Palavras do autor
Entre as crenças de aqidah sobre as quais se ergue o edifício da fé, a crença na Vida Futura ocupa um lugar fundamental. Sem a crença na Vida Futura, não nasce uma fé verdadeira em Allah, no Mensageiro, no Livro de Allah e em tudo o mais. Além disso, libertar-se da servidão aos desejos e das tentações satânicas e praticar boas obras com sinceridade é absolutamente impossível sem uma firme crença na Vida Futura.
Também não basta ter uma crença qualquer na Vida Futura. Pelo contrário, essa crença deve estar de acordo com o Islã, com o Alcorão e com os hadiths. Se houver alguma deficiência nessa crença, ou se ela for equivocada, todo o edifício da fé e das obras desmoronará completamente.
Na medida do conhecimento que Allah me concedeu a oportunidade de adquirir sobre o Islã e a história islâmica, nasceu em mim a firme convicção de que, uma vez formada uma compreensão clara sobre a Vida Futura, será possível seguir o caminho de Deus na vida terrena. Além disso, quando a crença correta e firme na Vida Futura permanece continuamente desperta no coração, a tendência para praticar atos pecaminosos que surge na mente pode ser destruída ainda em seu germe.
A vida terrena não é a única vida; pelo contrário, a vida após a morte é a verdadeira vida eterna. Nela, as consequências morais da vida terrena serão inevitavelmente manifestadas. Nela, Allah, o Senhor dos mundos, apresentará para julgamento cada ato secreto e público dos seres humanos. Naquele dia, será proferida uma decisão justa sobre cada pecado e cada boa ação. Se a forma terrível daquele dia permanecer para sempre desperta no recôndito do coração e, junto com ela, houver o temor de Deus, o Onisciente e Todo-Poderoso, então será possível afastar-se dos atos pecaminosos e adquirir um caráter elevado e nobre. Não existe, nem pode existir, um segundo caminho ou caminho alternativo para adquirir um bom caráter.
Liberto do tumulto do mundo, escrevi este livro enquanto, durante algum tempo, vivia uma vida solitária e silenciosa na prisão. Ao ler o tafsir da surata “Qaf”, na obra Tafhimul Qur’an, recebi de repente a inspiração para escrevê-lo. Além disso, naquela época não tive oportunidade de buscar o conselho de nenhum sábio ou erudito, nem de recorrer a qualquer obra autorizada. Naturalmente, não é de surpreender que tenham permanecido no livro algumas lacunas, falhas e imprecisões. Se algum leitor benevolente informar o autor a esse respeito ou fornecer ensinamentos e informações adicionais, estes serão acrescentados, com gratidão, à edição seguinte, insha’Allah. Além disso, espero apresentar uma discussão mais detalhada na próxima edição.
É claro que há no mercado livros escritos por muitas pessoas sobre este tema. Contudo, embora durante a redação desta obra eu não tivesse à mão quaisquer “livros de referência” (obras autorizadas dignas de ser seguidas), tentei escrevê-la a partir de uma nova perspectiva. Naturalmente, cabe ao leitor julgar se o livro é bom ou ruim.
Como esta obra pôde ser publicada quase dois anos após sua redação, considero isso exclusivamente uma infinita graça de Allah, o Altíssimo, e inclino a cabeça diante Dele em agradecimento.
Se, depois de ler este pequeno livro, alguém tentar conduzir sua vida pelo caminho de Deus à luz dele, considerarei realizado o esforço dos meus dias silenciosos e solitários.
Peço aos eminentes leitores e leitoras que roguem para que Allah, o Senhor dos mundos, também me conceda força para seguir incessantemente pela Sua Sirat al-Mustaqim. Amém.
Humildemente
—O autor
Rabi al-Awwal de 1395 H.
1975 d.C.
Ninguém sabe quando encontrará a morte,
planeja para cem anos, mas não sabe o que trará o próximo instante.
Essa pessoa não está vigilante nem consciente
Ele não teme a morte.
Nem sequer tem consciência do momento
dos cem anos de sonhos coloridos.
A pergunta natural da mente humana
Será que a vida neste mundo é a única vida, ou existe alguma vida também depois dela? Em outras palavras, será que a vida humana chega ao fim imediatamente com a morte, ou sua continuidade se prolongará mesmo depois disso? Esta é uma pergunta natural da mente humana; em todas as épocas houve divergência a esse respeito, e, com base nela, formaram-se dois sistemas sociais opostos.
Depois de nascer, o ser humano permanece por algum tempo neste mundo e parte. Para alguns, esse período de permanência dura apenas alguns instantes. Para outros, alguns dias, alguns meses ou alguns anos. Há ainda quem viva mais de cem anos. E há também quem, em extrema velhice, leve uma vida mais indefesa que a de uma criança.
Durante a vida, quantas esperanças e aspirações, quantos sonhos coloridos existem na vida humana. A vida de alguns se enche de felicidade e conforto sem fim, e eles obtêm oportunidades, facilidades, meios e recursos para desfrutá-la plenamente. Riqueza, honra, respeito, fama e glória — e tantas outras coisas. Por fim, um dia, deixando tudo para trás e fazendo todos chorarem, a pessoa tem de partir deste mundo. Seu trono do Pavão, seu reinado, seus cortesãos, vizires e ministros, amigos e admiradores, sua imensa riqueza e seus bens — ninguém conseguiu retê-la, e ninguém jamais conseguirá fazê-lo no futuro. Reis e súditos, ricos e pobres, brancos e negros — todos têm de provar o sabor da morte.
Na vida de alguém sobrevêm sofrimento e miséria contínuos. A negligência, a opressão e a perseguição dos outros; a injustiça e o esmagamento. Durante toda a vida, ele precisa suportar tudo isso em silêncio. Por fim, libertando-se dos cruéis grilhões da sociedade, também parte um dia deste mundo.
Também se vê que uma pessoa leva uma vida extremamente honesta. A mentira, a inveja e o ressentimento pelo bem alheio são contrários à sua natureza. Alimentar os famintos, ajudar os necessitados, dizer boas palavras, praticar boas ações e ter bons pensamentos estão entre suas virtudes.
Mas de sua própria nação recebeu extrema desconsideração, opressão e injustiça. Por fim, em meio a cruéis torturas, sua vida chegou ao fim atrás das paredes da prisão ou no cadafalso. Nesta vida, não recebeu recompensa alguma por sua verdade e sua beleza. Então, sua humanidade estará destinada a fracassar apenas clamando? Também há inúmeros exemplos de pessoas ou grupos que, ao levantarem a voz da verdade e lutarem para estabelecê-la, enfureceram o poderoso opressor, adorador da falsidade, fazendo tremer e vacilar o trono de seu poder. Depois, para satisfazer sua vingança, ele prendeu o porta-estandarte da verdade. Na prisão, submeteu-o a um rolo compressor de tortura cruel, ferindo e dilacerando seu corpo golpe após golpe. Ainda assim, não foi possível desviá-lo do caminho da verdade. Ao ouvir falar de sua opressão e tortura, qualquer pessoa ficava arrepiada. Talvez até duas lágrimas de compaixão lhe escorressem dos olhos.
Os que seguem a justiça, a verdade e a beleza não desejam que o oprimido seja recompensado e que o tirano opressor seja punido? Mas quando e como?
Há também o exemplo de uma pessoa que vive feliz com a esposa, os filhos e os familiares. Nunca fez injustiça a ninguém. De repente, certo dia, um grupo de criminosos armados invadiu injustamente sua casa. Matou o dono da casa e seus filhos, submeteu as mulheres a abusos bestiais. Saqueou os bens da casa. E ateou fogo ao que restava. Todos os que ouviram o ocorrido lamentaram profundamente. De todas as bocas saía a mesma pergunta: Ah! Um ato tão cruel e desumano? Não há justiça para isso?
Talvez nem sequer haja possibilidade de julgamento. Pois aqueles em cujas mãos está o poder de julgar talvez tenham ligações e cooperação com aqueles monstros desumanos. Então a injustiça desenfreada continuará assim contra os seres humanos? Antes que houvesse julgamento, o sopro de vida daqueles seres humanos oprimidos já se extinguira. Onde estão agora? As almas torturadas dissolveram-se no espaço infinito? Desapareceram completamente, ou ainda vagam clamando? Como é o capítulo após sua morte? Um vazio absoluto ou algo mais?
E aqueles tiranos, monstros desumanos, cujo julgamento não ocorreu neste mundo, também morrerão. Depois da morte, nada lhes acontecerá? Não haverá algum sistema de punição?
Além disso, vejam: neste mundo, basta querer dar a alguém a punição por seu crime e a recompensa por sua boa ação para que isso possa ser feito corretamente?
Suponha que uma pessoa tenha assassinado injustamente mais de uma centena de seres humanos. Centenas de famílias foram destruídas por causa de sua opressão. Finalmente, um dia ele foi levado ao banco dos réus. Ao chegar ali, ainda poderia escapar por brechas da lei ou por outros meios. Se não houvesse nenhuma maneira de ele escapar, você o puniria. Que punição? A pena máxima poderia ser a morte. Até mesmo a pena de morte do verdadeiro assassino pode ser perdoada. A autoridade suprema poderia libertar esse assassino para utilizá-lo em benefício próprio. E, se a pena de morte fosse de fato executada, seria uma única pena de morte suficiente para a responsabilidade pelo assassinato de mais de uma centena de pessoas? Essa pena seria suficiente para ele? Mas você não tem poder para fazer algo além disso.
Por outro lado, uma pessoa, com os esforços e a dedicação de toda uma vida, com trabalho incansável, sacrifício e abnegação, libertou uma nação inteira dos grilhões da escravidão humana e a submeteu à lei justa de uma entidade onipotente. Estabeleceu para eles uma ordem social bela e feliz. Eles se tornaram felizes, prósperos e desenvolvidos. Suas vidas, seus bens, sua honra e sua dignidade tornaram-se completamente seguros. É possível recompensar uma pessoa tão grandiosa com uma recompensa à altura?
Se as consequências dos atos da pessoa mencionada acima continuarem mesmo após a morte, e se alguma entidade onipotente punir e recompensar devidamente as duas classes — cada uma conforme o que merece —, isso não seria verdadeira justiça? Então, consulte a sua consciência: a vida após a morte também não é indispensável?
Esta é a pergunta natural que, desde tempos imemoriais, tem perturbado e inquietado a mente humana.
O ser humano não encontra, nem pode encontrar, a resposta correta por meio do pensamento e da pesquisa. Para obter a resposta correta, é preciso buscá-la junto a uma entidade onisciente e infalível. Este livro é justamente a resposta correta a essa pergunta.
Diversas doutrinas sobre a vida após a morte
Desde a Antiguidade, diversas doutrinas foram formuladas na busca da resposta à pergunta natural da mente humana descrita acima.
Outra pergunta está intimamente ligada a esta. Trata-se de saber se há ou não um dono, um controlador desta vida e desta morte. Este mundo e a multidão de suas inúmeras criações, os céus, o sol e a lua, os planetas e as estrelas, as montanhas e os morros, os rios e tudo o mais: será que também têm um Criador, ou não? As respostas a todas essas perguntas podem ser obtidas ao mesmo tempo.
1. Uma corrente de pensamento sustenta que não existe nada chamado Criador. Este mundo, o céu, os seres humanos, os animais e todas as demais criaturas surgiram subitamente como resultado de algum acidente. O nascimento e a morte dos seres humanos são igualmente consequências desse acidente. Não existe algo chamado vida após a morte. Não há possibilidade de que aquilo que está sendo destruído, incluindo a humanidade, volte a existir. Este mundo certamente será destruído algum dia. Depois disso, nada mais existirá.
2. Alguns dizem que este mundo é sem começo e sem fim. Ele não será destruído. Apenas os seres vivos serão destruídos, mas não será possível obter uma nova vida.
3. Outros acreditam na reencarnação. Isso significa que, depois da morte, o ser humano nascerá repetidamente neste mundo para experimentar as consequências de seus atos bons ou maus.* [Se essa doutrina dos que acreditam na reencarnação estiver correta, aqueles que renascem depois da morte deveriam ter algum conhecimento do que ocorre após a morte. Mas alguém já falou sobre a condição pós-morte? Depois de reencarnar, também seria indispensável ter conhecimento da vida terrena anterior. Caso contrário, como se saberia que o nascimento seguinte é consequência do nascimento anterior? E, se isso não puder ser sabido, como se sentiria a recompensa ou o castigo da reencarnação? — O autor]
4. Há também quem sustente que, depois da morte, existem para os seres humanos o Inferno e o Paraíso. Contudo, depois de o pecador sofrer o castigo no Inferno, ele renascerá para levar também uma vida humilhada neste mundo. Aqui também permanece uma questão: o castigo do Inferno não seria suficiente para o pecador?
5. A doutrina de alguns é que este mundo é o lugar do grande pecado. Aqui, a própria vida é um grande castigo. Enquanto durar a ligação da alma humana com o mundo material, ela terá de retornar aqui, nascendo repetidamente depois da morte. A verdadeira libertação da alma humana está no grande nirvana (Emancipation of soul) ou na sua destruição. Isso pode ocorrer da seguinte maneira: em cada nascimento, a pessoa deverá adquirir algum mérito. Depois, se, ao reunir os méritos de vários nascimentos, seu mérito for significativo, então ocorrerá sua “fana”, ou destruição. Essa era sua libertação do mundo pecaminoso, ou o grande nirvana.
Aqui também não há castigo ou recompensa permanente pelos pecados e pelas boas ações.
6. Há ainda outro grupo que acredita na vida após a morte, no Paraíso e no Inferno. Dizem que são herdeiros de uma linhagem que era extremamente querida e escolhida por Deus. Portanto, não têm motivo para temer na vida após a morte. Mesmo que sejam lançados no Inferno por seus pecados, será apenas por algum tempo. Considerando sua nobreza de linhagem, Deus rapidamente os promoverá ao Paraíso.
7. Há outro grupo que acredita na vida após a morte, no Inferno e no Paraíso. Dizem que Deus condenou à morte, crucificando-o, seu único filho (?). Em troca disso, perdoou todos os pecados de toda a humanidade. Basta crer nesse filho e fazer alguns louvores a ele para obter a salvação na vida após a morte.
8. Há também aqueles que acreditam na vida após a morte, no inferno e no paraíso. No entanto, consideram algumas pessoas deste mundo (mortas ou vivas) dotadas de qualidades especiais e extremamente poderosas. Acreditam que, na vida após a morte, essas pessoas intercederão junto a Deus em seu favor e lhes obterão a salvação. Sob a influência dessa crença, procuram agradar a essas pessoas assim chamadas poderosas e influentes, em vez de agradar a Deus. Quando morrem, oferecem flores, doces, oferendas, votos e até se prostram diante de seus túmulos. Quando estão vivas, procuram agradá-las oferecendo-lhes diversos presentes valiosos ou oferendas.
Acima, foram discutidas diversas doutrinas sobre a vida após a morte. A questão é: qual é a prova da veracidade dessas doutrinas? Essas doutrinas baseiam-se em um conhecimento preciso e sólido, ou foram simplesmente construídas sobre conjecturas e suposições? Ou serão uma teia de superstição cega transmitida de geração em geração? Ou uma rede fraudulenta, criada por algum indivíduo astuto e egoísta, ou por um grupo de indivíduos, para saquear o dinheiro das pessoas em nome da religião e com o objetivo de obter mérito religioso?
Se forem fruto da imaginação e baseadas em conjecturas e suposições, ou se forem uma superstição cega, ou uma rede fraudulenta de pessoas ávidas por dinheiro, vestidas com o manto de líderes religiosos, todos reconhecerão que de modo algum são dignas de crédito. Se forem baseadas no conhecimento, qual é então a fonte desse conhecimento? Portanto, é preciso verificar a questão na pedra de toque do conhecimento exato, não é mesmo?
As fontes do conhecimento verdadeiro
Vejamos agora quais são as fontes do conhecimento verdadeiro. As fontes do conhecimento são principalmente:
1. Os cinco sentidos — conhecimento baseado nos sentidos e adquirido por meio deles
2. A revelação — conhecimento infalível e absolutamente exato recebido pelos profetas da parte de Deus.
Há apenas as duas fontes de conhecimento mencionadas acima. Os cientistas obtêm conhecimento por meio de experimentação e observação (Experiment & Observation). Porém, em sua base também estão os sentidos e um conjunto de algumas substâncias fundamentais (Basic Material).
Também se pode adquirir conhecimento por meio de testemunhos, provas e semelhantes. Mas esse conhecimento é derivado dos sentidos da testemunha. Do mesmo modo, o conhecimento adquirido pela leitura da história é o conhecimento visto pelos olhos ou ouvido pelos ouvidos do historiador. Em outras palavras, é conhecimento derivado dos sentidos. Esse conhecimento também nem sempre é exato. Às vezes, dão-se testemunhos contrários à verdade, e a história também é escrita distorcendo a verdade. Ainda assim, é preciso considerar tudo isso como fontes de conhecimento verdadeiro e falso.
Agora, o conhecimento acerca da vida após a morte — isto é, o conhecimento de que existe uma vida após a morte, ou o conhecimento de que ela não existe — não pode ser derivado dos sentidos. Pois ninguém teve a oportunidade de ir além da cortina da morte e voltar para contar o que viu, nem há qualquer meio de manter contato com as almas dos mortos; consequentemente, ninguém pode afirmar que existe ou não existe uma vida após a morte.
Alguns, fingindo ser cientistas, dizem que, como ninguém viu que existe uma vida após a morte, é absolutamente impossível acreditar nela. Mas essa afirmação não é de modo algum científica nem racional. Pois, se ninguém foi além da morte para ver e voltar contando como são as coisas ali, como se pode afirmar que não existe uma vida após a morte?
Você pode dizer o que há e o que não há na minha caixa simplesmente abrindo-a e olhando. Mas, sem abrir a caixa, como pode afirmar que não há nada dentro dela? Você só pode certamente dizer isto: não sei se há ou não há alguma coisa na caixa.
Um verdadeiro cientista pode determinar, por meio da observação de seus experimentos — embora eles também muitas vezes estejam errados — a verdade ou a falsidade de algo. Mas, antes de realizar essa observação experimental, ele não pode dizer absolutamente nada, nem sim nem não, sobre a existência de alguma coisa. Ele precisa dizer: “Não sei nada a respeito disso.” Portanto, a afirmação de um verdadeiro cientista será: não foi possível realizar experimentos e observações para saber se existe ou não uma vida após a morte. Assim, seria igualmente errado dizer que ela existe ou dizer que não existe.
A discussão acima mostrou que a primeira fonte do conhecimento, os cinco sentidos, não conseguiu nos dar absolutamente nenhuma ideia sobre a vida após a morte. Resta agora a segunda fonte: a revelação. Vejamos que conhecimento a revelação nos concede.
A vinda dos profetas ao longo dos tempos
A fé na revelação só pode resultar da fé em Deus. Entre as várias doutrinas sobre a vida após a morte apresentadas acima, com exceção dos que creem nas doutrinas descritas nos números 1, 2 e 5, os adeptos de todas as demais doutrinas, de modo geral, creem em um Criador ou Deus. Por outro lado, muitos, embora creiam em Deus, não acreditaram na vida após a morte. Mas aqueles que não creem na existência de Deus são naturalmente descrentes quanto à vida após a morte. Esta discussão sobre a vida após a morte não tem por objetivo provar a existência de Deus. Ainda assim, a discussão sobre a vida após a morte não fornecerá apenas a prova da existência de Deus, mas também a prova de Sua unicidade.
A terra, os céus e tudo o que existe entre ambos, e até mesmo tudo o que há no subsolo e nas profundezas dos mares, têm um Criador. Ele é o Todo-Poderoso Allah Ta’ala. Depois de criar os seres humanos, Ele enviou, ao longo das eras, profetas entre os povos de diferentes países para lhes ensinar o correto código de vida. É desnecessário dizer que os profetas eram seres humanos. Contudo, Allah Ta’ala escolheu como profetas os melhores homens da sociedade. O conhecimento que Allah envia ao profeta é chamado conhecimento da revelação. O profeta recebe esse conhecimento diretamente de Deus, ou por meio do anjo Jibril (A), ou através de sonhos. Como esse conhecimento é recebido de Deus, ele é absolutamente infalível e uma verdade decisiva.
O primeiro profeta neste mundo foi o próprio primeiro homem, Hazrat Adam (A). O último profeta foi o árabe Hazrat Muhammad (S). Ao todo, cento e vinte e quatro mil profetas, ou, segundo outras opiniões, mais ou menos do que isso, vieram a este mundo. Alguns profetas são mencionados no Alcorão. Muitos outros, porém, não são mencionados. Isso foi declarado no próprio Alcorão.
O último profeta, Muhammad (S), e todos os demais profetas apresentaram a mesma doutrina sobre a vida após a morte. Não há a menor divergência entre as declarações dos profetas sobre a vida após a morte. Todos disseram a mesma coisa.
É preciso lembrar que esses mais de cem mil profetas não viveram na mesma época nem na mesma região, de modo que não chegaram a uma conclusão após realizar uma conferência e muitas discussões. Desde o grande dilúvio de Hazrat Nuh (A) até o último profeta, Muhammad (S), profetas foram enviados a diferentes povos ao longo de aproximadamente seis mil anos. Muitos profetas também vieram no período entre Hazrat Adam (A) e Hazrat Nuh (A).
Geralmente, depois que as pessoas esqueciam completamente os ensinamentos e o exemplo de um profeta após sua morte, outro profeta era enviado. O último profeta surgiu seiscentos anos depois da morte de Hazrat Isa (A). Com exceção de um pequeno número deles, um profeta também não encontrou outro. Contudo, embora pertencessem a épocas e períodos diferentes, todos disseram a mesma coisa. Isso se deve ao fato de que a mensagem que transmitiram às pessoas não era fruto de sua própria imaginação. Eles transmitiram entre as pessoas somente o conhecimento concedido por Allah. Foi a partir desse conhecimento concedido por Allah que apresentaram uma doutrina uniforme sobre a vida após a morte.
Há apenas uma resposta correta
É consenso geral que só existe uma resposta correta. As respostas erradas, porém, são muitas. Entre aqueles que erram não há unidade de pensamento. Seus pensamentos não provêm de uma fonte correta. Portanto, dê a vinte alunos de uma turma um problema de matemática para resolver. Você verá que as respostas corretas serão iguais. Aqueles que responderam errado não conseguirão concordar entre si. Suas respostas serão variadas, pois não se basearam no conhecimento correto.
Os profetas de Allah deram a resposta à questão relativa à vida após a morte. A resposta deles é correta porque as respostas de todos foram exatamente iguais. E a razão de sua correção e veracidade era que o conhecimento deles lhes fora concedido por Deus.
Portanto, o conhecimento dos profetas sobre a vida após a morte era, por um lado, uma grande verdade e, por outro, uno e idêntico para todos eles.
A concepção islâmica sobre a vida após a morte
A concepção transmitida pelos profetas sobre a vida após a morte, chamada concepção ou doutrina islâmica, pode ser resumida assim: um dia, inevitavelmente, a Terra, os céus e toda a criação existente entre eles serão destruídos. O início e a descrição dessa destruição são apresentados em detalhes no Alcorão. Tudo quanto existe, exceto Deus, será destruído. Depois, por ordem do próprio Deus, um novo mundo será criado. Cada ser humano será ressuscitado e comparecerá perante Deus. Naquele dia, terá de prestar contas perante Deus de tudo de bom ou mau que tiver feito durante a vida terrena. Isso é chamado de Dia do Juízo. O único Senhor e Juiz desse dia será o próprio Allah Todo-Poderoso.
Nesse julgamento, não haverá advogado, procurador, defensor ou causídico para defender a parte do réu. Também não será necessária nenhuma testemunha humana. Se alguém negar sua culpa, os próprios membros de seu corpo prestarão testemunho verdadeiro. Não haverá como deixar de confessar a culpa. Isso porque cada ato e ação de cada momento da vida humana está sendo registrado com absoluta precisão já nesta vida terrena. Cada palavra, conversa, riso, choro e movimento dos membros, e até mesmo cada ato secreto ou público, está sendo reproduzido fielmente em filme. Essa prova testemunhal viva será apresentada diante dele. Não haverá qualquer possibilidade de negar coisa alguma.
Se alguém for aprovado no julgamento daquele dia, sua morada será o Paraíso. Ele é um lugar de felicidade inesgotável. Aqueles que forem reprovados no julgamento daquele dia terão seu lugar no Inferno. Este será um braseiro ardente que arderá por toda a eternidade. Quer o ser humano vá para o Paraíso, quer para o Inferno, sua vida ou existência será eterna. O ser humano receberá uma vida imortal. Esse período de vida é chamado de vida após a morte, ou, na terminologia do Alcorão, ‘Akhirah’.
Oposição à vida após amorte
Em todas as épocas, os ignorantes protestaram veementemente contra a vida após a morte. De modo algum queriam acreditar que, depois da morte, o ser humano voltaria a receber a vida. Embora acreditassem em um Criador, sua concepção sobre Seus atributos e identidade era equivocada e mesquinha. Por isso, não conseguiam de maneira alguma acreditar na vida após a morte.
Depois da morte, cada membro do corpo humano, seus ossos, pele e carne, cada molécula e átomo, é destruído, decompõe-se e desaparece. Ou então a terra devora tudo isso. Como poderia, depois, tudo isso voltar a receber o corpo e a vida anteriormente destruídos? Isso estava além de seu conhecimento e entendimento. Por isso, quando cada profeta tentou despertar o senso de responsabilidade das pessoas falando sobre a vida após a morte, os ignorantes o chamaram de louco. Eles não apenas se recusaram a aceitar sua doutrina, como também o perseguiram de diversas maneiras, acusando-o de propagá-la.
Por que se opor à vida após a morte?
Por que a crença na vida após a morte era tão ameaçadora? Por que a pregação dessa doutrina enfurecia tanto os opositores? Que grande prejuízo essa pregação lhes causava, a ponto de não conseguirem tolerá-la?
Por trás disso havia uma razão psicológica. Era a seguinte: aqueles que creem na vida após a morte têm um certo tipo de caráter, atividades, conduta, gosto e capacidade de reflexão, civilização e cultura. Já entre os incrédulos, tudo isso é de natureza completamente oposta. Esta é uma verdade comprovada.
Nos crentes na vida após a morte desenvolve-se uma mentalidade tal que, a cada momento, eles pensam que terão de prestar contas a Deus, depois da morte, por cada ato secreto ou público. Têm a firme convicção de que cada palavra e ação sua está sendo registrada com exatidão por uma força invisível. Não lhes é possível ocultar coisa alguma. Por cada ato mau terão necessariamente de ser punidos. Esta é a sua firme convicção. Por isso, procuram abster-se de todo ato mau.
Os incrédulos na vida após a morte têm um caráter exatamente oposto. Como, segundo sua concepção ou crença, não existe nada depois da morte, não terão de prestar contas a ninguém por seus atos. Ainda que, durante a vida terrena, se entreguem à mais extrema libertinagem e à anarquia sexual, ainda que sejam bandidos e saqueadores, ainda que privem as pessoas de sua liberdade individual e as obriguem a viver uma vida inferior à dos animais, não têm motivo algum para temer. Pois creem que, por tudo isso, não terão de prestar contas a ninguém depois da morte. Depois da morte, para eles, não há absolutamente nada: nem uma nova vida, nem o incômodo e a dificuldade de prestar contas.
Foi elaborada uma nova doutrina que nega um Criador e a vida após a morte. Ela afirma o seguinte: como não existe nenhum criador do universo nem existe algo chamado vida após a morte, deve-se desfrutar plenamente deste mundo enquanto se está vivo. Pois, depois da morte, tudo chegará ao fim. Portanto, coma, beba e desfrute da vida — coma, beba e seja feliz. Diz-se ainda que a vida neste mundo é a única luta pela existência. Somente os fortes, astutos e inteligentes têm o direito de sobreviver — a sobrevivência do mais apto. Já os fracos, mesmo que sejam honestos e justos, não têm direito algum de sobreviver.
Reconhecer o Criador e a vida após a morte significa ter de refrear os instintos, pôr fim ao arbítrio e à indisciplina, e não poder desfrutar da vida por meio da injustiça e de métodos ilícitos. Além disso, a vida teria de ser regulada e disciplinada. E, se assim fosse, não se poderia desfrutar dela plenamente. Portanto, essa era a razão psicológica por trás da negação da existência de Deus e da vida após a morte.
A visão e a mentalidade acima formam-se em razão da descrença na vida após a morte. Eles não acreditam em virtudes como moralidade, justiça, equidade, compaixão e misericórdia para com os fracos e oprimidos. Crueldade, barbárie, assassinato, quebra de promessas e traição não são reconhecidos por eles como crimes. Para satisfazer o desejo sexual, sua consciência não sente qualquer remorso ao transformar as mulheres em objetos de prazer e luxúria; para alcançar seus próprios interesses, tampouco sente remorso ao transformar em escravo ou destruir não apenas um ser humano, mas um país e uma nação inteiros. Por isso, a história testemunha que, embora muitas nações do passado tenham alcançado os mais altos picos de progresso e prosperidade material, por não acreditarem na vida após a morte mergulharam no abismo da decadência moral. Tornaram-se opressores extremos, monstros sedentos de sangue. Por isso, Deus os destruiu completamente e apagou da face da Terra todo vestígio de seus nomes.
Essa era a verdadeira razão pela qual, quando algum profeta convidava as pessoas a crerem na vida futura, os incrédulos na vida futura o humilhavam, feriam-no com apedrejamentos ou o expulsavam de sua pátria. Ao crerem na vida futura, eles não queriam tornar seu modo de vida disciplinado e autocontrolado, nem queriam refrear sua desenfreada paixão pelo prazer. Não queriam abandonar o desejo de escravizar as pessoas e exercer domínio sobre elas. Essa era precisamente a causa fundamental de sua oposição aos profetas.
Por causa da descrença na vida futura e da extrema decadência moral, no passado o povo do profeta Noé (que a paz esteja com ele), o povo de Ló (que a paz esteja com ele), Nimrod, o Faraó, os povos de Ad e de Samud, o povo de Tubba e outros povos semelhantes foram reduzidos a ruínas. Seus nomes são pronunciados na sociedade humana acompanhados de ódio e maldição. As antigas civilizações grega e romana tornaram-se apenas objetos da história passada.
Somente o temor a Deus reprime a propensão ao crime
Para combater o crime, são promulgados diversos códigos penais em todos os países. Naturalmente, sua necessidade também não pode ser negada. Mas será que a simples promulgação de códigos penais e a aplicação de penas aos criminosos são suficientes para reprimir a propensão ao crime?
Por que, apesar de existirem leis e códigos penais no país, são cometidos assassinatos, roubos, assaltos, adultérios, corrupção, conflitos e outros crimes hediondos? É necessário investigar suas verdadeiras causas.
A pessoa propensa ao crime geralmente pratica seus atos perversos em absoluto segredo, longe dos olhos das pessoas. Depois, adota diversos meios para burlar a lei. Por isso, vemos que, apesar de a lei estabelecer penas severas para os criminosos, eles conseguem libertar-se tranquilamente. Ser libertado após cometer um crime o incentiva duas ou quatro vezes mais a cometer crimes. Nosso sistema jurídico e judicial é falho por ter sido criado por seres humanos. Também falta honestidade na profissão jurídica. Além disso, muitas vezes o criminoso escapa por influenciar o Judiciário ou, mesmo após ser condenado, por receber o benefício da influência de círculos poderosos. Como resultado, as pessoas injustiçadas, oprimidas e indefesas são privadas de justiça. Por isso, vemos que o verdadeiro assassino, aquele que saqueia e desvia milhões e milhões de unidades monetárias, e os culpados de diversos crimes circulam pela sociedade de cabeça erguida, burlando a lei por vários meios desonestos.
Não se deve desejar apenas a punição do criminoso; deve-se desejar a erradicação do crime pela raiz. Como isso é possível?
A propensão ao crime nasce primeiro no recanto oculto da mente. Um ambiente pecaminoso por todos os lados, a companhia de pessoas viciadas, a leitura de literatura, peças teatrais e romances obscenos e de mau gosto, além de filmes e programas de televisão que provocam excitação sexual, contribuem para criar a propensão ao crime. Depois, o desejo, a vontade e a determinação de cometer um crime levam a pessoa a envolver-se nele. Agora é necessário destruir essa propensão dentro da própria mente, ainda em seu estado embrionário. Mas isso não pode de modo algum ser feito apenas por meio de alguma lei, da intimidação ou de qualquer força externa. É necessário que seja gerada no interior da mente uma força capaz de reprimir a propensão ao crime. Somente o temor a Deus e à vida futura pode ser a fonte dessa força. Se existir nas pessoas a firme convicção de que a vida terrena não é a única vida — mas que existe também uma vida após a morte, sem fim, e que a vida futura depende das ações praticadas durante a vida terrena —, de que tudo o que a pessoa faz nesta vida, em segredo ou abertamente, terá de ser minuciosamente prestado em contas na vida futura perante Allah, o Altíssimo, de que nenhum pecado nem virtude desta vida poderá ser ocultado, de que ninguém poderá salvar alguém da punição pelo pecado nem privá-lo da recompensa pela virtude, então a criação dessa convicção nas pessoas, juntamente com a formação mental e do caráter prático de acordo com ela, protegerá a sociedade de todas as formas de corrupção e pecado.
Portanto, somente o temor a Deus e à vida após a morte pode manter as pessoas afastadas dos pecados. A história do Islã oferece exemplos brilhantes disso. Mencionarei aqui um deles.
Durante a época do segundo califa, Hazrat Umar Faruq (que Allah esteja satisfeito com ele), vivia uma anciã nos arredores de Medina. Sua família era composta apenas por ela e sua filha. Depois de coletarem leite em vários lugares, elas o vendiam no mercado para ganhar a vida.
Certa noite, a anciã disse à filha: — Se misturarmos um pouco de água ao leite, conseguiremos um preço maior.
A filha respondeu: — Como isso seria possível? Você não ouviu que o Amir al-Mu’minin anunciou punições para os corruptos?
A anciã disse: — Ora, deixe disso! Nesta aldeia isolada, durante a noite, onde estaria o Amir al-Mu’minin, e onde estaria seu guarda secreto para nos descobrir?
A filha respondeu: — É verdade que nenhum ser humano poderá ver essa nossa transgressão. Mas será que você pode enganar os olhos de Deus, mãe? No Dia do Juízo, certamente seremos descobertas.
A anciã caiu em si. O temor a Deus e à vida após a morte a deixou apavorada. Ela se arrependeu e conteve sua inclinação para o pecado.
O califa Hazrat Umar (que Allah esteja satisfeito com ele), ao percorrer a cidade disfarçado, ouviu por acaso a conversa entre as duas mulheres. Encantado com o temor a Deus demonstrado pela jovem, ele a tomou como esposa de seu filho.
É possível que acontecimentos desse tipo estejam ocorrendo continuamente na sociedade. Mas sua força é extremamente insignificante em comparação com a população.
Se o caráter das pessoas for formado sobre essa base de temor a Deus e à vida futura, não será necessário manter nenhuma força ostensiva para erradicar o crime e a corrupção da sociedade. Se não houver temor a Deus e à vida futura no coração dos membros do departamento ou da força de combate à corrupção, não será nada estranho que eles também se tornem corruptos. Então, em vez de combater a corrupção e o crime nesse país, a tarefa de todos será alimentá-los, unindo-se para isso.
Fé na vida futura e caráter
Em todas as épocas e entre todas as nações, a formação do caráter sempre foi muito valorizada. Por isso, em todas as épocas, as pessoas de bom caráter são vistas com respeito. Dizer a verdade, viver por meios lícitos, demonstrar compaixão pelos outros, ajudar os necessitados, respeitar a vida, os bens e a honra alheios, fazer justiça a todos, sejam amigos ou inimigos, ser trabalhador e praticar boas ações, o autossacrifício, a paciência e a tolerância, expressar gratidão e outras qualidades semelhantes são universalmente reconhecidos como virtudes de um caráter nobre.
A questão agora é: como adquirir essas qualidades de caráter? Como obter a motivação para adquiri-las e qual poderia ser a fonte dessa motivação?
É claro que não é impossível adquirir algumas das qualidades mencionadas acima sem acreditar em Deus e na vida futura. Contudo, elas serão parciais, temporárias, incompletas e unilaterais (parciais). Sob o impulso do nacionalismo e do patriotismo, essas qualidades podem ser adquiridas parcialmente, somente no interesse do país e da nação. Por outro lado, justamente no interesse do país e da nação, abandonar essas qualidades é considerado um ato nobre. Impulsionados pelo nacionalismo e pelo patriotismo, subjugar outros países e nações, transformar seus habitantes em escravos e obrigá-los a viver em condições inferiores às dos animais não é de modo algum considerado condenável.
Apresenta-se o exemplo da nação inglesa e diz-se que, embora coletivamente não acredite em Deus e na vida futura, ela é mais confiável, justa, veraz, magnânima e humanitária do que as outras nações, dedicando a própria vida ao serviço da humanidade. Mas a verdade é que, ainda que alguns de seus indivíduos possuam certas qualidades de caráter, aqueles que, como nação, ela escolhe como seus representantes nacionais cometem abertamente, no cenário internacional, crimes repugnantes como mentira, fraude, quebra de promessas, traição, injustiça, iniquidade e assassinato, sem qualquer escrúpulo. Mesmo assim, recebem os aplausos de toda a nação. De que maneira o tratamento dado pelos governantes britânicos aos habitantes de suas colônias foi menos bárbaro do que a barbárie? Clive, o líder da nação inglesa cuja memória é venerada e eterna, desempenhou, no bosque de mangueiras de Plassey, um papel de fraude e traição para lançar os alicerces do Império Britânico; esse é um acontecimento memorável da história. Um humilde escriturário da Companhia das Índias Orientais chegou à Índia em 1744. Quando retornou à sua terra, em 1760, possuía cerca de dois crores de rúpias em dinheiro vivo. Na caixa de joias de sua esposa havia pérolas e pedras preciosas no valor de duzentas mil rúpias. Naquela época, era o homem mais rico entre a Inglaterra, a Irlanda e a Escócia. Essa riqueza era fruto da pilhagem injusta dos súditos dos reinos conquistados. Em sua visão de mundo, pilhar os bens alheios não é contrário à moralidade. As injustiças, os abusos e a conduta cruel de Dalhousie e Warren Hastings são acaso acontecimentos imaginários? Os americanos, que hoje se apresentam como defensores da civilização e dos direitos humanos, possuem que grande caráter? Para defender seus próprios interesses, não hesitaram em exterminar centenas de milhões de seres humanos com armas nucleares. Ao estabelecer no Oriente Médio um Estado judeu chamado Israel, destruíram a paz de toda a região; milhões de pessoas ficaram sem lar e despojadas de tudo, vivendo uma vida desumana. Os americanos não são responsáveis por isso? Isso é acaso um exemplo de caráter humanitário?
No comunismo e no socialismo, não há lugar algum para princípios e moralidade. Que espécie de caráter possuíam Hitler, Lenin, Stalin e outros estadistas que, sem acreditar em Deus e na vida futura, fizeram correr rios de sangue de centenas de milhões de pessoas? Na China também vemos a mesma cena.
A declaração de Allah sobre o fato de que não se pode tornar verdadeiramente virtuoso sem acreditar na vida futura é a seguinte:
(Árabe***************************)
“A realidade é que aqueles que não veem nenhuma possibilidade de se encontrarem Conosco (na vida futura), que estão satisfeitos e tranquilos apenas com a vida terrena e que permanecem indiferentes aos Nossos sinais terão como morada final o Jahannam, em retribuição pelos atos que praticaram (por meio de suas doutrinas e métodos de ação equivocados).”
— Surata Yunus: 7–8)
Mesmo que, apesar de não acreditar na vida futura, alguém consiga ser virtuoso e praticar boas ações, por que, em vez da recompensa do Paraíso, o Jahannam será seu último refúgio? Naturalmente, é possível adquirir algumas qualidades morais parciais apenas com base no utilitarismo (UTILITARIANISM — a doutrina segundo a qual aquilo que é benéfico ao público é justo). Essas qualidades morais limitam-se ao indivíduo e à nação. Portanto, independentemente de raça ou religião, não há alternativa senão reconhecer, em benefício da humanidade, a obediência absoluta a um Ser de poder infinito.
Além disso, é desejável que haja um método ou critério para determinar o bom caráter. O tempo, as circunstâncias e os interesses nacionais é que determinam o que é bom ou mau. O que hoje é considerado bom amanhã pode tornar-se mau. Por isso, vemos que as assembleias legislativas de alguns países proíbem o consumo de álcool em determinado momento e, posteriormente, voltam a declará-lo legal. Nos países nacionalistas, os cidadãos da própria nação recebem uma honra e uma dignidade das quais as pessoas de outras nações são completamente privadas. Até aos olhos da lei, os nacionais e os estrangeiros não recebem tratamento igual.
É por isso que a crença em Deus e na vida futura se torna extremamente necessária. Deus concedeu aos seres humanos um belo, equilibrado e completo sistema de vida, declarou o que é bom e mau e estabeleceu leis e normas de conduta uniformes para determinar o certo e o errado. Essas regras e normas permanecerão firmes e inalteráveis.
Depois de determinar o bem e o mal, o certo e o errado, Allah declara que, na vida futura, as pessoas serão julgadas com base no bem e no mal, no certo e no errado. As pessoas de bom caráter serão recompensadas ali e obterão uma vida de felicidade eterna. Em contrapartida, o destino das pessoas de mau caráter será extremamente terrível. Esta é uma verdade inevitável, cuja negação não tem qualquer razão justa.
Agora, somente com base numa firme convicção em Deus e na vida futura é possível adquirir um bom caráter e viver bem. Pois a inspiração espontânea para formar um bom caráter só pode ser obtida pela crença na vida futura. Enquanto essa crença permanecer viva no coração, será possível receber inspiração para praticar o bem e seguir o caminho correto.
A história da humanidade também testemunha que, sempre que uma pessoa ou uma nação negou Deus e a vida futura, ou os esqueceu, mergulhou então no abismo da decadência moral. Por causa das injustiças e opressões cometidas por elas, desceram sobre a vida social lamentos e gritos de dor. Por fim, essa nação foi completamente destruída, e seu nome e seus vestígios desapareceram do mundo.
Vejamos agora que argumentos irrefutáveis o Alcorão apresenta a respeito da vida futura. A crença na vida futura é tão importante que negá-la equivale a negar o próprio Allah e Seus profetas e mensageiros. Somente quando, juntamente com uma firme crença no Tawhid e na Risalat, se formar uma convicção firme na vida futura, estará protegido o edifício da filosofia de vida islâmica e do sistema de vida islâmico apresentado pelos profetas e mensageiros. E é precisamente por causa da descrença na vida futura que esse edifício será reduzido a pedaços.
Por isso, Allah, o Altíssimo, diz:
( Árabe *******************************)
“Os incrédulos juram solenemente pelo nome de Allah que Ele não ressuscitará os mortos. Por que não os ressuscitaria? Isso é uma promessa que Ele assumiu como dever cumprir. Mas a maioria das pessoas não sabe. A ressurreição é necessária para que, naquele dia, Allah revele a verdade sobre aquilo a respeito do qual divergiam. Assim, os incrédulos saberão que eram mentirosos. Para dar existência a algo, Ele não precisa fazer mais do que dizer: ‘Sê!’ — e imediatamente isso acontece.” — (Surata An-Nahl: 38–40)
Aqui, Allah, o Altíssimo, descreve a necessidade racional e moral da ressurreição e do renascimento após a morte. Desde o início da existência humana, têm surgido muitas divergências e discordâncias acerca da verdade real. Por causa dessas divergências, surgiram divisões, conflitos e confrontos entre famílias, povos e tribos. Com base nelas, os defensores e propagadores de diferentes doutrinas e visões de mundo construíram suas próprias religiões, sistemas sociais e civilizações e culturas. Em diferentes épocas, milhões de pessoas sacrificaram a vida, os bens, a honra e a dignidade em apoio a cada uma dessas doutrinas e pela sua consolidação. Também ocorreram confrontos sangrentos com os adeptos de opiniões diferentes. Os seguidores de uma doutrina tentaram expulsar os que sustentavam opiniões contrárias. Os adeptos atacados não abandonaram suas próprias crenças e doutrinas até o último momento. A consciência também exige que, a respeito de uma divergência tão intensa, seja necessariamente revelada a verdade sobre qual lado estava certo e qual estava errado; quem estava estabelecido no caminho da verdade e quem havia se desviado. Não há qualquer possibilidade de que essa verdade seja revelada na Terra. A própria organização deste mundo é tal que aqui é difícil desvelar completamente a verdade. Portanto, para satisfazer essa exigência da consciência, é necessário que exista outro mundo.
Isso não é apenas uma exigência da consciência; é também uma exigência da moralidade e da ética. Pois muitos grupos participaram dessas divergências, conflitos e confrontos. Alguns praticaram opressão e perseguição, enquanto outros as suportaram. Alguns sacrificaram a vida e os bens, enquanto outros se aproveitaram da oportunidade. Cada pessoa adotou, de acordo com sua doutrina, uma filosofia moral e uma visão moral, e, como resultado, foram produzidos efeitos bons ou maus na vida de milhões de pessoas. Deve certamente chegar um momento em que os resultados de tudo isso se manifestem sob a forma de recompensa ou castigo. Se, na organização deste mundo, não for possível manifestar plenamente os resultados morais, será necessariamente preciso haver outro mundo onde eles se revelem de forma completa.
Allah diz:
(Árabe ****************************************)
“Todos vós tereis de retornar a Ele. Esta é a promessa firme de Allah, o Altíssimo. Ele certamente inicia a criação e também a repetirá. A razão da segunda criação é que Ele recompensará com justiça aqueles que, depois de crerem, praticaram boas ações. Quanto àqueles que seguiram o caminho dos incrédulos, beberão água fervente e sofrerão um castigo doloroso. Esse castigo lhes será infligido por tudo o que fizeram ao negar a verdade.” — (Surata Yunus: 4)
Aqui são apresentadas a afirmação sobre a vida futura e a sua prova. A afirmação é clara: a vida futura, isto é, a ressurreição dos seres humanos, certamente ocorrerá. Isso não é de modo algum impossível. Como prova, afirma-se que Aquele que pode criar uma vez é certamente capaz de fazê-lo repetidamente. Portanto, se foi Ele quem criou o ser humano uma vez, por que não poderia fazê-lo uma segunda vez?
Em seguida, fala-se da necessidade da vida futura. O argumento acima é suficiente para demonstrar que uma segunda criação é inteiramente possível. Depois, afirma-se que, do ponto de vista da consciência e da justiça, há uma necessidade especial da ressurreição, e que essa necessidade de modo algum pode ser satisfeita sem ela. Aqueles que, depois de reconhecerem somente Allah, o Altíssimo, como Criador e Senhor, vivem verdadeiramente uma vida de servidão e obediência têm, com justiça, direito à recompensa; e aqueles que rejeitam a verdade e vivem de maneira oposta também devem sofrer as consequências de seus atos. Contudo, essa necessidade não foi satisfeita de modo algum na vida terrena, nem há qualquer possibilidade de que o seja. É precisamente para satisfazer essa necessidade que a ressurreição, ou a vida futura, é absolutamente indispensável.
(Árabe ***********************************)
“Cada um terá de provar o sabor da morte, e no Dia da Ressurreição recebereis a recompensa completa. Portanto, nesse dia, aqueles que forem salvos do fogo do Inferno e admitidos no Paraíso serão os bem-sucedidos.” — (Surata آل Imran: 185)
Aqui também é apresentado o argumento da necessidade da vida futura. Primeiro, fala-se de uma verdade comprovada: todo ser humano é mortal. O fato de todo ser vivo ter de provar o sabor da morte é uma experiência real cotidiana do ser humano.
Depois disso, neste mundo, durante sua vida, o ser humano continua praticando tanto boas quanto más ações. Aqui, não se recebe a devida recompensa pelas boas ações nem a devida punição pelas más. Uma pessoa virtuosa pode passar a vida inteira praticando o bem sem receber sua recompensa, enquanto um perverso pode passar a vida inteira praticando o mal sem sofrer punição. Essas são verdades muito concretas que ninguém pode negar. Entretanto, a recompensa pelas boas ações e a punição pelas más são absolutamente necessárias. Como neste mundo não é possível conceder uma recompensa correta e completa pelas boas ações, nem uma punição adequada pelas más, a necessidade de uma outra vida após a morte é inegável.
(Árabe ***************************************************)
“Todos terão de morrer, e Nós os testaremos neste mundo com felicidade e sofrimento; depois, para que recebam o resultado desse teste, terão de retornar a Nós.”
-(Surata Al-Anbiya: 35)
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Os argumentos do Alcorão sobre a vida após a morte
Em resposta à afirmação dos incrédulos de que, muito tempo depois de os ossos, a pele, a carne e as partículas do corpo humano se decomporem após a morte, não haverá possibilidade de sua ressurreição, Allah, o Altíssimo, diz:
( Árabe ***************************************************)
“Tudo o que a terra consome dos corpos mortos é conhecido por Nós. E tudo o que há em cada átomo e partícula está também preservado em Nosso Livro.” — (Surata Al-Kahf: 4)
Se a capacidade de Deus de conceder a ressurreição não chega ao entendimento dos incrédulos ignorantes, isso apenas revela a estreiteza de seus conhecimentos. Isso não significa que Allah seja incapaz nesse assunto. Eles pensam que, milhares de anos depois de os corpos daqueles que morreram desde os primórdios e dos que ainda morrerão no futuro se deteriorarem e se transformarem em nada, reconstruí-los seria algo impossível e irreal. Mas Allah diz que, embora as partículas e os átomos deteriorados do corpo humano estejam além da percepção e do conhecimento dos seres humanos, jamais estão além de Seu conhecimento. Allah sabe onde tudo isso se encontra e, além disso, está registrado minuciosamente no Livro protegido. Ao simples comando de Allah, tudo se reunirá novamente e assumirá exatamente a forma do corpo anterior. O ser humano não será apenas ressuscitado; receberá exatamente o mesmo corpo que possuía neste mundo. Isso não é absolutamente difícil para Allah.
Allah respondeu exatamente a esse tipo de pergunta em muitos outros lugares do Sagrado Alcorão:
( Árabe ****************************************)
“Eu criei vocês. Então por que não reconhecem a veracidade disso (da vida futura)?” — (Surata Al-Waqi‘ah: 57)
Se aquele que não acredita na vida futura admite que foi Allah quem o criou, por que haveria algum impedimento para admitir que Ele também pode criá-lo uma segunda vez?
( Árabe ******************************************)
“Ó humanidade! Se vocês têm dúvidas de que serão ressuscitados no Dia da Ressurreição, então reflitam: Nós criamos vocês inicialmente do pó; depois, de uma gota de esperma; depois, de um coágulo; depois, de um pedaço de carne, parte formada e parte informe, para manifestar diante de vocês o Nosso poder. E mantemos no ventre materno quem desejamos até um prazo determinado, isto é, até o momento do parto. Depois, fazemos vocês sair do ventre materno para o mundo exterior ainda na infância, para que possam alcançar a maturidade. Entre vocês há quem morra antes de alcançar a maturidade, e há também quem alcance uma longa vida e chegue à velhice. O resultado é que, depois de adquirirem conhecimento sobre algo, vocês acabam esquecendo-o. (A segunda questão é esta:) Vocês veem a terra seca e sem vida. Então, quando fazemos cair água sobre ela, ela se torna fértil e viva, e produz diversas espécies de belas plantações.” — (Surata Al-Hajj: 5)
Os acontecimentos mencionados acima são verdades reais que podem ser observadas continuamente. Ninguém tem como negá-los. Embora os que não creem na Vida Futura acreditem que essas coisas são verdadeiras, dizem que a Vida Futura é irreal. Isso é apenas uma negação obstinada. Caso contrário, não há qualquer argumento por trás disso.
Allah Ta‘ala chamou a atenção do ser humano para o mistério de seu nascimento, a fim de dissipar suas ilusões:
( Árabe ***********************************************)
“Por acaso já refletistes sobre o sêmen que ejac ulais no útero de vossas esposas durante a relação sexual? Sois vós que dais origem aos filhos a partir dele, ou sou Eu? Decretei a morte entre vós. E não sou incapaz de vos transformar e criar em outras formas que desconheceis. Certamente conheceis a primeira criação de vós. Então, por que não aprendeis?”
— Surata Al-Waqi‘ah: 58–62
Em Seu breve discurso, Allah Ta‘ala apresentou à humanidade uma questão de extrema importância. Se o ser humano abandonar todos os argumentos e controvérsias e refletir apenas sobre o mistério de seu nascimento, tudo se tornará claro para ele. Então, não haverá em seu coração qualquer espaço para dúvidas sobre a existência e a unicidade de Deus, nem sobre a Vida Futura,
Allah Ta‘ala pergunta: depois que o sêmen do homem e da mulher se une, será que o filho começa a formar-se por si mesmo? A geração de um filho é obra do ser humano ou de algum outro poder? Que capacidade possuem o homem e a mulher para que, tão logo seus fluidos se unam, possam dar origem a um filho?
Toda pessoa dotada de mente sã e consciência responderá: “Não, não, não; tudo isso está além da capacidade humana.” Observai o desenvolvimento gradual do sêmen unido do homem e da mulher, desde o momento em que penetra no óvulo da esposa até antes do nascimento.
Depois que os minúsculos espermatozoides e óvulos do homem e da mulher se unem, forma-se a célula e, a partir dela, um coágulo de sangue. Depois de algum tempo, esse coágulo em crescimento transforma-se na forma de um pequeno ser humano. Essa forma é incomparável, única. Não se parece com nenhuma outra. Pode ser bela ou feia. Pode possuir todos os membros e órgãos, ou ser deficiente. Depois, dotá-lo de extraordinário talento, conhecimento e inteligência, memória aguçada e ilimitada capacidade de inovação, ou fazer o oposto: será isso obra de algum artista humano? Não; será obra de algum deus ou deusa, de algum demônio ou gigante, além de Deus?
Durante a gestação, o fornecimento de alimento, por meios diversos, para o corpo em crescimento da criança humana, bem como a organização antecipada, antes mesmo de seu nascimento, de tudo o que lhe é necessário neste mundo — alimento, bebida, abrigo e uma criação num ambiente envolto em carinho, ternura e afeto genuínos —, tudo isso está submetido ao plano de um mesmo Artista. Quem poderia ser esse Artista onipotente e único, Criador e Sustentador do universo, senão Allah?
Alguém talvez diga que tudo isso é obra da natureza. Mas o que se quer dizer com “natureza”? Pessoas como essas chamam toda a criação de ação e reação posteriores a um acidente. Mas será que a “natureza” possui conhecimento próprio, planejamento, um projeto particular para cada criação, vontade e poder de agir, ou autoridade para fazer alguma coisa? Aquilo que você deseja chamar de “natureza” também está inteiramente sob o controle do Criador do universo. A luz, o ar, as nuvens do céu, a chuva, o nascimento da vegetação como consequência da chuva, o belo verdejante ao redor, o rio que corre murmurando e o canto dos pássaros em todos os bosques — tudo isso é controlado pela hábil mão do mesmo Poder Supremo.
Além disso, Allah diz que distribuiu a morte entre nós; isto é, todos são mortais e a duração da vida de cada um não é igual. Alguns deixam este mundo no instante seguinte ao nascimento, enquanto outros vivem mais de cem anos. A morte chega inesperadamente à porta do ser humano em qualquer momento. Allah determinou o momento e a hora de sua chegada. Não há possibilidade de que ela se adiante ou se atrase sequer um instante. Mas, quando a morte chega, ninguém consegue impedir ninguém. O imperador mais poderoso do mundo, em cujo império o sol jamais se punha, poderia alguém tê-lo retido, apesar de todas as tentativas? Assim, quantos filhos, deixando seus pais imersos num mar de luto, quantos amantes, acendendo no coração de seus amados o fogo da separação eterna, e quantos pais, deixando seus filhos pequenos órfãos e desamparados, partem para o além da morte; mas ninguém pode fazer nada a respeito. A ciência orgulha-se de suas novas e extraordinárias descobertas. Mas, até hoje, alguém conseguiu descobrir algum remédio para a morte? Alguém conseguiu descobrir algum antídoto contra ela? A vida e a morte estão ligadas pelos elos de leis e princípios firmes e imutáveis, sob o controle de uma mão tão poderosa que não há como escapar de sua determinação. O único soberano desse Poder é Allah. Ele é o Senhor da vida e da morte, o Dono e Senhor deste mundo e também do além.
No versículo em questão do Alcorão Sagrado, Allah também declarou que não é apenas capaz de criar a humanidade sempre pelo mesmo método fixo. Ele é capaz de criá-la também em formas e por métodos desconhecidos ao conhecimento humano. Ele criou o primeiro ser humano, Adão, de uma maneira; criou Jesus, contrariando o modo habitual de nascimento. Para recriar uma pessoa morta, não será necessário depositar um espermatozoide no óvulo de uma mulher. Ele é plenamente capaz de devolver-lhe a vida exatamente na forma física e no desenvolvimento que possuía quando morreu. Portanto, que outra coisa pode ser, além de insensatez, negar o além enquanto se alimenta uma concepção equivocada sobre o poder infinito e o conhecimento de Allah, o Senhor de uma arte criadora tão misteriosa?
Allah, o Altíssimo, também diz: “Na vida deste mundo, foram concedidas a vocês capacidades de ver, de ouvir e as demais faculdades sensoriais de determinada forma. No além, também sou capaz de transformá-las e fazê-las assumir outra forma. Naquele dia, vocês verão e ouvirão coisas que agora não veem nem ouvem. Hoje, sua pele, mãos, pés, olhos e outros membros não têm capacidade de falar; a capacidade de falar que existe em suas línguas foi dada por Mim. Do mesmo modo, no além também sou capaz de conceder capacidade de falar a cada um de seus membros. Neste mundo, concedi a vocês uma vida com duração determinada, da qual nunca houve nem haverá exceção. Mas, no além, modificarei essa lei e lhes concederei uma vida eterna e inesgotável. Hoje há um limite para o sofrimento que vocês podem suportar; quando esse limite é ultrapassado, vocês já não podem permanecer vivos. O nascimento e a morte aqui estão sujeitos à Minha lei inexorável. No além, modificarei essa lei e lhes concederei uma vida na qual permanecerão vivos por toda a eternidade, mesmo sofrendo o mais severo castigo. Está além da imaginação de vocês que um idoso volte algum dia a ter juventude. O ser humano ficará completamente livre de doenças, e a velhice não tocará ninguém. Tudo o que acontece aqui — a sucessiva chegada da infância, da juventude e da velhice, o ataque das doenças e a recuperação — está sujeito às Minhas leis e determinações imutáveis. No além, criarei um novo conjunto de leis e determinações para a vida de vocês. Assim que o afortunado entrar no Paraíso, alcançará a juventude eterna. Então, nem haverá qualquer possibilidade de o sol de sua juventude declinar no horizonte ocidental de seu céu da vida, nem alguma doença, por menor que seja, poderá tocá-lo!”
Por fim, Allah, o Altíssimo, diz: “Certamente vocês sabem que nasceram por algum método misterioso e extraordinário. Como uma gota de sêmen foi transferida do órgão seminal do pai para o útero da mãe, tornando-se a causa de seu nascimento. Como vocês foram nutridos no útero materno escuro e enviados ao mundo como seres humanos vivos. Como, mediante crescimento e desenvolvimento graduais, foram harmoniosamente instalados numa minúscula criatura componentes como mente, cérebro, mãos, pés, nariz, ouvidos e olhos. Como lhe foram concedidos consciência, capacidade de sentir, conhecimento e inteligência, diversas artes e técnicas, e um extraordinário poder de inovação. Será que a manifestação de um milagre incomparável encontrada em tudo isso é, em algum aspecto, inferior a dar vida aos mortos? Vocês contemplam com os próprios olhos esse acontecimento extraordinário centenas de vezes, dia e noite. Mesmo depois disso, por que ainda não acreditar no além?”
(Árabe************************************)
O (que nega a Akhirah) diz: “Quem dará vida novamente a estes ossos depois de terem se deteriorado após a morte?” (Ó Profeta,) dize-lhe: “Aquele que os criou pela primeira vez lhes dará vida novamente. Ele tem pleno domínio da arte da criação. Foi Ele quem criou para vós o fogo a partir das árvores verdes, e com ele acendeis os vossos fogões. Acaso Aquele que criou os céus e a terra não é capaz de criar algo semelhante? Certamente é capaz. Ele é extremamente hábil na perfeita arte da criação. Quando deseja fazer algo, apenas ordena: ‘Sê!’ — e então isso acontece.”
— (Surata Yasin: 78–82)
Que argumento poderia ser maior do que este acerca da ressurreição? Tomemos, por exemplo, o caso de um relojoeiro que fabrica centenas de relógios. Se alguém destruísse um relógio diante de seus olhos e dissesse que esse relógio jamais poderia ser feito novamente, todos reconheceriam a sua tolice. Aquele cujo trabalho é fabricar continuamente novos relógios certamente poderá montar outro relógio idêntico a partir das peças fragmentadas de um relógio quebrado; não há dúvida quanto a isso. É estranha e ridícula a ideia de que o Criador e Artista Todo-Poderoso, que na primeira vez criou o ser humano com elementos reunidos de maneiras diversas, não possa fazê-lo novamente. Por trás da criação de um ser humano completo atua um processo gradual de desenvolvimento. Primeiro, uma célula no ventre materno; depois, um coágulo de sangue; em seguida, um pedaço de carne; e, por fim, um ser humano completo. Por trás desse desenvolvimento gradual atua unicamente a vontade do grandioso Criador, Allah, o Altíssimo. Embora a criação humana ocorra por meio de um processo gradual como esse, qualquer coisa pode passar a existir assim que Allah ordena. Ele também possui esse poder. Portanto, para que o ser humano seja ressuscitado após a morte, não será necessário que atravesse novamente os diversos estágios do ventre materno, e essa tampouco é a vontade de Allah. Basta a Sua vontade e a Sua ordem. Pela Sua vontade e pela Sua ordem, as moléculas e partículas deterioradas do corpo humano se reunirão e, num instante, um ser humano completo, formado de sangue, carne, ossos e pele, passará a existir em estado vivo. Isto é algo extremamente simples e compreensível.
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A argumentação histórica sobre a Akhirah
Allah, o Altíssimo, o Sapientíssimo, ao descrever a Akhirah, por um lado, convidou os seres humanos a refletir e pesquisar sobre a arte miraculosa da criação e, por outro, apresentou os acontecimentos do passado como testemunhas da certeza da Akhirah.
(Árabe **************************************)
“Pelo Monte Tur. Pelo Livro sagrado e manifesto, registrado em uma pele lisa. E pelo Bait al-Ma’mur, o céu elevado, e pelo mar transbordante e ondulante. O castigo da parte do teu Senhor certamente ocorrerá; ninguém poderá impedi-lo.” — (Surata At-Tur: 1–8)
Na passagem em questão, por castigo entende-se precisamente a vida futura. Isso porque a vida futura trará aos seus negadores um castigo extremamente terrível e doloroso. Para fazer nascer no coração das pessoas a convicção de que a vida futura é uma verdade inevitável, Allah Ta‘ala jurou por cinco coisas. Ou seja, essas cinco coisas testemunham a veracidade da vida futura.
Em primeiro lugar, consideremos o monte Tur: trata-se de uma montanha sagrada e histórica, sobre a qual Allah Ta‘ala conversou com Hazrat Musa (A.S.) e o honrou com a coroa da profecia. Foi também nesse lugar que se tomou a decisão sobre a queda de uma nação extremamente poderosa e arrogante, bem como sobre a mudança do destino de outra nação oprimida e esmagada. Essa decisão não foi tomada com base na lei física do mundo, fundada em números e força; ao contrário, foi tomada de acordo com a lei moral e com a lei da retribuição pelos atos maus. Portanto, o monte Tur foi apresentado como um sinal da prova histórica da veracidade da vida futura.
Naquela grande noite, sobre o monte Tur, foi tomada a decisão de como o Faraó, embriagado pelo poder e reivindicando divindade sobre os homens, senhor de uma vasta região, seria submerso nas profundezas do mar Vermelho juntamente com o seu exército e os seus dignitários. E foi tomada a decisão de libertar para sempre Bani Isra’il, desarmados, inocentes, perseguidos e esmagados, das correntes da escravidão.
O Senhor Allah Ta‘ala, Dono do universo, exige um julgamento moral dos seres humanos dotados de conhecimento e consciência, de vontade livre e capacidade de agir; o acontecimento acima permanece e permanecerá para sempre na história da humanidade como um exemplo ardente disso. Para cumprir essa exigência de Allah Ta‘ala, é absolutamente necessário um Dia do Juízo, no qual toda a humanidade do mundo será reunida e submetida a um julgamento minucioso. E isso, racionalmente, só poderá ocorrer depois do fim da vida humana. Nesse Dia do Juízo, ninguém escapará, mesmo tendo cometido a mais insignificante injustiça ou transgressão.
Na passagem em questão, por Escrituras Sagradas entende-se o conjunto dos livros revelados aos profetas anteriores, a saber, a Torá, o Injil, o Zabur e os demais Livros Celestiais. Naquela época, esses livros ainda eram preservados por muitas pessoas. Por meio deles, os outros profetas apresentaram, a respeito da vida futura, a mesma doutrina que o último Profeta, Muhammad Mustafa (S.A.W.), apresentou aos Quraysh. Todos os profetas disseram que um dia toda a humanidade seria reunida diante de Deus e que, então, cada pessoa teria de prestar contas pelos seus próprios atos. A nenhum profeta foi revelado um livro que não mencionasse a vida futura, ou que afirmasse que, depois da morte, não existe vida futura.
Em seguida, Allah Ta‘ala jurou pelo Bayt al-Ma‘mur. Em cada céu* e no Paraíso existe uma Casa Sagrada, voltada para a qual os anjos e os habitantes dos céus adoram e prestam culto a Allah. A sagrada Kaaba de Meca é chamada de Bayt al-Ma‘mur na Terra, porque essa Casa foi construída primeiro pelos anjos e depois por Hazrat Ibrahim (A.S.), à semelhança do Bayt al-Ma‘mur do Paraíso.
A sagrada Kaaba traz os testemunhos luminosos de várias verdades. É tão claro quanto a luz do dia que os profetas de Allah são verdadeiros e que a Sua sabedoria eterna e o Seu poder infinito envolvem essa Casa Sagrada.
Cerca de dois mil e quinhentos anos antes da revelação deste sagrado versículo — segundo outra opinião, quatro mil anos antes —, um homem partiu, exilando a sua amada esposa e o seu único filho ainda lactente numa região deserta, sem habitantes nem água, cercada por montanhas. Depois de algum tempo, esse mesmo homem construiu ali uma Casa para a adoração de Allah e fez um grandioso chamado: “Ó humanidade, vinde conhecer esta Casa Sagrada e cumprir o Hajj.”
Seu chamado possuía uma força magnética tão poderosa e conquistava de tal modo o coração e a mente das pessoas que a Casa se tornou o centro de atração de toda a Arábia. Esse grande convocador não era outro senão o glorioso profeta Hazrat Ibrahim Khalilullah (A.S.). Ao seu chamado, incontáveis pessoas vieram correndo de todas as cidades, aldeias e regiões da Arábia para visitar aquela Casa, fazendo ressoar por toda parte: “Labbayk Allahumma Labbayk” (Estamos presentes, estamos presentes, ó Allah, estamos presentes). Pois aquela era a Casa de Allah.
Desde sua construção até a revelação do versículo acima, milhares de anos depois, ela tem permanecido como um santuário de paz e segurança, e assim continua até hoje.
Naquela época, por toda a Arábia, de país em país, de nação em nação e entre as pessoas, acontecia um verdadeiro banho de sangue. Mas, ao se aproximar dessa Casa sagrada, até mesmo o punho de um homem indomável, sedento de sangue e de ferro, se afrouxava. Dentro de seus quatro limites, ninguém jamais ousou levantar a mão contra outro. Graças a essa Casa, os árabes puderam desfrutar de quatro meses sagrados, nos quais reinavam por toda parte a paz e a plena segurança das vidas, dos bens e da honra. Durante esse período, eles viajavam livremente e sem temor, levando consigo suas mercadorias comerciais. Seus negócios também prosperavam como uma plantação em crescimento.
Tal era a extraordinária majestade dessa Casa sagrada que nem mesmo um poderoso conquistador ousava lançar sobre ela seu olhar cobiçoso. Apenas quarenta e cinco anos antes da revelação dessa sagrada palavra, um governante imprudente e orgulhoso de seu poder empreendeu uma expedição com o objetivo de reduzir a Casa a pó. Naquela época, não havia em toda a Arábia força capaz de detê-lo. Contudo, longe de tocar a Casa, ele foi completamente destruído, juntamente com seu enorme exército, antes mesmo de chegar aos seus limites. Seus ossos e sua carne foram reduzidos a pedaços de maneira milagrosa. Muitos dos que haviam testemunhado esse acontecimento com os próprios olhos ainda estavam vivos quando ele foi mencionado.
Tudo isso não é a verdadeira prova de que os profetas de Allah não falam de coisas imaginárias? Seus olhos veem coisas que não são percebidas pelos outros. De suas bocas são pronunciadas verdades e informações que os demais não têm capacidade de compreender. Eles dizem e fazem coisas que levam muitos de seus contemporâneos a chamá-los de loucos. Mas, depois de passados séculos, as pessoas elogiam entusiasticamente sua prudência e sua visão do futuro. Quando esses grandes homens, em todas as épocas, repetiram a mesma verdade: que a vida futura certamente existirá, o que pode ser chamado de sua negação senão imprudência?
Depois, Allah apresentou como testemunha da vida futura o céu elevadíssimo, um sinal de Sua extraordinária arte criadora. Mesmo na era do extremo avanço científico, os cientistas ainda não conseguiram obter um conhecimento completo do céu. A extensão do céu é tão vasta e imensa, e o lugar onde começam e terminam seus limites ainda está além de seu conhecimento. Será que o espaço infinito que se vê acima de nossas cabeças, no qual a Lua, o Sol, os planetas e as estrelas se movem, separados por milhões e milhões de milhas, é o próprio céu? Ou será que o céu começa em seu limite final? É difícil dizer isso com precisão. A velocidade da luz é de cento e oitenta e seis mil milhas por segundo; contudo, embora muitos astros tenham começado a enviar sua luz nessa velocidade, a luz de muitos deles ainda não chegou à Terra. A distância entre a Terra e o local onde esses astros estão situados ainda não pôde ser medida.
Não há dúvida de que o céu é uma grande maravilha para os cientistas. Segundo eles, uma parte do céu inteiro é chamada de galáxia, e nosso sistema solar ocupa uma parte de uma dessas galáxias. Dentro dessa única galáxia existem a Lua, o Sol, os planetas e as estrelas. As pesquisas mais recentes dos cientistas detectaram a existência de pelo menos um milhão de galáxias. Entre essas incontáveis galáxias, a que está mais próxima de nós ainda necessita de um milhão de anos para que sua luz chegue à Terra. E, no entanto, essa luz viaja a uma velocidade de cento e oitenta e seis mil milhas por segundo.
O volume da pequeníssima parte do mundo superior cujo conhecimento a ciência nos proporcionou até agora já é tão vasto e imenso. Está além da nossa imaginação quão grandiosos são o poder e o conhecimento do Criador de tudo isso. Nesse assunto, o conhecimento humano é menor que uma gota d’água em comparação com um oceano. Se o ser humano, tão insignificante, fizer a respeito de Allah, que deu existência a este maravilhoso reino da criação, a afirmação de que Lhe é impossível conceder uma nova vida depois da morte ou criar um novo mundo após o cataclismo e a destruição, então será preciso dizer que certamente ocorreu alguma desordem em seu reino do pensamento.
Depois, veja: será que a presença dos mares impetuosos e ondulantes sobre a face da Terra é pouco surpreendente? Três partes da Terra são água e uma parte é terra. É isso que diz a geografia. A Terra, com a massa infinita de água dos mares e o enorme peso da terra firme, gira continuamente no espaço como um pião. Só de pensar nisso, a cabeça humana fica tonta.
Se alguém refletir e investigar profundamente o mar, com uma visão clara e imparcial, seu coração testemunhará que a reunião de uma massa infinita de água sobre a Terra é uma obra de criação que jamais poderia ser resultado repentino de algum acidente. Além disso, estão associadas a ela inúmeras sabedorias, de modo que um sistema tão ordenado, belo, sábio e harmonioso jamais poderia ter surgido espontaneamente, sem um Criador e Governador.
No seio do mar foram criadas incontáveis criaturas. Suas formas e estruturas são variadas. Cada uma foi criada exatamente de acordo com a profundidade determinada para ser seu habitat. A água do mar foi feita salgada. Por isso, embora todos os dias morram inúmeras criaturas em seu seio, seus cadáveres não apodrecem nem se decompõem a ponto de poluir a água do mar. O aumento e a diminuição da massa de água foram limitados e controlados de tal maneira que ela jamais penetra no subsolo pelo fundo do mar para desaparecer, nem se eleva impetuosamente a ponto de inundar toda a terra firme. Há milhões e milhões de anos, seu aumento e sua diminuição permanecem limitados dentro dos limites determinados. E também esse aumento e essa diminuição ocorrem por ordem do Criador.
Com o calor do sol, forma-se vapor a partir da massa de água do mar, que se eleva. Desse vapor formam-se as nuvens. Impelidas pelo vento, as nuvens regam diferentes regiões da terra firme. Como resultado das chuvas, não apenas para os seres humanos, mas também para os animais terrestres, são produzidas todas as coisas necessárias à manutenção da vida.
Do fundo do mar, os seres humanos também extraem grande quantidade de alimentos. Recolhem pérolas e pedras preciosas inestimáveis, corais, diamantes e joias. Navios atravessam seu seio, navegando de um país a outro. O comércio livre prospera. As pessoas deslocam-se de um lugar para outro. Essa relação profunda, íntima e benéfica entre a terra firme e a humanidade só é possível por meio da administração harmoniosa de uma mão habilíssima. De modo algum se trata de um sistema conduzido pelo acaso dos acontecimentos.
À luz da discussão acima, não se deve aceitar como uma verdade incontestável que um Deus único e onipotente criou também o mar com tal majestade, juntamente com as inúmeras outras coisas necessárias para a prosperidade e a manutenção da vida humana?
Se é assim, então somente uma pessoa ignorante poderia dizer que Deus fará surgir nuvens do mar para a manutenção de sua vida e tornará sua terra abundante em água, fértil e coberta de plantações. Mas será que Ele jamais lhe perguntará se, vivendo unicamente por Sua graça, demonstrou gratidão a Ele ou foi desobediente? Allah Ta’ala lhe deu a força, o conhecimento e a inteligência para conduzir embarcações no mar agitado, mantendo-o controlado e obediente. Mas será que Ele jamais lhe perguntará se conduziu essa embarcação pelo caminho da justiça e da verdade ou para saquear os bens dos outros? Será errado chamar de equivocados em seu pensamento aqueles que têm esse tipo de reflexão e fazem esse tipo de afirmação?
Aquele Deus poderoso, cuja infinita onipotência é minimamente demonstrada pela criação deste mar infinito e misterioso; que armazenou uma massa infinita de água sobre a superfície da Terra, girando no espaço; que dissolveu uma quantidade inesgotável de sal e a misturou no seio do mar; que criou nele incontáveis seres vivos e lhes providenciou alimento; que todos os anos retira dele centenas de bilhões de galões de água para regar centenas de bilhões de acres de terra seca — será que, depois de criar a humanidade uma vez, tornou-se tão impotente que não será capaz de criá-la novamente? Se alguém proferisse esse tipo de disparate e afirmação sem sentido, você talvez dissesse que ele certamente perdeu o equilíbrio mental.
No Sagrado Alcorão, Allah, o Altíssimo, apresentou inúmeras provas irrefutáveis acerca da inevitabilidade da vida do Além. Depois de tudo isso, não pode haver espaço para qualquer dúvida sobre a vida do Além.
O mundo é o campo de prova do ser humano
“(Árabe *********************************)
“Foi Ele quem criou a morte e a vida, para testar-vos e saber qual de vós é o melhor em obras (ações praticadas).” — (Surata Al-Mulk: 2)
Que o mundo é um campo de prova para o ser humano também foi mencionado em vários outros lugares do Alcorão. Ele continua a prestar essa prova até o momento anterior à morte. Com a morte, sua prova termina imediatamente. A prova terminou, é verdade, mas seu resultado não foi conhecido de modo algum. E uma prova sem a divulgação do resultado não tem sentido. Afinal, a prova é realizada justamente para saber quem é o melhor em obras. Aquele que prestou a prova morreu. Não se soube se foi aprovado ou reprovado nela. Ora, como ele morreu antes da divulgação do resultado, é absolutamente necessária outra vida após a morte para que o resultado seja conhecido. Essa é a vida do Além.
Assim, a conclusão é que o resultado da prova que o ser humano prestou durante toda a sua vida será divulgado após a morte. Para isso, cada ser humano será ressuscitado em um novo mundo e conduzido à presença de Allah, o Altíssimo. Esse lugar é chamado de Campo da Ressurreição. Será nessa presença que o sucesso ou o fracasso na prova de cada pessoa será anunciado. Aos bem-sucedidos será ordenada a entrada no Paraíso, e aos fracassados, no Inferno.
Embora o anúncio final sobre o bem e o mal seja feito no tribunal da vida do Além, cada pessoa compreenderá, no momento da morte, qual será o seu lugar. Ela o compreenderá pelo comportamento dos anjos no momento de sua morte. Essa questão será discutida no devido lugar.
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Alam de Barzakh
Surge uma pergunta na mente: para onde vai imediatamente a alma humana após a morte e onde permanece? Depois do acerto de contas no Dia da Ressurreição, o Paraíso ou o Inferno será sua morada permanente. Mas, durante o longo período que antecede o Dia da Ressurreição, onde permanecerá a alma?
A resposta também pode ser encontrada no Sagrado Alcorão. Embora o período imediatamente posterior à morte seja considerado parte da vida futura, foi dado um nome específico ao intervalo entre a morte e o Dia do Juízo; na terminologia islâmica, ele é chamado de Alam de Barzakh.
O significado da palavra “barzakh” é: cortina ou véu. Alam de Barzakh significa um mundo invisível coberto por um véu. Ou então, o invisível Alam de Barzakh funciona como um enorme véu entre este mundo material e a vida futura.
Allah diz:
(Árabe *********************************)
“E atrás deles há um ‘barzakh’, cujo prazo se estende até o dia em que serão ressuscitados e levantados novamente.” — (Surata Al-Mu’minun: 100)
No Islã, é apresentada a concepção de quatro tipos de mundos. Primeiro, Alam de Arwah — o mundo espiritual. Segundo, Alam de Ajsam — o mundo corpóreo ou material (o mundo atual). Terceiro, Alam de Barzakh — o mundo invisível, coberto por um véu, após a morte. Quarto, Alam de Akhirat — a vida futura, o mundo eterno após a ressurreição.
Após a criação do primeiro ser humano, o venerável Adão (A.S.), em certo momento, por simples ordem de Allah, todas as almas da humanidade passaram a existir. Sua morada temporária é esse Alam al-Arwah, ou mundo espiritual.
Certa vez, dirigindo-se conjuntamente a essas almas (os filhos humanos incorpóreos ou dotados de corpos sutis), Allah disse:
(Árabe ************************)
“Acaso não sou Eu o vosso Criador, Senhor e Sustentador?” Todas as almas responderam em uníssono: “Certamente, Vós sois o nosso único Criador e Sustentador.”
Desse modo, Allah obteve de todas as almas criadas para este mundo, isto é, dos seres humanos, o reconhecimento de sua servidão e obediência a Ele. Pois reconhecer alguém como Senhor já constitui o reconhecimento da servidão e da obediência. O lugar onde essas almas permaneciam e ainda permanecem antes de virem ao mundo é o Alam al-Arwah — o mundo onde as almas residem.
Então, quando começou a vez da chegada dos seres humanos a este mundo, as almas começaram a ser transferidas, uma a uma, daquele sutil mundo espiritual para este mundo material. Depois que a forma completa do filho se forma no ventre materno, por ordem de Allah Ta’ala, a alma determinada, ou o ser humano incorpóreo, entra do mundo espiritual na forma humana existente no ventre materno. Em seguida, nasce no momento determinado e ingressa no mundo.
Após a morte, a alma é novamente transferida do mundo material para o Alam al-Barzakh. A alma apenas abandona o corpo. Ela não morre.
A parte específica do Alam al-Barzakh onde a alma permanece chama-se “qabr”. Contudo, os túmulos não serão iguais para todos. Para alguns, o túmulo será como a hospedaria de Allah Ta’ala. Para outros, será como a estreita cela de uma prisão destinada aos criminosos.
As almas das pessoas que morreram permanecerão aqui por um período determinado, isto é, até o instante anterior à Ressurreição.
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Descrição do túmulo
No contexto da descrição do período após a morte, o Sagrado Alcorão e os hadiths descrevem os túmulos. Na era pré-islâmica, os politeístas árabes, assim como judeus e cristãos, sem exceção, sepultavam os cadáveres de todos.
À primeira vista e sob o aspecto material, o túmulo é apenas uma cavidade na terra, na qual o cadáver é sepultado. A terra devora esse cadáver. Mas o verdadeiro túmulo é algo pertencente a um mundo sutil e invisível, que está além do nosso conhecimento, entendimento e imaginação. Foi dito anteriormente que o túmulo é uma parte do Alam al-Barzakh.
A verdade é que, depois da morte, quer a pessoa seja sepultada, reduzida a cinzas numa pira funerária, devorada por animais selvagens ou submersa e transformada em alimento para animais aquáticos, o lugar onde sua alma separada do corpo for colocada será o seu túmulo. Ao som da terceira trombeta de Hazrat Israfil (que a paz esteja com ele), todos receberão uma nova vida, sairão dos túmulos e correrão rapidamente em direção ao campo do Juízo.
O Faraó, juntamente com seu exército, foi submerso nas profundezas do Mar Vermelho. Talvez o enorme exército tenha se tornado alimento para os animais aquáticos. Ou, depois que muitos de seus cadáveres flutuantes chegaram à margem, tenham se tornado alimento para chacais, cães e abutres. O corpo morto do Faraó está preservado há milhares de anos no museu de antiguidades do Egito, onde qualquer pessoa ainda pode vê-lo com os próprios olhos, se quiser. Mas as almas de todos eles permanecem em seus respectivos túmulos. Seu castigo continua ali.
(Árabe ****************************************)
“Allah salvou o homem crente que havia abraçado a fé entre o povo do Faraó das más consequências de sua conspiração, e o povo do Faraó foi cercado por um severo tormento após sua morte. (Esse é o tormento do fogo do Jahannam.) Então, quando ocorrer a Ressurreição, será ordenado: ‘Lançai o Faraó e seu grupo de seguidores no tormento mais severo.’” — (Surata al-Mu’min: 45–46)
O versículo acima constitui uma prova concreta do severo tormento que os pecadores terão de sofrer no Alam al-Barzakh. Também foram narrados muitos hadiths sob o título “Tormento do túmulo”. Neste versículo, Allah, o Altíssimo, menciona claramente dois níveis de tormento. Um deles, relativamente mais leve, está sendo infligido ao Faraó e ao seu povo antes da Ressurreição. Isso significa que eles são apresentados diante do fogo do Jahannam de manhã e à tarde, para que se produza neles o temor de que, um dia, serão lançados nesse fogo do Jahannam. Depois, quando ocorrer a Ressurreição, no segundo nível, ser-lhes-á aplicado o grande castigo que lhes foi destinado. Ou seja, serão lançados naquele Jahannam cuja aterradora visão lhes é mostrada desde que foram submersos no mar.
Isso não se limita apenas ao Faraó e aos seus seguidores. Pelo contrário, desde o instante de sua morte até a Ressurreição, será mostrado diante dos olhos de cada pecador o terrível destino que ele inevitavelmente terá de sofrer no fim. Por outro lado, aos servos virtuosos de Allah continuarão sendo mostradas as encantadoras imagens das belas moradas que Allah lhes reservou. Foi narrado por Hazrat Abdullah bin Umar (que Allah esteja satisfeito com ele) no Bukhari, no Muslim e no Musnad de Ahmad:
(Árabe **************************************)
“A qualquer um de vós que morra será mostrado, de manhã e à tarde, o seu destino final. Seja ele destinado ao Paraíso ou ao Inferno, ser-lhe-á dito: ‘Esta é a morada na qual entrarás quando Allah, o Altíssimo, te der uma segunda vida no Dia da Ressurreição e te apresentar diante d’Ele.’”
Imediatamente após a morte, o Alcorão Sagrado afirmou claramente o castigo dos pecadores e a felicidade e tranquilidade dos servos virtuosos no túmulo, ou no Alam al-Barzakh:
(Árabe *****************************************)
“Se pudésseis ver a situação em que os anjos tomaram as almas dos incrédulos, golpeando-lhes o rosto e os flancos e dizendo: ‘Provai agora o sabor de ser queimados no fogo.’”
-(Surata Al-Anfal: 50)
(Árabe *******************************************)
“Quando os anjos tomam as almas daqueles tementes a Deus em estado puro e santificado, dizem-lhes: “A paz esteja convosco. Entrai no Paraíso pelo bem que praticastes.”
-(Surata An-Nahl: 32)
Nos dois versículos acima, imediatamente após a morte dos pecadores e dos virtuosos, isto é, no mundo de Barzakh ou no túmulo, é-lhes anunciado, respectivamente, que entrarão no Inferno e no Paraíso. Antes de entrarem no Inferno ou no Paraíso, após o julgamento no Dia da Ressurreição, os pecadores passarão o tempo no tormento de Barzakh, enquanto os servos virtuosos viverão em perfeita paz. Assim, os dois versículos constituem uma prova evidente do tormento no túmulo para os pecadores e da felicidade e paz para os virtuosos.
Está escrito nos hadiths que, para alguns, o túmulo é como um jardim do Paraíso, e, para outros, como uma espécie de cova do Inferno. O castigo dos pecadores começa imediatamente após a morte. Mantidos confinados em um espaço estreito, são castigados de várias maneiras. O ar escaldante e as chamas do Inferno os atingem. Diversas serpentes venenosas e escorpiões continuam a picá-los dia e noite. O Alcorão Sagrado diz:
(Árabe ***************************************)
“Se pudésseis ver a situação quando os anjos tomavam as almas dos incrédulos (mortos na batalha). Eles os golpeavam repetidamente no rosto e nas partes inferiores do corpo, dizendo: ‘Experimentai agora o tormento de serdes queimados no fogo.’ -(Surata An-Nahl: 28)
(Árabe ****************************************)
“Aqueles (incrédulos) que, depois de cometerem injustiça contra suas próprias almas, são capturados pelos anjos (por meio da tomada de suas vidas), abandonam a obstinação, submetem-se e dizem: ‘Não estávamos cometendo crime algum.’ Os anjos respondem: ‘Sim, estavam. Deus conhece muito bem tudo o que fazíeis. Ide agora e entrai pelas portas do Jahannam. Lá permanecereis eternamente.’ Portanto, a verdade é que há uma morada muitíssimo terrível para os arrogantes e orgulhosos.” — (Surata An-Nahl: 28)
(Árabe ******************************************)
“Como será, então, a situação quando os anjos tomarem as almas deles e continuarem a golpeá-los no rosto e nas costas? Isso acontecerá porque eles adotaram caminhos e métodos que desagradavam a Deus e não quiseram seguir o caminho que O agradava. Por isso, Ele anulou todas as suas obras.” — (Surata Muhammad: 27–28)
Após a morte, as almas dos pecadores serão colocadas em lugares específicos e estreitos do Alam al-Barzakh, onde serão punidas de diversas maneiras. No Alam al-Barzakh não haverá corpo; haverá apenas o ruh, ou alma, que terá plena percepção do prazer e do sofrimento. A situação dos pecadores será como a dos réus encarcerados.
Por outro lado, a situação dos tementes a Deus e virtuosos será completamente oposta. Eles serão, por assim dizer, hóspedes de Allah Ta‘ala, e sua morada será muitas vezes mais confortável.
Nela haverá diversas coisas que proporcionarão felicidade e tranquilidade. Por isso, foi dito que ela será como um jardim do Paraíso.
Ao mu’min e ao muttaqi serão dadas, no momento da morte, boas-novas sobre o tempo e o lugar de sua morte.
(Árabe ***************************************)
“Aqueles que disseram: ‘Allah é nosso Senhor’, e depois permaneceram firmes nisso, certamente receberão a visita dos anjos, que lhes dirão: ‘Não temam nem se entristeçam; alegrem-se com as boas-novas do Paraíso que lhes foi prometido.’”—(Surata Ha-Mim As-Sajdah: 30)
(Árabe ***************************************)
“Para aqueles incrédulos que cometem injustiça contra si mesmos, haverá (desgraça). Quando os anjos lhes tirarem a alma e os prenderem, eles imediatamente se submeterão e dirão: ‘Não cometemos crime algum.’ Os anjos responderão: ‘Como não cometestes crime? Allah, o Altíssimo, conhece perfeitamente todas as vossas ações.’”—(Surata An-Nahl: 28)
O Profeta (que a paz esteja com ele) disse:
(Árabe *************************************)
O Profeta (que a paz esteja com ele) disse que Allah diz: “Preparei para os Meus servos virtuosos, no túmulo, muitas coisas que nenhum olho jamais viu, nenhum ouvido jamais ouviu e que estão além da imaginação humana.”
Sobre o castigo dos pecadores no túmulo, foi dito no Alcorão:
(Árabe *****************************************)
“A abundância e a competição por riquezas e filhos mantêm vocês orgulhosos de seu poder, fazendo com que se esqueçam de Deus. Então, de repente, chega o momento em que vocês morrem e vão parar no túmulo. Vocês pensaram que depois disso não haveria mais nada? Nunca pensem assim. Em breve conhecerão a verdadeira realidade. Se tivessem tido certeza da situação daquele momento, esse engano de vocês teria sido desfeito. Depois de irem para o túmulo, certamente verão o Inferno. Naquele dia, terão uma convicção visual a respeito do Inferno no qual não quiseram acreditar. Então serão questionados sobre as incontáveis bênçãos minhas que desfrutaram neste mundo.” — (Surata At-Takathur: 1–8)
Uma explicação clara da declaração acima do Sagrado Alcorão encontra-se nos hadiths. Em Bukhari e Muslim encontra-se uma narração de Hazrat Abdullah bin Umar (que Deus esteja satisfeito com ele). Foi relatado:
O Profeta disse: quando alguém entre vocês morrer e chegar ao túmulo, todas as manhãs e todas as tardes lhe será mostrado seu futuro lugar de morada. Se for alguém destinado ao Paraíso, será mostrado o lugar no Paraíso; e, se for alguém destinado ao Inferno, será mostrado o lugar no Inferno. Então lhe será dito: “Este é o seu verdadeiro lugar de morada.”
O Profeta disse: então Deus o enviará para lá.
“Quando o servo é colocado no túmulo e seus companheiros começam a voltar depois de enterrá-lo — enquanto ele ainda consegue ouvir o som dos passos deles — dois anjos comparecem diante dele. Eles fazem o morto sentar-se. Então, apontando para o Profeta Mustafa (que a paz esteja com ele), perguntam: que opinião você tinha sobre este homem no mundo?”
Se essa pessoa for crente, responderá: ele é servo de Deus e Mensageiro. Então lhe será dito: “Veja que lugar abominável no Inferno estava destinado a você. Mas Deus substituiu esse lugar pelo seu lugar no Paraíso.” Então ele verá os dois lugares.”
Mas, quando essa pergunta for feita ao incrédulo, ele responderá: “Não posso dizer. Eu dizia o mesmo que as pessoas diziam.”
Ser-lhe-á dito: “Você não tentou compreender por meio do seu conhecimento, inteligência e discernimento, nem procurou conhecer Allah lendo o Seu Livro Sagrado.”
Em seguida, ele será golpeado violentamente com um martelo de ferro. Em uma dor insuportável, continuará soltando gritos terríveis. Todas as criaturas na superfície da terra, exceto os gênios e os seres humanos, ouvirão aqueles gritos e lamentos.
Os nomes dos dois anjos mencionados são Munkar e Nakir.
Os relatos detalhados do tormento do túmulo estão registrados em várias obras de hadith. O tormento do túmulo é uma verdade inevitável. Portanto, todos os muçulmanos devem sempre suplicar humildemente a Allah Todo-Poderoso por proteção contra o tormento do túmulo e viver como verdadeiros muçulmanos.
Hazrat Zayd ibn Thabit disse:
“Certa vez, Rasulullah (S) estava montado em uma mula, em um jardim cercado por muros pertencente à tribo dos Banu Najjar. Nós também estávamos com ele. De repente, quando a mula deu um salto, o Profeta (S) quase caiu no chão. Viu-se que havia ali cinco ou seis túmulos. O Profeta disse: “Algum de vocês conhece os ocupantes destes túmulos?”
Um de nós disse: “Eu os conheço.”
O Profeta (S) disse: “Quando eles morreram?”
Ele disse: “Eles morreram na era do shirk.”
O Profeta disse: “Esta ummah, isto é, a humanidade, é submetida a uma prova no túmulo e sofre castigo. Se eu não temesse que vocês deixassem de sepultar as pessoas, suplicaria a Allah que vocês ouvissem o castigo do túmulo que estou ouvindo.”
Depois, o Profeta (que a paz esteja sobre ele) voltou-se para nós e disse: “Todos vocês, busquem refúgio em Allah contra o castigo do Jahannam.”
Todos disseram em uníssono: “Buscamos refúgio contra o castigo do Jahannam.”
O Profeta (que a paz esteja sobre ele) disse: “Busquem refúgio em Allah contra o castigo do túmulo.”
Todos disseram: “Buscamos refúgio em Allah contra o castigo do túmulo.”
O Profeta (que a paz esteja sobre ele) disse: “Busquem refúgio em Allah contra todas as fitnas ocultas e manifestas.”
Todos disseram: “Buscamos refúgio em Allah contra todas as fitnas ocultas e manifestas.”
O Profeta (que a paz esteja com ele) disse: “Agora, buscai refúgio em Allah contra a fitna do Dajjal.”
Todos disseram: “Buscamos refúgio em Allah contra a fitna do Dajjal.” — (Muslim)
É de notar que essa súplica é feita, conforme o método ensinado pelo Profeta (que a paz esteja com ele), após a oração e antes de pronunciar o salam final.
É permitido no Islã visitar o túmulo de uma pessoa após sua morte. Ir até o túmulo, saudar o habitante do túmulo e fazer súplicas por ele — essa é a prática islâmica. Contudo, na sociedade muçulmana, difundiu-se o shirk de adorar túmulos e pedir algo aos mortos. Para preservar a fé, é preciso manter-se afastado disso.
Também se encontram, entre alguns membros da sociedade muçulmana, certas concepções errôneas e politeístas acerca da alma dos mortos. Eles acreditam que, mesmo após a morte, as almas continuam a ir e vir e a vagar por este mundo. Acreditam também que elas possuem muitos poderes ilimitados. Na realidade, não há dúvida de que tais concepções constituem shirk. Pois, dominadas por essas ideias errôneas, muitas pessoas suplicam ajuda a essas almas imaginárias e lhes oferecem votos e oferendas em seu nome. De modo algum é possível que a alma retorne do mundo de Barzakh a este mundo material.
Contudo, quando se saúda uma pessoa morta, Allah, por Seu extraordinário poder, faz essa saudação chegar até ela no mundo de Barzakh. Alguns dizem que o morto também vê e reconhece quem o saúda. Como isso seria possível? Na era do rádio e da televisão, essa pergunta é irrelevante.
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O cataclismo ou a destruição
Tudo o que acontece no mundo está submetido ao plano e ao programa de ação de Allah. A destruição da criação, a criação de um novo mundo e a ressurreição dos seres humanos estão todas submetidas ao Seu grandioso plano e programa de ação.
O anjo Hadrat Israfil (que a paz esteja com ele) aguarda a ordem de Deus para iniciar o cataclismo. Assim que receber a ordem, ele soprará sua trombeta. Pode-se imaginar que ele tocará uma sirene de enorme potência.
Antes do início do cataclismo, Hadrat Israfil (que a paz esteja com ele) soprará a trombeta. Em outras palavras, ele produzirá uma espécie de som de flauta. No Alcorão, esta flauta é chamada de ( Árabe ****) sūr. Em inglês, é chamada de BUGLE. Esse som de flauta será o prenúncio da devastação e da destruição. Essa flauta e o seu som estão além da nossa imaginação e também é impossível expressá-los em palavras. Tentemos compreendê-los com um exemplo. Atualmente, assim como o som de uma sirene anuncia um perigo iminente e a destruição, especialmente a sirene durante a guerra, do mesmo modo o “sūr”, ou trombeta, continuará a produzir terror e pavor no momento imediatamente anterior à destruição absoluta. Para facilitar a compreensão, a sirene foi usada aqui como exemplo.
Da trombeta virá um forte som de batidas, acompanhado de um som contínuo. A trombeta, ou sirene, continuará emitindo um som tão estridente, terrível e arrepiante que os tímpanos serão dilacerados. Todos ouvirão esse som igualmente a partir do local mais próximo de si. Cada pessoa imaginará que o som está surgindo exatamente ao seu lado. Também é possível que o anjo toque sua trombeta, ou faça soar sua sirene, a partir do mesmo local. Porém, em locais próximos às pessoas em todo o mundo, será instalado algum aparelho invisível semelhante à corneta de um alto-falante.
Nos hadiths, este (Árabe****) sūr (trombeta) é descrito como sendo de três tipos. A saber:
1. (Árabe *****) (Nafkhatul Fiza), isto é, o toque da trombeta que causa medo, pavor e terror.
2. (Árabe******) (Nafkhatuz Sa’iq), isto é, o toque da trombeta que faz cair morto ou morrer depois de cair.
3. (Árabe******) (Nafkhátul Qiyam), isto é, o toque da trombeta que ressuscitará todos dos túmulos e os reunirá no campo do Hashr.
Isto é, depois do toque da primeira trombeta, ocorrerá uma terrível desordem e catástrofe natural, de tal modo que seres humanos e animais, tomados de pavor, correrão de um lado para outro como loucos.
Assim que a trombeta for tocada pela segunda vez, todos os que estiverem onde quer que seja morrerão imediatamente e cairão por terra. Depois de um longo intervalo — que poderá ser de alguns anos, de algumas décadas ou mesmo de pouco tempo — ocorrerá o toque da trombeta, semelhante ao terceiro e último toque. E, imediatamente, todos ressuscitarão do lugar onde morreram ou de seus túmulos e serão reunidos no campo do Haxar. Allah diz:
(Árabe *********************************)
“(Adverte-os naquele dia de temor,) o dia em que a terra será transformada, e os céus também serão transformados. Então, todos comparecerão diante do único Allah, o Todo-Poderoso, acorrentados pelas mãos e pelos pés e em estado de extremo desconforto. Naquele dia, verás os pecadores vestidos com roupas de piche, enquanto as chamas ardentes do fogo se espalharão sobre seus rostos. Isso acontecerá para que Allah retribua a cada um segundo o que praticou. E Allah é célere em tomar contas.” — (Surata Ibrahim: 48–51)
A partir deste versículo e de outras indicações e alusões do Alcorão, sabe-se que, no Dia da Ressurreição, a terra e os céus não serão reduzidos à inexistência. Pelo contrário, o atual sistema natural chegará ao fim. Em um momento específico entre o segundo e o terceiro toque da trombeta — momento que somente Allah, o Altíssimo, conhece — a terra e os céus serão recriados, com uma forma diferente da atual, um sistema distinto e novas leis e métodos naturais. Esse será o mundo do além, ou a vida futura e o outro mundo. Então, com o último toque da trombeta, todos os seres humanos que tiverem morrido, desde Adão (que a paz esteja sobre ele) até o instante anterior ao Dia da Ressurreição, voltarão a viver e comparecerão diante de Allah, o Altíssimo. Na terminologia corânica, isso é chamado de Haxar. Literalmente, significa reunir e congregar em um só lugar, recolhendo de todas as direções. — (Tafhim al-Qur’an)
O resumo da descrição sequencial da destruição apresentada no Alcorão Sagrado é o seguinte: naquele momento, inicialmente, o sol perderá sua luz. O céu se fenderá. As estrelas perderão sua posição e cairão para baixo. Um terremoto devastador ocorrerá por todo o mundo. As colinas e montanhas serão despedaçadas e ficarão voando como partículas de poeira. Os mares se agitarão e transbordarão, inundando as terras. Em suma, tudo será destruído, reduzido a ruínas e completamente desfeito. Não restará nada que se possa chamar de mundo, firmamento ou criação. Nem mesmo a existência de qualquer anjo permanecerá. Somente a sagrada Essência de Allah, o Altíssimo, continuará existindo.
(Árabe ***************************************)
“(Naquele dia, será perguntado em alta voz:) A quem pertence hoje o reino? (Onde estão hoje os governantes do mundo, orgulhosos de seu poder?) (Surgirá este clamor ou resposta:) Hoje, o domínio, a autoridade e a soberania pertencem unicamente a Allah, o Todo-Poderoso. (Será dito:) Hoje, cada pessoa receberá a retribuição pelo que tiver adquirido. Hoje, ninguém sofrerá injustiça. E Allah é extremamente célere em tomar contas.” — (Surata Al-Mu’min: 16–17)
Agora surge a questão de tomar as contas da vida terrena dos seres humanos. Será fácil prestar contas dos mínimos detalhes da vida de uma quantidade tão incontável de pessoas? Porém, para Allah, tudo é extremamente fácil.
Allah diz que, quando criou o ser humano, Sua obra não terminou após a criação. Ele observa os movimentos do ser humano. Até mesmo os pensamentos que surgem nas regiões mais profundas de seu coração são conhecidos por Ele.
Allah também diz que está mais próximo do ser humano do que a veia de seu pescoço. O conhecimento infinito de Allah o envolve por completo. Para observar cada movimento do ser humano, Allah não precisa ir a lugar algum. Ele conhece perfeitamente cada ação secreta e manifesta do ser humano a cada instante. Apesar de ter conhecimento direto disso, como Soberano do universo criado, Ele designou inúmeros oficiais para registrar cada ato dos seres humanos. Para cada filho de Adão há dois anjos designados: um à direita e outro à esquerda. Assim que qualquer palavra é pronunciada por sua boca, eles permanecem sempre atentos para registrá-la. Desse modo, os dois anjos estão preparando um registro exato e minucioso de cada ato do ser humano. Esse registro, ou documento comprobatório, será apresentado como prova no Dia do Juízo, e não haverá absolutamente nenhuma possibilidade de negá-lo.
É extremamente difícil formar uma concepção exata desse registro perfeito dos atos diários do ser humano. Porém, com base nas informações reveladas até hoje, pode-se afirmar com certeza que, em cada recanto e em cada poro do ambiente em que o ser humano realiza suas atividades cotidianas, ficam gravadas imagens exatas de suas ações, palavras, risos, lágrimas, movimentos, gestos, voz e tudo o mais. Tudo isso pode ser reproduzido de tal modo que não haja diferença alguma entre a primeira e a segunda imagem. O ser humano conseguiu dominar parcialmente esse processo por meio de máquinas dotadas de conhecimento e poder limitados. Mas os oficiais designados por Allah — os anjos — não precisam sequer dessas máquinas, e seu trabalho não sofre qualquer limitação ou impedimento. O corpo humano e cada objeto ao seu redor são suas fitas e seus filmes, nos quais eles podem gravar fielmente cada palavra e cada imagem. Então, no Dia do Juízo, eles poderão fazer o ser humano ouvir com os próprios ouvidos tudo aquilo que ele mesmo disse e fazê-lo ver com os próprios olhos tudo aquilo que fez em público ou em segredo. Depois disso, ele não poderá mais negar nada.
Na vida terrena, de repente chega um momento em que a morte aparece à porta do ser humano. Há um anjo específico para separar a alma do corpo e causar a morte. Seu nome é Hazrat Azrail (A). Ele também é chamado de “Malekul Maut” (o rei da morte, ou Yamaraj). A morte também é acompanhada de uma dor insuportável. Allah diz que, quando a dolorosa punição inevitável, da qual o ser humano sempre tenta fugir, chega, a verdadeira realidade se revela àquela pessoa. Até então, havia entre este mundo e o Além uma cortina impenetrável.
No momento da morte, essa cortina será levantada. Então ele verá claramente o Além, sobre o qual os profetas de Allah sempre proclamaram advertências. Não apenas a realidade do Além se manifestará diante dele; ele também saberá se inicia sua jornada para o Além como afortunado ou como desafortunado.
Durante sua vida terrena, o incrédulo ridicularizou e rejeitou tudo isso, considerando-o falso e imaginário. Mas agora aquele Além, que ele chamava de imaginário, está claramente diante de seus olhos.
É assim que todo ser humano morre. Depois, quando, após a grande catástrofe, soar a sirene para a ressurreição, cada ser humano será levado ao campo do julgamento. Dois anjos o acompanharão. A função de um será conduzi-lo à força do local da ressurreição até a presença de Allah, enquanto o outro será o portador de seu registro e sua testemunha. É provável que sejam esses mesmos dois anjos os encarregados de registrar os atos praticados pelo ser humano durante a vida terrena. Quando, ao som da sirene, o ser humano ressuscitar de seu túmulo ou do local de sua morte, esses dois anjos o tomarão sob sua custódia e o apresentarão diante de Allah, assim como a polícia apresenta um acusado ao tribunal.
(Árabe ***********************************)
“Naquele dia, Deus dirá a cada incrédulo: ‘Passaste a vida em negligência, descrendo deste dia. Hoje removi o véu dos teus olhos. Aquilo em que não quiseste acreditar e que não quiseste ver com os olhos do coração, contempla-o hoje. Para que vejas esta verdade, hoje tornei aguçada a tua visão.’ — (Surata Qaf: 22)
Os dois anjos apresentarão diante de Deus a pessoa que lhes foi confiada, e aquele que tiver a responsabilidade de apresentá-la dirá:
(Árabe **************************************)
“Ó Deus, eis que apresento aquele que me foi confiado. (Após o julgamento, será ordenado:) Lançai no Inferno todo incrédulo obstinado que nutriu aversão pela verdade.” — (Surata Qaf: 23–24)
Os principais crimes dos habitantes do Inferno
(Árabe ***********************************)
“Lançai no Inferno todo incrédulo que nutriu aversão pela verdade, criou obstáculos ao bem ou ao caminho reto, transgrediu os limites e alimentou dúvidas acerca da religião.” — (Surata Qaf: 24–26)
Ao analisar os dois versículos acima, os principais crimes dos habitantes do Inferno eram os seguintes:
- Negar a verdade proclamada pelos profetas.
- Guardar inimizade contra a verdade e contra aqueles que convocam para ela.
- Ser ingrato para com Deus, apesar de receber Sua graça e Suas dádivas a cada momento da vida.
- Obstruir o caminho reto, manter-se afastado dele e desencaminhar os outros.
- Não cumprir, com sua riqueza e seus bens, os direitos de Deus e das pessoas.
- Ultrapassar, na vida, os limites estabelecidos por Deus.
- Cometer injustiça, opressão e crueldade contra os outros.
- Duvidar da religião pregada pelo profeta.
- Suscitar dúvidas na mente dos outros.
- Associar outros a Deus.
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A disputa entre Satanás e os seres humanos
É sabido que, neste mundo, Satanás está constantemente empenhado em desencaminhar as pessoas. Na outra vida, será ordenado que ele também seja lançado no Inferno junto com a pessoa condenada ao castigo do Inferno. Naquele momento, a pessoa e Satanás continuarão a culpar um ao outro. O desventurado culpará Satanás, dizendo que se desencaminhou unicamente por causa de sua incitação. Portanto, somente ele merece esse castigo.
Por outro lado, Satanás, sem admitir a própria culpa, declarará que o homem é o culpado. Ele apresentará sua defesa perante Deus, dizendo:
(Árabe ***********************)
“Ó Senhor e Sustentador. Eu de modo algum tentei desviá-lo; pelo contrário, ele próprio estava desviado.”
Allah dirá, dirigindo-se a ambos: “Não discutam assim diante de Mim. Isso não lhes trará benefício algum. Pois Eu já havia advertido previamente a ambos de que todo aquele que se desviar e também desviar outro terá de sofrer as consequências; agora, sofram ambos este castigo inevitável. Minha decisão é firme e imutável. A ordem que lhes foi dada não será alterada. Não haverá mudança na lei imutável que proclamei no mundo: tanto o desviado quanto aquele que desvia deverão sofrer um castigo severo. Apesar disso, não cometo a menor injustiça contra Meus servos. O castigo que hoje foi decretado para vocês é verdadeiramente merecido. Meu sistema de julgamento está fundamentado na verdade e na justiça. Ninguém é submetido a um castigo pelo qual não seja verdadeiramente responsável, nem por um crime que não tenha sido comprovado por provas e testemunhos incontestáveis.” — (Ver Surata Qaf: 27–29)
A razão do sucesso dos habitantes do Paraíso
Por outro lado, sobre aqueles que temem a Allah, que responderam ao chamado dos profetas e creram plenamente, sem hesitação, nas palavras dos profetas, Allah diz que o Paraíso será aproximado deles. Como esse Paraíso será sua morada eterna, ele será trazido para muito perto deles assim que for proclamado o veredito a seu favor. Não será necessário chegar ao Paraíso caminhando com dificuldade nem por meio de qualquer veículo. No instante seguinte à proclamação do veredito, eles entrarão facilmente no Paraíso. Allah também mencionou, em termos gerais, por quais qualidades eles alcançarão o Paraíso.
(Árabe **********************************************)
“E o Paraíso será aproximado dos tementes a Deus; não ficará nem um pouco distante. Será dito: ‘Isto é aquilo que lhes foi prometido, para todo aquele que retorna a Allah e é guardião.’” — (Surata Qaf: 31–32)
(Árabe *************************************************)
“Aquele que teme o Misericordioso sem vê-Lo, e que se volta para Allah com devoção sincera.” — (Surata Qaf: 33)
o A primeira de suas qualidades será o temor a Deus (taqwa). Durante a vida terrena, permanecerão sempre temerosos e apreensivos, por medo do desagrado de Deus. Esse temor a Deus os manterá firmes no caminho reto a cada instante.
o Na linguagem do Alcorão, eles são chamados de ‘Awwab’, e assim é mencionada sua segunda qualidade. ‘Awwab’(Árabe ***) é uma palavra de significado amplo. ‘Awwab’ designa a pessoa que abandonou a desobediência a Deus e a servidão aos próprios desejos, adotando exclusivamente o caminho para alcançar a satisfação de Deus. Ela abandonou tudo aquilo que Deus desaprova e adotou tudo aquilo de que Deus, o Altíssimo, gosta. Quando essa pessoa se desvia subitamente do caminho de Deus, fica extremamente perturbada, arrepende-se imediatamente e retorna ao caminho de Deus. Ela se lembra constantemente de Deus e toma todas as decisões segundo os princípios de Deus.
o Ao mencionar a terceira qualidade, eles são chamados de ‘Hafiz’(Árabe****) cujo significado comum é guardião. Trata-se de um guardião que preserva plenamente os limites estabelecidos por Deus, os deveres obrigatórios e as proibições de Deus, bem como os demais depósitos e responsabilidades que lhe foram confiados. Ele preserva os direitos que lhe foram impostos por Deus. Cumpre os juramentos e compromissos que assumiu com Deus ao abraçar a fé. Vigia atentamente seu tempo, sua força, seu trabalho e seus esforços, para que não sejam empregados em más ações nem em caminhos desviados. Arrepende-se e protege-se, para que isso não se perca. A cada instante, examina a si mesmo (muhasaba al-nafs) para verificar se, por suas palavras e ações, não desobedeceu a Deus. Tal pessoa é chamada de ‘Hafiz’, e aqueles que possuem essas qualidades serão os habitantes do Paraíso.
o É aquele que jamais viu Deus, mas, mantendo firme convicção em Sua misericórdia ilimitada, vive sempre com temor d’Ele. Deus, oceano de infinita misericórdia, compaixão e benevolência, jamais pode ser visto, nem pode ser percebido de modo algum pelos sentidos. Ainda assim, essa pessoa, temendo-O, abstém-se constantemente de desobedecer-Lhe. Em seu coração, o temor do Deus invisível é maior do que o temor de quaisquer outras entidades poderosas, percebidas pelos sentidos ou visíveis. Embora creia que Deus é o Misericordioso, o Compassivo, não se entrega ao pecado na esperança de Sua misericórdia e perdão. Ao contrário, permanece a cada instante temerosa e apreensiva diante de Deus.
Na parte do versículo em questão(Árabe *********) são indicadas duas qualidades do crente. Primeiro, viver com temor de um Deus que jamais pode ser visto. Segundo, apesar de Ele ser o Misericordioso, o Compassivo, não dar sequer um passo no caminho do pecado por temor d’Ele.
o Aquele que permanece sempre sinceramente atraído por Deus: Deus descreveu o coração dessa pessoa como ‘qalb munib’(Árabe **********).
A palavra “munib” tem um significado amplo. Assim como a agulha da bússola permanece voltada para o norte em todas as circunstâncias e, apesar de todas as tentativas, não pode ser desviada para outra direção, da mesma forma o coração de um crente só é chamado de ‘qalb munib’ quando, em todas as situações — na alegria e na tristeza, nas dificuldades e nas adversidades, durante o sono e os sonhos, e em vigília — permanece atraído exclusivamente por Deus e voltado para Ele.
Somente os afortunados que forem adornados com as cinco qualidades descritas acima terão acesso ao Paraíso de Deus.
Então, o Deus Altíssimo lhes dirá: “Entrai no Paraíso, onde não há sofrimento nem preocupação alguma. Este é um lugar de felicidade pura e ilimitada. Ali, da parte dos Meus anjos, sereis recebidos com boas-vindas.”
Este Paraíso é um lugar onde a pessoa obterá tudo o que desejar. Além disso, Allah reservou para ela riquezas ainda mais preciosas, cuja existência ela sequer pode imaginar. — (Surata Qaf: 31–35)
No Dia do Juízo, no Além, a humanidade será dividida em três grupos conforme suas ações boas e más: o grupo dos que estão à frente, o grupo situado à direita e o grupo situado à esquerda.
No Dia do Juízo, a cena da majestosa corte de Allah será provavelmente assim: diante d’Ele estará o grupo dos que estão à frente; à direita, um grupo, e à esquerda, outro. Este último será um grupo profundamente desafortunado.
Na Surata Al-Waqi’a, isso é descrito da seguinte maneira:
(Árabe ****************************************)
“Naquele dia, sereis divididos em três classes: uma classe à direita. O que dizer sobre essa classe? E outra classe à esquerda. O que se pode dizer sobre a desgraça dessa classe? E haverá ainda uma classe dos que estão à frente. Esta estará no Paraíso repleto das bênçãos de Allah. Nela haverá muitos dos primeiros tempos e poucos dos últimos. Reclinar-se-ão em almofadas, sentados uns diante dos outros em tronos adornados com brocado. Ao seu redor, grupos de jovens eternos circularão, servindo-lhes alegria. Terão nas mãos jarras de água, taças e copos cheios de vinho purificado, trazido das fontes. Ao beberem esse vinho, não começarão a sentir tontura nem perderão a razão. E os jovens eternos lhes servirão diversas frutas deliciosas, para que escolham delas o que desejarem. Além disso, ser-lhes-á servida a saborosa carne de várias aves, e eles comerão dela à vontade. Para eles estarão destinadas belas e extraordinárias huris! Sua beleza será como a de pérolas e gemas cuidadosamente protegidas. Receberão tudo isso como recompensa pelos bons atos que praticaram no mundo. Ali não ouvirão conversas fúteis e vãs, nem palavras pecaminosas ou indecentes. Suas palavras e conversas serão decorosas; nelas não haverá nenhuma loquacidade (conversas insanas). Serão saudados apenas com estas palavras: ‘Paz, paz sobre vós.’ — (Surata Al-Waqi’a: 7–26)”
O grupo dos que estão à frente
No grupo dos que estão à frente, mencionado acima, estarão aqueles que se encontram na vanguarda de todos em honestidade, na prática de boas ações e no seguimento do caminho reto. Foram os primeiros a responder ao chamado de Deus e do Mensageiro (que a paz esteja com ele). Seja no jihad, seja na doação generosa de riquezas no caminho de Allah, seja no serviço à humanidade ou no trabalho de convite e propagação da fé — em suma, sempre que surgir qualquer oportunidade de trabalhar e sacrificar-se pelo estabelecimento da justiça e pela eliminação da injustiça no mundo, aqueles que estiverem na primeira fila serão considerados parte do grupo dos que estão à frente. Por isso, no Além, no Dia do Juízo Final, esse grupo será colocado à frente de todos. Os demais tementes a Deus e virtuosos ficarão do lado direito. Já os pecadores desafortunados ficarão do lado esquerdo.
Foi narrado um hadith de Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela) segundo o qual, certa vez, o nobre Profeta (que a paz esteja com ele) perguntou às pessoas: “Sabeis quem serão os primeiros a encontrar abrigo à sombra de Allah (de Seu poder) no campo da Ressurreição?”
As pessoas responderam: “Allah e Seu Mensageiro sabem melhor.”
O Profeta disse: “São aquelas pessoas que, quando a verdade lhes é apresentada, a aceitam. Ao julgarem os outros, tomam a mesma decisão que tomariam em relação a si mesmas.”
Acima foram mencionados os jovens eternos. Eles permanecerão assim jovens por toda a eternidade. Jamais alcançarão a juventude adulta nem envelhecerão.
Hazrat Ali (que Allah esteja satisfeito com ele) e Hazrat Hasan Basri (que Allah esteja satisfeito com ele) disseram que eles são aquelas crianças que morreram antes de atingir a maturidade. Elas não tinham pecados nem boas ações pelos quais pudessem receber castigo ou recompensa.
Fica esclarecido que os jovens mencionados acima serão filhos de pessoas a quem o Paraíso não foi destinado. Quanto aos filhos dos habitantes do Paraíso, há uma declaração de Allah de que eles serão reunidos com seus pais no Paraíso. Não somente seus filhos pequenos e inocentes, mas também os adultos que alcançarem o Paraíso por meio de suas boas ações terão a oportunidade de viver juntos com seus pais. — Consulte a surata At-Tur: 21.
O grupo do lado direito
Depois, sobre os habitantes afortunados do Paraíso da segunda categoria, Allah diz:
(Árabe **************************************************************)
“Eles desfrutarão de árvores de lote sem espinhos, cobertas de sombra e estendendo-se por longas distâncias, jardins de frutos, fontes de água que correm continuamente e frutos abundantes. Esses frutos estarão disponíveis em quantidade suficiente em todas as estações, e não haverá obstáculo algum para obtê-los e saboreá-los. Eles estarão sentados em assentos elevados. Nós criaremos novamente suas esposas e as tornaremos virgens, extremamente amorosas para com seus maridos e da mesma idade. Tudo isso será para os habitantes do lado direito.” — (Surata Al-Wáqi‘a, 28–38)
As virgens mencionadas serão aquelas mulheres que alcançarão o Paraíso em razão de sua fé e de sua vida virtuosa. Ali, receberão uma nova juventude, mesmo que tenham morrido idosas na vida terrena. Quer tenham sido belas ou não neste mundo, no Paraíso serão transformadas em mulheres de beleza incomparável. Mesmo que tenham morrido mães de vários filhos, no Paraíso serão eternamente virgens. Sua virgindade jamais será perdida, mesmo após a relação conjugal.
Se os maridos dessas mulheres afortunadas também forem habitantes do Paraíso, então não haverá problema algum. Elas serão suas companheiras eternas. Caso contrário, casarão novamente com outro habitante do Paraíso.
Uma tradição foi narrada no Shama’il de Tirmidhi. Certa vez, uma idosa dirigiu-se ao Profeta Mustafa (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) e disse: “Ó Mensageiro de Allah, rogue para que eu possa entrar no Paraíso.”
O Profeta, brincando um pouco, disse: “Nenhuma idosa poderá entrar no Paraíso.”
Ao ouvir isso, a idosa saiu dali chorando.
O Profeta disse às pessoas: “Digam-lhe que ela não poderá entrar no Paraíso em idade avançada. Allah disse que fará com que toda mulher do Paraíso seja criada virgem.”
Está registrada no Tabarani uma longa narração de Hazrat Umm Salama (ra). Quando o Profeta foi questionado sobre as mulheres acima mencionadas no Alcorão, ele explicou o versículo em questão e disse que eram mulheres que haviam morrido neste mundo. Elas eram idosas. Seus olhos estavam encovados. Seus cabelos eram grisalhos e brancos. Depois de chegarem a tal velhice, Allah fará com que sejam criadas virgens.
Hazrat Umm Salama (ra) perguntou: “Se uma mulher tiver tido mais de um marido na Terra, com qual marido ela ficará no Paraíso?”
O Profeta disse: “Será concedido a ela o direito de escolher um de seus maridos anteriores. Ela escolherá aquele cujo caráter, personalidade e comportamento eram os melhores. Ela suplicará a Allah assim: ‘Ó Allah, visto que o comportamento e o trato de fulano para comigo eram muito melhores que os dos outros, concede-me o direito de ser sua companheira.’”
Então o Profeta (sa) disse: “Umm Salama, é assim que o bom caráter e o bom comportamento conquistarão o bem deste mundo e do Além.”
Desnecessário dizer que os homens do Paraíso também recuperarão a juventude.”
Vários hadiths relatam que sua idade será próxima dos trinta anos. Terão a aparência de jovens recém-chegados à juventude, numa idade em que ainda não lhes terá crescido a barba. Seus rostos serão belos, de tez clara e porte bem constituído.
O grupo situado à esquerda
Em seguida, sobre o desafortunado grupo situado à esquerda, foi dito a respeito dos habitantes do Inferno:
(Árabe *****************************************************)
“Eles permanecerão entre um vento abrasador e água fervente. Serão cobertos por uma massa de fumaça negra e ardente, que jamais será fresca ou agradável. Essas são as pessoas que, na vida mundana, viviam felizes e prósperas. Sua vida feliz e próspera levou-as a se envolverem em atos pecaminosos. Praticavam esses pecados por obstinação e teimosia. Diziam: ‘Depois da morte, acaso nos tornaremos esqueletos e nos misturaremos à terra? Como poderemos então voltar a viver? Nossos antepassados também serão ressuscitados dessa maneira?’ Allah diz: ‘Ó Profeta! Dize-lhes que os primeiros e os últimos serão todos reunidos num dia determinado. Esse dia também tem um prazo fixado.’ Em seguida, Allah diz: ‘Ó grupo de extraviados e mentirosos, certamente comereis a árvore de Zaqqum no Inferno, e com ela enchereis os vossos ventres. Depois, bebereis até vos saciardes de água fervente, como camelos sedentos.’” — (Surata Al-Waqi‘a: 42–55)
‘Zaqqum’ é um tipo de fruto extremamente espinhoso e de sabor desagradável.
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A desgraça dos habitantes do Inferno
Em muitos lugares do Sagrado Alcorão, são descritas as condições dos habitantes do Paraíso e dos habitantes do Inferno. Primeiro, é mencionado o terrível destino dos habitantes do Inferno. Em seguida, também são apresentados alguns detalhes da extrema felicidade dos habitantes do Paraíso.
(Árabe *****************************************************)
“Os incrédulos serão conduzidos em grupos para o Inferno. O guardião do Inferno abrirá as portas e lhes perguntará: ‘Por acaso, não vieram até vós os mensageiros de Allah para recitar os versículos de seu Senhor? Eles não vos advertiram de que haveríeis de enfrentar este dia?’ Em resposta, dirão: ‘Sim, fizeram tudo isso.’ Porém, naquele dia, cumprir-se-á a promessa de castigo feita aos incrédulos. Então lhes será dito: ‘Entrai no Inferno. Que péssimo lugar de permanência para os incrédulos arrogantes!’ E ali permanecerão para sempre.” — (Surata Az-Zumar: 71–72)
Sobre os habitantes do Inferno foi dito:
(Árabe ********************************************************)
“No Dia da Ressurreição, Nós os apresentaremos com as cabeças e os rostos voltados para baixo. Sua morada será o Inferno. Se a intensidade do fogo do Inferno diminuir, Nós a aumentaremos. Esse será o resultado de suas ações, porque negaram os Nossos sinais. Diziam: ‘Depois da morte, nossos ossos se misturarão à terra. Como, então, serão recriados novamente?’” — (Surata Bani Isra’il: 97–98)
(Árabe ***********************************************************)
“Aos incrédulos serão vestidas roupas de fogo do Inferno. Sobre suas cabeças será derramada água fervente. Com isso, sua pele e o que houver em seus ventres se derreterão. Haverá para eles bastões de ferro. Quando, devido ao sofrimento insuportável, tentarem sair do Inferno, serão empurrados novamente para dentro dele. E lhes será dito: ‘Experimentai o tormento do fogo.’” — (Surata Al-Hajj: 19–22)
“Para os incrédulos está destinado o fogo do Inferno. Ali, não morrerão nem terão seu castigo aliviado. Clamarão: ‘Senhor nosso, livra-nos deste castigo. Abandonaremos as más ações que praticávamos antes e, de agora em diante, faremos o bem.’ Allah lhes dirá: ‘Por acaso, não vos concedi uma vida longa, para que pudésseis compreender a verdade?’ Então, por não o terdes feito, experimentai este castigo. Hoje, os injustos não terão nenhum ajudador.” — (Surata Al-Fatir: 36–37)
(Árabe *************************************************)
“Aqueles que rejeitaram os Meus sinais, em breve os lançarei no Fogo. Quando a pele de seus corpos for queimada, Nós lhes daremos uma nova pele em seu lugar, para que continuem a sofrer o castigo. Allah é Poderosíssimo e Onisciente.” — (Surata An-Nissá: 56)
(Árabe ****************************************************)
“Essas pessoas dizem: ‘Depois da nossa primeira morte, não há mais nada. E não seremos ressuscitados uma segunda vez. Se sois verdadeiros, trazei de volta nossos antepassados mortos.’ (Em resposta, é dito:) ‘Acaso eles são melhores, ou o povo de Tubba e os que os precederam? Nós os destruímos porque eram pecadores.’ O tempo determinado para ressuscitar todos eles é o Dia da Decisão. Nesse dia, nenhum amigo íntimo poderá ser útil a outro amigo íntimo, e de lugar algum receberão ajuda. A árvore de Zaqqum será o alimento dos pecadores. Será como a borra de óleo. Ferverá em seus ventres como ferve a água em ebulição. (Será dito:) ‘Agarra-o e arrasta-o até o meio do Inferno. Depois despeja sobre sua cabeça o castigo da água fervente que borbulha. Prova este sabor, pois eras, de fato, uma pessoa honrada e poderosa. Isto é aquilo de que duvidáveis.’” — (Surata Ad-Dukhan: 34–50)
O governante rebelde contra Deus, embriagado pelo poder, havia se instalado como senhor dos seres humanos. Considerava-se a pessoa mais influente e honrada do mundo. As pessoas prostravam-se diante dele, voluntária ou involuntariamente, e sempre cantavam seus louvores e o elogiavam. O que lhe acontecerá depois do julgamento na Vida Futura foi descrito acima.
“E como será quando os incrédulos forem colocados diante do Fogo? Será dito a eles: ‘Consumistes, durante a vida mundana, as boas coisas que vos estavam destinadas e delas desfrutastes. Hoje recebereis um castigo humilhante, como retribuição pela arrogância que demonstrastes na Terra sem qualquer direito e pela desobediência que praticastes.’” — (Surata Al-Ahqaf: 20)
(Árabe ************************************************)
“Como será quando os anjos lhes tomarem as almas e os levarem, golpeando-lhes o rosto e as costas? Isso ocorrerá porque seguiram métodos, procedimentos e doutrinas que provocaram o desagrado de Allah e não quiseram seguir o caminho que O teria agradado. Por isso, Ele tornou vãs e inúteis todas as suas obras.” — (Surata Muhammad: 27–28)
As palavras acima foram ditas no contexto do conflito e do confronto entre o Islã e a descrença. Neste mundo, esses hipócritas haviam se mantido a salvo dos riscos e perigos do conflito entre o Islã e a descrença, para proteger seus próprios interesses. Mas, depois da morte, para onde poderão fugir da apreensão de Deus? Naquele momento, seus últimos esforços e artifícios não poderão salvá-los dos golpes dos anjos.
Este versículo também comprova o tormento que haverá no Alam al-Barzakh após a morte. Fica claramente evidente que o tormento dos incrédulos e dos hipócritas começa no próprio momento da morte. Contudo, esse tormento não é igual àquele que lhes será imposto ao fim do julgamento no campo do Hashr.
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A suprema felicidade dos habitantes do Paraíso
Assim como foi apresentada uma descrição detalhada do terrível destino na vida futura dos governantes rebeldes contra Deus e dos líderes sociais arrogantes de seu poder, que rejeitaram o convite dos profetas à religião, também foi descrita a vida eterna e feliz daqueles que creem na verdadeira religião e dedicam a própria vida ao caminho de Deus. Aqui são mencionados alguns exemplos:
(Árabe ********************************************)
“Aqueles que foram tementes a Deus na vida terrena, temerosos d’Ele e obedientes, serão conduzidos ao Paraíso em grupos. O guardião do Paraíso lhes dirá: ‘As-salamu alaikum! Sejam bem-vindos, bem-vindos! Entrem em sua morada eterna, o Paraíso, e vivam aqui em perfeita felicidade.’ Eles dirão: ‘Todo louvor pertence a Deus, que cumpriu Sua promessa para conosco e nos concedeu este Paraíso como plena propriedade. Podemos habitar onde quisermos. Que bela recompensa para aqueles que praticam boas obras!’” — (Surata Az-Zumar: 73–75)
(Árabe *******************************************************)
“Para cada pessoa que teme comparecer diante de Deus haverá dois jardins. Então, quais das bênçãos de vosso Senhor negareis? (Esses jardins) serão repletos de ramos e folhagens verdes e luxuriantes. ………. Em ambos os jardins haverá duas fontes sempre correntes. ………. Em ambos os jardins haverá duas variedades de cada fruto. ………. Os habitantes do Paraíso repousarão reclinados em leitos cujo forro será de seda espessa. Os ramos das árvores dos jardins se curvarão sob o peso dos frutos. Ali também haverá belíssimas mulheres de olhar modesto, que nenhum ser humano ou jinn tocou antes deles. Serão de beleza incomparável, como pérolas e gemas preciosas protegidas. A recompensa da boa ação pode ser outra que não o bem? ………. Além desses dois jardins, haverá ainda outros dois jardins. ………… Jardins densos, verdes e viçosos. …… Em ambos os jardins haverá duas fontes jorrando como chafarizes. ………. Neles haverá incontáveis frutos, tâmaras, romãs e outros. ………. (Entre essas bênçãos) haverá esposas castas e virtuosas. ………. Huris que permanecerão em tendas. Nenhum ser humano ou jinn terá tocado essas habitantes do Paraíso antes deles. Esses habitantes do Paraíso estarão reclinados sobre tapetes verdes e mantas belas e preciosas.” — (Surata Ar-Rahman: 46–76)
(Árabe *******************************************************)
“Aqueles que cumprem o compromisso assumido com Allah e não quebram a promessa; que mantêm intactos os laços que Allah ordenou que fossem mantidos; que temem seu Senhor e temem a prestação de contas rigorosa; e que suportam dificuldades em busca da satisfação de seu Senhor, estabelecem a oração, gastam, secreta e publicamente, da provisão que lhes concedemos, e retribuem o mal com o bem — para esses será a morada do Além. Ou seja, para eles haverá jardins, nos quais entrarão também seus pais, esposas e filhos que forem virtuosos, juntamente com eles. Os anjos os saudarão por todos os lados e dirão: ‘As-salamu alaikum (que a paz esteja sobre vós).’ Por terdes enfrentado com paciência as situações do mundo (contra as forças contrárias ao Islã), hoje vos tornastes dignos deste lugar. Quão bela é a morada do Além!” — (Surata Ar-Ra‘d: 20–24)
(Árabe *************************************************************)
“No Dia da Ressurreição, os pecadores serão reconhecidos apenas ao serem vistos. Serão arrastados pelos cabelos da parte dianteira da cabeça e pelos dois pés. Nesse dia, quais dos poderes de Allah negareis? Este é o Inferno que eles rejeitavam como mentira. Continuarão a andar entre suas chamas e sua água fervente. …… Por outro lado, para o deleite dos que temem a Deus, serão concedidos dois jardins no Paraíso. …… Um jardim repleto de árvores e folhagens verdejantes. ……… Entre os dois jardins correrão duas fontes. ……… Cada fruto dos jardins será de duas espécies. …… O dono deste jardim estará sentado, reclinado sobre almofadas, em leitos de seda magníficos. Os galhos das árvores dos jardins se curvarão sob o peso dos frutos. Ali haverá também belas mulheres que baixarão os olhos por modéstia. Nenhum ser humano nem jinn as terá tocado antes ……… elas serão de beleza incomparável, como joias preciosas protegidas.” — (Surata Ar-Rahman: 41–45)
(Árabe **************************************************)
“Aos que rejeitaram os Meus sinais, queimá-los-ei no fogo. Quando sua pele estiver completamente queimada, criarei em seu lugar uma nova pele, para que possam sofrer o castigo. Allah é Todo-Poderoso e Sapientíssimo.” — (Surata An-Nissá: 56)
(Árabe ****************************************************)
“A maior honra perante Allah pertence àqueles que creem n’Ele, abandonam, por Seu caminho, suas casas, seus negócios e suas propriedades rurais, e lutam no caminho de Allah com seus bens e suas vidas; a vida deles é verdadeiramente bem-sucedida. Seu Senhor (Allah) lhes anuncia as boas-novas de Sua misericórdia, de Sua satisfação e de moradas em jardins onde haverá para eles felicidade e paz eternas. Lá permanecerão para sempre. Junto a Ele há uma recompensa inesgotável para recompensar as boas ações.”
(Árabe *****************************************************)
“Ó crentes! Quereis que vos indique um negócio que vos livrará de um castigo doloroso? Crede em Allah e em Seu Mensageiro e lutai pela causa de Allah com vossos bens e vossas vidas. Se quereis saber, sabei que isso é melhor para vós. (Como resultado disso,) Allah perdoará vossos pecados, fará com que entreis no Paraíso, sob o qual correm rios, e vos concederá, nos jardins e moradas eternas, belas residências. Isso é, na verdade, o grande sucesso.”
No Alcorão Sagrado, em muitos lugares, são apresentadas descrições detalhadas desse tipo sobre os habitantes do Paraíso e os habitantes do Inferno. Como exemplo, foram mencionadas acima apenas algumas delas.
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O Dia da Ressurreição: o dia da vitória e da derrota
Allah, o Altíssimo, declarou que o Dia do Juízo Final será verdadeiramente o dia da vitória e da derrota, ou o dia do sucesso e do fracasso:
(Árabe *************************************************************)
“Os incrédulos afirmam, com grande arrogância, que jamais serão ressuscitados após a morte. (Ó Profeta,) dize-lhes: “Juro pelo meu Senhor: certamente sereis ressuscitados no Além. Então sereis informados de tudo quanto fizestes no mundo. E isso é muito fácil para Allah. Portanto, crede em Allah, em Seu Mensageiro e na ‘Luz’ que fiz descer. Allah está informado de cada coisa que fazeis. Tudo isso sabereis no dia em que Ele vos reunir para a grande assembleia (o Dia da Ressurreição). Esse dia será o dia da vitória e da derrota entre vós. Quanto aos que creem em Allah e praticam boas ações, Ele apagará seus pecados e os fará entrar no Paraíso, sob o qual correrão rios, e nele permanecerão eternamente. Esse é o grande sucesso. Mas aqueles que negam Allah e o Além e rejeitam como mentira Minhas palavras e Meus sinais serão os habitantes do Inferno. Ali permanecerão eternamente. Que péssimo lugar será!” — (Surata At-Taghabun: 7–10)
Acima, por “Nur” entende-se o Sagrado Alcorão.
A palavra “Taghabun” possui vários significados, que serão apresentados um a um a seguir.
Todos os que se opõem à verdade recusaram-se de modo absoluto a acreditar na Outra Vida. Nesse assunto, demonstraram extrema obstinação. Contudo, eles não dispunham, nem dispõem hoje, de qualquer meio que lhes permita afirmar com certeza que não existe uma Outra Vida. Essa questão foi discutida no início do livro.
Allah ordenou ao Profeta Muhammad (que a paz esteja com ele) que respondesse, no versículo acima mencionado, às palavras insolentes atribuídas aos incrédulos. Na verdade, o próprio Allah está dando a resposta. E foi ordenado que a resposta fosse dada jurando por Allah. Somente pode jurar aquele que possui conhecimento ocular da verdade de algo. O conhecimento que o Profeta tinha sobre a Outra Vida não se limitava ao fato de Allah tê-la mencionado. Certamente, quando Allah diz algo, não pode haver qualquer dúvida quanto à sua verdade. Contudo, isso seria uma crença firme na verdade de algo sem tê-lo visto. Não se trata de uma crença baseada na visão ocular.
O Profeta Ibrahim (que a paz esteja com ele) tinha a firme convicção de que Allah pode ressuscitar os mortos. Ainda assim, desejava ver com os próprios olhos o ato de ressuscitar os mortos. Queria alcançar plena convicção e obter tranquilidade mental. Por isso, suplicou a Allah. Então, Allah mostrou-lhe quatro aves mortas sendo ressuscitadas diante dos olhos do Profeta Ibrahim. (Consulte a surata Al-Baqarah, versículo 260.)
Agora, a crença na ressurreição dos mortos não pode ser igual para o Profeta Ibrahim (que a paz esteja com ele) e para um crente. Entretanto, a crença do nosso último Profeta (que a paz esteja com ele) na Outra Vida e na ressurreição dos mortos era semelhante àquela convicção ocular mencionada acima do Profeta Ibrahim. Allah concedeu ao Seu último e mais amado Profeta a oportunidade de ver com os próprios olhos, na noite da Mi’raj, os mistérios da criação e muitos outros segredos. Por isso, ele não deveria ter qualquer hesitação em afirmar, jurando por Allah, a verdade da Outra Vida.
A afirmação mencionada no sagrado versículo acima — “Então, ser-vos-á informado tudo o que fizestes no mundo” — é extremamente importante. Logo no início desta surata, Allah disse que, depois de criar o ser humano, concedeu-lhe plena liberdade de ação. Se quiser, ele pode tornar-se um incrédulo completo e seguir o caminho do pecado. Pode tornar-se um opressor impiedoso, um saqueador da riqueza, da honra e da dignidade alheias, e um monstro sedento de sangue. Ou, acreditando em Allah, no Seu Mensageiro e na Outra Vida, pode levar uma vida extremamente pura. Como se pode então pensar que Allah, que concede essa liberdade e adverte, não perguntará ao ser humano, depois da morte, qual caminho ele escolheu, apesar de ter anunciado, juntamente com a concessão dessa liberdade, que a recompensa por seguir o caminho correto e o castigo por seguir o caminho mau são inevitáveis? Na verdade, a Outra Vida existe precisamente para isso. Allah é uma entidade poderosa que concedeu a vida e a morte para, por meio delas, testar os seres humanos e verificar quem foi melhor em suas ações durante a vida terrena. — (Consulte a surata Al-Mulk, versículo 2.)
Então, esse dia da Outra Vida foi chamado de Dia da verdadeira vitória e derrota. Isso também é extremamente significativo, e nisso mesmo reside o propósito da Outra Vida.
No mundo, uma pessoa começa a trilhar o caminho da vida com seu próprio conhecimento, discernimento e capacidade de agir. Para tornar sua vida feliz e bela, não há fim para seu trabalho, esforço e dedicação. Cada um deseja alcançar o sucesso executando seu próprio programa de ação. É como resultado desse trabalho e dedicação diários das pessoas que se determina a vitória ou a derrota.
Naturalmente, devido às diferenças de perspectiva e de visão de vida, também variam os critérios de vitória e derrota, ou de sucesso e fracasso. Mesmo quando se alcança um objetivo por qualquer meio vil, isso é chamado de sucesso aos olhos de muitos. Ainda que, para alcançar o sucesso, seja necessário recorrer à injustiça, à extrema corrupção e a métodos incivilizados, baixos e vis, isso também é considerado sucesso. Apropriando-se à força dos bens alheios, envolvendo alguém em processos falsos e levando-o à ruína por meio de falsos testemunhos e provas, alguém se torna vencedor, milionário ou multimilionário. Aos olhos de muitos, isso também é chamado de sucesso. Tornando-se dono de muitos carros e casas e vivendo uma vida de extremo conforto e luxo com a esposa e os filhos, essa pessoa é considerada vitoriosa. As pessoas dizem que, de fato, a vida daquele homem foi bem-sucedida.
Tornando-se dono de uma imensa riqueza por meios ilícitos, alguém consegue ampliar seu domínio na sociedade. Ele quer manter todos subjugados a si. Não tolera sequer uma palavra contra ele. Grupos de bajuladores interessados passam dia e noite louvando-o. A voz da verdade é silenciada naquela sociedade. Os que sustentam e propagam a verdade são por ele perseguidos e atormentados. Seu lugar passa a ser nas escuras celas das prisões. Embriagado pelo poder, ele quer exercer uma espécie de divindade sobre todos. Isso também é considerado, por ele e por muitos, um grande sucesso.
Por outro lado, uma pessoa aceita a verdade de todo o coração e tenta viver uma vida honesta. Abandonando a corrupção, a usura, o suborno, o mercado negro, a mentira, a fraude e o engano, ela acaba prejudicada. Por divulgar a verdade e travar uma “luta” contra a falsidade, seus parentes, familiares e amigos se afastam de seu convívio. O desprezo, a falta de consideração e a pobreza na sociedade tornam sua vida insuportável. As pessoas dizem que aquele homem é extremamente tolo. Caso contrário, sua vida não teria fracassado dessa maneira.
Vemos constantemente ao nosso redor as formas exteriores de vitória, sucesso e fracasso na vida descritas acima. Porém, a verdadeira vitória, derrota ou fracasso será determinada no Dia do Juízo no Além.
Falemos um pouco sobre como o Além determina a vitória e a derrota.
Muitos comentaristas do Alcorão afirmaram que, ao término do julgamento no Além, os habitantes do Paraíso receberão aquelas partes do Paraíso que os habitantes do Inferno teriam recebido se tivessem agido como os habitantes do Paraíso durante a vida terrena. Do mesmo modo, os habitantes do Inferno terão aquelas partes do Inferno que os habitantes do Paraíso receberiam se tivessem vivido na terra como os habitantes do Inferno.
Foi narrado no Sahih al-Bukhari, por Abu Huraira (que Deus esteja satisfeito com ele), que todo aquele que entrar no Paraíso verá a parte do Inferno onde teria ficado se não tivesse seguido o caminho reto. Com isso, será ainda mais grato a Deus. Do mesmo modo, será mostrada ao habitante do Inferno aquela parte do Paraíso que ele teria recebido se tivesse seguido o caminho reto durante sua vida terrena. Assim, seu arrependimento e remorso aumentarão ainda mais.
Aqueles que foram oprimidos e perseguidos neste mundo receberão, na vida futura, dos opressores uma quantidade de boas ações equivalente à compensação pela injustiça e pela opressão cometidas contra eles. Ou então, uma quantidade equivalente dos pecados do oprimido será colocada sobre os ombros do opressor. Naquele dia, ninguém possuirá riquezas ou bens com os quais possa satisfazer as reivindicações do oprimido. Além das boas ações e dos pecados, ninguém terá qualquer outra coisa. Portanto, se alguém tiver cometido uma injustiça contra outra pessoa neste mundo, deverá entregar ao oprimido, para satisfazer sua reivindicação, quaisquer boas ações acumuladas que possua. Naturalmente, o oprimido receberá do oponente uma quantidade de boas ações exatamente equivalente à injustiça cometida contra ele. Ou, se não houver boas ações no tesouro do opressor, uma quantidade equivalente dos pecados do oprimido será colocada sobre os ombros do opressor.
Há um hadith sobre isso no Bukhari, narrado por Hazrat Abu Huraira (r.a.). O hadith diz que, se uma pessoa cometer qualquer tipo de injustiça contra seu irmão (um ser humano), deverá resolvê-la aqui mesmo, neste mundo. Isso porque, na vida futura, ninguém possuirá sequer um centavo. Portanto, ali, uma parte de suas boas ações será dada àquela pessoa. Ou, se não tiver boas ações suficientes, uma parte dos pecados do oprimido será atribuída a ela.
Da mesma forma, está narrado no Musnad Ahmad, por intermédio de Jabir bin Abdullah bin Unays, que o Profeta (s.a.w.) disse: “Nenhum habitante do Paraíso entrará no Paraíso, e nenhum habitante do Inferno entrará no Inferno, enquanto não tiver quitado a reivindicação por toda injustiça e opressão que cometeu. Mesmo que tenha dado a alguém apenas uma bofetada, deverá pagar sua compensação.”
O narrador disse: “Então perguntamos: como isso acontecerá? Naquele dia estaremos sem um centavo.”
O Profeta disse: “A compensação deverá ser paga por meio de pecados e boas ações.”
Há uma narração de Hazrat Abu Huraira (r.a.) no Sahih Muslim e no Musnad Ahmad. Certo dia, o nobre Profeta (s.a.w.) perguntou aos Companheiros reunidos: “Vocês sabem quem é o falido?”
Eles disseram: “O falido é aquele que não tem um centavo e não possui riquezas ou bens.”
O Profeta (s.a.w.) disse: “Entre os membros da minha ummah, o falido é aquele que comparecerá no campo da Ressurreição levando consigo boas ações como a oração, o jejum e o zakat, mas que, neste mundo, insultou alguém, caluniou e difamou outra pessoa, consumiu injustamente os bens de alguém, matou alguém ou agrediu alguém. Então suas boas ações serão distribuídas entre os oprimidos. Mesmo depois disso, nenhuma boa ação lhe restará para pagar a compensação. Nesse momento, o peso dos pecados dos oprimidos que reivindicam seus direitos será colocado sobre ele, e ele entrará no Inferno.”
Possuidor de enormes méritos, ele foi para o Inferno carregando sobre a cabeça o peso de enormes pecados ao pagar a compensação aos oprimidos. Que consequência terrível! Só de pensar nisso, o corpo estremece. Que Allah nos proteja de uma consequência desse tipo.
A Grande Enganação
Na ayat mencionada acima, a palavra “Taghabun” também é usada na língua árabe com o sentido de fraude e engano.
Em geral, vê-se que, neste mundo, as pessoas se ajudam e cooperam umas com as outras, com tranquilidade e grande prazer, em grandes atos pecaminosos como shirk, kufr, injustiça, opressão, adultério, depravação, assassinato e carnificina, entre outros. Entre elas estabelecem-se, nesse aspecto, profundos laços de amizade e cordialidade.
Membros de famílias moralmente desviadas, líderes que propagam o pecado e o desvio e seus seguidores, bandos de bandidos e ladrões, partidos e companhias que promovem e difundem o desvio, o pecado e a obscenidade, e Estados e nações que sustentam e transportam a injustiça generalizada, a opressão, a fitna e a corrupção ajudam-se e cooperam uns com os outros na disseminação do pecado. Vários Estados lançam campanhas para subjugar um país ou Estado fraco e transformar seus habitantes em escravos, acreditando que entre eles foi estabelecida uma grande amizade (Alliance) ou um pacto militar (Military pact).
Todos os que mantêm relações entre si acreditam que são grandes amigos uns dos outros e que sua ajuda e cooperação prosseguem com o máximo sucesso. Porém, quando comparecerem no Além perante o campo do julgamento, perceberão que foram completamente enganados. Cada um dos grupos mencionados acima sentirá que o pai, irmão, marido, esposa, amigo ou líder benevolente, ou aquele que considerava seu colaborador, era na realidade seu pior inimigo. Naquele dia, todos os vínculos e relações, laços familiares, amizades, alianças ou pactos se transformarão em inimizade. Naquele dia, insultarão e amaldiçoarão uns aos outros. Cada um desejará atribuir sua culpa ao outro, para que o adversário sofra o castigo máximo. Isso é mencionado em vários lugares do Alcorão.
A Acusação Mútua entre os Pecadores
Devido à sua fraqueza humana, muitas vezes o ser humano acaba sendo influenciado por outros. Muitos se envolvem em atos pecaminosos: o marido por causa da esposa, o pai por causa do filho, o amigo para agradar ao amigo, para satisfazer um líder político ou um pir-ustad, para agradar a um superior e manter o emprego ou obter uma promoção, ou para satisfazer um governante tirânico. Por causa dessa insensatez, no Além serão completamente enganados e desapontados. O Sagrado Alcorão menciona repetidamente essa mesma questão e adverte grupos que se enganaram a si próprios dessa maneira. A seguir são apresentadas algumas citações:
(Árabe ******************************************************)
“Aqueles cujas palavras as pessoas seguiam se desvincularão completamente de seus seguidores no Dia da Ressurreição. Ambos testemunharão a terrível gravidade do castigo daquele dia. O vínculo entre eles será totalmente rompido. Os seguidores dirão: ‘Se de algum modo pudéssemos retornar uma vez ao mundo, nós nos separaríamos completamente deles lá, assim como hoje eles se separaram de nós.’ Mas Allah mostrará a todos as consequências de suas ações, que lhes trarão arrependimento e remorso. Eles serão lançados no Inferno e jamais poderão sair do fogo do Inferno.” — (Surata Al-Baqarah: 166–167)
No momento da morte, os anjos de Allah perguntarão àqueles que inventaram mentiras contra Deus:
(Árabe **************************************************************)
“Onde estão hoje aqueles a quem adoráveis além de Allah?” Eles responderão que se afastaram deles. Então reconhecerão que foram incrédulos em relação a Allah. Allah lhes dirá: “Entrai no Inferno junto com os grupos de jinn e seres humanos que vos precederam.” Então, quando um grupo deles entrar no Inferno, amaldiçoará o grupo semelhante que o precedeu. Quando todos os grupos estiverem reunidos ali, o grupo posterior dirá a respeito do grupo anterior: “Ó Senhor, foram eles que nos desviaram. Portanto, duplica para eles o castigo no Inferno.” Allah dirá: “Para ambos haverá castigo dobrado, mas vós não sabeis disso.” O primeiro grupo dirá ao último: “Não sois de modo algum melhores do que nós. Portanto, provai o castigo pelo que adquiristes.” — (Surata Al-A‘raf: 37–39)
Geralmente, vê-se que os fracos, pobres, governados e oprimidos obedecem, voluntária ou involuntariamente, aos governantes tirânicos que estão no poder. Sobre o destino deles na outra vida, foi dito:
(Árabe **************************************************************)
“Quando os dois grupos forem reunidos no campo da Ressurreição, a classe fraca dirá aos membros da classe superior, orgulhosa de seu poder: ‘Nós apenas seguimos vós. Podeis hoje aliviar para nós uma parte do castigo de Deus?’ Eles responderão: ‘Se Allah nos tivesse mostrado algum caminho para isso, nós o teríamos mostrado a vós. Agora, quer consideremos este castigo insuportável, quer o suportemos com paciência, ambas as coisas são iguais para nós. Não há agora nenhum meio de salvação para nós.’” — (Surata Ibrahim: 21)
(Árabe **********************************************************)
“O Hazrat Ibrahim (A) disse: ‘Vós tomastes os ídolos como deuses em vez de Allah apenas por causa da amizade mútua entre vós. Porém, no Dia da Ressurreição, vós vos oporeis uns aos outros e amaldiçoar-vos-eis mutuamente. E a vossa morada final será o Jahannam. Não tereis nenhum ajudador.’ — (Surata Al-Ankabut: 25)
O versículo acima afirma que não há qualquer fundamento para transformar em deuses, em lugar de Allah Ta‘ala, Criador e Sustentador do universo, os ídolos construídos pelas próprias mãos. Ao tomarem-nos como deuses, as pessoas agiram umas para com as outras como amigas; os seus interesses mútuos e a sua amizade as incentivaram a adorar esses ídolos. Elas compreenderão esse erro na Vida Futura.
(Árabe ************************************************************)
“Ó humanidade! Temei o vosso Senhor Allah e temei o dia em que nenhum pai poderá ser de qualquer utilidade para o seu filho, nem nenhum filho poderá ser de qualquer utilidade para o seu pai. A promessa que Allah vos fez acerca da Ressurreição é uma verdade inevitável. Portanto, não permitais que a vossa vida terrena vos engane, nem que o Satanás enganador vos faça esquecer Allah.” — (Surata Luqman: 33)
(Árabe ***************************************************************)
“Naquele Dia da Ressurreição, quando forem lançados de cabeça para baixo no Jahannam, dirão: ‘Se ao menos tivéssemos obedecido a Allah e ao Mensageiro!’ E dirão: ‘Ó nosso Senhor, nosso Sustentador! Ah! Nós apenas seguimos os nossos líderes e anciãos. Portanto, ó Senhor, duplica o castigo deles e amaldiçoa-os intensamente.’” — (Surata Al-Ahzab: 66–68)
(Árabe *******************************************************************)
“Esses incrédulos dizem: de modo algum aceitaremos o Alcorão, nem qualquer Livro anterior a ele. Se pudesses ver a situação deles quando esses injustos estiverem de pé diante de seu Senhor, acusando-se mutuamente! Naquele dia, os fracos e desamparados dirão aos líderes arrogantes da sociedade: se não fosse por vós, teríamos acreditado em Allah. Os líderes arrogantes dirão aos fracos: acaso fomos nós que vos afastamos do caminho reto depois que a mensagem da orientação chegou até vós? Fostes vós mesmos que cometestes os crimes. Os fracos dirão aos ricos: sim, certamente. Pelo contrário, foram vossas conspirações, de dia e de noite, que nos mantiveram desviados. Vós é que nos ordenáveis negar Allah e fazer parceiros para Ele na adoração e na obediência. Allah diz: quando virem o castigo, tentarão ocultar sua vergonha e seu arrependimento. Colocaremos grilhões nos pescoços desses negadores da verdade. Eles sofrerão as consequências de suas ações.” — (Surata Sabá: 31–33)
Veja também: quando aqueles que são avessos a Deus e rebeldes contra Ele chegam ao poder na sociedade e governam os outros, começa uma intensa oposição entre eles e os que convocam à verdade. Eles olham com desprezo para os tementes a Deus, fiéis à verdade, e, atribuindo a estes a responsabilidade pela sedição e pela corrupção na sociedade, a classe governante no poder acusa os que convocam à verdade de serem desviados, hipócritas, pessoas que usam uma máscara religiosa e causadores de confusão. Porém, no Além, serão profundamente enganados quando a verdadeira realidade se tornar evidente para eles. Dirão:
(Árabe *************************************)
“E dirão (de dentro do Inferno): O que há? Não estamos vendo aqueles que não estamos vendo, que considerávamos entre os perversos.” — (Surata Sad: 62)
No Dia da Ressurreição, Allah dirá aos incrédulos:
(Árabe *****************************************)
“Hoje é o Dia da Decisão final, que vocês costumavam considerar uma mentira. (Então, será dada a ordem de Allah:) ‘Reuni e trazei esses injustos, juntamente com seus companheiros e aqueles cujas ordens eles seguiam, e conduzi-os ao Inferno. Bem, fazei-os parar por um momento. Eles terão de ser interrogados. O que aconteceu com vocês, para que hoje não se ajudem uns aos outros?’ Ora, hoje vejo que eles estão abandonando uns aos outros. Os líderes e seus seguidores discutirão, face a face. Os seguidores dirão: ‘A influência da chegada de vocês sobre nós era enorme; isto é, não tínhamos alternativa senão obedecer às suas ordens.’ Os líderes dirão: ‘Vocês mesmos é que não quiseram crer. Que autoridade tínhamos sobre vocês? Ao contrário, vocês próprios eram desobedientes e rebeldes. Agora, a palavra de nosso Senhor se cumpriu. Agora teremos de provar o castigo que nos foi destinado.’ (Mais tarde, reconhecerão e dirão:) ‘Nós vos desviamos, e nós mesmos também estávamos desviados.’ Allah dirá: ‘Ambos os grupos terão igual participação no castigo naquele Dia. É assim que tratamos os criminosos.’” — (Surata As-Saffat: 21–34)
Aqueles que, movidos unicamente por interesses mundanos, se envolvem na desobediência a Allah para agradar líderes e governantes rebeldes e afastados de Allah precisam tirar uma lição da discussão acima.
O nobre Profeta (que a paz esteja com ele) declara:
(Árabe **********************************)
“De modo algum se pode obedecer a qualquer criatura (ser humano) desobedecendo a Allah.”
(Árabe ********************************************************************)
“Aqueles que haviam negado Allah e o Além dirão, no Dia da Ressurreição: ‘Ó nosso Senhor, mostra-nos aqueles, entre os gênios e os seres humanos, que nos desviaram. Hoje os pisotearemos, para que sejam humilhados e desonrados.’” — (Ha-Mim As-Sajda: 29)
(Árabe *******************************************************************)
“No Dia da Ressurreição, quando os amigos se encontrarem, nenhum deles falará com o outro. Naquele dia, os pecadores pensarão que poderiam oferecer, como resgate para se livrarem do castigo daquele dia, seus filhos, suas esposas, seus irmãos, seus familiares e até tudo o que existe na Terra, na esperança de que, mesmo dando tudo isso, pudessem salvar-se. Mas isso jamais poderá acontecer. O castigo certamente os atingirá, e as chamas do Inferno certamente queimarão sua pele naquele dia.” — (Surata Al-Ma’arij: 10–16)
(Árabe **********************************************************************)
“Naquele terrível dia da Ressurreição, o ser humano fugirá para longe de seu irmão, de sua mãe, de seu pai, de sua esposa e de seu filho. Naquele dia, cada um estará tão aterrorizado e ocupado consigo mesmo que não terá tempo para prestar atenção a qualquer outra coisa.” — (Surata Abasa: 34–37)
Foi esclarecido na discussão acima o enorme engano e a grande fraude que essas pessoas rebeldes contra Deus e avessas a Deus enfrentarão na vida futura.
Neste mundo, algumas pessoas tomaram certos seres humanos como parceiros de Deus. Isto é, para agradar a esses falsos parceiros de Deus, desobedeceram às palavras e às ordens do Deus, Criador do universo, abandonaram o Sirat al-Mustaqim e adotaram o caminho errado na vida. Sejam eles chamados publicamente de “Ilah” ou “Rabb”, ou não, quando lhes é prestada obediência da maneira como se deve obedecer a Deus, eles são tomados como associados e parceiros de Deus. Sobre esses falsos deuses, ou parceiros de Deus, e seus seguidores, foi dito:
(Árabe ***********************************************************)
“(Que eles não se esqueçam do dia) em que Deus os chamará e dirá: ‘Onde estão hoje os Meus parceiros, que vós consideráveis Meus parceiros?’ Aqueles contra quem esta acusação for feita responderão: ‘Ó nosso Senhor! Estes são aqueles a quem desviamos do caminho. Assim como nós mesmos estávamos desviados, também os desviamos.’ Então será dito aos seus seguidores: ‘Chamai, em busca de ajuda, aqueles que tomastes como Meus parceiros.’ Eles os chamarão, mas eles não lhes responderão. Então, ambos os grupos verão diante de si o castigo do Jahannam. Como teria sido bom se tivessem seguido o caminho reto!” — (Al-Qasas: 62–64)
O dia dos lucros e prejuízos na vida futura
Nos versículos do Sagrado Alcorão mencionados acima, a vida futura é chamada de Yawm al-Taghabun. A palavra “Taghabun” significa vitória e derrota, bem como engano e fraude, assuntos que foram discutidos detalhadamente acima. Além disso, em árabe, o lucro e o prejuízo nos negócios também são chamados de “Taghabun”. Portanto, a vida futura é, na realidade, o dia dos lucros e prejuízos.
A pessoa conduz seus negócios esperando, no íntimo, que obterá lucro por meio deles. Quando seu negócio é lucrativo, naturalmente fica contente. Ao sofrer prejuízo, fica triste e profundamente pesarosa.
Allah comparou tudo o que as pessoas do mundo fazem ao longo de toda a vida a um negócio. Depois, o lucro ou o prejuízo desse negócio será conhecido no Dia do Juízo no Além. Sobre isso, Allah diz:
(Árabe *******************************************************************)
“Ó vós que credes, escutai. Quereis que vos fale de um negócio que vos salvará de um castigo doloroso? Esse negócio consiste em crerdes em Allah e em Seu Mensageiro, e em combaterdes no caminho de Allah com vossos bens e vossas vidas. Isso é melhor para vós, se soubésseis. Então, Allah vos perdoará e vos fará entrar em jardins (para neles residirdes eternamente), sob os quais correm rios, e vos concederá, nos jardins de morada eterna, magníficas habitações. Isso é, na verdade, um grandioso sucesso.” — (Surata As-Saff: 10–12)
O comércio é algo no qual a pessoa investe seu capital, tempo, trabalho, capacidade e inteligência. Ela faz tudo isso para obter benefícios por meio disso. No versículo em questão do Alcorão Sagrado, a fé e o combate no caminho de Allah foram chamados de comércio. Se a pessoa dedicar tudo o que possui a esse empreendimento, aquilo que obterá como lucro é mencionado no versículo seguinte. São principalmente três coisas:
o No Além, será salva de um castigo severo e doloroso.
o Allah perdoará todos os seus pecados.
o Terá seu lugar em um Paraíso onde desfrutará da felicidade e das riquezas ilimitadas de Allah. Esse será seu lar eterno. E tudo isso foi chamado de grandioso sucesso. Pela discussão acima, ficou sabido que o Além é, na realidade, o decisor final do lucro ou prejuízo eterno da pessoa.
A discussão anterior também demonstrou claramente que o Além, isto é, a vida após a morte, é uma verdade inevitável e inescapável. Também foi explicada sua necessidade.
1. A palavra “jihad” significa esforço total. O jihad consiste em empregar todos os tipos de esforço físico, mental, financeiro e intelectual, bem como todos os meios e recursos disponíveis, para alcançar algo. O jihad pode ser de dois tipos: jihad no caminho de Allah e jihad no caminho de Satanás. O jihad realizado unicamente para obter a satisfação de Allah e por meio dos métodos e procedimentos por Ele determinados é chamado de jihad no caminho de Allah. O jihad realizado exclusivamente por interesses mundanos e pessoais é o jihad no caminho de Satanás. Em outras palavras, o jihad contra a religião de Allah é chamado de jihad no caminho de Satanás ou no caminho do taghut. Em todas as épocas, as forças rebeldes contra Deus praticaram o jihad no caminho de Satanás contra a verdadeira religião. Isso merece especial atenção. Tudo é bom quando termina bem. Portanto, o sucesso final na vida futura será o verdadeiro sucesso.
A verdadeira questão é que a vida mundana é um grande centro de provas para o ser humano.
(Árabe ***************************************************************)
“Allah deu a vida e a morte para testar-vos e ver quem, entre vós, é melhor em obras.” — (Surata Al-Mulk: 2)
O ser humano foi enviado para cá dotado de consciência, conhecimento do bem e do mal e liberdade de ação. Foi enviado por um período determinado. Também lhe foi dado o programa de sua vida. Quando seu tempo se esgotar, terá de retornar Àquele que o enviou. Depois de retornar, naturalmente e com plena justiça, será perguntado até que ponto cumpriu o programa de ações que lhe havia sido determinado.
O programa de sua vida é o Sagrado Alcorão, cuja implementação completa está representada em toda a vida do último Profeta, Muhammad Mustafa (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Por isso, essa vida é um modelo grandioso e indispensável para todo ser humano.
Se o ser humano cumprir esse programa, será recompensado na vida após a morte. Mas, se o negligenciar, certamente terá de sofrer um castigo. Contudo, cumprir ou não esse programa foi deixado à sua própria liberdade. Esse é o seu grande teste de fogo. A alegria de ser aprovado e a tristeza de não ser aprovado são fatos evidentes. Não há nada de novo no fato de que, se o examinando negligenciar seu dever, terá de enfrentar extremo arrependimento e remorso.
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As cinco perguntas sobre a vida após a morte
Sobre as principais perguntas que Allah Ta’ala fará à humanidade no Dia do Juízo, há um hadith narrado no Tirmidhi Sharif. Foi narrado por Hazrat Ibn Masud (r.a.). Foi dito:
(Árabe ****************************************************************)
Naquele dia, serão feitas ao ser humano principalmente cinco perguntas. Sem respondê-las, não terá como dar sequer um passo adiante. As perguntas são:
o Em que ele gastou o tempo de sua vida.
o (Especialmente) em que atividade ocupou o período de sua juventude.
o Como ele ganhou seu dinheiro.
o Como e por qual caminho gastou o dinheiro e os bens que adquiriu. Quanto do verdadeiro conhecimento que havia obtido pôs em prática em sua vida.
Entre as respostas às cinco perguntas mencionadas acima, revelar-se-á o retrato completo de toda a vida do ser humano. A pessoa pode passar a vida de duas maneiras. Primeiro, depois de crer em Alá, no Mensageiro e na vida após a morte, viver em obediência a Alá.
Segundo, viver uma vida rebelde contra Deus e afastada de Deus, em oposição à obediência ao Senhor. Pecado, transgressão, injustiça e opressão contra os outros, corrupção, juros, suborno, adultério, assassinato e coisas semelhantes são manifestações de uma vida rebelde e afastada de Deus. A pergunta será qual dessas duas formas ele adotou.
A primeira pergunta mencionada acima também não é menos importante. Naturalmente, depois da primeira pergunta, não há necessidade de nenhuma das outras. Contudo, por meio das demais perguntas, aponta-se precisamente onde estão as fraquezas do ser humano.
A juventude é uma fase da vida humana em que suas forças para agir e suas faculdades se desenvolvem plenamente. Sua inclinação sexual também se desenvolve. Um rio repleto de águas e impetuoso de energia sexual torna-se agitado com o simples golpe do vento, transborda seus limites e inunda ambas as margens. Da mesma forma, no rio caudaloso da vida humana, as ondas do desejo podem ultrapassar seus limites sob as rajadas das paixões. Isso não é anormal. A verdadeira prova de fogo do ser humano está justamente em deixar os impulsos sem rédeas ou mantê-los reprimidos e sob controle. Durante a juventude, a pessoa pode também fazer mau uso de sua capacidade física. Ou pode servir à humanidade por meio de virtudes como autocontrole, amor e afeição, perdão, compaixão e generosidade. Por isso, esta pergunta é extremamente importante.
A terceira e a quarta perguntas revelam o verdadeiro caráter humano. Ganhar dinheiro e acumular riqueza são necessidades naturais do ser humano. E são extremamente necessários para a manutenção da vida.
É indispensável estabelecer princípios tanto para ganhar quanto para gastar riqueza. Isso porque a felicidade e o sofrimento, o progresso e o declínio de toda a sociedade humana dependem da maneira como o dinheiro é ganho, gasto e distribuído.
Muitos não reconhecem que é necessário seguir algum princípio ao ganhar e gastar dinheiro. Segundo eles, pode-se ganhar dinheiro por qualquer meio. Assim como defendem liberdade irrestrita para adquirir riqueza explorando os outros por meio de juros e suborno, ou desviando-os pela embriaguez da obscenidade, também desejam exatamente a mesma liberdade para gastá-la. Na opinião deles, não há absolutamente nada de condenável em não distribuir entre os pobres uma parte da riqueza adquirida, nem gastá-la em alguma obra benéfica, mas simplesmente em luxo e prazeres, ou na promoção e disseminação da transgressão, do pecado e da obscenidade. Aos seus olhos, tampouco é injusto concentrar, por meios desonestos e repreensíveis, a riqueza de toda a sociedade nas mãos de um punhado de pessoas e deixar os demais nus e famintos.
Por outro lado, em reação a esse sistema econômico tão cruel e injusto, há aqueles que estatizam a riqueza, os princípios de obtenção, gasto e distribuição, e transformam toda a nação em escrava política. Então, os seres humanos daquele país tornam-se piores do que animais. Não lhes restam liberdade pessoal nem qualquer dignidade humana. Como o gado e os búfalos do camponês, são obrigados a trabalhar de olhos vendados nos campos e planícies para produzir colheitas, sobre as quais não têm direito algum. Esse sistema injusto também não é considerado condenável por muitos.
Contudo, a ordem do Senhor Allah, Criador, Proprietário e Sustentador de toda a criação, é que cada pessoa deve ganhar seu sustento por meios honestos e lícitos, e deve gastá-lo igualmente por meios honestos e para fins justos. Dos bens e riquezas adquiridos, deve-se dar aos pobres, incapazes, desamparados, cegos, enfermos e necessitados que não têm meios de sustento. Também se advertiu que a riqueza adquirida não deve permanecer acumulada como uma reserva guardada, nem ser gasta em luxo e prazeres. É por isso que, na vida futura, essas duas perguntas têm grande importância.
A quinta e última pergunta será esta: quando o chamado à verdade chegou ao ser humano, ou quando ele pôde compreender a verdade, ele a aceitou ou a rejeitou? Depois de adquirir o conhecimento da verdade, ele formou seu caráter de acordo com ela? Viveu sua vida à luz iluminadora desse conhecimento? Se, dominado por seus desejos, rejeitou a verdade por interesses pessoais e pelos prazeres e luxos mundanos, ou por nutrir uma cega hostilidade contra aquele que convocava à verdade, isso também terá de ser apresentado perante Deus no Dia do Juízo.
Mesmo depois de reconhecerem como verdadeira a convocação do último Profeta, os sábios da nação judaica se lançaram à oposição por interesses mundanos e por uma cega hostilidade contra o último Profeta. Uma grande parte da sociedade muçulmana dos tempos atuais continua sendo arrastada pela corrente desse mesmo erro.
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A alma
Uma questão é saber se o castigo do túmulo recai sobre a alma ou sobre o corpo. Há divergência a esse respeito. Alguns dizem que recai somente sobre a alma. Outros dizem que recai tanto sobre a alma quanto sobre o corpo. Nesse contexto, também é necessário discutir o que é a alma.
Embora a alma seja uma entidade invisível e sutil, ela é uma realidade inegável! Por isso, sua análise também é extremamente difícil. Allah diz:
(Árabe ******************************************************************)
“Quando Eu o tiver formado completamente e soprado nele algo do Meu espírito, então prostrai-vos diante dele.” — (Surata Al-Hijr: 29)
A partir do versículo acima, pode-se compreender que o espírito insuflado no corpo humano é, na realidade, uma imagem sutil das qualidades de Allah. A vida, o conhecimento, a força, a vontade, a capacidade de escolha e outras qualidades existentes no ser humano, cuja totalidade é chamada de espírito, constituem um tênue reflexo ou imagem das qualidades divinas, que foi lançada ou insuflada no corpo humano.
É desnecessário dizer que não nos é possível analisar corretamente o espírito. Contudo, podemos compreender apenas isto: o espírito mantém o corpo vivo e ativo. Sua ausência transforma o ser humano em um cadáver imóvel.
O espírito é algo que, embora nunca seja visível, pode ser claramente sentido. É uma força misteriosa que, assim que se une ao corpo humano, o torna vivo e ativo.
Na realidade, o espírito é o verdadeiro ser humano. O corpo é apenas o veículo ou a casca desse ser humano. Embora o espírito seja uma entidade sutil e invisível, ele possui uma forma, e essa forma é exatamente como a do corpo. O espírito é o verdadeiro; o corpo é uma cópia. Quando se diz “eu”, é esse espírito que se entende por ser humano. A dor e o sofrimento, assim como a alegria e a felicidade, não pertencem ao corpo do “meu” (do espírito). Embora o ser humano (o espírito) e o corpo sejam duas entidades distintas, estão relacionados entre si.
A felicidade e o sofrimento são sentidos no corpo. No entanto, muitas vezes a felicidade, o sofrimento e a alegria também ocorrem sem o corpo. A relação do corpo é com o mundo material, enquanto a relação do espírito é com o mundo invisível e eterno.
Não é difícil imaginar que, no túmulo ou no mundo pós-morte, o espírito poderá experimentar felicidade ou sofrimento. Naturalmente, já foi dito anteriormente que uma compreensão exata desse mundo está além do nosso conhecimento, entendimento e imaginação. Pode-se apenas fazer uma pequena conjectura.
A pessoa (o espírito) que, durante o sono, abandona o corpo e vagueia por outros lugares — em países e sociedades diferentes, sobre as águas, a terra e no espaço — também experimenta plenamente a felicidade e o sofrimento. Ela também possui um corpo incorpóreo completo, com todos os seus membros. Afinal, a felicidade e o sofrimento pertencem ao espírito. Por isso, em um pesadelo, às vezes o ser humano invisível que deixou o corpo, aflito pela dor e pelo sofrimento, derrama lágrimas. Ao despertar, percebe-se que as faces da pessoa encarnada que estava deitada na cama ficaram molhadas com suas lágrimas. Contudo, o derramamento das lágrimas do ser humano espiritual e a causa delas talvez tenham ocorrido a centenas ou milhares de quilômetros de distância. O cansaço sentido depois de um trabalho árduo no sonho permanece até depois do despertar. Enquanto estávamos em Calcutá, certa noite, em nosso próprio bairro, um famoso jogador de futebol sonhava que jogava bola. De repente, ainda dormindo, gritou em voz alta “gol” e chutou a bola. Como o chute atingiu sua esposa, que estava deitada ao seu lado, foi necessário chamar um médico naquela mesma noite.
A alma invisível da pessoa talvez esteja, em algum lugar muito distante do leito, sendo atacada por tigres, ursos ou bandidos e gritando desesperadamente por socorro. Muitas vezes, também se pode ouvir o eco desse grito vindo do corpo deitado.
Já foi dito que a pessoa-alma que, em sonho, realiza suas atividades em outro lugar também possui um corpo. Sua felicidade e seu sofrimento são semelhantes aos da pessoa dotada de corpo físico. Como, tanto no estado de sonho quanto no estado de vigília, a felicidade e o sofrimento pertencem à alma, não ao corpo, se uma parte do corpo for anestesiada com um medicamento, sua ligação com a alma for rompida e essa parte for cortada com uma faca, a alma não sentirá absolutamente nada. Foi dito que a alma está relacionada com o mundo sutil e invisível. O mundo sutil e invisível é ilimitado e constitui um mundo além do mundo físico. Por isso, em sonho, encontramos a pessoa morta que permanece no barzakh. Isso não significa que a pessoa morta, ou sua alma, retorne a este mundo físico.
Depois de despertarmos, esquecemos as felicidades e os sofrimentos breves, considerando-os ilusórios. O sonho é considerado irreal e falso depois que termina. Porém, se o sonho jamais terminasse, ele seria real e verdadeiro.
Após a morte, no túmulo, a própria alma da pessoa pode experimentar felicidade e sofrimento; ou, de uma maneira contrária à nossa compreensão, os servos virtuosos terão felicidade e os pecadores sofrerão. Se a felicidade e o sofrimento pertencem à alma, e não ao corpo, que razão poderia haver para que não existissem felicidade e sofrimento após a morte?
A propósito da menção ao sono e aos sonhos, lembrei-me de mais uma coisa. O que é, afinal, esse fenômeno chamado sono? Durante o sono, a alma permanece ligada ao corpo ou se separa dele? Eis uma pergunta, de fato.
Não sei o que dirão os cientistas e os especialistas na ciência do corpo. Afinal, seu campo de trabalho é a matéria, ou Matter — não as questões invisíveis. Naturalmente, muitas substâncias invisíveis podem ser detectadas com o auxílio do microscópio. Mas alguma vez uma substância como a alma foi captada por um microscópio? E não apenas a alma: será que a sensação da alma — felicidade, sofrimento ou dor — alguma vez se torna visível por meio de algum instrumento?
Assim, a pergunta é: para onde vai a alma durante o sono? E onde permanece? Talvez os psicólogos possam dizer alguma coisa. Mas eles também se baseiam em conjecturas e suposições. Qual é a prova de sua veracidade? Na verdade, isso é algo extremamente difícil de compreender. Sem dúvida, é um aspecto notável do mistério da criação. O Alcorão Sagrado disse:
(Árabe ***********************************************************************)
“Allah toma ou separa do corpo essas almas no momento da morte e também as almas cuja morte ainda não ocorreu, durante o sono. Em seguida, retém aquelas cuja morte foi decretada e devolve as restantes por um período determinado. Nisso há muitos sinais para as pessoas reflexivas.” — (Surata Az-Zumar: 42)
Allah também diz:
(Árabe *********************************************************************)
“Ele toma as vossas almas durante a noite e sabe tudo o que fazeis durante o dia. Depois de tomar as vossas almas, Ele vos envia novamente, no dia seguinte, de volta ao mundo das ações, para que se complete o prazo determinado da vida. Pois, no fim, tereis de retornar a Ele. O que fazíeis? Então Ele vos informará disso.” — (Surata Al-An’am: 60)
Nesses dois versículos foi dito que a alma se separa do corpo no momento da morte e também durante o sono. A diferença, porém, é que as almas daqueles cuja morte não foi decretada são devolvidas por um período determinado.
Compreende-se, portanto, que o sono ocorre quando a alma é separada do corpo. O sono, contudo, é temporário, pois a alma é enviada novamente. Aquele cuja alma não é devolvida é declarado definitivamente morto.
Também foi declarado no primeiro versículo que nisso há alimento para a reflexão das pessoas ponderadas.
O professor Arthur Ellison, após refletir e pesquisar os versículos do Alcorão, chegou à conclusão de que a morte e o sono são a mesma coisa, na qual a alma se separa do corpo. Porém, durante o sono, a alma retorna ao corpo, enquanto na morte não retorna — isso foi comprovado pelo estudo PARA PSYCHOLOGIC.
Contudo, a forma como a alma deixa o corpo é diferente. Quando a alma deixa o corpo para sempre, a pessoa percebe isso no momento da separação e sofre uma dor insuportável.
(Árabe*************)
“E, na verdade, chegaram as agonias, ou a dureza, da morte. (Essa morte é algo) de que tu desejavas fugir.” — (Surata Qaf: 19)
Às vezes, porém, também se observam exceções. Algumas pessoas saudáveis estão rezando. Enquanto estão prostradas, a morte chega sem que elas ou os outros percebam. Ou então comem à noite e dormem tranquilamente, mas não despertam mais. Também se ouvem relatos desse tipo. Minha mãe, saudável e forte, depois de terminar os trabalhos do dia, levantou-se para a oração noturna de isha. Ela pretendia comer depois de concluir a oração. Mas, enquanto estava prostrada, sua alma deixou o corpo. Que Allah a perdoe.
No momento da morte, assim que a alma deixa o corpo, cessam os batimentos, a circulação do sangue e a vitalidade do corpo. Durante o sono, porém, tudo isso permanece. Na verdade, essa diferença entre o sono e a morte também depende da decisão de Allah, Senhor do corpo e da vida. Quando é decretada a morte, o estado do corpo torna-se de um modo; quando ela não é decretada, o estado do corpo permanece em grande parte normal. Isso também é um dos poderes infinitos de Allah, e não há como negá-lo. Tentemos compreender isso com um exemplo. Imaginem um homem mudando de casa e indo para outro lugar. Nesse caso, ele leva consigo todos os móveis e objetos de sua casa, até a vassoura e o capacho. Depois, resta apenas uma casa vazia. Mas, quando ele vai visitar outro lugar por algumas horas ou alguns dias, os móveis de sua casa permanecem como antes. Apenas ele não está lá. A morte é exatamente assim: não é apenas uma mudança de casa, mas uma transferência ou mudança deste mundo para o Além. Depois disso, ele não deixa em sua morada nenhum dos “móveis”, como os batimentos do coração, a circulação do sangue, a vitalidade do corpo, a consciência, o discernimento e a capacidade de sentir. Durante o sono, porém, a alma vai para outro lugar por algum tempo, deixando todos os móveis de sua morada no lugar.
Espero que, depois desse exemplo, não seja difícil compreender a diferença entre o sono e a morte.
A intercessão no Além
Como a discussão sobre o Além não estaria completa sem uma exposição detalhada sobre a intercessão, considero necessário apresentar aqui uma noção geral, porém clara, sobre ela.
Allah Todo-Poderoso é o Criador deste universo e de toda a criação nele contida. Ele é o Senhor tanto deste mundo quanto da Outra Vida. Assim como é o único soberano no comando e no governo, somente Ele possui, no Além, o direito exclusivo de julgar as obras de Seus servos no campo da Ressurreição e tomar decisões a esse respeito. Ele diz:(Árabe************)“Naquele dia (o Dia da Ressurreição), o reino pertencerá unicamente a Allah Todo-Poderoso. Ele decidirá o destino futuro das pessoas.” — (Surata Al-Hajj: 56)
Isso significa que, no julgamento daquele dia, Ele não terá necessidade de buscar a ajuda de ninguém, constituir qualquer júri para chegar à decisão correta ou aceitar o conselho de quem quer que seja. Ele é onisciente por Si mesmo. Ele conhece as ações ocultas e manifestas de cada pessoa. Além disso, para demonstrar justiça e equidade, Seus anjos registraram corretamente, em todos os detalhes, cada ação oculta e manifesta dos servos, elaborando um registro de obras. Esse registro será entregue a cada pessoa. Ao vê-lo, os pecadores expressarão sua admiração e dirão:(Árabe************)
“Que coisa extraordinária: neste registro de obras não ficou sem ser registrado nenhum pecado, pequeno ou grande.” — (Surata Al-Kahf: 49)
O registro de obras é escrito pelos anjos. Eles não cometem erros. Não possuem qualquer inclinação para errar ou pecar. Mas será que, por isso, Allah depende do registro de obras escrito pelos anjos? De modo algum. Os anjos apenas registram aquilo que veem cada servo fazer no momento em que o faz. Eles não têm conhecimento das ações futuras do servo. Só registram aquilo que o veem fazer. Porém, para Allah, passado e futuro estão igualmente presentes. As ações futuras do servo também se apresentam diante d’Ele como algo presente. Portanto, mesmo sem o registro de obras escrito pelos anjos, Ele é capaz de tomar a decisão correta com base em Seu conhecimento perfeito. Contudo, para fins de justiça e por causa da crença dos servos, Ele estabeleceu o sistema de registrar as obras. Assim, se fosse necessário um terceiro para tomar a decisão, isso rebaixaria Allah de Sua sublime dignidade. Que alguém exerça influência sobre Ele ou Lhe forneça um conhecimento maior acerca das obras e do caráter dos servos é algo que somente um idólatra poderia imaginar. Portanto, naquele Dia do Juízo, Ele não terá necessidade de aceitar o conselho ou a intercessão de qualquer pessoa.(Árabe****************)
“Antes que chegue o dia em que não haverá transações, nem amizade ou afeto, nem intercessão.” — (Surata Al-Baqarah: 254)
Mas é profundamente lamentável que muitas pessoas alimentem uma concepção equivocada sobre o tawhid. Elas têm, antes, a firme convicção de que existem certas pessoas que intercederão pelos pecadores diante de Allah no campo da Ressurreição. Allah Todo-Poderoso perdoará essas pessoas segundo a intercessão delas e as enviará ao Paraíso.
Elas acreditam que essa intercessão será eficaz. Por isso, dão mais importância à intercessão do que à adoração de Allah. Uma razão para essa importância é que consideram os intercessores muito queridos por Allah, muito próximos d’Ele e muito influentes. A consequência inevitável disso é que, em vez de controlar os desejos, renunciar aos prazeres mundanos, fazer sacrifícios e obedecer aos mandamentos de Allah, tornam-se extremamente ansiosas para agradar essas pessoas que passaram a considerar intercessoras. Assim, para obter sua satisfação, oferecem-lhes dádivas votivas, fazem votos de oferendas em seus nomes, colocam flores e alimentos votivos em seus túmulos, espalham rosas sobre eles, acendem lâmpadas e distribuem alimentos votivos em nome dos santos falecidos, entre outras práticas. Elas próprias realizam essas ações com grande entusiasmo e incentivam outros a fazê-lo. Acreditam que, dessa maneira, conseguirão agradá-los. E, se estiverem satisfeitos, certamente intercederão por elas no campo da Ressurreição. E essa intercessão jamais será frustrada.
Esse tipo de concepção surgiu por falta de uma compreensão e de uma fé fundamentais acerca do Islã. Algumas pessoas não querem aceitar as crenças fundamentais do Islã e formar-se de acordo com elas; são, em essência, malfeitores. Não possuem uma concepção correta sobre a Outra Vida. Tampouco desejam imitar o Alcorão, os hadiths, a vida prática do Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) e dos nobres Companheiros. Pensam: mesmo que exista uma Outra Vida, será que não haverá ali algum outro meio fácil de alcançar a salvação? Os demônios entre os jinn e os seres humanos sussurram-lhes que algum santo falecido, conhecido por determinado nome, realizará por eles a intercessão. Alimentando essa esperança, vão ao mausoléu de algum ancião muçulmano ou a algum mausoléu imaginário e dirigem a eles uma devoção, reverência, súplica e apelo que pertencem exclusivamente a Allah Todo-Poderoso. Nada do que fazem ao visitar esses mausoléus pode ser conhecido pelos mortos. E, quando Allah Todo-Poderoso lhes informar isso, eles não ficarão satisfeitos com os adoradores de mausoléus; pelo contrário, ficarão profundamente aflitos por causa de seu comportamento idólatra. Para aqueles que, abandonando Allah, querem transformar seres humanos em deuses ou associá-los a Allah, não se pode esperar de modo algum, da parte de qualquer pessoa virtuosa, uma oração ou intercessão — exceto uma maldição.
Consideremos então alguns dos chamados santos vivos deste mundo. Até os piores malfeitores da sociedade se aglomeram em torno deles. Vão até eles acreditando que são tão influentes perante Deus que, no Dia da Ressurreição, certamente influenciarão Deus e lhes garantirão a salvação. Com essa esperança, adornam o referido pir ou santo com diversos tipos de valiosas oferendas e dádivas.
É perfeitamente razoável pensar que, no Dia da Ressurreição, Allah Todo-Poderoso lhes concederá a honra de interceder — certamente eles serão habitantes do Paraíso. Caso contrário, aquele que não tem nenhuma esperança de sua própria salvação, como poderia obter a felicidade de interceder por outros? E, na realidade, se algum pir ou santo for verdadeiramente virtuoso, como poderia ser amigo de pecadores e malfeitores? No Dia da Ressurreição, os pecadores não terão nenhum amigo nem intercessor.(Árabe******************)
“Não haverá nenhum amigo íntimo para os injustos, nem qualquer intercessor cuja palavra possa ser ouvida.” (Surata Al-Mu’min: 18)
Alguns dos chamados pirs e santos, conhecidos apenas pelo nome, em troca de grandes quantias em oferendas e valiosos presentes dos pecadores que se opõem à sociedade, toleram seus atos pecaminosos em vez de corrigir seu caráter; sua própria salvação é incerta e, por ajudarem os opressores, eles também serão dignos de punição.
É sobre essas pessoas que o Alcorão diz:(Árabe***********)
“(No Dia da Ressurreição,) aqueles líderes que foram seguidos no mundo declararão seu rompimento com seus seguidores — mas certamente serão punidos, e todos os vínculos e relações entre eles serão rompidos. Aqueles que seguiram esses líderes no mundo dirão: ‘Ai de nós! Se ao menos nos tivesse sido dada uma oportunidade no mundo, hoje também teríamos demonstrado nosso descontentamento com eles, assim como eles demonstram seu descontentamento e irritação conosco.’ Allah Todo-Poderoso lhes apresentará assim os atos que cometeram no mundo, e eles ficarão dominados pela tristeza e pelo arrependimento. Mas não haverá nenhuma saída do fogo do Inferno.” — (Surata Al-Baqarah: 166–167)
Os líderes religiosos das comunidades anteriores afastavam assim as pessoas do caminho de Allah em nome da religião, movidos pela ganância de obter riquezas.
O Alcorão diz:(Árabe**************)
“Isto é, a maioria dos eruditos (dos Povos do Livro), dos pirs e dervixes consome ilicitamente os bens das pessoas e as desvia do caminho de Allah.” — (Surata At-Tawbah: 34)
Desse modo, esses líderes desviados e opressores sentam-se em seus tronos religiosos, vendem fatwas, obtêm riquezas ilegalmente, saqueiam oferendas e inventam toda sorte de regras e práticas religiosas por meio das quais as pessoas compram deles a salvação na Outra Vida, de modo que não conseguem conduzir a própria vida, enfrentar a morte, casar-se ou realizar outras coisas sem alimentá-los e satisfazê-los, fazendo deles os responsáveis por construir e destruir o seu destino. Não se contentam com isso; ao contrário, em benefício próprio, esses pirs e dervixes aprisionam as pessoas nas armadilhas do desvio e, quando se faz um convite à verdade para a reforma e a correção, esses comerciantes da religião são os primeiros a lançar suas redes de engano e a empenhar-se em bloquear o caminho desse convite à verdade.
Ao apresentar esse exemplo dos Povos do Livro das comunidades anteriores, Allah advertiu os muçulmanos. Mas muitos entre nós, imitando-os, mantêm em pleno funcionamento tronos religiosos artificiais.
Aqueles que não estão dispostos a seguir eles próprios os preceitos do Islã e que, em nome da religião, enganam as pessoas e as mantêm afastadas do Islã também permanecerão preocupados com a própria salvação — onde encontrarão eles a capacidade de interceder por outros?
Conceito islâmico de intercessão
Isso significa que não existe uma realidade chamada intercessão entre as crenças islâmicas? Sim, certamente existe. Contudo, o Alcorão Sagrado refutou repetidamente o conceito politeísta de intercessão descrito acima e apresentou um conceito conforme ao Islã. Algumas pessoas intercederão por outras no campo da Ressurreição.
Essa intercessão será de natureza completamente distinta. Com isso, os atributos de Allah não sofrerão a menor diminuição. Nem Sua soberania e autoridade sofrerão a menor redução. Naquele dia, a intercessão ocorrerá somente com Sua permissão, sob condições especiais e de forma limitada. A intercessão ocorrerá segundo regras e procedimentos específicos.
- Primeiramente, a questão da intercessão estará inteiramente nas mãos de Allah e ocorrerá de acordo com Sua vontade.
(Árabe*************)
“Dize: toda a questão da intercessão está nas mãos de Allah.” – (Surata Az-Zumar: 44)
(Árabe**************)
“Quem poderá interceder junto a Ele sem a Sua permissão?” – (Surata Al-Baqarah: 255)
- O intercessor só poderá falar em favor daquele por quem Allah estiver satisfeito e para quem Ele tiver concedido permissão para interceder.
(Árabe********)
“Não se poderá interceder por ninguém, exceto por aqueles com quem Allah Se agradou.” – (Surata Al-Anbiya: 28)
- Tudo o que o intercessor disser no momento da intercessão será, em todos os aspectos, verdadeiro e justo.
(Árabe************)
“Ninguém poderá falar, exceto aqueles a quem Allah, o Misericordioso, conceder permissão; e eles dirão exatamente a verdade.” — (Surata An-Naba: 38)
A intercessão que ocorrer dentro das condições e limites acima não será semelhante a nenhuma recomendação perante as autoridades deste mundo. Será apenas uma súplica humilde, uma oração e um pedido de perdão, na forma máxima de servidão. Nada além disso. Na mente do intercessor não haverá sequer o mais sutil pensamento de que a intercessão se destine a alterar a decisão de Allah ou a ampliar o Seu conhecimento. Depois de receber a permissão, concedida pela suprema graça do único Dono e Rei da Outra Vida, o intercessor dirá com extrema humildade e submissão: “Ó Dono e Rei do mundo! Perdoa os pecados e as falhas de tal servo Teu. Envolve-o com o Teu perdão e a Tua misericórdia.”
Disso fica provado que, assim como Allah é Quem concede e aceita a intercessão, o próprio intercessor é, na realidade, o próprio Allah.
(Árabe********)
“Além d’Ele (Allah), eles não terão nenhum wali ou protetor, nem qualquer intercessor.” — (Surata Al-An’am: 51)
Os hadithes explicam quem serão esses intercessores e em favor de quem será feita a intercessão. Os intercessores serão as pessoas virtuosas e próximas de Allah. E ela será feita em favor daqueles cuja fé e cujas obras forem tão insuficientes em peso que não serão dignos de perdão. Faltará algo para que obtenham a condição necessária ao perdão. Para suprir essa insuficiência, Allah, por Sua graça, conceder-lhes-á permissão para interceder por eles.
A discussão acima deixou claro que ninguém tem autoridade para interceder segundo a própria vontade. Allah concederá a alguém permissão para interceder por aqueles em favor de quem será feita a intercessão, com a intenção de perdoá-los, estando satisfeito com eles.
Então, naturalmente, surge na mente a pergunta: se é assim, isto é, se Allah Ta’ala fará tudo, qual é, então, a razão dessa intercessão?
A resposta é que, naquele dia da grande prova, cuja terribilidade fará com que não apenas as pessoas comuns, mas também os profetas, fiquem aterrorizados e amedrontados, e em que ninguém terá força ou coragem para falar diante do Supremo Senhor, Allah concederá a alguns de Seus servos especiais e amados a permissão para interceder, elevando assim sua dignidade. O grau mais elevado dessa dignidade pertencerá ao último Profeta, Hazrat Muhammad Mustafa (s.a.).
Nesta discussão detalhada, ficou absolutamente claro que a intercessão é, na realidade, o nome de um método especial de perdão de Allah Ta’ala, que difere em certos aspectos das regras gerais do perdão. Podemos chamá-la de princípio da graça adicional na concessão do perdão (leis especiais de concessão da anistia). Isto também é, de fato, um princípio e um método. Ele também está inteiramente de acordo com as exigências dos atributos de unicidade, senhorio, autoridade, majestade e conhecimento de Allah. Com isso, de modo algum são prejudicadas as leis que determinam a recompensa ou o castigo.
Também é preciso lembrar que alcançar o perdão na Vida Futura não é de modo algum possível sem a graça de Allah. O Profeta disse:(Árabe***************)
“Sabei que nenhum de vós pode esperar a salvação apenas em virtude de suas obras.” — (Muslim)
Mas, assim como isto é verdade, também é verdade que essa graça de Allah Ta’ala, ou ‘fazl e karam’, está fundamentada em um princípio. Ele dará abrigo sob a sombra de Seu fazl e karam somente àqueles que, por meio da fé e das obras, se tornarem merecedores disso. Quanto melhores forem a fé e as obras de uma pessoa, mais ela será digna de Seu fazl e karam. E quanto menor for o capital de fé e de obras de alguém, menos digno ele será de receber Sua graça. Haverá também muitos infelizes que não serão de modo algum dignos de perdão.
Em suma, na prática, o perdão depende da fé e das obras das pessoas. E, nesta questão, o direito de tomar a decisão, do princípio ao fim, pertence exclusivamente a Allah, o Glorioso.
Tudo o que foi dito constitui a concepção correta da intercessão sob a perspectiva do Islã. Se não se apagarem da mente as concepções errôneas e politeístas sobre a intercessão descrita acima e não se adotar uma concepção islâmica islâmica, a fé na Vida Futura se tornará sem sentido.
O morto pode ouvir alguma coisa do mundo terreno?
Após a morte, a pessoa permanece em um mundo invisível chamado Alam al-Barzakh. A questão agora é: será que eles conseguem ouvir alguma conversa, algum louvor, algum elogio, alguma súplica ou imploração das pessoas do mundo terreno?
A resposta pode ser encontrada no Sagrado Alcorão. Allah diz:(Árabe************)
“E quem é mais extraviado do que aquele que invoca, em vez de Allah, seres que não podem responder-lhe até o Dia da Ressurreição? Pelo contrário, eles nem sequer têm conhecimento das invocações dessas pessoas.” — (Surata Al-Ahqaf: 5)
As invocações daqueles que, no mundo terreno, os chamam não chegam de modo algum até eles. Eles próprios não ouvem essas invocações com os seus ouvidos, nem recebem, por qualquer meio, a notícia de que alguém os está chamando.
Para compreender detalhadamente esta declaração de Allah, deve-se entendê-la da seguinte maneira: os seres que todos os idólatras do mundo vêm invocando além de Allah são de três tipos. O primeiro consiste em alguns objetos inanimados, que os próprios seres humanos fabricaram com as próprias mãos e transformaram em divindades.
Em segundo lugar, algumas pessoas virtuosas e veneráveis que já partiram deste mundo.
Em terceiro lugar, aquelas pessoas desorientadas e desviadas que partiram deste mundo após terem desorientado e corrompido também outras pessoas.
A respeito dos objetos de adoração do primeiro tipo, é evidente que, por serem matéria inerte e sem vida, eles não podem ouvir nem ver nada, e tampouco têm qualquer poder para fazer coisa alguma.
Os objetos de adoração do segundo tipo — isto é, os piedosos e veneráveis que morreram — também permanecerão alheios aos apelos e súplicas das pessoas do mundo por duas razões. A primeira é que se encontram junto de Allah numa condição em que as vozes das pessoas do mundo não chegam diretamente até eles; a segunda é que Allah e Seus anjos também não lhes transmitem nenhuma notícia do mundo. Isso porque aqueles que, durante toda a vida, ensinaram às pessoas a fazer súplicas somente perante Allah estão agora sendo invocados por elas; não poderia haver para eles nada mais doloroso do que isso. Allah de modo algum deseja causar qualquer sofrimento às almas de Seus servos piedosos.
Há também duas razões para os objetos de adoração do terceiro tipo permanecerem alheios. A primeira é que eles estão detidos por Allah como réus, num lugar onde nenhuma voz do mundo chega. Allah e Seus anjos não lhes informam que sua missão alcançou grande sucesso no mundo e que as pessoas os transformaram em objetos de adoração.
Se lhes fosse transmitida uma notícia dessas, isso lhes causaria grande alegria. E Allah jamais deseja satisfazer esses opressores.
A esse respeito, deve-se compreender que as saudações e as súplicas dos habitantes do mundo são transmitidas aos Seus servos piedosos, pois isso lhes será motivo de alegria.
Da mesma forma, Allah faz com que os pecadores e criminosos ouçam as maldições, humilhações, repreensões, insultos e coisas semelhantes dos habitantes do mundo. Com isso, sua angústia aumenta ainda mais.
Há no hadith que, depois da batalha de Badr, os incrédulos mortos na batalha foram feitos ouvir as repreensões do Nobre Profeta, pois isso lhes causava sofrimento. Mas nada que cause sofrimento aos servos piedosos lhes é transmitido.
Creio que, a partir da discussão acima sobre se os mortos podem saber e ouvir alguma coisa do mundo, essa questão ficará suficientemente clara.
Há algum tempo, depois de visitar o mausoléu do senhor Khwaja, em Ajmer, perguntei a um amigo cantor: assim como pedimos muitas coisas na presença de Allah, suplicamos, imploramos e choramos, vi algumas pessoas pedindo muitas coisas, suplicando e implorando ao falecido senhor Khwaja. Algumas cantavam qawwali em seu mausoléu. Isso é estritamente proibido no Islã; o que você pensa a respeito?
Ele respondeu: de qualquer modo, se cantar em seu mausoléu fosse proibido, ele teria proibido isso, ou sua maldição teria atingido alguém — mas isso não aconteceu com ninguém; além disso, ele gostava de música qawwali.
Meu amigo evitou responder às primeiras palavras; porém, acreditava que, quando se cantava qawwali em seu mausoléu, ele ouvia e ficava satisfeito. Creio que a discussão acima refutará esse tipo de ideia e crença de meu amigo e de muitas outras pessoas. Consideram muitos santos e dervixes de Allah donos de poderes ilimitados e lhes pedem muitas coisas. Contudo, ninguém além de Allah — nenhuma força ou entidade — pode causar dano ou benefício a qualquer ser humano. Isso é afirmado em muitos lugares do Alcorão Sagrado.
O mais curioso — e uma grande realização de Satanás — é que as pessoas transformaram em deuses, após a morte, aqueles que passaram a vida inteira ensinando o tawhid.
Hazrat Abdul Qader Jilani (r) ensinou que, depois de sua morte, dirigir-se a ele dizendo “Ó Abdul Qader! Dê-me algo pelo amor de Allah” também seria shirk; contudo, vi essas palavras escritas em letras enormes na parede externa da famosa khanqah da tariqa Qaderiyya. Muitos atos de shirk também são praticados em seu nome. Mas ele e muitos outros como ele não podem de modo algum saber que pessoas ignorantes os transformaram em deuses.
Algumas pessoas também acreditam que a alma do falecido circula pelo mundo; se essa crença fosse verdadeira, as palavras acima seriam provadas falsas. Khwaja de Ajmer e Hazrat Abdul Qader Jilani (r) veriam pessoalmente que as pessoas os haviam transformado em deuses, e isso lhes causaria uma terrível angústia. E Allah jamais aprova isso. Portanto, não há absolutamente nenhum meio de retornar ao mundo a partir do alam al-barzakh.
Uma concepção equivocada
É indiscutível que, na vida futura, triunfarão as pessoas virtuosas e piedosas. Entre os não muçulmanos, muitos praticam diversos tipos de boas ações. Dizer a verdade, ajudar os necessitados, gastar dinheiro e fazer sacrifícios para promover o bem-estar das pessoas, realizar muitas obras de benefício público — ações desse tipo também são encontradas entre pessoas de outras religiões. Embora não creiam no tawhid de Allah nem no din al-haqq, encontram-se nelas as qualidades mencionadas acima. Também não há dúvida de que as ações descritas são boas ações. Portanto, o que lhes acontecerá no julgamento da vida futura?
Muitos acreditam que também alcançarão o Paraíso ou o Céu como recompensa por suas boas obras. Vejamos, examinando e verificando uma vez, até que ponto essa crença ou concepção é verdadeira.
(Árabe****************)
“E quem praticar boas obras, seja homem ou mulher, mas for crente, essas pessoas entrarão no Paraíso e não sofrerão a menor injustiça (isto é, seus direitos não serão diminuídos).” — (Surata An-Nissá: 124)
(Árabe*******)
“Quem quer que pratique boas obras — seja homem ou mulher — mas com a condição de ser crente, a essa pessoa concederemos, neste mundo, uma vida pura e virtuosa e, na outra vida, concederemos a melhor recompensa de acordo com as obras dessas pessoas.” — (Surata An-Nahl: 97)
(Árabe**********)
“E quem praticar boas ações — seja homem ou mulher — se for crente, todas essas pessoas entrarão no Paraíso, onde lhes será concedida provisão em abundância e sem conta.” — (Surata Al-Mu’min: 40)
Os versículos acima anunciam a recompensa pelas boas obras. Porém, em todas as ocasiões, impõe-se a condição de que aquele que pratica boas obras deve necessariamente ser crente. A recompensa pelas boas obras só será recebida depois de se crer nos dogmas fundamentais do Islã.
Em muitos lugares do Sagrado Alcorão, isso é dito da seguinte forma:
(Árabe**************)
“Aqueles que creram e praticaram boas obras” — isto é, a fé é uma condição prévia para as boas obras. Primeiro, é preciso crer em Alá, em Seu Livro, em Seu Mensageiro, no Além e em tudo o mais. Depois, também foram explicadas quais são as boas ações. Os profetas e mensageiros demonstraram essas boas ações em sua própria vida prática. É preciso realizá-las de acordo com os métodos e caminhos que eles ensinaram. O objetivo dessas ações será praticá-las para obter a satisfação Daquele que foi aceito como Criador, Provedor, Proprietário, Senhor, Rei e Governante (o que significa crer). Se não houver fé Naquele que possui o único direito de conceder a recompensa, nem desejo de obter Sua satisfação, de onde virá a recompensa? Por isso, a salvação e a recompensa na vida futura dependem das boas obras, e as boas obras serão proveitosas quando acompanhadas da fé.
Quem pode negar que o Senhor, Criador e Proprietário do universo e de cada partícula de Suas criaturas, é somente Alá, o Todo-Poderoso? Foi Alá quem concedeu ao ser humano tudo de que necessita para viver. Ele criou todos os meios e recursos para o conforto, o progresso e a prosperidade na vida, bem como para novas e contínuas invenções. Foi Ele quem concedeu conhecimento, inteligência e discernimento, força para agir e extraordinária capacidade inventiva. Foi Ele quem enviou à humanidade o dīn al-haqq, o sistema de vida verdadeiro, belo e benéfico. Para conduzir sempre as pessoas pelo caminho reto e lhes dar educação moral, enviou, ao longo das eras, profetas e mensageiros. Ele é o Criador, Proprietário e Senhor deste mundo e do mundo vindouro. É também o único Proprietário e Juiz do Dia do Julgamento. E, apesar de Alá ser assim, Sua soberania, autoridade e obediência foram negadas. Foram negados Seus profetas e mensageiros e o Dia do Julgamento no Além. Em vez de louvar, obedecer e servir em submissão a Alá, o Criador, Senhor e Sustentador, passou-se a fazer isso em relação a alguma de Suas criaturas ou a algum objeto imaginário. Acima, entre as qualidades das pessoas virtuosas não muçulmanas, foi mencionada a veracidade. Mas, depois de negar a verdadeira religião e negar a gratidão para com o Criador, Senhor e Sustentador misericordioso, que valor insignificante ainda resta à veracidade?
Em segundo lugar, foram mencionadas qualidades como sua generosidade, suas ações em benefício do povo e suas doações e caridades. Mas pensem: o dinheiro e os bens, todos os recursos para as ações de benefício público, o conhecimento, a inteligência e a força para agir — tudo isso é dádiva de Alá. Por um lado, ajudou-se outra pessoa com os bens da dádiva; por outro, negaram-se a obediência, a servidão e a gratidão ao verdadeiro Doador. É como dar ao santo a vaca de outra pessoa. Que valor pode ter essa doação?
Não é curvar a cabeça em obediência a Alá, o Criador e Sustentador, e negar justamente o Seu louvor e Sua adoração um sinal de orgulho, arrogância e ingratidão? Não é isso extrema insolência, ingratidão e traição? Além disso, a adoração, a servidão e a obediência foram dirigidas a outras criaturas de Alá. A criatura foi exaltada com a glória do Criador. Poderia haver insolência maior, injustiça maior e opressão maior do que isso? Por isso, Alá diz:
(Árabe**********)
“O exemplo daqueles que se recusaram a aceitar a religião de Deus é o de que suas boas obras serão como um monte de cinzas. Assim como, num dia de tempestade, esse monte de cinzas será levado ao ar pela força de um vento violento, eles não obterão nenhum proveito de qualquer parte dessas boas obras. Isso porque a descrença na religião de Deus os havia levado muito para longe, desviando-os do caminho.” — (Surata Ibrahim: 18)
Em outras palavras, aqueles que demonstraram ingratidão, traição, arbitrariedade, desobediência e pecado para com seu próprio Senhor, Allah, e se recusaram a adotar os caminhos de servidão, obediência e adoração cuja convocação os profetas, que a paz esteja com eles, trouxeram, verão que todas as atividades de sua vida e todo o patrimônio de suas obras e conduta ao longo da existência acabarão se tornando tão vãos e sem sentido como uma enorme pilha de cinzas que, acumulando-se pouco a pouco, tomou a forma de uma montanha. Porém, com o vento impetuoso de um único dia, cada partícula de suas cinzas se dispersará no vazio. Sua bela civilização e cultura enganadoras, suas extraordinárias artes e obras arquitetônicas, suas imensas universidades, seus inesgotáveis tesouros de conhecimento, ciência e belas-artes, e até mesmo sua adoração e devoção, suas boas ações manifestas, suas caridades e suas atividades de benefício público revelar-se-ão apenas como uma enorme pilha de cinzas. Todas essas ações de orgulho e arrogância não terão qualquer peso ou importância na balança do julgamento, no Dia do Juízo da Vida Futura.
Allah também diz:
(Árabe*************)
“Quanto àqueles dentre vós que se afastarem da religião do Islã e morrerem em estado de descrença, suas boas ações serão anuladas tanto neste mundo quanto na Vida Futura. Eles serão os habitantes do Inferno e nele permanecerão para sempre.” — Surata Al-Baqarah: 217
Não somente as boas ações daqueles que são descrentes na religião do Islã serão anuladas; também o destino daqueles que, depois de acreditar na religião do Islã, a abandonarem será como o dos descrentes e incrédulos.
Em suma, foi declarado de maneira inequívoca em quase todas as páginas do Alcorão Sagrado que todos aqueles que se recusaram a aceitar a religião verdadeira enviada por Allah, tenham praticado ou não alguma boa ação neste mundo, terão seu lugar no Inferno.
Se aqueles que negam Allah e o Mensageiro desejam ardentemente receber uma recompensa na Vida Futura, deveriam reivindicá-la daqueles a quem adoraram e louvaram, sob cujo governo e autoridade viveram e cujo senhorio e poder reconheceram. Mas, além de Allah, haverá naquele dia alguma entidade poderosa capaz de conceder a alguém uma recompensa ou aplicar-lhe um castigo? Terão eles capacidade, coragem e ousadia para entoar slogans, organizar marchas de protesto e apresentar reivindicações pelo Paraíso? Além disso, aqueles que negaram a ressurreição, a Vida Futura, o acerto de contas e o Inferno e o Paraíso, o que terão para obter ali, ou mesmo o que poderão dizer em favor disso?
Portanto, se na Vida Futura nenhum valor for atribuído às boas ações dos incrédulos rebeldes e afastados de Allah, isso estará fundamentado na justiça perfeita.
Contudo, se tiverem praticado alguma boa ação neste mundo, receberão sua recompensa ainda neste mundo. Depois da morte, nada lhes restará a receber.
Os benefícios terrenos da crença no Além
Todo ser humano, seja de que país ou nação for, anseia pela paz. Essa paz reside em viver despreocupadamente e com segurança junto da esposa, dos filhos e dos familiares; em circular livremente e com segurança; em usufruir dos direitos fundamentais e estar protegido contra a interferência de outros em seus próprios direitos. Essa paz também reside na liberdade e nas oportunidades de construir a vida segundo os próprios ideais e valores. Se qualquer uma dessas coisas for obstruída ou faltar a garantia de qualquer uma delas, a paz será perturbada.
Mas será que essa paz existe em algum lugar da sociedade humana? Em lugar algum ela existe de fato e, onde existe, é apenas em pequena medida. Se em sua família não houver conflitos de ideais nem tempestades de divergências extremas; se, dentro dos limites de sua residência, ladrões e malfeitores jamais circularem; se puder recolher em segurança toda a colheita de seus campos; se seus empregados, ao fazerem suas compras no mercado, não surrupiarem sequer uma moeda ou não atentarem contra sua vida e seus bens por meio de conspirações externas, então certamente se poderá dizer que você vive em paz. Mas hoje em dia, em toda parte, vê-se justamente o contrário; por isso não há paz em lugar algum.
Tomemos como exemplo a nossa sociedade. Como resultado da extrema degradação moral, a doença da corrupção extrema, em todos os níveis da sociedade, tornou a vida das pessoas insuportável. Corrupção entre o povo em geral, corrupção entre professores e alunos, corrupção entre os responsáveis de todos os níveis. Desde o roubo de sapatos nas mesquitas até o roubo de bens do Estado, tudo ocorre em larga escala. Há corrupção até mesmo nas instituições encarregadas de combater a corrupção e a criminalidade. O próprio grão de mostarda usado para expulsar o demônio está escondendo o demônio dentro de si. Como consequência, a lei e a ordem ruíram. Assim, a pessoa oprimida não obtém justiça; os ricos que detêm o poder e os elementos antissociais, desprezando a lei, alcançam seus objetivos perversos.
Além disso, veja como hoje em dia o terrorismo extremo se consolidou em vários países. Assassinatos, assaltos, roubos — inclusive sequestros de aviões —, massacres brutais e a destruição de edifícios e casas com dinamite e diversos tipos de explosivos tornaram-se acontecimentos cotidianos. Em casa, nas instituições de ensino e nas ruas, a honra, a dignidade e até a vida das mulheres já não estão seguras. Um país poderoso lança uma agressão armada contra outro país e estabelece seu domínio sobre ele. Centenas de milhares de homens e mulheres são brutalmente assassinados. Aldeias e campos de cultivo são incendiados, um após o outro. Dos restos humanos elevam-se apenas lamentos e gritos de agonia. Não há remédio para essa tirania e opressão. Hoje, toda a humanidade está indefesa.
Será que alguém possui uma solução para tudo isso? Ainda outro dia, terroristas explodiram o edifício da embaixada americana em Beirute. Houve enormes perdas de vidas e bens. Um avião de passageiros sul-coreano foi destruído pelo impacto de um míssil russo. Várias centenas de filhos inocentes de Adão perderam a vida. A Rússia ocupou o Afeganistão à força, devastou os lares e as terras dos afegãos, matou brutalmente centenas de milhares de pessoas e, por medo de perder a vida, milhões ficaram sem lar. Seus lamentos e gritos de agonia entristeceram as pessoas do mundo inteiro. Israel transformou todo o Líbano em Karbala. Mas houve alguma solução? Acontecimentos aterrorizantes desse tipo continuam ocorrendo, sempre novos, por todo o mundo. Em resposta à pergunta sobre se seriam tomadas medidas contra os terroristas, Kaspar Weinberger não pôde dizer nada em nome do governo americano — e o que poderia dizer? Se um golpe for respondido com outro golpe, será preciso esperar um golpe ainda maior. Como eliminar a mentalidade de desferir agressões injustas? As sociedades modernas e os chefes de Estado da civilização atual conhecem algum método eficaz para corrigir o caráter dos inimigos da humanidade — antissociais, criminosos, bandidos, saqueadores, terroristas e outros semelhantes? Não; de modo algum. Eles só sabem promover uma corrida armamentista para atacar e para se defender dos ataques. Não possuem arma alguma para corrigir o caráter humano.
Essa arma existe somente no Islã. Allah a enviou à humanidade por meio dos profetas e mensageiros. Essa arma é uma crença: uma convicção firme sobre cuja base se formam a mentalidade, o caráter, o gosto e os valores da vida. É uma crença que apresenta uma visão de mundo, ensina a finalidade e o objetivo da vida, ensina os deveres e o senso de responsabilidade, dá sentido à vida e cria um intenso sentimento de responsabilidade por cada ato diante de um poder invisível. Essa crença ensina que o universo e os seres humanos nele não foram criados sem propósito. Depois de criá-lo, o ser humano não foi deixado aqui sem rédeas para fazer o que bem entendesse, sem que houvesse alguém para recompensá-lo por qualquer boa ação ou para puni-lo por uma má ação. A verdade é que, depois da morte, ele terá de retornar Àquele que o criou. Então deverá prestar-Lhe contas de cada ato bom ou mau de sua vida neste mundo. Se alguém tiver cometido injustiças durante a vida terrena, sendo um criminoso, ou tiver destruído vidas e bens humanos como terrorista, terá necessariamente de receber a punição correspondente. Naquele dia, ninguém terá poder algum para impedir o castigo d’Aquele que pune. O castigo de então será eterno, pois a vida daquele momento também não terá fim, e a morte jamais tocará alguém novamente. É nisso que consiste a crença no Além. O próprio Allah, o Altíssimo, será o Doador da punição ou da recompensa naquele dia: Ele é o Criador deste mundo, o Criador de todos os seres vivos e de todas as coisas, incluindo os seres humanos, e o Criador, Dono e Senhor do Além.
Somente esta crença pode transformar o ser humano em verdadeiro ser humano; pode transformar o cruel e impiedoso em alguém afetuoso e misericordioso. Pode transformar o desprovido de caráter em uma pessoa de caráter e o malfeitor saqueador em protetor da vida e dos bens das pessoas. Pode transformar o terrorista em amigo da humanidade e alguém compassivo para com os seres humanos, e o corrupto em alguém que combate a corrupção. No sétimo século da criação, um acontecimento milagroso desse tipo ocorreu na Arábia, sob a liderança do Profeta Muhammad Mustafa (S.A.). O Profeta (S.A.) despertou, no coração de pessoas pecadoras, a crença em Allah com todos os Seus atributos, e também criou nelas a crença na vida futura e o sentimento de responsabilidade e prestação de contas. Com base nessa crença, corrigiu seu caráter. Transformou uma nação feroz e sedenta de sangue em uma nação dedicada ao bem da humanidade. Por meio dela, estabeleceu um verdadeiro Estado de bem-estar. Uniu todos por meio dos sólidos laços de fraternidade, carinho e amor, compaixão pelo sofrimento alheio e ajuda e cooperação mútuas. Toda a desordem desapareceu da sociedade. Surgiu uma sociedade tão feliz e bela que o mundo jamais havia visto antes. Ainda hoje não existe em nenhum lugar do mundo um sistema social semelhante.
Se hoje as superpotências e os Estados favorecidos por elas acreditassem em Deus e na vida futura, e se destinassem ao serviço da humanidade a enorme quantidade de dinheiro que gastam na corrida pela produção de armas, um novo mundo surgiria. Se, em toda parte, as pessoas extraviadas moldassem seu caráter sob a liderança ideológica do Profeta Universal Muhammad Mustafa (S.A.), com base na crença em Deus e na vida futura, a matança de seres humanos cessaria em todos os lugares. Cada pessoa se sentiria segura quanto à sua vida e aos seus bens, e a mentalidade corrupta desapareceria. A administração, a lei e a ordem, o comércio, a educação, a justiça e tudo mais continuariam funcionando corretamente e em benefício das pessoas. Os órgãos de aplicação da lei não violariam a própria lei. Não contrabandeariam os recursos do país para o exterior. Ninguém se apropriaria dos bens do Estado, ninguém enganaria ninguém. Ninguém se sentaria como ditador sobre o pescoço da nação com o auxílio das armas. A voz do oprimido jamais seria silenciada; ninguém teria de ser acorrentado à escravidão; em lugar algum se ouviriam lamentos por falta de comida e roupas; e ninguém sofreria com as dores da doença por falta de tratamento. Esses são os benefícios e o bem-estar terrenos decorrentes da crença na vida futura. Se os arrogantes pelo poder, os governantes despóticos, os porta-vozes e escravos mentais da civilização materialista ocidental, que não creem em Deus nem na vida futura, conseguirem compreender essa verdade, toda a humanidade poderá ser beneficiada.
As responsabilidades dos pais para com os filhos e dos filhos para com os pais
O pai e a mãe amam acima de tudo o filho que nasce do pai e do ventre da mãe. Os pais não conseguem suportar qualquer tipo de sofrimento ou dificuldade que atinja o filho. Quando o filho adoece, os pais ficam extremamente aflitos. Contudo, pode-se afirmar sem dúvida que, em geral, o filho é objeto de um amor maior para a mãe do que para o pai. Para obter esse objeto tão amado e desejado, alvo de extremo e supremo carinho, a mãe aceita voluntariamente e com um sorriso no rosto o sofrimento da gestação e a dor extrema do parto. Essa dor é semelhante à agonia da morte. Muitas chegam até a morrer por não conseguirem suportá-la. Ainda assim, nenhuma se recusa a engravidar novamente. Depois de intensas dores e sofrimentos, quando o filho nasce, basta a mãe olhar para ele para que desapareçam todas as suas tristezas, sofrimentos e dores, e surja em seu rosto um sorriso de alegria celestial. É natural que esse filho seja o objeto de seu maior amor.
Como o sangue do pai se mistura ao do filho, este também é o ser mais amado pelo pai. Por isso, naturalmente, a mãe e o pai desejam ver seus filhos vivendo uma vida feliz e bela. Para tornar os filhos felizes, os pais não deixam de fazer nenhum esforço. O pai que trabalha e ganha seu sustento compra terras, constrói casas e deixa dinheiro no banco para eles, a fim de que possam viver com grande felicidade.
Se essa for toda a sua preocupação, então é preciso compreender que sua concepção da vida é equivocada ou incompleta. A vida terrena não é a única vida; é apenas uma parte da vida inteira. A vida que existe depois da vida terrena, e que é a verdadeira vida, é justamente o tema discutido de forma abrangente nesta obra.
Então é preciso admitir que aqueles que desejam ver seus filhos felizes e acima de todo sofrimento e dificuldade devem necessariamente pensar também na vida que vem depois da vida terrena. Mas, entre os que reconhecem a existência da vida futura, quantos por cento pensam na vida eterna de seus filhos na outra vida? Basta que os filhos tenham um bom emprego, carro, casa, ganhos abundantes com as duas mãos, fama e prestígio, e os pais ficam radiantes de alegria. Eles não refletem sobre como os filhos estão ganhando seu dinheiro, nem sobre o caminho pelo qual conduzem suas vidas. Não consideram necessário saber se vivem como verdadeiros muçulmanos ou se estão mergulhados nos prazeres de uma vida sem princípios, sem freios e materialista. Se conseguem casar a filha com o filho de algum rico, ou se o genro é um grande funcionário ou empresário, consideram que, nesse aspecto, os desejos da vida foram realizados. Se a filha se torna dançarina ou cantora, ou uma estrela de cinema que proporciona entretenimento a incontáveis pessoas entregues ao luxo e aos prazeres, o peito de muitos pais se enche de alegria. Naturalmente, é assim que se comportam aqueles que não creem na vida futura. Allah, o Altíssimo, também disse:
(Árabe*************************)
“Comei, bebei e desfrutai por alguns dias, pois sois criminosos” — (Surata al-Mursalât: 46)
Eles negaram a vida do Além. Pensam que a vida se resume à vida deste mundo. Mas o fato de pensarem assim não transforma a verdade em mentira, não é? O Além certamente existirá, e nessa vida eles não terão direito a nada. Naquele dia, serão destruídos aqueles que consideravam falsa a vida do Além.
Isso diz respeito aos que não creem no Além. Mas o comportamento daqueles que se dizem muçulmanos também é visto exatamente da mesma forma. Não é algo que merece reflexão?
Por outro lado, é dever dos filhos serem gratos aos pais, obedecer-lhes, servi-los e não permitir que qualquer sofrimento ou dificuldade lhes sobrevenha durante a vida. Muitos cumprem esse dever, mas muitos outros não. Os que não o cumprem são certamente ingratos, desobedientes e dignos de humilhação. Porém, aqueles que consideram seu dever e responsabilidade demonstrar gratidão devem também esforçar-se para que a vida dos pais no Além seja feliz. Além disso, enquanto os pais estão vivos, ao ver qualquer sofrimento ou dificuldade deles, o filho ideal também fica angustiado e faz o máximo para aliviar-lhes o sofrimento e a dificuldade. Da mesma forma, após a morte dos pais, o filho ideal pensa que sua mãe ou seu pai talvez esteja sofrendo. Embora, na realidade, já nada possa fazer naquele momento, o filho roga de todo o coração a Allah Ta‘ala por eles: “Ó Senhor! Tem misericórdia deles, assim como eles me criaram com grande carinho quando eu era pequeno.” Esta súplica também foi ensinada pelo próprio Allah Ta‘ala. Portanto, se o filho fizer sinceramente pelos pais a súplica que Ele ensinou, certamente pode esperar que ela seja aceita. É assim que o filho pode cumprir corretamente os direitos dos pais, tanto durante a vida deles como após a morte.
Mas o que vemos? Frequentemente vemos que o pai não consegue tratar igualmente suas várias esposas e filhos. Na distribuição dos bens, dá mais a uns e menos a outros, concede a alguém mais do que sua reivindicação justa, dá menos a outro e priva alguém completamente. Além disso, alguns filhos, influenciados pela visão de mundo materialista, influenciam injustamente o pai e privam os irmãos e irmãs, obtendo dele a maior parte dos bens por meio de documentos. O pai registra propriedades ocultas em nome de alguma esposa ou de algum filho. Ambos os lados cometem uma grande injustiça e agem de forma desonesta. Por isso, no Além, terão de enfrentar um severo castigo da parte de Allah.
Portanto, se os pais desejam para os filhos uma vida feliz no Além, e se os filhos desejam ver feliz e bela a vida dos pais no Além, então, neste mundo, o comportamento de ambos deve ser conforme aquilo que Allah e Seu Mensageiro ensinaram.
É dever dos pais moldar o caráter dos filhos segundo os princípios do Islã desde a infância, para que eles vivam uma vida plenamente muçulmana. Por outro lado, se um filho virtuoso vir os pais desviados do caminho, deverá fazer o máximo para conduzi-los ao caminho correto.
Se ambos cumprirem suas responsabilidades um para com o outro, a vida de ambos no Além será de felicidade inesgotável. Então, pela graça de Allah Ta‘ala, poderão passar juntos uma vida de felicidade eterna no mesmo lugar.
Allah diz:
(Árabe*****************)
“Um Paraíso que será sua morada eterna. Eles próprios (os crentes) entrarão nele e, entre seus pais, esposas e filhos, aqueles que forem virtuosos irão para lá com eles. Anjos virão de todos os lados para dar-lhes as boas-vindas e lhes dirão: ‘A paz esteja sobre vós. Hoje alcançastes esta felicidade porque enfrentastes tudo com paciência na vida terrena. Quão excelente é esta morada da Vida Futura!” – (Surata Ar-Ra‘d: 23–24)
Também foi dito:
(Árabe************)
“Os anjos que carregam o Trono Divino e os que permanecem ao seu redor, todos glorificam seu Senhor, louvando-O. Eles creem n’Ele e suplicam perdão em favor dos crentes. Dizem: ‘Ó nosso Senhor! Tu abranges todas as coisas com a Tua misericórdia e o Teu conhecimento. Portanto, perdoa e salva do castigo do Inferno aqueles que se arrependeram e seguiram o Teu caminho. Ó nosso Senhor! Introduze-os no Paraíso eterno que lhes prometeste, e também faze chegar junto deles seus pais, esposas e filhos que forem virtuosos (bons). Tu és, sem dúvida, o Todo-Poderoso, o Sapientíssimo.” – (Surata Al-Mu’min: 7–8)
O significado das palavras acima de Allah, o Altíssimo, é extremamente claro e não necessita de explicação. Na Surata At-Tur, isso é afirmado de maneira ainda mais clara:
(Árabe***************)
“Aqueles que creram e cujos descendentes seguiram suas pegadas em algum grau de fé, a esses descendentes também unirei a eles. E não diminuirei em nada as suas obras.”–(Sura At-Tur: 21)
Na Sura Mu’min é dito que os crentes e os virtuosos alcançarão a felicidade do Paraíso. Então, para alegrar seus olhos, será dada a seus pais, esposas e filhos a oportunidade de permanecerem juntos com eles, caso tenham praticado boas obras depois de crer. Ou seja, assim como na vida terrena, também na vida do além poderão viver juntos no Paraíso, com suas esposas, filhos e familiares. O ponto adicional mencionado na Sura At-Tur é que, se os filhos continuarem seguindo as pegadas de seus antepassados em algum grau de fé, então, mesmo que não tenham alcançado o elevado grau que seus antepassados obtiveram por sua fé e suas obras superiores, eles serão reunidos com os antepassados. E essa reunião não será como quando alguém vai visitar outra pessoa de vez em quando. Ao contrário, continuarão vivendo junto deles no Paraíso. Além disso, foi dada a garantia de que, para reunir-se com os filhos, o grau dos antepassados não será rebaixado; antes, o grau dos filhos será elevado, e eles serão reunidos com o pai.
Tomemos, por exemplo, um pai e um filho que, graças à fé e às obras, alcançaram o Paraíso. O pai, porém, pertence à primeira classe, enquanto o filho pertence à terceira. Para reunir os dois, o pai não será levado à terceira classe; ao contrário, o filho será promovido à primeira classe e terá a oportunidade de viver junto com o pai. Sem dúvida, isso é um sinal da imensa graça e generosidade de Allah, o Altíssimo, para com Seus servos virtuosos.
Este é um assunto que todos os pais e filhos devem considerar profundamente. Se ambos cumprirem corretamente seus deveres recíprocos, não apenas sua vida no além será feliz e bela, mas também, neste mundo, surgirão uma sociedade e um ambiente belos, puros e sagrados. Não haverá lugar para a maldade, a injustiça e a obscenidade, e nascerá uma sociedade humana baseada na justiça, com segurança para a vida e os bens.
Palavras finais
A palavra final é que, depois da morte, o ser humano receberá uma nova vida e ingressará em uma nova existência; isso é uma verdade inevitável e incontestável. É precisamente para tornar feliz e alegre essa vida final que este mundo existe. Este mundo é o campo de ação para o além.
(Árabe*****************)
É para encher os celeiros, em Poush, com as espigas douradas do arroz novo que as chuvas chegam durante Ashar e Shravan. O agricultor inteligente que, sob a água das chuvas e o calor ardente do sol, trabalha incansavelmente nos campos e nas lavouras, molhando-se e queimando-se, é justamente quem, ao fim de Hemanta, colhe a dourada safra de Shravan. Este mundo também é, do mesmo modo, um campo de cultivo para obter a colheita no além. Conforme forem as obras realizadas aqui, assim será exatamente a recompensa no além.
O Deus Todo-Misericordioso advertiu repetidamente as pessoas, em todo o Sagrado Alcorão, sobre sua vida futura. Ele ama profundamente os seres humanos que criou. Por isso, deseja que eles também tornem bela a vida eterna da Outra Vida. Em cada advertência de Allah manifesta-se Seu profundo carinho, amor e compaixão.
“Este Dia do Juízo é uma verdade absolutamente certa e grandiosa. Portanto, quem quiser, que escolha junto ao seu Senhor o refúgio final. Nós vos advertimos — e continuamos a advertir-vos — de que se aproxima de vós um dia de terrível castigo. Nesse dia, cada pessoa verá o resultado de suas próprias obras. Os incrédulos desse dia dirão, arrependidos: Ai de nós! Se ao menos tivéssemos sido transformados em pó, em vez de termos nascido seres humanos.” — (Surata An-Naba: 39–40)
Também é importante mencionar que Allah não sente — nem pode sentir — qualquer ódio pelos rebeldes e afastados de Deus. Como poderia Ele odiar Suas criaturas, que dependem de uma parcela de Sua graça? Pelo contrário, Sua infinita misericórdia e compaixão manifestam-se quando Ele convoca com veemência até os mais obstinados rebeldes e pecadores a retornarem para Ele.
Também é preciso lembrar que esse veemente chamado não traz qualquer benefício pessoal para Ele.
(Árabe**************)
“Não espero deles — da humanidade e dos jinn — qualquer provisão. Tampouco desejo que providenciem meu alimento. Certamente, Allah é o Provedor e o Possuidor de força infinita.” — (Surata Adh-Dhariyat: 57–58)
No versículo em questão, Allah declarou em tom firme que não há qualquer interesse Seu em relação aos jinn e aos seres humanos. Quer as pessoas adorem e obedeçam a Deus, quer não, Sua divindade é uma realidade eterna e imutável. Deus não depende de modo algum da adoração e obediência de quem quer que seja. Pelo contrário, adorar a Deus é um dever inato e natural do ser humano. Foi para isso que eles foram criados. Se se afastarem da adoração e obediência a Deus, estarão contrariando sua própria natureza e atraindo para si a própria ruína.
Em todo o mundo, porém, os falsos deuses dependem da obediência dos que lhes estão submetidos. É dessa obediência que dependem o esplendor da divindade desses falsos deuses, a abundância de riquezas e a vida luxuosa que levam. Eles não são os provedores daqueles que lhes obedecem; pelo contrário, são os subordinados e súditos que lhes proporcionam sustento, felicidade e conforto. Quando os habitantes submissos e obedientes de um país se rebelam, o palácio de sua divindade desmorona completamente. Mas Allah, o Todo-Poderoso e Majestoso, é o Provedor e Sustentador de todos os seres vivos.
Então, por que Ele os exorta repetidamente e com tanta veemência a voltar para Ele? Seu único propósito é perdoá-los, caso retornem para Ele.
Ele deseja conceder-lhes parcelas de Sua graça.
(Árabe**********)
“E aqueles que não associam nenhum outro deus a Allah, não matam pessoas — salvo por uma causa justa, o que é outra coisa — e não cometem adultério, (esses são os verdadeiros servos amados de Allah); e aqueles que fazem isso sofrerão as consequências. No Dia da Ressurreição, seu castigo será duplicado. E nesse lugar de castigo permanecerão para sempre no Inferno, em estado de humilhação. Mas aqueles que se arrependem, retornam para Allah, creem e praticam boas ações, Allah registra boas obras em lugar de seus pecados. E Allah é Poderosíssimo e Misericordioso.” — (Surata Al-Furqan: 68–70)
Nos versículos em questão, antes de anunciar o perdão, Allah mencionou três pecados extremamente graves:
Primeiro: associar alguém a Allah. Invocar alguém além de Allah para pedir ajuda nas aflições e dificuldades ou para realizar os desejos do coração — isso é chamado de shirk na terminologia islâmica.
Segundo: matar injustamente. Este também é um pecado tão grave que, por causa dele, a pessoa terá de permanecer para sempre no Inferno, como os incrédulos e politeístas.
(Árabe**************)
“E quem matar intencionalmente um crente terá como destino o Inferno, onde permanecerá eternamente. Allah estará irado com ele, amaldiçoá-lo-á e preparou para ele um severo castigo.” — (Surata An-Nisá: 93)
Allah deseja ver plena paz e ordem na sociedade humana, e deseja ver a vida, os bens, a honra e a dignidade de cada pessoa completamente protegidos. Nada que contrarie isso é de modo algum Seu propósito. Por isso, Ele diz:
(Árabe***********)
“Quem matar uma pessoa na Terra, sem que ela tenha cometido homicídio ou causado corrupção na Terra, será como se tivesse matado toda a humanidade; e quem salvar a vida de uma pessoa será como se tivesse salvado a vida de toda a humanidade.” — (Surata Al-Má’ida: 32)
Allah tornou o sangue dos seres humanos ilícito uns para os outros. Por isso, foram anunciadas a declaração acima e a promessa de um severo castigo.
Terceiro: entre os grandes pecados, foi mencionado acima mais um pecado. Trata-se do adultério.
Mas o Grandioso e Misericordioso Allah, mesmo depois de esses pecados serem cometidos, anunciou aos pecadores uma mensagem de esperança. Prometeu transformar os pecados do pecador arrependido e retornante (aquele que faz tawba) em boas ações! Isto é, se, mesmo depois de pecar, uma pessoa se arrepender, pedir perdão a Deus, abandonar as más ações, abraçar a fé plena e começar a praticar boas ações, os pecados anteriores registrados no livro de suas ações serão apagados e boas ações serão registradas em seu lugar. A impureza e a corrupção de seu coração serão removidas, e ele se tornará belo, puro, límpido e casto. Seus pensamentos, sua reflexão e seu gosto serão transformados. Tornar-se-á merecedor da infinita graça e misericórdia de Allah. Que oportunidade mais grandiosa poderia haver para os pecadores?
Entretanto, há um ponto que merece especial atenção. Foi dito que, depois de pecar, é preciso fazer tawba e abraçar a fé. A expressão “abraçar a fé” tem um significado especial. Abraçar essa fé não significa apenas crer na existência e na unicidade de Allah. É preciso também crer no Livro; no Livro de Allah estão claramente descritos o lícito e o ilícito, o pecado e a virtude, a verdade e a mentira. Deve-se crer que aquilo que Ele declarou ilícito é ilícito, que o lícito é lícito, que o pecado é pecado e que a virtude é virtude. Quando se considera o pecado como pecado, é natural sentir arrependimento e remorso por ele. Mesmo depois de pecar, muitos não o consideram pecado. Depois de cometer homicídio e adultério, em vez de se arrependerem, orgulham-se disso e sentem prazer em divulgá-lo aos outros. É preciso crer de coração e alma em cada mandamento e preceito descrito no Livro de Allah e submeter-se a Ele. É preciso aceitar o Alcorão como o código de vida para toda a existência. Só então a tawba e as boas ações serão aceitas por Allah. De qualquer modo, o caminho de retorno a Allah permanece sempre aberto aos pecadores. Não há dúvida de que isso é um sinal da infinita misericórdia e compaixão de Allah.
Para compreender o quanto Allah Se alegra com Seus servos arrependidos, é digno de atenção o seguinte hadith.
O narrador do hadith, Hazrat Anas (r.a.), relatou que o Profeta de Allah disse: «Quando um servo se arrepende sinceramente diante de Allah, Ele Se alegra ainda mais do que aquele homem que, ao atravessar uma planície deserta e pedregosa, de repente perde o animal que lhe servia de montaria. Sobre o dorso do animal estavam seus alimentos, sua bebida e todos os seus demais pertences. Depois de procurá-lo por muito tempo, o homem, desesperado, refugia-se à sombra de uma árvore. Abatido pelo desespero e pela tristeza, ele se entrega ao desalento. Pouco depois, de repente, vê diante de si o animal perdido, com todos os seus pertences. Ele segura suas rédeas e, tomado pela alegria, deixa escapar estas palavras equivocadas: “Ó Allah, Tu és meu servo e eu sou teu Senhor.”» — (Muslim)
A esse respeito, vale mencionar aqui outro hadith. Hazrat Umar Faruq (r.a.) relatou:
Certa vez, alguns prisioneiros de guerra foram levados à presença do Profeta (s.a.w.). Entre eles havia uma mulher que fora separada de seu filho de peito. Sempre que via alguma criança diante de si, a mulher a apertava contra o peito e a amamentava. Ao ver seu estado comovente, o Profeta (s.a.w.) perguntou-nos: “Podeis imaginar que essa mulher lançaria o próprio filho ao fogo com as próprias mãos?”
Respondemos: “De modo algum. Longe de lançá-lo ao fogo com as próprias mãos, mesmo que ele estivesse prestes a cair por si mesmo, ela não pouparia esforços para salvá-lo.”
O Profeta disse:
(Árabe**********)
“Allah é muito mais misericordioso para com Seus servos do que essa mulher é para com seu filho.” — (Tafhim al-Qur’an; ver a exegese da surata Hud)
Vejam quão grande é a misericórdia de Allah e quão grande é a desobediência e ingratidão do ser humano.
Portanto, mesmo que alguém tenha cometido pecados em excesso, levado pelos seus desejos, não há razão para se desesperar. Deve voltar-se para Deus, com o coração arrependido, sem demora, abandonar o caminho do pecado e entregar-se inteiramente à servidão e à obediência a Ele. Aqueles que abandonaram o sistema de vida estabelecido por Deus e creem em sistemas de vida criados pelo ser humano, e aqueles que abandonaram a liderança do Profeta universal Muhammad e correm fascinados por lideranças sem Deus, devem voltar-se para o Mensageiro de Allah enquanto ainda há tempo.
O Profeta disse: “A pressa é obra de Satanás. Ela só é boa em cinco situações: (1) casar prontamente a moça quando ela atingir a maturidade; (2) pagar a dívida assim que surgir a oportunidade de quitá-la; (3) sepultar imediatamente o falecido após a morte; (4) receber e honrar o hóspede assim que ele chegar; (5) arrepender-se imediatamente após cometer um pecado.”
“Que benefício haverá em arrepender-me agora? Que passem mais alguns dias. Que eu fique um pouco mais velho e amadureça. Se eu me arrepender agora, não conseguirei manter-me firme nisso”, e assim por diante — tudo isso são grandes enganos de Satanás.
Não há qualquer garantia nem mesmo de um único momento da vida. Conta-se que o Profeta Jesus disse: “O mundo consiste apenas em três dias. O dia de ontem já passou, e nada dele está em suas mãos. Você não sabe se estará vivo amanhã. Somente o dia de hoje é o que você possui. Portanto, considere este dia de hoje como seu único recurso e aproveite-o para agir.”
Que palavras de grande valor! Mas, submersas nos enganos de Satanás, muitas pessoas chegam ao fim da vida. Elas já não têm oportunidade de se arrepender. Como resultado, morrem afundadas no pecado.
Há ainda outra questão. Alguns pensam que basta arrepender-se em algum momento no futuro e dedicar-se então às práticas religiosas. Acham que não há necessidade de parecer religiosos tão cedo.
Eles não percebem quão profundamente enganam a si mesmos. Pois, ao persistirem no pecado, seus corações se tornam tão endurecidos que a disposição para se arrepender nunca mais retorna. E, se a morte chegar subitamente enquanto ainda estão pecando, como poderão impedi-la?
Portanto, não há dúvida de que esses pensamentos são engano e artimanha de Satanás. Que Allah Todo-Poderoso nos proteja disso. Amém.
Depois de fazer tawba, é especialmente necessário adquirir conhecimento do Alcorão e dos hadiths para saber quais são as boas ações prescritas por Allah. Depois de crer em Allah e reconhecer Sua obediência, a primeira coisa que se deve fazer é estabelecer a oração (namaz). De todas as ações que Allah ordenou aos seres humanos, a primeira é a oração. A oração é o primeiro sinal da declaração de fé em Allah e do reconhecimento de Sua obediência. É preciso entender que aqueles que violam a oração, essa obrigação prescrita por Allah, negaram a obediência; e, depois disso, não são capazes de cumprir as demais obrigações de Allah. A primeira coisa pela qual se prestará contas na Outra Vida será a oração. Se a pessoa passar por esta primeira etapa da prova, as demais etapas serão mais fáceis. Mas, se fracassar já na primeira etapa, as outras se tornarão ainda mais difíceis.
É preciso conhecer bem a realidade, ou a essência, da oração. Junto com ela, deve-se conhecer bem o zakat, o jejum, o hajj — em suma, cada ordem e mandamento de Allah — e criar o hábito de cumpri-los.
É preciso sempre se lembrar de uma coisa: alguns mandamentos de Allah Todo-Poderoso são obrigatórios na vida pessoal. Entre eles estão estabelecer a oração, observar o jejum do Ramadã, dar o zakat, realizar o hajj e fazer caridade adicionalmente; gastar dinheiro no caminho do Islã, ganhar e gastar por meios lícitos, não ser invejoso, rancoroso, arrogante nem caluniador, e assim por diante.
E há outros mandamentos que dizem respeito à família, aos parentes, à sociedade e a toda a humanidade. É preciso tratar todos bem e cumprir os direitos que lhes são devidos, não cometer injustiça contra ninguém, não violar os direitos alheios, e assim por diante. Não há alternativa senão cumprir essas obrigações. De modo algum se pode permitir que qualquer coisa na vida de uma pessoa seja centrada em seu interesse individual. Por isso, é dever do pai preparar os filhos sob sua responsabilidade para seguirem o caminho de Allah. O dever do marido para com a esposa é o mesmo. A pessoa ama sua esposa e seus filhos mais do que tudo. Não consegue suportar nem mesmo suas pequenas doenças ou sofrimentos. Portanto, não deveria desejar que a vida eterna deles após a morte fosse feliz e bela? Contudo, a maioria permanece indiferente a esse respeito.
Depois, ultrapassando os limites da própria família, é preciso realizar o trabalho de da’wa e tabligh do Islã na sociedade exterior. Do mesmo modo, um Estado muçulmano apresentará a da’wa do Islã dentro e fora do Estado, no âmbito internacional. Esse é seu dever a cumprir.
Se não se tentar impedir a injustiça, a opressão, a corrupção e o pecado por todos os meios possíveis, os perigos e calamidades que vêm de Allah mesmo na vida terrena não atingirão apenas os opressores; cairão também sobre aquelas pessoas justas que não tentaram impedi-los.
Allah diz:
(Árabe***********)
“E temei uma provação que não atingirá exclusivamente os injustos entre vós.” – (Surata Al-Anfal: 25)
Ao examinar novamente o Sagrado Alcorão, também se compreende que aqueles que sempre seguiram o caminho de Deus, trabalharam pela propagação do Islã e realizaram o “Amr bil Ma’ruf (ordenar o bem)” e o “Nahi anil Munkar (impedir o mal)”, mesmo quando Deus fez descer um castigo por causa dos pecados de determinado grupo de pessoas, protegeu de modos diversos aqueles que haviam praticado as boas ações acima mencionadas. Portanto, para salvar-se dos perigos deste mundo e da vida futura, será sensato adotar esse caminho.
Por fim, antes de concluir este livro, que trata daquilo que está além do véu da morte, ou da vida futura, gostaria de dizer mais uma coisa.
A fé é como uma semente, e as obras são sua árvore e seus frutos. Quanto mais firme for a crença na vida futura, mais robusta será também a árvore das obras, adornada com ramos, flores e frutos.
Visto de outro modo, a fé é um pacto entre Allah e o servo. A essência desse pacto é a seguinte: como Allah é o Criador e Rei dos seres humanos, e o ser humano é, por natureza, seu escravo e súdito, o escravo e súdito deverá, em todos os aspectos de sua vida, obedecer somente às ordens, proibições e leis de seu Senhor e Rei. Deverá obedecer às ordens, proibições e leis do Criador, Senhor e Rei. Em vez de obedecer à lei do Criador, Senhor e Rei, obedecer à lei de qualquer outra pessoa — que não é seu Criador, nem seu Senhor, nem seu Rei — será traição, ingratidão e extrema insensatez, além de constituir uma violação do pacto.
Por outro lado, a força que impede a obediência à lei de Deus ou a submissão e obediência a Ele em todos os aspectos da vida é a força taghut e a força que reivindica uma divindade artificial. Para efetivar o pacto firmado entre Deus e o servo, é também uma exigência inevitável derrubar essa força taghut. Portanto, em todos os aspectos da vida — isto é, em todas as áreas e questões intimamente relacionadas à vida e ao sustento, à felicidade e à tristeza, à vida, aos bens e à honra das pessoas —, em suma, na vida individual e familiar, na vida política e econômica, no campo da educação e da cultura, na guerra, na paz, na inimizade, na amizade e nas relações internacionais, a exigência da fé é estabelecer o governo, o domínio, a autoridade e a soberania da lei de Allah. A luta para cumprir essa exigência foi denominada “Al-Jihad fi Sabilillah” — o jihad no caminho de Allah. E seu resultado vitorioso é a “Iqaamat-e-Din” — o estabelecimento da religião do Islã, para o qual vieram todos os profetas. Essa tarefa é indispensável para o sucesso na vida futura. Cada momento da vida do Último Profeta foi dedicado a essa tarefa, e o pleno seguimento de seu trabalho é a única tarefa do verdadeiro crente. À luz disso, é indispensável e obrigatório determinar o programa de toda a vida de um crente.
Por fim, dirigimos nossa súplica aflita a Allah, o Misericordioso, o Compassivo. Que Ele nos conceda plena capacidade para cumprir as responsabilidades acima mencionadas. Que, mantendo-nos puros e livres de toda espécie de pecado, nos conceda força para seguir Seu Sirat al-Mustaqim, o caminho reto. Que, finalmente, possamos encontrar-nos com Ele como Seus servos amados. Amém.
(Árabe***********************)
— Fim —