Allah, Glorificado e Exaltado seja, disse:
(Árabe********************)
Certamente, a oração foi prescrita (tornada obrigatória) para os crentes, e seus horários também foram determinados. (Surata 4, An-Nissá: 103)
(Árabe*************)
Certamente, prosperaram os crentes que observam suas orações com humildade e concentração. (Surata 23, Al-Mu’minun: 1–2)
(Árabe**************)
Aceitai tudo o que o Mensageiro (Muhammad) vos conceder; e abstende-vos de tudo aquilo de que ele vos proibir. Temei a Allah. Sabei que Allah é severo na punição. (Surata 59, Al-Hashr: 7)
O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse:
(Árabe**********)
“Realizai a Salat exatamente da maneira como me vistes realizá-la.” (Sahih Bukhari, Musnad Ahmad)
Quem é o Allama Ibn al-Qayyim?
O Allama Hafiz Ibn al-Qayyim foi uma estrela extraordinariamente brilhante e resplandecente no mundo islâmico. Embora tenha falecido fisicamente há muitos anos, suas imensas e duradouras contribuições para o reino do conhecimento islâmico mantêm-no resplandecente como a estrela Surayya.
Ele nasceu em Damasco. Nasceu no ano 691 da Hégira.
Devido à sua extraordinária estatura no mundo do conhecimento e da prática islâmicos, as pessoas de sua época o honraram com três títulos:
1. ‘Allama’ — um oceano de conhecimento.
2. ‘Shamsuddin’ — o sol da religião, o Islã.
3. “Hafiz” — ele era simultaneamente hafiz do Alcorão e dos hadiths. Sua inteligência e memória eram incomparáveis.
Sua kunya era Abu Abdullah. Seu nome completo era Muhammad ibn Bakr ibn Ayyub ibn Saad. Contudo, é mundialmente mais conhecido como Allama Ibnul Qayyim al-Jawzi.
Ibnul Qayyim foi aluno e digno sucessor do imame Ibn Taymiyya, o Xeique do Islã. O imame Ibn Taymiyya havia recebido o título de “Xeique do Islã”, isto é, mestre ou professor do Islã. Todos conhecem a famosa frase sobre o imame Ibn Taymiyya: “Aquilo que Ibn Taymiyya não conhecia não é hadith.”
Ibnul Qayyim foi seu digno discípulo. Seu domínio da ciência dos hadiths era semelhante ao de seu mestre. As análises e opiniões do imame Ibn Taymiyya foram divulgadas e difundidas principalmente por meio de Ibnul Qayyim. Em suas obras, Ibnul Qayyim repetidamente dizia: “Qala shaykhuna”, isto é, “nosso mestre — o xeique — disse”. Allama Ibnul Qayyim foi, ao mesmo tempo—
um hafiz do Alcorão e dos hadiths, o maior erudito da Sunna do Mensageiro, o maior mufassir, o maior analista de hadiths, o maior analista da sira, o maior faqih e, acima de tudo, foi um mujtahid mutlaq (um mujtahid independente e plenamente autônomo).
A maior característica de Allama Ibnul Qayyim era ser um seguidor rigoroso e intransigente da Sunna do Mensageiro. Também estava na vanguarda na investigação da Sunna do Mensageiro. Suas obras são uma prova luminosa disso. Em particular, sua grande obra “Zad al-Ma’ad” é um memorial dourado da Sunna do Mensageiro.
Entre as obras imortais de Allama Ibnul Qayyim, algumas das mais notáveis são:
1. Zad al-Ma’ad (quatro volumes).
2. Tahdhīb Sunan Abū Dāwūd wa Īḍāḥ Mushkilātihi.
3. Safar al-Hijratayn.
4. Marāhil al-Sā’irīn.
5. al-Kalim al-Ṭayyib.
6. Zād al-Musāfirīn.
7. Naqd al-Manqūl.
8. I‘lām al-Muwaqqi‘īn ‘an Rabb al-‘Ālamīn (três volumes).
9. Badā’i‘ al-Fawā’id (dois volumes).
10. As-Sawāʿiq al-Mursala.
11. Hādī al-Arwāh ilā Bilād al-Afrāh.
12. Nuzhat al-Mushtāqīn.
13. Ad-Dāʾ wa ad-Dawāʾ.
14. Miftāh Dār as-Saʿāda (uma obra volumosa).
15. Gharīb al-Uslūb.
16. Ijtimāʿ al-Juyūsh al-Islāmiyya.
17. Kitāb at-Turuq al-Hikma.
18. Iddat as-Sabirin.
19. Ighasat al-Lahfan.
20. At-Tibyan fi Aqsam al-Corão.
21. Kitab ar-Ruh.
22. As-Sirat al-Mustaqim.
23. Al-Fath al-Qudsi.
24. At-Tuhfat al-Makkiyyah.
25. Al-Fatawa, etc.
26. Jam‘ al-Ifhām.
Por seguir rigorosamente a Sunnah do Mensageiro e opor-se à bid‘ah, o eminente Ibn al-Qayyim, assim como seu mestre Ibn Taymiyyah, teve de enfrentar muitas prisões, injustiças e perseguições.
O cádi Burhanuddin al-Zar‘ī disse a respeito dele: sob o céu, não se viu ninguém dotado de conhecimento mais abrangente do que ele.
Este grande sábio, um exemplo vivo da Sunnah do Mensageiro, deixou este mundo no dia 13 de Rajab do ano 751 da Hégira.
Este é o melhor livro sobre a oração
No que diz respeito ao método de oração do Mensageiro de Allah, este livro é incomparável, único e excelente.
Este livro é essencialmente uma compilação dos parágrafos relativos à oração do capítulo sobre a adoração da obra dourada mais fiel e confiável, Zad al-Ma‘ad, escrita pelo eminente hafiz Ibn al-Qayyim sobre a vida do Mensageiro e a Sunnah do Mensageiro.
Como o Mensageiro de Allah se preparava para a oração, de que maneira orava, o que recitava durante a oração, como cumpria os seus pilares e regras, que outras orações realizava além das obrigatórias e quantas rak‘at fazia?
— Uma descrição fiel e autêntica de tudo isso foi registrada neste livro. Por ignorância, as pessoas das gerações posteriores não praticam muitas das regras da oração que o próprio Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) praticou. Além disso, acrescentaram à oração muitas práticas que o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) não praticou. Contudo, o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) declarou claramente:(Árabe************)
Significado: Orai exatamente da maneira como me vistes orar. (Sahih al-Bukhari, Musnad Ahmad)
Isso diz respeito às próprias palavras do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Mas o próprio Allah, o Altíssimo, também disse claramente:(Árabe**************)
Significado: Ó Profeta, dize: «Se amais Allah, segui-me; então Allah vos amará.» (Surata 3, آل Imran: 31)
Em outro versículo do Alcorão, Allah, o Altíssimo, diz:(Árabe*********************)
Significado: Aceitai aquilo que o Mensageiro de Allah vos conceder e abstende-vos daquilo que ele vos proibir. (Surata Al-Hashr: 7)
Agora ficou claro para nós que devemos seguir o Mensageiro de Allah em todas as ações. Devemos obedecer-lhe. Devemos necessariamente cumprir as leis, normas e métodos que ele estabeleceu.
A oração é a melhor forma de adoração do Islã. A oração deve ser realizada exatamente da maneira como o próprio Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) a realizou. Ele deu instruções claras de que seus seguidores devem orar exatamente da maneira como ele orou.
Aqueles que conhecem a sunnah do Mensageiro e as tradições dos Companheiros hoje em dia ficam surpresos ao ir às mesquitas e chegam até mesmo a ser repreendidos pelos ignorantes. Por exemplo—
Os imames de nosso país consideram absolutamente necessário levantar as mãos e fazer uma súplica coletiva com os fiéis após o salam da oração. Contudo, não há prova de que o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) tenha levantado as mãos e feito uma súplica com os fiéis após o salam da oração.
O resultado dessa prática dos imames é que os fiéis começaram a considerá-la parte da oração. Não apenas isso: na maioria dos casos, a situação chegou a tal extremo que, se algum imame não fizer a súplica levantando as mãos com os fiéis após o salam, ele perderá sua posição de imame. Pelo que sabemos, por essa razão alguns perderam sua posição de imame. Além disso, muitos continuam fazendo isso apenas para manter sua posição de imame, embora saibam que essa prática não é a sunnah do Mensageiro de Allah.
Assim, não ficaram os imames presos em uma grande fitnah por causa de seus próprios atos?
Diremos que, se algum imame fizer ocasionalmente uma súplica levantando as mãos com os fiéis, isso não é proibido. Porém, transformar isso em uma prática regular e torná-lo necessário e inseparável de cada oração é contrário à sunnah do Mensageiro. Além disso, não será deixar de transformar uma prática inventada por nós em uma norma da sharia continuar fazendo isso, mesmo sabendo que não é correto, por medo de desagradar aos fiéis?
Isso é, portanto, uma adição inventada à oração. Por outro lado, há relatos de que o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) praticava o raf‘ al-yadayn no takbir de abertura, ao se inclinar para o rukū‘ e ao se levantar do rukū‘. Também há relatos de que praticava o raf‘ al-yadayn quando se levantava após completar duas rak‘ahs. Praticar o raf‘ al-yadayn nesses momentos é uma sunnah clara e comprovada do Mensageiro de Allah. Contudo, muitos fiéis não o fazem por desconhecimento. Outros, embora saibam disso, não o fazem por medo de serem repreendidos. E, quando alguém o faz, recebe o título de ahl al-hadith.
Outra forma de ignorância é particularmente lamentável. Algumas pessoas, como desculpa para não praticar essa sunnah, dizem: “Eu sou hanafita, e no madhhab hanafita não existe raf‘ al-yadayn; por isso não o pratico.”
Isso não passa de uma calúnia contra o grande porta-estandarte do Islã, o imame Abu Hanifa. Pois o imame Abu Hanifa, rahimahullah, deixou clara a identidade de seu madhhab. Ele disse:(Árabe*******************)
Significado: Se for encontrado um hadith autêntico, esse é o meu madhhab. [Veja: Al-Hāshiya, de Ibn ʿĀbidīn, volume 1, p. 63.]
A partir destas palavras do imame Abu Hanifa (que Allah tenha misericórdia dele), fica comprovado que agir de acordo com os hadiths autênticos e comprovados é o seu madhhab.
A razão pela qual ele disse “se for encontrado um hadith autêntico” é que, em sua época, os hadiths eram transmitidos oralmente e preservados na memória das pessoas. Até o fim de sua vida, as coleções de hadiths ainda não haviam sido compiladas. Foi somente após seu falecimento que os imames do hadith compilaram e verificaram os hadiths espalhados por diferentes países e cidades.
Ele temia que houvesse hadiths além daqueles que conhecia. Foi por isso que deixou essas palavras. E, de fato, seu temor se confirmou. Quando os imames do hadith coletaram e verificaram os hadiths de todas as regiões, descobriram que muitos hadiths vieram à luz e que anteriormente não haviam chegado a Kufa, a cidade do imame Abu Hanifa. [Mesmo que não se consiga ler grandes obras para conhecer diretamente nos hadiths o método de oração do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), todos deveriam ao menos ler o Mishkat Sharif.]
Embora a afirmação acima seja do imame Abu Hanifa (que Allah tenha misericórdia dele), o imame Shafi’i (que Allah tenha misericórdia dele) também deixou a mesma afirmação. As declarações e os princípios dos demais imames eram semelhantes. O Alcorão e a Sunnah eram a base de todas as suas ações.
Eles explicaram, com plena sinceridade, todos os versículos do Alcorão e todos os hadiths que precisavam de explicação. É verdade que houve algumas diferenças entre as explicações de uns e de outros, mas nenhum deles declarou que sua própria explicação era definitiva ou a única explicação.
Além disso, em questões relevantes sobre as quais não havia orientação no Alcorão, nem nos hadiths, nem sequer nas declarações dos Companheiros ilustres, eles praticaram o ijtihad. Nessas questões, com plena sinceridade, apresentaram suas opiniões fazendo analogias com o espírito do Alcorão e da Sunnah. Cada um deles emitiu sua opinião com base no que considerava melhor. Nenhum deles considerou sua própria opinião definitiva e irrefutável. Pelo contrário, todos afirmaram: “Se for encontrado um hadith autêntico, esse é o meu madhhab; nesse caso, minha opinião e minha explicação devem ser abandonadas.”
Devido à sua generosidade, até mesmo os alunos formados por eles divergiram deles em muitas questões. Por exemplo, Abu Yusuf (que Allah tenha misericórdia dele) e Muhammad ibn al-Hasan al-Shaybani (que Allah tenha misericórdia dele), alunos do imame Abu Hanifa (que Allah tenha misericórdia dele), divergiram em muitas questões de seu estimado mestre Abu Hanifa (que Allah tenha misericórdia dele). A divergência dos alunos não diminuiu em nada a posição do imame; pelo contrário, aumentou-a.
Todos os eruditos sabem que as opiniões divergentes dos alunos do Imã Abu Hanifa em relação a ele, nos assuntos em que discordaram dele, também são consideradas parte do madhhab do Imã Abu Hanifa. A razão é aquela grandiosa declaração do Imã: “Quando se encontra um hadith autêntico, esse é o meu madhhab.”
Assim, é evidente que, se alguém, mesmo depois de encontrar um hadith autêntico, não o aceitar nem o praticar, alegando seguir um madhhab, estará, em última análise, desobedecendo ao próprio Imã do madhhab.
Atualmente, nossa situação coletiva chegou a tal ponto que, por falta de conhecimento correto, não conseguimos seguir devidamente o Alcorão e a Sunnah, nem conseguimos seguir adequadamente os imãs dos madhhabs.
Voltemos agora ao assunto deste livro. Alhamdulillah. Este livro nos ajudará a realizar a oração segundo o método da Sunnah comprovada. E, quando pudermos realmente seguir a Sunnah do Mensageiro, ficará demonstrado que estamos demonstrando respeito pelos imãs dos madhhabs e seguindo-os.
Também traduzimos e editamos esta obra. Como já dissemos, compilamos aqui as passagens relacionadas à oração da obra original Zad al-Ma‘ad. Zad al-Ma‘ad é uma obra imortal do erudito Ibn al-Qayyim. Ela não é apenas um livro de fiqh; é também uma obra sobre a biografia do Mensageiro e a Sunnah do Mensageiro.
Nesta obra, o erudito Ibn al-Qayyim apresentou claramente, em todos os assuntos, o exemplo e a Sunnah do Mensageiro de Allah. Ele conciliou os hadiths aparentemente conflitantes, forneceu explicações e resolveu as questões. Ao compilar desta grandiosa obra as passagens relacionadas à oração, também fizemos algumas alterações editoriais. São elas:
1. Utilizamos títulos e subtítulos.
2. Alteramos a ordem, isto é, o método de organização, antecipando ou postergando alguns assuntos, a fim de adequá-los aos leitores da época atual.
3. Ao verificar e analisar a autenticidade e a fraqueza de diversos hadiths, o autor fez uma longa exposição sobre a situação dos narradores; não a incluímos nesta obra, mas apresentamos o resultado de sua análise.
4. Também resumimos as longas discussões relevantes sobre diversos temas, apresentando seus pontos principais.
5. Como o próprio autor é uma autoridade em hadith e na ciência do hadith, em muitos casos ele não mencionou as fontes dos hadiths. Nós mencionamos as fontes em alguns lugares, embora não em toda parte.
6. A obra original não contém notas nem comentários. Usamos notas e comentários para tornar certos assuntos mais claros aos leitores e leitoras. (Portanto, se houver algum erro ou falha nas notas e comentários, a responsabilidade por isso é minha.)
7. Ao longo da obra, acrescentamos alguns parágrafos em diversos lugares. Nesses parágrafos, foram mencionados apenas hadiths. Eles não contêm nenhuma declaração minha. Os parágrafos acrescentados foram identificados nas notas como acréscimos.
Assim, procuramos tornar esta valiosa obra, além de autêntica, simples, clara, bela, fluente, agradável de ler e adequada ao público em geral.
Tenho plena convicção de que esta obra se mostrará muito benéfica para os crentes. Para aqueles que desejam rezar exatamente como o Mensageiro de Allah (s.a.) rezava, esta obra será uma companhia muito útil. Esta obra é um reflexo da oração do Mensageiro de Allah (s.a.).
Esta obra é para aqueles que desejam rezar como o Mensageiro de Allah (s.a.), com base em hadiths autênticos.
—Este livro é para aqueles que desejam apegar-se à Sunnah do Mensageiro.
—Este livro é para aqueles que desejam alcançar a paz de espírito seguindo o método de oração do Mensageiro de Allah.
—Este livro é para aqueles que desejam fazer do Alcorão e da Sunnah o padrão de sua adoração e devoção, bem como de toda a sua vida.
—Este livro é para aqueles que desejam seguir verdadeiramente os grandes imames de seus respectivos madhhabs, imames que fizeram do Alcorão de Allah e da Sunnah do Mensageiro de Allah a base de todas as suas práticas e opiniões, e que também instruíram seus seguidores a fazer o mesmo.
Antes de concluir, apresento uma justificativa. É que, neste livro, usamos a palavra namaz, embora o termo original do Alcorão e dos hadices seja salat. Deveríamos ter usado a palavra salat, mas usamos namaz em seu lugar para facilitar a compreensão da maioria dos leitores. Isso se deve ao fato de que, há muitos séculos, essa palavra é conhecida e corrente na língua bengali e entre os falantes de bengali. Do mesmo modo, a palavra khoda se tornou conhecida e comum em lugar da palavra Allah. Consideramos necessário que, na linguagem cotidiana, esses termos originais — Allah, salat e outros — se tornem amplamente correntes. Então, insha’Allah, eles também passarão a ser usados nos livros.
Enquanto escrevia este livro, minha filha mais velha, Sajeda Homaira Himu, ajudou-me anotando a ditado várias partes. Peço o bem deste mundo e do Além para ela, para o editor do livro e para todos os leitores e leitoras.
Que Allah, Tabarak wa Ta‘ala, conceda a todos nós a capacidade de realizar a oração segundo o método ensinado pelo Mensageiro de Allah, que a paz esteja sobre ele. Se houver erros em nosso modo de realizar a oração, que Allah Todo-Poderoso nos conceda a felicidade de corrigi-los e de nos tornarmos seguidores da Sunnah do Mensageiro. Amém.
Abdus Shahid Nasim
28/07/2000 d.C.
Como o Mensageiro de Allah realizava a oração?
1
O método de purificação do Mensageiro de Allah para a oração
Como o Mensageiro de Allah, que a paz esteja sobre ele, realizava a ablução?
O Mensageiro de Allah, que a paz esteja sobre ele, geralmente realizava a oração fazendo uma nova ablução. Contudo, às vezes realizava várias orações com uma única ablução.
Para realizar uma ablução, ele gastava um mudd (aproximadamente um quilograma) de água, ou uma quantidade um pouco menor ou maior. Ao fazer a ablução, ele utilizava bem a água nos membros da ablução. Contudo, não desperdiçava água; utilizava uma quantidade muito pequena. Ele também proibiu sua comunidade de desperdiçar água. Disse:
“Entre os membros da minha comunidade, haverá pessoas que desperdiçarão água ao fazer a ablução (embora isso seja uma ação produzida pelas insinuações de Satanás).” Ele também disse: “Durante a ablução, um demônio chamado Walahaan vem e continua a lançar dúvidas (para que se use água em excesso). Não se deixem enganar por ele.”
Sa‘d ibn Abi Waqqas (que Allah esteja satisfeito com ele) estava certa vez fazendo a ablução. Nesse momento, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) passou por perto. Ele lhe disse: “Ó Sa‘d! Não desperdice água.” Sa‘d perguntou: “Ó Mensageiro de Allah! Também há desperdício na água?” Ele respondeu: “Sim. Mesmo que faças a ablução sentado à margem de um rio corrente, ainda assim haverá desperdício. Portanto, protege-te do desperdício em todas as circunstâncias.” (Musnad Ahmad)
Está comprovado por fontes autênticas que o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) lavava os membros da ablução algumas vezes uma vez, outras vezes duas vezes e outras vezes três vezes. Também está comprovado que, numa mesma ablução, ele lavava alguns membros uma vez, outros duas vezes e outros três vezes.
Às vezes, ele pegava uma única concha de água e com ela enxaguava a boca e introduzia água no nariz. Em outras ocasiões, fazia essas duas coisas com duas ou três conchas. Às vezes, usava metade de uma concha de água para enxaguar a boca e a outra metade para o nariz. Quando usava duas ou três conchas, é possível que realizasse essas duas ações separadamente ou juntas. Contudo, na narração de Abdullah ibn Zayd, registrada por al-Bukhari e Muslim, consta que o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) pegou uma concha de água, enxaguou a boca e introduziu água no nariz com ela, fazendo isso três vezes. Porém, outro hadith informa que ele realizou essas duas ações usando três conchas de água.
Este hadith é o mais autêntico quanto ao método de enxaguar a boca e introduzir água no nariz. Não há nenhum hadith autêntico que prove que ele enxaguava a boca e introduzia água no nariz usando conchas separadas. Há uma narração com esse teor transmitida por Talha. Ele a narrou de seu pai, e seu pai a narrou de seu avô; entretanto, seu avô não era um Companheiro e não se encontrou com o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele).
O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) pegava a água com a mão direita. Introduzia água no nariz com a mão direita e limpava-o com a mão esquerda.
Ele passava as mãos sobre toda a cabeça. Começava pela testa em direção à nuca e depois passava da nuca em direção à frente. Por causa desse procedimento, alguns narradores relataram que ele passava as mãos duas vezes. Na realidade, ele passava as mãos sobre a cabeça apenas uma vez. Lavava os outros membros várias vezes, mas passava as mãos sobre a cabeça apenas uma vez. Isso está comprovado de forma incontestável; a afirmação contrária não é autêntica. A narração de Ibn al-Yamani, transmitida por seu pai a partir de Umar (que Allah esteja satisfeito com ele), sobre passar as mãos três vezes não é aceitável. Isso porque tanto o pai quanto o filho eram narradores fracos, embora a condição do pai fosse um pouco melhor.
A narração mencionada em Abu Dawud, transmitida por Uthman (que Allah esteja satisfeito com ele), sobre passar as mãos três vezes, contradiz todos os demais hadiths autênticos narrados por Uthman. Nos vários hadiths autênticos narrados dele, é mencionado que se passava as mãos apenas uma vez.
Também não há nenhuma prova em qualquer hadith autêntico de que o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) tenha passado as mãos apenas parcialmente sobre a cabeça. Porém, durante a ablução, quando usava um turbante na cabeça, ele limpava a testa e completava o ato passando as mãos sobre o turbante.
Abu Dawud narrou um hadith de Anas (r.a.), no qual Anas (r.a.) disse: “Certa vez, vi o Rasulullah (s.a.w.) fazer a ablução enquanto usava na cabeça um turbante enrolado em camadas. Ele introduziu a mão por baixo do turbante e passou-a pela parte frontal da cabeça. Não desfez nem apertou o turbante.” Ou seja, sem desfazer nem retirar o turbante, ele limpava a cabeça por baixo dele. Contudo, este hadith não prova que não se possa passar a mão sobre o turbante. A prova disso encontra-se nos hadiths narrados por Mughira ibn Shu‘ba e por outros Companheiros. O fato de o hadith de Anas não conter qualquer declaração sobre essa questão não causa nenhum problema.
Não há prova de que o Mensageiro (s.a.w.) tenha feito a ablução sem enxaguar a boca e introduzir água no nariz. Não existe sequer um exemplo disso.
Ele sempre observava a ordem (sequência) na ablução. Não há qualquer prova de que tenha alguma vez contrariado essa ordem.
Ao passar a mão pela cabeça, às vezes ele passava-a diretamente por toda a cabeça. Às vezes, passava-a sobre o turbante. Às vezes, limpava a testa e o turbante. Já foi mencionado anteriormente que não há qualquer prova de que ele tenha concluído a passagem da mão pela cabeça limpando apenas a testa.
Ao passar a mão pela cabeça, ele também limpava a parte interna e externa das orelhas. Não usava água nova para isso. A prova disso é o hadith narrado por Abdullah ibn Umar (r.a.).
Não há qualquer prova de que ele tenha limpado o pescoço.
Quando não usava meias de couro ou de tecido, o Rasulullah (s.a.w.) lavava os pés. Porém, quando usava meias, passava a mão sobre elas.
Ele iniciava a ablução dizendo “Bismillah”. Os hadiths mencionados como tendo ele iniciado a ablução dizendo algo além de “Bismillah” são hadiths falsos e forjados. Ele próprio nunca fez algo assim, nem ensinou isso à sua comunidade. Não há qualquer prova de que se deva dizer algo além de “Bismillah”.
O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), ao terminar a ablução, recitava a seguinte súplica:
(Árabe***************)
Significado: Testemunho que não há divindade além de Allah. E testemunho também que Muhammad é servo e Mensageiro de Allah. Ó Allah! Inclui-me entre os que se arrependem e os que buscam a pureza.”
Foi narrado em an-Nasa’i que, após a ablução, ele também recitava a seguinte súplica:
(Árabe***************)
Significado: Tu estás livre de toda deficiência e incapacidade. Reconhecendo o Teu louvor, testemunho que não há divindade além de Ti. Peço-Te perdão e a Ti retorno.”
No início da ablução, o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) não dizia nem expressava qualquer intenção com palavras como: “Estou intencionando remover a impureza ou realizar a oração”. Não há prova de que ele tenha feito isso em nenhum hadith autêntico ou fraco. Seus Companheiros também não faziam isso. Não há nenhuma prova, autêntica ou fraca, a esse respeito.
Não há prova de que ele lavasse acima dos cotovelos e dos maléolos dos pés. Abu Huraira, porém, fazia isso. No hadith que ele narrou sobre a ablução do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), lavar os cotovelos e os maléolos faz parte dos membros que devem ser lavados na ablução.
O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) não enxugava os membros lavados após fazer a ablução. Não há nenhuma prova disso em um hadith autêntico. O relato transmitido por Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela) e por Mu‘adh ibn Jabal (que Allah esteja satisfeito com ele), segundo o qual ele enxugava os membros com um pedaço ou fragmento de tecido, não é autêntico. Isso porque, entre os narradores do primeiro hadith, Sulayman ibn Akram não é um narrador aceitável, enquanto, entre os narradores do segundo, al-Afriqi é um narrador fraco. O Imam al-Tirmidhi disse que não há nenhum hadith autêntico transmitido do Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) sobre enxugar com um pano os membros da ablução.
Às vezes, o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) fazia a ablução usando ele próprio a água; outras vezes, quando necessário, alguém derramava a água e ele fazia a ablução. É narrado por al-Bukhari e Muslim, sob a autoridade de al-Mughira ibn Shu‘ba (que Allah esteja satisfeito com ele), que, durante uma viagem, ele derramou água para o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) e o ajudou a fazer a ablução. Contudo, isso não era uma prática regular.
Após fazer a ablução, o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) passava os dedos pela barba. Porém, não o fazia sempre; fazia-o ocasionalmente. Há, naturalmente, divergência entre os especialistas em hadith sobre essa questão. Segundo o Imam al-Tirmidhi e outros, a prática de passar os dedos pela barba é autêntica. Contudo, segundo o Imam Ahmad ibn Hanbal e Abu Zur‘a, não há prova dessa prática em nenhum hadith autêntico.
Ele também passava os dedos entre si durante a ablução, mas não fazia isso regularmente. Essa prática é comprovada por um hadith narrado por al-Mustawrid ibn Shaddad, encontrado nas coleções de Sunan. Contudo, não há nenhum relato sobre isso transmitido por aqueles que eram especialistas na ablução do Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), como ‘Uthman, ‘Ali, ‘Abdullah ibn Zayd, al-Rubai‘ e outros (que Allah esteja satisfeito com todos eles). Portanto, essa prática tampouco é tão solidamente comprovada quanto passar os dedos pela barba.
Há um relato segundo o qual o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) movimentava o anel de um lado para o outro durante a ablução. Contudo, esse relato é fraco. O Imam al-Daraqutni classificou Mu‘ammar e seu pai, que aparecem na cadeia de transmissão desse hadith, como narradores fracos.
O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) passava a mão sobre as meias.
O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) passava a mão sobre as meias tanto quando estava em residência quanto durante as viagens, em todas as situações. Isso está comprovado por hadiths autênticos. E ele manteve essa prática até sua morte.
Contudo, diversos hadiths autênticos e bons comprovam que foi estabelecido um período específico para passar a mão sobre as meias: um dia e uma noite para os residentes (muqim), e três dias e três noites para os viajantes (musafir). (Ou seja, depois de fazer a ablução uma vez e calçar as meias, o residente poderá passar a mão sobre elas durante um dia e uma noite, e o viajante durante três dias e três noites. Depois disso, deverá lavar novamente os pés e refazer a ablução.)
O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) passava as mãos sobre a parte superior das meias. Não há nenhuma prova autêntica de que tenha passado as mãos sobre a parte inferior dos pés (das solas). Contudo, há um hadith maqtu‘ (com a cadeia interrompida) que menciona passar as mãos sobre a parte inferior das meias, mas essa afirmação contradiz o conteúdo de todos os hadiths autênticos.
O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) passou as mãos tanto sobre os sapatos quanto sobre as meias, assim como passou as mãos sobre o turbante, incluindo a testa. Vários hadiths sobre suas ações e suas palavras comprovam que ele passou as mãos tanto sobre os sapatos quanto sobre as meias. Segundo alguns, ele só fazia isso em determinadas situações. É possível que passasse as mãos sobre os sapatos porque era difícil retirar os sapatos de couro. Contudo, Allah sabe melhor qual é a verdade.
O fato é que o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) não tornava desnecessariamente difícil nenhum assunto. Adotar o caminho fácil era o seu princípio. Quando não usava meias, lavava os pés; quando as usava, passava as mãos sobre elas, sem se preocupar em tirá-las. Além disso, não calçava meias desnecessariamente apenas para poder passar as mãos sobre elas. Pelo contrário, quando os pés estavam descobertos, ele os lavava; quando usava meias, passava as mãos sobre elas — esse era o seu princípio. Segundo o nosso mestre (o Imam Ibn Taymiyyah), essa é a resposta correta à pergunta sobre qual das duas práticas é melhor: lavar os pés ou passar as mãos sobre as meias.
O método de tayammum do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele)
Quando o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) fazia tayammum, procedia da seguinte maneira: tocava o solo uma única vez com as palmas das duas mãos e, com elas, passava as mãos sobre ambas as mãos e o rosto. Não há nenhuma prova em hadith autêntico de que tocasse o solo duas vezes para isso. Tampouco há prova de que passasse as mãos sobre os braços até os cotovelos. O Imam Ahmad ibn Hanbal disse: aqueles que afirmam o contrário estão expressando sua própria opinião; isso não foi comprovado como prática do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele).
O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) fazia tayammum com o mesmo tipo de solo sobre o qual é permitido realizar a oração. Para fazer tayammum, tocava com as mãos o solo compacto, a areia e o solo salino. Ele disse: “Onde quer que um membro da minha comunidade faça a oração, nesse mesmo lugar haverá para ele uma mesquita e um meio de alcançar a pureza —
— este hadith deixa claro que, se alguém fizer a oração em um lugar arenoso, a própria areia será suficiente para o seu tayammum.
Quando o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) foi à batalha de Tabuk, fez tayammum usando areia, devido à escassez de água. Não há nenhuma prova de que, ao partir para Tabuk, tenha levado consigo torrões de terra, ou pedido a algum de seus Companheiros que os levasse. Na verdade, a maior parte da areia é terra. O solo do Hijaz também é semelhante.
Não se conhece do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) nenhum método específico para limpar as mãos no tayammum. Menciona-se um método segundo o qual se deve começar pela palma da mão esquerda, levá-la desde a extremidade do dorso da mão direita até o cotovelo, depois virá-la e limpar a parte inferior da mão; e fazer o mesmo com a mão esquerda. Não há nenhuma prova desse método transmitida pelo Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), nem pelos Companheiros. Tampouco há prova de que ele tenha ordenado ou aprovado tal procedimento.
O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) conferiu ao tayammum o mesmo estatuto da ablução. Não há prova de que ele tenha feito um tayammum separado para cada oração. Ele também não ordenou que se fizesse isso. Esta é a posição correta, desde que não se encontre nenhuma evidência em contrário.
2
O método de o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) realizar a oração
O takbir de consagração
Assim que se levantava para a oração, o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) pronunciava «Allahu Akbar». (Isso é chamado de takbir de consagração.) Antes de pronunciar esse takbir, ele não recitava nem dizia absolutamente nada; nem sequer pronunciava a intenção. (A intenção consiste simplesmente em firmar no coração aquilo que se pretende fazer.) Ele também não dizia algo como: «Voltado para a qibla, estou realizando como imã as tantas unidades obrigatórias da oração de tal horário, ou como seguidor atrás deste imã; estou realizando-a no horário ou compensando-a». Ele não dizia esse tipo de coisa nem nas orações obrigatórias (nem nas orações sunnah e voluntárias).
Dizer qualquer uma dessas coisas antes do takbir de consagração é uma inovação religiosa. Isso porque não há nenhum hadith do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) que as sustente. Tampouco há qualquer declaração dos Companheiros, nem qualquer palavra dos tabi’un. Além disso, nenhum dos quatro imãs disse coisa alguma a esse respeito. Nenhum deles aprovou que se dissesse algo assim.
Contudo, alguns eruditos posteriores se confundiram ao interpretar uma declaração do Imã al-Shafi’i. A declaração do Imã al-Shafi’i é: «A situação da oração não é como a do jejum; ninguém pode entrar na oração sem mencioná-la.»
Esses estudiosos entenderam que a menção feita por ele significava mencionar ou pronunciar a intenção da oração. Contudo, na realidade, o próprio Imam Shafi‘i quis dizer com isso a pronúncia do takbir tahrima para a oração.
A compreensão dos estudiosos acima mencionados acerca da declaração do Imam Shafi‘i está errada. Pois, como poderia o Imam Shafi‘i considerar obrigatório algo que o próprio Mensageiro (que a paz esteja com ele), seus nobres Companheiros e os califas bem guiados nem sequer mencionaram? Se encontrarmos sobre este assunto uma única palavra sequer do Mensageiro de Allah (que a paz esteja com ele) e de seus nobres Companheiros, certamente a aceitaremos. Pois nossa prática consiste em seguir a Sunnah do Mensageiro de Allah e o caminho de seus nobres Companheiros. O melhor caminho que eles nos mostraram é o nosso caminho. Humildemente, seguiremos apenas a prática comprovada por eles.
Praticar o raf‘ al-yadayn durante o takbir tahrima
Para iniciar a oração, o Mensageiro de Allah (que a paz esteja com ele) não dizia nada além de “Allahu Akbar” e, ao pronunciar “Allahu Akbar”, praticava o raf‘ al-yadayn (levantava ambas as mãos). Para isso, ele levantava as duas mãos voltadas para a qiblah até a altura dos ombros ou das orelhas. Nessa ocasião, mantinha os dedos das mãos separados. Há várias narrativas sobre até que altura ele levantava as mãos. Abu Humayd as-Sa‘idi (que Allah esteja satisfeito com ele) e seus companheiros disseram que ele as levantava até a altura dos ombros. A declaração de Abdullah ibn Umar (que Allah esteja satisfeito com ele) também é essa. Wa’il ibn ‘Azib (que Allah esteja satisfeito com ele) disse que ele levava as mãos para perto das orelhas. Alguns disseram que esta última opinião é a melhor, mas foi dada liberdade para levantá-las até qualquer uma das alturas mencionadas acima. Segundo alguns, não há permissão para elevá-las acima dos lóbulos das orelhas. Contudo, levantá-las até os ombros também é válido. Esta é a conclusão sobre o assunto.
Os outros momentos em que ele praticava o raf‘ al-yadayn ao pronunciar o takbir (Allahu Akbar) serão mencionados nos seus respectivos lugares.
O que ele recitava após o takbir tahrima?
Depois de levantar as mãos ao pronunciar o takbir tahrima, ele as baixava e colocava a mão direita sobre o dorso da mão esquerda. Em seguida, antes de iniciar a oração (a surata al-Fatihah), fazia diferentes súplicas. Às vezes, fazia esta súplica:
(Árabe**************)
Significado: Ó meu Deus! Afasta de mim todos os meus erros e falhas, assim como estabeleceste uma distância entre o Oriente e o Ocidente. Ó Allah! Lava-me e purifica-me dos meus erros com água, gelo e coisas refrescantes. Ó Allah! Purifica-me dos meus pecados, deixando-me completamente limpo, assim como uma roupa branca se torna alvíssima quando é lavada da sujeira e das manchas.”
Às vezes, recitava esta súplica:
(Árabe************)
Significado: Voltei sinceramente o meu rosto para o Criador do universo e desta Terra. Não faço parte daqueles que associam parceiros a Ele. Certamente, minha oração, meu sacrifício, minha vida e minha morte pertencem a Allah, o Senhor e Sustentador de todos os mundos. Ele não tem parceiro algum. Foi-me ordenado aceitar estas palavras, e eu fui o primeiro a aceitá-las.”
Às vezes, fazia esta súplica:
(Árabe****************)
Significado: Ó Allah! Tu és o único Soberano do universo. Não há divindade além de Ti. Tu és o meu Senhor, e eu sou Teu servo. Cometi injustiça contra mim mesmo e reconheço o meu pecado. Portanto, perdoa todos os meus pecados; ninguém perdoa os pecados além de Ti. Guia-me para alcançar o melhor caráter moral; ninguém guia para esse caminho além de Ti. Remove de meu caráter e de minhas condutas todas as falhas e defeitos; ninguém os remove além de Ti. Senhor! Eis-me presente diante de Ti. Tu és muito Misericordioso, e todo o bem está em Tuas mãos. Tu não és responsável pelo mal. Eu seguirei somente a Tua vontade e somente a Ti retornarei. Tu és o Possuidor de imensa abundância, Tu és exaltado, ó Senhor! Peço-Te perdão e volto o meu rosto somente para Ti.”
Geralmente, durante a oração noturna (tahajjud), o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) fazia esta súplica. Às vezes, nesse momento, ele recitava também esta súplica:
(Árabe***************)
Significado: Ó Allah! Tu és o Senhor de Jibril e Israfil, o Criador dos céus e da terra e o Conhecedor do visível e do invisível. Tu és Quem julga as divergências entre os Teus servos. Guia-me corretamente na questão sobre a qual, por Tua ordem, me deparei com uma divergência acerca da verdade suprema. Tu guias corretamente quem quer que desejes.
Em outra ocasião, ele recitava a seguinte súplica: (Árabe******************)
Significado: Meu Senhor! A Ti pertence todo o louvor. Tu és a luz do universo, desta Terra e de tudo o que existe entre eles.”
— Abdullah ibn Abbas (que Allah esteja satisfeito com ele) narrou que o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) recitava a súplica mencionada acima depois de pronunciar o takbīr de tahrīmah.
Em outra ocasião, ele dizia três vezes الله اكبر كبيرا três vezes الحمد لله كثيرا três vezes سبحان الله بكرة واصيلا e, juntamente com isso, dizia اللهم اني اعوذبك من الشيطان الرجيم من همزه ونفخه ونفثه.
Às vezes, dizia الله اكبر dez vezes, سبحان الله dez vezes, الحمد لله dez vezes, لااله الا الله dez vezes, استغفر الله dez vezes e اللهم اغفرلى واهدنى وارزقنى dez vezes; depois, اللهم اني اعوذبك من ضيق المقام يوم القيامة dizia dez vezes. Há evidências autênticas de que o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), depois de pronunciar o takbīr de tahrīmah, recitava uma ou outra dessas súplicas.
Foi narrado que ele iniciava a oração recitando a seguinte sana:
(Árabe**************)
Significado: Ó Allah! Tu estás livre de todas as imperfeições, incapacidades e fraquezas. Eu Te louvo. Bendito é o Teu nome. Suprema é a Tua majestade. E não há divindade além de Ti.”
A respeito desta sana (expressão de louvor a Allah), há relatos em várias coletâneas de Sunan, transmitidos por Ali ibn Ali ar-Rifai. Ele a transmitiu de Abu al-Mutawakkil, que a transmitiu de Abu Said (que Allah esteja satisfeito com ele). Um hadith semelhante também foi transmitido por Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela). Umar (que Allah esteja satisfeito com ele) a recitava em voz alta quando liderava a oração e ensinava-a a todos.
O Imam Ahmad ibn Hanbal disse: “Eu prefiro recitar esta súplica, seguindo Umar (que Allah esteja satisfeito com ele). Contudo, se alguém iniciar a oração recitando qualquer uma das súplicas mencionadas acima, isso é válido.”
O Imam Ahmad argumentou que esta súplica é a melhor, mais completa e excelente. O fato de Umar (que Allah esteja satisfeito com ele) tê-la recitado em voz alta enquanto liderava a oração, para que todos a ouvissem, significa que todos deveriam recitá-la no início da oração, especialmente nas orações obrigatórias.
Recitação da Surata Al-Fátiha
Depois de recitar a sana/súplica mencionada acima, o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) recitava “A‘udhu billahi minash-shaytanir-rajim”. Em seguida, recitava a Surata Al-Fátiha, incluindo “Bismillahir-Rahmanir-Rahim”.
Ele recitava a Surata Al-Fátiha algumas vezes em voz alta e outras vezes em silêncio. Porém, na maioria das vezes, recitava-a em voz alta. Mas ele não a recitava em voz alta em todas as cinco orações diárias, nem quando estava em sua terra natal, nem quando estava viajando. Se ele a tivesse recitado em voz alta em todas as cinco orações diárias, como isso poderia ter permanecido desconhecido para os Califas Bem-Guiados, para a maioria dos Companheiros e, especialmente, para os habitantes de Medina? Portanto, é certo que ele não recitava a Surata Al-Fátiha em voz alta em todas as cinco orações diárias.
Quando recitava a sura Al-Fátiha em voz alta, também recitava a basmala em voz alta no início.
A pronúncia de Amin
Depois de concluir a sura Al-Fátiha, ele dizia “Amin”. Quando recitava a sura Al-Fátiha em voz alta, também pronunciava “Amin” em voz alta, e os que oravam atrás dele também pronunciavam “Amin” em voz alta.
Ficar em silêncio por um breve momento
Durante a oração, ele permanecia em silêncio por alguns instantes em duas ocasiões. Uma delas era entre o takbir de consagração e a recitação (da sura Al-Fátiha). Abu Huraira, que Allah esteja satisfeito com ele, perguntou-lhe sobre esse silêncio e confirmou isso.
Há divergência quanto ao momento em que ele permanecia em silêncio pela segunda vez. Alguns disseram que era depois da recitação da sura Al-Fátiha, enquanto outros disseram que era depois de concluir a recitação do Alcorão e antes de se inclinar para o rukūʿ. Alguns outros disseram que ele permanecia em silêncio duas vezes, sem contar a primeira. Se essa opinião for aceita, o silêncio ocorreria três vezes. Entretanto, é evidente que ele permanecia em silêncio apenas duas vezes.
O terceiro silêncio mencionado, isto é, antes de se inclinar para o rukūʿ, na realidade não era um silêncio dele. Era apenas o tempo necessário para expirar e alcançar tranquilidade interior. Isso porque ele não unia a recitação e o rukūʿ numa única respiração.
Era razoável haver silêncio entre o takbir de consagração e o início da sura Al-Fátiha. Isso porque era um silêncio preparatório para começar a sura Al-Fátiha.
A respeito da segunda pausa em silêncio, isto é, depois de concluir a Surata Al-Fátiha, foi dito que ela servia para dar aos muqtadis a oportunidade de concluir a Surata Al-Fátiha.
Quanto à terceira pausa em silêncio, isto é, depois de concluir a recitação e antes de se inclinar para o rukū, era apenas uma breve pausa, por um instante, para recuperar o fôlego e se recompor.
Aqueles que não mencionaram a terceira pausa não o fizeram porque ela era muito breve. Já aqueles que a consideraram, embora breve, entenderam que o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) fazia três pausas em silêncio. Portanto, não há, em essência, contradição entre as duas narrações. Essa é a conciliação dos hadiths sobre o assunto.
Os hadiths sobre as duas pausas em silêncio foram narrados por Samura bin Jundub, Ubayy ibn Ka’b e Imran ibn Husayn — que Allah esteja satisfeito com eles — por meio de cadeias autênticas. Abu Hatim mencionou esses hadiths em sua compilação de hadiths autênticos.
Um dos que narraram o hadith sobre as duas pausas em silêncio foi Samura bin Jundub. Ele disse: “Memorizei, na oração do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), o fato de ele fazer duas pausas em silêncio. Ele fazia uma pausa depois do takbīrat al-ihrām e a segunda depois de recitar ‘ghayril-maghdūbi ‘alayhim walad-dāllīn’.”
Em alguns relatos de hadiths é mencionado que o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) permanecia em silêncio por alguns instantes depois da recitação. Mas isso é uma afirmação absolutamente geral. O conteúdo do primeiro hadith mencionado, isto é, o hadith de Samura, é claro. Nele é afirmado explicitamente que ele permanecia em silêncio depois da recitação da Surata Al-Fátiha. Portanto, o hadith narrado por Samura bin Jundub — que Allah esteja satisfeito com ele — é a prova neste caso.
Seu método de recitação (recitação do Alcorão na oração)
A recitação do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) era pausada e ritmada. Ele parava depois de recitar cada versículo. Ao terminar um versículo, concluía-o com uma voz ligeiramente prolongada.
Depois de concluir a Surata Al-Fátiha, ele passava para outra surata. Nessa outra surata, às vezes prolongava a recitação e, em outras ocasiões, encurtava-a por causa de uma viagem ou de algum outro motivo. Contudo, sua recitação geralmente não era nem curta nem longa, mas de duração moderada.
Sua recitação nas diferentes orações
Na oração do fajr, ele geralmente recitava de sessenta a cem versículos. Frequentemente, na oração do fajr, recitava a Surata Qaf, a Surata Ar-Rum e a Surata At-Takwir; às vezes, recitava a Surata Az-Zalzalah nas duas rak‘ahs e, em outras ocasiões, as Suratas Al-Falaq e An-Nas. Contudo, recitava Al-Falaq e An-Nas especificamente durante as viagens. Às vezes, recitava a Surata Al-Mu’minun nas duas rak‘ahs. Na primeira rak‘ah, recitava até o trecho em que são mencionados Moisés e Aarão, e recitava o restante na segunda rak‘ah.
Nas sextas-feiras, na oração do fajr, ele recitava integralmente a Surata As-Sajdah e a Surata Ad-Dahr. Ele não recitava uma parte desta surata e uma parte daquela; tampouco dividia a Surata As-Sajdah entre as duas rak‘ahs, mas a recitava inteira em uma só rak‘ah. Isso contrariaria sua prática. Aqueles que consideram preferível realizar a oração do fajr de sexta-feira somente com a Surata As-Sajdah ignoram a sunnah do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Foi por causa dessa concepção ignorante das pessoas que alguns imames passaram a desaprovar a recitação da Surata As-Sajdah no fajr de sexta-feira.
Na realidade, o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) conduzia a oração do fajr de sexta-feira precisamente com essas duas suratas. Isso porque nelas são descritos o início da criação humana, o destino final do ser humano, a criação de Adão e as razões que levam ao Paraíso e ao Inferno. Em outras palavras, nelas é descrito tudo o que ocorreu e tudo o que ocorrerá na vida humana; por isso, nas manhãs de sexta-feira, ele fazia todos ouvirem essas suratas. Pela mesma razão, ele recitava a Surata Qaf, a Surata Al-Qamar, a Surata Al-A‘la e a Surata Al-Ghashiyah nas orações de sexta-feira e do Eid.
O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) frequentemente prolongava a recitação na oração do zuhr. Foi narrado no Sahih Muslim que Abu Sa‘id Al-Khudri (que Allah esteja satisfeito com ele) relatou: depois de ser feito o iqamah para o zuhr, se alguém fosse a Jannatul Baqi‘ para atender a uma necessidade natural, realizasse ali o que precisava, voltasse para casa, fizesse a ablução e retornasse, ainda conseguiria alcançar o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) na primeira rak‘ah. Às vezes, ele fazia uma recitação desse tipo, longa, na oração do zuhr. Algumas vezes, recitava no zuhr uma quantidade equivalente à da Surata As-Sajdah. Outras vezes, recitava as Suratas Al-A‘la e Al-Lail, ou as Suratas Al-Buruj e At-Tariq.
Na oração do asr, ele recitava aproximadamente metade do que recitava no zuhr. Às vezes, um pouco mais do que isso; em outras, um pouco menos.
No que diz respeito à recitação no maghrib, sua prática era diferente do que as pessoas de hoje fazem. Às vezes, ele realizava a oração do maghrib recitando a Surata Al-A‘raf; outras vezes, a Surata At-Tur; e, em outras ocasiões, a Surata Al-Mursalat. Ele dividia uma dessas suratas entre as duas rak‘ahs.
Abu Umar ibn Abd al-Barr, ao mencionar neste contexto uma narração sobre a prática do nobre Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), disse que ele, na oração do Maghrib, às vezes recitava a Surata al-A‘raf, às vezes a Surata as-Saffat, às vezes a Surata ad-Dukhan, às vezes a Surata al-A‘la, às vezes a Surata at-Tin, às vezes as duas protetoras — An-Nas e Al-Falaq — e às vezes a Surata al-Mursalat. Além disso, ele também realizava a oração do Maghrib recitando suratas curtas. Todas essas narrações alcançaram notoriedade por meio de cadeias autênticas. Entretanto, realizar sempre a oração do Maghrib com suratas curtas era uma prática de Marwan ibn Hakam [Marwan ibn Hakam foi o quarto califa omíada, ou seja: Muawiya (que Allah esteja satisfeito com ele) > Yazid > Muawiya ibn Yazid > Marwan ibn Hakam. Seu período de governo foi de 64 a 65 da Hégira. Foi por causa desse Marwan que ocorreu o martírio de Uthman]. Por isso, Zayd ibn Thabit o criticou. Malik disse: “Vocês realizam a oração do Maghrib apenas com suratas curtas, embora eu tenha visto o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) recitar uma das duas suratas longas, isto é, a Surata al-A‘raf.” Este é um hadith autêntico, narrado pelos compiladores das coleções de Sunan. O Imam an-Nasa’i narrou de Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela) que ela disse: “O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) recitou a Surata al-A‘raf na oração do Maghrib, dividindo-a em duas partes e recitando uma parte em cada uma das duas unidades.” Portanto, realizar sempre a oração do Maghrib apenas com versículos curtos e suratas curtas contraria a Sunnah. Essa foi a prática de Marwan ibn Hakam.
A última das cinco orações diárias é a oração do Isha. Encontra-se em uma narração que ele recitou a Surata at-Tin na oração do Isha. De acordo com outra narração, ele ordenou a Muadh ibn Jabal que recitasse, na oração do Isha, suratas como a Surata ash-Shams, a Surata al-A‘la e a Surata al-Layl. Além disso, quando Muadh foi à tribo de Amr ibn Awf, já tarde da noite, para conduzir a oração do Isha, ele o proibiu de conduzi-la recitando a Surata al-Baqarah.
O que aconteceu foi que Muadh (que Allah esteja satisfeito com ele) realizava a oração do Isha com o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Depois, ia à tribo de Amr ibn Awf e conduzia a oração do Isha para as pessoas que o aguardavam ali. Como já era muito tarde quando ele saía da mesquita do Profeta após a oração do Isha e chegava àquela tribo, ele realizava a oração atrás do Profeta como seguidor e, depois de chegar, voltava a conduzi-la como imam para aquelas pessoas. Entretanto, mesmo sendo tão tarde, ele recitava a Surata al-Baqarah na oração. Isso causava grande dificuldade aos trabalhadores que trabalhavam durante o dia. Quando o assunto chegou ao conhecimento do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), ele deu a Muadh (que Allah esteja satisfeito com ele) a instrução mencionada acima e proibiu-o de causar dificuldades às pessoas recitando longamente durante a noite.
Na oração de sexta-feira, ele recitava a Surata al-Jumu‘ah e a Surata al-Munafiqun. Às vezes, também recitava a Surata al-A‘la e a Surata al-Ghashiyah. Contudo, ele nunca conduzia a oração recitando apenas a parte final das duas primeiras suratas [a parte final tanto da Surata al-Jumu‘ah quanto da Surata al-Munafiqun começa com “Ó vós que credes”]. Isso também contraria sua prática habitual.
Na oração do Eid, ele recitava integralmente a Surata Qaf e a Surata al-Qamar. Às vezes, recitava a Surata al-A‘la e a Surata al-Ghashiyah. Ele fazia isso em ambos os Eids.
Esta é a orientação correta sobre que tipo de recitação ele fazia em cada oração até sua morte. Os Califas Bem-Guiados seguiram essa sua orientação.
Abu Bakr (que Allah esteja satisfeito com ele) concluía a Surata al-Baqarah na oração do Fajr. Como resultado, quando fazia a saudação final, já estava próximo o momento do nascer do sol. Certo dia, as pessoas chamaram sua atenção, dizendo: “Ó califa do Mensageiro de Allah! Já chegou o momento do nascer do sol?” Ele respondeu: “Não pensem que estou desatento quanto ao nascer do sol.” Umar (que Allah esteja satisfeito com ele) recitava, na oração do Fajr, a Surata Yusuf, a Surata an-Nahl, a Surata Hud, a Surata Bani Isra’il e outras suratas semelhantes.
Se a longa recitação que o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) fazia na oração do Fajr tivesse sido revogada, isso não teria permanecido oculto aos Califas Bem-Guiados nem aos críticos da longa recitação. Foi narrado no Sahih Muslim, por meio de Jabir ibn Samurah (que Allah esteja satisfeito com ele), que o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) recitava a Surata Qaf na oração do Fajr, e depois disso sua oração se tornava mais breve.” Aqui, “depois disso” significa depois do Fajr. Ou seja, sua recitação no Fajr era longa, e nas orações posteriores ao Fajr a recitação era abreviada. Uma prova disso é o relato de Umm al-Fadl, esposa de Abbas. Ao ouvir seu filho — filho de seu marido — Abdullah ibn Abbas recitando a Surata al-Mursalat em Arafat, ela perguntou: “Meu filho! Não me disseste que ouviste o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) recitar esta surata na última oração do Maghrib de sua vida?”
E, no hadith de Jabir e Samura, a palavra “depois” contém um pronome. O nome indicado por esse pronome está oculto ou subentendido.
Todos sabem que o pronome é sempre usado em lugar de um nome mencionado anteriormente. Portanto, aqui, “depois” deve ser entendido como depois do Fajr; não há outra possibilidade de entendimento.
Assim, o significado de “depois” no referido hadith é que o Mensageiro (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) fazia mais breve a recitação nas orações posteriores ao Fajr. Isso não significa que, a partir daquele dia, ele tenha abreviado a recitação de todas as orações. Se esse fosse o significado, isso não teria permanecido oculto aos Califas Bem-Guiados. Mesmo sabendo da prática revogadora do Mensageiro (que Allah o abençoe e lhe conceda paz), eles não teriam se contentado em seguir a prática revogada.
A declaração do Mensageiro de Allah sobre tornar breve a recitação é: “Quando algum de vós dirigir a oração, que torne breve a recitação.” E há também a narração de Anas: “O Mensageiro de Allah adotava o princípio de tornar breve a recitação em todas as orações.” O critério para compreender ambas as declarações deve ser a própria prática do Mensageiro de Allah. Isto é, o modo concreto de tornar breve mencionado nesses dois hadiths era a prática efetiva do Mensageiro de Allah na recitação, que temos apresentado até agora.
Não há possibilidade de adotar, a partir dessas duas declarações, uma interpretação contrária à prática efetiva do Mensageiro (que Allah o abençoe e lhe conceda paz). Pois não é possível que ele fizesse uma coisa e dissesse outra. Sem dúvida, ele falou de tornar a recitação tão breve quanto a que ele próprio fazia. Todos também sabem que, atrás dele, rezavam idosos, pessoas fracas e pessoas ocupadas com diversas necessidades.
A solução para a divergência acerca da recitação longa e breve pode ser que, no início, ele recitasse porções muito longas e, posteriormente, as tornasse um pouco mais breves, recitando porções menos extensas. Há evidências a favor dessa solução. O imã An-Nasa’i e outros imãs do hadith narraram de Abdullah ibn Umar (que Allah esteja satisfeito com ele) que ele disse: “O Mensageiro de Allah nos dizia para tornar breve a recitação e dirigia nossa oração recitando a surata As-Saffat.” Portanto, o exemplo de recitação breve é a surata As-Saffat. (E Allah sabe melhor.)
O Mensageiro de Allah não costumava especificar uma surata para uma determinada oração e recitar somente essa surata nela. A oração de sexta-feira e as orações dos dois Eids são exceções. Amr ibn Shuayb narrou por intermédio de seu pai e de seu avô. Seu avô disse: “Não há surata, pequena ou grande, que o Mensageiro (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) não tenha recitado ao dirigir uma oração obrigatória.” O hadith foi narrado por Abu Dawud.
O Mensageiro de Allah recitava uma surata completa em uma oração. Às vezes, recitava uma surata completa em uma rak‘ah; outras vezes, dividia uma surata entre duas rak‘ahs. Em algumas ocasiões, recitava a primeira parte de uma surata. Porém, não há evidência de que tenha recitado a parte intermediária ou a parte final de alguma surata.
Ele recitou duas suratas na mesma rak‘ah das orações voluntárias. Porém, não há prova de que tenha recitado duas suratas em uma única rak‘ah das orações obrigatórias.
Abdullah ibn Abbas (que Allah esteja satisfeito com ele) narrou que o Mensageiro de Allah (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) recitava duas suratas em cada rak‘ah; trata-se de uma afirmação geral. Não se especifica aqui se ele fez isso nas orações obrigatórias ou nas orações voluntárias.
Na narração mencionada por Abu Dawud, transmitida por um homem da tribo de Juhaynah, ele diz: “Ouvi o Mensageiro de Allah (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) recitar a Surata Az-Zalzalah nas duas rak‘ahs da oração do Fajr.” Porém, depois de dizer isso, o mesmo homem acrescenta: “Não sei se ele recitou a Surata Az-Zalzalah nas duas rak‘ahs por engano ou intencionalmente.”
O Mensageiro de Allah (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) prolongava a recitação da primeira rak‘ah em comparação com a segunda. Fazia isso em todas as orações, inclusive na do Fajr. Às vezes, prolongava a primeira rak‘ah até que cessasse o som dos passos dos fiéis que chegavam à mesquita. Ou seja, prolongava-a até que todos os fiéis chegassem e alcançassem a primeira rak‘ah.
Ele prolongava a recitação da oração do Fajr mais do que a das outras orações. Pode haver várias razões para prolongar a oração do Fajr:
a. Porque os anjos estão presentes na recitação do Alcorão durante o Fajr. Nesse momento, reúnem-se os anjos da noite e os do dia, pois esse é o horário da troca de turno deles.
b. Porque o número de rak‘ahs na oração do Fajr é pequeno.
c. Porque os muçulmanos precisam levantar-se do sono e do descanso para participar da oração do Fajr.
d. Como, logo após essa oração, os muçulmanos saem por um longo período para trabalhar e ganhar o sustento, para que a influência do Alcorão permaneça entre eles durante bastante tempo.
e. Como, nesse momento, a mente das pessoas está tranquila e elas têm a oportunidade de ouvir, compreender e refletir sobre o Alcorão com atenção.
f. Como esta é a primeira adoração do dia, ele lhe atribuía maior importância e desejava alcançar, por meio dela, muitas recompensas e bênçãos logo no início do dia.
Para as pessoas sábias, não há dificuldade alguma em compreender essas sabedorias, significados e verdades profundas da Sharia.
A maneira como ele fazia o rukū‘
Depois de concluir a recitação, o Mensageiro de Allah (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) permanecia em silêncio por algum tempo, recuperando o fôlego e tranquilizando-se. Em seguida, fazia o raf‘ al-yadayn, como no momento do takbīrat al-taḥrīmah, e descia para o rukū‘ dizendo “Allāhu akbar”.
Ao chegar ao rukū‘, colocava as duas mãos sobre os joelhos, como se os agarrasse. Mantinha os dois braços afastados das costelas, deixando espaço entre eles e o corpo. Estendia e mantinha as costas retas. Mantinha a cabeça alinhada com as costas, sem elevá-la nem baixá-la.
Ao fazer o rukū‘, ele recitava o tasbīḥ com estas palavras: (Árabe***************)
Às vezes, acrescentava e recitava também o seguinte tasbih: (Árabe******************)
Significado (de ambas as frases): Meu Senhor é santo e exaltado, livre de todas as falhas e fraquezas. Tu és santo, ó Allah, livre de todas as falhas e fraquezas! Todo louvor pertence a Ti, ó nosso Senhor. Ó Allah, perdoa-me.“
Ele permanecia no rukū‘ por tanto tempo que seria possível recitar o tasbih mencionado acima cerca de dez vezes. Na sajdah, permanecia igualmente por esse tempo. A declaração de Bara ibn Azib (r.a.) neste assunto causou certa confusão. Ele relatou: “Até a morte do Rasulullah (s.a.w.), rezei atrás dele. A duração de seu qiyam e de seu rukū‘ era igual. A sajdah e a sessão entre as duas sajdahs também duravam aproximadamente o mesmo tempo.”
A partir dessa declaração, algumas pessoas entenderam que o qiyam e o rukū‘ do Rasulullah (s.a.w.) tinham a mesma duração, e que a sajdah também era igualmente longa. Na realidade, não há fundamento para esse entendimento. Pois a duração de sua recitação está comprovada. Na oração do fajr, ele recitava cem versículos, ou algo um pouco acima ou abaixo disso. Já mencionei anteriormente o hadith sobre sua recitação no maghrib: ele recitava, na oração do maghrib, a Surata al-A‘raf, a Surata Tur e a Surata al-Mursalat. Mas todos sabem que ele não permanecia por tanto tempo no rukū‘ e na sajdah.
A prova disso é o hadith de Anas, narrado nas coleções Sunan (entre os seis livros autênticos de hadith, os quatro restantes, além de Bukhari e Muslim, são chamados Sunan ou Sunan al-Arba‘ah). Nele, Anas (r.a.) disse: “Depois do Rasulullah (s.a.w.), não rezei atrás de ninguém cuja oração se assemelhasse à dele, exceto atrás deste jovem (isto é, Umar ibn Abd al-Aziz).” O narrador disse: “Recitei o tasbih dez vezes tanto no rukū‘ quanto na sajdah de Umar ibn Abd al-Aziz.”
Além disso, há como prova o hadith narrado por Anas (r.a.), no qual ele disse que, quando o Rasulullah (s.a.w.) nos conduzia na oração, recitava a Surata as-Saffat.“
Somente Allah sabe agora qual é o significado da declaração de Bara ibn Azib (r.a.). (Em nossa opinião, na declaração de Hazrat Bara ibn Azib — “A duração de seu qiyam e de seu rukū‘ era igual” — qiyam significa o qiyam depois do rukū‘ e antes de descer para a sajdah.)
Havia naturalidade e equilíbrio entre as diferentes partes da oração do Rasulullah (s.a.w.). Quando ele prolongava o qiyam (a recitação), naturalmente prolongava também o rukū‘ e a sajdah. E, quando encurtava o qiyam, encurtava também o rukū‘ e a sajdah.
Na oração noturna (isto é, nas orações de tahajjud e nas orações nafl), às vezes ele prolongava o rukū‘ e a prostração pelo mesmo tempo que permanecia em pé. Na oração do eclipse solar, também fazia quase o mesmo.
Ele dava importância à manutenção do equilíbrio e da naturalidade entre os diversos movimentos e partes da oração. A orientação recebida dele sobre esse assunto é, portanto, a que foi descrita acima.
Nas orações noturnas (tahajjud e outras orações nafl), durante o rukū‘, ele também recitava as seguintes súplicas e tasbīḥs:(Árabe****)
Significado: Tu és supremamente puro e santo, livre de toda fraqueza, defeito e incapacidade, Senhor de todos os anjos e de Jibril.”
(Árabe******************)
Significado: Meu Senhor, inclinei minha cabeça diante de Ti, acreditei em Ti, entreguei-me a Ti e confiei em Ti. Tu és o meu Senhor. Meus ouvidos, meus olhos, meu cérebro, meus ossos, minhas veias e artérias submeteram-se humildemente a Ti. Cada vez que meus pés se elevam e cada vez que descem, elevam-se e descem apenas para buscar a satisfação de Alá, o Senhor dos mundos.”
Levantar-se do rukū‘
Em seguida, ele levantava a cabeça do rukū‘ e permanecia de pé, ereto. Ao levantar a cabeça do rukū‘, ele:
1. Fazia raf‘ al-yadayn (elevava as duas mãos).
2. E recitava o seguinte tasbih: (Árabe*******)
Significado: Allah ouviu quem O louvou?
Nessa ocasião, juntamente com as duas ocasiões mencionadas anteriormente, ele fazia raf‘ al-yadayn em três momentos ao todo. [Isto é, no momento do takbirat al-tahrimah, ao dirigir-se para o rukū‘ e ao levantar a cabeça do rukū‘. Mais adiante, será mencionado outro raf‘ al-yadayn.]
Cerca de trinta Companheiros transmitiram do Mensageiro de Allah (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) que ele fazia raf‘ al-yadayn nesses três momentos, e não há nenhuma prova em contrário. Durante toda a sua vida, até à morte, ele rezou dessa maneira.
O hadith sobre este assunto, transmitido por al-Barā’ ibn ‘Āzib, não é autêntico. Na realidade, o Mensageiro de Allah (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) nunca abandonou essa prática nem voltou atrás em relação a ela.
O abandono do raf‘ al-yadayn por Ibn Mas‘ūd (que Allah esteja satisfeito com ele) não ocorreu porque ele tivesse tomado conhecimento disso através do Mensageiro de Allah (que Allah o abençoe e lhe conceda paz). Na verdade, ele não se opôs ao raf‘ al-yadayn, nem fez algo contrário a ele. A questão é que, naquela época, os emires e governantes chegavam atrasados para a oração. Por isso, ele rezava em casa, sem adhan nem iqamah. Nessa ocasião, dois seguidores ficavam de pé, um de cada lado dele. Em vez de se posicionar à frente deles como imam, ele ficava entre os dois, alinhado com eles. Como isso dificultava a realização do raf‘ al-yadayn, ele não o fazia.
Contudo, existem numerosos hadiths autênticos que contradizem essa sua prática. Apesar de existirem tantos hadiths autênticos, decisivos e comprovados pela prática, transmitidos do Mensageiro de Allah (que Allah o abençoe e lhe conceda paz), sobre o raf‘ al-yadayn, como se pode abandoná-lo? Isso é inimaginável. Que Allah Todo-Poderoso conceda a todos nós a capacidade de seguir a prática do Mensageiro de Allah (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) — amém. Ele se levantava do rukū‘ endireitando a coluna. Ele disse: (Árabe********************)
Significado: Não há validade para aquela oração em que o orante não se levanta, endireitando a coluna, depois do rukūʿ e do sujūd, nem se senta.” (Ṣaḥīḥ Ibn Khuzaymah)
O que ele dizia ao se levantar do rukūʿ?
Quando ele se levantava do rukūʿ e ficava completamente ereto, dizia:
ربنا ولك الحمدàs vezes dizia:ربنا لك الحمدe outras vezes dizia:اللهم ربنا لك الحمد
Significado: Ó Allah, nosso Senhor! Todo louvor pertence somente a Ti.”
Estas três fórmulas foram narradas autenticamente do Mensageiro de Allah. No entanto, não é correto dizer:اللهم ربنا ولك الحمدporque ele não acrescentava a conjunção «wa» à mesma fórmula depois de «Allahumma». O qiyām que o Mensageiro de Allah fazia depois de se levantar do rukūʿ e ficar completamente ereto era, em duração, tão longo quanto o seu rukūʿ e o seu sujūd. Foi narrado em um hadith autêntico que, ao se levantar do rukūʿ, o Mensageiro de Allah às vezes fazia esta súplica:
(Árabe*****************)
Significado: Allah ouve (e aceita) as palavras daquele que O louva. Nosso Senhor, todo louvor pertence somente a Ti. Teu é o louvor que preenche o universo. Teu é o louvor que preenche a Terra. E, além disso, Teu é o louvor que preenche tudo o que Tu desejas. Tu és o mais digno e o mais merecedor de receber tudo o que Teu servo diz em termos de louvor, elogio e exaltação. Todos nós somos Teus servos. Meu Allah, ninguém pode impedir aquilo que Tu desejas conceder, e ninguém tem poder para conceder aquilo que Tu não desejas conceder. O poder de uma pessoa poderosa e a riqueza de uma pessoa abastada não lhe serão úteis diante de Ti.”
Foi narrado por uma cadeia autêntica que, na posição de pé após a inclinação, ele também fazia esta súplica:
(Árabe*****************)
Significado: Ó Allah! Lava-me e purifica-me dos meus erros com água, gelo e coisas frias. Liberta-me dos meus pecados assim como se remove a sujeira de uma roupa branca, tornando-a imaculada. Cria entre mim e os meus pecados a mesma distância que criaste entre o nascente e o poente.”
Além disso, durante a posição de pé após a inclinação, ele repetia muitas vezes também as seguintes palavras:(Árabe*****************)
Significado: Todo louvor pertence ao meu Senhor, todo louvor pertence ao meu Mestre…..
Desse modo, sua posição de pé tornava-se tão longa quanto a inclinação. Depois de levantar a cabeça da inclinação, ele permanecia de pé por tanto tempo que as pessoas diziam umas às outras: talvez ele tenha esquecido.
Foi narrado no Sahih Muslim, por Anas (r.a.), que, quando o Mensageiro de Allah (s.a.w.) se levantava da inclinação dizendo “Sami‘a Allahu liman hamidah”, permanecia de pé por tanto tempo que dizíamos: talvez ele tenha ficado em dúvida. Depois, prostrava-se. Em seguida, permanecia sentado entre as duas prostrações por tanto tempo que dizíamos: talvez ele tenha esquecido.”
Foi narrado por uma cadeia autêntica que, na oração do eclipse solar, ele prolongava tanto essa posição de pé após a inclinação que ela durava quase o mesmo que a inclinação. E essa inclinação durava tanto quanto a posição de pé anterior à inclinação.
Estas são as afirmações comprovadas transmitidas pelo Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) sobre o rukū‘ e o qiyām após o rukū‘. Não há nenhuma contradição com elas, nem qualquer afirmação que lhes seja contrária. Não existe tal afirmação em nenhuma fonte.
Resta o hadith narrado por al-Barā’ ibn ‘Āzib (que Allah esteja satisfeito com ele). No Sahih al-Bukhari, o hadith narrado por al-Barā’ ibn ‘Āzib (que Allah esteja satisfeito com ele) a esse respeito afirma: “O rukū‘ e o sujūd do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), bem como o seu julūs e qiyām (sentar-se e levantar-se), tinham duração aproximadamente igual.”
Contudo, o qiyām para a recitação e o julūs para o tashahhud são exceções a isso. Isso porque há dois tipos de qiyām (ficar de pé) e dois tipos de julūs (sentar-se) na oração. Ao afirmar que o rukū‘, o sujūd, o qiyām e o julūs do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) tinham duração igual, al-Barā’ (que Allah esteja satisfeito com ele) referia-se ao qiyām após o rukū‘ e ao julūs entre as duas prostrações. Ao se compreender assim a afirmação dele, ela não entra em contradição com os demais hadiths autênticos. Isso porque é claro e comprovado que o qiyām do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) e o julūs do tashahhud eram mais longos que os demais arqān da oração.
Nosso mestre (o Imam Ibn Taymiyyah) disse que os governantes dos Banū Umayyah encurtaram esses dois pilares da oração. Dessa forma, interferiram em vários outros aspectos da oração e criaram diversos tipos de bid‘ah. Por exemplo, não completar o takbīr e atrasar muito a oração, entre outras coisas. Chegaram até mesmo a considerar sunnah essas bid‘ahs que eles próprios haviam criado.
O modo como ele ia para o sujūd
Depois de concluir tranquilamente o qiyām (após o rukū‘), o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) dizia “Allāhu Akbar” e se lançava ao sujūd. Nesse momento, ele não fazia raf‘ al-yadayn.
Contudo, foi narrado que ele também fazia raf‘ al-yadayn nesse momento. Ibn Hazm (que Allah tenha misericórdia dele) e outros consideraram autêntica essa narração. Na realidade, trata-se de uma afirmação baseada em suposição. O fato é que o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) não fazia raf‘ al-yadayn ao ir para o sujūd. Devido ao erro do rāwī (narrador do hadith), criou-se a falsa impressão de que ele fazia raf‘ al-yadayn nessa ocasião. E Allah sabe melhor.
Ao ir para o sujūd, o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) colocava os joelhos no chão antes das mãos. Depois, colocava as duas mãos, em seguida a testa e, por fim, o nariz.
As mãos vêm primeiro ou os joelhos?
Foi narrado por uma fonte autêntica que ele colocava os joelhos antes das mãos. O hadith foi narrado por Sharik, de Asim ibn Kulayb, de seu pai, de Wa’il ibn Hujr (que Allah esteja satisfeito com ele). Wa’il (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: “Vi o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), quando se prostrava, colocar os dois joelhos antes das duas mãos. Quando se levantava da prostração, levantava as duas mãos antes dos dois joelhos.” [Veja Tirmidhi, capítulo da oração]
Não foi visto fazendo o contrário disso.
Um hadith marfu narrado por Abu Huraira (que Allah esteja satisfeito com ele) gerou uma contradição neste assunto. O hadith diz: “Quando qualquer um de vocês for se prostrar, que não se sente como um camelo; que coloque as duas mãos antes dos dois joelhos.” [Veja Abu Dawud]
Allah sabe melhor sobre este hadith. Contudo, é provável que alguma afirmação imaginada tenha sido introduzida nele por algum narrador. Além disso, sua primeira parte é incoerente com a segunda. Se as mãos forem colocadas antes dos joelhos, então a pessoa estará se sentando como um camelo. Isso porque o camelo coloca primeiro as duas mãos, não os joelhos.
Quando os defensores de colocar as mãos antes dos joelhos souberam que o camelo estende primeiro as mãos, antes dos joelhos, eles deram a explicação de que os joelhos do camelo ficam nas próprias mãos, e não nas patas. Na realidade, as palavras dessas pessoas não são aceitáveis por várias razões:
Primeiro: quando o camelo se senta, ele estende primeiro as duas mãos, enquanto as duas patas permanecem erguidas. E, quando se levanta da posição sentada, suas duas patas se levantam primeiro, enquanto as duas mãos ainda permanecem no chão.
Foi justamente por seguir esse método que o Mensageiro (que a paz esteja sobre ele) proibiu, conforme o hadith, e ele fez o contrário disso.
O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) colocava primeiro no chão o membro que estivesse mais próximo dele e que naturalmente tocasse o solo primeiro. Ao se levantar, erguia um após o outro os mesmos membros que havia colocado primeiro: primeiro os dois joelhos, depois as duas mãos e, em seguida, a testa. Ao se levantar da prostração, levantava primeiro a cabeça, depois as duas mãos e, por fim, os dois joelhos.
Esse é o oposto da maneira como o camelo se senta. Dessa forma, o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) proibiu imitar os animais; proibiu estender as mãos no chão como os animais predadores; proibiu estender os braços como um cão; e proibiu bicar como um corvo. Além disso, proibiu levantar as mãos durante a saudação como a cauda de um cavalo.
É espantoso que os dois tenham dito: “Os joelhos do camelo ficam nas mãos do camelo.” Nenhum linguista poderia compreender esse significado nem aceitá-lo, pois os joelhos não ficam nas mãos, mas nas pernas; isso é universalmente conhecido.
Se ele realmente tivesse relatado que o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse para colocar as mãos antes dos joelhos, então teria dito: “Sentem-se como um camelo e coloquem as mãos antes dos joelhos.” Só então a afirmação seria coerente.
Penso que o texto deste hadith narrado por Abu Hurayrah (que Allah esteja satisfeito com ele) estava originalmente correto. A princípio, o hadith provavelmente dizia: “Que ele coloque os dois joelhos antes das duas mãos.” Posteriormente, os narradores acabaram confundindo o texto, como ocorreu também com vários outros hadiths. Um exemplo é o hadith de Ibn Umar (que Allah esteja satisfeito com ele) sobre a refeição do suhur. Nele, ele narrou do Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele): “Bilal faz o chamado para a oração durante a noite. Portanto, continuem comendo e bebendo mesmo depois de seu chamado, até que Ibn Umm Maktum faça o chamado para a oração.” Aqui, alguns narradores posteriores mencionaram Ibn Umm Maktum no lugar de Bilal, e Bilal no lugar de Ibn Umm Maktum. Em outro hadith, um narrador posterior confundiu as coisas, mencionando o Inferno no lugar do Paraíso e o Paraíso no lugar do Inferno.
Assim, parece que, neste hadith, algum narrador posterior mencionou os joelhos no lugar das mãos e as mãos no lugar dos joelhos. A solução para o problema está na maneira como o camelo se ajoelha. Neste caso, o hadith de Wa’il ibn Hujr está correto.
Há ainda outra narração, do próprio Abu Hurayrah (que Allah esteja satisfeito com ele), em favor de colocar primeiro os joelhos. Abu Bakr ibn Abi Shaybah, por meio de Muhammad ibn Fudayl, de Abdullah ibn Sa’id, de seu avô, de Abu Hurayrah (que Allah esteja satisfeito com ele), narrou um hadith do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: “Quando algum de vós for prostrar-se, que coloque os joelhos antes das mãos. Que não se sente como um camelo.”
Al-Athram narrou este hadith, com uma cadeia autêntica, de Abu Hurayrah (que Allah esteja satisfeito com ele), em sua obra Sunan.
Este hadith coincide exatamente com o hadith narrado por Wā’il ibn Hujr. Vejamos outro hadith semelhante:
Ibn Khuzaymah citou, em sua coletânea de hadiths autênticos, um hadith transmitido por Mus‘ab ibn Sa‘d. Mus‘ab o narrou, tendo-o ouvido de seu pai, Sa‘d (que Allah esteja satisfeito com ele), que disse: Nós colocávamos as mãos antes dos joelhos. Ao ver isso, o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) ordenou-nos que colocássemos os joelhos antes das mãos.”
Nesse caso, mesmo que não tenha ocorrido confusão na transmissão do primeiro hadith de Abu Hurayrah (que Allah esteja satisfeito com ele), ele ainda assim foi ab-rogado. Essa é a opinião do imām Ibn Qudāmah, autor de Al-Mughnī, e de outros especialistas em hadith.
Além disso, há mais duas razões pelas quais o hadith é inaceitável. São elas:
Primeiro. Na cadeia de transmissão do hadith há um narrador chamado Yaḥyā ibn Salamah ibn Kuhayl. Ele não é confiável. O imām al-Nasā’ī afirmou que esse homem deve ser abandonado como narrador (matrūk). Ibn Ḥibbān disse que ele é extremamente fraco e inapto como narrador (munkar), não podendo de modo algum ser considerado confiável. Ibn Ma‘īn chegou a rejeitar completamente sua condição de narrador.
Segundo. O hadith narrado por Mus‘ab ibn Sa‘d, de seu pai Sa‘d, pode ser aceito como um hadith conciliador nesta questão. O hadith também é confiável. Nesse hadith, Sa‘d (que Allah esteja satisfeito com ele) diz: Nós fazíamos daquela maneira; então o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) ordenou-nos que colocássemos as mãos sobre os joelhos.” E o autor de Al-Mughnī (o imām Ibn Qudāmah) [menciona] o hadith: Nós colocávamos as mãos antes dos joelhos. Ao ver isso, o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) ordenou-nos que colocássemos os joelhos antes das mãos.”
Também nesta transmissão, um dos narradores confundiu os dois nomes, Sa‘d e Abū Sa‘īd. Embora haja confusão quanto ao nome do Companheiro na cadeia de transmissão deste hadith, o conteúdo principal do hadith (matn) está correto. Portanto, este hadith pode ser aceito como conciliador nesta questão sobre colocar primeiro as mãos ou os joelhos. Ou seja,
—No início, os Companheiros colocavam primeiro as mãos.
—Depois, o Mensageiro (que a paz esteja com ele) ordenou que se colocassem primeiro os joelhos.
Além disso, o isnad do primeiro hadith de Abu Huraira não foi considerado autêntico pelo imã al-Bukhari, pelo imã al-Tirmidhi, por ad-Daraqutni nem por Abu Hatim.
Vejamos agora qual era a prática dos ilustres Companheiros a respeito disso. Os renomados especialistas em hadith Abd ar-Razzaq e Ibn al-Mundhir mencionaram, em suas coletâneas de hadith, por intermédio de Abdullah ibn Masud (que Allah esteja satisfeito com ele), que Umar (que Allah esteja satisfeito com ele) sempre colocava os joelhos no chão antes das mãos.
O imã at-Tahawi narrou de Fahad; este, de Umar ibn Hafs; e este, de Alqama e al-Aswad, alunos de Abdullah ibn Masud. Ambos disseram: “Gravamos em nosso conhecimento que Umar ibn al-Khattab (que Allah esteja satisfeito com ele), depois do rukūʿ, inclinava-se apoiando-se sobre os joelhos, como um camelo, e colocava os joelhos antes das mãos.”
O imã at-Tahawi também mencionou, por intermédio de Hajjaj ibn Arta, esta declaração de Ibrahim an-Nakha’i: quando Abdullah ibn Masud ia para a prostração, colocava os joelhos no chão antes das mãos. O imã at-Tahawi também mencionou outra narração, de Abu Marzuq; este, de Wahb; este, de Shu’ba; e este, de al-Mughira. Al-Mughira disse: “Perguntei a Ibrahim an-Nakha’i sobre um homem que, ao ir para a prostração, coloca as mãos no chão antes dos joelhos. Ele respondeu: ‘Alguém faz isso além de um tolo ou de um louco?’”
Ibn al-Mundhir disse que há divergência entre os sábios sobre se devem ser colocadas primeiro as mãos ou os joelhos. Entre os que defendem que os joelhos devem ser colocados antes das mãos estão Umar ibn al-Khattab (que Allah esteja satisfeito com ele), Ibrahim an-Nakha’i, Muslim ibn Yasar, Sufyan ath-Thawri, ash-Shafi’i, Ahmad ibn Hanbal, Ishaq ibn Rahwayh, Abu Hanifa e seus discípulos, além dos habitantes de Kufa.
Por outro lado, entre os que defendem que as mãos devem ser colocadas antes dos joelhos estão Malik e al-Awza’i. Eles disseram: “Vimos as pessoas colocarem as mãos antes dos joelhos.” Essa também é a opinião dos ahl al-hadith.
No livro de al-Bayhaqi, o hadith de Abu Huraira (que Allah esteja satisfeito com ele) foi citado com uma redação um pouco diferente. Ali, o hadith é narrado assim: “Quando algum de vocês se prostrar, não deve se jogar como um camelo. Em vez disso, deve colocar as mãos sobre os joelhos.”
Al-Bayhaqi disse: se o hadith tiver sido preservado e permanecer íntegro (mahfuz), então ele constitui uma prova a favor de colocar as mãos antes dos joelhos ao prostrar-se. Contudo, por algumas razões, é preferível aceitar o hadith narrado por Wa’il ibn Hujr (isto é, o hadith sobre colocar os joelhos antes das mãos). As razões são as seguintes:
1. O ato de colocar os joelhos antes das mãos é comprovado por outros hadiths narrados por Abu Hurayra (r.a.). Assim disseram destacados especialistas em hadith, entre eles Al-Khattabi.
2. O texto principal (matn) deste hadith narrado por Abu Hurayra (r.a.) apresenta bastante confusão. É possível observar divergências no texto transmitido por diferentes cadeias de transmissão. Às vezes, afirma-se: “Que coloque as mãos antes dos joelhos.” Outras vezes, afirma-se: “Que coloque os joelhos antes das mãos.” Em algumas versões, parte do texto principal foi omitida.
3. Grandes especialistas em hadith, como o Imam al-Bukhari e Al-Daraqutni, classificaram como defeituosa a cadeia de transmissão do hadith de Abu Hurayra (r.a.) sobre colocar as mãos antes dos joelhos.
4. Um grupo de pessoas de conhecimento considera que a narração sobre colocar as mãos antes dos joelhos foi ab-rogada (mansukh). Ibn al-Mundhir disse que muitos consideram essa narração anulada.
5. Como o Mensageiro de Allah (s.a.w.) proibiu lançar-se em prostração como um camelo, a narração de Wa’il ibn Hujr também é preferível por evitar o modo de proceder do camelo.
6. As evidências encontradas sobre as práticas dos grandes Companheiros também favorecem colocar os joelhos antes das mãos. Umar, Abdullah ibn Umar e Abdullah ibn Mas’ud (que Allah esteja satisfeito com eles) colocavam os joelhos antes das mãos. Não há prova de que qualquer um deles tenha praticado de modo semelhante à narração de Abu Hurayra (r.a.). Há apenas uma opinião divergente segundo a qual Umar (r.a.) teria feito isso ocasionalmente.
7. Em apoio ao hadith narrado por Wa’il ibn Hujr (r.a.), há também hadiths narrados por Abdullah ibn Umar (r.a.) e Anas (r.a.). Entretanto, não há nenhum hadith narrado por outro Companheiro em apoio à narração de Abu Hurayra (r.a.).
8. A maioria das pessoas segue o hadith narrado por Wā’il ibn Hujr (que Allah esteja satisfeito com ele). Já o hadith narrado por Abū Hurayra (que Allah esteja satisfeito com ele) foi seguido apenas pelo imame al-Awzāʿī e pelo imame Mālik. Quando Abū Dāwūd disse que os seguidores do hadith seguem o hadith de Abū Hurayra, quis dizer alguns dos seguidores do hadith. Isso porque o imame Aḥmad ibn Ḥanbal, o imame al-Shāfiʿī e o imame Isḥāq não seguiram esse hadith.
9. O hadith de Abū Hurayra (que Allah esteja satisfeito com ele) é um hadith qawlī (baseado em palavras). Já o hadith de Wā’il ibn Hujr (que Allah esteja satisfeito com ele) é um hadith fiʿlī (baseado na descrição das ações do Mensageiro de Allah, que Allah o abençoe e lhe conceda paz). Os hadiths fiʿlī são mais maḥfūẓ (preservados e não adulterados) do que os hadiths qawlī. Portanto, também sob esse aspecto, a narração de Wā’il ibn Hujr (que Allah esteja satisfeito com ele) é preferível.
10. A descrição prática (fiʿlī) feita por Wā’il ibn Hujr (que Allah esteja satisfeito com ele) sobre como o Mensageiro de Allah (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) descia para a prostração também é comprovada por outras narrações autênticas. Todas as narrações comprovadas e autênticas sobre o processo e o modo prático da oração do Mensageiro de Allah (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) são fiʿlī. Esta também é uma delas; portanto, esta narração deve ser aceita como fundamento da norma relacionada a esse assunto. Não há argumento sólido para dar preferência à narração contrária em detrimento desta. Essa é a nossa compreensão e conclusão. Contudo, o verdadeiro conhecimento está somente com Allah.
Sobre o que ele fazia a prostração?
O Mensageiro de Allah (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) fazia a prostração, na maior parte das vezes, sobre o chão. Algumas vezes, fazia-a sobre água, lama, uma esteira de folhas de tamareira, uma almofada de fibras de tamareira e couro seco.
Como ele fazia a prostração?
O Mensageiro de Allah (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) fazia a prostração com a testa e o nariz no chão. Ele fazia a prostração com a testa descoberta, não com a testa coberta pelo turbante. Não há nenhuma prova em hadith autêntico de que ele fizesse a prostração com a testa coberta pelo turbante. Nem mesmo há prova disso em qualquer hadith hasan.
No entanto, ʿAbd al-Razzāq mencionou em sua obra al-Muṣannaf uma narração de Abū Hurayra (que Allah esteja satisfeito com ele). Nela, ele disse que o Mensageiro de Allah (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) fazia a prostração sobre a volta do turbante.
Um dos que transmitiram este hadith é Abdullah ibn Muharraz. Como narrador de hadith, esse homem não é confiável e é rejeitado (matruk).
Abu Ahmad também narrou um hadith semelhante através de Jābir (que Allah esteja satisfeito com ele). Na cadeia de transmissão deste hadith encontram-se duas pessoas chamadas Amr ibn Shohr e Jābir al-Ja‘fī. Ambos são indignos de confiança e rejeitados (matruk). O hadith foi transmitido por uma pessoa rejeitada de outra pessoa rejeitada. Portanto, este também não é aceitável.
O conteúdo de um hadith narrado nos Marāsīl de Abu Dawud é o seguinte: certo dia, o Mensageiro de Allah (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) viu um homem rezando em sua mesquita. O homem estava prostrado com um turbante cobrindo-lhe a testa. Então, o Mensageiro de Allah (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) retirou o turbante de sua testa. ‘
Quando ele se prostrava, firmava a testa e o nariz no chão. Mantinha os dois braços afastados, deixando as axilas descobertas. Ele os afastava tanto que era possível ver a brancura das axilas. Se quisesse, um pequeno cabrito poderia passar correndo pelo espaço entre os dois braços. (Bukhari e Muslim)
Durante a prostração, ele colocava as palmas das duas mãos alinhadas ora com o pescoço, ora com as orelhas.
Um hadith foi narrado no Sahih Muslim por Al-Barā’ (que Allah esteja satisfeito com ele). Ele disse: o Mensageiro de Allah (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) disse: “Quando te prostrares, coloca as duas palmas das mãos no chão e mantém os dois cotovelos levantados.”‘
Ao prostrar-se, ele mantinha as costas retas. Mantinha as pontas dos dedos dos dois pés, dobradas, voltadas para a qibla. Mantinha as palmas das mãos e os dedos estendidos, mas não os mantinha completamente unidos nem muito afastados.
Ibn Hibban narrou em sua coletânea de hadiths Sahih: “Quando o Mensageiro de Allah (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) fazia o rukū‘, mantinha os dedos das mãos separados; quando se prostrava, mantinha-os unidos.”‘
Assim, ele colocava os joelhos, as palmas das mãos, a parte dianteira dos pés, a testa e o nariz no chão com itmi’nan (serenidade), mantendo as costas retas durante a prostração.
O que ele dizia durante a prostração?
O Mensageiro de Allah (que a paz esteja sobre ele) pronunciava diversos tasbihs e também fazia súplicas durante a prostração. É sabido por fontes autênticas que ele fazia diferentes tipos de tasbih e súplicas. Às vezes, recitava este tasbih:
سبحان ربي الاعلى Significado: Meu Senhor Supremo é puro e livre de toda imperfeição.
-Ele próprio recitava este tasbih e ordenava aos Companheiros que o recitassem. Às vezes, recitava o seguinte tasbih:
(Árabe***************) Significado: Ó Allah, nosso Senhor! Tu és glorificado e livre de toda imperfeição; louvado sejas. Ó Allah, perdoa-me.”
Às vezes, fazia este tasbih: (Árabe***********)
Significado: Tu és Imensamente Santo e livre de toda imperfeição, Senhor de Jibril e de todos os anjos.”
Às vezes, recitava este tasbih: (Árabe******************)
Às vezes, recitava: (Árabe************************)
Significado: Ó Allah! Busco, obtendo a Tua satisfação, proteção contra a Tua ira. Busco, por meio do Teu perdão, proteção contra o Teu castigo. Pela Tua Essência, busco refúgio em Ti. Sou incapaz de Te louvar como Tu mesmo Te louvaste, ó meu Senhor!”
Às vezes, fazia esta súplica: (Árabe*********************)
Significado: Meu Allah! Para Ti fiz a prostração. Em Ti acreditei. E a Ti me submeti. Tu és o meu Dono e Senhor. Meu rosto está prostrado diante Daquele que o criou, lhe deu a melhor forma e lhe concedeu a audição e a visão, dando-lhe olhos e ouvidos. Tu és o melhor dos Criadores, ó Allah; grandemente abençoado é o Teu nome.” (Sahih Muslim)
Às vezes, ao prostrar-se, pedia perdão dizendo: (Árabe************)
Significado: Ó Allah! Perdoa todos os meus pecados, os anteriores e os posteriores, os primeiros e os últimos, os manifestos e os ocultos.” (Muslim)
Às vezes, fazia esta súplica: (Árabe*******************)
Significado: Ó Allah! Perdoa todos os meus erros, a minha ignorância e os meus excessos — os quais Tu conheces melhor do que eu. Meu Allah! Perdoa todas as minhas transgressões, incapacidades, erros involuntários, erros deliberados e tudo mais que tenha sido cometido por mim. Ó Allah! Perdoa todos os meus pecados anteriores e posteriores, secretos e públicos. Tu és o meu salvador; não há outro salvador além de Ti.”
Durante a prostração, ele também fazia às vezes esta súplica:(Árabe****************)
Significado: Ó Allah! Cria luz no meu coração. Concede luz à minha língua. Concede luz à minha audição. Concede luz à minha visão. Concede luz à minha direita. Concede luz à minha esquerda. Concede luz à minha frente. Concede luz atrás de mim. Concede luz acima de mim. Concede luz abaixo de mim. Cria luz dentro de mim e torna a minha luz cada vez mais ampla.”
O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) ordenou que nos empenhássemos nas súplicas da prostração. Ele disse: “Na prostração, o servo se aproxima mais de Allah. Façam muitas súplicas durante a prostração. A prostração é um momento apropriado para a aceitação das súplicas.” Aqui estão claras três questões:
Primeira: por meio da prostração, o servo se aproxima muito de Allah.
Segunda: Allah aceita com maior frequência as súplicas feitas durante a prostração.
Terceira: portanto, façam muitas súplicas durante a prostração.
Durante a prostração, o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) fazia muitas súplicas de dois tipos. Elas são:
Um: súplica de louvor a Allah.
Dois: súplica de petição.
A grande virtude da prostração
Assim como o qiyam da oração, durante o qual se recita o Livro de Allah (o Alcorão) e se permanece de pé diante de Allah por longo tempo, em obediência e humildade, possui grande virtude, a prostração também tem uma posição grandiosa perante Allah. A virtude de prostrar-se diante de Allah é muito, muito grande. Isso porque—
1. O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: O servo que está mais próximo do seu Senhor é aquele que se prostra.
2. Ma‘dan ibn Abu Talha disse: Eu pedi a Sawban, o escravo liberto do Mensageiro de Allah (que Allah esteja satisfeito com ele): “Ensina-me algo que continue a beneficiar-me.” Ele respondeu: “Prostra-te frequentemente, pois ouvi o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) dizer: sempre que um servo se prostra para Allah, Allah, o Altíssimo, eleva sua posição em um grau e apaga um de seus pecados.”
Ma‘dan disse: Depois, fui encontrar Abu ad-Darda (que Allah esteja satisfeito com ele) e perguntei-lhe sobre o mesmo assunto. Ele também me transmitiu o mesmo hadith que Sawban.
3. Quando Rabi‘ah ibn Ka‘b al-Aslami expressou ao Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) o desejo de ser seu companheiro no Paraíso, ele lhe disse: “Então, ajuda-me nisso prostrando-te frequentemente.”
4. Allah, o Altíssimo, disse no último versículo da surata Al-Alaq:
واسجد واقترب“Prostra-te e aproxima-te de Mim.”
5. Todas as criaturas, grandes e pequenas, prostram-se diante de Allah.
6. É durante a prostração que o servo tem a oportunidade de se humilhar ao máximo diante de seu Senhor e manifesta a maior devoção e humildade. Por isso, essa é a condição mais honrosa do servo perante o Senhor.
7. A prostração é, de fato, a manifestação máxima da adoração e da servidão. Isso porque, para manifestar humildade, devoção, reverência e obediência servil, a prostração é o que mais agrada ao Senhor.
Quanto tempo ele permanecia em prostração?
O Mensageiro de Allah (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) mantinha equilíbrio entre todos os componentes da oração. Quando fazia um qiyam longo (recitação), também prolongava proporcionalmente o rukūʿ e a prostração. Assim, nas orações do eclipse solar e da noite (tahajjud), ele prolongava bastante o qiyam, bem como o rukūʿ e a prostração.
Por outro lado, quando encurtava relativamente o qiyam (recitação), também encurtava o rukūʿ e a prostração na mesma proporção. Geralmente, fazia isso na oração do fajr.
A prova dessa manutenção do equilíbrio encontra-se no hadith de Bara ibn ‘Azib (que Allah esteja satisfeito com ele). Ele disse: o qiyam, o ruku e o sujud do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) eram equilibrados. A duração deles era aproximadamente igual.
Desta discussão, aprendemos três coisas:
1. O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) mantinha o equilíbrio entre as partes da oração. Quando prolongava a recitação, também prolongava o ruku e o sujud. Quando encurtava a recitação, também encurtava o ruku e o sujud.
2. Durante o eclipse solar e a oração noturna, prolongava bastante o qiyam, o ruku e o sujud.
3. Em comparação, encurtava o qiyam, o ruku e o sujud nas orações obrigatórias.
Sentar-se ao levantar-se do sujud
Em seguida, levantava a cabeça do sujud dizendo “Allahu Akbar”. Nesse momento, não fazia raf‘ al-yadayn. Ao se levantar do sujud, levantava a cabeça antes das mãos.
Depois, estendia o pé esquerdo e sentava-se tranquilamente sobre ele. Mantinha a planta do pé direito erguida. O Imam an-Nasa’i mencionou, com uma cadeia autêntica, um hadith sobre isso, narrado por ‘Abdullah ibn ‘Umar (que Allah esteja satisfeito com ele). Ele disse: “A Sunnah é estender o pé esquerdo e sentar-se sobre ele, mantendo a planta do pé direito erguida e os dedos voltados para a qiblah.”
Não se conhece, por parte do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), nenhum outro modo de sentar-se nessa ocasião.
Nessa ocasião, ele colocava as duas mãos sobre as duas coxas. Mantinha os cotovelos sobre as coxas e as pontas das mãos sobre os joelhos. Estendia a palma da mão esquerda sobre o joelho esquerdo. Mantinha fechados os dois dedos do lado direito da mão direita, colocava o polegar sobre o dedo médio, formando um círculo, e levantava o dedo indicador, continuando a fazer a súplica e movendo-o. Este hadith foi narrado por Wa’il ibn Hujr (que Allah esteja satisfeito com ele).
No hadith narrado por Abu Dawud, por intermédio de Abdullah ibn az-Zubair (que Allah esteja satisfeito com ele), Abdullah ibn az-Zubair disse: “O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), ao fazer a súplica, fazia sinais com o dedo indicador, mas não o movia.”
Parece que posteriormente alguém (um narrador) acrescentou a expressão “mas não o movia”, pois há dúvidas quanto à autenticidade dessa parte.
O Imã Muslim também citou esse hadith em seu Sahih Muslim, por intermédio de Abdullah ibn az-Zubair (que Allah esteja satisfeito com ele). Porém, não mencionou esse acréscimo, isto é, “mas não o movia”. Em vez disso, relatou-o da seguinte forma: “Quando o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) se sentava durante a oração, colocava a planta do pé esquerdo entre as duas coxas e a canela, e sentava-se sobre o pé direito. Colocava a palma da mão esquerda sobre o joelho esquerdo, a palma da mão direita sobre a coxa direita e fazia sinais com o dedo indicador.”
A expressão “mas não o movia”, presente no hadith de Abu Dawud, não aparece aqui. Além disso, não foi afirmado que essa expressão do hadith de Abu Dawud se aplica à oração.
Nesse caso, o hadith de Wa’il ibn Hujr (que Allah esteja satisfeito com ele) é mais forte e merece preferência. Além disso, Abu Hatim afirmou em sua compilação de hadiths autênticos que este é um hadith autêntico.
A súplica que ele fazia na sessão entre as duas prostrações
O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) levantava a cabeça da primeira prostração e sentava-se tranquilamente. Durante essa sessão entre as duas prostrações, ele recitava a seguinte súplica: (Árabe******************)
Significado: Ó Allah! Perdoa-me, tem misericórdia de mim, fortalece-me, eleva minha honra e dignidade, guia-me pelo caminho reto, concede-me saúde e provê-me o sustento.” [At-Tirmidhi, Abu Dawud e Ibn Majah. Também se sabe dessa súplica através de Al-Hakim, por meio de Ibn Abbas (que Allah esteja satisfeito com ele) e outros.]
Hudhaifa (que Allah esteja satisfeito com ele) disse que o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) recitava a seguinte súplica durante a sessão entre as duas prostrações: (Árabe**************)
Significado: Senhor! Perdoa-me. Senhor! Perdoa-me.”
Prolongar a sessão entre as duas prostrações
O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) prolongava a sessão entre as duas prostrações pelo mesmo tempo que a prostração.
Há provas disso em todos os livros de hadith. Em coleções autênticas, há um hadith narrado por Anas (que Allah esteja satisfeito com ele). Ele disse: O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) permanecia sentado entre as duas prostrações por tanto tempo que dizíamos: talvez ele tenha esquecido ou esteja em dúvida.
Esta é a Sunnah. Depois da era dos Companheiros, a maioria das pessoas abandonou esta Sunnah.
Levantar-se após a segunda prostração
Depois de se levantar da primeira prostração, sentar-se tranquilamente e fazer a súplica, ele dizia “Allahu Akbar” e ia para a segunda prostração. Na segunda prostração, fazia o mesmo que na primeira.
Depois de concluir a segunda prostração, o Mensageiro de Allah levantava-se, dizendo “Allahu Akbar”.
Ao se levantar, segurava com as duas mãos os pés e os joelhos e levantava-se apoiando-se sobre as coxas. Essa prática foi narrada por Wa’il ibn Hujr e Abu Huraira, que Allah esteja satisfeito com ambos.
Ele não se levantava apoiando as mãos no chão.
A sessão de descanso e a divergência a esse respeito
Malik ibn al-Huwayrith narrou que o Mensageiro de Allah não se levantava antes de sentar-se ereto por alguns instantes depois de se levantar da segunda prostração. Essa sessão (sentada) é chamada de sessão de descanso.
Entretanto, os juristas divergiram a respeito dessa sessão de descanso. Surgiu a questão: sentar-se assim é uma sunnah? É algo que todos devem imitar? Ou ele fez isso devido a alguma dificuldade? Há duas espécies de narrações sobre esse assunto.
Al-Khallal disse que o imã Ahmad ibn Hanbal, aceitando a narração de Malik ibn Huwayris, defendeu a posição favorável à sessão de descanso. Ele disse: “Yusuf ibn Musa informou-me que, quando Abu Umama foi questionado sobre levantar-se da prostração, respondeu: ‘Deve-se levantar da prostração apoiando-se nos dois pés’.” A prova disso é o hadith narrado por Rifa‘a. Contudo, não se encontra no hadith de Ibn Ajlan prova de que o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) se levantasse apoiando-se nos dois pés.
Por outro lado, um grande número de Companheiros (que Allah esteja satisfeito com eles) narrou hadiths sobre as características e o modo de oração do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Nenhum deles mencionou essa sessão de descanso.
Essa sessão é mencionada somente nos hadiths narrados por Abu Humayd e Malik ibn Huwayris (que Allah esteja satisfeito com ambos).
Se o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) praticasse esse ato regularmente e de forma contínua, o grande número de Companheiros que narraram as características e o modo de sua oração certamente o teria mencionado. O fato de ele ter feito isso uma vez não prova, por si só, que seja uma sunnah da oração. Entretanto, se ficar provado que ele o fez como sunnah, então isso deve ser imitado. E, se ele o fez uma vez por alguma dificuldade pessoal, isso não será considerado uma sunnah da oração. Essa é a solução para essa divergência de opinião.
Como ele rezava a segunda rak‘ah?
O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) começava a recitar a Surata al-Fatiha assim que se levantava da prostração da primeira rak‘ah. Depois de se levantar, não fazia uma breve pausa nem permanecia em silêncio por algum tempo, como na primeira rak‘ah.
Contudo, surgiu uma divergência entre os juristas quanto a saber se ele recitava “A‘udhu billahi min ash-shaytan ir-rajim” antes de recitar a Surata al-Fatiha na segunda rak‘ah.
No entanto, todos concordaram que esse não é o início da oração, mas um ponto intermediário.
A partir das duas opiniões do imã Ahmad, surgiram duas posições quanto a recitar ou não o ta‘awwudh. Alguns de seus alunos, com base em uma de suas opiniões, disseram: se toda a recitação da oração for considerada como um conjunto de recitações, basta recitar o ta‘awwudh uma única vez. Mas, se a recitação de cada rak‘ah for considerada uma recitação independente, então o ta‘awwudh deverá ser recitado em cada Fátihah.
Na realidade, o início do conjunto de orações subordinado a um único takbir de ihram é apenas um. Portanto, está claro que basta recitar o ta‘awwudh uma vez, no início. Isso também é comprovado por um hadith autêntico. Abu Hurayrah (que Allah esteja satisfeito com ele) narrou que, quando o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) se levantava para a segunda rak‘ah, começava a recitação sem fazer uma pausa.
Na realidade, o início das rak‘ahs ocorre na primeira rak‘ah. [Essa divergência surgiu porque se considera obrigatório recitar o ta‘awwudh ao iniciar a recitação do Alcorão. Surgiu a questão de saber se o início das rak‘ahs subordinadas a um único takbir de ihram é um só ou se o início de cada rak‘ah é separado.] A interrupção entre as duas rak‘ahs não ocorre por causa de uma pausa, mas por causa do dhikr. E o dhikr não interrompe a continuidade da recitação, pois nele são proferidos apenas louvores, tasbih, tahlil, salat pelo Profeta e outras expressões semelhantes.
O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) rezava a segunda rak‘ah da mesma forma que a primeira, exceto em quatro aspectos. Esses quatro aspectos são:
1. O takbir de ihram.
2. Permanecer em silêncio por algum tempo após o takbir de ihram.
3. Recitar os louvores iniciais e a súplica durante esse período de silêncio.
4. E torná-la um pouco mais longa em comparação com a segunda rak‘ah.
O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) não pronunciava o takbir inicial na segunda rak‘ah, não permanecia em silêncio por alguns instantes, nem recitava o dhikr e a súplica iniciais durante esse silêncio. Além disso, ele a encurtava um pouco em comparação com a primeira rak‘ah. Em todas as suas orações, a primeira rak‘ah era mais longa que a segunda.
A posição sentada do primeiro tashahhud e o procedimento relacionado
Depois de concluir os dois sujud da segunda rak‘ah, quando o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) se sentava para o tashahhud, colocava a mão esquerda sobre a coxa esquerda e a mão direita sobre a coxa direita. Mantinha o dedo indicador da mão direita apontado na direção da qiblah. Nessa ocasião, não o mantinha completamente erguido, nem o deixava abaixado; antes, elevava-o ligeiramente para cima e movia-o. Colocava o polegar sobre o dedo médio, formando uma espécie de círculo, e, mantendo o dedo indicador erguido, continuava a recitar o tashahhud, fixando o olhar nele. Nessa ocasião, mantinha a mão esquerda estendida sobre a coxa esquerda.
Ele se sentava no primeiro tashahhud da mesma maneira que se sentava entre os dois sujud. Estendia o pé esquerdo e sentava-se sobre ele. Mantinha o pé direito erguido e voltava os dedos na direção da qiblah. Nessa posição sentada, ninguém o viu sentar-se de outra maneira.
Na narração de ‘Abdullah ibn az-Zubayr (que Allah esteja satisfeito com ele), citada no Sahih Muslim, é dito que, quando o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) se sentava durante a oração, colocava o pé esquerdo entre a coxa e a canela e estendia o pé direito.”
Na realidade, essa narração diz respeito à posição sentada final. Esse assunto será discutido mais adiante. Essa é uma das características de uma de suas duas posições sentadas.
Na descrição da oração do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), narrada por Abu Humayd (que Allah esteja satisfeito com ele) no Sahih al-Bukhari e no Sahih Muslim, é dito: quando o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) se sentava, após a segunda rak‘ah da oração de quatro rak‘ahs, para o primeiro tashahhud, estendia o pé esquerdo e sentava-se sobre ele, mantendo erguido o pé da outra perna (o pé direito). Quando se sentava na posição final, adiantava um pouco o pé esquerdo e colocava-o sob a canela da perna direita. Mantinha o pé direito erguido, colocava as nádegas no chão e sentava-se sobre elas.
Aqui encontramos duas descrições, provenientes de Abu Humayd e de ‘Abdullah ibn az-Zubayr, a respeito do pé direito. Abu Humayd disse que ele o mantinha erguido, enquanto Ibn az-Zubayr disse que o estendia.
Nenhum narrador disse que ele fazia isso ao sentar-se para o primeiro tashahhud. Não temos conhecimento de que alguém tenha dito algo semelhante.
Entretanto, devido às diferenças nas narrações sobre a maneira como o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) se sentava, surgiram entre as pessoas várias opiniões. Por exemplo, alguns disseram que ele se sentava sobre as nádegas em ambos os tashahhuds. Essa é a escola de Malik (que Allah tenha misericórdia dele).
Alguns opinaram que, em ambas as posições sentadas, se devia estender o pé esquerdo e sentar-se sobre ele, mantendo o pé direito erguido. Essa é a opinião de Abu Hanifa (que Allah tenha misericórdia dele).
Alguns disseram que, na posição sentada do tashahhud acompanhado do salam, se devia sentar sobre as nádegas, enquanto no outro tashahhud se devia estender o pé esquerdo e sentar-se sobre ele. Essa é a opinião de al-Shafi’i (que Allah tenha misericórdia dele).
Alguns disseram que, na posição sentada do tashahhud final de uma oração que contém dois tashahhuds, se devia sentar sobre as nádegas, a fim de estabelecer uma diferença entre as duas posições sentadas. Essa é a opinião do imã Ahmad ibn Hanbal (que Allah tenha misericórdia dele).
Quanto ao que Abdullah ibn al-Zubayr (que Allah esteja satisfeito com ele) disse, que o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) estendia o pé direito, isso significa que, na posição sentada final, ele colocava as nádegas no chão e se sentava apoiado sobre elas. Assim, estendia o pé direito. Mantinha o pé esquerdo entre as duas coxas e as pernas, e colocava as nádegas no chão.
A divergência, neste caso, diz respeito a onde e como ele mantinha a planta do pé direito: ele a estendia ou a mantinha erguida?
Allah sabe melhor qual é a realidade. Contudo, em nossa opinião, não há aqui qualquer diferença. Isso porque ele nunca se sentava sobre o pé direito; ao contrário, estendia-o para o lado direito. Portanto, o pé não ficava nem erguido nem completamente estendido. Nesse caso, o significado de estendê-lo é colocar estendida a parte posterior da planta do pé direito, de modo que ele não permanecesse completamente erguido. O significado de mantê-lo erguido é colocar verticalmente a parte inferior da planta do pé, pois, nessa posição, ela não ficava estendida e ele não se sentava sobre ela.
Portanto, ambas as afirmações de Abu Humayd e Abdullah ibn al-Zubayr (que Allah esteja satisfeito com ambos) estão corretas.
Ou pode-se dizer que o Mensageiro de Allah (s.a.w.) fazia uma coisa em algumas ocasiões e a outra em outras. Allah sabe melhor qual era a realidade.
O que ele recitava no primeiro tashahhud?
Nas orações de quatro ou três rak’ahs, o Mensageiro de Allah (s.a.w.) sentava-se depois de rezar duas rak’ahs. A isso chamamos a sessão do primeiro tashahhud. Nessa sessão, ele sempre recitava o tashahhud.
Uma hadith foi narrada no Nasā’ī através de Abu az-Zubayr. Ele a narrou a partir de Jābir (que Allah esteja satisfeito com ele). Jābir disse: O Mensageiro de Allah (s.a.w.) ensinava-nos o tashahhud tal como nos ensinava uma surata do Alcorão. [Se, nesse momento, ele se esquecesse de recitar o tashahhud, faria a prostração do esquecimento na última sessão. (Bukhari). É sunnah recitar o tashahhud em silêncio. (Abu Dawud)]
O Mensageiro de Allah (s.a.w.) ensinou o seguinte tashahhud:(Árabe**************************)
Significado: Todas as saudações dignas e honrosas pertencem a Allah. Allah é o Senhor de toda a paz, bondade e abundância. Ele também é o Senhor de toda a pureza. Ó Profeta! Que a paz esteja sobre ti, e que a graça e as bênçãos de Allah desçam sobre ti. Que a paz esteja sobre nós e sobre todos os servos virtuosos de Allah. Testemunho que não há outra divindade além de Allah. E testemunho também que Muhammad é Seu servo e Mensageiro.
No Nasā’ī, foi narrado o seguinte tashahhud no hadith de Jābir (que Allah esteja satisfeito com ele):
(Árabe**********************)
Significado: Em nome de Allah e com Allah; todas as saudações honrosas pertencem a Allah. Allah é o Senhor de toda paz, bondade, abundância e de toda espécie de pureza. Ó Profeta, que a paz, a misericórdia e as bênçãos de Allah desçam sobre ti. Que a paz seja sobre nós e sobre todos os servos virtuosos de Allah. Testemunho que não há divindade além de Allah. Testemunho também que Muhammad é servo e Mensageiro de Allah. Peço a Allah o Paraíso e busco refúgio contra o Inferno.
Além deste hadith, nenhum outro hadith menciona a expressão “Bismillah” antes do tashahhud. Contudo, este hadith apresenta certa deficiência em sua cadeia de transmissão. O Mensageiro de Allah, que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele, recitava este tashahhud (o primeiro tashahhud) de forma muito breve.
Neste tashahhud, ele também não buscava refúgio contra o castigo da sepultura, o castigo do Inferno, as provações da vida e do momento da morte, nem contra a provação do Messias ad-Dajjal. Contudo, como o Mensageiro de Allah, que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele, ordenou geralmente que se buscasse sempre refúgio contra essas quatro coisas, alguns preferem buscar refúgio contra elas também no primeiro tashahhud. Entretanto, é mais correto fazer essa súplica de refúgio junto com o tashahhud final.
Levantar-se da posição sentada do primeiro tashahhud
Depois de concluir o tashahhud, o Mensageiro de Allah, que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele, levantava-se dizendo “Allahu Akbar”. Ele se levantava apoiando-se sobre as coxas, mantendo a parte dianteira dos pés e os joelhos apoiados no chão.
Foi narrado no Sahih Muslim, através de Abdullah ibn Umar, que Allah esteja satisfeito com ambos, que o Mensageiro de Allah, que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele, fazia raf‘ al-yadayn nesse momento.
Isso também foi narrado em algumas cadeias de transmissão do Sahih al-Bukhari. Contudo, não há menção consensual ao raf‘ al-yadayn nesse ponto em todas as cadeias de transmissão de Abdullah ibn Umar, que Allah esteja satisfeito com ele.
Contudo, a narração de Abū Humayd al-Sāʿidī prova de maneira decisiva que, neste ponto, se fazia rafʿ al-yadayn. Ao descrever detalhadamente a oração do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), ele disse:
“Quando o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) se levantava para a oração, dizia ‘Allahu Akbar’ (isto é, fazia o takbīr de abertura) e fazia rafʿ al-yadayn. Nessa ocasião, elevava as duas mãos até a altura dos ombros. Permanecia de pé na oração de tal maneira que cada parte do corpo se estabelecia tranquilamente em seu devido lugar. Então recitava. Depois da recitação, elevava as duas mãos até a altura dos ombros e fazia rafʿ al-yadayn. Em seguida, fazia o rukūʿ. Colocava naturalmente os dedos das mãos sobre os joelhos. Mantinha a cabeça alinhada com as costas; não a inclinava para baixo nem a elevava acima desse alinhamento. Depois, dizia ‘Samiʿa Allahu liman hamidah’ e levantava a cabeça. Ao levantar a cabeça do rukūʿ, permanecia de pé com tranquilidade, de modo que cada parte do corpo se estabelecia em seu devido lugar. Em seguida, inclinava-se em direção ao chão para a prostração. Durante a prostração, mantinha os dois braços afastados das costelas. Mantinha os dedos dos pés voltados para a qiblah. Depois, estendia os dois pés e sentava-se sobre eles. [Nas outras narrações de Abū Humayd (que Allah esteja satisfeito com ele), consta que, nessa ocasião, ele estendia o pé esquerdo e sentava-se sobre ele.] Depois, ia para a segunda prostração. Em seguida, dizia ‘Allahu Akbar’, estendia o pé esquerdo e sentava-se sobre ele. Sentava-se com tranquilidade, de modo que cada parte do corpo se estabelecia em seu devido lugar. Então se levantava (para a segunda rakʿah). Realizava os elementos da segunda rakʿah da mesma forma que os da primeira. Depois, ao se levantar após concluir o tashahhud da segunda rakʿah, fazia rafʿ al-yadayn no momento de se levantar. Elevava as mãos até a altura dos ombros, tal como fazia no início da oração. Depois, realizava o restante da oração da mesma maneira. Por fim, na última prostração, após a qual se fazia o salām, estendia os dois pés para o lado direito, apoiava a nádega esquerda no chão e sentava-se apoiado sobre ela.”
— Esta narração foi extraída de Ṣaḥīḥ Abū Ḥātim.
— Há uma narração semelhante também em Ṣaḥīḥ Muslim. Em al-Tirmidhī, é narrado com uma cadeia autêntica, por meio de ʿAlī ibn Abī Ṭālib (que Allah esteja satisfeito com ele), que o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) fazia rafʿ al-yadayn nesses pontos.
O que ele recitava na terceira e na quarta rakʿah?
Ao se levantar do primeiro tashahhud, ele recitava somente a Sūrat al-Fātiḥah. Não há nenhuma prova de que ele tenha recitado algo além da Sūrat al-Fātiḥah na terceira e na quarta rakʿah.
Contudo, o Imām al-Shāfiʿī considera mustaḥabb acrescentar uma recitação à Sūrat al-Fātiḥah também nas duas últimas rakʿahs. Por isso, ele toma como prova o ḥadīth narrado por Abū Saʿīd (que Allah esteja satisfeito com ele). Esse ḥadīth foi narrado em Ṣaḥīḥ Muslim. Nele, Abū Saʿīd (que Allah esteja satisfeito com ele) diz: “Pelo tempo que o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) permanecia em qiyām na oração do Ẓuhr, estimávamos que ele recitasse nas duas primeiras rakʿahs uma quantidade equivalente à Sūrat al-Sajdah, e nas duas últimas recitasse metade da quantidade das duas primeiras rakʿahs. [É importante observar que a Sūrat al-Sajdah possui 30 (trinta) versículos. Portanto, o sentido deste ḥadīth é que ele recitava uma quantidade equivalente a trinta versículos nas duas primeiras rakʿahs e quinze versículos nas duas últimas.] Além disso, pelo tempo que permanecia em qiyām na oração do ʿAṣr, estimávamos que ele recitasse nas duas primeiras rakʿahs metade dessa quantidade.” (Ṣaḥīḥ Muslim)
Por outro lado, há o ḥadīth claro e universalmente reconhecido narrado por Abū Qatādah (que Allah esteja satisfeito com ele). Nesse ḥadīth, ele afirma claramente que o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) recitava somente a Sūrat al-Fātiḥah nas duas últimas rakʿahs e não acrescentava nenhuma outra recitação. Abū Qatādah (que Allah esteja satisfeito com ele) diz:
“O Mensageiro de Allah (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) conduzia-nos na oração. Nas duas primeiras rak‘ahs do zuhr e do ‘asr, recitava duas outras suratas juntamente com a Surata al-Fátiha. Às vezes, recitava em voz audível para que o ouvíssemos.”
Estas palavras constam tanto nas narrações de Bukhari quanto nas de Muslim. Na narração deste hadith de Abu Qatadah registrada por Muslim, há ainda estas palavras: “E nas duas últimas rak‘ahs ele recitava somente a Surata al-Fátiha.”
Nos dois hadiths narrados de Abu Qatadah por Bukhari e Muslim, encontra-se uma orientação clara e irrefutável para solucionar a questão. Por outro lado, neste caso, a declaração de Abu Sa‘id baseia-se em uma inferência.
Neste caso, podemos concluir que a prática habitual do Mensageiro (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) era recitar somente a Surata al-Fátiha nas duas últimas rak‘ahs, sem acrescentar a recitação de nenhuma outra surata. A prova disso é o hadith de Abu Qatadah.
Contudo, às vezes ele acrescentava a recitação de outra surata à Surata al-Fátiha também nas duas últimas rak‘ahs. A prova disso é o hadith de Abu Sa‘id (que Allah esteja satisfeito com ele). Porém, isso não era sua prática habitual; era uma exceção à sua conduta geral.
Sua prática na oração e as exceções à sua prática
Em várias situações, ele também fazia exceções à sua prática habitual. Por exemplo, sua prática habitual era fazer uma recitação longa na oração do fajr. Contudo, às vezes fazia uma recitação breve. Na oração do maghrib, sua prática era fazer uma recitação curta, mas às vezes também fazia uma recitação longa. Sua prática habitual era não recitar a súplica do qunut na oração do fajr, mas às vezes a recitava. Sua prática habitual era fazer a recitação em voz baixa nas orações do zuhr e do ‘asr, mas às vezes os Companheiros ouviam sua recitação. Geralmente, ele recitava “bismillah” em voz baixa, mas às vezes a recitava em voz alta.
Em suma, o Mensageiro de Allah (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) ocasionalmente fazia exceções em alguns dos procedimentos de sua oração. Isso constituía uma exceção temporária à sua prática habitual. O objetivo era deixar ocasionalmente espaço para fazer essa exceção. Porém, essa exceção não era sua prática habitual.
Por exemplo, certa vez ele enviou um homem a cavalo para trazer uma determinada notícia. Depois de enviá-lo, ele se levantou para a oração. Durante a oração, olhava repetidamente na direção do caminho daquele homem.
Entretanto, no Sahih Bukhari, há um hadith narrado por Aisha, que Allah esteja satisfeito com ela. Ela disse: Perguntei ao Mensageiro de Allah, que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele, sobre olhar para os lados durante a oração. Em resposta, ele disse: “Isso é um engano de Satanás. Dessa forma, ele tenta distrair o servo da oração.”…..
Para uma pessoa que possui bom conhecimento do Alcorão e dos hadiths, não é de modo algum difícil conciliar esses dois hadiths. No que dizia respeito à oração, ele jamais se distraía de Allah. O hadith do mensageiro a cavalo está relacionado a uma situação de guerra. No campo de batalha, ele frequentemente realizava a Salat al-Khawf. Foi somente pelo bem dos muçulmanos que, nessa oração, ele olhava na direção do caminho por onde chegaria o mensageiro aguardado. Essa não era sua prática habitual.
Alongava as duas primeiras rak‘ahs e a primeira rak‘ah
A prática do Mensageiro de Allah, que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele, era alongar as duas primeiras rak‘ahs da oração de quatro rak‘ahs mais do que as duas últimas. E, entre as duas primeiras rak‘ahs, alongava a primeira mais do que a segunda. Foi por isso que Sa‘d, que Allah esteja satisfeito com ele, disse a Umar, que Allah esteja satisfeito com ele: “Alongarei as duas primeiras rak‘ahs e encurtarei as duas últimas. Foi assim que rezei com o Mensageiro de Allah, que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele.”
A prática do Mensageiro de Allah, que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele, era fazer a oração do Fajr mais longa do que todas as outras orações. Umm al-Mu’minin Aisha, que Allah esteja satisfeito com ela, narrou que, inicialmente, Allah, o Altíssimo, tornou obrigatória cada oração com duas rak‘ahs. Depois, quando o Mensageiro de Allah, que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele, migrou, Allah aumentou em duas rak‘ahs as outras orações, quando se estivesse em residência, exceto a oração do Fajr. Devido à longa recitação, manteve a oração do Fajr em seu estado original, isto é, com duas rak‘ahs. E manteve a oração do Maghrib com três rak‘ahs, como o witr do dia.
Este hadith foi narrado por Abu Hatim e Ibn Hibban em suas coletâneas Sahih. O conteúdo principal do hadith também foi narrado no Sahih Bukhari.
Em todas as orações, a prática do Mensageiro de Allah, que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele, era alongar a primeira parte mais do que a parte final.
-Ele também realizava a oração do eclipse solar dessa mesma maneira.
-Ele também realizava a oração noturna dessa mesma maneira. Contudo, como realizava a oração noturna de dois em dois rak‘ahs, prolongava mais os dois primeiros rak‘ahs. Os dois rak‘ahs seguintes eram mais curtos em comparação.
Ele continuava e concluía dessa maneira. O fato de ter ordenado que os dois primeiros rak‘ahs da oração noturna fossem mais curtos não contradiz essa sua prática. Isso porque esses dois rak‘ahs eram a oração introdutória das orações noturnas. Ele realizava os dois rak‘ahs introdutórios de forma curta, assim como realizava os dois rak‘ahs sunnah do fajr mais curtos que os dois rak‘ahs obrigatórios. Isso porque esses dois rak‘ahs eram a oração introdutória do fajr.
Portanto, esses dois rak‘ahs curtos não anulam a prática de prolongar a oração noturna. Por exemplo, ele, que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele, disse: “Fazei do witr a última oração da noite.” Entretanto, frequentemente, logo depois do witr, realizava dois rak‘ahs voluntários sentado ou em pé. Isso não anulava o fato de o witr ser a última oração da noite. Veja também: ele, que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele, chamou o maghrib de witr do dia, mas ordenou que, logo depois do maghrib, fossem realizados dois rak‘ahs de oração sunnah com o objetivo de obter intercessão. Isso não anulava o fato de o maghrib ser o witr do dia.
Na realidade, ele, que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele, realizava dois rak‘ahs depois da oração obrigatória do maghrib, para proteger a oração obrigatória. Depois do witr, a última oração da noite, realizava dois rak‘ahs para proteger esse witr. É geralmente reconhecido que uma oração auxiliar ou protetora não altera as características da oração principal. Isso se aplica a todas as situações.
A sessão do tashahhud final
-Quando o Mensageiro de Allah, que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele, se sentava para o tashahhud final, colocava a nádega esquerda no chão, sentava-se apoiado sobre as nádegas e estendia os dois pés para um lado (o lado direito).
-Esta é uma das três formas de sentar-se apoiado sobre as nádegas que foram narradas acerca dele, que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele. Essa forma foi narrada nas Sunan de Abu Dawud e na compilação autêntica de Abu Hatim, através de Abu Humayd as-Sa‘idi, que Allah esteja satisfeito com ele.
—O segundo método foi narrado no Sahih al-Bukhari pelo próprio Abu Humayd as-Sa’idi (que Allah esteja satisfeito com ele). Ele disse: “Quando o Mensageiro (S.A.) se sentava na última rak’ah, adiantava ligeiramente o pé esquerdo, mantinha o pé direito erguido e sentava-se sobre as nádegas.”
—Este método é quase igual ao primeiro. Em ambos os casos, é mencionado que ele se sentava sobre as nádegas. A diferença entre os dois está apenas na posição dos pés.
—O terceiro método foi narrado no Sahih Muslim, no hadith de Abdullah ibn az-Zubayr. Ibn az-Zubayr (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: “Nessa ocasião, o Mensageiro (S.A.) colocava o pé esquerdo entre a coxa e a perna direita, e estendia a planta do pé direito.”
Abu al-Qasim al-Harbi apoiou este método em sua obra. No que diz respeito à posição dos pés, este método difere dos dois primeiros. Talvez o Mensageiro (S.A.) fizesse isso em algumas ocasiões e aquilo em outras. É evidentemente isso que parece. Ou talvez essa variação tenha surgido por razões relacionadas à transmissão dos relatos.
—O Mensageiro (S.A.) distinguia entre a posição sentada do primeiro tashahhud e a do tashahhud final. Na posição final, sentava-se sobre as nádegas. Na primeira posição, sentava-se sobre a planta do pé esquerdo.
—O imã Ahmad disse que ele fazia isso para distinguir entre a primeira posição sentada e a posição final. Como teria de se levantar novamente após a primeira posição, sentava-se sobre a planta dos pés, mantendo-se preparado para se levantar. Como não precisava preparar-se para se levantar após a posição final, sentava-se nela com tranquilidade e serenidade. Como a oração terminava com o tashahhud final, sentava-se serenamente, apoiando todo o corpo sobre as nádegas.
—Abu Humayd (que Allah esteja satisfeito com ele) descreveu claramente as características distintas da primeira e da última posição sentada do Mensageiro (S.A.). Para explicar a posição final do Mensageiro (S.A.), ele empregou estas palavras em diferentes narrações:
—“Quando ele se sentava na última rak’ah.”
-Quando ele se sentava na quarta rak‘ah.”
-“Quando se sentava na sessão dos três salāms, estendia os dois pés e sentava-se apoiado sobre as nádegas.”
A partir desta última frase, o imame Shafi‘i e outros também deduziram que, sempre que houver a sessão do salām, deve-se estender os dois pés, colocar as nádegas no chão e sentar-se apoiado sobre elas, seja a oração de quatro rak‘ahs, de duas ou de três.
-É claro que isso não pode ser compreendido a partir do sentido aparente das palavras do hadith; contudo, manifesta-se a partir do significado do hadith.
— A formulação aparente do hadith, depois de descrever as características da primeira sessão, denomina esta de segunda sessão ou sessão do salām. Portanto, pela formulação aparente do hadith, fica comprovado que se trata das características da sessão final, ou segunda sessão, da oração de três ou quatro rak‘ah.
Isso diz respeito a um aspecto desta sessão. Por outro lado, quando ele se sentava para o tashahhud, colocava a mão direita sobre a coxa direita, juntava três dedos e mantinha o dedo indicador levantado. Em outra narração, consta que ele fechava três dedos em punho e mantinha o dedo indicador levantado. E colocava a mão esquerda sobre a coxa esquerda. (Sahih Muslim: Ibn Umar, r.a.)
Wā’il ibn Hujr, r.a., narrou: Vi o Mensageiro, s.a.w., sentado na sessão do tashahhud, com a mão esquerda estendida sobre a coxa esquerda. Ele mantinha o cotovelo da mão direita apoiado sobre a coxa direita, prendia um dos dois dedos contra o outro, enrolando-os como um anel, e levantava o dedo indicador, movendo-o enquanto fazia súplicas. (Abu Dawud, Nasā’ī, Dārimī: Wā’il ibn Hujr, r.a.)
No Sahih Muslim, na narração de Abdullah ibn Umar, r.a., consta: “Ele colocava a mão esquerda sobre o joelho esquerdo e a colocava sobre o joelho direito. Nessa ocasião, unia os dedos da maneira como são unidos para indicar cinquenta e três e fazia um sinal com o dedo indicador.”
—Na realidade, todas essas narrações são uma só. Por exemplo:
a. Na narração que diz: «Mantinha três dedos fechados em punho», entende-se que o dedo médio também ficava unido, enquanto o indicador, como o dedo da shahada, não ficava estendido.
b. Na narração que diz que pressionava um dos dois dedos contra o outro, entende-se que, embora os dois dedos adjacentes ficassem unidos, o dedo médio não ficava unido da mesma forma nem alinhado com eles.
c. Já na narração que diz que juntava os dedos como para indicar cinquenta e três, refere-se a unir o dedo médio. Contudo, ele não era unido aos dois dedos adjacentes, mas ao polegar.
Ele estendia as duas mãos sobre as duas coxas. Não deixava espaço entre as coxas e as mãos. Os cotovelos ficavam alinhados com a extremidade das coxas.
—Mantinha os dedos da mão esquerda estendidos sobre a coxa esquerda.
Mantinha os dedos voltados para a qibla
O Mensageiro de Allah (que a paz esteja com ele) mantinha os dedos das mãos voltados para a qibla durante o tashahhud. Além disso, mantinha os dedos voltados para a qibla ao levantar as mãos, durante o rukūʿ e o sujūd. Durante o sujūd, também mantinha os dedos dos dois pés voltados para a qibla.
Recitava o tashahhud em cada sentada.
Rasulullah (s.a.) recitava o tashahhud tanto na sentada inicial quanto na sentada final. Recitava o tashahhud após cada duas rak‘ahs. Ele ensinava o tashahhud aos Companheiros como se ensina uma surata do Alcorão. Assim como recitava o tashahhud na primeira sentada, também o recitava da mesma forma na sentada final. Já mencionamos anteriormente a descrição do seu tashahhud.
Salat (durood) sobre Rasulullah
Rasulullah (s.a.) disse: “Quando algum de vós rezar, que louve e glorifique Allah e recite a salat (durood) sobre o Seu Profeta. Depois, que faça qualquer súplica que desejar.”
Este hadith foi narrado por Fudalah ibn Ubayd. O Imam Tirmidhi classificou-o como um hadith sahih. Um hadith semelhante também foi narrado no Musnad de Ahmad, em Nasai e em Abu Dawud. Rasulullah (s.a.) ordenou que se recitasse o durood após a saudação dirigida a ele. Dos hadiths, fica comprovado que se deve recitar o durood após ambos os tashahhuds. Contudo, alguns consideraram makruh recitar o durood após o primeiro tashahhud. Mas não há prova nos hadiths que sustente a opinião deles.
O próprio Rasulullah (s.a.) também recitava a salat (durood) sobre si mesmo. Ele também ensinou aos Companheiros em que língua deveriam recitar a salat sobre ele. O Imam Ibn al-Qayyim discutiu detalhadamente o significado e a importância de “salat” em sua obra Jam‘ al-Ifham. Em nosso país, recitar a salat sobre Rasulullah (s.a.) é chamado de “durood”. Esta é uma palavra persa. Fazer uma súplica para recitar a salat sobre Rasulullah (s.a.) significa fazer uma súplica por misericórdia para ele. Abu al-Aliyah (que Allah tenha misericórdia dele) disse que fazer uma súplica para recitar a salat sobre Rasulullah (s.a.) significa fazer uma súplica para que sua honra, dignidade e louvor sejam aumentados. Em que língua se deve recitar a salat (durood) sobre Rasulullah (s.a.), o Imam Ibn al-Qayyim não mencionou aqui. Por isso, apresentaremos aqui algumas salat (durood) extraídas das coletâneas de hadiths:
Durood (salat) narrado por Bukhari, Muslim, Tahawi, Humaydi, Bayhaqi e Nasai:
(Árabe****************)
Significado: Ó Allah! Concede misericórdia a Muhammad e aumenta sua honra, dignidade e louvor. Concede o mesmo aos descendentes de seus seguidores, assim como fizeste com Ibrahim e os descendentes de seus seguidores. Certamente, Tu és Digno de louvor e Magnificamente Honrado. Ó Allah! Concede bênçãos (bem-estar) a Muhammad e aos descendentes de seus seguidores, assim como concedeste bênçãos a Ibrahim e aos descendentes de seus seguidores. Certamente, Tu és Digno de louvor e Magnificamente Honrado.
Este salat é mencionado no Musnad de Ahmad e em an-Nasa’i:
(Árabe******************)
Este salat é mencionado no Sahih Muslim:
(Árabe*****************)
Foi narrado no Musnad de Ahmad e em at-Tahawi que o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) fazia esta súplica de salat por si mesmo:
(Árabe****************)
Este salat também foi narrado em al-Bukhari, an-Nasa’i, at-Tahawi e no Musnad de Ahmad:
(Árabe******************)
Este salat também foi mencionado por Bukhari e Muslim:
(Árabe***************)
Fazer salat pelo Profeta significa suplicar por misericórdia, honra, dignidade, louvor e bênçãos para o Profeta.
Ele costumava fazer súplicas em sete momentos durante a oração
O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) costumava fazer súplicas em sete momentos durante a oração. Esses sete momentos são os seguintes:
1. Após o takbirat al-tahrimah, antes do início da oração.
2. Recitar a súplica do qunut na oração do witr, antes de ir para o rukū após a recitação, e ocasionalmente na oração do fajr. Contudo, há uma dúvida quanto à autenticidade do hadith sobre fazer súplicas neste momento.
3. Depois de levantar a cabeça do rukūʿ e ficar em pé, ereto. A esse respeito, ʿAbdullah ibn Abī Awfā, que Allah esteja satisfeito com ele, disse: Quando o Mensageiro de Allah, que Allah o abençoe e lhe conceda paz, levantava a cabeça do rukūʿ, dizia:
(Árabe*********************)
Significado: Allah ouve (aceita) aquele que O louva. Nosso Senhor, todo louvor é Teu! Louvor que preenche os céus é Teu; louvor que preenche a terra é Teu! E, além disso, todo louvor é Teu por aquilo que desejas realizar. Ó Allah, purifica-me e limpa-me lavando-me com neve e água fria! Ó Allah, purifica-me dos meus pecados, assim como uma roupa branca é completamente limpa da sujeira.”
4. Ele também fazia súplicas durante o rukūʿ. Dizia:
(Árabe******************)
Significado: Glorificada seja a Tua essência, ó Allah, nosso Senhor! Todo louvor é Teu, ó Senhor; perdoa-me.”
5. Durante a prostração. Era durante a prostração que ele fazia mais súplicas.
6. Na posição sentada entre as duas prostrações.
7. Depois do tashahhud e antes do salam.
Ele próprio fazia súplicas nesses momentos e também ordenou aos nobres companheiros que fizessem súplicas.
Entre as súplicas feitas depois do tashahhud e antes do salam, também está incluído o salat (salawat) pelo Mensageiro, que a paz esteja sobre ele, pois o salat (salawat) também é uma forma de súplica.
As diversas súplicas do Mensageiro de Allah antes de pronunciar o salam
Como já foi mencionado, o Mensageiro, que a paz esteja sobre ele, fazia súplicas em vários momentos da oração. Também foram mencionadas algumas das súplicas que ele fazia em cada momento. Depois do tashahhud, o Mensageiro de Allah, que a paz esteja sobre ele, fazia diversas súplicas e ensinava várias súplicas aos companheiros. Aqui são mencionadas algumas de suas súplicas, que ele recitava especialmente depois do tashahhud e antes do salam:
(Árabe*****************)
Significado: Ó Allah! Busco refúgio em Ti contra o tormento do túmulo, contra a provação do Masih ad-Dajjal e contra a provação durante a vida e após a morte. Ó Allah! Busco refúgio em Ti contra os atos pecaminosos e contra ficar endividado.” (Relatado por Sahih al-Bukhari e Muslim)
Foi relatado que o Mensageiro de Allah, que a paz esteja sobre ele, sempre buscava refúgio contra essas coisas.
Foi narrado em Sahih Muslim e an-Nasa’i que o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) ordenou aos Companheiros que buscassem refúgio contra quatro coisas, após o tashahhud, com as seguintes palavras:
(Árabe*************)
Significado: Ó Allah! Busco refúgio junto a Ti contra o castigo do Inferno, o castigo do túmulo, as provações da vida e da morte e o mal do Messias ad-Dajjal.”
Foi narrado com uma cadeia autêntica em an-Nasa’i que o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) também buscava refúgio junto a Allah durante a oração, da seguinte maneira:
(Árabe**************)
Significado: Ó Allah! Busco refúgio junto a Ti contra o mal das obras que pratiquei e contra o mal das obras que não poderei praticar no futuro.”
]
O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) às vezes fazia esta súplica:
(Árabe*****************)
Significado: Ó Allah! Perdoa os meus pecados. Torna a minha casa espaçosa para mim e concede bênção e abundância em todo sustento que me deres.
Às vezes, ele fazia esta súplica:
(Árabe******************)
Significado: Ó Allah! Peço-Te firmeza e presteza no cumprimento dos Teus mandamentos. Peço-Te determinação para seguir o caminho verdadeiro e correto. Suplico-Te que me concedas a capacidade de agradecer pelas Tuas bênçãos e de Te adorar da melhor maneira. Peço-Te um coração sereno e uma língua veraz. Peço-Te tudo aquilo que consideras bom para mim. Busco refúgio em Ti contra tudo aquilo que consideras prejudicial para mim. Peço-Te perdão por todas as minhas falhas para Contigo.
[Nos hadiths, são mencionadas ainda várias outras súplicas após o tashahhud. Ele próprio fazia diferentes súplicas, ensinava-as aos Companheiros e também aprovava as súplicas pessoais de alguns Companheiros. O Imã Ibn al-Qayyim não mencionou todas as súplicas na sua obra. Por isso, menciono aqui mais algumas súplicas das minhas notas:]
***É mencionado em Sunan an-Nasa’i e no Mustadrak de al-Hakim que o Mensageiro de Allah (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) fazia esta súplica durante a oração:
(Árabe******************)
Significado: Ó Allah! Pelo Teu conhecimento do oculto e pelo Teu poder sobre a criação, mantém-me vivo enquanto considerares que a vida é melhor para mim. E, quando considerares que a minha morte é melhor para mim, faze-me morrer. Ó Allah! Peço-Te temor a Allah em segredo e em público; nos momentos de ira e de satisfação, peço-Te a capacidade de dizer a verdade e agir com justiça. Peço moderação tanto na pobreza quanto na prosperidade. Peço-Te bênçãos inesgotáveis e alegria contínua aos olhos. Peço a Tua satisfação após a morte. Peço paz e serenidade na vida futura. Peço a alegria de contemplar o Teu Rosto. Peço o desejo de encontrar-Te, sem qualquer aflição prejudicial ou provação que desvie do caminho. Ó Allah! Embeleza-nos com a beleza da fé e faze de nós guias e guiados.”
O Mensageiro de Allah ensinou à Mãe dos Crentes, Aisha, que fizesse esta súplica durante a oração:
(Árabe****************)
Significado: Ó Allah! Torna fácil a minha prestação de contas. (Musnad Ahmad, Al-Hakim)
Foi mencionado em Bukhari e Muslim que o Mensageiro de Allah disse a Abu Bakr que fizesse a seguinte súplica durante a oração:
(Árabe*****************)
Significado: Ó Allah! Cometi muitas injustiças contra mim mesmo, e ninguém além de Ti pode perdoar os pecados. Perdoa-me, pois, com um perdão vindo de Ti, e tem misericórdia de mim. Certamente, Tu és o Perdoador Supremo, o Misericordioso.”
Foi narrado no Musnad do Imam Ahmad, em Adab al-Mufrad de Bukhari, em Tiyalisi e em Ibn Majah que o Mensageiro de Allah ensinou à Mãe Aisha esta súplica para ser recitada durante a oração:
(Árabe********************)
Significado: Ó Allah! Peço-Te todo o bem, imediato e futuro, que conheço e que desconheço. Busco refúgio em Ti contra todo o mal, imediato e futuro, que conheço e que desconheço. Peço-Te o conhecimento e as palavras e ações que me ajudem a alcançá-lo, e peço-Te todo o bem que o Teu servo e Mensageiro Muhammad (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) pediu. Busco refúgio em Ti contra todo o mal e infortúnio dos quais o Teu servo e Mensageiro Muhammad (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) buscou refúgio. Peço-Te um bom desfecho para tudo o que foi decretado para mim.”
O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) ouviu um homem recitar a seguinte súplica no tashahhud e exclamou: “Ele foi perdoado; ele foi perdoado!”
(Árabe******************)
Significado: Ó Allah! Peço-Te; ó Allah, Tu és Único e Uno. Tu não dependes de ninguém; és Aquele que não gerou nem foi gerado, e não há ninguém comparável a Ti. Perdoa os meus pecados; certamente, Tu és o Perdoador, o Misericordioso.” (Abu Dawud, an-Nasa’i)
Foi narrado em Abu Dawud, an-Nasa’i, Musnad Ahmad, Adab al-Mufrad, at-Tabarani e outras obras:
(Árabe******************)
O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), ao ouvir um homem recitar esta súplica no tashahhud, perguntou aos Companheiros: “Vocês sabem com que ele suplicou?” Eles responderam: “Allah e Seu Mensageiro sabem melhor.” Ele disse: “Juro por Aquele em cuja mão está a minha alma: ele suplicou invocando o Grande Nome de Allah.” Em outra narração, consta: “Ele suplicou invocando o Ism al-A‘zam de Allah.” Quando Ele é invocado por esse Nome, responde; e, quando algo Lhe é pedido, Ele concede.”
O significado desta súplica é:
“Ó Allah! Suplico-Te. Todo louvor pertence a Ti; não há divindade além de Ti. Tu és Único e Um, e não tens parceiro algum. Ó Grande Benfeitor, Criador dos céus e da terra; ó Possuidor de majestade e honra; ó Vivente, ó Subsistente! Peço-Te o Paraíso e busco refúgio em Ti contra o Inferno.”
** Muslim e Abu Awana narraram que o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) fazia esta última súplica, com estas palavras, depois do tashahhud e antes do salam:
(Árabe**********************)
Significado: Ó Allah! Perdoa todos os meus pecados anteriores e posteriores, os meus pecados ocultos e manifestos, todas as minhas transgressões e aquilo que Tu conheces melhor do que eu. Tu és Quem adianta e Tu és Quem atrasa. Não há divindade além de Ti.”
Mencionamos, nos seus devidos lugares e à luz dos hadiths autênticos, as súplicas, os dhikrs e os tasbihs que o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) fazia nos sete momentos da oração. Embora já tenhamos mencionado anteriormente as súplicas que o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) fazia na prostração, mencionaremos aqui ainda outra súplica que ele recitava durante a prostração:
(Árabe***************)
Significado: Meu Senhor! Concede à minha alma a piedade e purifica-a; Tu és o melhor dos que purificam as almas e és o seu Protetor.”
O imame fará a súplica na primeira pessoa do singular ou na primeira pessoa do plural?
Todas as súplicas que, segundo os hadiths, o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) fazia durante a oração e que foram preservadas estão na primeira pessoa do singular; isto é, ele fazia súplicas por si mesmo. Inclusive as súplicas que ensinou aos Companheiros para fazerem durante a oração estão na primeira pessoa do singular. Por exemplo, ele fazia a seguinte súplica durante a oração, na primeira pessoa do singular (por si mesmo):(Árabe*****************)
Significado: Meu Senhor! Perdoa-me, tem misericórdia de mim e guia-me pelo caminho correto.”
Ele fazia todas as súplicas dessa forma, na primeira pessoa do singular. No início da oração, fazia a primeira súplica depois do takbir de abertura. Também essa ele fazia na primeira pessoa do singular, desta forma:
(Árabe************)
Significado: Ó Allah! Lava e purifica-me dos meus pecados com neve, granizo e água fria. Ó Allah! Cria entre mim e os meus pecados uma distância como a que criaste entre o nascente e o poente. …
(Todo o hadith está igualmente na primeira pessoa do singular.)
Agora, um hadith criou uma dificuldade sobre este assunto. Esse hadith foi narrado no Musnad de Ahmad e nas coletâneas de Sunan, por Sawban (que Allah esteja satisfeito com ele). Ele disse que o nobre Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) afirmou:
“Se uma pessoa for o imã (líder) de um povo e, no momento de fazer uma súplica, suplicar apenas por si mesma, estará traindo.”
Ibn Khuzayma mencionou este hadith como um hadith mawdu’ em sua compilação de hadiths autênticos. Ele é narrado por uma cadeia autêntica.
(Árabe*************)
— tomando este hadith como prova para fazer súplicas por si mesmo na forma singular, ele rejeita (refuta) o hadith narrado por Sauban (que Allah esteja satisfeito com ele).
Ouvi o Xeique do Islã, o imã Ibn Taymiyya, dizer que o teor do hadith narrado por Sauban (que Allah esteja satisfeito com ele) se aplica somente a súplicas temporárias, como a súplica do qunut. Na oração, devem ser feitas apenas as súplicas que o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) fez pessoalmente, ensinou a fazer e aprovou. [Em nossa opinião, embora o hadith narrado por Sauban (que Allah esteja satisfeito com ele) não seja sahih, a afirmação do hadith está correta. E essa afirmação se aplica à liderança coletiva — social, estatal e comunitária.]
O método do Mensageiro de Allah para pronunciar o salam
Depois de concluir a súplica, o Mensageiro de Allah, que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele—
(Árabe*****************)
Significado: «Que a paz e a misericórdia de Allah estejam sobre vocês», dizia, virando-se primeiro para a direita e, enquanto pronunciava a mesma frase, dizia, virando-se primeiro para a direita e, enquanto pronunciava a mesma frase, depois virava o pescoço para a esquerda.
Quinze Companheiros narraram que ele se virava para os dois lados ao pronunciar a saudação. Eles são:
1. Abdullah ibn Mas’ud, que Allah esteja satisfeito com ele.
2. Sa’d ibn Abi Waqqas, que Allah esteja satisfeito com ele.
3. Sahl ibn Sa’d as-Sa’idi, que Allah esteja satisfeito com ele.
4. Wa’il ibn Hujr, que Allah esteja satisfeito com ele.
5. Abu Musa al-Ash’ari, que Allah esteja satisfeito com ele.
6. Hudhayfa ibn al-Yaman, que Allah esteja satisfeito com ele.
7. Ammar ibn Yasir, que Allah esteja satisfeito com ele.
8. Abdullah ibn Umar, que Allah esteja satisfeito com ele.
9. Jabir ibn Samurah, que Allah esteja satisfeito com ele.
10. Al-Bara ibn Azib, que Allah esteja satisfeito com ele.
11. Abu Malik al-Ash‘ari, que Allah esteja satisfeito com ele.
12. Talq ibn Ali, que Allah esteja satisfeito com ele.
13. Aws ibn Aws, que Allah esteja satisfeito com ele.
14. Abu Ramtha, que Allah esteja satisfeito com ele.
15. Adi ibn Umayra, que Allah esteja satisfeito com ele.
Também foi narrado em um hadith que o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) terminava a oração dizendo apenas uma saudação, enquanto permanecia voltado para a frente. Contudo, essa afirmação não é comprovada por nenhuma fonte autêntica. Neste caso, pode-se considerar apenas o hadith narrado por Aisha, que Allah esteja satisfeito com ela. Seu hadith foi compilado nas coletâneas de Sunan [por “coletâneas de Sunan” entendem-se Tirmidhi, Abu Dawud, Nasa’i e Ibn Majah. Essas quatro obras, em conjunto, também são chamadas de “Sunan al-Arba’a” (as quatro coletâneas de Sunan)]. Sua narração é a seguinte:
“Após terminar a oração, o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) dizia apenas uma saudação, pronunciando ‘Assalamu alaikum’, e a dizia tão alto que acordávamos do sono.”
Por algumas razões plausíveis, esse hadith é defeituoso e geralmente não é aceitável. Essas razões são:
1. Pelas palavras de Aisha, que Allah esteja satisfeito com ela, fica claro que ela se referia à oração noturna (voluntária ou Tahajjud) do Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele).
2. Além disso, como Aisha, que Allah esteja satisfeito com ela, estava dormindo, talvez não tenha ouvido a primeira saudação e tenha ouvido apenas a segunda.
3. Aqueles que narraram sobre as duas saudações viram o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) fazer duas saudações enquanto estavam acordados e oravam com ele.
4. A maioria dos hadiths referentes às duas saudações é autêntica; os restantes são hasan, e são numerosos.
5. Embora ʿĀ’isha (que Allah esteja satisfeito com ela) mencione aqui um único salām, ela permaneceu em silêncio quanto aos dois salāms.
— Por essas razões, está firmemente estabelecido que a oração deve ser concluída com dois salāms, um para cada lado. Mais tarde, os governantes omíadas instituíram o costume de proferir um único salām em Medina e em várias outras cidades. Por isso, alguns membros daquela geração passaram a pensar que a oração deveria ser concluída com apenas um salām. Ao irem à mesquita e verem um único salām, começou a surgir entre eles a noção
de que era assim que se devia proceder. Mas nada que contrarie o método de oração estabelecido pelo próprio Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), seguido pelos califas bem guiados e comprovado por hadiths autênticos é aceitável.
As poucas outras narrações encontradas sobre um único salām são todas fracas, defeituosas e inválidas.
A questão de fazer súplicas pelos fiéis após o salām
Não há nenhuma prova proveniente do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) para o costume que se difundiu de, após proferir o salām, virar-se em direção à qibla ou aos fiéis e levantar as mãos para fazer duʿā’ ou munājāt. Não foi encontrada nenhuma fonte autêntica ou hasan a esse respeito. Além disso, muitas pessoas, especialmente após as orações do fajr e do ʿasr, vêm adotando o costume de virar-se para os fiéis e fazer esse tipo de munājāt. Contudo, isso também não foi transmitido por nenhuma pessoa do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) nem dos califas bem guiados. Ele tampouco deu à comunidade qualquer instrução ou indicação para fazer isso.
Aqueles que instituíram o costume de fazer munājāt voltados para a qibla após o salām, ou voltados para os fiéis depois do fajr e do ʿasr, fizeram isso como alternativa à Sunnah. Eles consideram essa uma boa prática. Se fazer isso em lugar da Sunnah é realmente uma boa prática, Allah sabe melhor.
Todas as súplicas relacionadas à oração mencionadas nos hadiths foram feitas pelo Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) durante a própria oração, e ele ordenou que fossem feitas durante a oração.
Enquanto o servo permanece em oração, na verdade está em munajat (conversa secreta) com o seu Senhor. Por isso, o Mensageiro (s.) fez súplicas dentro da oração e ordenou que fossem feitas. É justamente nesse momento que o servo está mais próximo do seu Senhor; esse é o momento mais apropriado para pedir (fazer du‘a).
Mas, quando ele encerra a oração com o salam, interrompe-se o fluxo da munajat (conversa secreta). Portanto, deve-se pedir ao Senhor no momento mais propício, isto é, dentro da oração. Esta é a Sunnah. Este é o melhor método. Não é melhor criar um costume próprio contrário à Sunnah.
Contudo, sim, qualquer pessoa pode pedir a Allah e fazer du‘a a qualquer momento. Nesse caso, deve primeiro recordar Allah, segundo o método ensinado pelo Mensageiro (s.), recitando tasbih, tahlil, tahmid, takbir e outras fórmulas, e enviar salat (durud) ao Mensageiro de Allah (s.). Depois, pode fazer a súplica e pedir o que quiser.
Se isso for feito, a súplica será feita após um ato separado de adoração. Ela já não terá relação com a oração. Assim, pode-se evitar a adoção do costume inventado de levantar as mãos depois do salam e fazer du‘a ou munajat como algo ligado à oração. [No Bangladesh e nas regiões vizinhas, as pessoas misturaram essa prática com a oração. Os ignorantes consideram a munajat feita com as mãos levantadas após a oração como parte dela ou como algo ligado a ela. No entanto, o Mensageiro (s.) e os companheiros não faziam isso. Os imames da oração tornaram essa prática obrigatória. Muitos imames fazem isso para agradar os que oram atrás deles, por pensarem que, se não o fizerem, não poderão continuar sendo imames. Na realidade, será razoável transformar em Sunnah algo que de modo algum é Sunnah e torná-lo obrigatório, como o fard, embora não o seja?]
Dessa forma, pode-se fazer du‘a a qualquer momento. Quando se faz du‘a depois de recordar Allah e enviar salam (durud) ao Mensageiro (s.), essa súplica também é aceita. Isso pode ser compreendido a partir do hadith narrado por Fadala ibn Ubayd. Contudo, não é correto ligar à oração a súplica feita fora dela.
Rezar usando calçados e com uma única peça de roupa
Abdullah ibn Amr (r.a.) narrou que o Mensageiro de Allah (s.) às vezes rezava descalço e outras vezes rezava usando calçados. (Abu Dawud)
Ele ordenou que se rezasse usando calçados para se diferenciar dos judeus. Disse: “Diferenciem-se dos judeus; eles não rezam usando calçados nem meias de couro.” (Abu Dawud)
Ele disse: “Quando qualquer um de vocês fizer a oração, que permaneça calçado. Mas, se quiser tirar os sapatos, que os coloque entre os dois pés. [Abu Dawud, Ibn Khuzaymah e al-Hakim narraram, com uma cadeia autêntica, de Abu Sa’id al-Khudri (que Allah esteja satisfeito com ele), que disse: Certo dia, o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) estava conduzindo a oração para nós. Durante a oração, ele tirou os próprios sapatos e os colocou à sua esquerda. Ao ver isso, todos os liderados também tiraram os seus sapatos. Depois de terminar a oração, ele nos perguntou: ‘Por que vocês tiraram os sapatos?’ Respondemos: ‘Ao vê-lo tirá-los, nós também os tiramos.’ Então ele disse: ‘Jibril veio me informar que havia impureza nos meus sapatos. Por isso, eu os tirei. Quando forem à mesquita, verifiquem os próprios sapatos para saber se há alguma impureza neles. Se houver alguma sujeira, removam-na e façam a oração usando os sapatos.’”] “e não incomodar ninguém deixando os sapatos em qualquer lugar.” (Abu Dawud)
O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) às vezes fazia a oração usando uma única peça de roupa. Em outras ocasiões, fazia a oração usando duas peças de roupa. Contudo, na maioria das vezes, fazia-a usando duas peças. [Foi narrado no Musnad de Ahmad que Abdullah ibn Mas’ud (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) às vezes fazia a oração usando uma única peça de roupa por causa da falta de roupas. Em tempos de prosperidade, é melhor fazer a oração usando duas peças.]
Sua alegria, tranquilidade, humildade e choro durante a oração
— O Imam Ahmad ibn Hanbal narrou que, quando o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) se levantava para a oração, mantinha a cabeça ligeiramente inclinada para baixo.
— A oração refrescava os olhos do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Era por meio da oração que ele sentia alegria e tranquilidade. Ele dizia: (Árabe *********)Significado: “Na oração, meus olhos encontram conforto. Na oração, encontro alegria e tranquilidade.”
Ele dizia, dirigindo-se a Bilal: (Árabe*********)
Significado: “Bilal, chama para a oração e enche meu coração de tranquilidade.”
— Ele dizia: “Durante a oração, a concentração, a contemplação, a devoção e a absorção envolvem-me.” (Bukhari, Muslim)
– O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) chorava frequentemente durante a oração. Seu peito ressoava com o som do choro. Os Companheiros ouviam-no chorar durante a oração. (Ahmad, An-Nasa’i, Abu Dawud)
– Em vários momentos ao longo de toda a oração, ele repetidamente pedia perdão diante do Misericordioso Allah. Pedia perdão pelos pecados. Suplicava proteção contra todos os males deste mundo e da Outra Vida. Desejava todo o bem deste mundo e da Outra Vida. Assim, durante toda a oração, ele continuava a fazer munajat (súplica e apelo íntimo) a Allah.
– À noite, quando o mundo inteiro dormia, ele se apresentava à presença de seu Senhor por meio da oração.
– Ele orava para agradecer ao seu Senhor.
– Em tempos de dificuldade, ele se levantava para orar.
– No campo de batalha, ele se levantava para orar.
– Para suplicar a ajuda de seu Senhor, ele se prostrava.
Sua vigilância durante a oração
O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) concentrava completamente o coração e a mente em Allah, fazia-se presente na proximidade exclusiva de Allah e mantinha plena concentração em Allah durante a oração. Apesar disso, levava em consideração as circunstâncias ao seu redor durante a oração e atentava para a condição dos fiéis. Eis alguns acontecimentos desse tipo, narrados por fontes autênticas:
1. Ele prolongava a oração. Prolongava a recitação e, consequentemente, também prolongava o rukūʿ e o sujūd. Porém, sempre que ouvia o choro de uma criança durante a oração, considerando o estado emocional da mãe da criança que orava com ele, encurtava a oração e a concluía rapidamente.
2. Durante uma guerra, certa vez enviou um cavaleiro para obter e trazer uma informação. Depois de enviá-lo, levantou-se para a oração. Enquanto orava, olhava na direção por onde deveria chegar o cavaleiro que havia enviado. Mesmo durante a oração, não deixou de estar atento ao cavaleiro enviado por ele.
3. Certa vez, ele realizou a oração obrigatória carregando no pescoço a sua neta Umāmah bint Abī al-ʿĀṣ (filha de uma de suas filhas). Quando ia para o rukūʿ e o sujūd, colocava-a no chão e a deixava sentada ao seu lado. Ao levantar-se do sujūd, tornava a colocá-la no pescoço. (Al-Bukhārī e Muslim)
4. Às vezes, quando ele ia para o sujūd, o seu neto Hasan ou Husayn vinha e sentava-se sobre suas costas. Temendo que ele caísse, prolongava então o sujūd.
5. Às vezes acontecia de ele estar realizando a oração com a porta da casa fechada. A Mãe dos Crentes, ʿĀʾishah, vinha e batia à porta. Então, enquanto estava em oração, ele ia abrir a porta para ʿĀʾishah e, ao retornar, completava o restante da oração. (Aḥmad, al-Tirmidhī, Abū Dāwūd e al-Nasāʾī)
6. Se alguém o saudasse enquanto ele estava realizando a oração, ele respondia à saudação fazendo um gesto com a mão. Foi narrado no Ṣaḥīḥ Muslim que Jābir (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) enviou-me para realizar uma tarefa. Quando retornei, encontrei-o realizando a oração. Eu o saudei enquanto ele estava em oração, e ele respondeu à minha saudação fazendo um gesto.
Anas (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) fazia gestos enquanto estava em oração. (Musnad de Aḥmad)
Foi narrado nas coletâneas de Sunan que Suhaib, que Allah esteja satisfeito com ele, disse: certa vez, o Mensageiro de Allah, que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele, estava realizando a oração. Quando passei perto dele, cumprimentei-o com a saudação. Ele respondeu à minha saudação fazendo um gesto.
Certa vez, o Mensageiro de Allah, que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele, foi a Quba. Enquanto realizava a oração na mesquita de Quba, chegou um grupo de Companheiros ansar. Eles o cumprimentaram enquanto ele estava em oração. Ele respondeu à saudação deles fazendo um gesto.
O imame At-Tirmidhi narrou este hadith através de Abdullah ibn Umar, que Allah esteja satisfeito com ele. Ele afirmou que este é um hadith autêntico.
Abdullah ibn Mas’ud, que Allah esteja satisfeito com ele, narrou: voltei da Abissínia e vim encontrar-me com o Mensageiro de Allah, que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele. Ao chegar, vi que ele estava realizando a oração. Nessa situação, cumprimentei-o com a saudação. Ele respondeu à minha saudação fazendo um gesto com a cabeça. Este hadith foi narrado por Al-Bayhaqi.
Um hadith narrado por Abu Huraira, que Allah esteja satisfeito com ele, suscita uma divergência quanto a fazer gestos durante a oração. O hadith foi narrado por Abu Ghutfan, através de Abu Huraira, que Allah esteja satisfeito com ele. Ele disse: o Mensageiro de Allah, que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele, afirmou: “Quem fizer um gesto compreensível durante a oração, que a repita.”
O imame Ad-Daraqutni disse: este é um hadith inválido; não é aceitável. Ele disse: o imame Abu Dawud me informou: o narrador deste hadith, Abu Ghutfan, é uma pessoa desconhecida. O hadith que ele narrou não pode ser aceito. Além disso, este hadith contradiz os hadiths autênticos sobre o assunto. Foi narrado através de Anas e Jabir, que Allah esteja satisfeito com eles, entre outros, com cadeias autênticas, que o Mensageiro de Allah, que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele, fazia gestos enquanto estava em oração.
7. Quando o Mensageiro de Allah, que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele, realizava a oração em casa à noite, Aisha, que Allah esteja satisfeito com ela, ficava deitada atravessada no local onde ele fazia a prostração. Quando ele ia prostrar-se, tocava no corpo dela ou dava-lhe um leve toque para que se afastasse. Então Aisha, que Allah esteja satisfeito com ela, estendia novamente as pernas. (Al-Bukhari)
8. Certa vez, o Mensageiro de Allah, que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele, estava realizando a oração. Nesse momento, Satanás veio para perturbar sua oração. Ele apertou a garganta de Satanás, a ponto de a saliva ou a língua de Satanás sair e tocar sua mão. (Musnad de Ahmad, Ad-Daraqutni)
9. Às vezes, ele fazia a oração de pé sobre o minbar. Ali mesmo fazia o rukū‘. No momento da prostração, descia do minbar, recuava e prostrava-se no chão. Depois de terminar a prostração, voltava ao minbar e ficava de pé. (Bukhari, Muslim)
10. Certa vez, ele estava fazendo a oração tendo uma parede à sua frente. Nesse momento, um animal quadrúpede (um cão) tentou passar diante dele. Ele avançou e encostou o ventre do animal contra a parede. Assim, o animal foi obrigado a passar por trás dele. (Tabarani, Hakim, Ibn Khuzayma)
11. Certa vez, ele estava fazendo a oração, quando duas meninas dos Banu Abd al-Muttalib chegaram à sua frente brigando entre si. Enquanto estava em oração, ele as segurou e separou uma da outra. Na narração do Imam Ahmad, consta também que as duas meninas agarraram os joelhos do Profeta (s.a.). Então, ele as separou ou as fez parar, mas continuou a oração.
12. Certa vez, quando ele se levantou para fazer a oração, um menino tentou passar à sua frente. Ele fez-lhe um sinal com a mão para que voltasse, e o menino voltou. (Musnad Ahmad)
13. Em outra ocasião, ele estava fazendo a oração quando uma menina passava à sua frente. Ele fez-lhe um sinal com a mão, e ela voltou. (As coletâneas de Sunan)
14. Às vezes, enquanto estava em oração, ele soprava no local da prostração. Contudo, o hadith sobre soprar é questionável, embora tenha sido mencionado no Musnad Ahmad e nas coletâneas de Sunan. Na realidade, ele não foi transmitido do Mensageiro (s.a.) por uma cadeia autêntica.
15. Ele chorava durante a oração.
16. Durante a oração, ele limpava a garganta. Também fazia sinais limpando a garganta. Ali (r.a.) disse: “Eu ia duas vezes por dia, em horários determinados, à presença de Rasulullah (s.a.). Eu pedia permissão para entrar em sua casa. Às vezes, quando eu chegava, ele estava em oração. Nessa ocasião, limpava a garganta para me dar permissão para entrar.” (Sunan an-Nasa’i, Musnad Ahmad)
O Imame Ahmad também pigarreava durante a oração e não considerava isso algo que invalidasse a oração.
Assim, apesar de sua profunda concentração e devoção a Allah durante a oração, ele levava em consideração a conveniência e a inconveniência dos outros. Considerava as circunstâncias e o ambiente, e não considerava essas coisas algo que invalidasse a oração.
A súplica do qunut nas orações obrigatórias (ou o qunut de uma calamidade)
Abdullah ibn Abbas (que Allah esteja satisfeito com ele) relatou que o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) recitou a súplica do qunut continuamente durante um mês nas orações do zuhr, asr, maghrib, isha e fajr. (Musnad Ahmad, Abu Dawud)
Algumas narrações mencionam que ele recitou a súplica do qunut durante um mês na oração do fajr. Outras mencionam que ele recitou a súplica do qunut na oração do maghrib. Na realidade, a narração acima é a correta. De fato, ele recitou a súplica do qunut nas cinco orações diárias.
-Ele não recitava sempre a súplica do qunut.
-Ele recitou a súplica do qunut em tempos de calamidade.
-Por meio da súplica do qunut, ele fazia súplicas por algumas pessoas e contra outras.
Na oração em que recitava a súplica do qunut, na última rak‘ah, ele se levantava do rukū‘ dizendo “Sami‘allāhu liman hamidah” e recitava a súplica do qunut. Depois de recitar a súplica do qunut, ia diretamente para a prostração. Ele não fazia nada entre a súplica do qunut e a prostração.
Quando o Mensageiro de Allah recitava a súplica do qunut, os seguidores diziam “Āmīn”.
Foi narrado por Abu Huraira, em Sahih al-Bukhari e Sahih Muslim, que ele disse: quando o Mensageiro de Allah queria suplicar por alguém ou invocar uma maldição contra alguém, recitava a súplica do qunut depois do rukū‘. Depois do rukū‘, após dizer “Sami‘allāhu liman hamidah, rabbanā wa lakal-hamd”, ele fez esta súplica durante alguns dias:(Árabe********************)
Significado: Ó Allah, protege al-Walid, Salama ibn Hisham e ‘Ayyash ibn Abi Rabi‘a. Ó Allah, agarra firmemente a tribo de Mudar e envia sobre eles uma fome de vários anos, como a que atingiu o povo de Yusuf.
Em uma narração mencionada por Abu Dawud e no Musnad de Ahmad, segundo Ibn Abbas, ele às vezes fazia esta súplica do qunut contra eles:(Árabe*******************)
Significado: Ó Allah, lança a maldição sobre as tribos de Lihyan, Ri‘l, Dhakwan e ‘Usayya. Eles desobedeceram a Allah e ao Seu Mensageiro.
Abu Dawud narrou que a prática habitual do Mensageiro era recitar a súplica do qunut (qunut de calamidade) sempre que surgia uma adversidade. Quando a adversidade desaparecia, ele deixava de recitá-la. Ele não restringiu a recitação da súplica do qunut apenas à oração do fajr; também a recitava nas outras orações. Contudo, recitava-a com maior frequência na oração do fajr.
Os muhaddithun consideram recomendável recitar a súplica do qunut em tempos de adversidade. Naturalmente, são eles os mais conhecedores dos hadiths. Segundo eles, tanto recitar o qunut quanto deixá-lo de recitar são sunnah. Consideram que tanto recitá-lo quanto não recitá-lo é bom, pois há hadiths que afirmam que o Mensageiro o recitou e também há hadiths que afirmam que ele o deixou de recitar.
Se o imame recitar a súplica do Qunut em voz audível para informar ou lembrar os liderados, não há problema nisso. Umar (r.a.) recitava o início em voz audível para lembrar os liderados. Ibn Abbas (r.a.) recitava a Surata Al-Fátiha em voz audível na oração fúnebre, para que as pessoas soubessem que é uma sunna recitar a Surata Al-Fátiha na oração fúnebre.
A recitação da palavra amém pelo imame em voz audível é também um caso desse tipo. Na verdade, estas são as divergências (ikhtilaf) em que ambas as opções são permitidas (mubah), ou em que tanto fazer quanto não fazer são permitidos. Por exemplo, levantar as mãos durante a oração e deixar de fazê-lo são igualmente válidos. Do mesmo modo, é válido recitar qualquer uma das diversas formas do tashahhud. Também é válido adotar qualquer uma das diversas formas do azan e da iqama.
Entretanto, não é nosso objetivo discutir aqui o que é válido ou inválido. Nosso objetivo é apenas mencionar o que o Mensageiro (s.a.) fazia e como o fazia. Pois ele é nosso modelo e nosso parâmetro. Nesta obra, queremos investigar e apresentar somente seu método e seus princípios. Ele é, afinal, o guia perfeito. É ele quem devemos imitar e seguir.
O resumo dos hadiths citados acerca da recitação da súplica do Qunut na oração obrigatória foi expresso nas palavras de um erudito do Islã. Ele disse: a posição correta sobre esta questão é que o Mensageiro de Allah (s.a.) recitou o Qunut Názila (a súplica do Qunut) somente para suplicar por um povo ou por uma pessoa, ou para rogar contra alguém. Depois, quando o resultado de sua súplica se manifestou, ele deixou de fazê-lo. Além disso, ele recitou a súplica do Qunut tanto em voz audível quanto silenciosamente. Ele a recitou e também deixou de recitá-la. Não a recitou em voz audível por mais tempo do que a recitou silenciosamente. Essa era sua prática quanto ao Qunut. Ademais, na oração obrigatória, ele recitava a súplica do Qunut imediatamente depois de se levantar do rukū. Isso é o que está comprovado.
Sajdah do esquecimento (prostração por erro)
O Mensageiro de Allah (s.a.) disse: “Eu sou apenas um ser humano como vocês. Assim como vocês cometem erros, eu também cometo erros. Se eu me esquecer de alguma coisa, lembrem-me disso.” (Bukhari)
O fato de o Mensageiro de Allah (s.a.) ter cometido um erro na oração foi uma manifestação da plenitude da bênção de Allah para sua comunidade. Foi assim que Allah, o Altíssimo, completou sua religião para eles. Pois foi por meio desse processo que eles aprenderam o que deveriam fazer quando ocorresse um erro na oração.
Uma declaração do Mensageiro de Allah (s.a.) é mencionada em um hadith de cadeia interrompida no Muwatta de Malik: “Eu me esqueço ou sou levado a esquecer, para que eu possa esclarecer e explicar isso a eles, respondendo às perguntas das pessoas e dando-lhes explicações.”
Na verdade, é precisamente devido aos esquecimentos ocasionais do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) que foram estabelecidas na Shariah as regras relativas aos erros.
Foi narrado por Abdullah ibn Buhaina que, certo dia, o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) conduziu-os na oração do meio-dia. Nessa ocasião, ele se levantou após as duas primeiras rak‘ahs sem se sentar. Os que oravam atrás dele também se levantaram com ele. Assim, a oração chegou ao fim, e as pessoas aguardavam que ele concluísse a oração com o salām. Exatamente nesse momento, enquanto ainda estava sentado no tashahhud final, o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse “Allahu Akbar” e fez duas prostrações antes do salām. Depois, concluiu a oração com o salām. (Al-Bukhari e Muslim)
Disso se conclui a regra de que, se alguém omitir por esquecimento alguma parte da oração que não seja um dos seus pilares (obrigações), deverá fazer as prostrações por esquecimento antes do salām.
Assim, quando ele deixava de realizar por esquecimento alguma parte da oração, não voltava para completá-la. Certa vez, por exemplo, ele se levantou, por esquecimento, sem se sentar para o primeiro tashahhud. Embora as pessoas atrás dele dissessem “Subhanallah”, ele fez sinal para que continuassem de pé, sem se sentarem.
Yazid ibn Harun narrou: certa vez, al-Mughira ibn Shu‘ba (que Allah esteja satisfeito com ele) conduziu-nos na oração. Depois de realizar duas rak‘ahs, levantou-se sem se sentar. Os que oravam atrás dele disseram “Subhanallah”, mas ele lhes fez sinal para que permanecessem de pé. Depois, concluiu a oração e pronunciou o salām. Em seguida, fez duas prostrações e, depois, pronunciou novamente o salām. Por fim, disse: “O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) fazia exatamente isso.” Este hadith foi narrado no Musnad de Ahmad. At-Tirmidhi disse que é um hadith autêntico.
Há certa divergência nos hadiths quanto a fazer as prostrações por esquecimento antes ou depois do salām. O hadith de Abdullah ibn Buhaina indica que devem ser feitas antes do salām, enquanto o hadith de al-Mughira indica que devem ser feitas depois. Na verdade, por várias razões lógicas, o hadith narrado por Abdullah ibn Buhaina é mais correto. Contudo, ambos os métodos foram narrados por fontes autênticas. Portanto, qualquer um dos dois métodos pode ser adotado.
São conhecidas, a partir do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), várias formas de erro na oração. Por exemplo:
1. Certa vez, o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) concluiu a oração do ‘isha, do zuhr ou do ‘asr com apenas duas rak‘ahs, pronunciando o salām. Depois, completou a oração. Em seguida, após o salām, fez duas prostrações. Ao descer para cada prostração e ao se levantar dela, dizia “Allahu Akbar”.
2. Foi narrado em Abu Dawud e at-Tirmidhi que o Nobre Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) conduziu as pessoas na oração, cometeu um erro durante a oração e, em seguida, realizou duas prostrações de esquecimento. Depois, recitou o tashahhud e concluiu a oração com o salam. O imã at-Tirmidhi disse que este hadith é hasan e gharib.
3. Certo dia, depois de conduzir as pessoas em três rak‘at de uma oração de quatro rak‘at, ele se voltou para os muqtadis. Então Talha ibn Ubaydullah (que Allah esteja satisfeito com ele) perguntou-lhe: “O senhor rezou três rak‘at e esqueceu uma rak‘at.” Então ele ordenou a Bilal que pronunciasse a iqama. Bilal pronunciou a iqama. Ele conduziu novamente as pessoas na oração. Este hadith foi narrado pelo imã Ahmad.
4. Certo dia, ele conduziu a oração do zuhr com cinco rak‘at. Então lhe perguntaram: “Foi acrescentada uma rak‘at à oração do zuhr?” Ele perguntou: “O que foi?” Eles responderam: “Hoje o senhor rezou cinco rak‘at.” Ao ouvir isso, ele realizou duas prostrações depois do salam. (Bukhari e Muslim)
5. Certo dia, ele conduziu a oração do asr com três rak‘at e foi para casa. Então um homem chamado Khirbaq, Dhul-Yadayn (o de braços longos), foi atrás dele e explicou-lhe o ocorrido. Ao ouvir suas palavras, ele saiu de casa irritado, arrastando seu manto, e perguntou às pessoas se aquilo era verdade. Elas responderam: “Sim.” Então ele rezou a rak‘at restante e concluiu a oração com o salam. Depois realizou duas prostrações de esquecimento e concluiu novamente a oração com o salam. (Sahih Muslim)
Sobre os erros cometidos na oração e as prostrações de esquecimento, foram narrados do Mensageiro (que a paz esteja sobre ele) ao todo estes cinco métodos.
Ele realizou as prostrações de esquecimento tanto antes do salam quanto depois dele. As opiniões dos imãs sobre este assunto são as seguintes:
1. Segundo o imã ash-Shafi‘i (que Allah tenha misericórdia dele), as prostrações de esquecimento devem ser realizadas antes do salam em todos os casos.
2. Segundo o imã Abu Hanifa (que Allah tenha misericórdia dele), as prostrações de esquecimento devem ser realizadas depois do salam em todos os casos.
3. O Imã Malik (que Allah tenha misericórdia dele) disse: quando, por engano, algo é omitido na oração, a prostração de compensação deve ser feita antes da saudação final. Quando, por engano, algo é acrescentado à oração, a prostração pelo erro deve ser feita depois da saudação final. Porém, se ambos os tipos de erro ocorrerem na mesma oração, a prostração de compensação deve ser feita antes da saudação final. Abu Umar disse: esta é a escola jurídica do Imã Malik. Contudo, se alguém agisse de modo contrário à sua opinião, ele não o proibia, pois, segundo ele, há margem para divergência sobre essa questão.
4. Qual era a opinião do Imã Ahmad ibn Hanbal sobre essa questão? A respeito disso, Aṣram disse: ouvi que perguntaram ao Imã Ahmad (que Allah tenha misericórdia dele) se a prostração pelo erro deveria ser feita antes ou depois da saudação final. Ele respondeu: em alguns casos, antes da saudação, e em outros, depois dela. O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) fazia exatamente assim.
5. O Imã Dawud (Ẓāhirī) disse: ninguém deve fazer a prostração de compensação por outros motivos além dos cinco casos em que o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) a fez.
A prostração por dúvida
Quando surgia dúvida ou incerteza durante a oração, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) não voltava a repetir a oração. Ele disse que, em caso de dúvida, a pessoa deve concluir a oração de acordo com aquilo que considerar mais provável, fazer a prostração antes da saudação final e abandonar a dúvida.
É narrado por Abu Saʿid al-Khudri (que Allah esteja satisfeito com ele) que o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: quando algum de vocês tiver dúvida durante a oração e não conseguir determinar quantas unidades de oração realizou — três ou quatro —, deve abandonar a dúvida e tomar como base aquilo que considerar mais provável. Depois, deve fazer duas prostrações antes da saudação final. (Ṣaḥīḥ Muslim)
Um hadith narrado por Ibn Masʿud (que Allah esteja satisfeito com ele) afirma: quando algum de vocês tiver dúvida durante a oração, deve considerar correta uma das possibilidades, concluir a oração com base nela e fazer duas prostrações antes da saudação final. (Bukhari e Muslim). Em outra narração, menciona-se também que, depois, ele deve fazer a saudação final e, em seguida, realizar duas prostrações.
O Imã Ahmad (que Allah tenha misericórdia dele) disse: a dúvida é de dois tipos. Um é o taḥarrī (a opinião predominante), e o outro é a certeza (yaqīn), acompanhada de alguma dúvida. Segundo o Imã Ahmad, no caso do taḥarrī, o fiel deve fazer a prostração depois da saudação final; no caso da certeza, deve fazê-la antes da saudação final.
O Imã al-Shafi‘i e o Imã Malik (que Allah tenha misericórdia deles) disseram: se alguém ficar em dúvida durante a oração, não deve permanecer imerso na dúvida; deve, antes, firmar-se em uma suposição. Essa também é uma das opiniões do Imã Ahmad.
O Imã Abu Hanifa (que Allah tenha misericórdia dele) disse: se alguém tiver dúvidas durante a oração, e essa dúvida ocorrer pela primeira vez, deverá repetir a oração. Mas, se ficar frequentemente em dúvida, deverá prosseguir com base na opinião predominante ou na certeza.
Fechar os olhos durante a oração
Orar de olhos fechados não era uma prática do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Foi narrado no Sahih al-Bukhari que, enquanto recitava a súplica do tashahhud, o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) mantinha o olhar fixo no dedo indicador de sua mão. Seu olhar não ultrapassava o dedo.
-Foi narrado no Sahih al-Bukhari, segundo Anas (que Allah esteja satisfeito com ele), que Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela) tinha uma cortina de um tipo especial. Ela a havia pendurado em um lado da casa. O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) pediu a Aisha que a retirasse e disse ainda: “As imagens desenhadas na cortina desviam meu olhar da oração.”
-Se ele mantivesse os olhos fechados durante a oração, como as imagens desenhadas na cortina poderiam ter chamado sua atenção?
-Contudo, este hadith não prova que seja proibido fechar os olhos durante a oração.
Os juristas divergiram sobre fechar os olhos durante a oração. O Imã Ahmad e outros consideraram makruh fechar os olhos durante a oração. Segundo eles, isso é uma prática dos judeus.
Contudo, outros consideram permitido fechar os olhos durante a oração. Segundo eles, fechar os olhos facilita alcançar o khushū‘ e o khudhū‘ na oração e sentir a proximidade de Allah. E isso é a essência e o objetivo da oração.
A posição correta a esse respeito é que, se for possível manter o khushū‘, o khudhū‘ e a concentração com os olhos abertos durante a oração, é melhor mantê-los abertos. Mas, se mantê-los abertos impedir a serenidade e o khushū‘ e o khudhū‘ por causa das diversas cenas ao redor, então não há culpa em fechar os olhos. Pelo contrário, de acordo com o princípio fundamental da Sharia, em tal situação é melhor e preferível mantê-los fechados.
Sutrah (barreira)
Quando o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) se levantava para orar, posicionava-se diante de alguma coisa, colocava algo à sua frente ou, pelo menos, traçava uma linha diante de si. Ele ordenou que se colocasse diante do local da oração algo que servisse como barreira (sutrah).
Às vezes, ele orava tendo uma parede à sua frente. Entre o lugar onde ele se prostrava e a parede havia apenas espaço suficiente para passar uma cabra ou uma ovelha. Não havia distância maior do que essa entre ele e a sutrah. Pelo contrário, ele ordenou que se permanecesse próximo da sutrah.
Às vezes, ele orava tendo à sua frente uma cama, um pedaço de madeira, uma árvore ou uma coluna da mesquita.
Quando estava viajando para a guerra ou orava em um campo aberto, fincava uma arma à sua frente, fazia dela uma sutrah e orava; as pessoas oravam atrás dele.
Às vezes, colocava um animal à sua frente e fazia dele uma sutrah. Em outras ocasiões, fazia da sela da montaria uma sutrah.
Ele instruiu os fiéis a, caso não encontrassem nenhuma barreira, fincarem ao menos uma flecha ou um bastão à sua frente, tomando-o como sutra, e então rezarem. Se também não encontrassem uma flecha ou um bastão, deveriam ao menos traçar uma linha no chão diante de si. [Foi narrado nas obras de Bukhari, Muslim e Sahih Ibn Khuzaymah que o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: “Se alguém, apesar de estar rezando tendo uma sutra (barreira) à sua frente, tentar passar diante dele, isto é, pelo espaço entre ele e a barreira, o orante deve impedi-lo com o peito.” Em algumas narrações, foi dito: “Deve repeli-lo tanto quanto puder.” Em outra narração, foi dito: “Deve proibi-lo duas vezes” — por gestos. Se, ainda assim, ele não desistir, deve lutar contra ele, pois ele é um demônio.
Também foi mencionado nas obras de Bukhari, Muslim e Sahih Khuzaymah: se aquele que passa diante de um orante soubesse quão terrível seria a consequência disso, consideraria melhor esperar quarenta do que passar diante dele.
Aqui, “quarenta” significa esperar quarenta dias, quarenta anos ou quarenta períodos de oração.]
Abu Dawud disse: “Ouvi Ahmad ibn Hanbal dizer que, quando se traça uma linha no chão, ela deve ser traçada horizontalmente, como uma lua nova. Abdullah disse que deve ser traçada longitudinalmente. E, quando se finca um bastão, deve-se fincá-lo na posição vertical.”
A oração é invalidada quando não há uma sutra?
É sabido por fontes autênticas que, se não houver uma sutra diante do orante, a oração será invalidada caso, nessas circunstâncias, uma mulher adulta, um jumento ou um cão preto passe diante dele. Os hadiths relacionados a esse assunto foram narrados por Abu Dharr, Abu Hurayrah, Ibn Abbas e Abdullah ibn Mughaffal (que Allah esteja satisfeito com todos eles).
Contudo, a narração de Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela) contradiz a opinião acima. Ela disse que costumava deitar-se transversalmente no local onde o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) fazia a prostração. Quando ele fazia a prostração, tocava seus pés com um beliscão, e então ela recolhia as pernas. Quando ele se levantava da prostração, Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela) estendia novamente as pernas.
A diferença entre esses dois tipos de narração está entre passar diante do orante e permanecer no local. A realidade, Allah sabe melhor.
O que o Mensageiro (que a paz esteja com ele) fazia depois de pronunciar o salam? O que recitava?
(Nesta seção, serão discutidos o que o Mensageiro de Allah (que a paz esteja com ele) fazia depois de pronunciar o salam da oração obrigatória, como se sentava, o que recitava e quais súplicas e lembranças de Allah fazia.
É narrado no Sahih Muslim, sob a autoridade de Aisha e de Sauban (que Allah esteja satisfeito com eles), que, quando o Mensageiro de Allah (que a paz esteja com ele) terminava a oração pronunciando o salam, dizia três vezes استغفر الله (Peço perdão a Allah). [É narrado no Sahih al-Bukhari e no Sahih Muslim, sob a autoridade de Ibn Abbas (que Allah esteja satisfeito com ele): compreendíamos que o Mensageiro de Allah (que a paz esteja com ele) havia concluído a oração ao ouvir sua pronúncia do takbir.
Ou seja, depois de pronunciar o salam, o Mensageiro de Allah (que a paz esteja com ele) dizia Allahu Akbar em voz alta.
Portanto, de acordo com o hadith, parece correto pronunciar primeiro uma vez Allahu Akbar e depois recitar três vezes Astaghfirullah. Em seguida, deve-se recitar Allahumma anta as-Salam wa minka as-Salam…… ] Depois dizia: (Árabe***********)
Isto significa: Ó Allah! Tu és a fonte da paz, e de Ti provém a paz. Ó Possuidor de poder e de imensa dignidade! Tu és abundantemente abençoado e pródigo.”
Depois de pronunciar o salam, ele permanecia voltado para a qibla somente pelo tempo necessário para dizer estas palavras. Após recitar esta frase, levantava-se ou sentava-se voltado para os seguidores. Às vezes, virava-se para os seguidores pelo lado direito e, outras vezes, pelo lado esquerdo. É narrado no Sahih al-Bukhari e no Sahih Muslim, sob a autoridade de Ibn Mas’ud (que Allah esteja satisfeito com ele), que ele disse: “Vi que o Mensageiro de Allah (que a paz esteja com ele) na maioria das vezes se sentava virando-se pelo lado esquerdo.”
É narrado no Sahih Muslim, sob a autoridade de Anas (que Allah esteja satisfeito com ele), que ele disse: “Vi que, na maioria das vezes, ele se sentava virando-se para o lado direito.”
Foi narrado por Abdullah ibn Umar (que Allah esteja satisfeito com ele): “Eu vi o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) virar-se e sentar-se tanto para o lado direito quanto para o lado esquerdo. Ele se sentava voltado diretamente para os participantes da oração. Não se sentava virado especialmente para um lado, deixando o outro de lado. Sentava-se diretamente e olhava para todos. Depois de realizar a oração do Fajr, permanecia sentado no local da oração até o nascer do sol.”
Os dhikrs e as súplicas que recitava após a oração
Foi narrado por al-Mughira ibn Shu’ba (que Allah esteja satisfeito com ele), em Sahih al-Bukhari e Sahih Muslim, que o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) dizia estas palavras após cada oração obrigatória:(Árabe***********************)
Significado: Não há divindade além de Allah, o Único. Ele não tem parceiro. A soberania do universo pertence exclusivamente a Ele. Todo louvor pertence a Ele. Ele é Todo-Poderoso. Ó Allah! Ninguém pode impedir aquilo que Tu desejas conceder. E, se Tu não desejas conceder algo, ninguém tem poder para concedê-lo. A riqueza de qualquer rico e a posição de qualquer pessoa honrada são completamente inúteis e absolutamente ineficazes diante de Ti.”
Abu Hatim mencionou em sua obra Sahih que o nobre Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), após concluir a oração, dizia:
(Árabe**********************)
Significado: Ó Allah! Purifica a minha religião, que é a salvaguarda de todas as minhas ações. Corrige a minha vida mundana, na qual colocaste o meu sustento. Ó Allah! Busco refúgio, por meio da Tua satisfação, contra a Tua insatisfação; por meio do Teu perdão, contra a Tua punição. E busco refúgio em Ti contra a Tua punição. Ninguém pode impedir aquilo que Tu desejas conceder, e ninguém pode conceder aquilo que Tu não desejas conceder. Diante de Ti, a riqueza de qualquer rico e a posição de qualquer pessoa honrada de nada valem.” (Sahih Abu Hatim)
Al-Hakim mencionou em seu Mustadrak um hadith narrado por Abu Ayyub al-Ansari (que Allah esteja satisfeito com ele). Ele disse: “Sempre que eu realizava a oração atrás do vosso amado Profeta, certamente o ouvia dizer estas palavras após a oração:”
(Árabe****************)
Significado: Ó Allah! Perdoa todos os meus erros e pecados. Ó Allah! Ergue-me, concede-me vida, sustento e capacidade para viver com base em ações virtuosas e bom caráter. Pois, se Tu não concederes essa capacidade, ninguém poderá viver dessa maneira. Ninguém, além de Ti, pode afastar as pessoas do mal e da desgraça.
Foi narrado por Ibn az-Zubair (que Allah esteja satisfeito com ele) em Sahih Muslim que, quando o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) concluía a oração com o salam, recitava estas palavras em voz alta: (Árabe*********************)
Significado: Não há divindade além de Allah. Ele é Único e Uno. Não há parceiro para Ele. A soberania de todo o universo pertence a Ele. Todos os louvores pertencem a Ele. Ele é Onipotente. Não há poder nem força senão por Allah, e não há refúgio senão n’Ele. Não há autoridade além de Allah. Nós não adoramos senão a Ele. Todas as bênçãos pertencem a Ele, e a dádiva também é d’Ele. Portanto, todos os melhores louvores pertencem igualmente a Ele. Não há divindade além de Allah. Nós Lhe obedecemos sinceramente, embora os incrédulos não gostem disso.
Pedir perdão e proteção após a oração
Em Abu Dawud, foi mencionada uma narração de Ali (que Allah esteja satisfeito com ele). Nela, ele disse que, quando o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) concluía a oração com o salam, dizia: (Árabe*********************)
Significado: Ó Allah! Perdoa-me. Perdoa os meus pecados passados e futuros, ocultos e manifestos. Perdoa todas as minhas transgressões. Perdoa os pecados que Tu conheces melhor do que eu. Tu adiantas e Tu atrasas. Não há salvador além de Ti.
Sobre esta súplica, o Imam Muslim apresentou duas opiniões.
1. O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) recitava isto entre o tashahhud e o salām. Esta é, essencialmente, a opinião correta.
2. A segunda opinião é que o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) recitava isto depois do salām.
— Provavelmente, o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) recitava esta súplica tanto antes quanto depois do salām. Allah sabe melhor a verdadeira questão.
Saʿd ibn Abī Waqqās (que Allah esteja satisfeito com ele) ensinava estas palavras aos seus filhos e dizia que o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) buscava refúgio desta maneira depois da oração:(Árabe*****************)
Significado: Ó Allah! Busco refúgio em Ti contra o medo e a covardia. Busco refúgio contra a avareza. Busco refúgio em Ti contra a incapacidade da velhice. Busco refúgio em Ti contra as provações deste mundo [fitna significa ser submetido a um teste de fé por meio de uma adversidade severa] e contra o castigo do túmulo.” (Sahih al-Bukhari)
Dar testemunho (shahada) após a oração
No Musnad de Ahmad, foi narrado por Zayd ibn Arqam; ele disse que o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) dizia estas palavras depois de cada oração:(Árabe***********************)
Significado: Ó Allah! Nosso Senhor e Senhor e Dono de todas as coisas. Testemunho que Tu és o único Senhor; Tu és Uno e não tens parceiro algum. Ó Allah, nosso Senhor e Senhor de todas as coisas! Testemunho que, certamente, Muhammad é Teu servo e Mensageiro. Ó Allah, nosso Senhor e Senhor de todas as coisas! Testemunho que todos os servos são irmãos uns dos outros. Ó Allah, nosso Senhor e Senhor de todas as coisas! Torna a mim e à minha família voltados unicamente para Ti e sinceros para Ti em cada momento deste mundo e da Outra Vida. Ó Possuidor de majestade e grande honra! Ouve e aceita a minha súplica. Allah é Grandioso, Allah é o Maior. Allah é a luz do universo e desta Terra. Allah é o Maior, o mais grandioso. Allah é suficiente para mim. Ele é o melhor em quem confiar. Allah é o Maior, Allah é o Maior.”
—Este hadith foi narrado pelo Imã Ahmad e pelo Imã Abu Dawud.
Dizer o tasbih, o tahmid e o takbir após a oração
O Mensageiro de Allah deixou para sua comunidade a prática de que, depois de terminar a oração, eles—
سبحان الله trinta e três vezes, الحمد لله trinta e três vezes, الله اكبر trinta e três vezes e depois (Árabe********) recitem uma vez, completando assim cem vezes ao todo.
Foi narrado no Sahih Muslim, segundo Abu Huraira (que Allah esteja satisfeito com ele), que ele disse: o Mensageiro de Allah afirmou que, se uma pessoa, ao final de cada oração, disser trinta e três vezes “Subhanallah”, trinta e três vezes “Alhamdulillah” e trinta e três vezes “Allahu Akbar”, totalizando noventa e nove vezes, e depois disser “La ilaha illallahu wahdahu… ‘ala kulli shay’in qadir”, completando cem, seus pecados serão perdoados, ainda que sejam tão numerosos quanto as bolhas do mar.
Contudo, no hadith narrado no Sahih Muslim por Ka‘ab ibn Ujrah (que Allah esteja satisfeito com ele), consta que o Mensageiro de Allah disse: jamais ficará desiludida a pessoa que, ao final de cada oração, disser trinta e três vezes “Subhanallah”, trinta e três vezes “Alhamdulillah” e trinta e quatro vezes “Allahu Akbar”. (Sahih Muslim)
O que ele ensinou aos Companheiros para recitarem depois da oração
Foi narrado por Abu Dharr, Abu Ayyub al-Ansari e Abd al-Rahman ibn Ghanm (que Allah esteja satisfeito com todos eles) que o nobre Profeta disse: quem, imediatamente após pronunciar o salam das orações do fajr e do maghrib, recitar dez vezes as palavras a seguir, receberá dez boas ações, dez pecados serão apagados e sua posição será elevada em dez graus. Além disso, essas palavras equivalerão, para ele, à libertação de quatro escravos e servirão como proteção contra Satanás. Enquanto continuar recitando-as, nenhum pecado, exceto o shirk, poderá atingi-lo. Essas palavras também embelezarão suas ações. As palavras são:(Árabe*********************)
Significado: Não há divindade além de Allah. Ele é Um e Único. Não há parceiro para Ele. Todo o reino e toda a autoridade pertencem somente a Ele. Todo louvor também pertence a Ele. Ele tem poder sobre todas as coisas.” (Ibn Hibban, Musnad Ahmad, Tirmidhi)
O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) também disse a respeito dessas frases: se uma pessoa as pronunciar no horário do fajr, estará protegida das garras de Satanás até o maghrib. E, se as recitar no maghrib, estará protegida das conspirações de Satanás até o fajr.
O Imam Tirmidhi disse que este hadith é hasan, sahih e gharīb.
Ibn Hibban mencionou em sua coletânea Sahih a narração de Harith ibn Muslim al-Tamimi. Ele disse: o nobre Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) me disse: quando terminares a oração do fajr, antes de dizer qualquer outra coisa, pede sete vezes a libertação do Inferno recitando estas palavras. Depois da oração obrigatória do maghrib, também deverás dizer estas palavras sete vezes. Então, se morreres naquele dia ou naquela noite, Allah registrará para ti a libertação do Inferno. A frase que deve ser recitada sete vezes é:(Árabe**********)
Significado: Ó Allah! Liberta-me do Inferno.”
O Imam Nasa’i mencionou um hadith em sua obra Al-Kabir, narrado por Abu Umar (que Allah esteja satisfeito com ele), e o Imam Bayhaqi também o mencionou em Shu’ab al-Iman, narrado por Ali (que Allah esteja satisfeito com ele). Nele é dito que o nobre Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: quem recitar o Ayat al-Kursi depois de cada oração obrigatória — o Ayat al-Kursi é um famoso versículo do Alcorão sobre o poder infinito, a grandeza e a soberania de Allah. É o versículo 255 da surata Al-Baqarah. Todo crente deve memorizá-lo e conhecer seu significado — não terá nenhum obstáculo em seu caminho para entrar no Paraíso, exceto a morte.
Este hadith também foi narrado por várias outras cadeias de transmissão. Contudo, há divergência entre os especialistas em hadith quanto a ele ser sahih ou da’if. Alguns disseram que o hadith é fraco quanto à sua cadeia de transmissão e não é aceitável. Outros disseram que, embora haja certa fraqueza na cadeia de transmissão, como o hadith foi narrado por muitas cadeias, pode conter um núcleo de verdade.
Foi narrado em obras como Musnad Ahmad, Abu Dawud, Nasa’i, Bayhaqi, Abu Hatim, Ibn Hibban e Hakim, por meio de Uqbah ibn Amir (que Allah esteja satisfeito com ele), que disse: o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) me ordenou recitar, depois de cada oração, a Surata Al-Falaq e a Surata An-Nas (as duas últimas suratas do Alcorão).
At-Tabarani, em seu Mu’jam, e Abu Ya’la, em seu Musnad, narraram um hadith marfu’ de Jabir (que Allah esteja satisfeito com ele), por intermédio de Umar ibn Nabhan, segundo o qual: há três ações que, se uma pessoa as praticar com fé, poderá entrar pela porta do Paraíso que desejar e terá como companheiras as huris de olhos grandes. Essas três ações são:
1. Perdoar aqueles que o mataram,
2. Quitar as dívidas ocultas e
3. Recitar dez vezes “Qul huwa Allahu ahad…”, a surata (Surata Al-Ikhlas), após cada oração obrigatória.
Abu Bakr (que Allah esteja satisfeito com ele) perguntou: “Ó Mensageiro de Allah! Mesmo que se pratique apenas uma dessas três ações, isso será alcançado?” Ele respondeu: “Sim, mesmo que se pratique apenas uma.”
O Mensageiro de Allah (que a paz esteja com ele) recomendou a Mu’adh (que Allah esteja satisfeito com ele) que pedisse ajuda a Allah dessa maneira após cada oração:
(Árabe******************)
Significado: “Ó Allah! Ajuda-me sempre a lembrar-Te, agradecer-Te e adorar-Te da melhor e mais perfeita maneira.”
Aqui, a expressão “depois da oração” pode significar tanto antes quanto depois de proferir o salām. Nosso mestre (o Imame Ibn Taymiyya) disse que “depois da oração” significa no extremo final, isto é, antes do salām.
3
A oração em congregação
[Este capítulo não fazia parte da obra original. Nós o acrescentamos. Sem fazer qualquer comentário, citamos aqui diretamente, a partir das obras autênticas, as palavras e a prática do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) acerca da oração em congregação.]
A extrema ênfase dada pelo Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) à oração em congregação
Relatado por Abu Huraira (que Allah esteja satisfeito com ele). Ele disse: o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: “Juro por Aquele em cuja mão está a minha vida! Desejo ordenar que se recolham lenha. Depois, quando ela tiver sido recolhida e amontoada, desejo ordenar que se faça o chamado para a oração. Então, desejo ordenar que alguém conduza a oração e ir de casa em casa para verificar quem não veio rezar.” Em outra versão, foi dito: “Desejo incendiar as casas daqueles que, mesmo ouvindo o chamado para a oração, não comparecem à mesquita.” (Al-Bukhari e Muslim)
Relatado por Abu Huraira (que Allah esteja satisfeito com ele): o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: “Se não houvesse mulheres e crianças nas casas das pessoas, eu ordenaria aos jovens que incendiassem as casas cujos moradores não compareceram à oração de ‘Ishā em congregação.” (Musnad Ahmad)
Relatado por Abu Huraira (que Allah esteja satisfeito com ele). Ele disse: certa vez, um homem cego foi até o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) e perguntou: “Ó Mensageiro de Allah! Não tenho ninguém que me leve à mesquita segurando-me pela mão.” Então, o homem pediu dispensa de comparecer à mesquita e permissão para rezar em casa. Ele lhe concedeu permissão para rezar em casa. Após receber a permissão, o homem partiu. Mas o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) mandou chamá-lo novamente. Ele voltou, e o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) perguntou-lhe: “Consegues ouvir o chamado para a oração?” Ele respondeu: “Sim, consigo.” Ele disse: “Então, comparece à mesquita.” (Sahih Muslim)
Narrado por Abu Darda, que Allah esteja satisfeito com ele. Ele disse: O Mensageiro de Allah, que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele, disse:
Se em qualquer povoado ou região desabitada viverem sequer três pessoas e elas não estabelecerem a oração em congregação, certamente Satanás se apoderará delas. Portanto, estabeleça certamente a congregação, pois o lobo certamente fará presa da ovelha ou cabra que se afasta do rebanho. (Musnad Ahmad, Abu Dawud, Nasa’i)
Narrado por Abu Musa al-Ash’ari, que Allah esteja satisfeito com ele: O Mensageiro de Allah, que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele, disse que, havendo duas ou mais pessoas, deve-se formar uma congregação. (Ibn Majah)
Umm ad-Darda, que Allah esteja satisfeito com ela, disse: Certo dia, Abu Darda entrou em casa extremamente irritado. Perguntei: O que o deixou irritado? Ele respondeu: Juro por Allah, não conheço outra característica da comunidade de Muhammad senão que todos rezam juntos em congregação. (Sahih al-Bukhari)
Narrado por Ibn Abbas, que Allah esteja satisfeito com ele: O Mensageiro de Allah, que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele, disse: Quem ouvir o chamado para a oração e, ainda assim, não comparecer à congregação, sua oração não será válida. Exceto se tiver alguma desculpa; nesse caso, é diferente. (Dar al-Qutni, Abu Dawud)
A excelência (mérito) da oração em congregação
Narrado por Abdullah ibn Umar, que Allah esteja satisfeito com ele: O Mensageiro de Allah, que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele, disse: O mérito da oração em congregação é vinte e sete vezes superior ao da oração individual. (Bukhari e Muslim)
Narrado por Ubayy ibn Ka’b, que Allah esteja satisfeito com ele: O Mensageiro de Allah, que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele, disse: A primeira fileira da oração é como a fileira dos anjos. Se soubésseis o mérito da primeira fileira, disputaríeis ansiosamente para alcançá-la. Lembrai-vos: rezar juntos, em duas pessoas, é melhor do que rezar sozinho. E rezar juntos, em três pessoas, é melhor do que rezar juntos, em duas pessoas. Assim, quanto maior for a congregação, mais amada ela será por Allah. (Abu Dawud, Nasa’i)
Foi narrado por Abdullah ibn Mas‘ud (que Allah esteja satisfeito com ele): quem realizar devidamente a ablução e se dirigir a uma mesquita para realizar a oração em congregação, por cada passo Allah escreverá para ele uma boa ação, elevará um grau sua posição e apagará um pecado.” (Sahih Muslim)
Aprendemos dos hadiths acima que realizar a oração em congregação possui uma grande virtude. Ou seja:
1. Uma virtude vinte e sete vezes maior.
2. Uma boa ação por cada passo no caminho até a mesquita.
3. Uma elevação de grau por cada passo.
4. O apagamento de um pecado por cada passo.
5. Ao ficar na primeira fileira, alcançar uma posição semelhante à dos anjos.
6. Quanto mais pessoas forem incluídas na congregação, maior será o amor recebido de Allah.
Não comparecer à oração em congregação é sinal de hipocrisia
Ubayy ibn Ka’b (r.a.) narrou: O Mensageiro de Allah (s.a.w.), depois de terminar a oração do Fajr por dois dias consecutivos, perguntou-nos: «Fulano compareceu à oração?» Todos disseram: «Não.» Ele perguntou novamente: «Fulano compareceu?» As pessoas responderam: «Não.» Ele disse: «Estas duas orações (Fajr e Isha) são mais pesadas para os hipócritas do que as demais orações. Se soubésseis quanto (recompensa) há nelas, compareceríeis à oração mesmo que tivésseis de rastejar.» (Abu Dawud, Nasa’i)
Abdullah ibn Mas’ud (r.a.) disse: Juro por Allah, vi os Companheiros. (Eles nunca abandonavam a oração em congregação.) Somente os hipócritas abandonavam a congregação. Certamente, entre os Companheiros, houve pessoas que foram levadas à mesquita, apoiadas por dois homens, um de cada lado, e colocadas de pé na fileira. (Sahih Muslim)
Usama (r.a.) narrou. Ele disse: O Mensageiro de Allah (s.a.w.) disse: «Aquele que, depois de o adhan ser feito na mesquita, sair sem uma necessidade especialmente urgente e não tiver a intenção de retornar à mesquita é um hipócrita.» (Mishkat)
Ibn Mas’ud (r.a.) narrou: Vi a comunidade dos nobres Companheiros. Nessa comunidade, ninguém deixava de comparecer à oração em congregação, exceto o hipócrita e o doente. (Sahih Muslim)
Foi dito no Alcorão Majid que, para aqueles que não temem a Allah, a oração é como um pesado fardo. Outros hadiths dizem que os hipócritas fazem a oração para serem vistos pelas pessoas. Quando ninguém os vê, não fazem a oração. Quando alguém os vê, fazem-na por obrigação.
Quando começa a congregação, não há oração sunnah
Abu Huraira (r.a.) narrou: O Mensageiro de Allah (s.a.w.) disse: «Quando for feita a iqama para a oração em congregação (isto é, quando começar a oração obrigatória em congregação), não há outra oração além desta oração (obrigatória).» O significado dessas palavras é que, quando a congregação da oração obrigatória estiver de pé, não se pode fazer nenhuma outra oração.
—Com base neste hadith, o Imam Shafi’i, que Allah tenha misericórdia dele, disse: quando a congregação da oração obrigatória estiver de pé, deve-se abandonar a oração sunnah e juntar-se à congregação.
O Imam Abu Hanifa, que Allah tenha misericórdia dele, disse: mesmo havendo a possibilidade de alcançar uma rak’ah da congregação da oração do fajr, pode-se realizar a sunnah. Contudo, deve-se ficar afastado da fileira. Segundo ele, é makruh ficar dentro da fileira ou próximo dela.
Segundo os especialistas em hadith, de acordo com este hadith, não há espaço para realizar a oração sunnah depois que a congregação tiver começado. A razão é:
—O Mensageiro de Allah, que Allah lhe conceda paz e bênçãos, não autorizou que isso fosse feito.
—Também não há precedente de tal prática entre os nobres Companheiros.
—Embora a sunnah do fajr seja mais importante que as demais orações sunnah, ela continua sendo sunnah, e não obrigatória.
—O significado de o mu’adhdhin fazer a iqamah é um chamado, da parte do imam, para participar da congregação. E responder ao chamado do imam, no caso da oração obrigatória, é obrigatório.
Portanto, de acordo com o significado claro e a lógica deste hadith, quando a congregação começa, não há espaço para realizar a sunnah.
A presença das mulheres na oração congregacional da mesquita
É narrado por Abdullah ibn Umar (que Allah esteja satisfeito com ele) que o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: “Se a esposa de algum de vós quiser ir à mesquita para realizar a oração em congregação, não a impeça.” (Bukhari, Muslim)
É narrado por Abdullah ibn Umar (que Allah esteja satisfeito com ele). Ele disse que o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: “Não impeçais vossas esposas de irem à mesquita. Contudo, para elas, é melhor rezarem em suas casas.” (Abu Dawud)
—Foi narrado em outra versão: “Não impeçais as servas de Allah de irem à mesquita.”
É narrado por Abdullah ibn Masud (que Allah esteja satisfeito com ele). Ele disse que o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: “Para as mulheres, é melhor rezar no interior da casa do que rezar na sala de estar; e é melhor rezar em seu quarto do que rezar no interior da casa.” (Abu Dawud)
É narrado por Zaynab (que Allah esteja satisfeito com ela), esposa de Abdullah ibn Masud (que Allah esteja satisfeito com ele). Ela disse: O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) nos disse: “Quando alguma de vós for à mesquita, não deve ir usando perfume.” (Sahih Muslim)
É narrado por Abu Hurayra (que Allah esteja satisfeito com ele) que o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: “Nenhuma mulher deve comparecer à oração do isha conosco usando perfume.” (Sahih Muslim)
Bilal ibn Abdullah ibn Umar narrou, por intermédio de seu pai, Abdullah ibn Umar (que Allah esteja satisfeito com ele), que o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: “Não impeçais vossas mulheres de irem à mesquita para rezar, se quiserem.” Ao ouvir isso, Bilal disse: “Certamente as impediremos de ir à mesquita.” Então, Abdullah ficou irado e disse ao filho: “Estou transmitindo-te a palavra do Mensageiro de Allah, e tu te opões a ela?” Salim, outro filho de Abdullah ibn Umar, disse: “Meu pai não falou com Bilal até morrer.” (Muslim, Musnad Ahmad)
A importância da oração do Fajr em congregação é maior que a do Tahajjud.
Foi narrado por Abu Bakr ibn Sulayman ibn Abi Hathma: certo dia, o califa Umar ibn al-Khattab, que Allah esteja satisfeito com ele, não encontrou (meu pai) Sulayman ibn Abi Hathma na oração do Fajr em congregação. Naquela manhã, Umar partiu em direção ao mercado. A residência de meu pai, Sulayman, ficava no caminho para o mercado. O califa foi à nossa casa e perguntou à minha avó, Shifa (bint Abd Allah): “O que aconteceu? Por que hoje não vi (seu filho) Sulayman na oração do Fajr?”. Minha avó respondeu: “Ele passou a noite em vigília, fazendo a oração do Tahajjud. Por isso, o sono tomou conta de seus olhos e ele se deitou (depois de rezar em casa).”
Ao ouvir isso, Umar, que Allah esteja satisfeito com ele, disse: “Para mim, estar presente na oração do Fajr em congregação é mais querido do que passar a noite inteira em vigília fazendo orações voluntárias.” (Muwatta do Imam Malik)
Com essa declaração, Umar, que Allah esteja satisfeito com ele, não desencorajou a oração do Tahajjud ou as orações voluntárias noturnas; ao contrário, ele esclareceu aqui os diferentes níveis de importância entre a oração em congregação e as orações voluntárias. Deste hadith, aprendemos:
1. Embora a oração do Tahajjud ou a oração noturna tenha uma dignidade muito elevada entre as orações da Sunnah, sua dignidade não é maior que a de realizar as orações obrigatórias em congregação.
2. Se houver o risco de perder a oração do Fajr em congregação, não é correto passar a noite em vigília dedicando-se à adoração ou a qualquer outra atividade religiosa.
3. Até mesmo se houver o risco de perder a oração do Fajr em congregação, não é correto passar a noite em vigília realizando a oração do Tahajjud. Porém, se não houver risco de deixar de estar presente na oração do Fajr em congregação, é melhor realizar o Tahajjud.
Possibilidade de atraso e exceções quanto à presença na congregação
Foi narrado por ʿAisha, a Mãe dos Crentes, que Allah esteja satisfeito com ela. Ela disse: Ouvi o Mensageiro de Allah, que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele, dizer: “Quando a comida for servida e surgir a necessidade de urinar ou defecar, não se deve ir para a oração antes de atender a essas necessidades.” (Sahih Muslim)
Foi narrado por Abdullah ibn Arqam, que Allah esteja satisfeito com ele. Ele disse: Ouvi o Mensageiro de Allah, que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele, dizer: “Quando a iqamah da oração for proferida e alguém dentre vós sentir necessidade de urinar ou defecar, que primeiro atenda a essa necessidade.” (Tirmidhi, Abu Dawud, Nasa’i, Muwatta de Malik)
Foi narrado por Abdullah ibn Umar, que Allah esteja satisfeito com ele. Ele disse: O Mensageiro de Allah, que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele, disse: “Se o jantar de algum de vós for servido e, nesse momento, a iqamah da oração for proferida, comei primeiro com tranquilidade, sem pressa, e depois ide para a oração.” (Bukhari, Muslim)
Jabir ibn Abdullah, que Allah esteja satisfeito com ele, disse: O Mensageiro de Allah, que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele, disse: “Não atraseis a oração (isto é, a oração em congregação) por causa da comida ou de qualquer outra coisa.” (Sharh al-Sunnah)
Foi narrado por Abdullah ibn Umar, que Allah esteja satisfeito com ele, que o Mensageiro de Allah, que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele, disse: “Numa noite de frio intenso e chuva, quando algum de vós fizer o adhan, que anuncie também: ‘Orai em vossas próprias casas.’” (Bukhari, Muslim)
Aprendemos com estes hadiths que:
1. Mesmo que a comida seja servida e a iqamah da oração seja proferida, deve-se comer e depois ir para a oração.
2. Quando houver necessidade de urinar ou defecar, mesmo que a oração já tenha começado, deve-se primeiro atender a essas necessidades.
3. Quando o horário da oração em congregação estiver determinado, não é correto adiá-la por causa da comida ou de qualquer outro motivo.
4. Em noites de frio intenso, chuva e tempestades, é permitido rezar em casa.
5. Outros hadiths mostram que, em caso de doença ou medo do inimigo, é permitido rezar em casa. (Abu Dawud, Ibn Abbas, que Allah esteja satisfeito com ele.)
Endireitar as fileiras
Anas, que Allah esteja satisfeito com ele, narrou que o Mensageiro de Allah, que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele, disse:
(Árabe***************)
Isto significa: Endireitai as fileiras da oração. Pois endireitar as fileiras também faz parte do estabelecimento da oração. (Bukhari)
Anas, que Allah esteja satisfeito com ele, narrou que o Mensageiro de Allah, que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele, disse:(Árabe***************)
Isto significa: endireitai as fileiras da oração. Pois endireitar as fileiras também é uma das ações que completam a oração. (Muslim)
Narrado por Nu‘man ibn Bashir, que Allah esteja satisfeito com ele: o Mensageiro de Allah, que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele, endireitava as nossas fileiras na oração exatamente como se endireitam as flechas. Quando as nossas fileiras estavam retas, ele dizia o takbir de abertura. (Muslim, Abu Dawud)
Narrado por Anas, que Allah esteja satisfeito com ele: certo dia, quando foi feita a iqamah para a oração, o Mensageiro de Allah, que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele, virou-se para nós e, de pé, disse: “Endireitai as vossas fileiras e permanecei unidos uns aos outros.” (Bukhari)
Narrado por Jabir ibn Samurah, que Allah esteja satisfeito com ele: o Mensageiro de Allah, que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele, disse: “Permanecei em fileiras como os anjos, tal como eles permanecem em fileiras diante do seu Senhor.” Perguntámos: “Ó Mensageiro de Allah! Como os anjos permanecem em fileiras diante do seu Senhor?” Ele respondeu: “Eles completam primeiro as primeiras fileiras e permanecem unidos uns aos outros.” (Sahih Muslim)
Narrado por Abu Huraira, que Allah esteja satisfeito com ele: o Mensageiro de Allah, que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele, disse: “Entre as fileiras dos homens, a melhor é a primeira fileira; e entre as fileiras das mulheres, a melhor é a última fileira.” (Sahih Muslim)
Narrado por Abdullah ibn Mas‘ud, que Allah esteja satisfeito com ele: o Mensageiro de Allah, que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele, disse: “Que aqueles dentre vós que são mais velhos e possuem maior compreensão permaneçam próximos de mim (do imam). Depois deles, os que lhes são mais próximos; depois deles, os que lhes são mais próximos. Cuidado! Abstende-vos de fazer algazarra na mesquita como se faz no mercado.” (Muslim)
Narrado por Bara ibn ‘Azib, que Allah esteja satisfeito com ele: o Mensageiro de Allah, que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele, dizia: “Allah e os anjos concedem salat — isto é, derramam misericórdia e fazem súplicas — sobre aqueles que se adiantam para as primeiras fileiras. Para Allah, nenhum passo é mais amado do que o passo dado para unir e completar as fileiras.” (Abu Dawud)
Narrado por Abdullah ibn Umar, que Allah esteja satisfeito com ele: o Mensageiro de Allah, que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele, disse: “Endireitai as fileiras, alinhai os ombros, preenchei as lacunas, mantende-vos unidos com suavidade e não deixeis espaço no meio para Satanás. Quem une uma fileira, Allah o une; e quem rompe uma fileira, Allah o rompe.” (Abu Dawud, Nasai)
Anas (que Allah esteja satisfeito com ele) narrou: O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: “Primeiro, preencham a primeira fileira; depois, a segunda fileira. Continuem preenchendo-as dessa maneira. Se houver alguma lacuna, que ela fique na última fileira.” (Abu Dawud)
Onde devem ficar o imã e os seguidores?
Jabir (que Allah esteja satisfeito com ele) narrou: Certa vez, o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) levantou-se para realizar uma oração voluntária. Eu vim e fiquei à sua esquerda. Então, enquanto ainda estava em oração, ele segurou minha mão e me colocou à sua direita. Depois, Jabbar ibn Sakhr ficou à sua esquerda. Nesse momento, o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) segurou as mãos de nós dois, empurrou-nos para trás e nos colocou atrás dele. (Sahih Muslim)
Abdullah ibn Abbas (que Allah esteja satisfeito com ele) narrou: Certa noite, passei a noite na casa de minha tia, a Mãe dos Crentes, Maymuna. Em determinado momento da noite, vi o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) levantar-se para realizar a oração do tahajjud. Então, também me levantei e fiquei em oração com ele. Nesse momento, ele estendeu a mão por trás, segurou-me e puxou-me para o lado direito dele. (Bukhari e Muslim)
Anas (que Allah esteja satisfeito com ele) narrou: Certa vez, o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) veio à nossa casa e levantou-se para a oração. Eu e um menino órfão ficamos atrás dele, e Umm Sulaym, minha mãe, ficou atrás de nós dois. (Sahih Muslim)
Hudhayfa (que Allah esteja satisfeito com ele) narrou: O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: “Quando alguém liderar as pessoas em oração, não deve ficar em um lugar mais elevado do que elas.” (Abu Dawud)
Sahl ibn Sa’d (que Allah esteja satisfeito com ele) narrou: Certa vez, o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) ficou de pé sobre o púlpito, voltado para a qibla, e pronunciou o takbir de abertura. As pessoas ficaram atrás dele. Ali mesmo, ele recitou, fez o rukū‘, e as pessoas também fizeram o rukū‘ com ele. Depois, levantou a cabeça do rukū‘, recuou, desceu até o piso da mesquita e fez a prostração em terreno plano. Após a prostração, subiu novamente ao púlpito, recitou, fez o rukū‘ e levantou a cabeça do rukū‘. Em seguida, recuou e fez a prostração em terreno plano.
Após concluir a oração, ele disse aos seus seguidores: “Ó pessoas! Fiz isso para que pudésseis ver e ouvir claramente e seguir o modo correto de realizar a oração.” (Bukhari e Muslim)
Narrado por Aisha, Mãe dos Crentes (que Allah esteja satisfeito com ela): certa vez, o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) realizou uma oração voluntária em meu aposento. Enquanto isso, algumas pessoas, do lado de fora do meu aposento, o seguiram na oração. (Abu Dawud)
Aprendemos o seguinte a partir destes hadiths:
1. Quando houver apenas um seguidor com o imame, ele deverá ficar à direita do imame.
2. Se o único seguidor ficar à esquerda do imame por engano ou por ignorância, o imame deverá segurá-lo pela mão, fazê-lo passar por trás de si e colocá-lo à sua direita.
3. Quando houver vários seguidores, eles deverão ficar atrás do imame. Se, por ignorância, ficarem ao lado do imame, ele deverá empurrá-los para trás ou, se houver espaço à frente, avançar e ficar à frente deles.
4. Também é permitido realizar a oração voluntária em congregação.
5. Mesmo que uma pessoa não tenha iniciado a oração com a intenção de ser imame, é permitido que outros a sigam na oração (rezem atrás dela).
6. Depois do imame, os homens deverão ficar em fila; por fim, as mulheres deverão ficar atrás deles.
7. O imame não deve ficar em um lugar mais elevado que os orantes que o seguem. Certa vez, o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) ficou sobre o púlpito para ensinar aos Companheiros como realizar a oração; contudo, descia dele para fazer a prostração.
8. A oração não é prejudicada quando o imame está dentro de uma casa e os orantes que o seguem estão do lado de fora.
Quem deve liderar a oração?
Abu Mas‘ud (que Allah esteja satisfeito com ele) narrou que o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: Em uma comunidade, deve liderá-los na oração aquele que, entre eles, conhece melhor o Livro de Allah (o Alcorão). Se todos forem iguais quanto ao conhecimento do Livro de Allah, deve liderá-los aquele que tiver maior conhecimento da Sunnah. Se também forem iguais quanto ao conhecimento da Sunnah, deve liderá-los aquele que tiver sido o primeiro entre eles na Hégira. Se também forem iguais quanto à Hégira, deve liderá-los o mais velho.
Ninguém deve liderar a oração no lugar sob a autoridade de outra pessoa. E ninguém deve ir à casa ou ao escritório de outra pessoa e sentar-se em seu assento reservado sem sua permissão. (Sahih Muslim)
Ibn Abbas (que Allah esteja satisfeito com ele) narrou que o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: Que os melhores entre vocês façam o chamado para a oração de vocês, e que os que mais conhecem o Alcorão liderem vocês na oração. (Abu Dawud)
Anas (que Allah esteja satisfeito com ele) narrou que certa vez, ao partir para uma batalha, o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) deixou Abdullah ibn Umm Maktum como seu substituto para liderar as pessoas na oração em Medina, embora ele fosse cego. (Abu Dawud)
Ibn Abbas (que Allah esteja satisfeito com ele) narrou que o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: A oração de três pessoas não é elevada a Allah nem sequer na medida de um palmo, isto é, não é aceita. São elas:
1. Aquele que lidera as pessoas em oração, mas elas não gostam dele. (Ibn Mājah)
Foi narrado por Ibn ʿUmar (que Allah esteja satisfeito com ele): antes de o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) chegar a Medina, quando os primeiros emigrantes chegaram à cidade, quem os liderava em oração era Sālim, o liberto de Abū Hudhayfa, embora entre eles também estivessem ʿUmar (que Allah esteja satisfeito com ele) e Abū Salama ibn ʿAbd al-Asad. (Ṣaḥīḥ al-Bukhārī)
Sālim (que Allah esteja satisfeito com ele) era um grande conhecedor do Alcorão. O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) recomendou que se aprendesse o Alcorão com quatro pessoas. Sālim (que Allah esteja satisfeito com ele) era um dos quatro. No momento de sua morte, o califa ʿUmar (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: “Se Sālim estivesse vivo hoje, eu proporia que ele fosse o próximo califa.” Foi por ser um grande erudito do Alcorão que Sālim adquiriu a qualificação para liderar os Companheiros em oração.
Deveres e cuidados do imam
Foi narrado por Abū Qatāda (que Allah esteja satisfeito com ele): o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: “Às vezes começo a oração com a intenção de prolongá-la; porém, então ouço o choro de uma criança e termino a oração rapidamente, pois sei que, ao ouvir o choro do filho, o coração da mãe fica aflito.” (Ṣaḥīḥ al-Bukhārī)
Foi narrado por Abū Hurayra (que Allah esteja satisfeito com ele): o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: “Quando algum de vocês liderar as pessoas em oração, deverá torná-la leve (breve), pois entre os que rezam atrás do imam há doentes, fracos e idosos. Mas, quando algum de vocês rezar sozinho, poderá prolongar a oração tanto quanto desejar.” (Al-Bukhārī e Muslim)
Qays ibn Abī Ḥāzim disse: o Companheiro do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), Abū Masʿūd al-Anṣārī, disse: “Certo dia, um homem veio e reclamou: ‘Ó Mensageiro de Allah! Por Allah, costumo chegar atrasado à oração do fajr por causa de fulano (o imam), pois ele nos conduz em uma oração muito longa.’” Abū Masʿūd disse: “Então vi que, naquele dia, o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) fez uma advertência em tom de reprovação. Ele disse: ‘Alguns de vocês, ao liderarem a oração, acabam incomodando as pessoas. Portanto, quem quer que lidere as pessoas em oração deve necessariamente torná-la breve, pois entre os fiéis há fracos, idosos e pessoas ocupadas com diversas necessidades.’” (Al-Bukhārī e Muslim)
Foi narrado por Abū Hurayra (que Allah esteja satisfeito com ele): o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: “Aqueles que liderarem vocês em oração, se a fizerem corretamente, receberão recompensa, e vocês todos também receberão recompensa. Mas, se cometerem erros ao conduzir a oração, vocês receberão recompensa, enquanto eles carregarão pecado.” (Ṣaḥīḥ al-Bukhārī)
Responsabilidades e deveres dos liderados na oração
Foi narrado por Anas (r.a.): Certo dia, o Mensageiro de Allah (s.a.w.) nos dirigiu na oração. Depois de terminar a oração, virou-se para nós e disse: “Ó pessoas! Eu sou o vosso imam. Portanto, não vos inclineis, não vos prostrais, não permaneçais de pé nem façais o salam antes de mim em nenhuma dessas ações.” (Sahih Muslim)
Abu Huraira (r.a.) disse: O Mensageiro de Allah (s.a.w.) disse: “Não vos adianteis ao imam. Quando o imam disser o takbir, dizei também o takbir. O imam, quando se inclinar, inclinai-vos também.” (Bukhari e Muslim)
Foi narrado por Anas (r.a.) que o Mensageiro de Allah (s.a.w.) disse: “O imam foi designado imam para que seja seguido. Portanto, quando o imam orar de pé, orai de pé com ele. Quando o imam se inclinar, inclinai-vos também com ele. Quando o imam levantar a cabeça, levantai também a cabeça. Quando o imam disser ‘Sami‘allahu liman hamidah’, dizei: ‘Rabbana lakal hamd’.” (Bukhari)
Foi narrado por Abu Huraira (r.a.) que o Mensageiro de Allah (s.a.w.) disse: “Aquele que levanta a cabeça antes do imam não teme que Allah, o Altíssimo, transforme a sua cabeça numa cabeça de burro?” (Bukhari, Muslim)
Foi narrado por Abu e Mu‘adh ibn Jabal (r.a.) que o Mensageiro de Allah (s.a.w.) disse: “Quando algum de vós chegar à oração em congregação, que faça aquilo que o imam estiver fazendo, na posição em que ele estiver.” (Tirmidhi)
Foi narrado por Abu Huraira (r.a.): Aquele que baixa e levanta a cabeça antes do imam tem Satanás segurando-o pela trança. (Muwatta do Imam Malik)
Foi narrado por Abu Huraira (r.a.) que o Mensageiro de Allah (s.a.w.) disse: “Se vierdes à mesquita e nos encontrardes em prostração, prostrai-vos também diretamente. Contudo, não conteis essa rak‘ah em que houve prostração como uma rak‘ah para vós. Mas quem tiver alcançado uma rak‘ah completa terá alcançado toda a oração.” (Abu Dawud)
O Imame Tirmidhi narra que Anas (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: “Aquele que participar continuamente da oração em congregação, desde o primeiro takbir (takbirat al-ihram), durante quarenta dias, será registrado como alguém que rompeu sua relação com duas coisas:”
1. Rompeu sua relação com o Inferno.
2. Rompeu sua relação com a hipocrisia.
Rezar uma oração duas vezes
Foi narrado por Jabir (que Allah esteja satisfeito com ele): Mu’adh ibn Jabal (que Allah esteja satisfeito com ele) rezava com o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele); depois retornava ao seu bairro e conduzia os moradores do bairro na mesma oração. (Bukhari e Muslim)
Jabir (que Allah esteja satisfeito com ele) narrou: Mu’adh (que Allah esteja satisfeito com ele) rezava a oração do isha atrás do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele); depois retornava ao seu bairro e conduzia os moradores na oração do isha. No entanto, essa oração era adicional para ele. (Bayhaqi)
Yazid ibn al-Aswad narrou: Durante a Peregrinação de Despedida, rezei a oração do fajr com o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) na Mesquita de Khayf. Quando ele terminou a oração e se virou, viu dois homens de pé no fundo, sem terem rezado com ele. Ele mandou chamá-los. Quando foram trazidos, seus corpos tremiam. Ele lhes perguntou: “O que os impediu de rezar conosco?” Eles responderam: “Ó Mensageiro de Allah! Já rezamos em nosso alojamento.” Então o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: “Nunca façam isso. Quando rezarem em seu alojamento e vierem à mesquita e encontrarem uma oração em congregação, participem dela. Essa oração será uma oração nafl (adicional) para vocês.” (Tirmidhi, Abu Dawud e Nasa’i)
Mehjan (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: Certa vez, como eu já havia rezado em casa, quando a oração começou na mesquita, sentei-me sem rezar. Depois da oração, o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), ao me ver sentado separadamente, disse: “O que o impediu de rezar em congregação? Você não é muçulmano?” Respondi: “Ó Mensageiro de Allah! Certamente sou muçulmano. Porém, já havia rezado em casa.” Ele disse: “Mesmo que você tenha rezado em casa, quando vier e vir que a oração em congregação está sendo realizada na mesquita, participe dela.” (Nasa’i, Muwatta)
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As orações que o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) costumava fazer antes e depois das orações obrigatórias
[Neste capítulo são discutidas as orações que o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) costumava fazer como orações voluntárias junto às obrigatórias (isto é, antes e depois das obrigatórias). Como o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) fazia essas orações pessoalmente e ordenou e incentivou a comunidade a fazê-las, essas orações são sunnah para a comunidade.]
Quantas rak‘at ele costumava fazer antes e depois das orações obrigatórias?
Quando estava em sua residência (isto é, quando não estava viajando), o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) costumava fazer regularmente dez rak‘at antes e depois das orações obrigatórias.
Abdullah ibn Umar (que Allah esteja satisfeito com ele) descreveu essas dez rak‘at da seguinte maneira: “Guardei na memória (memorizei) as dez rak‘at que o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) fazia antes e depois das orações obrigatórias. Ele:
— fazia duas rak‘at antes do meio-dia.
— fazia duas rak‘at depois do meio-dia.
Após o maghrib, rezava duas rak‘ahs em casa.
– Rezava duas rak‘ahs antes do fajr.” (Bukhari e Muslim)
Exceto durante as viagens, ele rezava regularmente essas duas rak‘ahs. Certa vez, deixou de rezar as duas rak‘ahs após o zuhr; então rezou-as depois do asr. Sua prática em relação a essas duas rak‘ahs era constante. Quando estabelecia uma prática, mantinha-a. Contudo, em algumas narrações, são mencionadas doze rak‘ahs em vez de dez.
O Imam Muslim mencionou um hadith em seu Sahih Muslim, transmitido por Umm al-Mu’minin Umm Habiba. Umm Habiba (que Allah esteja satisfeito com ela) disse: “Ouvi o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) dizer: ‘Quem rezar, durante o dia e a noite, doze rak‘ahs além das orações obrigatórias, terá, em troca delas, uma casa construída para si no Paraíso.’”
O Imam Tirmidhi acrescentou também estas palavras a essa narração:
– Quatro rak‘ahs antes do zuhr.
– Duas rak‘ahs depois do zuhr.
– Duas rak‘ahs depois do maghrib.
-Duas rak‘at depois da oração do ‘Isha.
-Duas rak‘at antes do Fajr.”
Ibn Majah mencionou um hadith marfu‘ transmitido por Umm al-Mu’minin ‘Aisha, no qual são mencionadas doze rak‘at, semelhantemente ao relato de Umm Habiba.
No Sahih Muslim também são mencionadas doze rak‘at, semelhantemente ao relato de ‘Aisha. ‘Abdullah ibn Shaqiq disse: perguntei à mãe dos crentes, ‘Aisha, sobre as orações voluntárias do Mensageiro de Allah, que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele. Ela respondeu: “O Mensageiro de Allah, que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele, costumava fazer quatro rak‘at em minha casa antes do Zuhr. Depois, ia à mesquita, dirigia a oração das pessoas, voltava a entrar em minha casa e fazia duas rak‘at. Depois de dirigir a oração do Maghrib às pessoas, entrava em minha casa e fazia duas rak‘at. Depois de dirigir a oração do ‘Isha às pessoas, também entrava em minha casa e fazia duas rak‘at. ….. E fazia duas rak‘at no início do Fajr.”
Entre todas as orações voluntárias (sunnah), o Mensageiro de Allah, que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele, dava maior importância às duas rak‘at antes do Fajr e à oração do Witr.
Quatro rak‘at antes do Zuhr ou duas rak‘at?
Encontram-se dois tipos de relatos sobre o número de rak‘at antes do Zuhr. Pelo relato de ‘Abdullah ibn ‘Umar, que Allah esteja satisfeito com ele, sabe-se que o Mensageiro de Allah, que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele, fazia duas rak‘at antes do Zuhr. Por outro lado, pelos relatos de ‘Aisha e Umm Habiba, que Allah esteja satisfeito com elas, sabe-se que ele fazia quatro rak‘at.
Talvez ele fizesse às vezes duas rak‘at e às vezes quatro rak‘at. Ambos os relatos são autênticos. Os transmissores, Ibn ‘Umar, ‘Aisha e Umm Habiba, que Allah esteja satisfeito com eles, relataram aquilo que cada um deles viu.
Pode ser que, quando rezava essas quatro rak‘ahs antes do zuhr em casa, rezasse quatro rak‘ahs, mas quando as rezava na mesquita, rezasse duas.
—Isso parece bastante claro a partir dos hadiths.
Também pode ser que essas quatro rak‘ahs não fossem a sunnah do zuhr, mas uma oração independente, e que ele as rezasse depois do declínio do sol. —Vários hadiths dão indícios a favor dessa opinião. Por exemplo, foi narrado no Musnad de Ahmad, com base em Abdullah ibn Sa’ib, que ele disse: “O Mensageiro de Allah (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) rezava quatro rak‘ahs depois do declínio do sol.” Ele disse: “O período depois do declínio do sol é aquele em que as portas do céu são abertas. Por isso, gosto muito que algumas das minhas ações ascendam nesse momento.”
Também foi mencionado nos livros de Sunan, segundo ‘A’ishah (que Allah esteja satisfeito com ela), que, se por alguma razão o Mensageiro (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) não conseguisse rezar as quatro rak‘ahs antes do zuhr, ele as rezava depois do zuhr. Em Ibn Majah é mencionado que, se alguma vez não conseguisse rezar as quatro rak‘ahs antes do zuhr, ele as rezava depois do ‘asr.
Em at-Tirmidhi também é mencionado, segundo ‘Ali (que Allah esteja satisfeito com ele), que se rezavam quatro rak‘ahs antes do zuhr e duas depois.
Em Ibn Majah é mencionado, numa narração de ‘A’ishah (que Allah esteja satisfeito com ela), que o Mensageiro (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) rezava quatro rak‘ahs antes do zuhr. Nelas, fazia um qiyam prolongado e realizava o rukū‘ e as prostrações de modo excelente (prolongado).
—Essas narrações indicam que as quatro rak‘ahs antes do zuhr eram, na realidade, quatro rak‘ahs independentes, que o Mensageiro de Allah (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) rezava depois do declínio do sol. Allah sabe melhor.
A sunnah antes do zuhr consiste originalmente em duas rak‘ahs, conforme narrado por Abdullah ibn ‘Umar (que Allah esteja satisfeito com ele). Isso também está de acordo com as demais orações, pois a sunnah de todas as orações consiste em duas rak‘ahs. Mesmo havendo bastante tempo antes do fajr, o Mensageiro (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) rezava com o fajr apenas duas rak‘ahs.
As quatro rak‘ahs de oração antes do zuhr são, na realidade, uma oração independente, a oração do declínio do sol.
‘Abdullah ibn Mas‘ud (que Allah esteja satisfeito com ele) costumava rezar oito rak‘ahs depois do declínio do sol. Ele dizia: “Esta oração tem o mesmo mérito daquela que fazemos depois da meia-noite (tahajjud).” E Allah sabe melhor.
Será que ele fazia alguma oração antes do ‘asr?
Em algumas narrações, consta que o Mensageiro (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) fazia quatro rak‘ahs antes do ‘asr. Como consta na seguinte narração: o Mensageiro (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) fazia quatro rak‘ahs antes do ‘asr. A saber:
1. Ahmad, at-Tirmidhi e Abu Dawud mencionaram, através de ‘Abdullah ibn ‘Umar (que Allah esteja satisfeito com ele), a oração de quatro rak‘ahs (sunnah) antes do ‘asr.
2. At-Tirmidhi mencionou, através de ‘Ali (que Allah esteja satisfeito com ele), a oração de quatro rak‘ahs antes do ‘asr. At-Tirmidhi também mencionou, através de ‘Ali (que Allah esteja satisfeito com ele), que se faziam duas rak‘ahs antes do ‘asr.
Há divergência quanto à autenticidade da primeira narração. Somente Ibn Hibban a classificou como autêntica. Todos os demais estudiosos do hadith a consideraram defeituosa. De fato, essa narração é fraca e inaceitável. Além disso, nas narrações autênticas transmitidas por ‘Abdullah ibn ‘Umar (que Allah esteja satisfeito com ele), ele disse: “Lembro-me do Mensageiro (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) mencionar dez rak‘ahs durante o dia e a noite.” Entre essas dez rak‘ahs, não há qualquer menção a quatro rak‘ahs antes do ‘asr. Portanto, a narração que aqui lhe atribui quatro rak‘ahs antes das quatro rak‘ahs não é aceitável.
Quanto à segunda narração, ouvi que o Shaykh al-Islam, o imam Ibn Taymiyyah, recusava-se a reconhecê-la como hadith. Ele a contestava e a considerava mawdu‘ (forjada). Abu Ishaq al-Juzajani também a rejeitava.
Consequentemente, não se sabe de forma autêntica e correta que o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) tenha feito alguma oração voluntária antes do Asr.
Existe alguma oração antes do Maghrib?
Foi narrado por Anas (que Allah esteja satisfeito com ele), que disse: Quando, em Medina, o muezim fazia o chamado para a oração do Maghrib, as pessoas se dirigiam apressadamente às colunas das mesquitas e rezavam duas rak‘ahs. Tantas pessoas ficavam rezando essas duas rak‘ahs que, quando alguém chegava de repente, pensava que a oração em congregação já havia terminado. (Sahih Muslim)
Foi narrado por Marsad ibn Abdullah (que Allah esteja satisfeito com ele), que disse: Certa vez, fui até Uqbah ibn Amir al-Juhani (que Allah esteja satisfeito com ele). Eu lhe disse: Quer que eu lhe conte algo surpreendente sobre Abu Tamim? Ele reza duas rak‘ahs antes do Maghrib. Ao ouvir minhas palavras, Uqbah disse: Nós rezávamos essas duas rak‘ahs no tempo do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Eu perguntei: Por que não as rezam agora? Ele respondeu: Por causa das ocupações. (Sahih al-Bukhari)
Foi narrado por Mukhtar ibn Fulfuf, que disse: Certa vez, perguntei a Anas (que Allah esteja satisfeito com ele) sobre rezar duas rak‘ahs voluntárias depois do Asr. Ele respondeu: Quando algumas pessoas se preparavam para rezar depois do Asr, Umar (que Allah esteja satisfeito com ele) batia em suas mãos. Contudo, nós rezávamos no tempo do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Perguntei-lhe: O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) também rezava essas duas rak‘ahs? Ele respondeu: Ele nos via rezá-las, mas não nos ordenava que as rezássemos nem nos proibia de fazê-lo. (Sahih Muslim)
Essas narrações indicam que as duas rak‘ahs antes do Maghrib foram aprovadas pelo Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele).
Rezar as orações da Sunnah em casa é uma Sunnah
O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: “Ó pessoas, rezem em suas casas. Sabei que, exceto as orações obrigatórias, é melhor rezar as demais orações em casa.”
Era costume do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) rezar as orações sunnah e nafl em casa quando não havia nenhuma dificuldade. Da mesma forma, quando não havia alguma razão, como viagem ou doença, ele rezava na mesquita.
Já mencionamos anteriormente a narração de Aisha, citada em Sahih Muslim. Ela disse: “O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) rezava quatro rak‘ahs em minha casa antes da oração do Zuhr. Depois, ia à mesquita e conduzia as pessoas na oração. Em seguida, voltava para casa e rezava duas rak‘ahs. Depois de conduzir as pessoas na oração do Maghrib, entrava em minha casa e rezava duas rak‘ahs. Depois de conduzir as pessoas na oração do Isha, entrava em minha casa e rezava duas rak‘ahs.” (Sahih Muslim)
Foi narrado um hadith de Ka‘b ibn Ujrah (que Allah esteja satisfeito com ele) em Tirmidhi, Abu Dawud e Nasa’i. Ele disse: “Certo dia, o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) foi à mesquita de Banu Abd al-Ashhal e ali rezou a oração do Maghrib. Depois de terminar a oração obrigatória, ele viu que as pessoas estavam ocupadas rezando nafl (sunnah). Então, disse:
“Esta oração deve ser rezada em casa.”
A versão do hadith narrado em Tirmidhi e Nasa’i é a seguinte: “Depois de concluírem a oração obrigatória, as pessoas começaram a rezar nafl. Então, o nobre Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse-lhes: ‘Vocês devem rezar esta oração em casa.’”
Em diversas narrações é mencionado, a respeito da sunnah do Fajr, que o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) rezava essa oração em casa.
Os especialistas islâmicos disseram que, se alguém rezar as orações sunnah e nafl na mesquita, isso é permitido, assim como é permitido rezar a oração obrigatória em casa por alguma razão. Contudo, a prática sunnah é aquela que foi discutida acima.
5
A oração durante a viagem
Durante as viagens, o Mensageiro de Allah rezava duas rak‘ahs (obrigatórias).
Durante sua missão profética, Rasulullah fez, de modo geral, quatro tipos de viagens. São elas:
1. A viagem da Hégira.
2. A viagem para o jihad no caminho de Allah. Foi o tipo de viagem que ele mais realizou.
3. A viagem para a Umrah.
4. A viagem para o Hajj.
Quando Rasulullah partia em viagem, rezava as orações de quatro rak‘ahs reduzidas (qasr) para duas rak‘ahs, até retornar a Medina ao término da viagem.
Não há prova de que ele tenha rezado quatro rakats completos durante uma viagem. Contudo, há uma narração de Aisha (r.a.) sobre isso, segundo a qual o Mensageiro (s.a.w.) às vezes encurtava a oração durante a viagem e, outras vezes, a fazia completa. Mas essa narração não é autêntica. O Imã Ibn Taymiyyah disse que se trata de um hadith inventado pelas pessoas. Como Aisha (r.a.) poderia narrar algo contrário à prática do Mensageiro (s.a.w.) e de todos os Companheiros? [A seguir, são mencionados alguns hadiths sobre como o Mensageiro (s.a.w.) e seus Companheiros realizavam a oração:
Foi narrado por Ibn Abbas (r.a.): Allah, o Altíssimo, prescreveu, por meio do vosso Profeta, quatro rakats de oração quando se está no próprio domicílio e duas rakats quando se está fora dele (em viagem). Além disso, Allah, o Todo-Poderoso, prescreveu uma rakah durante um estado de temor. (Sahih Muslim)
Foi narrado por Abdullah ibn Umar e Abdullah ibn Abbas (que Allah esteja satisfeito com ambos), que disseram: O Mensageiro de Allah (s.a.w.) estabeleceu a prática de realizar duas rakats de oração durante a viagem. Essas duas rakats são, na realidade, a oração completa, e não uma redução (pelo contrário, a oração do residente foi aumentada em duas rakats). Além disso, o Nobre Profeta (s.a.w.) também realizava a oração do witr durante a viagem. (Ibn Majah)
Foi narrado por Anas (r.a.), que disse: Partimos para Meca com o Mensageiro de Allah (s.a.w.). Até retornarmos de Meca para Medina, ele realizou as orações de quatro rakats como duas rakats. (Bukhari e Muslim). Foi narrado por Imran ibn Husayn (r.a.): Participei de muitas batalhas com o Mensageiro de Allah (s.a.w.). Também estive com ele durante a conquista de Meca. Nessa ocasião, ele permaneceu dezoito noites em Meca e, durante esse período, realizou as orações como duas rakats. (Abu Dawud)
É sabido, por meio de hadiths autênticos, que, inicialmente, Allah prescreveu duas rakats para cada oração. Depois, quando o Mensageiro de Allah (s.a.w.) migrou para Medina, o número de rakats das orações do residente foi aumentado. Já a oração durante a viagem permaneceu como antes.
O Mensageiro de Allah (s.a.w.) realizou duas rakats em todas as orações durante todas as suas viagens; não há prova de que tenha realizado quatro rakats em algum horário. Como se poderia suspeitar que ele tivesse agido de maneira contrária à prática estabelecida? Os muçulmanos eram seus companheiros de viagem. Nenhum deles o viu realizar quatro rakats durante uma viagem. A respeito da declaração de Aisha, Ibn Abbas (r.a.) disse: “Aisha tinha sua própria interpretação, assim como o honorável Uthman tinha sua própria interpretação.” [O hadith relacionado é o seguinte:
Foi narrado por Urwah ibn az-Zubair, que disse: Minha tia Aisha (r.a.) afirmou: “A oração foi inicialmente prescrita com duas rakats. Depois que o Mensageiro de Allah (s.a.w.) migrou, foram prescritas quatro rakats; contudo, a oração durante a viagem permaneceu prescrita como antes, com duas rakats.” O Imã Zuhri disse: Perguntei a Urwah: Então, por que sua tia Aisha (r.a.) realizava quatro rakats durante a viagem? Urwah respondeu: Ela tinha uma interpretação própria sobre isso, assim como Uthman tinha uma interpretação própria. (Bukhari e Muslim)
Explicação: A interpretação de Aisha (r.a.) era que ela considerava que a oração deveria ser encurtada durante a viagem somente quando se estivesse diante de medo e terror; caso contrário, não.
Certa vez, durante o Hajj, Hazrat Uthman fez quatro rak‘at de oração em Mina. Ao explicar isso, ele disse: “Eu me casei aqui. E o Mensageiro (S.A.) disse que, se alguém viajar e se casar em algum lugar, tornar-se-á residente nesse lugar e fará a oração completa.”]
Diz-se que Hazrat Aisha considerava que, para encurtar a oração, era necessário estar viajando e também haver medo e receio de ataque durante a viagem. Portanto, segundo ela, numa viagem em que não houvesse medo nem receio de ataque, não haveria motivo para encurtar a oração.
Essa interpretação está completamente errada. Além disso, ela contraria a prática do Mensageiro (S.A.). Pois está comprovado por meio dos nobres Companheiros que o Mensageiro (S.A.) sempre encurtava a oração mesmo em viagens seguras.
O relato de Hazrat Umar a esse respeito é muito esclarecedor. Ele disse: “Ao ver o Mensageiro (S.A.) encurtar a oração durante uma viagem segura, fiquei admirado e perguntei-lhe, mencionando o versículo sobre o encurtamento: ‘Allah, o Altíssimo, disse: Se temeis que os incrédulos vos submetam a uma provação, podeis encurtar a oração.’ Nós agora estamos viajando em segurança; ainda assim, o senhor encurtou a oração. Qual é a razão disso?” Em resposta, o Mensageiro (S.A.) disse: “Isto é uma dádiva (concessão, graça) de Allah para vós; portanto, aceitai esta dádiva (concessão e graça) que Ele vos concedeu.” [Outro hadith relacionado é mencionado aqui: Narra-se de Haritha ibn Wahb al-Khuza‘i (R.A.) que o Mensageiro de Allah (S.A.) conduziu-nos em Mina e fez duas rak‘at de oração em vez de quatro, embora naquele momento estivéssemos completamente livres de todo medo e receio. (Bukhari, Muslim)] Sahih Muslim)
Com isso, compreende-se que não é responsabilidade da comunidade compreender por si mesma o significado de um versículo; ao contrário, é dever da comunidade obedecer à norma que o Mensageiro (o legislador da Shariah) (S.A.) estabeleceu com base em qualquer versículo.
Certa vez, Umayya ibn Khalid disse a Abdullah ibn Umar (R.A.): “No Alcorão, vemos apenas a oração durante o estado de residência e a oração em tempos de medo; não há no Alcorão menção à oração durante a viagem. Então, de onde veio a oração da viagem?” Em resposta, Hazrat Abdullah ibn Umar disse: “Ó meu irmão! Nós não sabíamos absolutamente nada. Allah, o Altíssimo, enviou Muhammad (S.A.) como profeta para nós. Portanto, fazemos aquilo que o vimos fazer.”
A respeito do relato de Hazrat Aisha, o Imam Ibn Taymiyyah disse que esse hadith é forjado. Alguém deve tê-lo inventado e atribuído o relato a Hazrat Aisha. Pois está comprovado por todos os relatos dos Companheiros que, durante a viagem, o Mensageiro (S.A.) fazia apenas duas rak‘at, e não quatro. Hazrat Uthman fez quatro rak‘at em Mina alegando que havia se casado.
O Mensageiro (S.A.) não fazia orações sunnah durante a viagem
O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) reduzia a oração obrigatória de quatro rak‘at para duas durante a viagem. Não há prova de que, em viagem, ele rezasse qualquer oração sunnah antes ou depois da oração obrigatória, exceto o witr e a sunnah do fajr. Sim, ele rezava sempre o witr e a sunnah do fajr, tanto em residência como em viagem.
Quando perguntaram a Abdullah ibn Umar (que Allah esteja satisfeito com ele) sobre rezar a sunnah durante a viagem, ele respondeu: Fui sempre companheiro de viagem do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), mas nunca o vi rezar o tasbih (a oração sunnah). Ele é o nosso modelo e aquele que devemos seguir. Allah, o Altíssimo, diz: (Árabe*******************)
Significado: “Certamente, no Mensageiro de Allah há para vós um excelente modelo.”
Foi narrado por al-Bukhari e Muslim, segundo Ibn Umar (que Allah esteja satisfeito com ele): Durante a viagem, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) rezava o witr e as orações voluntárias noturnas sobre sua montaria, fazendo os movimentos por gestos. Contudo, não rezava as orações obrigatórias sobre a montaria.
O Imame al-Shafi‘i (que Allah tenha misericórdia dele) disse: Está comprovado pelas práticas do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) que, durante a viagem, ele encurtava as orações e também rezava orações voluntárias à noite.
Foi narrado por al-Bukhari e Muslim, segundo Amir ibn Rabi‘ah (que Allah esteja satisfeito com ele), que ele disse: Vi o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) rezar, durante a viagem e à noite, orações voluntárias sentado sobre sua montaria. Na realidade, tratava-se da oração qiyam al-layl, ou tahajjud.
Quando perguntaram ao Imame Ahmad sobre rezar orações voluntárias durante a viagem, ele disse: Espero que não haja mal algum em rezar orações voluntárias durante a viagem.
Foi narrado por Hasan (que Allah esteja satisfeito com ele), que disse: Foi narrado que o Mensageiro de Allah e os Companheiros costumavam rezar orações voluntárias antes e depois da oração obrigatória durante a viagem. Também foi narrado que Umar, Ali, Ibn Mas‘ud, Jabir, Anas, Ibn Abbas e Abu Dharr (que Allah esteja satisfeito com todos eles) faziam o mesmo.
Entretanto, ʿAbdullah ibn ʿUmar (que Allah esteja satisfeito com ele) não realizava nenhuma oração sunna antes ou depois das orações obrigatórias durante a viagem. Ele realizava apenas o witr e o tahajjud no fim da noite. A prática do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) era realizar as orações obrigatórias de forma abreviada durante a viagem, sem realizar nenhuma outra oração antes ou depois delas. Contudo, ele também não proibia a realização de orações voluntárias antes ou depois das obrigatórias. Naturalmente, estas eram orações voluntárias gerais, não relacionadas às orações obrigatórias. Isso porque, se uma oração obrigatória foi reduzida a duas rakʿat para facilitar a vida do viajante, não pode haver justificativa racional para manter a prática de realizar orações sunna antes e depois dela. Nesse caso, seria melhor realizar a oração obrigatória completa. Por isso, ʿAbdullah ibn ʿUmar (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: “Se durante a viagem fosse necessário realizar orações sunna antes e depois da obrigatória, eu preferiria realizar a própria oração obrigatória completa, em vez de abreviá-la.”
A narração de ʿAisha (que Allah esteja satisfeito com ela), segundo a qual o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) nunca deixava de realizar quatro rakʿat antes da oração do meio-dia e duas rakʿat depois dela, aplica-se às orações durante a permanência, não às orações durante a viagem.
Ele realizou orações em um veículo
Era prática do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) que, quando estivesse viajando montado ou em um veículo, realizasse as orações voluntárias sobre o próprio veículo. [A esse respeito, muitas narrações foram transmitidas por Ibn ʿUmar, Jābir, ʿĀmir e outros — que Allah esteja satisfeito com todos eles — em obras como al-Bukhari, Muslim e outras. Como o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) estabelecia a congregação para as orações obrigatórias, e não era possível estabelecer a congregação sobre o dorso do animal, ele descia do veículo e estabelecia a congregação no momento das orações obrigatórias.] O veículo se deslocasse na direção que fosse, ele naturalmente se voltava para essa mesma direção e realizava a oração. Nessa ocasião, inclinava a cabeça para fazer o rukūʿ e a prostração por meio de gestos. Contudo, inclinava a cabeça mais para a prostração do que para o rukūʿ.
Uma narração de Anas (que Allah esteja satisfeito com ele) foi citada no Musnad de Ahmad e em Abu Dawud. Nela é dito que, no momento do takbīr de abertura, ele colocava o veículo voltado para a qibla. Depois, realizava o restante da oração voltado para a direção em que o veículo se deslocava.
— Este hadith é rejeitado, pois seu conteúdo não está de acordo com o conteúdo de numerosos hadiths autênticos.
Há concordância entre as narrações de todos os demais que transmitiram relatos sobre o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) realizar orações em um veículo. Todos disseram: “O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) realizou orações em um veículo e rezava voltado para a direção para a qual o veículo estivesse voltado.” Nessas narrações, eles não mencionaram que, no momento do takbīr de abertura, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) colocava o veículo voltado para a qibla. Esses hadiths foram transmitidos por ʿĀmir ibn Rabīʿa, ʿAbdullah ibn ʿUmar e Jābir ibn ʿAbdullah (que Allah esteja satisfeito com todos eles). Esses hadiths são mais autênticos e corretos do que o hadith mencionado, transmitido por Anas (que Allah esteja satisfeito com ele). (E Allah sabe melhor.)
Durante a chuva e em locais enlameados, o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) realizou a oração obrigatória em um veículo junto com os Companheiros. Contudo, não há múltiplas cadeias de transmissão sobre esse assunto; apenas um Companheiro o transmitiu. Este hadith foi narrado no Musnad de Ahmad, em al-Tirmidhi e em al-Nasa’i. O hadith é o seguinte: certa vez, o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) chegou com os Companheiros a um local estreito. Chovia sobre eles, e havia lama no chão. Nesse momento, chegou o horário da oração. Por ordem do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), o muezim fez o adhān e a iqāma. O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) avançou à frente de todos em seu veículo e, como imame, realizou a oração junto com os Companheiros.
Todos eles rezavam montados em suas próprias montarias. O Mensageiro (que a paz esteja com ele) fazia o rukū‘ e o sujūd por meio de gestos; contudo, baixava a cabeça mais no sujūd do que no rukū‘.”
— O imame At-Tirmidhi disse que o hadith é gharīb, isto é, em certo estágio houve apenas um narrador. Em determinado momento, apenas ʿUmar ibn Dirmāh narrou esse hadith. Há, porém, evidências de que Anas rezou a oração obrigatória montado. [Embora o hadith tenha sido transmitido por uma cadeia única, ele é racionalmente aceitável. Pois, se surgissem dificuldades para descer da montaria e estabelecer uma oração congregacional em terra, seria lógico rezar montado. Nos tempos modernos, esse hadith se aplica muito bem aos meios de transporte, como as embarcações.]
Ele rezou as duas orações juntas.
A prática do Mensageiro de Allah (que a paz esteja com ele) era a seguinte: se ele partisse em viagem antes do declínio do sol, adiava a oração do zuhr até o horário do ʿasr; então, no horário do ʿasr, rezava juntas as orações do zuhr e do ʿasr. Se partisse em viagem depois do declínio do sol, rezava juntas as orações do zuhr e do ʿasr e então partia.
Se, ao chegar o horário do maghrib, partisse apressadamente, adiava a oração do maghrib e, no horário do ʿishā’, rezava juntas as orações do maghrib e do ʿishā’.
Isso é comprovado pelo hadith relatado sobre a viagem do Mensageiro de Allah (que a paz esteja com ele) a Tabuk. Nele é dito: durante a viagem a Tabuk, antes de partir de algum ponto de parada, se o Mensageiro (que a paz esteja com ele) partisse depois do declínio do sol, rezava juntas as orações do zuhr e do ʿasr no horário do zuhr e então partia. Se viajasse antes do declínio do sol, adiava o zuhr e, no horário do ʿasr, rezava juntas as orações do zuhr e do ʿasr. Fazia o mesmo com o maghrib e o ʿishā’. Surgiu divergência de opiniões a respeito desse hadith:
— Alguns disseram que o hadith é ṣaḥīḥ (autêntico).
— Alguns disseram que o hadith é ḥasan (bom).
—Alguns disseram que o hadith apresenta falhas.
Contudo, após uma análise abrangente, constatamos que não há falha no hadith relacionado a esta afirmação. Por exemplo, a cadeia de transmissão do hadith sobre a mesma afirmação, mencionado por al-Hakim em sua obra Al-Mustadrak, cumpre todas as condições para ser considerada autêntica.
Al-Hakim disse: Abu Bakr ibn Muhammad ibn Ahmad Baluwiya narrou-me; Musa ibn Harun narrou-lhe; Qutayba ibn Sa’id narrou-lhe; al-Layth ibn Sa’d narrou-lhe; ele ouviu de Yazid ibn Abi Habib, que ouviu de Abu Tufayl, que ouviu de Mu’adh ibn Jabal (que Allah esteja satisfeito com ele). Mu’adh (que Allah esteja satisfeito com ele) narrou-lhe: durante a viagem da expedição de Tabuk, sempre que o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) partia de algum local antes do declínio do sol, ele juntava as orações de Zuhr e Asr. Se partisse depois do declínio do sol, fazia as orações de Zuhr e Asr juntas no horário de Zuhr e partia. Se partisse antes do pôr do sol, adiava a oração de Maghrib até Isha e, no horário de Isha, fazia juntas as orações de Maghrib e Isha. Se partisse depois do pôr do sol, antecipava Isha e, no horário de Maghrib, fazia juntas as orações de Maghrib e Isha, e então partia.
—Al-Hakim disse: este hadith foi narrado por um grupo de eminentes imames do hadith. Não há nele qualquer falha ou fraqueza. [O hadith também foi narrado por Abu Dawud e at-Tirmidhi.] Aqueles que apontaram falhas neste hadith, na realidade, levantaram objeções quanto a um de seus narradores. Eles o criticaram por engano. Os imames do hadith, incluindo o Imam Muslim, aceitaram suas narrações.
Além disso, há muitas outras narrações que comprovam a correção do conteúdo deste hadith. [Em Sahih al-Bukhari, foi narrado por Ibn Abbas (que Allah esteja satisfeito com ele) que ele disse: durante uma viagem, o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) fazia juntas as orações de Zuhr e Asr, e fazia juntas as orações de Maghrib e Isha.”
Em Sahih al-Bukhari, foi narrado por Anas (que Allah esteja satisfeito com ele): o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) fazia juntas as orações de Maghrib e Isha durante uma viagem. Em Sahih al-Bukhari, foi narrado por Anas (que Allah esteja satisfeito com ele): quando o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) partia antes do declínio do sol, adiava Zuhr até o horário de Asr e, nesse horário, fazia juntas as orações de Zuhr e Asr. Foi narrado por Salim em Sahih al-Bukhari que, devido às dificuldades da viagem, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) fazia juntas as orações de Maghrib e Isha.] Narrações com conteúdo semelhante também foram transmitidas por diversas cadeias de Ibn Abbas (que Allah esteja satisfeito com ele).
O Imam Ibn Taymiyyah, após analisar os hadiths sobre juntar duas orações, disse que, durante uma viagem, é permitido juntar duas orações mesmo quando se permanece em algum lugar sem haver dificuldade. Isso porque o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), enquanto permaneceu em Arafat, fez juntas as orações de Zuhr e Asr. Além disso, se durante a viagem surgirem dificuldades e necessidades, juntar as duas orações nessa situação é ainda melhor.
O Imam Ahmad ibn Hanbal, o Imam ash-Shafi’i e o Imam Malik (que Allah tenha misericórdia deles) disseram que a questão de juntar duas orações está, de modo geral, relacionada à viagem. Juntar duas orações não se restringe a nenhum tipo específico de viagem.
O Imam Abu Hanifa, que Allah tenha misericórdia dele, considera que a combinação das orações é exclusiva de Arafat.
A maioria dos predecessores da comunidade (os salaf صالحين) costumava encurtar e combinar as orações em todos os tipos de viagens, curtas ou longas.
A distância da viagem para encurtar e combinar as orações
O Mensageiro de Allah, que Allah o abençoe e lhe conceda paz, não estabeleceu nenhum limite para a distância da viagem. Os Companheiros também não mencionaram qualquer limite. O Mensageiro, que Allah o abençoe e lhe conceda paz, não especificou a que distância uma viagem permitiria encurtar e combinar as orações ou suspender o jejum obrigatório. O Mensageiro, que Allah o abençoe e lhe conceda paz, e seus Companheiros usavam geralmente a palavra “viagem”.
Alguns consideraram a distância entre Meca e Jidá e entre Meca e Taife — isto é, 48 milhas — como o padrão mínimo para uma viagem. Mas o Mensageiro, que Allah o abençoe e lhe conceda paz, e os Companheiros não estabeleceram nada disso. Eles usaram a palavra “viagem”. Portanto, qualquer distância que seja geralmente chamada de viagem é uma viagem. Não é nossa responsabilidade estabelecer uma medida em milhas.
Assim, em toda viagem, curta ou longa, que seja geralmente chamada de “viagem”, são permitidos o encurtamento e a combinação das orações, a suspensão do jejum, o tayammum e coisas semelhantes.
A oração em situação de medo do inimigo
Quando, juntamente com a viagem, existe também o temor de um ataque inimigo, Allah, o Altíssimo, permite nessa situação encurtar tanto os pilares da oração quanto o número de rak‘at.
Durante uma viagem segura (sem medo de um ataque inimigo), Ele permitiu apenas a redução do número de rak‘ahs.
E, em uma situação assustadora sem viagem, permitiu apenas a redução dos pilares da oração.
—Este era o método de redução da oração instituído pelo Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Ele adotou esse método com base nos versículos do Alcorão referentes à redução. [No Alcorão Sagrado, esse assunto é tratado em duas suratas. Uma é a Surata Al-Baqarah, versículos 238 e 249, e a outra é a Surata An-Nisā’, versículos 101 e 102. Aqui são mencionados os versículos de ambas as suratas:
(Árabe*******************)
Significado: Observai todas as orações, especialmente a oração do meio, e permanecei humildemente diante de Allah. Porém, se temerdes desordem e tumulto, orai caminhando ou montados, da maneira que for possível. Quando se estabelecer um ambiente seguro, lembrai-vos de Allah (orai) da maneira como Ele vos ensinou anteriormente, aquilo que não sabíeis. (Surata Al-Baqarah: 238–239)
Na Surata An-Nisā’ é dito:(Árabe**************************)
Significado: E, quando viajardes pela terra, não haverá culpa em reduzirdes a oração, especialmente quando temerdes que os incrédulos vos causem dano, pois eles se empenham abertamente em vos hostilizar. E, ó Profeta, quando estiveres entre os muçulmanos e os conduzires à oração (em situação de guerra), que um grupo deles se coloque em oração contigo e leve consigo suas armas. Depois de se prostrarem, que se retirem para trás, e que o segundo grupo, que ainda não orou, venha orar contigo. Que também permaneçam em alerta e carreguem suas armas, pois os incrédulos aguardam uma oportunidade. Se vos descuidardes minimamente de vossas armas e de vossos pertences, eles cairão subitamente sobre vós. Porém, se sentirdes dificuldade por causa da chuva ou estiverdes doentes, não haverá culpa em depordes as armas; contudo, permanecei vigilantes. (Surata An-Nisā’: 10–102)
Em uma situação de medo do inimigo, o método de oração do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) era o seguinte: se o inimigo estivesse diante da qiblah, ele fazia com que todos os muçulmanos que o acompanhavam se posicionassem atrás dele para a oração. Ele dizia o takbīr, e todos eles também diziam o takbīr. Ele ia para o rukū‘, e todos eles também iam para o rukū‘. Ele levantava a cabeça do rukū‘ e ficava de pé, e todos eles também levantavam a cabeça e ficavam de pé. Então, quando ele ia para a prostração, a fileira mais próxima dele (isto é, a da frente) prostrava-se com ele, enquanto a fileira de trás permanecia de pé, voltada para o inimigo. Assim, quando ele completava a primeira rak‘ah e se levantava ereto para a segunda rak‘ah, as pessoas da fileira de trás avançavam, e as da fileira da frente recuavam para a fileira de trás. As pessoas da fileira de trás avançavam para que pudessem fazer duas prostrações com o imam na segunda rak‘ah, tal como haviam feito as pessoas da fileira da frente na primeira rak‘ah. Desse modo, ambas as orações ficavam completas juntamente com o imam.
Então, quando o Mensageiro de Allah (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) fazia o rukū‘ da segunda rak‘ah, todos os que estavam à frente e atrás dele faziam o rukū‘ com ele, como na primeira rak‘ah. Porém, quando ele se prostrava, os que estavam na fileira da frente prostravam-se com ele, enquanto os da fileira de trás permaneciam de pé, enfrentando o inimigo. Então, quando ele se sentava para o tashahhud, os que estavam na fileira de trás completavam as duas prostrações e juntavam-se a ele no tashahhud. Depois, todos pronunciavam o salām juntos com ele.
Se o inimigo estivesse em uma direção que não fosse a qiblah, ele dividia seus companheiros em dois grupos. Um grupo permanecia preparado para enfrentar o inimigo. O outro grupo rezava uma rak‘ah com ele, depois ia ocupar o lugar do grupo que estava de pé enfrentando o inimigo; então o grupo que estava de pé vinha e juntava-se a ele na segunda rak‘ah, rezando uma rak‘ah com ele. Depois, ele pronunciava o salām, e os dois grupos rezavam individualmente, alternadamente, uma rak‘ah cada um.
Quando o inimigo estivesse em uma direção que não fosse a qiblah, às vezes ele também dividia seus companheiros em dois grupos; rezava a primeira rak‘ah com o primeiro grupo e permanecia de pé na segunda rak‘ah. Enquanto ele permanecia de pé, o primeiro grupo rezava outra rak‘ah sozinho, pronunciava o salām e partia. Nesse momento, o segundo grupo vinha e juntava-se a ele na segunda rak‘ah. Depois de rezar a segunda rak‘ah com eles, quando ele se sentava para o tashahhud, eles se levantavam e completavam sozinhos a rak‘ah que lhes restava. Nesse momento, ele permanecia sentado no tashahhud, esperando que completassem sua rak‘ah. Depois que eles também terminavam o tashahhud, ele pronunciava o salām junto com eles.
Em outra ocasião, ele rezava duas rak‘ahs com um grupo e sentava-se para o tashahhud. Então, esse grupo pronunciava o salām sozinho e partia, e o outro grupo vinha ocupar seu lugar. Ele então se levantava da posição sentada do tashahhud e conduzia também duas rak‘ahs com esse grupo; depois, pronunciava o salām.
Nesse método, a oração dele consistia em quatro rak‘ahs, enquanto a dos companheiros consistia em duas rak‘ahs para cada grupo.
Em outra ocasião, ele rezava duas rak‘ahs com um grupo e pronunciava o salām. Depois, rezava novamente duas rak‘ahs com outro grupo e pronunciava o salām.
Nesse método, ele fazia a oração duas vezes.
Às vezes, ele rezava uma rak‘ah com um grupo. Esse grupo partia depois de rezar apenas uma rak‘ah; não rezava a segunda rak‘ah. Então, outro grupo vinha e rezava a segunda rak‘ah com ele.
Por este método, ele rezava duas rak‘at, enquanto os Companheiros rezavam apenas uma rak‘at cada um.
É permitido rezar por qualquer um desses métodos quando há risco de ataque por parte do inimigo. O imame Ahmad ibn Hanbal disse: todos esses métodos foram comprovados a partir do Mensageiro; portanto, quando surgir uma situação semelhante, é permitido rezar por qualquer um deles.
Também foram narrados alguns outros métodos. Contudo, os métodos mencionados aqui são os corretos.
A opinião de Ibn Abbas, Jabir ibn Abd Allah, Tawus, Mujahid, Hasan al-Basri, Qatada, Hakam e Ishaq ibn Rahwayh — que Allah esteja satisfeito com eles — é que cada grupo deve rezar uma rak‘at cada um.
6
A oração de sexta-feira
Como começou a oração de sexta-feira?
O historiador Ibn Ishaq narrou, mencionando a fonte, a partir de Abd al-Rahman ibn Ka‘b ibn Malik. Abd al-Rahman disse: quando meu pai, Ka‘b ibn Malik, chegou à velhice e perdeu a visão, eu o conduzia, segurando sua mão, e o levava de um lado para outro. Quando o levei para rezar a oração de sexta-feira, ele ouviu o adhan no caminho. Assim que ouviu o adhan, pediu perdão por Abu Umama As‘ad ibn Zurarah. Fiquei curioso para perguntar o motivo, mas, por causa do grande respeito que tinha por ele, naquele dia não lhe perguntei nada.
A partir de então, eu o levava todas as sextas-feiras para a oração de sexta-feira. Sempre que ouvia o chamado para a oração de sexta-feira, ele pedia perdão por Abu Umama Asʿad ibn Zurara. Certo dia, tomado pela curiosidade, acabei perguntando: “Pai! Por que, sempre que ouve o chamado para a oração de sexta-feira, você pede perdão por Asʿad ibn Zurara?”
Meu pai respondeu: “Meu filho! Antes mesmo de o Mensageiro de Deus, que Deus o abençoe e lhe conceda paz, emigrar para Medina, ele iniciou conosco a oração de sexta-feira numa área deserta de Baqi. Esse lugar era chamado de ‘Baqi al-Khadurat’.”
Perguntei: “Quantas pessoas costumavam realizar a oração de sexta-feira naquela época?”
Ele respondeu: “Quarenta.”
Este hadith foi transmitido por uma cadeia excelente e autêntica. Todos os seus transmissores são dignos de confiança.
— Na minha opinião, este foi o início da oração de sexta-feira.
Depois, o Mensageiro de Deus, que Deus o abençoe e lhe conceda paz, emigrou e chegou a Medina. Primeiro, ficou em Quba, um lugar pertencente aos Banu Amr ibn Awf, nos arredores de Medina. Segundo Ibn Ishaq, ele lançou ali, às segundas, terças, quartas e quintas-feiras, os fundamentos da Mesquita de Quba. Depois, na sexta-feira, partiu dali em direção ao seu destino. Quando chegou à tribo de Banu Salim ibn Awf, chegou o horário da oração de sexta-feira. Ele realizou a oração de sexta-feira na mesquita situada naquela planície.
Esta foi a primeira oração de sexta-feira do Mensageiro de Deus, que Deus o abençoe e lhe conceda paz, depois de sua emigração para Medina. Foi ali também que ele proferiu seu primeiro sermão de sexta-feira. Ibn Ishaq disse: “Ouvi seu primeiro sermão de Abu Salama ibn Abd al-Rahman.” Buscamos refúgio em Deus contra atribuir ao Mensageiro de Deus qualquer palavra incorreta.
Nesse seu primeiro sermão, ele começou louvando e exaltando devidamente Allah, o Altíssimo. Em seguida, disse:
(Árabe*********************)
Isto significa: Ó pessoas! Enviai antecipadamente boas obras para vós mesmos. Lembrai-vos: juro por Allah que, quando a morte vos surpreender, vossas cabras ficarão sem pastor. Quando o falecido comparecer diante de Allah, Ele lhe perguntará: “Meu Mensageiro não veio até ti? Ele não te transmitiu a Minha mensagem? Não te dei riqueza? Não te concedi diversas honras? Então, o que enviaste antecipadamente para ti?” Nesse momento, ele olhará para a direita e para a esquerda, mas não verá nada. Depois, olhará para a frente e verá o Inferno diante de si. Portanto, mesmo que seja dando uma tâmara, fazei o possível para vos salvar desse fogo terrível. Quem não puder nem isso, que se despeça com uma palavra bonita, pois ela ocupa o lugar de uma boa ação. Sua recompensa será multiplicada de dez até setecentas vezes. Que a paz, a misericórdia e as bênçãos desçam sobre vós.”
Ibn Ishaq disse: Em seguida, ele proferiu aqui outro sermão, como segue:
(Árabe**************************)
Isto significa: Todo louvor pertence a Allah. Nós O louvamos e buscamos Sua ajuda. Buscamos refúgio em Allah contra prejudicarmos nossas próprias almas e contra as ações pecaminosas. Aquele a quem Allah guia, ninguém pode desviá-lo; e aquele a quem Ele deixa desviar-se, ninguém pode guiá-lo. Testemunho que não há outro senhor além de Allah; Ele é Único e não tem parceiro. Sem dúvida, a melhor palavra é o Kalam de Allah. Aquele cujo coração Allah adornou com ele e a quem trouxe da incredulidade para o Islam certamente prosperou. O Kalam foi distinguido das demais palavras, pois é a melhor e mais excelente expressão eloquente. Amai aquele a quem Allah ama. Consagrai todo o amor de vossos corações a Allah. Não vos afasteis da recitação do Kalam de Allah nem de Sua lembrança. Que vossos corações não se tornem endurecidos diante da Palavra Sagrada, pois Allah, o Altíssimo, chamou-a de melhor ação e de melhor palavra. Nela se encontra tudo o que foi tornado lícito ou ilícito para as pessoas. Portanto, adorai Allah e não associeis absolutamente nada a Ele. Temei-O como Ele deve ser temido. Pela misericórdia de Allah, uni-vos uns aos outros com laços de amor. Certamente, Allah fica extremamente descontente com aquele que rompe sua promessa. Que a paz, as bênçãos e a misericórdia de Allah desçam sobre vós.”
Mais informações sobre este assunto serão discutidas no capítulo sobre os sermões.
A virtude da sexta-feira
Foi narrado por Abu Huraira (que Allah esteja satisfeito com ele), em Bukhari e Muslim, que o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: “Neste mundo somos a última comunidade, mas no Além seremos os primeiros de todos. A única diferença é que, neste mundo, eles receberam o Livro antes de nós, enquanto nós o recebemos depois deles. A sexta-feira era o dia deles. Porém, eles divergiram a respeito desse dia. Então Allah, o Altíssimo, guiou-nos até esse dia. Eles ficaram atrás de nós quanto a isso. Os judeus escolheram o sábado, e os cristãos escolheram o domingo.”
Foi narrado por Abu Huraira (que Allah esteja satisfeito com ele), em Sahih Muslim, que o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: “Entre os dias que começam com o nascer do sol, isto é, entre todos os dias, a sexta-feira é o melhor. Pois foi neste dia que—
—Adão foi criado.
—neste dia ele foi introduzido no Paraíso.
—neste dia ele foi enviado do Paraíso para a Terra.
—e será neste dia que ocorrerá a Ressurreição.”
Foi narrado em uma tradição de Ibn Majah—
—“neste dia Adão morreu.”
Um momento sublime para a aceitação das súplicas
Foi narrado por Bukhari e Muslim, sob a autoridade de Abu Huraira (que Allah esteja satisfeito com ele): O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: “Na sexta-feira há um momento especial; se um servo muçulmano o encontrar e pedir a Allah algum bem, Allah, o Altíssimo, certamente lho concederá.”
— Sobre esse momento especial, muitos outros hadiths foram narrados por fontes autênticas.
Mas qual é esse momento especial? É difícil determiná-lo claramente, pois diferentes momentos são mencionados em diferentes narrações. Alguns disseram que esse momento especial não é fixo, mas alterna-se: a cada semana, esse momento sublime ocorre em um horário diferente. As narrações daqueles que mencionaram horários específicos são as seguintes:
1. Ibn Manzar narrou, sob a autoridade de Abu Huraira (que Allah esteja satisfeito com ele), que esse momento especial é desde o início do horário do Fajr até o nascer do sol, e depois da oração do Asr até o pôr do sol.
2. Ibn Manzar narrou, sob a autoridade de Hasan al-Basri e Abu al-Aliya, que esse momento é quando o sol começa a declinar.
3. Ibn Manzar narrou, sob a autoridade de Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela), que esse momento é aquele em que o muezim faz o chamado para a oração de sexta-feira.
4. Ibn Manzar narrou, sob a autoridade de Hasan al-Basri, que esse momento é desde quando o imã se senta no minbar para proferir o sermão até o término do sermão.
5. Abu Burda disse que esse momento é o horário da oração de sexta-feira.
6. Abu as-Sawwar al-Adawi disse que os antigos consideravam que esse momento era desde o declínio do sol até o horário da oração.
7. Abu Dharr disse que esse momento é desde o nascer do sol até ele se elevar cerca de um côvado acima do horizonte.
8. Abu Huraira, Ata, Abdullah ibn Salam e Tawus disseram que esse momento é desde a oração do Asr até o pôr do sol.
9. Segundo a maioria dos Companheiros, dos tabi‘un e Ahmad ibn Hanbal, esse momento é o último período do dia, depois da oração do Asr.
10. O imã An-Nawawi e outros disseram que esse momento é desde a saída do imã em direção à mesquita até o término da oração.
11. O autor de Al-Mughni disse que esse momento é a terça parte do dia.
Entre essas onze opiniões, apenas duas podem ser consideradas preponderantes. Encontramos hadiths autênticos e comprovados em favor dessas duas opiniões. Elas são:
1. Desde o momento em que o imame se senta no púlpito até o término da oração. A prova desta opinião é o hadith de Abu Burda, narrado no Sahih Muslim. Burda, filho de Abu Musa (que Allah esteja satisfeito com ele), disse: “Ouvi meu pai dizer que ouviu o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) falar sobre aquele momento especial de sexta-feira em que as súplicas são aceitas. Esse momento é desde quando o imame se senta no púlpito até o término da oração.”
Outro hadith autêntico sobre este assunto é o hadith de Amr ibn Awf al-Muzani, narrado por Ibn Majah e at-Tirmidhi. Ele ouviu o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) dizer: “Na sexta-feira há um momento em que, se o servo pedir algo a Allah, Allah certamente lhe concederá.” As pessoas perguntaram: “Ó Mensageiro de Allah! Quando é esse momento?” Ele respondeu: “Desde o início do estabelecimento da oração — a oração de sexta-feira — até o seu término.”
2. De acordo com a segunda opinião autêntica, esse momento é desde depois da oração do Asr até o pôr do sol. Também há hadiths autênticos em favor desta opinião. Foi narrado no Musnad de Ahmad, por Abu Sa’id al-Khudri e Abu Huraira (que Allah esteja satisfeito com ambos), que o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: “Aquele momento especial em que as súplicas são aceitas é depois do Asr.”
Um hadith semelhante foi narrado por Abu Dawud e an-Nasa’i, através de Jabir (que Allah esteja satisfeito com ele). Nele, o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse:
“Procurem esse momento depois do Asr, no final do dia.”
Um hadith semelhante também foi narrado no livro de Ibn Majah, através de Abdullah ibn Salam (que Allah esteja satisfeito com ele).
As excelentes características da sexta-feira
A distinção e a elevada excelência da sexta-feira são claras. Somente entre os sábios surgiu divergência quanto a qual é superior: o dia de Arafah ou a sexta-feira. Aqui apresentamos as excelentes características da sexta-feira, para que a importância e o mérito desse dia se tornem claros para todos.
1. O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) recitava as suratas As-Sajdah e Ad-Dahr na oração do fajr de sexta-feira (suratas nº 32 e 76). O Imam Ibn Taymiyyah (que Allah tenha misericórdia dele) disse que o motivo pelo qual o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) recitava essas duas suratas na oração do fajr de sexta-feira é que nelas são abordados assuntos que ocorreram ou ocorrerão na sexta-feira, como a criação de Adão, a ressurreição, o ajuntamento, o Dia da Ressurreição, entre outros. O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) recitava essas duas suratas naquela manhã justamente para lembrar às pessoas esses assuntos na sexta-feira.
2. É mustahabb enviar muitas bênçãos (salat e durud) ao Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) neste dia. Ele disse: “Enviai muitas bênçãos sobre mim na sexta-feira.”
3. Entre as obrigações coletivas do Islã, a oração de sexta-feira é a mais importante. Entre as reuniões obrigatórias do Islã, a reunião da oração de sexta-feira é a mais importante, depois da reunião de Arafah.
4. É wajib tomar banho na sexta-feira. Somente dentro da escola hanbalita há alguma divergência quanto à obrigatoriedade do banho neste dia.
5. Foi ordenado usar perfume neste dia, e ele deve ser melhor do que o perfume usado nos outros dias da semana.
6. Neste dia deve-se usar o miswak, e deve-se fazê-lo de modo ainda melhor do que nos outros dias.
7. Uma característica deste dia é que, após o adhan da khutbah, é proferido outro adhan para a oração.
8. Uma característica deste dia é permanecer ocupado com a oração, o dhikr e as súplicas, e a recitação do Alcorão, até o Imam chegar à mesquita.
Nove. É obrigatório ouvir em silêncio o khutbah (sermão) do imame. Se alguém não permanecer calado, sua oração de Jumu’ah poderá ser invalidada.
Dez. Sa’id ibn Mansur ouviu de Abu Sa’id al-Khudri, que Allah esteja satisfeito com ele, que o Mensageiro de Allah, que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele, recomendou a recitação da surata Al-Kahf na sexta-feira. Ele disse: “Quem recitar a surata Al-Kahf na sexta-feira terá uma luz estendida desde seus pés até o céu. No Dia da Ressurreição, receberá luz dela e, por isso, seus pecados entre uma sexta-feira e a outra serão perdoados.”
Onze. Segundo o imame Ash-Shafi’i e o imame Ibn Taymiyyah, não é makruh realizar a oração na sexta-feira quando o sol chega ao ponto mais alto e começa a declinar. Eles adotaram essa opinião com base nos hadiths.
Doze. O Mensageiro de Allah, que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele, realizava a oração de Jumu’ah recitando as suratas Al-Jumu’ah e Al-Munafiqun. Ou recitava a surata que começa com “Sabbih” e a surata Al-Ghashiyah. Ou recitava Al-Jumu’ah e Al-Ghashiyah. Ele recitava as suratas completas, não apenas parte delas.
Treze. A sexta-feira é o Eid semanal. Foi narrado no Sunan de Ibn Majah que o Mensageiro de Allah, que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele, disse: “A sexta-feira é a senhora de todos os dias e o melhor dos dias perante Allah. Este dia é, perante Allah, superior ao Eid al-Adha e ao Eid al-Fitr.”
Catorze. O Mensageiro de Allah, que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele, recomendou usar, na sexta-feira, as melhores roupas que estiverem ao alcance. Isso foi narrado no Musnad de Ahmad, no Sunan de Abu Dawud e no de Ibn Majah.
Quinze. É mustahabb acender incenso na mesquita na sexta-feira. Sa’id ibn Mansur narrou de Nu’aym ibn Abdullah al-Mujmir que o califa Umar ibn al-Khattab, que Allah esteja satisfeito com ele, ordenava que se acendesse incenso na mesquita toda sexta-feira ao meio-dia.
Dezesseis. Para aquele a quem a oração de Jumu’ah é obrigatória, não é permitido partir em viagem quando começa o horário da oração de Jumu’ah.
No entanto, alguns disseram que, se for para o jihad ou para algum outro ato de adoração, é permitido.
Dezessete. Aquele que sai com a intenção de realizar a oração de sexta-feira recebe, a cada passo, a recompensa de um ano de jejum voluntário e de um ano de oração voluntária. O Imã Ahmad mencionou, em seu Musnad, um hadith do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) a esse respeito.
Dezoito. A sexta-feira é o dia da remissão dos pecados. Foi narrado no Musnad de Ahmad, a partir de Salman al-Farisi (que Allah esteja satisfeito com ele), que o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: “Na sexta-feira, aquele que realizar corretamente a purificação, depois vier à mesquita e permanecer em silêncio, seguindo silenciosamente o sermão do Imã e a oração até que terminem, terá esse ato considerado uma expiação por seus pecados até a sexta-feira seguinte.”
Dezenove. Em todos os dias, exceto na sexta-feira, as chamas ardentes do Inferno continuam a arder intensamente. O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse que, como a sexta-feira é o melhor dos dias, o Inferno não é aquecido nesse dia.
Vinte. Na sexta-feira há um momento especial em que as súplicas são aceitas; nesse momento, Allah aceita a súplica de Seus servos. Esse momento já foi mencionado anteriormente.
Vinte e um. Nesse dia é realizada a oração de sexta-feira. Realiza-se uma grande reunião dos muçulmanos. Nessa oração, a recitação é feita em voz alta.
Vinte e dois. Nesse dia, antes da oração de sexta-feira, o Imã (líder) dirige aos muçulmanos um sermão (khutbah). Nesse sermão, proclama-se o reconhecimento da unicidade de Allah e da missão profética de Muhammad (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Recordam-se aos muçulmanos suas responsabilidades e deveres, e eles recebem aconselhamento.
Vinte e três. É mustahabb para os muçulmanos tirar folga (feriado) na sexta-feira para se dedicarem à adoração.
Vinte e quatro. Assim como os dois Eids anuais, a sexta-feira é o Eid semanal dos muçulmanos.
Vinte e cinco. Dar esmolas na sexta-feira é uma ação de maior recompensa do que nos outros dias. Assim como se recebe maior recompensa pelas doações no Ramadã em comparação com os outros meses, também se recebe maior recompensa pelas doações na sexta-feira em comparação com os outros dias.
Vinte e seis. Na sexta-feira, Allah, o Altíssimo, mostrará aos Seus servos crentes o esplendor da Sua luz. Aqueles que se sentarem perto do imam e saírem cedo, tendo-se preparado para a oração de sexta-feira, alcançarão maior proximidade de Allah e O verão antes de todos. Essas afirmações foram relatadas em diversos hadiths.
Vinte e sete. Foi relatado em diversas narrativas que o Dia da Ressurreição é o “Yawmul Maw’ud”. O dia de Arafah é o “Yawmul Mashhud”. E a sexta-feira é o “Yawmush Shahid”.
Vinte e oito. A sexta-feira é o dia da reunião semanal da Ummah muçulmana. Foi o próprio Allah, o Altíssimo, quem a tornou obrigatória para a Ummah.
Vinte e nove. Ka’b, que Allah esteja satisfeito com ele, narrou que, na sexta-feira, o céu, a terra, as montanhas, os mares e todas as criaturas de Allah tremem de medo, exceto os seres humanos e Satanás.
Trinta. A sexta-feira é o dia escolhido por Allah.
Trinta e um. Foi relatado que, na sexta-feira, as almas das pessoas se aproximam dos túmulos.
Trinta e dois. O Imam Ahmad disse que é makruh jejuar somente na sexta-feira. Isto é, é makruh escolher exclusivamente a sexta-feira para jejuar. Contudo, os demais imams consideraram mubah jejuar na sexta-feira.
A oração de sexta-feira do Mensageiro de Allah
O Mensageiro de Allah (S.A.) rezava duas rak’ahs na oração de sexta-feira e recitava o Alcorão em voz audível. A oração de sexta-feira é uma obrigação importante entre as obrigações. O Mensageiro de Allah (S.A.) disse:
A oração de sexta-feira é obrigatória para todos os muçulmanos, exceto para os seguintes tipos de pessoas. Esses tipos de pessoas são: 1. escravos, 2. mulheres, 3. crianças, 4. doentes, 5. viajantes (pessoas em viagem) e 6. loucos.”
—Este hadith foi narrado por ad-Daraqutni através de Jabir (R.A.) e por Abu Dawud através de Tariq ibn Shihab.
—O Mensageiro de Allah (S.A.) frequentemente recitava as suratas as-Sajdah, ad-Dahr, al-Jumu’ah, al-Ghashiyah e al-Munafiqun na oração de sexta-feira.
—Ele rezava a oração de sexta-feira depois que o sol passava do meridiano. (Bukhari)
—Ele rezava a oração de sexta-feira mais cedo durante o frio intenso e mais tarde durante o calor intenso. (Bukhari)
-Ele proferia o sermão antes de realizar a oração. (Bukhari)
-Ele ordenou que a oração fosse prolongada e o sermão, abreviado. (Muslim)
Seu sermão e sua oração eram ambos moderados — nem longos, nem breves. (Sahih Muslim)
-Ele disse: quem alcançar uma rak‘ah com o imam terá alcançado a oração completa. (Bukhari e Muslim)
A cerimônia do sermão de sexta-feira do Mensageiro de Allah (s.a.)
-O Mensageiro de Allah (s.a.) proferia o sermão antes da oração.
-Ele proferia o sermão de pé.
-Ele proferia dois sermões e, após o primeiro sermão, sentava-se em silêncio por algum tempo; depois, levantava-se e proferia o segundo sermão.
Depois que ele subia ao púlpito e se sentava, o muezim fazia o chamado para a oração. Quando o muezim terminava o chamado, ele se levantava e começava a proferir o sermão.
-Antes da construção do púlpito, ele ficava de pé apoiado no tronco de uma tamareira.
-Depois, o púlpito foi construído. A partir de então, ele ficava de pé sobre o púlpito. O púlpito não ficava no meio da mesquita; estava encostado à parede. Havia um espaço entre o púlpito e a parede por onde uma cabra podia passar.
-Depois da construção do púlpito, ele nunca ficou de pé apoiado em uma lança, espada ou tronco de tamareira. Também não há prova de que tenha ficado de pé apoiado em uma espada.
-Quando subia ao púlpito, sentava-se de frente para os Companheiros. Sentava-se e ficava de pé diante deles.
-Quando era necessário ordenar a realização de alguma ação ou proibir alguma ação, ele fazia isso durante o próprio sermão. Certa vez, enquanto proferia o sermão, disse a um dos Companheiros: “Faça uma oração de duas unidades.”
-Certa vez, quando um dos Companheiros levantou a cabeça, ele lhe disse, durante o sermão, que se sentasse.
-Às vezes, respondia às perguntas dos Companheiros no meio do sermão. Depois, concluía a parte restante do sermão.
-Às vezes, durante a pregação do khutbah, ele descia do minbar. Depois de atender às suas necessidades, voltava ao minbar e completava o khutbah que havia ficado incompleto. Certa vez, durante o khutbah, Hasan e Husayn entraram na mesquita. Ele desceu do minbar, tomou-os no colo e depois voltou ao minbar, concluindo o restante do khutbah com eles no colo.
-Às vezes, durante o khutbah, dizia a alguém: “Ó fulano! Sente-se.” Também dizia a alguém que saísse do sol e fosse para a sombra.
-Ele proferia o khutbah quando todos chegavam.
-Pouco antes do khutbah, ele saía sozinho e de maneira simples de seu aposento. Não havia nenhum anunciador à sua frente nem atrás dele.
-Ao entrar na mesquita, ele próprio cumprimentava primeiro os companheiros com o salam.
-Ao sentar-se no minbar, dirigia o olhar para todos e dava-lhes o salam.
-Assim que ele se sentava, Bilal fazia o adhan. Assim que o adhan terminava, ele iniciava o khutbah.
-Na sexta-feira, ele ia à mesquita e pedia às pessoas que permanecessem em silêncio. Ele disse: “Três tipos de pessoas comparecem à Jumu’ah:”
1. Aquele que profere palavras vãs. Ele diz coisas fúteis e sem sentido.
2. Aquele que suplica a Allah. Allah, o Altíssimo, pode aceitar sua súplica, ou pode não aceitá-la.
3. Aquele que permanece em silêncio, não importuna nem incomoda ninguém, não causa sofrimento a ninguém e permanece ocupado na adoração com plena devoção. Essas suas ações tornam-se expiação pelos pecados até a sexta-feira seguinte. Além disso, ele também recebe a recompensa pelos dias adicionais.”
— Às vezes, enquanto proferia o sermão, seus dois olhos ficavam vermelhos. Sua voz se elevava. Parecia que ele estava alertando seu exército contra uma força inimiga invasora.
— Seus sermões eram breves, e sua oração era longa.
O que ele dizia em seus sermões?
O Mensageiro de Allah (que a paz esteja com ele) expunha os princípios fundamentais da fé em seu discurso de sexta-feira (sermão). Explicava o significado do Tawhid e da Risalah. Apresentava em detalhes as condições da vida futura, incluindo o Paraíso e o Inferno. Falava sobre seguir o Livro de Allah. Descrevia de modo cativante as bênçãos que Allah, o Altíssimo, preparou para Seus amigos e obedientes. E apresentava imagens aterradoras dos castigos que havia preparado para os inimigos de Allah e para os desobedientes.
Como resultado, ao ouvirem seu discurso, os corações dos ouvintes eram tocados e enternecidos. Sua fé aumentava. Todos ficavam ansiosos por alcançar a proximidade e a recompensa de Allah. Assim, passavam a viver em obediência a Allah e colocavam o amor por Allah acima de tudo.
Ele recitava frequentemente versículos do Alcorão em seus sermões. Recitava muitas vezes a surata Qaf, que contém descrições da vida futura. Umm Hisham bint Harith ibn al-Nu’man disse: “Ouvindo os sermões do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), memorizei a surata Qaf.”
No início do sermão, ele proferia o devido hamd e sana a Allah, o Altíssimo. Às vezes, também proclamava a unicidade de Allah e a missão profética. Em seguida, dizia: “Amma ba’d (agora, prestai atenção).”
Depois, dizia:
(Árabe*********************)
Isto significa: A melhor palavra é o Livro de Allah. A melhor orientação é a orientação de Muhammad. A pior de todas as coisas são as inovações religiosas (coisas introduzidas posteriormente na religião).
— Ele dizia ainda algumas outras coisas nesse sentido.
Em outra narração, consta que, depois do hamd e da sana, ele dizia:
(Árabe********************)
Isto significa: aquele a quem Allah guia para o caminho certo, ninguém pode desviá-lo. E aquele a quem Allah desvia, ninguém pode guiá-lo ao caminho certo. A melhor palavra é o Livro de Allah (Sahih Muslim). Toda inovação religiosa é desvio, e todo desvio será lançado no Inferno. (Nasa’i)
Em Abu Dawud, uma de suas khutbahs foi narrada da seguinte forma:
(Árabe*************************)
Isto significa: Todo louvor pertence a Allah. Peço-Lhe ajuda e peço-Lhe perdão. Buscamos refúgio em Allah contra as más tentações de nossos desejos. Aquele a quem Allah guia para o caminho certo, ninguém pode desviá-lo. E aquele a quem Allah desvia, ninguém pode guiá-lo. Testemunho que não há divindade além de Allah. Ele é Um e Único. Não tem parceiro algum. Também testemunho que Muhammad é Seu servo e Mensageiro. Allah, o Altíssimo, enviou-o como Mensageiro, portador de boas-novas e advertidor, com a verdade absoluta, até o Dia da Ressurreição. Quem obedece a Allah e ao Seu Mensageiro encontra o caminho certo. E quem desobedece a Allah e ao Seu Mensageiro não prejudica ninguém além de si mesmo; não pode causar dano algum a Allah. (Abu Dawud)
Outra de suas khutbahs foi narrada da seguinte forma:
(Árabe************************)
Isto significa: Voltai-vos para Allah, o Magnífico, antes da morte. Correi para as boas ações e para as obras virtuosas. Fortalecei o vínculo entre vós e vosso Senhor por meio da lembrança frequente de Allah e das caridades secretas e públicas. Se fizerdes isso, sereis recompensados, louvados e providos. Sabei que Allah, o Magnífico, tornou a oração de Jumu’ah obrigatória para vós. Embora a oração de Jumu’ah tenha sido tornada obrigatória neste lugar, nesta cidade e neste ano, ela permanecerá obrigatória até o Dia da Ressurreição para todas as pessoas que puderem chegar à mesquita. Se alguma pessoa abandonar a oração de Jumu’ah, considerando-a algo insignificante, ou a negar, durante minha vida ou após minha morte, apesar de ter um governante justo ou tirânico, Allah, o Altíssimo, tornará sua vida infrutífera. Não haverá bênção em seus atos. Sua oração não será válida, nem seu wudu, nem seu jejum, nem seu zakat, nem seu hajj; não haverá bênção em nada do que fizer enquanto não se arrepender. Se se arrepender, Allah aceitará seu arrependimento.
Esta narração foi transmitida por Ali ibn Zayd ibn Jud’an. Há uma fraqueza nessa narração. As khutbahs do Mensageiro de Allah eram vivas. Por meio de suas khutbahs, as pessoas ficavam transbordantes de amor por Allah. Seus discursos comoventes despertavam nas pessoas um intenso desejo de alcançar a proximidade de Allah. Elas recebiam tarbiyah, seus akhlaq melhoravam e adquiriam conhecimento sobre o Din e a Sharia.
Os sermões que as pessoas proferem atualmente não têm aquele espírito próprio do sermão. Os sermões das pessoas de hoje são desprovidos de vida e repletos de brilho exterior.
A oração sunnah da sexta-feira
No tempo do Mensageiro de Allah, que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele, havia um adhan e uma iqamah na oração de sexta-feira. Contudo, eles eram chamados de primeiro adhan e segundo adhan, respectivamente.
O Mensageiro de Allah, que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele, saía de seus aposentos e sentava-se diretamente no minbar. Assim que ele se sentava no minbar, Bilal fazia o adhan da sexta-feira. Assim que Bilal terminava o adhan, o Mensageiro de Allah, que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele, começava o sermão. Portanto, não há prova da existência de uma oração sunnah antes da oração de sexta-feira.
Há duas opiniões entre os sábios quanto à existência ou não de uma oração sunnah antes da oração de sexta-feira. Entre essas duas opiniões, a mencionada acima é a correta e está comprovada pela Sunnah do Mensageiro. Ou seja, não há nenhuma oração sunnah antes da oração de sexta-feira.
Algumas pessoas pensam que, quando Bilal terminava o adhan, todos se levantavam e rezavam duas rak’ahs. Na realidade, essa concepção é uma manifestação da ignorância em relação à Sunnah do Mensageiro.
É evidente que não há nenhuma oração sunnah antes da oração de sexta-feira. Essa é a opinião do Imam Malik. Essa também é a opinião mais conhecida do Imam Ahmad. Essa é igualmente a opinião de um grupo de discípulos do Imam Ash-Shafi’i.
Aqueles que consideram que há uma oração sunnah antes da oração de sexta-feira veem a oração de sexta-feira como uma forma abreviada da oração do meio-dia. Por isso, consideram aplicáveis à sexta-feira as regras da oração do meio-dia. Porém, esse argumento é extremamente fraco. Ele não tem fundamento.
Na realidade, a oração de sexta-feira é uma oração completamente independente. Sua distinção em relação à oração do meio-dia é clara. Ela é recitada em voz audível, consiste em duas unidades, inclui o sermão e possui certas condições. Tudo isso está ausente na oração do meio-dia. Portanto, não há possibilidade alguma de considerar essa oração uma forma abreviada da oração do meio-dia.
Assim, é inválida a analogia daqueles que, baseando-se na oração do meio-dia, presumem que também exista uma oração sunnah antes da oração de sexta-feira. Pois a sunnah deve ser comprovada pelas palavras, ações e aprovações do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), ou pelos califas bem guiados. Contudo, não há aqui nenhuma prova desse tipo.
Pelo contrário, está comprovada pelo Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) a sunnah de não realizar uma oração sunnah antes da oração de sexta-feira. Da mesma forma, está comprovado que ele não realizava nenhuma outra oração antes ou depois da oração do Eid. Portanto, a sunnah consiste em não realizar uma oração sunnah antes da oração de sexta-feira.
Aqueles que acreditam que existe uma oração sunnah antes da oração de sexta-feira apresentam como prova um hadith no capítulo de Bukhari intitulado “Orações antes e depois da sexta-feira”. Nesse capítulo, o imame Bukhari mencionou, com sua cadeia de transmissão, um hadith de Ibn Umar (que Allah esteja satisfeito com ele). Nele, ele diz: O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele)—
realizava duas unidades de oração antes da oração do meio-dia,
realizava duas unidades de oração depois da oração do meio-dia,
realizava duas unidades de oração depois do maghrib em sua casa,
realizava duas unidades de oração depois do isha e
Ele rezava duas rak‘at em casa, depois da oração de sexta-feira.”
-Este hadith não prova que exista uma oração sunnah antes da oração de sexta-feira. Fica claro a partir do hadith que o título dado pelo imã al-Bukhari — ‘A oração antes e depois da sexta-feira’ — significa precisamente que a concepção daqueles que pensam haver uma oração antes da sexta-feira não está correta.
-Este hadith de al-Bukhari também prova claramente que a oração de sexta-feira não é uma versão abreviada da oração do meio-dia, mas uma oração completamente independente. No hadith, a oração de sexta-feira é mencionada como uma oração completamente independente.
-Em Abu Dawud, foi narrado um hadith de Nafi‘ (r.a.), que disse: Ibn ‘Umar (r.a.) rezava antes da sexta-feira e, depois da sexta-feira, ia para casa e rezava duas rak‘at.
-Este hadith não prova a existência de uma sunnah antes da sexta-feira. A longa oração que Ibn ‘Umar (r.a.) fazia antes da sexta-feira era uma oração comum. É melhor que qualquer pessoa que esteja presente na mesquita antes do adhan ou da chegada do imã permaneça fazendo orações voluntárias.
-Agora ficou claro que não há contradição entre a narração de Ibn ‘Umar sobre a prática do Mensageiro (s.a.w.) e a narração de Nafi‘ sobre a prática de Ibn ‘Umar. Ibn ‘Umar narrou a sunnah do Mensageiro (s.a.w.): ele rezava duas rak‘at em casa depois da sexta-feira. Já Nafi‘ narrou as orações voluntárias comuns de Ibn ‘Umar, que ele fazia ao chegar cedo à mesquita.
-Também está comprovado por uma fonte autêntica que, enquanto o Mensageiro (s.a.w.) proferia o sermão, um companheiro chegou à mesquita e se sentou. Ele lhe perguntou: “Ao entrar na mesquita, você rezou duas rak‘at?” O companheiro respondeu: “Não.” Então o Mensageiro (s.a.w.) disse: “Levante-se e reze duas rak‘at.” Ele também disse: “Quando algum de vocês entrar na mesquita, mesmo enquanto o sermão estiver sendo proferido, deve rezar duas rak‘at.”
-Fica claro pelas palavras e pelo conteúdo do hadith que essas duas rak‘at não são a sunnah da sexta-feira, mas a oração pela entrada na mesquita (tahiyyat al-masjid).
O Mensageiro (s.a.w.) incentivava as pessoas a chegarem cedo à mesquita na sexta-feira para realizarem orações voluntárias. Ele também descreveu a virtude disso. Muitos dos Companheiros honoráveis chegavam cedo à mesquita e realizavam orações voluntárias. Ibn Manjar disse: «Chegou até mim a informação de que, antes da oração de sexta-feira, Ibn Umar (r.a.) realizava doze rak‘at, enquanto Ibn Mas‘ud (r.a.) realizava oito rak‘at.»
—Em Ibn Majah, é mencionada uma narração de Ibn Abbas (r.a.), que disse: «O Mensageiro de Allah (s.a.w.) realizava quatro rak‘at antes da oração de sexta-feira, com um único salam.» A cadeia de transmissão deste hadith não é de modo algum aceitável.
—O Mensageiro de Allah (s.a.w.) realizava duas rak‘at em casa depois da oração de sexta-feira. Na verdade, essas duas rak‘at são a sunnah da sexta-feira.
Contudo, também há evidências de que o Mensageiro (s.a.w.) falou sobre realizar quatro rak‘at depois da oração de sexta-feira. (Sahih Muslim)
—O Imam Ibn Taymiyyah disse: se alguém realizar a oração sunnah depois da sexta-feira na mesquita, deverá realizar quatro rak‘at. Já aquele que realizar a oração sunnah em casa deverá realizar duas rak‘at. Na verdade, é isso que se comprova pelos hadiths. Em Abu Dawud, foi narrado por Ibn Umar (r.a.): quando ele realizava a oração em casa, fazia duas rak‘at; e quando a realizava na mesquita, fazia quatro rak‘at.
7
Qiyam al-Layl (oração de Tahajjud)
A oração de Tahajjud era obrigatória para o Mensageiro (s.a.w.)?
Havia divergência de opinião entre os eruditos e mujtahids anteriores sobre se a oração do Tahajjud era obrigatória para o Mensageiro de Allah (s.a.w.). Alguns deles eram da opinião de que o Tahajjud era obrigatório para o Mensageiro (s.a.w.); outros consideravam-no voluntário. Ambos os grupos tomaram este versículo como prova.
(Árabe******************)
Significado: “E permanece acordado durante parte da noite, realizando a oração do Tahajjud; isso é uma oração adicional para ti.” (Surata 17, Al-Isrá: versículo 79)
Um grupo considera que este versículo é uma prova decisiva de que realizar a oração do Tahajjud durante a noite não era obrigatório, mas sim voluntário.
O outro grupo considera que este versículo lhe ordenou realizar a oração do Tahajjud durante a noite; portanto, ela era obrigatória para ele. Os dois primeiros versículos da Surata Al-Muzzammil também lhe deram a mesma ordem:
(Árabe******************)
Significado: “Ó tu, coberto! Permanece em vigília durante a noite, exceto uma pequena parte, realizando a oração noturna.” Nesses dois lugares, foi-lhe ordenado realizar a oração durante a noite, e essa ordem não foi revogada para ele. Portanto, o Tahajjud era obrigatório para ele.
Quando o primeiro versículo diz: “Isso é uma oração adicional para ti”, aqui “adicional” não significa “oração voluntária”; pelo contrário, a palavra foi usada no sentido de algo adicional. Ou seja, a ordem de realizar a oração durante a noite era algo adicional para ti. Essa oração era uma oração adicional para a honra e a recompensa do Mensageiro de Allah (s.a.w.).
Para os demais, permanecer acordado à noite para realizar a oração do Tahajjud é permitido e serve como expiação pelos seus pecados.
Allah, o Altíssimo, perdoou todos os pecados passados e futuros do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Por isso, foi-lhe ordenado realizar esta oração para aumentar sua dignidade e alcançar excelência. Para sua comunidade, esta oração é um meio de libertação dos pecados.
Em nossa opinião, aqui a palavra nafl (adicional) não significa algo que seja apenas permitido, que se possa realizar ou não realizar.
O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) nunca abandonava o Tahajjud, estivesse em casa ou em viagem. Se alguma vez o perdesse à noite por causa do sono ou de uma doença, realizava-o durante o dia.
Quantas rak‘ahs de Tahajjud ele realizava?
Para compreender quantas rak‘ahs de oração o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) realizava à noite, é preciso primeiro ter em mente que, na segunda metade da noite, ele realizava três tipos de oração. A saber:
– A oração do Tahajjud.
– A oração do Witr.
-As duas rak’ahs da sunnah do fajr.
Como ele às vezes realizava essas três orações ao mesmo tempo e outras vezes em horários um pouco diferentes, surgiu certa divergência quanto ao número de rak’ahs do tahajjud e do witr. Cada um relatou o número de rak’ahs que o viu rezar. Contudo, neste caso, as narrações de Aisha e Ibn Abbas são as mais autênticas.
Foi narrado por Bukhari e Muslim, sob a autoridade de Aisha: depois de terminar a oração do isha, o Mensageiro de Allah rezava onze rak’ahs até o fajr. Dava o salam a cada duas rak’ahs e realizava o witr com uma rak’ah. Em cada uma dessas orações, sua prostração durava tanto quanto a recitação de cinquenta versículos do Alcorão por vós. Então, quando o mu’adhdhin terminava o adhan do fajr, ele rezava duas rak’ahs leves e descansava deitado sobre o lado direito até a iqamah do fajr.
No Sahih Muslim também foi mencionado outro hadith, narrado por Aisha. Ela disse: o Mensageiro de Allah rezava treze rak’ahs durante a noite. Entre elas estavam o witr e também as duas rak’ahs do fajr.
Foi narrado por Bukhari e Muslim, sob a autoridade de Ibn Abbas, que certa noite ele passou a noite na casa de sua tia, a Mãe dos Crentes Maymuna. Ao ver o Mensageiro de Allah rezando durante a noite, ele também se levantou, rezou com ele e descansou. Então, quando Bilal pronunciou a iqamah, levantou-se e foi rezar a oração do fajr.
Foi narrado outro hadith por Bukhari e Muslim, sob a autoridade de Aisha. Ela disse: tanto no Ramadan quanto fora do Ramadan, o Mensageiro de Allah nunca rezou mais de onze rak’ahs na oração noturna.
Esta narração de Aisha é autêntica. Contudo, as treze rak’ahs mencionadas acima incluem as duas rak’ahs do fajr.
Em algumas narrações, é mencionado que ele rezava duas rak’ahs depois das treze rak’ahs. Esta narração consta em Bukhari. Contudo, na narração de Muslim, é mencionado que ele rezava treze rak’ahs incluindo as duas rak’ahs do fajr.
Foi narrado por Bukhari e Muslim, através de Qasim ibn Muhammad, que ele disse: Ouvi Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela) dizer: A oração noturna (Tahajjud) do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) consistia basicamente de dez rak‘ahs. Juntamente com isso, ele rezava o Witr de uma rak‘ah e, depois, rezava as duas rak‘ahs da oração da manhã. Ao todo, rezava treze rak‘ahs.
—Esta narração é clara.
O Imam Sha‘bi disse: Perguntei a Abdullah ibn Abbas e a Abdullah ibn Umar (que Allah esteja satisfeito com ambos) sobre a oração noturna do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Ambos me disseram: A oração noturna do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) era de treze rak‘ahs: oito rak‘ahs de Tahajjud, três rak‘ahs de Witr e duas rak‘ahs da Sunnah da oração da manhã.
Embora haja algumas variações nas narrações, ao analisar cuidadosamente todos os hadiths relacionados, compreende-se que, basicamente, o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) rezava onze rak‘ahs na oração noturna (incluindo o Witr), sem contar as duas rak‘ahs da Sunnah da oração da manhã. [A partir da discussão feita até aqui, pode surgir alguma dúvida sobre se a oração do Witr consiste em uma ou três rak‘ahs. Contudo, mencionarei aqui outro hadith relacionado ao número de rak‘ahs do Tahajjud juntamente com o Witr:
Masrur narrou: Eu perguntei à Mãe dos Crentes, Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela), sobre a oração noturna do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) — isto é, sobre o número de rak‘ahs. Ela me respondeu: sem contar as duas rak‘ahs da Sunnah da oração da manhã, a oração noturna do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) era de sete, nove ou onze rak‘ahs. (Sahih al-Bukhari)
Quando o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) costumava realizar a oração noturna (Tahajjud)?
Diferentes narrações mostram que, para realizar a oração noturna, o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele)-
-às vezes, levantava-se à meia-noite.
—Às vezes, levantava-se um pouco antes da meia-noite.
—Às vezes, levantava-se um pouco depois da meia-noite.
—Às vezes, levantava-se ao ouvir o primeiro canto do galo. Isto é, quando já haviam transcorrido dois terços da noite.
Às vezes, ele concluía a oração noturna de forma contínua. Outras vezes, fazia-a de maneira intercalada. Fazê-la de maneira intercalada significava que ele rezava duas rak‘ahs e dormia; depois se levantava, fazia a ablução e usava o miswak, e rezava mais duas rak‘ahs. Em seguida, dormia novamente, levantava-se outra vez e a concluía dessa maneira.
Quando se levantava para a oração noturna, rezava primeiro duas rak‘ahs breves. Também recomendava aos Companheiros que rezassem essas duas rak‘ahs breves. [Não está claro a que se referem essas duas rak‘ahs. Contudo, várias narrações mencionam duas rak‘ahs breves no início. Essas duas rak‘ahs podem ser as duas primeiras rak‘ahs do tahajjud ou podem ser a tahiyyat al-wudu.] Depois, prolongava as rak‘ahs seguintes.
Foi narrado por Aisha e Ibn Abbas (que Allah esteja satisfeito com ambos) que, depois de conduzir a oração do Isha, o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) voltava para casa e rezava algumas orações (de duas a quatro rak‘ahs). Depois de rezar algumas orações, dormia.
Ao se levantar do sono para a oração noturna, usava o miswak, fazia a ablução, lembrava-se de Allah, recitava algumas súplicas e invocações e, então, rezava.
O que ele recitava no horário do tahajjud e durante a oração do tahajjud?
Foi narrado por Ibn Abbas (que Allah esteja satisfeito com ele), através de várias cadeias em Bukhari e Muslim, que o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), ao realizar a oração noturna (Tahajjud), antes de se levantar para fazer a ablução, olhava para o céu e recitava os versículos finais da Surata Al Imran (da última rukūʿ). Os versículos são:
(Árabe***********************)
Significado: Na criação da Terra e do universo, e na alternância entre a noite e o dia, há muitos sinais para as pessoas dotadas de inteligência e entendimento, que se lembram de Allah em todas as situações: quando estão de pé, sentadas ou deitadas. (Espontaneamente, dizem:) “Ó nosso Senhor! Não criaste nada disso sem sentido ou sem propósito. Glorificado e isento estás de realizar algo inútil. Portanto, ó Senhor, salva-nos do castigo do Inferno. Senhor nosso, aquele a quem lançares no Inferno será certamente humilhado; e os injustos não terão quem os ajude. Nosso Senhor! Ouvimos um convocador que chamava à fé, dizendo: ‘Crede em vosso Senhor’, e cremos em resposta ao seu chamado. Portanto, ó Senhor nosso, perdoa os nossos pecados, apaga as nossas faltas e faze-nos morrer junto dos virtuosos. Nosso Senhor! Concede-nos o que prometeste por meio dos Teus Mensageiros e não nos humilhes no Dia da Ressurreição. Certamente, jamais quebras a promessa.” (Atendendo à súplica,) o seu Senhor lhes diz: “Não farei perder a obra de nenhum de vós que pratique boas ações, seja homem ou mulher; sois todos iguais uns aos outros. Assim, aqueles que emigraram, foram expulsos das suas casas, sofreram por Minha causa, combateram e foram mortos, certamente apagarei as suas faltas e os introduzirei em Jardins sob os quais correm rios. Isso é uma recompensa da parte de Allah; e junto de Allah está a melhor recompensa. Ó Profeta! Que a movimentação e o esplendor dos países e cidades não te enganem. Isso é apenas um breve desfrute. Depois, a sua morada será o Inferno — e que péssimo lugar! Porém, para aqueles que temem o seu Senhor, há, da parte de Allah, como dádiva permanente, jardins sob os quais correm rios. E aquilo que se encontra junto de Allah é melhor para os virtuosos. Entre o Povo do Livro há também aqueles que creem em Allah, no Livro que vos foi enviado e no Livro que lhes foi enviado; são humildes diante de Allah e não vendem os versículos de Allah por um preço irrisório. Para eles há uma recompensa junto do seu Senhor; e Allah é rápido em acertar as contas. Ó vós que credes! Sede pacientes, perseverai firmemente, fortalecei os vossos vínculos e temei a Allah. Assim alcançareis o sucesso.” Na narração de Ibn Abbas também consta que, após a oração noturna, o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) fez esta súplica:
(Árabe********************)
Significado: Ó meu Allah! Coloca luz no meu coração (torna-o luminoso), coloca luz na minha língua, coloca luz na minha visão, coloca luz na minha audição, coloca luz à minha direita, coloca luz à minha esquerda, coloca luz acima de mim, coloca luz abaixo de mim, coloca luz diante de mim e coloca luz atrás de mim. Ó Allah! Concede-me luz e amplia e expande a minha luz.”
Foi narrado por Ibn Abbas (que Allah esteja satisfeito com ele) em Bukhari e Muslim que, ao se levantar para realizar a oração de Tahajjud, o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) recitava estas palavras:(Árabe*****************)
Significado: Ó meu Allah! Todo louvor pertence a Ti. Tu és o Guardião e o Administrador deste universo, desta Terra e de tudo o que há entre ambos. Todo louvor pertence a Ti; Tu és a luz deste universo, desta Terra e de tudo o que há entre ambos. Todo louvor pertence a Ti; Tu és o Soberano absoluto deste universo, desta Terra e de tudo o que há entre ambos. Todo louvor pertence a Ti. Tu és a Verdade suprema. A Tua promessa é verdadeira. O Teu encontro é verdadeiro. A Tua palavra é verdadeira. O Paraíso é verdadeiro. O Inferno é verdadeiro. Os profetas são verdadeiros. Muhammad é verdadeiro (profeta). A Ressurreição é verdadeira. Ó Allah, submeti-me a Ti, creio em Ti, confio em Ti, retorno a Ti, por Tua causa disputei com todos e a Ti apresentei o julgamento. Portanto, ó Senhor, perdoa todas as minhas faltas, passadas e futuras, ocultas e manifestas. Perdoa também aquelas faltas que conheces melhor do que eu. Tu és Aquele que adianta todos e tudo, e que retarda todos e tudo. Não há divindade além de Ti, e não há salvador senão Tu.”
Foi narrado no Sahih Muslim por Aisha, Mãe dos Crentes (que Allah esteja satisfeito com ela), que, quando o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) se levantava à noite e começava a oração, dizia:
(Árabe***************)
Significado: Ó Allah! Senhor de Jibril, Mika’il e Israfil! Criador do universo e desta Terra! Conhecedor de tudo o que é oculto e manifesto. Tu decidirás as divergências entre os Teus servos. Mostra-me, por Tua graça, a verdade sobre a qual eles divergem. Pois Tu guias para o caminho reto quem queres.”
Foi narrado por Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela), em Abu Dawud, que, quando o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) despertava à noite, dizia:
(Árabe***********************)
Significado: Não há senhor que governe e liberte além de Ti. Tu és livre e puro de todo tipo de imperfeição, deficiência e fraqueza. Louvo somente a Ti, ó Allah! Peço-Te perdão pelos meus pecados. Busco a Tua graça. Ó Allah, aumenta o meu conhecimento. Depois de me guiares para o caminho reto, não deixes que o meu coração se desvie novamente. Concede-me a Tua graça. Certamente, Tu és o mais grandioso dos doadores.”
Foi narrado por Sharik al-Hawani, um tabi’i, em Abu Dawud, que ele disse: Perguntei à Mãe dos Crentes, Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela): Quando o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) se levantava para rezar à noite, o que recitava primeiro? Ela respondeu: Perguntaste-me sobre algo que ninguém antes de ti havia perguntado. Quando o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) despertava à noite, dizia dez vezes (***) (Allah é Grandioso), dez vezes (***) e dizia (*********) (Todo louvor pertence a Allah), dez vezes (******), dez vezes (*****), dizia dez vezes (*******) (Peço perdão a Allah), dizia dez vezes (*****) e dizia dez vezes (******************) (Ó Allah! Busco refúgio em Ti contra as dificuldades do mundo e do Dia da Ressurreição). [Essas palavras são chamadas de Mu’ashsharat al-Sab’a. Isso significa sete frases, cada uma das quais deve ser pronunciada dez vezes.] Em seguida, iniciava a oração.”
Foi narrado no Sahih al-Bukhari, por ‘Ubada ibn al-Samit (que Allah esteja satisfeito com ele), que ele disse: O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) afirmou que, se alguém despertar à noite, recitar estas palavras e fizer uma súplica, sua súplica será aceita. Depois, se realizar a ablução e rezar, sua oração será aceita. Estas são as palavras: (Árabe******************)
Foi narrado por Hudhayfa (que Allah esteja satisfeito com ele), em Abu Dawud e al-Nasa’i, que ele viu o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) recitar estas palavras antes de iniciar a oração noturna:
(Árabe*****************)
Significado: Allah é grandioso, Allah está acima de todos, Allah é o Maior; Ele é o detentor do poder e da majestade, Ele é o Excelso e o Grandioso.”
Na mesma narração, Hudhayfa, que Allah esteja satisfeito com ele, disse: durante a oração noturna, o Mensageiro, que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele, recitou esta súplica por um longo período entre as duas prostrações:
(Árabe*****************)
Significado: Meu Senhor, perdoa-me! Meu Soberano, perdoa-me.………………
An-Nasa’i e Ibn Majah mencionaram um hadith narrado por Abu Dharr, que Allah esteja satisfeito com ele. Abu Dharr, que Allah esteja satisfeito com ele, disse: certa vez, o Mensageiro de Allah, que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele, levantou-se para realizar a oração noturna e, durante toda a oração³, até chegar o horário da oração do fajr, recitou repetidamente apenas um versículo. O versículo é:(Árabe******************)
Significado: Senhor, se os castigares, podes fazê-lo, pois eles são Teus servos. E, se os perdoares, certamente podes fazê-lo, pois Tu és o Todo-Poderoso, o Sapientíssimo. (Surata Al-Ma’idah: 118)
Em alguns dias, o Mensageiro de Allah, que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele, recitava, na oração noturna, as suratas Al-Baqarah, Al ‘Imran, An-Nisa, Al-Ma’idah ou Al-An’am.
Às vezes, ele recitava as primeiras suratas de al-Mufassal (da surata Al-Hujurat até o fim), juntando duas a duas.
Ele incentivava os Companheiros a recitarem, na oração noturna, dez, cem ou mil versículos, conforme sua capacidade.
A grande bênção da adoração noturna[‘A grande bênção da adoração noturna’: este parágrafo do título foi acrescentado pelo editor.]
Foi narrado por Abu Huraira (que Allah esteja satisfeito com ele), em Al-Bukhari e Muslim, que o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: Quando resta o último terço de cada noite, Allah, o Altíssimo, desce ao céu mais próximo da Terra (aproxima-se da Terra) e continua a proclamar: “Ouçam! Quem Me invocar agora, Eu responderei à sua invocação. Quem Me pedir agora, Eu lhe concederei. Quem Me pedir perdão agora por seus pecados, Eu o perdoarei.” Ele continua a proclamar assim até o amanhecer.
Foi narrado por Abu Umama (que Allah esteja satisfeito com ele), em At-Tirmidhi, que o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: Vocês devem levantar-se à noite e realizar a oração. Pois isso é:
– a prática dos piedosos que vos precederam,
– um meio de alcançar a proximidade do vosso Senhor,
– uma arma para apagar os pecados e
— Um impedimento contra o pecado.
Foi narrado no Musnad de Ahmad, por Abu Huraira (que Allah esteja satisfeito com ele), que ele disse: Ouvi o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) dizer: “Depois das orações obrigatórias, a melhor oração é a oração noturna.”
Foi narrado por Abu Dawud e an-Nasa’i, por Abu Huraira (que Allah esteja satisfeito com ele), que o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: “Que Allah tenha misericórdia do homem que se levanta durante a noite, ora e acorda sua esposa, e ela também ora; e, se ela não quiser se levantar, ele borrifa água sobre seus olhos. Que Allah, o Altíssimo, tenha misericórdia da mulher que se levanta durante a noite, ora e acorda seu marido, e ele também ora; e, se ele não quiser se levantar, ela borrifa água sobre seu rosto.”
Foi narrado por Abu Huraira (que Allah esteja satisfeito com ele) em Sahih al-Bukhari e Sahih Muslim que o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: “Quando algum de vocês dorme, Satanás dá três nós na parte posterior de sua cabeça. Em cada nó, ele coloca o selo destas palavras: ‘A noite ainda é longa; durma.’ Mas, se ele acordar e se lembrar de Allah, um nó se desfaz. Se também fizer a ablução, outro nó se desfaz. Então, se orar, o último nó também se desfaz. Assim, ele amanhece belo, puro e alegre de espírito. Caso contrário, amanhece sujo e preguiçoso.”
Foi narrado por al-Mughira ibn Shu’ba (que Allah esteja satisfeito com ele) em Sahih al-Bukhari e Sahih Muslim. Ele disse: Certa vez, por permanecer de pé durante muito tempo na oração noturna, os pés do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) ficaram inchados. Então lhe foi dito: “Por que você se esforça tanto? Todos os seus pecados anteriores e posteriores já lhe foram perdoados.” Em resposta, ele disse: “Por isso, não devo ser um servo agradecido a Allah?”
Foi narrado por Jabir (que Allah esteja satisfeito com ele), que disse: Ouvi o Nobre Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) dizer: “Durante toda a noite há um momento em que, se um muçulmano o alcançar e pedir a Allah qualquer bem deste mundo e da Outra Vida, Allah certamente lhe concederá isso. Esse momento especial ocorre todas as noites.” (Sahih Muslim)
Foi narrado por Abdullah ibn Abbas (que Allah esteja satisfeito com ele) que o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse:(Árabe*****************)
“As melhores e mais excelentes pessoas da minha comunidade são os portadores do Alcorão e aqueles que permanecem acordados à noite para realizar a oração.” (Bayhaqi: Ibn Abbas, que Allah esteja satisfeito com ele.)
8
A oração do witr
Ele rezava o witr junto com o tahajjud
A oração do witr do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) fazia parte de sua oração qiyam al-layl, ou tahajjud. Ele rezava o witr junto com o tahajjud. Portanto, a oração do witr dele deve ser abordada juntamente com sua oração tahajjud.
Como ele rezava o witr junto com o tahajjud e quantas rak‘at rezava? A partir das diferentes narrações dos hadiths, conhecem-se algumas formas. Elas são as seguintes:
Primeira. A forma narrada por Ibn Abbas (que Allah esteja satisfeito com ele): Ibn Abbas (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: Certa vez, passei a noite na casa de minha tia. Vi o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) levantar-se no último terço da noite. Ele olhou para o céu e recitou: “Inna fi khalqis-samawati …”. Depois fez a ablução e se levantou para a oração. Eu também fiz a ablução e fui ficar à sua esquerda. Então ele me pegou pela orelha, fez-me mudar de posição e levou-me para o seu lado direito. Rezei com ele e vi que rezou um total de treze rak‘at, incluindo o witr.
Em outra narração de Ibn Abbas (que Allah esteja satisfeito com ele), consta que ele viu o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) rezar oito rak‘at de tahajjud, duas a duas, três rak‘at de witr e duas rak‘at da sunnah do fajr. Essas narrações são mencionadas em Bukhari, Muslim e outras obras.
Segunda. A forma narrada por Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela): Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela) disse: Quando o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) se levantava para a oração noturna, começava com duas rak‘at leves (breves) e completava onze rak‘at. Dava o salam a cada duas rak‘at e, por fim, acrescentava uma rak‘ah, tornando-as witr (ímpar).
Três. Rezava treze rak‘at, como no segundo tipo.
Quatro. Rezava oito rak‘at, fazendo duas rak‘at de cada vez. Depois, sem se sentar no intervalo, rezava cinco rak‘at com um único salām. (Bukhari e Muslim; narrado por Aisha, r.a.)
Cinco. Rezava nove rak‘at de uma só vez. Rezava oito rak‘at consecutivas, sentava-se na oitava rak‘ah e, nessa posição sentada, fazia o dhikr e louvava Allah, além de fazer du‘ā. Depois, levantava-se, rezava a nona rak‘ah (witr) e fazia o salām. Em seguida, rezava duas rak‘at sentado. (Sahih Muslim; narrado por Aisha, r.a.)
Seis. Rezava sete rak‘at, de modo semelhante às nove rak‘at mencionadas acima. Depois, rezava duas rak‘at sentado.
Sete. Concluía o tahajjud rezando duas rak‘at de cada vez. Depois, sem se sentar no intervalo, rezava três rak‘at de witr consecutivas. O imām Ahmad narrou isso com base em Aisha, r.a. Aisha, r.a., disse: “Ele rezou três rak‘at de witr sem interrupção.”
O imām Nasā’ī também narrou um hadith semelhante, com base em Aisha, r.a. Nele, Aisha, r.a., disse: “O Mensageiro de Allah, s.a.w., rezou três rak‘at de witr consecutivas, sem fazer o salām na segunda rak‘ah.” — Contudo, é necessário refletir sobre esse tipo de oração do witr, pois ele não coincide com a maioria das narrações.
Abu Hātim e Ibn Hibbān narraram um hadith de Abu Hurayrah, r.a., em suas coleções de hadiths sahih. Nela, Abu Hurayrah, r.a., disse que o Mensageiro de Allah, s.a.w., afirmou: “Não façam a oração do witr semelhante à oração do maghrib; não rezem três rak‘at. Em vez disso, rezem cinco ou sete rak‘at.”
O imām Dāraqutnī disse que todos os narradores da narração sobre rezar cinco e sete rak‘at de witr são confiáveis. Ele disse: “Perguntei a Abu Abdillah: ‘Você faz o salām na segunda rak‘ah da oração do witr?’ Ele respondeu: ‘Sim.’ Perguntei: ‘Por que você faz o salām na segunda rak‘ah?’ Ele respondeu: ‘Há muitos hadiths sobre fazer o salām na segunda rak‘ah, e esses hadiths são sólidos. Isso porque os hadiths sobre esse assunto foram narrados pelo imām Zuhri, de ‘Urwah ibn az-Zubayr, r.a., e este os narrou de Aisha, r.a. Essa cadeia de transmissão é extremamente sólida e uma cadeia de ouro.’
Haris, que Allah tenha misericórdia dele, disse: Quando o Imame Ahmad foi questionado sobre a oração do witr, respondeu: Deve-se fazer o taslim na segunda rak‘ah. Naturalmente, mesmo que não se faça o taslim, espero que isso não prejudique a oração. Contudo, fazer o taslim está comprovado pelo Profeta Nobre, que Allah o abençoe e lhe conceda paz.
Abu Talib disse: Perguntei a Abu Abdullah: “A respeito do witr, a qual hadith o senhor dá preferência?” Ele respondeu: “O hadith sobre rezar cinco rak‘ahs consecutivas, sem sentar no meio e fazendo o taslim na última rak‘ah, é autêntico; e também é autêntico o hadith sobre rezar sete rak‘ahs consecutivas e fazer o taslim na última rak‘ah. Além disso, o hadith narrado por Zirara, segundo Aisha, que Allah esteja satisfeito com ela, de que o Mensageiro, que Allah o abençoe e lhe conceda paz, rezava nove rak‘ahs e sentava-se depois de rezar oito consecutivamente, também é autêntico. Contudo, os hadiths sobre rezar o witr com uma rak‘ah são mais fortes; por isso, é assim que o faço.” Perguntei: “E quanto às três rak‘ahs mencionadas por Ibn Mas‘ud, que Allah esteja satisfeito com ele?” Ele respondeu: “Sim, Ibn Mas‘ud mencionou três rak‘ahs, e Sa‘d também lhe disse algumas coisas em resposta e refutou a sua posição sobre as três rak‘ahs.”
Oito. O relato de Hudhayfa, transmitido por an-Nasa’i e Abu Dawud: nele, Hudhayfa, que Allah esteja satisfeito com ele, mencionou apenas quatro rak‘ahs, acompanhadas de longos tasbihs e súplicas. [Na realidade, neste relato de Hudhayfa, que Allah esteja satisfeito com ele, não é mencionada a oração do witr.]
Estas são as diferentes formas da oração do witr que está comprovado que o Mensageiro de Allah, que Allah o abençoe e lhe conceda paz, realizou. [Como o Mensageiro, que Allah o abençoe e lhe conceda paz, realizava a oração do witr juntamente com a oração noturna, cada Companheiro narrou, quanto ao número de rak‘ahs dessa oração, aquilo que havia visto. Além disso, eles também a praticaram conforme o que tinham visto pessoalmente. Portanto, basta praticar qualquer uma das formas mencionadas nos hadiths autênticos, pois o Mensageiro, que Allah o abençoe e lhe conceda paz, realizou-as de diferentes maneiras.]
Quando e como ele a realizava?
Vários hadiths comprovam que o Mensageiro de Allah, que Allah o abençoe e lhe conceda paz, realizava a oração do witr –
– também na primeira parte da noite e ordenou aos Companheiros que a realizassem.
– também na parte central da noite.
—Também a realizou na última parte da noite.
O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) realizou a oração noturna geralmente de três maneiras:
Uma: na maior parte do tempo, realizou-a em pé.
Duas: algumas vezes — especialmente no final de sua vida — realizou-a sentado e também fez o rukūʿ sentado.
Três: algumas vezes recitou a surata sentado. Porém, ao fazer o rukūʿ, levantou-se e fez o rukūʿ em pé. Depois, prostrou-se.
—Todas essas três formas foram narradas por cadeias autênticas.
A súplica do qunūt no witr
Não se soube, por nenhuma outra fonte, que o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) tenha recitado o qunūt na oração do witr, exceto por um hadith narrado em Ibn Mājah. A cadeia do hadith é a seguinte: Ibn Mājah > ʿAlī ibn Maymūn al-Raqī > Muhammad ibn Yazīd > Sufyān > Zayd ibn Iyāmī > Saʿīd ibn ʿAbd al-Raḥmān ibn Abzā > ʿAbd al-Raḥmān ibn Abzā > Ubayy ibn Kaʿb (que Allah esteja satisfeito com ele). O hadith narrado por Ubayy ibn Kaʿb é o seguinte: “O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) realizava o witr e recitava o qunūt antes do rukūʿ.”
Foi narrado por Imam Ahmad que o Mensageiro de Allah (S.A.) costumava recitar o qunut principalmente depois do rukū‘, e não antes dele.
Na realidade, entre todos os hadiths narrados a respeito do qunut, consta que o Mensageiro (S.A.) recitava o qunut na oração do fajr, permanecendo de pé depois de se levantar do rukū‘. Este hadith de Ibn Majah indica que, na oração do witr, ele recitava o qunut antes do rukū‘.
Foi narrado no Musnad de Ahmad e nas coletâneas de Sunan, por Hasan ibn Ali (R.A.), que ele disse: “As palavras que o Mensageiro de Allah (S.A.) me ensinou para recitar no witr são as seguintes:”
(Árabe********************)
O significado: Ó Allah, inclui-me entre aqueles a quem Tu guiaste pelo caminho correto! Inclui-me entre aqueles a quem concedeste perdão e bem-estar, concedendo-me também perdão e bem-estar! Inclui-me entre aqueles de quem Tu és o Protetor! Abençoa para mim tudo o que me concedeste. Protege-me da Tua má decisão. Tu és o verdadeiro Juiz, e ninguém pode decidir contra Ti. Aquele de quem Tu Te tornaste o Protetor não pode ser humilhado por ninguém. E ninguém pode conceder honra àquele que se tornou Teu inimigo. Ó nosso Senhor, Tu és o Possuidor de uma imensa abundância; Tu és Sublime e Grandioso.
Na narração de Nasa’i, consta também que, depois de recitar esta súplica, Hasan (R.A.) recitava o durood pelo Mensageiro de Allah (S.A.).
Hakam também mencionou, em sua obra Mustadrak, segundo Hasan (R.A.), o seguinte: o Mensageiro de Allah (S.A.) ensinou-me a recitar estas palavras na oração do witr, depois de se levantar do rukū‘, quando nada mais restasse além da prostração (para recitar a súplica acima).
Imam Tirmidhi disse que este hadith de Hasan é um hadith “hasan” (bom). Não se encontra nenhuma narração melhor do que esta sobre o qunut do witr.
Contudo (o restante desta parte foi acrescentado pelo editor), o muhaddith Tabarani e outros relataram outra súplica do qunut na oração do Witr. Embora os muhaddiths tenham chamado a súplica do qunut mencionada acima, transmitida por Hassan, de melhor qunut do Witr, o Imam Abu Hanifa, o Imam Malik e outros também consideraram a seguinte súplica do qunut superior:
(Árabe******************)
Significado: Ó Allah! Buscamos somente a Tua ajuda, pedimos perdão somente a Ti, cremos somente em Ti, confiamos somente em Ti e atribuímos a Ti todas as melhores qualidades. Vivemos agradecendo-Te e não seguimos o caminho da ingratidão para contigo. Abandonamos os que Te desobedecem e não mantemos relações com eles. Ó Allah! Servimos somente a Ti, oramos somente por Ti e prostramo-nos somente diante de Ti. Corremos para o Teu caminho e avançamos pelo Teu caminho. Anelamos a Tua misericórdia, tememos o Teu castigo, e o Teu castigo recairá somente sobre os descrentes.”
Duas rak’ahs depois do Witr
Foi narrado no Sahih Muslim e no Musnad de Ahmad, por Aisha, Umm Salama e Abu Umama, que o Mensageiro de Allah às vezes realizava duas rak’ahs sentado depois do Witr.
Os sábios divergiram quanto à validade dessas duas rak’ahs. Segundo alguns, essas duas rak’ahs contradizem as palavras do Mensageiro de Allah: “Fazei do Witr a última oração da noite”. Outros disseram que o Mensageiro de Allah realizou essas duas rak’ahs justamente para demonstrar a permissibilidade de orar depois do Witr. Alguns disseram que essas duas rak’ahs são uma oração complementar ao Witr.
9
As orações nafl não regulares do Mensageiro de Allah
Salat ad-Duha (a oração de Chasht)
O período entre o momento em que o sol nasce pela manhã e se torna luminoso e o momento em que chega ao zênite é chamado de Duha ou Chasht. Às vezes, o Mensageiro de Allah (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) realizava algumas orações voluntárias nesse período e incentivava os Companheiros a fazê-lo. Ele realizava essa oração às vezes com duas rak‘ahs, às vezes com quatro, às vezes com seis e às vezes com oito rak‘ahs.
Contudo, assim como há hadiths afirmando que o Mensageiro de Allah (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) a realizava nesse período e incentivava outros a fazê-lo, também há hadiths afirmando que ele não realizava oração nesse período.
Um hadith foi narrado por Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela) no Sahih al-Bukhari. Ela disse: “Eu não vi o Mensageiro de Allah (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) realizar a oração de Chasht, mas eu realizo a oração nesse período.”
Foi narrado no Sahih al-Bukhari, por meio de Muriq al-Ajli, que ele disse: “Perguntei a Ibn Umar (que Allah esteja satisfeito com ele): ‘Você realiza a oração de Chasht?’ Ele respondeu: ‘Não.’ Então perguntei: ‘O Nobre Profeta (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) a realizava?’ Ele respondeu: ‘Não, ele também não a realizava.’”
O Imām al-Bukhari também mencionou um hadith de Ibn Abi Layla. Nesse hadith, Ibn Abi Layla disse: “Ninguém nos narrou que o Mensageiro de Allah (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) tenha realizado a oração de Chasht. Somente Umm Hani disse: ‘No dia da conquista de Meca, o Mensageiro de Allah (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) veio à minha casa, tomou banho e depois realizou oito rak‘ahs de oração. Nunca o vi realizar uma oração tão breve quanto essa. Contudo, ele completou perfeitamente o rukū‘ e o sujūd. Esse era o horário de Duha (isto é, Chasht).’”
No Sahih Muslim, foi narrado por Abdullah ibn Shaqiq que ele disse: “Perguntei à Mãe dos Crentes, Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela): ‘O Mensageiro de Allah (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) realizava a oração de Chasht?’ Ela respondeu: ‘Não. Contudo, quando retornava de uma viagem nesse período, realizava algumas orações.’
Da mesma forma, também há narrações de que o Mensageiro de Allah (que Allah o abençoe e lhe conceda paz) realizou a oração de Chasht. Por exemplo:
Foi narrado por Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela), no Sahih Muslim, que o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) costumava realizar a oração de Duha e rezava quatro rak‘ahs. E, se Allah quisesse, rezava mais do que isso.
Foi narrado por Umm Hani (que Allah esteja satisfeito com ela), no Bukhari e Muslim, que, no dia da conquista de Meca, o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) rezou oito rak‘ahs de Duha em sua casa.
Foi narrado por Anas (que Allah esteja satisfeito com ele), no Mustadrak de Hakim; ele disse: Vi o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) rezar oito rak‘ahs de Duha durante uma viagem.
Hakim narrou, no capítulo sobre a excelência da oração de Duha, por intermédio de Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela), que ela disse: Certa vez, o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) rezou a oração de Duha. Depois, recitou esta súplica cem vezes:(Árabe******************)
Significado: Ó Allah! Perdoa-me, concede-me misericórdia e aceita o meu arrependimento. Certamente, Tu és Misericordioso, Perdoador e Aquele que aceita o arrependimento.”
Mujahid disse que o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) rezou, durante o período de Duha, duas, quatro, seis e oito rak‘ahs.
Hakim também mencionou, por intermédio de Aisha e Umm Salama (que Allah esteja satisfeito com elas), que ele rezou doze rak‘ahs.
Como existem hadiths tanto sobre realizar quanto sobre não realizar a oração durante o período de Duha, os muhaddithin também têm opiniões sobre ambas as questões: realizá-la e não realizá-la.
Há vários hadiths sobre a virtude de realizar e de não realizar esta oração. Muitos dos piedosos predecessores realizaram esta oração de acordo com os hadiths.
Outro grupo de muhaddiths manifestou a opinião de que se deve abandonar esta oração. Eles questionaram a autenticidade dos hadiths relacionados a ela. Além disso, também destacaram que os Companheiros não tinham conhecimento desse assunto.
No hadith citado por Al-Bukhari, Ibn Umar disse: “O Mensageiro, Abu Bakr, Umar e eu próprio não realizávamos esta oração.”
Ouvi, por intermédio de Waki, que Abu Huraira disse: “Vi o Mensageiro de Allah realizar a oração apenas uma vez, no horário da Duha.”
Ali ibn al-Madini narra, por intermédio de Abd al-Rahman ibn Abu Bakr, que certo dia Abu Bakr viu um grupo de pessoas realizando a oração no horário da Duha e disse: “Estais realizando uma oração que nem o Mensageiro realizou, nem qualquer um de seus Companheiros.”
Entretanto, um terceiro grupo considera recomendável realizar a oração no horário da Duha. Por isso, diz que ele a realizava em alguns dias.
Contudo, eles dizem que ele realizava esta oração em alguns dias.
No entanto, os hadiths relativos à realização da oração no horário da Duha não são comprovados de forma conclusiva.
Está comprovado que o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) às vezes realizava a oração nesse horário, mas essas orações não estavam relacionadas àquele horário (o horário do duha). Por exemplo, no dia da conquista de Meca, ele foi à casa de Umm Hani, tomou banho e realizou oito rak‘ahs de oração. Essa oração não estava relacionada àquele horário; ele a realizou como demonstração de gratidão pela conquista de Meca. Da mesma forma, Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela) disse que, quando retornava de uma viagem durante esse horário (o horário do duha), ele realizava uma oração. Essa também não era uma oração relacionada àquele horário, mas uma oração realizada ao retornar de uma viagem.
Assim, aqueles que ocasionalmente o viram realizando uma oração nesse horário não o viram realizando a oração relacionada a esse horário (isto é, a oração do duha); ele realizava essa oração ocasionalmente nesse horário por diversos motivos. Isso é o que está comprovado.
Prostração de gratidão
Era prática do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) e de seus Companheiros que, quando se alegravam por receber alguma bênção de Allah ou pela remoção de uma aflição, prostravam-se diante de Allah em gratidão.
Foi narrado no Musnad de Ahmad, por intermédio de Abu Bakr (que Allah esteja satisfeito com ele): quando acontecia algo alegre na vida do Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), ele prostrava-se diante de Allah em gratidão.
Ibn Majah narrou por intermédio de Anas (que Allah esteja satisfeito com ele): certa vez, foi dada ao Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) uma boa notícia sobre determinado assunto. Ao ouvi-la, ele prostrou-se diante de Allah.
O Imam al-Bayhaqi mencionou um hadith autêntico, de acordo com as condições estipuladas pelo Imam al-Bukhari para que uma cadeia de transmissão fosse considerada autêntica. Nele é dito: ao receber a notícia escrita, enviada por Ali (que Allah esteja satisfeito com ele), de que a tribo de Hamdan havia aceitado o Islam, o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) prostrou-se. Depois, levantou a cabeça e disse: “As-salāmu ʿalā Hamdan, as-salāmu ʿalā Hamdan.”
Foi narrado no Musnad de Ahmad, por intermédio de Abdur-Rahman ibn Awf (que Allah esteja satisfeito com ele):
Quando chegou da parte de Allah, o Altíssimo, a boa-nova de que, se alguém invocasse bênçãos sobre ti, Eu também lhe concederia bênçãos (mercê), e se alguém te saudasse com a paz, Eu também o saudaria com a paz (derramaria paz sobre ele), o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) prostrou-se imediatamente em gratidão.
Foi narrado no Sunan de Abu Dawud, por Sa‘d ibn Abi Waqqas (que Allah esteja satisfeito com ele): certa vez, o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) levantou as mãos e suplicou a Allah por algum tempo. Em seguida, prostrou-se. Prostrou-se assim três vezes. Por fim, disse-nos: “Supliquei algo ao meu Senhor e intercedi em favor da minha comunidade (seus seguidores). Ele me permitiu suplicar em favor de um terço da comunidade. Então, permitiu que minha súplica fosse aceita em favor de outro terço. Imediatamente, prosternei-me em gratidão diante do meu Senhor. Depois, levantei novamente a cabeça e supliquei em favor da minha comunidade. Então, Ele permitiu que minha súplica fosse aceita em favor do terço restante da minha comunidade.” Imediatamente, prostrei-me em gratidão diante do meu Senhor. [Neste hadith aparece a palavra “comunidade” (ummah). “Ummah” significa um grupo que segue os mesmos princípios e ideais. “Comunidade de Muhammad” significa o grupo que segue os princípios e ideais de Muhammad (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Neste hadith, as palavras do Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), “intercedi em favor da minha comunidade”, significam: intercedi para que fossem perdoadas as pessoas que seguem meus princípios e ideais.]
Assim como o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), os nobres Companheiros também fizeram a prostração de gratidão. Foi narrado no Sahih al-Bukhari que, quando Ka‘b ibn Malik (que Allah esteja satisfeito com ele) recebeu a boa-nova do perdão, prostrou-se humildemente em gratidão a Allah, o Todo-Poderoso. [O Companheiro Ka‘b ibn Malik (que Allah esteja satisfeito com ele) era um dos três Companheiros que, por negligência, não participaram da batalha de Tabuk. Ao retornar de Tabuk, o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), por ordem de Allah, boicotou esses três Companheiros. Como consequência, suas vidas tornaram-se extremamente difíceis e o mundo pareceu estreito para eles. Eles continuaram chorando e arrependendo-se. Após cinquenta dias de intenso arrependimento, Allah, o Todo-Poderoso, declarou que os havia perdoado e revelou versículos do Alcorão. Naquela ocasião, Ka‘b (que Allah esteja satisfeito com ele) realizou a prostração de gratidão.]
Foi narrado no Musnad de Ahmad que, quando Ali (que Allah esteja satisfeito com ele) viu Dhu al-Thudayya entre os mortos dos kharijitas, prostrou-se diante de Allah.
Sa‘id ibn Mansur narrou que, quando Abu Bakr (que Allah esteja satisfeito com ele) recebeu a notícia da morte de Musaylima, o Mentiroso (falso pretendente à profecia), prostrou-se imediatamente diante de Allah. [Neste parágrafo, menciona-se a prostração de gratidão; não se menciona a oração. Além disso, no hadith não é mencionado que fosse necessário realizar a ablução para essa prostração.]
Prostração durante a recitação
Quando, durante a recitação do Alcorão, chegava a algum dos trechos que ordenam a prostração, o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) prostrava-se imediatamente, dizendo “Allahu Akbar”. Durante a prostração da recitação, ele costumava recitar estas palavras.
(Árabe***************)
Significado: Meu rosto prostrou-se diante do Ser Majestoso que o criou e lhe deu uma bela forma. Além disso, por Seu próprio poder e onipotência, Ele lhe concedeu a audição e a visão.”
Às vezes, durante a prostração da recitação, ele recitava a seguinte súplica:
(Árabe******************)
Significado: Ó Allah! Em troca desta prostração, alivia o peso dos meus pecados. Em troca dela, registra para mim recompensa e retribuição. Faz desta prostração o meu tesouro para a Vida Futura. E aceita esta minha prostração da mesma forma como aceitaste a prostração do Teu servo Davi.”
Essas duas narrações foram transmitidas pelos compiladores das coleções de Sunan. Contudo, nenhuma delas afirma que ele tenha dito “Allahu Akbar” também ao levantar a cabeça dessa prostração da recitação.
Também não se sabe que o Mensageiro de Allah tenha recitado o tashahhud nessa prostração, nem que tenha encerrado com o salam.
As duas rak‘ahs de Bilal após cada ablução [Parágrafo acrescentado pelo editor.]
Sempre que Bilal fazia a ablução, rezava duas rak‘ahs depois dela. O Mensageiro de Allah aprovou essas duas rak‘ahs.
Relatado por Abu Huraira (que Allah esteja satisfeito com ele) em Sahih al-Bukhari e Sahih Muslim: certo dia, depois da oração do fajr, o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) perguntou a Bilal (que Allah esteja satisfeito com ele): “Ó Bilal! Dize-me: que ação praticaste depois de abraçares o Islã, pela qual esperas uma grande recompensa de Allah? Fiz-te esta pergunta porque ouvi o som dos teus calçados diante de mim no Paraíso.” Bilal respondeu: “A ação pela qual mais espero receber recompensa de Allah é que, sempre que fiz wudu durante o dia ou a noite, rezei alguma oração com esse wudu, tanto quanto Allah, o Altíssimo, me concedeu capacidade para fazer.”
As duas rak‘at de Bilal depois de cada adhan [Este parágrafo foi acrescentado pelo editor.]
Bilal (que Allah esteja satisfeito com ele) costumava rezar duas rak‘at depois de cada adhan. O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) aprovou essas duas rak‘at.
O Imam at-Tirmidhi narrou, com uma cadeia autêntica, um hadith de Buraida (que Allah esteja satisfeito com ele). Ele disse: certa manhã, o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) chamou Bilal e disse: “Ó Bilal! Que ação praticaste pela qual chegaste ao Paraíso antes de mim? Sempre que entrei no Paraíso, ouvi o som dos teus calçados diante de mim.”
Bilal respondeu: “Ó Mensageiro de Allah! Sempre que fiz o adhan, rezei duas rak‘at (voluntárias) depois dele. Além disso, sempre que meu wudu era invalidado, eu o renovava imediatamente e, depois do wudu, estabeleci como obrigação para mim rezar duas rak‘at por Allah.”
Então o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) exclamou: “Sim, foi por isso.”
A oração pelo perdão e a oração em momentos de preocupação [Este parágrafo foi acrescentado pelo editor.]
Narrado por Ali (que Allah esteja satisfeito com ele), que disse: Abu Bakr (que Allah esteja satisfeito com ele) me disse — e ele certamente disse a verdade —: ouvi o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) dizer que, se uma pessoa cometer um pecado ou uma ofensa, depois se purificar (por meio do ghusl ou do wudu), rezar algumas orações (voluntárias) e pedir perdão a Allah, certamente Allah a perdoará. Em seguida, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) recitou o seguinte versículo do Alcorão:
(Árabe******************)
Isto é: aqueles que, quando cometem alguma indecência ou se prejudicam cometendo algum pecado, imediatamente se lembram de Allah e pedem-Lhe perdão pelos pecados cometidos — pois quem pode perdoar os pecados além de Allah? — e não persistem conscientemente naquilo que fizeram; para essas pessoas há perdão junto ao seu Senhor e jardins sob os quais correm rios, onde permanecerão eternamente. (Surata آل Imran, versículos 135–136)
Este hadith foi narrado pelo Imame At-Tirmidhi e por Ibn Majah. Contudo, Ibn Majah não mencionou o versículo.
Foi narrado por Abu Dawud, com base em Hudhayfa (que Allah esteja satisfeito com ele): quando o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) se preocupava por algum motivo, ele fazia algumas orações voluntárias. Na verdade, Allah, o Altíssimo, deu esta instrução no próprio Alcorão Sagrado: “Ó vós que credes! Buscai ajuda por meio da paciência e da oração.” (Surata 2, Al-Baqara, versículo 153)
Oração e súplica de istikhara (parágrafo acrescentado pelo editor)
Jabir (que Allah esteja satisfeito com ele) narrou que o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) nos ensinou a fazer istikhara em todos os assuntos, assim como nos ensinava uma surata do Alcorão. Ele dizia: quando algum de vós decidir realizar algo, que faça duas rak’ahs de oração além da obrigatória, isto é, voluntárias. Em seguida, que faça a seguinte súplica:
(Árabe******************)
Isto é: Ó Allah! Peço-Te orientação para o bem neste assunto, por meio do Teu conhecimento, e peço-Te capacidade para alcançar o bem neste assunto, por meio do Teu poder. Peço-Te do Teu grandioso favor e do tesouro do bem. Tu tens poder sobre todas as coisas, enquanto eu não tenho poder algum. Tu sabes todas as coisas, enquanto eu nada sei. E Tu és o Único Conhecedor de tudo o que é oculto. Ó Allah! Se sabes — ou consideras — que este assunto que pretendo realizar é benéfico para mim, para a minha religião, para a minha vida, para o meu sustento, para a minha vida futura e para as minhas circunstâncias, então concede-lhe bênção para mim.
Por outro lado, se sabes que este assunto será prejudicial para mim, para a minha religião, para a minha vida e sustento e para o desfecho da minha vida futura, então afasta-o de mim e afasta-me dele. Determina para mim o bem, onde quer que ele esteja, e torna-me satisfeito com ele.” (Sahih al-Bukhari)
Salat al-Tasbih [Este parágrafo foi acrescentado pelo editor.]
Abu Dawud, Ibn Majah e al-Bayhaqi, com base em Ibn Abbas, e al-Tirmidhi, com base em Abu Rafi, mencionaram uma oração peculiar de quatro rak‘ahs que o Mensageiro de Allah ensinou a seu tio Abbas. Essa oração tornou-se conhecida como “Salat al-Tasbih”. O hadith relacionado a essa oração é o seguinte:
Ibn Abbas disse: Certo dia, o nobre Profeta, que a paz esteja com ele, disse a Abbas ibn Abd al-Muttalib, meu pai: “Ó Abbas! Ó meu tio! Não devo conceder-te algo? Não devo dar-te algo? Não devo informar-te algo? Não devo ensinar-te dez coisas? Se as praticares, Allah perdoará os teus pecados. Allah perdoará todos os teus pecados: os anteriores e os posteriores, os antigos e os recentes, os intencionais e os não intencionais, os pequenos e os grandes, os ocultos e os manifestos. Isso consiste em ofereceres quatro rak‘ahs de oração. Em cada rak‘ah, recitarás a Surata al-Fatiha e outra surata. Depois de terminares a recitação da primeira rak‘ah, ainda em pé, recitarás quinze vezes esta fórmula:
(Árabe****************)
Em seguida, irás para o rukū‘. Ao chegar ao rukū‘, recitarás essa fórmula dez vezes. Depois, levantarás a cabeça do rukū‘ e ficarás de pé; nessa posição, recitarás a referida fórmula dez vezes. Em seguida, levantarás a cabeça da سجدة e te sentarás; sentado, recitarás a referida fórmula dez vezes. Depois, irás para a segunda سجدة e também nela recitarás a fórmula dez vezes. Assim, a fórmula terá sido recitada setenta e cinco vezes no total em uma rak‘ah. Oferecerás quatro rak‘ahs seguindo o mesmo método da primeira rak‘ah. Se puderes, oferece-a uma vez por semana. Se não puderes, uma vez por mês. Se isso também não for possível, uma vez por ano. E, se nem isso for possível, oferece-a ao menos uma vez na vida.”
Al-Hakim, Ibn Khuzaymah e al-Daraqutni mencionaram-na como um hadith sahih. Contudo, o imam Ibn al-Qayyim al-Jawzi considerou-o um hadith mawdu‘ (forjado).
A oração do Tarawih [Este parágrafo foi acrescentado pelo editor.]
Há divergência de opinião quanto a saber se a oração de Tarawih é uma sunnah do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Abu Dawud, at-Tirmidhi, an-Nasa’i e Ibn Majah registraram, através de Abu Dharr al-Ghifari (que Allah esteja satisfeito com ele), um hadith sobre as orações voluntárias do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) no Ramadã. Nele, Abu Dharr (que Allah esteja satisfeito com ele) relata: Jejuamos durante o mês de Ramadã junto com o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). No entanto, ele não estabeleceu o costume de realizar orações voluntárias conosco durante esse mês. Quando restavam sete dias para o fim do mês, ele veio e realizou conosco orações voluntárias. Contudo, depois de nos conduzir na oração por quatro noites, não voltou a conduzi-la.
Foi narrado por Zayd ibn Thabit (que Allah esteja satisfeito com ele) em al-Bukhari e Muslim: Certa vez, o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) começou a permanecer numa esteira, numa câmara da mesquita — isto é, para o i’tikaf durante os últimos dez dias do Ramadã. Ali, ele realizou orações voluntárias durante algumas noites. As pessoas chegaram até mesmo a começar a orar com ele. Então, certo dia, não ouviram dele nenhuma resposta ou som. Pensaram que ele havia adormecido. Por isso, alguns começaram a pigarrear, para que ele saísse até eles. Ao perceber a situação, ele disse: «Notei o empenho de vocês em relação a esta oração. Temo que ela se torne obrigatória para vocês. Se isso acontecer, vocês não conseguirão mantê-la. Portanto, realizem esta oração em suas casas, pois, exceto as orações obrigatórias, é melhor realizar as demais orações em casa.»
Foi narrado por Abu Hurayra (que Allah esteja satisfeito com ele) em Sahih Muslim: O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) nos incentivava a realizar a oração durante as noites do Ramadã, mas não nos exortava insistentemente a isso. Ele dizia: «Aquele que se levantar para a oração durante o mês do Ramadã, com fé e esperando a recompensa de Allah, terá seus pecados passados perdoados.» Depois, o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) faleceu, e a situação permaneceu a mesma quanto a isso. A mesma situação continuou durante o califado de Abu Bakr (que Allah esteja satisfeito com ele) — isto é, a oração de Tarawih não era realizada em congregação; quem a realizava, fazia-o individualmente. A mesma situação continuou também no início do califado de Umar (que Allah esteja satisfeito com ele).
Foi narrado por Abd ar-Rahman ibn Abd al-Qari em Sahih al-Bukhari: Certa noite, saí com o califa Umar ibn al-Khattab em direção à mesquita. Quando chegamos, vimos que as pessoas estavam realizando a oração na mesquita em grupos separados. Algumas oravam individualmente, enquanto outras se reuniam em pequenos grupos para orar. Ao ver essa situação, Umar (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: «Seria melhor se eu reunisse todos eles atrás de um único imame.» Então, decidiu fazê-lo e reuniu todos atrás de Ubayy ibn Ka’b.
Abd ar-Rahman relata: Na noite seguinte, saí com Umar. Vimos que as pessoas estavam orando atrás de seu recitador. Ao observar essa situação organizada, Umar (que Allah esteja satisfeito com ele) exclamou: «Esta é uma excelente inovação.» Ele disse às pessoas: «O momento em que vocês dormem é melhor para vocês do que o momento em que realizam esta oração» — isto é, a última parte da noite.
Foi narrado por Sa’ib ibn Yazid em al-Muwatta de Malik que o califa Umar (que Allah esteja satisfeito com ele) ordenou a Ubayy ibn Ka’b e a Tamim ad-Dari que conduzissem as pessoas em onze rak’ahs de oração durante o mês do Ramadã, incluindo o witr. Assim, o imame nos conduzia na oração recitando cem versículos. Devido à duração dessa permanência em pé, acabávamos sendo obrigados a ficar apoiados em bengalas. Terminávamos essa oração próximo ao horário do fajr.
10
A oração de istisqa e a oração do eclipse solar
Salatul Istisqa (Istisqa é uma palavra árabe. Significa pedir água ou suplicar por água. Quando não chovia ou surgia necessidade de água, o Mensageiro de Allah (s.) suplicava água ao Senhor dos mundos. Para esse propósito, às vezes ele também realizava uma oração de duas rak‘at.)
Está comprovado que o Mensageiro de Allah (s.) suplicou por água de várias maneiras. Essas maneiras são as seguintes:
Certa sexta-feira, durante o sermão, ele suplicou por água recitando a seguinte súplica:
(Árabe******************)
Significado: Ó Allah, dá-nos água. Ó Allah, envia-nos chuva. Ó Allah, dá-nos água para beber! Ó Allah, dá-nos água para beber.”
Segundo: certa vez, quando as pessoas lhe informaram sobre a escassez de água e a ausência de chuvas, ele lhes disse que sairia para realizar a oração de Istisqa. Conforme prometera, saiu ao nascer do sol. Extremamente humilde, submisso e contrito, saiu com as pessoas como um suplicante. Subiu ao púlpito (há dúvida quanto à autenticidade do relato de que ele tenha subido ao púlpito) e fez a seguinte súplica:
Árabe**************)
Significado: Todo louvor pertence a Allah, Senhor dos mundos, o Misericordioso, o Compassivo, Soberano do Dia da Retribuição. Não há divindade além de Allah; ele faz o que quer. Ó Allah, tu és Allah; não há divindade além de ti. Fazes o que queres. Ó Allah, não há divindade além de ti. Tu és o Absolutamente Rico, o Possuidor de abundância, enquanto nós somos pobres, necessitados e dependentes de ti. Por tua misericórdia, envia-nos chuva. E tudo o que fizeres chover sobre nós, transforma-o em fonte de força para nós e também em meio de sustento para um período determinado.’
Depois, ele ergueu as mãos e começou a fazer du‘a com humildade, chorando e suplicando. Elevou tanto as mãos que a brancura de suas axilas ficou visível. Em seguida, virou-se na direção da qibla, deixando a congregação atrás de si. Naquele momento, também mudou a posição de seu manto: colocou a parte direita sobre o lado esquerdo e a parte esquerda sobre o lado direito. Do mesmo modo, colocou a parte das costas sobre o peito e a parte do peito sobre as costas. Naquele momento, vestia um manto preto. Assim, voltado para a qibla, continuou fazendo du‘a. A congregação também continuou suplicando e lamentando junto com ele.
Depois, desceu do minbar e realizou duas rak‘at de oração com as pessoas presentes. Essas duas rak‘at foram realizadas, como a oração do Eid, sem adhan nem iqama. Nessa oração, recitou o Alcorão em voz alta. Na primeira rak‘ah, depois da surata Al-Fátiha, recitou a surata Al-A‘la; na segunda, recitou Al-Gháshiya. Três: o terceiro método consistia em que, em um dia diferente da sexta-feira, ele subia ao minbar da Mesquita do Profeta e fazia sozinho a súplica por chuva. Não há relato de que tenha realizado uma oração nessa ocasião.
Quatro: o quarto método consistia em que ele se sentava na mesquita, erguia as mãos e suplicava por chuva, fazendo a seguinte du‘a:
(Árabe******************)
Significado: Ó Allah! Dá-nos de beber com chuva de água doce. Concede-nos chuva suficiente, não lenta, mas intensa. Concede-nos chuva benéfica, não prejudicial.”
Cinco: ele saiu da mesquita e foi até perto de Jawārab para suplicar por chuva. Atualmente, esse lugar é chamado de Babus-Salam. Ficava tão distante da mesquita quanto alcança uma pedra quando lançada.
Seis: às vezes, ele suplicava por chuva durante as batalhas. Quando os politeístas inimigos ocupavam os poços, os reservatórios e as nascentes de água, os muçulmanos ficavam sedentos. Eles, aflitos, informavam-no sobre a falta de água. Então, ele suplicava a Allah, pedindo água.
Os hipócritas diziam aos muçulmanos: “Se ele fosse um profeta, certamente obteria água ao suplicar por ela, assim como Moisés, que a paz esteja com ele, suplicou por água e a obteve.” Quando essa declaração chegou aos ouvidos do nobre Profeta, que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele, ele disse: “Eles realmente disseram isso? Então, em breve, vosso Senhor providenciará o alívio da vossa sede.” Depois de dizer isso, ergueu as mãos e suplicou água ao seu Senhor. Antes mesmo de baixar as mãos após a du‘a, o céu ficou coberto de nuvens. Caiu uma chuva abundante. A água começou a correr pelos canais, depressões e valas. Todos beberam água e ficaram satisfeitos. Naquela ocasião, ele suplicou por chuva com as seguintes palavras:
(Árabe*****************)
Significado: Ó Allah! Dá de beber aos Teus servos e aos Teus animais e aves. Espalha a Tua misericórdia e vivifica as cidades por meio dela. Dá-nos de beber uma chuva de água doce e sacia-nos. Torna esta chuva benéfica para nós, e não prejudicial. Faz com que caia prontamente, sem demora.
— Sempre que Rasulullah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) suplicava por chuva, chovia.
— Às vezes chovia intensamente e isso causava danos; então Rasulullah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) suplicava para que a chuva parasse.
— Quando via nuvens, Rasulullah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) ficava apreensivo, pois temia que nelas houvesse o castigo de Allah. Quando chovia, porém, seu rosto se iluminava de felicidade e alegria.
Salim ibn Abdullah narrou, com base em seu pai, Abdullah ibn Umar (que Allah esteja satisfeito com ele), um hadith marfu’. Nele, ele disse que a súplica de Rasulullah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) pela chuva era a seguinte:
(Árabe*******************)
Significado: Ó Allah! Dá-nos de beber uma chuva que nos sacie; uma chuva abundante, completa, densa e duradoura. Ó Allah, faz chover e dá-nos de beber. Não nos incluas entre os desesperados e privados. Ó Allah! Teus servos, Tuas cidades, Teus animais e aves e toda a criação foram atingidos pela fome, pela sede e pelas aflições. Não apresentamos esta súplica a ninguém além de Ti. Ó Allah! Produz colheitas para nós! Enche de leite os úberes dos nossos animais! Dá-nos de beber das bênçãos (abundância) do céu e da terra! Faz surgir para nós as bênçãos (abundância) da nossa terra! Remove de nós a fome, a sede, as aflições, as dificuldades e a falta de vestimentas! Afasta de nós todas as calamidades e desgraças que ninguém além de Ti pode afastar. Ó Allah! Pedimos perdão somente a Ti. Certamente, certamente, Tu és o Perdoador, o Misericordioso. Faz cair sobre nós uma chuva abundante do céu.
— O imã Shafi‘i disse: «Gosto muito que os imãs façam esta súplica durante o istisqa.»
— O imã Shafi‘i também disse: «Recebemos, por uma fonte confiável, a informação de que o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) suplicava por chuva (istisqa) erguendo as duas mãos.»
— O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: «A súplica feita durante a chuva não é rejeitada.»
A oração do kusuf, ou do eclipse solar [Geralmente, o eclipse solar é chamado de “kusuf”, enquanto o eclipse lunar é chamado de “khusuf”. Contudo, nos hadiths, tanto o eclipse solar como o kusuf e o khusuf são mencionados. Não há prova de que o Mensageiro (que a paz esteja sobre ele) tenha rezado durante um eclipse lunar. As expressões “oração do kusuf” e “oração do khusuf” referem-se à oração do eclipse solar.]
Certa vez, depois de o sol nascer e subir um pouco, começou um eclipse solar. O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), aflito e agitado, saiu rapidamente de casa em direção à mesquita, puxando o seu manto. Então, foi para a frente e rezou duas rak‘ahs com as pessoas. Na primeira rak‘ah, após a surata al-Fatiha, recitou uma surata longa. Recitou em voz alta. Em seguida, fez um longo rukū‘. Depois de levantar a cabeça do rukū‘, permaneceu por longo tempo em pé. Esse qiyam não era o qiyam da recitação da surata, mas o qiyam após o rukū‘. Ao levantar a cabeça do rukū‘, disse: “Sami‘allāhu liman ḥamidah, rabbanā laka al-ḥamd” (“Allah ouve quem O louva; nosso Senhor, a Ti pertence o louvor”). Depois, iniciou novamente a recitação. Fez outro rukū‘ longo, mas desta vez permaneceu nele por um período um pouco menor que o primeiro. Em seguida, prostrou-se e fez uma longa prostração.
— Rezou a segunda rak‘ah da mesma maneira.
— Assim, em cada rak‘ah, ele fez dois rukū‘ e duas prostrações.
— Desse modo, a oração totalizou quatro rak‘ahs, com quatro rukū‘ e quatro prostrações nas quatro rak‘ahs.
Enquanto fazia esta oração, ele viu o Paraíso e o Inferno.
Depois de terminar a oração, ele proferiu diante do povo um sermão comovente. O que as pessoas memorizaram desse sermão foi narrado por diversos narradores. Segundo uma narração, ele disse nesse sermão: “O sol e a lua são dois dos sinais de Allah. O eclipse solar e o eclipse lunar não têm relação alguma com a vida ou a morte de ninguém. Quando virdes um eclipse da lua ou do sol, invocai Allah, proclamai a grandeza de Allah, rezai e dai esmolas. Ó comunidade dos seguidores de Muhammad! Por Allah, não há nada que provoque mais ira em Allah do que um servo ou uma serva de Allah cometer adultério. Ó seguidores de Muhammad! Por Allah, se soubésseis o que eu sei, certamente riríeis menos e choraríeis mais.”
“Tudo aquilo que vos prometi, neste momento, vi diante de mim. Cheguei até a desejar, depois de ver o Paraíso, arrancar de lá um cacho de uvas e trazê-lo; então me vistes avançar um pouco. Mas, assim que avancei um pouco, vi o Inferno. Uma parte dele é terrivelmente horrenda em comparação com outra! Uma parte está mastigando e devorando a outra! Nesse momento, vistes-me recuar. Nunca vi uma cena mais aterradora do que o Inferno. Vi que a maioria dos que sofrem castigo no Inferno são mulheres.”
— As pessoas perguntaram: Ó Mensageiro de Allah! Qual é a razão disso?
— Ele respondeu: A razão é a ingratidão delas.
— Perguntaram: Elas são ingratas para com Allah?
— Ele respondeu: Elas demonstram ingratidão para com o marido e o próximo. Por mais benefícios que alguém lhes faça, elas não demonstram gratidão. Mesmo que passes a vida inteira fazendo o bem e trazendo benefícios a uma mulher, se depois cometeres um pequeno erro, ela dirá: “Nunca recebi nada de bom de ti.”
“Foi-me revelado que sereis submetidos a uma prova no túmulo. Essa prova (fitna) será semelhante à prova do Dajjal ou próxima dela. Então, alguém virá a cada um de vós e perguntará: ‘O que sabes sobre este homem (Muhammad)?’
O crente responderá: Este é Muhammad. Ele veio da parte de Allah com provas claras e orientação. Atendemos ao seu chamado, cremos e seguimos-no.
Então lhe será dito: Dorme em segurança. Tu és virtuoso. Sabíamos que eras certamente um crente.
Mas o hipócrita responderá: Eu nada sei sobre ele. Ouvi as pessoas dizerem várias coisas a respeito dele e apenas repeti o que elas disseram.”
O Imã Ahmad ibn Hanbal mencionou, em seu Musnad, por outra cadeia de transmissão, o sermão do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) após a oração de istisqa. Foi narrado que o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) terminou a oração com o salam e, depois de recitar o louvor, a exaltação e a profissão de fé, proferiu um sermão (khutba). No sermão, disse: Ó gente! Eu vos pergunto, em nome de Allah: cometi alguma falha ao transmitir-vos a mensagem do meu Senhor?
Então um homem se levantou e disse: Dou testemunho de que transmitistes a mensagem do vosso Senhor, desejastes o bem dos vossos seguidores e cumpristes plenamente a vossa responsabilidade. Não cometestes falha em coisa alguma.’
Depois, ele disse: Algumas pessoas pensam que os eclipses solar e lunar e o desvio dos astros de suas órbitas ocorrem devido à morte de alguma grande personalidade da Terra. Tudo isso é falso. Ao contrário, tudo isso são sinais de Allah. Ele deseja que Seus servos aprendam com eles, se arrependam e se conduzam pelo caminho correto.
Juro por Allah que, quando me levantei para a oração, contemplei todas as condições do vosso mundo e da vida futura. Allah sabe melhor. A Hora não acontecerá antes do surgimento de trinta grandes mentirosos. O último será o Dajjal caolho. Seu olho esquerdo estará destruído. Quando surgir, reivindicará ser uma divindade. Quem crer nele, o reconhecer como verdadeiro e o seguir não obterá nenhum benefício de suas boas ações anteriores. E quem lhe desobedecer e o rejeitar não será punido por nenhum de seus pecados passados. Ele tomará posse de toda a Terra, exceto da Caaba e de Bayt al-Maqdis. Cercará Bayt al-Maqdis, onde estarão os crentes. Então ocorrerá uma terrível revolta dos crentes. Como resultado, ele e seu exército serão destruídos. Naquele momento, até as fundações das paredes e as raízes das árvores clamarão: Ó muçulmano, ó crente! Aqui há um judeu ou um incrédulo. Vem matá-lo….”
Essas narrativas sobre a oração do eclipse solar e o sermão foram transmitidas do nobre Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) por cadeias autênticas.
Também há relatos de outro método para a oração do eclipse solar. De acordo com esses relatos, às vezes ele fazia três rukū‘ em cada rak‘ah, às vezes quatro rukū‘ e, às vezes, realizava a oração com um único rukū‘, como na oração comum.
No entanto, os grandes imames não consideram autênticos esses relatos, entre eles o Imam Ahmad ibn Hanbal, o Imam Bukhari e o Imam Shafi‘i. Eles consideram esses relatos errôneos.
O Imam Abu ‘Isa al-Tirmidhi, citando a declaração do Imam Bukhari, disse que ele afirmou: “Na minha opinião, entre os hadiths sobre a oração do eclipse solar, o relato mais autêntico é que o Mensageiro ﷺ realizou essa oração com quatro rukū‘ e quatro sujūd: em cada rak‘ah, fez dois rukū‘ e dois sujūd.”
11
As orações dos dois Eids
Ele realizava a oração do Eid em um campo
O Mensageiro de Allah ﷺ realizava as orações dos dois Eids em um campo. Havia um campo junto à entrada oriental de Medina. Era nesse campo que ele realizava as três orações do Eid. Atualmente, os veículos dos peregrinos são estacionados ali.
Ele nunca realizou a oração do Eid na mesquita, exceto uma vez. E, nessa única ocasião, realizou-a na mesquita por causa da chuva. Isso foi narrado no Sunan de Abu Dawud e de Ibn Majah.
O que ele fazia no dia do Eid?
Era costume dele sempre realizar a oração do Eid no Eidgah.
Ao sair com destino ao Eidgah, ele vestia as roupas mais bonitas que pudesse. Ele tinha uma hullah (um manto longo e folgado ou alkhalla) para usar nos dois Eids e na sexta-feira.
Certa vez, ele foi ao Eidgah usando dois xales verdes.
Alguns disseram que certa vez ele foi ao Eidgah usando um xale vermelho. Na realidade, não era um xale vermelho; havia um trabalho avermelhado na borda. Não é possível que ele tenha usado um xale vermelho, pois proibiu o uso de roupas vermelhas e cor de açafrão (ocre). Certa vez, ao ver Abdullah ibn Umar usando duas peças de roupa vermelhas, ordenou-lhe que as queimasse. Como poderia ele próprio usar algo que tanto desaprovava? A partir de sua proibição, entende-se que as roupas vermelhas, para os homens, são haram ou, no mínimo, makruh tahrimi.
No dia do Eid al-Fitr, ele comia algumas tâmaras antes de sair para o Eidgah. O número delas era ímpar.
No dia do Eid al-Adha, não comia nada antes de retornar da oração. Depois de voltar da oração, comia a carne do sacrifício.
Nos dias dos dois Eids, ele tomava banho antes de ir ao Eidgah. Este é o hadith autêntico. Contudo, sobre esse assunto, existem dois hadiths fracos com versões diferentes.
Abdullah ibn Umar (que Allah esteja satisfeito com ele) seguia rigorosamente a Sunnah. Por isso, em ambos os Eids, tomava banho e saía.
O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) ia a pé até o local da oração do Eid.
Enquanto se dirigia ao local da oração do Eid, uma lança era levada à sua frente. Ao chegarem ao local, a lança era fincada verticalmente no chão, para que ele pudesse posicionar-se para a oração tendo-a à sua frente. Isso porque o local da oração do Eid era um campo aberto, sem qualquer parede ou estaca diante dele. Assim, ele usava essa arma como sutrah.
Ele fazia a oração do Eid al-Fitr mais tarde.
Ele fazia a oração do Eid al-Adha bem cedo. Para observar rigorosamente essa Sunnah, Abdullah ibn Umar (que Allah esteja satisfeito com ele) partia em direção ao local da oração do Eid al-Adha antes do nascer do sol.
Ele (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) continuava a pronunciar o takbir desde que saía de casa até chegar ao local da oração do Eid.
Como ele fazia a oração do Eid?
Assim que chegava ao local da oração do Eid, o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) começava a oração. Antes da oração, não se fazia o adhan, não se dava a iqamah, nem se anunciava que a oração estava começando. Ele não fazia nada disso. Essa é a Sunnah.
Ao chegar ao local da oração do Eid, ele e seus Companheiros não realizavam nenhuma outra oração antes ou depois dessas duas rakʿahs.
Ele realizava a oração antes do khutbah.
Ele realizava duas rakʿahs.
Na primeira rakʿah, ele proferia sete takbīrs. Logo após o takbīr de taḥrīmah, proferia sete takbīrs. Fazia uma breve pausa entre cada dois takbīrs. Não há comprovação de que recitasse algum dhikr ou tasbīḥ entre os dois takbīrs. No entanto, ʿAbdullāh ibn Masʿūd, que Allah esteja satisfeito com ele, disse que ele recitava ḥamd, thanā e ṣalāh sobre o Profeta.
ʿAbdullāh ibn ʿUmar, que Allah esteja satisfeito com ele, seguindo o Mensageiro de Allah, que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele, realizava rafʿ al-yadayn a cada takbīr.
Depois de terminar os takbīrs, ele começava a recitação. Após a Sūrat al-Fātiḥah, em uma rakʿah recitava a sūrah “Nūn wal-qalami al-majīd” e, na outra, a sūrah “Iqtarabatis-sāʿatu wan-shaqqal-qamar”. Às vezes, recitava as sūras “Sabbih isma rabbikal-aʿlā” e “Hal atāka ḥadīthul-ghāshiyah”. Estas são as únicas narradas por cadeias autênticas. As demais narrações não são autênticas.
Depois de terminar a recitação, ele proferia o takbīr e realizava o rukūʿ e o sujūd.
Depois de concluir a primeira rakʿah e se levantar do sujūd, no início da segunda rakʿah ele proferia cinco takbīrs consecutivos. Depois de terminar os takbīrs, começava a recitação.
Assim, iniciava cada rak‘ah com os takbirs mencionados e ia para o rukū‘ imediatamente após concluir a recitação. [Em Abu Dawud, foi narrado por um tābi‘ī que ele dizia quatro takbirs em cada uma. Ele afirmou ter obtido essa informação ao perguntar aos Companheiros Abu Musa e Hudhayfa (que Allah esteja satisfeito com ambos). O nome desse tābi‘ī era Sa‘id ibn al-‘As.] (Esses hadiths sobre os takbirs foram narrados por At-Tirmidhi, Ibn Majah e Ad-Darimi.)
Alguns narraram que Rasulullah (s.a.w.) dizia os takbirs antes da recitação da surata na primeira rak‘ah e depois da recitação da surata na segunda rak‘ah. Porém, essas narrações não são comprovadas. Na cadeia de transmissão dessa narração encontra-se um homem chamado Muhammad ibn Mu‘awiya Nishapuri. Al-Bayhaqi afirmou que se soube, por várias fontes, que esse homem estava envolvido em mentiras.
O Imam At-Tirmidhi narrou, com uma cadeia autêntica, um hadith de Kathir ibn ‘Abdullah ibn ‘Amr ibn ‘Awf. Kathir ibn ‘Abdullah ouviu de seu pai, que o ouviu de seu avô: Rasulullah (s.a.w.) dizia sete takbirs antes da recitação na primeira rak‘ah e cinco takbirs antes da recitação na segunda rak‘ah, em ambas as orações do Eid. At-Tirmidhi disse: “Perguntei a Muhammad ibn Isma‘il, isto é, ao Imam Al-Bukhari, sobre esse hadith.” O Imam Al-Bukhari respondeu: “Não há hadith mais autêntico do que este sobre os takbirs da oração do Eid.”
O Imam At-Tirmidhi disse: “Minha opinião sobre esse hadith é a mesma que a do Imam Al-Bukhari.”
Ele proferia o sermão (khutbah) depois da oração.
Rasulullah (s.a.w.) terminava a oração, virava-se e ficava de pé diante do povo. As pessoas permaneciam sentadas em suas respectivas fileiras. De pé, ele proferia um sermão (khutbah) dirigido ao povo. No sermão, dava-lhes conselhos e orientações, e transmitia-lhes ordens e proibições.
Quando era necessário enviar um exército a algum lugar, ele o enviava dali mesmo.
Quando era necessário emitir alguma ordem, ele a emitia dali mesmo.
Não havia nenhum púlpito no local (no Eidgah) para proferir o sermão. Além disso, nenhum púlpito era trazido da mesquita de Medina. Ele proferia o sermão permanecendo de pé no chão.
Jabir (que Allah esteja satisfeito com ele) narrou: «Estive presente com o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) na oração do Eid. Ele rezou antes do sermão, sem adhan nem iqama. Depois de terminar a oração, proferiu o sermão apoiado no ombro de Bilal. No sermão, ordenou-lhes que temessem Allah e obedecessem a Allah, deu vários conselhos às pessoas e falou sobre outros assuntos.»
Depois, ele foi até a assembleia das mulheres, aconselhou-as e exortou-as. (Bukhari e Muslim)
Há uma narração de Abu Sa’id al-Khudri (que Allah esteja satisfeito com ele) segundo a qual o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) proferiu o sermão montado em sua montaria.
Há também uma narração de Jabir, na qual ele diz: «O nobre Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) foi ao Eidgah e primeiro rezou. Depois de terminar a oração, proferiu o sermão; ao terminá-lo, desceu e dirigiu-se às mulheres com um sermão.»
Ele começava o sermão louvando a Allah. Não há prova de que começasse o sermão dizendo takbir.
Foi narrado por Sa’d, o muezim do nobre Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), que o Mensageiro (que a paz esteja sobre ele) dizia muitos takbirs no sermão e dizia ainda mais takbirs nos sermões dos dois Eids. Contudo, isso não prova que ele começasse o sermão dizendo takbir.
O Mensageiro (que a paz esteja sobre ele) dava àqueles que compareciam à oração do Eid a opção de permanecerem sentados para ouvir o sermão ou, se quisessem partir, irem embora. Certa vez, quando o Eid coincidiu com uma sexta-feira, ele lhes concedeu essa permissão.
Mudava o caminho de ida e volta ao campo de oração do Eid.
O Mensageiro de Allah (s.) mudava o caminho de ida e volta ao campo de oração do Eid. Ao ir para o campo de oração do Eid, seguia por um caminho e, ao retornar, voltava por outro. Diferentes pessoas mencionaram diferentes razões para essa mudança de caminho.
Alguns disseram que o objetivo era cumprimentar com salam um número maior de pessoas pelos dois caminhos.
Alguns disseram que o objetivo era levar as bênçãos do Eid aos habitantes de ambas as regiões.
Alguns disseram que o objetivo era ajudar os necessitados de ambos os caminhos.
Alguns disseram que o objetivo era manifestar a civilização e a cultura islâmicas em todas as ruas, vielas, caminhos e campos.
Alguns disseram que o objetivo era demonstrar aos hipócritas a glória, o esplendor e o poder do Islã.
Alguns disseram que o objetivo era tornar mais terras testemunhas em favor dos muçulmanos que oravam.
12
Oração fúnebre
A melhor conduta para com o falecido
Quando o Mensageiro de Allah (s.a.) perdia a esperança quanto à vida de um doente, dizia
(Árabe******************)
Significado: Certamente, pertencemos a Allah e certamente retornaremos para Ele.”
Ele fazia esse tipo de doente lembrar-se da Vida Futura, recomendava-lhe que deixasse um testamento, que se arrependesse e que repetisse várias vezes esta melhor frase, que contém a declaração de fé em Allah e de Sua unicidade: “Lā ilāha illā Allah”, para que essa declaração de fé fosse a última coisa que pronunciasse em sua vida.
Quando alguém morria, ele adotava a melhor conduta a seu respeito. Sua atitude para com o falecido era a mais benéfica possível. Sua política habitual em relação ao falecido era benéfica para sua vida terrena e para a Vida Futura, consoladora para seus familiares e instrutiva e admoestadora para os vivos.
Ele também realizava o sepultamento e o kafan do falecido por meio da adoração ao Deus Altíssimo.
Ele estabeleceu o método da oração fúnebre pelo falecido (salat significa súplica; “salat fúnebre” significa fazer uma súplica pelo falecido. Chamamos a salat fúnebre de “oração do funeral”. Trata-se, essencialmente, de uma cerimônia de súplica pelo falecido).
Ele ficava de pé diante do falecido. Os Companheiros ficavam enfileirados atrás dele. Juntamente com ele, louvavam a Deus. Pediam perdão pelo falecido, rogavam a misericórdia de Deus para ele e suplicavam por sua salvação na vida futura. Acompanhavam o caixão até o túmulo. Sepultavam-no da melhor maneira. Depois, ele e seus companheiros permaneciam diante do túmulo e suplicavam por sua salvação nos capítulos seguintes. Pois, após a morte, a salvação nesses capítulos é o que ele mais necessita.
Depois, ele estabeleceu o costume de visitar ocasionalmente o túmulo e, durante a visita, cumprimentar o falecido com a saudação de paz e fazer súplicas por ele. Era como visitar um ente querido durante a vida, cumprimentá-lo e desejar-lhe bem-estar.
— Para o falecido, ele proibiu o choro aos gritos, bater no peito, rasgar as roupas do rosto, raspar a cabeça e lamentar em voz alta, entre outras coisas.
— Em contrapartida, estabeleceu o costume de ficar enlutado pelo falecido, chorar silenciosamente e sentir o coração pesaroso.
— Era isso que ele fazia pelo falecido. Ele dizia que, pelo falecido, os olhos derramariam lágrimas, o coração ficaria pesaroso e a língua pronunciaria apenas aquilo que agradasse a Deus, o Puríssimo.
Banho ritual e kafan do falecido
A Sunnah do Mensageiro (que a paz esteja sobre ele) era que, quando alguém morria, ele providenciava que o falecido fosse banhado e purificado. Aplicava-lhe perfume e fragrância. Providenciava-lhe uma mortalha de tecido branco. Sob sua orientação, os Companheiros adornavam o falecido dessa maneira. Depois, ele realizava a oração fúnebre por ele.
Geralmente, ele não realizava a oração fúnebre na mesquita. Contudo, há evidências de que a realizou na mesquita uma ou duas vezes. Ambas as formas são permitidas. No entanto, é preferível realizá-la fora da mesquita.
Beijar o falecido
É Sunnah do Mensageiro de Allah (que a paz esteja sobre ele) endireitar o corpo do falecido imediatamente após sua morte, fechar seus olhos e cobrir seu rosto e seu corpo.
Às vezes, ele beijava o falecido. Após a morte de Uthman ibn Maz’un (que Allah esteja satisfeito com ele), ele o beijou e chorou por ele.
Após o falecimento do Mensageiro de Allah (que a paz esteja sobre ele), Abu Bakr al-Siddiq (que Allah esteja satisfeito com ele) inclinou-se sobre seu caixão e o beijou.
Os mártires não recebem banho ritual nem oração fúnebre
Ele não mandava dar banho ritual àqueles que eram martirizados no caminho de Allah. Foi narrado por Imam Ahmad ibn Hanbal que o Mensageiro (que a paz esteja sobre ele) proibiu que se desse banho ritual aos mártires.
Eles retiravam as armas e as vestes de couro dos mártires e os enterravam com todas as suas demais roupas.
Ele também não realizava a oração fúnebre pelos mártires, pois, por meio do martírio, os pecados dos mártires são perdoados.
Quitar as dívidas antes da oração fúnebre
Quando algum falecido era levado até ele para a oração fúnebre, perguntava: “Essa pessoa tem alguma dívida?” Se o falecido não tivesse dívidas, ele realizava a oração fúnebre por ele. Porém, se o falecido fosse devedor, ele próprio não realizava a oração fúnebre; dizia aos Companheiros: “Realizem vocês a oração fúnebre por seu irmão.” Na realidade, a oração fúnebre do Mensageiro de Allah era uma intercessão junto a Allah em favor do falecido, e essa intercessão era certamente aceita. Contudo, o devedor não entrará no Paraíso enquanto sua dívida não for quitada. Por isso, quando Allah, o Altíssimo, lhe concedia prosperidade, ele próprio quitava a dívida do falecido, realizava a oração fúnebre por ele e entregava aos seus herdeiros os bens que havia deixado.
Como ele realizava a oração fúnebre?
— Era uma prática do Mensageiro de Allah, que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele: quando o falecido era homem, ele ficava alinhado com a cabeça; quando era mulher, ficava alinhado com o meio do corpo.
Ele iniciava a oração fúnebre dizendo “Allahu Akbar”. Em seguida, recitava o louvor e a glorificação de Allah.
— Certa vez, Abdullah ibn Abbas, que Allah esteja satisfeito com ele, ao dirigir a oração fúnebre, recitou a Al-Fátiha em voz alta após o takbir. Ele disse: “Fiz isso para que vocês soubessem que recitar a surata Al-Fátiha na oração fúnebre é uma sunnah.”
—Da mesma forma, Abu Umama ibn Sahl, que Allah esteja satisfeito com ele, disse que é sunnah recitar a Surata al-Fatiha após o primeiro takbir da oração fúnebre. A recitação da Surata al-Fatiha foi narrada, por sua autoridade, do Nobre Profeta, que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele. Contudo, a cadeia de transmissão deste hadith não é autêntica.
Nosso shaykh, o imam Ibn Taymiyyah, disse que não é obrigatório recitar a Surata al-Fatiha na oração fúnebre, mas é sunnah.
—Abu Umama ibn Sahl narrou, por intermédio de um grupo de Companheiros, que na oração fúnebre se deve recitar a salat (durud) pelo Mensageiro de Allah, que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele.
—Quando Ubadah ibn Samit foi questionado sobre como o Mensageiro de Allah, que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele, realizava a oração fúnebre, respondeu:
Juro por Allah que certamente direi como ele realizava a oração fúnebre. Começarás a oração dizendo «Allahu Akbar»; em seguida, recitarás a salat (durud) pelo Nobre Profeta, que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele. Depois, farás a seguinte súplica pelo falecido:
(Árabe******************************)
Significado: Ó Allah! Este Teu servo não associava parceiros a Ti. E Tu és quem melhor o conhece. Se ele era virtuoso, aumenta ainda mais as suas boas ações; e, se era pecador, perdoa os seus pecados. Ó Allah! Não nos prives da sua recompensa. Depois dele, não desvies aqueles de nós que ainda estão vivos.
As pessoas não memorizaram as palavras da Surata al-Fatiha e do durud tanto quanto memorizaram as palavras da súplica.
—Também é narrado que ele fazia a seguinte súplica pelo falecido:
(Árabe*****************)
Significado: Ó Allah! Perdoa este falecido, tem misericórdia dele e trata-o com bondade. Torna honrosa a sua chegada e amplia a sua entrada. Lava-o com água fria e gelo. Purifica completamente os seus pecados, tal como se limpa uma roupa branca da sujeira. Concede-lhe uma morada melhor do que a sua morada, uma família melhor do que a sua família e um companheiro melhor do que o seu companheiro. Faz com que ele entre no Paraíso e protege-o do castigo do túmulo e do castigo do Inferno.”
—Também é narrado que ele fez a seguinte súplica:
(Árabe*******************)
Significado: Ó Allah! Perdoa todos nós: os vivos e os mortos, os jovens e os idosos, os homens e as mulheres, os presentes e os ausentes. Mantém no Islam aqueles dentre nós a quem desejas manter vivos. E concede uma morte com fé àqueles a quem desejas fazer morrer. Ó Allah! Não nos prives da recompensa dele e, depois dele, não submeta os nossos vivos a nenhuma provação.”
Também está comprovado que o Mensageiro de Allah (que a paz esteja com ele) fez a seguinte súplica pelas mulheres durante a oração fúnebre:
(Árabe****************)
Significado: Ó Allah! Tu és o Senhor desta mulher. Tu a criaste. Tu lhe concedeste a orientação para o Islã. E agora Tu tomaste sua alma. Viemos à Tua presença para interceder por ela. Por favor, perdoa-a.”
O Mensageiro de Allah ordenou que se fizesse súplica pelos mortos com devoção e sinceridade.
Quantos takbires há na oração fúnebre?
O Mensageiro de Allah realizava a oração fúnebre com quatro takbires. Também é conhecido, por fontes autênticas, que ele fazia cinco takbires.
Após seu falecimento, alguns Companheiros realizavam a oração fúnebre com quatro takbires, outros com cinco e outros com seis.
Zayd ibn Arqam realizou a oração fúnebre com cinco takbires. Ele disse que o nobre Profeta realizava a oração fúnebre com cinco takbires. Este hadith foi narrado no Sahih Muslim.
Ali realizou a oração fúnebre de Sahl ibn Hunayf com seis takbires. Ele realizava a oração fúnebre dos Companheiros que participaram de Badr com seis takbires. Para os demais Companheiros, realizava-a com cinco takbires. Além disso, realizava a oração fúnebre das outras pessoas com quatro takbires. Isso foi narrado pelo Imam al-Daraqutni.
Sa’id ibn Mansur narrou, por intermédio de Hakam, que narrou de Ibn Uyaynah, que os Companheiros realizavam a oração fúnebre dos participantes da batalha de Badr com cinco, seis e sete takbires.
Todos estes são relatos autênticos comprovados pelos Companheiros. É permitido adotar qualquer um desses métodos. Não há possibilidade de rejeitar nenhum deles, pois o próprio Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) e seus Companheiros fizeram mais de quatro takbirs.
Aqueles que proíbem dizer mais de quatro takbirs tomam como prova o hadith de Ibn Abbas (que Allah esteja satisfeito com ele). Nele, Ibn Abbas (que Allah esteja satisfeito com ele) afirma que o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) realizou sua última oração fúnebre da vida com quatro takbirs. Segundo eles, em qualquer questão, o último ato do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) é a decisão final sobre essa questão.
A cadeia de transmissão pela qual este hadith foi narrado de Ibn Abbas (que Allah esteja satisfeito com ele) é muito fraca e completamente defeituosa. O Imam Ahmad disse que essa afirmação é falsa e não tem fundamento algum. Na cadeia de transmissão deste hadith há uma pessoa que forjava hadiths falsos.
Quantas saudações finais há na oração fúnebre?
Foi narrado que o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) fazia uma saudação final na oração fúnebre. Contudo, algumas narrações também mencionam duas saudações finais.
— O Imam al-Bayhaqi e outros narraram, por meio de al-Maqbari, um hadith de Abu Huraira (que Allah esteja satisfeito com ele): “Certa vez, o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) realizou a oração fúnebre com quatro takbirs e uma saudação final.”
— O Imam Ahmad disse que este hadith é fabricado.
Entretanto, o Imam Ahmad também narrou, com uma cadeia autêntica, tanto uma saudação final quanto duas saudações finais.
Os Companheiros concluíram a oração fúnebre com uma única saudação e também a concluíram com duas saudações.
Levantar as mãos na oração fúnebre
O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) levantava as mãos na oração fúnebre? A esse respeito, o Imam Shafi’i disse: com base na tradição e por analogia com a Sunnah do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) na oração, deve-se concluir que se deve levantar as mãos na oração fúnebre. Isso porque o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) levantava as mãos a cada takbir enquanto permanecia de pé na oração.
Foi narrado que Ibn Umar e Anas (que Allah esteja satisfeito com eles) levantavam as mãos a cada takbir na oração fúnebre.
Al-Bayhaqi narrou: o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) levantava as mãos no primeiro takbir e colocava a mão direita sobre a mão esquerda.
Ele realizou a oração fúnebre junto ao túmulo.
Era prática do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) que, se não pudesse realizar a oração fúnebre de alguém antes de seu sepultamento, fosse ao túmulo depois do sepultamento e realizasse ali a oração fúnebre por essa pessoa.
Certa vez, um dia após o sepultamento de uma pessoa, ele foi ao seu túmulo e realizou a oração fúnebre por ela. Em outra ocasião, realizou a oração fúnebre três dias após o sepultamento em um túmulo. E, em outro túmulo, realizou-a um mês depois. A esse respeito, ele não estabeleceu nenhum prazo específico.
O Imam Ahmad disse: quem pode ter dúvidas sobre realizar a oração fúnebre junto ao túmulo? Quando está relatado que o Nobre Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) ia ao túmulo e realizava a oração fúnebre caso tivesse sido omitida a oração fúnebre de alguém, não há margem para dúvida nesse assunto. Há hadices narrados por seis cadeias de transmissão sobre essa questão. Todas as cadeias são hasan (boas).
O Imam Ahmad estabeleceu em um mês o período durante o qual se pode realizar a oração fúnebre junto ao túmulo.
O Imam Ash-Shafi’i disse que se pode realizar a oração fúnebre junto ao túmulo até que o corpo se decomponha e se desfigure.
O Imam Abu Hanifa e o Imam Malik não consideraram correto que ninguém, além do responsável pelo falecido, realizasse a oração fúnebre junto ao túmulo. Eles disseram que, se o wali (responsável) estivesse ausente antes do sepultamento, poderia retornar e realizar a oração fúnebre junto ao túmulo.
A oração fúnebre da criança
Foi narrado por uma cadeia autêntica que o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: “Realizai a oração fúnebre pelas crianças.”
No Sunan de Ibn Majah, foi narrado um hadice marfu‘ que o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: “Realizai a oração fúnebre pelas crianças, pois elas são boas ações enviadas antes de vós.” Segundo o hadice narrado por Sa’id ibn al-Musayyab, sabe-se que, quando um feto abortado completa quatro meses, deve-se realizar sua oração fúnebre.
A oração fúnebre do suicida, do fraudador e da pessoa condenada à morte
-Rasulullah (s.a.) não realizava a oração fúnebre do suicida.
-Ele também não realizava a oração fúnebre daquele que se apropriava indevidamente dos espólios de guerra.
-Há divergência quanto a saber se ele realizou ou não a oração fúnebre de uma pessoa condenada à morte. Embora o Mensageiro (s.a.) não realizasse a oração fúnebre do devedor, do suicida e daquele que se apropriava indevidamente dos espólios de guerra, ele dizia aos Companheiros que a realizassem. Os juristas disseram que a oração fúnebre deve ser realizada por todo muçulmano. -Fiqh al-Sunnah, volume 1.º.]
Acompanhar o caixão era uma prática de Rasulullah (s.a.): depois de realizar a oração fúnebre de um falecido, ele acompanhava o caixão até o túmulo. Nessa ocasião, caminhava a pé à frente do caixão.
Após o seu falecimento, esta também era a Sunnah dos Califas Bem-Guiados.
-Ele também estabeleceu a prática de que aqueles que acompanhassem o caixão montados em algum meio de transporte deveriam ficar atrás dele. Já os que fossem a pé deveriam permanecer próximos ao caixão, ao seu redor — à frente, atrás, à direita e à esquerda.
-Ele ordenava que se caminhasse rapidamente com o caixão. Por isso, os Companheiros avançavam rapidamente com o caixão em direção ao túmulo.
Hoje em dia, a marcha lenta adotada ao levar o caixão ao túmulo é uma inovação religiosa, censurável, contrária à Sunnah e uma prática seguida por judeus e cristãos. Ao ver alguém caminhando lentamente com o caixão, Abu Bakr (r.a.) levantava o seu bastão em sua direção e dizia: “Acaso não viste quão rapidamente caminhávamos com o caixão junto de Rasulullah (s.a.)?”
-Quando o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) levava o caixão em direção ao túmulo, caminhava a pé. Ele dizia: “Os anjos estão caminhando a pé; como eu poderia ir montado?”
-Ao retornar depois de sepultar o falecido, às vezes voltava a pé e às vezes montado.
Ele não se sentava enquanto o falecido não fosse colocado no chão junto ao túmulo.
Oração fúnebre em ausência
Como muitos muçulmanos morreram em lugares distantes e diferentes, a oração fúnebre não foi realizada por eles. Está narrado por fontes autênticas que, após a morte do rei Najashi, o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) realizou a oração fúnebre em sua ausência. A respeito disso, surgiram três opiniões.
1. Uma opinião é que o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) estabeleceu a prática da oração fúnebre em ausência. Portanto, realizar a oração fúnebre em ausência por um falecido que esteja distante é uma sunnah para a comunidade. Esta é a opinião do Imam ash-Shafi’i (que Allah tenha misericórdia dele). Segundo uma narração, esta também é a opinião do Imam Ahmad.
2. O Imam Abu Hanifa (que Allah tenha misericórdia dele) e o Imam Malik (que Allah tenha misericórdia dele) disseram que a oração fúnebre em ausência que o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) realizou por Najashi era exclusiva dele. Isso não se aplica a outras pessoas. Não há prova de que o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) tenha realizado a oração fúnebre em ausência por alguém além de Najashi. Há apenas uma prova de que ele realizou a oração fúnebre em ausência, enquanto há muitas provas de que não a realizou. Portanto, assim como realizá-la é uma sunnah, também não realizá-la é uma sunnah.
3. Segundo o Imam Ibn Taymiyyah, a melhor conduta nesta questão é que, se alguém morrer em um lugar onde sua oração fúnebre não tenha sido realizada, deve-se realizar por ele a oração fúnebre em ausência. Foi assim que o Profeta nobre (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) realizou a oração fúnebre por Najashi, pois ele morreu em um país não muçulmano e sua oração fúnebre não foi realizada. Por outro lado, se alguém morrer em um lugar onde sua oração fúnebre tenha sido realizada, não se deve realizar por ele a oração fúnebre em ausência, pois a obrigação de realizar sua oração fúnebre que recaía sobre os muçulmanos já foi cumprida. O Profeta nobre (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) realizou a oração fúnebre em ausência e também a deixou de realizar. Portanto, tanto realizá-la quanto não realizá-la são sunnah. As circunstâncias em que ele realizou a oração fúnebre em ausência eram diferentes das circunstâncias em que não a realizou.
Outras questões relacionadas ao sepultamento e à sepultura
—Quando o falecido era colocado na sepultura, o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) pronunciava estas palavras:
(Árabe**************)
Significado: «Em nome de Allah, com fé em Allah e seguindo o caminho do Mensageiro de Allah, nós o sepultamos.»
Em outra narração, menciona-se que, nessa ocasião, o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) pronunciava as seguintes palavras:
(Árabe*******************)
Significado: «Em nome de Allah, no caminho de Allah e seguindo o caminho do Mensageiro de Allah, nós o sepultamos.»
—Também foi narrado que, depois de colocar o falecido na sepultura, o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) pegava terra com as próprias mãos e a colocava na sepultura. Ele colocou três punhados de terra. Começava-se a colocar a terra pelo lado da cabeça.
Após o término do enterro, ele permanecia de pé com seus companheiros junto ao túmulo e suplicava pela firmeza do falecido. [Isto é, suplicava para que ele permanecesse firme e pudesse responder durante o interrogatório e as perguntas no túmulo.] Ele instruía seus companheiros a suplicarem pela firmeza do falecido.
-É proibido revestir os túmulos, elevá-los e construir sobre eles mausoléus ou cúpulas. O Mensageiro de Allah (s.a.w.) enviou Hazrat Ali e mandou demolir esse tipo de túmulo.
-O Mensageiro de Allah (s.a.w.) proibiu transformar os túmulos em locais de prostração. Ele também proibiu realizar a oração tendo um túmulo à frente.
-Ele proibiu acender lâmpadas nos túmulos.
-Ele proibiu transformar os túmulos em locais de ‘urs, santuários, feiras e reuniões. Amaldiçoou aqueles que praticassem tais atos.
-A sua Sunna era que não se devia honrar os túmulos, nem tampouco
se devia desonrá-los.
-Ele proibiu as mulheres de irem aos cemitérios para visitar os túmulos. Amaldiçoou aquelas que fizessem isso.
-Quando o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) visitava os túmulos, fazia isso com o propósito de suplicar por seus ocupantes, pedir misericórdia por eles, pedir perdão para eles e lembrar-se da morte.
Durante a visita aos túmulos, ele ensinou os Companheiros a dizer estas palavras:
(Árabe********************)
Significado: Que a paz esteja sobre vós, ó habitantes das moradas entre os crentes e muçulmanos! Se Allah quiser, certamente nos reuniremos convosco. E pedimos a Allah perdão por nós e por vós.”
-Era seu costume oferecer condolências à família e aos parentes do falecido. Ele lhes dizia que aceitassem a decisão de Allah e tivessem paciência.
[Louvado seja Allah, a tradução deste valioso e autêntico livro sobre a oração do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) termina aqui. A partir da maneira como o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) rezava, não se conhece nenhum método diferente de oração para as mulheres. Também não há nenhuma prova de que ele tenha ordenado às mulheres que rezassem de maneira diferente. Portanto, de acordo com a Sunnah, a maneira de rezar dos homens e das mulheres é a mesma.]
— Fim —