسْمَعُ بُكَاءَ الصَّبِيِّ فَيُخَفِّفُ مَخَافَةً أَنْ تُفْتَنَ أُمُّهُ (بخاري – مسلم)

(150) “Foi narrado por Anas (que Allah esteja satisfeito com ele): ele disse: Nunca rezei atrás de ninguém, exceto do nobre Profeta (que Allah o abençoe e lhe conceda paz), uma oração tão breve e, contudo, tão completa. Quando ele ouvia o choro de uma criança durante a oração, abreviava-a levando em consideração a preocupação de sua mãe.” (Bukhari e Muslim)

Explicação: Quando alguém conduzir a oração, deve evitar prolongá-la, pois entre os muqtadis também há pessoas fracas, doentes e idosas. Especialmente quando a congregação é grande, não se deve prolongar a oração, levando em consideração as diversas dificuldades das pessoas comuns.

Responsabilidades e deveres do muqtadi

(١٥١) وَعَنْ أَنَسٍ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ صَلَّى بِنَا رَسُولُ اللَّهِ صَلَّى اللهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ ذَاتَ يَوْمٍ فَلَمَّا قَضَى صَلَاتَهُ أَقْبَلَ عَلَيْنَا بِوَجْهِهِ فَقَالَ أَيُّهَا النَّاسُ إِنِّي إِمَامُكُمْ فَلَا تَسْبِقُونِي بِالرُّكُوعِ وَالسُّجُودِ وَلَا بِالْقِيَامِ وَلَا بِالْإِنْصِرَافِ فَإِنِّي أَرَاكُمْ أَمَامِي وَمِنْ خَلْفِي (مسلم)

(151) «Hazrate Anas (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: Um dia, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) conduziu nossa oração. Depois de terminar a oração, sentou-se voltado para nós e disse: Ó gente, eu sou vosso imame; portanto, não façais o rukū, o sujūd, o qiyām e o salām antes de mim. Eu, porém, vejo-vos tanto pela frente como por trás.» (Muslim)

Explicação: É obrigatório para o muqtadi seguir o imame em todos os atos. Se o muqtadi concluir qualquer um dos atos da oração antes do imame, a oração daquele muqtadi será invalidada. Portanto, deve-se ter muito cuidado ao realizar o rukū, o sujūd, o qiyām e o salām, para que não sejam realizados antes do imame. O fato de o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) ver os que o seguiam de ambas as direções era um de seus milagres.

(١٥٢) وَعَنْ أَبِي هُرَيْرَةَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ قَالَ رَسُولُ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ لَا تُبَادِرُوا الْإِمَامَ إِذَا كَبَّرَ

فَكَبِّرُوا وَإِذَا قَالَ وَلَا الضَّالِّينَ . فَقُولُوا آمِينَ. وَإِذَا رَكَعَ فَارْكَعُوْا وَإِذَا قَالَ سَمِعَ اللَّهُ لِمَنْ حَمِدَهُ. فَقُولُوا اللَّهُمَّ رَبَّنَا لَكَ الْحَمْدُ (بخاري – مسلم)

(152) «Hazrate Abu Huraira (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: Não vos adianteis ao imame. Quando o imame disser o takbīr, dizei também o takbīr (sem elevar a voz); quando o imame disser “walad-dāllīn”, dizei “āmīn”; quando o imame fizer o rukū, fazei também o rukū imediatamente com ele; e quando o imame disser “sami‘a Allāhu liman hamidah”, dizei: “Allāhumma rabbanā laka al-hamd”.» (Bukhari, Muslim)

(١٥٣) وَعَنْ عَلِيٌّ وَمُعَاذِ بْنِ جَبَلٍ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُمَا قَالَ قَالَ رَسُولُ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ إِذَا أَتَى أَحَدُكُمْ الصَّلَاةَ وَالْإِمَامَ عَلَى حَالٍ فَلْيَصْنَعْ كَمَا يَصْنَعُ الْإِمَامُ
(ترمذي)

(153) «Hazrate Ali e Mu‘adh ibn Jabal (que Allah esteja satisfeito com eles) disseram: O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: Quando qualquer um de vós vier à oração, deve fazer aquilo que vir o imame fazendo, no estado em que o encontrar.» (Tirmidhi)

(١٥٤) وَعَنْ أَبِي هُرَيْرَةَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ قَالَ رَسُولُ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ إِذَا جِئْتُمْ إِلَى الصَّلَاةِ وَنَحْنُ

سُجُودٌ فَاسْجُدُوا وَلَا تَعُدُّوهَا شَيْئًا وَمَنْ أَدْرَكَ رَكْعَةً
فَقَدْ أَدْرَكَ الصَّلاةَ (أبو داود )

(154) «Foi narrado por Hazrat Abu Huraira (que Allah esteja satisfeito com ele) que ele disse: o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: “Quando vierdes para a oração e nos encontrardes em prostração, prostrai-vos também; porém, não a conteis como uma rak‘ah. Contudo, quem tiver alcançado uma rak‘ah completa terá alcançado a oração completa.”» (Abu Dawud)

Explicação: Os dois hadiths acima tratam daquele que chega atrasado à oração. O primeiro hadith afirma que quem chegar depois do início da oração deve juntar-se a ela na posição em que encontrar o imã; contudo, se não conseguir juntar-se a ele no rukū‘, essa rak‘ah não será considerada. O segundo hadith afirma que aquele que alcançar pelo menos uma rak‘ah com o imã receberá a recompensa de realizar a oração completa em congregação.

(١٥٥) وَعَنْ يَزِيدَ بْنِ عَامِرٍ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ جِئْتُ وَ رَسُولَ اللَّهِ صَلَّى اللهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ وَهُوَ فِي الصَّلَاةِ فَجَلَسْتُ وَلَمْ أَدْخُلْ مَعَهُ فِي الصَّلَاةِ فَلَمَّا انْصَرَفَ عَلَيْنَا رَسُولُ اللهِ صَلَّى اللهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ رَأَنِي جَالِسًا فَقَالَ أَلَمْ تُسْلِمْ يَا يَزِيدُ قُلْتُ بَلَى يَا رَسُولَ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ قَدْ أَسْلَمْتُ قَالَ مَا مَنَعَكَ أَنْ تَدْخُلَ مَعَ النَّاسِ فِي صَلَاتِهِمْ قَالَ إِنِّي كُنْتُ قَدْ صَلَّيْتُ فِي مَنْزِلِي وَأَنَا

أَحْسَبُ أَنْ قَدْ صَلَّيْتُمْ فَقَالَ إِذَا جِئْتَ إِلَى الصَّلَاةِ فَوَجَدْتَ النَّاسِ يُصَلُّوْنَ فَصَلِّ مَعَهُمْ وَإِنْ كُنْتَ قَدْ صَلَّيْتَ تَكُنْ لَكَ نَافِلَةٌ وَهَذِهِ مَكْتُوبَةٌ (أبو داود)

(155) «Hazrat Yazid ibn Amir (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: certo dia, quando o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) estava em oração, fui à sua presença. Sentei-me sem me juntar à oração. Depois de terminar a oração, o Mensageiro voltou-se, viu-me e disse: “Yazid, acaso não aceitaste o Islã?” Respondi: “Ó Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), certamente tornei-me muçulmano.” O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: “Então, por que não te juntaste à oração com as pessoas?” Eu disse: “Ó Mensageiro de Allah, eu já havia rezado em minha casa. Pensei que vós já tivésseis terminado.” Então o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: “Quando estiveres em algum lugar e vires pessoas realizando a oração, realiza-a também com elas. Essa tua oração será nafl, e a oração anterior será fard.”» (Abu Dawud)

Explicação: O hadith pode ser interpretado de duas maneiras: a oração anterior será fard porque foi realizada com a intenção de cumprir o fard, e a segunda oração será nafl. Segundo o imã Abu Hanifa (que Allah tenha misericórdia dele), esta é a interpretação correta. Já a opinião dos imãs Malik, Shafi‘i e Ahmad ibn Hanbal é que realizar a oração fard em congregação também é fard. Portanto, segundo eles, a segunda interpretação é a correta: a primeira oração será nafl por ter sido realizada sozinho, enquanto a segunda será fard por ter sido realizada em congregação. Segundo o imã Abu Hanifa, somente as orações fard de Zuhr e ‘Isha podem ser realizadas duas vezes; as orações dos demais horários não podem ser realizadas duas vezes. Entretanto, segundo os outros imãs, todas as orações fard podem ser realizadas uma segunda vez.

(١٥٦) وَعَنْ نَافِعٍ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ عَبْدُ اللَّهِ بْنُ عُمَرَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُمَا كَانَ يَقُولُ مَنْ صَلَّى الْمَغْرِبَ أَوِ الصُّبْحَ ثُمَّ أَدْرَكَهُمَا مَعَ الْإِمَامِ فَلَا يَعُدْ لَهُمَا (مالك)

(156) “Hazrat Nafi‘ (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: Hazrat Abdullah ibn Umar (que Allah esteja satisfeito com ele) costumava dizer: ‘Quem tiver realizado a oração do Maghrib ou do Fajr e depois a alcançar junto com o imame, não deve repeti-la.’” (Malik)

Explicação: Como a oração da segunda vez será uma oração nafl, e uma oração nafl não consiste em três rak‘at, não se pode realizar novamente a oração fard do Maghrib junto com o imame. Além disso, depois do Fajr não há nenhuma oração nafl até o nascer do sol. Portanto, a oração fard do Fajr também não pode ser repetida. A regra relativa à oração do ‘Asr é a mesma que a do Fajr.

As orações sunnah antes e depois das orações fard

(١٥٧) وَعَنْ أَمْ حَبِيبَةَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهَا قَالَتْ قَالَ رَسُولُ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ مَنْ صَلَّى فِي يَوْمٍ وَلَيْلَةٍ ثِنْتَيْ عَشْرَةَ رَكْعَةٌ بُنِيَ لَهُ بَيْتٌ فِي الْجَنَّةِ أَرْبَعًا قَبْلَ الظُّهْرِ وَرَكْعَتَيْنِ بَعْدَهَا وَرَكْعَتَيْنِ بَعْدَ الْمَغْرِبِ وَرَكْعَتَيْنِ بَعْدَ الْعِشَاءِ وَرَكْعَتَيْنِ قَبْلَ صَلَاةِ الْفَجْرِ (ترمذي)

(157) “Hazrat Umm Habiba (que Allah esteja satisfeito com ela) disse: O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: ‘Para quem realizar doze rak‘at de oração durante o dia e a noite, será construída uma casa no Paraíso: quatro rak‘at antes da oração fard do Zuhr e duas depois; duas depois da oração fard do Maghrib; duas depois da oração fard do ‘Isha; e duas antes da oração fard do Fajr.’” (Tirmidhi)

Explicação: As orações que o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) realizava antes e depois das orações fard e que nos ordenou realizar são as orações sunnah. As sunnah são de dois tipos: (1) aquela que o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) realizava regularmente e cuja realização também nos recomendava; ela é chamada de “sunnat mu’akkadah”; (2) a oração que o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) não realizava regularmente e cuja realização também não nos recomendava; ela é chamada de sunnat ghayr mu’akkadah. As orações mencionadas no hadith citado, antes e depois das orações fard, são a “sunnat mu’akkadah”.

(١٥٨) وَعَنْ عَبْدِ اللَّهِ بْنِ عُمَرَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُمَا قَالَ صَلَّيْتُ مَعَ رَسُوْلِ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ رَكْعَتَيْنِ قَبْلَ الظُّهْرِ وَرَكْعَتَيْنِ بَعْدَهَا وَرَكْعَتَيْنِ بَعْدَ الْمَغْرِبِ وَرَكْعَتَيْنِ بَعْدَ الْعِشَاءِ فِي بَيْتِهِ قَالَ وَ حَدَّثَنِي حَفْصَةُ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهَا أَنَّ رَسُولَ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ كَانَ يُصَلِّي رَكْعَتَيْنِ خَفِيفَتَيْنِ حِيْنَ يَطْلُعُ الْفَجْرُ
(بخاري – مسلم)

(158) “Hazrat Abdullah ibn Umar (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: Rezei com o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) duas rak‘at antes da oração fard do Zuhr e duas depois. Também rezei duas rak‘at depois da oração fard do Maghrib e duas depois da oração fard do ‘Isha, na casa do Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Abdullah ibn Umar também disse que Hazrat Hafsa (que Allah esteja satisfeito com ela) lhe contou que o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) costumava realizar duas rak‘at breves depois do aparecimento do subh sadiq.” (Bukhari, Muslim)

Explicação: De acordo com este hadith, o Imam Shafi’i afirmou que se devem fazer duas rak’ahs de oração sunnah antes da oração farz do Zuhr, enquanto, de acordo com o hadith anterior, o Imam Abu Hanifa afirmou que se devem fazer quatro rak’ahs. Na realidade, o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) fazia às vezes duas rak’ahs e, em outras ocasiões, quatro rak’ahs.

A narradora deste hadith, Hazrat Hafsa bint Umar, era irmã de Hazrat Abdullah ibn Umar. Assim, certo dia, acompanhando o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), ela entrou na casa da irmã depois das orações farz de Isha e Maghrib e fez duas rak’ahs de oração sunnah em cada ocasião. É isso que é mencionado no hadith.

(١٥٩) وَعَنْ عَائِشَةَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهَا قَالَتْ قَالَ رَسُولُ اللهِ صَلَّى اللهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ رَكْعَتَا الْفَجْرِ خَيْرٌ مِّنَ الدُّنْيَا وَمَا فِيهَا (أحمد – مسلم – ترمذي)

(159) “Foi narrado por Hazrat Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela) que o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: ‘As duas rak’ahs de oração sunnah do Fajr são mais valiosas do que o mundo e tudo o que nele existe.’” (Ahmad, Muslim, Tirmidhi)

Explicação: A opinião dos imams é que, entre as orações sunnah, as duas rak’ahs do Fajr ocupam o primeiro lugar em dignidade. Depois vêm a sunnah do Maghrib; em seguida, as duas rak’ahs finais do Zuhr; e depois, a sunnah do Isha. As demais orações sunnah vêm depois dessas.” (Ashi’atul-Lama’at)

(١٦٠) وَعَنْ عَائِشَةَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهَا قَالَتْ لَمْ يَكُنْ رَسُولُ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ عَلَى شَيْءٍ مِنَ النَّوَافِلِ أَشَدُّ مُعَاهَدَةٌ مِّنَ الرَّكْعَتَيْنِ قَبْلَ الصُّبْحِ
بخاري – مسلم – أحمد – أبو داود)

(160) “Foi narrado por Hazrat Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela) que ela disse: ‘Entre as orações nafl, o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) realizava regularmente as duas rak’ahs antes do Fajr com extrema assiduidade.’” (Bukhari, Muslim, Ahmad, Abu Dawud)

(١٦١) وَعَنْ أَبِي هُرَيْرَةَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ أَنَّ النَّبِيَّ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ قَالَ مَنْ لَمْ يُصَلِّ رَكْعَتَيْ الْفَجْرِ فَلْيُصْلِهُمَا بَعْدَ أَنْ تَطْلِعَ الشَّمْسُ (ترمذی)

(161) “Foi narrado por Hazrat Abu Huraira (que Allah esteja satisfeito com ele) que o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: ‘Quem não tiver realizado as duas rak‘ahs da sunnah do fajr deverá realizá-las depois do nascer do sol.’” (Tirmidhi)

Explicação: Segundo o Imam Abu Hanifa, se alguém não tiver realizado a sunnah antes da oração fard do fajr, deverá realizá-la depois do nascer do sol. Contudo, no hadith também é mencionado que, nessa situação, ela pode ser realizada antes do nascer do sol.

(١٦٢) وَعَنْ عَائِشَةَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهَا أَنَّ النَّبِيَّ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ إِذَا لَمْ يُصَلِّ أَرْبَعًا قَبْلَ الظُّهْرِ صَلَاهُنَّ

بَعْدَهَا (ترمذي) وَرَوَى ابْنُ مَاجَةَ عَنْهَا كَانَ رَسُولُ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ إِذَا فَاتَتْهُ الْأَرْبَعُ قَبْلَ الظُّهْرِ صَلَاهُنَّ بَعْدَ الرَّكْعَتَيْنِ بَعْدَ الظُّهْرِ (ابن ماجة)

(162) “Hazrat Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela) disse: ‘Se o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) não conseguisse realizar antes as quatro rak‘ahs da sunnah do zuhr, ele as realizava depois.’” (Tirmidhi)

Ibn Majah narrou, com base em Hazrat Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela), que, se o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) alguma vez não conseguisse realizar antes as quatro rak‘ahs da sunnah do zuhr, ele as realizava depois de rezar as duas rak‘ahs finais do zuhr.” (Ibn Majah) Explicação: Se alguém, por alguma razão, não puder realizar antes da oração fard as quatro rak‘ahs da sunnah do zuhr, deverá realizá-las, dentro do horário, depois de realizar as duas rak‘ahs da sunnah após a oração fard.

A oração do witr

(١٦٣) وَعَنِ ابْنِ عُمَرَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهَمَا قَالَ قَالَ رَسُولُ اللهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ صَلَاةُ اللَّيْلِ مَثْنَى مَثْنَى فَإِذَا خَشِيَ أَحَدُكُمُ الصُّبْحَ صَلَّى رَكْعَةٌ وَاحِدَةً تُوتِرُ لَهُ مَا قَدْ صَلَّى (بخاري – مسلم)

(163) «Foi narrado por Hazrat Abdullah ibn Umar (que Allah esteja satisfeito com ele) que ele disse: O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: A oração noturna é feita de duas em duas unidades. (Duas unidades de cada vez.) Depois, quando algum de vós temer o surgimento da alvorada, deverá rezar uma unidade. Assim, a oração que realizou anteriormente tornar-se-á witr (ímpar).» (Bukhari, Muslim)

(١٦٤) وَعَنِ عَبْدُ اللَّهِ ابْنِ عُمَرَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهَمَا عَنِ النَّبِيِّ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ قَالَ اجْعَلُوْا آخِرَ صَلَاتِكُمْ باللَّيْلِ وِتْرًا (مسلم)

(164) «Foi narrado por Abdullah ibn Umar, com base no relato do Nobre Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), que ele disse: Fazei da vossa última oração da noite a oração witr.» (Muslim)

(١٦٥) وَعَنْ عَلِيِّ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ أَنَّهُ قَالَ إِنَّ الْوَتْرَ لَيْسَ بِحَثْمِ كَصَلَاتِكُمِ الْمَكْتُوبَةِ وَلَكِنَّ رَسُولَ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ أَوْثَرَ ثُمَّ قَالَ يَا أَهْلَ الْقُرْآنِ أَوْتِرُوا فَإِنَّ اللَّهَ وِتْرٌ يُحِبُّ الْوِتْرَ (أحمد)

(165) «Foi narrado por Hazrat Ali (que Allah esteja satisfeito com ele) que ele disse: A oração witr não é obrigatória como a oração farḍ. Contudo, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) sempre rezou a oração witr. Em seguida, disse: Ó vós que carregais o Alcorão, rezai a oração witr, pois Allah é Ímpar e ama o witr (a oração ímpar).» (Ahmad)

Explicação: Após analisar os hadiths relativos à oração witr, o Imam Abu Hanifa (que Allah tenha misericórdia dele) chegou à conclusão de que o witr é wajib, isto é, situa-se entre o farḍ e a sunnah mu’akkadah. Por outro lado, todos os demais imams consideram o witr uma sunnah. No livro intitulado Fiqh as-Sunnah, o witr é chamado de sunnah mu’akkadah. O hadith narrado por Hazrat Ali (que Allah esteja satisfeito com ele) também comprova que o witr é sunnah mu’akkadah. Há igualmente divergência entre os imams quanto ao número de unidades da oração witr. Segundo o Imam Abu Hanifa, o witr consiste em três unidades, enquanto, segundo o Imam Shafi’i e outros, consiste em uma unidade. O fato é que o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) rezava o tahajjud de duas em duas unidades e, ao final, às vezes rezava três unidades de witr e, outras vezes, uma unidade. Portanto, quer se rezem três unidades, quer se reze uma unidade, ambas as formas estão de acordo com os hadiths.

(١٦٦) وَعَنْ أَبِي أَيُّوبَ الْأَنْصَارِيِّ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ قَالَ رَسُولُ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ الْوِتْرُ حَقٌّ عَلَى كُلِّ مُسْلِمٍ فَمَنْ أَحَبَّ أَنْ يُوتِرَ بِخَمْسٍ فَلْيَفْعَلْ وَمَنْ أَحَبَّ أَنْ يُوتِرَ بِثَلاثِ فَلْيَفْعَلْ وَمَنْ أَحَبَّ أَنْ يُوتِرَ بِوَاحِدَةٍ فَلْيَفْعَلْ (أبو داود – نسائي – ابن ماجة)

(166) «Foi narrado por Hazrat Abu Ayyub Ansari (que Allah esteja satisfeito com ele) que ele disse: O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: Rezar o witr é dever de todo muçulmano. Portanto, quem preferir rezar cinco unidades de witr que o faça; quem quiser rezar três unidades que as reze; e quem preferir rezar uma unidade que reze apenas uma unidade.» (Abu Dawud, Nasa’i, Ibn Majah)

Explicação: O hadith acima prova que é permitido rezar o witr com cinco, três ou uma rak‘ah; essas são as três formas. O imame Sufyan al-Thawri preferia o witr de cinco rak‘ahs. O imame Abu Hanifa preferia três rak‘ahs, e o imame al-Shafi‘i, uma rak‘ah.

(١٦٧) وَعَنْ أَبِي سَعِيدِ الْخُدْرِيِّ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ قَالَ رَسُولُ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ مَنْ نَامَ عَنِ الْوِتْرِ أَوْ نَسِيَهُ فَلْيُصَلِّ إِذَا ذَكَرَ وَإِذَا اسْتَيْقَظَ
ترمذي – أبو داود – ابن ماجة)

(167) “Hazrat Abu Sa‘id al-Khudri (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: Se alguém adormecer sem rezar o witr ou esquecer-se de rezá-lo, que o reze quando se lembrar.” (Tirmidhi, Abu Dawud, Ibn Majah)

Explicação: Se não for possível rezar o witr no horário ou se ele for esquecido, deve-se rezá-lo depois de se lembrar. Isto é, deve-se compensar o witr, tal como se compensa uma oração obrigatória. Este hadith, juntamente com os hadiths de Hazrat ‘Ali e de Hazrat Abu Ayyub al-Ansari relatados acerca do witr, fortalece a opinião do imame Abu Hanifa; pois, se o witr fosse uma sunnah como as demais orações sunnah, o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) não teria dito isso nem ordenado que fosse compensado.

(١٦٨) وَعَنْ أُمِّ سَلَمَةَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهَا أَنَّ النَّبِيَّ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ كَانَ يُصَلِّي بَعْدَ الْوِتْرِ رَكْعَتَيْنِ (ترمذي) وَزَادَ ابْنُ مَاجَةُ خَفِيفَتَيْنِ وَهُوَ جَالِسٌ

(168) “A Mãe dos Crentes, Hazrat Umm Salamah (que Allah esteja satisfeito com ela), disse: O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) rezava duas rak‘ahs depois do witr. (Tirmidhi, Ibn Majah)
Contudo, Ibn Majah acrescentou ao relato acima: “O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) as rezava brevemente e sentado.”

Explicação: O imame Malik não considera correto rezar duas rak‘ahs de oração voluntária depois do witr. O imame Ahmad disse: “Eu não as rezo, mas também não proíbo ninguém de rezá-las.” Contudo, alguns imamess as consideram permitidas.

A oração do tahajjud (a oração noturna)

وَمِنَ اللَّيْلِ فَتَهَجَّدْ بِهِ نَافِلَةٌ لَكَ عَسَى أَنْ يَبْعَثَكَ رَبُّكَ مَقَامًا مَّحْمُودًا ( بني إسرائيل : (۷۹)

“E ore durante a noite na oração do Tahajjud; isso é uma devoção adicional para você. Em breve, seu Senhor o elevará ao ‘Maqam Mahmud’.” (Bani Israil, 79)

A oração realizada entre a oração de Isha e a de Fajr é chamada oração do Tahajjud. Entre as orações nafl, a oração do Tahajjud é a mais virtuosa. A oração do Tahajjud pode ser realizada em qualquer momento depois da oração de Isha e antes da oração de Fajr; contudo, seu melhor horário é depois da meia-noite. No Alcorão Sagrado, são mencionadas amplamente as virtudes da oração do fim da noite (Tahajjud). Como consta no Alcorão:

كَانُوا قَلِيْلًا مِنَ اللَّيْلِ مَا يَهْجَعُوْنَ، وَبِالْأَسْحَارِ هُمْ يَسْتَغْفِرُونَ (الذاريات : ۱۸-۱۹)

“Essas pessoas (os muttaqin) dormem pouco durante a noite e, na última parte dela, pedem perdão a Allah.” (Surata Adh-Dhariyat, 18–19)

وَالَّذِيْنَ يَبِيتُونَ لِرَبِّهِمْ سُجَّدًا وَقِيَامًا (الفرقان : ٦٤)

Ao elogiar Seus servos amados, Allah diz no versículo acima: “E eles passam a noite prostrados e de pé (em oração).” (Al-Furqan, 64)

Ao elogiar os verdadeiros crentes, Allah diz em outra passagem do Alcorão:

تَتَجَافَى جُنُوبُهُمْ عَنِ الْمَضَاجِعِ يَدْعُوْنَ رَبَّهُمْ خَوْفًا
وَطَمَعًا وَمِمَّا رَزَقْنَاهُمْ يُنْفِقُوْنَ (السجدة : ١٦)

“Seus flancos se afastam das camas durante a noite; eles invocam Allah com temor e esperança e gastam, no caminho de Allah, aquilo que lhes concedemos.” (Surata As-Sajda, 16)

Em outro lugar do Alcorão, Allah diz, dirigindo-se ao Profeta (s.):

وَمِنَ اللَّيْلِ فَتَهَجَّدْ بِهِ نَافِلَةً لَكَ ( بني إسرائيل : ٧٩)

“E reze durante a noite a oração do tahajjud; isso é adicional para você além das obrigações.” (Surata Bani Israil, 79)

Os versículos acima demonstram a importância da oração do tahajjud. No início, quando as cinco orações diárias ainda não haviam sido tornadas obrigatórias, a oração do tahajjud era obrigatória tanto para o Profeta (s.) quanto para toda a sua ummah. Depois, quando as cinco orações diárias se tornaram obrigatórias, o tahajjud passou a ser voluntário para a ummah, mas continuou obrigatório para o Profeta (s.). Por isso, o Profeta (s.) nunca deixou de rezar o tahajjud em toda a sua vida. Contudo, há divergência entre os mufassirins e os imames sobre se a oração do tahajjud era voluntária ou obrigatória para o Profeta (s.).

O Profeta (s.) algumas vezes rezava nove rak‘ahs de tahajjud, incluindo o witr; em outras ocasiões, rezava onze rak‘ahs. Às vezes rezava treze rak‘ahs e, em outras, também rezava sete rak‘ahs. Na realidade, a oração do tahajjud

não tem um número específico estabelecido. Quando não houver tempo, também é permitido rezar cinco rak‘ahs, incluindo o witr.

(١٦٩) وَعَنْ عَبْدِ اللَّهِ بْنِ سَلَامٍ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ قَالَ
رَسُولُ اللهِ صَلَّى اللَّهِ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ يَا أَيُّهَا النَّاسُ أَفْشُوا السَّلَامَ وَأَطْعِمُوا الطَّعَامَ وَصِلُوا الْأَرْحَامَ وَصَلُّوا بِاللَّيْلِ وَالنَّاسُ نِيَامٌ تَدْخُلُوا الْجَنَّةَ بِسَلَامٍ
(حاكم – ابن ماجة – ترمذي)

(169) «Relatado por Hazrat Abdullah ibn Salam (que Allah esteja satisfeito com ele), ele disse: O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) nos disse: Ó pessoas, saudai-vos mutuamente, alimentai-vos uns aos outros, mantende os laços de parentesco e rezai à noite, enquanto as outras pessoas dormem. Assim, podereis entrar no Paraíso em segurança.»

(Al-Hakim, Ibn Majah, Tirmidhi)

(۱۷۰) وَعَنْ عَائِشَةَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهَا قَالَتْ كَانَ النَّبِيَّ صلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ يُصَلِّى فِيْمَا بَيْنَ أَنْ يَفْرُغَ مِنْ صَلَاةِ الْعِشَاءِ إِلَى الْفَجْرِ إِحْدَى عَشْرَةَ رَكْعَةً يُسَلِّمُ بَيْنَ كُلِّ رَكْعَتَيْنِ وَيُؤْتِرُ بِوَاحِدَةٍ (بخاري – مسلم)

(170) «Relatado por Hazrat Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela), ela disse: Depois de concluir a oração do Isha, o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) rezava onze rak‘at até o Fajr. Ao fim de cada duas rak‘at, ele fazia o salam e tornava-as ímpares com uma rak‘ah.» (Bukhari, Muslim)

(۱۷۱) وَعَنْ عَائِشَةَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهَا قَالَتْ كَانَ النَّبِيَّ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ يُصَلِّي مِنَ اللَّيْلِ ثَلَاثَ عَشَرَةَ رَكْعَةً مِنْهَا الْوَتْرَ وَرَكْعَتَا الْفَجْرِ (مسلم)

(171) «Hazrat Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela) disse: O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) rezava treze rak‘at à noite; entre elas estavam incluídas as três rak‘at do Witr e as duas rak‘at da oração da Sunnah do Fajr.» (Muslim)

(۱۷۲) وَعَنْ سَمُرَةَ بْنِ جُنْدُبٍ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ أَمَرَنَا رَسُولُ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ أَنْ تُصَلِّيَ مِنَ اللَّيْلِ مَا قَلَّ أَوْ كَثُرَ وَنَجْعَلَ آخِرَ ذَالِكَ وِتْرًا (طبراني – بزار)

(172) “Hadrat Samura ibn Jundub (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) ordenou-nos que rezássemos a oração noturna, fosse ela curta ou longa. E faríamos com que a última oração fosse o Witr (ímpar).” (At-Tabarani, Al-Bazzar)

A oração do Tarawih

A oração do Tarawih é uma Sunnah. Contudo, há divergência entre os imames quanto a saber se ela é uma Sunnah Mu’akkadah. Segundo o Imam Abu Hanifa, o Imam Ash-Shafi‘i e o Imam Ahmad ibn Hanbal, o Tarawih é Sunnah Mu’akkadah tanto para homens quanto para mulheres.

Há divergência entre os imames quanto ao número de rak‘ahs do Tarawih. No entanto, a maioria dos hadiths mostra que o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) rezava onze rak‘ahs, incluindo o Witr.

Uma narração do Imam Al-Bayhaqi afirma que, durante o período de Hadrat Umar, Hadrat Uthman e Hadrat Ali (que Allah esteja satisfeito com eles), o Tarawih era rezado em congregação com vinte rak‘ahs. Uma narção de Hadrat Ibn Abbas afirma que o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) também rezou vinte rak‘ahs de Tarawih. Se não houvesse qualquer autorização do Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) para vinte rak‘ahs, como Hadrat Umar (que Allah esteja satisfeito com ele) poderia ter instituído essa prática? E como os demais Companheiros poderiam tê-la aceitado? Está estabelecido que o Tarawih era rezado em congregação durante a época do Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), assim como também está estabelecido que era rezado individualmente.

Eu (o autor) viajei várias vezes a Makkah e Madinah para realizar a Umrah durante o mês de Ramadan e rezei a oração do Tarawih na Kaaba Sharif e na Mesquita do Profeta. Em ambas as mesquitas, o Tarawih é realizado em congregação com vinte rak‘ahs. Além disso, na maioria das mesquitas dos países árabes, o Tarawih também é rezado em congregação com vinte rak‘ahs. Contudo, em algumas mesquitas salafis, rezam-se também oito rak‘ahs.

(۱۷۳) وَعَنْ أَبِي هُرَيْرَةَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ كَانَ
رَسُولُ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ يُرَغَبُ فِي قِيَامٍ رَمَضَانَ مِنْ غَيْرِ أَنْ يَأْمُرَهُمْ فِيْهِ بِعَزِيمَةٍ فَيَقُولُ مَنْ قَامَ رَمَضَانَ إِيمَانًا وَاحْتِسَابًا غُفِرَ لَهُ مَا تَقَدَّمَ مِنْ ذَنْبِهِ فَتُوُفِّيَ رَسُولُ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ وَالْأَمْرُ عَلَى

ذَالِكَ ثُمَّ كَانَ الْأَمْرُ عَلَى ذَالِكَ فِي خِلَافَةِ أَبِي بَكْرٍ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ وَصَدْرًا مِنْ خِلَافَةِ عُمَرَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ عَلَى ذَالِكَ (مسلم)

(173) “Hazrat Abu Huraira (R.A.) disse: O Mensageiro (S.A.W.) incentivava a oração durante o mês de Ramadã, mas não insistia excessivamente nesse assunto. Ele dizia: ‘Quem rezar durante o mês de Ramadã com fé e esperando a recompensa, Allah perdoará todos os seus pecados anteriores.’ Depois, o Mensageiro faleceu enquanto essa determinação permanecia em vigor. Essa situação continuou durante o califado de Hazrat Abu Bakr Siddiq, e até mesmo no início do califado de Hazrat Umar.” (Muslim)

Explicação: Este hadith mostra que o Profeta (S.A.W.) incentivava a oração de Tarawih, mas não insistia excessivamente nela. Isto é, o Profeta (S.A.W.) não ordenou que a oração de Tarawih fosse realizada obrigatoriamente em congregação. Essa situação permaneceu até o início do califado de Hazrat Umar. Depois, Hazrat Umar (R.A.) aconselhou os Companheiros a rezarem vinte rak‘at em congregação, e eles aceitaram seu conselho, considerando-o excelente.

(١٧٤) وَعَنْ عَبْدِ الرَّحْمَنِ بْنِ عَبْدِ الْقَارِيِّ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ أَنَّهُ قَالَ خَرَجْتُ مَعَ عُمَرَ بْنِ الْخَطَّابِ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ لَيْلَةٌ إِلَى الْمَسْجِدِ فَإِذَا النَّاسُ أَوْزَاعٌ مُتَفَرِّقُونَ يُصَلِّي الرَّجُلُ لِنَفْسِهِ فَيُصَلِّي الرَّجُلُ فَيُصَلِّي بِصَلَاتِهِ

الرَّهْطُ فَقَالَ عُمَرُ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ إِنِّي لَوْ جَمَعْتُ هَؤُلَاءِ عَلَى قَارِي وَاحِدٍ لَكَانَ أَمْثَلَ ثُمَّ عَزَمَ فَجَمَعَهُمْ عَلَى أُبَيِّ بْنِ كَعْبٍ ثُمَّ خَرَجْتُ مَعَهُ لَيْلَةً أُخْرَى وَالنَّاسُ يُصَلُّوْنَ بِصَلَاةِ قَارِئِهِمْ قَالَ عُمَرُ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ نِعْمَتِ الْبِدْعَةُ هَذِهِ وَالَّتِي يَنَامُوْنَ عَنْهَا أَفْضَلُ مِنَ الَّتِي يَقُوْمُوْنَ يُرِيدُ آخِرَ اللَّيْلِ وَكَانَ النَّاسُ يَقُومُونَ أَوَّلَهُ (بخاري)

(174) “Hazrat Abdur Rahman ibn Abdul Qari (R.A.) disse: Certa noite do mês de Ramadã, fui à Mesquita do Profeta com Hazrat Umar ibn Khattab e vi que as pessoas estavam divididas em vários grupos: algumas rezavam sozinhas, enquanto pequenos grupos rezavam atrás de alguém. Ao ver isso, Hazrat Umar disse: ‘Se eu reunisse todos eles atrás de um único recitador, seria melhor.’ Então, decidindo firmemente fazê-lo, reuniu todos atrás de Ubayy ibn Ka‘b. Abdur Rahman disse: Na noite seguinte, fui novamente à mesquita com o califa Hazrat Umar (R.A.), e as pessoas estavam rezando atrás de seu imam. Ao ver isso, Hazrat Umar disse: ‘Que excelente nova organização é esta! O período em que vocês dormem — isto é, o final da noite — é melhor do que o período em que vocês rezam’, referindo-se ao início da noite. Contudo, as pessoas rezavam no primeiro período da noite.”

Explicação: Este hadith mostra que a realização regular da oração de Tarawih em congregação começou no tempo de Hazrat Umar (R.A.). Foi a isso que Hazrat Umar (R.A.) chamou de ‘nova organização’. Aqui, a palavra ‘bid‘ah’ não foi usada como termo jurídico islâmico, pois o próprio Profeta (S.A.W.) também rezou Tarawih em congregação, embora de forma irregular, não continuamente.

(١٧٥) وَعَنْ يَزِيدَ بْنِ رُومَانَ أَنَّهُ قَالَ كَانَ النَّاسُ يَقُوْمُوْنَ فِي زَمَانِ عُمَرَ بْنِ الْخَطَّابِ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ فِي رَمَضَانَ بِثَلَاثٍ وَعِشْرِينَ رَكْعَةٌ (مؤطا إمام مالك)

(175) É narrado por Yazid ibn Ruman que, durante o período de Hazrat Umar ibn Khattab (R.A.), as pessoas rezavam vinte e três rak‘at nas noites de Ramadã.” (Isto é, vinte rak‘at de Tarawih e três rak‘at de Witr.) (Muwatta do Imam Malik)

(١٧٦) وَعَنْ عَائِشَةَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ زَوْجِ النَّبِيِّ صَلَّى اللهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ أَنَّ رَسُولَ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ صَلَّى فِي الْمَسْجِدِ ذَاتَ لَيْلَةٍ فَصَلَّى بِصَلَاتِهِ نَاسٌ ثُمَّ صلَّى مِنَ الْقَابِلَةِ فَكَثُرَ النَّاسُ ثُمَّ اجْتَمَعُوا مِنَ اللَّيْلَةِ الثَّالِثَةِ أَوِ الرَّابِعَةِ فَلَمْ يَخْرُجْ إِلَيْهِمْ رَسُولُ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ فَلَمَّا أَصْبَحَ قَالَ قَدْ رَأَيْتُ الَّذِي صَنَعْتُمْ فَلَمْ يَمْنَعْنِي مِنَ الْخُرُوجِ إِلَيْكُمْ إِلَّا أَنِّي خَشِيْتُ أَنْ تُفْرَضَ عَلَيْكُمْ وَذَالِكَ فِي رَمَضَانَ (مؤطا إمام مالك)

(176) “Foi narrado por Ummul Mu’minin, Hazrat Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela): certa noite (durante o Ramadã), o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) realizou a oração na Mesquita do Profeta, e as pessoas oraram atrás dele, junto com ele. Na segunda noite, o Profeta realizou uma oração semelhante, e então havia ainda mais pessoas. Depois, na terceira ou quarta noite, reuniu-se uma quantidade ainda maior de pessoas. Porém, o Profeta não saiu mais naquela noite. Pela manhã, o Profeta disse: ‘Eu tinha visto a reunião de vocês durante a noite e a espera de vocês pela oração. Contudo, não saí por receio de que essa oração de Tarawih se tornasse obrigatória para vocês.’ (Muwatta do Imam Malik)”

A oração durante a viagem (oração qasr)

وَإِذَا ضَرَبْتُمْ فِي الْأَرْضِ فَلَيْسَ عَلَيْكُمْ جُنَاحٌ أَنْ
تَقْصُرُوا مِنَ الصَّلاة (سورة النساء – ١٠١)

“Quando viajardes pela terra, não haverá culpa em abreviardes as vossas orações (qasr).” (Surata An-Nissá: 101)

(۱۷۷) وَعَنْ عَائِشَةَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهَا زَوْجِ النَّبِيِّ صَلَّى
اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ أَنَّهَا قَالَتْ فُرِضَتِ الصَّلَاةُ رَكْعَتَيْنِ
رَكْعَتَيْنِ فِي الْحَضَرِ وَالسَّفَرِ وَزِيدَ فِي صَلَاةِ الْحَضَرِ
(مؤطا إمام مالك)

(177) “Hazrat Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela) disse: no início, a oração foi prescrita com duas rak‘ahs, tanto quando se permanecia em casa quanto durante a viagem, em todas as situações. Depois, mantendo a oração da viagem como antes, aumentou-se a oração durante a permanência.” (Muwatta do Imam Malik)

Explicação: Pelo hadith acima, sabe-se que, no início, a oração foi prescrita com duas rak‘ahs em cada horário. Na narração de Sahih al-Bukhari consta que a oração foi prescrita originalmente com duas rak‘ahs. Quando o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) emigrou para Medina, o número de rak‘ahs foi aumentado. Bayhaqi, Ibn Hibban, Ibn Khuzaymah e outros narradores relataram, com base em Hazrat Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela), que, no início, a oração foi prescrita com duas rak‘ahs tanto durante a viagem quanto em casa. Mais tarde, quando o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) emigrou para Medina e passou a estar um pouco mais seguro, acrescentaram-se duas rak‘ahs ao Zuhr, ao Asr e ao Isha, enquanto o Fajr e o Maghrib foram mantidos como estavam. Como a oração da viagem consiste originalmente em duas rak‘ahs, não é correto rezar quatro rak‘ahs durante a viagem. Esta é a opinião do Imam Abu Hanifa.

(۱۷۸) وَعَنْ أَنَسِ بْنِ مَالِكٍ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ أَنَّ النَّبِيَّ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ صَلَّى الظُّهْرَ بِالْمَدِينَةِ أَرْبَعًا وَصَلَّى الْعَصْرَ بِذِي الْحُلَيْفَةِ رَكْعَتَيْنِ (بخاري – مسلم)

(178) “Hazrat Anas (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: ‘O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) rezou o Zuhr com quatro rak‘at em Medina e o Asr com duas rak‘at em Dhu’l-Hulayfa.’” (Bukhari e Muslim)

Explicação: Dhu’l-Hulayfa situa-se a seis milhas de Medina. Este lugar também é chamado de Bir Ali. Significado: o poço de Hazrat Ali. Os habitantes de Medina vestem o ihram aqui por ocasião do Hajj; este é o miqat para os muçulmanos de Medina e das regiões do norte. O hadith mencionado relata que, antes de partir de Medina para Meca com a intenção de realizar o Hajj, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) rezou o Zuhr com quatro rak‘at em Medina e o Asr com duas rak‘at em Dhu’l-Hulayfa.

Este hadith prova que, no início da viagem, deve-se rezar a oração completa enquanto se está na residência; depois de percorrer alguma distância, deve-se fazer qasr.

(۱۷۹) وَعَنِ عَبْدِ اللَّهِ ابْنَ عُمَرَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ صَحِبْتُ النَّبِيَّ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ وَكَانَ لَا يَزِيدُ فِي السَّفَرِ عَلَى رَكْعَتَيْنِ وَأَبَا بَكْرٍ وَعُمَرَ وَعُثْمَانَ رِضْوَانِ اللَّهِ تَعَلَى عَلَيْهِمْ كَذَالِكَ (بخاري – مسلم)

(179) “Hazrat Abdullah ibn Umar (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: ‘Fui companheiro de viagem do Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Durante as viagens, ele sempre rezava duas rak‘at das orações obrigatórias. Do mesmo modo, Abu Bakr, Umar e Uthman (que Allah esteja satisfeito com eles) também rezavam duas rak‘at.’” (Bukhari e Muslim)

Explicação: Em uma narração de Sahih Muslim, é relatado por Hazrat Abdullah ibn Umar (que Allah esteja satisfeito com ele): “Viajei muitas vezes com o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) até o seu falecimento. Durante as viagens, ele sempre rezava as orações obrigatórias com duas rak‘at. Da mesma forma, viajei muitas vezes com Abu Bakr, Umar e Uthman (que Allah esteja satisfeito com eles) até o falecimento deles; eles também sempre rezavam duas rak‘at durante as viagens.”

(۱۸۰)
وَعَنْ يَعْلَى بْنِ أُمَيَّةَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ قُلْتُ لِعُمَرَ بْنِ الْخَطَّابِ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ إِنَّمَا قَالَ اللَّهُ تَعَالَى

أَنْ تَقْصُرُوا مِنَ الصَّلَاةِ إِنْ خِفْتُمْ أَنْ يَفْتِنَكُمُ الَّذِينَ كَفَرُوا فَقَدْ أَمِنَ النَّاسُ قَالَ عَجِبْتُ مِمَّا عَجِبْتَ مِنْهُ فَسَأَلْتُ رَسُولَ اللَّهِ صَلَّى اللهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ فَقَالَ صَدَقَةٌ تَصَدَّقَ اللَّهُ بِهَا عَلَيْكُمْ فَاقْبَلُوا صَدَقَتَهُ (مسلم)

(180) “Hazrat Ya‘la ibn Umayya (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: Eu disse a Hazrat Umar ibn al-Khattab (que Allah esteja satisfeito com ele): ‘Qual é o motivo? Allah disse: “Se temerdes que os incrédulos vos causem algum dano, podereis encurtar a oração.” Mas agora as pessoas estão completamente seguras; por que deveríamos encurtá-la?’ Hazrat Umar (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: ‘Eu também estava admirado, tal como você.’ Então perguntei ao Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), e ele disse: ‘Isso é uma graça (dádiva) de Allah que Ele vos concedeu. Portanto, aceitai a graça de Allah.’” (Muslim)

Explicação: O hadith acima prova que, durante a viagem, a oração deve ser encurtada em todas as circunstâncias. A expressão do Alcorão Sagrado “se temerdes” não é uma condição para o encurtamento. Do mesmo modo, a oração deve necessariamente ser encurtada durante a viagem; esta é a opinião do Imam Abu Hanifa e da maioria dos imams. O Imam Khattabi escreveu em seu livro intitulado Mu‘allim que a opinião dos piedosos predecessores e da maioria dos juristas é que o encurtamento é obrigatório durante a viagem. Esta também era a opinião de Hazrat Umar, Hazrat Ali, Hazrat Abdullah ibn Umar, Hazrat Ibn Abbas e outros Companheiros. Hazrat Umar ibn Abd al-Aziz também sustentava a opinião de que isso era obrigatório. (Naylul Awtar)

(۱۸۱)
وَعَنْ عَائِشَةَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهَا قَالَتْ فُرِضَتِ الصَّلَاةُ رَكْعَتَيْنِ رَكْعَتَيْنِ بِمَكَّةَ فَلَمَّا قَدِمَ رَسُولُ اللهِ صَلَّى اللهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ الْمَدِينَةَ زَادَ مَعَ كُلِّ رَكْعَتَيْنِ رَكْعَتَيْنِ إِلَّا الْمَغْرِبَ فَإِنَّهَا وِتْرُ النَّهَارِ وَصَلَاةَ الْفَجْرِ لِطُولِ قِرَاءَتِها
أحمد – بيهقي – ابن حبان – ابن خزيمة)

(181) “Hazrat Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela) disse: ‘Em Meca, a oração foi prescrita com duas rak‘ahs. Depois, quando o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) migrou para Medina, foram acrescentadas mais duas rak‘ahs. Contudo, não foram acrescentadas à oração do maghrib, por ser o witr do dia, nem à oração do fajr, devido à recitação prolongada.’” (Ao contrário, o maghrib e o fajr foram mantidos como antes.) (Ahmad, Bayhaqi, Ibn Hibban, Ibn Khuzayma)

(۱۸۲)
وَعَنْ يَحْيَى بْنِ يَزِيدٍ قَالَ سَأَلْتُ أَنَسَ بْنَ مَالِكٍ عَنْ قَصْرِ الصَّلَاةِ فَقَالَ أَنَسٌ كَانَ النَّبِيُّ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ إِذَا خَرَجَ مَسِيرَةً ثَلَاثَةِ أَمْيَالٍ أَوْ ثَلَاثَةِ فَرَاسِخَ يُصَلِّي رَكْعَتَيْنِ

أحمد – مسلم – أبو داود – بيهقي)

(182) Ya ibn Yazid disse: Perguntei a Anas ibn Malik sobre o encurtamento da oração. Anas (que Allah esteja satisfeito com ele) respondeu: ‘O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) rezava duas rak‘ahs durante uma viagem de três milhas ou três farsakhs.’” (Ahmad, Muslim, Abu Dawud, Bayhaqi)

Explicação: Há grande divergência entre os imames e os fuqaha sobre quantos dias ou quantas milhas de viagem são necessários para que se faça a oração qasr. Segundo o Imam Abu Hanifa, deve-se fazer a oração qasr numa viagem de três dias. Segundo o Imam Malik, al-Shafi’i, al-Layth, al-Awza’i e seus seguidores, a oração qasr deve ser feita a uma distância de 48 milhas. Contudo, alguns, com base no sentido dos hadiths narrados, opinaram que a oração qasr deve ser feita numa viagem de três milhas. (Naylul Awtar)

Se alguém permanecer em algum lugar durante uma viagem, há diferentes opiniões entre os imames sobre quantos dias de permanência intencional exigem que se faça a oração completa, devido às diferentes formulações dos hadiths. Segundo o Imam Abu Hanifa, se a intenção for permanecer pelo menos 15 dias, deve-se rezar quatro rak’ahs. Como prova disso, ele apresentou os hadiths narrados por Ibn Abbas e Ibn Umar, que também foram incluídos no Sharif de Tahawi. Nesse hadith, são mencionados 15 dias para a realização da oração completa. Segundo o Imam Malik e o Imam al-Shafi’i, se houver a intenção de permanecer continuamente quatro dias em algum lugar, deve-se fazer a oração completa. Nas narrações de Hadrat Ali e Ibn Abbas, são mencionados dez dias para a realização da oração completa. Contudo, mesmo que alguém permaneça por mais tempo sem ter a intenção de permanecer, deverá fazer a oração qasr. O Profeta (s.a.w.) permaneceu em Tabuk por até vinte dias, esperando os inimigos, e ainda assim fez a oração qasr. Isso porque eles aguardavam a batalha, que poderia começar a qualquer momento, não havendo um prazo determinado. (Naylul Awtar, Ashi’atul Lum’at, Fiqhus-Sunnah)

(۱۸۳) وَعَنْ جَابِرٍ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ أَقَامَ النَّبِيُّ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ يَتَبُوكَ عِشْرِيْنَ يَوْمًا يَقْصُرُ الصَّلَاةَ
(أحمد – أبو داود)

(183) “Hadrat Jabir (r.a.) disse: O Profeta (s.a.w.) fez a oração qasr enquanto permaneceu vinte dias em Tabuk.” (Ahmad, Abu Dawud)

Reunir duas orações durante a viagem

(١٨٤) وَعَنِ ابْنِ عَبَّاسٍ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُمَا قَالَ كَانَ رَسُولُ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ يَجْمَعُ بَيْنَ صَلَاةِ الظُّهْرِ وَالْعَصْرِ إِذَا كَانَ عَلَى ظَهْرِ سَيْرٍ وَيَجْمَعُ بَيْنَ الْمَغْرِبِ وَالْعِشَاءِ (بخاري)

(184) “Hadrat Ibn Abbas (r.a.) disse: Quando o Mensageiro (s.a.w.) estava em viagem, rezava conjuntamente o zuhr e o asr. Do mesmo modo, rezava conjuntamente o maghrib e o isha durante a viagem.” (Bukhari)

(١٨٥) وَعَنْ مُعَاذِ بْنِ جَبَلٍ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ أَنَّ النَّبِيَّ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ كَانَ فِي غَزْوَةِ تَبُوكَ إِذَا ارْتَحَلَ قَبْلَ أَنْ تَزِيعَ الشَّمْسُ أَخَّرَ الظُّهْرَ حَتَّى يَجْمَعَهَا إِلَى الْعَصْرِ فَيُصَلِّيْهِمَا جَمِيعًا وَإِذَا ارْتَحَلَ بَعْدَ زَيْعُ الشَّمْسِ

صَلَّى الظُّهْرَ وَالْعَصْرَ جَمِيعًا ثُمَّ سَارَ وَكَانَ إِذَا ارْتَحَلَ قَبْلَ الْمَغْرِبِ أَخَّرَ الْمَغْرِبَ حَتَّى يُصَلِّيَهَا مَعَ الْعِشَاءِ وَإِذَا ارْتَحَلَ بَعْدَ الْمَغْرِبِ عَجَلَ الْعِشَاءَ فَصَلَاهَا مَعَ الْمَغْرِبِ
أحمد – أبو داود – ترمذي)

(185) “Hazrat Mu‘اذ ibn Jabal (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: Durante a expedição de Tabuk, quando o Nobre Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) viajava antes do meio-dia, adiava a oração do meio-dia até o horário da oração da tarde. Depois, realizava ambas as orações juntas. E, se começasse a viagem depois do meio-dia, realizava juntas as orações do meio-dia e da tarde (no horário da oração do meio-dia). Depois, iniciava a viagem. E, se começasse a viagem antes da oração do pôr do sol, adiava a oração do pôr do sol e a realizava junto com a oração noturna (no horário da oração noturna). Se o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) começasse a viagem depois da oração do pôr do sol, antecipava a oração noturna e a realizava junto com a oração do pôr do sol.” (Ahmad, Abu Dawud, Tirmidhi)

Explicação: O hadith acima constitui uma prova forte sobre a realização conjunta de duas orações durante a viagem. Este hadith permite realizar juntas duas orações, antecipando-as ou atrasando-as, tanto durante a viagem quanto enquanto se permanece num local durante a viagem. Muitos Companheiros e seguidores dos Companheiros sustentavam essa opinião. Entre os imames, os juristas Imam Shafi‘i, Ahmad ibn Hanbal, Sufyan al-Thawri, Ishaq e outros também apoiam a opinião acima. Contudo, a opinião do Imam Abu Hanifa, Abu Yusuf, Muhammad Hasan e al-Nakha‘i é que, fora de Arafat e Muzdalifah, não se podem realizar duas orações juntas. Mas a primeira opinião é mais sólida, e os sábios árabes geralmente a praticam. Portanto, com base no hadith, realizar duas orações juntas durante a viagem não é apenas permitido, mas às vezes é preferível.

Como realizar a oração num barco, numa lancha ou num navio a vapor

(١٨٦) وَعَنْ مَيْمُونِ بْنِ مِهْرَانَ عَنِ ابْنِ عُمَرَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُمَا قَالَ سُئِلَ النَّبِيِّ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ كَيْفَ أُصَلِّي فِي السَّفِينَةِ قَالَ صَلِّ فِيهَا قَائِمًا إِلَّا أَنْ تَخَافَ الْغَرَقَ (دار قطني – حاكم)

(186) “Maymuna ibn Mihran narrou, com base em Abdullah ibn Umar (que Allah esteja satisfeito com ele), que foi perguntado ao Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele): ‘Como devo realizar a oração num barco?’ O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) respondeu: ‘Realiza a oração de pé; porém, se houver possibilidade de o barco afundar, será diferente.’ Ou seja, se houver possibilidade de o barco afundar ao realizar a oração de pé, deve-se realizá-la sentado.” (Darqutni, Hakim)

(۱۸۷) وَعَنْ عَبْدِ اللَّهِ بْنِ أَبِي عُتَبَةَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ صَحِبْتُ جَابِرَ بْنَ عَبْدِ اللَّهِ وَأَبَا سَعِيدِ الْخُدْرِي رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ وَأَبَا هُرَيْرَةَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ فِي سَفِينَةٍ فَصَلُّوا قِيَامًا فِي جَمَاعَةٍ أَمَّهُمْ بَعْضُهُمْ وَهُمْ يَقْدِرُونَ عَلَى الْجُدِّ (رواه سعيد في سننه)

(187) “Abdullah ibn Abu Utaba (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: Viajei de barco com Jabir ibn Abdullah, Abu Sa‘id al-Khudri e Abu Hurayra (que Allah esteja satisfeito com eles). Todos eles realizavam a oração de pé no barco, em congregação, e alguns deles conduziam a oração, embora pudessem, se quisessem, desembarcar e realizar a oração em terra.” (Sa‘id, Nayl al-Awtar)

Explicação: É permitido rezar no barco, apesar de ser possível chegar à margem e rezar, mas deve-se rezar em pé no barco e, se possível, em congregação. Sim, se houver o risco de o barco afundar caso todos rezem em pé juntos, deve-se rezar sentado. Contudo, é melhor chegar à margem e rezar em pé, em congregação.

A oração de sexta-feira

يَا أَيُّهَا الَّذِينَ آمَنُوا إِذَا نُودِيَ لِلصَّلَاةِ مِنْ يَوْمِ الْجُمُعَةِ فَاسْعَوْا إلى ذِكْرِ اللَّهِ وَذَرُوا الْبَيْعَ ذَالِكُمْ خَيْرٌ لَّكُمْ إِنْ كُنْتُمْ تَعْلَمُونَ
(الجمعة : (۹)

“Ó vós que credes! Quando for feito o chamado para a oração na sexta-feira, cessai as compras e as vendas e apressai-vos para a recordação de Allah. Isso é melhor para vós, se soubésseis.” Al-Jumu‘ah, 9

Com base no Alcorão, na Sunna e no consenso, a oração de sexta-feira é uma obrigação individual. No primeiro volume deste livro, foi mencionado que, logo depois de o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) ter emigrado de Meca para Medina, foi revelado o versículo que tornou obrigatória a oração de sexta-feira. Contudo, segundo alguns, ela foi tornada obrigatória em Meca, pouco antes da Hégira. Porém, a primeira oração foi realizada em Medina.

(۱۸۸) وَعَنْ جَابِرٍ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ أَنَّ رَسُولَ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ قَالَ مَنْ كَانَ يُؤْمِنُ بِاللَّهِ وَالْيَوْمِ الْآخِرِ فَعَلَيْهِ الْجُمُعَةُ يَوْمَ الْجُمُعَةِ إِلَّا مَرِيضٌ أَوْ مُسَافِرٌ أَوِ امْرَأَةٌ أَو صَبِيٌّ أَوْ مَجْنُونٌ أَوْ مَمْلُوْكٌ فَمَنِ اسْتَغْنَى بِلَهْوِ أَوْ تِجَارَةِ اسْتَغْنَى اللَّهُ عَنْهُ وَاللَّهُ غَنِيٌّ حَمِيدٌ (دار قطني)

(188) “Foi narrado por Jabir que o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: ‘A oração de sexta-feira é obrigatória, na sexta-feira, para todo aquele que crê em Allah e no Último Dia, exceto para o enfermo, o viajante, a mulher, a criança, o insano e o escravo. Quem se afastar da sexta-feira por causa de diversões e comércio, Allah também Se afastará dele. Allah é Autossuficiente e Louvável.’ (Ad-Daraqutni)

Explicação: Segundo os quatro imãs, a oração de sexta-feira é uma obrigação individual. Aqueles que, conforme mencionado no hadith, não estão obrigados a realizá-la, se ainda assim rezarem a oração de sexta-feira, terão cumprido a obrigação. Não precisarão rezar o Zuhr.

(۱۸۹) وَعَنْ عَبْدِ اللَّهِ بْنِ مَسْعُودٍ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ أَنَّ النَّبِيَّ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ قَالَ لِقَوْمٍ يَتَخَلَّفُوْنَ عَنِ الْجُمُعَةِ لَقَدْ هَمَمْتُ أَنْ آمُرَ يُصَلِّي بِالنَّاسِ ثُمَّ أُحَرِّقَ عَلَى رِجَالٍ يَتَخَلَّفُونَ عَنِ الْجُمُعَةِ بُيُوتَهُمْ
(أحمد – مسلم)

(189) “Hazrat Abdullah ibn Mas‘ud (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: A respeito daqueles que se abstinham da oração de sexta-feira, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: ‘Desejo ordenar a alguém que lidere a oração em meu lugar; depois, eu iria até as casas daqueles que se afastam da oração de sexta-feira e as incendiaria.’” (Ahmad, Muslim)

Explicação: O hadith acima também constitui uma prova de que a oração de sexta-feira é obrigatória. Aqueles cujas casas foram mencionadas no hadith como podendo ser incendiadas eram, provavelmente, hipócritas.

(۱۹۰) وَعَنْ أَبِي هُرَيْرَةَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ عَنْ رَّسُولِ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ قَالَ مَنِ اغْتَسَلَ ثُمَّ أَتَى الْجُمُعَةَ فَصَلَّى مَا قُدْرَ لَهُ ثُمَّ أَنْصَتَ حَتَّى يَفْرُغَ مِنْ خُطْبَتِهِ ثُمَّ يُصَلِّي مَعَهُ غُفِرَ لَهُ مَا بَيْنَهُ وَبَيْنَ الْجُمُعَةِ الْأُخْرَى وَفَضْلَ ثَلَاثَةِ أَيَّامٍ (مسلم)

(190) “Foi narrado por Hazrat Abu Huraira (que Allah esteja satisfeito com ele) que o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: Quem fizer o banho ritual, depois for à oração de sexta-feira e rezar as orações voluntárias que lhe forem possíveis, em seguida permanecer calado até que o imam termine o sermão e então rezar a oração de sexta-feira com o imam, terá todos os pecados cometidos entre esta sexta-feira e a sexta-feira anterior perdoados. Além disso, os pecados de mais três dias.” (Muslim)

Explicação: O banho ritual na sexta-feira é sunnah; é desse banho ritual recomendado que o hadith trata. Ao entrar na mesquita, deve-se rezar duas rak‘at de entrada na mesquita e quatro rak‘at antes da oração de sexta-feira. Depois, quando o imam proferir o sermão, deve-se ouvi-lo em silêncio. Ouvir o sermão é obrigatório, e falar durante o sermão é proibido.

(۱۹۱) وَعَنِ ابْنِ عَبَّاسٍ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ أَنَّ رَسُولَ اللَّهِ صلَّى اللهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ قَالَ مَنْ تَكَلَّمَ يَوْمَ الْجُمُعَةِ وَالْإِمَامُ يَخْطُبُ فَهُوَ كَمَثَلِ الْحِمَارِ يَحْمِلُ أَسْفَارًا وَالَّذِي قَالَ لَهُ أَنْصِتْ لَا جُمُعَةً لَهُ
أحمد – أبي شيبة – بزار – طبراني) .

(191) “Foi narrado por Hazrat Ibn Abbas (que Allah esteja satisfeito com ele) que o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: Aquele que falar enquanto o imam estiver proferindo o sermão é como um jumento que apenas carrega cargas. E aquele que disser ‘Fique calado’ — para mandar alguém ficar em silêncio — também não terá a oração de sexta-feira.” (Isto é, ela não será completa.) (Ahmad, Ibn Abi Shaybah, Bazzar, Tabarani)

Explicação: O hadith acima nos ensina que falar durante o khutbah é estritamente proibido. Nem sequer se pode dizer a alguém: “Fique em silêncio”. Deve-se fazer um gesto com o dedo. É, porém, motivo de grande pesar que hoje em dia se demonstre grande negligência quanto a esse assunto. Desde o momento em que o imam sobe ao minbar para o khutbah até o início da oração, falar é haram. Nem sequer é permitido realizar a oração.

(۱۹۲) وَعَنِ السَّائِبِ بْنِ يَزِيدَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ كَانَ النِّدَاءُ يَوْمَ الْجُمُعَةِ أَوَّلُهُ إِذَا جَلَسَ الْإِمَامُ عَلَى الْمِنْبَرِ عَلَى عَهْدِ النَّبِيِّ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ وَأَبِي بَكْرٍ

وَعُمَرَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُمَا فَلَمَّا كَانَ عُثْمَانُ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ وَكَثُرَ النَّاسُ زَادَ النِّدَاءَ الثَّالِثَ عَلَى الزَّوْرَاءِ
(بخاري)

(192) “É narrado por Hazrat Saib ibn Yazid (que Allah esteja satisfeito com ele) que, durante a época do Mensageiro (que Allah o abençoe e lhe conceda paz), de Abu Bakr e de Umar (que Allah esteja satisfeito com ele), o primeiro adhan da sexta-feira era feito quando o imam se sentava no minbar. Depois, quando Hazrat Uthman (que Allah esteja satisfeito com ele) se tornou califa e o número de pessoas aumentou para a oração de sexta-feira, ele acrescentou um terceiro adhan em Zawra.” (Bukhari)

Explicação: Zawra era o nome de um lugar elevado diante da Mesquita do Profeta. No início, durante a época do Mensageiro (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) e dos dois primeiros califas, fazia-se apenas um adhan para a sexta-feira. Ele era feito quando o imam se sentava no minbar. Depois, na época do terceiro califa, Hazrat Uthman, quando o número dos que rezavam aumentou e as pessoas começaram a chegar de lugares distantes, ele acrescentou outro adhan, que era feito de pé, num lugar elevado localizado numa encruzilhada. O narrador chamou-o de terceiro adhan porque considerou também a iqamah como um adhan.

(۱۹۳) وَعَنْ جَابِرِ بْنِ سَمُرَةَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ كَانَتْ
لِلنَّبِيِّ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ خُطْبَتَانِ يَجْلِسُ بَيْنَهُمَا يَقْرَأُ الْقُرْآنَ وَيُذَكِّرُ النَّاسَ فَكَانَتْ صَلَاتُهُ قَصْدًا وَخُطْبَتُهُ قَصْدًا (مسلم)

(193) “Hazrat Jabir ibn Samurah (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: o Nobre Profeta (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) proferia dois khutbahs e sentava-se entre eles. Durante esses khutbahs, recitava alguns versículos do Alcorão e aconselhava as pessoas. Tanto a oração quanto o khutbah do Mensageiro (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) eram moderados.” (Muslim)

Explicação: O khutbah é uma condição da oração de sexta-feira, isto é, é obrigatório. A oração de sexta-feira não será válida sem o khutbah. O khutbah tem duas partes: a primeira contém exortação e a segunda contém uma súplica. A opinião da maioria dos imams é que o khutbah deve ser proferido em árabe. Alguns consideram permitido proferi-lo também na língua materna. O Mensageiro (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) e os Califas Bem-Guiados proferiam o khutbah de pé. Portanto, o khutbah deve ser proferido de pé. Essa é a opinião da maioria dos imams. Alguns imams estabeleceram que permanecer de pé é condição para a validade do khutbah. Imam Malik e Imam Shafii consideraram-no wajib. (Ashiatul Lumaat)

(١٩٤) وَعَنْ أَبِي الْجَعْدِ الضَّمْرِيِّ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ
قَالَ رَسُولَ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ مَنْ تَرَكَ ثَلَاثَ
جُمَع تَهَاوُنَا بِهَا طَبَعَ اللَّهُ عَلَى قَلْبِهِ
(أبو داود – ترمذي – نسائي – ابن ماجة – دارمي – مالك – أحمد )

(194) “Hazrat Abul Zaiad Damiri (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: Quem, por negligência, deixar de rezar a oração de sexta-feira três vezes consecutivas, Allah selará o seu coração.”
(Abu Dawud, Tirmidhi, Nasa’i, Ibn Majah, Darimi, Malik, Ahmad)

Oração sunnah após a oração fard de sexta-feira

(١٩٥) وَعَنْ أَبِي هُرَيْرَةَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ أَنَّ النَّبِيَّ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ قَالَ إِذَا صَلَّى أَحَدُكُمُ الْجُمُعَةَ فَلْيُصَلِّ بَعْدَهَا أَرْبَعَ رَكْعَاتٍ

أبو داود – ترمذي نسائي ابن ماجة)

(195) “Foi narrado por Hazrat Abu Huraira (que Allah esteja satisfeito com ele) que o Nobre Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: Quando qualquer um de vocês rezar a oração de sexta-feira (fard), que reze depois dela quatro rak‘at.”

(Abu Dawud, Tirmidhi, Nasa’i, Ibn Majah)

(١٩٦) وَعَنْ عَبْدِ اللَّهِ بْنِ عُمَرَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ أَنَّ النَّبِيَّ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ كَانَ يُصَلِّي بَعْدَ الْجُمُعَةِ رَكْعَتَيْنِ
فِي بَيْتِهِ (بخاري – أبو داود – ترمذي – نسائي)

(196) «Foi narrado por Abdullah ibn Umar (que Allah esteja satisfeito com ele) que o nobre Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), depois da oração obrigatória de sexta-feira, ia para casa e rezava duas rak‘ahs de sunnah.» (Bukhari, Abu Dawud, Nasa’i, Tirmidhi, Ibn Majah)

Explicação: Nos dois hadiths acima, vê-se que o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) rezou quatro rak‘ahs de sunnah de “ba‘dal-jumu‘ah” depois da oração obrigatória de sexta-feira, e também rezou duas rak‘ahs. Hazrat Abdullah ibn Umar rezava quatro rak‘ahs quando rezava na mesquita e duas rak‘ahs quando rezava em casa. Segundo Ibn Taymiyyah, a sunnah é rezar quatro rak‘ahs quando se reza na mesquita e duas rak‘ahs quando se vai para casa e se reza ali.

A oração do Eid

(۱۹۷) وَعَنْ أَبِي سَعِيدٍ الْخُدْرِيِّ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ كَانَ رَسُولُ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ يَخْرُجُ يَوْمَ الْفِطْرِ وَالْأَضْحَى إِلَى الْمُصَلَّى فَأَوَّلُ شَيْءٍ يَبْدَأُ بِهِ الصَّلَاةُ ثُمَّ يَنْصَرِفُ فَيَقُوْمُ مُقَابِلَ النَّاسِ وَالنَّاسُ جُلُوسٌ عَلَى صُفُوفِهِمْ فَيَعِظُهُمْ وَيُوصِيْهِمْ وَيَأْمُرُهُمْ فَإِنْ كَانَ يُرِيدُ أَنْ يَقْطَعَ بَعْنَا قَطَعَهُ أَوْ يَأْمُرَ بِشَيْءٍ أَمَرَ بِهِ ثُمَّ يَنْصَرِفُ (بخاري – مسلم)

(197) «Hazrat Abu Sa‘id al-Khudri (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: Nos dias de Eid al-Fitr e Eid al-Adha, o nobre Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) saía em direção ao local de oração do Eid e, antes de tudo, realizava a oração. Depois, voltava e permanecia de pé, voltado para o povo, enquanto este ficava sentado em suas fileiras. Ele os exortava, aconselhava e lhes dava instruções; quando pretendia enviar tropas para algum lugar, selecionava-as, ou, quando precisava dar uma instrução a alguém, dava-lha. Depois, regressava para casa.» (Bukhari, Muslim)

Explicação: Segundo o Imam Abu Hanifa, a oração do Eid é wajib. O Imam Ahmad ibn Hanbal também a considera wajib. Alguns disseram que o Imam Ahmad considerava a oração do Eid fard kifayah. Para o Imam Malik e o Imam Shafi‘i, a oração do Eid é sunnat mu’akkadah. Os Ahl al-Hadith também consideram a oração do Eid sunnat mu’akkadah. A oração do Eid deve ser realizada em congregação, em duas rak‘ahs, sem adhan nem iqamah. Não há nenhuma oração antes ou depois da oração do Eid. O horário da oração do Eid começa imediatamente após o ishrāq e permanece até antes de o sol chegar exatamente ao zênite. Eu, o autor, pela misericórdia de Allah, rezei várias vezes a oração do Eid na Kaaba Sharif. No dia do Eid, depois de rezar a oração do fajr no Haram, as pessoas permanecem esperando pela oração do Eid sem deixar seus lugares. Depois, quando o sol se eleva um pouco, realizam a oração do Eid e partem cada uma para o seu destino.

(۱۹۸) وَعَنْ جَابِرِ بْنِ سَمُرَةَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ صَلَّيْتُ مَعَ رَسُولِ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ الْعِيدَيْنِ غَيْرَ مَرَّةٍ وَلَا مَرَّتَيْنِ بِغَيْرِ آذَانِ وَلَا إِقَامَةٍ (مسلم)

(198) «Hazrat Jabir ibn Samura (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: Rezei a oração dos dois Eids com o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) não apenas uma ou duas vezes, mas muitas vezes, sem adhan nem iqamah.» (Muslim)

(۱۹۹) وَعَنْ عَبْدِ اللَّهِ ابْنِ عُمَرَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُمَا قَالَ
كَانَ رَسُولُ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ وَأَبُو بَكْرٍ وَعُمَرُ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُمَا يُصَلُّوْنَ الْعِيدَيْنِ قَبْلَ الْخُطْبَةِ (بخاري – مسلم)

(199) «Foi narrado por Hazrat Abdullah ibn Umar (que Allah esteja satisfeito com ele): o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), Abu Bakr e Umar (que Allah esteja satisfeito com ele) costumavam realizar a oração do Eid antes do sermão.» (Bukhari, Muslim)

(۲۰۰) وَعَنْ عَبْدِ اللَّهِ ابْنِ عَبَّاسٍ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُمَا أَنَّ النَّبِيَّ صَلَّى اللهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ صَلَّى يَوْمَ الْفِطْرِ رَكْعَتَيْنِ لَمْ يُصَلِّ قَبْلَهُمَا وَلَا بَعْدَهُمَا (بخاري – مسلم)

(200) «Foi narrado por Hazrat Abdullah ibn Abbas (que Allah esteja satisfeito com ele): no dia do Eid al-Fitr, o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) realizou apenas duas rak‘at de oração. Não realizou nenhuma oração antes nem depois.» (Bukhari, Muslim)

Explicação: Dos três hadiths acima, aprendemos três pontos. (1) O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) realizava a oração do Eid sem adhan e iqamah. Portanto, não há adhan nem iqamah na oração do Eid. (2) O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) e os Califas Bem-Guiados realizavam a oração antes do sermão em ambos os Eids. (3) Não há nenhuma oração antes ou depois da oração do Eid.

(۲۰۱) سُئِلَ ابْنَ عَبَّاسٍ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ أَشْهِدْتَ مَعَ رَسُولِ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ الْعِيدَ قَالَ نَعَمْ خَرَجَ رَسُولُ اللَّهِ صَلَّى اللهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ فَصَلَّى ثُمَّ خَطَبَ وَلَمْ يَذْكُرْ آذَانًا وَلَا إِقَامَةً ثُمَّ أَتَى النِّسَاءَ فَوَعَظَهُنَّ وَذَكْرَهُنَّ وَأَمَرَهُنَّ بِالصَّدَقَةِ فَرَأَيْتُهُنَّ يَهْوِيْنَ إِلَى آذَانِهِنَّ وَحُلُوْقِهِنَّ يَدْفَعْنَ إِلَى بِلَالٍ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ ثُمَّ ارْتَفَعَ هُوَ وَبِلَالٌ إِلَى بَيْتِهِ (بخاري – مسلم)

(201) «Certa vez, perguntaram a Hazrat Ibn Abbas: “Você alguma vez esteve presente na oração do Eid com o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele)?” Ele respondeu: “Sim. Vi o Honorável (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) sair (de casa), realizar a oração e, em seguida, proferir o sermão.” (O narrador disse:) Ibn Abbas, em sua narração, não mencionou adhan nem iqamah. Depois do sermão, o Honorável (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) foi até as mulheres, aconselhou-as e exortou-as a fazer caridade. Então vi as mulheres estenderem as mãos em direção às orelhas e aos pescoços, retirarem seus adornos e entregá-los a Bilal, peça por peça. Depois disso, o Honorável (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) e Bilal se levantaram e partiram em direção à casa.» (Bukhari, Muslim)

Explicação: Este hadith também prova que não há adhan nem iqamah na oração do Eid e que o sermão ocorre depois da oração. Além disso, o hadith mostra que, na época do Honorável (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), as mulheres também participavam da oração do Eid. Portanto, se ainda hoje for possível fazer as mulheres participarem da oração do Eid, preservando o hijab, isso será justamente seguir a sunnah do Honorável (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele).

(۲۰۲) وَعَنِ الْبَرَاءِ بْنِ عَازِبٍ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ قَالَ رَسُولُ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ مَنْ ذَبَحَ قَبْلَ الصَّلَاةِ فَإِنَّمَا يَذْبَحُ لِنَفْسِهِ وَمَنْ ذَبَحَ بَعْدَ الصَّلَاةِ فَقَدْ تَمَّ نُسُكُهُ وَأَصَابَ سُنَّةَ الْمُسْلِمِينَ (بخاري – مسلم)

(202) “Foi narrado por Hazrat Bara bin Azib (que Allah esteja satisfeito com ele) que ele disse: O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: ‘Quem abater o animal antes da oração, no dia do Eid al-Adha, terá abatido apenas para o seu próprio consumo. Mas quem abater depois da oração terá completado sua qurbani e seguido o método dos muçulmanos.’” (Bukhari, Muslim)

Explicação: No Eid al-Adha, deve-se oferecer a qurbani depois de realizar a oração do Eid; isto é, o verdadeiro horário da qurbani começa após a oração. Se o animal for abatido antes da oração, a qurbani não será válida.

Quantos takbirs devem ser pronunciados na oração do Eid

(۲۰۳) وَعَنْ عَمْرِو بْنِ شُعَيْبٍ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ عَنْ أَبِيهِ عَنْ جَدِهِ أَنَّ النَّبِيُّ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ كَبَّرَ فِي عِيدٍ ثِنْتَيْ عَشْرَةً تَكْبِيرَةً سَبْعًا فِي الْأُولَى وَخَمْسًا فِي الْآخِرَةِ وَلَمْ يُصَلِّ قَبْلَهَا وَلَا بَعْدَهَا (أحمد – ابن ماجة)

(203) “Amr ibn Shu’ayb narrou, de seu pai e de seu avô, que o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) pronunciava sete takbirs antes da recitação na primeira rak’ah e cinco takbirs na segunda rak’ah, nas duas orações do Eid. Ele não realizava nenhuma oração antes ou depois da oração do Eid.” (Ahmad, Ibn Majah)

(٢٠٤) وَعَنْ سَعِيدَ بْنَ الْعَاصِ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ سَأَلْتُ أَبَا مُوسَى الْأَشْعَرِيَّ وَحُذَيْفَةَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُمَا كَيْفَ كَانَ رَسُولُ اللَّهِ صَلَّى اللهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ يُكَبِّرُ فِي الأَضْحَى وَالْفِطْرِ فَقَالَ أَبُوْ مُوسَى كَانَ يُكَبِّرُ أَرْبَعًا تَكْبِيرَهُ عَلَى الْجَنَائِزِ، فَقَالَ حُذَيْفَةُ صَدَقَ (أبو داود)

(204) “Hazrat Sa’id ibn Al-As (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: Perguntei a Abu Musa al-Ash’ari e a Hudhayfa ibn al-Yaman: ‘Quantos takbirs o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) pronunciava no Eid al-Adha e no Eid al-Fitr?’ Abu Musa respondeu: ‘Pronunciava quatro takbirs, como os que são pronunciados na oração fúnebre.’ Hudhayfa disse: ‘Abu Musa falou corretamente.’” (Abu Dawud)

Explicação: Devido à existência de diferentes hadiths sobre quantos takbires devem ser proferidos na oração do Eid, surgiram diferentes opiniões entre os imames. Com base no primeiro hadith, os imames Malik, Shafi‘i e Ahmad ibn Hanbal afirmaram que, na primeira rak‘ah da oração do Eid, devem ser proferidos sete takbires, sem contar o takbir de tahrimah, e, na segunda rak‘ah, cinco takbires, sem contar o takbir do rukū‘. No subcontinente, os Ahl al-Hadith também praticam a oração do Eid com doze takbires. O erudito Ibn Taymiyyah e Shah Waliullah Dehlawi também consideraram mais aceitável a opinião dos doze takbires. Eu (o autor) rezei muitas vezes a oração do Eid em Makkah, Madinah e em vários outros lugares dos países árabes. Em todos esses lugares, realizei a oração do Eid com doze takbires. Por outro lado, com base no segundo hadith, os imames Abu Hanifah e al-Thawri afirmaram que, na oração do Eid, devem ser proferidos oito takbires, incluindo o takbir de tahrimah e o takbir do rukū‘ da segunda rak‘ah. Na realidade, isso resulta em seis takbires adicionais. Em todo o subcontinente, no Egito e na Turquia, a oração do Eid é realizada segundo a jurisprudência hanafita. Contudo, segundo a maioria dos imames e muhaddiths, os takbires adicionais do Eid são sunnah. Se alguém deixar de proferir um takbir, por esquecimento ou deliberadamente, a oração não será invalidada. Segundo o imam Abu Hanifah, se algum takbir for perdido, deve-se realizar o sujūd al-sahw.

Capítulo 3: Zakat

Descrição da zakat

A zakat é um dos cinco pilares fundamentais do Islã. Em termos de importância, a zakat vem imediatamente depois da oração. Allah, o Senhor dos mundos, mencionou muitas vezes no Alcorão a zakat juntamente com a oração. Assim como sobre a comunidade de Muhammad, a zakat também era obrigatória para as comunidades anteriores. A zakat tornou-se obrigatória em Madinah, no segundo ano da Hégira.

Ao ordenar a zakat, Allah, o Altíssimo, diz no Alcorão:

وَأَقِيمُوا الصَّلَاةَ وَآتُوا الزَّكَاةَ وَمَا تُقَدِّمُوْ لَأَنْفُسِكُمْ مِنْ خَيْرٍ تَجِدُوهُ عِنْدَ اللَّهِ (البقرة – ١١٠)

“E estabelecei a oração e dai a zakat; e tudo de bom que fizerdes aqui, para o vosso próprio benefício (na vida terrena), encontrareis sua plena recompensa junto de Allah.”
(Surah al-Baqarah, versículo 110)

Allah, o Senhor dos mundos, diz ainda:

وَالْمُؤْمِنُوْنَ وَالْمُؤْمِنَاتُ بَعْضُهُمْ أَوْلِيَاءُ بَعْضٍ يَأْمُرُونَ بِالْمَعْرُوفِ وَيَنْهَوْنَ عَنِ الْمُنْكَرِ وَيُقِيمُونَ الصَّلاةَ
وَيُؤْتُونَ الزَّكَاةَ (التوبة : (۷۱)

“Os homens e as mulheres crentes são amigos uns dos outros. Eles ordenam o que é bom e impedem as pessoas de praticar o mal. Estabelecem a oração e pagam o zakat.” (Surata At-Tawbah, 71)

Allah disse, dirigindo-se ao Seu Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele):

خُدْ مِنْ أَمْوَالِهِمْ صَدَقَةً تُطَهِّرُهُمْ وَتُزَكِّيهِمْ بِهَا (التوبة – ١٠٣)

“Aceite o zakat dos bens deles e purifique-os com isso.” (Surata At-Tawbah, versículo 103)

Assim, Allah revelou versículos mencionando o zakat em inúmeros lugares do Seu Alcorão.

A importância do zakat

(٢٠٥) وَعَنْ عَبْدِ اللَّهِ ابْنِ عُمَرَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُمَا أَنَّ رَسُولَ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ قَالَ بُنِيَ الْإِسْلَامُ عَلَى خَمْسٍ شَهَادَةِ أَنْ لَا إِلَهَ إِلَّا اللَّهُ وَأَنَّ مُحَمَّدًا عَبْدُهُ وَرَسُولُهُ وَإِقَامِ الصَّلَاةِ وَإِيتَاءِ الزَّكَاةِ وَحَجَّ الْبَيْتِ وَصَوْمِ رَمَضَانَ (بخاري – مسلم)

(205) “Hazrat Abdullah ibn Umar (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: O fundamento do Islam foi estabelecido sobre cinco coisas. A primeira é testemunhar que ‘não há divindade além de Allah, e Muhammad (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) é Seu servo e Mensageiro’; a segunda é estabelecer a oração; a terceira é pagar o zakat; a quarta é realizar o hajj à Casa de Allah; e a quinta é jejuar durante o mês de Ramadã.’” (Bukhari, Muslim)

(٢٠٦) وَعَنْ جَرِيرِ بْنِ عَبْدِ اللَّهِ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ بَايَعْتُ النَّبِيَّ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ عَلَى إِقَامِ الصَّلَاةِ وَإِيْتَاءِ الزَّكَاةِ وَالنُّصْحِ لِكُلِّ مُسْلِمٍ (بخاري – مسلم)

(206) “Hazrat Jarir ibn Abdullah (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: Prestei o juramento de fidelidade ao nobre Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) para estabelecer a oração, pagar o zakat e desejar o bem de todo muçulmano.’” (Bukhari, Muslim)

Explicação: Esses dois hadiths mencionados acima comprovam a extrema importância do zakat na sharia.

(۲۰۷) وَعَنْ عَبْدِ اللَّهِ ابْنِ عُمَرَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُمَا قَالَ قَالَ رَسُولُ اللهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ مَنْ اسْتَفَادَ مَالاً فَلَا زَكَاةً فِيْهِ حَتَّى يَحُولَ عَلَيْهِ الحَوْلُ (ترمذي)

(207) “Hazrat Abdullah ibn Umar (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: Aquele que adquirir algum patrimônio não estará obrigado a pagar o zakat sobre esse patrimônio antes que tenha transcorrido um ano.’” (Tirmidhi)

Explicação: Para que o zakat se torne obrigatório sobre o patrimônio sujeito ao zakat, ele deve permanecer com o proprietário por pelo menos um ano. Se o patrimônio for gasto antes de se completar um ano, não será necessário pagar o zakat sobre ele.

(۲۰۸) وَعَنْ عَلِيِّ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ أَنَّ الْعَبَّاسَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ سَأَلَ رَسُولَ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ فِي تَعْجِيلِ صَدَقَتِهِ فَرَخَّصَ لَهُ فِي ذَالِكَ
(أبو داود – ترمذي – ابن ماجة – والدارمي)

(208) “Segundo uma narração de Hazrat Ali (r.a.), certa vez Hazrat Abbas (r.a.) perguntou ao Mensageiro (s.a.w.) sobre pagar a zakat antes de completar o ano; o Profeta (s.a.w.) permitiu-lhe fazê-lo.” (Abu Dawud, Tirmidhi, Ibn Majah, Darimi)

Explicação: Se alguém pagar a zakat por necessidade antes de completar o ano, sua zakat será considerada cumprida.

(۲۰۹) وَعَنْ عَبْدِ اللَّهِ بْنِ عُمَرَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُمَا عَنِ النَّبِيِّ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ قَالَ فِيْمَا سَقَتِ السَّمَاءُ وَالْعُيُونُ أَوْ كَانَ عَشَرِيًّا الْعُشْرُ وَمَا سُقِيَ بِالنَّصْحِ نِصْفُ الْعُشْرِ (بخاري)

(209) “Hazrat Abdullah ibn Umar (r.a.) narrou que o Nobre Profeta (s.a.w.) disse: Sobre aquilo que é irrigado pela água da chuva, pela água corrente de um poço ou pela água de um canal, deve-se pagar o ushr (um décimo); e sobre aquilo que é irrigado por meio de irrigação artificial, deve-se pagar meio ushr (um vigésimo).” (Bukhari)

Explicação: As terras cultivadas sem irrigação artificial, com água natural — como a água da chuva, água corrente, água de poço, de nascente ou de canal — são chamadas terras de ushr. Isto é, deve-se pagar, como zakat ou ushr, um décimo da produção dessas terras. Contudo, a quantidade da colheita deve ser de vinte e seis e meio maunds. Ou seja, para que o ushr ou a zakat se torne obrigatório sobre a colheita, a produção do proprietário da terra deve totalizar cinco wasqs, isto é, vinte e seis e meio (26,5) maunds. Abaixo disso, o ushr não será obrigatório. Porém, se a terra tiver de ser cultivada mediante fornecimento de água por irrigação artificial, deve-se dar como zakat um vigésimo da produção. Sobre a zakat das colheitas, Allah, o Senhor dos mundos, deu no Alcorão a seguinte orientação:

كُلُوا مِنْ ثَمَرِهِ إِذَا أَتْمَرَ وَآتُوا حَقَّهُ يَوْمَ حَصَادِهِ
(الأنعام: ١٤١)

“Comei dela quando der fruto; e pagai o direito de Allah no dia da colheita.” (Surata Al-An’am, 141)

Em outra passagem, Allah disse no Alcorão:

وَأَنْفِقُوا مِنْ طَيِّبَاتِ مَا كَسَبْتُمْ وَمِمَّا أَخْرَجْنَالَكُمْ مِنَ
الْأَرْضِ (البقرة : ٢٦٧)

“Doem uma parte dos bens lícitos que adquiristes e daquilo que extraí para vós da terra.”
(Surata Aal Imran, 267)

Por meio do versículo acima, Allah, o Altíssimo, ordenou-nos que pagássemos o zakat sobre as colheitas produzidas.

Segundo o Imam Abu Hanifa, deve-se pagar zakat sobre tudo: arroz, trigo, cevada, leguminosas, tâmaras e outros, incluindo frutas e verduras. Pois Allah disse: “Tudo quanto produzi para vós da terra.” Contudo, os Imames Malik e Shafi’i dizem que o zakat é obrigatório sobre as colheitas alimentares que as pessoas podem pesar e armazenar. Não é necessário pagar zakat sobre verduras e frutas.

(۲۱۰) وَعَنْ أَبِي سَعِيدٍ الْخُدْرِي رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ أَنَّ النَّبِيُّ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ قَالَ الْوَسْقُ سِتُّوْنَ صَاعًا
أحمد – أبو داود)

(210) “Abu Sa’id al-Khudri narrou que o Nobre Profeta disse: ‘Um wasaq equivale a sessenta sa’.” (Ahmad, Abu Dawud)

Explicação: Em árabe, um sa’ equivale a três ser e nove chhatak de nossa medida. Sessenta sa’ desse tipo formam um wasaq, e quando se atingem cinco wasaq, o zakat torna-se obrigatório. Isso corresponde aproximadamente a vinte e seis man e meio segundo o peso de nosso país, ou um pouco mais.

(۲۱۱) وَعَنْ أَبِي سَعِيدٍ الْخُدْرِيِّ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ قَالَ رَسُولُ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ لَيْسَ فِيْمَا دُونَ خَمْسَةِ أَوْسُقٍ مِنَ التَّمْرِ صَدَقَةٌ وَلَيْسَ فِيْمَا دُونَ خَمْسٍ أَوَاقٍ مِنَ الْوَرِقِ صَدَقَةٌ وَلَيْسَ فِيْمَا دُونَ خَمْسٍ ذَوْدٍ مِنَ الإِبل صَدَقَةٌ (بخاري – مسلم)

(211) “Hazrat Abu Sa’id al-Khudri (r.a.) disse: O Mensageiro (s.a.w.) disse: Não há zakat sobre menos de cinco wasaq de tâmaras, nem sobre menos de cinco uqiyyas de prata, nem sobre menos de cinco jawd de camelos.” (Bukhari, Muslim)

Explicação: A descrição do wasaq foi apresentada anteriormente. Quarenta dirhams equivalem a uma uqiyya; um dirham é um pouco mais que quatro annas. Assim, cinco uqiyyas equivalem a duzentos dirhams ou, segundo a nossa medida, a cinquenta e duas tolas e meia; isto é, não há zakat sobre menos de cinquenta e duas tolas e meia de prata. Chama-se “jawd” a um pequeno rebanho de camelos; cinco jawd correspondem aproximadamente a vinte e cinco camelos. Alguns, porém, disseram que correspondem a quinze.

(۲۱۲) وَعَنْ مُعَاذِ بْنِ جَبَلٍ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ أَنَّ النَّبِيَّ صَلَّى اللهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ لَمَّا وَجْهَهُ إِلَى الْيَمَنِ أَمَرَهُ أَنْ

يَأْخُذَ مِنَ الْبَقَرِ مِنْ كُلِّ ثَلَاثِيْنِ تَبِيْعًا أَوْ تَبِيْعَةً وَّمِنْ كُلِّ أَرْبَعِينَ مُسِنَّةٌ
أبو داود – ترمذي – نسائي – دارمي)

(212) “Foi narrado por Hazrat Mu’adh ibn Jabal (r.a.) que, quando o Nobre Profeta (s.a.w.) o enviou ao Iêmen, ordenou-lhe que, como zakat do gado bovino, cobrasse por cada trinta uma cria bovina de um ano, macho ou fêmea, e por cada quarenta vacas uma vaca de dois anos.” (Abu Dawud, Tirmidhi, Nasa’i, Darimi)

Explicação: Não é devido zakat sobre o gado bovino utilizado para arar a terra, puxar carroças e em trabalhos semelhantes. Sim, se o gado pastar nos campos e for criado alimentando-se da relva e da água dos campos abertos, então deve-se dar uma cria de um ano por cada trinta vacas, uma cria de dois anos por cada quarenta, e uma por cada quarenta cabras e ovelhas.

(۲۱۳) وَعَنْ أُمِّ سَلَمَةَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهَا قَالَتْ كُنْتُ أَلْبَسُ أَوْضَاحًا مِنْ ذَهَبٍ فَقُلْتُ يَا رَسُولَ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ أَكَنْزٌ هُوَ فَقَالَ مَا بَلَغَ أَنْ تُؤَدَّى زَكَاتُهُ فَزُكِّي فَلَيْسَ بكنز (مالك – أبو داود)

(213) “Hazrat Umm Salama (r.a.) disse: Eu usava uma awjah de ouro (um tipo especial de joia) e perguntei ao Mensageiro: Ó Mensageiro de Allah, isto é kanz? (Sobre o qual Allah advertiu no Alcorão.) O Mensageiro (s.a.w.) respondeu: Aquilo que atinge o valor mínimo sujeito ao zakat e cujo zakat é pago não é kanz.” (Malik, Abu Dawud)

Explicação: Quer se trate de ornamentos de ouro ou de ouro guardado, se alguém possuir sete tolas e meia de ouro e mantiver sua posse durante um ano, deverá pagar o zakat correspondente. O zakat deve ser pago calculando-se dois e meio por cento sobre o valor do ouro. Depois de pagar o zakat do ouro, qualquer que seja a quantidade restante, ela não será considerada tesouro acumulado. Contudo, segundo alguns imãs, não é necessário pagar zakat sobre o ouro usado. Segundo o Imã Abu Hanifa, quer o ouro seja usado ou não, deve-se pagar zakat quando sua quantidade atingir sete tolas e meia.

O zakat pode ser gasto em oito categorias ao todo; essas categorias foram determinadas pelo Alcorão. Assim, Allah diz:

إِنَّمَا الصَّدَقَاتُ لِلْفُقَرَاءِ وَالْمَسَاكِينَ وَالْعَامِلِينَ عَلَيْهَا وَالْمُؤَلَّفَةِ قُلُوبُهُمْ وَفِي الرِّقَابِ وَالْغَارِمِينَ وَفِي سَبِيلِ اللَّهِ وَابْنِ السَّبِيلِ فَرِيضَةً مِنَ اللَّهِ وَاللَّهُ عَلِيمٌ حَكِيمٌ (التوبة : ٦٠)

“Certamente, o zakat será destinado àqueles que são (1) pobres, (2) necessitados, (3) funcionários encarregados de arrecadar o zakat, (4) mu’allafatu al-qulub (aqueles cujos corações é necessário conquistar em favor do Islã), (5) escravos, para sua libertação da escravidão, (6) endividados, para o pagamento de suas dívidas, (7) no caminho de Allah e (8) para os viajantes” (Surata At-Tawbah: 60)

É permitido gastar o zakat nas oito categorias mencionadas acima, e não fora delas. A sétima categoria, o caminho de Allah, significa que os recursos do zakat podem ser gastos para suprir as diversas necessidades daqueles que combatem pela religião de Allah.

Alguns detalhes adicionais sobre o zakat

(1) Há divergência entre os imãs sobre se o zakat é obrigatório sobre os bens sujeitos ao zakat ou sobre o proprietário. Segundo os imãs Abu Hanifa e Malik, o zakat é obrigatório sobre os próprios bens sujeitos ao zakat. Por outro lado, a opinião do Imã Ash-Shafi‘i e do Imã Ahmad ibn Hanbal é que o zakat é obrigatório sobre o proprietário dos bens. Portanto, se ele não pagar o zakat com os bens sujeitos ao zakat, mas o pagar com outros bens, seu zakat ainda será considerado cumprido.

Ibn Hazm afirma que o zakat é obrigatório sob a responsabilidade do proprietário; portanto, se o proprietário pagar o zakat do ouro e da prata, do arroz e do trigo, e assim por diante, não a partir desse ouro, prata, arroz ou trigo específico, mas de outros bens que possua, o pagamento também será válido. Ibn Hazm afirma que, desde a época do Mensageiro até hoje, as pessoas têm pago o zakat dessa maneira. Portanto, o zakat não é obrigatório sobre determinados bens sujeitos ao zakat, mas sobre o proprietário.

(2) Deve-se pagar o ushr sobre a produção de uma terra kharajita, isto é, uma terra pela qual se paga imposto? Também a esse respeito há divergência entre os imames.

Sadaqat al-Fitr ou Fitra

Chama-se fitra aquilo que uma pessoa abastada que jejua dá, ao término do Ramadã e antes do Eid, aos necessitados, em seu próprio nome e em nome daqueles que estão sob sua responsabilidade, como uma quantidade determinada de alimento ou o seu valor, na forma de uma doação obrigatória, para purificar o jejum. Na realidade, a fitra é o zakat do jejum. Assim como o zakat dos bens purifica os bens, a fitra purifica o jejum daquele que a oferece. A fitra foi tornada obrigatória no segundo ano da Hégira.

(٢١٤) وَعَنْ عَبْدِ اللَّهِ بْنِ عُمَرَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُمَا قَالَ فَرَضَ رَسُولُ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ زَكَاةَ الْفِطْرِ صَاعًا مِنْ تَمَرٍ أَوْ صَاعًا مِنْ شَعِيْرٍ عَلَى الْعَبْدِ وَالْحُرِّ وَالذَّكَرِ وَالْأُنْثَى وَالصَّغِيرِ وَالْكَبِيْرِ مِنَ الْمُسْلِمِينَ وَأَمَرَ بِهَا أَنْ تُؤَدَّى قَبْلَ خُرُوجِ النَّاسِ إِلَى الصَّلَاةِ
(بخاري – مسلم)

(214) “Hazrat Abdullah ibn Umar (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) estabeleceu como fitra um sā‘ de tâmaras ou cevada para todos os muçulmanos, sem distinção entre escravos e homens e mulheres livres, jovens e idosos. O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) também ordenou que as pessoas a entregassem antes de partir para o local da oração do Eid.” (Bukhari, Muslim)

(٢١٥) وَعَنْ عَبْدِ اللَّهِ بْنِ عَبَّاسٍ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُمَا قَالَ فَرَضَ رَسُولُ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ زَكَاةَ الْفِطْرِ طُهْرَةً لِلصَّائِمِ مِنَ اللَّغْوِ وَالرَّفَتْ وَطُعْمَةً لِلْمَسَاكِيْنِ فَمَنْ أَيَّاهَا قَبْلَ الصَّلَاةِ فَهِيَ زَكَاةٌ مَقْبُولَةٌ وَمَنْ أَدَّاهَا بَعْدَ الصَّلاةِ فَهِيَ صَدَقَةٌ مِنَ الصَّدَقَاتِ

أبو داود – ابن ماجة)

(215) “Hazrat Abdullah ibn Abbas (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) tornou obrigatória a sadaqat al-fitr para purificar o jejum do jejuador das palavras vãs e dos atos obscenos e para alimentar os necessitados. Portanto, quem a entregar antes da oração do Eid terá cumprido a sadaqat al-fitr. Quanto a quem a entregar depois da oração do Eid, ela será apenas uma doação entre as doações comuns.” (Abu Dawud, Ibn Majah)

Explicação: após analisar os hadiths sobre o fitra, o Imam Shafi’i e o Imam Ahmad deram o parecer de que o fitra é fard. O Imam Abu Hanifa disse que é wajib, e o Imam Malik disse que é sunnat mu’akkada.

O fitra deve ser pago antes de partir para o local da oração do Eid; contudo, é melhor pagá-lo um ou dois dias antes do Eid. Isso porque é desejo de Allah que também os muçulmanos necessitados possam participar da alegria do Eid com os bens obtidos por meio do fitra. Para que o fitra se torne wajib, a condição é ter suficiência no dia do Eid. Ou seja, aquele que tiver condições razoáveis no dia do Eid deve pagar o fitra. Alguns disseram que, no dia do Eid, basta possuir bens no valor a partir do qual o zakat se torna obrigatório para que se deva pagar o fitra.

Um ‘sa’ equivale a três seer e nove chhatak. Segundo a opinião do Imam Abu Hanifa, se alguém pagar o fitra com trigo, deverá dar meio sa’, isto é, um seer e doze chhatak e meio; se o pagar com outros alimentos, deverá dar um sa’ completo, isto é, três seer e nove chhatak.

Todos os juristas concordam que o fitra se torna obrigatório no último dia de jejum.

(٢١٦) وَعَنْ عَبْدِ اللَّهِ ابْنِ عَبَّاسٍ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُمَا قَالَ فِي آخِرِ رَمَضَانَ أَخْرِجُوا صَدَقَةَ صَوْمِكُمْ فَرَضَ

رَسُولُ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ هَذِهِ الصَّدَقَةَ صَاعًا مِنْ تَمْرٍ أَوْ شَعِيرٍ أَوْ نِصْفَ صَاعٍ مِنْ قَمْحٍ عَلَى كُلِّ حُرٍ أَوْ مَمْلُوكٍ ذَكَرٍ أَوْ أُنثَى صَغِيْرٍ أَوْ كَبِيرٍ
(أبو داود – نسائي)

(216) “Foi narrado por Hazrat Abdullah ibn Abbas (que Allah esteja satisfeito com ele) que, certa vez, no final do Ramadã, dirigindo-se às pessoas, disse: pagai a sadaqa do vosso jejum. O Mensageiro (que a paz esteja com ele) determinou, por cada muçulmano, seja livre ou escravo, homem ou mulher, jovem ou idoso, um sa’ de tâmaras ou cevada, e meio sa’ de trigo.” (Abu Dawud, Nasa’i) Explicação: o hadith acima, que estabelece meio sa’ para o fitra de trigo, é a prova do Imam Abu Hanifa sobre este assunto.

Capítulo 4: O jejum

A importância do jejum na Sharia

يَا أَيُّهَا الَّذِينَ آمَنُوا كُتِبَ عَلَيْكُمُ الصِّيَامُ كَمَا كُتِبَ عَلَى الَّذِيْنَ مِنْ قَبْلِكُمْ لَعَلَّكُمْ تَتَّقُوْنَ
(البقرة: ۱۸۳)

“Ó vós que credes, foi-vos prescrito o jejum, assim como foi prescrito aos que vos precederam, para que alcanceis a piedade.” (Surata Al-Baqara, 183)

A obrigatoriedade do jejum é comprovada pelo Alcorão, pela Sunnah e pelo ijma. O sawm, ou jejum, é um ato formal de adoração muito antigo, que também era obrigatório para as comunidades anteriores à comunidade de Muhammad.

A prova da Sunnah quanto à obrigatoriedade do jejum é a seguinte:

(۲۱۷) وَعَنْ ابْنِ عُمَرَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُمَا أَنَّ رَسُولَ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ قَالَ بُنِيَ الإِسْلَامُ عَلَى خَمْسٍ شَهَادَةِ أَنْ لَا إِلَهَ إِلَّا اللَّهُ وَأَنَّ مُحَمَّدًا عَبْدُهُ وَرَسُولُهُ وَإِقَامِ الصَّلَاةِ وَإِيتَاءِ الزَّكَاةِ وَصِيَامٍ رَمَضَانَ وَحِجّ الْبَيْتِ (بخاري – مسلم)

(217) “Foi narrado por Ibn Umar (que Allah esteja satisfeito com ele) que o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: O Islam foi fundamentado sobre cinco coisas: (1) testemunhar que não há divindade além de Allah e que Muhammad é Seu servo e Mensageiro; (2) estabelecer a oração; (4) jejuar no mês de Ramadan; e (5) realizar o Hajj à Casa de Allah.”

Desde a época dos nobres Companheiros até hoje, toda a comunidade está em consenso (ijma) quanto à obrigatoriedade do jejum. Portanto, a obrigatoriedade do jejum também é comprovada pelo consenso da comunidade. Negar a obrigatoriedade do jejum é incredulidade, e não cumprir o jejum embora se reconheça sua obrigatoriedade é pecado.

Assim como o jejum beneficia a alma humana, também beneficia o corpo. O jejum aumenta a pureza da alma e a agudeza do poder de reflexão do ser humano. É por isso que, desde tempos imemoriais, os sufis, os ascetas e as pessoas tementes a Deus vêm observando o jejum.

Observar o jejum ao ver a lua e interrompê-lo ao ver a lua

(۲۱۸) وَعَنْ ابْنِ عَبَّاسٍ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُمَا قَالَ جَاءَ أَعْرَابِي إِلَى النَّبِيِّ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ فَقَالَ إِنِّي رَأَيْتُ الْهِلَالَ يَعْنِي هِلَالَ رَمَضَانَ فَقَالَ أَتَشْهَدُ أَنْ لَا إِلَهَ إِلَّا اللهُ قَالَ نَعَمْ قَالَ أَتَشْهَدُ أَنَّ مُحَمَّدًا رَسُولُ اللَّهِ قَالَ نَعَمْ قَالَ يَا بِلالُ أَذَّنْ فِي النَّاسِ أَنْ يَصُوْمُوا غَدًا
(بخاري – مسلم – ترمذي – نسائي)

(218) “É relatado por Ibn Abbas (que Allah esteja satisfeito com ele) que um beduíno árabe compareceu diante do nobre Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) e disse: ‘Eu vi a lua nova do Ramadã.’ O Profeta perguntou-lhe: ‘Você testemunha que não há divindade além de Allah?’ Ele respondeu: ‘Sim.’ O Profeta perguntou novamente: ‘Você testemunha que Muhammad é o Mensageiro de Allah?’ Ele respondeu: ‘Sim.’ Então o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse a Bilal: ‘Anuncie ao povo que eles devem começar a jejuar a partir de amanhã.’” (Bukhari, Muslim, Tirmidhi, Nasa’i)

(۲۱۹) وَعَنْ عَبْدِ اللَّهِ ابْنِ عُمَرَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُمَا قَالَ تَرَايَ النَّاسُ الْهِلَالَ فَأَخْبَرْتُ رَسُولَ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ إِنِّي رَأَيْتُهُ فَصَامَ وَأَمَرَ النَّاسَ بِصِيَامِهِ
أبو داود – دارمي)

(219) Abdullah ibn Umar (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: “Certo dia, as pessoas estavam tentando avistar a lua nova do Ramadã. Fui informar ao Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) que eu havia visto a lua do jejum. Ao ouvir essa notícia, o Profeta também jejuou e ordenou às pessoas que jejuassem.” (Abu Dawud, Darimi)

Explicação: No que diz respeito à observação da lua nova do jejum, o testemunho de um muçulmano é suficiente; isto é, se um muçulmano testemunhar que ele próprio viu a lua, então deve-se começar o jejum com base em seu testemunho. Isso é comprovado pelo significado do hadith acima mencionado. Essa também é a opinião dos imames. Contudo, se o céu estiver completamente limpo, o testemunho de uma única pessoa não será suficiente. Quanto à lua do Eid, a opinião dos imames é que são necessários os testemunhos de pelo menos dois muçulmanos confiáveis caso o céu esteja nublado no dia 29 do Ramadã. Se o céu estiver limpo, a observação da lua não será comprovada sem o testemunho de um número maior de pessoas.

(۲۲۰) وَعَنْ عَبْدِ اللَّهِ ابْنِ عُمَرَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُمَا قَالَ قَالَ رَسُوْلُ اللَّهِ صَلَّى اللهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ لَا تَصُوْمُوا حَتَّى تَرَوُا الْهِلَالَ وَلَا تُفْطِرُوا حَتَّى تَرَوْهُ فَإِنْ غُمَّ عَلَيْكُمْ فَاقْدِرُوا لَهُ وَفِي رِوَايَةٍ قَالَ الشَّهْرُ تِسْعٌ وَعِشْرُونَ لَيْلَةً فَلَا تَصُوْمُوا حَتَّى تَرَوْهُ فَإِنْ غُمَّ عَلَيْكُمْ فَاكْمِلُوا
الْعِدَّةَ ثَلاثِينَ (بخاري – مسلم)

(220) “Hazrat Abdullah ibn Umar (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: Não jejuem sem ver a lua nova, nem deixem de jejuar sem ver a lua nova. Se a lua estiver oculta (por causa das nuvens), completem (o mês de Sha’ban). Em outra narração, o Mensageiro disse: Um mês também pode ter vinte e nove noites; portanto, não jejuem sem ver a lua nova. Se ela não puder ser vista por causa das nuvens, completem os trinta dias de Sha’ban.” (Bukhari, Muslim)

(۲۲۱) وَعَنْ أَبِي هُرَيْرَةَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ قَالَ النَّبِيُّ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ صُومُوا لِرُؤْيَتِهِ وَأَفْطِرُوا لِرُؤْيَتِهِ فَإِنْ غُمَّ عَلَيْكُمْ فَأَكْمِلُوا عِدَّةَ شَعْبَانَ ثَلاثِينَ (بخاري – مسلم)

(221) “Hazrat Abu Huraira (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: Jejuem ao ver a lua nova e deixem de jejuar ao ver a lua nova. Sim, se a lua não puder ser vista por causa das nuvens, completem os trinta dias de Sha’ban.” (Bukhari, Muslim)

Explicação: O mês árabe (mês lunar) pode ter vinte e nove dias ou trinta dias. Por isso, o Mensageiro disse: Se, devido ao céu nublado, ninguém vir a lua no dia 29 de Sha’ban ou no dia 29 de Ramadan, então completem os trinta dias de Sha’ban e jejuem. E, se no dia 29 de Ramadan a lua nova de Shawwal não for vista, completem os trinta dias de Ramadan e celebrem o Eid.

Jejuar no dia da dúvida

(۲۲۲) وَعَنْ عَمَّارِ بْنِ يَاسِرٍ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ مَنْ صَامَ الْيَوْمَ الَّذِي يُشَكُ فِيْهِ فَقَدْ عَصَى أَبَا الْقَاسِمِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ (ابوداؤد – ترمذي)

(222) “Hazrat Ammar ibn Yasir (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: Quem jejuar no dia da dúvida certamente desobedecerá a Abu al-Qasim (o Mensageiro).” (Abu Dawud, Tirmidhi)

(۲۲۳) وَعَنِ ابْنِ عَبَّاسٍ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ قَالَ رَسُولُ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ صُوْمُوا لِرُؤْيَتِهِ وَافْطِرُوا لِرُؤْيَتِهِ فَإِنْ حَالَ بَيْنَكُمْ وَبَيْنَهُ سَحَابٌ فَكَمِلُوا الْعِدَّةَ ثَلَاثِينَ وَلَا تَسْتَقْبَلُوا الشَّهْرَ اسْتَقْبَالاً (أحمد – نسائي – ترمذي)

(223) “Ibn Abbas (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: Jejuai ao avistar a lua nova e encerrai o jejum ao avistá-la. Porém, se uma nuvem impedir a visão da lua entre vós e ela, completai trinta dias. E não antecipeis o mês sem motivo.” (Ahmad, Nasai, Tirmidhi)

Explicação: Se a lua não for avistada porque o céu está nublado, esse dia é chamado de يَوْمُ الشَّكِ ou seja, o dia da dúvida. Isso ocorre porque, nesse dia, há dúvida quanto ao nascimento ou não da lua. O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) proibiu rigorosamente jejuar o Ramadã em um dia dessa natureza. Da mesma forma, proibiu celebrar o Eid nesse dia supondo que a lua tivesse nascido. Esse dia ocorre sempre no dia 29 do mês lunar, pois, depois de completados trinta dias, não há dúvida quanto à conclusão do mês.

Descrição do suhur e do iftar

(٢٢٤) وَعَنْ أَنَسٍ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ قَالَ رَسُولُ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ تَسَخَّرُوا فَإِنَّ فِي السُّحُوْرِ بَرَكَةٌ
(بخاري – مسلم)

(224) “Anas (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: Comei o suhur, pois há bênção no suhur.” (Bukhari e Muslim)

(٢٢٥) وَعَنْ عَمْرِ وَبْنِ الْعَاصِ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ قَالَ رَسُولُ اللَّهِ صَلَّى اللهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ فَصْلُ مَا بَيْنَ صِيَامِنَا وَصِيَامٍ أَهْلِ الْكِتَابِ أُكْلَةُ السَّحَرِ (أبو داود)

(225) “Amr ibn al-As (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: A diferença entre o nosso jejum e o jejum do Povo do Livro (judeus e cristãos) é o suhur” (isto é, nós, a comunidade de Muhammad, fazemos o jejum depois de comer o suhur, enquanto o Povo do Livro não come o suhur durante o seu jejum.)” (Abu Dawud)

Explicação: O alimento consumido com a intenção de jejuar pouco antes do início da alvorada verdadeira é chamado de suhur. Na realidade, depois de comer o suhur, o jejum começa no momento imediatamente anterior ao início da alvorada verdadeira. Todos os imames concordam que, mesmo sem comer o suhur, o jejum será válido; contudo, a pessoa terá abandonado uma sunna e se assemelhará ao jejum do Povo do Livro. Portanto, mesmo que não tenha fome, deve comer um pouco de suhur.

(٢٢٦) وَعَنْ أَبِي هُرَيْرَةَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ قَالَ النَّبِيُّ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ إِذَا سَمِعَ النِّدَاءَ أَحَدُكُمْ وَالْإِنَاءُ فِي يَدِهِ فَلَا يَضَعُهُ حَتَّى يَقْضِي حَاجَتَهُ مِنْهُ (أبو داود)

(226) “Abu Huraira (que Allah esteja satisfeito com ele) relatou que o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: Se algum de vós ouvir o adhan enquanto o recipiente de comida estiver em sua mão, não deverá deixá-lo até satisfazer a sua necessidade.” (Abu Dawud)

Explicação: O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) recomendou comer o suhur tarde, para que o jejum do jejuador não se prolongasse desnecessariamente. Ele chegou a dizer que, mesmo depois de se ouvir o adhan, se ainda restasse alguma comida no vosso recipiente, deveríeis comê-la. Naturalmente, depois de se ter a certeza do início da alvorada verdadeira, já não se pode consumir alimento. Há outro hadith em que o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: Não interrompais a comida e a bebida apenas ao ouvir o adhan de Bilal, pois Bilal dá o adhan da oração do fajr à noite, antes do início da alvorada verdadeira. Podeis comer até ao adhan de Ibn Umm Maktum.

(۲۲۷)
وَعَنْ سَهْلٍ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ قَالَ رَسُولُ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ لَا يَزَالُ النَّاسُ بِخَيْرٍ مَّا عَجَّلُوا الْفِطْرَ (بخاري – مسلم)

(227) “Hazrat Sahl (que Allah esteja satisfeito com ele) relatou que o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: Enquanto as pessoas fizerem o iftar prontamente, permanecerão no bem.” (Bukhari, Muslim)

(۲۲۸) وَعَنْ عُمَرَ بْنِ الْخَطَّابِ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ قَالَ رَسُولُ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ إِذَا أَقْبَلَ اللَّيْلُ مِنْ هَاهُنَا وَأَدْبَرَ النَّهَارُ مِنْ هَاهُنَا وَغَرَبَتِ الشَّمْسُ فَقَدْ أَفْطَرَ الصَّائِمُ (بخاري – مسلم)

(228) “Hazrat Umar ibn al-Khattab (que Allah esteja satisfeito com ele) relatou que o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: Quando a noite chegar deste lado (leste), o dia partir daquele lado (oeste) e o sol se puser, então o jejuador fará o iftar.” (Bukhari, Muslim)

(۲۲۹) وَعَنْ أَبِي هُرَيْرَةَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ قَالَ رَسُوْلُ اللهِ صَلَّى اللهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ قَالَ اللَّهُ تَعَالَى أَحَبُّ عِبَادِي إِلَيَّ أَعْجَلُهُمْ فِطْرًا (ترمذي)

(229) “Hazrat Abu Huraira (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: o Mensageiro (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) disse: Allah, o Altíssimo, diz: entre os Meus servos, os mais queridos para Mim são aqueles que rompem o jejum prontamente.” (Tirmidhi)

Explicação: É sunnah atrasar o suhur e comê-lo no último momento, e fazer iftar imediatamente ao pôr do sol, sem qualquer demora. O Profeta enfatizou que se faça iftar sem demora desnecessária depois do pôr do sol; deve-se sentar com o alimento do iftar à frente antes do pôr do sol e romper o jejum assim que o som do adhan chegar aos ouvidos. E, como os judeus e os cristãos não fazem suhur durante o jejum e atrasam o iftar, o Profeta ordenou que distingamos nosso jejum do jejum dos judeus e dos cristãos fazendo regularmente o suhur e rompendo o jejum rapidamente.

Este último hadith é um hadith qudsi, pois nele o Profeta (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) citou as palavras de Allah.

(۲۳۰) وَعَنْ أَبِي هُرَيْرَةَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ قَالَ رَسُوْلُ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ لَا يَزَالُ الدِّيْنُ ظَاهِرًا مَا عَجَلَ النَّاسُ الْفِطْرَ لأَنَّ الْيَهُودَ وَالنَّصَارَى يُؤَخِّرُونَ
أبو داود ابن ماجة

(230) “Hazrat Abu Huraira (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: o Mensageiro (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) disse: enquanto as pessoas fizerem iftar prontamente, o deen permanecerá vitorioso. Isso porque os judeus e os cristãos atrasam o iftar.” (Abu Dawud, Ibn Majah)

Explicação: O significado do hadith é que, enquanto minha ummah se abstiver de seguir os não muçulmanos e praticar devidamente o seu próprio deen, o deen permanecerá vitorioso.

(۲۳۱) وَعَنْ مُعَاذِ بْنِ زُهْرَةَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ إِنَّ النَّبِيَّ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ كَانَ إِذَا أَفْطَرَ قَالَ اللَّهُمَّ لَكَ صُمْتُ وَعَلَى رِزْقِكَ أَفْطَرْتُ (أبو داود)

(231) “Hazrat Muadh bin Zuhra (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: quando o nobre Profeta (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) fazia iftar, dizia: Ó Allah, jejuei somente por Ti e faço iftar com o sustento que Tu me concedeste.” (Abu Dawud)

(۲۳۲) وَعَنْ حَفْصَةً رَضِيَ اللَّهُ عَنْهَا قَالَتْ قَالَ رَسُولَ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ قَالَ مَنْ لَمْ يُجْمِعِ الصِّيَامَ قَبْلَ الْفَجْرِ فَلَا صِيَامَ لَهُ
ترمذي – أبو داود – نسائي – دارمي)

(232) «Hazrat Hafsa (que Allah esteja satisfeito com ela) disse: Quem não tiver formulado a intenção de jejuar antes do amanhecer não terá seu jejum válido.» (Tirmidhi, Abu Dawud, Nasa’i, Darimi)

Explicação: Os atos obrigatórios (pilares) do jejum são dois: (1) formular a intenção; (2) abster-se de comer, beber e manter relações sexuais. Com base neste hadith, o Imam Malik, Shafi’i e o Imam Ahmad ibn Hanbal dizem que o jejuador deve formular a intenção de jejuar antes da alvorada verdadeira. Por outro lado, o Imam Abu Hanifa, baseando-se num hadith relacionado à Ashura, diz que também é válido formular a intenção antes do sol declinar. (Caso se esqueça de formular a intenção, nesta situação)

Atos que não invalidam o jejum

(۲۳۳) وَعَنْ عَائِشَةَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهَا قَالَتْ كَانَ النَّبِيُّ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ يُدْرِكُهُ الْفَجْرُ فِي رَمَضَانَ وَهُوَ جُنُبٌ مِنْ غَيْرِ حُلْمٍ فَيَغْتَسِلُ وَيَصُوْمُ (بخاري – مسلم)

(233) «Hazrat Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela) disse: Às vezes, a alvorada chegava enquanto o Profeta estava em estado de impureza ritual, sem que tivesse ocorrido uma emissão durante o sono; então ele tomava banho e jejuava.» (Bukhari, Muslim)

Explicação: Na noite do jejum, depois da relação sexual entre marido e mulher, é recomendável tomar banho e purificar-se antes de comer o sehri. Contudo, se alguém não conseguir tomar banho antes do sehri e a alvorada verdadeira chegar nesse estado, seu jejum não será invalidado. Ainda assim, deverá tomar banho rapidamente.

(٢٣٤) وَعَنْ عَائِشَةَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهَا قَالَتْ كَانَ رَسُولُ اللهِ صَلَّى اللهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ يُقَبِّلُ وَيُبَاشِرُ وَهُوَ صَائِمٌ وَكَانَ أَمْلَكُكُمْ لأَرَيهِ (بخاري – مسلم)

(234) “Hazrat Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela) disse: O Mensageiro (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) beijava e encostava seu corpo ao corpo de sua esposa enquanto jejuava. E ele era mais casto do que vós.” (Bukhari, Muslim)

(٢٣٥) عَنْ أَبِي هُرَيْرَةَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ أَنَّ رَجُلًا سَأَلَ
النَّبِيَّ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ عَنِ الْمُبَاشَرَةِ لِلصَّائِمِ فَرَخَّصَ لَهُ وَأَتَاهُ آخَرُ فَسَأَلَهُ فَنَهَاهُ فَإِذَا الَّذِي رُخْصَ لَهُ شَيْخٌ وَالَّذِي نَهَاهُ شَابٌ (أبو داود)

(235) “Foi narrado por Hazrat Abu Huraira (que Allah esteja satisfeito com ele): certa vez, um homem perguntou ao Mensageiro (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) sobre encostar o corpo ao corpo da própria esposa enquanto jejuava. Ele permitiu que o fizesse. Outro homem veio e fez a mesma pergunta, mas ele o proibiu. Mais tarde, verificou-se que aquele a quem fora dada permissão era idoso, e aquele que fora proibido era jovem.” (Abu Dawud)

Explicação: Para quem jejua, a relação sexual com a esposa é absolutamente proibida durante o jejum. Portanto, enquanto jejuam, marido e mulher não devem praticar qualquer ato que provoque ejaculação, nem devem, por perderem o autocontrole, acabar obrigados a manter relações sexuais. Nesse caso, o motivo pelo qual o Mensageiro permitiu ao idoso a mesma prática — isto é, a mubasharat entre marido e mulher durante o jejum (deitar-se com os órgãos genitais unidos, sem roupas) — e a proibiu ao jovem é que o desejo sexual do idoso é fraco. Ao praticar a mubasharat, ele não perderá o autocontrole. Já o desejo sexual do jovem não é fraco; portanto, existe a possibilidade de ele perder o autocontrole. Como o Mensageiro era o mais casto de todos, não havia qualquer possibilidade de perder o autocontrole ao beijar ou abraçar durante o jejum, como mencionou Hazrat Aisha.

(٢٣٦) وَعَنْ أَبِي هُرَيْرَةَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ قَالَ رَسُولُ اللَّهِ
صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ مَنْ نَسِيَ وَهُوَ صَائِمٌ فَأَكَلَ أَوْ شَرِبَ فَلْيُتِمَّ صَوْمَهُ فَإِنَّمَا أَطْعَمَهُ اللَّهُ وَسَقَاهُ (بخاري – مسلم)

(236) “Hazrat Abu Huraira (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: O Mensageiro (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) disse: se alguém comer ou beber algo por esquecimento enquanto jejua, deve completar o jejum, pois Allah o alimentou e lhe deu de beber.” (Bukhari, Muslim)

Explicação: Se alguém comer algo por esquecimento, mesmo que coma até encher o estômago, o jejum não será invalidado; portanto, ainda que alguém tenha comido por esquecimento, deverá completar o jejum.

(۲۳۷) وَعَنْ عَامِرِ بْنِ رَبِيعَةَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ رَأَيْتُ النَّبِيُّ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ مَا لَا أُحْصِي يَتَسَوَّكُ وَهُوَ صائم (ترمذي – أبو داود )

(237) “Hazrat Amir bin Rabia (r.a.) disse: Vi o nobre Profeta (s.a.w.) usar o miswak inúmeras vezes enquanto estava em jejum.” (Tirmizi, Abu Dawud)

Explicação: Quer se use um miswak feito de um galho seco ou de um galho fresco durante o jejum, isso não prejudicará o jejum. Contudo, escovar os dentes com qualquer tipo de dentifrício em pó ou pasta durante o jejum é makruh.

(۲۳۸) وَعَنْ أَبِي هُرَيْرَةَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ قَالَ رَسُولُ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ مَنْ ذَرَعَهُ الْقَيْءُ وَهُوَ صَائِمٌ فَلَيْسَ عَلَيْهِ قَضَاءٌ وَمَنِ اسْتَقَاءَ عَمَدًا فَلْيَقْضِ
(ترمذي – أبو داود – ابن ماجة)

(238) “Hazrat Abu Huraira (r.a.) disse: O Mensageiro (s.a.w.) afirmou: quem vomitar enquanto estiver em jejum não precisará repor esse jejum; porém, se alguém provocar o vômito deliberadamente, deverá repor o jejum.” (Tirmizi, Abu Dawud, Ibn Majah)

O jejum durante a viagem

(۲۳۹) وَعَنْ عَائِشَةَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهَا أَنَّ حَمْزَةَ بْنَ عَمْرٍو الْأَسْلَمِي قَالَ لِلنَّبِيِّ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ أَأَصُومُ فِي السَّفَرِ قَالَ إِنْ شِئْتَ فَصُمْ وَإِنْ شِئْتَ فَأَفْطِرْ
بخاري – مسلم – ترمذي)

(239) “Hazrat Aisha (r.a.) disse: Certo dia, Hamza bin Amr perguntou ao nobre Profeta (s.a.w.): ‘Senhor, devo jejuar durante a viagem?’ Hamza era um Companheiro que jejuava com muita frequência. O Mensageiro respondeu: ‘Durante a viagem, se quiseres, podes jejuar; e, se quiseres, podes não jejuar.’” (Bukhari, Muslim, Tirmizi)

(٢٤٠) وَعَنْ أَبِي سَعِيدٍ الْخُدْرِيِّ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ غَزَوْنَا مَعَ رَسُولِ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ لِسِتَّ عَشْرَةَ مَضَتْ مِنْ شَهْرِ رَمَضَانَ فَمِنَّا مَنْ صَامَ وَمِنَّا مَنْ أَفْطَرَ فَلَمْ يَعِبِ الصَّائِمُ عَلَى الْمُفْطِرِ وَلَا الْمُفْطِرُ عَلَى الصَّائِمِ (مسلم)

(240) “Hazrat Abu Sa’id al-Khudri (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: certa vez, no dia 16 do Ramadã, estávamos em uma expedição militar com o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Naquela ocasião, alguns de nós estavam jejuando, enquanto outros haviam deixado de jejuar. Contudo, assim como os que jejuavam entre nós não censuraram os que não jejuavam, estes também não repreenderam os que jejuavam. (Muslim)

Explicação: do hadith mencionado acima, sabe-se que, durante uma viagem, cabe ao viajante decidir se jejuará ou não; se quiser, poderá jejuar, e também poderá não jejuar. Contudo, se não jejuar durante a viagem, deverá compensar esse jejum em outro momento.

(٢٤١) وَعَنْ جَابِرِ بْنِ عَبْدِ اللَّهِ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُمَا قَالَ كَانَ رَسُولُ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ فِي سَفَرٍ فَرَأَى زِحَامًا وَرَجُلاً قَدْ ظُلِلَ عَلَيْهِ فَقَالَ مَا هَذَا فَقَالُوْا صَائِمٌ فَقَالَ لَيْسَ مِنَ الْبَرِّ الصَّوْمُ فِي السَّفَرِ (بخاري – مسلم)

(241) “Hazrat Jabir ibn Abdullah (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: certa vez, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) estava viajando. Durante uma parada, viu uma aglomeração de pessoas em um lugar e viu que um homem estava sendo protegido pela sombra. O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) perguntou: ‘O que aconteceu?’ As pessoas responderam: ‘Ele está jejuando.’ O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: ‘Jejuar nessas condições durante uma viagem não é uma boa ação.’ (Bukhari, Muslim)
Explicação: de acordo com o sentido deste hadith, quando jejuar durante uma viagem causa sofrimento excessivo ao viajante, é melhor não jejuar. Certa vez, no final de uma viagem, alguns Companheiros desmaiaram enquanto jejuavam; então o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: ‘Eles cometeram um ato pecaminoso.’ Na realidade, todos os imames concordam que, para quem tem dificuldade de jejuar durante a viagem, é melhor não jejuar. Entretanto, quanto àquele para quem jejuar durante a viagem não é difícil, a opinião do Imam Abu Hanifa, do Imam Malik e do Imam Shafi’i é que é melhor jejuar. Por outro lado, a opinião do Imam Ahmad ibn Hanbal, do Imam Awza’i e do Imam Ishaq é que é melhor não jejuar. (Nayl al-Awtar)

Capítulo 5: Hajj

Descrição do Hajj

وَلِلَّهِ عَلَى النَّاسِ حِجُّ الْبَيْتِ مَنِ اسْتَطَاعَ إِلَيْهِ سَبِيلاً
آل عمران (۹۷)

“É obrigatório para quem tem condições de empreender a viagem realizar o Hajj da Casa Sagrada por Allah.” (Al Imran — 97)

وَأَتِمُوا الْحَجَّ وَالْعُمْرَةَ لِلَّهِ (البقرة : ١٩٦)

“E completai o Hajj e a Umrah por Allah.” (Al-Baqara — 196)

O Hajj é um dos cinco pilares do Islã. Depois que o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) migrou para Medina, o Hajj tornou-se obrigatório no sexto ano da Hégira. Segundo alguns, porém, tornou-se obrigatório no nono ano da Hégira. É obrigatório realizar o Hajj uma vez na vida. Para o Hajj, é necessário que estejam presentes as cinco condições seguintes: (1) ser muçulmano; (2) ter atingido a puberdade; (3) estar em pleno uso da razão; (4) ser livre (não ser escravo); (5) ter capacidade (financeira, física e mental). Segundo os imames Abu Hanifa, Malik e Ahmad ibn Hanbal, é obrigatório realizar o Hajj imediatamente após ele se tornar obrigatório. Contudo, se for realizado mais tarde, ainda será válido. A opinião dos imames al-Shafi’i, al-Awza’i e al-Thawri é que o Hajj é uma obrigação cujo cumprimento pode ser adiado. Portanto, não há problema em realizá-lo mais tarde. Quando essas cinco condições estão presentes, o Hajj torna-se obrigatório tanto para homens quanto para mulheres. Para as mulheres, há ainda uma condição adicional: devem ter um acompanhante mahram durante a viagem.

(٢٤٢) وَعَنْ أَبِي هُرَيْرَةَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ خَطَبَنَا رَسُولُ اللَّهِ صَلَّى اللهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ فَقَالَ يَا أَيُّهَا النَّاسُ قَدْ فَرِضَ عَلَيْكُمُ الْحَجُّ فَحَجُّوا فَقَالَ رَجُلٌ أَكُلَّ عَامٍ يَا رَسُولَ اللهِ فَسَكَتَ حَتَّى قَالَهَا ثَلَاثًا فَقَالَ رَسُولُ اللهِ صَلَّى اللهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ لَوْ قُلْتُ نَعَمْ لَوَجَبَتْ وَلَمَا اسْتَطَعْتُمْ ثُمَّ قَالَ ذَرُونِي مَا تَرَكْتُكُمْ فَإِنَّمَا هَلَكَ مَنْ كَانَ قَبْلَكُمْ بِكَثْرَةِ سُؤَالِهِمْ وَاخْتِلَافِهِمْ عَلَى أَنْبِيَائِهِمْ فَإِذَا أَمَرْتُكُمْ بِشَيْءٍ فَأْتُوا مِنْهُ مَا اسْتَطَعْتُمْ وَإِذَا نَهَيْتُكُمْ عَنْ شَيْءٍ فَدَعُوهُ (مسلم)

(242) “Abu Huraira (que Allah esteja satisfeito com ele) relatou: Certo dia, enquanto o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) nos fazia um sermão, disse: ‘Ó gente! O Hajj foi tornado obrigatório para vós; portanto, realizai o Hajj.’ Um homem perguntou: ‘Ó Mensageiro de Allah, isso é para todos os anos?’ O Profeta permaneceu em silêncio, até que o homem repetiu a mesma pergunta três vezes. Então o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: ‘Vede, se eu tivesse respondido sim, isso teria se tornado obrigatório para vós todos os anos, mas então não teríeis condições de cumpri-lo.’ Em seguida, disse: ‘As gerações anteriores a vós foram destruídas por fazerem perguntas em excesso e por divergirem de seus profetas. Portanto, quando eu vos ordenar algo, cumpri-o tanto quanto puderdes; e aquilo que eu vos proibir, abandonai-o.’ (Muslim)”

Explicação: Em outro hadith, consta que o companheiro que fez a pergunta era Aqra ibn Habis. Além da questão da obrigatoriedade do Hajj, este hadith permite compreender alguns outros pontos. Primeiro: Allah concedeu ao Nobre Profeta, em determinadas questões relacionadas à Sharia, também a autoridade para emitir instruções fundamentais. Portanto, as instruções do Profeta são igualmente uma fonte da Sharia. Segundo: não se deve fazer perguntas excessivas e minuciosas sem necessidade sobre a religião e a Sharia, pois isso aumenta as dificuldades. Allah diz, por exemplo:

يَا أَيُّهَا الَّذِينَ آمَنُوْا لَا تَسلُّلُوا عَنْ أَشْيَاءَ إِنْ تُبْدَ لَكُمْ تَسْؤُكُمْ (المائدة – ١٠١)

“Ó crentes, não pergunteis sobre várias coisas sem necessidade, pois, se vos forem respondidas, isso vos causará dificuldades.” (Al-Ma’ida — 101)

(٢٤٣) وَعَنْ عَائِشَةَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهَا قَالَتْ خَرَجْنَا مَعَ
رَسُولِ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ عَامَ حَجَّةِ الْوَدَاعِ فَمِنَّا مَنْ أَهَلَّ بِعُمْرَةٍ وَمِنَّا مَنْ أَهَلَّ بِحَجٍ وَعُمْرَةٍ وَمِنَّا مَنْ أَهَلَّ بِالْحَجِّ وَأَهَلَّ رَسُولُ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ بِالْحَجِّ فَأَمَّا مَنْ أَهَلَّ بِعُمْرَةٍ فَحَلَّ وَأَمَّا مَنْ أَهَلَّ بِالْحَجِّ أَوْ جَمَعَ الْحَجَّ وَالْعُمْرَةَ لَمْ يَحِلُّوا حَتَّى كَانَ يَوْمُ النَّحْرِ
(بخاري – مسلم)

(243) “Hazrat Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela) disse: No ano da Peregrinação de Despedida, partimos em viagem com o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Alguns de nós entraram no estado de ihram somente para a umrah. Outros entraram no estado de ihram tanto para o hajj quanto para a umrah. Porém, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) entrou no estado de ihram somente para o hajj. Assim, aqueles que haviam entrado no estado de ihram somente para a umrah saíram do ihram após o tawaf e o sa’y. Já aqueles que haviam entrado no estado de ihram somente com a intenção do hajj, bem como aqueles que haviam combinado o ihram do hajj e da umrah, não saíram do ihram até o Dia do Sacrifício (10 de Dhu al-Hijjah).” (Bukhari, Muslim)

Explicação: Esse acontecimento ocorreu no décimo ano da Hégira, pois a Peregrinação de Despedida do Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) ocorreu no décimo ano da Hégira. Por meio do hadith em questão, sabe-se que existem três tipos de hajj. (1) Qiran: chama-se hajj qiran aquele em que o peregrino entra no estado de ihram, desde o miqat, com a intenção tanto do hajj quanto da umrah, e diz:اللَّهُمَّ لَبَّيْكَ بِحَجِّ وَعُمْرَةٍ

“Ó Allah, aqui estou atendendo ao chamado para o hajj e a umrah.” (2) Ifrad: chama-se ifrad o hajj em que o peregrino entra no estado de ihram, desde o miqat, somente com a intenção do hajj. Ambos os peregrinos mencionados acima devem permanecer usando o ihram até 10 de Dhu al-Hijjah, isto é, até o Dia do Sacrifício. Entretanto, o peregrino que realiza qiran, mencionado primeiro, ao chegar a Meca realizará a umrah antes do hajj. Já aquele que tem a intenção de realizar ifrad fará a umrah depois de concluir o hajj e deverá vestir novamente o ihram para isso. (3) Hajj tamattu’: o peregrino que pretende realizar o hajj tamattu’ entrará no estado de ihram desde o miqat somente com a intenção da umrah e, ao chegar a Meca, concluirá a umrah por meio do tawaf e do sa’y; depois raspará a cabeça ou cortará o cabelo, sairá do ihram e ficará livre das restrições. Em seguida, no dia 8 de Dhu al-Hijjah, entrará novamente no estado de ihram, em Meca, com a intenção do hajj e partirá em direção a Mina.

(٢٤٤) وَعَنْ ابْنِ عَبَّاسٍ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُمَا قَالَ وَقْتَ رَسُولُ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ لِأَهْلِ الْمَدِينَةِ ذَا الْحُلَيْفَةِ وَلِأَهْلِ الشَّامِ الْجُحْفَةَ وَلِأَهْلِ نَجْرٍ قَرْنَ الْمَنَازِلِ وَلِأَهْلِ الْيَمَنِ يَلَمْلَمَ فَهُنَّ لَهُنَّ وَلِمَنْ أَتَى عَلَيْهِنَّ مِنْ غَيْرِ أَهْلِهِنَّ لِمَنْ كَانَ يُرِيدُ الْحَجَّ وَالْعُمْرَةَ فَمَنْ كَانَ دُونَهُنَّ فَمُهَلُهُ مِنْ أَهْلِهِ وَكَذَاكَ وَكَذَاكَ حَتَّى أَهْلُ مَكَّةَ يُهِلُّونَ مِنْهَا (بخاري – مسلم)

(244) “Hazrat Ibn Abbas (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) designou Dhu al-Hulayfah como miqat para os habitantes de Medina; Juhfah (Rabigh) para os habitantes da Síria; Qarn al-Manazil para os habitantes de Najd; e Yalamlam para os habitantes do Iêmen. Esses lugares são os miqats para as pessoas mencionadas acima. E também o são para todos aqueles que, não sendo habitantes desses lugares, passem por eles com a intenção do hajj e da umrah. Quanto àqueles que vivem dentro dos limites do miqat, perto de Meca, o lugar onde devem entrar no estado de ihram é a própria casa. Assim, os habitantes de Meca entrarão no estado de ihram em Meca.” (Bukhari, Muslim)

Explicação: Miqat é o lugar determinado a partir do qual é proibido seguir em direção a Meca sem vestir o ihram. Segundo o Imam Abu Hanifa, todos, exceto os habitantes que vivem dentro dos limites do miqat, devem vestir o ihram e atravessar o miqat. Já segundo o Imam al-Shafi’i, somente aquele que pretende realizar a umrah ou o hajj deve vestir o ihram no miqat, e não os demais.

O tawaf da Casa de Allah

(٢٤٥) وَعَنْ عُرْوَةَ بْنَ الزُّبَيْرِ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ قَدْ حَجَّ النَّبِيُّ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ فَأَخْبَرَتْنِي عَائِشَةُ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهَا أَنَّ أَوَّلَ شَيْءٍ بَدَأَ بِهِ حِيْنَ قَدِمَ مَكَّةَ أَنَّهُ تَوَضَّأَ ثُمَّ طَافَ بِالْبَيْتِ ثُمَّ لَمْ تَكُنْ عُمْرَةٌ ثُمَّ حَجَّ أَبُو بَكْرٍ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ فَكَانَ أَوَّلُ شَيْءٍ بَدَأَ بِهِ الطَّوَافُ بِالْبَيْتِ ثُمَّ لَمْ تَكُنْ عُمْرَةٌ ثُمَّ عُمَرُ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ ثُمَّ عُثْمَانُ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ مِثْلَ ذَالِكَ
(بخاري – مسلم)

(245) “Hazrat Urwa ibn Zubair (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: O Nobre Profeta realizou o hajj; a esse respeito, Hazrat Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela) disse: Quando o Mensageiro entrou em Meca, a primeira coisa que fez foi realizar a ablução. Em seguida, realizou o tawaf da Casa de Allah, mas não o transformou em umrah (isto é, não saiu do ihram). Depois, Hazrat Abu Bakr realizou o hajj; ele também fez primeiro o tawaf da Casa de Allah, mas não o transformou em umrah. Depois, Hazrat Umar e Hazrat Uthman (que Allah esteja satisfeito com ambos) fizeram o mesmo.” (Bukhari, Muslim)

Explicação: Depois de entrar em Meca usando o ihram, a primeira coisa que se deve fazer é o tawaf da Casa de Allah. Esse tawaf é sunnah. Contudo, para quem entra com a intenção de realizar a umrah, esse tawaf é wajib. “Tawaf” significa dar sete voltas ao redor da Casa de Allah. Esse tawaf deve começar no Hajar al-Aswad, e deve-se virar para a direita. Nas três primeiras voltas, deve-se caminhar rapidamente; nas quatro seguintes, lentamente. O primeiro tawaf que os peregrinos realizam assim que chegam a Meca chama-se “tawaf al-qudum”; ele é sunnah. Depois, o tawaf realizado no dia dez de Dhu al-Hijjah, durante o hajj, chama-se “tawaf al-ziyarah” ou “tawaf al-ifadah”; ele é fard. Por fim, o tawaf realizado no momento da partida chama-se “tawaf al-wada”; ele é wajib. Durante a permanência em Meca, a recompensa do tawaf é maior que a das demais formas de adoração voluntária.

O tawaf, a oração do tawaf e o sa‘i entre Safa e Marwa

(٢٤٦) عَنْ عَبْدِ اللَّهِ بْنِ عُمَرَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُمَا قَالَ كَانَ رَسُولُ اللَّهِ صَلَّى اللهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ إِذَا طَافَ فِي الْحَجِّ أَوِ الْعُمْرَةِ أَوَّلَ مَا يَقْدِمُ سَعَى ثَلَاثَةَ أَطْوَافٍ وَمَشَى أَرْبَعَةٌ ثُمَّ سَجَدَ سَجْدَتَيْنِ ثُمَّ يَطُوفُ بَيْنَ الصَّفَا وَالْمَرْوَةِ (بخاري – مسلم)

(246) “Hazrat Abdullah ibn Umar (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: Quando o Mensageiro chegava a Meca pela primeira vez para o hajj ou a umrah, caminhava rapidamente durante três voltas e caminhava normalmente durante quatro voltas. Depois, realizava uma oração de duas rak‘ahs (em Maqam Ibrahim). Em seguida, fazia o sa‘i entre Safa e Marwa.” (Bukhari, Muslim)

Explicação: Para quem realiza o tawaf, é wajib permanecer em Maqam Ibrahim após o tawaf e realizar uma oração de duas rak‘ahs. Segundo os imames, essa oração pode ser realizada a qualquer hora. Contudo, segundo a opinião do Imam Abu Hanifa, ela não deve ser realizada nos horários proibidos; é preciso esperar. Para os peregrinos, realizar sete vezes o sa‘i entre os dois montes, Safa e Marwa, é fard. Contudo, segundo o Imam Abu Hanifa, é wajib.

(٢٤٧) وَعَنْ أَبِي هُرَيْرَةَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ أَقْبَلَ رَسُولُ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ فَدَخَلَ مَكْةً فَأَقْبَلَ إِلَى الْحَجَرِ فَاسْتَلَمَهُ ثُمَّ طَافَ بِالْبَيْتِ ثُمَّ أَتَى الصَّفَا فَعَلَاهُ حَتَّى يَنْظُرَ إِلَى الْبَيْتِ فَرَفَعَ يَدَيْهِ فَجَعَلَ يَذْكُرُ اللَّهَ مَا شَاءَ وَيَدْعُوهُ (أبو داود)

(247) «Hazrat Abu Huraira (que Allah esteja satisfeito com ele) relatou: O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) partiu de Medina e chegou a Meca. Em seguida, dirigiu-se ao Hajar al-Aswad e beijou-o; depois, circundou a Caaba. Então subiu ao monte Safa, de onde podia ver a Casa de Allah, e, levantando as mãos, ocupou-se em recordar Allah e fazer súplicas conforme desejava.» (Abu Dawud)

Explicação: Este hadith também mostra que, ao chegar a Meca, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) fazia primeiro o tawaf. Depois realizava o sa‘i entre Safa e Marwa, e durante o tawaf e o sa‘i fazia dhikr e súplicas. Contudo, não havia nenhum dhikr ou súplica específico. Portanto, pode-se recitar qualquer súplica durante o tawaf e o sa‘i.

Permanência em Arafat e Muzdalifa e o sacrifício em Mina

(٢٤٨) وَعَنْ جَابِرٍ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ أَنَّ رَسُولَ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ قَالَ نَحَرْتُ هَاهُنَا وَمِنَى كُلُّهَا مَنْحَرٌ فَانْحَرُوا فِي رِجَالِكُمْ وَوَقَفْتُ هَاهُنَا وَعَرَفَةُ كُلُّهَا مَوْقِفٌ وَوَقَفْتُ هَاهُنَا وَالْمُزْدَلِفَةُ كُلُّهَا مَوْقِفٌ (مسلم)

(248) «Foi narrado por Hazrat Jabir (que Allah esteja satisfeito com ele) que o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: “Eu realizei o sacrifício aqui, mas toda Mina é um lugar de sacrifício. Portanto, podeis realizar o sacrifício no local onde estiverdes em Mina. Eu permaneci aqui em Arafat, mas toda Arafat é lugar de permanência. E permaneci aqui em Muzdalifa, mas toda Muzdalifa é lugar de permanência.”» (Muslim)

Explicação: No dia 10 de Zul-Hijjah, os peregrinos partem de Muzdalifa ao amanhecer e, depois de apedrejarem Satanás no Jamrah, realizam o sacrifício. Segundo o Imam Abu Hanifa, este sacrifício é wajib e constitui uma parte do Hajj. Pode-se realizar este sacrifício em qualquer lugar de Mina. Foi isso que o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse. Entre os atos obrigatórios ou pilares do Hajj, o principal pilar é permanecer em Arafat durante algum tempo, desde depois do meio-dia do dia 9 de Zul-Hijjah até à noite. Ali, com um único adhan e iqamahs separados, devem-se rezar primeiro, em congregação, dois rak‘ahs da oração obrigatória de Zuhr e, imediatamente depois, com outro iqamah, dois rak‘ahs da oração de Asr, combinando-as. O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) rezou dessa maneira. O Mensageiro disse no hadith que todo o campo de Arafat é um lugar de wuquf ou permanência; portanto, quem permanecer em qualquer parte dele durante o período determinado terá cumprido a obrigação. Do mesmo modo, depois do pôr do sol do dia 9 de Zul-Hijjah, os peregrinos partem de Arafat, chegam a Muzdalifa (pelo caminho de Meca e Mina), rezam juntos as orações de Maghrib e ‘Isha e permanecem em Muzdalifa até ao amanhecer. Segundo o Imam Abu Hanifa, esta permanência é wajib e constitui uma parte do Hajj. O Mensageiro disse no hadith que toda Muzdalifa é lugar de permanência; portanto, se os peregrinos permanecerem em qualquer parte dela, terão cumprido o wajib.

(٢٤٩) وَعَنْ نَافِعٍ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ أَنَّ عَبْدَ اللَّهِ بْنَ عُمَرَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُمَا كَانَ يَقُولُ مَنْ لَمْ يَقِفْ بِعَرَفَةَ مِنْ لَيْلَةِ الْمُزْدَلِفَةِ قَبْلَ أَنْ يَطْلَعَ الْفَجْرُ فَقَدْ فَاتَهُ الْحَجُّ وَمَنْ وَقَفَ بِعَرَفَةً مِنْ لَيْلَةِ الْمُزْدَلِفَةِ مِنْ قَبْلِ أَنْ يَطْلَعَ الْفَجْرُ فَقَدْ أَدْرَكَ الْحَجَّ (مؤطا إمام مالك)

(249) «Hazrat Nafi‘ (que Allah esteja satisfeito com ele) relatou que Abdullah ibn Umar costumava dizer: “Aquele que não conseguir permanecer no campo de Arafat, na noite de Muzdalifa, antes do amanhecer, não terá realizado o Hajj. Contudo, aquele que permanecer em Arafat, na noite de Muzdalifa, antes do verdadeiro amanhecer, terá alcançado o Hajj.”» (Muwatta do Imam Malik)

Explicação: Se alguém, por alguma razão, não conseguir chegar a Arafat no dia 9 de Zul-Hijjah, isto é, entre o meio-dia e o pôr do sol, então, se conseguir chegar ao campo de Arafat e permanecer ali durante qualquer parte da noite seguinte ao dia 9 de Zul-Hijjah, seu Hajj será válido. Quem permanecer em Arafat depois do meio-dia deverá prolongar sua permanência até o pôr do sol e partir em direção a Muzdalifah somente depois do pôr do sol. Porém, para aquele que não conseguiu permanecer durante o dia, mesmo que permaneça por algum tempo na noite do dia 10 de Zul-Hijjah, o wuquf será realizado.

Apedrejamento dos jamarás

(٢٥٠) وَعَنْ جَابِرِ بْنِ عَبْدِ اللَّهِ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ رَأَيْتُ رَسُولَ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ رَمَى الْجَمْرَةَ بمِثْلِ حَصَى الْخَذَفِ (مسلم)

(250) “Hazrat Jabir bin Abdullah (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: Vi o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) lançar na jamrah pedrinhas do tamanho de sementes de tâmara, como as usadas no khazf.” (Muslim)

(٢٥١) وَعَنْ جَابِرٍ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ رَمَى رَسُولُ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ الْجَمْرَةَ يَوْمَ النَّحْرِ ضُحًى وَأَمَّا بَعْدَ ذَالِكَ فَإِذَا زَالَتِ الشَّمْسُ (بخاري – مسلم)

(251) “Hazrat Jabir (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: No dia do Eid al-Adha, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) lançou as pedrinhas na jamrah antes do meio-dia; nos dois dias seguintes, lançou-as depois que o sol declinou.” (Bukhari, Muslim)

(٢٥٢) وَعَنْ عَبْدِ اللَّهِ بْنِ مَسْعُودٍ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ أَنَّهُ انْتَهَى إِلَى الْجَمْرَةِ الْكُبْرَى فَجَعَلَ الْبَيْتَ عَنْ يَسَارِهِ وَمِنِّي عَنْ يَمِينِهِ وَرَمَى بِسَبْعِ حَصَيَاتٍ يُكَبِّرُ مَعَ كُلِّ حَصَاةٍ ثُمَّ قَالَ هَكَذَا رَمَى الَّذِي أُنْزِلَتْ عَلَيْهِ سُورَةُ الْبَقَرَةِ (بخاري – مسلم)

(252) “Foi narrado por Hazrat Abdullah bin Masud (que Allah esteja satisfeito com ele) que ele se dirigiu à Jamrat al-Kubra, deixando a Casa de Allah à sua esquerda e Mina à sua direita, e lançou sete pedrinhas, dizendo ‘Allahu Akbar’ a cada lançamento. Depois disse: ‘Aquele sobre quem foi revelada a Surata al-Baqara lançou as pedrinhas dessa maneira.’”
(Bukhari, Muslim)

Explicação: Os peregrinos permanecem em Muzdalifa na noite do dia 10 de Zul-Hijjah e, ao amanhecer, chegam a Mina. Na manhã do dia 10 de Zul-Hijjah, lançam sete pedrinhas contra a “Jamrat al-Kubra”, ou seja, a grande jamrah, depois voltam e realizam o sacrifício. Em seguida, raspam a cabeça ou cortam os cabelos, retiram o ihram e retornam ao estado normal; isto é, tornam-se halal. Depois, permanecem em Mina por dois ou três dias e, após o sol declinar, devem lançar diariamente sete pedrinhas contra cada uma das três jamarāt. No entanto, no dia 10 de Zul-Hijjah, devem lançar pedras apenas contra uma jamrah. No hadith, Ibn Mas‘ud (que Allah esteja satisfeito com ele) mencionou o lançamento das pedrinhas do primeiro dia. É obrigatório lançar pedras contra as jamarāt durante três ou quatro dias consecutivos.

Descrição do sacrifício

(٢٥٣) وَعَنْ عَلِيِّ بْنِ أَبِي طَالِبٍ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ أَنَّ رَسُولَ اللَّهِ نَحَرَ بَعْضَ هَدْيهِ وَنَحَرَ غَيْرُهُ بَعْضَهُ
(مؤطا إمام مالك)

(253) “Foi narrado por Ali ibn Abu Talib (que Allah esteja satisfeito com ele) que o Mensageiro abateu pessoalmente alguns de seus animais de hady, enquanto outros foram abatidos por outras pessoas.” (Muwatta do Imam Malik)

(٢٥٤) وَعَنْ جَابِرٍ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ ذَبَحَ رَسُولُ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ عَنْ عَائِشَةَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهَا بَقَرَةً يَوْمَ النَّحْرِ (مسلم)

(254) “Hazrat Jabir (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: No dia do sacrifício, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) abateu uma vaca em nome de Hazrat Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela), em Mina.” (Muslim)

(٢٥٥) وَعَنْ جَابِرٍ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُ قَالَ نَحَرْنَا مَعَ رَسُوْلِ اللهِ صَلَّى اللهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ عَامَ الْحُدَيْبِيَّةِ الْبُدْنَةَ عَنْ سَبْعَةِ وَالْبَقَرَةَ عَنْ سَبْعَةٍ (مسلم)

(255) “Hazrat Jabir (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: No ano de Hudaybiyyah, sacrificamos, juntamente com o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), um camelo em nome de sete pessoas e, da mesma forma, uma vaca em nome de sete pessoas.” (Muslim)

Explicação: “Hady” é o animal destinado ao sacrifício que os peregrinos levam consigo durante o Hajj para sacrificá-lo em Mina. Em geral, oferecer o sacrifício é obrigatório para a pessoa abastada que possui o nisab. Depois do sacrifício, aquele que realizou o Hajj deve raspar a cabeça.

Raspar a cabeça

(٢٥٦) وَعَنْ ابْنِ عُمَرَ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُمَا أَنَّ رَسُولَ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ حَلَقَ رَأْسَهُ فِي حُجَّةِ الْوِدَاعِ وأُنَاسٌ مِنْ أَصْحَابِهِ وَقَصَّرَ بَعْضُهُمْ (بخاري – مسلم)

(258) “Ibn Umar (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: Durante o Hajj de despedida, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) e alguns de seus companheiros rasparam a cabeça, enquanto outros apenas cortaram o cabelo.” (Bukhari, Muslim)

(٢٥٧) وَعَنْ عَبْدِ اللَّهِ ابْنِ عَبَّاسٍ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُمَا قَالَ قَالَ رَسُولُ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ لَيْسَ عَلَى النِّسَاءِ الْحَلْقُ إِنَّمَا عَلَى النِّسَاءِ التَّقْصِيرُ
أبو داود – ترمذي – الدارمي)

(257) “Ibn Abbas (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: ‘Durante o Hajj ou a Umrah, as mulheres não devem raspar a cabeça; devem, antes, cortar uma pequena parte do cabelo.’” (Abu Dawud, Tirmidhi, Darimi)

Explicação: Entre os ritos do Hajj, é obrigatório, após o sacrifício, raspar ou cortar o cabelo da cabeça. Para as mulheres, não é necessário raspar a cabeça; basta cortar uma pequena parte das pontas do cabelo para cumprir essa obrigação.

(٢٥٨) وَعَنْ عَبْدِ اللَّهِ بْنِ عَمَرِو بْنِ الْعَاصِ رَضِيَ اللَّهُ عَنْهُمَا أَنَّ رَسُولَ اللَّهِ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ وَقَفَ فِي حَجَّةِ الْوَدَاعِ بِمِنِّى لِلنَّاسِ يَسْأَلُونَهُ فَجَاءَهُ رَجُلٌ فَقَالَ لَمْ أَشْعُرْ فَحَلَقْتُ قَبْلَ أَنْ أَدْبَحَ فَقَالَ إِذْبَحْ وَلَا حَرَجَ فَجَاءَ آخَرُ فَقَالَ لَمْ أَشْعُرْ فَنَحَرْتُ قَبْلَ أَنْ أَرْمِيَ فَقَالَ ارْمٍ وَلَا

حَرَجَ فَمَا سُئِلَ النَّبِيُّ صَلَّى اللَّهُ عَلَيْهِ وَسَلَّمَ عَنْ شَيْءٍ قُدَمَ وَلَا أُخْرَ إِلَّا قَالَ افْعَلْ وَلَا حَرَجَ (بخاري – مسلم)

(258) “Foi narrado por Hazrat Abdullah ibn Amr ibn al-‘As (que Allah esteja satisfeito com ele): durante o Hajj de despedida, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) chegou a Mina e permaneceu em um lugar para que as pessoas pudessem fazer-lhe perguntas sobre as questões do Hajj. Então, um homem veio e disse: ‘Senhor, sem saber, raspei a cabeça antes de realizar o sacrifício.’ Ele respondeu: ‘Não há problema algum (nem pecado); agora, realize o sacrifício.’ Outro homem veio e disse: ‘Senhor, sem saber, realizei o sacrifício antes de atirar as pedrinhas.’ Ele respondeu: ‘Não há problema algum (não houve pecado); agora, vá atirar as pedrinhas.’ Em suma, naquele dia, a todas as perguntas feitas ao Senhor sobre o que havia sido realizado antes ou depois, ele deu a mesma resposta: ‘Não há problema; agora vá e faça o que falta.’ (Bukhari, Muslim)”

Explicação: Com base no significado do hadith acima, o Imam Shafi‘i afirma que, entre os atos obrigatórios do Hajj mencionados acima, observar a ordem é uma sunnah. Portanto, ao não observar a ordem, a sunnah foi omitida; o Hajj será válido e não será necessário oferecer dam. Por outro lado, o Imam Abu Hanifa e Malik afirmam que observar a ordem é obrigatório. Assim, mesmo não havendo pecado, será necessário oferecer dam por omitir uma obrigação.

-: Fim :-